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Apostila

Direito
Empresarial

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Direito Empresarial - Master OAB - 1ª Fase

Sumário
Teoria Geral da Empresa .............................................................................................................................. 3
Teoria da Empresa ..................................................................................................................................... 3
Atividade Empresária e Não Empresária ............................................................................................... 5
Estabelecimento Empresarial .................................................................................................................. 6
Simples Nacional........................................................................................................................................ 8
EIRELI ........................................................................................................................................................... 9
Nome Empresarial ................................................................................................................................... 10
Ponto Comercial ...................................................................................................................................... 11
Livros Empresariais: ................................................................................................................................. 13
Societário....................................................................................................................................................... 15
Sociedades Não Personificadas ............................................................................................................ 15
Sociedade Simples .................................................................................................................................. 16
Sociedade em Nome Coletivo, Sociedade em Comandita e Cooperativa .................................. 17
Sociedade Limitada ................................................................................................................................. 18
Sociedade Anônima ................................................................................................................................ 19
Propriedade Industrial ................................................................................................................................ 23
Títulos de Crédito ........................................................................................................................................ 25
Introdução aos Títulos de Crédito ........................................................................................................ 25
Letra de Câmbio....................................................................................................................................... 26
Nota Promissória...................................................................................................................................... 31
Cheque ...................................................................................................................................................... 31
Protesto ..................................................................................................................................................... 33
Duplicata .................................................................................................................................................... 34
Recuperação e Falência ............................................................................................................................. 35
Princípios Gerais e Recuperação Extrajudicial................................................................................... 35
Recuperação Judicial.............................................................................................................................. 37
Falência ...................................................................................................................................................... 38

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Teoria Geral da Empresa

Teoria da Empresa

Podemos classificar o Direito Empresarial em 3 grandes fases: 1ª fase ou fase subjetiva;


2ª fase ou fase objetiva; e 3ª fase ou fase subjetiva moderna.

Na primeira fase do direito comercial, ou fase subjetiva, o objeto do direito era a


figura do comerciante. Marcada pela reabertura das rotas comerciais causadas pelas
cruzadas, houve a intensificação comercial e surgiram as corporações de ofício.

Em regra, haviam normas provindas dos costumes, consuetudinárias, com pouco


conteúdo escrito; esse conjunto de normas costumeiras e escritas formavam os estatutos
das corporações de ofício. Nesta época, o direito comercial (empresarial) era
considerado um direito marginal, desprovido de autonomia, pois surgia a margem do
direito civil que imperava na época.

A segunda fase ou fase objetiva desviou o foco do direito para o ato praticado, e
não mais o comerciante: se o ato praticado fosse comercial, seria regido por regras
comerciais. O Estado Absolutista passa a centralizar a legislação comercial, produzindo
e aplicando as regras; o Código Napoleônico é o melhor exemplo desta era das
codificações, trazendo em seu bojo um rol taxativo dos atos comerciais.

Apesar de importante, a teoria objetiva sempre foi alvo de críticas, dada a tarefa
impossível de esgotar os atos comerciais em um rol taxativo. Acompanhando a crise do
positivismo, nasce a 3ª fase, também conhecida como fase subjetiva moderna. É a
atualmente usada, estampada no art. 966, CC/02, e devolve o foco à pessoa, mas não a
pessoa do comerciante, e sim a pessoa do empresário; surge a Teoria da Empresa.

A Teoria da Empresa tira o foco do caráter objetivo da Teoria dos Atos de


Comércio, dando um caráter subjetivo à atividade empresarial, esta baseada na atividade
econômica. Por resta teoria, qualquer atividade pode ser considerada empresária, desde
que seja desenvolvida de forma organizada, profissional e voltada para o lucro.

A chave para a Teoria da Empresa é ter em mente que empresa é sinônimo de


atividade econômica organizada, que sua vez diz respeito ao método de produção de
bens capitalista, que nada mais é do que coadunar-se capital, insumos, mão de obra e
tecnologia.

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O conceito de empresário é dado pelo art. 966, CC/02, sendo o profissional


exercente de atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou
de serviços. Mister destacar que o empresário pode ser tanto pessoa física quanto
jurídica; o empresário individual é pessoa física, mesmo possuindo CNPJ (este só para
fins tributários).

Em relação ao regime de responsabilidade do empresário individual, esta é


ilimitada. Assim, se o patrimônio destinado à atividade não for suficiente para saldar os
débitos perante credores, estes poderão satisfazer seus créditos perante o patrimônio
pessoal do empresário, obedecendo ao benefício de ordem (cobrar primeiro do
patrimônio da pessoa jurídica para depois cobrar do empresário).

Quanto aos requisitos para ser empresário, eles estão previstos no art. 972,
CC/02, o qual dispõe que podem exercer a atividade de empresário os que estiverem
em pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos. Resumindo, há
dois requisitos: a capacidade civil plena e a ausência de impedimentos.

Pelo art. 5º, CC/02, a capacidade civil plena ocorre aos 18 anos ou aos 16 quando
emancipada a pessoa. Não têm capacidade para exercer empresa, também, os menores
de 18 anos não emancipados, os ébrios habituais, viciados em tóxicos, os que não
puderem exprimir a vontade, os pródigos e, nos termos da legislação especial, os
indígenas.

Porém, há a exceção do exercício da empresa visando o interesse do incapaz,


hipótese esta prevista no art. 974, CC/02. Para iniciar a atividade empresária sob
modalidade empresário individual, deve-se ter capacidade civil plena. Contudo, caso a
capacidade seja perdida ao longo do exercício da atividade, esta pode continuar através
de representante ou devidamente assistido (casos de sucessão), desde que autorizada
judicialmente.

Quanto à necessidade de ausência de impedimentos legais, prevista no já


mencionado art. 972, esta é decorrente de disposição constitucional, que estabelece a
sujeição ao atendimento dos requisitos previstos em lei ordinária (art. 5º, XIII, CRFB).

Embora plenamente capazes, há pessoas que não podem exercer atividade


empresária na modalidade empresário individual. Assim, não podem exercer atividade
na modalidade individual ou serem administradores de sociedades pessoas que exerçam
função pública, sendo estas vedações de natureza de direito público.

O principal caso de proibição de exercer empresa que interessa ao direito


comercial diz respeito ao falido reabilitado, que só pode exercer empresa após a

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extinção das obrigações no processo de falência e, se também foi condenado por crime
falimentar, deverá requerer sua reabilitação penal após o decurso do prazo.

Sobre a sociedade entre cônjuges, o art. 977, CC/02, dispõe que é facultado aos
cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros, desde que não tenham casado
no regime de comunhão universal de bens ou no da separação obrigatória, ou seja, pode
ter sociedade entre cônjuges, se casados em comunhão parcial de bens ou separação
total voluntária.

Por ocaso, mister salientar que tudo o que afeta a seara patrimonial do
empresário deve ser levado a registro uma vez que é de interesse dos credores em
decorrência da responsabilidade ilimitada do empresário individual.

Atividade Empresária e Não Empresária

Empresário é aquele que exerce empresa, a qual é sinônimo de atividade


econômica organizada, que sua vez diz respeito à atividade que segue o método de
produção de bens capitalista, que nada mais é do que coadunar-se capital, insumos, mão
de obra e tecnologia; essa é a atividade empresária.

A Teoria da Empresa não acarreta a superação da bipartição do direito privado,


que o legado jurídico de Napoleão tornou clássica nos países de tradição romana: altera
o critério de delimitação do objeto do Direito Comercial, que deixa de ser os atos de
comércio e passa a ser a empresarialidade, mas não supre a dicotomia entre o regime
civil e comercial.

Assim, de acordo com o Código Civil, continuam excluídas da disciplina


juscomercialista algumas atividades econômicas. São atividades civis, cujos exercentes
não podem, por exemplo, requerer a recuperação judicial, nem falir; são 4 hipóteses de
atividades econômicas civis.

A primeira delas é quem não se enquadra no conceito legal de empresário: se


alguém presta serviços diretamente, mas não organiza uma empresa (não tem
empregados, por exemplo), mesmo que o faça profissionalmente (com intuito lucrativo
e habitualidade), não é empresário e o seu regime será o civil.

A segunda diz respeito ao profissional intelectual, nos termos do art. 966,


parágrafo único, CC/02, que dispõe: “não se considera empresário, o exercente de
profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, mesmo que contrate
empregados para auxiliá-lo em seu trabalho. Entre eles se encontram os profissionais

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liberais, os escritores e artistas de qualquer expressão (os advogados se encontram aqui).


Há uma exceção, prevista no mesmo dispositivo legal, em que o profissional intelectual
se enquadra no conceito de empresário: trata-se da hipótese em que o exercício da
profissão constitui elemento de empresa (exemplo do médico que decide abrir um
hospital).

A terceira exceção versa sobre o empresário rural: as atividades rurais no Brasil


são exploradas em dois tipos radicalmente diferentes de organizações econômicas.
Tomando-se a produção de alimentos, por exemplo, encontra-se na economia brasileira,
de um lado, a agroindústria (ou agronegócio) e, de outro, a agricultura familiar. Naquela,
emprega-se tecnologia avançada, mão de obra assalariada (permanente e temporária),
especialização de culturas, grandes áreas de cultivo; na familiar, trabalham o dono da
terra e seus parentes, um ou outro empregado, e são relativamente menores as áreas de
cultivo.

Atento a esta realidade, o Código Civil reservou para o exercente de atividade


rual, um tratamento específico. Nos termos do art. 971, se ele requerer sua inscrição no
registro das empresas (Junta Comercial), será considerado empresário e submeter-se-á
às normas de Direito Comercial, devendo ser o caso do agronegócio. Caso não requeira
a inscrição neste registro, não se considera empresário e seu regime será o de direito
civil, sendo a opção predominante entre os titulares de negócios rurais familiares.
Conclui-se que o registro como empresário rural é facultativo.

A quarta e última exceção diz respeito às cooperativas. Estas, normalmente,


dedicam-se às mesmas atividades dos empresários e costumam atender aos requisitos
legais de caracterização destes, mas por expressa disposição do legislador, não se
submetem ao regime jurídico empresarial, ou seja, não estão sujeitas à falência e não
podem requerer recuperação judicial.

Estabelecimento Empresarial

O conceito de estabelecimento está no art. 1.142, CC/02, que dispõe: “considera-


se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa por
empresário, ou por sociedade empresária.

Para a doutrina majoritária, a natureza jurídica do estabelecimento é de uma


universalidade de fato, que nos termos do art. 90, CC/02, nada mais é do que a
pluralidade de bens singulares pertinentes à mesma pessoa, mas que podem ser objeto
de relações jurídicas próprias, o que coaduna com o disposto no art. 1.142.

