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Americanos desmontam megafraude da segurança costeira

Págs. 6 e 8

SAVANA publica acusação na íntegra


PRÓXIMA, 2ª EXTRACÇÃO DA LOTARIA 10/01/2019
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TEMA DA SEMANA
Savana 11-01-2019

Abdul Carimo analisa o percurso da justiça moçambicana

“O nosso judiciário está esgotado”


Por Raul Senda

O
antigo vice-presidente da Moçambique, operou-se uma independência do juiz. Aconteceu vamente aos dias de hoje. O Partido
Assembleia da República, solução de descontinuidade, comigo e com outros colegas. Na Frelimo dirigia o Estado e a Socie-
legislatura saída das pri- uma ruptura e a efectiva maioria dos casos tivemos que trans- dade, mas generalizar que as orien-
meiras eleições multipar- fundação de um novo ferir o magistrado para outra provín- tações políticas e ideológicas do
tidárias em 1994, e director da ex- Estado que nada cia. No meu caso foi o governador Partido Estado estiveram acima da
tinta Unidade Técnica de Reforma tinha com o Es- que foi transferido. A independência lei, nas decisões dos tribunais, como
Legal, o jurista Abdul Carimo Issá, tado colonial. O de que os juízes gozam hoje foi ar- regra, é, no mínimo leviano.
concedeu uma longa entrevista ao escangalhamento rancada a ferro e fogo nos primór- Nós éramos muito poucos e conhe-
SAVANA na qual analisa os 40 do Aparelho de dios da justiça moçambicana. cíamos a história de cada um de nós,
anos da história da justiça em Mo- Estado colonial, Não caiu de mão beijada. das lutas, dos constrangimentos, das
çambique. Porém, os recentes de- onde se insere a A criação dos tribunais po- influências, porque discutíamos es-
senvolvimentos à volta das “dívidas ruptura do mo- pulares e revolucionários foi ses problemas em conjunto. Muitas
ocultas”, contratadas ao arrepio das delo de justiça co- vista por certas esferas como destas questões estão escritas em
normas pela administração Guebu- lonial e instituição meios de legitimação das relatórios. Eu tenho todos os meus
za, acabaram também por merecer da justiça popular é atrocidades do sistema político relatórios, até a carta que escrevi a
um pronunciamento de destaque corolário dessa de- vigente na altura. Comunga a Samora. (Samora tinha desencadea-
por parte do jurista. cisão estratégica de mesma ideia? do a ofensiva política e organiza-
então. Posso falar com autoridade dos cional e o combate à especulação e
Na entrevista, Abdul Carimo anali- Para isso, o governo de- tribunais populares. Sou fun- açambarcamento. Nessa ofensiva um
sou a prisão do antigo ministro das terminou, em Dezem- dador da justiça popular. Con- seu primo foi detido, julgado e con-
Finanças, Manuel Chang, na África bro de 1977, a interrup- sidero os tribunais populares denado à prisão por açambarcamen-
do Sul, à pedido da justiça americana ção da licenciatura marca indelével de Moçambique to de pão, no Chókwè. Samora, nas
e o posicionamento da Procuradoria do grosso dos e discordo em absoluto suas idas habituais a Chilembene,
Geral da República (PGR), sobre o b a - se inclui na sua mandou telefonar ao juiz para auto-
assunto. Fez notar que esperava que questão rizar que o seu primo o fosse visitar
a PGR viesse ao público informar que a Chilembene.
que na sua qualidade de advogado O juiz do Chókwè contactou-me e
de Estado ordenou a suspensão ime- eu “instruí” o juiz a emitir um man-
diata da negociação da restruturação dado de soltura e condução aos apo-
do pagamento das dívidas, iniciou sentos do Presidente. Dia seguinte,
com o processo de responsabilização o juiz telefona-me a dizer que o
dos bancos envolvidos na fraude e, Josefate Machel, irmão de Samora,
por fim, informar quando é que irá o havia informado que o Presiden-
dar início a um pedido de incons- te dera instruções para o seu primo
titucionalidade da legalização das não recolher à cadeia. Pedi ao juiz
dívidas. “Na qualidade de advogado de Estado, a PGR devia ordenar a suspensão imediata da negociação da restruturação do paga- para me informar por escrito. Com
“Ademais, porquê só agora que a mento das dívidas”, Abdul Carimo base nessa informação escrita oficiei
sociedade é informada que, afinal, charéis em Direito, acabados de ção da República. eles eram também “meios de legi- a Presidência da República pedindo
existem 18 arguidos?”, questionou. graduar, que foram enquadrados no Foi para trazer o sentimento popular timação das atrocidades do siste- confirmação da ordem presidencial,
Abdul Carimo diz que a justiça mo- Ministério da Justiça e organizados para a justiça formal que existiram ma político vigente na altura”. Foi para efeitos de registo no processo e
çambicana está descredibilizada. Por em brigadas de implementação da juízes eleitos com os mesmos pode- através do exercício de participação emissão dos competentes mandados
isso, muitos acham que só se fará Lei da Organização Judiciária. res de decisão dos juízes profissio- popular nos órgãos de justiça, de de soltura. Samora mandou respon-
justiça nesta mega fraude e corrup- Embora o inquestionável alcance nais em matéria de facto e matéria prestação de contas da actividade der que não dera qualquer ordem e
ção se forem os tribunais america- desta medida seja comparada com a de direito. de justiça às assembleias do povo, da que o seu primo deveria recolher à
nos a julgar. que foi tomada em Março de 1978, Quanto aos direitos fundamen- ligação directa e supervisão dos tri- cadeia para cumprir a pena.
O seu percurso profissional confun- não se tem revelado com igual justiça tais básicos, também depende da bunais hierarquicamente inferiores, Depois da independência o poder
de-se com a história da justiça mo- os sacrifícios consentidos e a contri- perspectiva e conjuntura com que que a justiça se fez conhecer. Insti- tradicional deixou de auxiliar a jus-
çambicana após a independência. buição fundamental desta primeira se analisa o problema. Vivíamos o tuições como o Partido Frelimo co- tiça na resolução de conflitos e foi
Como é que analisa o sector? geração de juristas pós-independên- contexto da defesa dos interesses meçaram a ter consciência do papel substituído pelos GDs. Tempos de-
Em termos abstractos olho para o cia. Os poucos que éramos tentámos, colectivos sobre os interesses indivi- dos tribunais, da independência dos pois o modelo anterior foi retomado
sector da administração da justiça tanto quanto nos foi possível. duais. A aliança ideológica operária juízes e de que os tribunais não eram com a criação dos Tribunais Comu-
como a pedra basilar e o sustentácu- No entanto, é preciso destacar dois camponesa. o substituto ou o sucedâneo dos nitários. Como é que encarou essas
lo do sistema democrático. importantes acontecimentos ocorri- Grupos Dinamizadores (GDs), e transformações?
Vezes sem conta nas reuniões nacio-
A justiça é um bem público que deve dos ainda antes da Constituição de que a obediência do juiz era à Cons- O Tribunal Comunitário não subs-
nais onde se discutia, em conjunto
estar ao serviço do desenvolvimen- 1990: a entrada em vigor do Tribu- tituição e à Lei. Estes foram, para tituiu a autoridade do régulo no pós
e de forma global, os assuntos da
to económico, social e do aprofun- nal Supremo e a nomeação dos Juí- mim, momentos de luta que valeram independência, mas sim os GDs. A
justiça (e não em compartimentos
damento da democracia e que tem zes Conselheiros, em Dezembro de a pena serem feitas. justiça popular, essa sim, é que subs-
estanques como se faz hoje), juízes,
como utentes não só as empresas, 1988, e a elevação da Procuradoria Mas no tempo do Partido-Estado, tituiu os GDs no exercício da reso-
procuradores, polícia de investigação
as instituições e as corporações mas, geral da República (PGR) em Ór- as orientações políticas e ideológicas lução de litígios de diversa natureza.
criminal, serviço prisional, se ques-
fundamentalmente, os cidadãos. gão Central do Estado, passando a estavam acima da Lei. Não foi fácil esse processo de retira-
tionava a aplicação de certas nor- Concordo sobretudo quando essas da de competências do GD para os
Não se pode falar dos 40 anos da gozar de autonomia em relação aos
mas por irem contra o sentimento orientações eram de que os tribu- tribunais fazendo aqueles cingirem a
justiça sem ter em conta dois perío- demais órgãos do Estado, em Se-
dos da história do país. O primeiro e incompreensão popular, apesar de nais deviam servir a revolução, o sua actividade para as questões po-
tembro de 1989.
de 1975-1990 e o outro de 1990 a Desde então foi-se assistindo a um estar prescrito na lei. Eram os casos povo. Que os Juízes não deviam ficar lítico administrativas. O vazio veri-
esta parte. Como é que resume cada movimento cada vez maior de inde- da liberdade provisória mediante confinados aos gabinetes. Que era ficado com o abandono do país de
um destes períodos? pendência dos juízes e autonomia do caução ou mediante termo de iden- preciso educar, esclarecer. Que era gente ligada à administração da jus-
Diria que tivemos a primeira Re- Ministério Público como não pode- tidade e residência. Éramos quase preciso julgar os processos com ce- tiça até nos julgados de paz, a des-
pública no período que vai de ria deixar de ser. que “forçados” a não as aplicarmos. leridade. Que a justiça não podia ser confiança nas instituições coloniais e
1975/1990, mas em termos judiciá- ... há sinais que indicam que nos pri- Tudo em favor do respeito e senti- denegada por insuficiência de recur- a afirmação do novo poder político
rios diríamos que esse período vai de meiros 15 anos após a independên- mento popular. Mas, constituía uma sos de quem dela necessitava. Que a administrativo fizeram migrar na-
1977/78 a 1990 e pós 1990, e isso cia, a justiça foi usada, pelo poder afronta ao direito à liberdade e ao justiça devia estar próxima dos cida- turalmente as pessoas para os GDs
porque, em termos de justiça popu- político, como um instrumento de respeito do princípio da presunção dãos. Todos os documentos do Par- para a queixa e resolução de todo
lar esse movimento iniciou-se em negação dos hábitos culturais e os de inocência. tido eram estudados ao pormenor tipo de problemas. Os GDs tinham
1977 com discussão da primeira Lei direitos fundamentais básicos. Havia ou não influência política nas em sessões de estudo, sobretudo as ganho notoriedade e autoridade.
de Organização Judiciária que veio Discordo em absoluto desse exagero. vossas decisões? deliberações do Bureau Político da Como é que conviveu com os Tribu-
a ser aprovada em 1978 e foi, sem A questão cultural, os hábitos, costu- A influência política sempre existiu Frelimo e, em especial, as Directivas nais Militares Revolucionários?
dúvida, um marco não só revolucio- mes e tradições do povo foram sem- como existe hoje, mas com a dife- Políticas Económicas e Sociais do Não tenho a mínima autori-
nário mas histórico e digno de re- pre guia de actuação dos Tribunais rença de muita coragem daqueles Partido Frelimo. dade e conhecimento para fa-
conhecimento e de estudo de vários Populares, em especial dos tribunais companheiros da justiça de então Havia ou não interferência ou obri- lar dos Tribunais Militares Re-
países ocidentais. de base (localidade, aldeia comunal, que tiveram a ousadia de confrontar gação de decidir à margem da Lei? volucionários, até porque o
Contrariamente aos processos de bairro) desde que esses usos e costu- o poder político mediante ordens É claro que sim! Talvez de forma que sabíamos deles, para além
descolonização em geral, no caso de mes não contrariassem a Constitui- ilegais e flagrante violação da lei e da mais ostensiva e visível comparati- das suas competências e dos
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TEMA DA SEMANA
Savana 11-01-2019

juízes e procuradores que os integra- diversa ordem e as leis têm muitas Nunca deveriam fazer parte do sis- sempre um meio termo para tudo e de apelo vindo dos titulares destas
vam, alguns sem formação jurídica, vezes um baixo índice de efectivação tema. ao tratar de questões dessa nature- instituições para o apoio popular na
eram as sentenças que eram torna- e o Estado de Direito mostra ainda Nos últimos anos, as condições za impõe-se o bom senso. A ques- denúncia e combate à corrupção é
das públicas. Como, onde e quando muitas fragilidades. Essa acessi- materiais e financeiras dos profis- tão dos benefícios e remuneração um discurso vazio e ridículo quando
eram realizados os julgamentos, eu, bilidade é desde logo prejudicada sionais de administração da justiça de titulares de cargos públicos tem a sua acção prática está desfasada e
que na altura era o Juiz Presidente por três tipos de razões: capacidade melhoraram. Contudo, reporta-se de ser olhada e aferida de forma em direcção diametralmente oposta
do Tribunal Popular Provincial de formal dos cidadãos conhecerem as com frequência casos de má condu- global. E deve ser transparente, ou ao seu discurso.
Gaza, pouco ou nada sabia. Ques- leis; um regime de apoio judiciário ta destes profissionais. O que está a seja, os salários e benefícios devem
tionávamos, sim, se os direitos e restritivo e um regime de custas ver- falhar? ser de domínio público como aliás já Justiça discriminatória
garantias já consagrados na Consti- dadeiramente proibitivo para a larga Eu disse um dia a alguém que a aconteceu na primeira República. E A Constituição defende que o aces-
tuição da República, na altura, eram maioria dos cidadãos. questão de más condutas e práticas os dirigentes não têm que se sentir so à justiça é um direito fundamen-
respeitados. Os tribunais desempenham papel corruptas no sector da justiça não se devassados na sua privacidade. An- tal. Porém, a realidade mostra um
central no respeito pelos direitos deve a questões salariais. Para quem é tes pelo contrário. cenário diferente. O acesso à justiça
liberdades e garantias e nas econo- corrupto e usa as debilidades do sis- Se as famílias moçambicanas estives- não é para pobres. Algum comentá-
As mordomias devem mias de mercado ao garantir que o tema para práticas ilícitas, a melho- sem a viver momentos de tranquili- rio?
ser para todas classes império do Direito vigore. É a previ- ria salarial só faz aumentar o custo dade na sua economia doméstica, Tenho sérias dúvidas em afirmar que
SURÀVVLRQDLV sibilidade do Direito e das decisões da “propina”. Todos os profissionais esse assunto passava despercebido. o actual regime de apoio judiciário e
Como é que olha para o sistema de das custas judiciais cumprem o de-
judiciais que servem de estímulo da justiça devem ser licenciados em Não passou porque as pessoas que
administração da justiça nos dias de siderato constitucional que confere
para que os indivíduos realizem acti- Direito. Mas nem todo o licencia- vivem momentos de aperto justa-
hoje? a todos os moçambicanos o acesso
vidades económicas, realizem inves- do em Direito pode ser magistrado. mente o consideraram como uma
Olho para o sistema de administra- à justiça e aos tribunais em condi-
timentos com segurança na medida Infelizmente a corrupção atingiu os afronta. Eu gostaria de participar
ção da justiça com certa apreensão. É ções de igualdade? O nosso regime
em que garante a protecção dos fru- últimos baluartes que imaginávamos num debate aberto sobre como tra-
facto que a justiça conquistou o seu de custas judiciais, para além de ina-
tos do seu investimento e actividade. inexpugnáveis a esse mal. Os tribu- tar essas questões sem demagogia e
espaço e se afirmou como um dos cessível, é profundamente injusto, a
Não basta que o poder judicial de- nais, nesse sentido, deixaram de ser populismo, por um lado, mas com
poderes do Estado. Juízes e procura- começar pela desigualdade de trata-
cida os conflitos com base na lei. É um sector do Estado à parte. Nele muito bom senso, com realismo e
dores têm hoje asseguradas as garan- mento entre os operadores de justi-
imprescindível que as decisões, uma também se reflecte a corrupção que com sustentabilidade, por outro.
tias, do ponto de vista legal, para o ça, magistrados judiciais e oficiais de
vez tomadas, em tempo oportuno, se instalou em quase todos os domí- Gilberto Correia, antigo bastonário
exercício independente e autónomo, justiça, entre si, e o Ministério Pú-
sejam estáveis, imutáveis e tenham nios do serviço público. da Ordem dos Advogados, disse,
respectivamente, das suas funções. blico. Parte das custas judiciais são
um relativo grau de previsibilidade. Por falar de privilégios, qual é o seu uma vez que, a justiça é forte para os
E por essa razão esperava mais do destinadas ao complemento salarial
A justiça tem o momento próprio comentário sobre o pedido de me- fracos e fraco para os fortes. Como é
sector. A justiça foi durante muito dos juízes e oficiais de justiça. Um
para se fazer, de contrário não have- lhoramento das regalias dos juízes que olha para a justiça, quando está
tempo tratada como o filho pobre na juiz do cível, laboral, secção comer-
rá justiça. Não há justiça quando o conselheiros do CC. perante casos de grande corrupção
repartição do bolo orçamental. Não cial ou do tribunal de polícia con-
cidadão não consegue resolver o seu Eu não sou apologista de que os di- envolvendo figuras destacados do
é mais. Mas esse acréscimo de inves- segue uma comparticipação emo-
problema em tempo oportuno assim rigentes e os titulares de órgãos de Estado ou do partido Frelimo?
timento em pessoas e bens não se lumentar que o juiz do crime ou de
como não há justiça quando uma soberania não sejam condignamente Apreensivo tanto no que respeita à
reflectiu, proporcionalmente, numa tribunais de pouco movimento não
empresa não consegue, em tempo remunerados, quer pela função que pequena como à grande corrupção.
melhoria na celeridade processual e consegue. Logo, juízes da mesma
útil, cobrar um crédito do qual de- desempenham quer para se mante- E não há nada mais desmotivador no
na eficiência do sector. categoria, porque um está no cível e
pende o seu equilíbrio financeiro e rem distantes de potenciais conflitos combate contra a corrupção como a
O estado da justiça é bom ou mau? outro está no crime, têm remunera-
social. de interesse. impunidade. E, em se tratando de fi-
Um bom sistema de justiça deve ções diferentes. E outros operadores
Como é que avalia os profissionais Gostaria que nessa lista de tratar guras sobre as quais recai o especial
garantir segurança jurídica e esta só do sistema como o Ministério Pú-
da justiça nos dias de hoje? condignamente a função estives- dever de integridade e probidade,
é alcançada se ela for acessível, pre- blico não têm essa mesma compar-
Há gente muito bem formada e com sem os médicos, os enfermeiros, os mais eleva o descrédito das institui-
visível, eficiente, célere, oportuna e ticipação emolumentar, ou se a tem,
muita qualidade. Há profissionais professores e os polícias. Mas todos ções que tem a especial obrigação no
credível, sobretudo em países como é diferenciada. E ambos prosseguem
íntegros e dedicados. Mas há muita sabemos que seria demagogia pedir seu combate, o Ministério Público
o nosso onde os compromissos de o mesmo fim: a realização da justiça.
gente que se enganou na profissão. isso na situação do País. Mas há e os Tribunais. Qualquer discurso
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Esta situação cria perversão no sis- com detalhe, as acções a serem de- munitários, que têm dignidade
tema. senvolvidas durante essas fases. Essa constitucional, é absolutamente in-
Eu sou manifestamente contra o fac- proposta foi resultado de um longo compreensível. É a estas instâncias e
to deste ónus (co-financiamento do trabalho de investigação e de refle- noutras de âmbito comunitário que
sistema) recair sobre os cidadãos e xão sobre o sector, com a participa- os pobres deste país recorrem para
não no Estado para quem deveriam ção de uma pluralidade de actores do resolver os seus problemas. São es-
ser dirigidas as custas. Se há que me- sistema de justiça e da comunidade tas variadas instâncias que garantem
lhorar o regime salarial dos magis- na elaboração do diagnóstico dos a paz e a estabilidade social. Todos
trados que se faça via orçamento do problemas e propostas de solução.
os debates sobre a reforma da justiça
Estado e não por via de comparti- O juiz João Carlos Trindade, então
em África giram à volta da definição
cipação emolumentar, que recai com director do Centro, dirigiu esse es-
do papel a dar às diversas formas de
peso significativo no cidadão. tudo e a elaboração da proposta. Em
Está neste momento em revisão o minha opinião, a aprovação da Lei justiça das comunidades.
Código das Custas Judiciais. E da- de Bases da Organização Judiciária, O reconhecimento do pluralismo e
quilo que conheço, a proposta é sim- significaria um salto quantitativo a articulação entre as diferentes or-
plesmente vergonhosa e inaceitável! ímpar no desenvolvimento e credi- dens jurídicas implica, obviamen-
Se olharmos para o que se propõe, bilidade do sector. te, alterações no sistema judiciário.
e se compararmos com os países O que deve ser feito para melhorar o Estas alterações deverão ocorrer na
da comunidade falante da língua sistema de administração da justiça? articulação entre o sistema judicial, a
portuguesa (Portugal, Timor Leste, Creio que a justiça como ela existe, justiça comunitária e as autoridades
Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, hoje, em Moçambique, esgotou o seu tradicionais… No entanto, antes de
Moçambique, São Tomé e Príncipe modelo. Não fomos capazes de aper- mais, é necessário alterar o âmbito
e Angola) Moçambique figura entre feiçoar, melhorar e consolidar o mo- da organização e estruturação dos
os mais caros nos sub-indicadores delo que havíamos instituído no pós tribunais.
de custas de processos de execução. independência. Foi mais fácil copiar Quem mais lhe marcou neste pro-
Isso quer dizer que um empreende- modelos caducos nos seus países, e cesso de edificação do sector da jus-
dor que deseje executar um contrato desfasados da realidade nacional e tiça em Moçambique?
nos tribunais moçambicanos terá de regional e, manifestamente, não sus- Abdul Carimo diz que o país não foi capaz de o modelo que havia sido instituído no
pós independência Por ocasião dos 40 anos da edifica-
desembolsar 18% do valor da causa tentáveis. Acredito, firmemente, que
ção da pirâmide judicial gostaria de
para o pagamento dessas custas, en- enquanto a justiça não for objecto de tal, descomplexado e despreconcei- sentido, o sistema de justiça deve saudar os fundadores deste edifício,
quanto que em Cabo Verde gastaria uma profunda e substancial reforma tuado e tendo como pressuposto a oferecer respostas plurais e propor
um pouco mais da metade desse va- na sua estrutura e nos procedimen- ainda inacabado de relembrar com
coerência, o realismo, a exequibili- soluções diferentes para fazer face saudade aqueles que já não se encon-
lor (10%) e em Portugal pouco mais tos, a par de melhoria das condições dade e a sustentabilidade do siste- à conjuntura da crise na justiça e à
de 1/3 (6,5%). de trabalho, quaisquer que sejam os tram entre nós. Mas gostaria, em es-
ma, evitarmos ser engolidos pelos litiogiosidade crescente da socieda-
Moçambique é o terceiro país, dos recursos alocados ao serviço público pecial de saudar, o principal obreiro
sonhos e protagonismos, humano e de, dentro da diversidade promovida
nove, com as custas mais elevadas! E de justiça não serão suficientes para do que hoje se comemora: o advo-
compreensível, de cada um. pela complexidade da sociedade em
isso tudo sem contar que a proposta cobrir a multiplicidade das questões gado democrata, o ministro, o reitor
Outra questão não menos impor- que vivemos. E essas soluções pas-
contém uma redacção muito extensa que afluem diariamente aos tribu- da UEM, o diplomata, o professor,
tante no âmbito da reforma da jus- sam por dar respostas mais maleá-
com 187 artigos quando a média de nais. A reforma do judiciário que o Juiz, o Homem Rui Baltazar dos
tiça tem a ver com a diversidade veis por parte do sistema de justiça,
artigos em Portugal e Brasil, incluin- se requer, se bem que importante, Santos Alves pelos valores de simpli-
que caracteriza as sociedades. Essa indo ao encontro de velhas e novas
do as legislações estaduais, rondam não pode confirmar-se a mera re- cidade, humildade, integridade, ver-
complexidade que não é nova e que realidades. Os tribunais comunitá-
os 37 artigos. Eu olho para estas três forma legislativa. Ela deve ir fundo ticalidade que sempre cultivou e que
se acentua cada vez mais, constitui rios e outras formas de composição
questões, em especial, para a questão nas causas da sua ineficiência, de foram fonte de inspiração para gente
um novo paradigma que obriga ne- de conflitos são uma resposta.
das custas judiciais, como ele está, forma aberta e descomplexada, sem da minha geração. Nos tempos que
cessariamente o Direito a adquirir A arbitragem, a mediação empresa-
como denegação do acesso à justiça hesitações ou receios, sem estereóti- correm, sector de Justiça, por ocasião
suficiente plasticidade para inter- rial, a mediação laboral são também
dos cidadãos. pos ou modelos pré-concebidos. O dos 40 anos, na omissão do Estado
vir com prontidão e previsibilidade uma resposta. E ainda outras varia-
Sob sua liderança, a Unidade Téc- ponto de partida deve assentar em
num mundo onde a diversidade ten- das formas de justiça comunitária. em o fazer, deveria, publicamente,
nica da Reforma Legal (UTREL) documento de Visão da Justiça para
de a ser regra. Por esta razão, em vez A forma indigna como tem sido reconhecer e homenagear este Qua-
produziu propostas diversas da le- o sector e o consequente Plano Es-
de se proporem soluções num único tratada a questão dos tribunais co- dro raro da nossa República.
gislação sobre a reforma do siste- tratégico Integrado que permitiria o
ma judicial que hoje tornaria mui- exercício de uma acção integrada e
to mais simples o acesso à justiça.
Como é que o Governo tratou as
vossas recomendações?
global, e nunca sectorial, como acon-
tece, faseada no tempo e no espaço
e em consequente desenvolvimento
A PGR peca por não ter se deixado
De facto chefiei a UTREL de 2002 conjunto, equilibrado e harmonioso
a 2012 e com efeito produzimos
diversa legislação com recurso a ca-
pacidades nacionais. A CIREL (Co-
de todos os intervenientes na ad-
ministração da justiça, e não apenas
o desenvolvimento de uns (como
comunicar com a sociedade
A
missão Internacional da Reforma acontece) que, por falta de desen-
té que ponto a detenção de antigo ministro das informou não ter provas suficientes para incriminar
Legal) aprovou uma política e es- volvimento de outros, só prejudica
Finanças, no estrangeiro, a mando de outro as pessoas envolvidas. E a questão da prova com a
tratégica da Reforma Legal centra- o resultado final: a realização da jus-
país, pode ser um atestado de incompetência à dimensão e raízes intercontinentais, sem cooperação
da em três vectores designadamente tiça. Só assim parece possível olhar
justiça moçambicana? dos países, não se fez. Por outro lado, o cidadão ficou
organização do Estado, no geral, no tempo o que é hoje a justiça e o
reforma do judiciário e ambiente de que queremos que ela seja daqui a sem saber se, com o envio do processo ao Tribunal
negócios. 10, 20 anos. Sendo a justiça, como Acho que não porque, para os EUA houve violação Administrativo por alegadas infracções financeiras,
Não existiu qualquer bloqueio do resultado, produto duma relação po- do FCPA (Foreign Corrupt Practices Act), de USA será que deixaram de existir infractores criminais?
governo às nossas recomendações. liândrica é impensável qualquer re- Patriot Act de 2001 e da Lei de sigilo bancário dos Ademais, por quê é só agora que a sociedade é infor-
Em alguns casos houve incapacida- sultado que não atenda, num plano EUA, do UK Bribery Act e da lei anti-corrupção mada que, afinal, existem 18 arguidos? Ter tido isso
de da Assembleia da República de de desenvolvimento integrado, os que, em determinadas situações estabelecem juris- em tempo oportuno, até citar as pessoas, não consti-
apreciar algumas propostas legislati- tribunais, o ministério público, os dições entre um crime sempre que envolver o uso tuiria qualquer violação do segredo da justiça nem se
vas designadamente, Lei sobre Esta- serviços penitenciários e a SERNIC. de meios ou instrumentos de comércio estadual ou estremecia eventuais medidas de coação ou preventi-
do de Emergência, a Lei da Acção A concepção e edificação deste im- estrangeiro. Para os EUA foram cometidos crimes vas visando a recuperação de activos.
Popular, que finalmente já foram portante sector do Estado e duma de fraude financeira, branqueamento de capitais e A PGR exige a que os arguidos sejam julgados em
tratadas. O bloqueio, e que na minha sociedade democrática e de Direito fraude electrónica, suficiente para requer-se a prisão e Moçambique. Será que os moçambicanos estão pre-
opinião prejudicou o acesso à justiça, é uma questão nacional que não se extradição, desde que provados os factos. parados para aceitar as decisões da justiça moçam-
por um lado, e a organização e de- compadece com eventuais interesses Há correntes que classificam o último comunicado bicana tendo em conta o seu papel apático neste
senvolvimento do sector de forma corporativos por mais compreensí- da PGR, sobre a detenção de Manuel Chang, como processo?
mais coerente, sustentável e demo- veis que eles sejam. O Estado, tem extemporâneo. Comunga a mesma ideia? O sector da justiça está descredibilizado. Por isso,
crática, veio do próprio sector judi- reflectido muito pouco sobre a natu- A PGR na sua qualidade de advogado de Estado de- muitos acham que só se fará justiça, só se conhecerão
cial: bloqueio à proposta do Código reza e a estrutura do nosso poder ju- via recomendar a suspensão imediata da negociação os contornos desta mega fraude e corrupção se forem
das Custas Judiciais que propunha a dicial e do nosso ministério público, da restruturação do pagamento das dívidas. Também os tribunais americanos a julgar.Comomoçambicano,
sua simplificação, clareza e redução em especial. Mesmo dentro das ins- devia informar quando é que iniciaria com o processo apesar de desacreditar o sector da justiça, não posso
drástica dos valores, em 2007/2008. tituições judiciárias o debate é limi- de responsabilização dos bancos envolvidos na fraude deixar de defender o julgamento de moçambicano no
O outro bloqueio, também vindo do tado e organizado unicamente pelas e, por fim, informar quando é que irá dar início a um solo pátrio.
sector, e este para mim mais grave, corporações, e não se vê suscitar uma pedido de inconstitucionalidade da legalização das É possível responsabilizar o antigo ministro das Fi-
teve a ver com a Proposta de Lei reflexão motivada pelo Parlamento, dívidas, não obstante estar em curso um outro pedido nanças sem se atingir o seu então superior hierárqui-
de Bases da Organização Judiciária, pelo Executivo e pela academia. da sociedade civil. co?
preparada pelo Centro de Formação ...e como inverter este cenário? A PGR peca por não ter se deixado comunicar com A penalização de qualquer cidadão deve ser na base
Jurídica e Judiciária sob a direcção Este assunto merece, a começar den- a sociedade sobre este assunto que é o prato do dia e de provas e não em suposições por mais verosímeis
da UTREL, que propunha uma im- tro do sector, mas a não se esgotar sobre a qual todos olhos estão virados. que sejam. Havendo prova para quem quer que seja a
plementação por fases. A lei definia, nele, um debate aberto, sereno, fron- Por exemplo: em dois momentos distintos a PGR responsabilização é inevitável.
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TEMA DA SEMANA
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Gringos desmontam segurança costeira

