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Biografia

Augusto Pinto Boal (Rio de Janeiro RJ 1931 - idem 2009). Diretor, autor e teórico.
Por ser um dos únicos homens de teatro a escrever sobre sua prática, formulando
teorias a respeito de seu trabalho, torna-se uma referência do teatro brasileiro.
Principal liderança do Teatro de Arena de São Paulo nos anos 1960. Criador
do teatro do oprimido, metodologia internacionalmente conhecida que alia teatro
a ação social.

Conclui o curso de química na Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, em


1950, e embarca para Nova York, onde estuda teatro na Universidade de
Columbia. Cursa direção e dramaturgia, tendo John Gassner como um de seus
mestres.

De volta ao Brasil em 1956, aos 25 anos, é contratado para integrar o Teatro de


Arena de São Paulo, dividindo as tarefas de direção com José Renato, mentor
artístico da companhia. Passa a exercer natural ascendência sobre os colegas, em
função de sua vasta formação intelectual, responsabilizando-se, junto com José
Renato, pela guinada no direcionamento do grupo. Investe na formação
dramatúrgica da equipe, instituindo um Curso Prático de Dramaturgia. Aprofunda
o trabalho de interpretação, adaptando o método de Stanislavski, ao qual teve
acesso, através de sua experiência norte-americana, às condições brasileiras e ao
formato de teatro de arena, resultando numa interpretação naturalista, até então
não experimentada no Brasil. E, fundamentalmente, sua atuação é decisiva no
engajamento do grupo na opção ideológica da esquerda brasileira, determinando a
investigação de uma dramaturgia e interpretação voltadas para as discussões e
reivindicações nacionalistas, em voga na segunda metade dos anos 1950.

Sua primeira direção na casa é Ratos e Homens, de John Steinbeck, que lhe rende
seu primeiro Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes - APCA, como
revelação de diretor de 1956.

No ano seguinte, segue-se Marido Magro, Mulher Chata, uma despretensiosa


comédia de costumes sobre a "juventude transviada" de Copacabana, sua primeira
incursão como autor. Boal consegue demonstrar domínio na técnica
do playwriting americano, mas longe ainda de efetivar uma análise profunda da
sociedade brasileira. No trabalho da encenação, em lugar do teatral, avança na
busca do coloquialismo. Ainda em 1957, reincide na direção, agora com um texto
de Sean O'Casey, Juno e o Pavão, que não alcança sucesso de público.

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Em 1958, encena A Mulher do Outro, de Sidney Howard, agravando a crise já
instalada no teatro da Rua Theodoro Baima pela seqüência de fracassos
anteriores. Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, dirigido por
José Renato, salva o Arena da bancarrota, e o grupo ressurge como a grande
revolução da cena nacional. Para seguir na investigação de uma dramaturgia
própria, voltada para a realidade brasileira, Boal sugere a criação de um Seminário
de Dramaturgia. As produções, fruto desses encontros, vão compor o repertório
da fase nacionalista do conjunto nos anos seguintes. É importante notar que o país
passa por uma valorização do "tudo nacional", e que, em paralelo, avançam a
Bossa Nova e o Cinema Novo.

Sob sua direção, estréia Chapetuba Futebol Clube, de Oduvaldo Vianna Filho, em
1959, segundo êxito nessa vertente. O texto investiga a operacionalidade de um
pequeno time de várzea, revelando as trapaças políticas que rondam os
campeonatos de futebol. Mais uma vez, os protagonistas da trama são de origem
humilde. A direção de Augusto Boal é ágil, vigorosa, e ele afirma, através do texto
do programa, ter substituído o realismo seletivo pelo realismo teatral, para melhor
ambientar o universo proposto pelo autor e para atingir mais "energicamente" o
espectador.

Ainda em 1959, dirige para o Teatro das Segundas-feiras, espaço aberto para
experimentar os textos advindos do Seminário de Dramaturgia, Gente como a
Gente, de Roberto Freire. No sentido de escapar aos estereótipos, de não tipificar
o homem brasileiro, seja ele do Nordeste, do Sul ou do interior do Estado de São
Paulo, é necessário uma ampla pesquisa de comportamento, ações, modos de
falar, pelos atores da companhia.

Sua última direção de 1959 é A Farsa da Esposa Perfeita, de Edy Lima.


Ambientado numa região fronteiriça do Rio Grande do Sul, o enredo gira em torno
da recuperação da honra de um homem, através da condescendência de outro, em
troca dos favores sexuais da esposa do primeiro - típica trama ligada à tradição
farsesca.

Fogo Frio, de Benedito Ruy Barbosa, em 1960, ocorre numa produção conjunta
entre o Arena e o Teatro Oficina, companhias que, nesse período, vivem
intercâmbios constantes: Boal orienta um curso de interpretação para o elenco do
Oficina; dirige para o grupo A Engrenagem, adaptação dele e de José Celso
Martinez Corrêa do texto de Jean-Paul Sartre, e Antônio Abujamra dirige, no ano
seguinte, José, do Parto a Sepultura, de Boal, com os atores do Oficina, que
estréia no Teatro de Arena.

