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O facto de se elaborarem princípios específicos do cumprimento não deve levar a esquecer os

princípios gerais das obrigações: a relatividade, a tutela do devedor, a irrenunciabilidade antecipada aos
direitos e a causalidade. Todos eles devem estar sempre presentes, aquando da confecção dos modelos
de decisão. Além disso, valem também os institutos civis gerais: personalidade, autonomia privada,
boa-fé, imputação de danos e propriedade e sua transmissibilidade.
No campo do cumprimento, é possível enunciar os princípios seguintes:
i. Princípio da boa-fé;
ii. Princípio da tutela da propriedade;
iii. Princípio da correspondência;
iv. Princípio da integralidade;
v. Princípio da concretização.
Cabe reter que o cumprimento é um fenómeno tipicamente obrigacional, daí que lhe sejam aplicáveis,
com generalidade, os institutos civis gerais. Mas dentro deles importa fazer rápida selecção: o
cumprimento, como efectivação de conduta devida, escapa, naturalmente, à autonomia privada. Esta
não deixa de estar presente: simplesmente, se as partes fizerem uso da sua autonomia, sai-se do campo
do cumprimento para se entrar no das vicissitudes das obrigações, diferentes dele que, por definição, é
devido. Por outro lado, o cumprimento, como tal, é alheio à tutela da personalidade e à
responsabilidade civil: não pressupõe violações que impliquem a aplicação de normas sancionatórias.
No entanto, o não-cumprimento já reflecte estes institutos.
Ficam, assim, a boa-fé e a propriedade privada que, no cumprimento, revestem-se de importância
primordial.
O cumprimento é, fundamentalmente, concretização da ideia de Direito: por isso comina, a lei, a
ambas as partes, o dever genérico de actuar de boa-fé (art.º 762.º, n.º 2, CC).
É à luz da boa-fé que o comportamento devido deve ser delimitado; nessa base, sabe-se que o
cumprimento compreende não só a própria actividade retratada na prestação, mas ainda todos os
comportamentos acessórios necessários à efectiva prossecução dos interesses do credor.
A partir da boa-fé pode-se, também, conhecer a medida de esforço que, ao devedor, vai ser exigida no
desempenho do seu papel.