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O Q UE E?

DE ONDE VEM?
0 QUE PRETENDE?

V irtu a l 6oohs
Publicado com a devida autorização e
com todos os direitos reservados por
Editora Betânia S/C
Caixa Postal 5010
31.611-970 Venda Nova, MG

Revisão e estilização: M ima Maria de Alcântara Campos

Primeira edição, 1992

É proibida a reprodução total ou parcial


sem permissão escrita dos editores.

Composto e impresso nas oficinas da


Editora Betânia S/C
Rua Padre Pedro Pinto, 2435
Belo Horizonte (Venda Nova), MG

Capa: Kleber Faria

Printed in Brazil
“Ao Rei consagro o que compus.”
(SI 45.1.)
AGRADECIMENTOS

Ao casal Darque e Janice França, irmãos amados que, es­


tando eu longe de minha terra, me acolheram em seu lar,
onde este trabalho foi desenvolvido.

Ao irmão Ananias Vilela, que sempre apoiou meu ministério.

E aos muitos irmãos que, de uma forma ou de outra, con­


tribuíram para que este livro se tom asse realidade.

De coração, muito obrigado.

Marco André
ÍNDICE
Introdução .......................................................................... 9

Parte I
O Pano de Fundo do Movimento Nova E r a ...... 13
1. Contexto Histórico S e c u la r............................... 13
2. Contexto Histórico Espiritual ........................... 19
Raízes Históricas do ConflitoEspiritual ................ 20
Efeitos do Conflito Espiritual na
História Humana ...................................................... 23
O Futuro do Conflito Espiritual ............................ 25

Parte II
A Ideologia do Movimento NovaE r a ......................... 29
1. Doutrinas da Nova E r a ........... ................................30
Deus ............................................................................. 30
O H o m e m ................................................................... 34
Os Extraterrestres ...................................................... 39
Lúcifer ......................................................................... 48
As E r a s ........................................................................ 50
Jesus Cristo ................................................................ 53
O Avatar ..................................................................... 54
A Natureza ................................................................. 58
Os Bruxos .................................................................. 60
2. Peculiaridades da Nova E r a ....................................65
Os Símbolos .............................................................. 65
Termos Peculiares ..................................................... 68
Parte III
Atuação e Propagação do Movimento Nova Era ...... 71
1. Na Política Mundial .................................................. 72
2. Através da Ciência .................................................... 75
3. Nas Entidades E ducacionais................................... 77
4. Na Religião ................................................................. 81
5. Através dos Meios de Comunicação ..................... 83
6. Na M ú sic a ................................................................... 86
A Música da Nova E r a ............................................. 86
Música S e c u la r............................................................ 88
7. Na Medicina A lternativa........................................... 90
8. Na Psicologia ............................................................. 94

Parte IV
A Igreja e o Movimento Nova Era ............................ 97
1. A Ideologia da Nova Era na Ig re ja ....................... 98
O Poder da Mente .................................................... 99
A Regressão TVanspessoal ..................................... 100
Projeção Astral .............. .......................................... 102
2. A Postura da Igreja Frente à Nova E r a ............ 102

Bibliografia...................................................................... 106
10DUÇÃ0
Este nosso mundo não será para sempre como tem
sido até então. São muitos os textos bíblicos que descre­
vem os últimos dias, textos que enumeram os sinais que
caracterizarão o tempo do fim. E verdade que em todos
os momentos críticos por que passou a humanidade
levantaram-se alguns proclamando serem aqueles momen­
tos os tais últimos dias profetizados pela Bíblia. Porém,
a Bíblia deixa claro que é um conjunto de sinais que in­
dicarão tais dias, e não alguns sinais isolados.
Nas primeiras vezes em que ouvi falar sobre Nova Era,
recebi as informações um tanto cético. As pessoas diziam
que Nova Era seria o fim dos tempos. A princípio achei que
fosse apenas uma seita a que davam demasiada importância
aqueles que a combatiam. Alguns fatos atribuídos à Nova
Era, porém, chamaram-me a atenção, mas não o suficiente
para me fazer aprofundar no estudo do assunto. Foi neces­
sário um mover de Deus para que me envolvesse de fato.
Participei então de um congresso da Nova Era. O que
vi e ouvi trouxe-me um peso muito grande ao coração.
Percebi que o movimento já ia muito mais longe do que
10 N ova Era

eu pensava e eram muitas os que estavam sendo enreda­


dos nele. A partir daí procurei envolver-me cada vez mais,
participando de suas reuniões. A medida que assimilava
seus ensinamentos, deparava-me em cada frente do mo­
vimento com o cumprimento de um sinal bíblico para os
últimos dias. Descobri que não se trata de apenas mais
uma seita ou crença, mas um movimento de grande alcance.
A ideologia da Nova Era está presente na política, na
educação, na medicina, nas religiões orientais, na cultura,
etc. Nova Era não é uma seita, pois compõe-se de várias
linhas de pensamentos, bodas com variações dentro de uma
ideologia geral. Por isso é que aqueles que procuram es­
tudar de fora o assunto, incorrem em muitos erros ao ten­
tar explicar o que é Nova Era.
Muitos definem o movimento todo por uma única li­
nha, a que conheceram. Com isso tem havido uma con­
fusão muito grande de informações sobre o que vem a
ser, na verdade, Nova Era.
Nova Era não é um movimento organizado, que tem
uma liderança ou uma frente de trabalho única. TVata-se
de um movimento de incontáveis segmentos, todos base­
ados num mesmo princípio ideológico.
No “pacote” Nova Era encontramos linhas bruxólicas
medievais (como a Ordem dos Magos da Nova Era —
OMNE — por exemplo), o movimento holístico ou new
Vision (que tenta parecer desvinculado dele, mas possui
a mesma base ideológica e trabalha com os mesmos al­
vos), a linha ufológica (geralmente mais fatalista), as prá­
ticas adivinhatórias (através de tarot, búzios, runas, etc.),
a psicologia transpessoal (com práticas de regressão e si­
milares), o movimento ecológico, e tantos outros, todos
profundamente esotéricos e místicos, divergentes em al­
guns pontos doutrinários, mas congruentes em sua ide­
ologia básica.
Neste trabalho não vamos nos ater às variações exis­
tentes nas diversas linhas, mas procurar delinear o tronco
ideológico básico de onde procedem as ramificações desse
movimento. Veremos que todas essas frentes têm tendên­
cias iguais, cada segmento flui para a mesma direção, ape­
sar de divergirem doutrinariamente nos pormenores. Va-
Introdução 11

mos procurar encontrar nesse conjunto tão complexo,


aparentemente destonante, a harmonia que faz da Nova
Era um movimento de proporções gigantescas e de ação
tão eficaz em todas as áreas em que atua.
E exatamente aí que veremos retratado o conjunto de
sinais que a Bíblia descreve para os últimos dias. Tànto
na ideologia quanto na prática, o movimento Nova Era
traduz claramente o cumprimento dos sinais descritos para
os dias finais.
A Nova Era pode ser um desafio para a Igreja, levando-
a a posicionar-se e assumir seu papel de agência do reino
de Deus, frente a uma sociedade convulsionada por uma
filosofia de caráter tão maligno, mas também pode servir
de agravante para a visão fatalista que algumas linhas cristãs
adotam. Embora a interpretação escatológica apresentada
neste trabalho seja pré-tribulacionista, ela não deve ser
encarada como fatalista. Se este modesto trabalho contri­
buir de alguma forma para despertar a Igreja para o fato
de que a nossa omissão frente aos problemas da huma­
nidade toma-nos cúmplices tanto da injustiça social quanto
da perdição espiritual e degradação moral, então sentir-
me-ei compensado no meu esforço.
Por outro lado, se a leitura não desafiar o leitor a as­
sumir a integralidade do cristianismo, terei então fracas­
sado nesse empreendimento que julguei útil ao reino de
Deus.

O autor.
0 PANODEFUNDO
DOMW Ii* ) M l
Nova Era é um grande quebra-cabeça, com um sem
número de pequenas peças. Toma-se bem mais fácil mon­
tar um quebra-cabeça quando se sabe o ambiente que ele
retrata, a paisagem que nele está expressa. Assim também,
será bem mais fácil compreender o que é o movimento
Nova Era conhecendo-se os bastidores desse movimento:
o que está por trás, quem encabeça o movimento, quais
os seus objetivos, como, onde e porque começou.
Iniciemos nossa busca por identificar o pano de fundo
histórico desse movimento. Reportemo-nos à história es­
piritual da humanidade, pois é o contexto em que se acham
inseridas todas as profecias e o mais significativo de todos
os conflitos: o conflito entre o bem e o mal na disputa
pelo homem.

1. CONTEXTO HISTÓRICO SECULAR

O primeiro fato que nos chama a atenção é que o mo­


vimento não tem data de fundação e nem fundador; não
tem, também, liderança humana a que esteja subordinado
14 N ova Era

ou que lhe trace as diretrizes, embora ele esteja indo exa­


tamente para onde deseja. Enganamo-nos, no entanto, se
pensamos que a Nova Era não possui nenhum tipo de li­
derança. Os verdadeiros líderes, reconhecidos pelos adep­
tos, são seres espirituais, a quem chamam de espíritos,
anjos, extraterrestres. Como, por exemplo, relata um artigo
da revista Ano Zero, falando sobre o banqueiro califomiano
Allan Gold:
“Atualmente ele se dedica a financiar empresas da
Nova Era, e com grande êxito. Tlido começou com uma
revelação de caráter semelhante à mediunidade, ou
channel, segundo denominam os especialistas ameri­
canos. O fenômeno se caracteriza quando um ser de
outra dimensão — espírito, anjo ou extraterrestre —
envia mensagens a um ser humano receptivo”.1

Quanto ao início do movimento também não temos


como precisar uma data. O máximo que podemos fazer
é nos reportar a 1962, quando surgiram os beatniks, que
propunham a tomada de consciência de uma ecologia pla­
netária. Encontramos em seguida os hippies, exaltando
o amor à natureza, a origem, a liberdade sexual, a paz,
e a Nova Era de Aquário, que foi cantada em prosa e verso
no musical Hair. Embora se diga que o movimento hippie
fracassou, vale observar que, a nível espiritual, esse mo­
vimento deixou suas seqüelas. A rejeição aos valores e prin­
cípios cristãos em nossos dias é, de certa forma, resultado
direto do movimento hippie. Essa rejeição foi fundamental
para preparar o caminho do atual movimento Nova Era,
que não obteria tal penetração se a sociedade ocidental
ainda estivesse apegada aos valores e princípios cristãos
como outrora.
Não podemos, porém, ser ingênuos a ponto de pensar
que esses movimentos surgiram de repente, do nada.
Vários indivíduos e grupos trabalharam de maneira di­
reta para a existência do movimento, não só no século
XX, mas em todo o decorrer da História.
Assim foi com o filósofo Aldous Huxley (autor do livro
Admirável Mundo Novo), que influenciou profundamente,
0 P ano de Fundo do M ovim ento N ova Era 15

já nos anos 40, um grupo internacional de intelectuais,


artistas e cientistas, com suas reflexões de transcendência
e de transformação, pregando a cura por meios paranor-
mais, um desenvolvimento da consciência humana, e um
novo tipo de governo e economia para o mundo.
Importante e expressiva foi também a participação e
influência do jesuíta Pierre Teilhard Chardin. Em 1931,
Chardin escreveu em seu ensaio O Espírito da Tèrra que
“a mente humana vem-se submetendo a sucessivas reor­
ganizações através de toda a história da evolução, até que
atingiu um ponto crucial — a descoberta de sua própria
evolução”. O que, segundo ele, “é a futura e natural his­
tória do mundo” que estaria rumando para um ápice, ao
qual chamou de “Ponto Ômega”. Esse Ponto Ômega, para
ele, deveria ser uma “conspiração mundial” que mudasse
por completo os valores humanos e levasse o homem a
compreender o seu verdadeiro poder da mente. TM cons­
piração seria chamada mais tarde, em 1980, de “Conspi­
ração Aquariana”, por Merilyn Ferguson.
Cari Jung, psicanalista suíço, também deu sua contri­
buição à Nova Era, com seus pensamentos sobre uma di­
mensão transcendente da consciência que, em contexto
mais amplo, introduziu a idéia do inconsciente coletivo.
Essa idéia tem suas raízes no pensamento oriental que
acredita ser o homem parte do todo que é Deus, rejeitando
assim a idéia de um Deus pessoal.
No século XIX, Helena P. Blavatsky preconizava as
idéias que regem o atual movimento Nova Era, através da
Sociedade Teosófica, além de ser uma sagaz perseguidora
dos valores e princípios do cristianismo, conforme ela
mesma declarou:
“A doutrina da expiação é um perigoso dogma em
que os cristãos acreditam e que ensina que, indepen­
dente da enormidade de nossos crimes contra as leis
de Deus e dos homens, temos de apenas acreditar no
auto-sacrifício de Jesus para a salvação da humanidade,
e que seu sangue lavará todas as máculas. Faz vinte
anos que prego contra isso”.2
16 Nova Era

Entre 1835 e 1860, surgiu nos EUA um grupo deno­


minado “TYanscendentalistas”, trabalhando em cima dos
mesmos ideais e propagando as mesmas crenças da Nova
Era. Seu principal precursor foi Ralph Waldo Emerson,
que escreveu a obra Natureza, em 1836, marcando o iní­
cio identificável do movimento transcendentalista. Eles di­
ziam que o homem tinha que alcançar níveis de consci­
ência mais altos através dos variados tipos de idealismo
filosófico, e que tinha de libertar-se dos elementos das Es­
crituras e da tradição cristã. Embora tenham ficado pouco
conhecidos nos meios mais populares, eles influenciaram
“muitas noções românticas a respeito da natureza e des­
tino humanos, que se tornaram parte central da experi­
ência norte-americana nesses últimos cem anos”.3
Outro grupo que surgiu no século passado e que re­
siste firme até hoje, em pleno progresso, é o da Fé Bahá’í.
A Fé Bahá’í surgiu em 1844, no Irã, sendo estabelecida
em 1863 por Bahá’u’lláh, um nobre persa, que transmitiu
seus ensinamentos durante mais de 40 anos. Ela está, hoje,
em todos os países e territórios do mundo, com sua lite­
ratura publicada em mais de 700 idiomas. Sua principal
pregação é a unificação mundial em todos os setores, com
a conseqüente formação de um governo mundial e a as-
cenção de um líder mundial que estabelecerá a plena paz
para a humanidade.
Embora reclamem os maçons que a maçonaria tenha
surgido nos primórdios da humanidade, os registros his­
tóricos parecem datar seu início em meados do século XVII.
Em 1717, foi fundada a Grande Loja de Londres e, logo
em seguida, a organização cresceu rapidamente, abrindo
mais de 1700 lojas, e chegando aos EUA no ano de 1730.4
No século XVIII ela desponta no cenário histórico como
importante representante do pensamento e planos do atual
movimento Nova Era.
E inegável sua influente participação nos movimentos
políticos dos países onde se estabeleceu. Sua atuação no
campo político foi sempre com o objetivo de libertar nações
do jugo de sistemas ditatoriais ou monárquicos. Tfemos o
exemplo da maçonaria participando ativamente na histó­
0 P ano de Fundo do M ovim ento Nova Era 17

ria da independência do Brasil e, posteriormente, lutando


pela proclamação da República em movimentos como a
Inconfidência Mineira. Essa atuação política se deve ao
fato de o sistema de crenças da maçonaria ter como or­
dem Liberdade-Fratemidade-Igualdade. Acreditam os ma­
çons que o mundo deve possuir um sistema igualitário em
todos os aspectos, o que os faz lutar tanto no campo po­
lítico. O pensamento maçon é panteísta — vê Deus não
como um ser pessoal, mas o identifica como uma energia
da qual tudo faz parte. Também são uma sociedade ocul-
tista de princípios esotéricos, tal qual a visão do movi­
mento Nova Era.
Recuando ainda mais no tempo encontramos os rosa-
cruzes publicando em 1614 um livro intitulado A Reforma
Geral do Mundo, que defende a tendência de busca de
uma nova humanidade, nos mesmos moldes da Nova Era.
Essa organização vem pregando desde aquela época a fra­
ternidade universal, o conhecimento intuitivo, o conheci­
mento além dos cinco sentidos, a consciência cósmica e
uma existência mais plena; todos esses temas são defen­
didos hoje pela Nova Era.
Já entre o período de 1118 e 1307 encontramos a Ordem
dos Cavaleiros Templários, representando o pensamento Nova
Era na História, como descreve a revista Ano Zero:
“De guerreiros passaram a refinados intelectuais,
graças a seus contatos com sábios judeus e muçulma­
nos, com cabalistas e místicos de todas as tendências.
Criaram um sincretismo espiritual com base em mo­
delos de culturas ancestrais, tanto orientais quanto oci­
dentais, mediante a inclusão, em seus rituais, de divin­
dades diversas”.5

Os cavaleiros templários foram uma protomaçonaria,


pois possuíam as mesmas crenças e lutavam pelos mes­
mos ideais abraçados pela maçonaria desde que surgiu.
Ordem riquíssima e de importante influência na história
medieval, os templários possuíam profundas raízes esoté­
ricas, tendo em seu corpo de doutrinas os mesmos prin­
cípios do atual movimento Nova Era.
18 N ova Era

Foram extintos por razões políticas, pois seu poder es­


tava sobrepujando o do rei francês Felipe IV, que devia
uma quantia volumosa à Ordem dos Cavaleiros Templá­
rios. Felipe IV conseguiu armar um complô juntamente
com o Papa Clemente V, que era um fantoche nas mãos
do rei, e condenar os templários por heresia, executando
dois grão-mestres e extinguindo provisoriamente a ordem.
No primeiro milênio da era cristã nasce um movimento
filosófico hoje completamente aceito e respeitado pelos
aquarianos de todas as linhas — o movimento gnóstico.
E provável que os próprios apóstolos tenham tido proble­
mas com os gnósticos, que tentavam distorcer os ensina­
mentos apostólicos e associá-los à filosofia grega e orien­
tal. Foi provavelmente sobre esse movimento que João se
referiu quando disse que o espírito do anticristo já estava
agindo no mundo em sua época (1 Jo 4.3).
Entre as difíceis definições do gnosticismo encontra­
mos a de Hans Jonas, importante expoente contemporâneo
da história das religiões, que deixa bem claro como a gnose
é significativa para a Nova Era.
“O gnosticismo é um fenômeno religioso geral do
mundo helenista e é o produto da fusão entre a cul­
tura grega e a religião oriental.”6

Visto que a ideologia da Nova Era é um sincretismo


de crenças religiosas e pensamentos filosóficos, encontra
importante representação de suas ideologias no movimento
gnóstico, pois ambos são o encontro de várias linhas de
pensamento — reúnem os mesmos elementos filosófico-
religiosos. Ambos são regidos pelo mesmo espírito, como
afirmou João — o espírito do anticristo.
Embora alguns estudiosos afirmem que o movimento
gnóstico é apenas a helenização do cristianismo, uma aná­
lise mais acurada nos leva a concluir que a gnose com­
preende, além de uma distorção do cristianismo, elemen­
tos da cabala judaica; do pensamento oriental, através do
zoroastrismo, que abarca matérias védicas provenientes do
hinduísmo primitivo; da astrologia babilónica; do esoterismo
egípcio; e do pensamento platônico.
0 P ano de F undo do M ovim ento Nova Era 19

Esse encontro de pensam entos no movimento gnós-


tico e seu desenvolvimento histórico até o movimento
Nova Era, leva-nos a concluir que os elementos que
compõem o atual pensamento Nova Era datam dos pri­
mórdios do pensam ento humano, e se harmonizam com
Platão, Confúcio, Buda, Zoroastro, Lao Tzé, os Vedas,
a Cabala. Na verdade, todas essas correntes de pensa­
mento decorrem do pecado e rebeldia do homem no
Éden; assim, o pano de fundo que estamos procurando
estabelecer ficaria incompleto, sem uma análise do con­
texto histórico espiritual.

2. CONTEXTO HISTÓRICO ESPIRITUAL

Quando compreendemos a existência do mundo espi­


ritual revelado na Bíblia, entendemos que nada na Histó­
ria acontece por acaso. Sabemos que há um mundo es­
piritual atuante, decorrente do conflito entre as forças do
bem e as forças do mal. A humanidade chegou ao estágio
em que está, sofrendo influências de estratégias inteligen­
temente armadas no mundo espiritual. Portanto, para com­
preendermos o momento em que vivemos e sua crucial
importância histórica não podemos nos limitar ao que nos
revela a história secular. Temos de ir além, mas não buscar
essas respostas em conjecturas, opiniões pessoais e elu­
cubrações humanas. Temos de nos fundamentar em fonte
segura, séria e de absoluta veracidade, a fim de não
enveredar-nos pelo caminho daqueles que, alegando pos­
suir “revelações” individuais, cometeram erros notórios e,
não reconhecendo tais erros, deram à luz seitas heréticas
e tornaram-se instrumentos nas mãos do enganador. E a
única fonte de absoluta autoridade sobre o mundo espi­
ritual é a Bíblia.
Passemos então ao histórico espiritual, revelado pela
Bíblia, desde o princípio do conflito entre o bem e o mal,
e de como esse conflito abarcou a história humana, fazendo
da criação o palco dessa dramática guerra e, do homem,
o objeto desse conflito.
20 Nova Era

A Bíblia revela o começo, meio e fim desse conflito,


delineando de m aneira magistral o cenário necessário
ao esclarecimento do momento em que vivemos. A his­
tória espiritual da hum anidade revela como cada peça
do quebra-cabeça Nova Era encaixa-se perfeitamente, for­
mando o quadro que a Bíblia descreve para os últimos
dias.