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Ainda em 1960, seu texto Revolução na América do Sul, com direção de José
Renato, o eleva ao posto de um dos melhores dramaturgos do período, lugar que
já ocupa como encenador e ideólogo no panorama paulista. O texto inicia a
investigação de uma forma não realista, mais próxima ao teatro épico de Bertolt
Brecht. Trata-se de uma farsa-revista musical, inspirada nas tradições cômicas e
populares, a serviço de um contundente protesto político-social. Boal aprofunda
essa conexão entre teatro e agit-prop em Pintado de Alegre, de Flávio Migliaccio,
em 1961.

No mesmo ano, completando a fase nacionalista, Boal dirige O Testamento do


Cangaceiro, de Chico de Assis, ainda uma abordagem dramatúrgica com base na
literatura popular, com cenários e figurinos de Flávio Império e participação
especial de Lima Duarte no elenco. A partir de 1962, o Arena inicia uma nova fase:
a nacionalização dos clássicos. É nesse momento que José Renato sai da
companhia e Boal torna-se líder absoluto e sócio do empreendimento. Encerra-se
a leva de encenações dos textos produzidos no Seminário, que levara o Arena a
um beco sem saída ao final de 1961, e o grupo modifica sua linha de repertório,
retomando o interesse nas questões da cena propriamente dita. A qualidade dos
espetáculos torna-se superior. Já em A Mandrágora, de Maquiavel, 1962, Boal
volta a chamar a atenção como encenador. O espetáculo é apreciado não por suas
intenções políticas, mas por seus valores estéticos: a boa carpintaria dramática, "o
frescor da interpretação, maliciosa, irônica, positiva na sua mensagem".

No ano seguinte, novamente acerta ao encenar O Noviço, de Martins Pena,


divertindo a platéia com uma sátira bem-humorada do Brasil. Volta a colaborar
com o Oficina, dirigindo Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams. A
cenografia de Flávio Império transforma a espacialidade do teatro, e o elenco
permanente, sob os auspícios do treinamento de Eugênio Kusnet, partilha do
sucesso do empreendimento ao lado de atores mais experientes, como Mauro
Mendonça e Maria Fernanda.

Em 1963, no Arena, segue-se O Melhor Juiz, o Rei, de Lope de Vega, cujo terceiro
ato sofre adaptação radical, subvertendo o significado do original. E, última
contribuição de Boal para o "rejuvenescimento dos clássicos", Tartufo, de Molière,
cartaz de 1964.

Assim que se efetiva o golpe militar, Boal vai ao Rio de Janeiro dirigir o show
Opinião, com Zé Kéti, João do Vale e Nara Leão (depois substituída por Maria
Bethânia). A iniciativa surge de um grupo de autores ligados ao Centro Popular de
Cultura da UNE - CPC, posto na ilegalidade - Oduvaldo Vianna Filho, Paulo

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Pontes e Armando Costa reúnem-se no intento de criar um foco de resistência à
situação. O evento torna-se sucesso instantâneo e contagia diversos outros
setores artísticos (Opinião 65, exposição de artes plásticas no Museu de Arte
Moderna, MAM/RJ, surge na seqüência), aglutinando artistas ligados aos
movimentos de arte popular. Esse é o nascedouro do Grupo Opinião, que
permanece combativo até 1968.

Retornando a São Paulo, encontra a equipe do Arena em torno do projeto de


reconstrução do episódio histórico do Quilombo de Palmares. Com a experiência
do Opinião na bagagem, Boal inicia o ciclo de musicais na companhia, integrando
o coletivo de artistas em torno de uma nova linguagem. Ele, Gianfrancesco
Guarnieri e Edu Lobo dão forma a Arena Conta Zumbi, encenado em 1965,
primeiro experimento com o sistema coringa. Escolhido o recorte do tema, os
locais de ação e as principais personagens, a cena ganha um aspecto de grande
seminário dramatizado: oito atores revezam-se entre todas as personagens,
teatralizando cenas fragmentadas e independentes, enquanto um ator coringa tem
a função narrativa de fazer as interligações, como um professor de história que
organiza uma aula e dá seu ponto de vista sobre os acontecimentos. O emprego
da música torna-se um elemento essencial à linguagem do espetáculo,
interligando as cenas, e enriquecendo a trama em tons líricos ou exortativos. O
elenco é jovem e bonito, e tem a consciência de utilizar eventos passados para se
fazer uma crítica ao presente. Zumbi confirma o Arena na liderança da pesquisa
teatral e da luta contra o arbítrio vigente no país.

A bem-sucedida realização, sucesso de público, determina novas versões


de Arena Conta..., que resultam na teorização do método. No mesmo ano, Boal
escreve e dirige Arena Conta Bahia, direção musical de Gilberto Gil e Caetano
Veloso, com Maria Bethânia e Tom Zé no elenco. Segue-se um texto seu e de
Guarnieri, pelo Oficina, Tempo de Guerra, construído com poemas de Brecht, com
Gil, Maria da Graça (Gal Costa), Tom Zé e Maria Bethânia, sob sua direção.