No galinheiro da fraude
E
a telenovela da segurança dia dizendo: “Uma questão muito directamente pelo governo ou ga-
costeira ganhou um novo importante que deve ficar clara: rantida por este.
mega capítulo. De acordo já tivemos várias experiências ne- A 13 de Setembro de 2012, An-
com a acusação do Depar- gativas em África. Especialmente drew Pearse (um neozelandês que
tamento de Justiça dos EUA, os relacionadas com o pagamento de ajudou duas empresas ligadas aos
obreiros da fraude dos emprésti- ‘taxas de sucesso’ antes da assinatu- serviços secretos moçambicanos a con-
mos escondidos, negociavam em ra do contrato do projecto”. trair uma dívida e identificado como
galinhas, um eufemismo para as O contacto moçambicano res- indivíduo B no relatório Kroll) via-
“luvas” e subornos que pagaram pondeu no dia 14 de Novembro: jou para os EAU a fim de se en-
aos governantes moçambicanos, “Fabuloso, concordo consigo em contrar, de entre outros, com Bous-
incluindo Manuel Chang, o anti- princípio. Vamos concordar e olhar tani, o contacto moçambicano e
go ministro das Finanças de Ar- para o projecto em dois momentos um familiar directo de um alto di-
mando Guebuza, que até ao fecho distintos. O primeiro é massajar o rigente do governo moçambicano.
desta edição ainda lutava num sistema e conseguir obter a vonta- Ao que o SAVANA apurou, “o fa-
tribunal sul-africano contra a sua de política para avançar... o segun- miliar directo de um alto dirigente
extradição para os Estados Unidos do é a implementação/execução do moçambicano”, é Ndambi Guebu-
da América. Ao centro o empresário libanês Iskandar Safa, beneficiário chave dos negócios projecto. Concordo que quaisquer za, filho do na altura Presidente da
Porém, os subornos não foram pa- das três empresas das dívidas ocultas, em diálogo com Manuel Chang, na altura pagamentos só podem ser feitos República, Armando Guebuza.
gos em frangos. Foram deposita- ministro das Finanças de Moçambique depois da assinatura. Isto deve ser Parece ter sido neste encontro
dos avultadas somas em dinheiro ve como o libanês Jean Boustani, Novembro, desta vez provenientes tratado em separado da implemen- onde foi seguida a orientação do
vivo destinado a subornos e “luvas”, do estaleiro Privinvest, abordou o do banco de investimento 2, que tação do projecto...porque para a envolvimento de Manuel Chang,
em várias contas dos Emiratos Governo moçambicano em No- é o VTB Capital, da Rússia. Com implementação do projecto haverá este, que no dia 22 de Dezembro
Árabes Unidos (EAU) e Espanha, vembro de 2011, propondo o de- estes suplementos, o montante do outros actores cujo interesse deve de 2012, mandou uma carta para o
de acordo com a acusação do De- senvolvimento de um sistema de empréstimo da Proíndicus atingiu ser tomado em conta, como por conspirador 2 da Privinvest, expli-
partamento de Justiça dos EUA, protecção dos 2.470 quilómetros um total de 622 milhões de dólares. exemplo, o Ministério da Defesa, cando que este financiamento en-
apresentada num tribunal de Nova de extensão da linha de costa de “A Proindicus nunca realizou qual- o Ministério do Interior, a Força frentava constrangimentos resul-
Iorque. Moçambique. quer tipo de operações ou produ- Aérea, etc.... em governos demo- tantes das limitações impostas pelo
Esta é a acusação que está por de- zido qualquer tipo de receitas, e cráticos como o nosso, as pessoas FMI na obtenção, por Moçambi-
trás da detenção de Manuel Chang Proíndicus entrou em incumprimento a 21 de passam, e todos os envolvidos vão que, de mais créditos comerciais.
no Aeroporto Internacional OR De acordo com a acusação, na rea- Março de 2017”, diz a acusação. querer ter a sua parte do negócio Assim sendo, dizia a carta de
Tambo, a 29 de Dezembro, quando lidade, os co-réus, juntamente com Mas tudo começou em 2011, enquanto ainda estiverem em fun- Chang, “encontramos uma solução
estava em trânsito para Dubai. outros, criaram os projectos maríti- quando Jean Boustani, em discus- ções, porque uma vez fora, será di- alternativa, em que será constituí-
Quatro dias depois, três antigos mos como fachada para mobilizar sões com um indivíduo cujo nome fícil. Portanto é importante que a da uma SPV (uma empresa criada
banqueiros do Credit Suisse, no- dinheiro, visando o seu próprio en- foi bloqueado no despacho da taxa de sucesso pela assinatura do para um fim específico)”.
meadamente Andrew Pearse (da riquecimento, e intencionalmente acusação, terá procurado persua- contrato seja acordada e paga de No dia 28 de Fevereiro de 2013,
Nova Zelândia), Surjan Singh desviaram partes dos fundos resul- dir funcionários governamentais uma única vez, depois da assinatura Chang assinou a carta de garantia
(Reino Unido) e Deletina Subeva tantes dos empréstimos para pagar moçambicanos a aceitarem a ins- do contrato”. para o empréstimo da Proindicus,
(Bulgária) foram detidos em Lon- pelo menos 200 milhões de dólares talação de um sistema de controlo Ipso facto, num email de 28 de De- e entre Outubro e Dezembro rece-
dres e também enfrentam um pe- em subornos e luvas a eles próprios, marítimo através de um contrato zembro, Boustani e o referido indi- beu 5 milhões de dólares numa sua
dido de extradição para os EUA. a dirigentes do governo de Mo- com a Privinvest. Uma ONG mo- víduo concordaram no pagamento conta bancária na Espanha.
Um quinto acusado, Jean Boustani çambique e a outros envolvidos. çambicana adiantou, esta quarta- de 50 milhões de dólares em luvas Mas este não foi o único emprésti-
(Líbano), a peça chave de toda tra- Os conspiradores aplicaram ape- -feira, que o nome do indivíduo é e subornos para funcionários go- mo para a Proindicus.
móia, foi preso na República Do- nas uma porção dos fundos para os Teófilo Nhangumele, um lobista vernamentais moçambicanos e 12 A 28 de Março de 2013, Andrew
minicana no dia 01 de Janeiro, com projectos marítimos. Como parte que trabalhou anteriormente na milhões de dólares para os conspi- Pearse informou os seus colegas
um mandado de detenção interna- do esquema, a Privinvest cobrou embaixada britânica de Maputo e radores da Privinvest. no Credit Suisse, nomeadamente
cional, e expulso do país para ser preços inflacionados pela aquisi- na BP. “Tudo bem irmão. Já consultei, Surjan Singh e Detelina Subeva,
transferido para os Estados Uni- ção do equipamento e prestação de “Quase imediatamente, Boustani e por favor coloque 50 milhões que a Proindicus precisava de mais
dos, onde chegou no dia seguinte. serviços, cujos valores foram depois e (nome bloqueado) negociaram a de frangos. Seja qual for a quan- 250 milhões de dólares, facto que
Encontra-se agora em detenção usados, pelo menos em parte, para primeira ronda de subornos e luvas tidade que tiver na sua capoeira se concretizou com a assinatura de
preventiva numa cadeia de Nova pagar subornos e luvas. Depois de que a Privinvest teria que pagar a acrescentarei 50 milhões da minha mais uma garantia, em Junho do
Iorque. algumas actividades sem qualquer funcionários do governo moçam- raça”, respondeu no mesmo dia o mesmo ano.
Os investigadores norte-ameri- expressão, a Proindicus, a EMA- bicano como condição para que o moçambicano, demonstrando con- Como recompensa pelo seu tra-
canos acusam os detidos de criar TUM e a MAM não conseguiram projecto tivesse aprovação”, diz a cordância em relação à proposta de balho em facilitar a autorização
projectos marítimos de fachada amortizar os seus empréstimos e acusação. Boustani. dos empréstimos para a Proíndi-
para angariar dinheiro visando o estão inactivas e em falência téc- Os investigadores parecem ter ba- No dia 23 de Janeiro de 2013, cus, Pearse recebeu, entre 2013 e
seu enriquecimento ilícito, com nica.. seado o seu trabalho com base no cinco dias depois da assinatura do 2014 luvas um total de 45 milhões
pelo menos 200 milhões de dólares O primeiro dos projectos foi o acesso que tiveram a emails troca- primeiro contrato de 366 milhões de dólares, pagos pela Privinvest.
pagos em subornos e luvas. Não é da Proindicus, que entrou em ac- dos entre os acusados. de dólares, Boustani instruiu um Deste valor partilhou 2,2 milhões
de estranhar que esta semana, os ção no dia 18 de Janeiro de 2013, Na verdade, citam um email en- banco dos Emirados Árabes Uni- de dólares com Subeva.
advogados de Boustani ofereceram quando esta empresa alcançou um viado Boustani, no dia 11 de No- dos (EAU) a proceder a pagamen-
USD20 milhões como caução para acordo com a Privinvest, visando vembro de 2011, por um indivíduo tos ao seu contacto moçambicano EMATUM
libertar o libanês da Privinvest. o fornecimento de material e for- cujo nome está bloqueado mas que e ao conspirador moçambicano 1 No dia 2 de Agosto de 2013, o
Em 2017, um relatório de audi- mação de técnicos para a protecção se presume que seja o principal no valor de 5,1 milhões de dóla- Credit Suisse aceitou conceder
toria realizada pela firma nova- costeira. elo de ligação da parte moçambi- res para cada um, acrescidos de 3,4 um empréstimo de 850 milhões
-iorquina Kroll, encomendada pela De acordo com a acusação, no dia cana, António Carlos do Rosário, milhões de dólares também para de dólares à EMATUM, também
Procuradoria-Geral da República 28 de Fevereiro do mesmo ano, em que se diz: ”Para garantir que cada um, numa data posterior e com garantias do governo. Ao que
de Moçambique e pago pela Sué- no cumprimento de um contrato o projecto seja aprovado pelo HoS não especificada. apurámos, o contrato foi assinado
cia, concluiu que, pelo menos 500 de empréstimo, “o banco de in- (Chefe de Estado (Armando Gue- Mas todas estas movimentações por António Carlos do Rosário,
milhões de dólares, dos dois biliões vestimento número 1”, que pela buza), na abreviatura em inglês), só seriam possíveis se houvesse o antigo director da inteligência
de dólares dos referidos projectos, descrição se percebe tratar-se do um pagamento deve ser acordado uma colaboração de importantes económica do SISE, em nome da
não foram justificados e que os Credit Suisse, concordou em cons- antes de lá chegarmos, para que membros do governo moçambica- EMATUM, e Surjan Singh, pelo
equipamentos comprados foram tituir um sindicato bancário para saibamos e concordemos, de forma no, facto que exigia que os mesmos banco.
inflacionados em pelo menos 713 a mobilização de um montante de atempada, o que deve ser pago e fossem também subornados. Mas deste valor o Credit Suisse só
milhões de dólares. O Departa- 372 milhões de dólares, com uma quando. Seja quais forem os adian- Para conseguir os empréstimos, adiantou 500 milhões de dólares,
mento de Justiça do governo fede- garantia do governo, assinada por tamentos a serem pagos antes do Boustani procurou o apoio do tendo os restantes 350 milhões de
ral americano, na sua acusação, cor- Manuel Chang. projecto, poderão ser incorporados Credit Suisse, mas funcionários dólares sido concedidos pelo VTB
robora que os preços dos serviços Entre Junho e Agosto de 2013, e recuperados”. Em todo o docu- do banco tornaram claro que tal só Capital.
e equipamentos fornecidos, foram este montante viria a sofrer um mento, este é a única referência in- seria possível se o empréstimo esti- De acordo com a investigação
largamente inflaccionados aumento na ordem de 132 milhões directa envolvendo Guebuza nos vesse a taxas de juro comerciais ou americana, a EMATUM nun-
A origem do calote de dólares, com um novo aumen- pagamentos ilícitos. próximas desse nível, com a con- ca esteve nos planos iniciais
A acusação de 47 páginas, descre- to de 118 milhões de dólares, em No mesmo dia, Boustani respon- dição de que a dívida seja emitida quando foi concebido o pro-
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jecto de proteção costeira, mas Privinvest). Facturas de tudo, meu MAM. Tais pagamentos incluem
viria a ser criada como mais um irmão. Cada uma mencionando a aproximadamente 13 milhões de
veículo para defraudar o Estado natureza da transação (aquisição dólares para alguém cujo nome
moçambicano e enriquecer ainda imobiliária... etc...). Mesmo para está rasurado, cerca de 5 milhões
mais os seus mentores. o Pntero (referencia a Chang), um de dólares para Chang, 918 mil
A acusação diz que, enquanto o pequeno papel que diz, “consulto- dólares para o conspirador 2, e ou-
Credit Suisse aumentava o emprés- ria”. tros 1,8 milhões de dólares para o
timo para a Proíndicus, Pearse, Su- conspirador 3.
beva, Boustani e do Rosário, junta- MAM
Ao que o SAVANA apurou, os
mente com outros, acordaram num A MAM é a terceira empresa
criada no âmbito de todo este es- “conspiradores” são Isaltina Lu-
esquema para obrigar Moçambi- cas Sales, actual vice ministra de
que a contrair mais um emprésti- quema fraudulento, tendo obtido
um empréstimo de 535 milhões Economia e Finanças, Henrique
mo de 850 milhões de dólares, uma Gamito, que foi um dos directores
porção significativa dos quais “se- de dólares, também supostamente
para a aquisição de bens e serviços da EMATUM e Ndambi Guebu-
ria encaminhada para a Privinvest
à Privinvest. A empresa destinava- za, filho do antigo chefe de Estado
e depois aplicada, pelo menos em
-se a prestar serviços à Proíndicus e moçambicano, Armando Guebuza.
parte, para outros subornos e luvas,
à EMATUM, com a construção de Os três terão visto os seus nomes
pagar lucros inflacionados e amor-
um estaleiro e reabilitação de dois omitidos na acusação por terem
tizar o empréstimo da Proíndicus,
de modo a evitar a descoberta do outros estaleiros. colaborado nas investigações.
esquema fraudulento”. O projecto da MAM previa lucros De acordo com a acusação: o “cons-
Em Julho, Pearse anunciou que &DVDO*XHEX]DHRVHXÀOKR1GDPEL*XHEX]D de 63 milhões de dólares no final pirador 1”, acusado de envolvimen-
iria abandonar o Credit Suisse, do primeiro de actividade. Porém, to na aprovação pelo Governo do
confiaria da adjudicação directa, Para ocultar a natureza ilegal des- em Maio 2016 não tinha nenhuma projecto da Proindicus ganhou de
mas que continuaria funcionário,
em gozo de férias até Setembro. sem concurso, de mais um contrato tes pagamentos foram usadas ter- receita e entrou em incumprimen- subornos 8.5 milhões de dólares,
Aproximadamente na mesma al- a favor da Privinvest, empresa-mãe ceiras partes. to em relação aos empréstimos que o “co-conspirator 2”, identifica-
tura, o banco pôs fim ao contra- da família Safa. Por exemplo, a 17 de Outubro de contraiu junto do VTB. do como familiar de um dirigente
to de trabalho de Subeva. Como Com efeito, no dia 31 de Julho, 2013, Boustani enviou um email a Uma palmilha que foi mantida moçambicano, recebeu 9.7 milhões
o SAVANA escreveu na altura, Boustani enviou um email a Sube- um dos acusados, afirmando: “Pre- na posse de um dos acusados, su- de dólares e o “co-conspirador 3”,
Andrew Pearse, quadro sénior do va, dizendo: “Gente, abaixo segue ciso urgentemente de facturas em postamente Rosário, mostra que a identificado como um quadro sé-
Crédit Suisse, que estruturou os o meu argumento que penso que nome de: Logistics International Privinvest também pagou subor- nior do Ministério das Finanças,
empréstimos concedidos por esta nós (neste caso a EMATUM), de- Abu Dhabi (uma subsidiaria da nos para a obtenção do contrato da ganhou dois milhões de dólares.
instituição bancária à Ematum e à verá apresentar (ao Credit Suisse)
Proindicus, deixou o banco suíço, na próxima semana em Maputo...
para trabalhar directamente para os titulares (neste caso os vários
ministérios envolvidos, mas fun-
o beneficiário chave dos negócios
que colocaram a credibilidade de damentalmente o SISE) a pedi- Dívidas ocultas
do do Presidente, fomos a quatro

PGR tenta apanhar os cacos


Moçambique na lama, o empre-
sário libanês Iskandar Safa, uma estaleiros solicitar propostas para
figura do círculo familiar do Presi- a construção de uma frota... Não
dente Guebuza. há necessidade legalmente de um

Q
Mas os dois continuaram a tratar concurso público uma vez que as
regras não se aplicam a empresas uase uma semana após a detenção do 2014, pelas empresas moçambicanas Proindi-
assuntos relacionados com o pro-
privadas, mas de qualquer modo antigo ministro das Finanças Manuel cus, Ematum e MAM, junto dos bancos Credit
cesso das dívidas de Moçambique,
solicitaram propostas. Só a ADM Chang, a Procuradoria-Geral da Re- Suisse e VTB Capital, com garantias do Estado
e contrariando os procedimentos
(uma empresa do grupo Privin- pública de Moçambique (PGR) deu moçambicano.
internos do banco, com recurso
vest) respondeu com uma proposta a conhecer a sua primeira posição sobre o as- A Procuradoria moçambicana também emitiu
a contas pessoais de email para
“conspirar com funcionários su- completa, oferecendo uma solução sunto. pedidos de cooperação internacional aos Emi-
periores do governo moçambica- integrada com equipamento de A posição da PGR veio contida num comuni- ratos Árabes Unidos e Reino Unido da Grã
no”. O jornal também reportou na patrulha, um centro de comando e cado de imprensa que distribuiu na segunda- Bretanha, países onde ocorreram parte dos
altura que quando o escândalo da barcos”. -feira, depois de um recuo na ideia inicial, am- factos descritos no processo sobre as dívidas
dívida despoletou, Andrew Pearse Em resposta, Boustani disse: “Va- plamente divulgada, de que a instituição falaria ocultas.
deslocava-se com regularidade a mos dizer que contactamos esta- em conferência de imprensa. “No que concerne aos factos ocorridos na juris-
Maputo para tratar da reestrutura- leiros na África do Sul, Espanha e dição moçambicana, a PGR prossegue com a
ção da dívida da Proindicus com o Portugal, sem mencionar nomes”. A nota traz revelações que dada a importân- instrução preparatória”, lê-se na nota.
“chapéu” da Polomar Capital Ad- Para uma investigação forense a cia do tema deviam ter sido divulgadas antes A nota refere que foram constituídos 18 argui-
visers, uma das empresas ligadas ser efectuada a Maputo por repre- da detenção de Manuel Chang e não depois dos em Moçambique.
a Safa. Já depois do escândalo das sentantes do Credit Suisse, Singh, de conhecido o pedido de extradição do antigo A PGR não fornece os nomes das pessoas
“dívidas ocultas” ter rebentado em Pearse e Subeva disponibilizaram ministro das Finanças. constituídas arguidos, quando no passado já o
Março de 2016, Pearse e os seus aos funcionários moçambicanos No comunicado, a PGR repete uma queixa que fez, como procedeu no “caso Embraer”, em que
advogados costumavam redigir um guia sobre o tipo de perguntas já tinha feito a titular da entidade, Beatriz Bu- anunciou pomposamente que os nomes dos ar-
cartas e mensagens intimidatórias que seriam levantadas pelos fun- chili, na sua informação anual na Assembleia guidos desse processo. Mas o SAVANA sabe
aos jornalistas que investigavam o cionários do banco, assim como as da República. parte significativa dos 18 arguidos estão na lista
escândalo. respectivas respostas. De acordo com a nota, os EUA não respon- das figuras que em Abril de 2017 a PGR soli-
“Por exemplo, no dia 4 de Julho de Por esta operação, Singh recebeu deram a uma carta rogatória que expediu em citou a quebra de sigilo bancário no quadro da
2013, Pearse usou a sua conta pes- da Privinvest seis pagamentos to- Março de 2017 sobre o processo relativo às dí- auditoria forense das chamadas “dívidas ocul-
soal de email para comunicar com talizando cerca de 4,49 milhões de vidas ocultas e que levaram à detenção do anti- tas” executada pela Kroll.
Subeva e Boustani algumas ques- dólares. Outros pagamentos foram go ministro das Finanças. Vários círculos de opinião consideram que o
tões sobre uma proposta que Pear- feitos por Boustani a dirigentes do “Relativamente aos EUA, a PGR emitiu no mutismo das autoridades norte-americanas em
se havia elaborado para a criação governo moçambicano. dia 30 de Março de 2017 uma carta rogatória, relação ao pedido de cooperação judiciária pela
de uma frota de pesca de atum”, Com efeito, no dia 8 de Abril de seguida de diversos aditamentos, o último dos contraparte moçambicana poderá ter a ver com
diz a acusação, acrescentando que 2014, Boustani enviou um email quais a 14 de Março de 2018, solicitando infor- a desconfiança dos EUA quanto à seriedade de
no mesmo dia, Boustani respondeu a um dos acusados, afirmando mações”, afirma a PGR. Maputo em ver esclarecido o caso.
dizendo que um dos acusados, cujo que a Privinvest havia pago “125 A PGR adianta que apenas tomou conheci- A conhecida captura das instituições do Es-
nome está rasurado mas que se milhões de dólares a todos, para mento das acusações que a justiça norte-ame- tado, incluindo Justiça, pela Frelimo pode ter
supõe que seja do António Carlos tudo”. Boustani sumarizou a distri- ricana imputa a Chang a 31 de Dezembro, dissuadido as autoridades norte-americanas de
Rosário, “iria avante com todas as buição dos pagamentos, incluindo através de uma cópia entregue pela embaixada qualquer acção no caso.
sugestões necessárias para a maxi- 8,5 milhões de dólares para um norte-americana em Maputo, e não em sede de “Não se pode pedir à Frelimo que se investigue
mização do tamanho do financia- dos acusados não identificados resposta à carta rogatória. e se condene a si própria”, comentou um ana-
mento”. mas que pela descrição supõe-se Além de Chang, adianta a nota, a justiça norte- lista, fazendo nota a quase impossibilidade de
Para a materialização deste plano, que seja Rosário, outros 8,5 mi- -americana pretende julgar mais dois moçam- uma justiça controlada pelo partido no poder
Boustani, Pearse, Singh e Sube- lhões de dólares para o conspirador bicanos, elevando para três o número de mo- julgar quadros desta formação política.
va criaram concursos falsos para 1, 15 milhões de dólares para um çambicanos acusados no processo. Moçambique tem exemplos bastantes de qua-
a aquisição do respectivo equi- outro acusado não identificado, 7 A PGR refere ainda que os factos de que os dros que pagaram pela sua própria vida por te-
pamento, antecipando-se assim a milhões de dólares para Chang e 3 três arguidos são acusados estão relacionados rem tentado esclarecer escândalos financeiros
possíveis questões a serem levan- milhões de dólares para o conspi- com o caso da dívida contraída, entre 2013 e envolvendo a chamada nomenclatura.
tadas pelo Credit Suisse, que des- rador 3, entre outros.
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Savana 11-01-2019 9

“A empresa cresceu
e o meu orgulho em
cá trabalhar também”
Zefanias, colaborador da Higest.

Quando investimos em empresas Moçambicanas, não estamos


só a promover a sua expansão e entrada em novos sectores.
Estamos também a criar melhores condições de vida para
os trabalhadores e comunidades em que estamos inseridos,
pois o sucesso traz benefícios para todos.