Raízes Históricas do Conflito Espiritual


O conflito espiritual que envolveu o homem no É-
den é muito antigo. Visto que esse conflito foi gerado
pelo tentador, devemos nos reportar à história de Sata­
nás, a fim de encontrarm os as raízes históricas desse
conflito.
Em Ezequiel 28.11-19, o profeta recebe um a revela­
ção para levantar uma lam entação sobre um rei — o rei
de Tiro. Porém o texto não se refere a um príncipe hu­
mano, mas sim a um príncipe celestial — um querubim
(v. 14).
O profeta, no resumo que fez da história de Satanás,
revela informações muito importantes sobre o caráter do
tentador e as raízes históricas do conflito espiritual que
envolveu a história humana.
1) Ele foi criado por Deus; é, portanto, criatura e não
criador: “no dia em que fostes criado”. (V. 13b.)
2) Deus o ungiu e lhe deu autoridade, mas com o ob­
jetivo de ele ser um servo: “Tli eras querubim ungido para
proteger, e te estabeleci”. (V. 14a — Rev. e Cor.)
3) Deus o criou perfeito, sábio e formoso: “Perfeito eras
nos teus caminhos” (v. 15a); “cheio de sabedoria e for­
mosura”. (V. 12b.)
4) Deus o colocou em seu jardim, o Éden: “Estavas
no Éden, jardim de Deus”. (V. 13a.)
5) É provável que Deus lhe deu a função de guardador
do seu jardim: “Tb eras querubim ungido para proteger”.
(V. 14a — Rev. e Cor.)
0 Pano de Fundo do M ovim ento Nova Era 21

6) Pedras preciosas o cobriam e instrumentos musicais


foram preparados para ele, provavelmente para que refle­
tisse a glória de Deus e para que prestasse louvor ao Se­
nhor: “Toda a pedra preciosa era a tua cobertura...: a obra
dos teus tambores e dos teus pífaros estava em ti; no dia
em que foste criado foram preparados”. (V. 13 — Rev. e
Cor. Ver também Ezequiel 26.13.)
7) Satanás corrompeu-se porque toda sua glória subiu-
lhe à cabeça: “Elevou-se o teu coração por causa da tua
formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu
resplendor”. (V. 17a.)
8) A sua corrupção levou-o à loucura de querer tomar
o trono de Deus: “Tu dizias no teu coração: Eu subirei
ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono...
Subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante
ao Altíssimo”. (Is 14.13a, 14.)
9) Ele instigou uma rebelião (o termo comércio no seu
significado original é “andar por aí”), o que parece sugerir
que ele andou entre os anjos para assegurar a fidelidade
deles ao seu programa de rebelião contra Deus: “Na mul­
tiplicação do teu comércio se encheu o teu interior de vio­
lência”. (V. 16a.)
10) Por causa do seu pecado ele caiu e foi expulso da
congregação de Deus: “Na multiplicação do teu comércio
se encheu o teu interior de violência, e pecaste; pelo que
te lançarei profanado fora do monte de Deus”. (V. 16. Ver
também Isaías 14.12 e João 3.8.)
11) A sua condenação é eterna, sem possibilidade de
reconciliação: “E nunca mais serás para sempre”. (V. 19b
— Rev. e Cor.)
Alguns estudiosos bíblicos julgam que essa primeira
parte da história de Satanás tenha ocorrido num espaço
de tempo dentro de Gênesis 1.1, quando a Terra sofreu
com a queda de Lúcifer e, por conseqüência, pode ter-se
tornado o caos descrito em Gênesis 1.2, conforme salienta
C. Scofield em seu comentário sobre Isaías 45.18: “Por­
que assim diz o Senhor que criou os céus, o único Deus,
que formou a terra, que a fez e a estabeleceu; que não
22 N ova Era

a fez para ser um caos, mas para ser habitada: Eu sou


o Senhor e não há outro”.
“Esta é uma das passagens bíblicas que sugerem a in­
terpretação do Divino Julgamento de Gênesis 1.1,2. Esta
interpretação defende que a terra foi criada perfeita. Após
um indefinido período de tempo, possivelmente em conexão
com o pecado de Satanás e sua rebeldia contra o
Todo-Poderoso, o juízo desencadeou-se sobre a terra e ela
ficou “sem forma e vazia”. Um outro intervalo indefinido
se passou depois que “o Espírito de Deus pairava por so­
bre as águas” (Gn 1.2) numa recriação da terra. Alguns
argumentos deste ponto de vista são:
“1) Apenas a terra, não o universo, ficou “sem forma
e vazia”.
“2) A superfície da terra está marcada pela catástrofe.
“3) A palavra traduzida “era” também poderia ser tra­
duzida para “tornou-se”, como ficou indicado acima —
“tomou-se sem forma e vazia”.
“4) A expressão hebraica para “sem fonna e vazia” (tohu
wabohu) é usada para descrever uma condição produzida
por julgamento divino em apenas mais dois textos, onde
as duas palavras foram usadas em conjunto (Is 34.11; Jr
4.23).
“5) Um julgamento divino assim pré-histórico lançaria
alguma luz sobre a queda de Satanás e o peculiar rela­
cionamento que parece ter com a terra.
“6) Esta interpretação dá lugar para um indeterminado
período de tempo entre a criação original e o julgamento
divino. Adão, criado depois dos acontecimentos de Gêne­
sis 1.1,2, foi o primeiro homem.”7
Assim, apesar de ter sido criado por Deus como um
anjo santo, Lúcifer, com o seu poder de escolher entre
o bem e o mal, escolheu o mal. O pecado irremediável
de seu coração o degenerou e tornou-o um ser comple­
tamente diferente daquele que Deus criou. Porém a sua
personalidade é melhor compreendida ao avaliarmos as
qualidades que tinha em vista do propósito para o qual
fora criado. Com sua queda ele deixou de ser Lúcifer (“Lu­
0 P ano de F undo do M ovim ento Nova Era 23

minoso”, “Brilhante” ou “Portador de luz”, conforme Isa-


ías 14.12)* e passou a ser Satanás (“Adversário”). Deixou
de utilizar a sua enorme capacidade para o bem e passou
a utilizá-la, bem como o seu grande poder e sabedoria,
para o mal, em proveito próprio. Uma vez corrompido,
ele passa a ser descrito como mentiroso (Jo 8.44); enga­
nador (2 Co 11.3); ladrão (Jo 10.10); homicida (Jo 8.44;
10.10); armador de ciladas (Ef 6.11); tentador (Mc 1.13);
obstinado em sua maldade (Lc 4.13); deturpador da Pa­
lavra de Deus (Mt 4.6); acusador (Ap 12.10); e todos os
atributos malignos que podem-se acumular num ser (1 Jo
3.8).
Efeitos do Conflito Espiritual na História Humana
Como “adversário” o objetivo de Satanás é colocar-se
contra os propósitos de Deus. Mas, como não pode opor-
se diretamente ao Senhor Deus todo-poderoso, seu alvo
é o objeto do amor de Deus, o homem (Jo 3.16), tentando
fazer dele instrumento de oposição a Deus.
Suas razões, no entanto, em atacar o homem, em de­
sejar destruí-lo não param aí. Notemos que Deus criou
o homem e colocou-o no Éden, dando-lhe a função de
protetor do jardim (Gn 2.15). Imagino que foi grande a
ira de Satanás, acendida por sua inveja e ciúme, ao ver-se
substituído, e a sua glória transferida a outro ser criado.
A partir daí, vemos Satanás tentando penetrar na vida do
homem com o intuito de destruí-lo.
A primeira investida de Satanás contra o homem ob­
teve o resultado desejado. Em Gênesis 3 ele se apresentou
a Eva com sutileza e com muita astúcia, e fez-lhe uma pro­
posta. Como Satanás não podia obrigá-la a pecar, pois o
homem possuía liberdade de opção, lançou mão de uma
proposta — uma proposta atrativa o suficiente para o ho­

*Em seu livro Tèologia Sistemática (Imprensa Batista Regular, pág.


367), Chafer afirma que o vocábulo utilizado para “Lúcifer” significa “lu­
minoso” ou "brilhante”. Támbém o Novo Dicionário da Bíblia (Edições
Vida Nova. Vol. II, pág. 967), diz que em Isaías 14.12 "Lúcifer” aparece
como tradução do vocábulo hêlêl (brilhante), com a observação de que
a Septuaginta traduz por heõsphoros (portador de luz).'lulil
24 Nova E r a

mem virar as costas ao Deus de bondade, misericórdia e


amor. Foi uma proposta bem própria do caráter infiel e
amotinado de Satanás.
“Porque Deus sabe que no dia em que dele co­
merdes (do fruto da árvore do conhecimento do bem
e do mal) se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis
conhecedores do bem e do mal.” (Gn 3.5.)
A utopia de querer tomar o lugar de Deus invadiu o
coração do homem tanto quanto transbordou do coração
de Lúcifer. 0 homem embebeu-se do veneno que jorrou
da taça de Satanás e rebelou-se contra Deus. Desobede­
cendo a orientação divina, entregou-se ao pecado. En­
quanto imaginava que seria Deus, entorpecido pelo veneno
da antiga serpente, tomou-se escravo de Satanás, subju­
gado pelo pecado. (Rm 6.16.)
O pecado fez com que a justiça de Deus exigisse se­
paração entre o homem impuro e corrompido e o Deus
puro e santo, doador da vida (Is 59.2). Deus, então, pro­
nunciou a sentença da condenação do homem: a morte.
(Ez 18.20a.)
A criação, que estava sujeita ao homem (SI 115.16), teve
de curvar-se perante aquele a quem o homem submetera-se
(Rm 8.20,21), tornando-se vítima e, ao mesmo tempo, palco
da trama diabólica. E até difícil compreender a dimensão
do significado dos abrolhos e cardos que a terra passou
a produzir por causa da maldição que recaiu sobre ela.
(Gn 3.17b, 18.)
Porém, diante dessa fatalidade, enquanto Satanás pen­
sava que tudo estava perdido para o homem, e toda a pá­
tria celeste aguardava em expectativa o fatídico fim hu­
mano, o próprio Deus insurge como Guerreiro salvador!
Enquanto a sua justiça condenava o homem à morte, o
seu divino amor exigia o resgate humano. E era dado no
céu o veredito: o próprio Filho guerrearia cara a cara com
Satanás para resgatar o homem (Gn 3.15).
Estava armada a trama que permearia toda a história
da existência humana.
E a partir daí, vê-se Satanás trabalhando incansavel­
O Pano de F undo do M ovim ento Nova Era 25

mente contra o homem — ele próprio em pessoa ou atra­


vés de seus mensageiros (2 Co 12.7), ao longo de toda
a história da humanidade.

O Futuro do Conflito Espiritual*


Ao revelar os objetivos de Satanás de desferir seu golpe
final nos últimos dias, a Bíblia traça o futuro do conflito
espiritual. Ela traz claramente expresso que esse conflito
desencadeará acontecimentos que o definirá de uma vez
por todas.
Satanás não trabalha de maneira desordenada na ten­
tativa de alcançar os seus objetivos. Ele desenvolveu um
plano que tem seguido através dos séculos. Esse plano,
elaborado pelo sábio e perigoso adversário, é-nos revelado
pela Bíblia, quando descreve os acontecimentos finais.
Entrará em cena, no auge do seu plano maligno, uma
personagem principal — o anticristo, o homem do pecado,
que L. S. Chafer descreve como sendo “a obra-prima e
personificação final de Satanás”.8 Os acontecimentos ma­
nipulados por Satanás para estabelecer o poder do anti­
cristo são os seguintes:
1) As nações se unirão em tom o da paz (1 Ti 5.3).
Essa situação naturalmente criará espaço político para
um herói que lute pela paz. O homem do pecado (o an­
ticristo) surgirá tendo “aparência de piedade” (2 Tm 3.5
— Rev. e Cor.) e chegará a promover a guerra em prol
da paz, até que a alcancem e digam que há paz e segu­
rança (1 'K 5.3). Ele prosperará em todo o seu empreen­
dimento e deterá todo poder, e toda a terra o seguirá
(Ap 13.3).

*E verdade que este assunto é bastante controverso entre os estudio­


sos da Bíblia. Existem várias posições que sustentam visões diferentes
desta sobre o futuro do conflito espiritual. Creio porém que, como servo
de Deus, devo apresentar os argumentos que levam-me a crer nesta po­
sição e suas respectivas passagens bíblicas, por considerar de grande im­
portância tal tema, frente aos acontecimentos contemporâneos que, ilu­
minados por uma visão escatológica séria e coerente, revelam-se verdadeiros
sinais dos tempos. Com isto, não coloco em desprezo qualquer outra po­
sição. Entendo que o leitor deve analisar tudo à luz da Bíblia e ficar com
a posição mais fiel às Sagradas Escrituras. (N.A.)
26 N ova Era

2) A unificação das nações em tom o de um único go­


verno.
Surgirá daí a necessidade de um líder mundial que go­
verne o mundo unificado, là l govemo será, obviamente,
entregue ao anticristo (Ap 13.7).
3) Um grande desenvolvimento na ciência nos últimos
dias (Dn 12.4).
O desenvolvimento de um sistema tecnológico que per­
mita a comunicação rápida em todo o mundo, propagará
mundialmente a ideologia do anticristo, o que tom ará pos­
sível, na prática, um govemo mundial, detendo o controle
de tudo.
4) A mistificação do homem nos últimos dias, com
conseqüente apostasia (1 Thi 4.1).
Satanás fará com que a humanidade deposite confiança
no homem do pecado não apenas no caráter de bom go­
vernante, mas sobretudo como líder espiritual, que leve
todos ao engano (2 Ti 2.9-11). Ele será um místico (Dn
8.23 — Rev. e Cor.) e terá todo poder de Satanás para
operar “sinais e prodígios da mentira” (2 Ti 2.9), o que,
aliado à sua “aparência de piedade”, fará dele uma figura
bastante carismática (Ap 13.3-6). A previsão de apostasia
indica também que grande parte da igreja se envolverá
com a ideologia do espírito do anticristo, tomando-se uma
igreja apóstata e cheia de falsos profetas, enquanto a outra
parte da igreja se tornará lutadora, fiel e sofredora (Mt
24.10-14).
5) Um movimento filosófico-religioso que influencie o
homem a abandonar os princípios morais e éticos da Pa­
lavra de Deus (Mt 24.11,12).
Quando o anticristo se levantar contra Deus e contra
os seus princípios (2 2.4), levará todos a adorá-lo e tam­
bém a Satanás, elevando-se a si mesmo como se fosse Deus
(Ap 13.4,5). O abandono dos princípios morais e éticos
da Palavra de Deus será essencial para que a humanidade
aceite a adoração satânica.
6) Restauração do templo e do culto judeu e seus rituais.
Esse acontecimento contribuirá para convencer os ju­
deus de que o anticristo é o esperado Messias de Israel.
0 P ano de Fundo- do M ovim ento Nova Era 27

Isso contribuirá bastante para a unificação religiosa entre


a humanidade. Porém, tal aliança com os judeus durará
apenas três anos e meio. Ao final desse período, ele que­
brará a aliança firmada com os judeus. Então “começará
a abominação da desolação” que durará outros três anos
e meio (Mt 24.15; Dn 9.27; 12.11), completando o total
de sete anos de atuação do anticristo, quando haverá uma
grande perseguição aos judeus que se converterem.
A essa altura, o antigo propósito de Satanás de tomar
o lugar de Deus como soberano, parecerá ter-se concre­
tizado. Mas é aí que virá a grande derrota e condenação;
tanto para ele, como para os seus anjos e todos que não
creram na Palavra de Deus (Mt 24.29-35; 25.31-46; 2 Ts
2.8; Ap 19.11-21; 20.1-6).
Agora, de posse dessas importantes informações que
formam a estrutura espiritual da Nova Era, poderemos
analisá-la à luz da Bíblia. Tànto na ideologia quanto na
prática, esse movimento vem cumprindo as profecias bí­
blicas, harmonizando-se com os planos e objetivos de Sa­
tanás em sua estratégia de batalha para os últimos dias.
Os acontecimentos mundiais vêm sendo visivelmente ma­
nipulados por propostas do pensamento Nova Era, em pleno
acordo com esses objetivos satânicos.
Se nos pesa o coração antever toda essa tragédia hu­
mana, alegra-nos o zelo do Senhor por nós, ao nos revelar
antecipadamente todas essas coisas, para que não sejamos
enganados.
“Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando
grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os
próprios eleitos. Vede que vo-lo tenho predito.” (Mt
24.24,25.)

E necessário, pois, que estejamos bem fundamentados


na Palavra de Deus, para não sermos abalados pelo forte
engano corrente em nossos dias.
AIDEOLOGIA
DO MOVIMENTO NOVA ERA
O movimento Nova Era não tem data de fundação e
nem fundador. O mesmo acontece com a formulação da
sua ideologia — reúne em seu corpo doutrinário preceitos
de várias religiões. O leque doutrinário e os princípios do
movimento podem ser considerados o extrato das menti­
ras diabólicas propagadas entre as milhares de crenças es­
palhadas pelo mundo através dos séculos. O número des­
sas crenças é tão grande, tantas são suas contradições, que
parece impossível qualquer tipo de acordo entre elas. Po­
rém, levando-se em consideração que o autor de todas
elas é Satanás, aliado à natureza corrompida e pecami­
nosa do homem, logo todas têm origem comum. Assim,
o próprio Satanás sabe como resumi-las, como direcioná-
las num mesmo sentido, uma mesma direção. Para tanto,
ele procurou formular um corpo de doutrinas de acordo
com as filosofias mais antigas que formam os principais
troncos religiosos.
Enganam-se, porém, aqueles que acham que a doutrina
da Nova Era é idêntica em todos os seus segmentos. Os
vários pensadores dos segmentos que compõem o movi-
30 Nova Era

mento têm pontos discordes entre si. São variações resul­


tantes da miscelânea de que se origina a sua ideologia.
Contudo, conseguem deixar suas diferenças de lado, em
busca de objetvos afins, devido à linha básica comum de
pensamento que os une.
Esse tipo de acordo permite que a ideologia da Nova
Era penetre em todas as camadas sociais, nos diversos se­
tores da sociedade. É essa linha ideológica básica que tem
direcionado homens importantes, de papéis significativos
no mundo, dando à atual história humana os rumos que
Satanás deseja.
Daí a importância de nos atermos à linha ideológica
básica do movimento, visto ser impossível tentar retratar
cada segmento, dada a sua multiplicidade.
Portanto, traçando essa linha básica teremos o pensa­
mento central de todos os segmentos, o que nos permitirá
identificar qualquer um deles com que nos depararmos
no dia-a-dia.

1. DOUTRINAS DA NOVA ERA

Deus
Este é o ponto principal do pensamento Nova Era. Todo
o seu corpo doutrinário gira em tom o do eixo da sua dou­
trina sobre Deus.
O seu conceito de divindade é resgatado dos antigos
conceitos orientais, que refutam a idéia de um Deus pes­
soal, detentor de atributos pessoais. Deus não está sentado
em seu trono como Rei soberano regendo todas as coisas;
é apenas uma energia universal de onde derivam todas
as coisas.
Como explicou Helena R Blavatsky (já falecida), influente
pensadora da Nova Era, em entrevista a um inquiridor:
— Vocês acreditam em Deus?
— Depende do que você quer dizer com o termo.
— Refiro-me ao Deus dos cristãos, o Pai de Jesus
e o Criador; o Deus bíblico de Moisés.
A Ideologia do M ovim ento N ova Era 31

— Nesse Deus nós não acreditamos. Refutamos a


idéia de um Deus pessoal, extracósmico e antropo­
mórfico, que é apenas a gigantesca sombra de homem
e não do homem em seu melhor aspecto. Dizemos —
e provamos — que o Deus da teologia é uma porção
de contradições e uma impossibilidade lógica. Destarte,
nenhuma relação temos com ele.
— Então vocês são ateus?
— Que saibamos, não; a menos que o epíteto de
ateu deva ser aplicado àqueles que não acreditam num
Deus antropomórfico. Acreditamos num Princípio Di­
vino Universal, a raiz de tudo, de onde tudo procede
e para onde tudo será absorvido no final do grande
ciclo do Ser.1

Essa rejeição ao Deus pessoal e verdadeiro se deve ao


fato de a ideologia da Nova Era ser essencialmente pan-
teísta, isto é, crer que Deus é tudo e que tudo é Deus.
Para eles Deus é apenas uma energia que, por vezes, de­
nominam de Absoluto.
Como energia absoluta, então a divindade compreende
todas as forças existentes, inclusive todos os opostos, como
bem e mal, masculino e feminino, etc. Dentro dessa visão,
o Absoluto emana a sua luz divina, que é a criação, atra­
vés da união de seus pólos opostos. Por isso, crêem que
cada partícula de matéria é divina, é Deus, pois emite luz,
e possui em si todas as informações do Universo, sendo
partes do Todo-Absoluto.
Em suma, acreditam que tudo o que existe no universo
é Deus. Exemplificando, dentro dessa visão, Deus é como
uma nuvem que passou por um fenômeno pluvial, choveu,
transformando-se em várias gotas d’água. Cada gota dessa
chuva é água, embora seja apenas uma parte de toda a
água que compunha a nuvem. Assim como a nuvem era
composta de partículas de H20 suspensas na atmosfera,
cada gota d’água continua sendo composta de H20.
Dessa mesma maneira, acreditam eles que cada coisa
que existe é constituída de essência divina, e Deus é o
Todo-Absoluto do qual todas as coisas são parte. Por isso
32 Nova E ra

Shirley McLaine afirma: “Reconheça todas as partes que


formam o todo, pois você é o criador”.2
Essa doutrina remonta às escrituras védicas na índia
e o Tào-Te Ching na China, que datam de centenas de
anos a. C. Segundo a filosofia expressa nessas escrituras,
cada uma das partes do todo deve evoluir e buscar níveis
mais elevados de sua consciência divina. Roberto Crema,
da Universidade Holística Internacional em Brasília, DF,
assim se expressou a esse respeito: “Deus dorme nos mi­
nerais, sente nos vegetais, sonha nos animais, e desperta
nos humanos”.3
Assim, apenas através de várias encarnações cada parte
pode evoluir e alcançar níveis mais elevados de consciên­
cia. Essa evolução pode chegar ao ponto de não neces­
sitar mais reencarnar, atingindo um estado evolutivo onde
se torna um espírito cósmico.
De acordo com esse pensamento ninguém inventa nada;
apenas descobre as informações divinas que estão dentro
de si, e assim vai adquirindo níveis mais elevados de cons­
ciência divina, o eu maior do qual todos fazem parte. Tàis
descobertas, que levam o ser a níveis superiores da cons­
ciência cósmica, podem ser adquiridas num processo de
várias encarnações. Pierre Weil faz uma citação de Maryse
Choisy, que expressa esse princípio.
“Na teoria da ida e volta, o espírito decide encarnar-
se e passa dos níveis mais sutis aos planos grosseiros.
Em conseqüência, a matéria não se aquieta enquanto
não volta à sua fonte divina primitiva. E a involução-
evolução, simbolizadas pelos dois triângulos que
compõem a estrela de Davi. Não era isso que ensinava
Platão, ao afirmai" que conhecer é iembrar-se? Ou então
quando Lamartine escrevia: “O homem é um deus de­
caído que se lembra dos céus”? Coitado, o homem tem
memória tão curta... Volta e meia é preciso lembrar-
lhe o que já sabe!”4

Como podemos ver, a reencarnação é ponto funda­


mental no pensamento Nova Era. Essa doutrina diabólica
afasta definitivamente da cruz de Cristo aqueles que nela
A Id eo lo g ia do M ovim ento N ova E ra 33

crêem, pois passam a crer que podem se salvar por inter­


médio do autoconhecimento, através de várias encarnações.
A Bíblia nega com veemência, do princípio ao fim, a
doutrina da reencarnação, através do plano da salvação
na cruz de Cristo.
“E, assim como aos homens está ordenado mor­
rerem uma só vez e, depois disto, o juízo, assim tam­
bém Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre
para tirar os pecados de muitos aparecerá segunda
vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação.”
(Hb 9.27,28.)