Em 1966 retoma os clássicos dirigindo O Inspetor Geral, comédia de Nikolai


Gogol, uma montagem mal-sucedida. No ano seguinte, é a vez de Arena Conta
Tiradentes, repetindo a fórmula criada dentro do grupo. O espetáculo é o
resultado mais apurado do sistema coringa, centrado sobre outro movimento
histórico da luta nacional: a Inconfidência Mineira. Não há o objetivo de retratar os
fatos de forma ortodoxa e cronológica. A intenção é criar conexões constantes
com fatos, tipos e personagens relativos ao movimento pré e pós-1964. Do ponto
de vista da linguagem, busca-se criar uma empatia da platéia com a personagem
de Tiradentes, o herói, através de uma interpretação realista, em contraponto a

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uma abordagem distanciada para os demais personagens, despertando o
entusiasmo revolucionário e uma perspectiva crítica sobre os acontecimentos.

A música tem importância crucial nessa encenação, com direção musical de Theo
de Barros. O refrão "de pé, povo levanta na hora da decisão" pontua toda a
montagem, conclamando explicitamente a platéia na resistência à ditadura.
Responsável pela unidade visual, Flávio Império, cenógrafo e figurinista da
montagem, ajuda a conduzir a leitura da platéia na troca de personagens pelos
atores através de signos que identificam as personagens.

Essa é a realização de Boal mais importante dentro do Arena em 1967, entre


outras que chamam pouca a atenção. O Círculo de Giz Caucasiano, de Brecht, não
passa da estréia. La Moschetta é mais uma bem-sucedida atualização de um
clássico, sátira renascentista de Angelo Beolco, autor de um teatro cru e violento
que se assemelha aos dramas de Plínio Marcos, autor recém-lançado no panorama
paulista.

A Primeira Feira Paulista de Opinião, concebida e encenada por Boal no Teatro


Ruth Escobar, trata-se de uma reunião de textos curtos de vários autores,
depoimento teatral sobre o Brasil de 1968. Estão presentes peças de Lauro César
Muniz, Bráulio Pedroso, Guarnieri, Jorge Andrade, Plínio Marcos e Boal. O diretor
apresenta o espetáculo na íntegra, ignorando os mais de 70 cortes estabelecidos
pela Censura, incitando a desobediência civil. Luta arduamente pela permanência
da peça em cartaz, depois de sua proibição. No mesmo ano, segue-se Mac Bird,
de Barbara Garson, transposição de Macbeth, de Shakespeare, para o universo
norte-americano.

Com a decretação do Ato Institucional nº 5, em fins de 1968, o Arena viaja para


fora do país, excursionando em 1969 e 1970 pelos Estados Unidos, México, Peru e
Argentina. Boal escreve e dirige Arena Conta Bolivar, inédita no Brasil, que se
soma ao antigo repertório.

Em seu retorno, com uma equipe de jovens recém-saídos de um curso no Arena,


cria o Teatro Jornal - 1ª Edição, experiência que aproveita técnicas do agit-prop e
do Living Newspaper, grupo norte-americano dos anos 30. A equipe denota vigor
e talento, vindo a tornar-se o Teatro Núcleo Independente, grupo importante na
periferia paulistana dos anos 1970.

A Resistível Ascensão de Arturo Ui, de Brecht, é a última incursão de Boal no


coringa. Apesar de não acrescentar grandes novidades na linguagem do grupo,

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demarca a resistência à razão, em meio a tantas manifestações teatrais voltadas
para o místico - sintoma das novas tendências que emergem no início da década.

Preso e exilado em 1971, Boal prossegue sua carreira no exterior, inicialmente na


Argentina, onde permanece cinco anos, e desenvolve a estrutura teórica dos
procedimentos do teatro do oprimido.

Torquemada, um texto seu sobre a Inquisição, é encenado em Buenos Aires em


1971, e Tio Patinhas e a Pílula, em Nova York, em 1974. Muda-se para Portugal,
fixando-se por dois anos, trabalhando com o grupo A Barraca, realizando a
montagem A Barraca Conta Tiradentes, 1977. Lá escreve Mulheres de Atenas,
uma adaptação de Lisístrata, de Aristófanes, com músicas de Chico Buarque.
Finalmente, a partir de 1978 estabelece-se em Paris, criando um centro para
pesquisa e difusão do teatro do oprimido, o Ceditade.

Em São Paulo, no mesmo ano, Paulo José dirige para a companhia de Othon
Bastos Murro em Ponta de Faca, texto em que Boal enfoca a vida dos exilados
políticos. Boal visita o Brasil em 1979 para ministrar um curso no Rio de Janeiro,
retornando, no ano seguinte, juntamente com seu grupo francês, para apresentar
o teatro do oprimido, já consagrado em muitos países da Europa e de outros
continentes.

Somente em 1984, com a anistia, retorna ao Brasil, fixando-se no Rio de Janeiro,


mas viajando para todo o mundo, onde aplica cursos e desenvolve atividades
ligadas ao oprimido. Realiza encenações internacionais, ao longo e depois do
exílio, em Nova York, Lisboa, Paris, Nuremberg, Wuppertal e Hong Kong.

