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CALVINO, LEITOR DE DANTE

Paula Vermeersch [1]


vermeersch@zipmail.com.br

O século XX conheceu grandes interpretações da obra de Dante Alighieri. Tanto Vida


Nova quanto a Divina Comédia e Da Monarquia foram tema de ensaios que tornaram-se
clássicos dos estudos internacionais sobre Literatura: Ernst Curtius, Benedetto Croce, Eric
Auerbach, Ezra Pound, Jorge Luis Borges, dentre outros nomes ilustres das letras, dedicaram
linhas que se tornaram axiomáticas sobre o grande poeta de Florença, e abriram
possibilidades de pesquisa e debate não só na área da literatura renascentista italiana, mas
para todas as disciplinas que se ocupam dos fenômenos literários [2] .

É interessante contrapor o imenso trabalho de comentário da obra de Dante ocorrido no


século passado com o fato da leitura do poeta, principalmente a dedicada à Comédia, ter
sofrido durante os séculos períodos de refluxo e quase desaparição. No centro do problema,
existem fatores que vão desde a ligação política dos escritos de Dante com o projeto de
unificação das regiões da Península Itálica, até o fato de poucos terem acesso direto ao
toscano, em épocas de grandes diferenças lingüísticas e falta de uma língua comum entre os
italianos. Muitas vezes, características internas dos textos de Dante causavam repulsa, como
no caso de Goethe, que não suportava a Comédia por considerá-la de mau gosto, com suas
descrições pormenorizadas dos suplícios dos condenados do Inferno, e suas partes
extremamente diferenciadas entre si.

Logicamente, os desenvolvimentos dos estudos sobre Dante encontraram especial


terreno nos debates da cultura italiana novecentista, muitas vezes no centro de teses sobre as
tradições narrativas e poéticas do país. Para Ítalo Calvino, um dos escritores italianos mais
célebres do século [3] , Dante configurou-se como referência crucial de seu projeto literário e
crítico, de uma maneira específica, como pretendo demonstrar, de forma introdutória e
esquemática.

Um programa de investigação seria o de observar, nos contos e romances de Calvino, a


releitura e resignificação de temas e processos decalcados de Dante; numa primeira
aproximação, porém, os ensaios de crítica do escritor lígure fornecem pistas mais explícitas da
posição central que o legado dantesco ocupou durante a construção de sua obra e de seus
posicionamentos frente os debates literários.

Seguindo algumas dessas pistas nos dois volumes de seus Saggi [4] , observa-se que
o Calvino crítico se ocupa de Dante a partir da década de 60, justamente no período de sua
mudança para Paris. Alfonso Berardinelli ressalta: “(...) Calvino, por volta da metade dos anos
60, deixa a Itália e se transfere a Paris (...) Aos olhos de Calvino, a atmosfera cultural e política
italiana devia parecer, na época, sempre mais trabalhosa, confusa e sobretudo literariamente
pouco atraente. O idílio tinha acabado: Calvino narrador fantástico e militante, fábula iluminista
e curiosidade pela vida social italiana eram polaridades que não se encontravam mais em feliz
equilíbrio” [5] .

Resumidamente, a obra literária de Calvino pode ser dividida numa primeira fase, onde
os problemas da Itália do pós-guerra eram tratados de forma análoga ao do chamado
neorealismo, e a militância comunista tinha um papel preponderante; em seguida, a fase
fabulista e das narrativas alegóricas, e finalmente o que se pode chamar de fase experimental,
cibernética, onde o escritor tenta reunir suas experiências a partir de uma visão da literatura
enquanto conhecimento no sentido mais amplo do termo, ancorado nos debates científicos e
artísticos franceses. Tais fases não se encontram separadas cronologicamente, como atesta a
“Cronologia” de Mario Barenghi e Bruno Falcetto [6] : por exemplo, enquanto se empenhava na
escritura de um romance que se denominaria I giovanni del Po, seguindo a tendência
“realística-social”, Calvino escreve O visconde partido ao meio, primeiro volume do veio
fabulista.