O homem passa por apenas uma encarnação, e no de­


correr dela não pode salvar a si mesmo; precisa do sacri­
fício perfeito de Jesus Cristo na cruz do Calvário. A cruz
de Cristo é a maior prova de que a reencarnação não existe.
Enquanto não existem provas palpáveis de que ocorre a
reencarnação, a cruz de Cristo tem lugar no tempo e no
espaço — é fato — aconteceu em determinado tempo e
lugar. E prova real, histórica e inegável. Seu plano reden­
tor salvífico é indiscutível. Foi vaticinado pelos profetas
desde a queda do homem, documentado nos registros do
Antigo Testamento e confirmado pelos apóstolos nos do­
cumentos neotestamentários.
No entanto, o homem acha mais fácil crer na fábula
diabólica da reencarnação, ensinada por demônios atra­
vés da boca de médiuns possessos, sensitivos e moderna­
mente chamados cha m eis (seres humanos que são “ca­
nais de espíritos”). Crer na cruz de Cristo significa
abandonar a antiga utopia de ser igual a Deus. Significa
abandonar o “trono” e curvar-se diante de Jesus Cristo
numa atitude como a de Tomé, confessando-o como Se­
nhor e Deus (Jo 20.28). Por isso o coração do homem,
ainda intoxicado pelo veneno da antiga serpente, prefere
dar as costas ao Deus verdadeiro e soberano, negando-lhe
a existência e preferindo crer numa divindade caótica como
a humanidade e toda a criação, onde o deus-homem se
debate no desespero de encontrar razão para a existência,
e a deusa Gaia (terra) se autodestrói em catástrofes cada
34 Nova Era

vez mais freqüentes. Nunca antes teve-se notícia de tantos


terremotos, furacões, maremotos, etc. O apóstolo Paulo
diz que tais homens serão indesculpáveis diante de Deus.
“A ira de Deus se revela do céu contra toda im­
piedade e perversão dos homens que detém a verdade
pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode co­
nhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes ma­
nifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim
o seu eterno poder como também a sua própria divin­
dade, claramente se reconhecem, desde o princípio do
mundo, sendo percebidos por meio das cousas que
foram criadas. Tkis homens são por isso indesculpá­
veis; porquanto, tendo conhecimento de Deus não o
glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes
se tom aram nulos em seus próprios raciocínios,
obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-
se por sábios, tomaram-se loucos, e mudaram a glória
do Deus incorruptível em semelhança da imagem de
homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes
e répteis. Por isso Deus entregou tais homens à imun­
dícia, pelas concupiscências de seus próprios corações,
para desonrarem os seus corpos entre si; pois eles mu­
daram a verdade de Deus em mentira, adorando e ser­
vindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito
eternamente. Amém.” (Rm 1.18-25.)

O Homem
O homem é o centro de toda a doutrina da Nova Era.
Como acreditam que tudo o que existe é Deus, o homem
se tom a a expressão máxima de evolução divina na ter­
ceira dimensão, que é a dimensão física. Dentro desse con­
ceito o homem nada menos é do que deus. Embora al­
guns segmentos temam afirmar isso claramente, deixam
esse conceito subentendido, enquanto outros o defendem
abertamente.
Um bom exemplo disso é a tentativa, sem êxito, do
P e Lauro TVevisan, em justificar a doutrina homem-deus,
de forma a não assustar os seus leitores.
A Ideologia do M ovim ento Nova Era 35

“A consciência da sua própria consciência, produ­


zindo a consciência do seu próprio poder e de sua
dimensão superior, levando o homem a percorrer do
alpha ao ômega — na linguagem de Teilhard Chardin
— isto caracteriza a nova humanidade de aquárius.
“Pode-se dizer agora que não há nada no mundo
a não ser o homem; não há nada no homem a não
ser a mente; não há nada maior na mente a não ser
Deus.
“A compreensão da unidade Deus-homem ou homem-
Deus, não no sentido de que o homem seja Deus, mas
na significação de que no homem está Deus."5
Para clarear essa explicação de Trevisan, onde ele quer
dizer que não quis dizer o que disse, vamos ver um texto
mais coerente e claro, onde Helena P. Blavatsky, numa en­
trevista, afirma a idéia do homem-deus.
— Vocês acreditam que o homem é um deus?
— Por favor, diga Deus e não um deus. A nosso
ver, o homem é o único Deus que podemos conhecer.
E como poderia ser de outra forma? Nosso postulado
aceita como verdadeiro que Deus é um princípio uni­
versalmente difuso, infinito e, sendo assim, como po­
deria o homem sozinho escapar de ser embebido por
e na Deidade? Chamamos “Pai do céu” a essa essência
deífica que reconhecemos dentro de nós, em nosso
coração e em nossa consciência espiritual.6

Dessa maneira, acreditam que todas as forças existen­


tes no Universo estão dentro do homem e que, através
do poder da mente, o homem pode realizar qualquer mi­
lagre divino.
Assim como o homem possui o poder de realizar gran­
des milagres, também possui o poder de provocar grandes
catástrofes. Acreditam que, como ser divino, no homem
habita todo o bem e todo o mal do Universo. Por isso Eli-
zabeth Kubler-Ross afirmou que “há um Hitler dentro de
cada um de nós, e se admitirmos isso poderemos nos tor­
nar uma madre Tereza de Calcutá”.7
36 Nova Era

Mas as forças opostas no homem não se restringem, para


eles, ao bem e ao mal. Todo ser humano é igualmente mas­
culino e feminino; amor e ódio; cristo e demônio; positivo
e negativo; e todos os demais opostos existentes.
Dizem que a evolução do homem está rumando para
um equilíbrio entre todas essas forças opostas, pois é esse
equilíbrio entre os pólos opostos que fará com que a luz
divina possa se manifestar com plenitude no homem-deus.
A Nova Era será uma era de plenitude divina para a
humanidade, onde a luz do cristo que há dentro de cada
um se manifestará com intensidade. Tanto o cristo quanto
o demônio são níveis de consciência que o homem pode
atingir. Logo, o demônio não existe como entidade pes­
soal, mas como um estado de consciência. Da mesma forma,
cristo não é uma qualidade exclusiva de Jesus, mas tam­
bém um estado de consciência elevado que qualquer ser
pode alcançar através da evolução.
Dentro desse aspecto, afirmam que a divisão do nosso
cérebro em dois hemisférios (direito e esquerdo) faz grande
diferença para a nossa condição evolutiva, porque acre­
ditam que o lado esquerdo do cérebro é o que analisa,
abstrai, conta, marca o tempo, planeja, verbaliza. Tudo
com base na lógica. O lado esquerdo é o lado masculino
do ser. Já o lado direito, que compreende metáforas, usa
a intuição, cria idéias e sonha, é o lado feminino.
Para o homem tomar-se um ser evoluído tem de bus­
car o equilíbrio entre esses dois lados cerebrais. O ser hu­
mano precisa equilibrar raciocínio lógico e intuição; mas­
culino e feminino. Por essa razão apóiam plenamente as
práticas hetero e homossexuais. Defendem que, desde que
haja um “relacionamento saudável”, os “seres mais evolu­
ídos” devem possuir plena liberdade de relações amorosas
entre os sexos.
Esperam que esse tipo de comportamento afete com­
pletamente a sociedade da Nova Era, determinando um
novo paradigma social, um novo estilo de vida para a hu­
manidade. Esse novo paradigma deverá determinar o fim
do núcleo familiar e produzir uma condição de igualdade
absoluta entre os homens.
A Ideologia do M ovim ento N ova Era 37

Através da criação de comunidades e a eliminação do


núcleo familiar, a humanidade passará a possuir uma ati­
tude mais cooperativista e solidária entre todos, pois a ins­
tituição familiar individualiza o ser e cria o egoísmo, a in­
veja, o ciúme, e a possessividade. A instituição familiar faz
com que o homem trabalhe para reunir bens para a sua
descendência e não para a posteridade comunitária, criando
assim os conflitos, competições, ciúmes e egoísmos que
corroem o bom relacionamento social. A solução está, pois,
em eliminar o núcleo familiar e instituir a vida comunitária.
Atualmente já existem algumas comunidades espalha­
das pelo mundo que estão vivenciando essas idéias, como
relata Pierre Weil em seu livro Sementes Para Uma Nova
Era.
“Em certas comunidades existe uma liberdade to­
tal de relações amorosas entre os sexos. Existe, por
exemplo, na Alemanha, um movimento comunitário
chamado “Action Analysis Comune” que exigiu em fi­
losofia de vida a eliminação total do núcleo familiar.
Consideram a relação de duas pessoas no núcleo fa­
miliar, à luz da experiência coletiva, como uma ver­
dadeira doença. Muito influenciada pelas idéias de
Reich, a comunidade considera o núcleo familiar como
oriundo de uma necessidade materialista de assegurar
a posse da propriedade privada. A comunidade existe
para satisfazer as necessidades materiais e existenciais
dos seus membros. Há nela um respeito muito grande
pela vida. Por exemplo, o aborto é inconcebível nela.
A comunidade dá amparo à mãe durante a gestação
e assume a responsabilidade da criação dos filhos.
Rajneesh preconiza também um sistema desta natureza
e afirma que é muito mais saudável para uma criança
ter vários modelos de adultos com que identificar e
escolher o seu próprio comportamento, do que ape­
nas dois, sobretudo quando estes modelos são inde­
sejáveis do ponto de vista humano. Cari Rogers tam­
bém questiona bastante o atual modelo familiar. As
experiências atuais de “casamento aberto” constituem
38 N ova Era

tamoém uma reação aos aspectos penosos de certo


modo de vida familiar”8

Isso tudo vem em cumprimento da profecia do após­


tolo Paulo, onde ele afirmou que nos últimos dias sobre­
viriam tempos difíceis porque o homem seria amante de
si mesmo (2 Tm 3.1-5). E qual maior manifestação que
homens amantes de si mesmos poderiam ter nos últimos
dias senão consideraram-se Deus?
O apóstolo prossegue no texto listando o paradigma
maligno que caracterizaria essa sociedade final citando a
avareza, a presunção, a soberba, a blasfêmia, a desobe­
diência aos pais, a ingratidão, a profanação, a falta de afeto
natural; onde o apóstolo poderia estar muito bem referindo-
se à fuga das relações conjugais, que é o afeto natural para
o qual o homem foi criado (Mt 19.8), e a prática homos­
sexual, que significa mudar o uso natural da criação hu­
mana de relação entre homem e mulher para unir-se ho­
mem com homem e mulher com mulher, lais pessoas,
segundo o apóstolo, receberiam a recompensa por seu pe­
cado em seus próprios corpos (Rm 1.26,27). Paulo prevê
sofrimento físico resultante de tais práticas homossexuais.
O apóstolo segue a sua listagem com a irreconciliação,
a calúnia, a incontinência, que significa falta de moderação
na sensualidade, a crueldade, a falta de amor para com
os bons, a traição, a obstinação, o orgulho; homens mais
amigos dos prazeres que amigos de Deus.
Paulo encerra dizendo que tais homens ainda teriam
aparência de piedade! No grego, a palavra piedade é “eu-
sebeia”, usada como fruto do desenvolvimento espiritual,
corno “verdadeira religião”.
E incrível como toda essa doutrina demoníaca da Nova
Era, que leva o homem aos mais baixos níveis morais, ainda
consegue ser anunciada e aceita como desenvolvimento
espiritual.
Resta aos que são nascidos de novo, que possuem um
compromisso sincero com o evangelho de Jesus Cristo,
o conselho de Paulo ao findar a sua listagem: “Foge tam­
bém destes.” (V. 5.)
A Ideologia do M ovim ento Nova Era 39

Nada temos com esse novo paradigma social. Nosso


comportamento deve ser irrepreensível e sincero, de “filhos
de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida
e corrupta”, na qual resplandecemos como “luzeiros no
mundo”. (Fp 2.15.)
Os Extraterrestres
A ufologia também é uma questão importante no que
diz respeito ao movimento Nova Era.
Atualmente os estudiosos que se dedicam à questão
ufológica têm movido suas pesquisas baseados na filosofia
da energia divina evolutiva. Acreditando que as partes do
divino passam por um processo evolutivo, concluem que
os extraterrestres são partes da energia divina que estão
em outros estágios de evolução.
Alguns conceitos bastante complexos que envolvem a
ciência quântica têm sido desenvolvidos para tentar expli­
car a questão dos extraterrestres. Esses conceitos estão
profundamente associados aos princípios ideológicos da
Nova Era e, nesse ponto, ciência e misticismo se confun­
dem, pois as teorias científicas acabam indo ao encontro
das crenças místicas, fazendo com que se percam as noções
de limites entre elas.
Há uma indefinição muito grande quanto à natureza
dos seres cósmicos, se são extraterrestres, ultraterrestres,
ou os dois.
Os extraterrestres são seres que vivem em outros pla­
netas, localizados em outras galáxias. Entre esses seres
deve haver os que estão menos evoluídos que nós e os
que se encontram em estágios mais avançados. Essa evo­
lução dá-se em termos tecnológicos, onde podem existir
civilizações muito menos evoluídas que a nossa, ao mesmo
tempo que outras estão bem mais adiante, desenvolvendo
inclusive naves espaciais que lhes permitem realizar via­
gens intergaláticas, que ainda são um desafio para a nossa
tecnologia. No entanto, algumas civilizações altamente de­
senvolvidas tecnologicamente podem não o ser espiritual­
mente, acabando por serem civilizações nocivas para a so­
ciedade cósmica.
40 Nova Era

Já os ultraterrestres seriam seres de alto desenvolvi­


mento espiritual, muito evoluídos, que já viveram várias
encarnações neste e/ou em outros planetas e estão, agora,
no nível onde já não precisam mais encarnar. Esses seres
são considerados mestres cósmicos, que só se encarnam
se houver uma missão a ser realizada no mundo físico.
Esses seres se moveriam em outras dimensões, sem ne­
cessitarem qualquer aparato material.
A ciência tem chamado o mundo desses seres ultrater­
restres de mundo paralelo, ou seja, um mundo sobreposto
ao nosso em outra dimensão. Dessa maneira esses seres
poderiam se mover independentes de tempo e espaço. Se­
gundo acreditam, seres extraterrestres mais evoluídos que
nós já descobriram isso e desenvolvem a sua tecnologia
espacial em cima da “realidade" dos universos paralelos.
Isso permitirá que seres extraterrestres que vivem em pla­
netas localizados a milhares de anos-luz da Terra e que
levam um tempo incalculável para chegarem aqui, possam
vir em questão de segundos através do hiperespaço — um
tipo de túnel em outra dimensão, onde inexiste tempo e
espaço.
Um artigo da revista A no Zero exemplifica isso, citando
o filme de ficção científica Guerra nas Estrelas:
“Quando os heróis de Guerra nas Estrelas se vêem
encurralados pelos cruéis seguidores de Dart Vader,
se lançam no hiperespaço e desaparecem num túnel
de luz”.9

Aproveitando o exemplo do filme Guerra nas Estrelas,


vemos nesse filme que, ao mesmo tempo em que o herói
Luke Skywalker e seus companheiros eram seres de várias
origens planetárias, pertencentes a uma mesma dimensão,
havia mestres cósmicos que viviam em outra dimensão e
que eram os guias que o ajudavam no seu desenvolvimento
espiritual. O filme mostra que os mestres cósmicos que
ajudavam o herói, eram seres evoluídos que já tinham vi­
vido em encarnações na mesma dimensão que ele.
Toda essa ginástica de idéias fabulosas, que tenta ex­
plicar cientificamente a questão ufológica, que até hoje
A Ideologia do M ovim ento N ova Era 41

não possui qualquer base científica concreta, tem suas im­


plicações no mundo espiritual.
Em primeiro lugar, é importante notar que todas essas
abstrações da moderna ciência são desenvolvidas a partir
do único fato de objetos voadores não identificados (OV-
NIs) terem sido observados e até mesmo fotografados por
muitas testemunhas. Daí, qualquer elucubração humana
ou proposta explicativa diabólica pode encaixar-se ao fato
— como diz o ditado popular: “De noite todo gato é pardo.”
A ciência perde-se completamente diante da realidade
que envolve o fato da aparição desses fenômenos ufoló-
gicos. Mostra-se completamente incapaz de compreender
através das leis da física o que fazem as “naves espaciais”.
As aparições mostram tais “naves espaciais” fazerem
manobras em ângulo reto; não fazem curva para mudar
a trajetória. As manobras em ângulo reto só têm uma ex­
plicação aceitável: a ausência de massa.
A dedução a que somos obrigados a chegar pelas leis
da física, diante desse fato, é muito bem descrita pelo Pr.
José Benedito de Lira Neto, num estudo que desenvolveu
sobre ufologia:
“Qualquer veículo, ao mudar de direção, sofre o
efeito da força centrífuga, que tende a mantê-lo na di­
reção anterior. Essa força centrífuga é diretamente pro­
porcional à massa e ao quadrado da velocidade do apa­
relho. Ora, para que o veículo execute uma viagem
perpendicular, é necessário que a força centrífuga seja
nula e que a sua massa seja zero, pois a velocidade
dele, como se sabe, não o é. Uma coisa poderosa e
inteligente, cuja massa é zero, só pode pertencer ao
mundo espiritual.”10
As leis da física não são as únicas que dão respaldo
para deduzirmos que o fenômeno ufológico é de origem
espiritual. Entre os muitos testemunhos que podem escla­
recer esse fato, é bastante claro o do ocorrido durante a
Guerra dos Seis Dias, em 1967. Nessa guerra, Israel foi
atacado pelas nações árabes e encontrava-se em enorme
desvantagem militar. Mesmo assim, Israel abateu 400 aviões
42 Nova Era

egípcios e 600 tanques em pouquíssimo tempo. Soldados


egípcios se renderam diante de Israel por terem visto an­
jos com espadas desembainhadas ao lado de Israel. Ca­
nhões completamente novos, que a URSS havia fornecido
aos árabes, foram apreendidos sem ter sido dado qualquer
disparo. Nesse período, a NASA registrou a presença de
milhares de OVNIs sobre a região do conflito.11
Um último fato que precisamos levar em consideração
antes de uma conclusão final é o de que o testemunho
das pessoas que fazem qualquer contato direto com naves
espaciais e seres cósmicos é analisado, em grande parte
das vezes, em estado hipnótico, porque os pesquisadores
descobriram que os seres extraterrestres praticam a hip­
nose com as pessoas que com eles têm contato. A revista
Planeta descreve um desses casos.
“Um dos casos mais famosos é o de Bety e Bamey
Hill, casal norte-americano que, somente sob hipnose,
narrava um encontro imediato de terceiro grau, quando
teriam sido levados a bordo de uma espaçonave e sub­
metidos a detalhado exame médico por humanóides
extraterrestres...
“Sabemos que a hipnose é uma técnica altamente
vantajosa no sentido de desencadear e melhorar a ESP*,
dando alto resultado em testes controlados — por exem­
plo, em telepatia, visão à distância (clarividência) e pre-
cognição.
“Ao mesmo tempo, são inacreditavelmente fre­
qüentes na causuística ufológica as experiências em
que os referidos fenômenos parapsicológicos estão pre­
sentes, sendo mesmo a telepatia o meio usual de co­
municação com os UFO-operadores, segundo os con­
tatados.
“Certos indivíduos que viveram uma experiência ufo­
lógica marcante passaram a ter o que nós chamamos
“efeito residual”: após o incidente, entram em es-

*E SP — São as iniciais de Extrasensory Perception (Percepção Extra-


Sensorial), que se refere à capacidade de perceber sensações sobrenatu­
rais que o cérebro comum não consegue captar ou transmitir.
A Ideologia do M ovim ento N ova Era 43

tado de transe sonambúlico, de maneira espontânea


ou induzida, dando informações de teor variado, da­
dos técnicos, “planetas” de origem, nomes dos coman­
dantes de naves e mensagens místicas!’12

Um testemunho também muito esclarecedor a esse res­


peito é o da experiência de Eve Camey e suas duas filhas,
de uma visita que fizeram a uma nave espacial.
“Há muitos anos, em minha casa situada nos pro­
fundos bosques da Pensylvânia, minhas filhas e eu es­
távamos juntas em meditação, quando três Irmãos Es­
paciais apareceram no jardim em frente à casa.
Preferiram permanecer lá fora quando os convidei para
entrar, devido a sua diferença de altura em relação às
portas e tetos normais. Convidaram-nos a conhecer
sua nave, o que aceitamos com satisfação. Fixaram a
hora da visita para 8:00 horas do dia seguinte, dando-
nos instruções para relaxarmos em posição horizon­
tal, no piso, para que pudesse vir a escolta.
“Agradecidas, regressamos à casa. Minhas filhas p u ­
deram ver a nave sobre nós,j á que ambas têm o dom
perceptivo visual.
“Ao entardecer do dia seguinte relaxamos, como
combinado, e fizemos três experiências com meditações
diferentes. Abandonei m eu corpo e apoiei minhas mãos
sobre os braços de minhas escoltas, experimentando
uma emoção tremenda enquanto ascendíamos, a uma
velocidade incrível, à nave que nos esperava acima.
Imediatamente encontrei-me parada no aposento de
controle principal, frente a Athena, enquanto as lágri­
mas rolavam-me pela face. Chorando abraçamo-nos.
Athena (comandante mulher) começou a mostrar-me
vários mapas. Senti que uma de minhas filhas seguia
por um longo passadiço. Embora eu não tenha visto,
sabia que se encontrava em alguma outra parte da nave.
Caminhamos e passamos por uma parede transparente,
através da qual pude ver minha outra filha reclinada
sobre uma mesa de exame médico, com alguém junto
dela. Essas recordações são fragmentadas.
44 Nova Era

“Depois de alguns minutos, não mais de quinze,


estávamos de volta a nossa consciência e começamos
a comparar nossas experiências.”13

Luiz Gonzaga Scortecci, um dos mais respeitados ufo-


logistas do Brasil, vai mais adiante; chega a afirmar que
os contatos com extraterrestres são simplesmente manifes­
tações mediúnicas.
“O contato se faz de forma mediúnica e é mais fácil
do que se pode imaginar. Muitas das manifestações de
espiritismo ou da umbanda, por exemplo, poaem ser con­
tatos de terceiro grau com Ets, pois esta é a maneira
de eles se comunicarem no estágio atual da humanidade.
Antes, esses contatos eram feitos materialmente e mui­
tos deles estão registrados. Buda, Krishna, Gandi e Je­
sus Cristo, por exemplo, são seres cósmicos humanos,
em um estágio de alto desenvolvimento, e digo huma­
nos, porque a humanidade é uma só, tanto na terra como
em qualquer outro planeta, sistema solar ou galáxia, as­
sumindo formas físicas diferentes.”14
Se tais experiências são realizadas em estado de transe
hipnótico e através de mediunidade, como podemos dis­
tinguir o que é realmente físico e o que é espiritual numa
experiência de contato ufológico? Ora, uma pessoa em es­
tado de transe hipnótico pode ter qualquer coisa impressa
em sua mente, inclusive uma mentira diabólica. E se os
próprios pesquisadores não conseguem determinar a na­
tureza da experiência, não há como afastar a enorme pos­
sibilidade de que essa seja apenas mais uma ardilosa ma­
nipulação demoníaca sobre a frágil mente do homem
degenerado pelo pecado.
Diante dos fatos, somos obrigados a concluir que os
fenômenos ufológicos são atuações de seres espirituais,
mais provavelmente mensageiros de Satanás, pois, como
a Bíblia mesma adverte, são capazes de se transformarem
em anjos de luz (2 Co 11.14).
Esse fato tem suas implicações no mundo espiritual.
Como na filosofia da Nova Era existe o conceito de que
A Ideologia do M ovim ento N ova Era 45

há uma classe de seres muito evoluída, acreditam que es­


ses seres sejam mestres cósmicos que devam ser consul­
tados, pois podem ajudar o homem na sua evolução.
Esse tipo de crença é bastante antiga, embora hoje ve­
nha revestida de uma roupagem espacial. O Bhagavad-
Gita orienta os seus seguidores a cultuarem e se subme­
terem aos seres superiores, mais evoluídos:
“Descerá sobre vós a bênção dos seres superiores,
se os cultivardes; e a prosperidade que demandais vos
será dada como prêmio do culto que lhes prestardes.
“Aquele, porém, que goza os dons dos seres supe­
riores e prospera com seus favores, mas retém tudo
para si, sem nada restituir aos céus donde veio — esse
é ingrato e ladrão.”15