No Brasil, após seu regresso, dirige o musical O Corsário do Rei, texto de sua
autoria, com músicas de Edu Lobo e letras de Chico Buarque, em 1985; Fedra, de
Jean Racine, com Fernanda Montenegro no papel-título, em 1986; Malasangre, de
Griselda Gambaro, em 1987; Encontro Marcado, de Fernando Sabino, em 1989;
e Carmen, de Bizet, sambópera de Boal, Marcos Leite e Celso Branco, 1999.

Lança vários livros teóricos sobre o seu fazer teatral, tais como: O Teatro do
Oprimido e Outras Políticas Poéticas, 1975; 200 Exercícios para Ator e o Não-
Ator com Vontade de Dizer Algo através do Teatro, 1977; Técnicas Latino-
Americanas de Teatro Popular, 1979; Stop: C'est Magique, 1980; Teatro de
Augusto Boal, vol. 1 e 2, 1986 e 1990; Jogos para Atores e Não Atores,
1988; Teatro Legislativo, 1996. Escreve dois textos autobiográficos, Milagre no
Brasil, em 1977, e Hamlet e o Filho do Padeiro, em 2000. Sua atuação nessa

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década encontra-se voltada para o teatro do oprimido, ampliando as conexões
entre teatro e cidadania.

Entre outros significativos títulos e prêmios angariados por Boal no exterior,


destacam-se o Officier de l'Ordre des Arts et des Lettres, outorgado pelo
Ministério da Cultura e da Comunicação da França, em 1981, e a Medalha Pablo
Picasso, atribuída pela Unesco em 1994. Em 2009, é nomeado embaixador
mundial do teatro pela Unesco.

Avaliando a abrangência de sua trajetória, o crítico Yan Michalski destaca: "[...] Até
o golpe de 1964, a atuação de Augusto Boal à frente do Teatro de Arena foi
decisiva para forjar o perfil dos mais importantes passos que o teatro brasileiro
deu na virada entre as décadas de 1950 e 1960. Uma privilegiada combinação
entre profundos conhecimentos especializados e uma visão progressista da função
social do teatro conferiu-lhe, nessa fase, uma destacada posição de liderança.
Entre o golpe e a sua saída para o exílio, essa liderança transferiu-se para o
campo da resistência contra o arbítrio, e foi exercida com coragem e
determinação. No exílio, reciclando a sua ação para um terreno intermediário entre
teatro e pedagogia, ele lançou teses e métodos que encontraram significativa
receptividade pelo mundo afora, e fizeram dele o homem de teatro brasileiro mais
conhecido e respeitado fora do seu país".1

Notas

1.
MICHALSKI, Yan. Augusto Boal. In: ______. Pequena enciclopédia do teatro
brasileiro contemporâneo. Rio de Janeiro, 1989. Material inédito, elaborado em
projeto para o CNPq.

Biografia

Aug us to B o al ( 19 3 1- 20 09 ) f o i um do s d ram atu r gos que m ai s


c o n tr i bui u p a ra a c ri aç ão de um te atro genui n am en te b ras i le i ro e l ati n o
am er i c a no. De s d e o s p ri m ó r di o s d e s u a c ar re i ra, no te atro d e A re n a, até
o Teatro d o O p ri m i do, t é c n i c a que o to rn ou m un di a lm en te c o n he c i do,
pa s s a n do p e l as S am bó pe ras , s ua p re o c u pa çã o fo i a de c ri a r um a
li n gu a gem que p u de s s e t raduz i r a r e a li d ade do s e u p aí s , u m a m an ei ra
b ras i lei ra de f al a r, s e nti r e pe n s a r. Es s a pr e o c up aç ão i m pr i m e ao s e u
t raba l ho um a d i m en s ão po lí ti c a e s o c i a l, c o n ce be n do o te atro c o m o

7
i n s t ru me n to de t ran s fo r m a ção a li c e r çada n a te m á ti c a e n a l i n g ua gem .
Tod o s o s p as s o s pe rc o r ri do s po r B o al fo ram m ar c ada s p e lo s e u e s pí r i to
i nves t i gati vo e s u a p re o c u pa çã o po lí t i c a: o t e atro c o mo re s po s t a às
que s tõ e s s o c i ai s ; o te atro c o m o mei o d e an a li s ar c o n fl i t o s e apre s e n tar
al te rn ati va s .

C a ri o c a, n a s c i do no ba i r ro d a Pen ha e m 19 31 , d e s d e c ri a nc ̧ a
Aug us to B o al, e s c re ve, e n s ai a e mo n ta s uas p ró p ri as pe c ̧ as no s
e nc o n tro s f am i l i a re s . Sua fo r m ac ̧ ã o e m En gen ha ri a Q u í m i c a aco n te c e
pa ralel am en te à pe s qui s a e à c ri ac ̧ ã o de te xto s te atrai s , que s ão, e m
geral, li do s e c o m en tado s p o r Ne ls o n Ro d ri g ue s .

