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Constituição de 1946 e a Redemocratização do País

A Constituição de 1946 foi promulgada por uma Assembleia Nacional


Constituinte convocada no mesmo ano. Ela sofreu influência tanto de ideias liberais,
herdadas da Constituição de 1891, quanto de ideais sociais estabelecidos
na Constituição de 1934.
Até sua promulgação, no entanto, fatos políticos importantes ocorreram no
país. Primeiramente, o fim do regime autoritário de Getúlio Vargas, no poder desde
1930.
Em 1943, o Brasil entrou na Segunda Guerra Mundial ao lado dos países
Aliados, frente militar formada, dentre outros países, por Estados Unidos, Grã-
Bretanha, França e União Soviética. Portanto, posicionou-se contra os países do Eixo,
que contava com a Alemanha, de Hitler, a Itália, de Mussolini, e o Japão.
Dessa forma, o governo de Vargas acabou entrando em uma grande
contradição política. Ao mesmo tempo em que lutava contra regimes autoritários no
campo internacional, internamente mantinha ele próprio um regime autoritário. Esse
situação gerou diversas críticas e acabou enfraquecendo o regime.
Neste cenário de pressão política, Vargas resolveu convocar eleições para
Presidente da República em 1945, sendo ele mesmo um dos candidatos. É dessa época
o “queremismo“, movimento de apoio à candidatura de Vargas, cujo slogan era
“Queremos Getúlio”.
Diante de articulações políticas nada democráticas para garantir a sua
manutenção no poder, ele acaba deposto pelas Forças Armadas, tendo à frente
os Generais Eurico Gaspar Dutra e Pedro Aurélio de Goés Monteiro. O Presidente do STF
à época, Ministro José Linhares, foi encarregado de chefiar o executivo até as eleições
do novo Presidente, que ocorreriam no ano seguinte, em 1946.
Durante sua gestão, Linhares tomou importantes medidas, como a extinção do
Tribunal de Segurança Nacional e do Conselho de Economia Nacional, instituídos
durante o Estado Novo. Além disso, revogou o estado de emergência que vigorava no
país, além da regra pela qual as decisões do STF, em controle constitucionalidade, a
critério de Presidente da República e do Parlamento Nacional, poderiam perder seus
efeitos.
O Presidente da República eleito em 1946 foi o General Gaspar Dutra, o mesmo
que contribuiu para a queda de Vargas.
Organização político-administrativa na Constituição de 1946
A Constituição de 1946 restaurou a forma republicana de governo e a forma
federativa de estado, que, apesar de também constarem do texto da constituição
anterior (de 1937), na prática haviam sido abolidas.
Juscelino Kubitschek
O Distrito Federal e capital da União permaneceu sendo a cidade do Rio de
Janeiro. Porém, os Atos das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) da nova
constituição determinavam a transferência da capital da União para o planalto central.
Após estudo técnico a ser feito por comissão nomeada pelo Presidente da República,
este seria encaminhado ao Congresso Nacional para início da delimitação da área. Após
a demarcação, seria definida a data para a mudança da capital.
Isso veio ocorrer na gestão do Presidente Juscelino Kubitschek, responsável
pela construção de Brasília, a nova capital, inaugurada em 1960. Após a transferência da
capital para Brasília, obedecendo disposição da Constituição de 1946, o território da
cidade do Rio de Janeiro foi transformado em Estado da Guanabara, que mais tarde, em
1975, acabou fundido ao Estado do Rio de Janeiro.
O país continuou leigo, sem uma religião oficial, como em todas as
constituições desde 1891.
Organização dos poderes na Constituição de 1946
No executivo, o Presidente da República voltou a ser eleito pelo voto direto,
juntamente com o seu Vice, para mandato de 5 anos. O Vice-presidente acumulava a
função de presidente do Senado Federal.
Na vigência da Constituição de 1946, o país experimentou um período
de regime parlamentarista, em substituição ao presidencialismo. Isso ocorreu por
ocasião da renúncia do Presidente Jânio Quadros, em 1961.
Os militares tentaram impedir a posse do seu vice, João Goulart, suspeito de
ter ligações com o comunismo. Para fazer frente aos militares, o Congresso Nacional
decidiu instaurar o parlamentarismo no país, em que o poder executivo passou a ser
exercido pelo Presidente da República e por um conselho de ministros. Em referendo
realizado em 1963, decidiu-se pelo retorno ao presidencialismo, que perdurou até o
golpe militar de 1964.
No legislativo, houve a volta ao bicameralismo federal, com o Congresso
Nacional novamente dividido em Câmara dos Deputados e Senado Federal.
A Câmara dos Deputados era composta pelos representantes do povo, eleitos
pelo sistema proporcional para mandato de 4 anos. O Senado Federal era formado por
representantes dos Estados, 3 para cada um, eleitos pelo sistema majoritário para
mandato de 8 anos, com renovação a cada 4 anos, na proporção alternada de 1/3 e 2/3
dos seus membros.
Os partidos políticos foram constitucionalizados, consagrando-se o
pluripartidarismo, sendo vedados apenas partidos cujos ideais fossem contrários ao
regime democrático.
No judiciário, a Justiça Eleitoral, criada e extinta na era Vargas, foi
restabelecida. Conforme a Constituição de 1946, eram órgãos do judiciário o Supremo
Tribunal Federal, o Tribunal Federal de Recursos, e os juízes e Tribunais Eleitorais,
Militares e do Trabalho.
Direitos e garantias na Constituição de 1946
A Constituição de 1946 restabeleceu o mandado de segurança e a ação
popular. Consagrou também o princípio da inafastabilidade do controle judicial, de
forma que nenhuma lei poderia excluir da apreciação do poder judiciário lesão ou
ameaça a direito.
Foi reconhecido o direito de greve e abolidas as penas de morte (ressalvada as
disposições da legislação militar em tempo de guerra com país estrangeiro), banimento,
confisco e penas de caráter perpétuo.
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redemocratizacao-do-pais/
27.10.2018.