A cabala judaica também ensina a necessidade de con­


tato com seres mais evoluídos para se obter informações
necessárias à evolução humana, como demonstra Perle
Epsteins.
“Os indivíduos mais desenvolvidos espiritualmente,
dominados pelo nível intelectual da alma, sonharão
que estão no reino celestial, onde se comunicam com
seres desencarnados, a que chamam de “anjos”. A
função formadora de imagens, própria da natureza ani­
mal, transforma essas “jornadas” em sonhos, e assim
o indivíduo pode obter mensagens significativas da re­
gião celestial. Ele deve ser cuidadoso, pois a informação,
freqüentemente, está misturada a desejos subjetivos e
distorções resultantes de sua própria vida emocional.
Os sábios judeus, portanto, sempre preveniram que é
impossível a uma pessoa comum ter um sonho real­
mente profético sem uma considerável mistura de in­
formações inúteis.
“Os cabalistas que proferiram os nomes de Deus
e alteravam seus padrões de respiração, estavam fazendo
uso do terceiro degrau da escada da alma — a res­
piração que os ligava ao mundo espiritual. Ligando-se
mentalmente a um “ser espiritual” específico, o caba-
46 Nova Era

lista poderia ou elevar-se mais ainda (como Abulafia


ensinou), ou obter importantes informações sobre o
futuro. Essa segunda prática era perigosa, pois, com
freqüência, resultava em fazer contato com os shedim
— seres demoníacos — que alteravam e confundiam
a mente dos meditados. Ao longo desse caminho,
coloca-se o perigo da insanidade Por isso, a respiração,
ou terceiro nível da alma, era considerada uma espada
de dois gumes.” 16
Há muitas outras fontes que comprovam que o diabo
sempre procurou enganar o homem, levando-o a crer na
necessidade da prática antibíblica de consultas aos espí­
ritos. Especialistas que estudam fenômenos paranormais,
têm observado a prática de consultas a mestres cósmicos,
pelos adeptos do movimento Nova Era, e a têm denomi­
nado de channeling (que no inglês quer dizer “canalização”).
A realização da channeling consiste numa prática de
meditação onde a pessoa entra em transe hipnótico. Du­
rante esse exercício a mente do indivíduo que o pratica
sai do nível de ondas beta do cérebro, que é o estado de
vigília, e entra no nível de ondas alpha, um nível inferior,
onde a pessoa fica em estado de transe hipnótico. No es­
tado alpha, geralmente a pessoa visualiza um lugar muito
bonito, onde pode. tatear, sentir cheiro e ouvir sons pro­
venientes do local. Nessas circunstâncias, a pessoa pode
visualizar um ser que vem sempre revestido de muita luz,
que pode ser denominado mestre cósmico, anjo, ou sim­
plesmente ET. Esse ser, então, transmite mensagens à pes­
soa que está fazendo o contato e, muitas vezes, a leva a
passear em lugares distantes, até mesmo celestes, ou ainda,
a momentos do seu passado, nesta vida ou em “outras en­
carnações”.
O fato de esses ET^ serem espíritos revestidos de luz
não nos admira. Pelo contrário, essa “luz” e as mensagens
antibíblicas que transmitem, apenas revelam sua verdadeira
identidade, como nos advertiu o apóstolo Paulo: “Mas. ainda
que nós, ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evan­
gelho que vá além do que vos temos pregado, seja aná-
A Ideologia do M ovim ento Nova Era 47

tema” (G1 1.8); pois “não é de admirar, porque o próprio


Satanás se transforma em anjo de luz” (2 Co 11.14).
Postulam os adeptos do movimento que na Nova Era
a humanidade estabelecerá um relacionamento aberto com
os seres cósmicos. Ao alcançar um maior desenvolvimento
espiritual a humanidade viverá um verdadeiro regime “cos-
mocrático”, como preconiza TYevisan.
“A Nova Era ruma para a cosmocracia, que é um
passo além da democracia. O cosmo será a forma de
vida ideal, onde o indivíduo se sentirá um no todo.”17

Parte dos segmentos do movimento afirma que algu­


mas pessoas se negarão a sofrer a evolução necessária para
a instauração da Nova Ordem e que esses tais terão de
ser retirados daqui, como afirma Célia Labom e Tavares.
“Os que não assumirem o trabalho para o autoco-
nhecimento e aperfeiçoamento, deverão esperar por
outro ciclo de reconstrução em algum lugar do cos­
mos. A manifestação crística do nosso tempo é muito
acentuada e clara, e não há tempo a perder”18

Tkis pessoas “menos evoluídas” serão seqüestradas por


um enorme disco voador, e, levadas para outro lugar, pas­
sarão pela evolução necessária, afirmam alguns pensado­
res da Nova Era.
Aleluia! Até o diabo é obrigado a reconhecer a reali­
dade do arrebatamento da Igreja de Jesus Cristo! E o diabo
é obrigado a trabalhar de acordo com o fato de que o
arrebatamento ocorrerá. Caso contrário, após o arrebata­
mento muitas pessoas passariam a crer nas palavras pre­
gadas pelos cristãos, pois Satanás seria desmentido.
Embora alguns segmentos afirmem que serão levados
os seres menos evoluídos, outros afirmam que serão seres
escolhidos para passarem por um trabalho de evolução
maior, mas que já possuem certa evolução no plano da
Nova Era.
De qualquer forma, parece ponto pacífico a crença de
um arrebatamento ufológico de um grupo de pessoas. Er-
gom trata sobre isso no seu livro Projeto Evacuação M un­
48 Nova Era

dial, onde afirma que o capitão da nave que efetuará o


resgate chama-se Sananda, e que esse ta] Sananda foi co­
nhecido na terra como o mestre Jesus.19
Num ponto ele está certo: é o próprio Jesus quem vem
buscar a sua Igreja. Mas este Jesus não é um capitão in-
tergalático em alto estágio evolutivo. Este Jesus é o Ge­
neral dos exércitos, o Senhor dos senhores, em quem po­
demos seguramente esperar.
“Pois a nossa pátria está nos céus, de onde tam­
bém aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo,
o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para
ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia
do poder que ele tem de até subordinar a si todas as
cousas.” (Fp 3.20,21.)

Lúcifer
A idéia de evolução espiritual cria, automaticamente,
a idéia de uma cadeia evolutiva em diferentes graus de
desenvolvimento e conseqüente hierarquia dentro deles
— o que subentende que há alguém no topo dessa hie­
rarquia, ou um ser mais evoluído do que os demais, ou
pelo menos uma elite entre eles.
Neste ponto há uma questão pouco comentada nas li­
teraturas e palestras do Nova Era. Tàl questão, porém, é
de grande importância, pois revela o caráter maligno do
movimento — é o Fator Lúcifer.
É ponto básico no pensamento Nova Era a existência
de um ser superior a todos os outros em nível de evolução.
Alguns segmentos chamam abertamente esse ser de Lú­
cifer, outros utilizam outros nomes. Suas características
são as mesmas em todos os segmentos. Daí denominar
essa questão de Fator Lúcifer, já que existem tantos no­
mes para descrever um mesmo ser.
Durante o II Congresso Holístico Internacional, ocor­
rido em julho de 1991, em Belo Horizonte (MG), Carlos
Byngton afirmou que Lúcifer não é um ser maligno, pelo
contrário, seu próprio nome já declara que ele é um “ema-
nador de luz”. Segundo Carlos Byngton, o cristianismo
A Ideologia do M ovim ento Nova Era 49

cometeu um grande erro em atribuir caráter maligno a


Lúcifer.
A presença do Fator Lúcifer no movimento Nova Era
fica ainda mais patente ao estudarmos as entidades que
promovem a filosofia New Age, pois entre elas encontra­
mos a Lucis Thist (que quer dizer Confiança em Lúcifer).
Essa entidade foi fundada em 1922, com o nome Lúcifer
Publishing Company (Companhia de Publicações Lúcifer),
que foi mudado no ano seguinte para a então Lucis TYust.
Em 1987 essa organização já contava com seis mil mem­
bros ativos.20
J. Benitez, em seu livro A Rebelião de Lúcifer, sugere
que Lúcifer foi inocente e que, na realidade, ele é um mes­
tre cósmico bom, que deseja ajudar a humanidade.
O Fator Lúcifer também está presente nas obras de
TVigueirinho, líder de um movimento místico ufológico que
anuncia o despertar de uma nova era.
José TVigueirinho Netto é formado em psicologia e de­
senvolve o seu trabalho dentro da linha teosófica, adotando
os ensinamentos de Alice Bailey. Ele foi discipulado por
Paul Bournton que, por sua vez, cursou a Lucis Trust. TVi­
gueirinho fala sobre a hierarquia cósmica e cita a existên­
cia de um ser mais evoluído que todos os outros.

“Neste capítulo estamos utilizando novamente al­


gumas indicações de Djwhal Khul, atualizando o que
ele deixou escrito sobre Amuna Kur na época em que
este ainda era chamado Sanat Kumara. Amuna Kur
também foi conhecido anteriormente como o Senhor
do Mundo, o Jovem Eterno, o Ancião dos Dias, Mel-
quisedeque e Deus, tendo passado pelas etapas que
a Lei Divina apresenta a todo ser evoluído. (...)
“Amuna Kur tem hoje a consciência muito ampliada,
e controla a evolução das raças de superfície de todos os
planetas habitados que estão submetidos à Lei de Purifi­
cação, até que estes consigam, em estado divino,
transcendê-la. Assim, quando tivermos atingido esse ponto,
Amuna Kur se transferirá para outro planeta cuja raça de
superfície esteja ainda sob a Lei de Purificação.”21
50 Nova Era

Embora TYigueirinho afirme que esse ser mudou de


nome hoje e se chama Amuna Kut; desperta-me muito a
atenção o fato de o seu antigo nome cósmico ser Sanat
Kumara. Ora, se invertermos apenas duas letras do nome
Sanat, encontraremos o nome Satan: o ser a quem TVi-
gueirinho atribui o mérito de a humanidade vir a alcançar
uma nova era.
Para outro segmento, de ordem ufológica, o nome desse
ser é Ashtar, onde encontramos as mesmas descrições que
determinam o Fator Lúcifer. O absurdo é colocar esse ser
acima de Jesus na hierarquia cósmica, como descreve Er-
gom.
“Ashtar e aqueles que o servem são tão reais como
você e eu. Na Aliança da Confederação Intergalática,
o Comandante Ashtar é a mais alta autoridade para
o nosso hemisfério. Ele é o Comandante da Nave es­
trelar do nosso Amado Senhor e Grande Comandante
Jesus-Sananda para a maior parte de seu tempo. Ele
tem autoridade para aclarar qualquer canal e para in­
terromper ou tomar controle de qualquer comunicação,
de qualquer fonte, em qualquer momento, sobre nosso
planeta.”22
Esses exemplos deixam claro que Satanás é o mentor
e chefe maior do atual movimento Nova Era. Não é de
admirar que ele já esteja-se revelando através desse Fator
Lúcifer, pois a Bíblia diz que durante o governo do an-
ticristo todos serão levados a adorar Satanás (Ap 13.4).
Para que a humanidade chegue a ponto de adorar Satanás
será necessário que haja uma predisposição mental por
parte das pessoas; é o que vem fazendo o Fator Lúcifer
dentro da ideologia da Nova Era.

As Eras
A razão por que tem-se ouvido tanto sobre uma nova
era fundamenta-se na crença de que os ciclos divinos de
evolução são desenvolvidos através de diferentes eras as­
trológicas, cada uma com sua característica distinta.
A Ideologia do M ovim ento Nova Era 51

Acreditam que a humanidade evoluiu dentro das se­


guintes eras:
• Era de Touro: de 4304 a 2154 a. C.
• Era de Carneiro: de 2154 a 4 a. C.
• Era de Peixes: de 4 a. C. a 2146 d. C.
• Era de Aquário: 2146 a 4296 d. C.
Cada era compreende um período de 2.150 anos. Nem
todos os segmentos concordam com essas datas, mas são
unânimes na seqüência das eras: Touro — Carneiro — Pei­
xes — Aquário.
A Era de Touro é atribuída à antiga cultura egípcia,
que tinha a vaca como deusa da fertilidade e a pecuária
como principal cultura. Os astrólogos dizem que essa foi
a era em que a cultura egípcia se desenvolveu e foi o cen­
tro da civilização.
Com o final da Era de Touro, o domínio egípcio ces­
sou e deu lugar à de Carneiro, o signo que passou a do­
minar. Os astrólogos dizem que foi Israel que dominou
essa era, devido ao sacrifício do cordeiro, o ritual mais
marcante da religião de Israel, além da ovinocultura (criação
de ovelhas), sua principal cultura. Dizem que a fase de
transição entre as duas eras foi a saída de Israel do Egito,
e que os hebreus ainda tentaram preservar o poder de
Touro, quando fizeram o bezerro de ouro no deserto, mas
Moisés (avatar da Era de Carneiro) os repreendeu e inau­
gurou a Era de Carneiro. Afirmam que Jesus foi chamado
de “Cordeiro de Deus” (Jo 1.36) porque era filho do povo
dominante da Era de Carneiro.23
Jesus Cristo (avatar da Era de Peixes) teria, então, inau­
gurado essa era, dando evidência disso ao chamar os após­
tolos para serem pescadores de homens, fazendo alusão
à humanidade pisciana.
Por causa de Jesus Cristo, o povo dominante da Era de
Peixes seriam os cristãos. Para provar que o cristianismo é
o que domina a Era de Peixes, apegam-se ao fato de que
o mais antigo símbolo cristão é o peixe. Os cristãos primi­
tivos adotaram o peixe porque a palavra, no grego, formava
as iniciais da frase Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador (Peixe
— Ichthys — Iésous Christos Theou Hyos Sõter).
52 Nova Era

Jaap Huibers diz que, pelo fato de o peixe viver submerso


na escuridão das profundezas do mar, a Era de Peixes está
marcada pelas trevas, onde o homem busca mais o material
do que o espiritual. Um claro exemplo disso são as próprias
catedrais cristãs, sempre sombrias e luxuosas.24
Terminando a Era de Peixes surge a de Aquário. A-
quário é um signo regido pelo planeta Urano, que foi des­
coberto em 1781, coincidindo com a Revolução Francesa.
Por isso, dizem alguns que a palavra de ordem de Urano
é “liberdade, igualdade e fraternidade” (essa é também a
palavra de ordem na Maçonaria), que foi a palavra de or­
dem na Revolução Francesa. Palavra de ordem necessária
para que o planeta Terra possa se transformar numa al­
deia global, vivendo uma Nova Ordem Mundial, num re­
gime cosmocrático.
Urano, por sua vez, é um deus da mitologia grega, que
se casou com Gea (ou Gaia). Eles tiveram um filho cha­
mado Kronos, que foi expulso por Urano. Kronos vingou-
se do pai cortando-lhe os testículos e, assim, Urano dei­
xou de ser completamente homem, mas também não pas­
sou a ser completamente mulher. A interpretação que os
aquarianos dão para a história de Urano é a de que Urano
é o céu e Gea (Gaia) é a terra. A tragédia de Urano ter
perdido os testículos apenas veio estabelecer um equilí­
brio cósmico nas forças celestiais, marcando, desse modo,
a característica da Era de Aquário: um céu, parceiro da
mãe terra, estabelecendo um equilíbrio cósmico de todas
as energias.
Por fim, alegam que é a isso que se referiu João no
Apocalipse, quando falou de novo céu e nova terra (Ap
21.1). Ele teria se referido à nova era que Urano, o Ancião
dos Dias, derramaria sobre a humanidade, quando disse
que via a nova Jerusalém (Nova Era, segundo eles) des­
cendo do céu (Urano).
Nossa esperança não se fundamenta no deus inexistente
Urano (disfarce de Satanás), nem como deus nem como as­
tro regente de uma nova era. A mensagem do cristianismo
não se secará como as supostas águas de Peixes, pois são
palavras eternas, do Salvador eterno, Deus verdadeiro e Se­
A Ideologia do M ovim ento Nova Era 53

nhor de todos os tempos, de todas as eras, que merece toda


a glória e honra. Como declarou Judas, irmão de Tiago, ho­
mem de profunda visão do mundo espiritual:
“Ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus
Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e so­
berania, antes de todas as eras, e agora, e por todos
os séculos. Amém.” (Jd 25.)

Jesus Cristo
No pensamento Nova Era cristo não é qualidade re­
dentora exclusiva de Jesus. Acreditam que cristo é um ní­
vel evolutivo que qualquer um pode alcançar e que está
potencialmente dentro de cada ser existente.
Por isso, pregam que na Nova Era o homem atingirá
um estágio de alta evolução crística, e que é esse fator
que faz da Era de Aquário uma era de profunda harmonia
da humanidade cósmica.
Para eles Jesus foi apenas um dos muitos mestres cós­
micos que tiveram papel importante de auxílio no processo
evolutivo da humanidade. Jesus seria, nessa visão, um ser
de alto desenvolvimento crístico e por isso acabou sendo
conhecido como Jesus Cristo.
O papel de Jesus foi de muita importância para a hu­
manidade, pois, por se tratar de um ser de alta evolução,
foi escolhido para implantar a Era de Peixes, para ser o
seu avatar, como afirma TVevisan.
“Jesus inaugurou a Era de Peixes, mas anunciando
a Era de Aquário. Graças à semente lançada há dois
mil anos, hoje a humanidade chegou ao seu grande
momento. Foi o Mestre quem implantou as bases da
Nova Era.”25

Por essa razão, dificilmente chamam Jesus de Senhor,


pois o senhorio de Jesus finda com a Era de Peixes. Não
é de admirar, já visto que a Bíblia diz que ninguém pode
chamar Jesus de Senhor se não for pelo Espírito Santo
(1 Co 12.3).
Em um artigo da revista Destino, de abril de 1991, en-
54 N ova Era

contramos o ponto de vista dos aquarianos sobre o Se­


nhor Jesus Cristo face aos “novos tempos” trazidos pela
Era de Aquário.
“A passagem de Peixes para Aquário, do ponto de
vista da astrologia, é extremamente difícil, pois as ca­
racterísticas dos dois signos são bem diferentes. Peixes
é representado pelo espírito de sacrifício, da caridade.
Aquário aponta em outra direção. É o signo da ami­
zade, do companheirismo, da esperança e da criação
de um mundo novo.
“Com a mudança de Peixes para Aquário, dizem
os astrólogos, sai de cena também Jesus Cristo, o grande
avatar da era que termina, dando lugar ao patrono má­
ximo de Aquário, o mestre Saint Germain.”26

Lembremo-nos do que disse o apóstolo João:


“Quem é o mentiroso senão aquele que nega que
Jesus é Cristo? Este é o anticristo, o q u t nega o Pai
e o Filho.” (1 Jo 2.22.)

É exatamente o que faz a Nova Era: nega o Pai e o


Filho. Segundo o apóstolo João, essa doutrina não é ape­
nas diabólica, mas a própria doutrina do anticristo, pois
nega a existência do Pai como um Deus pessoal e único,
e também nega a glória e a majestade do Filho.
Mas, de acordo com as Sagradas Escrituras, Jesus é
o Rei único e soberano.
"... Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome
que está acima de todo nome, para que ao nome de
Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e de­
baixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo
é Senhor, para glória de Deus Pai.” (Fp 2.9-11.)

Pois, “Jesus Cristo ontem e hoje é o mesmo, e o será


para sempre” (Hb 13.8).

O Avatar
Os adeptos da Nova Era esperam por um tipo de mes­
sias — avatar — que coloque ordem no mundo e estabe-
A Ideologia do M ovim ento N ova Era 55

leça a paz. Acreditam que cada era possui o seu avatar


e que para a Era de Aquário também se levantará uma
espécie de messias.
Os segmentos da Nova Era usam nomes diferentes para
designar o avatar; os mais correntes são Saint Germain
e Lord Maitreya. No entanto, crêem unanimente na vinda
desse avatar, e esperam que essa personagem unifique todo
o mundo debaixo de um único governo e estabeleça a paz
para a humanidade.
Worls Goodwill, um destacado adepto da Nova Era,
diz o seguinte sobre o avatar.
“Este é um tipo de preparação não apenas para
uma nova civilização e cultura numa Nova Ordem Mun­
dial, mas também para a vinda de uma nova dispen-
sação espiritual. A humanidade não está seguindo um
curso não planejado. Há um plano divino no cosmos
do qual somos parte. No fim de uma era os recursos
humanos e instituições estabelecidas parecem inade­
quados para suprirem as necessidades e resolverem
os problemas do mundo. Em tal tempo, a vinda de
um Mestre, um líder ou avatar espiritual, é antecipada
e invocada pelas massas da humanidade em todas as
partes do mundo. Hoje o reaparecimento do Instrutor
do mundo — o Ungido — é esperado por milhões,
não só por aqueles da fé cristã, mas por aqueles de
todas as fés que esperam o avatar, debaixo dos nomes:
Senhor Maitreya, Krishna, Messias, Iman Mahdi e o
Bodhisattva... A preparação por homens e mulheres
de boa vontade é necessária para introduzir novos va­
lores; novos padrões de comportamento, novas atitu­
des de não separação e cooperação, guiando as retas
relações humanas a uma paz mundial. O Instrutor mun­
dial vindouro estará principalmente preocupado, não
com o resultado ou erros passados e insuficiências,
mas com as necessidades de uma Nova Ordem Mun­
dial e com a organização da estrutura social.”27
Esse líder mundial surge de forma a satisfazer as re­
ligiões, pois ele é apresentado como o “esperado” de to-
56 Nova Era

das elas. Naturalmente o homem sabe que precisa de um


salvador, e é ponto comum nas diversas religiões seus se­
guidores acreditarem na vinda de um salvador. A Nova Era
explica que, na realidade, todos esses esperados salvado­
res são um mesmo ser, com nomes diferentes — o Mai-
treya de alguns místicos é o mesmo Saint Germain de ou­
tros, que por sua vez é o Messias dos judeus, o quinto
Buda dos budistas, o Iman Mahdi dos muçulmanos, o Kri-
shna dos hindus, e também o Cristo dos cristãos. Todos,
“mestres-salvadores” para as suas respectivas religiões, es­
perados por seus seguidores.
Com relação ao Cristo dos cristãos eles fazem uma im­
portante distinção entre Jesus e o Cristo que voltará. Ben-
jamin Creme, que afirma ser o porta-voz do Maitreya, ex­
plica essa distinção dizendo que Jesus é um discípulo de
Maitreya. Assim, Jesus teve o seu momento de Cristo mas
já não o é mais.
Foi realizada em Londres, nos dias 21 e 22 de abril
de 1982, uma grande conferência com importantes líderes
de diversas religiões, políticos do mundo todo e jornalis­
tas. Sobre essa conferência relata um artigo da revista
Areopagus:
“Alguns destes participantes disseram ter visto Mai­
treya aparecer e desaparecer e terem-no ouvido falar
dos seus ensinamentos e trabalhos. Creme afirma ser
este o evento mencionado por um jornal americano,
o National Examiner, quando ele citou o bispo do Va­
ticano dizendo: “Há uma evidência irresistível de que
Cristo já está voltando para tomar lugarf28
Devido a matérias que saíram em vários jornais do
mundo, na época do evento, sob títulos do tipo “O Cristo
Chegou”, algumas pessoas interpretaram o evento como
sendo o nascimento do Maitreya. No entanto, o que Creme
chamou de “Dia da Declaração” do Maitreya, em 1982,
não se referia ao seu nascimento.
Embora Benjamin Creme tenha se intitulado porta-voz
do Maitreya, no meio aquariano ele não é de todo acre­
ditado. Os aquarianos mais informados têm certa reserva
A Ideo lo g ia d o M ovim ento N ova E ra 57