Mui to j o vem , v i a ja pa ra o s Es t ado s Un i do s , o n de e s t ud a n a


C o lum b i a Un i ve rs i ty, c o m John G as n e r, e as s i s t e à s mo n ta gen s do
Act o r ’s Stud i o. Re to rn a ao B ras i l e m 19 56 , e, a c o nvi te de S á b ato
Magaldi e Z é Re n ato, d i r i ge o Teatro de A re n a d e S ã o Paulo. A
c o m p an hi a, f un dada e m 1 95 1, p ro vo c o u um a ver d ade i ra r e vo luc ̧ ã o
e s té t i c a n o te atro b ras i lei ro do s an os 19 50 a 19 70 .

C o m a r e p re s s ã o p ó s - golp e de 19 6 4 e, s o br e t ud o a pa rt i r do A I - 5
e m de z e m b ro de 19 68 , o s m i li t ar e s p as s am a pe r s e g ui r a rt i s tas e
i n te lec tu ai s . B o a l é s e que s t rado , pr e s o, to rt u rado e, e m fe vere i ro d e
19 71 , exi l a- s e e m B ue nos A i re s , (1 9 71 - 1 97 6 ), Em B ue no s A i re s d i r i ge o
gr u po E l Mac he te e mo n ta O Gran de Aco rd o In te r n ac i o n al d o Tio
Pati n has , Torque m ada ( s o b re a to rt u ra n o B ras i l ) e R evo luc ̧ ã o n a
A m é ri c a do S ul , to do s d e s ua auto ri a. Nes s e mes mo p e r í o d o, r e a li z a
di ve rs a s v i a gen s p o r t o d a a A m é ri c a L ati n a, o n de c o m ec ̧ a a de s e nvo lve r
e uti li z a r n ov as té c n i c as que a n te c i p am o “ Teatro do O p ri m i do ” : Teatro-
Im a gem , Teatro - I nvi s í vel e Teatro- Fó ru m .

Em 19 76 , s e t ran s fe re pa ra L i s b o a , o n de di ri ge o g r up o A B ar raca
e, d o i s an os de po i s , é c o nvi d ado p a ra le c i o n ar n a Un i vers i té de l a
S o r bo n n e . Em Par i s , c ri a o C e n tre du Thé atr e de l O p pr i m é (1 9 79 ).
A n te s de re gr e s s ar d e f i n i t i v am en te ao B ras i l, mo n ta no R i o d e Jan ei ro
O C o rs á ri o do Rei , de s ua auto r i a (let ras d e C h i c o B ua rque , m ú s i c a d e
E du Lo b o ) e Fed ra, d e R aci ne, c o m Fern an da Mo n te ne g ro.

Em 1 98 6, de re t o r no ao B ras i l, di ri ge a F á b r i c a do Teatro
Popu la r, a c o nvi t e d e D ar c y R i be i ro, e n tã o S e c re tá r i o d e E duc ac ̧ ã o d o
Es t ado d o R i o de Jan ei ro. O o bj e t i v o e ra to r n a r a li n g u a gem te atral
ace s s í ve l a to d o s , c o m o e s t í mulo ao di á lo go e à t ran s fo rm ac ̧ ã o da
re ali d ade s o c i al . Nes s e m es mo a no c r i a o C e n tro d e Teatro do O p ri m i do
– C T O, p a ra di fu n di r o Teatro d o O pri m i d o n o B ras i l . No C TO - R i o,
de s e nvo lve p ro j e t o s c o m O N G s , s i n di c ato s , un i ver s i d ade s e pr e fe i tu ras .

No i n í c i o da d é c ada de 19 9 0, Augu s t o B o al é e lei to ver e ado r d o


R i o d e Janei ro p e lo Part i d o d o s Traba lh ado re s (P T ) . Na C a ̂ m a ra d e

8
V e re ado r e s , e ntre 19 9 3 e 1 99 6, e nc am i n h a 3 3 p ro je to s de lei , do s qua i s
14 t o r n am - s e le i s mun i c i pa i s .

En tre 19 9 9- 20 01 , B o al t raba lh a c o m as ó p e ras C ar me m e L a


Travi ata, t ran s fo rm an do - as e m S am bó pe ras , e xp e r i e ̂ n ci a i n ov ado ra que
t raduz as m ú s i c a s o ri g i n ai s pa ra ri tm os genui n am en te b ras i lei ros . Um a
de s u as ú lt i m as pe s qui s as fo i a Es t é ti c a do O p ri m i d o, pro g ram a d e
fo rm ac ̧ ã o e s té ti c a que i n te g ra e xp e r i e ̂ n ci as c o m o s o m , a pa lavra, a
i m a gem e a é t i c a.

