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Aula 1 – Hematologia e Hemoterapia

Hematopoese - Breve revisão


Feto 0-2 meses: saco vitelínico (a partir do segundo mês começa a surgir o tecido sanguíneo)
2-7 meses: fígado e baço
5-9 meses: Medula Óssea (MO) (entre o 5-7 meses a MO inicia seu papel hematopoiético)
Lactentes MO, praticamente todos os ossos
Adto Primordialmente por ossos chatos e extremidades proximais dos fêmures (primordialmente nos ossos
chatos e nas extremidades proximais dos ossos longos) – bacia, costela, externo... são os que mais tem
medula óssea.

Então o que é a medula óssea?

Medula amarela – composta majoritariamente por células de gordura.


Vemos o tecido trabeculado com muitas células vermelhas, mas também grande
quantidade de tecido gorduroso.

MODELO HIERÁRQUICO

São células totipotentes QUE SE DIFERENCIAM EM MULTIPOTENTES. Tudo a partir da célula tronco e
a partir de sua diferenciação (ocorre a mudança na expressão dos antígenos, o núcleo amadurece. Entre outros
processos) temos as gerações celulares seguintes.
Pode dar origem a células de origem mieloide ou linfoide. A partir desse ponto não tem mais volta e não
consegue mudar entre esses dois tipos. Os tipos celulares, a partir desse ponto, não se proliferam mais. Portando, uma
célula que iniciou seu processo para ser b, não vai se multiplicar para termos mais b... vai ser ela e só ela. Acabou.
Para eu ter mais células desse tipo, é a medula óssea que precisa se multiplicar e fazer mais células tipo b.
Uma vez que a célula adquire características de membrana, próprias de uma das linhagens, ela não consegue
mais formar outro tio celular. Quando é bem primitiva, bem inicial ai sim ela consegue.
Quais as células da linhagem linfoide? Linfócito b t, célula nk, plasmócito
E os tipos da linhagem mieloide? Monócitos, plaquetas (lembrando que não é célula), neutrófilos, eosinófilos,
basófilos, eritrócitos.
No sangue periférico só encontramos linfócitos e tudo o que está na mieloide – Isso é importante saber porque
faz diferença saber se a doença e de origem linfoide ou mieloide. Então esse modelo hierárquico ajuda a definir qual
tipo de célula está em proliferação.
Porque saber esse modelo hierárquico? Para poder entender os tipos de doença, pois temos diferença nas
doenças de origem mieloide e linfoide.
Célula tronco- • Célula tronco multipotente – Célula usada no transplanta de medula óssea – Terapia
hematopoética celular
• 1 em 20 milhões de células nucleadas da MO
• Fenótipo: CD34+ e CD38-
• Auto-renovação
Célula • Primeira etapa da diferenciação da célula tronco hematopoética
Progenitora ou • É a célula que já está um pouco mais diferenciada
Precursora • Potencial de proliferação mais limitado
• Não tem capacidade de auto-renovação – depende da célula tronco para nascer outra
igual, ela não consegue se auto regenerar.
• Alta capacidade de diferenciação

As progenitoras não possuem capacidade de se expandir clonalmente – Se expandir clonalmente 1 só


igualzinha temos leucemia. Portando, na linha de diferenciação, temos um caminho sem volta, a céula não pode no
meio do caminho se expandir clonalmente. (a célula só amadurece, ela não se divide).

Características da célula tronco – PLASTICIDADE, MOBILIDADE, HOMING.

A célula é capaz de se transformar, mediante estímulo, em outras células - Plasticidade


É fácil de mobilizar as células hematopoiéticas, fácil de ser estudada, de ser aumentada em quantidade. Ela sai
para a corrente sanguínea.
Homing – migração das células para onde ela deve migrar. – Não é necessário cortar um pedaço do osso para
que ela alcance o local correto. Você simplesmente injeta as células tronco coletadas de outro indivíduo e por
quimotaxia ela migra para o lugar que ela deverá colonizar. Isso confere a ele grandes possibilidades terapêuticas.

Eritropoese – Linhagem mieloide

Linfoblasto, Mieloblasto, Plasmoblasto (plasmocito muito jovem), Eritroblasto - São células jovens
(indiferenciadas) que possuem já características de linhagens determinadas. Isso é importante saber porque não
necessariamente um blasto é uma célula ruim de ser encontrada.