As modificações do projeto literário de Calvino encontraram explicações e paralelos em


sua atividade crítica. Em 1967, quando o escritor passa a pensar a literatura como uma
possibilidade de ordenação do conhecimento sobre o mundo, surge o ensaio “Cibernética e
fantasmas: apontamentos sobre a narrativa como processo combinatório” [7] , em que a
narrativa é compreendida como sendo, desde suas origens tribais, exploração das
possibilidades da linguagem para dar conta das relações entre os objetos. Por sua própria
constituição, a narrativa pode ser decomposta em unidades simples, como no caso da análise
de Claude Lévi-Strauss dos mitos, aponta Calvino. Com o desenvolvimento da lingüística e da
antropologia, seria possível identificar as matrizes de pensamento nas narrativas de todos os
povos humanos, em todas as épocas históricas.

Se o século XIX foi marcado pela regularidade dos discursos, pela observação das
continuidades ( históricas, no caso de Hegel, e biológicas, em Darwin), para Calvino, no século
XX a tendência é a divisibilidade dos elementos em unidades que depois são combinadas pelo
estudioso. O escritor deve acompanhar tais desenvolvimentos; o autor compara a máquina de
tercetos construída por Dante na Comédia, e os jogos de palavras dos trovadores provençais,
com as tentativas dos autores cibernéticos soviéticos de dissolver a literatura nos seus
elementos mais simples.

Dante seria o modelo maior da experiência da literatura enquanto possibilidade de


encaixe de idéias, conceitos e temas em palavras escolhidas com cuidado e critério.
Berardinelli comenta que o projeto de escritura de Calvino vai se tornando cada vez mais
“purificado”, mais “destilado”: “Se há um erro que Calvino com certeza jamais cometeu foi o da
ingenuidade de substituir a literatura pela vida. Nele a literatura permanece lucidamente um
espaço bem-delimitado, bidimensional, no qual a arte podem ser criados efeitos perceptivos
ilusionistas, terceiras e quartas dimensões e jogos de espelho, mas onde permanece
inconcebível que se sofra, que sejamos condenados, tornemo-nos imbecis, loucos ou
culpados” [8] .

Na abertura para a coletânea de ensaios sobre os clássicos [9] , Calvino define o que é
uma obra clássica, com premissas claras e concisas. Para o escritor, clássico é um livro que
sustenta leituras e releituras múltiplas, em todas as fases da vida, e o que fornece parâmetros
que se tornam memória, parte do inconsciente. Os clássicos, segundo Calvino, são portas
abertas para infinitas descobertas: “A leitura de um clássico deve oferecer-nos alguma surpresa
em relação à imagem que dele tínhamos. Por isso, nunca será demais recomendar a leitura
direta dos textos originais, evitando o mais possível bibliografia crítica, comentários,
interpretações. A escola e a universidade deveriam servir para fazer entender que nenhum livro
que fala de outro livro diz mais sobre o livro em questão; mas fazem de tudo para que se
acredite no contrário” [10] .

O corolário seguinte a esta afirmação poderia se tornar um outro dístico para os


estudos sobre Dante: “Um clássico é uma obra que provoca incessantemente uma nuvem de
discursos críticos sobre si, mas continuamente as repele para longe” [11] . Calvino, ao
incentivar a leitura direta dos clássicos, sabe que mais interpretações dessas obras surgirão;
mas isso não é problema, já que um clássico, “à semelhança dos antigos talismãs”, é um
equivalente do universo.

