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Módulo 1:

Modelos Pedagógicos, Epistemológicos Módulo 4: Módulo 7:


e Psicológicos em Educação. Abordagem Humanista - Rogers Abordagem Inteligência Emocional -
Goleman
Módulo 2: Módulo 5:
Abordagem Tradicional - Snyders Abordagem Psicanalítica - Freud Módulo 8:
Abordagem Inteligências Múltiplas –
Módulo 3: Módulo 6: Gardner
Abordagem Comportamental - Skinner Abordagem Construtivista - Piaget

Inteligência emocional

Até pouco tempo, o sucesso de uma pessoa era avaliado pelo raciocínio lógico, habilidades
matemáticas e espaciais (QI). Daniel Goleman, psicólogo norte-americano, PhD pela
Universidade de Harward, retoma uma nova discussão sobre esse assunto em seu
livro Inteligência Emocional. Goleman apresenta o conceito de inteligência emocional como
sendo o maior responsável pelo sucesso ou insucesso das pessoas. A maioria das situações
de trabalho é envolvida por relacionamentos entre as pessoas. Dessa forma, pessoas com
qualidades de relacionamento humano, como afabilidade, compreensão, gentileza têm mais
chances de obter o sucesso.

Esse autor parte do pressuposto de que os seres humanos agem motivados mais pelas
emoções (QE) do que pela razão (QI). Em outras palavras, os valores, as crenças e as
tomadas de decisões dependem mais de fatores internos, emotivos do que racionais. Quando
acontece algo, a reflexão, normalmente, vem depois do ato consumado, do impulso mais
imediato, do instinto.

Baseado em extensas pesquisas, observou que a inteligência emocional (batizada de QE pelo