contra Creme por ter ele, certa vez, predito uma data para
o Armagedom e tal evento não ter ocorrido. Mesmo as­
sim, como acreditam piamente na vinda do avatar, dão certo
crédito ao que Creme anuncia sobre o senhor Maitreya,
mas sempre com reservas, conseqüência de seu fracasso
anterior.
A ascensão do anticristo é o objetivo máximo de Sa­
tanás. Tbdas as suas articulações diabólicas giram, há muito
tempo, em tom o desse propósito. Ele tem trabalhado in­
cansavelmente para criar as condições para esse evento,
e, através de toda essa filosofia, preparar a mente humana
para que aceite o homem do pecado (anticristo), conforme
já revelou Helena P. Blavatsky, há um século atrás.
“Se a tentativa atual, em forma de nossa sociedade,
for melhor sucedida que as anteriores, ela será então
um corpo organizado, vivo e saudável quando chegar
a hora crucial do século vinte. A condição geral da
mente e do coração do homem terá sido melhorada
e purificada pela expansão de seus ensinamentos e,
como já disse, seus preconceitos e ilusões dogmáticas
terão sido, até certo ponto, removidos. Não apenas isso,
mas além dele uma literatura profícua e acessível terá
chegado às mãos do homem, e o próximo impulso en­
contrará um corpo numeroso e unido de pessoas pron­
tas a darem as boas-vindas ao novo portador da Ver­
dade. Ele encontrará a mente do homem preparada
para sua mensagem, uma linguagem pronta para ele,
capaz de transmitir as novas verdades que traz, uma
organização que espera a sua chegada, que removerá
os obstáculos meramente mecânicos e materiais e as
dificuldades de seu caminho. Pense em quanto alguém,
a quem esta oportunidade fosse dada, poderia fazer.
Compare isso com o que a Sociedade Ttosófica real­
mente conseguiu nos últimos quatorze anos, sem ne­
nhuma dessas vantagens e rodeada por hostes de im­
pedimentos que não impediriam o novo líder. Considere
tudo isto e diga-me então se sou muito otimista quando
digo que, se a Sociedade Tfeosófica sobreviver e for ver-
58 N ova Era

dadeira a sua missão aos seus impulsos originais, du­


rante as próximas centenas de anos — diga-me,
pergunto-lhe, se vou longe demais quando afirmo que
a terra será um paraíso no século vinte e um em com­
paração com o que é agora.”29
Não fosse a Palavra de Deus, creio que não suporta­
ríamos diante de tão forte pressão espiritual destes dias.
E verdade que muitos sucumbirão. O próprio Jesus disse
que nos últimos dias o amor de muitos se esfriará (Mt 24.12),
e Paulo acrescenta que muitos abandonarão a fé para se­
guir doutrinas de demônios (1 TVn 4.1).
Bem-aventurados aqueles que nestes dias podem de­
clarar juntamente com o apóstolo Paulo:
“Porque, ainda que há também alguns que se cha­
mem deuses, quer no céu, ou sobre a terra, como há
muitos deuses e muitos senhores, todavia, para nós
há um só Deus, o Pai, de quem são todas as cousas
e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo,
pelo qual são todas as coisas, e nós também por ele.”
(1 Co 8.5,6.)

A Natureza
Panteístas que são, os seguidores da Nova Era acre­
ditam que a Terra também é parte do todo divino — um
ser vivo que tem espírito.
Tentando criar uma ponte entre essa visão mística e
a ciência, o professor James Lovelock formulou a hipótese
de Gaia, onde tenta encontrar elementos científicos que
comprovem que certas características do planeta Terra são
semelhantes àquelas que os gregos atribuíam à deusa Gaia,
a Mãe-Terra. Tenta, assim, comprovar que a Terra é uma
entidade viva, consciente, que sente e respira.
Por essa razão, todos os segmentos da Nova Era
preocupam-se igualmente com a questão ecológica. Acre­
ditam que o espírito da Terra possui força capaz de for­
talecer e delegar poder aos que o buscam. Crêem que o
homem é constituído por um corpo energético, e que a
natureza possui forças que podem fortalecê-lo, conforme
A Ideologia do M ovim ento Nova Era 59

declaração do místico Ronnie Von, em uma entrevista à


revista Destino:
“Destino. As plantas têm energias como as dos cris­
tais?
“Ronnie. Elas têm uma radiação energética, talvez
até mais poderosa do que a desses objetos.
“Destino. Como a arruda é usada para espantar
maus fluidos?
“Ronnie. A arruda libera uma energia que fortalece
o nosso campo astral e toma-o capaz de repelir forças
que poderiam afetá-lo negativamente. Outro exemplo
é a lavanda. Ela atrai energias positivas, deixando-nos
mais próximos da divindade.”30

Acreditam também que as energias são liberadas atra­


vés dos “elementais” da natureza. Esses “elementais” são
pequenos gnomos, duendes, fadas e um grande número
de outros seres semelhantes que trabalham através dos
quatro elementos da natureza: terra, água, fogo e ar. Acre­
ditam mesmo que esses seres existem, e já têm, inclusive,
desenvolvido muitas pesquisas sobre o tema.
Tenho participado de muitos congressos e palestras so­
bre esses assuntos, e admira-me ver pessoas de alto nível
intelectual acreditar em tanta fábula. Mas é interessante
notar que o apóstolo Paulo previu esse comportamento
para os últimos dias.
“Pois haverá tempo em que não suportarão a sã
doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres, se­
gundo as suas próprias cobiças, como que sentindo
coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à
verdade, entregando-se às fábulas.” (2 Thi 4.3,4.)

Outro fato importante na questão filosófica do movi­


mento ecologista é que na mitologia o espírito da Terra
é representado por um dragão. A Gaia que o atual pen­
samento Nova Era tem levado muitos a cultuar e adorar
não passa de um dragão; figura que a Bíblia utiliza apenas
para referir-se a Satanás (Ap 12.9).
Enquanto Satanás é o espírito que está por trás desse
60 Nova Era

movimento de cultuação à natureza, e declara que ela é


uma entidade divina e poderosa, nós a vemos curvada diante
do poder do Deus altíssimo. Pois ao mesmo tempo que
o homem a cultua e busca preservá-la, a natureza obedece
às determinações do Senhor, respondendo, como nunca
antes, por meio de terremotos, enchentes, furacões e ou­
tras manifestações catastróficas, sinais esses previstos para
os tempos do fim (Is 24.19,20).
Mas o homem tem-se endurecido cada dia mais para
não dar ouvidos à Palavra de Deus e para não enxergar
as verdades que lhe são óbvias. Nem com todos os sinais
e nem pelo próprio testemunho da natureza o homem tem
parado para ouvir a voz de Deus; se o fizesse por apenas
um momento, certamente ouviria palavras desafiadoras
como as que Jó ouviu, e que tomam inegável a veracidade
absoluta da existência do Deus criador, a quem toda a na­
tureza está sujeita.
“Depois disto o Senhor, do meio de um redemoi­
nho, respondeu a Jó: Quem é este que escurece os
meus desígnios com palavras sem conhecimento? Cinge,
pois, os teus lombos como homem, pois eu te pergu­
ntarei, e tu me farás saber. Onde estavas tu, quando
eu lançava os fundamentos da terra? Dize-mo, se tens
entendimento.” (Jó 38.1-4.)

Os Bruxos
Embora pareça brincadeira falar sobre bruxos em pleno
final do século XX, o assunto é levado muito a sério den­
tro do pensamento corrente em nossos dias, graças às cren­
ças místicas largamente difundidas pelo pensamento Nova
Era. A sociedade atual tem sofrido uma grande transfor­
mação, o que a caracteriza como profundamente mística.
Mas vale lembrar que o anticristo será profundamente mís­
tico, mestre em adivinhações (Dn 8.23), e realizará diver­
sos sinais milagrosos (2 Ti 2.9).
Existe atualmente um movimento de proporções mun­
diais preparando esse caminho por intermédio da misti­
ficação. As barreiras do ceticismo têm caído e um número
A Ideologia do M ovim ento N ova Era 61

cada vez maior de pessoas aderem às crenças místicas.


As organizações esotéricas têm arrebanhado um número
sempre crescente de novos adeptos, acusando um cresci­
mento sem precedentes.
No movimento Nova Era os responsáveis pela difusão
de tanto misticismo são denominados bruxos ou magos.
E, se até algum tempo atrás, ser chamado de bruxo era
ofensa, hoje já não o é. Todo aquele que lida com o mís­
tico, seja qual for a linha, é denominado bruxo, mago, ilu­
minado, etc.
Essas pessoas são consideradas seres mais evoluídos,
se comparados aos seres considerados normais. Esses se­
res paranormais seriam dotados de poderes especiais, al­
cançados través do processo evolutivo. Qualquer pessoa
pode alcançar esse estágio, dizem, desde que se dedique
a exercícios constantes de meditação transcendental.
Em meio a todo este movimento místico, com um sem
número de tendências, é possível, no entanto, distinguir
duas linhas básicas, de onde procedem diversas ramifi­
cações.
A primeira linha é a adivinhatória, onde os bruxos
limitam-se à adivinhação através de diversos recursos. E
essa linha inclui jogos como o tarot, as runas, os búzios;
a astrologia, que procura prever o futuro das pessoas atra­
vés do movimento do astros; a informática, usada para se
fazer mapa astral por computador, análise de caligrafia para
prever o futuro; a quiromancia, que é a adivinhação pela
leitura das linhas das mãos; e demais práticas afins.
A outra linha é a ritualista, onde os bruxos, além das
adivinhações, dedicam-se a algum tipo de ritual “bruxólico”.
Nessa linha encontram-se o xamanismo, que está funda­
mentado nos rituais dos pajés indígenas; a bruxaria tra­
dicional européia, onde os rituais resgatam as práticas re­
alizadas pelas bruxas medievais e pelos druidas celtas,
incluindo rituais como o sabbat (missa negra), por exem­
plo; e o esoterismo oriental, onde buscam o desenvolvi­
mento através de práticas como a yoga, com exercícios
de meditação transcendental, e o tranta, que é realizado
através da prática sexual ritualística.
62 Nova Era

Nesses ramos da linha ritualista encontramos o resgate


de muitos princípios do antigo Egito, como o uso da
pirâmide para energização, crentes de que seja fonte de
grande energia.
Encontramos aí também a prática de projeção astral,
exercício que permite ao bruxo abandonar o seu corpo
dormindo, enquanto o seu espírito se desloca para um ou­
tro lugar. E o que descreve a revista Planeta:
“Até uns poucos anos atrás chamava-se a peculiar
experiência de estar fora do corpo de “projeção astral”,
mas ultimamente ela tem sido denominada “experiên­
cia extracorpórea”. A viagem astral consiste, essencial­
mente, na projeção do corpo interior ou personalidade
do corpo físico, geralmente durante o sono, mas não
exclusivamente. As projeções astrais acontecem na vi­
gília e costumam ser chamadas de “deslocamentos mo­
mentâneos”...
“Nesse fenômeno, a pessoa viaja cobrindo distâncias
diversas, desde o teto de seu quarto até o outro lado
do continente, e permanece ligada ao corpo físico por
um fio prateado que nem sempre lhe é visível...
“Os habituais efeitos físicos e emocionais da pro­
jeção astral são os seguintes:
“• Sensação de extremo cansaço ao despertar,
mesmo que a pessoa tenha dormido por muitas horas.
“• No final de cada projeção astral, sensação de
queda de grande altura, de estar girando em direção
ao solo, geralmente acompanhada pelo medo de cair.
Isso representa apenas a reação física à desaceleração
de vibrações, que se dá à medida que o eu interior
retom a ao invólucro físico, restabelecendo a ligação
com ele.
“• A nítida lembrança de ter atravessado muros
aparentemente sólidos ou de ter visto de cima o pró­
prio corpo, geralmente no início da viagem. Sensações
de estar flutuando para fora do corpo, primeiro deva­
gar, elevando-se até o teto do quarto, depois ganhando
velocidade, às vezes fulminante, deslocando-se rapida-
A Ideologia do M ovim ento Nova Era 63

mente pela paisagem; observação, ao mesmo tempo,


dos marcos físicos em volta e, às vezes, sensações de
conforto ou desconforto devidas à temperatura, tais
como calafrios, umidade ou calor. Ocasionalmente, ob­
servação de um fio prateado atrás de si, que tomava
a se enrolar por ocasião do regresso.
“• Ao fim da viagem ou no local de destino, ob­
servação de pessoas ou cenas, geralmente com inca­
pacidade de estabelecer contato através da fala. Há
registros de contatos visuais.
“• Posse plena das faculdades de raciocínio durante
o sonho.”31

No caso dos bruxos, a prática de projeção astral é sem­


pre voluntária e controlada, ou seja, desenvolveram a ca­
pacidade de sair do corpo no momento que desejarem
ir a algum lugar.
Durante o Festival da Magia, em Florianópolis, SC,
em agosto de 1991, eu estava com um grupo de irmãos
fazendo evangelização, e encontram os um casal que afir­
mava ter-se conhecido durante um a viagem astral. Con­
taram que, enquanto faziam a projeção astral, cruzaram
pelo mesmo caminho, pararam para conversar e marca­
ram um encontro para quando estivessem novamente
no próprio coipo.
Esse assunto tem sido levado muito a sério, inclusive
pela ciência. Já existem centros mundiais de pesquisas so­
bre o assunto, como, por exemplo, o Instituto Internacio­
nal de Projeciologia do Rio de Janeiro, dirigido pelo Dr.
Waldo Vieira, membro da Society for Psychical Research,
de Londres, e da American Society for Psychical
Research, de Nova Iorque. O Dr. Waldo Vieira escreveu
um livro intitulado Projeciologia, um volume de mais de
900 páginas, tratanto da projeção astral.
Certa vez, quando terminei uma palestra sobre a Nova
Era, uma jovem me procurou para contar-me uma expe­
riência que teve com projeção astral.
Na escola onde estudava, havia um rapaz que praticava
a projeção astral. Esse rapaz estava bastante envolvido com
64 Nova Era

misticismo, mas nem por isso ela lhe deu crédito; achava
tal prática impossível.
Então o rapaz a desafiou: pediu-lhe seu endereço, e
que, antes de dormir, deixasse, em lugar visível em seu
quarto, um papel em branco com uma caneta ao lado. Ele
a visitaria durante a noite e deixaria uma mensagem es­
crita no papel. Ela aceitou o desafio e fez o que o rapaz
havia pedido. No dia seguinte, no entanto, o papel estava
em branco.
A moça foi para a escola pronta para zombar do rapaz.
Quando se encontrou com ele, perguntou, em tom de zom­
baria, por que ele não havia ido; ele respondeu-lhe aspe­
ramente que tinha ido, mas que ela não havia lhe contado
que era filha de pastor, pois ao chegar ao portão da casa
um grande anjo o barrou e disse-lhe que na casa do pastor
ele não entraria.
Se achamos que essas coisas são fantásticas demais
para merecer crédito, convém recordar que os bruxos de
Faraó fizeram suas varas transformarem-se em serpentes
através dos seus encantamentos (Êx 7.8-12), e que o pró­
prio Jesus nos advertiu que surgiriam nos últimos dias fal­
sos cristos e falsos profetas fazendo grandes sinais e pro­
dígios que enganariam, se possível, até os escolhidos (Mt
24.24).
Ora, não afirmam eles que esses bruxos são seres mais
desenvolvidos em suas capacidades crísticas? Não afirmam
serem eles os profetas de uma nova era? Falsos cristos e
falsos profetas. Exatamente como Jesus profetizou,
alertando-nos: “Vede que vo-lo tenho predito”. (Mt 24.25.)
Não temos desculpas para nos envolver com tais prá­
ticas, e nem corremos o risco de ser enganados se formos
obedientes à Palavra de Deus.

“Quando uma alma se virar para os adivinhadores


e encantadores, para se prostituir após deles, eu porei
a minha face contra aquela alma, e a extirparei do meio
do seu povo. Portanto santificai-vos, e sede santos, pois
eu sou o Senhor vosso Deus.” (Lv 20.6,7 — Rev. e Cor.)
A Ideologia do M ovim ento Nova Era 65

Esse texto faz uma severa advertência sobre a linha


adivinhatória (adivinhadores) e a ritualista (encantadores),
deixando bem clara a sentença que pesa sobre aqueles
que se envolverem com tais práticas.

2. PECULIARIDADES DA NOVA ERA

Os Símbolos
Os seguidores da Nova Era utilizam-se muito cie sim­
bolismo. Isso se deve ao seu extremo misticismo. E muito
grande o número de figuras simbólicas que utilizam, mas
cada segmento adota apenas aquelas que atendem às suas
necessidades. Algumas dessas figuras, no entanto, são co­
muns a praticamente todos eles.
Muito embora não tenhamos encontrado uma biblio­
grafia específica quanto à simbologia, realizamos uma pes­
quisa junto aos próprios esotéricos que vendem objetos
com os símbolos aqui apresentados, com seus respectivos
significados.

1) Arco-Íris. É a manifes­
tação da luz divina com sua
multicoloração, uma espécie
de ponte simbolizando a
união entre terra e céu, en­
tre os seres terrenos e extra-
terrenos num a nova era.

2) Borboleta. Simboliza
o aquariano que saiu das tre­
vas do casulo de Peixes para
a dimensão celestial de Aqu­
ário. Pode também significar
o próprio movimento Nova
Era, tendo o mesmo sentido
de libertação do casulo das
trevas da Era de Peixes.
66 Nova Era

3) Yin-Yang. An­
tigo símbolo orien­
tal que representa
o negativo-positivo.
Simboliza o equilí­
brio das energias
cósmicas divinas
com seus dois pólos
opostos.

4) Fita entrela­
çada. Simboliza a in­
terdependência glo­
bal com a unificação
de todos os setores.
Foi utilizada por Ma­
rilyn Ferguson em
seu livro A Conspi­
ração Aquariana, em
1980.

5) Urano. É o pla­
neta que rege a Era
de Aquário, segundo
os astrólogos. Simbo­
liza a harmonia e o
equilíbrio.
A Ideologia do M ovim ento Nova Era 67

6) Pirâmide. Utili­
zada como captadora
de energia cósmica.

7) Pentagrama. De cabeça
para cima simboliza o Ser Cós­
mico Divino em sua plenitude,
o Todo Divino, o Absoluto. O'
triângulo superior com um
olho ao centro significa o ser
superior a todos na cadeia hie­
rárquica, onde encontramos
presente o Fator Lúcifer. Acre­
ditam que o pentagrama é um
potente emanador de bons flui­
dos. Já de cabeça para baixo,
toma-se emanador de maus
fluidos.

8) Estrela de Davi. Simbo­


liza os ciclos divinos de invo-
lução-evolução. O triângulo
que aponta para baixo demons­
tra a involução da energia di­
vina descendo às formas gro­
tescas, e o triângulo que a-
ponta para cima demonstra es­
sas formas tomando o caminho
evolutivo para retomarem o seu
estado divino.
68 N ova Era

O verdadeiro significado desse símbolo para os judeus, no


entanto, é o da plenitude de Deus para o homem e a plenitude
do homem para Deus no trono de Davi, ou seja, a reconciliação
redentora entre o homem e Deus através do Filho de Davi.

9) Pomba com
ramo. Simboliza a
luta dos aquarianos
pela paz e a espe­
rança de que as á-
guas de Peixes se se­
quem dando lugar à
nova era.

10) Símbolo da
Paz. Embora não es­
teja sendo utilizado
por todos os segmen­
tos do movimento
Nova Era, muitos
místicos o utilizam.

Termos Peculiares
1) Para designar o movimento.
Nova Era (New Age)
Conspiração Aquariana
Era de Aquário ou Aquárius
Nova Ordem Mundial
Nova Ordem Internacional
Nova Consciência
A Ideologia do M ovim ento Nova Era 69

2) Para expressar a unificação entre os homens.


Interdependência
Fraternidade Universal
Família Global
Cidadão do Mundo
Holístico (que quer dizer global)
Colônia Global
Paradigma (que quer dizer padronizaçãoi

3) Que descrevem o relacionamento do homem com


espíritos.
Channeling (que quer dizer “canalização”)
Canal
Nível de Consciência Superior

4) Referentes ao planeta Terra.


Mãe Terra
Nave Terra
Mãe d’Âgua
Mãe Gaia

5) Para descrever o relacionamento do homem com


a natureza.
Consciência Ecológica

6) Espíritos com quem estabelecem contato.


Mestres Cósmicos
Mestres Universais
Extraterrestres ou ETS
Espíritos Cósmicos

7) Para designar Deus.


Eu Maior
Absoluto
Grande Mente Universal
A Força

8) Líder mundial que governará na Nova Era.


Avatar
O Ungido
70 Nova Era

Instrutor do Mundo
Senhor Maitreya
Saint Germain
9) Aqueles que trabalham em prol da Nova Era, atra­
vés de contatos com espíritos cósmicos, realizan­
do algum tipo de sinal.
Bruxos
Magos
Sensitivos
Paranormais
Médiuns da Nova Era

Essa alistagem dos símbolos e termos peculiares


da Nova Era não é para que ergamos uma placa de
“Temporada de Caça aos Aquarianos”. Devemos ter
muito cuidado para não classificarmos como aquariana
uma pessoa ou instituição que use um desses símbolos
ou termos. O importante é que, conhecendo-os, este­
jamos aptos a reconhecer e rejeitar mensagens que
venham acompanhadas por algum deles.
PARTE III

ÂTUAÇÀOE PROPAGAÇÃO
00 MOVIMENTO NOVA ERA
Não há dúvida de que estamos vivendo sérios momen­
tos de transformação histórica em nosso planeta. Uma
grande revolução social está modificando os padrões de
comportamento humano em todos os setores da socie­
dade.
Ao analisarmos essas transformações, choca-nos con­
cluir que elas correspondem aos objetivos propostos pela
ideologia da Nova Era. E, como já vimos, tudo se encaixa
no que a Bíblia traça para os últimos dias. Nem é neces­
sário denunciar que adeptos da Nova Era estão por trás
de grande parte dessas transformações — eles mesmos
já o declararam. Através do movimento que Marilyn Fer-
guson chamou de “Conspiração Aquariana”, estão agindo
com firmeza para alcançarem seus objetivos, como ela
mesma declara em seu livro que leva esse mesmo nome.
“Uma rede poderosa, embora sem liderança, está
trabalhando no sentido de provocar uma mudança ra­
dical no mundo. Seus membros romperam com alguns
elementos-chave do pensamento ocidental, e até mes­
72 Nova Era

mo podem ter rompido com a continuidade da Histó­


ria...
“Há Conspiradores Aquarianos de todos os níveis
de renda e educação, dos mais humildes aos mais po­
derosos. São professores, auxiliares de escritório, cien­
tistas famosos, funcionários do governo e legisladores,
artistas e milionários, motoristas de táxi e celebrida­
des, expoentes da medicina, da educação, do direito
e da psicologia. Muitos são conhecidos em suas áreas
de trabalho, e seus nomes podem ser familiares. Ou­
tros se mantêm em silêncio quanto a seu envolvimento,
acreditando que possam ser mais eficazes se não fo­
rem identificados com idéias que, com demasiada
freqüência, têm sido mal interpretadas.”1
Infelizmente, não são apenas os conspiradores que
têm colaborado para a instauração da Nova Era. Em todas
as áreas da sociedade vêm-se desenvolvendo tendências
que apontam para a mesma direção dos seus objetivos.
Deve-se isso ao fato de ser ela, antes de mais nada, uma
conspiração no mundo espiritual, dirigida pelo anjo rebelde
(Satanás). Por isso, muita coisa tem acontecido de forma
a colaborar com os objetivos do movimento, mesrrvo sem
estar necessariamente ligado à Conspiração Aquariana.