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É importante diferenciar o patrimônio do estabelecimento. O primeiro é todo o


complexo de relações jurídicas do empresário, estando incluídos bens como capital
social, bens móveis, imóveis e até vários estabelecimentos. Pode haver bens destinados
à atividade (estabelecimentos) e bens que não estão relacionados às atividades (aluguel
de prédio, clube de lazer); patrimônio é um conceito maior que engloba o
estabelecimento.

O estabelecimento é composto por elementos corpóreos e incorpóreos, como


os bens materiais (quadro, mesa, computador) e imateriais (marca, título de
estabelecimento, nome empresarial, créditos e contratos do estabelecimento). Visto
isso, mister tecer comentários sobre a clientela e o aviamento.

Primeiro, é importante diferenciar clientela de freguesia. Clientes são pessoas


que mantém vínculo de fidelidade com o estabelecimento. Por seu turno, freguesia pode
ser entendida como as pessoas que não habitualmente, utilizam produtos e/ou serviços
de determinado estabelecimento.

Aviamento, por seu turno, é a capacidade do estabelecimento de gerar lucro,


podendo ser subjetivo ou objetivo. Por subjetivo entende-se a capacidade do empresário
de exercer aquela atividade (preparo, capacitação, talento), enquanto o objetivo está
relacionado aos elementos utilizados para exercer aquela atividade (conjunto de bens,
ponto comercial).

Por ocaso, falando sobre o contrato de alienação do estabelecimento


empresarial ou trespasse, este deve ser celebrado por escrito para que possa ser
arquivado na Junta Comercial e publicado pela imprensa oficial, conforme disposto no
art. 1.144, CC/02. Enquanto não providenciadas estas formalidades, dando-se
publicidade, a alienação não produzirá efeitos perante terceiros.

A segunda cautela diz respeito a um requisito de eficácia. O empresário tem


sobre o estabelecimento empresarial a mesma disponibilidade que tem sobre os demais
bens de seu patrimônio, mas a lei sujeita o trespasse à anuência dos seus credores.
Referida anuência pode ser expressa ou tácita, decorrendo esta última modalidade do
silêncio do credor após 30 dias da notificação da alienação que o devedor lhe deve
endereçar, nos termos do art. 1.145, CC/02.

Agora versando sobre a solidariedade por débitos do estabelecimento


empresarial, o passivo regularmente escriturado pelo alienante transfere-se para o
adquirente. Contudo o antigo titular do estabelecimento continuará responsável pelas
obrigações apenas durante certo prazo, que será de 1 ano contado da publicação do
contrato de alienação para as obrigações vencidas antes do negócio e 1 ano contado da
data de vencimento para as demais, conforme art. 1.146, CC/02.

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Ainda sobre o contrato de trespasse, mister lembrar que a cláusula de não


restabelecimento é implícita em qualquer contrato de estabelecimento empresarial. O
alienante não poderá, nos 5 anos subsequentes à transferência, restabelecer-se em
idêntico ramo de atividade explorada, concorrendo com o adquirente, salvo se
devidamente autorizado em contrato, nos termos do art. 1.147, CC/02; esse prazo pode
ser diminuído ou suprimido se previsto em contrato, porém, nunca aumentado.

Simples Nacional

O estatuto do Microempreendedor Individual (MEI), Microempresa (ME) e


Empresa de Pequeno Porte (EPP), está inserido no texto da Lei Complementar 123/2006,
fazendo-se mister salientar que não há a criação de novos tipos societários, pois a matéria
versada no diploma diz respeito apenas a enquadramento tributário.

A ideia na supracitada LC é simplificar o tratamento tributário atribuído a


pequenas empresas, facilitando o recolhimento dos tributos, tanto que também é
chamada de Lei do Simples ou Supersimples.

Para enquadrar-se como Microempreendedor individual, nos termos do art. 18-


A, LC 123/06, se faz necessário ser empresário individual e auferir renda bruta anual de
no máximo R$ 81.000,00.

O registro de microempresa é dado quando os requisitos do art. 3º, LC 123/06


são cumpridos, ou seja, auferir renda bruta anual de até R$ 360.000,00; podem ser
microempresa o empresário individual, a sociedade simples, as sociedades empresárias
e a EIRELI.

Já a empresa de pequeno porte, prevista no art. 3º, II, LC 123/06, requer uma
receita bruta anual maior que R$ 360.000,00 e menor que R$ 4.800.000,00; podem ser
microempresa o empresário individual, a sociedade simples, as sociedades empresárias
e a EIRELI.

O enquadramento como MEI, ME ou EPP é um ato voluntário, sendo feito


perante a Junta Comercial ou ao RCPJ, de acordo com a pretensão do empresário ou
PJ, além de estar de acordo com a receita bruta anual. Havendo modificação do valor
bruto apurado pela empresa, superando o teto permitido para a categoria registrada, é
de obrigação da empresa informar à Junta ou Registro Civil da mudança da faixa de
enquadramento.

Dentre as vantagens trazidas pelo enquadramento no Simples Nacional,


podemos citar a unificação de tributos em uma mesma rubrica, num mesmo momento e

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ainda com alíquotas reduzidas. As microempresas e empresas de pequeno porte


optantes pelo Simples Nacional estão dispensadas de manter escrituração mercantil,
mas devem emitir nota fiscal e conservar em boa guarda os documentos relativos à sua
atividade (LC 123/06, art. 27).

EIRELI

Antes da Lei 12.441/2011 que instituiu a EIRELI, haviam apenas 2 formas para a
configuração de empresário: pessoa física (empresário individual) ou pessoa jurídica
(sociedades empresárias).

Nos termos do art. 980-A, CC/02, a empresa individual de responsabilidade


limitada será constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital social,
devidamente integralizado, que não será inferior a 100 vezes o maior salário mínimo
vigente no país.

De acordo com sua própria definição, a EIRELI é composta por um titular com
responsabilidade limitada ao valor investido. Contudo, a EIRELI sendo pessoa jurídica,
terá responsabilidade ilimitada. Ela surgiu como um mecanismo mitigador de riscos,
estimulando particulares a inserirem-se nas atividades econômicas organizadas, visto
que antes de seu advento não havia a possibilidade de exercer empresa individualmente
sem responsabilização ilimitada perante credores.

A EIRELI possui natureza jurídica de pessoa jurídica sui generis, uma vez que é
tratada pelo art. 44, VI, CC/02 como figura jurídica diversa das sociedades. Neste
sentido, há o Enunciado 469 do CJF o qual dispõe que “a empresa individual de
responsabilidade limitada não é sociedade, mas novo ente jurídico personificado.

Sobre os requisitos para a constituição da EIRELI, temos na unipessoalidade o


primeiro. Esta, via de regra, é originária, com a constituição da pessoa jurídica em torno
de um só titular desde o início, porém, sendo derivada quando decorrente do processo
de transformação de sociedade empresária em EIRELI, nos termos dos arts. 980-A, § 3º
e 1.093, CC/02.

Outro requisito a que se deve atender para a criação é a integralização do capital


social, o qual deve estar totalmente integralizado no momento da constituição da EIRELI.
É fixado por lei como de, no mínimo, 100 salários mínimos, e não necessariamente precisa
ser integralizado em dinheiro, podendo ser utilizado qualquer bem passível de avaliação
econômica.

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O terceiro requisito da EIRELI é um correto nome empresarial, que será escolhido


por seu titular entre os dois tipos existentes, firma ou denominação, desde que
acrescente ao final a expressão “EIRELI”, nos termos do art. 980-A, §1º, CC/02.

Quanto ao requisito de titular da EIRELI, este pode ser tanto pessoa física quanto
jurídica. A justificativa para a possibilidade de ambas as pessoas serem aptas à
constituição da EIRELI está na ausência, no art. 980-A, caput, de qualquer menção à
exclusividade de constituição da EIRELI por pessoa física. Sendo a lei silente neste
sentido, a hipótese vale para pessoa física ou jurídica. A Instrução Normativa 88/2017 do
DREI (Departamento de Integração de Empresas) passou a prever a constituição da
EIRELI tanto por pessoa física quanto jurídica; mister destacar que o art. 980-A, §2º limita
a pessoa física a constituir apenas uma única EIRELI.

O penúltimo requisito da EIRELI diz respeito ao objeto de sua atividade, que pode
ser serviços de qualquer natureza. A EIRELI não precisa ser constituída exclusivamente
para o exercício de atividade empresária, podendo exercer também alguma das
atividades econômicas civis, conforme art. 980-A, § 2º.

Por fim, o último e mais polêmico requisito para se constituir uma EIRELI dizia
respeito ao seu registro. Isso porque não há previsão expressa no supracitado diploma
do art. 980-A, CC/02 que tenha tratado da matéria. Assim, a fixação de como seria
registrada a EIRELI veio através do entendimento apresentado pela Receita Federal, a
nota Cosit 446/2011. Restou entendido que o registro poderá ser feito tanto no Registro
Civil de Pessoas Jurídicas quanto nas Juntas Comerciais, visto que é permitido à EIRELI
exercer atividade econômica civil.

Nome Empresarial

O nome empresarial tem a função de identificar o empresário, e não a empresa,


visto que esta não detém personalidade jurídica, sendo apenas a atividade econômica
organizada. O nome empresarial aparece nos documentos oficiais e fiscais emitidos
pelos empresários, que pode ser o mesmo da marca, mas não necessariamente é
obrigatório; a marca, por outro lado, identifica direta ou indiretamente um produto ou
serviço, sendo registrada no INPI.

O nome empresarial possui natureza jurídica de direito pessoal, com viés


patrimonial para evitar a concorrência desleal. Essa proteção existe para impedir o dano
a dois interesses do empresário: de um lado, o interesse na preservação da clientela e de
outro, no da preservação do crédito.

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Há duas espécies de nome empresarial: firma ou denominação.

A primeira divide-se em individual e coletiva, sendo formadas com base no nome


civil das pessoas físicas envolvidas. Pode ser composta pelo primeiro nome, nome do
meio, último nome, apelidos, abreviações, iniciais, desde que tenha por base o nome
civil, a exemplo: Pri Bijoux, Pri e Gra Spa, Irmãos Picanço decorações, etc.

Na denominação, o elemento obrigatório para o nome é o objeto, ou seja, o ramo


de atividade, podendo ter além disso, nome ou elemento fantasia, o que é facultativo, a
exemplo de Gol Linhas Aéreas S.A., Escola Árvore Encantada.

Vale destacar que as pessoas não empresárias, mas que exercem atividade
econômica e que precisam se identificar perante o mercado, utilização a denominação;
tratam-se das sociedades simples, associações e fundações, nos termos do art. 1.155,
parágrafo único, CC/02.

Mister destacar que o nome empresarial não pode ser objeto de alienação,
conforme dispõe o art. 1.164, CC/02. Do mesmo jeito, nos termos do citado diploma, o
contrato de trespasse não é exceção à regra de não alienação; na verdade, o que ocorre
é a cessão de uso do nome, e não alienação.