autor) pesa duas vezes mais que o QI e as aptidões inatas na conquista de bons resultados
profissionais. Isso quer dizer que não basta possuir um QI acima da média ou simplesmente
manifestar uma habilidade incomum para garantir o sucesso. É muito mais importante saber
gerenciar emoções, promover cooperação e ambiente de harmonia entreas pessoas com quem
se trabalha, tomar decisões adequadas, desenvolver o autoconhecimento (de si e daqueles
com quem se relaciona) e ter empatia pessoal. Nessa perspectiva, a intuição conta e é
fundamental nas tomadas de decisões.
Nesse contexto, o QE (quociente emocional) está intimamente relacionado a habilidades como,
por exemplo: motivar a si mesmo e persistir mediante frustrações; controlar impulsos,
canalizando emoções para situações apropriadas; praticar gratificação prorrogada; motivar
pessoas, ajudando-as a liberarem seus melhores talentos e conseguir seu engajamento aos
objetivos de interesses comuns.
Segundo Goleman, o centro nervoso de nossa inteligência emocional é a amígdala, localizada
na base do cérebro. É justamente aí que se processam as reações de sobrevivência,
armazenadas desde épocas primitivas por uma espécie de “memória emocional”.
Em seu livro, o autor mapeia a inteligência emocional em cinco áreas de habilidades, ou seja,
considera que o sujeito apresenta uma inteligência emocional se é capaz de utilizar as
seguintes habilidades:
1. Autoconhecimento emocional – reconhecer um sentimento no momento em que ele
acontece.
2. Controle emocional – ter a habilidade de lidar com seus próprios sentimentos, adequando-os
para a situação.
3. Automotivação – dirigir emoções a serviço de um objetivo é de extrema importância para se
manter caminhando sempre em busca.
4. Reconhecimento de emoções em outras pessoas.
5. Habilidade em relacionamentos interpessoais. DO DESENVOLVIMENTO E TEORIAS DA
Na utilização da inteligência emocional nas relações de trabalho conta mais a “competência
social” (controle das emoções, confiabilidade, estabilidade, disciplina, colaboração,
autenticidade, ética, responsabilidade etc.) do que propriamente a “competência técnica”. O
segredo está em saber se adaptar aos mais diversos contextos e situações, inclusive não
perdendo o controle nos momentos mais difíceis.
Para Goleman, utilizar a inteligência emocional de modo produtivo é ter habilidade para o
trabalho em equipe, de forma a estabelecer redes sociais e a construir relacionamentos,
mesmo entre pessoas de temperamentos diferentes. Isso implica exercício constante do
diálogo e da auto-análise, mantendo a
humildade em reconhecer os próprios limites e não hesitando em dividir os problemas.
O conceito de inteligência emocional pode ser útil tanto na área profissional quanto no dia a
dia, nas relações pessoais, na escola. Goleman aponta o grande problema de estudos recentes
demonstrarem que há uma queda significativa nos Estados Unidos do uso desse conceito entre
os adolescentes.
Claro que não se pode generalizar, mas, se cruzarmos esse dado com os atos de violência
praticados por jovens que decidem fuzilar impiedosamente os colegas na escola, pode-se
traçar um panorama assustador de uma crise emocional que se aproxima.
Princípio da educação emocional
A infância modificou-se muito nos últimos anos, o que vem dificultar ainda mais o aprendizado
afetivo. Os pais e os professores devem ocupar o papel de preparadores emocionais, devem
ensinar aos filhos/alunos estratégias para lidar com os altos e baixos da vida. Devem aproveitar
os estados de emoções dos alunos, para ensiná-los como lidar com eles e ensiná-los como
tornarem-se uma pessoa mais humana. O receio de produzir crianças reprimidas está gerando
uma quantidade muito grande de crianças mal educadas e emocionalmentemenos aptas.
Para aqueles pais que ainda não são preparadores emocionais, Gottman (1996) propõe cinco
passos para que sejam:
• Perceber as emoções das crianças e as suas próprias.
• Reconhecer a emoção como uma oportunidade de
intimidade e orientação.
• Ouvir com empatia e legitimar os sentimentos da criança.
• Ajudar as crianças a verbalizar as emoções.
• Impor limites e ajudar a criança a encontrar soluções
para seus problemas.
Embora os pais tenham papel fundamental na educação emocional dos filhos, algumas
iniciativas em escolas têm se mostrado positivas ao treinar professores para tal missão.
Cabe, portanto, à escola investir menos esforços em medir conhecimentos (as notas) e mais
tempo e enfoque na aprendizagem; compartilhar responsabilidades com seus alunos; investir
nas tecnologias modernas de ensino; identificar e promover talentos individuais; promover
reciclagem permanente de professores; enfatizar atividades em grupo; enfatizar a criatividade
de cada aluno; ensinar ao aluno como aprender.
Importância das emoções:
sobrevivência, tomadas de decisão, ajuste de limites, comunicação, união.

Sigmund Freud (1856-1939)

É considerado o pai da psicanálise, teoria que estuda o funcionamento e a estrutura da


personalidade, utilizando para isso uma técnica psicoterapêutica específica.

Ao longo de seus estudos, Freud investigou os processos mentais, utilizando a técnica