Há 40 anos que nos orgulhamos de contar histórias


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Manuel Chang: a ponta do iceberg


O
caso da detenção de Ma- sessão fosse filmada e fotografada A procuradora disse que isso não
nuel Chang, antigo mi- pelos jornalistas, Manuel Chang faz sentido, porque a ocultação
nistro das Finanças na deixou-se fotografar, olhando fron- de outros nomes é para prevenir a
administração Armando talmente para os muitos jornalistas fuga. A juíza concordou que não
Guebuza, ainda vai dar muito pano moçambicanos presente na sala. seria disponibilizada mais informa-
para a manga. Manuel Chang é fi- Chang não dirigiu uma só palavra ção à Manuel Chang para além da
gura central na emissão de garan- ao Tribunal, levantava-se e sentava que já consta da acusação.
tias soberanas para a contratação sempre que fosse solicitado, porém O caso seguiu nesta quarta-feira
de USD 2.2 mil milhões de dívidas sem nunca se pronunciar. Toda a com a discussão dos termos da cau-
ilegais. sua defesa foi feita pelo mais ve- ção a ser paga por Chang. A pro-
lho dos quatro dos seus advogados, curadora entende que dada a gravi-
Até ao fecho da presente edição, Willie Vermeulen. dade e o valor da causa de Manuel
o antigo governante ainda lutava Depois do adiamento da audiência Chang, que é de 2 mil milhões de
contra a extradição para os Estados de terça-feira, a procuradora Eli- dólares, a proposta da caução a ser
Unidos da América, no Kempton vera Dreyer apresentou argumen- apresentada ao Tribunal deve estar
Park Magistrate Court, em Joa- tos do estado sul-africano contra
no escalão mais elevado, denomi-
nesburgo. Um pedido para sair em o pedido de libertação de Manuel
nado 5º nível.
liberdade e uma proposta de caução Chang.
A defesa contestou esta posição,
estavam em cima da mesa da juíza Manuel Chang a entrada do tribunal Defendeu que o mandado de prisão
mas não houve desfecho nesta
Sagra Subroyen, uma magistrada emitido pelos EUA é legal e baseia-
quarta-feira.
de origem indiana, descrita como ção, sendo por isso que a detenção e dos serviços secretos de Moçam- -se no acordo de extradição entre
Entendimento houve para trans-
de“grande integridade” é ilegal. bique e alguma imprensa interna- os dois países.
ferir Manuel Chang da cela onde
A pedido dos Estados Unidos, que A esperança começava a desampa- cional. Fora do Tribunal, moçam- Explicou que com base no acordo
rar Manuel Chang que, no primei- de extradição, os EUA têm, depois passou a noite de terça-feira jun-
emitiram o mandado de detenção bicanos residentes na África do
ro dia da audição, chegou a pequena de efectivada a prisão, mais tempo tamente com outros 20 reclusos na
internacional, Manuel Chang foi Sul empunham cartazes pedido a
sala do Kempton Park Magistrate para enviar mais documentos que Modderbee, em Benoni, arredores
detido em Joanesburgo desde 29 extradição de Manuel Chang para
de Dezembro. Estava a caminho de Court, em Johanesburg, através de os Estados Unidos. fundamentem a razão da extradi- de Joanesburgo, para uma cela pri-
Dubai. um túnel que dá acesso directo à ção. vada. O advogado de Chang pro-
Nesta quarta-feira, Manuel Chang sala a partir da cadeia onde se en- Questão prévia Após perdida a primeira batalha, o testou contra as condições da cela
perdeu a primeira batalha contra a contra encarcerado, vestido de seu Como questão prévia, no primeiro advogado submeteu nesta quinta- da cadeia de Benoni, classificando-
justiça sul-africana ao lhe ser recu- vestuário normal e sem algemas e dia, discutiu-se se a sessão podia ser -feira o pedido para o pagamento -as de “insuportáveis”. Argumen-
sado o pedido de liberdade formu- escoltado por quatro agentes de se- filmada e fotografada pela impren- de caução. Entretanto, exigiu como tou que Manuel Chang teve que
lado pela sua defesa, que alegava a gurança sul-africanos fortemente sa. A defesa de Chang primeiro condição prévia mais informação pagar ao chefe da cela para não ser
ilegalidade do mandado de prisão. armados. tentou negar a presença de câmaras, sobre a acusação que pesa contra incomodado. Foi assim, que juíza
Willie Vermeulen, advogado de Logo no primeiro dia, terça-feira, mas sem fundamento legal. Acabou Chang, mencionando especifica- decidiu pela transferência para uma
Chang, alegou que no mandado 8 de Janeiro, a sala estava lotada, aceitando que jornalistas filmassem mente que queria saber os nomes cela privada.
emitido pela justiça americana não maioritariamente pela imprensa a sessão e assim foi. dos co-arguidos de Chang, que es-
constava a solicitação para extradi- moçambicana, agentes da Polícia Quando a juíza autorizou que a tão ocultados. (Redacção e CIP)


Nova sede da ABB abre em Maputo
Vamos juntos escrever o futuro
A continuar uma história de inovação que se estende há mais de 130 anos. Hoje, a ABB, escreve o
futuro da digitalização industrial com duas proposições claras: ao trazer eletricidade de qualquer
estação de energia para qualquer tomada e ao automatizar indústrias desde recursos naturais a
produtos finalizados. A ABB tem o prazer de anunciar a nossa nova sede nas icónicas Torres Rani
Towers, em Maputo, reafirmando o compromisso a Moçambique como um mercado de crescimento
rápido e uma importante base de clientes.
Clientes podem, agora, contactar-nos: Torres Rani Towers, Av. da Marginal, 141,
8 piso, +258 20 300 244/5 | abb.com/Africa
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Savana 11-01-2019 11

EDITAL
2019
Testes de Diagnóstico e
Entrevistas Vocacionais Construa a
Ponte do Se
Seu
u
Futuro Promissor
Promisso
or
cŅ ¶ĵÆĜto das conÚĜÓŝes gerais de ingresso no )nsino „uperiŅųØ previstos na ĬåĜ n° Ɩƀ/ƖLjLjĿØ de „eƋåĵÆro
ŠLei do )nsino „ƚŞåųĜŅųØ artigo ƖƐØ n° 5 ±Ĭínea ašš o F„‰)a torna ŞƜÆĬĜco que irão decorrer no dia 23 de Janeiro de 2019,
Testes de Diagnóstico e Entrevistas Vocacionais para admissão aos cursos que a seguir se indicam: 


Escola/Curso Vagas Disciplinas Requisitos


Diurno cŅÏƋƚųĹŅ Disciplina 1 Peso Disciplina 2 Peso :ųƚŞŅ

Poderão candidatar-se aos Testes de Diagnóstico


ESCOLA SUPERIOR DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
indivíduos que preencham os seguintes requisitos:
aåÚĜÏĜű:år±Ĭ 210 - ĜŅĬŅčĜ± 50% }ƚĝĵĜϱ 50% B
aåÚĜÏĜű%ånƋ´ųĜ± 50 - ĜŅĬŅčĜ± 50% }ƚĝĵĜϱ 50% B Î)ŸƋƚÚ±ĹƋåŸÚŅ)ĹŸĜĹŅ„åÏƚĹÚ´ųĜŅ:åų±ĬŧƚåƋåĹʱĵ
F±ųĵ´ÏĜ±å ontrŅĬåÚå}ƚ±ĬĜÚ±ÚåÚåaåÚĜϱĵåntos ÏŅĹÏĬƚĝÚŅ±ŎƖřÏĬ±ŸŸåÚŅ„c)ŅƚåŧƚĜƴ±ĬåĹƋåſ
50 50 ĜŅĬŅčĜ± 50% }ƚĝĵĜϱ 50% B
Ήų±Æ±ĬʱÚŅųåŸŧƚåƋåĹʱĵÏŅĵŞĬåƋ±ÚŅ±ŎƖřÏĬ±ŸŸå
ESCOLA SUPERIOR DE ECONOMIA E ÚŅ„c)ŅƚåŧƚĜƴ±ĬåĹƋåޱų±ÏŅĹƋĜĹƚ±ÓÅŅÚååŸƋƚÚŅŸØ
GESTÃO DE NEGÓCIOS ŸåĵŞųåģƚĝDŽŅÚ±ĬåčĜŸĬ±ÓÅŅåĵƴĜčŅųţ
:åsƋÅŅÚå)ĵŞų埱Ÿ 100 80 aaƋåĵ´ƋĜϱ 50% Português 50% A
onƋ±ÆĜĬĜÚ±Úåå Auditoria 120 80 aaƋåĵ´ƋĜϱ 50% Português 50% A ee%aF„„k%k„ec%F%e‰k„„)8)F‰e
k„)šec%ke)}ŽF%e%)%):.c)kţ
:åstão Financeir±åÚå„åčƚros 100 80 aaƋåĵ´ƋĜϱ 50% Português 50% A
:åsƋÅŅÚåa±ųĩeting 50 50 aaƋåĵ´ƋĜϱ 50% Português 50% A
PERÍODO DE INSCRIÇÃO
:åstão de RecurŸŅŸBƚĵ±ĹŅŸåcåčŅÏĜ±ÓÅŅ 80 60 aaƋåĵ´ƋĜϱ 50% Português 50% A
e±ŞųåŸåĹƋ±ÓÅŅÚ±ŸϱĹÚĜÚ±Ƌƚų±ŸÚåÏŅųųåű„åÏųåƋ±ųĜ±
ÚŅF„‰)a±ƋæŅÚĜ± 22 de Janeiro de 2019.
ESCOLA SUPERIOR DE ENGENHARIAS E
TECNOLOGIA
Os candidatos serão avaliados apenas nas
)ngenharia InfŅųĵ´ƋĜϱ 100 - aaƋåĵ´ƋĜϱ 50% Física 50% C
disciplinas nucleares dos cursos da sua preferência.
)ĹčåĹʱųĜ±:åŅĬņčĜϱåÚåaĜűŸ 100 - aaƋåĵ´ƋĜϱ 50% Física 50% C
BŅų´ųĜŅ×í×ƐLjBŠ%ĜƚųĹŅšåŎƀ×ƐLjBŠ{ņŸěĬ±ÆŅų±Ĭšţ

ESCOLA SUPERIOR DE CIÊNCIAS


JURÍDICAS E ARTES Para mais informações contacte:
Arquitectur±åŽųƱĹĜŸĵŅ 45 - Desenho 50% aaƋåĵ´ƋĜϱ 50% C „åÏųeƋ±ųĜ±ÚŅF„‰)aØĹŅ±ĵŞƚŸUniverŸĜƋ´ųĜŅ
-
Rƚ±ŎƐĿĉěZona da FeFaØƐƖƖěa±ŞutŅţ
Direito 150 Português 50% História 50% A
‰åĬ×íƖƐŎƐƖƖLjLjŅƚíĉĿƖƐLjLjLjLj
)ěĵ±ĜĬןåÏųeƋ±ųĜ±ÄĜŸÏƋåĵţ±ÏţĵDŽ

isctem_oficial isctem
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SOCIEDADE
12 Savana 11-01-2019

Hermínio Morais entra na corrida pela sucessão de Afonso Dhlakama

“Quero desmistificar a narrativa de que


a Renamo é de chingondos”
Por Raul Senda

A
os 58 anos de idade, dos tínhamos a tarefa de cortar estradas, Disse que fez parte da primeira equi-
Carreira militar
quais 42 dedicados à Rena- destruir pontes, postes de alta tensão, pa de quadros seniores da Renamo
Hermínio Morais fez notar que in-
mo, Hermínio Morais diz linhas férreas e outras infraestruturas destacados para Maputo a fim de
gressou na Renamo mobilizado pela
que é chegado o momento que garantissem o abastecimento do organizar questões logísticas para a
sensibilização da Voz de África Li-
de acabar com a narrativa fomen- vre, que o despertou da gravidade das adversário quer em termos de arma- recepção de Afonso Dhlakama. Nes-
tada pela Frelimo, segundo a qual a atrocidades cometidas pelo regime mento, bem como de mantimentos”. se grupo incluía-se Raul Domingos,
Renamo é um partido dominado por da Frelimo. Acrescenta que o primeiro contacto Ossufo Momade e José de Castro.
pessoas do Centro e Norte do país. Chegado à Rodésia, encontrou um com Dhlakama foi em 1977. Em Recordou que o momento mais di-
grupo de 200 homens a serem trei- 1980, pouco depois de Dhlakama fícil que viveu durante o conflito ar-
Dos três candidatos conhecidos até nados. Nessa altura, Afonso Dhlaka- assumir a presidência do movimento mado foi em 1987, quando a região
ao momento, mormente: Ossufo passou a trabalhar directamente com Centro, sobretudo, a província de
ma desempenhava as funções de
Momade, Manuel Bissopo e Elias ele. Sofala, foi assolada por uma seca sem
segundo comandante, visto que já
Dhlakama, Morais nega que seja o Entre Junho e Agosto de 1992 foi precedentes.
possuía experiência militar.
mais fraco e refere que a sua simpli- destacado para chefiar a delegação “Nessa altura estava em Gorongosa e
“A ausência dum candidato do Sul Diz que foi Afonso Dhlakama que o
cidade e humildade irá pesar na hora da Renamo responsável por questões não havia comida para a população.
nesta eleição podia transparecer que o entrevistou antes da sua integração.
em que os delegados, com direito ao militares em Roma, durante as nego- Muita gente morreu devido à falta de
Sul está à margem deste Congresso”, Em 1978 entrou no território na-
voto, vão escolher quem deverá lide- Hermínio Morais ciações de paz. água e comida. Chegámos ao ponto
cional para operações militares. Para
rar a Renamo nos próximos tempos. Com assinatura do Acordo Geral de enterrar 30 pessoas por dia. Aqui-
além do treino normal, recebeu tam-
O VI Congresso da Renamo arranca Dhlakama logo depois das eleições de Paz (AGP) foi lhe incumbida a lo foi dramático. A situação estava
bém treinos específicos para grupos
próxima semana (15 a 17 de Janeiro) gerais de 2004. É também adminis- tarefa de acompanhar o processo de tão caótica que até a guerra parou
de elite.
na Serra de Gorongosa e conta com trador não executivo da empresa PE- acantonamento, desmobilização e na região central de Sofala. Houve
“Como elemento da força especial fui
quatro candidatos à presidência do TROMOC. formação do exercito único. Tam- um cessar fogo tácito. Para mim foi
obrigado a actuar em todo território.
maior partido da oposição. Hermínio Morais diz que é licencia- deprimente ver a nossa base logística
O grupo era chamado em situações bém participou no processo de iden-
do em Ciências Jurídicas no então especiais. A nossa missão era de cor- tificação das áreas minadas. que é a população a ser dizimada pela
Hermínio Morais contou que entrou Instituto Superior Politécnico e Uni- tar as fontes de abastecimento da “Depois disso fui convidado pelo fome”, disse.
na corrida à sucessão de Dhlakama a versitário (ISPU), mas nunca desta- logística do inimigo (Governo/Freli- presidente Dhlakama para integrar Notou que a assinatura dos acordos
convite de um grupo de membros do cou o seu canudo em público e sem- mo). Fomos preparados para obstruir as chefias das forças armadas, mas de Roma, que culminou com o fim
seu partido. pre se comportou como uma pessoa qualquer meio que pudesse garantir estava cansado. Pedi para passar à do conflito armado, foi o momento
Disse que o argumento foi de que, simples e mais encostado às massas. o abastecimento do nosso adversá- vida civil e servir o partido por outras mais marcante, “porque já estava com
em todos os congressos há candida- Recordou que tem ouvido parte dos rio. Portanto, como tropas de elite, vias”, elucidou. saudades de voltar a casa”, rematou.
turas de todas as regiões do país, mas seus adversários a procurar transpa-
que desta vez só há concorrentes de recer que o título académico é o re-
Centro e Norte. Portanto, a região quisito base para ascender à liderança
Sul também devia estar representa- da Renamo, o que é totalmente irreal.
da, visto que, caso contrário, a fábula Explicou que para ascender à di-
da Frelimo de que a Renamo é um recção da Renamo não basta ser
partido de “chingondos” iria vincar. académico. É preciso ser comunica-
“A ausência de um candidato do Sul tivo, modesto, bondoso, experiente
nesta eleição podia transparecer que e conhecedor da realidade do dia a
o Sul está à margem deste marco tão dia quer das bases do partido assim
importante na história do partido. como do povo no seu todo.
Afinal de contas é o primeiro con- Sublinha que a entrada tardia na
gresso que se realiza na ausência do corrida eleitoral, quando comparado
nosso líder carismático”, explicou. com outros candidatos, não altera o
Recordou que mesmo durante o rumo das coisas, visto que quem vai
conflito armado, parte dos grandes eleger são os delegados do Congres-
estrategas militares da Renamo eram so que ainda não foram escolhidos [a
pessoas oriundas do Sul do país. entrevista decorreu neste terça-feira,
“As últimas eleições autárquicas dia 8 de Janeiro de 2019].
mostraram que a Renamo está a se Hermínio Morais diz que em caso de
tornar mais consistente no Sul. Ape- ser eleito presidente da Renamo irá
sar da fraude e outras artimanhas manter a residência oficial na Serra
protagonizadas pela Frelimo, a Re- de Gorongosa, enquanto decorrer o
namo conseguiu mostrar que está em processo de pacificação de Moçam-
crescendo”, frisou. bique.
“Por exemplo, na cidade de Maputo, “Só sairia de Gorongosa depois do
o partido saiu de oito para 22 mem- processo de paz terminar com a rein-
bros na assembleia municipal. Na tegração dos homens da Renamo a
Matola até vencemos, em Gaza onde todos níveis acordados com o nosso
era o bastião da Frelimo, a Renamo falecido líder, assim como da desmo-
está a ganhar expressão e cada pleito bilização e reintegração social de to-
vai aumentando o número de votos”, das forças residuais da Renamo. Por-
argumentou. tanto, mesmo que termine, se não for
Sublinha que é uma pessoa simples e nos termos acordados entre os dois
humilde. Aliás, foi a sua simplicidade líderes, o Estado Maior da Renamo
que lhe permitiu atingir altas paten- não será extinto”, frisou
tes na hierarquia militar, bem como Refere que se até hoje a Renamo
noutros cargos políticos que ocupou mantém militares é por causa das
nos últimos anos. ameaças da Frelimo que usa forças
Recordou que na carreira militar al- de defesa e segurança de Estado
cançou a patente de Major General para perseguir, prender e matar seus
e no capítulo político foi chefe da membros.
bancada da Renamo na Assembleia Salientou que caso seja eleito líder
Municipal de Maputo nos manda- da Renamo e, consequentemente,
tos de 2003/8 e 2008/13. Depois foi candidato à presidência da Repú-
destacado para o Conselho Nacional blica nas eleições de Outubro, irá
de Defesa e Segurança e, desde 2005, promover a reconciliação, igualdade
que desempenha as funções de mi- de oportunidades e de um governo
nistro da Defesa e Segurança no go- inclusivo que se guiará na base da
verno sombra formado por Afonso meritocracia.
Savana 11-01-2019 13
EVENTOS

EVENTOS
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850 jovens participam na 14ª Edição do PFDD


P
elo menos 850 jovens fina- bicano, aumentando o emprego, a
listas irão participar, entre competitividade, criando riqueza e
14 de Janeiro e 15 de Fe- gerando um desenvolvimento equi-
vereiro próximos, no Pro- librado e inclusivo, num ambiente
grama Férias Desenvolvendo o de paz, segurança, harmonia, soli-
Distrito (PFDD), promovido pela dariedade, justiça e coesão entre os
Associação dos Estudantes Fina- Moçambicanos”, referiu.
listas Universitários de Moçambi- Por sua vez, o Coordenador Ge-
que (AEFUM). ral da AEFUM, Osvaldo Mauaie,
afirmou que para a presente edição,
O PFDD decorre sob o lema “Es- a instituição recebeu 1580 candida-
tudante Universitário pelo Desen- turas de graduados e finalistas, dos
volvimento do Distrito” e tem como quais foram selecionados apenas
objectivo levar estudantes finalistas 850 para os distritos.
e graduados aos diferentes distritos Para Mauaie, a concorrência e a
do país por um período de 30 dias. continuidade do PFDD ao longo
Os finalistas irão prestar trabalhos destes anos ganha maturidade e
voluntários nos diversos sectores robustez.
de actividades, de acordo com a sua “É uma iniciativa que, anualmente,
área de formação e a solicitação dos reforça a capacidade técnica dos
governos distritais. distritos, onde sempre há estagiá-
Falando na ocasião, o ministro da rios, deixando legado por onde
Ciência e Tecnologia, Ensino Su- passam. O PFDD estimula o em-
perior e Técnico Profissional, Jorge preendedorismo juvenil, uma vez
Nhambiu, destacou a importância que os estagiários são expostos à
do trabalho da AEFUM e disse que realidade do distrito e dependendo
o governo reconhece a iniciativa no da criatividade de cada um conse-
combate à pobreza, sobretudo, atra- guem mapear as diversas potencia-
vés do uso do conhecimento cien- lidades e oportunidades de negócio
tífico e tecnológico adquiridos no oferecidos em cada local”, realçou.
processo de formação em diferen- Refira-se que a AEFUM é uma
tes Instituições de Ensino Superior organização sem fins lucrativos que
(IES). congrega cerca de cinco mil mem-
“O Programa Quinquenal do Go- bros, dentre os quais, finalistas e
verno 2015-2019 define como graduados de todas as instituições
objectivo central “melhorar as de ensino superior públicas e priva-
condições de vida do Povo Moçam- das em Moçambique e na diáspora.

UE e PNUD firmam acordo Arranca prova de vida


A dos pensionistas
União Europeia O programa visa reforçar as com- com o objectivo de consolidar
(UE) em Moçambi- petências técnicas e funcionais uma facilidade de cooperação
que e o Programa das de controlo externo, fiscalização sul-sul e triangular para a con-

A
Nações Unidas para legislativa e de escrutínio público solidação dos sistemas de ges-
o Desenvolvimento (PNUD), às finanças públicas nos PALOP e tão das finanças públicas nos rrancou, nesta quinta- tadores do bilhete de identidade
em Cabo Verde, assinaram, em Timor-Leste. PALOP e Timor-Leste. -feira, em todo o país, e do cartão de pensionista, sendo
em finais de 2018, um Acor- A UE contribui assim com 7,750 O projecto vai continuar a com o término previsto que, no processo, estarão abrangi-
do de Delegação para a im- mil euros, de um orçamento total promover a consolidação dos para o próximo dia 10 dos, a nível nacional, mais de 70
plementação da segunda fase de 7.843,700 euros, para um pe- sistemas de gestão das finan- de Abril, a Prova Anual de Vida mil pensionistas.
do Programa para a Conso- ríodo de implementação de três ças públicas nos PALOP e (PAV) dos pensionistas por ve- Porém, para os pensionistas que,
lidação da Governação Eco- anos. Timor-Leste, através do re- lhice, invalidez e sobrevivência em razão de seu estado de saú-
nómica e Sistemas de Ges- A fase 2 do Pro PALOP-TL ISC forço da transparência orça- do Instituto Nacional de Segu- de estiverem incapacitados de
tão de Finanças Públicas nos vai capitalizar os sucessos do pro- mental e mecanismos de con-
rança Social (INSS). se deslocar aos locais indicados,
PALOP e Timor Leste (Pro jecto predecessor (2014-2017), trolo e monitoria da despesas
PALOP-TL ISC). ampliando a lógica de intervenção pública.
Para a realização da PAV, os titu- o INSS irá prestar atendimento
lares das pensões deverão ser por- domiciliário.
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EVENTOS Savana 11-01-2019

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Savana 11-01-2019
EVENTOS
16 Savana 11-01-2019
EVENTOS

Moçambicanos Governo introduz reformas nos negócios

O
Governo Moçambicano, negócios no país. na Conservatória de Registos de

capacitados em Análise através dos Ministérios


da Indústria e Comércio
e o da Justiça, Assun-
A reforma introduzida consistiu
em transferir para o Balcão de
Atendimento Único (BAU) da
Entidades Legais (CREL).
Com esta reforma, o Governo
pretende tornar mais célere e fa-

Espacial em Angola
tos Constitucionais e Religiosos, cidade de Maputo os actos cons- cilitado o processo de registo de
iniciou, no passado, há dias, a titutivos inerentes à reserva de uma entidade legal e o conse-
implementação de uma “reforma nome e o registo de empresa. Ou- quente licenciamento para o iní-

N
profunda” no processo de fazer trora, esses actos eram realizados cio imediato de actividade.
o âmbito do projecto de rão a capacidade de explorar, ge-
Adaptação às Mudanças renciar e analisar dados geográfi-
Climáticas, a Organiza- cos e criar mapas instrutivos para
ção das Nações Unidas aumentar a capacidade de análise
para a Alimentação e a Agricul- de informações climáticas em be-
tura (FAO) está a apoiar a for- nefício do sector agrícola face às
mação de seis técnicos moçam- mudanças climáticas.
bicanos em análise espacial com Para o Coordenador do Projec-
aplicação para agrometeorologia. to, Pedro Simpson, “esta forma-
Trata-se de um treinamento de ção irá melhorar a capacidade
mês e meio, com o objectivo de dos técnicos moçambicanos para
aumentar a capacidade de análise aperfeiçoar as previsões agrome-
de informações climáticas em be- teorológicas e criar ferramentas
nefício da agricultura e meio am- de apoio às decisões dos campo-
biente, no contexto das mudanças neses que receberão perspectivas
climáticas. climáticas sazonais e previsões
A formação iniciou semana pas- agrometeorológicas interpretadas
sada na cidade de Luanda, capital e adaptadas ao contexto local.”
de Angola e é realizada pelo Cen- Simpson acrescentou ainda que
tro de Educação em Ciências da “as informações climáticas serão
Terra e Sustentabilidade (CES- integradas à escala local por meio
SAF) e o Instituto Nacional de da abordagem de extensão ‘Esco-
Meteorologia e Geofísica (INA- la na Machamba do Camponês’
MET) daquele país, com a cola- e outros canais de comunicação,
boração da FAO, nos dois países. como rádios comunitárias e no
Após a formação, os técnicos te- idioma local.”

Matrículas para 2019

A Escola Comunitária Luís Ca-


bral- ECLC, informa aos alunos,
pais, encarregados de educação
e ao público em geral, que ainda
tem vagas para matricular novos
ingressos da 6ª, 7ª, 8ª, 9ª, 10ª, 11ª
e 12ª classe por apenas 600,00
meticais. Informa – se ainda que
os alunos das 7ª, 10ª e 12ª clas-
ses, fazem exames na própria Es-
cola Comunitária Luís Cabral.
Podendo obter mais informações
na secretaria daquela escola, sita
na sede do bairro Luís Cabral,
entrando a partir da Junta ou
Maquinague ou contactar atra-
vés dos telemóveis: 847700298 ou
826864465 ou ainda 871232355.
17
SOCIEDADE
SOCIEDADE
Savana 11-01-2019

Adriano Nuvunga contraria Lourenço do Rosário

“Limpar o sistema por via de prisão”


Por Argunaldo Nhampossa

C
ontrariamente ao profes- fendendo que as detenções sejam no tribunal para responder a as-
sor Lourenço do Rosário feitas com prudência e pondera- suntos relacionados com o Fer-
que, na última edição do ção para evitar um caos maior. roviário de Nampula, quando era
SAVANA, defendeu a Desencoraja a Frelimo de seguir presidente desta colectividade.
reforma do “sistema” de governa- a via do Zimbábwe, subjugan- Foi graças a esta experiência que
ção e não perseguição de pessoas, do o povo ao sofrimento, só por soube se aproximar de Afon-
no que diz respeito às dívidas simples capricho de não entregar so Dhlakama, compreendê-lo e
ocultas, o académico Adriano certas pessoas à justiça americana. acarinhá-lo para o alcance da paz,
Nuvunga é de opinião que o sis- “O Estado deve entregá-los, dar que ainda não é efectiva. Mas, de-
tema deve ser limpo através de o necessário apoio e deixar que fende, igualmente que a Frelimo
detenções e espera que Manuel sejam julgados, condenados e não está disposta a abrir o proces-
Chang tenha acompanhantes. cumprirem as respectivas penas. so de paz que possa perigar o seu
O país tem que se concentrar em poder, quer paz mas também quer
Nuvunga, que também é direc- problemas da juventude, para o manter o seu poder, sendo que o
tor da ADS, um centro de ideia desenvolvimento, e não no in- seu poder nunca foi sem conflitos.
e acção sobre juventude, lideran- divíduo A, B e C, que roubaram Destacou que Nyusi apostou em
ça e desenvolvimento, entende milhões ao povo inibindo o de- alguns tecnocratas para sectores-
que a Frelimo e o Presidente da senvolvimento do país”, disse. -chaves de modo a empreende-
República, Filipe Nyusi tiveram O Estado deve entregar os que colocaram o país em caos para que sejam julgados Citou a vizinha África do Sul, rem reformas, não permitiu que
uma soberba oportunidade de re- como um dos exemplos a seguir, saísse o dinheiro do Orçamento
formar o sistema em 2015, após limo já enfrentou várias crises no pamos o sistema e reconstruímos pois numa altura em que o seu do Estado para financiar as acti-
a tomada de posse, pelo que não passado, mas como está, em que o Estado, ou vamos a uma tercei- presidente Jacob Zuma estava vidades da EMATUM, daí que
é correcto que, uma vez falhada há elementos a serem presos de ra via, que passa por um governo mergulhado numa crise sem pre- os barcos estão ancorados.
a oportunidade, seja feita agora, fora, pessoas de dentro persegui- de convecção nacional, em que a cedentes, que colocava em causa a Apesar desta situação, o cientista
com impulso externo. Moçam- das fora, nunca esteve nessa situa- Frelimo abandona esses incen- sobrevivência política do partido, político diz que o PR geriu mal a
bique teria adoptado, de acordo ção”, observou. tivos excludentes e abre espaço o ANC conseguiu reinventar-se a questão das dívidas, sobretudo, a
com Nuvunga, o modelo sul-afri- Na percepção de Nuvunga, a crise para a participação de outras for- tempo de melhorar a sua imagem relação com os doadores, que de-
cano, que submeteu Jacob Zuma, que o país vive deve-se à forma de ças para a reconstrução do Estado para as eleições de Abril próximo. pois cortaram o apoio directo ao
ex-Presidente da República e do governação da Frelimo, que sem- e sociedade, “disse. Entende que, apesar de ainda orçamento.
ANC, ao julgamento interno pe- pre foi excludente, “marginaliza- não se ter uma sentença na RSA Critica a forma como executivo
los crimes cometidos antes que dora”, agressiva com os críticos Repensar o Estado e seja de que magnitude for, o lida com a juventude e nega-lhe
a justiça internacional tomasse internos e externos bem como Entende o cientista político que, julgamento, por si só, já é um
é justamente por saber que sem- oportunidades.
conta dele. ataques à “reserva moral do parti- bom sinal. Fez notar que o caso
pre haverá aqueles que se vão No entanto, depois de uma aber-
Quando a 15 de Janeiro de 2015, do”, que não tem escapado. da África do Sul responde ao
considerar excluídos, que defende tura no arranque do mandato,
Filipe Nyusi tomou posse, como O ponto mais alto, continua o posicionamento de Lourenço do
ser necessário repensar o Estado Filipe Nyusi foi-se perdendo ao
quarto Presidente da República académico, deu-se na adminis- Rosário, pois a intervenção foi a
e a sociedade, para um posterior tempo e horas e não se esperou longo do tempo, levando o Go-
de Moçambique independente, tração Guebuza e continua com
processo de reconstrução, porque que os problemas de Zuma vies- verno para um fechamento do es-
tinha no seu caderno de encargos, Nyusi.
segundo Adriano Nuvunga, a re- de momento “não há se quer um sem de fora do país. paço das liberdades, em particular
Recuou à Constituição monopar-
forma do sistema e não a perse- projecto de género e muito me- “Não se esperou o paciente entrar a volta dos críticos.
tidária de 1977, para dizer que vi-
guição de pessoas, tomando como nos uma visão de que sociedade em colapso, foi impulso interno, Gilles Cistac, Jeremias Pondeca,
sava excluir outros grupos de par-
queremos para os próximos 20 a Frelimo já não está mais nessa entre outros, foram mortos nes-
base a situação em que o país se ticipar no processo de construção
anos”. posição, com excepção do Presi- te governo, houve esquadrões de
encontrava. do país pós- independência.
Referiu que a única visão existen- dente Chissano, todos estão com
O impulso de fazer reformas era Com as privatizações e libera- morte que tiraram vidas e amea-
te é da sobrevivência do regime, medo de chegar as fronteiras do
interno e movida pela boa inten- lizações, pretendia-se excluir a çaram tantos outros. Vincou que
mantendo o seus status quo de país”.
ção desenvolvimentista de Nyusi, participação da Renamo e outros a aparente acalmia que se vive na
corrupção e de delapidação, pelo No caso moçambicano, a Procu-
facto que não se verificou, pois, o grupos que não faziam parte do sociedade civil não é produto da
que discorda da tese avançada radoria-Geral da República tinha
novel executivo embarcou numa burocratismo do Estado. O pro- concordância com o status quo,
pelo professor Lourenço do Ro- o relatório da kroll, apenas disse
agenda de negar a existência das cesso de paz em 1992, apesar de mas medo imposto por aquilo
sário. que constitui 18 arguidos, o que
dívidas ocultas e “chamboquear” alguma inclusão, teve o seu lado que se tornou a estrada circular de
Aponta que, de momento, a única significa que ainda não há acusa-
publicamente e dar nomes de excludente, pois a Frelimo ins-
via que resta é a Frelimo manter ções. Maputo, que se passou a ser um
toda a índole aos moçambicanos talou o seu sistema governativo
a rigidez e deixar pessoas procu- Face a esta inércia os EUA pas- sítio para bater e disparar contra
que denunciavam o problema. sem partilha do poder, Chissano
radas pela justiça serem crimi- saram a mensagem e estão a agir, pessoas indefesas.
“Não é correta a asserção de que não aceitou criar um governo de
nalmente responsabilizadas pelos considera Adriano Nuvunga. Lamentou que em quatro anos, o
aquilo que deveria ter sido feito transição com a participação da
seus actos, como forma de limpar PR nunca deu uma entrevista aos
por impulso próprio da Frelimo Renamo e outras forças.
o sistema. órgãos nacionais, muitos menos
em 2015, não tendo sido feito, A governação de Armando Gue-
A detenção de Chang e de mais
Nyusi perdeu-se no meio
tem que regressar agora em 2019 buza, prossegue, foi maquiavélica, Sobre os quatro anos de governa- conferência de imprensa, salvo no
pessoas devem servir de incenti-
com impulso externo”, assinalou. reflectindo toda a lógica frelimis- ção de Nyusi, que se celebram na balanço das visitas presidências
vos para a Frelimo compreender
De seguida, sublinhou que a Fre- ta de governar sem incluir. próxima terça-feira, Nuvunga diz em que as perguntas são condi-
que é preciso uma terceira via.
limo deve procurar uma terceira Considera que o chefe de Estado ter um misto de alegria e tristeza. cionadas.
O académico apela à Frelimo a
via, para se salvar, uma vez que a precisa de descer deste “cavalo” Alegria, porque, no início, Nyusi Na Assembleia da República só
não se opor a esta medida, de-
primeira foi de reformar o siste- de governação e convocar uma assegurou com firmeza o bastão vai passear no tapete vermelho,
sencorajando o partido de criar
ma sem perseguições, que foi per- espécie de um Governo de Uni- do poder, trouxe um alívio à so- enquanto é chamado querido por
barreiras para impedir a detenção
dida. A segunda é onde se encon- dade Nacional, que deixe de lado ciedade face à asfixia que se vivia senhoras.
dos visados, porque se trata de
tra, actualmente, numa situação o princípio segundo o qual o Es- com Guebuza.
pessoas que colocaram o país no Considera que do discurso inau-
de colapso de regime. tado é construído e liderado pela Acima de tudo, porque diferen-
caos. gural do PR à realidade há uma
Para o professor de Ciência Polí- Frelimo. temente de Chissano e Guebuza,
grande distância, com o agravan-
tica, a Frelimo, como regime, está Sugere que a Frelimo entre em Caso Zuma é exemplo a que saíram jovens de Moçam-
a travar uma luta pela sua própria retiro, para definir uma terceira seguir bique para Tanzânia e voltaram te de ter prometido governar com
salvação e equipara-se a uma pes- via, que passa por abandonar o Segundo Nuvunga, para Moçam- chefes, nunca souberam trabalhar, base em ciência, mas de ciência
soa que está em coma hospitalar, seu “ADN” de governação exclu- bique sobreviver no concerto das gerir salário para pagar despesas não há nada neste governo e deve
onde os médicos têm que fazer dente, dado que, pela primeira nações tem que entregar os res- de casa, desenrascar, Nyusi come- ser o menos competente e que
um trabalho diferente. vez, está na iminência de colapso. tantes indivíduos arrolados no çou as funções sabendo o que é menos capacidade intelectual
“Este regime vai implodir. A Fre- “Ou as pessoas são presas e lim- processo das dívidas ocultas, de- ser cidadão que, inclusive, parou concentra desde a independência
OPINIÃO
18 Savana 11-01-2019