Ponto Comercial

Ponto comercial é o local onde a atividade é desenvolvida (não se deve confundir


com estabelecimento comercial). Se o empresário se encontra estabelecido em imóvel
de sua propriedade, a proteção jurídica deste valor se faz pelas normas ordinárias da
propriedade imobiliária do direito civil. Já, se está estabelecido em imóvel alheio, que
locou, a proteção jurídica do valor agregado pelo estabelecimento seguirá a disciplina
da “locação empresarial”.

Neste sentido, importante utilizar como base a Lei de Locações (8245/91),


havendo duas grandes espécies de locação predial: a locação residencial e a não
residencial. Ao locatário da locação residencial não é possível, em regra, explorar
qualquer atividade econômica no imóvel objeto da locação; já o locatário da locação não
residencial não está contratualmente autorizado a explorar atividade econômica no
imóvel locado.

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Se a locação não residencial atender a certos requisitos, ela será classificada


como “empresarial”, levando a lei a reconhecer ao empresário locatário o direito à
renovação compulsória do contrato de locação. Aqui, é importante consignar que no
momento da renovação, não pode o proprietário do imóvel utilizar a noção de aviamento
subjetivo para valorizar o imóvel.

A ação renovatória ou ação de renovação compulsória, cuja a intenção é a


proteção à clientela, é instrumento jurídico que pode ser utilizado pelo locatário para
obter a renovação do contato de locação, sendo necessário ao locatário preencher os
requisitos do art. 51, II, LL.

Os requisitos são: contrato escrito e com prazo determinado; prazo mínimo


estipulado de 5 anos (accessio temporis permite a soma de contratos desde que
ininterruptos e que, somados, perfazem o tempo mínimo de 5 anos); exploração da
atividade no mesmo ramo por, pelo menos, 3 anos.

Mister destacar que o sublocatário pode sim propor ação renovatória desde que
cumpridos os requisitos acima. O mesmo ocorre com o sócio sobrevivente caso
permaneça no mesmo ramo, e as sociedades não empresárias também podem propor
ação de renovação compulsória, nos termos do art, 51, § 4º, LL.

O prazo de propositura da ação é de 1 ano a até 6 meses antes do término do


prazo de vigência do contrato. Os arts. 71 e 72 versam sobre a inicial e a contestação da
ação renovatória, podendo ser requerida na contestação a fixação do aluguel provisório
em até 80% do valor requerido. Em caso de procedência da ação de renovação, o prazo
do novo contrato de locação será de 5 anos, conforme interpretação do STJ do art. 51,
II, LL.

Por outro lado, há hipóteses nas quais o direito de propriedade


constitucionalmente protegido prevalece ao direito contratual, como a insuficiência da
proposta de renovação (art. 72, II), no caso de proposta melhor de terceiro (art. 72, III),
de determinação do Poder Público (art. 52, I) ou para uso próprio (art. 52, II); mister
destacar que nesta última hipótese a atividade a ser exercida não pode ser a mesma do
inquilino (não se aplica na hipótese de arrendamento de estabelecimento).

Mister destacar que as exceções presentes no art. 52, LL, não se aplicam à
locação em shopping center. Outra observação importante é a regra contida no art. 55,
LL, que versa: “considera-se locação não residencial quando o locatário for pessoa
jurídica e o imóvel destinar-se ao uso de seus titulares, diretores, sócios, gerentes,
executivos ou empregados.

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Livros Empresariais:

Diz respeito ao regime de escrituração, que nada mais é do que a inserção das
informações da sociedade empresária/empresário individual/EIRELI nos livros
empresariais. A obrigação é do empresário, que responde diretamente para escrituração,
nos termos do art. 1.179, CC/02.

Importante frisar que existem três categorias de empresários dispensados de


escriturar os livros obrigatórios: os microempreendedores individuais, os
microempresários e os empresários de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional,
nos termos da LC 123/06. Contudo, estes dois últimos, se não optantes pelo Simples,
ficam sujeitos a um regime especial de escrituração, em que o único livro obrigatório é
o Livro Caixa, conforme art. 26, § 2º, Estatuto.

É necessário distinguir livros empresariais de livros do empresário. Estes últimos


são gênero do qual comportam várias espécies, visto que o empresário também é
obrigado a escriturar outros livros, independentes da seara empresarial, por força da
legislação de natureza tributária, trabalhista ou previdenciária.

Versando sobre os livros empresarias, estes são de duas espécies: obrigatórios


ou facultativos. Obrigatórios são aqueles cuja escrituração é imposta ao empresário; a
sua ausência traz consequências sancionadoras. Já os facultativos são os livros que o
empresário escritura com vistas a um melhor controle sobre os negócios cuja ausência
não importa nenhuma sanção.

Sendo obrigatórios, os livros empresariais se subdividem em duas categorias: os


comuns e os especiais. Comuns são os livros obrigatórios cuja escrituração é imposta a
todos os empresários, indistintamente, ao passo que especiais são aqueles cuja
escrituração é imposta apenas a uma determinada categoria de exercentes de atividade
empresarial.

Um livro empresarial, obrigatório ou facultativo, para produzir os efeitos jurídicos


que a lei lhe atribui, deve atender a requisitos de duas ordens: intrínsecos e extrínsecos.
Por requisitos intrínsecos, temos os requisitos pertinentes à técnica contábil, que não é
nosso objeto de estudo. O direito empresarial foca nos requisitos extrínsecos, aqueles
relacionados com a segurança dos livros empresariais (requisitos formais).

Somente é considerada regular a escrituração do livro empresarial que observar


os dois tipos de requisitos. Um livro irregularmente escriturado, vale dizer que não
preencha qualquer dos requisitos legais, equivale a um não livro. O titular de um livro, a

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que falte requisito intrínseco ou extrínseco, é para o direito, titular de livro de livro
nenhum.

Os livros comerciais são regidos pelo princípio do sigilo, previsto no art. 1.190,
por possuírem informações vitais ao exercício da atividade empresária. Por esta razão, a
exibição de livros empresariais em juízo, por exemplo, não pode ser feita por simples
vontade das partes ou por decisão do juiz, senão em determinadas hipóteses da lei; o
princípio do sigilo não se opõe à autoridade fazendária, nos termos do art. 1.193, CC/02.

São dois os regimes de exibição dos livros: parcial e total. A regra geral do
princípio do sigilo é a exibição parcial, que pode ser requisitada ou determinada de ofício
pelo juiz. A exibição total só pode ser decretada de ofício em situações
excepcionalíssimas (sucessão, comunhão, sociedade, administração ou gestão à conta
de outrem ou falência); a exibição parcial está prevista no art. 421, CPC, enquanto a total
está prevista no art. 420, CPC, c/c art. 1.191, CC/02.

Como consequência da eventual irregularidade na escrituração, o empresário


não poderá valer-se da eficácia probatória que o Código de Processo Civil concede aos
livros empresariais, conforme disposto no art. 379, CPC. Ademais, se for requerida a
exibição de livro obrigatório contra o empresário, e este não os possuir, ou possuir
irregulares, presumir-se-ão como verdadeiros os fatos relatados pelo requerente, nos
termos do art. 400, I, CPC.

No campo penal, a consequência para a ausência ou irregularidade na


escrituração de livro obrigatório é a imputação de crime falimentar, nos termos do art.
178, LF. Falindo o empresário ou sociedade empresária que não cumpre a obrigação de
manter a escrituração regular de seu negócio, a falência necessariamente será
fraudulenta.

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Societário

Sociedades Não Personificadas

As sociedades dividem-se em sociedades não personificadas e sociedades


personificadas, ou seja, que detém ou não, personalidade jurídica. As sociedades não
personificadas são a sociedade em comum (arts. 986 a 990, CC) e a sociedade em conta
de participação (arts. 991 a 996, CC).

A sociedade em comum é aquela que não teve os seus atos constitutivos levados
a registro (art. 45 c/c 985); do registro, nasceria a pessoa jurídica, autônoma e
independente, com patrimônio próprio. Por isso a responsabilidade civil dos sócios de
sociedade em comum é ilimitada, não podendo os credores saldarem seus créditos com
o patrimônio da pessoa jurídica, pois ela não existe.

A regência supletiva das sociedades em comum é feita pelas regras aplicáveis às


sociedades simples. Além disto, o patrimônio dos sócios que compõe o capital da
sociedade, é considerado especial.

A sociedade em conta de participação é o segundo tipo societário das


sociedades não personalizadas. Aqui, há duas espécies de sócios: o sócio ostensivo e o
sócio participante. O primeiro é aquele que se obriga em nome próprio, que dirige o
negócio, enquanto o participante apenas entra com os recursos; o sócio participante
também é conhecido como sócio oculto.

Geralmente são atividades com tempo de duração determinado (exemplo da


realização de shows em Sp com um investidor carioca injetando dinheiro). O sócio
ostensivo responde ilimitadamente pelos créditos, visto que exerce a atividade em nome
próprio; como o sócio participante é apenas investidor, ele responde limitadamente ao
valor que investiu; o sócio participante ou oculto apenas fiscaliza as atividades.

Faz-se mister destacar que mesmo se levada a registro, a sociedade em conta de


participação não adquire personalidade jurídica, visto que a atividade não é exercida em
nome da conta de participação, mas sim em nome próprio do sócio ostensivo (art. 993,
CC/02); não adota nem firma nem denominação.

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Sociedade Simples

Exercem as chamadas atividades econômicas civis, já estudadas em aula própria.


A sociedade simples é a sociedade contratual, ou seja, seu ato constitutivo é o contrato
social. O art. 997, CC, apresenta os requisitos para constituição da sociedade simples
(sempre adota a denominação); o contrato social deve informar se os sócios respondem
subsidiariamente ou não, isto é, os sócios podem ter responsabilidade limitada ou
ilimitada.

O sócio de sociedade simples detém cotas, estando obrigado perante os outros


sócios desde a assinatura do contrato, enquanto é obrigado com terceiros a partir do
registro. O sócio é obrigado à integralização do capital social e se não o fizer, torna-se o
sócio remisso, podendo ser inclusive excluído da sociedade, se notificado após 30 dias
depois de notificado, nos termos do art. 1004, CC/02.

O legislador buscou dar segurança à continuidade da sociedade, ao dificultar a


saída de sócios, obrigando solidariamente aqueles que alienaram suas cotas na
sociedade por 2 anos da averbação da alteração contratual, conforme art. 1.003, CC/02
(cessão de cotas); o sócio novo responde por todas as obrigações da sociedade,
independente se anteriores à sua entrada.

O administrador da sociedade possui natureza organicista, ou seja, é


considerado órgão da sociedade, pois quando ele a atua é como se a própria sociedade
atuasse. A sociedade simples é o único tipo societário em que se admite a contribuição
para o capital social a partir de serviços.