psicanalítica para o tratamento de distúrbios neuróticos. Apresenta uma teoria do
desenvolvimento psicológico que está dividida em cinco fases psicossexuais: oral, anal, fálica,
latência, genital. Nesse texto, não serão enfocados esses estágios, mas sim as ideias de Freud
sobre a aprendizagem, ou seja, os processos que levam a criança ao conhecimento.
De acordo com Kupfer (1989), embora Freud não tenha escrito um volume específico sobre a
educação, esse tema permeou toda a sua obra, uma vez que, para ele, o funcionamento
psíquico pode ser fruto direto das influências educativas recebidas pelo indivíduo. Dessa forma,
para a autora, as ideias de Freud sobre educação têm conexão com seus conceitos para
compor a teoria psicanalítica.
Em suas afirmações, Freud nos apresenta os limites da ação pedagógica
entre proibir e permitir que o aluno realize de seus desejos, em função da complexidade da
psique humana, dos muitos obstáculos interiores ao processo de amadurecimento, do conflito
entre o desejo individual e as exigências da vida em comunidade. Além disso, a criança dispõe
de pouco mais de anos para se apropriar dos resultados de milhares de anos de evolução da
cultura humana (Kupfer, 1986).
De acordo com Kupfer (1986), sobre a aprendizagem propriamente dita, Freud não tem
escritos específicos, mas gostava de pensar nos determinantes psíquicos que levam alguém a
ser um “desejante de saber”, como os cientistas e as crianças pequenas. Em outras palavras,
estudar esse tema em uma perspectiva freudiana significa entender o processo ou a razão pela
qual um sujeito se sente motivado para o conhecimento.
No início do desenvolvimento, o conhecimento ocorre por meio das “investigações sexuais
infantis”, ou seja, na busca da criança em compreender seu lugar sexual no mundo (menino/
menina; feminino/masculino). A compreensão da diferença causa uma angústia que impulsiona
a criança a querer saber mais.
O ato de aprender, da mesma forma, pressupõe uma relação com outra pessoa, a que ensina.
Para aprender é necessária a presença de um professor, colocado em uma determinada
posição, que pode ou não propiciar a aprendizagem. “Aprender é aprender com alguém”
(Kupfer, 1986).
Um professor pode ser ouvido quando está revestido por seu aluno de uma importância
especial, por isso a relação entre professor e aluno não está no valor dos conteúdos cognitivos
transmitidos, e sim no campo que se estabelece entre o professor e seu aluno, nas relações
afetivas entre ambos, uma relação afetiva primitivamente dirigida ao pai. É nesse campo que
se estabelecem as condições para o aprender, sejam quais forem os conteúdos transmitidos.
Em psicanálise, esse campo chama-se transferência, uma manifestação do inconsciente
(Kupfer,1986).
Em outras palavras, um professor pode tornar-se a figura a quem serão endereçados os
interesses de seu aluno porque ele é o objeto de uma transferência. E o que se transfere são
as experiências vividas primitivamente com os pais (Kupfer, 1986). O aluno transfere para o
professor os sentimentos carinhosos ou agressivos de sua relação com os pais.
Conscientemente ou não, o professor utiliza a ascendência que assim adquire sobre o aluno,
para transmitir ensinamentos, valores, inquietações. Pois não é verdade que os professores de
quem mais nos recordamos, com quem mais aprendemos são aqueles que melhor nos
seduziram? Na escola como na vida, nós aprendemos por amor a alguém (Paulo César Souza,
apud Kupfer, 1986).
Portanto, transferir é conferir um sentido especial àquela figura determinada pelo desejo, e o
aprendizado está pautado nessas relações transferenciais. Na medida em que ocorre a
transferência, o professor torna-se depositário de algo (positivo ou negativo) que pertence ao
aluno, e isso lhe confere um poder na relação.
Em outras palavras, a ideia de transferência mostra que aquele professor em especial foi
“investido” pelo desejo daquele aluno, e é a partir desse “investimento” que a palavra do
professor ganha poder, passando a ser escutada. Tudo o que o aluno quer é que esse
professor ”suporte” esse lugar em que ele foi colocado (Kupfer, 1986). Portanto, cabe ao
professor renunciar a um modelo determinado por ele próprio, aceitar o modelo que o aluno lhe
confere, ser “atravessado” pelo seu desejo e conduzi-lo a conquista de uma autonomia.e I
Caso contrário, se subjugar o aluno impondo seus próprios valores e ideias, ou seja, impor-lhe
seus próprios desejos, impedirá a possibilidade de aprendizagem no aluno (cessa o desejo do
aluno). O aluno irá aprender conteúdos, gravará e memorizará informações, mas não será um
sujeito pensante e autônomo.
Essa, então, torna-se a tarefa do professor, criar um ambiente que permita a circulação do
conhecimento sendo objeto das transferências do aluno, não impondo seus próprios desejos.
Isso nem sempre é uma tarefa fácil para o professor e, em função disso, Freud afirma: a
educação é uma profissão impossível. O professor também é movido pelo desejo, é seu desejo
que justifica sua ação docente. Mas, estando ali, ele precisa renunciar a esse desejo, para
permitir a aprendizagem do aluno.Eis o desafio.
