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AULA
Os deuses gregos
André Alonso

Meta da aula
Apresentar uma visão geral sobre as divindades
gregas e seu papel na mitologia.
objetivos

Esperamos que, ao final desta aula, você seja


capaz de:
1. identificar os principais deuses gregos e suas
características;
2. explicar a visão antropomórfica que os gregos
tinham da divindade;
3. estabelecer uma ligação entre a religião grega e
as religiões romana e cristã;
4. explicar a visão grega de divindade.
Bases da Cultura Ocidental | Os deuses gregos

INTRODUÇÃO Nas últimas duas aulas, estudamos o mito na cultura grega e vimos que a
mitologia helênica está povoada por inúmeras divindades. As histórias dos
deuses foram sendo tecidas ao longo dos séculos e transmitidas por meio
da oralidade. A compreensão do papel da divindade na cultura dos gregos é
um elemento crucial para que se possa entender adequadamente a literatura
desse povo.
A aula de hoje tem como tema os deuses gregos. Nesta aula, exploraremos
alguns vídeos que nos darão um panorama sobre os deuses e deusas gregos.
Veremos os principais deuses e os mitos que a eles se referem.
Você agora deverá ver os vídeos a seguir na ordem em que estão apresentados
e responder às perguntas de compreensão que a eles se referem.

VÍDEO 1

Assista ao vídeo 1:
vídeo 1: http://www.youtube.com/watch?v=7qaYNOmQR4k

ATIVIDADE

Atende aos Objetivos 1, 2 e 4

Agora responda às perguntas seguintes:


1. Quantas são as Musas e que palavra de nossa língua derivou do termo
"Musa"?

2. O que levava os gregos a buscar o auxílio da divindade e quantos seriam


os deuses da Grécia? Como explicar que os deuses estivessem presente
em todos os âmbitos da vida dos gregos?

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3. O vídeo cita uma série de deuses e suas funções. Faça uma lista asso-
ciando cada deus a seu atributo ou função.

4. Como se pode explicar o comportamento excessivo dos deuses, que


nós julgaríamos mesmo imoral?

5. Por que os gregos tinham uma imagem antropomórfica dos deuses?

6. Em Atenas havia um altar dedicado ao deus desconhecido. Qual seria


o motivo de um tal altar?

RESPOSTA COMENTADA
1. As Musas, filhas de Zeus e de Mnemósine (a deusa da memória),
são nove, cada qual associada a uma arte ou ciência. A palavra
“museu” (μουσεῖον – museîon) deriva de musa e designava ori-
ginalmente a residência ou o templo das Musas e, por extensão,
todo e qualquer lugar no qual se exerciam as artes ou ciências de
que as Musas eram protetoras.
2. A precariedade da vida explica essa busca pelo auxílio da divindade.
Para o grego, era necessário conseguir que os poderes que governam