No Renascimento italiano, a Comédia era considerada um completo compêndio de


conhecimentos da tradição cristã, e guia para estudos sobre temas vindos da Antigüidade
greco-latina, citado para explicar fenômenos físicos, políticos, jurídicos, artísticos... nas cartas
endereçadas a seu mecenas Lorenzo di Pierfrancesco de Médici, Américo Vespuccio cita
Dante, afirmando que o poeta estava certo ao descrever o céu noturno, quando da mudança de
hemisfério [12] , e Cristóvão Colombo, ao descrever as matas americanas, responde à
descrição de Dante do monte do Purgatório e da selva que circunda o Paraíso Terrestre [13] .
Calvino retira de Dante a idéia de que é possível expressar com palavras o conhecimento que
se tem do mundo, tanto o mundo além-túmulo quanto o do espaço sideral.

Calvino aponta o problema de Michel Foucault em As palavras e as coisas [14] : a


visão compartimentada do conhecimento em disciplinas específicas surge apenas no século
XIX, e a epistemologia não é, de forma nenhuma, linear e evolutiva. Como Foucault demonstra,
o vocabulário utilizado pelos juristas do século XVI aparece nos economistas clássicos, no
século XVIII, e finalmente se torna de uso corrente na teoria política do século XIX. Como na
enciclopédia chinesa de Borges, os termos e idéias são classificados de formas diversas;
diferentemente da noção positivista que o conhecimento é a expressão direta do que se
observa, Foucault considera que o conhecimento é construído pelos agentes sociais a partir de
fatores políticos e culturais.

Observa Foucault que, no campo da linguagem, surgem vários ramos do conhecimento,


mas que “finalmente, a última das compensações ao nivelamento da linguagem, a mais
importante, a mais inesperada também, é o aparecimento da literatura. Da literatura como tal,
pois, desde Dante, desde Homero, existiu realmente, no mundo ocidental, uma forma de
linguagem que nós, agora, denominamos ‘literatura’. Mas a palavra é de recente data, como
recente é também em nossa cultura o isolamento de uma linguagem singular, cuja modalidade
própria é ser ‘literária’ (...). A literatura é a contestação da filologia ( de que é, no entanto, a
figura gêmea): ela reconduz a linguagem da gramática ao desnudado poder de falar, e lá
encontra o ser selvagem e imperioso das palavras” [15] .

Dante foi um dos autores que contribuiu para a construção do legado literatura, no
mundo ocidental; mas seria teleológico tratar sua obra como produto de um artista que se
colocava como um literato gênio; essa concepção, surgida no Romantismo, torna estreito o
projeto cognitivo dantesco.

Calvino causou polêmica ao afirmar que Galileu Galilei seria o maior escritor italiano de
prosa de todos os tempos [16] . Explicando essa afirmação em “Due entreviste su scienza e
letteratura”, o escritor afirma que Galileu levou adiante uma tradição, iniciada por Dante, que se
estabelecerá na cultura literária italiana: a idéia de que a obra pode ser especulumm mundi,
uma representação verbal ( e no caso de Galileu, também matemática) do que se vê e se sente
a partir do que se vê.

Mas é nas chamadas Lições americanas, publicadas postumamente sob o título Seis
propostas para o próximo milênio [17] , que a figura de Dante aparece, no Calvino crítico,
com toda a força de sugestão, direta e indiretamente. Na primeira lição, “Leveza”, Calvino
invoca Guido Cavalcanti, poeta florentino do círculo de Dante e herói de uma interessante
peripércia no Decameron de Boccaccio, para expressar seu ideal de flexibilidade estóica frente
a tragédia do mundo. Em oposição a Cavalcanti, Calvino apresenta Dante, o poeta do peso do
mundo, da concretude da existência; termina a explanação contemporizando os dois pólos,
associando a contemplação da linguagem leve com a da dotada de peso, mas é inegável que
Calvino não foge do fato de Dante, no “Inferno”, retomar os tópicos da tragédia antiga, a arena
jurídica que gregos e romanos reservavam para a discussão de aspectos da vida que,
Berardinelli avisa com propriedade, Calvino não pretende tratar em sua obra literária.