Aug us to B o al é auto r de d i vers as o b ras li te rá ri as pu bli c ada s e m


vá ri o s i di o m a s , e re c e b e u, duran te s u a v i d a p rof i s s i o n a l, um ar s e n a l
ext rao r d i n á r i o de p re ̂ m i o s e ho n rar i a s . Ten do e m vi s t a a m ul ti p li c i d ade
e a d i ve rs i d ade da s c o n tri bui c ̧ õ e s d ada s po r B o a l à c ul tu ra b ras i lei ra,
be m c o m o o c ar á te r r evo luc i o n á r i o d e s u as ac ̧ õ e s , jul gamo s que o
c o n tato c o m a s ua o b ra s e m pr e s e rv i r á d e e s t í mulo pa ra o
aprof un da me n to da s li n has d e pe s qui s a po r e le e labo radas o u
s u geri d as . Por e s s as raz õ e s , jul gam os i m po r ta n te o c o n he c i me n to e a
pr e s e rv ac ̧ ã o de s u a o b ra de m od o a s e rv i r d e e s t í mulo e p a ra ̂ me t ro
pa ra as no va s gerac ̧ õ e s que s e i n te re s s e m pe lo te atro.

CRONOLOGIA
1931 Augusto Pinto Boal nasce em 16 de março de 1931, no Rio
de Janeiro, filho de Jose Augusto Boal e de Albertina Pinto,
emigrantes portugueses que chegaram ao Brasil na década de
1920.
1.
Infância de Boal no bairro da Penha, Rio de Janeiro, onde
reside com a família e, a partir dos 10 anos, ajuda nas
tarefas da Padaria Leopoldina, de propriedade de seu
pai.
2. 1941
Boal começa a escrever textos teatrais, na sala de
costura de sua mãe. Costuma encená-los com seus
irmãos, atuando sempre como diretor.
3. 1950
Alguns desses textos curtos, inspirados em situações do
seu bairro, tais como Maria Conga, Histórias do meu
bairro e Martin Pescador, são submetidos à crítica de
Nelson Rodrigues, de quem Augusto Boal se aproxima
durante o seu tempo de estudante universitário.
4. 1952
Forma-se em Engenharia Química na Escola Nacional de
Química, aos 21 anos.
9
5. 1953
Viaja para os Estados Unidos onde inicia o doutorado em
Engenharia Química, com Especialização em plásticos e
petróleo, na Columbia University of Nova York (CUNY).
Paralelamente realiza estudos na School of Dramatic
Arts, na mesma universidade, com John Gassner, e
participa como aluno ouvinte das encenações do Actor´s
Studio, de Lee Strasberg.
6. 1954
Em Nova York, Boal inscreve-se na Associação de Jovens
Escritores (Writer´s Group) e recebe um prêmio pela sua
obra Martin Pescador.
7. 1955
Estreia como diretor, no Marlin Theatre, em Nova York,
com duas pequenas peças de sua autoria: O cavalo e o
santo e A casa do outro lado da rua.
8. 1956
De retorno ao Brasil, é convidado por José Renato e
Sábato Magaldi para integrar a direção do Teatro de
Arena de São Paulo, companhia teatral de grande
sucesso nas décadas de 1950 e 1960. Nesse mesmo
ano, Augusto Boal inicia sua carreira como diretor teatral
no Brasil, com a peça Ratos e Homens, de Jonh
Steinbeck. Boal permanece no Arena até 1971.
9. 1957
Estreia no Brasil, como autor, com a comédia, Marido
magro, mulher chata, sem sucesso comercial. Ainda em
1957, Boal dirige Juno e o pavão, texto de Sean O`Casey.
10. 1958
Dirige A mulher do outro, de autoria de Sidney Howard.
O grupo do Teatro de Arena inicia uma fase de
encenação de textos de autores brasileiros, com ênfase
em cenas populares, conhecida como a fase
nacionalista. O primeiro grande sucesso desse período é
Eles não usam Black- Tie, de Gianfrancesco Guarnieri,
dirigido por José Renato.
11. 1959
Na sequência, Boal dirige Chapetuba Futebol Clube,
peça de Oduvaldo Viana Filho, também com sucesso de
público, e cria um Seminário de Dramaturgia que
funciona como espaço experimental para discussão de
textos dos autores nacionais a serem encenados pelo
Arena. Nesse mesmo ano, são apresentados Gente como