Eritrócitos e plaquetas são parentes <3 Uma colônia vira eritrócito e outra megacariócitos.

A eritropoese para acontecer necessita de estímulos, e um dos mais importantes é a eritropoietina.


*O rim identifica a baixa concentração de oxigênio e secreta a eritropoietina. Isso leva a mobilização das colônias
produtoras, aumentando a massa eritrocitária.
Doenças pulmonares também podem levar a uma maior produção de eritropoietina, então atenção a quadros
pulmonares associados.
Boa hemoglobina no sangue – Boa oxigenação – Resposta eritropoietina adequada.
Temos, além dos estímulos externos, os componentes internos determinantes na síntese do dna e produção de
hemoglobina.
Cobalamina e folato atuam na fase do pro eritroblasto dentro da medula óssea em um momento que o este
ainda possui atividade nuclear. Hemácia e reticulócito são diferenciados apenas por corantes que coram restos
nucleares, característicos de células mais jovens.
Reticulócito = hemácia jovem
Cobalamina e folato entram na síntese de dna como substratos e o ferro entra no momento em que necessitamos
da produção de hemoglobina.
Deficiência de cobalamina e folato gera um não amadurecimento da célula e com isso ela nem chega na fase
em que necessita de ferro. Normalmente, quando temos deficiência de um deles, repõe-se os 3, pois a medida que se
recupera um, os outros serão consumidos na linha de amadurecimento do eritroblasto.

Hemoterapia – Ciência que estuda o sangue e suas aplicações terapêuticas.

Anticorpos RH são adquiridos - Os que são próprios são relativos ao sistema ABO.
Houve também o aperfeiçoamento do uso de anticoagulantes, permitindo um melhor uso do sangue e possibilitando
seu armazenamento.

Hemocomponentes – Tudo aquilo que se separa do sangue.


Pegamos o sangue total, coloca numa centrífuga. Separa-se então os componentes sanguíneos. Os hemoderivados
precisam de um processo químico, de industrialização.

Decantando também funcionaria, mas acelera-se o processo por meio da centrífuga


O plasma fresco é congelado, para que não se percam os fatores de coagulação que são termolábeis.
Fibrinogênio e fator 8 - CRIO – que depois pode ser ainda mais separado para termos os hemoderivados (ver
o esquema).
Quando eu mato o linfócito por meio da radiação, diminui-se a reação do enxerto contra o hospedeiro.
Também podemos lavar para diminuir reações ... serão abordadas em aulas futuras.

Hemocomponentes: processo físico e mecânico que separa os componentes sanguíneos por densidade.
 Concentrado de hemácias
 Concentrado de granulócitos
 Concentrado de plaquetas
 Plasma fresco congelado
 Crioprecipitado

Hemoderivados: aquilo que depende de processo industrial-químico para ser obtido.


 Fatores de coagulação
 Albumina
 Imunoglobulina

Concentrado de hemácias – Possui alto hematócrito – Alta quantidade de células


A partir do sangue

Descrição do componente: HT- 70-80%, deve ser estocado entre 2-6ºC válido por 35 dias.
Não contém granulócitos ou plaquetas funcionais.
O sangue total e o concentrado de hemácias possuem a mesma capacidade de transporte de oxigênio pois possuem o
mesmo número de eritrócitos.

INDICAÇÕES – Condição necessária, mas não absoluta – Anemia


Mas toda anemia precisa? Não, se for uma deficiência em ferro, você recomenda ferro. Só administro o concentrado
de hemácias se o paciente estiver em sofrimento e o tratamento sem a transfusão não alivie rapidamente.
Na presença de sinais e sintomas de anemia em situações de mecanismos fisiológicos de compensação inadequados.

Avaliar o tempo e a emergência da necessidade da transfusão de sangue.

Considerar: Anemia com sinais e sintomas, tempo necessário para tratar a anemia e comorbidades.