Esse desacerto com Dante passa a ser resolvido de duas formas: em “Rapidez”,
Calvino elogia Borges por sua linguagem sucinta e precisa ( algo que o escritor argentino, de
alguma forma, resgata de Dante, dentre outras fontes) e em “Visibilidade”, a Comédia é tomada
como uma fonte inesgotável de quadros, inauguradora de uma linha narrativa que o Calvino
escritor tenta desenvolver em Cosmicômicas.

Com um projeto literário construído sobre o pressuposto de que a literatura dá conta da


multiplicidade do mundo sem necessariamente entrar na subjetividade, Calvino vê, em Dante,
um dos modelos para uma literatura que fuja dos padrões do século XIX, da tradição moderna
do romance. Mas, a partir dos apontamentos de Berardinelli, pode-se perguntar: será que é
possível ler Dante, mais especificamente a Comédia, apenas desse ponto de vista? Será que
Dante, ao julgar e distribuir as penas para os condenados do Inferno, ao descrever
pormenorizadamente os sofrimentos deixados pela ausência de Beatriz e pelo exílio de
Florença, ao caracterizar Virgílio como um homem sábio e corajoso, mas tragicamente à parte
do mundo cristão, ao conversar com seu mestre Brunetto Latini na vala dos sodomitas, também
não inaugura, na literatura ocidental, outras tradições, justamente as que Calvino rejeita?

Borges, que o próprio Calvino reconhece como grande comentador de Dante, discorre
sobre o momento culminante da Comédia: o último olhar de Beatriz ao poeta, no “Paraíso”. Na
interpretação de Borges, “Suspeito de que Dante edificou a melhor obra de toda a literatura
para intercalar alguns encontros com a irrecuperável Beatriz. Ou, melhor, os círculos do castigo
e o Purgatório austral e os nove círculos concêntricos e Francesca e a sereia e o Grifo e
Bertrand de Born são intercalações; um sorriso e uma voz, que ele sabe perdidos, são o
essencial” [18] .

A Comédia repetiria, para Borges, o “melancólico jogo” iniciado em Vida Nova:como a


salvação da alma de Dante passa pela intermediação de Beatriz, e esta não existe mais, todo o
edifício literário é construído em cima de um sentimento, nobre, elevado, mas humano, trágico,
dolorido. Sem cair numa leitura romântica, para Borges, na Comédia existe algo que
Berardinelli sente falta em Calvino: numa palavra, sofrimento, e talvez essa seja a razão do
desconforto do Calvino crítico frente a Dante.

BIBLIOGRAFIA

BERARDINELLI, Alfonso. “Calvino moralista”, in Novos Estudos Cebrap, no 54, julho de 1999

BORGES, Jorge Luis. Nove ensaios dantescos. Lisboa: Editorial Presença, 1984

CALVINO, Ítalo. “Due entreviste su scienza e letteratura”, in Saggi ( org. BARENGHI, Mario).
Milão: Arnoldo Mondadori Editore, 1995, tomo primo
____________. “Hemingway berbero benefico, Dante qualunquista, Omero antimilitarista”,
Scritti di Politica e Costume, in Saggi ( org. BARENGHI, Mario). Milão: Arnoldo Mondadori
Editore, 1995, tomo secondo

____________. “Porque ler os clássicos”, “O Livro da Natureza em Galileu”, “Jorge Luis


Borges”, in Porque ler os clássicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998

____________. “Cibernética e fantasmas. Apontamentos sobre a narrativa como processo


combinatório”, tradução de MORAES, Eugênio Vinci de. Mimeo, 1998

____________.Seis propostas para o próximo milênio. São Paulo: Companhia das Letras,
2001

FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas. São Paulo: Martins Fontes, 1995

[1] Doutoranda em Teoria e História Literária, IEL/Unicamp, bolsista FAPESP. Trabalho final
para a disciplina LT061-Grande Autor em Língua Estrangeira I, ministrada pela profa. Dra.
Maria Bethânia Amoroso no primeiro semestre de 2003.