Cartoon
EDITORIAL
PGR corre atrás do prejuízo
que ela própria provocou

A
actuação da Procuradoria Geral da República (PGR) em relação
à problemática das dívidas ocultas já era vista com muita suspeita,
mas o seu comunicado da última segunda-feira, dez dias após a
detenção do antigo Ministro das Finanças Manuel Chang, veio
demolir qualquer resíduo de credibilidade que poderia ainda restar no seio
daquela instituição.
Durante todo este tempo a PGR foi arrastando o processo, e a sua última
intervenção parecia mais destinada a recuperar o tempo perdido. Mas saiu-
-se mal, particularmente, mas não só, pelo longo silêncio a que se remeteu
antes de reagir.
E nisso não esteve só. O partido Frelimo continua ainda num silêncio se-
pulcral perante as circunstâncias em que se encontra um membro do seu
comité central, e a Assembleia da República parece ter ficado tão desorien-
tada que não conseguiu ainda encontrar uma palavra de conforto para um
dos seus membros.
Por qualquer padrão, dez dias é muito tempo para a PGR reagir sobre um
assunto que já está nas suas mãos desde pelo menos 2015.
O comunicado destaca-se pela forma como a PGR pretende transformar-

Dos livros sem raça


-se em vítima da sua própria inação, acusando jurisdições de outros países
de não terem colaborado para a disponibilização de informação relevante
para ela avançar com o processo.
A lamentação da PGR procura dar a entender que ela, sem essas informa-

O
ções, está incapacitada de prosseguir com o processo. Nessa assumpção, a
PGR ignora o facto de que grande parte de toda a informação sobre este meu romance A Paixão se- pecializada em africanos”, no Brasil, do, embarcar nisso só nos desfavorece,
processo está contida no relatório de uma auditoria realizada sob a sua gundo João de Deus, foi con- só milagrosamente será candidato a porque aí não passaremos da literatu-
própria égide. siderado no jornal Público uma lista dos melhores livros do ano, ra de “género”, nunca conseguiremos
As informações sobre os movimentos bancários a que o comunicado da um dos dez melhores livros só se houver uma lista para os melho- leitores fora da quadratura do círculo.
PGR se refere estão sob custódia dos bancos, e como tal protegidas pela de ficção editados em 2018, em Por- res livros africanos do ano, o que seria Dantes custava uma fortuna fazer
obrigatoriedade do sigilo bancário. Este só pode ser levantado em cumpri- tugal. Detesto gabar-me mas justifica- evidentemente vexatório. uma biblioteca, era um esforço de
mento de ordens judiciais dos respectivos países. É às autoridades judiciais -se com o que vou escrever adiante. Já Este será o próximo salto a dar. E o décadas. Hoje, só em livros digitais,
destes países onde a PGR deve remeter os seus pedidos, e não através de de outras vezes isso havia acontecido, que exige um salto de tal natureza? que fui buscar à net, tenho seis mil. Só
processos meramente burocráticos entre governos. mas então eu era enquadrado na lista não lê quem não quer, ou quem não
Mais trabalho, disciplina, rigor e mais
É também muito estranho que apesar de não possuir tais informações, a dos melhores livros de ficção portu- tem computador. Mas é outra ilusão
diálogo com quem não nos é familiar.
PGR anuncie, agora pela primeira vez, ter constituído 18 arguidos. Nunca pensamos que se possa ser escritor
gueses. Agora o reconhecimento tem Na literatura os amigos são os nos-
antes esta informação tinha sido partilhada com o público, e pouco se sabe sem computador, ou que se seja poeta
mais valor porque estou numa lista sos maiores inimigos, confortam-nos
se os indivíduos em causa terão sido notificados para permitir que consti- sem escrever poemas. Tudo isto dá um
internacional, a par de António Lobo onde deviam criticar-nos. O João
tuam a sua própria defesa. Não se sabe que medidas de coação terão sido imenso trabalho, sublinhemos.
Antunes, Javier Marias, John Banville, Paulo Borges Coelho escreve todos os
impostas sobre os referidos arguidos. E como é óbvio, porque a responsa-
Salman Rushdie, Hélia Correia, ou dias, haja sol ou chuva, tenha acorda- Apesar do racismo no Brasil ser uma
bilidade criminal é intransmissível, há o dever de nomeação de cada um
Michael Ondaatje, que comigo ocupa do com cólicas ou bem-disposto, das realidade agreste, quando se tem qua-
destes indivíduos, incluindo os crimes de que são indiciados.
um honroso nono lugar ex-quo. 6h da manha às 9h. Eu tento o mes- lidade, num país em que o Machado
Para além disso, alguém não precisa de especialidade em matéria judicial
Isto exige voltar a rever o romance mo, das 7h às 11h, no resto do dia só de Assis, o Ubaldo Ribeiro ou o Mar-
para perceber que num caso como o das dívidas ocultas, com todos os
inédito que tenho pronto, para, na leio, dou aulas ou estou com amigos. celo Ariel são de ascendência africana,
contornos sinuosos que o caracterizam, uma das medidas de coação seria a
próxima, chegar ao oitavo lugar numa Nem sequer é muito mas exige sacrifí- a coisa vinga por si mesmo. Veja-se o
prisão preventiva, como método de precaução para impedir que os impli-
lista internacional, ou seja, acresce a cio, isolamento e estarmos equidistan- sucesso da Elisa Lucinda. O que me
cados tentem contaminar as provas que sustentam a acusação.
responsabilidade sobre o que irei lan- tes do ruído mundano. impede de enviar um livro para a
É bastante revelador da ausência de interesse em prosseguir com este caso,
çar em seguida, mas é evidentemente Uma coisa não ajuda: acordarmos to- Rocco ou a Companhia das Letras no
o facto de que pela sua própria admissão, o último “aditamento” feito pela
um reconhecimento de outro plano dos os dias de ressaca e julgarmos que Brasil, ou a Caminho e a Dom Qui-
PGR ao seu pedido de informações em relação ao Emirados Árabes Uni-
do que me caberia se a lista fosse só de xote em Portugal, se o que fiz tiver a
dos, por exemplo, tenha sido precisamente há um ano, ou seja a 10 de a boémia é compatível com um certo
qualidade suficiente? Nada. Quem lê
Janeiro de 2018, e que desde então não se tem conhecimento de quaisquer livros portugueses. volume de trabalho. E sem volume
os livros não se preocupa com a cor
outras iniciativas que tenham sido tomadas. Que correspondência acho eu, para de trabalho não há triagem nem se-
da pele do candidato – interessa-lhe
Há ainda um pormenor não menos importante que importa referir. Consta isto? leção, ou até mesmo progressão. Nem
do relatório de auditoria que existem esclarecimentos que foram sonegados
é se o que está a ler tem a qualidade
Neste momento saem vários moçam- ajuda termos amigos dos copos (e eu
aos auditores pelas entidades envolvidas. Que se saiba, a PGR, sob os aus- requerida. Foi o que aconteceu com o
bicanos no Brasil, sobretudo na edi- sou um bom copo) que só conversam
pícios de quem foi feita esta auditoria, não tomou as medidas necessárias Rogério Manjate, quando lhe arranjei
tora Kapulana, embora não só, mas sobre “brancos e pretos”, e que nada
para contrariar este acto de desobediência e de obstrução à administração um contacto na Ática, do Brasil.
os escritores moçambicanos negros questionam nem para dentro nem
da justiça. Agora, o nível de qualidade exigida aí
deviam romper com os acantonamen- para fora - indiferentes a tudo o que é o mesmo que em casa? Talvez não.
Para além de tudo isso, na verdade estamos perante dois processos. Um, tos culturais, por muito que tal pareça não seja a suficiência acompanha-
que é interno, que a PGR deve continuar a liderar com a necessária dili- Será mais selectiva. Mas um escritor
simplificar a internacionalização, e da. Quando se escreve procuremos a não deve assustar-se com os desafios e
gência, e que visa permitir a responsabilização individual dos que defrau- tentar a edição sim, noutras editoras companhia de quem se interesse pelas
daram o Estado moçambicano. O segundo ocorre na jurisdição americana, deve redobrar a disciplina se o desafio
que não funcionam só para um nicho formas e as estruturas literárias e dis- for grande em vez de ficar a bordar so-
e visa apenas punir os implicados pelos seus actos de violação das leis da- de mercado. cuta os fundamentos das coisas, numa bre a auto-vitimação ou de embarcar
quele país.
Uma forma de invisibilidade garanti- curiosidade e exploração contínuas. E em teorias de conspiração.
Pela sua lentidão, propositada ou não, a PGR pode se sentir suplantada
da é esta: editarmos só em chancelas duma coisa temos de estar certos: te- Não conheço escritor desempoeirado
pelos últimos acontecimentos. Mas ela tem que assumir a sua responsa-
dedicadas à literatura africana. Vão mos de ler infinitamente, não só o que e realizado que não seja generoso e
bilidade por isso, e não tentar se transformar em vítima de uma suposta
servir os departamentos das Lite- nos formou, mas o que nos interpela que não tente ajudar os colegas de ofí-
conspiração política contra Moçambique, como alguns sectores tentam
fazer acreditar. O que estamos a presenciar é um processo judicial, que raturas Africanas nas universidades hoje e vindo de todos os lugares. cio se tiver oportunidade, não importa
pela natureza das pessoas envolvidas e pelos factos que encerra pode ter lusófonas mas ser vítimas do olhar Não conheço nenhum escritor de va- a raça ou origem. Eu, por exemplo, di-
sérias repercussões politicas, mas para impedir que isto acontecesse alguém discriminatório sobre a literatura de lia que tenha menos de dois mil livros rigirei, a partir deste ano, uma coleção
deveria ter tomado as necessárias medidas cautelares. “géneros”. Esta discriminação piora lidos. A vida de um escritor é obses- e livros de ficção em Portugal e já lan-
É, na verdade, um facto que belisca a auto-estima de todos os moçambica- no Brasil, o país mais racista que co- sivamente uma maratona entre livros. cei o convite a alguns moçambicanos.
nos, independentemente das suas opções político-ideológicas. nheço. São o seu modo de respirar. Hoje há Estou-me nas tintas para a raça, deixo
Um bom livro saído numa editora “es- uma cruzada anti-intelectual no mun- esse problema aos represos de espírito.

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OPINIÃO
Savana 11-01-2019 19

A globalização está numa encruzilhada


Por Gordon Brown*

Q
uer o percebamos quer não, Monetário Internacional. Quando os parecer reduzir as importações. Mas Pode haver esperança cadas, em boa parte porque a União
2018 pode ter sido um ano Artigos de Acordo originais do FMI elas também estão a afetar insumos À medida que a América se afasta do Soviética se recusou a reconhecer o
de viragem histórica. A glo- estavam a ser negociados em 1944, importados para as exportações dos multilateralismo, a China está a re- valor dos mercados e da proprieda-
balização mal gerida levou a houve alguma discordância sobre se EUA, que não serão poupados aos modelar sozinha a geopolítica global de privada e evitou o contacto com
movimentos nacionalistas de “recu- o novo órgão deveria estar sediado efeitos prejudiciais de maiores barrei- através do AIIB, do Novo Banco de o Ocidente. O mesmo não pode ser
peração de controlo” e a uma onda na Europa ou nos EUA. Por fim, foi ras comerciais. Para piorar as coisas, Desenvolvimento, da Nova Rota da dito da China. Mais de 600 000 estu-
crescente de protecionismo que está a decidido que deveria ter a sede na ca- a actual onda de protecionismo pode Seda e de outros meios. Mas, embora dantes chineses estudam no exterior
minar a ordem internacional liderada pital do país com a maior parcela dos estar a criar novas pressões fiscais, já as políticas actuais da China tenham todos os anos, e 450 000 deles fazem-
pelos americanos durante 70 anos. O direitos de voto (que acompanha a que os trabalhadores da indústria dos implicações de longo prazo para a re- -no nos EUA e na Europa, onde
cenário está pronto para a China de- participação de um país na economia EUA e os agricultores em dificulda- gião da Ásia-Pacífico e para o mun- constroem redes sociais e profissio-
senvolver as suas próprias instituições global). Isso significa que, dentro de des exigem compensação por meio de do, a maioria de nós ainda precisa de nais duradouras.
internacionais paralelas, augurando uma ou duas décadas, a China poderá subsídios ou alívio fiscal. refletir cuidadosamente sobre essas Enquanto nos preparamos para con-
um mundo dividido entre dois sis- exigir que o FMI tenha a sua sede em A formação de nuvens de tempestade consequências. flitos globais nos próximos anos, pre-
temas concorrentes de governança Pequim. Para uma ilustração ainda mais con- Ainda assim, os confrontos entre cisamos de trabalhar para um futuro
global. Provavelmente o FMI não se mudará tundente dos perigos representados grandes potências não precisam de moldado pela colaboração. Indepen-
de Washington DC (mais depressa pelo protecionismo e pelas políticas ser a nova ordem do dia. O fracas- dentemente de a questão ser estabi-
Aconteça o que acontecer nos próxi- os EUA deixariam o FMI do que fiscais expansionistas dos EUA, pen- sado lançamento, em Outubro, de lidade financeira, mudança climática
mos anos, já está claro que a década o FMI deixaria a América). Mas a semos no que aconteceria no caso de um foguete que transportava um ou paraísos fiscais, há uma argumen-
de 2008-2018 marcou uma mudança questão permanece: o mundo está a uma nova crise económica global. astronauta norte-americano e um tação forte em defesa de os interesses
memorável no equilíbrio do poder vivenciar um reequilíbrio histórico Em 2008, governos de todo o mundo cosmonauta russo para a Estação Es- nacionais serem mais bem servidos
económico. Quando presidi à Cimei- que não é apenas económico, mas conseguiram reduzir as taxas de juro, pacial Internacional (EEI) foi uma por meio da cooperação internacio-
ra do Grupo dos Vinte (G20), em também geopolítico. A menos que o introduzir políticas monetárias não metáfora apropriada para o estado nal. No entanto, com as cadeias de
Londres, no auge da crise financeira Ocidente consiga encontrar uma ma- convencionais e implementar estímu- das relações geopolíticas de hoje. No fornecimento a serem reorganizadas,
global, a América do Norte e a Euro- neira de defender o multilateralismo los fiscais. Além disso, esses esforços entanto, também serviu como um acordos comerciais bilaterais e regio-
pa tinham cerca de 15% da população num mundo cada vez mais multipo- foram coordenados globalmente para lembrete de uma história mais pro- nais a serem negociados e os gover-
mundial, mas representavam 57% do lar, a China continuará a desenvolver maximizar o seu efeito. Os bancos funda da cooperação multilateral e do nos regionais - como o da Califórnia
total da actividade económica, 61% instituições financeiras e de gover- centrais trabalharam juntos e, com a que ela alcançou. Ao todo, 18 países - à procura dos seus próprios acordos
do investimento, cerca de 50% da in- nança alternativas, como fez com a cimeira dos líderes do G20 em 2009, participaram em viagens à EEI, que a nível global, teremos de expandir o
dústria e 61% dos gastos globais dos fundação do Banco Asiático de In- houve uma cooperação inigualável atualmente abriga uma equipa de alcance dessa cooperação.
consumidores. vestimento em Infraestrutura (AIIB, entre chefes de Estado e ministérios astronautas americanos, russos e ale-
Mas o centro de gravidade econó- sigla em inglês) e a Organização de das Finanças. mães que trabalham em conjunto. A globalização está numa encruzi-
mica do mundo mudou desde então. Cooperação de Xangai. Agora, olhemos em frente para os Embora a corrida espacial tenha co- lhada. De uma forma ou de outra,
Enquanto em 2008 cerca de 40% Uma soberania oca anos 2020, quando haverá muito me- meçado como uma competição de organizações internacionais e es-
da produção, indústria, comércio e O actual conflito comercial entre os nos espaço monetário e fiscal para soma zero no auge da Guerra Fria, truturas multilaterais precisarão de
investimento estavam localizados Estados Unidos e a China é sinto- manobras. As taxas de juro serão ela tornou-se uma área de colabora- acomodar os novos “polos” de poder
fora do Ocidente, hoje são mais de mático de uma transição maior no quase certamente demasiado baixas ção internacional sustentada. Hoje, geopolítico que estão a surgir. As de-
60%. Alguns analistas preveem que poder financeiro global. À superfície, para que os decisores de políticas os programas espaciais russo e norte- cisões que estamos a contemplar hoje
a Ásia responderá por 50% da pro- o confronto da administração Trump monetárias forneçam um estímulo -americano são tão mutuamente de- terão implicações significativas e de
dução económica global até 2050. É com a China é sobre o comércio, com eficaz; e os densos balanços patrimo- pendentes que os astronautas ame- longo alcance para o futuro do nos-
verdade que o rendimento per capita disputas sobre manipulação de moe- niais herdados da última crise terão ricanos não podem voar para a EEI so planeta. A única questão é se elas
da China ainda pode ser inferior a da pelo meio para compor o cenário. deixado os bancos centrais cautelo- sem lançadores de foguetes russos, e serão tomadas de forma unilateral ou
metade do dos Estados Unidos em Mas, a partir dos discursos de Trump, sos em relação a mais flexibilização os cosmonautas russos não podem colaborativamente. Devemos invocar
2050, mas o tamanho da economia percebe-se que a verdadeira batalha é quantitativa. sobreviver a bordo da estação sem a a vontade dos nossos antecessores do
chinesa levantará no entanto novas sobre algo maior: o futuro do domí- A política orçamental será igual- tecnologia americana. pós-guerra, para que também nós
questões sobre governança global e nio tecnológico e do poder económi- mente restritiva. Já em 2018, o rácio Claro que essa parceria de longa data possamos estar “presentes na criação”
geopolítica. co global. médio da dívida pública em relação poderá acabar. Uma lei dos EUA de de uma ordem que seja adequada
Sob nova direção Embora Trump tenha, pelo menos, ao PIB da UE é superior a 80%; o 2011 já proíbe a China de aceder à para o nosso momento na história.
Durante várias décadas após a sua detetado a crescente ameaça à su- défice federal dos EUA deve ultra- EEI ou de trabalhar com a Admi-
formação nos anos de 1970, o Gru- premacia americana, ele ignorou a passar 5% do PIB; e a China está a nistração Nacional de Aeronáutica *Gordon Brown, ex-primeiro-ministro
po dos Sete (G7) - Canadá, França, estratégia mais óbvia para responder lidar com a crescente dívida pública e Espaço dos EUA (NASA). No e ministro das Finanças do Reino Uni-
Alemanha, Itália, Japão, Reino Uni- a isso: ou seja, uma frente unida com e privada. Nestas condições, propor- entanto, se potências hostis como os do, é enviado especial das Nações Unidas
do e Estados Unidos - basicamente aliados e parceiros dos EUA em todo cionar estímulo fiscal será ainda mais EUA e a Rússia conseguem encon- para a Educação Global e presidente da
presidiu a toda a economia mundial. o mundo. Em vez disso, Trump afir- difícil do que nos anos que se segui- trar maneiras de cooperar no espaço, Comissão Internacional do Finan-
Mas, em 2008, eu e outros começá- mou uma prerrogativa para agir uni- ram à última crise, e a coordenação certamente algo semelhante pode ser ciamento da Oportunidade para uma
mos a discernir um render da guarda. lateralmente, como se os EUA ainda transfronteiriça será ainda mais ne- alcançado aqui na Terra. Educação Global. É presidente do Con-
Nos bastidores, os líderes norte-ame- governassem um mundo unipolar. cessária. Infelizmente, as tendências Devemos ter esperança. A Guerra selho Consultivo da Fundação Catalyst.
ricanos e europeus debatiam se tinha Como resultado, já arrasta atrás de si actuais sugerem que os governos es- Fria durou quatro agonizantes dé- Texto retirado do dn.pt.
chegado a hora de criar um novo fó- um rasto de ruína geopolítica. tarão mais propensos a culparem-se
rum de cooperação económica que Entre outras coisas, Trump retirou-se uns aos outros do que a cooperar para
incluísse as economias emergentes. do acordo nuclear com o Irão e do acertar as coisas.
Esses debates foram muitas vezes acordo climático de Paris, e anunciou Estamos, portanto, diante de um pa-
acesos. De um lado estavam aqueles que os EUA estão de saída do Tra- radoxo. O descontentamento com a
que queriam manter o grupo peque- tado de Forças Nucleares de Alcance globalização trouxe uma nova onda
no (uma das primeiras propostas dos Intermédio com a Rússia que dura há de protecionismo e unilateralismo, Email: diariodeumsociologo@gmail.com
EUA previa um G7 + 5); do outro 31 anos. Além disso, o seu governo mas só se conseguirá abordar as fon- Portal: https://oficinadesociologia.blogspot.com
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lado, estavam aqueles que queriam bloqueou a nomeação de juízes para tes desse descontentamento através

Pacemakers sociais
que o grupo fosse o mais inclusivo o órgão de solução de controvérsias da cooperação. Nenhum país sozinho
possível. Até hoje, os resultados des- da Organização Mundial do Co- pode resolver problemas como o au-
sas primeiras negociações não são mércio; reduziu o G7 e G20 à quase mento da desigualdade, a estagnação
totalmente claros. Quando o G20 se

P
irrelevância; e abandonou a Parceria salarial, a instabilidade financeira, a
reuniu em Londres em Abril de 2009 Transpacífico, abrindo a porta para a evasão fiscal, as mudanças climáticas or todo o lado surgem expressões aparentemente inócuas,
incluiu, na verdade, 23 países - com a China afirmar o seu domínio econó- e as crises de refugiados e migração.
palavras cujo conteúdo importa, porém, expurgar simbolica-
Etiópia a representar a África, a Tai- mico na região Ásia-Pacífico. Um recuo para a política das gran-
mente, não interessando saber exactamente o que são, quem
lândia a representar o Sudeste Asiá- Há aqui uma profunda ironia. Quan- des potências do século XIX poderá,
são e por que são. A pobreza absoluta, por exemplo, é um mal
tico e os Países Baixos e a Espanha do a América realmente presidia a de forma decisiva, fazer retroceder a
juntaram-se à lista europeia original
que podemos eliminar se “todos” assumirem o combate contra ela. A
um mundo unipolar, geralmente pre- prosperidade que alcançámos no sé-
-, assim como a União Europeia. No feria actuar por meio de instituições culo XXI. crença interessada é a de que a pobreza absoluta nada tem a ver com
entanto, mesmo esse G24 não refletia multilaterais. Mas agora que o mun- Longe de representar uma visão es- o sistema social que a segrega em permanência, mas com a falta de
totalmente o quão rápido o mundo do está a tornar-se mais multipolar, a tratégica clara do futuro, a “América fé e de emprenho pessoal.
estava a mudar. Hoje, a Nigéria, a administração Trump está a avançar Primeiro” é mais como um espasmo É como se, esvaziado por completo o sentido social das coisas e das
Tailândia, o Irão e as economias dos sozinha. A questão é se esse esforço de autoflagelação de uma potência pessoas que fazem coisas em relações a propósito de coisas que uns
Emirados Árabes Unidos são maio- para recuperar uma forma pura de outrora hegemónica ainda apegada têm e outros não, transformássemos certas expressões em eléctro-
res do que a menor economia do G20 soberania do século XIX poderá fun- ao passado. Retornar ao nacionalismo dos politicamente úteis, em pacemakers que se espera reequilibrem
(África do Sul), mas nenhum desses cionar. expresso no Tratado de Versalhes é o ritmo cardíaco da nossa vida com pequenos choques eléctricos
países é membro do grupo. No que diz respeito ao comércio, as ignorar a diferença indispensável que simbólicos, convenientes, verbais, encantadores, silenciosos e anes-
Da mesma forma, as coisas também políticas “América Primeiro” da admi- pode fazer a ação intergovernamental tesiantes.
estão a mudar em relação ao Fundo nistração Trump podem inicialmente fortalecida.
OPINIÃO
20 Savana 11-01-2019