Diminui-se a oxigenação dos tecidos menos nobres para manter os mais nobres.
Quais são os sinais e sintomas?
 Fadiga
 Dispneia aos esforços
 Intolerância ao exercício físico
 Angina – diminuição da oxigenação do tecido cardíaco
 Hipotensão postural
 Atividade mental comprometida
 Sincope
 AIT – ataque isquêmico transitório
 Taquicardia, taquipneia.
Todos são sintomas que, se presentes e comprometendo o paciente, TRANSFUNDIR! Mas, sempre considerar
os riscos da transfusão.
Mecanismos compensatórios do estado anêmico:
 Ocorre o aumento do DC pelos estímulos gerados pela menor oxigenação dos tecidos
 Redistribuição do sangue para áreas que requerem mais oxigenação - coração rim e cérebro, diminuindo a
oxigenação dos tecidos periféricos. O tecido periférico torna-se mais ávido por oxigênio por conta disso.
 Melhora da extração do oxigênio pelos tecidos periféricos
 Aumento do fluxo sanguíneo das coronárias
 Aumento do volume ventilatório
 Aumento da FR (melhora da função pulmonar)

Tudo isso o corpo faz quando ele não tem comorbidades associadas aos sistemas compensatórios. Ex: para
aumentar a FR ele não pode ter dpoc, ser tabagista, ser algum problema intersticial.... Um cardiopata grave.... Acaba
que transfundimos mais um paciente com polimorbidades, porque não podemos esperar tudo isso melhorar para tirar
ele d uma situação de risco. Portanto, se o paciente tiver os mecanismos compensatórios bem, não transfunde, se não
tiver, transfunde.
Associar sempre com a clínica do paciente para indicar com certeza a transfusão.
Deve-se sempre considerar se há tempo de espera para que os mecanismos compensatórios hajam além de sua
presença ou ausência. Assim, um paciente que tem os mecanismos compensatórios íntegros, mas que esteja em
sofrimento, deve ser avaliado para transfusão. (CORRETA) – Outra dúvida. Se eu tiver um paciente com sinais
laboratoriais de anemia, mecanismos compensatórios deficitários, mas sem sinais clínicos – O que eu faço? Isso é
sequer possível.
Como que o estafo anêmico se recupera – Ocorre um aumento do débito cardíaco, redistribui-se o sangue para
as áreas nobres do corpo em detrimento das áreas que requerem menor oxigenação e aumenta-se a extração de oxigênio
pelos tecidos periféricos. Ocorre então o aumento do fluxo sanguíneo das coronárias, aumento do volume ventilatório
e então da FR.
Em que situações temos comprometimento dos mecanismos de compensação?  Disfunções cardiovasculares,
cerebrovasculares e pulmonares. SEMPRE associar com a clínica!!

Em que situação se indica transfusão: APENAS OS VALORES DE HB E HT SÃO INSUFICIENTES!!!

Parâmetros laboratoriais para indicação de transfusão de Concentrado de hemácias


Hb maior que 9 – Quase nunca
Hb menor que 7 – Quase sempre
Entre 7 e 9 avaliar os critérios clínicos, pois estes tornam-se ainda mais importantes. Nessa faixa os critérios clínicos
são mais decisivos ainda, avaliar se a anemia melhora sem a transfusão ou se ele permanece em sofrimento por muito
tempo.

Sempre considerar o menor valor possível para a transfusão até a estabilização do paciente. Transfunde-se até
melhorar os sintomas, não buscando o aumento dos números no hemograma.
Anemia – Saber os sinais – Se o Paciente estiver confortável não devemos nos preocupar com a transfusão.
Anotando tudo na ficha de evolução do paciente.

CASOS CLÍNICOS

Pós-parto – Grande quantidade de líquido sendo mobilizado, atentar para os sintomas e sinais vitais da
paciente.

Idoso, será que ele tem um pulmão bom para conseguir aguentar essa anemia? Um paciente mais fragilizado,
avaliar nesse caso uma transfusão. Transfunde-se para poupar.

Tem gente com 9 que precisa de sangue, e com 7 que também vai precisar. O QUE DEFINE É A CLÍNICA.

Há casos em que a anemia ferropriva na infância se instala tão lentamente que a criança se adapta. Uma
adequação da alimentação já basta para regular a situação.

Paciente que perdeu sangue você dá soro!!


