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Rafael Felipe Sousa Antunes


Prof. Diogina Barata

1. INTRODUÇÃO

A educação ambiental vem sendo incorporada como uma prática


inovadora em diferentes âmbitos. A sua internalização como objeto de políticas
públicas de educação e meio ambiente vem ganhando espaço nas últimas
décadas, assim como sua incorporação num âmbito mais capilarizado 1, como
mediação educativa, configurando-se em um conjunto de práticas de
desenvolvimento social (LOPES et al., 2011).
Embora não seja uma disciplina escolar nem responsabilidade da escola
básica, a Educação Ambiental pode ser trabalhada por meio de iniciativas
pessoais e de grupos multidisciplinares de professores. Na sua maioria,
professores do ensino básico e do ensino superior, realizam saídas de sala de
aula com seus alunos para observar e estudar o ambiente que circundam não
somente a escola, mas também o bairro, e a cidade. (MENDES & VAZ, 2009).
Para Carvalho (2001) duas são as orientações para se trabalhar a
Educação Ambiental: a comportamental e a popular. Na primeira, é valorizado o
papel da educação como agente difusor dos conhecimentos sobre o meio
ambiente e indutor de mudanças dos hábitos e comportamentos considerados
predatórios em hábitos e comportamentos tidos coo compatíveis com a
preservação dos recursos naturais; já a segunda vertente está associada à
tradição da educação popular, que compreende o processo educativo como um
ato político no sentido amplo, isto é, como prática social de formação da
cidadania. Nesse sentido, os destinatários da educação são os sujeitos
históricos, inseridos numa conjuntura sociopolítica determinada cuja ação é
resultante de um universo de valores construídos social e historicamente.
No contexto da Educação Ambiental, Macedo (2005), afirma que a
percepção ambiental é pré-requisito para se atingir diferentes níveis de
conscientização ambiental. A autor diz que somente trabalhando percepção e

1 N.A. Neste contexto entenda “capilarizado” como diversificado, distribuído.


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conscientização ambiental, juntamente com o conhecimento científico é que se


obtêm potencial para se promover a conservação ambiental efetiva.

A percepção [ambiental] pode ser considerada como sendo o processo


de organizar e interpretar dados sensoriais recebidos para desenvolver
a consciência do ambiente. A percepção é individual, implica
interpretação e cada indivíduo percebe o ambiente através de
inúmeros filtros (FREITA et al., 2010, p. 988)

Ribeiro (2009) afirma que cada indivíduo, em função de seus interesses,


informação, conhecimento ou formação profissional, percebe o ambiente de uma
forma especifica. No entanto é importante que cada indivíduo aprenda a
enxergar o meio ambiente de diferentes formas, para que sejam possíveis a
comunicação e o entendimento transdisciplinar, superando a fragmentação e a
especialização que existe hoje. Essa atitude de desfragmentar o conhecimento
implica numa mudança de percepção que podem levar a mudanças de
comportamento e atitudes frente à temática, meio ambiente.
Nessa perspectiva Soulé (1997) aponta que cada indivíduo é uma lente
exclusiva, fundamentada e polida por temperamento e educação. Aponta ainda
que as etapas para se perceber o ambiente são: a sensorial, que se constitui na
experiência imediata; a dimensão de valor, que ocorre através do julgamento e
a dimensão científico-analítica que poderá se realizar através do
estabelecimento de relações, da formulação de teorias e conceitos.

A percepção sensorial, por meio dos sentidos [...] é limitada. Tais


limites podem ser estendidos pelos instrumentos científicos e
tecnológicos. A percepção sobre o ambiente, por meio dos sentidos, é
filtrada pelo conhecimento, pelos interesses, pelos valores culturais e
pela educação de um indivíduo ou uma sociedade. Assim em função
[...] da história de vida, cada indivíduo tende a valorizar determinados
aspectos [...] do ambiente em que vive (RIBEIRO, 2009, p. 95).

Freitas et al. (2010) afirma que a complexidade ambiental permite a


compreensão da realidade frente ao cruzamento da maior quantidade possível
de fenômenos, processos e informações, permitindo que a análise referente à
temática ambiental seja ampla e comporte o raciocínio interacionista. Não
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obstante, para que isso ocorra é necessário que se identifique o que o público-
alvo compreende sobre a temática meio ambiente. Segundo Reigota (1999)
identificar a representação social do indivíduo sobre ambiente é identificar como
ele internalizou os conceitos científicos que concernem à temática, frente às
informações do senso comum que ele já apresentava sobre o assunto, para que
dessa forma haja uma educação ambiental efetiva e que possa mudar o olhar
futuro sobre essa temática.
Dessa forma a Educação Ambiental parte dos processos educacionais,
agregando conhecimento e consciência de uma relação mais equilibrada entre
o homem e o meio ambiente, formando uma nova ética capaz de recuperar os
sujeitos ecológicos (ROZARIO, 2018).