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estivessem a seu lado e tornassem sua vida mais segura. Por isso
mesmo, os deuses perpassam toda a vida dos gregos, em todas as
suas fases e em todos os seus âmbitos. A quantidade de deuses
e deusas na religião grega era inumerável. Havia alguns deuses
cujo culto era universalmente reconhecido em toda a Grécia. Mas,
potencialmente, o número de divindades gregas era incontável, pois
cada cidade ou aldeia pretendia ter seu próprio deus e a ele prestava
culto e divindades eram também atribuídas a rios, fontes de água etc.
Havia mesmo, em Atenas, um altar dedicado ao deus desconhecido.
3.
a) Hermes – protetor dos rebanhos.
b) Hera – deusa do casamento e da maternidade.
c) Eros – deus do amor.
d) Hefesto – deus do fogo, das forjas e dos vulcões.
e) Poseidon – deus do mar.
f) Pã – meio homem, meio bode, deus dos pastores.
g) Ártemis – deusa protetora da natureza e dos jovens.
h) Deméter – deusa da agricultura e das colheitas.
i) Zeus – deus que controla os raios e a chuva.
4. A explicação repousa sobre o antropomorfismo dos deuses gregos.
O comportamento excessivo dos deuses é uma visão do que poderia
acontecer se os homens passassem dos limites em seu comporta-
mento, isto é, se os homens agissem de um modo que ultrapassasse
os limites aceitáveis do humano. Dada essa visão antropomórfica
dos deuses, eles estavam sujeitos às mesmas fraquezas, paixões e
vícios dos seres humanos. Os deuses têm a mesma forma exterior
dos homens. Assim, seu comportamento será semelhante ao dos
homens. Se um homem ama, também um deus pode amar. Se
um homem odeia ou sente inveja, assim também o fará um deus.
5. Os gregos tinham em alta conta a forma humana, que julgavam
perfeita. Estimavam profundamente a perfeição do físico e da
inteligência do ser humano. Eles não podiam imaginar algo mais
perfeito do que a forma e a inteligência humanas. Portanto, os
deuses tinham de ter a forma e a inteligência humanas, mas em
grau mais elevado e ainda mais perfeito.
6. Os deuses perpassavam toda a vida dos gregos. O culto aos deu-
ses era um meio de obter auxílio, de fazer com que os deuses fossem
favoráveis aos humanos, que não os castigassem. Como os deuses
gregos eram numerosos, para evitar que algum deus desconhecido
ficasse no esquecimento, sem culto, e deles se vingasse, castigando-os,
os atenienses dedicaram um altar a todo e qualquer deus que não
fosse cultuado em outros altares. Era, sem dúvida uma medida de
prudência, sinal também da grande religiosidade do povo grego.

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Assista, agora, aos seguintes vídeos:

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vídeo 2: http://www.youtube.com/watch?v=0y3mZqDGx58
vídeo 3: http://www.youtube.com/watch?v=xPfC64mriFA

ATIVIDADE

Atende aos Objetivos 1 e 4

Agora responda às perguntas seguintes:


1. Que importante evento esportivo de nosso mundo surgiu na Grécia e
de onde ele tira seu nome?

2. O que era o oráculo de Delfos?

3. Resuma a história de Cassandra.

4. Qual o papel do deus Dioniso?

5. Segundo os gregos, qual o destino das almas após a morte?

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6. Que função poderiam ter os deuses na conjunto da cultura grega?

RESPOSTA COMENTADA
1. Os Jogos Olímpicos. Eles surgiram na cidade de Olímpia e dela
tiram seu nome. Era um evento que nós classificaríamos de esportivo,
mas que para os gregos era religioso. Os Jogos Olímpicos eram um
festival religioso que se realizava a cada quatro anos (exatamente
como os Jogos Olímpicos modernos). Só homens podiam deles
participar, como atletas ou espectadores.
2. O oráculo de Delfos era também chamado de oráculo de Apolo,
pois era esse deus que presidia o santuário e as respostas às con-
sultas que aí eram feitas. O santuário no qual o oráculo era con-
sultado localizava-se na cidade de Delfos. Nele ficava a sacerdotisa
de Apolo, chamada de Pítia ou Pitonisa. As pessoas iam a Delfos
para consultar o oráculo e recebiam da Pítia uma resposta que era
obscura, ambígua, quase que um enigma que a própria pessoa
devia interpretar. Dada a ambiguidade e obscuridade da resposta,
o campo de interpretação era bem amplo, o que fazia com que,
de algum modo, os acontecimentos acabassem coincidindo com o
que tinha sido previsto.
3. Apolo promete a Cassandra dar-lhe o dom da profecia e em troca
pede que ela se entregue a ele. Ela aceita, recebe o dom, mas não
cumpre sua parte: não quer deitar-se com o deus. Como castigo,
ele faz com que ninguém creia nas previsões de Cassandra. Tudo
que ela previa era verdadeiro, mas ninguém lhe dava crédito. Um
exemplo dessa maldição se dá na Guerra de Troia. Ela avisa aos
Troianos, seus concidadãos, que não devem trazer o cavalo de