As galinhas do medo
Por José Jaime Macuane

O
documento vazado pela justi- Também jovens zelosos de uma certa or- altura podemos seguramente chamar de tiça nacional se manteve inoperante (por-
ça americana sobre as dívidas ganização partidária não mediram esfor- uma cleptocracia que capturou as insti- que manietada), mas também os crimes
ocultas diz que a EMATUM foi ços em intervir de forma arruaceira em tuições do País. Portanto, além da fraude de que os personagens aqui referidos são
criada para se poder ter um em- debates da sociedade civil sobre o assunto, descarada que é descrita no documento da acusados foram cometidos em jurisdição
préstimo adicional para pagar parte das nos quais em certas ocasiões apenas apare- justiça americana, este grupo usou as ins- estrangeira. Sobre os crimes cometidos em
dívidas da Proindicus. Não riam! Isso é ciam para discutir pessoas e nem ficavam tituições do Estado, incluindo o aparelho jurisdição nacional, ainda há muito espa-
verdade. Aconteceu, pelo menos segundo para as respostas ou o debate. repressivo, os impostos dos contribuintes, ço para a redenção das nossas instituições,
a acusação da justiça americana! Alguém O segundo, o tecnicista/“científico” – sobre para marcar a sua posição. A frase do Mia mas a nossa nefasta formatação política
pensou que isso ia dar certo: fazer emprés- como participar de forma “sensata”, “cien- Couto, sobre os homens que aos nossos nos aconselha a “aguardar serenamente”.
timo multimilionário de um projecto sem tífica”, “informada”, “cidadã” e intervir no olhos se transmutaram em várias perso- Se há alguma lição que se pode tirar disto
viabilidade para pagar dívidas de outro momento certo (regra que claramente não nagens e que no fundo não passavam de é que acalentar esta cultura de medo não
empréstimo sobredimensionado. O tal es- se aplica aos mentores dessas ideias, “que ladrões, é a epítome desta ideia. nos vai levar a lado nenhum. Certamente
tudo de viabilidade [da EMATUM] que sempre sabem” qual é o momento certo de Não há muito de positivo que possa vir existe uma componente de violência nes-
dizem existir, nunca foi tornado público, intervir) no debate público. Este discurso, de um grupo governante (e seus satélites tes grupos que não deve ser negligencia-
mesmo nos momentos mais acesos do de- mais manipulativo, funcionou como uma e fieis seguidores) que cultiva o medo, seja da e ela foi sendo usada ao longo deste
bate. Seria interessante ver que argumento tentativa de incutir a autocensura, na bus- a partir da repressão ao debate público e processo (outro assunto que deveria ser
está lá. ca de validação científica ou técnica dos a exigência de responsabilização, seja pelo investigado pelas instituições, se funcio-
Como justificação das dívidas que criaram que se consideram autoridades científicas pseudo debate intelectual, que mais do nassem como deve ser). Mas pessoas e
as três nefastas empresas, vimos discursos ou técnicas, ou na busca de enquadramen- que educar, tenta formatar maneiras de grupos que recorrem a esses expedientes
que os agrupo em dois tipos. O primeiro, to social e referências cognitivas ao pensa- pensar e intervir na arena pública. O úl- não têm nenhum projecto benigno para a
sobre soberania. O segundo, mais tecni- mento das pessoas. A cidadania, o direito timo, uma espécie de banditismo episte- sociedade. Aliás, só faz sentido cultivarem
cista/supostamente científico, sobre o pró- de participar e ser ouvido, independente- mológico (que difere expressão usada por uma cultura de medo, que limita o debate
prio debate público. mente das suas capacidades intelectuais ou Boaventura Sousa e Santos “de fascismo e a responsabilização pública, quando o
O primeiro (da soberania), funcionou técnicas, tornaram-se apenas numa ténue epistemológico”, porque neste há alguma objectivo é preservar privilégios indevidos
como uma forma de intimidação e de referência (se é que existia) em tais mentes dose de honestidade intelectual, embora e interesses que divergem dos interesses
tentativa de criação de uma narrativa pa- iluminadas e supostamente iluminantes. maligna), que não é nada mais do que a mais amplos, porque nestes casos o deba-
triótica e até de heroísmo. Até tivemos Essa reflexão não parece ser relevante para expressão intelectual da tentativa de de- te aberto e sem barreiras é a forma mais
direito a um texto “aos companheiros de essa “pedagogia da cidadania”. fender interesses de grupo. legítima.
trincheira”, cujo autor dava o peito às ba- À medida que se confirma e se revela de- Uma das coisas que esta cultura de medo Se continuarmos a acalentar este medo,
las pela defesa da tal causa nacional. Qual talhes dos contornos deste caso, fica claro criou é a complacência com que a socie- não seremos nada mais que parte da ca-
abnegado herói disposto a morrer pela sua que ambos os discursos não foram para dade viu as suas instituições serem sub- poeira dos milhões de galinhas a que um
pátria amada. A par disso, também houve além de uma tentativa de criar medo no vertidas e usadas em prol de um grupo, dos co-conspiradores (como é chamado
uma sistemática sabotagem e ameaças aos debate público e/ou não conseguem pas- inclusive para a violentar psicológica e fi- no texto) se refere, ao gulosamente exigir o
que debatiam este assunto publicamente, sar apenas de justificação da escandalo- sicamente, incluindo através da imposição quinhão desta roubalheira para alimentar
com direito a textos a circularem nas redes sa roubalheira de que fomos vítimas. De de um injusto fardo económico e social. a gula dos seus comparsas. Com este tipo
sociais a rotular as pessoas de “agentes de forma mais sistémica, da justificação (de- Agora ainda volta o debate da soberania, de patriotas e defensores da soberania, não
interesses estrangeiros”. liberada ou ingénua) daquilo que à esta ignorando-se o facto de que não só a jus- há muito a esperar do nosso futuro do país.

Por Luís Guevane


SACO AZUL

“Dois bis” sem vergonha


T
ransformamo-nos no pobre que puto, as pessoas conseguem ter coragem matismo psicológico criado pela cultura em tempo útil, dando conta da situação
se viciou em pedir peixe ao vi- de murmurar e até tomar alguma atitude. de obediência (cega e inquestionável). En- no tribunal sul-africano. De chacota em
zinho e nunca se preocupou Conseguem pôr pneus a arder as ruas ex- tretanto, o umbigo mantem-se ao alcance chacota e de gargalhada em gargalhada
em sacudir a sua preguiça para pelindo fumo de protesto negro. Os mani- de cada um, diferentemente do País. E os faz-se a marcha contra os 12 envolvi-
aprender a pescar. É tanta pobreza que festantes têm sido maioritariamente jovens blindados? dos, esperando-se os 18 da “madame”.
nos acomodamos na ideia que nós pró- que “nunca viram” os “mais velhos” em ac- O Governo, supostamente, parece ter per- Quem são os rasurados? Os nomes vão
prios criamos de que não aprendemos ções de manifestação activa. Se o problema cebido o drible no dia seguinte. Blindar aparecendo. De facto, as preocupações
a pescar porque quem nos dá peixe não for o aumento do preço do combustível e a segurança da cidade revelou excelente com as necessidades básicas estomacais
está interessado em tirar-nos dessa ar- porque isso afecta directamente uma mi- compreensão da magnitude do problema são muito mais importantes que levar
madilha. Daqui resultou, ao longo do noria da população, aqueles que têm veícu- criado pelo rombo financeiro. O cidadão, uma chambocada na rua, numa altura de
tempo, o reforço do endividamento do lo próprio, assiste-se, destes, a um murmú- esse que alegadamente devia ter quebrado crise, incluindo no sector da saúde. Es-
país em paralelo com o aproveitamen- rio efémero que termina em conformismo a loiça por causa dos “dois bis”, parece ter perávamos uma marcha das ODMs que
to da condição de pobreza em que se absoluto ao redor do umbigo. Obviamente despertado depois de ter visto os “blin- não sofrem com as sevícias das “forças”;
encontra grande parte dos moçambica- que a curto prazo vai afectar directamente dados” que o esperavam. No dia seguinte, “marcha pacífica” da OMM, da OJM, da
nos. A impunidade, essa sim, foi sem- a maioria que depende do transporte co- quarta, não vimos os tais “blindados” nem OTM, etc. Estão todos liminarmente
pre a marca registada dos “moçambica- lectivo e semi-colectivo. Continuemos: se sinais externos de uma manifestação ao “wassuassados” e sem rede? Ah, estão no
nos de gema”, aqueles que estão acima um grupo de moçambicanos engendra um vivo contra as dívidas odiosas, pedindo a movimento de repúdio nas redes sociais.
da Lei. rombo financeiro de 2 mil milhões de dó- cabeça dos responsáveis do lado moçambi- Todos perceberam que afinal a ajuda
O forte instinto de sobrevivência tem lares, dois bis, com esquemas pouco claros cano. Afinal, a manifestação, há muito em externa não é só financeira. Nesta não
feito com que indivíduos, famílias ou e transforma tudo isso em dívida soberana, curso, só agora está a atingir o seu primeiro falamos em vergonha. A ajuda exter-
mesmo as ditas organizações demo- hipotecando o futuro do país, enchendo pico alto e não é “ao vivo”: nas redes sociais na é também no sentido de repor/fazer
cráticas de massas (ODMs) tenham o estômago até perder a respiração, o que a mesma é forte e lá não há espaço para justiça. Nesta ficamos envergonhados
como preocupação primeira, segunda e lhes acontece? Internamente, o habitual. A acomodar blindados e nem balas perdidas, porque, internamente, por razões conhe-
terceira o estômago vazio. Custa perce- maioria do cidadão comum não reage na chambocadas e jactos de água. Com a crise cidas, as nossas “instituições de justiça”
ber o País. Do estômago para o País vai mesma proporção que o problema exige, não há tempo para pensar num bom vírus não interpretaram e/ou implementaram
uma distância. Se for anunciada a su- devido, por um lado, ao embrutecimento para atrapalhar as redes sociais. Aliás, isso corajosamente o sentido de separação de
bida da tarifa de transportes colectivos criado pela pobreza que pesa sobre as nos- levaria a manifestação, ao vivo, para as ruas. poderes. São duas vergonhas. Uma delas
e semi-colectivos, pelo menos em Ma- sas decisões e, por outro, devido ao trau- Nas redes sociais circulam documentos, maior que a outra.
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Savana 11-01-2019 21
DESPORTO
22 Savana 11-01-2019

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Por Abílio Maolela

O
Presidente da Federação também é necessário que, dentro da bolso dos parceiros. Estamos a lutar
Moçambicana de Natação nossa planificação, possamos anun- para fechamos o mandato sem sal-
(FMN), Fernando Miguel, ciar à Federação Internacional a in- dos negativos e pelo tempo que falta
defende que os próximos tenção de organizarmos um evento pensamos que é possível.
anos da modalidade “serão de gló- com marcas reconhecidas, interna- É candidato às próximas eleições?
ria” e que o seu sucessor é “abençoa- cionalmente. -Não!
do”, pelo facto desta estar de “boa “Deixamos a FMN bem encami- Porquê?
saúde”. nhada”
-Primeiro, por questões éticas, por-
Em entrevista ao SAVANA, Mi- Em que situação irá deixar a FMN?
que para conseguirmos registar e
guel garantiu deixar aquela agre- -Deixamos a FMN bem encami-
legalizar a Federação, não tendo
miação “bem encaminhada”, pelo nhada, num ambiente propício para
que os próximos dirigentes possam associações, foi na base do associati-
facto de a modalidade ter voltado
a ser “nacional” e com os atletas em abraçar a modalidade e com digni- vismo, onde um grupo de indivíduos
condições de participar nos Jogos dade prosseguirem com esse desafio. regista e legaliza a federação e este
Olímpicos de 2020 com as marcas Na próxima Assembleia-Geral va- por força desse exercício se torna só-
mínimas exigidas. mos fazer aprovar os Regulamentos cio da própria federação com direi-
Fazendo balanço do seu mandato, o Geral da Federação, da Arbitragem, tos iguais aos outros sócios.
dirigente garante ter cumprido com do Uso dos Recintos Desportivos e Isto quer dizer que Fernando Mi-
algumas promessas, apesar da crise Disciplinar. São ferramentas impor- guel é sócio da FMN...
financeira; revela não deixar fundos tantes que vão nortear a gestão e o -Sim. Sou sócio-fundador. Por isso,
nas contas da instituição, pois, “sem- “A natação está de boa saúde (...). Sentimos que os próximos anos serão dia-a-dia da modalidade. Também é preciso passar esse sentido de res-
pre trabalhamos na base dos contra- de glória e são abençoados os dirigentes que irão nos seguir” deixamos a Federação, numa altura ponsabilidade (dos que registaram)
tos-programas” e que luta para não em que a modalidade voltou a ser para as Associações e esse exercício
deixar saldos negativos. nacional e numa altura em que po- será feito, primeiro, na Assembleia-
todos os escalões e da fraca qualida- em 2012. Portanto, foi um processo demos dizer com certeza que atletas
Acompanhe os excertos mais im- -Extraordinária e depois na ordiná-
de dos juízes e cronometristas... muito longo e só, em 2017, conse- moçambicanos irão participar com
portantes desta conversa. ria.
-Há muitos factores a ter em con- guimos ter personalidade jurídica mínimos nos Jogos Olímpicos de
Está a escassos dias de deixar a É o único sócio nesta condição?
ta. Muitas vezes, as pessoas criticam para podermos firmar parceiras. Tóquio.
FMN. Que balanço faz do seu -A Lei preconiza um mínimo de 10
por não conhecer a Política e a Lei E em relação às Associações, quan- E em termos financeiros, em que si-
mandato?
do Desporto. Quando fazemos os tas estão filiadas à FMN? tuação deixa a Federação? indivíduos e todos fazem parte da
-O balanço é positivo porque en-
campeonatos nacionais, organiza- -Temos seis associações (Nampula, -A FMN trabalha na base dos con- minha lista.
contramos uma realidade que se
mos de todos os escalões e nessa Tete, Manica, Sofala, Inhambane e tratos-programas com o Estado e O modelo adoptado para a legaliza-
relacionava com a legalização da
perspectiva também organizamos Maputo Cidade). São estas que, ao parceiros e patrocínios e os mesmos ção da FMN não abre espaço para
federação. Foi um processo que se longo do nosso mandato, participa-
campeonatos que participam atletas estão direccionados à um progra- novas guerras?
arrastou por muito tempo e que nos ram em competições organizadas
de alta competição e de massifica- ma concreto. Por isso, a Federação -Bom, essa é a lei que ajudou a le-
impediu navegar nos moldes que pela Federação. Mas, mesmo assim,
ção, devido aos custos. Separar cam- depende dos eventos que organiza galizar a maior parte das federações
desejávamos, pois, dependíamos de a legalização da FMN só foi possível
peonato de massificação do da alta nesse momento, pelo que, não é es- e é um mecanismo previsto na Lei
estatutos para firmarmos acordos. com o recurso à Lei do Associativis-
competição acarreta custo, não só pectável termos uma saúde financei- do Desporto. Mas, está tudo acau-
A nossa candidatura focava-se na mo, pois, apesar de termos seis asso-
massificação, participação em com- a FMN, mas também aos próprios ra robusta. telado. O exercício dos membros-
clubes. Portanto, é uma forma que ciações, apenas duas estão legaliza- Ou seja, não deixa nenhum centavo
petições internacionais e nível de das. E para legalizar uma federação -fundadores cessa com a realização
competição e competitividade dos traz mudanças, mas que está enqua- nas contas...
é preciso ter seis associações com das eleições.
nossos atletas, incluindo a formação, drado nos padrões internacionais, -Acredito que terá algum dinhei-
estatutos publicados no BR. Mas, qual é a outra razão que lhe
a reactivação do polo aquático, rea- excepto naqueles países, onde as fe- ro porque deixaremos actividades
Qual é o ponto de situação das pis- leva a não se candidatar?
bilitação das infra-estruturas. derações tem capacidade financeira. em curso (campeonatos regionais e
cinas? -A outra é o sentido de dever cum-
Conseguiram concretizar os pontos nacionais de inverno) que já foram
-Neste capítulo também regista- prido. Vínhamos resgatar a moda-
que corporizavam a vossa candida- “Sentimo-nos realizados com orçamentados.
mos grandes progressos, apesar de lidade para patamares aceitáveis.
tura? estes resultados” Mas, qual é o orçamento anual da
termos tido acidentes na Piscina FMN e que engenharia fazia para Cumprimos e achamos que é o mo-
-Conseguimos realizar todos cam- Mas, em que estágio está a massifi-
Olímpica do Zimpeto. Em Maputo, assegurar a realização das activida- mento de passarmos aos outros da-
peonatos nacionais: de inverno e cação?
conseguimos recuperar a piscina da des anuais? rem continuidade e acreditamos na
verão. É um ponto positivo porque -Penso que foi o nosso maior pro-
Escola Secundária Estrela Vermelha -É muito difícil financiar as activi- qualidade dos que irão nos suceder.
são provas que permitem um inter- gresso porque, quando entramos
(será inaugurada, recentemente) e dades de uma Federação, mas fo- Vamos aproveitar a oportunidade
câmbio social e desportivo entre os tínhamos no activo duas associações
estamos a restruturar da Josina Ma- mos aprendendo com a experiência que os Estatutos nos dão para rea-
atletas e catapulta-os para patama- e poucos clubes. Mas, foi possível
chel; recuperamos a piscina de Ma- de cada ano. A natação é praticada girmos como salvaguarda e reserva
res nacionais e internacionais. Re- trazer, pela primeira vez, Inhamba-
nica; estávamos a recuperar a piscina em estilos e disciplinas diferentes, o
gistamos ainda uma grande abertura ne para a natação; Tete e Manica às moral da Federação para que não
do Goto, na Beira, mas foi vandali- que acarreta custos e tem sido ain-
para atletas e equipas moçambica- competições nacionais; e resgata- caia.
zada; e estamos a lutar para termos da mais difícil, quando se trata de
nas competirem no estrangeiro, o mos Nampula. Também consegui- piscina, em Moatize (Tete). Como deixa a modalidade?
mos aumentar o número de clubes, viagens para o estrangeiro porque -A natação está de boa saúde, pois,
que permitiu a elevação do nível de Em que situação estamos, em ter-
em Maputo, Sofala, Manica e Tete. a exposição das marcas dos nossos sentimos que há muita pressão para
competitividade dos nossos atletas, mos de técnicos, juízes e cronome-
Mas, não fomos felizes em ter mo- parceiros não tem muito impacto,
algo que não acontecia nos últimos tristas? ser praticada. Em todo o país, temos
mentos bons da nossa economia. O tendo em conta os seus mercados.
anos. Conseguimos participar numa -Esse foi outro desafio que enfren- registado uma dinâmica muito boa
nosso mandato foi caracterizado por Por isso, sempre participamos com
final dos Jogos da Commonwealth, tamos e houve um trabalho aturado fora do movimento oficial, por isso,
situações difíceis da nossa economia abaixo de 60% do que perspectiva-
o que é uma honra para nós. Tam- para a capacitação de juízes e cro- o desafio é trazer esses praticantes
e conseguir parcerias nesse contex- mos. A nossa expectativa orçamen-
bém fomos aos mundiais de piscina nometristas, assim como monitores. ao circuito legal. Sentimos que os
to é muito difícil, pelo que, tivemos tal sempre apontou para cerca de 15
curta com mínimos. Isso deveu- Tivemos alguns treinadores que ti- próximos anos serão de glória e são
dificuldades em avançar noutras milhões de meticais, mas só conse-
-se ao trabalho que fizemos, desde veram algumas capacitações, no es- abençoados os dirigentes que irão
disciplinas como Polo Aquático. guimos entre seis e oito milhões de
a capacitação até a participação em trangeiro (Portugal, Espanha, Áfri- nos seguir. Com boa vontade e dedi-
Também queríamos resgatar a disci- meticais. Aliás, muitas vezes realiza-
eventos internacionais. ca do Sul e outros) para melhorarem cação, pensamos que há muito para
mos eventos à crédito e liquidamos
Mas, continuamos a depender dos plina dos masters (veteranos) para a as suas técnicas de treinamento, mas as dívidas de acordo com o desem- acertar e pouco para errar.
mesmos atletas. Porquê e quando competição. Portanto, sentimo-nos em número reduzido.
iremos alterar o cenário? realizados com estes resultados, ten- Mas, está a ser difícil termos marcas
-Há progressos porque os atletas do do em conta a realidade que encon- registadas, no país, a serem reco-
topo já não são os mesmos do passa-
do porque uns deixaram de competir
tramos.
Falou da legalização da Federação,
nhecidas, internacionalmente...
-A dificuldade prende-se com o pe-
(UUDWD
e outros foram ultrapassados. Mas, significa que a FMN não tinha es- ríodo em que a piscina do Zimpeto Por lapso, escrevemos, na edição passada, que o Standard Bank
há atletas que, na altura, estavam tatutos? Como funcionava? esteve paralisada porque um dos re- apoiou, financeiramente, a Federação Moçambicana de Atletismo
nos infantis e que hoje participam -A Federação sempre teve estatutos, quisitos é termos uma piscina com na organização da 17ª edição da Corrida Internacional São Silvestre,
nos campeonatos internacionais. o que acontece é que não tinha esta- cronometragem automática e até Maputo-2017. Na verdade, quem apoiou a supracitada competição
Autoelogia-se sobre a organização tutos aprovados e publicados no Bo- então só está disponível, em Mapu- foi o Barclays Bank Moçambique. Pelos transtornos causados, as
das provas, mas têm sido criticadas letim da República (BR), tal como to. Há uma perspectiva de se adqui- nossas sinceras desculpas.
pelos técnicos devido a junção de obriga a Lei do Desporto, aprovada rir uma cronometragem móvel. Mas,
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24 Savana 11-01-2019
Dobra por aqui
SUPLEMENTO HUMORÍSTICO DO SAVANA Nº 1305 ‡11 DE JANEIRO DE 2019
2 Savana 11-01-2019 SUPLEMENTO Savana 11-01-2019 3
OPINIÃO
Savana 11-01-2019 27

Abílio Maolela (Texto)


Ilec Vilanculo (Fotos)

Concertações tardias!
O
s primeiros dias do último ano da segunda década do século XXI parecem
não ter começado bem para a elite política e judiciária do já apelidado
“País do Pandza”, com a detenção do ministro das Finanças, no Governo
de Armando Guebuza, Manuel Chang, implicado no famoso e emblemá-
tico caso das dívidas ocultas, contraídas à margem da legislação nacional.
Depois de quase dois anos de cumplicidade nacional, os “gringos” chamaram para
si a responsabilidade de responsabilizarem os “prevaricadores”, tendo accionado os
seus mecanismos para “encarcerar” todos que deixaram o país na sargeta.
Perante esta situação, várias têm sido as concertações com vista ao impedimento
da extradição, para os Estados Unidos da América, do “homem-bomba” capaz de
“fervilhar” a nação e animar as já renhidas eleições gerais de 15 de Outubro pró-
ximo. É o caso do recente comunicado de imprensa da Procuradoria Geral da Re-
pública, que refere estar a encetar diligências junto das autoridades sul-africanas e
norte-americanas para que os “infractores” sejam responsabilizados em solo pátrio.
O Governo, a Assembleia da República e o partido Frelimo ainda não se pro-
nunciaram, fazendo, provavelmente, a devida concertação para enfrentar a crítica
nacional e “manipular” o pacato cidadão.
Entretanto, as concertações mostram-se tardias, tendo em conta o estágio em que
o caso chegou. Alguns afirmam que os homens da toga tiveram tempo e espaço
suficiente para debelar as chamas à moda moçambicana, mas optaram por arrastar
o caso, tendo já atingido dimensões internacionais cujas consequências são incal-
culáveis.
Com a confirmação definitiva de que, para além de as dívidas terem sido con-
traídas ilegalmente, o dinheiro foi parar nos bolsos de indivíduos identificados, o
debate sobre o pedido de declaração de inconstitucionalidade das mesmas, pelo
Conselho Constitucional, volta a ganhar força, colocando em “sarilhos” a escolinha
do barulho e os juízes do CC.
Não sabemos se a Assembleia da República irá debater o assunto na próxima ses-
são, o facto é que o mesmo não passará das habituais farpas entres os deputados.
Na nossa imagem de abertura, encontramos os Chefes das Bancadas Parlamenta-
res da Frelimo e do Movimento Democrático de Moçambique, Margarida Talapa
e Lutero Simango, respectivamente, de mãos dadas (algo incomum) e sorridentes,
mas não percebemos o motivo desse sorriso.
Outras individualidades que também sorriem são o Ministro dos Combatentes,
Eusébio Lambo, e o Bastonário da Ordem dos Advogados, Flávio Menete, que
aparecem nesta outra imagem a “clicarem-se” como bons amigos fazem.
Enquanto isso, Graça Machel aparece a manter uma conversa facial com Eneas
Comiche, Presidente Eleito no Conselho Autárquico de Maputo, que na mesma
situação vai gesticulando. Estará EC80 a tentar convencer “mamã” Graça a fazer
“lobbys” junto dos “cunhados” para devolver Manuel Chang ao nosso convívio? O
futuro breve nos dirá!
Os outros que também vão sorrindo são o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros
e Cooperação, Oldemiro Balói e a vice-ministra da Agricultura e Segurança Ali-
mentar, Luísa Meque, sob olhar sereno da vice-ministra da Juventude e Desporto,
Ana Flávia de Azinheira.
A mesma serenidade é demonstrada pelo Bispo da Igreja Anglicana, Carlos Mat-
sinhe e o Presidente da Igreja Universal do Reino de Deus, José Guerra, nesta
última imagem.
À HORA DO FECHO
www.savana.co.mz EF+BOFJSPEFt"/0997t/o 1305

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IMAGEM DA SEMANA D i z - se.. .

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pela agência de informa- EJU4VJTTFF75# JOUFSNFEJBEPT BCSJHPEBMFJJOUFSOBDJPOBM P(P-
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ção financeira Bloom- QFMB 1SJWJOWFTU F DPOUSBÓEPT QF- WFSOP OÍP UFN EF QBHBS OBEBw 
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na defesa do argumento de que .PÎBNCJDBOB EF "UVN  .P-  i0T USJCVOBJT EF JOWFTUJNFOUP TVSHFNBHPSBDPNPEJTDVSTPEBTPCFSBOJBFEBUFPSJBEBDPOTQJSBÎÍP.BT
Moçambique não é obrigado a [BNCJRVF "TTFU .BOBHFNFOU F OÍPEBSÍPQSPUFDÎÍP<BPTJOWFTUJ- OVODB TF JOTVSHJSBN DPOUSB PT TFVT DPNQBSTBT  WFOEJMIÜFT EFTUB NFTNB
pagar as dívidas da Proindicus e TPCFSBOJB RVFOPTJNQJOHJSBNBNFOUJSBEFRVFFTUBWBNBBHJSFNOPNF
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MAM, porque foram contraídas BTTJOBEPT QFMP BOUJHP NJOJTUSP WJEBOBSFBMJ[BÎÍPEPOFHØDJP QPS TFVTQSØQSJPTCPMTPT GB[FOEPBQPQVMBÎBBCSJSNBJTGVSPTOPTFVBQFSUBEP
numa operação manchada por EBT 'JOBOÎBT .BOVFM $IBOH  OP JTTPBTBDVTBÎÜFTEFDPSSVQÎÍPTÍP DJOUP
actos de corrupção, atendendo à WBMPS EF NBJT EF  NJMIÜFT VNBSB[ÍPJOEFQFOEFOUFQBSBSF-
acusação formulada pela Justiça EF EØMBSFT  TFHVOEP B BDVTBÎÍP KFJUBSPQBHBNFOUPw BSHVNFOUPV t1PSBHPSBFTUBNPTBQFOBTBMJEBSDPNPUFSSBNPUPQSPWPDBEPQFMBSFTQPTUB
norte-americana. EPTHSJOHPTQFSBOUFPVTPBCVTJWPEPTFVTJTUFNBmOBODFJSP.BTVNEJB
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DIVULGAÇÃO
Savana 11-01-2019 1

Nota contextual:
O Centro de Integridade Pública (CIP) tomou a iniciativa de traduzir o documento de acusação expedito pelas au-
toridades judiciárias norte-americanas contra Manuel Chang e outros implicados no processo de contratação das
dívidas da Ematum, Proindicus e MAM, que posteriormente foram vendidas a investidores norte-americanos.
Esta é uma contribuição do CIP para que mais cidadãos moçambicanos tenham acesso à informação sobre o proces-
so que poderá resultar na extradição do Deputado e antigo Ministro das Finanças, Manuel Chang, para os Estados
Unidos da América, de modo a que possam compreender os contornos das chamadas “Dívidas Ocultas” e a forma
como as mesmas foram arquitectadas.