1. NA POLÍTICA MUNDIAL

Ao enfocarmos o cenário político mundial, tenhamos


em mente que o movimento Nova Era visa à unificação
mundial, que criará as condições para a ascensão do ava-
tar aquariano. É como esclarece Marilyn Ferguson ao tra­
tar dos objetivos da Conspiração Aquariana.
“Victor Hugo profetizou que no século XX as
guerras acabariam, as fronteiras desapareceriam, o
dogma morreria — e o homem viveria. “Ele possuirá
alguma coisa mais elevada do que essas — um grande
país, toda a terra... e uma grande esperança, todo o
céu.
A tuação e P ro p a g a ç ã o do M ovim ento N ova E ra 73

“Hoje em dia há milhões de habitantes desse grande


país, toda a terra. Nos seus corações e nas suas men­
tes, guerras, fronteiras e dogmas já não existem. E eles
têm aquela grande esperança de que Hugo falou.”2

Hoje estamos presenciando mudanças radicais no


quadro político mundial que estão levando o nosso mun­
do exatamente na direção dessa unificação. A unificação
de mercados comuns como o da Europa e o do Cone Sul,
indica a tendência de uma economia mundial unificada
com moeda única. O fim oficial do regime de Apartheid,
na Africa do Sul, começa a derrubar uma grande barreira
de separação racial. A Perestroika e a Glasnost causaram
a falência do comunismo e a frustração do estalinismo,
leninismo e marxismo. Essa reviravolta no comunismo,
por sua vez, foi marcada por acontecimentos como a
queda do Muro de Berlim e a unificação alemã; o frus­
trado golpe de estado comunista na URSS, que num úl­
timo suspiro desesperado de sobrevivência acabou tendo
efeito contrário, com o fortalecimento do apoio às refor­
mas de abertura no imperialismo de Fidel Castro.
Com a revolução russa o mundo já não mais se divide
em dois grandes blocos — comunista e capitalista — mas
caminha a passos largos para a integração em seus diver­
sos setores.
Com isso os EUA acabaram erguendo-se como a gran­
de potência mundial. Suas ações, por sua vez, têm tido
grande importância para a queda de ditaduras, o que co­
labora cada dia mais para a pretendida unificação mun­
dial. Todas as intervenções norte-americanas (Granada,
Panamá, Golfo Pérsico, etc.) estão criando uma Nova Or­
dem Mundial, que pode não ser a que o presidente
George Bush pretende. Os EUA poderão ser traídos pela
própria crise econômica que vivem atualmente. Enquanto
as intenções norte-americanas estão voltadas para o esta­
belecimento de uma nova ordem imperialista, podem es­
tar plantando em campo alheio, onde outros colherão. Até
mesmo porque a própria expressão usada por George
Bush — Nova Ordem Mundial — não lhe pertence; é um
74 Nova Era

termo que a Nova Era utiliza para referir-se à unificação


mundial, expressão encontrada em livros do movimento
já no princípio dos anos 80. Ou o presidente está traba­
lhando consciente dos objetivos do movimento Nova Era
ou será traído por suas intenções.
Outro fator importante a ser considerado é o fortale­
cimento da ONU. Após a Guerra no Golfo Pérsico, a ONU
tem demonstrado um pulso bem mais firme nas questões
políticas mundiais, o que não possuía antes. lem os de res­
saltar que na ONU existem importantes adeptos da Fé
Bahá’í — segmento do movimento Nova Era que trabalha
pela unificação mundial em todos os seus aspectos. Desde
1970 a Comunidade Bahá’í é membro consultivo do Con­
selho Econômico e Social da Organização das Nações
Unidas.3
O processo de unificação tem caminhado rapidamen­
te. Já em 1977, em assembléia mundial realizada na Áus­
tria, foi adotado o anteprojeto da Constituição da Fede­
ração do Planeta Terra. Em maio de 1991, em TYóia, Por­
tugal, foram aprovadas emendas para essa constituição e
atualmente ela está circulando entre as lideranças mun­
diais para retificações.
Essa Constituição da Federação do Planeta Terra de­
verá ser a carta magna do mundo unificado. Ela já traz
em si o diagrama do Governo Mundial4 e determina que
esse governo seja dirigido por uma Procuradoria Geral
Mundial e por uma Comissão de Procuradores Mundiais
Regionais. A Procuradoria Geral Mundial será composta
de cinco membros, um dos quais será nomeado como
Procurador Geral Mundial e cada um dos outros quatro
será nomeado como Procurador Geral Mundial Asso­
ciado,5 Em outras palavras, esse documento testifica as
profecias bíblicas sobre um governo mundial, dirigido por
um grande líder mundial, que a Bíblia diz ser o anticristo
(Ap 13.3).
Essa constituição também estabelece a criação da Po­
lícia Mundial, um órgão responsável pela apreensão e pri­
são dos violadores das leis e da legislação mundial.6 Isso
vem confirmar as profecias bíblicas de perseguição aos
A tuação e P ro p a g a ç ã o do M ovim ento Nova. E ra 75

santos por um governo mundial controlador (Ap 13.7,8).


Temos de admitir que tudo isto não está sendo arti­
culado apenas por intervenção humana. Há todo um
mundo espiritual agindo por trás desses acontecimentos.
É humanamente impossível mover o mundo inteiro para
uma mesma direção, como está acontecendo. Os próprios
adeptos da Nova Era admitem isso, e explicam que há um
governo secreto, liderado por extraterrestres, que está co­
mandando todas as transformações. Mas nós sabemos
qual é a verdadeira natureza desses extraterrestres e quais
os seus objetivos.

2. ATRAVÉS DA CIÊNCIA

Alem de haver muitos cientistas adeptos do movimento


Nova Era, o próprio curso do desenvolvimento científico virá
naturalmente a colaborar com a Conspiração Aquariana. A
tecnologia avançada de nossos dias tem papel fundamental
no exercício de um governo mundial único e controlador.
Prova disso é a própria palavra cibernética, uma ma­
téria na ciência que, à primeira vista, parece nova, mas
que já é discutida desde Platão.
Cibernética é uma palavra grega que, no princípio, sig­
nificava o conhecimento técnico de pilotagem que per­
mitia ao piloto conduzir adequadamente a sua embarcação.
Platão enriqueceu o seu significado, empregando ci­
bernética no sentido de reger, não só o rumo dos barcos,
mas o destino dos homens numa sociedade; assim, o seu
significado passou a ser: a arte de governar.
“A cibernética salva dos maiores perigos não ape­
nas as almas, mas também os corpos e os bens.” (Platão.)

Jocelyn Bennaton nos conta que, em meados dos anos


40, o matemático norte-americano Norbert Wiener resol­
veu se servir da palavra cibernética para designar “o do­
mínio da teoria da comunicação e do controle, seja na
máquina ou no animal”.7
Com isso em vista, a ciência moderna tem trabalhado
76 N ova Era

para desenvolver sistemas capazes de uma interligação mun­


dial da rede de computadores, o que permitirá o controle
total de informações por um governo mundial, ou seja,
um governo mundial “cibernético”.
A revista Isto é/Senhor, de 6 de dezembro de 1989,
traz um artigo a esse respeito.
“Apenas um toque apocalíptico para os que pen­
sam na Era de Aquário como sendo flores, harmonia,
paz e compreensão. A rede mundial de computadores
dobra a cada três anos, o que significa que até o ano
2000 toda a rede de informática e telecomunicações
poderá se interligar criando uma “consciência tecno­
lógica”, uma inteligência artificial criada pelo homem,
como o computador super-inteligente do filme “2001
— Uma Odisséia no Espaço”. Grandes companhias de
informática de todo o mundo já têm colocado cientis­
tas para estudai' o que esse acontecimento inédito pode
provocar”8

Essa rede mundial permite que, através de computa­


dores, informações sejam trocadas em qualquer lugar do
mundo. Se eu estiver no Brasil e precisar de informações
que estejam registradas num computador na Austrália, bas­
tará requisitar, através da rede de computadores, como se
fosse um simples telefonema, e imediatamente estarei re­
cebendo, em meu computador, as informações requisita­
das. Documentos, incluindo fotografias, já podem ser as­
sim transmitidos e recebidos através de fax simile.
Uma maneira bastante fácil de criar um controle mun­
dial, que seria ter o cidadão e todas as informações a seu
respeito controladas, é o sistema do código de barras; é
um sistema eficiente, que permite acesso a todas as infor­
mações sobre determinado produto. E real a possibilidade
de cada cidadão do mundo possuir gravado em sua testa
ou mão direita um código de barras, o que daria acesso
a todos os seus dados pessoais. Essa gravação fica invi­
sível, só podendo ser lida por um pequeno aparelho cha­
mado “leitor ótico”, que passa ao computador de consulta
as informações desejadas.
Atuação e P ropagação do M ovim ento Nova Era 77

Exemplificando, um japonês que sofresse um acidente


no México poderia ser eficientemente atendido, pois bas­
taria que o médico mexicano entrasse em contato com
o computador japonês, através da rede mundial de com­
putadores, para obter a ficha completa do paciente.
Espera-se também que, num futuro próximo, com a
unificação monetária, haja um sistema que dispense a mo­
eda corrente, pois todo o movimento financeiro de uma
pessoa poderia ser conhecido pelo código de barras. As­
sim, tudo que recebesse entraria automaticamente na sua
conta e todo o pagamento que efetuasse seria debitado,
também automaticamente, de sua conta, como se o indi­
víduo usasse somente um tipo de cartão magnético ban­
cário, válido em qualquer lugar do mundo.
Se todo o sistema de mercado funcionar assim, quem
não tiver um código pessoal não poderá comprar e nem
vender nada, tal qual o apóstolo João profetizou em Apo­
calipse (Ap 13.16,17).
Não estamos com isso afirmando que o código de bar­
ras será a marca da besta, mas apenas demonstrando que
já existe tecnologia para se criar um sistema onde o in­
divíduo que não fizer parte desse sistema não poderá so­
breviver. Seja qual for o sistema usado pelo governo do
anticristo, os avanços tecnológicos dão indícios de que já
é possível um controle absoluto por um governo mundial.

3. NAS ENTIDADES EDUCACIONAIS

A educação tem sido uma arma poderosa nas mãos


dos aquarianos. Eles têm disseminado os seus pensamen­
tos em larga escala nas universidades, oferecido cursos em
empresas e aplicado técnicas de relaxamento com crian­
ças e adolescentes nas escolas públicas e particulares. Já
criaram universidades que chamam de Universidades Ho-
lísticas, onde desenvolvem planos e estudos que promo­
vam meios para alcançarem seus objetivos.
Uma dessas universidades foi construída^em Brasília,
com recursos do próprio Distrito Federal. E a Universi-
78 Nova Era

dade da Paz, presidida atualmente pelo Dr. Pierre Weil.


E não apenas a universidade, mas, desde 1987,y está
sendo construída na região do planalto central a cidade
chamada Alvorada — Cidade da Paz. O objetivo é que
essa cidade seja uma das futuras capitais do mundo uni­
ficado. Segundo os místicos, Brasília foi escolhida devido
à grande força espiritual que existe na região.
Durante o II Congresso Holístico Internacional, ocor­
rido em julho de 1991, em Belo Horizonte, MG, vários
membros dessas universidades holísticas e profissionais da
área de educação reuniram-se para discutir como a edu­
cação poderia ser utilizada como veículo de transformação
social de forma mais eficiente, dentro dos objetivos da ho-
lística.
A primeira proposta, muito bem aceita por todos, in­
clusive pelos representantes da UNESCO ali presentes, foi
trazida pelo psiquiatra chileno Cláudio Naranjo. Naranjo
propôs que se incluísse no programa oficial de matérias
curriculares nas escolas de todo o mundo o “Laboratório
de Religião”.
No programa constariam exercícios de relaxamento e
meditação transcendental, com práticas de visualização em
estado alpha. O objetivo seria o de promover a busca in­
dividual de sua própria espiritualidade pelo aluno,
desprendendo-se dos dogmas tradicionais herdados por ele.
Segundo Naranjo, isso promoveria a criatividade atra­
vés da expansão dos níveis de consciência.
O “Laboratório de Religião” deverá constar do currí­
culo escolar desde o primeiro ano de estudo da criança,
na idade de seis anos, segundo esperam.
A segunda proposta veio do psiquiatra brasileiro José
Ângelo Gaiarsa. Gaiarsa defendeu a tese de que as mães
falharam na sua missão educadora e que por essa razão
o mundo se encontra em estado caótico. Segundo ele, a
solução seria a criação da “escola de mães”. Aos seis anos,
alegou, a personalidade já está formada. Logo, toma-se
necessário um programa que atinja o indivíduo durante
o período de formação de sua personalidade.
Com a "escola de mães”, mulheres seriam capacitadas
Atuação e Propagação do M ovim ento Nova Era 79

para educar crianças nesse período de formação de per­


sonalidade. Essas mulheres não precisarão ser necessaria­
mente as progenitoras das crianças, pois, segundo a pro­
posta, mãe deverá ser uma profissão remunerada. Assim,
nas comunidades haveriam profissionais na educação das
crianças, previamente preparadasem escolas especializadas.
Embora a proposta de José Ângelo Gaiarsa pareça um
sonho maluco de sociedade do futuro, a proposta de Cláu­
dio Naranjo já está a um passo da realidade.
Oficiosamente as técnicas de relaxamento e visualização
já têm sido amplamente aplicadas em diversas escolas do
mundo. Viajando por todo o Brasil a serviço do ministé­
rio, tenho passado em vários lugares onde estudantes têm
praticado exercícios de meditação nas salas de aula.
Atualmente uma idéia que tem permeado a educação
moderna é a de que o aluno não precisa aprender nada
de fora para dentro, mas, sim, de dentro para fora, pois
todo o saber está contido nele. E uma idéia que provém
do pensamento filosófico do atual movimento Nova Era.
Pierre Weil defende essa prática na educação da se­
guinte forma:
“Há evidências suficientes da existência de outros
estados de consciência, em que estas outras ordens
de realidade podem ser percebidas ou mesmo viven-
ciadas de modo direto. Sabemos, por exemplo, que,
como no caso de Einstein, grandes intuições quanto
às leis que regem o universo “sobrevieram” aos seus
autores de repente, quando estavam em outro estado
de consciência: o estado de devaneio, em que são pro­
duzidas ondas eletroencefalográficas mais lentas (al-
pha) e é despertada a criatividade...
“A educação não pode ficar alheia ao surgimento
de uma educação “transpessoal”. cujo objetivo é jus­
tamente ampliar o campo da consciência até chegar
à vivência da consciência cósmica ou transpessoal.
“Dentro desta nova concepção, a educação atual
limitou-se a operar apenas dentro de um estado de
consciência: o estado de consciência de vigília. A edu­
80 N ova E ra

cação do futuro será uma cosmo-educação, que levará


em conta a possibilidade de ajudar o homem a entrar
em estado de superconsciência.”10

Ainda no campo da educação, a Nova Era possui di­


versas organizações espalhadas pelo mundo, responsáveis
por promover cursos e alistar mais adeptos. As pessoas
que participam de cursos desse género dificilmente sabem
que estão-se envolvendo com o movimento Nova Era. O
que aprendem em tais cursos é na verdade a ideologia
aquariana, seus princípios e práticas esotéricas.
Quando essas pessoas tomam conhecimento de alguma
das facetas do movimento, ela é facilmente envolvida, pois
sua mente e coração já estão preparados. Elas vão sendo
envolvidas de forma gradativa.
Um artigo que saiu na revista On Principie, relata:
“Existe um a enorm e e crescente subcultura da
Nova Era penetrando os estabelecimentos de edu­
cação, negócios e publicidade... Ford, W estinghouse
e Calvin Klein, são algumas das inúmeras companhias
que enviaram funcionários para treinamento. A “Stan-
ford G raduate School of Business” oferece um se­
minário sobre criatividade nos negócios, incluindo
a meditação, entoação de cânticos, trabalho de so­
nho, o uso de cartas tarot e discussão sobre o ca­
pitalismo da Nova Era.”11

A educação é sem dúvida uma arma poderosa para


se iniciar a mente num princípio ideológico. A Teoria da
Evolução de Darwin foi ensinada nas escolas, o que aca­
bou se tom ando um grande problema. Muitos colocaram
a Bíblia em descrédito por causa de um ensinamento que
nunca saiu do campo da teoria.
Mais rápido que pensamos, nosso maior desafio será
com a ideologia da Nova Era; os “tempos difíceis” que
Paulo profetizou, onde os homens não darão ouvidos à
sã doutrina, mas “cercar-se-ão de mestres, segundo as suas
próprias cobiças” (2 Tfti 3.1; 4.3).
A tu ação e P ro p a g a ç ã o d o M ovim ento N ova Era 81

4. NA RELIGIÃO

Atualmente está havendo um movimento forte no âmbito


religioso que vem colaborar diretamente com os objetivos
de unificação. É o movimento ecumênico, que tem con­
seguido reunir religiosos de todas as tradições.
Esse é o ponto de maior desafio para a unificação. É
a religião que mais tem gerado divisões na História. São
incontáveis as guerras que se moveram durante toda a exis­
tência humana por causa do fator religioso.
Mas, apesar desse imenso desafio, o movimento ecu­
mênico tem-se mostrado capaz de superar as dificuldades;
grandes barreiras tém caido, e já é realidade atual reuniões
entre líderes de diferentes religiões com objetivos ecumê­
nicos, como relata Don Bell.

“Barbados gurus, taciturnos mullahs muçulma­


nos, budistas carecas, judeus com bonés, adoradores
de fogo zoroastros e sikks de turbantes, chegaram
nesta sonolenta cidade na encosta da m ontanha onde
São Francisco ensinou ao homem am ar o homem.
Juntos com os outros 700 representantes das prin­
cipais religiões do mundo, eles oraram pela paz m un­
dial, num dia pelo qual o Papa João Paulo II pediu
que os canhões de guerra guardassem silêncio... O
Papa condenou o que ele chamou de “cultura do
desprezo", que considera outras culturas primitvas,
insignificantes e indígenas... O homem forte da Lí­
bia, Coronel Muammar Kadhafi, enviou um represen­
tante religioso pessoal... e o patriarca de Moscou en­
viou um delegado... Um dos primeiros a chegar foi
o Dalai Lama, o líder religioso (e deus vivo) do Ti-
bet, que vive em exílio na índia... As várias religiões
não devem lutar umas contras as outras, mas coo­
perar, ele disse. Mas enquanto o espírito do ecume­
nismo parecia prevalecer em Assis, havia também uma
nota amarga nos círculos reacionários católicos (es­
ses reacionários católicos são pequenos grupos con­
servadores que não aceitam o ecumenismo).”12
82 N ova E ra

Vários ramos do cristianismo têm-se envolvido com o


movimento ecumênico. E adotado, inclusive, práticas que
vulgarizam o evangelho de Jesus Cristo. Pierre Weil afirma
que o responsável por introduzir a Nova Era no cristia­
nismo é o Papa João Paulo II.13 Mas o raio de ação de
João Paulo II se limita ao catolicismo. O que não significa
que não hajam representações dentro das linhas protes­
tantes. Atualmente estamos assistindo à introdução de prin­
cípios absurdos dentro da igreja evangélica, que são com­
pletamente antibíblicos, mas harmoniosamente acordes com
os princípios ideológicos da Nova Era. A consagração de
homossexuais para o ministério em igrejas protestantes,
o ensino do sexo livre e a desvalorização da virgindade,
são exemplos atuais do que tem acontecido.
Há casos isolados, como o do bispo John Spong, da
Igreja Episcopal nos Estados Unidos, que além de orde­
nar um homossexual para o ministério, escreveu um livro
onde afirma que a Bíblia é apenas uma série de figuras
e que, por isso, não podemos considerar fato real nenhuma
das histórias nela escritas. Suas declarações nesse seu li­
vro intitulado Resgatando a Bíblia do Fundamentalismo,
chegam a ser sacrílegas.
Spong, porém, não está sozinho em suas profanações.
Timbém nos EUA criou-se uma comissão na Igreja Pres­
biteriana para defender a liberdade sexual e a ordenação
de homossexuais na igreja. Chegaram a lançar um relató­
rio onde defendem seus pontos de vista:

“A Comissão de Sexualidade Humana, um grupo


de dezessete membros, lançou o relatório: Mantendo
corpo e alma rem idos — sexualidade, espiritualidade
e justiça social.
“O documento de 197 páginas descreve a profunda
crise da sexualidade na cultura moderna, notando um
significante abismo entre os ensinamentos da religião
e as práticas sexuais da maioria das pessoas. Segundo
o relatório, a igreja deveria, ao invés de tentar deter­
minar quem pode dormir com quem, questionar se
uma relação é responsável, se há uma dinâmica ge­
Atuação e Propagação do M ovim ento Nova Era 83

nuinamente mútua, e se existe amor e carinho entre


os amantes.
“O documento declara que “todas as pessoas, se­
jam hetero ou homossexuais, sejam solteiras ou não,
têm direito moral à expressão sexual”. A maturidade
e não o casamento deveria determinar quando os ado­
lescentes estão prontos para manter relações. Além
disso, propõe o grupo, a igreja deveria ordenar pasto­
res homossexuais e celebrar cerimônias semelhante ao
casamento para pessoas do mesmo sexo.’' 14*
A verdadeira Igreja de Jesus Cristo deve estar firme
em suas convicções e alerta para não se envolver com a
grande Babilônia que se levantará com muitas abominações
nos últimos dias (Ap 17.1-6).
“Não vos ponhais em jugo desigual com os incré­
dulos; porquanto, que sociedade pode haver entre a
justiça e a iniqüidade? ou que comunhão da luz com
as trevas?” (2 Co 6.14.)

Isso não significa que devamos deixar de ir a eles para


evangelizar e dar testemunho da Luz. Foi o próprio Jesus
quem nos enviou como ovelhas para o meio de lobos (Mt
10.16). Que possamos seguir a orientação que o Senhor
deu a Jeremias: "... eles se tornarão a ti, mas tu não pas­
sarás para eles”. (Jr 15.19.)