O quórum de aprovação das decisões da sociedade é por unanimidade se


referentes a informações básicas, normalmente constitutivas, presentes no contrato
social, nos termos do art. 997 e 999, CC. As demais decisões obedecem a regra da
maioria absoluta, nos termos do art. 1.010, CC/02. O administrador sócio, se nomeado
no contrato social, só pode ser destituído por justa causa, e a qualquer momento se
nomeado por instrumento separado; o administrador não sócio é destituído a qualquer
momento (art. 1019 para tudo).

Credor particular de sócio, nos termos do art. 1.026, CC, pode fazer recair a
execução sobre o que couber ao devedor sócio a título de participação nos lucros, ou
até mesmo requerer a liquidação da cota do devedor sócio. Herdeiros de cônjuge de
sócio ou cônjuge que se separou judicialmente concorrem à divisão periódica dos lucros,
porém, não podem pedir a liquidação da cota do sócio, conforme art. 1.027, CC/02.

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Não se deve confundir a resolução da sociedade em relação a um sócio da


dissolução da sociedade. Na primeira, a sociedade continua existindo, acontecendo nas
hipóteses de morte do sócio (art. 1.028, CC), direito de retirada (art. 1.029, CC) e exclusão
do sócio (art. 1.030, CC). Por outro lado, a sociedade deixará de existir nas hipóteses dos
arts. 1.033 a 1.035, CC.

Sociedade em Nome Coletivo, Sociedade em Comandita e Cooperativa

A sociedade em nome coletivo está disposta entre os arts. 1.039 e 1.044, CC.
Aqui, todos os sócios são necessariamente pessoas físicas, com responsabilidade
ilimitada e solidária; a regência supletiva é feita pelas regras aplicadas à sociedade
simples, e apenas os sócios podem gerir a sociedade. Nesta espécie societária, o credor
particular de sócio, não pode liquidar diretamente as cotas de sócio da sociedade,
diferentemente da possibilidade na sociedade simples.

A sociedade em comandita simples está prevista nos arts. 1.045 a 1.051, CC, tendo
duas categorias de sócio: sócio comanditado e comanditário. O primeiro possui
responsabilidade ilimitada, sendo o gestor da sociedade, respondendo com o próprio
patrimônio, enquanto o sócio comanditário responde limitadamente, realizando apenas
a função fiscalizatória.

A sociedade em comandita por ações é codificada pelos arts. 1.090 a 1.092, sendo
regida pela lei das S.A. Ela também tem duas categorias de sócios: sócio diretor e sócio
não diretor. O primeiro responde ilimitadamente e administra a sociedade, enquanto que
o segundo apenas acionista, detentor de parcela do capital, exercendo a função
fiscalizatória.

A sociedade cooperativa possui lei própria, lei 5.764/71, estando regida pelos
arts. 1.094 a 1.096, CC. A finalidade de uma cooperativa não é o lucro, mas sim melhorar
a qualidade de vida de seus cooperados, sendo sempre uma sociedade simples, nos
termos do art. 982, parágrafo único, CC, embora seja registrada em junta comercial,
devido ao comando da legislação especial.

A cooperativa pode ter capital social variável ou até mesmo ser criada sem capital
social, pois ela é regida pelo sistema de porteiras abertas, não sendo necessária nenhuma
alteração no estatuto social; na cooperativa, o sistema de votos é per capita,
diferentemente dos outros tipos societários.

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A distribuição dos resultados na cooperativa é proporcionalmente às operações


realizadas pela sociedade; ela funciona como uma intermediária entre o órgão público
do setor e o consumidor/cliente, ou seja, quem trabalha mais irá receber mais.

A cooperativa pode ter sócios com responsabilidade limitada ou ilimitada,


dependendo do previsto no estatuto; a cooperativa adota sempre a espécie de nome
empresarial denominação.

Sociedade Limitada

A sociedade limitada, como seu próprio nome já diz, representa a limitação da


responsabilidade dos seus sócios perante terceiros, estando estes últimos obrigados a
sanarem seus créditos com o patrimônio da pessoa jurídica. Mister destacar que os
sócios só gozação de responsabilidade limitada se o capital social estiver devidamente
integralizado e a sociedade registrada, respondendo solidariamente pela sua
integralização (art. 1.052, CC).

O art. 1.053, CC, permite a escolha da regência supletiva, que poderá ser tanto a
partir de regras das sociedades simples como pelas regras das sociedades anônimas. Por
isso, a sociedade limitada pode tanto ser uma sociedade de pessoas quanto uma
sociedade de capital, isto é, ter ou não um maior affectio societatis.

O art. 1.077 estabelece que no silêncio do contrato social, o sócio pode ceder
cotas total ou parcialmente para outro sócio, sem precisar de anuência dos demais,
tendo em vista que isso não importaria em alteração no quadro societário. Para ceder a
terceiros, não pode haver oposição de mais de ¼ do capital social; combinando os arts.
1.071 e 1.076, temos as matérias de deliberação e os quóruns necessários.

Havendo mais de 10 sócios, necessariamente as deliberações deverão ser


tomadas em assembleia, que precisarão ser devidamente colocadas em ata e registradas.
Na sociedade limitada, há regras que tratam especificamente do direito de retirada (art.
1.077), que será restrito às hipóteses de alteração do contrato social, fusão ou
incorporação da sociedade.

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Sociedade Anônima

É prevista na Lei 6.404/76, juntamente com a sociedade em comandita por ações,


sendo sociedades de capitais (não interessam capacidades pessoais, apenas o dinheiro
colocado); apenas uma sociedade anônima fechada familiar tem a característica de
sociedade pessoal.

Pelo art. 982, CC, será sempre uma sociedade empresária, tendo seu registro
feito na Junta Comercial, estando sujeita ao regime de recuperação judicial e falências.
A responsabilidade dos sócios é limitada ao valor de suas ações; o nome empresarial da
sociedade anônima é a denominação (Cia, S.A. ou Companhia).

O ato constitutivo da sociedade anônima é o Estatuto Social. A companhia aberta


é a que pode negociar seus papéis (valores mobiliários) no mercado imobiliário (bolsa
de valores ou mercados de balcão), enquanto que a companhia fechada não pode.
Valores mobiliários são os títulos emitidos pelas sociedades anônimas abertas (ações,
debêntures, bônus de subscrição, Partes Beneficiárias).

A CVM, autarquia federal, fiscaliza as operações no bojo do mercado de capitais.


Para o fechamento de capital, faz-se necessária a aquisição (Oferta Pública de Aquisição)
de pelo menos 95% do capital social, com o resgate em dinheiro do restante (pagamento
compulsório aos acionistas).

Nos termos do art. 15, LSA, existem três espécies de ações: ordinárias,
preferenciais e de fruição. As ações ordinárias, se de cias abertas, terão apenas uma
classe, enquanto em cias fechadas poderão ter uma ou mais classes. Já as ações
preferenciais, poderão ter uma ou mais classes independentes se de sociedades abertas
ou fechadas.

As ações ordinárias são as comuns, que dão os direitos básicos aos acionistas,
previstos no art. 109, LSA. Esses direitos são: participação nos lucros sociais; participação
no acervo da Cia em caso de liquidação; fiscalização dos negócios sociais; direito de
retirada da sociedade nos casos previstos no art. 137; preferência para subscrição de
ações, partes beneficiárias conversíveis em ações, debêntures conversíveis em ações e
bônus de subscrição (arts. 171 e 172). Porém, o direito mais importante inerente às ações
ordinárias, é o direito de voto; segundo o art. 110, cada ação ordinária dá o direito a um
voto.

As ações preferenciais, como o próprio nome já sugere, atribui certas


preferências aos seus possuidores, geralmente vantagens econômicas, recebendo

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Direito Empresarial - Master OAB - 1ª Fase

dividendos maiores e anteriores às ações ordinárias. Porém, essa maior rentabilidade


limita totalmente ou parcialmente o direito ao voto dentro da companhia; se a companhia
ficar três exercícios financeiros sem distribuir dividendos, o acionista preferencial terá
direito a voto, nos termos do art. 111.

Essa regra será limitada pela cumulatividade ou não de exercícios financeiros sem
distribuição de dividendos: se cumulativos, o acionista terá direito a voto até que haja a
distribuição de todos eles, e se não cumulativos, basta o pagamento de apenas um para
que a situação volte ao estado anterior. Além disso, a lei limita a quantidade de ações
preferenciais em até 50% do capital social da companhia.

A ação de fruição (art. 44) é ação que foi amortizada, ou seja, que receberam
antecipadamente os valores os quais os acionistas teriam direito em uma liquidação da
companhia, ou seja, os acionistas recebem anteriormente à liquidação.

A debênture é o título representativo de dívida de uma companhia, ou seja, nada


mais é do que um título de autofinanciamento. O adquirente compra a debenture
esperando um maior retorno no futuro, seja retorno financeiro ou aquisição de ações,
caso conversíveis (art. 57). Usando esse valor arrecadado, a sociedade anônima
empreenderá, seja com a aquisição de novas máquinas para aumentar sua produção, seja
para um projeto específico, entre outras possibilidades; é um título executivo
extrajudicial.

As partes beneficiárias (art. 47, LSA), como o próprio nome sugere, concede ao
seu beneficiário um benefício, mais especificamente um beneficio eventual de
participação nos lucros, se houver lucro. Somente 1/10 do lucro da companhia pode ser
revertido em partes beneficiárias; essa espécie de valor mobiliário só pode ser emitida
pelas companhias fechadas.

Podem ser conversíveis em ações, impactando o capital social, causando uma


diluição na participação, razão pela qual deve ser o observado o direito de preferência
dos acionistas, conforme dispõe os arts. 171 e 172.

O bônus de subscrição serve para subscrever ações, nos termos do art. 75,
devendo a companhia ser de capital autorizado, com o aumento respeitando esse limite
previamente fixado em estatuto. Por representar aumento do capital, também pode
causar diluição de participação, razão pela qual deve ser observado o direito de
preferência dos acionistas para subscreverem as novas ações (não são ações
conversíveis).

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Direito Empresarial - Master OAB - 1ª Fase

Por lei, uma companhia possui 4 órgãos essenciais (não há impedimentos de


haverem outros órgãos): assembleia geral, conselho de administração, diretoria e
conselho fiscal.

A assembleia geral é o órgão máximo de uma companhia, de existência


obrigatória, com natureza jurídica de órgão de deliberação. Todos os acionistas
participam da assembleia geral, mesmo o preferencial (com direito de voz). As
competências privativas da Assembleia Geral estão presentes no art. 122, LSA. A
competência para convocação de assembleia geral é do conselho de administração e da
diretoria, nos termos do art. 123, LSA.

São fundamentos legais diferentes, os quóruns sobre assembleia de credores


(ordinária). Para instalar, faz-se necessário ¼ dos acionistas em primeira convocação e
qualquer número em segunda convocação (art. 125, LSA); acerca do quórum de
deliberação, é requisito a maioria absoluta dos votos, nos termos do art. 129, LSA.