TRIBUNAL DISTRITAL DOS ESTADOS UNIDOS


DISTRITO DE NEW YORK
....................................................................................
ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

– contra –
JEAN BOUSTANI,
também conhecido como “Jean Boustany”
[Nome Ocultado]
MANUEL CHANG
[Nome Ocultado]
ANDREW PEARSE
SURJAN SINGH
DETELINA SUBEVA

Arguidos
......................................................................
As acusações do Grande Júri
DIVULGAÇÃO
2 Savana 11-01-2019

INTRODUÇÃO 21. Um “sindicalizado de crédito” é um empréstimo organizado por um ou mais


bancos em nome de um grupo de credores, consultados como um sindicato, que
I. Os arguidos, Entidades e Pessoas Relevantes trabalham juntos para fornecer fundos para um único mutuário.
 8PD ´QRWD GH SDUWLFLSDomR HP FUpGLWRµ RX ´/31µ p XP WtWXOR GH UHQGD À[D
1. A República de Moçambique como nação da região subsaariana de África que fornece ao detentor juros “pro rata” proporcionais nos pagamentos dos juros
2. Proindicus SA (“Proindicus”), Empresa Moçambicana de Atum, S.A. (“EMA- e capital feitos pelo mutuário.
TUM”) e Mozambique Asset Management (“MAM”) eram empresas detidas, e 23. Um “Eurobond” é um título internacional vendido em uma moeda diferente
supervisionadas pelo Governo de Moçambique que desempenhavam funções da moeda do mutuário.
pelas quais o Governo de Moçambique tratava como suas e eram, portanto, “ins-
trumentos” de um Governo estrangeiro na acepção da Lei contra a Prática de III O esquema fraudulento
Corrupção Estrangeira (“FCPA”), Título 15, Código dos Estados Unidos, Seção
78dd-1 (f) (1) (A). As empresas foram criadas para operacionalizar três projectos A. Visão Geral
marítimos em Moçambique para e em nome de Moçambique. A Proindicus deve-
ria realizar a vigilância costeira, a EMATUM deveria dedicar-se à pesca do atum,  (QWUH DSUR[LPDGDPHQWH  H  DWUDYpV GH XPD VpULH GH WUDQVDFo}HV À-
e a MAM deveria construir e fazer manutenção de barcos em estaleiros. nanceiras, a Proindicus, a EMATUM e a MAM contraíram dívida de 2 mil milhões
3. O arguido Chang era cidadão de Moçambique e Ministro das Finanças de Mo- através de empréstimos garantidos pelo Governo moçambicano. Os empréstimos
çambique. Chang era, portanto, um funcionário “estrangeiro”, dentro do signi- foram organizados pelo Banco de Investimento 1 e pelo Banco de Investimento 2 e
ÀFDGRGD)&3$7tWXOR6HomR I    $ GR&yGLJRGRV(VWDGRV8QLGRV vendidos a investidores em todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos. Ao lon-
4. [Nome Ocultado] go das transacções, os co-conspiradores, entre outras coisas, conspiraram para de-
5. [Nome Ocultado] IUDXGDULQYHVWLGRUHVHSRWHQFLDLVLQYHVWLGRUHVQRVÀQDQFLDPHQWRVGD3URLQGLFXV
6. Co-conspirador moçambicano 1, um indivíduo cuja identidade é conhecida EMATUM e MAM através de numerosas deturpações e omissões relativas, entre
pelo Grande Júri, esteve envolvido na obtenção da aprovação do projecto Proin- outras coisas: (i) ao uso do dinheiro do empréstimo, (ii) pagamentos de suborno e
dicus pelo Governo moçambicano. luvas a funcionários do Governo moçambicano e a banqueiros, (iii) o montante e
7. Co-conspirador moçambicano 2, um indivíduo cuja identidade é conhecida datas da maturação da dívida da Moçambique, e (iv) a capacidade de Moçambique
pelo Grande Júri, era um parente de um funcionário sénior do Governo de Mo- e a intenção de reembolsar os investidores.
çambique. &DGDXPDGDVHPSUHVDVÀUPRXFRQWUDWRVFRPD3ULYLQYHVWSDUDRIRUQHFLPHQWR
8. Co-conspirador moçambicano 3, um indivíduo cuja identidade é conhecida de equipamentos e serviços para a operacionalização dos projectos marítimos. O
pelo Grande Júri, era um funcionário de alto escalão no Ministério das Finanças dinheiro do empréstimo deveria ser usado exclusivamente para os projectos marí-
de Moçambique e um director da EMATUM. O Co-conspirador moçambicano 3 timos, mas quase todo o dinheiro emprestado foi pago directamente à Privinvest,
HUDDVVLPXP´IXQFLRQiULRHVWUDQJHLURµGHQWURGRVLJQLÀFDGRGD)&3$7tWXOR o único fornecedor dos projectos. Na realidade, os arguidos JEAN BOUSTANI,
15, Código dos Estados Unidos, Secção 78dd-1 (f) (1). [Nome Ocultado], Manuel Chang, [Nome Ocultado], ANDREW PEARSE, SUR-
9. O Grupo Privinvest era uma holding baseada em Abu Dhabi, Emirados Árabes JAN SINGH e DETELINA SUBEVA, juntamente com outros, criaram os projec-
Unidos (“EAU”), que consistia em numerosas subsidiárias (colectivamente desig- tos marítimos como fachada para arrecadar dinheiro que seria intencionalmente
nado, “Privinvest”), que incluía a Privinvest Shipbuilding, SAL, Abu Dhabi MAR desviado para o seu próprio enriquecimento e pagar pelo menos 200 milhões em
(“ADM”), Logistics International. E Palomar Capital Advisors e Palomar Holdin- subornos e luvas a funcionários do Governo moçambicano e outros.
gs Ltd, (colectivamente, designado por “Palomar”). No seu website, a Privinvest 26. Os co-conspiradores aplicaram apenas uma parte do dinheiro do empréstimo
auto descreve-se como “um dos maiores grupos globais de construção naval para para os proje-tos marítimos, e, em benefício do esquema, a Privinvest cobrava pre-
navios de guerra, submarinos de célula de combustível, super-iates, construções oRVLQÁDFLRQDGRVSHORVHTXLSDPHQWRVHVHUYLoRVIRUQHFLGRVGLQKHLURTXHSRVWH-
RͿVKRUHHVHUYLoRVDVVRFLDGRVµ riormente era encaminhado para pagar subornos e luvas. Depois de realizar pouca
10. O arguido JEAN BOUSTANI, também conhecido como “Jean Boustany” ou nenhuma actividade comercial, a Proindicus, a EMATUM e a MAM entraram
(“BOUSTANI”), cidadão do Líbano e foi o principal vendedor e negociador da em incumprimento nos seus empréstimos.
Privinvest.
11. [Nome Ocultado] B. Controlo Interno Relevante da Contabilidade do Banco de Investimento 1
12. Privinvest Co-conspirador 1, um indivíduo cuja identidade é conhecida pelo $)&3$7tWXORVHFomR E   % P E    E   HͿ D H[LJHTXH
Grande Júri, foi contratado pela Privinvest para desenvolver negócios com países os emissores mantenham um sistema de controlo contável e tornou ilegal o contor-
africanos através de conexões com funcionários dos Governo africanos. no consciente e intencional de tal controlo.
13. Privinvest Co-conspirador 2, um indivíduo cuja identidade é conhecida pelo
Grande Júri, foi o principal executivo da Privinvest.
28. O Banco de Investimentos 1 tinha controlo contável interno (“Controlo In-
14. Banco de Investimento 1, cuja identidade é do conhecimento do Grande Júri,
terno”) que abordavam, entre outros aspectos, a prevenção do suborno a e pelos
era uma empresa global de investimento bancário, títulos e investimento, com
funcionários do Banco de investimento 1, a prevenção de lavagem de dinheiro
sede e administração na Europa. O Banco conduziu as suas actividades princi-
H RXWURV FULPHV ÀQDQFHLURV FRQÁLWRV GH LQWHUHVVHV HPSUHJR H[WHUQR H R XVR GH
SDOPHQWHSRUPHLRGHYiULDVVXEVLGLiULDVHDÀOLDGDV FROHFWLYDPHQWHGHVLJQDGR
LQWHUPHGLiULRVHPWUDQVDFo}HVÀQDQFHLUDV2'HSDUWDPHQWRGH´&RPSOLDQFHµGR
“Banco de Investimento 1”). O Banco de Investimento 1 tinha uma classe regis-
Banco de Investimentos 1 exerceu a responsabilidade primária de supervisionar e
tada conforme a secção 12 da Lei de Valores Imobiliários e Câmbios de 1934 (Tí-
tulo 15, Código dos Estados Unidos, Seção 78) (a “Lei Cambial”) e era obrigada a fazer cumprir o controlo interno do Banco de Investimentos.
apresentar relatórios junto à Comissão de Títulos e Câmbios dos Estados Unidos 29. Dentro do Banco de Investimentos 1, o grupo de banqueiros de investimento
(“SEC”) nos termos da Seccção 15 (d) da Lei Cambial (Título 15, Código dos Esta- GHVLJQDGRVSDUDXPDWUDQVDFomRHVSHFtÀFDHUDFKDPDGR´HTXLSDGHQHJRFLDomRµ
dos Unidos, Secção 78o (d)). Como tal, o Banco de Investimento 1 era um “emis- 2VDUJXLGRV$1'5(:3($56(685-$16,1*+H'(7(/,1$68%(9$À]HUDP
sor”, conforme o termo usado na FCPA, Título 15, Código dos Estados Unidos, parte da equipa que negociou o projecto Proindicus, e SINGH foi membro da equi-
Secção 78dd-1 (a) e 78m (b) pa de negociou o projecto EMATUM. Eles receberam capacitação regular sobre o
15. O arguido ANDREW PEARSE, cidadão da Nova Zelândia e era, até aproxi- controlo interno do Banco de Investimento 1 e também estavam cientes desse con-
madamente 13 de Setembro de 2013, director-gerente do Banco de Investimento 1 trolo interno por meio do seu envolvimento em inúmeras transacções.
e chefe do Grupo de Financiamento Global do Banco de Investimento. Enquanto
funcionário do Banco de Investimento 1, PEARSE era um “empregado” e “agen- C. O Projecto Proindicus
WHµGHXP´HPLVVRUµGHQWURGRVLJQLÀFDGRGD)&3$7tWXOR&yGLJRGRV(VWD- 30. A 18 de Junho de 2013, a Privinvest celebrou um contrato de 366 milhões de
dos Unidos, Secção 78dd-1 (a). Em Abril de 2013, PEARSE também começou a dólares com a Proindicus, para fornecer materiais e formação para proteger as
trabalhar em benefício da Privinvest. águas territoriais de Moçambique. A 28 de Fevereiro de 2013, de acordo com um
16. O arguido SURJAN SINGH, cidadão do Reino Unido e era, até aproximada- contrato de empréstimo por escrito, o Banco de Investimento 1 concordou em fazer
mente 16 de Fevereiro de 2017, director-gerente do Banco de Investimento 1. SIN- um empréstimo sindicalizado de 372 milhões de dólares à Proindicus, com garan-
GH era “empregado” e “agente” de um “emissor”, na acepção do FCPA, Título tia da República de Moçambique (conhecido como “o empréstimo Proindicus”).
15, Código dos Estados Unidos, Seção 78dd-1 (a). O arguido SURJAN SINGH assinou o acordo de empréstimo em nome do Banco
17. A ré DETELINA SUBEVA, cidadã da Bulgária e era, até aproximadamente 21 de Investimento 1, [Nome Ocultado] co-assinou em nome da Proindicus, e o ar-
de agosto de 2013, vice-presidente do Grupo Global do Banco de Investimento 1. guido MANUEL CHANG assinou a garantia do Governo para o empréstimo em
Enquanto funcionária do Banco de Investimento 1. SUBEVA era “empregada” e nome de Moçambique. Entre aproximadamente Junho e Agosto de 2013, o Banco
´DJHQWHµGHXP´HPLVVRUµGHQWURGRVLJQLÀFDGRGD)&3$7tWXOR&yGLJRGRV de Investimento 1 aumentou o Empréstimo Proindicus em aproximadamente 132
Estados Unidos, Secção 78dd-1 (a). Em Abril de 2013, a SUBEVA começou a traba- milhões de dólares. A 15 de Novembro de 2013, o Banco de Investimentos 2 au-
lhar em benefício da Privinvest. mentou ainda mais o Empréstimo Proindicus em 118 milhões de dólares, elevando
18. O Banco de Investimento 2, cuja identidade é conhecida pelo Grande Júri, era o total do empréstimo para 622 milhões de dólares. A Proindicus nunca realizou
um banco de investimento internacional, propriedade de um Governo estrangei- RSHUDo}HVVLJQLÀFDWLYDVRXJHURXUHFHLWDVLJQLÀFDWLYDHSRULVVRPHVPRHQWURXHP
ro e tinha escritórios em New York, Londres e outros lugares. incumprimento no pagamento de empréstimo em 21 de Março de 2017.
19. O Fundo Monetário Internacional (FMI), uma instituição intergovernamental
TXHDWp0DUoRGHSUHVWDYDDVVLVWrQFLDÀQDQFHLUDHDVVHVVRULDD0RoDPEL- 31. Em 2011, o arguido JEAN BOUSTANI, numa conversa com [Nome Ocultado]
que. Para receber tal assistência, Moçambique concordou, entre outras coisas, em organizada pelo Co-conspirador da Privinvest 1, tentou convencer funcionários
limitar o seu empréstimo junto dos credores privados. do Governo moçambicano a estabelecerem um sistema de monitoria costeira atra-
vés de um contrato com a Privinvest. Quase imediatamente, BOUSTANI e [Nome
,,7HUPRVHGHÀQLo}HV Ocultado] negociaram a primeira ronda de pagamentos de subornos e luvas que
a Privinvest teria que efectuar em benefício dos funcionários do Governo de Mo-
20. A “garantia” é, entre outras coisas, qualquer nota, acção, obrigação, debênture, çambique para que o projecto fosse aprovado. Por exemplo, dando seguimento ao
evidência de endividamento, contrato de investimento ou participação em qual- esquema, BOUSTANI, [Nome Ocultado] e outros co-conspiradores tiveram as
quer acordo de participação nos lucros. seguintes discussões:
DIVULGAÇÃO
Savana 11-01-2019 3

(a) A 11 de Novembro de 2011, [Nome Ocultado] escreveu para BOUSTANI por arguidos JEAN BOUSTANI e [Nome Ocultado] e outros pagaram pelo menos 5
e-mail, declarando: “Para garantir que o projecto tenha luz verde do CdE [Chefe milhões de dólares em suborno a CHANG de uma conta bancária nos Emirados
de Estado], um pagamento tem de ser acordado antes de chegarmos lá, para que Árabes Unidos, através dos Estados Unidos, para uma conta bancária nos Emi-
conheçamos e concordemos, com antecedência, sobre o que deve ser pago e quan- rados Árabes Unidos, via Estados Unidos, para uma conta bancária na Espanha.
do deve ser pago. Quaisquer adiantamentos a serem pagos antes dos projectos,
eles podem ser incorporados no projecto e posteriormente recuperados”. (3) Conspiração para contornar o Controlo Interno do Banco de Investimento 1
(b) Mais tarde, no mesmo dia 11 de novembro de 2011, BOUSTANI escreveu para e ganhar o Negócio para o Banco de Investimento 1 em conexão com o Projecto
>1RPH2FXOWDGR@SRUHPDLODÀUPDQGR´8PDTXHVWmRPXLWRLPSRUWDQWHTXH Proindicus, incluindo subornos a funcionários do Governo de Moçambique
precisa de estar clara: tivemos várias experiências negativas em África. Espe-
cialmente relacionadas com os pagamentos das ‘taxas de sucesso’. Portanto, te- (QTXDQWRDVQHJRFLDo}HVVREUHRVÀQDQFLDPHQWRV3URLQGLFXVSURVVHJXLDPHP
mos uma política rígida no Grupo que consiste em não desembolsar nenhuma 2012 e início de 2013, os arguidos ANDREW PEARSE, SURJAN SINGH e DETE-
‘taxa de sucesso’ antes da assinatura do Contrato do Projecto”. LINA SUBEVA, juntamente com outros, conspiraram para contornar os controlos
(c) A 14 de Novembro de 2011, [Nome Ocultado] respondeu por e-mail a BOUS- internos do Banco de Investimento para se enriquecer a si mesmos e ganhar o ne-
TANI, declarando: “Fabuloso, em princípio eu concordo contigo. Vamos con- gócio Proindicus para o Banco de Investimento 1, inclusive através de pagamento
cordar e olhar para o projecto em dois momentos distintos. Um momento é de subornos a funcionários do Governo moçambicano. Na época, PEARSE, SIN-
massajar o sistema e obter a vontade política de avançar com o projecto. O GH e SUBEVA eram agentes que actuavam no âmbito do seu emprego em nome
segundo momento é a implementação/execução do projecto. Eu concordo con- GR%DQFRGH,QYHVWLPHQWRFRPDLQWHQomRSHORPHQRVHPSDUWHGHEHQHÀFLDUR
tigo que qualquer dinheiro só pode ser pago após a assinatura do projecto. Banco de Investimento 1.
Isto tem de ser tratado separadamente da implementação do projecto… Porque
para a implementação do projecto haverá outros actores cujos interesses terão 40. Os controlos internos do Banco de Investimento 1 exigiam que os funcionários,
de ser cuidados, por exemplo, Ministério da Defesa, Ministério do Interior, For- incluindo o Departamento de “Compliance” e a equipa, avaliassem o potencial
ça Aérea, etc… Em governos democráticos como o nosso, as pessoas vêm e vão, GHFRUUXSomRUHODFLRQDGRFRPRSURMHWR3URLQGLFXVHRSHUÀOGRVIXQFLRQiULRVGR
e todos os envolvidos vão querer ter a sua parte do negócio enquanto ocupam Governo moçambicano que estariam envolvidos na sua execução. O processo de
a posição no Governo, porque, uma vez fora do Governo, será difícil. Por isso, UHYLVmRIHLWRSHOR%DQFRGH,QYHVWLPHQWRLGHQWLÀFRXDOJXQVVLQDLVGHDOHUWDUH-
é importante que a taxa de sucesso da assinatura do contrato seja acordada e lativamente à proposta da transacção Proindicus, numa fase inicial. A 9 de Março
paga de uma só vez, após a assinatura do contrato”. de 2012, em resposta a uma pergunta do Funcionário 1 do Banco de Investimento
1, se houve um processo de concurso que resultou na selecção da Privinvest, o
32. Pouco tempo depois, durante uma troca de e-mails, a 28 de Dezembro de 2011, arguido JEAN BOUSTANI respondeu por e-mail, copiando o arguido SURJAN
os arguidos JEAN BOUSTANI e [Nome Ocultado] concordaram em pagar 50 mi- SINGH, que a selecção da Privinvest não resultou de um concurso e que o negócio
lhões de dólares luvas a funcionários do Governo de Moçambique e 12 milhões de surgiu graças a “conexões ao mais alto nível” entre a Privinvest e o Governo mo-
dólares em propinas aos co-conspiradores da Privinvest. Por exemplo: çambicano.

(a) A 28 de Dezembro de 2011, em resposta a um e-mail de BOUSTANI pedindo 3RUYROWDGH0DUoRGHHPDQWHFLSDomRjREWHQomRGHÀQDQFLDPHQWRSDUD


VXERUQR H OXYDV HP VHQWLGR ÀJXUDGR >1RPH 2FXOWDGR@ HVFUHYHX ´%RP LUPmR o projecto Proindicus, os funcionários do Banco de Investimentos 1 começaram a
Eu consultei e por favor coloque 50 milhões de frangos. Quaisquer que sejam os realizar due diligence, ou pesquisa, sobre as partes envolvidas no projecto. Assim,
números que você tenha nas suas aves, acrescentarei 50 milhões da minha raça”. aproximadamente a 12 de Março de 2012, os funcionários do Banco de Investi-
(b)No mesmo dia, BOUSTANI encaminhou este e-mail para o pessoal da Privin- PHQWR  LGHQWLÀFDUDP DOHJDo}HV GH FRUUXSomR DVVRFLDGDV DR &RFRQVSLUDGRU GD
vest, informando: “50M para eles e 12M para [Co-conspirador da Privinvest 1] Privinvest 2. Naquele dia, o funcionário 1 do Banco de Investimento 1 reportou ao
(5%) = total de 62M a mais”. seu superior e ao arguido SURJAN SINGH que o Banco de Investimento já havia
33. Após mais de um ano de negociação, a 18 de Janeiro de 2013 ou por volta dessa antes designado o Co-conspirador da Privinvest 2 como “um cliente indesejável”.
data, a Privinvest e a Proindicus assinaram um contrato de 366 milhões de dólares Além disso, a 13 de Março de 2012, o Banco de Investimento 1 começou a colher
norte-americanos para a Privinvest fornecer um sistema de monitoria costeira para aproximadamente 10 artigos de notícias contendo informações potencialmente
Moçambique. Cinco dias depois, a 23 de Janeiro de 2013, o arguido JEAN BOUS- depreciativas sobre o Co-conspirador da Privinvest 2 e trocou e-mails com SIGH
TANI instruiu um banco nos Emirados Árabes Unidos para fazer pagamentos a sobre as informações e os artigos.
[Nome Ocultado] e ao Co-conspirador moçambicano 1. Eis a parte relevante das
instruções dadas ao banco: “Logo que a Privinvest Shipbuilding receber o valor de 42. Apesar da existência desses alertas encontrados durante a diligência antes da
317 milhões de dólares é… para pagar imediatamente: transacção da Proindicus conforme exigido pelos procedimentos internos do Ban-
a. [Nome Ocultado] a quantia de 5.100.000 de dólares e b. [Co-conspirador moçam- co de Investimento 1, os arguidos ANDREW PEARSE, SURJAN SINGH e DETE-
bicano 1] a quantia de 5.100.000 de dólares”. As instruções também ordenavam LINA SUBEVA esconderam as informações sobre a probabilidade de corrupção
que o banco pagasse a [Nome Ocultado] e ao Co-conspirador moçambicano 1 uma relacionada com a transacção da Proindicus, do Departamento de “Compliance”
quantia adicional de aproximadamente 3,4 milhões de dólares norte-americanos do Banco de Investimento 1. Por exemplo, em Novembro de 2012, sob a direcção
cada, em datas posteriores. do chefe do Departamento de “Complience” do Banco de Investimento 1, os mem-
bros da equipa do negócio Proindicus consultaram um executivo sénior do Banco
(2) Suborno para obter a garantia do Governo de Moçambique para o Financia- de Investimento 1, responsável pelas regiões da Europa, Médio Oriente e África
mento da Proindicus (EMOA) (o “Executivo EMOA”), um indivíduo cuja identidade é conhecida pelo
34. Ao mesmo tempo que os arguidos JEAN BOUSTANI e [Nome Ocultado] nego- Grande Júri. Consultaram o tal executivo sobre se existiam quaisquer questões le-
ciavam pagamentos de suborno para fazer com que os funcionários do Governo gais ou de reputação que a transacção da Proindicus pudesse levantar para o ban-
moçambicano aprovassem o projecto Proindicus, BOUSTANI recrutou o Banco de co. A 19 de Novembro de 2012, PEARSE resumiu essas discussões num e-mail que
,QYHVWLPHQWRSDUDRUJDQL]DURÀQDQFLDPHQWRGRSURMHFWR'XUDQWHDVQHJRFLD- enviou ao Funcionário 1 do Banco de Investimento 1, escrevendo que o Executivo
ções, os banqueiros do Banco de Investimento 1 deixaram claro que o Banco de EMOA “disse não à combinação de Moz [ambique] e seu amigo [Co-conspirador
Investimento 1 só iria arranjar um empréstimo que estivesse próximo das taxas de GD3ULYLQYHVW@HQWmRSUHFLVDPRVGHFRORFiORIRUDGDIRWRJUDÀDµ6LPLODUPHQWH
juro do mercado, com uma dívida que fosse directamente emitida pelo Governo de o Banco de Investimento 1 manteve um relatório nos seus arquivos de diligência
Moçambique ou garantida pelo Governo. descrevendo o Co-conspirador da Privinvest 2 como um “ mestre de luvas “. Ape-
35. Para prosseguir com as negociações do projecto Proindicus, a 13 de Setembro sar de tais informações, PEARSE SINGH e o funcionário 1 do Banco de Investi-
de 2012, o arguido ANDREW PEARSE viajou para os EAU para se encontrar com mento 1 não transmitiram as preocupações do Executivo EMOA ao Departamento
os arguidos JEAN BOUSTANI e [Nome Ocultado] e um familiar próximo de um de “Compliance” do Banco de Investimento 1, o que fez com que o Departamento
alto funcionário do Governo moçambicano, entre outros. de “Compliance” não prosseguisse a sua investigação.

36. Para ajudar a obter o acordo de Moçambique para os termos do Banco de In- 43. Além disso, os arguidos ANDREW PEARSE, SURJAN SINGH e DETELINA
vestimento 1, incluindo esse empréstimo a taxas do mercado ou próximo disso SUBEVA conspiraram para esconder do Departamento de “Compliance” do Banco
e garantias do Governo moçambicano, os arguidos JEAN BOUSTANI e [Nome de Investimento 1 que a Privinvest e a Proindicus iam nomear para o Conselho de
Ocultado] recrutaram o arguido MANUEL CHANG, ministro das Finanças de Administração da Proindicus em Moçambique um indivíduo que anteriormente
Moçambique. A 22 de Dezembro de 2012, CHANG escreveu uma carta ao Co- HVWHYH HQYROYLGR HP IUDXGH (VSHFLÀFDPHQWH HPERUD R SHVVRDO GR ´&RPSOLDQ-
-conspirador 2 da Privinvest, que foi encaminhada para um funcionário do Banco ce” do Banco de Investimento 1 fosse responsável pela contratação de uma em-
de Investimento 1 (“Funcionário 1 do Banco de Investimento 1”), uma pessoa cuja presa externa para realizar o “due diligence” relativo aos executivos e directores
LGHQWLGDGH p FRQKHFLGD GR *UDQGH -~UL H[SOLFDQGR TXH ´R ÀQDQFLDPHQWR GHVWH da Proindicus, em Fevereiro de 2013, os arguidos ANDREW PERRSE, DETELINA
projecto ainda tem o constrangimento da limitação imposta pelo FMI ao Governo SUBEVA e SURJAN SINGH seleccionaram secretamente uma empresa de “due
de Moçambique de aceitar crédito comercial para projectos comerciais. Portanto, diligence” (“Empresa de Due Diligence 1”), cuja identidade é do conhecimento do
temos uma solução alternativa através da qual um VPE [Veículo de Propósito Es- Grande Júri, para pesquisar a transacção antes de seleccionar os indivíduos iden-
pecial)… será formado”. WLÀFDGRVFRPRGLUHFWRUHVGR3URLQGLFXVSDUDJDUDQWLUDDSURYDomRSHORSHVVRDOGR
“Compliance” do Banco de Investimento 1.
37. A 26 de Dezembro de 2012, o arguido JEAN BOUSTANI enviou um e-mail 44. Em Fevereiro de 2013, a “Empresa de Due Diligence 1” reportou aos arguidos
para [Nome Ocultado] em preparação de uma reunião em Moçambique entre os ANDREW PEARSE, SURJAN SINGH e DETELINA SUBEVA que um dos directo-
funcionários do Banco de Investimento 1, Privinvest e Proindicus para negociar res que havia sido proposto para a Proindicus tinha estado anteriormente envol-
os termos da transacção. No e-mail, BOUSTANI salientou: “Mas a única questão vido em fraude, enquanto gestor de uma empresa estatal moçambicana. PEARSE,
imperativa para o banco de investimentos é a assinatura [do arguido MANUEL SINGH e SUBEVA não ransmitiram essa informações ao Departamento de “Com-
CHANG] da garantia do empréstimo”. pliance” do Banco de Investimento 1.
Em vez disso, PEARSE, SINGH e SUBEVA arranjaram um grupo substituto de
38. A 28 de Fevereiro de 2013, o arguido MANUEL CHANG assinou a garantia directores, que incluíam [Nome Ocultado] da Privinvest e Proindicus e solicita-
para o Empréstimo Proindicus. Entre Outubro de 2013 e Dezembro de 2013, os ram à Emprea de Due Diligence 1 uma investigação ao passado do tal grupo. A
DIVULGAÇÃO
4 Savana 11-01-2019