O efeito imediato da transfusão é o de volume – um paciente em choque hemorrágico é soro – Expansão volêmica.
O sangue transfundido demora de 4 a 6 horas para poder iniciar sua função de trocas gasosas, para que esta hemácia
esteja ambientada nesse nosso organismo e inicie sua função de trocas gasosas.
Choque séptico só recebe sangue se tiver anemia

Uso frequente de concentrado de hemácias - sem anemia não se usa


 Neoplasias hematológicas
 QT, RT – Muitas quimioterapias são mielotóxicas
 Anemias hereditárias – Talassemia maior, anemia falciforme
 Hemodiálise
 Paciente em UTI ou com SIDA
 Sepse
 Perdas sanguíneas agudas

ERRADO!! – Casos em que não é indicado o uso


 Cicatrização, desnutrição
 Anemia crônica por deficiência de ferro com paciente ESTÁVEL
 Prevenir anemia por sangramento cirúrgico
 Melhoras nível de consciência e apetite (no nível de consciência, temos melhora apenas se o paciente estiver
em hipóxia)
 NÃO EXISTE MAIS TRANSFUSÃO DE SANGUE TOTAL HÁ 30 ANOS!

Se a medula pode responder, então devemos transfundir para evitar sofrimento.

Qualquer situação que não seja para corrigir a hipóxia causada ou agravada pela anemia
Antes do centro cirúrgico – Soro, aí o paciente sangra aguado – e então após a cirurgia se precisar, transfunde
concentrado de hemácia se precisar.

Provas pré transfusão


 ABO-RH do paciente e retipagem da bolsa para conferir.
 Prova cruzada - Sangue da bolsa versus plasma do paciente (coloca uma gota de sangue da bolsa com uma
gota de plasma da bolsa para ver se não tem reação Ag-Ac)
 Coombs Direto - Anticorpo anti anticorpo – Identificar auto anticorpos que não geram hemólise. Ele faz a
hemácia aglutinar sozinha se ela tiver um auto anticorpo. Se o direto for positivo, analisa-se bolsa por bolsa e
vai liberando o sangue das bolsas que não reagem, ou então manda tudo, mas com corticoide.
 Checar se eu não tenho anticorpos contra eu mesma.
 Pesquisa de anticorpos irregulares: PAI - Sangue de um pool de doadora com o plasma do paciente. Usa-se
um pool de hemácias de vários tipos sanguíneos – Pega uma gota do plasma e coloca para reagir. Saber se tem outro
anticorpo que regularmente não temos.

OBS:
Anticorpos regulares:
-São os que nascem com o ser humano = anti-A e anti-B
Anticorpos irregulares:
-São aqueles que têm que ter um contato prévio para eles serem produzidos (mãe Rh – e filho Rh + = mãe desenvolve
anti Rh ao nascimento do filho ao ser exposta ao sangue dele = DHRN)

Prescrição – Por escrito, constar no prontuário ou no pedido assinado por um médico


 Local – Com assistência médica, com recurso para atender o paciente em eventuais emergências
 Prova pré transfusional tem que ser feita
 Atenção ao paciente – Chegar o acesso venoso, sem febre ou outras condições que possam atrasar a transfusão.
OBS: febre é contraindicação relativa
 Degelar – 30 minutos em temperatura ambiente para pequenos volumes
 Usar sangue aquecido em transfusão maciça em RN
 Identificação do receptor
 Checar e anotar sinais vitais antes da TX
 Instalar o hemocomponente - No mesmo acesso somente
 Velocidade de infusão – Bem lento no início e então acelera-se a velocidade de transfusão.
 Tempo de transfusão – Rápida tendo cuidado com o volume
 Máximo de 4 horas pois pode-se ter proliferação de bactérias após isso.
 Se o paciente receber a transfusão e não tiver de ficar no hospital, manter ele em observação por 30 minutos
com acesso preservado (no soro) caso precise de alguma intervenção.
Aquecimento em situações especiais para RN ou crianças pequenas
Adulto 1-3 bolsas não precisam, mas se for politrauma e tiver muitas bolsas para transfundir aí precisa aquecer.
Crianças – Volume total 10ml por KG de peso por 3 horas, deixar em observação por 3 horas mantendo o
acesso para que caso aconteça algo.