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madeira para dentro da cidade, pois o presente dos gregos traria
desgraça. Ninguém, entretanto, lhe dá crédito e o cavalo é trazido
para dentro das muralhas, causando a queda de Troia.
4. Dioniso é o deus das parreiras, do vinho, do delírio místico e tam-
bém do teatro. Em Delfos, ele preside o oráculo durante o inverno,
pois nesse período Apolo se ausenta do santuário.
5. Os gregos sepultavam ou cremavam os mortos, dependendo do
período de sua história. Para eles, após a morte, restava a alma,
que, no entanto, é um conceito diverso do que temos. A alma para
os gregos era apenas uma espécie de sombra do indivíduo, sem
qualquer consciência. Após a morte essa sombra ia para o mundo
subterrâneo, que era a morada do deus Hades. Esse mundo subter-
râneo era chamado, por conta mesmo do deus, de Hades. A alma,
para chegar ao Hades, tinha de fazer uma viagem, atravessando
os rios que cercavam o reino dos mortos. Essa viagem era feita em
uma barca, conduzida por Caronte. A viagem final da alma não era
gratuita. Era preciso pagar um óbolo (uma moeda grega de pouco
valor). Por isso, desenvolve-se um pouco tardiamente na cultura
grega o costume de sepultar os mortos com um óbolo dentro da
boca: o morto levava, assim, o dinheiro de sua passagem para a
viagem final.
6. A existência dos deuses e suas diferentes histórias dão um
significado aos diferentes ciclos da vida. Os deuses perpassam os
diferentes âmbitos e períodos da vida dos gregos. Eles apontam,
também, para a possibilidade de uma vida após a morte. Ainda que
a imortalidade da alma para os gregos seja bastante diversa daquela
concebida pelo cristianismo, pois a alma é apenas uma sombra
sem consciência, a existência de deuses imortais alimentava, nos
gregos, a ideia de uma vida após a morte. A existência dos deuses
serve, também, para estabelecer limites e regras do comportamento
humano. Funciona, portanto, como um elemento moral.

Por fim, assista ao vídeo a seguir:


vídeo 4: http://www.youtube.com/watch?v=BNuj9jAIYo0

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ATIVIDADE

Atende ao Objetivo 3

Agora responda à pergunta:


1. Quando os deuses gregos são adaptados ou adotados pelos romanos,
ele recebem novos nomes. Dê alguns exemplos.

2. Relacione o nascimento do cristianismo com a cultura grega.

RESPOSTA COMENTADA
1.
Nome grego Nome romano

Zeus Júpiter
Hera Juno
Atena Minerva
Ares Marte
Hades Plutão
Poseidon Netuno
Afrodite Vênus

2. A visão antropomórfica que os gregos tinham das divindades


certamente ajudou na aceitação da ideia de que Deus pôde fazer-
se homem e nascer de uma mulher, Maria. Se para os judeus tal
ideia poderia ser motivo de escândalo, para os gregos ela era muito
normal, dado o modo como viam suas divindades.
Filósofos como Platão e Aristóteles vão introduzir na cultura grega
a noção de que há um único deus, aproximando, assim, a cultura
grega do monoteísmo judaico-cristão.

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Outro elemento importante é o fato de que São Paulo Apóstolo era
cidadão romano e teve uma educação nos moldes greco-romanos.
Ele falava o grego e conhecia a cultura grega. E serve-se da profunda
religiosidade para anunciar o cristianismo aos gentios. Quando ele
chega a Atenas, encontra o altar consagrado ao deus desconhecido
e diz, então, aos atenienses no Areópago que ele está ali para anun-
ciar esse Deus que para eles é desconhecido, que é o Deus cristão.

INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA

Em nossa próxima aula, estudaremos o poeta Hesíodo e sua obra.

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