[2] Para uma introdução às leituras realizadas no século XX da obra de Dante, consultar
BLOOM, Harold “Introduction”, in ALIGHIERI, Dante. The Divine Comedy. New York: Chelsea
House, 1987

[3] E Alfonso Berardinelli comenta: “Difícil imaginar um destino literário mais bem realizado e
feliz do que o de Ítalo Calvino. Com certeza o autor mais amado pelos italianos de todas as
idades, lido nas escolas das primeiras às últimas séries, estudado na universidade,
atentamente analisado e admirado, sem reservas, pela crítica, Calvino nos acompanha da
infância à velhice. Sua obra constitui um dos breviários estéticos mais usados e citados da
língua italiana contemporânea.”, BERARDINELLI, Alfonso. “Calvino moralista, ou como
permanecer sãos depois do fim do mundo”, in Novos Estudos Cebrap, no 54, julho de 1999,
pg.97

[4] CALVINO, Ítalo. Saggi ( org. BARENGHI, Mario). Milão: Arnoldo Mondadori Editore, 1995

[5] BERARDINELLI, Alfonso. op.cit, pg.98

[6] BARENGHI, Mario, e FALCETTO, Bruno ( org.) “Cronologia”, in CALVINO, Ítalo. Romanzi e
Racconti. Milão: Arnoldo Mondadori Editore, 1995, volume primo

[7] CALVINO, Ítalo. “Cibernética e fantasmas. Apontamentos sobre a narrativa como processo
combinatório”, tradução de MORAES, Eugênio Vinci de. Mimeo, 1998

[8] BERARDINELLI, Alfonso. op.cit, pg.103

[9] CALVINO, Ítalo. “Porque ler os clássicos”, in Porque ler os clássicos. São Paulo: Companhia
das Letras, 1998

[10] CALVINO, Ítalo. op.cit, pg.12


[11] CALVINO, Ítalo. op.cit, pg.12

[12] Dante considera, na Comédia, que a Terra é um globo, fixo e imóvel no espaço. O
hemisfério superior compreendia as terras conhecidas ( Europa, Ásia e norte da África) e o
inferior era um imenso oceano, no meio do qual, na direção radialmente oposta a de
Jerusalém, encontrava-se a montanha do Purgatório, que culmina no Paraíso Terrestre, como
aponta sucinta e oportunamente Ítalo Mauro, o último tradutor do poema no Brasil. Quando
Dante e Virgílio mudam de hemisfério, vêem, no céu noturno, “quatro sacras estrelas”
( Purgatório, Canto I), não vistas antes por pessoas vivas. Vespuccio identificou no Cruzeiro do
Sul essas estrelas, depois que a armada de Colombro cruzou o Equador. Consultar ALIGHIERI,
Dante. Purgatório, tradução de MAURO, Ìtalo. São Paulo: Editora 34, 1998, e VESPUCCIO,
Americo. El Nuevo Mundo – viajes e documenos completos. Madrid: Ediciones Akal, s/d

[13] A sugestão está em HOLANDA, Sérgio Buarque de. Visão do Paraíso. São Paulo:
Brasiliense e Publifolha, 2000, pg.20

[14] FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas. São Paulo: Martins Fontes, 1992

[15] FOUCAULT, Michel. op.cit, pg.316

[16] “Due entreviste su scienza e letteratura”, in Saggi ( org. BARENGHI, Mario). Milão: Arnoldo
Mondadori Editore, 1995, tomo primo

[17] CALVINO, Ítalo. Seis propostas para o próximo milênio. São Paulo: Companhia das Letras,
2001

[18] BORGES, Jorge Luis. Nove ensaios dantescos. Lisboa: Editorial Presença, 1984, pg.90