TIPOS DE CONENTRADO DE HEMÁCIAS


DELEUCOTIZADAS: Filtro de leucócitos que busca prevenir as reações transfusionais febris conta os
antígenos leucocitários. Quando o paciente recebe muito sangue, um pouquinho de cada doador – um pouquinho de
cada tipo de proteína de cada doador, ele passa a ter uma aloimunização. Anticorpo contra Ag de leucócito libera
leucotrieno e então gera febre.
Lembrar que reações febris acontecem por anticorpos que ligam nos leucócitos e ativam complemento,
liberando leucotrieno.
LAVADAS: Lavagem que retira quase todo o plasma, restos celulares e plaquetas. Retira-se assim os
anticorpos, e diminui-se as reações alérgica.
IRRADIADAS: Matar linfócitos, prevenindo reações transfusionais do tipo enxerto X hospedeiro. Tem por
objetivo eliminar a atividade de células linfocitárias de memória.

 As reações febris acontecem pelos leucócitos presentes


 As hemácias lavadas (com soro fisiológico) – Diminui a reação alérgica pois retira o plasma – As proteínas
plasmáticas que causam essas reações alérgicas.
 As irradiadas são para paciente imunossuprimidos.

CONCENTRADO DE PLAQUETA
Obtido através do sangue total, 50-70ml por bolsa, validade de 5 dias em agitação para evitar a adesão das plaquetas
na parede da bolsa.

Indicações das transfusões de plaqueta – profilática e terapêutica

Transfusão profilática:
Prevenir hemorragias espontâneas ou induzidas por pequenos traumas ou procedimentos invasivos.
Quem recebe? Quem tem risco de sangramento espontâneo
Pacientes com doenças hereditárias tromboastenia hereditária ou adquirida
Plaquetopênicos agudos ou por deficiência de produção  paciente em quimioterapia com plaqueta menor que 10mil
eu transfundo porque ele pode sangrar no SNC
Menor que 50mil antes de procedimento invasivo também
1) Paciente com leucemia aguda, em quimioterapia, com petéquias e equimoses (plaqueta 5k)
2) Paciente com PTI com petéquias equimoses plaqueta 5k

Transfusão terapêutica:
Ajudar a corrigir distúrbio hemostático que pode causar ou contribuir com o sangramento.
Quem recebe?
Paciente com disfunção plaquetária e hemorragia com risco de vida independente do número de plaquetas.
Hemorragia em curso com plaquetas menor que 50k

Hepatopata – tem sempre plaquetopenia – se ele tiver hemorragia tem que dar concentrado de plaqueta pra ele.
1) - A pti (purpura trombocitopênica imune) por si só não é indicação para transfusão. O problema nessa doença
autoimune é que existe produção boa de plaqueta, mas elas se ligam rapidamente aos anticorpos e as plaquetas
acabam não se sustentando. Fazer transfusão nesse caso é colocar lenha na fogueira, porque rapidamente e elas
se ligam aos anticorpos na periferia. Essa situação é gravíssima e uma operação no sistema nervoso central
dificulta. “É colocar lenha na fogueira, porque o ac vai se ligar rapidamente a plaqueta e ela não vai se
sustentar”.
2) Paciente com coagulação intravascular disseminada
3) Paciente com Sepse, plaquetopênia, com sangramento
4) Hepatopata com plaquetopenia e sangramento.

ADMINISTRAÇÃO:
 1 unidade : 10kg de peso corpóreo
 Intervalo de 8-12 horas dependendo do caso
 Sempre com contagem de plaquetas prévia
 Não precisa de provas de compatibilidade
 ABO compatível – mesma regra do concentrado de hemácia
 Rh de preferência isso-grupo
 Gotejamento rápido, tomando cuidado com o volume, uma bolsinha atrás da outra.

Não temos relação Ag com Ac, por isso não precisa de teste de compatibilidade.
O cuidado com o volume por conta de cardiopatias, as vezes o paciente está tomando antibiótico.