Existem duas espécies de assembleia: ordinária e extraordinária. Nas assembleias


ordinárias (art. 132, LSA) são tratados os seguintes assuntos: tomada de contas dos
administradores bem como examinar, discutir e votar as demonstrações financeiras;
deliberar sobre a destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição de dividendos;
eleger os administradores e membros do conselho fiscal.

A competência da assembleia extraordinária é residual, só havendo a


competência expressa para a reforma do estatuto social. O quórum de instalação é de
2/3 para primeira convocação e qualquer número para segunda convocação, enquanto
para deliberação é de metade dos acionistas, nos termos dos arts. 135 e 136,
respectivamente. Há a possibilidade de se marcar uma AGO e uma AGE no mesmo dia,
desde que especificados os assuntos que serão tratados em cada uma, nos termos do
art. 131, LSA.

O segundo órgão a ser estudado é o Conselho de Administração, sendo elegido


pela assembleia de acionistas, que não é um órgão obrigatório, salvo em três hipóteses,
quais sejam: tratar-se de companhia aberta, companhia de capital autorizado (art. 168)
ou sociedade de economia mista (art. 239). A existência de um conselho de
administração concebe uma maior profissionalidade na gestão da companhia, de forma
a otimizar a exploração da atividade como um todo.

O Conselho de Administração possui uma natureza dúplice, sendo um órgão de


gestão, gerindo a companhia, e um órgão deliberativo. Sua composição é prevista no art.

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140, tendo no mínimo 3 conselheiros, não precisando estes serem acionistas, com prazo
de gestão de 3 anos, cabendo reeleição.

É cabível, na eleição dos conselheiros, a figura do voto múltiplo, este previsto no


art. 141, LSA; trata-se de um mecanismo de defesa dos acionistas minoritários. As
competências do Conselho de Administração estão previstas no art. 142, LSA, sendo uma
das principais a eleição e destituição dos diretores, além da fixação de suas atribuições.

O terceiro órgão da sociedade anônima é a Diretoria, que é elegida pelo


Conselho de Administração, ou pela Assembleia Geral, caso não exista conselho na
companhia. Também tem natureza dúplice, administrativa e executiva, sendo o órgão
responsável por executar a atividade econômica, sendo um órgão de existência
obrigatória.

É responsável pela representação judicial e extrajudicial da companhia, sendo


composta por no mínimo 2 diretores, com 3 anos de mandato, cabendo reeleição,
conforme art. 143, LSA; o art. 147 traz os inelegíveis, tanto para membros do conselho
quanto para diretoria.

O quarto e último órgão da sociedade anônima é o Conselho Fiscal, sendo sua


existência obrigatória nas sociedades anônimas. Apesar de ser um órgão de existência
obrigatória, seu funcionamento pode ser fixo ou eventual, conforme estipulado em
Estatuto. Ele fiscaliza os órgãos de administração da companhia (Conselho de
Administração e Diretoria), estando subordinado apenas à Assembleia Geral.

Sua composição apresenta um mínimo de 3 e um máximo de 5 conselheiros, com


prazo de gestão de 1 ano, cabendo apenas uma eleição. As competências do Conselho
Fiscal estão presentes no art. 163, LSA.

Versando sobre as formas de controle acionário, existem 3: majoritário,


minoritário e gerencial. O primeira caracteriza-se pelo acionista controlador deter 50%
mais uma ação, controlando as decisões da companhia; a segunda se caracteriza pela
diluição do capital, geralmente sociedades com muitos acionistas, tendo um grupo a
maior parte; o controle gerencial é para as hipóteses de extrema diluição do capital,
situação que requer a atuação de um administrador com mais responsabilidades.

O acionista controlador é tipificado no art. 116, que apresenta seus requisitos: ser
titular de direitos de sócio que assegurem de modo permanente a maioria dos votos na
Assembleia Geral e poder de eleger os administradores; usar efetivamente este poder
para orientar os negócios da cia.

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Como visto, o acionista controlador pode ser uma única pessoa ou um conjunto
de acionistas, através de um acordo, o acordo de acionistas, previsto no art. 118, que
versará sobre os seguintes temas: compra e venda de ações, preferencia para adquirir
ações; exercício do direito de voto; exercício do poder de controle.

Os administradores possuem o dever de diligencia, o dever de lealdade e o dever


de informação. Diligencia se entende por todo o cuidado técnico envolvendo as tomadas
de decisões; lealdade entende-se por ações que visem ao melhor desenvolvimento das
atividades econômicas nos termos do estatuto e da lei; informação diz respeito às
prestações de contas e divulgações de informações relevantes, que aumentam a
confiança e liquidez na companhia, além de prestigiar o bom funcionamento de todo o
mercado de capitais, evitando o insider trading (venda ou utilização de informação
privilegiada).

Propriedade Industrial

Uma vez concedida uma patente ou um registro, isso garante o direito de uso
exclusivo, precisando o terceiro, pagar para utilizar. Esses bens possuem natureza
jurídica de bem móvel especial, visto que detém prazo determinado (art. 5º, Lei
9.279/96), sendo registrados no INPI. Estão sujeitos ao regime de patente as invenções
e modelos de utilidade e, ao registro, os desenhos industriais e marcas.

O sistema de patentes é utilizado para proteger bens de propriedade imaterial,


invenção ou modelo de utilidade. A invenção é um processo, aparelho ou produto
totalmente novo, oriundos do gênio humano e até então desconhecido, enquanto o
modelo de utilidade é uma nova forma conferida a um objeto com aumento ou
aperfeiçoamento de sua capacidade de utilização ou produção, também oriundo do
gênio humano (aqui o objeto já existia, porém, com forma diversa).

Os requisitos para a configuração da patente estão previstos nos arts. 8º e 9º da


LPI, e são a novidade (algo novo para o técnico), a atividade inventiva (não pode ser
oriundo da mera descoberta in natura) e a aplicação industrial viável. O art. 10 do diploma
estabelece as hipóteses em que não podem ser considerados nem invenção nem modelo
de utilidade, enquanto o art. 18 estabelece casos que apesar de preencherem os
requisitos de invenção ou modelo de utilidade, o legislador optou por não conceder a
patente.

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O art. 40 estabelece os prazos dos direitos de uso exclusivo, sendo o máximo de


20 e o mínimo de 10 anos para a invenção, e o máximo de 15 e o mínimo de 7 para os
modelos de utilidade. Contudo, é visível a demora para análise e julgamento de pedidos
pelo INPI, o que fez a legislação prever essa contagem da seguinte forma: os prazos
máximos são contados da data do pedido e os prazos mínimos são contados da data da
decisão que concedeu a patente.

O mais comum de acontecer é a patente ser dada bem depois de protocolado o


pedido no INPI, o que leva à invenção ou modelo de utilidade ser usado por outros
indivíduos. Nesses casos, eles devem ser notificados para que cessem a atividade, sob
pena de arcarem com grandes indenizações, visto que já há pedido no INPI.

O arts. 78 a 83 trazem as hipóteses de extinção da patente, que são: extinção do


prazo de vigência, renúncia, caducidade, falta de pagamento da retribuição anual, ou
falta de procurador domiciliado no Brasil no caso de titular domiciliado no estrangeiro.
Após qualquer das supracitadas hipóteses, a patente cai em domínio público.

Já o sistema de registros, é utilizado para o registro de desenhos industriais e das


marcas. O desenho industrial, previsto no art. 95, LPI, é a forma plástica ornamental ou
conjunto ornamental de linhas e cores que possa ser aplicado a um produto, com um
resultado novo e original, de aplicação industrial. A marca, por outro lado, são sinais
distintivos, visualmente perceptíveis, que identificam produtos ou serviços, e coletivas.

Os requisitos para o registro de desenho industrial estão contidos nos arts. 95 a


97, e preveem a novidade, a originalidade e a aplicação industrial viável. Muito cuidado
com o art. 100, II, pois ele veda o registro de desenho industrial a formas vulgares
(exemplo da cadeira).

Nos termos dos arts. 108 e 133, LPI, o desenho industrial tem o prazo de direito
de uso exclusivo por 10 anos, prorrogáveis por 3 períodos de 5 anos cada, enquanto que
o prazo prado de uso exclusivo da marca é de 10 anos, prorrogáveis indefinidamente.

As marcas são divididas em marcas de identificação, que distinguem produtos ou


serviços de outros, e marcas de certificação, selos de qualidade e afins.

As marcas são regidas pelos princípios da especialidade e territorialidade. Sobre


o primeiro, temos que a marca é protegida dentro da classe dela (vestuário, lazer,
educação, entre outros), enquanto a territorialidade diz respeito ao território nacional,
com registro no INPI.

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Existem exceções aos princípios supracitados, como a marca de alto renome (art.
125), que goza de ampla proteção em todas as classes, desde que registrada no Brasil, e
a marca notoriamente conhecida (art. 126), protegida em seu ramo de atividade
independente de registro no Brasil, respectivamente exceções aos princípios da
especialidade e territorialidade.

Títulos de Crédito

Introdução aos Títulos de Crédito

Os principais títulos de crédito que caem no exame da ordem são a letra de


câmbio, a nota promissória, o cheque e a duplicata. Em títulos de crédito, tem-se
legislações esparsas: Código Civil, a Lei Uniforme de Genebra, o Decreto 2.044/1908, a
Lei do Cheque e a Lei da Duplicata.

Mister separar os títulos segundo a classificação em promessa de pagamento ou


ordem de pagamento, que dão as naturezas jurídicas dos títulos de crédito.

Promessa de pagamento é uma relação entre duas partes intervenientes,


emitente e beneficiário, na qual o emitente se obriga em nome próprio; aqui temos a
nota promissória e até mesmo a debênture.

A ordem de pagamento gera três figuras, o sacador, o sacado e o tomador:


sacador é quem emite o título de crédito contra o sacado, sendo este o pretenso
devedor, sendo a ordem emitida em favor do tomador (credor); no dia do vencimento,
o tomador cobra do sacado, o cheque, a duplicata ou a letra de câmbio.

Outra classificação importante é entre títulos pro solvendo e títulos pro soluto.
O título de crédito corporifica uma relação jurídica antecedente, a causa debendi. Os
títulos de crédito possuem, em regra, natureza pro solvendo, ou seja, dependem de seu
pagamento no futuro; exemplo do cheque. Os títulos pro soluto, possuem o momento
do pagamento (quitação da dívida) igual ao momento de emissão.

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Uma classificação importante diz respeito às dívidas quesíveis e dívidas portáveis.


As dívidas quesíveis precisam ser pagas no domicílio do devedor (maioria dos títulos de
crédito), enquanto as dívidas portáveis necessitam ser pagas no domicílio do credor.

A última classificação importante é aquela na qual separa os títulos de crédito em


títulos de crédito causais e títulos de crédito abstratos. Os primeiros só podem ser
emitidos nas hipóteses previstas em lei (duplicada), enquanto os abstratos podem ser
emitidos a qualquer momento (cheque).

