Você está na página 1de 2

Sobre o violão Barbosa Junior.

Tampo em cedro canadense; laterais e fundo em imbuia e escala e braço em cedro rosa e escala em
ébano.

Primeiras impressões: 28/12


Começo falando sobre o acabamento, o que inexoravelmente tive por primeiro contato: é
preciso e bem feito, minuciosamente feito e cuidadosos com todos os detalhes possíveis. Detalhando,
começo pela seleção das madeiras, muito bonitas e com cores igualmente belas; o desenho da palma
(formato) é muito bonito e bem pensado para o bom ajuste das cordas nos carreteis das tarraxas;
trastes bem colocados e lixados, sem sobrar nenhuma ponta pontiaguda ou maior que a largura da
escala, permitindo uma boa tocabilidade na escala; os desenhos no fundo e laterais (faixa preta)
embelezam o projeto estético do violão. Lindo por inteiro.
Após reinstalar as cordas, para afiná-las com segurança, atentei-me nesse momento para um
par de tarraxas resistentes e bem-acabadas. Aparentam ter seus pinos frágeis por serem feitos de
plástico (ao menos é o que consegui enxergar, não sei se me equivoco), mas trazem prós que superam
a construção dos pinos: blindagem (proteção das roldanas) e fácil ação (bem lubrificadas em seu
estado atual, imagino que já de fábrica). Recomendaria continuar utilizando tarraxas desse
fornecedor, pela beleza, construção e por segurarem bem a afinação (as cordas conseguiram se
estabilizar bem, mesmo nas primeiras afinações).
Sobre a anatomia, a primeira surpresa é o peso do violão, leve, o que se deve, segundo o
luthier, um resultado positivo e seu projeto de violão que visa utilizar a quantidade de madeira em
suas espessuras e tamanhos justos a uma boa construção e estrutura do violão, sem sobras ou exageros.
De desenho diferente, lembrando alguns dos modelos dos violões do Antonio Jurado Torres ou até
Hauser’s, possuidores de uma cintura menos marcada e a parte baixa da lateral (o pé do violão) é reto.
Sendo assim, resultando um violão de fácil ajuste ao corpo por ser fino e anatômico, ao menos em
minha estrutura corpórea caiu-me bem, “hecho a mi medida”.
A sonoridade apresenta médios bem definidos e, por características da madeira escolhida para
o tampo, esses registros médios, e os graves, prevalecem. Mas, o agudo também soa bem e presente,
imagino que pela combinação do cedro à imbuia, permitindo os agudos também prevalecerem. Em
construção tradicional, consegui, nos momentos de teste, perceber alguns pontos de timbre que,
mesmo sem muita perícia do violão, os ouvi sem muito esforço. Ou seja, a construção supracitada faz
valer seu objetivo de valorização dos timbres. Ainda não identifiquei uma grande diferença entre os
timbres alcançados com toques da região natural e no tasto, fazendo-se necessário um deslocamento
maior da mão direita entre essas duas regiões para produzir-se timbres nitidamente diferentes. Reitero,
pode ser imperícia, todavia, com o instrumento que so passou algumas horas em meu colo.
Após o foco no timbre, finalizo minha primeira impressão escrita com um elogio ao volume.
O violão possui potência e creio que com o tempo de uso e uma maturação das madeiras (mesmo que
pouco mudando), o violão soe mais alto e nítido como já chegou soando. Ou seja, um som por demais
claro (nítido e equilibrado, sem deturpações ou ruídos).
Como resumo, recebi um violão que assustou pela leveza, mas, ao sair da case deleitou os
olhares a sua volta com uma belíssima construção, um acabamento impecável que impossibilitava
encontrar descuidos, especialmente nas palma e trastes, sendo estes os que mais me chamaram a
atenção pelo cuidado dedicado ao lixamento e colocação. Em tarraxas firmes e bonitas, reinstalando
as cordas, ouvi pela primeira vez o Barbosa Junior de Cedro/imbuia feito em construção tradicional
soar colorido e potente, com timbres diferentes evidentes e um volume que satisfaz.