2. PROPOSTA DE TRABALHO – METODOLOGIA

A atividade proposta consiste em realizar visitas estruturadas e guiadas


com crianças à espaços não-formais de ensino-aprendizagem (como museus,
parques nacionais, bases de apoio a biodiversidade – TAMAR, etc.)
apresentando a elas o material sobre fauna e flora. Caso o município ou a
localidade tenha carência em lugares específicos para a realização dessa
atividade é possível que se realize a atividade em âmbito urbano (parques,
praças, etc.).
Sabendo que a UFES possui um acervo de animais taxidermizados a
proposta é a seguinte:
1) Realizar visitas guiadas no projeto TAMAR ou na RESERVA DA VALE DO
RIO DOCE, e mostrar para as crianças os animais taxidermizados, de forma a
simular como os mesmo se encontram em seus habitats;
2) Juntamente com a apresentação desses animais, o responsável por conduzir
o grupo (professor, orientador, policiais ambientais, voluntários) devem realizar
uma explanação sobre o que está sendo observado a fim de esclarecer e instruir
as crianças no que se trata fauna e flora;
3) Por fim, a fim de verificar se os conceitos e explanações foram, de forma
cognitiva, adquiridas pelas crianças, solicitar que eles façam um desenho sobre
tudo que foi experienciado nas visitações.
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Essa proposta permite que o aluno vivencie, experimente e construa uma


visão crítica sobre o meio ambiente que possivelmente não teria na escola
(espaço formal de ensino), podendo criar o seu entendimento subjetivo sobre a
educação ambiental e a biodiversidade. Nesse processo o aluno não apenas trás
para si o que está sendo aprendido, mas trás também o que já vivenciou em seu
ambiente histórico-cultural. Dessa forma, deixa de ser sujeito passivo e passa a
exercer o seu potencial de sujeito modificador futuro. Esse método também
propõe uma aplicação interdisciplinar em que a ferramenta utilizada para avaliar
o aluno consiste na realização de um desenho, expondo o que mais lhe
impactou. Desenho esse que deve evitar a influência do professor ou
responsável, pois a ideia é não exercer influência sobre o que será produzido
mas permitir que o aluno, a criança possa se expressar de forma livre e natural,
de forma subjetiva.

3. REFERÊNCIA

CARVALHO, I. C. M. A invenção do sujeito ecológico: sentidos e trajetórias


em educação ambiental. Tese de doutorado – Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, Programa de Pós-Graduação em Educação, Porto Alegre, 2001.

FREITAS, M. R.; MACEDO, R. L. G.; FERREIRA, E. B.; FREITAS, M. P. Em


busca da conservação ambiental: a contribuição de percepção ambiental para a
formação e atuação dos profissionais da química. Química Nova, v. 33, n. 4, p.
988-993, 2010.

LOPES, P. R.; SOUZA, I. F.; LEME, M.; BRANDÃO, J. A. V.; COSTA, R. M. G.


F.; FIGUEIREDO, R. A. Diagnóstico socioambiental: o meio ambiente percebido
por estudantes de uma escola rural de Araras (SP). Pesquisa em Educação
Ambiental, v. 6, n. 1, p. 139-155, 2011.

MACEDO, R. L. G. Percepção, Conscientização e Conservação Ambientais.


Lavras: UFLA/FAEPE, 2005.

MENDES, R.; VAZ, A. Educação ambiental no ensino formal: narrativas de


professores sobre suas experiências e perspectivas. Educação em Revista, v.
25, n. 3, p. 395-411, Belo Horizonte, 2009.

REIGOTA, M. A floresta e a escola: por uma educação ambiental pós-moderna.


São Paulo: Cortez, 1999.
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RIBEIRO, M. A. Ecologizar: vol. 1- Princípios para a ação. Brasília: Universa,


2009.

ROZARIO, E. M. A relação homem-natureza nas comunidades tradicionais


da ilha de Guriri-ES: subsídios à educação ambiental. 1. ed. Curitiba: Appris,
2018.

SOULÉ, M. E. In: Biodiversidade, WILSON, E. O. Rio de Janeiro: Nova


Fronteira, 1997.