CONCENTRADO DE PLASMA
Consiste na parte líquida do sangue, água, 7% de proteínas (albumina, glibulinas, fatores de coagulação e outras), 2%
de carbo e lipídeos.
PODE SER:
 Plasma Fresco Congelado (PFC)
 Plasma normal ou plasma simples
 Plasma isento de crio
PLASMA FRESCO CONGELADO:
 Obtido pela centrifugação do sangue total ou plasmaferése
 Deve ser totalmente congelado até 8 horas após a coleta
 200-250ml
 12 meses – entre 20-30ºC
 24 meses – menos de 30ºC
Plasma fresco congelado serve apenas para uma coisa: REPOR FATORES DE COAGULAÇÃO.
Retirado do sangue total e precisa ser congelado rapidamente após sua coleta.

Descongela e usa rapidamente, não pode congelar de novo porque ele perde os fatores de coagulação nesse processo –
Lembrar que eles são termolábeis.

INDICAÇÕES:
1) Correção de deficiência de fatores de coagulação
2) Coagulopatia de consumo com sangramento ativo
3) Transfusão maciça de TAP e TTPA – quando temos concentrado de hemácias em excesso
4) Tto de hemorragia em hepatopatas - Hepatopata – Tem doença que afeta a produção dos fatores de coagulação.
Intoxicação por uso de Marevan – Varfarina (bloqueador de vitamina k que levam ao bloqueio dos fatores K
dependentes – (2, 7, 9, 10) 2 + 7 = 9, parabéns 10!
5) Pós-operatório de transplante de fígado
6) Intoxicação por cumarínicos (Marevam) – varfarina,
7) Déficit de fatores K dependentes em RN

ERRADO!!!
 Plasma não é expansor volêmico
 Em sangramentos sem coagulopatia
 Como fonte de imunoglobulinas em imunodeficiência
 Septicemia
 Grades queimados
 Complemento de alimentação parenteral
 Tratamento de desnutrição
 Profilaxia de hemorragia em hepatopatas
 Acelerar cicatrização

CRIOPRECIPITADO:
Feito a partir de PFC com um precipitado. Retira-se esse precipitado rico em fatores 8, 13 e fibrinogênio.
Válido por 1 ano à -20ºC
Validade de 6 horas após descongelado (assim como o plasma- termolábel).
10 bolsas para o adulto aproximadamente.

Contém proteínas da fibrinólise


É aquela situação do paciente que no pós-operatório tem uma resposta boa resposta vascular, com adesividade
plaquetária boa, coagulo foi feito, e
Paciente que não sangra muito na cirurgia e depois começa a “babar” sangue.

Profilaxia de hemorragias – funciona por pouco tempo...

SANGUE TOTAL – Não existe mais (tira de um e põe no outro)

A única coisa viável nessa bolsa é a hemácia, porque o resto já está inutilizado pela falta do congelamento e
agitação. (Congelamento – plasma e agitação plaqueta)

REAÇÕES TRANSFUSIONAIS

Tipos:
 Hemolítica intravascular e extravascular
 Febril Sinais e sintomas:
 Alérgica  Febre (+1ºC)
 Hipotensão  Calafrios
 Hipervolemia  Ansiedade
 TRALI  Mal-estar
 Contaminação bacteriana  Vômitos
 Dispneia  Taquicardia
 Dor na punção venosa  Arritmias Cardíacas

Aproximadamente 10% das transfusões podem causar algum tipo de efeito adverso
Avaliar o risco benefício

AGUDAS – 24 horas – precisa saber o que fazer


São as que colocam o paciente em risco, as mais importantes
1) Hemolítica
a. Incompatibilidade ABO (RTHA) –
Quando intravascular – Risco de vida, principal causa de óbito relacionada a transfusão

Não tem o que explicar, aconteceu algum erro no processo. É erro transfusional.

Anticorpos inatos anti a e anti b, por exemplo, ligam ao antígeno quando gerando hemólise no
meio intravascular via complemento. O baço e o fígado se sobrecarregam assim como o rim pela
grande quantidade de hemoglobina no plasma. Acontece nos primeiros 15 minutos da transfusão, por
isso tem que ser vigiado esse período.

Após a transfusão de hemácias incompatíveis com anticorpo pré-formado, ocorre uma reação
de hemólise aguda intravascular que se inicia nos primeiros 15 minutos. (Anti corpos inatos ativam o
complemento e promovem a lise da hemácia em ambiente intravascular, liberando hemoglobina livre
no plasma que gera uma hemoglobinúria, determinando uma IRA.