Empresa de Due Diligence 1 reportou poucas preocupações relacionadas com o Investimento 1 e a Proindicus alteraram o contrato de empréstimo para permitir
segundo grupo de directores. que a Proindicus contratasse mais um empréstimo adicional até 250 milhões de
45. A 26 de Fevereiro de 2013, tendo pré-autorizado o segundo grupo de directores dólares ao Banco de Investimento 1.
da Proindicus e sem revelar que dois grupos separados de directores haviam sido 54. Embora a Proindicus não tenha realizado operações, a 23 de Junho de 2013, a
pesquisados, a ré DETELINA SUBEVA encaminhou os nomes do segundo grupo equipa de Gestão de Risco de Crédito do Banco de Investimento concordou em
de directores que haviam sido propostos para o Departamento de “Compliance” emprestar mais 100 milhões de dólares à Proindicus com base num memoran-
do Banco de Investimento 1 para a devida diligência pela empresa que o Departa- do escrito pelos arguidos ANDREW PEARSE, SURJAN SINGH e DETELINA
mento de “Compliance” havia seleccionado (“Empresa de Due Diligence 2”), cuja SUBEVA, juntamente com outros, representando que a Privinvest exigia equi-
identidade é conhecida pelo Grande Júri. Depois de analisar o relatório da Empresa pamentos adicionais.
de Due Diligence 2, o Departamento de “Compliance” aprovou o novo grupo de 55. A 25 de Junho de 2013, o Banco de Investimento 1 transmitiu aproximada-
directores. mente 100 milhões de dólares menos as suas taxas através do Banco da Cidade
de New York 1 à conta da Privinvest no Banco dos EAU 1. O Banco de Investi-
 &RQVSLUDomRSDUD5HPRYHURX0RGLÀFDU&RQGLo}HVGR(PSUpVWLPR3URLQGLFXV mento colocou no mercado e vendeu parte da dívida a investidores, inclusive a
que haviam sido aprovadas pelo Controlo Interno do Banco de Investimentos 1. um investidor nos Estados Unidos.
56. Ao longo de 2013 e 2014, usando o dinheiro do empréstimo, a Privinvest fez
46. Como parte do seu sistema de controlo interno, o Banco de Investimento 1 im- vários pagamentos de luvas ao arguido ANDREW PEARSE. A 15 de Abril de
pôs condições que Moçambique teria de reunir para receber um empréstimo. Al- 2013, PEARSE abriu uma conta bancária num banco em Abu Dhabi, Emirados
gumas dessas condições, no entanto, transportavam o risco de revelar a existência Árabes Unidos (“Banco dos EAU 2”), cuja identidade é conhecida pelo Grande
do projecto Proindicus ao público moçambicanoc para além de expor o círculo de Júri. Depois de PEARSE ter aberto a conta, a Privinvest efectuou pagamentos de
membros do Governo de Moçambique que faziam parte do esquema fraudulento. suborno de mais de 45 milhões de dólares das contas do Banco dos EAU 1 para
Para esconder o esquema fraudulento, evitar o escrutínio e ajudar a obter o negócio a conta de PEARSE no Banco dos EAU 2. Cada pagamento foi feito em dólares
para o Banco de Investimento 1, os arguidos ANDREW PEARSE, SURJAN SINGH dos Estados Unidos e cada um deles foi encaminhado e concluído por meio das
e DETELINA SUBEVA, juntamente com outros, removeram algumas das condições contas bancárias correspondentes dos bancos dos EAU em New York e passou
que eram exigidas pelo Banco de Investimento 1 para o Empréstimo da Proindicus. pelo Distrito Leste de New York, da forma como a seguir se apresenta:

47. Por exemplo, o Banco de Investimento 1 primeiramente exigiu à Proindicus para


que fornecesse um parecer da Procuradoria-Geral de Moçambique sobre a validade Data Montante Descrição
da garantia do Governo. A 18 de Fevereiro de 2013, o arguido JEAN BOUSTANI,
23 de Abril de 2013 $ 2.500.000 “Pagamento parcial do
em nome da Privinvest e de Moçambique, opôs-se vigorosamente, explicando à ré
DETELINA SUBEVA, num e-mail: “O parecer da Procuradoria-Geral não é obriga- acordo de consultoria

tório… Eu acredito que isso não será aceite pela Proindicus, tanto que os donos qui- 26 de Maio de 2013 $ 1.000.000 “Pagamento parcial do
seram contornar concursos públicos e procedimentos burocráticos normais desde acordo de consultoria”
o dia 1, criando assim uma entidade privada!! Então eles nunca aceitarão informar
26 de Junho de 2013 $ 1.000.000 “Pagamento parcial do
à Procuradoria-Geral!! A garantia do [Ministro das Finanças] é legalmente cober-
ta por um decreto presidencial. A 28 de Fevereiro de 2013, os arguidos ANDREW acordo de consultoria
PEARSE, SURJAN SINGH e SUBEVA, juntamente com outros, acabaram por remo- 25 de Julho de 2013 $ 1.000.000 “Pagamento parcial do
ver as condições impostas pelo Banco de Investimento 1. acordo de consultoria

1 de Setembro de 2013 $ 1.000.000 “Pagamento parcial do


48. De igual modo, a 25 de Fevereiro de 2013, os arguidos ANDREW PEARSE, SUR-
JAN SINGH e DETELINA SUBEVA, juntamente com outros, removeram a condição acordo de consultoria”
do Banco de Investimento 1 de que Moçambique devia informar ao FMI sobre o 25 de Setembro de 2013 $ 15.600.000 “Pagamento de dividendos”
empréstimo da Proindicus. PEARSE, SINGH e SUBEVA substituíram essa condi-
30 de Setembro de 2013 $ 1.000.000 “Pagamento parcial do
ção pelo requisito menos rigoroso segundo o qual Moçambique tinha de informar
aos investidores “de que estava em conformidade com as obrigações do FMI e do acordo de consultoria”

Banco Mundial”. Na verdade, o FMI não foi informado do Empréstimo Proindicus 23 de Outubro de 2013 $ 7.800.000 “Pagamento de dividendos”
na época da transacção. De facto, o FMI só tomou conhecimento da transacção por 31 de Outubro de 2013 $ 1.000.000 “Pagamento parcial do
volta de 2016, quando a sua exposição contribuiu para a decisão do FMI de deixar
acordo de consultoria”
GHIRUQHFHUDMXGDHÀQDQFLDPHQWRD0RoDPELTXHFDXVDQGRXPDJUDYHFULVHÀQDQ-
ceira em Moçambique. 3 de Dezembro de 2013 $ 1.000.000 “Pagamento parcial do

acordo de consultoria”
(5) Empréstimo Proindicus e Recrutamento de Investidores nos Estados Unidos
23 de Dezembro de 2013 $ 1.000.000 ““Pagamento parcial do

acordo de consultoria”
49. Depois de o Departamento de “Compliance” do Banco de Investimento 1 ter
aprovado a transacção a 20 de Março de 2013, o Banco de Investimento 1 concordou 27 de Janeiro de 2014 $ 1.000.000 “Pagamento parcial do
em fazer um empréstimo sindicalizado de 372 milhões de dólares à Proindicus, com acordo de consultoria”
garantia da República de Moçambique, conforme um contrato de empréstimo por
27 de Fevereiro de 2014 $ 250.000 ““Pagamento parcial do
escrito. O arguido SURJAN SINGH assinou o contrato de empréstimo em nome do
Banco de Investimento 1, [Nome Ocultado] co-assinou em nome da Proindicus, e o acordo de consultoria”

arguido MANUEL CHANG assinou a garantia do Governo em nome de Moçam- 3 de Junho de 2014 $ 10.050.000 “Pagamento de dividendos”
bique.
57. O arguido ANDREW PEARSE compartilhou alguns dos subornos e luvas
50. O contrato do Empréstimo Proindicus previa que todos os pagamentos do mu- que recebeu do empréstimo fraudulento com a ré DETELINA SUBEVA. Entre 12
tuário ou dos credores seriam pagos à conta bancária titulada pelo Banco de Investi- de Junho de 2013 e 27 de Outubro de 2013, PEARSE transferiu aproximadamen-
PHQWRGRPLFLOLDGDQXPDLQVWLWXLomRÀQDQFHLUDVHGLDGDHP1HZ<RUN ´%DQFRGD te 2,2 milhões de dólares de contas bancárias que possuía no Banco dos EAU 2
Cidade de New York 1”), cuja identidade é conhecida pelo Grande Júri. O contrato para uma conta bancária que SUBEVA detinha no Banco dos EAU 2.
de empréstimo também exigia que a ProIndicus “aplicasse todos os montantes rece-
ELGRVSRUHODDRÀQDQFLDPHQWRGRSURMHFWRµ$OpPGLVVRRFRQWUDWRGHHPSUpVWLPR D. EMATUM
proibia pagamentos indevidos que violassem o FCPA, a Lei Anti-Suborno do Reino 58. A 2 de Agosto de 2013, a EMATUM celebrou um contrato de aproximada-
Unido (“UK Bribery Act”) e a Lei Anticorrupção de Moçambique. mente S785 milhões com a Privinvest para adquirir embarcações, equipamentos
e capacitação para criar uma empresa estatal de pesca de atum. A 30 de Agosto
51. A 21 de Março de 2013, o Banco de Investimento Bank 1 transferiu todo o dinhei- de 2013, o Banco de Investimento 1 concordou em conceder um empréstimo até
ro do empréstimo, excluindo as taxas, totalizando aproximadamente 44 milhões de 850 milhões de dólares à EMATUM, com garantia do Governo de Moçambique
dólares, através de uma conta bancária domiciliada no Banco da Cidade de New (o “Empréstimo EMATUM”). O contrato de empréstimo da EMATUM foi assi-
York 1, directamente para uma conta bancária detida pela Privinvest num banco, nado, entre outras pessoas, pelo arguido SURJAN SINGH em nome do Banco
em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos (“Banco EAU 1”), cuja identidade é co- de Investimento 1 e por [Nome Ocultado] em nome da EMATUM. O arguido
nhecida do Grande júri. O Banco de Investimento 1 solicitou imediatamente aos in- Manuel Chang assinou a garantia do Governo em nome de Moçambique. A 11
vestidores norte-americanos que participassem do empréstimo, em parte enviando de Setembro de 2013, o Banco de Investimento 1 concedeu aproximadamente
electronicamente, entre outras coisas, o contrato de empréstimo Proindicus e um PLOK}HVj(0$780SDUDÀQDQFLDURSURMHFWR(0$780HSRUTXHR%DQFR
PHPRUDQGRFRQÀGHQFLDOTXHUHVXPLDRVVHXVWHUPRV de Investimento 1 se recusou a emprestar dinheiro adicional, a 11 de Outubro de
2013, o Banco de Investimento 2 concedeu aproximadamente mais 350 milhões
(6) Aumento do empréstimo do Proindicus e pagamentos de suborno e propinas a de dólares à EMATUM.
PEARSE e SUBEVA
(1) O Racional Fabricado para o Empréstimo EMATUM
 $  GH 0DUoR GH  R DUJXLGR $1'5(: 3($56( QRWLÀFRX RV DUJXLGRV
SURJAN SINGH e DETELINA SUBEVA e outros no Banco de Investimento 1 de 59. Em maio de 2013, enquanto o Banco de Investimento 1 aumentava o em-
que a Proindicus solicitou ao Banco de Investimento 1 um empréstimo adicional de préstimo Proindicus em aproximadamente 100 milhões de dólares, os arguidos
250 milhões de dólares. ANDREW PEARSE, DETELINA SUBEVA, JEAN BOUSTANI e [Nome Oculta-
53. A 13 de Junho de 2013, o arguido Manuel Chang assinou, em nome de Moçam- do], juntamente com outros, concordavam com um esquema para Moçambique
bique, uma garantia do Governo para um empréstimo adicional de 250 milhões de UHFHEHUGHHPSUpVWLPRPDLVPLOK}HVGHGyODUHV8PDSDUWHVLJQLÀFDWLYD
dólares concedidos à Proindicus. Um dia depois, 14 de Junho de 2013, o Banco de dos fundos adicionais seria canalizada para a Privinvest e depois desviada,
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pelo menos em parte, para fazer pagamentos adicionais de suborno e luvas, (ou melhor, o Mutuário) deverá apresentar ao [Banco de Investimento 1] na próxi-
SDJDU OXFURV LQÁDFLRQDGRV H ID]HU SDJDPHQWRV GH SUHVWDo}HV QR (PSUpVWL- ma semana quando estiver em Maputo. Os patrocinadores do mutuário (os vários
mo Proindicus para impedir a descoberta do esquema fraudulento dos co- Ministérios, mas principalmente o SISE) a pedido do Presidente, foram a 4 esta-
-conspiradores. leiros [precisamos de ter nomes] pedir propostas para construir uma frota… Não
60. Por volta de Julho de 2013, o arguido ANDREW PEARSE anunciou aos havia necessidade legal de ter um concurso público, pois regras de procurement
seus comparsas no Banco de Investimento 1 que pretendia deixar o banco, não se aplicam a empresas privadas, mas, mesmo assim, eles procuraram uma
mas permaneceu como funcionário do banco, embora de férias ou licença até série de propostas. [ ] APENAS a ADM [entidade da Privinvest] respondeu com o
13 de Setembro 2013. O Banco de Investimento 1 também colocou a ré DETE- pacote completo e ofereceu uma solução integrada com pesca de vigilância, central
LINA SUBEVA em licença até 22 de Julho de 2013, rescindiu o contrato com de comando e barcos”. BOUSTANAI respondeu: “Digamos que eles contrataram
ela a 21 de Agosto 2013. os estaleiros sul-africanos e espanhóis + portugueses. Sem nomear”.
61. Durante o Verão de 2013, contrariamente às políticas e procedimentos
do Banco de Investimento 1, os arguidos ANDREW PEARSE e DETELINA 66. Num esforço para assegurar que o Banco de Investimentos 1 organizasse o Em-
SUBEVA usaram as suas contas de e-mails pessoais para conspirar com fun- préstimo EMATUM, o arguido SURJAN SINGH incluiu informações falsas sobre
cionários do Governo moçambicano e funcionários da Privenvest para efec- propostas num memorando que ele escreveu e enviou ao Banco de Investimento 1,
tuarem um grande empréstimo através do Banco de Investimento 1 para o em Agosto de 2013, para obter a aprovação do Empréstimo EMATUM, declarando
projecto EMATUM. Por exemplo, a 4 Julho de 2013, PEARSE usou a sua conta falsamente que a proposta da Privinvest foi considerada a mais competitiva em
de e-mail pessoal para enviar uma mensagem a SUBEVA e ao arguido JEAN comparação com as ofertas de outras três empresas internacionais.
BOUSTANI com certas questões sobre uma proposta que PEARSE havia ela- 67. Além disso, por volta do início de Agosto de 2013, o arguido SURJAN SINGH
borado para criar uma frota de pesca de atum. Em resposta, no dia 4 de Julho viajou a Moçambique para liderar o processo de Due Diligence do Banco de Inves-
de 2013, BOUSTANI respondeu que [Nome Ocultado] “avançaria em todas as timento 1 para a transacção EMATUM. Em continuação do esquema fraudulento,
VXJHVW}HVQHFHVViULDVSDUDPD[LPL]DURWDPDQKRGRÀQDQFLDPHQWRµ SINGH e os arguidos ANDREW PEARSE e DETELINA SUBEVA simularam pon-
1RÀQDOGH-XOKRGHRVDFXVDGRV-($1%2867$1,>1RPH2FXOWD- tos de discussão e sugeriram respostas às Autoridades do Governo Moçambicano
do], ANDREW PEARSE, SURJAN SINGH e DETELINA SUBEVA, juntamen- para as reuniões do processo de Due Diligence com o Banco de Investimento 1,
te com outros, tinham estabelecido os detalhes do Projecto EMATUM como num esforço para assegurar que o Banco de Investimentos 1 providenciasse o em-
XPSUHWH[WRSDUDMXVWLÀFDURPRQWDQWHPi[LPRSRVVtYHOGRHPSUpVWLPRHP préstimo.
vez de satisfazer as necessidades legítimas de pesca do projecto EMATUM.
Por exemplo, a 21 de julho de 2013, BOUSTANI enviou um e-mail a [Nome 68. Os arguidos ANDREW PEARSE e DETELINA SUBEVA, com o conhecimento
Ocultado] com cópia para PEARSE e SUBEVA: “Nós precisamos das suas dos arguidos SURJAN SINGH, também continuaram a esconder seu próprio en-
habilidades de Marshall para terminar a 19 de Agosto… Iremos aos 800 mi- volvimento no processo de due diligence. A 4 de Agosto de 2013 SUBEVA enviou
lhões de dólares para mantermos um colchão para o pagamento de juros da XPHPDLOSDUDRDUJXLGR-($1%2867$1,FRSLDQGR3($56(DÀUPDQGR´3RU
Proindicus no próximo ano”. Mais tarde, em conversa por e-mail, BOUSTANI favor, lembra a [Nome Ocultado] para não mencionar Andrew [PEARSE] nem eu
acrescentou: “Podemos diminuir as traineiras para 25 e adicionar dois OPV’s à equipa [do Banco de Investimento 1]! Eles não podem saber que estamos envol-
de 45 metros [barcos de estilo militar] com sistemas especiais para ‘proteger’ vidos neste projecto!!! Se por acaso houver um deslize, diz que ele nos conhece do
as traineiras. É melhor, Andrew?”. PEARSE respondeu em 21 Julho de 2013, negócio anterior”.
a BOUSTANI e SUBEVA, escrevendo: “Dois grandes pesqueiros fazem muito
sentido, assenta ao Plano Director das Pescas!” (3) O Acordo de Empréstimo EMATUM e solicitação de Investidores dos Estados
Unidos
63. Para evitar a descoberta do esquema fraudulento que estava em curso, os
réus JEAN BOSTAIN, [Nome Ocultado], ANDREW PEARSE e DETELINA 69. A 30 de Agosto de 2013, o Banco de Investimento 1 celebrou o contrato de em-
SUBEVA também pretendiam utilizar parte do Empréstimo da EMATUM préstimo de 850 milhões de dólares com a EMATUM. O contrato de Empréstimo
para pagar a dívida do projecto anterior Proindicus. A 21 de Julho de 2013, EMATUM foi assinado, entre outros, pelo arguido SURJAN SINGH em nome do
SUBEVA escreveu um e-mail para BOUSTANI, PEARSE e [Nome Ocultado] Banco de Investimento 1 e por [Nome Ocultado] em nome da EMATUM. O argui-
declarando: “Nós também devemos manter um colchão para os 17 milhões do MANUEL CHANG assinou a garantia do Governo em nome de Moçambique.
de dólares da Proindicus para que não precisemos de voltar ao MdF [Minis-
tério das Finanças], e eles estão do nosso lado”. 70. O acordo do empréstimo EMATUM estabeleceu que todos os pagamentos do
mutuário ou dos credores seriam feitos à conta bancária do Banco de Investimento
(2) Conspiração para contornar o Controlo Interno do Banco de Investimento 1. O acordo também exigia que a EMATUM “aplicasse todos os montantes empres-
1 e ganhar negócios para o Banco de Investimento 1 em conexão com o Projec- tados por ela ao abrigo do [acordo de empréstimo EMATUM] para a aquisição de
to EMATUM, incluindo o pagamento de subornos a funcionários do Governo infra-estruturas de pesca, construção de 27 embarcações, um centro de operações
moçambicano. e formação relacionada”.
O acordo de empréstimo também proibia pagamentos impróprios relacionados
64. Os arguidos ANDREW PEARSE, SURJAN SINGH e DETELINA SUBEVA, com o projecto, incluindo pagamentos que violariam a FCPA, a Lei Contra o Subor-
juntamente com outros, conspiraram para contornar o Controlo Interno do no, do Reino Unido, e a Lei de Anticorrupção em Moçambique.
Banco de Investimento 1, para se enriquecer a si mesmos, ganhar negócios 71. A 11 de Setembro de 2013, o Banco de Investimento 1 enviou 500 milhões de dó-
para o Banco de Investimento do Banco 1, em conexão com o projecto EMA- lares norte-americanos em dinheiro do empréstimo, excluindo as suas taxas, para
TUM. Com efeito, embora ainda fossem empregados do Banco de Investi- D3ULYLQYHVW2%DQFRGH,QYHVWLPHQWRÀQDQFLRXR(PSUpVWLPRj(0$780YHQ-
mento 1, PEARSE e SUBEVA procuraram acabar com o seu envolvimento dendo títulos de participação de empréstimos a investidores nos Estados Unidos e
QDGHÀQLomRGRSURMHFWR(0$780DWUDYpVGHHPDLOVSHVVRDLVHUHPRYHQGR em outros lugares. Por e-mail e outros meios electrónicos, o Banco de Investimento
todas as referências a eles mesmos dos documentos que eles haviam prepa- 1 enviou a potenciais investidores, incluindo dos Estados Unidos, materiais que
rado. Por exemplo: incluíam o contrato de empréstimo da EMATUM e uma circular de oferta pública.
Tal como como o contrato de empréstimo, a circular de oferta determinava: “O
(a) A 27 de Julho de 2013, em resposta a um pedido do arguido SURJAN GLQKHLUR GR (PSUpVWLPR VHUi XWLOL]DGR SHOR 0XWXiULR SDUD R ÀQDQFLDPHQWR GD
SINGH para obter informações sobre a proposta de pesca de atum, o arguido compra de infra-estruturas de pesca, compreendendo 27 embarcações, centro de
JEAN BOUSTANI, copiando a arguida DETELINA SUBEVA na sua conta de RSHUDo}HVHIRUPDomRSDUDÀQVHPSUHVDULDLVGR0XWXiULRµ
HPDLO SHVVRDO DÀUPRX ´9DPRV HQYLDU DPERV HP EUHYH 3RU IDYRU PDQR
não te limites a encaminhar, mas escreve um novo e-mail e anexa os docu- 72. Com base nas disposições que constam no acordo do empréstimo e na circular
mentos, [Banco de Investimento 1] é muito sensível para ver os nossos nomes de oferta pública, os investidores, os dos Estados Unidos, adquiriram as notas de
envolvidos”. participação no empréstimo da EMATUM.
73. Apesar das projecções que indicavam que a EMATUM geraria receitas anuais
(b) Em 27 de Julho de 2013, a arguida DETELINA SUBEVA, usando a sua de pesca na casa dos 224 milhões de dólares até Dezembro de 2016, o facto é que
conta de e-mail pessoal, enviou um e-mail sobre a proposta de pesca de atum SUDWLFDPHQWHQmRJHURXUHFHLWDVHDWpDSUR[LPDGDPHQWHÀQDOGHQmRUHDOL-
DRVDUJXLGRV-($1%2867$1,H$1'5(:3($56DÀUPDQGR´2L-HDQ² zou operações de pesca. A EMATUM entrou em incumprimento no pagamento
enviando-te um pacote de informação completa para enviares para Surjan GDVSUHVWDo}HVGRÀQDQFLDPHQWRDGH-DQHLURGH
[SINGH] num e-mail limpo (sem os meus detalhes de e-mail)”. Minutos de-
pois, SUBEVA enviou um documento que intitulou “Materiais para viabilida- (4) Subornos e luvas ao arguido SURJAN SINGH e funcionários do Governo mo-
GHµH´0RGHORGHÀQDQFLDPHQWRµSDUD%2867$1,H3($56( çambicano
74. O arguido SURJAN SINGH também recebeu suborno e luvas directamente da
(c) Em resposta, a 27 de Julho de 2013, o arguido ANDREW PEARSE usou 3ULYLQYHVWSHORVHXSDSHOQRHVTXHPDIUDXGXOHQWR(VSHFLÀFDPHQWHDGH2XWX-
a sua conta de e-mail pessoal para instruir a ré DETELINA SUBEVA na sua bro de 2013, o arguido Andrew PEARSE enviou um e-mail a JEAN BOUSTRAIN
conta de e-mail pessoal: “Se entrares nas propriedades de cada documento, com dados bancários de SINGH no Banco dos EAU 2, referindo-se a SINGH como
mostra-te como autora. Provavelmente queiras apagar [os metadados] e reen- “Tio” e acrescentando: “Pode fazer alguma coisa esta semana, ele iria agradecer”.
viar” os documentos. Mais tarde, no mesmo dia, usando as mesmas contas de Naquele mesmo dia 20 de Outubro de 2013, BOUSTANI encaminhou o pedido
HPDLOVSHVVRDLV68%(9$HQYLRXXPHPDLOD3($56(DÀUPDQGR´7HQKRD para [Nome Ocultado] escrevendo “Tio… Surjan. Total de 4”.
certeza de que Surj [SINGH] pode limpar o pior e apagar o autor”. 75. Entre 23 de Outubro de 2013 e 27 Fevereiro de 2014, a Privinvest efectuou seis
pagamentos, em valores que totalizam aproximadamente 4,49 milhões de dólares
65. E mais, os arguidos JEAN BOUSTANI, ANDREW PEARSE, SURJAN SIN- norte-americanos da sua conta bancária no Banco dos EAU 1 para a conta do Banco
GH e DETELINA SUBEVA criaram propostas concorrentes falsas de emprei- dos EAU 2 titulada pelo arguido SURJAN SINGH.
teiros para o projecto EMATUM em antecipação a um inquérito do Banco de Cada pagamento foi encaminhado por meio das contas bancárias correspondentes
Investimentos 1 sobre a razão da adjudicação do projecto à Privinvest. Por dos bancos dos Emirados Árabes Unidos em New York. A Privinvest fez os seguin-
exemplo, a 31 de Julho de 2013, PEARSE enviou um e-mail a BOUSTANI e tes pagamento em luvas a SINGH:
SUBEVA declarando: “Pessoal, abaixo está o argumento que eu acho que nós
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6 Savana 11-01-2019