5. ATRAVÉS DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

Há um slogan publicitário para promover a própria pro­


paganda que diz que “a propaganda é a alma do negócio”.
Sem dúvida nenhuma a propaganda é uma arma muito
poderosa, principalmente nos dias de hoje, em que men­
sagens podem ser enviadas para todas as pessoas do mundo,
via satélite. Satanás tem-se utilizado largamente da arma
publicitária para promover seu plano. O rádio, a televisão,
o cinema, a música, os jornais, as revistas, têm sido veí-

‘ Este relatório foi recusado na Assembléia Geral cia Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, ocorrido
ein Baltiinorft de 4 a 12 de julho de 1991, por 90% dos seiscentos e dois delegados integrantes.
84 N ova Era

calos de mensagens que conquistam o homem sem que


ele tome conta disso.
Tem-se tom ado cada vez mais comum em nosso dia-
a-dia, através dos meios de comunicação, imagens de fi­
guras homossexuais simpáticas; histórias de amor onde
os adúlteros são as personagens heróicas; rituais místicos
e de ocultismo, apresentados como oriundos do “lado do
bem”; figuras extraterrestres boas e amigas; ridicularização
do sagrado; e a presença de toda a ideologia da Nova Era.
Quem assistiu ao filme ET, de Steven Spilberg, deve-se
lembrar do extraterrestre bom, amoroso, simpático e amigo.
Um extraterrestre que, durante o filme, toma-se um só com
o menino. O menino sentia e fazia tudo como o ET. E,
no término, quando o ET volta para o cosmos de onde
viera, ele põe o dedo na testa do menino e diz que estaria
ali, na mente dele. Quando sobe da terra em direção ao
céu, a nave deixa um rastro colorido em forma de meio
arco-íris, exatamente igual ao símbolo da Nova Era. O filme
transmite uma mensagem de confiança nos extraterrestres.
A criança não precisa temer ter um amigo ET, um ser cós­
mico.
Outro grande sucesso do cinema, transmissor da men­
sagem aquariana, é o filme Star Wars (Guerra nas Estre­
las). Nesse filme, George De Lucas sugere haver uma ener­
gia cósmica divina chamada a força. E interessante que,
ao mesmo tempo em que a força era uma energia boa,
ela possuía também o lado negro. Esse suposto deus de
Guerra nas Estrelas possuía tanto o positivo quanto o ne­
gativo, ou, em outras palavras, era um Yin-Yang.
Vale também lembrar um desenho animado de muito
sucesso; He-Man. Traduzindo He-Man (Ele-Homem), po­
demos ter o nome o homem, evocando nesse nome o pa­
radigma (modelo) do homem da Nova Era — o homem
perfeito, o homem-deus. Quando ele grita “eu tenho a força "
há uma transformação do homem normal num homem-
deus, e ele se tom a o Homem, um ser humano com
poderes divinos, que promove (defende) o bem. O de­
senho é ainda recheado de bruxarias, ocultismo e seres
extraterrestres, alguns, amigos; outros, inimigos.
Atuação e P ropagação do M ovim ento Nova Era 85

Nossas crianças têm recebido uma avalanche de men­


sagens desse gênero. E importante que os pais que temem
ao Senhor incentivem cada vez mais os seus filhos a aban­
donarem a televisão e buscarem brinquedos sadios, para
que vivam as suas fantasias infantis sem serem explorados
e violentados por Satanás.
Há também uma grande tendência na produção de fil­
mes que começam a evitar a violência antes tão explorada.
Estão-se apresentando atualmente como filmes poéticos,
que pregam a paz e a esperança de um mundo novo, o
que acaba tom ando difícil distinguir a mensagem que há
por trás dessas produções, a menos que conheçamos as
doutrinas do movimento Nova Era. Essa é uma forma de
divulgação muito sutil.
Participei de uma palestra cujo tema era “Os Meios
de Comunicação no Mundo em TVansformação”, promo­
vida pelo segmento holístico do movimento Nova Era, para
tratar de como os meios de comunicação podem ser um
agente eficaz de transformação social e como o movimento
pode aproveitá-los melhor. Fiquei admirado quando a atriz
Odete Lara falou sobre a maneira sutil de seu trabalho
na novela “O Dono do Mundo”, exibida pela Rede Globo.
A novela mostra uma sociedade falida, onde o rico cor­
rupto é um infeliz insatisfeito com a vida, e a moça pobre,
criada dentro dos princípios religiosos, é uma pessoa cheia
de rancores e pronta para fazer o mal. Em meio a esse
caos social, há uma personagem (vivida por Odete Lara)
que é completamente diferente das demais. É uma feliz
ecologista que vive em paz consigo mesma e com os ou­
tros, e sempre que aparece traz uma breve mensagem, car­
regada da ideologia da Nova Era, surgindo como luz numa
sociedade obscura e doentia.
O inimigo está usando todos os veículos de comuni­
cação de que dispõe, para disseminar tais princípios, sem­
pre transmitidos num clima de aprovação. As imagens são
um grande incentivo ao “faça igual” e nunca “não faça
assim". Toda essa propaganda do imoral, do deixe os ve­
lhos padrões, é uma forma eficaz de predispor as pessoas
a serem receptivas às doutrinas da Nova Era.
86 Nova Era

6. NA MÚSICA

Reservamos um espaço só para tratar da música, dada


a grande influência que ela exerce no espírito e até mesmo
no físico da pessoa. Vale o que disse o profeta Ezequiel:
“...a obra dos teus tambores e dos teus pífaros estava em
ti; no dia em que foste criado foram preparados”. (Ez 28.13
— Rev. e Cor.) Esse texto refere-se a Lúcifer, o querubim
ungido.
Daí podemos facilmente concluir que Satanás possui
intimidade milenar com a música e, portanto, conhece muito
bem suas técnicas e efeitos. Em sua astúcia ele não deixa
de se valer dessa importante arma. O surgimento da mú­
sica na história na humanidade se deu através de um ho­
mem chamado Jubal, que a Bíblia afirma ter sido o pai
de todos os músicos (Gn 4.21). Jubal era descendente de
Caim, o que parece sugerir que ele não servia a Deus com
a sua música.
Mas foi Deus quem criou a música, assim como criou
tudo que é bom. E como é próprio de Satanás deturpar
tudo que é bom, ele deturpou a música, e a tem utilizado
como arma maléfica. Por isso existem dois tipos de mú­
sica: a boa música, provinda de Deus, e a música maléfica,
usada por Satanás.
A música usada pela “Conspiração Aquariana" pode
ser distinguida em dois tipos. A primeira, chamada música
New Age, ou música da Nova Era; e a segunda, a própria
música secular.

A Música da Nova Era


A chamada “música da Nova Era” tem estilo específico,
um estilo mantra temperado com a mais moderna tecno­
logia. Através de sintetizadores e aparatos eletrônicos dos
mais modernos, a música N ew Age pode ser considerada
uma versão futurística do estilo mantra.
A palavra mantra, em sânscrito, significa “libertação
da mente” {man significa mente e tra, libertação). O lingüista
Háj Ross prefere traduzir a palavra mantra por “ferramenta
da mente”.15
Atuação e P ropagação do M ovim ento Nova Era 87

Esse significado deve-se à função que os sons dos man-


tras têm de alterar e influenciar o estado de consciência
do cérebro. Os mantras são sons, palavras ou frases que,
emitidos repetidamente, têm o poder de alterar sensivel­
mente o estado de consciência.
O mantra é procedente da tradição oriental, que o uti­
liza para o relaxamento e meditação.
Quem está introduzindo a música N ew Age na Amé­
rica Latina é a repórter Mima Grzich. Mima viveu alguns
anos na Califórnia, onde foi discipulada por teóricos do
movimento. Existem atualmente sete ou oito emissoras New
Age de rádio em todos os EUA, e as demais emissoras
em geral têm um programa nesse estilo. Mima está ten­
tando trazer essa música para o Brasil e América Latina,
e já tem obtido resultados. Hoje ela comanda programas
de rádio em várias partes do Brasil com programação de
música N ew Age.
Ela explica o desenvolvimento desse estilo de música
da seguinte forma-.
“Os computadores e sintetizadores trouxeram uma
possibilidade enorme de criação de sons, que faziam
você se sentir no útero de sua mãe como no espaço
sideral. Por outro lado, a melhoria de recursos técni­
cos possibilitou um novo tipo de gravação de instru­
mentos acústicos, como violão, piano, flauta. Esses dois
aspectos levaram a um tipo de música que é feito para
a pessoa que está trabalhando. Atrás de todo músico
de New Age existe uma busca; ele pode ser discípulo
de Yogananda, de Gurdjieff; pode fazer algum tipo de
meditação, ou estar-se iniciando a ter uma visão dife­
rente.
“Há também o lado funcional: alguns instrumen­
talistas estão trabalhando para terapeutas, não só fa­
zendo composições vindas do coração deles como po­
etas, mas trabalhando com a música sob uma ótica
científica — como Steve Halpem e outros. Eles criam
uma música para relaxar, usando inclusive instrumen­
tos ultra-sofisticados, que produzem freqüências não
88 Nova Era

audíveis ao nosso ouvido, mas capazes de levar a pes­


soa a um estado de equilíbrio, de repouso.”16

A música N ew Age é a única que não passou pelo re­


gistro em vinil (disco convencional); foi diretamente gra­
vada em CD (compact disc). Isso se deve ao seu objetivo.
0 compact disc é o tipo de gravação ideal para transmitir
som puro, livre de ruídos e chiados, necessário para que
a música N ew Age desempenhe sua função de produzir
relaxamento e levar à meditação.
É alta a vendagem de discos de música N ew Age, e
só perde para os clássicos, que são os best sellers do com­
pact disc.
Mirna Grzich explica essa grande vendagem; é que,
quanto mais as pessoas têm acesso à música New Age,
mais necessitam dela.17

Música Secular
Embora a música N ew Age seja o estilo específico do
movimento Nova Era, a música secular também tem dado
a sua colaboração. E ambas trabalham juntas no plano
espiritual. Mas é preciso deixar claro que isso não signi­
fica que haja um trabalho a nível^humano de compactuação
entre os dois tipos de música. E muito improvável que tal
articulação seja feita nesse nível. Porém, a nível espiritual,
Satanás se utiliza de ambas as músicas na luta por lançar
seus objetivos.
Na música secular a influência de Satanás vai desde
as letras carregadas de pensamentos concordes com a ideo­
logia da Nova Era, até os estilos declaradamente satânicos.
Quando falamos de música secular diabólica, pensa­
mos logo em grupos de rock “pesado”. Porém, a idéia de
adultério e prostituição permeia a grande maioria das mú­
sicas românticas. O sexo livre é pregado poeticamente e
o homossexualismo é claramente defendido em algumas
letras.
Mas o caso mais grave é a penetração da música se­
cular na igreja, a começar com as ridículas paródias, onde
conteúdo espiritual é colocado em músicas mundanas. Um
Atuação e P ropagação do M ovim ento Nova Era 89

povo que possui o Espírito de Deus para louvar ao Senhor


pode ser original, e não precisa recorrer a imitações. Ou­
tro fato lastimável são letras evangélicas em ritmos como
rock pauleira e lambada — ritmos criados por adoradores
e servidores de Satanás.
O objetivo declarado de muitos grupos de rock é a ado­
ração satânica. Já em 1966 os Beatles declaravam: “O cris­
tianismo passará. Hoje somos mais populares que Jesus.”
(John Lennon.) “... nenhum de nós crê em Deus.” (Paul
McCartney.) “De qualquer modo, creiam ou não creiam,
nós não somos o anticristo, mas somente antipapas e an-
ticristos.” (Ringo Star.) É deles a música Yellow Subm a­
rine, que faz uma alusão à viagem nas drogas, referindo-se
ao LSD, que é uma droga de cor amarela. Também é deles
a canção The Devils White Album (O Álbum Branco do
Diabo). E os grupos que deram continuação ao movimento
iniciado pelos Beatles inclinaram-se ainda mais aos pro­
pósitos satânicos. Tornaram-se famosos grupos como K ISS
(Knights in Satan’s Service — Cavaleiros a Serviço de Sa­
tanás), QUEEN (que quer dizer rainha, mas na gíria
britânica significa homossexual), ACDC {Antichrist, Death
to Christ — Anticristo, morte ao Cristo) e um sem número
de outros grupos, sem mencionar o uso do backward m as­
king, mensagens que podem ser ouvidas rodando-se o disco
ao contrário, recurso utilizado por muitos deles, desde os
tempos dos Beatles.
Um outro problema quanto à música rock é o ritmo,
também chamado beat. Este ritmo foi desenvolvido mate­
maticamente de forma a excitar o sistema nervoso. Com
a excitação do sistema nervoso, o ouvinte, pode chegar
ao delírio e à histeria, dependendo da altura do som.
Em show s de rock o som é elevado a sete decibéis,
acima da tolerância do sistema nervoso, o que é feito pro­
positadamente. Somado a isso tudo, as músicas contém
ultra-sons que ultrapassam 30.000 oscilações por segundo,
imperceptíveis ao ouvido humano. Esses ultra-sons esti­
mulam a produção no cérebro de uma substância de efeito
semelhante ao das drogas.
Esse arranjo satânico causa a princípio sensações boas,
90 N ova Era

por serem excitantes; depois, porém, leva à depressão, re­


volta e agressividade. Os jovens que passam por essas ex­
periências, não conseguem explicar por que apresentam
tais desvios de comportamento que os tem levado às dro­
gas e à prostituição, no intuito de satisfazer os desejos des­
pertados e buscar saída para a depressão e a revolta.
Um dos objetivos de Satanás é que a Era de Aquário
ofereça solução para todos os conflitos e ansiedades do
homem. Ora, o próprio Satanás destrói os princípios de
Deus nos adeptos de música desse tipo, causando
conseqüente depressão e ansiedade. Depois ele apresenta
uma filosofia que condena o Deus da Era de Peixes “que
deixou que tudo isso acontecesse” e, então, propõe a paz
e a harmonia através do misticismo e esoterismo de
Aquário. Oferece uma música harmoniosa para o homem,
que leva ao relaxamento e à libertação das depressões e
ansiedades — uma excelente proposta que está conquis­
tando cada vez mais pessoas.

7. NA MEDICINA ALTERNATIVA

Através da medicina alternativa o movimento Nova Era


tem obtido bons resultados na sua penetração na socie­
dade, transmitindo conceitos básicos de seu pensamento.
As bases dessa medicina fundamentam-se em conceitos
importantes da ideologia da Nova Era, e quem recorre a
ela recebe informações “médicas”, mais relacionadas com
misticismo do que com ciência.
A medicina alternativa fundamenta seus princípios no
conceito de que o homem possui um corpo energético
de onde provém todos os problemas físicos, com base na
crença de que Deus é uma energia e o homem é parte
dessa energia. Para eles, o corpo físico é apenas uma ma­
nifestação do corpo energético de que o homem é com­
posto.
Afinal, o que vem a ser medicina alternativa? Na re­
alidade, medicina alternativa não é patrimônio exclusivo
do movimento Nova Era. E toda e qualquer forma de me-
Atuação e P ropagação do M ovim ento Nova Era 91

dicina não aprovada pela medicina convencional, por não


haver comprovação científica de sua eficácia. Qualquer prá­
tica de curandeirismo é classificada como medicina alter­
nativa.
Esse conceito de que o homem possui corpo energé­
tico tem invadido todas as linhas que trabalham com me­
dicina alternativa. E a avalanche de idéias da Nova Era
fez com que o movimento abarcasse, quase que na tota­
lidade, as diversas linhas de medicina alternativa existen­
tes, e ainda abrisse espaço para a criação de muitas outras.
O conceito de que o homem possui um corpo ener­
gético, que também pode ser chamado de corpo emocio­
nal, é a base da atual medicina alternativa. Acreditam que
o corpo físico é o espelho do corpo emocional e, por isso,
todo o problema que se manifesta no corpo físico é mero
reflexo de um problema existente no corpo emocional.
Por esta razão, acreditam que através de pensamentos
positivos a mente é capaz de operar curas no corpo físico,
como explica Louise H. Hay, em seu livro Cure o Seu Corpo.
“Como me sinto feliz ao descobrir as palavras “cau­
sas metafísicas". Elas descrevem o poder das palavras
e pensamentos que dão origem às experiências. Essa
nova consciência me fez compreender a relação entre
pensamentos e as diferentes partes do corpo e proble­
mas físicos. Aprendi como, inconscientemente, criei
as doenças em mim mesma e isso modificou muito a
minha vida. Agora podia parar de reclamar, como todo
mundo, daquilo que estava errado na minha vida e no
meu corpo. Podia agora responsabilizar-me completa­
mente pela minha saúde sem reprovações ou senti­
mentos de culpa. Comecei a perceber como evitar mo­
delos de pensamentos negativos que dessem origem
a futuras doenças.”18

Então, quando uma pessoa sofre uma experiência ne­


gativa, determinada parte do corpo energético é afetada.
Esse pensamento se deve ao fato de crerem que, como
a energia divina é luz, e a luz possui as cores, assim nosso
corpo energético, que é divino, é formado pelas cores con­
92 N ova Era

tidas na luz branca. Eles chamam a essas cores que compõe


o corpo energético de chakras.
O corpo energético seria formado de sete chakras, a
saber;
• Vermelho — localizado no plexo sacro, refletindo
esqueleto, linfa e sistema de eliminação.
• Laranja — localizado no plexo lombar, refletindo
reprodução e assimilação.
• Amarelo — localizado no plexo solar, refletindo
músculos e sistema digestivo.
• Verde — localizado no plexo cardíaco, refletindo
respiração, circulação e sistema imunológico.
• Azul — localizado no plexo cervical, refletindo
crescimento e metabolismo.
• índigo — localizado no plexo carotídeo, refletindo
sistema endócrino.
• Violeta — localizado no cérebro, refletindo sistema
nervoso.
Por isso, dependendo do tipo de problema que a pes­
soa sofre, o tratamento é efetuado sobre um chákra.
O tratamento é feito através da energização do chakra
afetado, que, por algum motivo, está enfraquecido e cau­
sando a enfermidade. O enfraquecimento de um chakra
pode ser resultante de problemas emocionais ou falta de
contato com elementos da natureza que possuem energias
específicas para determinados chakras. Por exemplo, um
problema renal pode resultar da falta de contato dos pés
com a terra, que energiza o chakra vermelho. Por essa
razão, utilizam-se de palmilhas com ímãs nos sapatos, a
fim de suprir a falta de contato dos pés com a terra. Tàm-
bém a utilização de colchões magnéticos objetiva a ener­
gização dos supostos chakras.
Vamos, pois, encontrar diversas terapias em tom o desse
trabalho de energização dos chakras do corpo energético,
como a terapia com uso de cores, energização através de
pirâmides, cristais, o sistema de acupuntura, a medicina
homeopata, os Florais de Bach (tratamento através das
flores), frases de conteúdo positivo, musicoterapia, massa­
gens orientais, e uma infinidade de outras terapias.
Atuaçao e P ropagação do M ovim ento N ova Era 93

os chakras
94 Nova Era

8. NA PSICOLOGIA

No campo da psicologia sempre existiram alguns con­


ceitos condizentes com a ideologia do atual movimento
Nova Era. Reich, um importante pensador da psicologia,
acreditava que tudo que existe no universo é composto
de uma mesma energia cósmica, a que ele chamou de or-
gônio.19 Encontramos, também, Jung introduzindo con­
ceitos filosóficos orientais na psicanálise. Jung trabalhou
com uma dimensão transcendente da consciência, pro­
curando unir o intelecto à mente intuitiva, considerando
a existência de um inconsciente coletivo. Ele também de­
senvolveu uma pesquisa procurando provar geneticamente
que todo homem possui em si um conjunto de caracte­
rísticas psicológicas femininas, ao que chamou de "anima”,
e que toda a mulher possui em si um conjunto de carac­
terísticas psicológicas masculinas, ao que chamou de "ani-
mus”. 0 próprio Jung chegou a admitir que todas as noi­
tes conversava, ainda acordado, com um espírito de nome
Philemon, que, segundo Jung, possuía uma atmosfera egíp­
cia gnóstica.20
Mais recentemente, um psicólogo de nome Stanisiaw
Grof trabalhou um pouco mais esses conceitos, dando iní­
cio a uma nova linha dentro da psicologia, que é a psi­
cologia transpessoal.
A psicologia transpessoal procura trabalhar com a pes­
soa em estados alterados de consciência, a fim de levar
o indivíduo a transcender os limites de tempo, espaço e
individualidade.
A psicóloga Doucy Douek chega a afirmar que essa
alteração de estado de consciência é necessária para se
atingir a consciência cósmica.
O trabalho de psicologia transpessoal foi desenvolvido,
inicialmente, por Grof, com o uso de LSD, para provocar
a alteração dos estados de consciência. Posteriormente,
abandonou-se o uso de LSD e passou-se a trabalhar com
a meditação transcendental, que proporcionou os mes­
mos resultados de alteração dos' níveis de consciência.
A alteração de consciência possibilita levar o sujeito
Atuação e Propagação do M ovim ento N ova Era 95

a vivenciar situações do seu passado como se fossem pre­


sentes. Alguns terapeutas trabalham inclusive com uma
regressão que ultrapassa o ventre materno e leva o paciente
a “supostas vidas passadas”. Essa terapia inclui também
a prática de visualização, pois o paciente não apenas re­
corda as situações, mas as revive — pode sentir cheiro,
tocar objetos, ouvir vozes e sons produzidos no local vi­
sualizado.
Essa prática é, pois, idêntica às práticas místicas da
Nova Era. O fenômeno do channeling, onde o médium,
ao invés de receber o espírito, encontra-se com ele em
estado alterado de consciência, não tem nenhuma diferença
dessa experiência da psicologia transpessoal.
Místicos e parapsicólogos chegam a considerar que as
pessoas carregam traumas de seu passado, que ficam im­
pressos no corpo emocional, podendo causar problemas
psicológicos e até de ordem física.
Essa prática é realizada num estado alterado de cons­
ciência, em que o paciente fica em estado hipnótico. Isso,
por sua vez, possibilita que o seu inconsciente traga ima­
gens já vividas por ele, ou que lhe sejam fantasiosas, ou
ainda possibilita a manipulação, por parte do terapeuta,
com sugestão de imagens alheias ao inconsciente do pa­
ciente.
O objetivo é descobrir uma razão para o problema do
paciente, fazendo-o pensar que encontrou uma resposta.
Isso gera nele uma certa compensação, embora sem trazer
uma solução concreta para o problema.
Dessa forma, muitos daqueles que buscam auxílio psi­
cológico, acabam-se envolvendo em experiências mais mís­
ticas do que científicas.
PARTE IV

AIGREJA
EOM
O' NTO NOVA ERA
Para boa parte da igreja os detalhes do momento his­
tórico que vivemos trazem uma sensação de choque. É
como se, no íntimo, se dissesse: “E não é que a Bíblia
estava certa mesmo?!” O fato é que muitos de nós cremos
bem menos no cumprimento das profecias bíblicas do que
professamos crer. E a prova disto está na nossa maneira
de viver. Mais da metade da população do mundo ainda
não ouviu falar de Jesus! Quando nossa crença é super­
ficial, vivemos irresponsavelmente, não assumimos com­
promissos, negligenciamos nossos deveres e, mesmo diante
de realidades incontestáveis, custa-nos acreditar.
Uma das profecias ligadas aos últimos dias diz respeito
à igreja. A ascensão e eventual governo do anticristo serão
precedidos pela apostasia. A igreja sofrerá perdas. É o que
confirma o apóstolo Paulo: “... o Espírito afirma expres­
samente que, nos últimos tempos alguns apostatarão da
fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos
de demônios” (1 TVn 4.1).
Ao mesmo tempo em que Paulo fala de apostasia (2
Ti 22.3), faz também menção de um segundo tipo de igreja
98 N ova Era

— uma igreja profundamente comprometida com o Senhor


Jesus, uma igreja cheia do Espírito Santo de Deus, a ponto
de impedir a plena manifestação do anticristo, de atrapa­
lhar, de atravancar o caminho do homem do pecado (2
Ti 2.6,7).
Quando Jesus prega seu sermão profético, em Mateus
24, ele também faz referência a dois tipos de igreja dos
últimos dias. Jesus diz que “nesse tempo, muitos hão de
se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; levantar-se-ão
muitos falsos profetas e enganarão a muitos. E, por se mul­
tiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos"
(10-12). Naturalmente Jesus não se refere aos que não o
amam. Esses não têm amor para se esfriar. Esse quadro
apóstata descreve a igreja. Mas, ao mesmo tempo, Jesus
fala de uma igreja que será perseguida, que será entregue
para ser atormentada; muitos serão mortos, e os que so­
breviverem serão odiados por causa do seu nome. Porém,
essa igreja perseverará até o fim e ainda pregará o evan­
gelho do reino em todo mundo, em testemunho a todas
as gentes, e só então virá o fim (9,13,14). Enquanto uma
persevera, prega, vive e sofre por Jesus, a outra se escan­
daliza, aborrece e trai o Senhor e sua Palavra.
Não podemos, portanto, ignorar esses dois tipos de com­
portamento dentro da igreja. Vejamos então como a ide­
ologia da Nova Era está penetrando na igreja e abrindo
caminho para a apostasia.