Anna Freud (1895-1982), psicanalista austríaca, filha de Sigmund Freud, chamado “o pai da
psicanálise”, dedicou-se também ao estudo do comportamento humano e foi uma das pioneiras
nos estudos em psicologia infantil. Buscou transmitir aos educadores noções sobre o
desenvolvimento da criança em uma perspectiva freudiana. Deixou vários estudos sobre
patologias e psicologia infantil. Radicada em Londres, dirigiu a Clínica Hampstead para
tratamentos e investigação, também ligados a doenças infantis. Foi uma articuladora da
psicologia com a educação e trabalhou intensamente na formação de professores.
A teoria das inteligências múltiplas (1995) foi desenvolvida a partir dos anos de 1980 por
uma equipe de pesquisadores da Universidade de Harvard (USA), liderados pelo
psicólogo Howard Gardner, que identificou vários tipos de inteligências, além da lógico-
matemática e linguística.
Com isso, uma “visão pluralista da mente” ampliou o conceito de inteligência única para um
feixe de capacidades. Gardner estabeleceu critérios para que uma inteligência seja
considerada como tal, desde sua possível manifestação em todos os grupos culturais até a
localização de sua área no cérebro.
O autor apresenta sete inteligências ou sete diferentes competências que se interpenetram,
pois sempre envolvemos
mais de uma habilidade na solução de problemas. No entanto, ele não considera esse número
definitivo.
1 Inteligência verbal ou linguística: habilidade para lidar criativamente com as palavras, tanto
oralmente quanto na escrita (poetas, escritores, jornalistas, publicitários, vendedores).
2 Inteligência lógico-matemática: capacidade para solucionar problemas envolvendo
números e demais elementos matemáticos; habilidades para raciocínio dedutivo (matemáticos,
físicos, engenheiros).
3 Inteligência cinestésica corporal: capacidade de usar o próprio corpo de maneiras
diferentes e hábeis – autocontrole e destreza corporal (atletas, educador físico, malabaristas,
mímicos).
4 Inteligência espacial: capacidade de formar um modelomental preciso de uma situação
espacial e utilizá-lo paraorientar-se entre objetos ou para transportar as característicasde um
determinado espaço – noção de espaço e direção(arquitetos, navegadores, pilotos, cirurgiões,
engenheiros,escultores, decoradores).
5 Inteligência musical: capacidade de organizar sons de maneira criativa, a partir da
discriminação de elementos como tons, timbres e temas. Não há necessidade de aprendizado
formal (músicos, maestros, instrumentistas).
6 Inteligência interpessoal: capacidade de dar-se bem com as pessoas, compreendendo-as,
percebendo suas motivações ou inibições e sabendo satisfazer suas expectativas emocionais.
Habilidade de compreender os outros; a maneira de como aceitar e conviver com o outro
(pessoas de fácil relacionamento, como líderes de grupo, políticos, terapeutas, professores e
animadores de espetáculos).
7 Inteligência intrapessoal: capacidade de relacionamento consigo mesmo,
autoconhecimento. Habilidade de administrar seus sentimentos e emoções a favor de seus
projetos. É a inteligência da autoestima (indivíduos com equilíbrio emocional, geralmente por
isso são líderes – Nelson Mandela, Jesus Cristo).
Segundo Gardner, todos nascem com o potencial das várias inteligências. A partir das relações
com o ambiente, dos aspectos culturais, algumas desenvolvemos mais, já outras deixamos de
aprimorar.
Nos anos de 1990, Daniel Goleman, também psicólogo da Universidade de Harward, afirma
que ninguém tem menos que nove inteligências. Além das sete citadas por Gardner, Goleman
acrescenta mais duas:21
8. Inteligência pictográfica: habilidade que a pessoa tem de transmitir pelo desenho que faz
objetos e situações reais oumentais (pintores, artistas plásticos, desenhistas,
ilustradores,chargistas).
9 Inteligência naturalista: capacidade de uma pessoa em sentir-se um componente natural e
defender, estudar, pesquisar os fenômenos do ambiente (ecologistas, ambientalistas).
Atualmente, Goleman está estudando a décima inteligência:
10 Inteligência social: o autor afirma que as interações sociais moldam o cérebro por meio da
“neuroplasticidade”, como se o cérebro fosse sendo moldado a partir das práticas de interação
social que estabelecemos. Muito mais do que influenciar o comportamento, a maneira como o
ser humano lida com o outro, em diversas situações, delineia novos mecanismos cerebrais.
Os relacionamentos positivos têm impacto benéfico sobre nossa saúde, ao passo que os
tóxicos podem, lentamente, envenenar nosso organismo. Goleman afirma que psicólogos,
educadores, antropólogos,
comunicadores, empresários, precisam ter o altruísmo, a compaixão, a preocupação e a
compreensão trabalhados como valores que conectam as mentes dos seres humanos. Tais
habilidades exercitadas ajudam a lidar melhor consigo mesmo e com os outros.
O que é inteligência espiritual e como utilizá-la em nosso dia a dia?
Maria Nunes em livro Inteligência espiritual, da Editora Mauad, apresenta-nos, com uma
linguagem simples e acessível, essa inteligência que nasce do espírito e nos faz atentos ao
que se passa dentro de nós mesmos e à nossa volta, seja dormindo ou na vigília física.