Sobre os princípios dos títulos de crédito, faz-se necessário ter em mente que
estes princípios são, ao mesmo tempo, requisitos formadores dos títulos de crédito.

O princípio da cartularidade requer a posse do título de crédito, a posse física,


para se fazer exercer os direitos contidos nele; o princípio da literalidade pressupõe a
interpretação gramatical do título, ou seja, só vale o que está exatamente escrito nele.

Vale destaque o princípio da autonomia, que se difere da abstração. Em um título


de crédito, pode haver mais de uma obrigação, sendo elas independentes/autônomas
entre si. Já o princípio da abstração, este diz respeito à circulação do título: a partir do
momento que o título circula, as obrigações cambiárias se abstratizam, ou seja, elas não
possuem vínculo com a obrigação jurídica subjacente (anterior), a causa debendi. A
abstração gera um subprincípio, a inoponibilidade de exceções pessoais a terceiros de
boa-fé, visto que a abstração desvincula a relação cambiária da causa debendi e, por
conseguinte, da relação jurídica originária.

A art. 887, CC/02, de inspiração italiana, positiva os supracitados princípios no


ordenamento brasileiro. Além disso, inova, ao conter a expressão “preencha os requisitos
da lei”, ou seja, criou um princípio, o princípio da formalidade.

Letra de Câmbio

Iniciando os estudos sobre os títulos de crédito em espécie, iniciaremos pela


Letra de Câmbio. A Lei Uniforme de Genebra regula a letra de câmbio, sendo
regulamentada internamente pelo Decreto 57.663/1966, além de trabalharmos com o
Decreto 2.044/1968.

O esqueleto dos títulos de crédito está presente na LUG, ou seja, estudar todos
os institutos do direito cambiário (saque – endosso – aceite – aval – vencimento –

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pagamento – ação por falta de aceite e pagamento – prescrição), é estudar a base para
todos os títulos de crédito.

A letra de câmbio é uma ordem de pagamento, que gera as três figuras da relação
cambial: sacador, sacado e tomador. O primeiro instituto da LUG é o saque, que nada
mais é do que a emissão do título pelo sacador contra o sacado, em favor do tomador; o
art. 1º da LUG nos dá os requisitos essenciais da letra de câmbio.

Já o art. 2°, importa os requisitos supríveis, que são a época do pagamento


(entende-se pagável à vista), a indicação do lugar em que se deve pagar (considera-se o
lugar no qual o sacado assinou, dívida quesível) e a indicação da data em que, e do lugar
onde a letra é passada (considera-se passada no local ao lado do nome do sacador).

A responsabilidade do sacador é de garantidor tanto pelo aceite quanto pelo


pagamento, nos termos do art. 9º. Para o sacado se tornar devedor, ele deve aceitar,
anuir com essa condição, tornando-se o devedor principal. Pode parecer estranha, mas
esta situação explica-se pelo fato de geralmente sacador e sacado já possuírem relações,
mais comumente de dívidas um com o outro. Faz-se mister destacar que o aceite pode
ser parcial, desde que expressamente descrito no título, nos termos do art. 26, LUG.

O aceite é um ato de reconhecimento de dívida, e a recusa do aceite, gera o


vencimento antecipado da dívida, ou seja, mediante um protesto por falta de aceite, o
tomador poderá cobrar a dívida diretamente do sacador. Nos termos da lei, o aceite é
dado por escrito, sempre no anverso (frente) da letra de câmbio, prestigiando assim o
princípio da literalidade; o aceite só pode ser dado até antes do vencimento, visto que
qualquer apresentação do título após o vencimento, é apresentação para pagamento.

O próximo instituto da LUG a ser estudado é o Endosso, que serve para colocar
um título à ordem para circular. Quando um título circula por endosso, impera o princípio
da abstração, desvinculando o título das subjacentes causas debendis, o que gera a
inoponibilidade a terceiros de boa-fé. O endosso “prende” todos os endossantes em uma
cadeia de responsabilidade solidária, fazendo com que sejam devedores subsidiários
solidários, ou seja, se o sacado/aceitante não paga, o tomador pode cobrar de qualquer
um.

O que difere a responsabilidade cambial da civil, é que no direito cambiário não


existe o beneficio de ordem: aqui, o tomador pode cobrar de qualquer personagem, e
este que paga, sub-roga-se no direito de cobrar a qualquer um abaixo de si, a dívida toda.
Importante destacar que o sacador pode submeter uma cláusula não aceitável, não se
responsabilizando por este, ficando apenas pelo pagamento.

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Faz-se mister que apenas o sacador, quem emite o título, é quem pode inserir
uma cláusula não à ordem, impedindo assim que o título circular por endosso; não
impede a circulação por cessão civil de crédito.

É vedada a inclusão de condições para o endosso, nos termos do art. 12, LUG
(endosso puro e simples). O mesmo diploma também proíbe a figura do endosso parcial,
tendo em vista que se trata de ato complexo (depende da assinatura e tradição).

Ainda sobre o endosso, este pode ser em preto ou em branco, segundo o art. 13,
LUG. O endosso em preto pressupõe a assinatura do endossante, juntamente com o
nome de quem será o endossatário do endosso; no endosso em branco, não há a
indicação do endossatário. O endosso em branco necessariamente precisa ser dado no
verso do título porque é só uma assinatura, o que ocasionaria a confusão com o aval se
fosse feito no anverso.

Existe ainda a classificação em endosso próprio ou endosso impróprio. O


primeiro, também conhecido como endosso translativo, é aquele que transfere todas os
direitos contidos no título. Por outro lado, o endosso impróprio, é aquele que não
transfere todos os créditos, dividindo-se em endosso mandato e endosso caução (arts.
18 e 19). Na modalidade mandato, o endossante apenas transfere o direito de cobrança
em seu nome (o endossatário mandatário atua em nome do endossante); na modalidade
caução, o título de crédito é transmitido a título de garantia de alguma obrigação
(exemplo da garantia ao empréstimo bancário).

Nos termos da Súmula 475, STJ: responde pelos danos decorrentes de protesto
indevido o endossatário que recebe por endosso translativo título de crédito contendo
vício formal extrínseco ou intrínseco, ficando ressalvado seu direito de regresso contra
os endossantes e avalistas.

Nos termos da Súmula 476, STJ: o endossatário de título de crédito por endosso-
mandato só responde por danos decorrentes de protesto indevido se extrapolar os
poderes de mandatário.

O endossante pode se eximir da obrigação do pagamento, ao colocar uma


cláusula proibitiva de novo endosso, conforme art. 15, LUG, que apesar do nome, não
proíbe novos endossos, eximindo o endossante que inseriu a cláusula de
responsabilidade diante de endossos futuros.

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O endosso póstumo está contigo no art. 20, e é aquele realizado após o


vencimento. O efeito é o de uma cessão civil de crédito, não há a responsabilidade
solidária típica do endosso tempestivo.

O próximo instituto da LUG a ser estudado é o aval, previsto no art. 30, que nada
mais é do que uma garantia, específica dos títulos de crédito. Por todas as obrigações
nos títulos de crédito serem autônomas entre si, a obrigação do avalista não é diferente,
respondendo ele solidariamente com os demais devedores; é possível a figura do aval
parcial.

A forma do aval é dada pela assinatura do avalista em qualquer espaço no anverso


do título, podendo ser dado na folha de alongamento, também na frente, nos termos do
art. 31, LUG. O aval em branco (não há indicação do avalizado) é presumidamente dado
à figura do sacador.

A responsabilidade do avalista (art. 32), é a mesma da pessoa avalizada, ou seja,


ele torna-se devedor direto junto com o aceitante ou devedor indireto juntamente com
os demais (sacador e endossantes); ele assume a mesma natureza de devedor, de quem
ele está avalizando.

Existe o aval simultâneo e o aval sucessivo. O aval simultâneo é aquele no qual


vários avalistas, ao mesmo tempo, garantem a mesma obrigação, enquanto o aval
sucessivo diz respeito a vários avalistas se garantindo, sucessivamente.

Sobre o vencimento, ele está compreendido entre os arts. 33 e 37, LUG, existindo
4 tipos de vencimento ao todo. O primeiro deles, é o vencimento à vista, aquele que
acontece com a apresentação do título para pagamento (princípio da cartularidade); já
o vencimento pagável num dia fixado, é autoexplicativo.

Quando uma letra vence a um certo termo de vista, o vencimento é determinado


pela data do aceite; se não houver aceite, ela vence contado de certa data do protesto.
A letra que vence a um certo termo de data, esta vencerá a um certo número de dias
contados da emissão.

Versando agora sobre o pagamento, é o momento pelo qual o credor apresenta


o título para o devedor, no domicílio do devedor (obrigação quesível), momento este
que é a data do vencimento; antes disso o título não é exigível.

O pagamento pode ser parcial, bastando que seja informado no próprio título,
ficando o credor ainda na posse do título, que agora valerá a diferença (o credor é

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obrigado a aceitar o pagamento parcial). O art. 40 versa sobre o pagamento antes do


vencimento, que é possível, mas não estando o credor obrigado a aceita-lo.

Versando agora sobre a ação por falta de pagamento, ela é regulada pelo art. 43,
LUG. Poderá ser ajuizada no vencimento, se não restar pago o título, ou até mesmo antes
do vencimento, por recusa total/parcial do aceite, falência do sacado/suspensão de
pagamentos do sacado/execução dos bens do sacado ou falência do sacador (no caso
de letra não aceitável).

Existe uma providência a ser tomada para que se possa cobrar os devedores
indiretos, que é o protesto (art. 44, LUG). No mesmo diploma, é prevista a cláusula sem
despesas, a qual dispensa o credor de realizar o protesto, visto que é um procedimento
caro. Se quem incluiu a cláusula foi o sacador, ela englobará a todos os devedores
indiretos, e se colocada por um dos endossatários, só aproveitará a ele próprio.

O art. 47 dispensa o benefício de ordem entre os devedores no caso de não


pagamento, característica própria das relações cambiais; o art. 48, LUG, estabelece os
pedidos que podem ser feitos em uma ação cambial: cobrança do principal, juros e
protesto (se houver). A taxa de juros fixada pelo art. 48, II, LUG, não é aplicada no Brasil.

Mister atentar ao prazo do art. 53, LUG, que estabelece até um dia útil após o
vencimento para que o protesto seja feito com vias de se executar os devedores
indiretos. Perdido o supracitado prazo, apenas poderá ser demandado o aceitante, visto
que este é devedor principal.

Por ocaso, tratando do último instituto cambial da LUG, falaremos dos prazos
prescricionais, estes previstos no art. 70 do diploma em epígrafe. O prazo prescricional
que o credor possa acionar o aceitante (devedor principal) é de 3 anos a partir do
vencimento; o prazo para cobrar os endossantes ou sacador é de 1 ano contado do
protesto; o prazo para eventual ação regressiva é de 6 meses contados a partir do
pagamento.