1. A IDEOLOGIA DA NOVA ERA NA IGREJA

Somos bastante ingênuos quanto à dimensão do con­


flito que está-se travando no mundo espiritual nestes dias.
Enquanto achamos que ninguém está preocupado conosco,
muitos bruxos jejuam constantemente para a queda de pas­
tores e líderes da igreja. Ainda não nos apercebemos de
que somos muito mais do que uma pedrinha no sapato
de Satanás. A igreja é uma ostensiva muralha no caminho
do diabo, e ele não pode derrubá-la com um simples pon­
tapé. Temos de levar em conta que o nosso inimigo é muito
A Igreja e o M ovim ento N ova Era 99

astuto e um guerreiro de experiência milenar. Ele sabe


que se cavar as bases do muro, se minar os pontos estra­
tégicos da igreja, poderá obter um resultado catastrófico.
E é exatamente aí que ele trabalha. O apóstolo Paulo fala
que a apostasia será resultante da entrada de doutrinas
demoníacas na igreja (1 TVn 4.1). Doutrinas que aos pou­
cos vão-se alastrando, corroendo como células cancerosas
no corpo. Doutrinas que se caracterizam pelo afastamento
da simplicidade e pureza do evangelho de Jesus Cristo.
Tenho encontrado muitos ministros do evangelho en­
volvidos com doutrinas características do movimento Nova
Era. Alguns são declaradamente comprometidos com o
movimento, mas a grande maioria está ingenuamente en­
volvida com ele, por desconhecê-lo.
Outro dia, conversando com um pastor que usa certas
práticas duvidosas em seu ministério, procurei alertá-lo so­
bre isso. Temos de ter parâmetros para o que realizamos.
E nosso aferidor tem de ser a Palavra de Deus. Tfemos
de ser fiéis à sã doutrina. Se não há base bíblica, se não
vemos na Bíblia exemplos claros, vivos, que nos dêem res­
paldo àquilo que desejamos fazer, não podemos fazê-lo.
Há igrejas adotando as mesmas doutrinas e práticas
da Nova Era, apenas com um rótulo diferente. Vejamos
algumas delas.
O Poder da Mente
Essa doutrina tem penetrado na igreja das mais dife­
rentes formas. E a doutrina através da qual o crente é visto
como um super-homem que tudo pode. O crente é con­
siderado um semi-deus, que tem autoridade sobre todas
as coisas, que pode ordenar qualquer coisa e isso acon­
tece. Pode ordenar a existência de qualquer coisa, descre­
vendo detalhes, que aquilo se materializa. Exatamente como
é usado o pensamento positivo da Nova Era. É o evan­
gelho da prosperidade, da riqueza, do “tudo posso”. O nome
de Jesus é usado como um abra-cadabra; uma palavra má­
gica que concretiza o que o pensamento positivo construiu.
E o evangelho do bom negócio, onde se aceita Jesus e
se torna filho do Rei, com direito ao carro do ano e tudo
100 Nova Era

o mais, enquanto o irmãozinho do lado que, supostamente,


tem menos fé, tem de passar fome para aprender.
Essa doutrina, construída sobre textos fora de contexto,
tem levado muitos à frustração. É uma doutrina que agrada
a qualquer ouvinte, que enche a igreja; mas produz uma
igreja inchada, sem compromisso com o reino de Deus,
apenas compromissada com o consumismo. Quando Paulo,
por exemplo, afirma: “Ttido posso naquele que me forta­
lece”, ele o faz em um contexto de estar satisfeito em toda
e qualquer situação, fosse de alegria ou dor, fartura ou
fome. Cristo era sua força, seu sustento. Isso é fé, e difere
substancialmente de pensamento positivo e poder da mente.
Temos de confiar que quando depositamos um pedido
nas mãos do Senhor e vivemos de acordo com a sua Pa­
lavra, ele sempre nos atende (Jo 15.7). O Senhor sempre
nos abençoa, mesmo quando nos diz não. Se aprender­
mos esse princípio, então saberemos o que é, realmente,
viver pela fé.

A Regressão TYanspessoal
Infelizmente muitos pastores têm aplicado essa técnica
em suas igrejas. Essa prática envolve a alteração dos es­
tados de consciência, deixando a pessoa sob hipnose,
quando ela fica suscetível a receber qualquer sugestão e
assumi-la como verdadeira. E essa sugestão não precisa
vir necessariamente por via humana. Quase sempre o que
a pessoa recebe vem por via espiritual e demoníaca. A
visualização realizada numa regressão nada mais é que
a prática do channeling da Nova Era.
As pessoas não crêem que o fenômeno seja de origem
demoníaca, porque se recordam, em grande parte, de fa­
tos que realmente aconteceram, que podem ser confir­
mados por testemunhas. Bem, num centro espírita, quando
um demônio se apresenta como sendo o espírito de um
morto, ele fala sobre coisas que a família pode testemu­
nhar que aconteceram de fato, que são verídicas. Mas, se
aquele demônio esteve rondando a vida da pessoa, ele pode
utilizar o que testemunhou para enganar posteriormente.
Não estamos com isso combatendo o trabalho de cura
A Igreja e o M ovim ento Nova Era 101

interior, que muitos pastores desenvolvem. Precisamos é


estabelecer uma diferença entre a regressão transpessoal
e a cura interior. Se a uma chamamos cura interior, cha­
memos a outra — a regressão — de cura anterior.
Podemos dizer que a cura interior é o trabalho pas­
toral no trato de traumas, mágoas e problemas afins, que
sejam fruto de situações vividas em qualquer época da vida
de uma pessoa, e que estão presentes no seu interior. O
processo de cura interior não requer nenhum tipo de al­
teração no estado de consciência do indivíduo. A pessoa
tem consciência da existência da ferida e o Espírito Santo
a auxilia nesse processo. E mesmo quando não a tem, é
o próprio Espírito que a traz à tona.
Já a regressão traz à tona situações que o sujeito nem
mesmo imaginava que pudessem ter alguma ligação com
o seu problema; situações anteriores que não vêm à tona
sem alterações nos níveis de consciência, o que inviabiliza
o trabalho.
Se para o trabalho de cura interior encontramos res­
paldo bíblico (Tg 5.16), o mesmo não acontece com o pro­
cesso de regressão transpessoal. A Bíblia afirma que “se
alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas antigas
já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Co 5.17). Por
isso Paulo diz: “esquecendo-me das coisas que trás ficam,
e avançando para as que estão diante de mim, prossigo
para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus
em Cristo Jesus” (Fp 3.13,14 — Rev. e Cor.)
Desde que uma pessoa abra mão das lembranças amar­
gas de seu passado, a experiência do novo nascimento trans­
forma a pessoa em nova criatura. Do contrário, nega-se
a eficácia da cruz de Cristo; toma-se insuficiente o seu
sacrifício; limita-se a redenção a salvar-nos apenas da con­
denação futura, da condenação do inferno. Ao aceitarmos
a prática da regressão transpessoal, negamos que a con­
versão nos leva a uma cruz que possui um sacrifício per­
feito e suficiente para nos redimir de nosso passado, pre­
sente e futuro.
A regressão transpessoal subentende a ineficácia do
sacrifício de Cristo, nega a profecia de Isaías 53, e retira
102 Nova Era

das costas do indivíduo a responsabilidade de seus atos,


já que sugere que a pessoa é vítima de um passado in­
consciente.

Projeção Astral
Têm sido cada vez mais freqüentes os testemunhos “ma­
ravilhosos” de crentes que vão passear no céu.
Arrebatamentos ao céu, ao inferno, viagens em naves
espaciais, em lugares distantes, e tantos outros passeios
fantásticos têm extraído muitas glórias e aleluias no meio
das igrejas hoje em dia.
Mas qual é a base bíblica para realizar-se excursões
turísticas espirituais? Onde vemos, na Bíblia, algum servo
de Deus ministrando um arrebatamento a outra pessoa?
Muito, pelo contrário, a iniciativa de todo arrebatamento
bíblico partiu do Senhor.
Essas experiências místicas são grosseiras imitações da
projeção astral feita pelos bruxos da Nova Era. Cria uma
igreja deformada, cheia de contradições entre práticas mís­
ticas e a Bíblia. Cria uma igreja sem os pés no chão, in­
consciente de sua participação e papel no momento his­
tórico que vive. Cria uma igreja sem estrutura sólida, sem
firmeza na Rocha, estruturada sobre a areia de experiên­
cias abstratas, completamente solapada pelo inimigo.
A única maneira de permanecermos firmes em nossa
fé é mantermos a Bíblia como a nossa única regra de fé
e prática. Não podemos nos esquecer de que a vinda do
anticristo é segundo a eficácia de Satanás, com todo po­
der, e sinais e prodígios da mentira (2 TS 2.9), e a única
maneira de não nos envolvermos e nem sermos engana­
dos por tais sinais é estarmos fundamentados na Palavra
de Deus. Os que assim não estiverem se afastarão da fé,
engrossando as fileiras da igreja apóstata.

2. A POSTURA DA IGREJA FRENTE A NOVA ERA

O maior erro que podemos cometer diante desse mo­


vimento é pensar que precisamos descobrir uma nova pos-
A Igreja e o M ovim ento Nova Era 103

tura para a igreja. Seja diante do movimento Nova Era


ou de qualquer filosofia ou regime, a postura da igreja deve
permanecer a mesma. Agentes externos não podem deter­
minar o comportamento da igreja; seu comportamento deve
sempre ser determinado pela Palavra de Deus.
É verdade que a igreja precisa assumir uma postura
diante de tudo isso, mas não é uma nova postura. Muito
ao contrário, a igreja precisa assumir é a sua antiga pos­
tura, a original.
A igreja foi levantada para ser agente do reino de Deus
neste mundo. E o que vemos hoje é mais uma organização
promotora de lazer do que uma agência do reino do céu.
Uma organização a que o indivíduo se associa, ganha uma
carteirinha e passa a ter um local para convívio social, com
programações visando a agradá-lo e conquistar novos as­
sociados. Por isso temos uma igreja flutuante, composta
de pessoas que ficam pulando de comunidade a comuni­
dade, procurando a que oferece melhor programação.
Theodore O. Wedel contou, certa vez, uma parábola
que se aplica muito bem ao que estamos tratando aqui.
“Numa perigosa costa, onde naufrágios são
freqüentes, havia, certa vez, um tosco, pequeno posto
de salvamento. O prédio não passava de uma cabana,
e havia um só barco salva-vidas. Mesmo assim, os mem­
bros, poucos e dedicados, mantinham uma vigilância
constante sobre o mar e, sem pensar em si mesmos,
saíam dia e noite, procurando incansavelmente pelos
perdidos. Muitas vidas foram salvas por esse maravilhoso
pequeno posto, de modo que acabou ficando famoso.
Algumas das pessoas que haviam sido salvas, além de
várias outras residentes nos arredores, queriam associar-
se ao posto e contribuir com seu tempo, dinheiro e
esforço para manter o trabalho de salvamento. Novos
barcos foram comprados e nova tripulação treinada.
O pequeno posto de salvamento cresceu.
“Alguns membros do posto de salvamento estavam
descontentes com o fato de o prédio ser tão tosco e
tão parcamente equipado. Achavam que um lugar mais
104 Nova Era

confortável deveria servir de primeiro refúgio aos náu­


fragos salvos. Assim, substituíram as macas de emer­
gência por camas e puseram uma mobília melhor no
prédio, que foi aumentado. Agora, o posto de salva­
mento tornou-se um popular lugar de reunião para
seus membros. Deram-lhe uma bela decoração e o mo­
biliaram com requinte, pois o usavam como uma es­
pécie de clube. Agora, era menor o número de mem­
bros interessados em sair ao mar em missão de
salvamento. Assim, tripulações de barcos salva-vidas
foram contratadas para fazer esse trabalho. O motivo
predominante na decoração do clube ainda era o sal­
vamento de vidas, e havia um barco salva-vidas litúr-
gico na sala em que eram celebradas as cerimônias
de admissão ao clube. Por essa época, um grande na­
vio naufragou ao largo da costa, e as tripulações con­
tratadas trouxeram barcadas de pessoas com frio, mo­
lhadas e semi-afogadas. Elas estavam sujas e doentes,
e algumas delas eram de pele preta ou amarela. O belo
e novo clube tornou-se um caos. Por isso, o comitê
responsável pela propriedade imediatamente mandou
construir um banheiro do lado de fora do clube, onde
as vítimas de naufrágio pudessem se limpar antes de
entrar.
“Na reunião seguinte, houve uma cisão entre os
membros do clube. A maioria dos membros queria sus­
pender as atividades de salvamento por serem desa­
gradáveis e atrapalharem a vida social normal do clube.
Alguns membros insistiram em que o salvamento de
vidas era o propósito primário e chamaram a atenção
para o fato de que eles ainda eram chamados “posto
de salvamento”. Mas. por fim, estes membros foram
derrotados na votação. Foi-lhes dito que, se queriam
salvar a vida de todos os vários tipos de pessoas que
naufragassem naquelas águas, eles poderiam iniciar seu
próprio posto de salvamento mais abaixo, naquela
mesma costa. E foi o que fizeram.
“Com o passar dos anos, o novo posto de salva­
mento passou pelas mesmas transformações ocorridas
A Igreja e o M ovim ento Nova Era 105

no antigo. Acabou tomando-se um clube, e mais um


posto de salvamento foi fundado. A história continuou
a repetir-se, de modo que, quando se visita aquela costa
hoje em dia, encontram-se vários clubes exclusivos ao
longo da praia. Naufrágios são freqüentes naquelas
águas, mas a maioria das pessoas morre afogada.”1
Creio na igreja que vai oferecer resistência a Satanás
nos últimos dias, que vai sofrer pelo nome de Jesus e que
vai pregar o evangelho em sua plenitude a todas as gentes;
na igreja que não deixará o azeite acabar, mas que estará
pronta, sem mancha, sem mácula e sem ruga, para
encontrar-se com Jesus Cristo no dia de sua vinda. A igreja
na qual a vida sincera de cada um será requisito básico
para sua participação nela.
'“Bem-aventurado aquele servo a quem seu Senhor,
quando vier, achar fazendo assim.” (Mt 24.46.)
BIBLIOGRAFIA
PARTE I

1. Artigo Nova Era. Revista Ano Zero n.° 1. Rio de Janeiro, maio de
1991, pág. 44.
2. BLAVATSKY, Helena P. A Sabedoria Tradicional. Hemus Editora,
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4. CABRAL, J. Religiões, Seitas e Heresias. Universal Produções, 3 a
edição. Rio de Janeiro, pág. 112.
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6. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Edições Vida Nova.
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7. SCOFIELD, C. I. Bíblia Sagrada com as referências e anotações
d e Edição revista e atualizada no Brasil. Imprensa Batista Regular do
Brasil, 2.a edição. São Paulo, 1987, pág. 717.
8. CHAFER, L. S. Tèologia Sistemática. Imprensa Batista Regular
do Brasil, Vol. I, São Paulo, 1986, pág. 362.

PARTE II

1. BLAVATSKY, Helena P. A Sabedoria Tradicional. Hemus Editora,


4.a edição. São Pauio, 1982, pág. 62.
2. MCLAINE, Shirley. E m Busca do Eu. Record, 1* edição. Rio de
Janeiro, pág. 35.
Bibliografia Sumária 107

3. CREMA, Roberto, ü Congresso Holístico Internacional Belo Ho­


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4. WEIL, Pierre. Sementes Para Uma Nova Vida. Editora Vozes, 2.a
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3 a edição. Santa Maria, RS, 1991, pág. 118.
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7. KUBLER-ROSS, Elizabeth. H Congresso Holístico Internacional.
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8. WEIL, P ierre Ib. págs. 139 e 141.
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de Janeiro, julho de 1991, pág. 31.
10. LIRA, J. Benedito de, Netto. Apostila Ufologia. Belo Horizonte,
MG, 1991.
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cadora das Assembléias de Deus, 8.a edição. Rio de Janeiro, 1989, págs.
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12. Artigo Hipnose na Pesquisa Ufológica. Revista Planeta Ufologia.
Editora TVês. São Paulo, abril de 1982, pág. 19.
13. ERGOM. Projeto Evacuação Mundial. Roca. São Paulo, 1991, nágs
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14. Artigo OVNIs nos Céus do Golfo Pérsico. Diário da Ihrde. São
Paulo, 30 de janeiro de 1991.
15. BHAGAVAD-G1TA. Tradução e Notas de Huberto Rohden. Alvo­
rada. São Paulo, pág. 39.
16. EPSTEINS, Perle Cabala. Círculo do Livro. São Paulo, 1991, pág.
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17. TREVISAN, Lauro. Ib. pág. 54.
18. Artigo O Novo Ciclo. Estado de Minas. 30 de junho de 1991, pág 8.
19. ERGOM. Ib. pág. 39.
20. BELL, Don. A Rede Cresce TVadução de Georg G. Smith. Caixa
Postal 1892. CEP 86.001 Londrina, PR, pág. 4.
21. TRIGUEIRINHO, José, Netto. M IZ T L I TLAN. Pensamento, 5.a
edição. São Paulo, 1990, pág. 125.
22. ERGOM. Ib. pág. 50.
23. HUIBERS, Jaap. Aquário. Hemus Editora. São Paulo, 1984, pág. 43.
24. HUIBERS, Jaap. Ib. págs. 46-52.
25. TREVISAN, Lauro. Ib. pág. 20.
26. Artigo O Despertar da Nova Era. Revista Destino. Editora Globo.
Ano II, n.° 21, abril de 1991, pág. 51.
27. BELL, Don. Ib. pág. 3.
28. Artigo Gods of th e New A ge Revista Areopagus. Tão Fong Shan
Christian C entra Hong Kong, Christmas, 1990, págs. 42 a 51.
29. BLAVATSKY, Helena P. Ib. págs. 262 e 263.
30. Artigo O Mago das Plantas. Revista Destino. Editora Globo. Ano
II, n.° 23, junho de 1991, pág. 34.
31. Artigo Experiências Extracorpóreas. Revista Planeta Especial —
Sonhos. Editora TVês. São Paulo, n.° 186-B, págs. 54 e 55.
108 Nova Era

PARTE III

1. FERGUSON, Marilyn. A Conspiração Aquariana. Record, 4.a edição.


Rio de Janeiro, págs. 23 e 24.
2. Ib. pág. 411.
3. BAHAÍ. Informações prestadas pela sede de Belo Horizonte, em
setembro de 1991.
4. Constituição Para a Federação do Planeta Terra. 4 a capa.
5. Ib. seção B/l e 2.
.6. Ib. seção C/l.
7. BENNATON, Jocelyn. O que é Cibernética. Brasiliense, 4,a edição.
São Paulo, 1986, pág. 12.
8. Artigo De Volta Para o Futuro. Revista Isto é/Senhor. Editora Três,
n.° 1055, dezembro de 1989, págs. 110 a 114.
9. BRASÍLIA, DF. Alvorada, Cidade da Paz. Termo de Referência.
Governo do Distrito Federal, Gabinete do Governador, 1987.
10. WEIL, P ierre Sementes Para Uma Nova Era. Editora Vozes, 2 a
edição. Petrópolis, RJ, 1986, págs. 142 a 144.
11. BELL, Don. A Rede Cresce TVadução de Georg G. Smith. Caixa
Postal 1892. CEP 86.001 Londrina, PR, pág. 1.
12. BELL, Don. Ib., págs. 2 e 3.
13. WEIL, Pierre. Ib. pág. 166.
14. Artigo Fiéis Ttentam Reconciliar Sexo e Religião. O Globo. Rio
de Janeiro, 16 de junho de 1991, pág. 42.
15. ROSS, Háj. Palestra. A Linguagem Como Veículo Para a Auto-
TVansformação. II Congresso Holístico Internacional. Belo Horizonte, ju­
lho de 1991.
16. Artigo Os Sons da Nova Era Já Estão Aqui. Revista Planeta n.°
184. Editora TVês. São Paulo, janeiro de 1988, pág. 12.
17. Ib. pág. 13.
18. HAY, Louise H. Cure o Seu Corpo. Espaço, Vida e Consciência,
3.a edição. São Paulo, pág. 13.
19. Artigo Um Herege do Século XX. Revista A no Zero n.° 3. Rio
de Janeiro, julho de 1991, pág. 71.
20. JUNG, Franz. Revista Ano Zero n.° 6. Rio de Janeiro, outubro
de 1991, pág. 38.

PARTE IV

1. CLINEBELL, Howard J. Aconselhamento Pastoral. São Paulo, Pau­


linas; São Leopoldo, RS. Sinodal, 1987, págs. 13 e 14.
Era de aquário, regressão a
vidas passadas, viagem astrai,
estado alfa, poder dos cristais...

VOCÊ SABE 0 QUE SIGNIFICA TUDO ISSO?


Esses termos estão ligados ao movimento Nova Era, que
vem ganhando notoriedade e influência no mundo
inteiro. A TV, o rádio, os jornais, as revistas abrem
espaço para a propagação de suas filosofias e
ensinamentos. Apresentam inclusive personalidades
famosas como porta-vozes da Nova Era.

VOCÊ N À O PODE IGNORAR AS


ARTIMANHAS DO DIABO.
Até mesmo nas escolas há professores induzindo seus
alunos ao ocultismo, meditação transcendental e outras
práticas da Nova Era. E, por incrível que pareça, até a
igreja evangélica pode sofrer algum tipo de influência
desse movimento.

MAS, AFINAL, 0 QUE PRETENDE?


Este livro traz uma visão esclarecedora do que é, de
onde vem e o que pretende a Nova Era. Mostra como
Satanás usa esse movimento para desfruir vidas e
direcionar o mundo para o estabelecimento do
governo do anticristo.
E, principalmente, traz a posição bíblica que vai
ajudá-lo a discernir falsos ensinos e firmar-se ainda
mais na verdade.

Editora 8® Beíânia
Leitura para uma vida bem-sucedida
Caixa Postal 5010 — 31611 Venda Nova, MG