A partir de relatos de suas experiências no campo espiritual, a autora nos mostra como a
inteligência espiritual nos ajuda a compreender e a conviver com fenômenos que ocorrem em
nossas vidas, dentre eles, os sonhos lúcidos, a clarividência, a premonição, a telepatia, o déjà
vu, a vidência de auras, a experiência fora do corpo, a consciência cósmica, os
pressentimentos, a sincronicidade, os aparentes acasos, as coincidências e os sinais.

Maria Nunes também propõe aos leitores exercícios de pesquisa pessoal para o
desenvolvimento da inteligência espiritual, que envolve todas as formas de inteligência do ser
humano e muda, para melhor, a nossa maneira de encarar os problemas e relacionamentos.
A teoria das inteligências múltiplas teve grande impacto na educação no início dos anos de
1990, uma vez que apresentou a possibilidade de várias inteligências no sujeito, não apenas a
lógico-matemática e linguística. Com isso um ou mais tipos de inteligências podem ser usadas
como “rotas secundárias” para ajudar o aluno a desenvolver outras inteligências.
Embora Gardner não proponha um método pedagógico, afirma que a escola deve favorecer
situações de aprendizagem para o desenvolvimento de todas as inteligências, a fim de que o
aluno possa atingir seus objetivos profissionais e de lazer a partir do seu espectro particular de
inteligências.
Se todo o espectro é estimulado, a criança se desenvolve de maneira mais harmoniosa e isso
irá prevenir “obstruções da rota” de certas inteligências. Esse procedimento irá prevenir
bloqueios de capacidades, embora ninguém vá se tornar um especialista em tudo.

O que é espectro?
O espectro é uma espécie de mandala ou mosaico que apresenta as interrelações naturais
existentes entre as inteligências múltiplas em um sujeito.

O construtivismo de Piaget

Jean Piaget (1896-1980) procurou compreender como o adulto desenvolve o pensamento