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a gente, de Roberto Freire, e A farsa da esposa perfeita,
de Edy Lima, ambos com direção de Augusto Boal.
12. 1960
Realização de várias produções conjuntas entre os
teatros Arena e Oficina. Boal dirige, com o elenco do
Oficina, A engrenagem, de Jean Paul Sartre, adaptada
por ele próprio e por José Celso Martinez Corrêa, e Fogo
Frio, de Benedito Ruy Barbosa. Dirige também O
testamento do cangaceiro, de Francisco de Assis;
Ainda em 1960, José Renato dirige Revolução na
América do Sul, texto de Augusto Boal que o consagra
como um dos maiores dramaturgos do país.
13. 1961
Boal dirige Pintado de alegre, texto de Flávio Migliaccio.
14. 1962
Dirige de sua própria autoria, José, do parto à sepultura.
15. 1964
O teatro de Arena vive uma nova fase, conhecida como
de nacionalização dos clássicos que, na concepção de
Boal, consiste em “buscar e ressaltar em certos textos, o
que existe de brasileiro neles”. Datam desse período,
sob sua direção, as montagens de Mandrágora (1962),
texto de Nicolau Maquiavel; O Noviço (1963), de Martins
Penna; Um bonde chamado desejo (1963), de Tennesse
Williams; O melhor juiz, o rei (1963), de Lope de Vega; e
finalmente, Tartufo (1964), de Molière, com tradução de
Guilherme de Figueiredo.
16. 1965
Após o golpe militar, que introduz a censura no país,
Boal dirige, no Rio de Janeiro, o espetáculo Opinião, de
autoria de Armando Costa, Oduvaldo Viana Filho e Paulo
Ponte. Esse show, de conteúdo político que dá origem a
um movimento politico e cultural do mesmo nome,
conta com a participação dos interpretes: de Zé Ketti,
João do Valle e Nara Leão, substituída, posteriormente,
por Maria Bethânia.
17. 1967
Fase dos musicais, conhecida como fase dos heróis
nacionais, que se caracteriza pela introdução de músicas
brasileiras de importantes compositores, criadas para o
espetáculo, e pela utilização do “sistema Coringa”, que
consiste no revezamento dos atores no desempenho de
diversos personagens. Nesse período, Boal e Guarnieri
escrevem e encenam: Arena Conta Zumbi (1965), Tempo

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de Guerra (1965), Arena conta Tiradentes (1967) com
direção geral de Boal e Arena Canta Bahia, texto e
direção geral de Augusto Boal.
Datam ainda desse período O Inspetor geral (1966), de
Nicolai Gogol, com tradução de Augusto Boal e
Gianfrancesco Guarnieri, direção de Augusto Boal; O
Círculo de Giz Caucasiano (1967), de Berthold Brecht,
com tradução de Manuel Bandeira, direção de Augusto
Boal; e a reapresentação de A criação do Mundo,
segundo Ari Toledo (1967), com roteiro de Augusto Boal
e Gianfrancesco Guarnieri, direção musical de Carlos
Castilho.
18. 1966
Primeira viagem de Augusto Boal a Buenos Aires, onde
dirige no IFT, O melhor juiz, o Rei, de Lope de Veja e,
nessa mesma viagem, A Mandrágora, de Maquiavel, na
sala Planeta. Em Buenos Aires encontra Cecília e Fabian.
19. 1968
Primeira Feira Paulista de Opinião, realizada no Teatro
Ruth Escobar. Concebida e organizada por Augusto Boal,
a feira é, sobretudo, um ato de protesto contra a
censura praticada pelo governo militar à cultura. Ela
reúne textos de seis autores: O Líder, de Lauro César
Muniz; O Sr. Doutor, de Bráulio Pedroso; Animália, de
Gianfrancesco Guarnieri; A receita, de Jorge Andrade;
Verde que te quero verde, de Plinio Marcos; e A Lua
muito pequena e A caminhada perigosa, de Augusto
Boal.
Ainda em 1968, Boal traduz e dirige Mac Bird, de
Barbara Garson e, em 1969, o espetáculo musical de
sua autoria Chiclete com banana.
20. 1969
Boal escreve Bolivar, o lavrador do mar (Arena conta
Bolivar).
21. 1969
Com o aumento da repressão política, após a assinatura
do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro de 1968, o
grupo do Teatro de Arena aceita o convite de excursionar
pelos Estados Unidos, México, Perú e Argentina,
reapresentando Arena Conta Zumbi. A grupo encena
também Arena conta Bolivar, texto e direção de Augusto
Boal, cuja exibição é proibida no Brasil.
22. 1970

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Em setembro, de retorno ao Brasil, Augusto Boal monta
o Teatro Jornal - 1ª edição, espetáculo criado el com
base na leitura dos principais jornais da época.
Nesse mesmo ano, Boal dirige A Resistível Ascensão de
Arturo Ui, texto de Bertold Brecht, traduzido por Luiz de
Lima e Hélio Bloch.
23. 1971
Em fevereiro, Boal é sequestrado, preso, torturado e, em
seguida, parte para o exílio em Buenos Aires, onde
reside por cinco anos (1971 - 1976).
Antes, passa por Nova York onde realiza a Feira Latino-
Americana de Opinião, pela qual recebeu o prêmio Obie
Award (melhor espetáculo Off – Brodway). Ainda em
Nova York encena com os alunos da New York University
Torquemada, texto que denuncia a tortura no Brasil,
escrito no período em que esteve preso.
Em Buenos Aires, dirige o grupo de teatro El Machete;
escreve e dirige O grande acordo internacional de Tio
Patinhas, e reapresenta Torquemada e Revolução na
América do Sul, ambos de sua autoria.
24. 1972
Reapresentação de Torquemada, no Teatro La Mama, em
Bogotá, e no Teatro del Centro, em Buenos Aires.
25. 1975
Nasce Julián, filho de Boal e Cecília.
26. 1976
Ainda em Buenos Aires, antes de partir para Lisboa,
escreve as adaptações de A tempestade, William
Shakespeare, com foco na figura do Caliban, como
símbolo de resistência dos colonizados; e Mulheres de
Atenas, uma adaptação de Lisistrata, de Aristófanes,
com música de Chico Buarque.
Augusto Boal passa a residir em Lisboa onde dirige o
grupo A Barraca.
27. 1977
Em Lisboa, encena Zumbi, Barraca conta Tiradentes e
Ao Qu’isto chegou: Feira portuguesa de Opinião; conclui
o texto de Murro em Ponta de Faca, iniciado ainda em
Buenos Aires.
28. 1978
Murro em ponta de faca é apresentado pela primeira vez
no Brasil, em São Paulo, pela Companhia de Othon
Bastos. Dirigida por Paulo José, a peça aborda a vida dos
exilados políticos fora do país.