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Nota Promissória

É regulada no final da LUG, em seus arts. 75 a 78. É um título de crédito, também


sendo um título executivo extrajudicial presente no art. 784, I, CPC, nos mesmos moldes
da letra de câmbio e com os mesmos prazos prescricionais.

A nota promissória possui natureza jurídica de promessa de pagamento, gerando


duas figuras: o emitente e o beneficiário. Seus requisitos essenciais estão contidos no
art. 75, LUG, sendo a promessa pura e simples de pagar uma quantia determinada.

O único instituto que não se aplica à nota promissária é o aceite, pois ela é uma
promessa de pagamento e não exige a figura do sacado, estando o emitente obrigado
em nome próprio.

Hodiernamente é comum que a nota promissória esteja vinculada a um contrato,


sendo questões recorrentes em provas. O STJ entende que nesses casos, a nota
promissória, como título de crédito, não goza do princípio da abstração, ou seja, é
possível a oposição de razões pessoais na relação jurídica subjacente (contrato), estando
vinculado o título à causa debendi (contrato).

Cheque

Outro título de crédito, o cheque tem a natureza jurídica de ordem de


pagamento, gerando três figuras: sacador, sacado e tomador. O sacador é o emitente do
cheque, o tomador é o credor e o sacado é o banco. Nessa relação, apesar de sacado, o
banco não é devedor, pois o dinheiro utilizado para pagamento do título está na conta
do sacador, ou virá do cheque especial.

Por isso, o banco não ser devedor, também não temos a figura do aceite no
cheque, conforme art. 6º da Lei do Cheque. Existem três espécies de cheque na nossa
legislação: o cheque visado, o cheque cruzado e o cheque administrativo.

O cheque visado está previsto no art. 7º da lei do cheque, sendo um visto colado
no verso do título. Através dele, o sacado (banco), arrecada o valor descrito no cheque
para que fique bloqueado ao pagamento, durante o prazo para apresentação. Após o
prazo de apresentação, o banco libera de volta o valor separado para a conta corrente
do sacador.

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O cheque cruzado está previsto entre os arts. 44 e 45 da Lei do Cheque


(7357/85). As duas linhas transversais significam que o cheque não pode ser pago
na boca do caixa, apenas por crédito em conta, o que é mais seguro.

Já o cheque administrativo, ele está previsto no art. 9º, III. É comumente


usado em transações que envolvam altos valores, como entradas de imóveis,
financiamentos, entre outros. O sacador emite um cheque contra ele mesmo, ou
seja, o banco lhe devolve um cheque próprio (do banco).

A cláusula não à ordem pode ser inserida no cheque, proibindo a


circulação do título por endosso, sendo circulável apenas por cessão civil. Cheque
ao portador tem limite, só podendo ser emitido nessa hipótese até 100 reais, nos
termos da lei 8.021/90; além disso qualquer cláusula de juros inserida em cheque
é considerada não escrita.

As obrigações contraídas no cheque são autônomas e independentes; a


transmissão feita por endosso responsabiliza os endossatários solidariamente,
sendo feito no próprio título ou folha de alongamento.

Aqui aplicam-se as mesmas regras presentes na LUG (à exceção do aceite


e dos prazos prescricionais). Por óbvio, o aval no cheque nunca é dado ao sacado,
visto que este trata-se de instituição financeira; o aval dado ao sacador transforma
esse avalista em devedor principal e o aval dado em favor de endossatário o iguala
a devedor indireto.

Os prazos no cheque são diferentes dos dados pela LUG. O de


apresentação é de 30 ou 60 dias e está no art. 33, Lei do Cheque; se for um cheque
de mesma praça (mesmo município do sacado), o prazo será de 30 dias, e se for
em praça diferente, será de 60 dias, ambos contados da data de emissão.

Após o prazo de apresentação, começa a correr o prazo prescricional, que


é de 6 meses. Lembrando que o cheque só tem força executiva até o final do prazo
prescricional, ou seja, após isso ele até poderá ser levado em juízo, mas não como
título executivo extrajudicial. Poderá ser ajuizada uma ação (conhecimento) de
enriquecimento, com prazo de 2 anos após o fim do prazo prescricional.

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Cheque apresentado antes do prazo pactuado será pago pelo banco se


houver fundos, porém, isso enseja dano moral, conforme entendimento do STJ.

Mister destacar as diferenças entre os arts. 35 e 36. No primeiro, temos a


revogação ou contraordem, enquanto no segundo temos a sustação de cheque;
ambas as situações servem para impedir o pagamento de cheque que foi emitido.
A revogação ou contraordem só produz efeitos após o prazo de apresentação,
contudo, a sustação gera efeitos imediatos (precisa haver motivos).

Por ocaso, é importante saber que o instituto do protesto em cheque só


pode ser usado por falta de pagamento, visto que o aceite não é possível neste
título de crédito e o protesto por devolução é igualmente impossível, visto que
não há aceite aqui. Além disto, no cheque, as declarações do sacado (banco),
substituem o protesto.

Protesto

O instituto do protesto é regulado pela Lei 9.492/97, sendo um ato solene,


formal, praticado perante o tabelião de protesto de títulos e documentos, com a
finalidade de servir como meio de prova. Mesmo prescrito, um título de crédito pode ser
protestado, pois não compete ao tabelião investigar a ocorrência de prescrição,
conforme art. 9º do diploma.

As espécies de protesto estão contidas no art. 21 do referido diploma, podendo


ser por falta de pagamento, por falta de aceite e por falta de devolução. O protesto por
falta de devolução acontece por retenção do título pelo sacado, fazendo com que o
procedimento de protesto seja feito por indicações das qualidades daquele título.

O protesto não é um procedimento sumário, havendo a necessidade de se deixar


o título com o pagamento dos emolumentos, além do cartório ter que intimar o devedor
para que se manifeste em 3 dias (pagar, dar o aceite ou devolver o título); havendo a
regularização, o protesto é interrompido, e não havendo o cumprimento, o título é
protestado. Esse período de 3 dias também permite ao devedor ajuizar uma ação de
sustação de protesto, que poderá sustá-lo através de liminar até que a lide seja julgada.

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O efeito do protesto é de restringir o crédito (art. 29), visto que o cartório expede
certidões a órgãos de proteção ao crédito (SERASA, SPC). O cancelamento de protesto
pode ser feito pela via administrativa ou pela via judicial.

Pela via administrativa, o título geralmente é apresentado pelo devedor no


cartório, ora, se o título está com o devedor, presume-se que houve o pagamento; na
hipótese de extravio do título, a situação resolve-se através de uma carta de anuência
redigida pelo credor e entregue pelo devedor ao tabelião.

O cancelamento pela via judicial é feito pela ação para cancelamento de


protesto, arguindo pela falsidade do protesto, pelo já pagamento do título, dentre outras
possibilidades.

Duplicata

A duplicata possui natureza jurídica de ordem de pagamento, gerando as três


figuras típicas: sacador, sacado e tomador; é regida por lei específica, a lei 5.474/68. A
duplicata é um título de crédito causal, ou seja, só pode ser emitido nas hipóteses legais,
presentes no 1º e art. 20 do supracitado diploma, compra e venda e prestação de
serviços.

Aqui, quem emite a duplicata é o credor (sacador) contra o sacado (devedor);


nesta espécie de título, é possível que a figura do sacador e do tomador sejam a mesma
pessoa. A duplicata não é obrigatória em compra e venda ou prestação de serviços, mas
sim, uma faculdade do credor (o documento obrigatório é a fatura). A duplicata é emitida
quando o credor pretende fazer circular o crédito, repassando o título a outro
comerciante.

A duplicata pode ser emitida em até 30 dias após a compra e venda ou prestação
de serviços, sendo enviada ao devedor para que este responda dando ou não o aceite
no prazo de 10 dias.

O aceite na duplicata é presumido, pois há a efetiva venda ou realização de


serviços. Existem hipóteses legais nas quais o sacado pode se recusar a dar o aceite (arts.
8º e 21, compra e venda e prestação de serviços respectivamente). Pensando em uma
duplicata de compra e venda mercantil, pode ser recusado o aceite nos casos de
divergência de preço, divergência de prazo ou vícios de qualidade ou quantidade.

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A sistemática do endosso e do aval, na duplicata, é a mesma aplicada à letra de


câmbio pela LUG. Sobre o protesto, o art. 13 da Lei da Duplicata estabelece o prazo de
30 dias para se protestar a duplicata.

A triplicata é a segunda via da duplicata, prevista no art. 23, só podendo ser


emitida em casos de perda ou extravio.

A ação de cobrança da duplicata é prevista no art. 15, sendo um título executivo


extrajudicial. O credor pode executar a duplicata mesmo sem aceite, visto que este
instituto é presumido neste título de crédito (art. 15, I). É possível executar a duplicata
mesmo sem aceite desde que cumulativamente preencha 3 requisitos cumulativos:
protesto por falta de aceite, falta de recusa expressa do aceite e que haja comprovante
de entrega do serviço ou mercadoria (art. 15, II).

Acerca dos prazos prescricionais da duplicata, temos a seguinte disposição:


prazo de 3 anos contados do vencimento para cobrar do sacado ou avalistas do sacado;
prazo de 1 ano contados do protesto para cobrar dos endossantes e avalistas; ação
regressiva podendo ser ajuizada em até 1 ano contado do pagamento.

Recuperação e Falência

Princípios Gerais e Recuperação Extrajudicial

Esta lei, a lei 11.101/2005, trata de três institutos distintos: a recuperação


extrajudicial, a recuperação judicial e a falência.

Os princípios gerais da lei de falências são 5, começando pelo princípio da par


conditio creditorium (tratamento isonômico dos credores), cristalizado no art. 83, o qual
dispõe a ordem de pagamento às diversas espécies de credores. Outro princípio é o da
vis attractiva (juízo universal), ou seja, as ações e execuções líquidas contra o devedor
falimentar serão atraídas para o juízo empresarial, que precisa ter todas as informações
dos passivos existentes.

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O princípio da economia/celeridade processual diz que os processos


falimentares devem andar o mais rápido possível, respeitando-se os direitos
constitucionais processuais, visto que uma rápida liquidação de ativos e passivos
geralmente importam um maior preço de venda. Está diretamente relacionado ao
princípio da maximização dos ativos (art. 141), que pressupõe uma venda dinâmica e em
bloco, para obter-se os maiores preços.

O último princípio é claramente o mais importante da lei de falências, que é o


princípio da preservação ou continuação da empresa. O objetivo máximo do legislador
é salvar a atividade econômica, visto que essa gera riquezas, cristalizada em empregos
diretos e indiretos, circulação de capital, impostos, ou seja, há todo um interesse social
na continuidade da atividade empresarial.

A legitimidade passiva é preenchida pelo empresário e pelas sociedades


empresárias (e EIRELI se registrada em Junta Comercial). Não estão submetidas ao
regime falimentar as estatais, as instituições financeiras, as operadoras de plano de
saúde, por opção legislativa, nos termos do art. 2º; o foro competente para ajuizar a ação
é o foro do principal estabelecimento.