Isso se o paciente estiver acordado!! Começa om vomito, dispneia, taquicardia, grande liberação de citocinas
inflamatórias gerando vasodilatação, broncoespasmo, liquido no pulmão, isquemia de tanta deposição de proteína.
Primeiro sintoma grave é a hipotensão, mas se estiver assim é porque já está em estado de vasoplegia avançado. Se for
em região extravascular a reação não gera risco de vida para o paciente.

QUADRO CLÍNICO:
 Febre, calafrios
 Dor nos flancos, costas e cefaleia
 Náusea, vômito, dispneia e taquicardia
 Reação anafilática: ativação do complemento e liberação de citocinas e interação endotelial
 Choque, hipotensão, broncoespasmo
 Isquemia renal por vasoconstrição e necrose tubular aguda e IRA

Quando extravascular – gera incompatibilidade de sistemas menores


Sem risco de vida e de gravidade moderada
As hemácias positivas para os sistemas sanguíneos clinicamente menores (kell, kid e duff) são transfundidas
para um indivíduo negativo, porém sensibilizado.
Ocorre uma reação imediata por Ac-Ag e ativação do complemento gerando hemólise extravascular (fígado,
baço e SER). Macrofago no baço gera essa resposta.

QUADRO CLÍNICO:
 Inicia-se com febre e mal-estar
 Hiperbilirrubinemia indireta
 DHL elevado
 Queda do hematócrito
 Coombs direto positivo

b. Incompatibilidade de Ag menores

CONDUTA PARA REAÇÃO TRANSFUSIONAL HEMOLÍTICA:


1) Parar a transfusão imediatamente e manter o acesso venoso
2) Verificar se a unidade hemocompetente certa foi transfundida no paciente correto
3) Hidratar para garantir débito urinário adequado (IRA)
4) Monitorar e manter pulso e pressão
5) Ventilação adequada
6) Informar médico, paciente e banco de sangue
7) Colher amostras de sangue do paciente para exames
8) No banco de sangue: Repetir todos os passos de identificação do hemocompetente e do paciente, examinar o
plasma do paciente e repetir os testes pré transfusionais.

CONDUTA PARA A INTRAVASCULAR


 Manter na UTI, monitorar função renal e diurese
 Solicitar Ur, Cr K BbT e fr, DHL, Hb, Ht livre no plasma
 Monitorar a coagulação via TPA, TTPA, fibrinogênio e plaquetas

2) Febril: Ac contra leucócitos e proteínas do plasma


Contaminação bacteriana assintomática no momento da coleta.

NÃO está relacionada com a compatibilidade ABO-rh


Febre é da doença de base? Febre como +1ºC durante a transfusão
Reação Ag leucocitária ou reação às proteínas do plasma?
É contaminação bacteriana?

 Febre e calafrios
 É benigna e se resolve com a interrupção da transfusão e uso de antitérmicos
 Trata-se de uma reação contra Ag leucocitário e provavelmente se repetirá outras vezes. Para prevenir novos
episódios devemos usar leucorreduzidos

EM CASO DE CONTAMINAÇÃO BACTERIANA:


 Ocorre devido a bacteremia assintomática no doador por ocasião da doação ou por assepsia incorreta com
contaminação no ponto de punção.
 Segunda causa mais comum de óbito relacionada a transfusão.
 Mortalidade é de 40%
 Mais comum em transfusão de plaquetas que em hemácias
 Suspeita-se quando: febre, rigidez, taquicardia, náusea, vômito, dispnéia, oscilação da PA, dor lombar
 Início dos sintomas: em média: 45 minutos
 Diagnóstico diferencial: Reações hemolíticas, outras reações febris, piora da doença de base, reações
anafiláticas.