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29. 1979
Boal é convidado para lecionar na Université de la
Sorbonne, em Paris; cria o CEDITADE - Centre d`Études
et de Diffusion des Techniques Actives d´Expression,
depois conhecido como Centre du Theâtre de L
´Opprimé.
Dirige, em Paris, Murro em ponta de faca.
30. 1980
No âmbito do CEDITADE, escreve peças para o Teatro
Foro como: La surprise; La coherence; Comme d
´habitude; L´anniversaire de la mère; O dragão
esverdeado e a família surda; e Le nouveau badache est
arrivé.
31. 1981
Augusto Boal recebeu a condecoração do governo
francês, Officier des Arts et des Lettres.
Dirige Nada más a Calingasta, de Júlio Cortázar, no
Schauspielhaus de Graz, na Áustria.
32. 1982
Dirige Murro em ponta de faca, de sua autoria, em Graz,
Áustria.
33. 1983
Apresentação de Arena conta Zumbi, no Schauspielhaus
de Graz, na Áustria.
Dirige Erendira, de Gabriel Garcia Marques, no Theâtre
National Populaire de Paris, com a participação de
Marina Vlady.
34. 1984
Dirige em Nuremberg, na Alemanha, La Malasangre, de
Griselda Gámbaro.
35. 1985
Monta no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, O
corsário do Rei, de sua autoria, com música de Edu Lobo
e letras de Chico Buarque.
36. 1986
Boal dirige no Teatro de Wupperthal, na Alemanha, Das
Publikum (El Público) de Frederico Garcia Lorca.
Retorna definitivamente para o Brasil e, nesse mesmo
ano, dirige Fedra, de Jean Racine, no Teatro de Arena do
Rio de Janeiro, com Fernanda Montenegro no papel
principal.
Ainda em 1986, dirige a Fábrica do Teatro Popular a
convite do então Secretário de Educação do Estado do
Rio de Janeiro, Darcy Ribeiro.

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Cria o Centro do Teatro do Oprimido – CTO, visando
difundir as técnicas do Teatro do Oprimido no Brasil.
37. 1987
Dirige La Malasangre, de Griselda Gambaro, no Teatro
Vannuci, no Rio de Janeiro.
38. 1989
Adapta e dirige Encontro marcado, de Fernando Sabino.
39. 1990
Conclui a novela O suicida com medo da morte,
publicado pela Civilização brasileira em 1992.
40. 1992
Augusto Boal é eleito vereador pelo Partido dos
Trabalhadores (PT), do Estado do Rio de Janeiro. Dos 33
projetos encaminhados por ele à Câmara dos
Vereadores, 14 tornam - se leis municipais (1992 -
1996).
Na Câmara, criou o teatro legislativo, no qual seus
assessores de Gabinete são ao mesmo tempo “coringas”
do TO (Teatro do Oprimido). Nesse período, 50 grupos de
teatro são formados em favelas, sindicatos e igrejas.
41. 1993
Acontece, no Rio de janeiro, o 7° Festival Internacional
do Teatro do Oprimido, com a participação de 12 países.
42. 1994
Augusto Boal recebe da UNESCO, a medalha Pablo
Picasso.
43. 1998
Boal escreve duas comédias que ele classifica como
“bulevar macabro”: Amigo Oculto e A herança maldita.
44. 1999
No final do século XX, Boal inicia uma experiência de
abordagem de óperas tradicionais, utilizando ritmos
brasileiros, denominada por ele de sambóperas. Em
1999 estreia Carmem, de Bizet. Escrita em parceria com
Celso Branco, o espetáculo tem a direção musical de
Marcos Leite. Em 2001, realiza uma nova experiência
com La Traviata, também em parceria com Celso
Branco, e com direção musical de Jayme Vignolli.
45. 2000
Amigo Oculto estreia no Rio de janeiro, sob a direção de
Marilia Pera.
46. 2007
A herança maldita, escrita por Boal em 1998, foi
montada pelo grupo A Barraca, com o qual Boal

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trabalhou durante seu período de residência em Lisboa.
A peça estreou em 2007, dirigida por Helder Costa.
47. 2009
Pouco tempo antes de sua morte, Augusto Boal é
nomeado “Embaixador do Teatro”, pela UNESCO.
48. 2009
Boal escreveu diversos livros que foram traduzidos em
vários idiomas, além de ter colecionado títulos, prêmios
e honrarias durante sua trajetória.

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