Iniciando o primeiro instituto tratado pela referida legislação, temos a


recuperação extrajudicial, compreendida entre os arts. 161 e 167, LRF. Ela nada mais é do
que um acordo que o devedor faz com seus credores, em uma situação de crise mais
branda, conseguindo negociar o plano diretamente com os credores, sem a necessidade
de se utilizar do Judiciário.

O art. 48, LRF, apresenta os 5 requisitos para propor plano de recuperação


extrajudicial, quais sejam: exercer a atividade regularmente há mais de 2 anos; não ser
falido ou estar reabilitado; não ter obtido recuperação judicial nos últimos 5 anos; não
ter sido condenado ou não ter como administrador ou sócio controlador pessoa
condenada por crime falimentar.

Após as negociações com os credores, o devedor pode pedir a homologação de


seu plano de recuperação. A homologação pode ser facultativa ou
necessária/obrigatória: a primeira ocorre quando há total anuência acerca do plano,
enquanto que a segunda ocorre nas hipóteses de discordância, fazendo com que seja
necessária a intervenção judicial para homologação.

Os créditos excluídos do plano de recuperação extrajudicial estão previstos no


art. 161, §1º, que são os créditos de natureza trabalhista/acidentes de trabalho, os créditos

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de natureza tributária e os créditos do art. 49, §3º, oriundos de adiantamento de contrato


de câmbio para a exportação (art. 86, II).

O procedimento está previsto no art. 164, começando pela petição inicial, na qual
o devedor apresenta o plano já homologado ou para homologação. Haverá a publicação
de edital para manifestação dos credores, com o prazo de 30 dias, dentro dos quais
poderá ser apresentada impugnação versando apenas sobre aspectos formais. Após isso,
será feita a oitiva do devedor no prazo de 5 dias, após os quais será dada sentença; na
hipótese de não impugnação, o pedido seguirá direto para sentença.

O recurso cabível de decisão denegatória de homologação é a apelação sem


efeito suspensivo, visto que nada impede o devedor de no futuro entrar com novo
pedido. Mister destacar que se o plano de recuperação extrajudicial envolver a alienação
de unidades produtivas ou de estabelecimentos, ele deverá seguir a forma do art. 142,
LRF.

Recuperação Judicial

Aqui a situação do devedor já é um pouco mais grave, não podendo organizar


diretamente junto aos credores, um plano sem a intervenção judicial. O princípio
norteador da recuperação é o da preservação da empresa, ou seja, busca-se a
manutenção das atividades de forma viável, tendo em vista o interesse social e as
riquezas geradas.

O art. 48, LFR, apresenta os 5 requisitos para propor plano de recuperação


judicial, quais sejam: exercer a atividade regularmente há mais de 2 anos; não ser falido
ou estar reabilitado; não ter obtido recuperação judicial nos últimos 5 anos; não ter
obtido recuperação judicial especial para ME/EPP nos últimos 5 anos; não ter sido
condenado ou não ter como administrador ou sócio controlador pessoa condenada por
crime falimentar.

As dividas vincendas, que foram constituídas antes do pedido de recuperação


judicial e que vencerão após a data do pedido, poderão ser incluídas. Já os créditos
excluídos do plano de recuperação judicial estão presentes no art. 49, quais sejam:
créditos de natureza tributária, crédito do art. 49, § 3º e o crédito oriundo de
adiantamento de contrato de câmbio para exportação (art. 86, II).

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Pela legislação, existem 16 meios de recuperação judicial a dispor do devedor,


previstos no art. 50, LRF.

O art. 51, LRF, dispõe sobre o procedimento da recuperação judicial. Começa


com o pedido de abertura de recuperação judicial (art. 51); após isso, há o deferimento
do processamento do plano (art. 52), se preenchidos os requisitos legais; abre-se o prazo
para apresentação do plano, que é de 60 dias (art. 53); não apresentado o plano dentro
do prazo, é decretada a falência.

Apresentado o plano em 60 dias, este pode ser aprovado ou rejeitado. Se


rejeitado, a falência é decretada; aprovado, após o prazo de 30 dias para objeções (art.
55), tem-se a sentença que concede a recuperação judicial, nos termos do art. 58, LRF.

Os créditos trabalhistas ou decorrentes de acidente de trabalho que vencidos até


a data do pedido de recuperação judicial precisam ser pagos no prazo máximo de 1 ano,
tendo em vista sua natureza alimentar; além disto, os últimos três meses de salários
necessitam ser pagos no prazo de 30 dias, limitados em 5 salários mínimos por
trabalhador.

Após a sentença que concede a recuperação judicial, existem dois caminhos que
podem ser seguidos: o cumprimento de todas as exigências (art. 61, caput) no prazo
máximo de dois anos, o que acarreta em uma sentença de encerramento da recuperação
judicial (art. 63); o não cumprimento do plano judicial (art. 61, § 1º e 73, IV), o que acarreta
na chamada convolação em falência.

Apesar da decisão da assembleia de credores ser soberana, pode o juiz decretar


a aprovação do plano (cram down), nos termos do art. 58, § 1º, desde cumulados seus
requisitos.

Falência

É um procedimento de execução coletiva, visando ao pagamento dos credores


de forma ordenada, em hipóteses nas quais a atividade econômica exercida já não é mais
viável.

A falência de um devedor será decretada quando ele for insolvente, sendo que
essa insolvência é verificada por seu conceito jurídico: ou com base na impontualidade
de pagamentos ou quando pratica atos de falência.

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Aqui, são aplicados dois princípios, sendo um deles a par conditio creditorium,
que significa o tratamento igualitário dado aos credores (procedimento unificado e
ordem de pagamento). O princípio da vis atttractiva, juízo universal, também ajuda a
conceder um tratamento igualitário aos credores, dando ao juiz uma visão completa de
todas as execuções perante o devedor.

A decretação de falência suspende o curso da prescrição e de todas as ações e


execuções em face do devedor, inclusive aquelas dos credores particulares do sócio
solidário, à exceção do processamento de ação que demandar quantia ilíquida, além das
causas trabalhistas e fiscais.

Importante destacar a diferença entre massa falida objetiva e massa falida


subjetiva. Esta última relaciona-se com todos os credores do devedor, enquanto a
objetiva diz respeito ao conjunto de bens que a integra.

A falência pode ser requerida por qualquer devedor, nos termos do art. 94, ou
até mesmo por um pedido do próprio devedor, na hipótese do art. 105, LRF
(autofalência).

O procedimento da falência inicia-se no art. 94, com a apresentação da inicial,


sendo o devedor citado nos termos do art. 98. Neste ponto, cinco diferentes caminhos
podem ser tomados: (i) não contesta e não faz depósito elisivo; (ii) contesta; (iii) só faz
depósito elisivo; (iv) faz depósito elisivo e apresenta contestação; (v) faz pedido de
recuperação judicial.

O depósito elisivo é a garantia do juízo no procedimento falimentar, afastando a


incidência da falência.

A sentença que decretar a falência do devedor fixará o termo legal da falência,


sem poder retroagir por mais de 90 dias contados do pedido de falência, explicitará o
prazo para as habilitações de crédito, ordenará a suspensão de todas as ações ou
execuções contra o falido, dentre outras, nos termos do art. 99, LRF.

A falência pode ser dividida em etapas, quais sejam: (i) etapa pré-falimentar,
onde temos o pedido da falência, as respostas do devedor, depósito elisivo; (ii) etapa
falimentar, que se inicia após a sentença que decreta a falência (combatida por agravo),
onde temos a formação da massa falida subjetiva e objetiva, pedidos de restituição,
ações revocatórias, e vai até a sentença que encerra a falência.

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A homologação retardatária (art. 10) só pode ser feita até a data de homologação
do quadro geral de credores na falência. Ela pressupõe a perda do prazo de 15 dias de
habilitação dos credores (art 7º) e a não homologação do quadro de credores pelo juiz.
A habilitação retardatária segue o rito da impugnação prevista no art. 8º, que é
apresentada após a publicação do novo edital.

O pedido de restituição é feito nas hipóteses de arrecadação de bens de


terceiros à massa falida, podendo ser feito versando sobre bens ou dinheiro, nos casos
de alienação dos bens arrecadados já ter sido realizada.

Os embargos de terceiro são opostos quando a coisa ainda não foi arrecadada,
ou que esteja sofrendo turbação ou perigo de arrecadação, podendo ser feito pelo
proprietário, fiduciário ou possuidor; se o bem não existir mais não há previsão legal de
substituição.

Além disto, existe o instituto da ação revocatória, que é o mecanismo processual


existente para revogar atos que o falido praticou em conluio com terceiros. Possui três
requisitos (art. 130): ato fraudulento, conluio entre o devedor e terceiro, e efetivo prejuízo
causado à massa falida. Esta ação pode ser ajuizada para revogar atos que ocorreram
durante o termo legal, ou seja, o período máximo de até 90 dias antes do pedido de
falência; o prazo prescricional da ação é de 3 anos contados da decretação da falência.

Falando sobre os órgãos da recuperação judicial e falência, temos a figura do


administrador judicial, a assembleia geral de credores e o comitê de credores. Versando
sobre o administrador judicial, ele é um auxiliar do juízo, preferencialmente com
formação em direito, economia, administração de empresas ou contabilidade, podendo
ainda ser pessoa jurídica especializada, nos termos do art. 21.

O administrador judicial funciona como um fiscal do processo de recuperação


judicial ou falência, auxiliando o juízo e garantido um processo hígido de pagamento aos
credores, podendo ser destituído pelo juiz caso desrespeite os preceitos legais. A
remuneração, em regra, é de 5% sobre o valor do passivo, porém, em recuperações ou
falências de microempresas ou empresas de pequeno porte, a remuneração cai para o
máximo de 2% do valor do passivo.

A assembleia geral de credores representa uma reunião de credores, com


objetivo de deliberar acerca de assuntos de interesse dos credores (art. 41). Ela é
composta por credores de 4 classes: credores de débitos trabalhistas, credores com
garantia real e credores quirografários com privilegio geral ou especial, e credores micro
e pequenas empresas.

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Direito Empresarial - Master OAB - 1ª Fase

O comitê de credores é um órgão auxiliar, facultativo, criado para se fiscalizar


(natureza jurídica fiscalizatória) o andamento da recuperação judicial ou falência (art. 28).

Por ocaso, mister tratar da ordem de pagamento dos créditos falimentares,


disposta no art. 83, LRF, que são os créditos concursais.

Porém, mister identificar créditos que são pagos antes dos dispostos no diploma
legal, que são os créditos extraconcursais, que são as despesas de pagamento
antecipado, as despesas trabalhistas vendidas nos 3 meses anteriores à decretação da
falência e as despesas necessárias para a própria administração do processo de falência.

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