CONDUTA:
 Parar a transfusão em suspeita de contaminação bacteriana
 Colher amostras do paciente e da bolsa para hemocultura
 Suporte clínico: pressão, diurese, ventilação mecânica, UTI se precisar
 Iniciar antibioticoterapia o mais precocemente possível
 Notificar o banco de sangue

3) Alérgica: Ac contra proteínas plasmáticas – geralmente são reações leves


 Manifestação mais comum: reação urticariforme com prurido
 Casos mais graves: broncoespasmo, chiado, dispneia, prurido na orofaringe
 Quadro gravíssimo: Reação anafilática:
 Queda de PA
 Edema laríngeo e edema facial
 Rubor facial
 Choque
 Vômitos ou diarreia
 Febre raramente – normalmente quando vem é tardia
 Frequente em indivíduos com deficiência isolada de IgA – não é rara

CONDUTA:
• Reações leves:
– Interromper a transfusão
– Hidratação: a depender da condição clínica
– Anti-histamínicos (Difenidramina, 50 a 100mg, no adulto e 1,25mg/Kg de peso, EV)
– Corticóide (Hidrocortisona, 200mg, EV)
– Após controle dos sintomas a transfusão pode ser reiniciada
– Para evitar futuras reações: Hemácias lavadas e anti-histamínicos previamente ás transfusões. Orienta
fazer antes da transfusão já toma cuidado.

• Reações graves - Anafiláticas:


– Interromper a transfusão
– Epinefrina (Adrenalina), SC, 0,3 a 0,5mL em adultos e 0,01mL em crianças. Se necessário: repetir por
2 ou 3 vezes a cada 5 ou 10 minutos
– Corticóide (Hidrocortisona, 300mg, EV)
– Não reiniciar a transfusão

4) Hipervolemia: Velocidade de infusão rápida e excesso de infusão


“Cagada” porque que você seu mais sangue que o normal?
É previsível e evitável, tem que avaliar o paciente direito.
As reações por hipervolemia são completamente evitáveis.
Como trata? Sangrias terapêuticas, diuréticos mas tomar cuidado com a concentração do sangue.
Abo incompatível é gravíssimo e erro transfusional.

5) Lesão pulmonar aguda relacionada a transfusão - TRALI – reação gravíssima


 Mecanismos etiopatológicos: anticorpos “ativos” do doador (anti-HLA ou antileucócitos) reagindo contra
o receptor.
 Clinicamente: dispnéia, hipóxia, cianose, taquicardia e febre
 Caracteristicamente: Rx: infiltrado pulmonar bilateral (edema) mas sem ausculta compatível
 Tratamento: suporte, pode ser necessário ventilação mecânica
 Corticóide - Não tem valor comprovado
 Diuréticos – Não se trata de sobrecarga hídrica

Trali, anticorpos ativos e o anti-HLA ou anti-leucotrienos geram reação no receptor


Não adianta dar diurético
Não adianta dar corticoide
Tem que entubar e esperar entubar
O que precisa saber são as reações transfusionais agudas.
Infiltrado pulmonar bilateral sem ausculta alterada

FISIOPATOGENIA:

TARDIAS – após 24 horas – esclarecimento do paciente


São reações que envolvem hemólise em pequena quantidade por conta de antígenos em pequena quantidade. Não
ativam complemento... não lesionam o rim
Sangue hemolisado não traz o benefício desejado ao paciente então também não é boa.

Estudo dirigido + dúvidas durante o estudo


Objetivo geral: conhecer o conceito de hemoterapia, as aplicações terapêuticas do sangue, bem como seus riscos e
reações adversas.
1) Quais são os hemocomponentes e os hemoderivados? Qual a diferença entre eles?
2) Como cada hemoconcentrado é obtido, qual a validade e como cada um deve ser estocado?
3) Qual a indicação de cada hemocomponentes?
4) Como se prescreve cada hemocomponentes (dose e intervalo de administração)
5) O que são reações transfusionais ajudas e tardias?
6) Que tipo de reações transfusionais agudas existem? Qual o quadro clínico de cada uma delas?
7) Qual a fisiopatologia de cada reação transfusional aguda? O que fazer para evita-las?
8) Saber tratar as reações transfusionais agudas **
1. EX: Paciente mantém sangramento ativo, com sinais de descompensação hemodinâmica, taquicardíaco, com
dispneia aos mínimos esforços. Hb: 7,1.
CD: Transfusão de concentrado de hemácias.

**Causas de óbito devido a transfusão:


- incompatibilidade ABO
-sangue infectado com bactérias
-TRALI

Questão sobre como são obtidos cada hemoconcentrado.