lógico-científico e, para isso, utilizou pressupostos teóricos da filosofia e o método de
investigação e pesquisa da psicologia.
Ao longo de sua brilhante carreira, Piaget escreveu mais de 90 livros e centenas de trabalhos
científicos. Na visão de Piaget, as crianças são as próprias construtoras ativas do
conhecimento, constantemente criando e testando suas teorias sobre o mundo.
Formulou uma teoria que pressupõe a evolução progressiva do conhecimento por meio de
estruturas de raciocínio que se integram umas às outras através de estádios de
desenvolvimento. Isto significa que a lógica e as formas de pensar de uma criança são
completamente diferentes da lógica e do pensamento dos adultos, recomendando aos adultos
que adotem uma abordagem educacional diferente ao lidar com crianças.
Forneceu uma percepção sobre as crianças que serve como base de muitas linhas
educacionais atuais; mas devemos ressaltar que os estudos de Jean Piaget não tinham um
comprometimento direto com a educação e nem este autor lançou uma teoria pedagógica
aplicável na educação escolar.
Está errada a escola que diz utilizar o ‘método de Piaget’. Apesar disso, não se pode negar
que suas contribuições para as áreas da psicologia e da educação são incomensuráveis.
A teoria do desenvolvimento cognitivo ou da inteligência de Piaget está pautada nos
pressupostos epistemológicos do construtivismo, superando algumas teorias clássicas como o
racionalismo e o empirismo.
Segundo a teoria construtivista, o conhecimento ocorre a partir da interação do sujeito com o
meio, de sua ação e levantamento de hipóteses, sendo um processo interativo em que a
espontaneidade tem um papel importante.
Para entender a lógica do adulto, estudou o desenvolvimento do pensamento infantil, aplicando
testes (provas operatórias) chegando a períodos que denominou de “estádios do
desenvolvimento cognitivo”.
Epistemologia genética: área de pesquisa elaborada por Piaget, que estuda o
desenvolvimento do pensamento da criança até a chegada ao raciocínio adulto (lógico-
científico). Piaget pretendeu compreender como se desenvolvem não só os conhecimentos,
como também a capacidade de conhecer.
Na visão de Piaget, as crianças são as próprias construtoras ativas do conhecimento,
constantemente criando e testando suas teorias sobre o mundo.
O que é epistemologia?
É a parte da Filosofia que estuda o conhecimento. Os epistemólogos, desde a Grécia Antiga
até os tempos atuais, buscam responder a seguinte questão: Como o homem chega ao
conhecimento?
Diferentes correntes epistemológicas buscaram responder a esta pergunta ao longo do tempo e
orientaram a compreensão sobre o conceito de inteligência bem como a construção de teorias
psicológicas.
Uma visão construtivista da inteligência
De acordo com Macedo (2002), na visão construtivista a inteligência é o que possibilita ao
sujeito, de modo estrutural e funcional, relacionar-se consigo mesmo e com o mundo de modo
interdependente e reversível. Ou seja, uma relação em que os elementos interagem em um
contexto sistêmico, sendo partes e todo ao mesmo tempo.
Ser inteligente em uma perspectiva construtivista é saber coordenar ações (físicas, motoras,
afetivas, cognitivas) em direção a resolução de um problema ou situação. Sendo assim, a
inteligência expressa como o sujeito pode compreender e realizar tarefas segundo os
diferentes estádios do desenvolvimento.
Construtivismo significa que a inteligência não está pronta ou acabada, que o conhecimento
não é dado como algo terminado. Nessa perspectiva, o conhecimento não depende
unicamente das relações sociais ou da bagagem genética hereditária. O conhecimento é
resultado da interação do sujeito com o objeto (meio físico, social, com os símbolos, signos
pertencentes ao contexto socio-histórico em que está inserido o sujeito) que possibilitará a
construção do conhecimento e desenvolvimento das estruturas de inteligência. Portanto, o
conhecimento é resultado da dialética da interação sujeito-objeto.
De acordo com Becker (1993) epistemologicamente esta relação pode ser assim
representada: S↔O e a Pedagogia que deriva desta concepção é a Relacional:A↔P.
Níveis de erros durante o processo de aprendizagem:

No construtivismo o erro é possível ou até necessário durante o processo de construção do


conhecimento. Assim, Piaget classifica em níveis de desenvolvimento as respostas do sujeito:
Nível 1 - não há erro na perspectiva do sujeito, não compreende a existência do mesmo.
Nível 2 - o erro é percebido pelo sujeito, mas somente depois de ter errado, a posteriori, não
havendo antecipação ou pré-correção do erro,
Nível 3 - existe a compreensão do erro e a possibilidade de antecipar, neutralizar, pré-corrigir.