84. Apesar de ter projectado aproximadamente 63 milhões de dólares em receitas


RSHUDFLRQDLVDWpDRÀQDOGRVHXSULPHLURDQRGHRSHUDo}HVD0$0SUDWLFDPHQWH
nunca gerou receitas e não pagou o cupão de empréstimo a 23 de Maio de 2016.
Data Montante Descrição
F. A conversão da EMATUM
23 de Outubro de 2013 $ 800.000 “Pagamento de acordo de 85. Por volta de 2015, a Proindicus, a EMATUM, a MAM e Moçambique enfrenta-
ram problemas para cobrir o serviço de cerca de 2 mil milhões de dólares em dí-
consultoria” vidas acumulados em 2013 e 2014, com os empréstimos da Proindicus, EMATUM
e MAM.
27 de Novembro de 2013 $ 800.000 “Pagamento de acordo de Na mesma altura, funcionários do Governo moçambicano, incluindo [Nome Ocul-
tado], receberam pedidos de informação do FMI relativos à utilização dos dinhei-
consultoria”
ros dos empréstimos.
86. Para esconder do público e do FMI a quase falência do projecto das empresas
23 de Dezembro de 2013 $ 800.000 “Pagamento de acordo de
resultante do facto de o valor dos empréstimo ter sido desviado num esquema
consultoria” fraudulento, e evitar o inquérito do FMI, vários dos coconspiradores, incluindo os
arguidos JEAN BOUSTANI, ANDREW PEARSE e DETELINA SUBEVA, propuse-
27 de Janeiro de 2014 $ 800.000 “Pagamento de acordo de ram a troca das notas de participação de empréstimos da EMATUM por Eurobon-
ds emitidos directamente pelo Governo moçambicano.
consultoria” 87. Prosseguindo com o esquema fraudulento, entre Março de 2015 e Maio de 2015,
os funcionários do Banco de Investimento 1, juntamente com os arguidos JEAN
28 de Janeiro de 2014 $ 799.690 “Pagamento de acordo de BOUSTANI, ANDREW PEARSE e DETELINA SUBEVA, organizaram reuniões
com funcionários do Governo moçambicano para os convencer a reestruturar os
consultoria” empréstimos existentes convertendo-os em Eurobonds. O Governo moçambicano
aceitou a recomendação e contratou o Banco de Investimento 1 e o Banco de Inves-
27 de Fevereiro de 2014 $ 5000.000 “Pagamento de acordo de timento 2 para a realização da conversão. E a Palomar que, nessa altura, já havia
consultoria” contratado PEARSE e SUBEVA, prestou assessoria para a operação da conversão
da dívida em Bonds.
76. Os arguidos JEAN BOUSTANI e [Nome Ocultado] continuaram a coorde- 88. A 9 de Março de 2016, o Banco de Investimento 1 e o Banco de Investimento
nar o pagamento de subornos a funcionários do Governo moçambicano. A 8 de 2 anunciaram a conversão. Para convencer os investidores a trocar as suas notas
abril de 2014, BOUSTANI enviou um e-mail para [Nome Ocultado] fornecendo de participação em empréstimos por Eurobonds, os arguidos ANDREW PEARSE
um registo contabilístico dos subornos pagos através dos projectos Proindicus e e DETELINA SUBEVA, juntamente com os banqueiros do Banco de Investimento
EMATUM, declarando que a Privinvest já havia pago “125 [milhões de dólares] Bank 1 e do Banco de Investimento 2, prepararam documentos que foram enviados
por tudo e todos…”. BOUSTANI resumiu a distribuição dos subornos, incluin- aos investidores, inclusive nos Estados Unidos. Os documentos da conversão da
GRPLOK}HVGHGyODUHVSDJRVD>1RPH2FXOWDGR@PLOK}HVGHGyODUHVSD- dívida da EMATUM em Eurobonds não ocultaram a existência dos Empréstimos
JRVDRFRFRQVSLUDGRUPRoDPELFDQRPLOK}HVSDJRVD>1RPH2FXOWDGR@ Proindicus e MAM e as respectivas datas de vencimento desses empréstimos. Os
milhões de dólares pagos ao arguido MANUEL CHANG e 3 milhões de dólares documentos, portanto, continham informações falsas e enganosas sobre os Euro-
para o Co-conspirador moçambicano 3, de entre outros. bonds e a credibilidade de Moçambique.
77. Num esforço para esconder a natureza ilegal destes pagamentos, os arguidos 89. A 6 de Abril de 2016, com base nas informações falsas e enganosas dos co-cons-
JEAN BOUSTANI e [Nome Ocultado] recorreram a terceiras entidades e fabrica- piradores, os investidores da EMATUM concordaram com a conversão, resultando
ram facturas para distribuir dinheiro aos funcionários do Governo moçambica- na troca das NPE EMATUM por Eurobonds no mesmo dia.
no. Por exemplo, a 17 de Outubro de 2013, BOUSTANI escreveu um e-mail para
[Nome Ocultado] declarando: “Eu preciso com urgência de facturas em nome G. O incumprimento das prestações da Proindicus, EMATM e MAM
de: Logistics International Abu Dhabi [uma empresa relacionada com a Privin- 90. Após a conversão da EMATUM em 2016, entre Maio de 2016 e Março de 2017,
vest]. Facturas de tudo, meu irmão. Cada uma indicando (compra imobiliária… a Proindicus, EMATUM e MAM, cada uma delas entrou em incumprimento nos
etc....). Mesmo para Pantero [o arguido MANUEL CHANG], um pequeno papel seus empréstimos e, juntas, passaram a perder mais de 700 milhões de dólares por
que diga ‘honorários de consultoria’”. falha desses pagamentos.
78. Assim, entre 20 de Outubro de 2013 e 4 de Dezembro de 2013, o arguido
JEAN BOUSTANI fez com que a Privinvest efectuasse pagamentos de subor- H. Resumo do pagamento de subornos ou luvas
no de aproximadamente 5 milhões de dólares, da conta bancária da Privinvest, 91. No prosseguimento do esquema fraudulento, vários funcionários do Governo
através do Distrito Leste de New York, para uma conta bancária em nome de moçambicano receberam pagamentos de suborno e luvas feitos pela Privinvest em
uma empresa controlada pelo arguido MANUEL CHANG. FRQH[mRFRPRVSURMHFWRVPRoDPELFDQRV(VSHFLÀFDPHQWH
(a) O arguido MANUEL CHANG recebeu pelo menos 5 milhões de dólares em
E. MAM suborno, pagos pela Privinvest
(1) Acordo de Empréstimo da MAM b) [Nome Ocultado]
(c) [Nome Ocultado]
79. A 1 de Maio de 2014, a MAM e a Privinvest assinaram um contrato de apro- (d) O Co-conspirador moçambicano 1 recebeu pelo menos 8,5 milhões de dólares
ximadamente 500 milhões de dólares para que a Privinvest, entre outras coisas, em suborno, pagos pela Privinvest.
construísse um estaleiro naval, fornecesse embarcações adicionais e moderni- (e) O Co-conspirador moçambicano 2 recebeu pelo menos 9,7 milhões de dólares
zasse duas instalações existentes para a manutenção de embarcações da Proin- em suborno, pagos pela Privinvest.
dicus e da EMATUM. (f) O Co-conspirador moçambicano 3 recebeu pelo menos 2 milhões de dólares em
80. No dia 20 de maio de 2014, o Banco de Investimentos 2, a empresa da Privin- suborno, pagos pela Privinvest.
vest, a Palomar, agindo através dos arguidos ANDREW PEARSE e DETELINA 92. O arguido JEAN BOUSTANI recebeu da Privinvest aproximadamente 15 mi-
SUBEVA, juntamente com outros, organizaram um empréstimo sindicalizado lhões de dólares do dinheiro do esquema fraudulento. Entre Maio de 2013 e Julho
de mais de 540 milhões de dólares para a MAM, garantido pela República da de 2014, a Privinvest pagou a BOUSTANI esses fundos numa série de transferên-
Moçambique (o “empréstimo MAM”). O Banco de Investimento 2 solicitou a cias, muitas das quais foram pagas por meio de uma conta bancária corresponden-
investidores, usando, entre outros meios, o contrato de empréstimo da MAM e te em New York e passaram pelo Distrito Leste de New York.
XPPHPRUDQGRGHLQIRUPDo}HVFRQÀGHQFLDLVTXHUHVXPLDRVVHXVWHUPRV7DO 93. No mesmo esquema, os arguidos ANDREW PEARSE, SURJAN SINGH e DE-
como com os empréstimos Proindicus e EMATUM, o contrato de empréstimo TELINA SUBEVA receberam subornos em conexão com os projectos moçambica-
H[LJLDTXHRHPSUpVWLPRGD0$0IRVVHXWLOL]DGRSDUDÀQVGRSURMHFWRHSURLELD QRV(VSHFLÀFDPHQWH
pagamentos corruptos e ilegais. [Nome Ocultado] assinou o contrato de emprés- (a) O arguido ANDREW PEARSE recebeu mais de 45 milhões de dólares em
timo em nome da MAM, e o arguido MANUAL CHANG assinou a garantia do subornos pagos pela Privinvest em conexão com os projectos marítimos moçambi-
Governo em nome de Moçambique. canos. Muitos desses subornos foram pagos através de uma conta bancária corres-
pondente em New York e passou pelo Distrito Leste de New York.
81. O contrato de empréstimo da MAM também previa que todos os pagamen- (b) O arguido SURJAN SINGH recebeu luvas totalizando aproximadamente 4,5
tos exigidos pelo acordo fossem feitos por meio de uma conta bancária na cidade milhões de dólares pagos pela Privinvest. Pelo menos um dos pagamentos foi feito
GH1HZ<RUNQXPDLQVWLWXLomRÀQDQFHLUDVHGLDGDHP1HZ<RUN ´%DQFRGDFLGD- através de uma conta bancária correspondente na cidade de New York e passou
de de New York 2”), cuja identidade é conhecida pelo Grande Júri. pelo Distrito de New York.
82. Entre 23 de Maio de 2014 e 11 de Junho de 2014, a MAM contraiu emprés- (c) A arguida DETELINA SUBEVA recebeu luvas de pelo menos 2,2 milhões de
timos de aproximadamente 535 milhões de dólares junto do Banco de Investi- dólares pagos pelo arguido ANDREW PEARSE
mentos 2, garantidos pela República de Moçambique. O Banco de Investimento
2 enviou o dinheiro directamente para a Privinvest através de contas bancárias INDICAÇÃO UM
correspondentes do Banco da Cidade de New York 2.
(Conspiração para cometer fraude de electrónica)
(2) MAM Pagamentos subornos de luvas
8PDSODQLOKDGHFRQWDELOLGDGHPDQWLGDSRU>1RPH2FXOWDGR@UHÁHFWLDTXH 94. As alegações contidas nos parágrafos 1 a 93 são reforçadas e incorporadas como
a Privinvest pagou subornos e luvas para obter o contrato da MAM. Tais pa- se fossem plenamente estabelecidas neste parágrafo.
gamentos incluíram aproximadamente 13 milhões de dólares pagos a [Nome 95. Entre o ano de 2011 e a data da dedução desta acusação, ambas as datas sen-
Ocultado], aproximadamente 5 milhões de dólares pagos ao arguido MANUEL do aproximadas e inclusivas, no Distrito de New York e em outros lugares, os
CHANG, aproximadamente 918.000 ao Co-conspirador moçambicano 2 e apro- arguidos JEANS BOUSTANI, [Nome Ocultado], MANUEL CHANG, [Nome
ximadamente 18 milhões de dólares ao Co-conspirador moçambicano 3. Ocultado], ANDREW PEARSE, SURJAN SINGH e DETELINA SUBEVA, jun-
tamente com outros, conspiraram consciente e intencionalmente para conce-
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ber um esquema para defraudar um ou mais investidores e potenciais investi- (m) A 9 de Abril de 2014, a Privinvest transferiu 1 milhão de dólares do seu banco
dores na Proindicus, EMATUM e MAM, e obter dinheiro e propriedades com nos EAU por meio de um banco na cidade de New York e através do Distrito de
pretensões, representações e promessas materialmente falsas e fraudulentas. Tal 1HZ<RUNSDUDREDQFRVHGLDGRQRV($8HVSHFLÀFDGRQDIDFWXUDPHQFLRQDGDQR
foi feito por vias de comunicação interestadual e comércio externo por escrito, parágrafo (1).
sinais, imagens e sons, contrariando o estabelecido no Título 18, Código dos
Estados Unidos, Secção 1343. (n) A 28 de Maio de 2014, a Privinvest transferiu 976.000 dólares da sua conta ban-
cária sediada nos EAU por meio de um banco da cidade de New York e do Distrito
(Título 18, Código dos Estados Unidos, secções 1349 e 3551 e seguintes) GH1HZ<RUNSDUDDFRQWDEDQFiULDVHGLDGDQRV($8HVSHFLÀFDGDQDIDFWXUDPHQ-
cionada acima no parágrafo (1).
INDICAÇÃO DOIS (o) Em 8 de Abril de 2014, BOUSTANI enviou um e-mail para [Nome Ocultado]
(Conspiração para cometer fraude de valores mobiliários) detalhando o pagamento de subornos feitos ou que seriam feitos pela Privinvest
em conexão com os projectos Proindicus e EMATUM.
$VDOHJDo}HVFRQWLGDVQRVSDUiJUDIRVDVmRUHDÀUPDGDVHLQFRUSRUDGDV (p) A 14 de Março de 2016, [Nome Ocultado] e outros conspiradores viajaram de
como se estivessem plenamente estabelecidas neste parágrafo. Londres, Inglaterra, para o Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Queens,
97. Entre 2013 e a data da dedução desta acusação, sendo ambas as datas apro- New York, para participar em reuniões com investidores sobre a conversão das
ximadas e inclusivas, no Distrito de New York e em outros lugares, os arguidos notas de participação do empréstimo da EMATUM em Eurobonds.
JEAN BOUSTANI, [Nome Ocultado], MANUEL CHANG, [Nome Ocultado], (q) A 15 de Março de 2016, durante uma reunião na cidade de New York, [Nome
ANDREW PEARSE SURJAN SINGH e DETELINA SUBEVA, juntamente com Ocultado], em conjunto com outros, forneceu informações falsas e enganosas aos
outros, conscientes e voluntariamente conspiraram para usar e empregar um ou investidores sobre as perspectivas económicas de Moçambique, o nível de dívida e
mais meios manipuladores e artifícios enganosos, contrariando a norma 10b-5 a sua capacidade e intenção de cumprir as obrigações da dívida da EMATUM, por
das Normas e Regulamentos da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, Tí- forma a induzi-los a trocarem as notas de participação por Eurobonds.
tulo 17, Código de Regulamento Federais, Seção 24.10b-5, por:
(i) empregar um ou mais dispositivos para esquemas e artifícios para cometer (Título 18, Código dos Estados Unidos, Seções 371 e 3551 e seguintes)
IUDXGH
(ii) fazer uma ou mais declarações falsas de factos relevantes e omitir factos INDICAÇÃO TRÊS
UHOHYDQWHVQHFHVViULRVSDUDID]HUGHFODUDo}HV (Conspiração para violar as disposições anti-suborno e de controlos internos da
e (iii) envolver-se em um ou mais actos, práticas de negócios que funcionariam FCPA)
como fraude e engano relativamente aos investidores e potenciais investidores
da EMATUM, em conexão com a compra e venda de investimentos na EMA- $VDOHJDo}HVFRQWLGDVQRVSDUiJUDIRVGHDVmRUHDÀUPDGDVHLQFRUSRUDGDV
TUM, directa e indirectamente, por meio de meios e instrumentos do comércio como se fossem plenamente estabelecidas neste parágrafo.
interestadual e dos correios, contrariando o título 15, Código dos Estados Uni- 100. De Janeiro de 2012 a Fevereiro de 2017, ambas as datas sendo aproximadas e
GRV6HFo}HVM E HͿ inclusivas, no Distrito de New York e em outros lugares, os arguidos ANDREW
PEARSE, SURJAN SINGH e DETELINA SUBEVA, juntamente com outros, cons-
cientes e deliberadamente conspiraram para cometer infracções contra os Estados
98. No seguimento da conspiração e para materializar os seus intentos, no Dis- Unidos, nomeadamente:
trito de New York e em outros lugares, os arguidos JEAN BOUSTANI, [Nome  D 6HQGRIXQFLRQiULRVHDJHQWHVGHXPHPLVVRUÀ]HUDPXVRGHIRUPDFRUUXS-
Ocultado], MANUEL CHANG, [Nome Ocultado], ANDREW PEARSE, SUR- ta, das correspondências e instrumentos do comércio interestadual na promoção
-$16,1*+H'(7(/,1$68%(9$MXQWDPHQWHFRPRXWURVFRPHWHUDPHÀ]H- de uma oferta, pagamento, promessa de pagamento e autorização do pagamento,
ram com que fossem cometidos, entre outros, os seguintes: oferta, presente, promessa e autorização de doação de qualquer coisa de valor a
um ou mais funcionários estrangeiros e a uma ou mais pessoas, sabendo que toda
Actos Comprovados ou parte de tal dinheiro e coisa de valor seria e foi oferecida, dada e prometida a
XPRXPDLVIXQFLRQiULRVHVWUDQJHLURVFRPRREMHFWLYRGH L LQÁXHQFLDUDFWRVHGH-
(a) A 26 de Junho de 2013, a Privinvest enviou aproximadamente 1 milhão de FLV}HVRÀFLDLVGHWDOIXQFLRQiULRHVWUDQJHLUR LL LQGX]LUWDOIXQFLRQiULRHVWUDQJHLUR
dólares do empréstimo da Proindicus para uma conta bancária que PEARSE DSUDWLFDUHRPLWLUDFWRVTXHYLROHPRGHYHUOHJDOGHWDOIXQFLRQiULR LLL JDUDQWLU
detinha no Banco dos EAU 2, pagamento que passou por uma conta bancária TXDOTXHUYDQWDJHPLQGHYLGDH LY LQGX]LUWDOIXQFLRQiULRHVWUDQJHLURDXVDUDVXD
correspondente nos Estados Unidos e no Distrito de New York. LQÁXrQFLDMXQWRGHXP*RYHUQRHVWUDQJHLURHDJrQFLDVHSDUDLQÁXHQFLDUDFWRVH
(b) Em 21 de Julho de 2013, SUBEVA escreveu um e-mail para BOUSTANI, GHFLV}HVGHWDO*RYHUQRHDJrQFLDVDÀPGHDX[LOLDUR%DQFRGH,QYHVWLPHQWRV
PEARSE e [Nome Ocultado] declarando: “Também devemos manter um col- e outros na obtenção e manutenção de negócios e orientar negócios para a Privin-
chão para amortecer a Proindicus de 17 milhões de dólares para que não preci- vest, Banco de Investimento 1, PEARSE, SINGH, SUBEVA e outros, contrariando a
semos voltar ao MdF, e eles estão do lado”. )&3$7tWXOR&yGLJRGRV(VWDGRV8QLGRV6HFo}HVGGHͿH
(c) A 25 de Julho de 2013, a Privinvest enviou aproximadamente 1 milhão de
dólares do dinheiro da Proindicus para uma conta bancária que PEARSE de- (b) Contornar e causar o contorno de sistemas de controlo interno no Banco de
tinha no Banco dos EAU 2, pagamento que foi efectuado através de uma conta Investimento 1, contrariando o Título 15, Código dos Estados Unidos, Secções 78m
bancária nos Estados Unidos e no Distrito de New York. E    % P E   HͿ D 
(d) A 1 de Setembro de 2013, a Privinvest enviou aproximadamente 1 milhão
de dólares do dinheiro da Proindicus para uma conta bancária que PEARSE 101. No seguimento da conspiração e para realizar os seus objectivos, dentro do
detinha no Banco dos EAU 2, pagamento que passou por uma conta bancária Distrito de New York e em outros lugares, os arguidos ANDREW PEARSE, SUR-
nos Estados Unidos, no Distrito de New York. -$16,1*+H'(7(/,1$68%(9$MXQWDPHQWHFRPRXWURVFRPHWHUDPHÀ]HUDP
(e) A 11 de Outubro de 2013, o Banco de Investimento 2 enviou 350 milhões com que fossem cometidos, entre outros, o seguinte:
de dólares, dinheiro da EMATUM, menos as taxas de mais de 37 milhões de
dólares norte-americanos, para a conta do Banco de Investimento 1 no Banco ACTOS COMPROVADOS
da Cidade de New York 1, pagamento que passou pelo Distrito de New York.
(f) Em 11 de Outubro de 2013, o Banco de Investimento 1 enviou aproxima- (a) A 19 de Novembro de 2012, PEARSE enviou um e-mail ao Funcionário 1 do
damente 312 milhões de dólares, dinheiro da EMATUM, do Banco da Cidade %DQFR GH ,QYHVWLPHQWR  DÀUPDQGR TXH R ([HFXWLYR (02$ ´GLVVH QmR j FRP-
de New York 1 para a Privinvest, pagamento que passou pelo Distrito de New binação de Moz[ambique] e o teu amigo [Co-conspirador da Privinvest 2], então
York. SUHFLVDPRVGHFRORFiORIRUDGDIRWRJUDÀDµ
(g) A 23 de Outubro de 2013, uma entidade da Privinvest com uma conta ban- (b) Em Fevereiro de 2013, PEARSE, SINGH e SUBEVA contrataram a Empresa de
cária nos EAU enviou aproximadamente 800 000 dólares para a conta bancária Due Diligence 1 para que prestass assessoria sobre potenciais riscos de corrupção e
de SINGH no Banco dos EAU 2, pagamento que passou por uma conta bancária suborno envolvendo membros do Governo moçambicano na transacção Privinvest
correspondente nos Estados Unidos e pelo Distrito de New York. que estava prevista. PEARSE, SINGH e SUBEVA ocultaram intencionalmente o
(h) A 24 de Novembro de 2013, [Nome Ocultado] enviou a BOUSTANI uma relatório ao Departamento de “Compliance” do Banco de Investimento 1.
factura de 400.000 dólares para “Compra de Projecto Imobiliário em Moçambi- (c) De 15 de Fevereiro de 2013 a 15 de Setembro de 2013, SINGH e SUBEVA forne-
que”, valor que seria pago à conta bancária de uma terceira entidade domicilia- ceram uma lista dos prováveis directores da Proindicus à Empresa de Due Diligen-
da nos EAU. ce 1 para pré-seleccionar os potenciais directores.
(i) Em 26 de Novembro de 2013, a Privinvest transferiu 400.000 dólares do seu (d) A 21 de Junho de 2013, PEARSE, SINGH e SUBEVA submeteram um memoran-
banco sediado nos EAU por um banco na cidade de New York para a conta ban- do à equipa de Gestão de Risco de Crédito do Banco de Investimento 1, através do
FiULDHVSHFLÀFDGDQDIDFWXUDPHQFLRQDGDQRVXESDUiJUDIR K FXMRSDJDPHQWR qual falsearam as razões do aumento do Empréstimo Proindicus e não informaram
foi aprovado por via do Distrito de New York. ao Banco de Investimentos 1 que o aumento de empréstimo proposto estava a ser
(j) A 31 de Março de 2014, [Nome Ocultado] enviou a BOUSTANI uma factura usado para pagamentos de suborno aos co-conspiradores, incluindo funcionários
de 1 milhão de dólares de uma terceira entidade sediada nos EAU para “TRA- do Governo moçambicano.
BALHOS DE CONSTRUÇÃO NA ZONA ECONÓMICA EXCLUSIVA DE MO- (e) Em 8 de Julho de 2013, a Privinvest efectuou um pagamento de 1 milhão de
ÇAMBICANOS (ZEE)”. dólares da sua conta bancária nos EAU para uma conta bancária em Portugal em
(k) A 2 de Abril de 2014, a Privinvest transferiu 1 milhão de dólares do seu banco benefício de [Nome Ocultado], pagamento que passou por uma conta bancária
sediado nos EAU através de um banco na cidade de New York e do Distrito de correspondente no Banco da Cidade de New York 1, do Distrito de New York.
1HZ<RUNSDUDDFRQWDEDQFiULDVHGLDGDQRV($8HVSHFLÀFDGDQDIDFWXUDPHQ- (f) No dia 27 de Julho de 2013, PEARSE enviou um e-mail da sua conta de e-mail
cionada no subparágrafo (j) acima. pessoal para o e-mail pessoal de SUBEVA, informando: “Se tu acederes às proprie-
dades de cada documento, mostra o autor. Queira apagar e reenviar” os documen-
(l) Em 8 de Abril de 2014, [Nome Ocultado] enviou a BOUSTANI uma factura tos.
de 1,75 milhões de dólares para “Compra do Projecto Imobiliário em Moçam- (g) A 4 de agosto de 2013, SUBEVA, usando a sua conta de e-mail pessoal, enviou
bique”. um e-mail para a conta pessoal de PEARSE em que declarou: “[C]omo prometido,
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abaixo: o ‘guião’ para a reunião do DD [Due Diligence] com a senhora do  6H TXDOTXHU XPD GDV SURSULHGDGHV FRQÀVFiYHLV WDO FRPR GHVFULWR DFLPD H
Ministério das Pescas. Estas perguntas foram respondidas muito bem antes, como resultado de qualquer acto ou omissão dos arguidos:
portanto deve garantir uma reunião muito produtiva e de baixo risco. Sobre- D QmRSXGHUVHUORFDOL]DGDQRH[HUFtFLRGDGHYLGDGLOLJrQFLD
põe-se bem à lista do [Banco de Investimento 1]”. E IRUWUDQVIHULGDRXYHQGLGDRXGHSRVLWDGDDIDYRUGHWHUFHLURV
(h) Em 4 de Agosto de 2013, SUBEVA enviou um e-mail a [Nome Ocultado] F IRUFRORFDGDIRUDGDMXULVGLomRGRWULEXQDO
fornecendo informações para uma reunião de Due Diligence com o Banco de d) for substancialmente diminuído o seu valor, ou
Investimentos 1 agendada para o dia seguinte. e) tiver sido misturada com outras propriedades que não podem ser divididas
facilmente,
(i) A 5 de Agosto de 2013, SUBEVA usou a sua conta de e-mail pessoal e enviou cabe aos Estados Unidos, de acordo com o Título 21, do Código dos Estados Uni-
um email à conta pessoal de PEARSE, outro roteiro de Due Diligence, que ela dos, secção 853 (p), conjugado com o Título 18, do Código dos Estados, secção 982
explicou: “[P]ode ser útil ir para S, pois foi para [Nome Ocultado], então ele E   FRQÀVFDUTXDOTXHURXWUDSURSULHGDGHGRVDUJXLGRVGHYDORUHTXLSDUiYHODR
deve estar preparado para lidar com as perguntas do DD [Due Diligence] sobre TXHGHYLDVHUFRQÀVFDGRQDDOHJDomRGHFRQÀVFR
concorrência, planos de exportação e porquê a ADM [Abu Dhabi Mar] fazem
parte da lista.” 7tWXOR  &yGLJR GRV (VWDGRV 8QLGRV VHFomR  D    H  E    7tWXOR 
Código dos Estados Unidos, secção 853 (p)
(j) No dia 5 de Agosto de 2013, SINGH viajou para Moçambique e dirigiu a equi-
pa de negócios do Banco Investimento 1, conduzindo a devida diligência para a $OHJDomRGHFRQÀVFRFULPLQDOSRULQGLFDomR'RLVH7UrV
transacção LPN EMATUM.
2V(VWDGRV8QLGRVQRWLÀFDPRVDFXVDGRVQDLQGLFDomR'RLVH7UrVTXHDSyV
(k) A 11 de Setembro de 2013, o Banco de Investimento 1 enviou aproximada- DFRQGHQDomRSRUWDLVGHOLWRVRV(VWDGRV8QLGRVDFFLRQDUmRRFRQÀVFRGHDFRUGR
mente 500 milhões de dólares, excluindo as taxas, dinheiro da Ematum, para a com o Título 18 do Código dos Estados Unidos, secção 981 (a) (1) (c), e Título 28
Privinvest, pagamento que passou por uma conta bancária correspondente no GR &yGLJR GRV (VWDGRV 8QLGRV VHFomR  F  TXH GHWHUPLQD D FRQÀVFDomR GH
Banco da Cidade de New York 1 no Distrito de New York. qualquer propriedade constituída ou derivada dos resultados obtidos, directa ou
indirectamente, do delito sobre o qual a pessoa tenha sido condenada.
(l) A 23 de Outubro de 2013, a empresa Logística Internacional fez uma transfe-
rência bancária de 1.175 milhões de dólares para uma conta bancária moçambi-  6H TXDOTXHU XPD GDV SURSULHGDGHV FRQÀVFiYHLV WDO FRPR GHVFULWR DFLPD H
cana a favor de [Nome Ocultado], pagamento que passou por uma conta bancá- como resultado de qualquer acto ou omissão dos arguidos:
ria correspondente no Banco da Cidade de New York 1 no Distrito de New York. D QmRSXGHUVHUORFDOL]DGDQRH[HUFtFLRGDGHYLGDGLOLJrQFLD
E IRUWUDQVIHULGDRXYHQGLGDRXGHSRVLWDGDDIDYRUGHWHUFHLURV
(m) No dia 15 de Maio de 2014, após receber um e-mail de um membro da F IRUFRORFDGDIRUDGDMXULVGLomRGRWULEXQDO
equipa de negócios do Banco de Investimento 1, pedindo que ele fornecesse d) for substancialmente diminuído o seu valor, ou
XPDYHULÀFDomRGRVGHWDOKHVGDFRQWDEDQFiULDGD(PDWXP>1RPH2FXOWDGR@ e) tiver sido misturada com outras propriedades que não podem ser divididas
encaminhou a solicitação a PEARSE, que respondeu: “Estou a tentar ter a posse facilmente,
do tio [SINGH]. Por favor, não faças chamada, até que eu tenha falado com ele cabe aos Estados Unidos, de acordo com o Título 21, do Código dos Estados Uni-
HFRQÀUPDGRGRTXHVHWUDWDµ dos, secção 853 (p), conjugado com o Título 18, do Código dos Estados, secção 982
E   FRQÀVFDUTXDOTXHURXWUDSURSULHGDGHGRVDUJXLGRVGHYDORUHTXLSDUiYHODR
(n) No mesmo dia 15 de Maio de 2014, depois de falar com SINGH, PEARSE TXHGHYLDVHUFRQÀVFDGRQDDOHJDomRGHFRQÀVFR
escreveu um e-mail a [Nome Ocultado] e a Boustani, declarando: “Tio está a
resolver isso. Há alguma exigência estúpida do regulador do Reino Unido… 7tWXOR&yGLJRGRV(VWDGRV8QLGRVVHFomR D    F 7tWXOR&yGLJRGRV
Em qualquer caso, disse-lhe para dizer [a um funcionário do Banco de Investi- Estados Unidos, secção 853 (p), Título 28, Código dos Estados Unidos, secção 2461
mento 1 que fez o pedido inicial], que será demitido se não se comportar bem (c))
no futuro!”

(Título 18, Código dos Estados Unidos, secções 371 e 3551 e seguintes) $OHJDomRFULPLQDOGHFRQÀVFRSRULQGLFDomR4XDWUR

INDICAÇÃO QUATRO 2V(VWDGRV8QLGRVSRUPHLRGHVWDQRWLÀFDPRVDUJXLGRVDFXVDGRVQDLQGLFD-


(Conspiração para cometer lavagem de dinheiro) ção Quatro que, mediante a condenação por tais crimes, os Estados Unidos procu-
UDUmRFRQÀVFDUGHDFRUGRFRPR7tWXORGR&yGLJRGRV(VWDGRV8QLGRVVHFomR
$VDOHJDo}HVFRQWLGDVQRVSDUiJUDIRVDVmRUHDÀUPDGDVHLQFRUSRUDGDV 982 (a) (1), que estabelece que qualquer propriedade, real ou pessoal, que constitua
como se estivessem plenamente estabelecidas neste parágrafo. ou seja derivada do produto obtido, directa ou indirectamente dos delitos sobre os
quais a pessoa for condenada.
103. De 2013 até à data da apresentação desta acusação, sendo ambas as datas  6H TXDOTXHU GRV EHQV FRQÀVFiYHLV DFLPD GHVFULWRV H SRU TXDOTXHU DFWR RX
aproximadas e inclusivas, dentro do Distrito de New York e em outros lugares, omissão dos arguidos:
os arguidos JEAN BOUSTANI, [Nome Ocultado], MANUEL CHANG, [Nome D QmRSRGHUVHUORFDOL]DGRQRH[HUFtFLRGDGHYLGDGLOLJrQFLD
Ocultado], ANDREW PEARSE, SURJAN SINGH e DETELINA SUBEVA, junta- E IRUWUDQVIHULGRRXYHQGLGRRXGHSRVLWDGRHPIDYRUGHWHUFHLURV
mente com outros, consciente e intencionalmente conspiraram para transportar, F IRUFRORFDGRIRUDGDMXULVGLomRGRWULEXQDO
transmitir e transferir instrumentos monetários e fundos para um ou mais lu- G IRUVXEVWDQFLDOPHQWHGLPLQXtGRRVHXYDORURX
gares fora dos Estados Unidos a partir e para um ou mais lugares dentro e fora e) tiver sido misturado com outras propriedades que não podem ser divididas
dos Estados Unidos, IDFLOPHQWH
(a) com a intenção de promover a execução de mais uma actividade ilegal espe- cabe aos Estados Unidos, de acordo com o Título 21, do Código dos Estados Uni-
FLÀFDGDDVDEHU dos, secção 853 (p), conjugado com o Título 18, do Código dos Estados, secção 982
(i) a violação da FCPA, Título 15, do Código dos Estados Unidos, Secções 78dd- E   FRQÀVFDUTXDOTXHURXWUDSURSULHGDGHGRVDUJXLGRVGHYDORUHTXLSDUiYHODR
HͿ TXHGHYLDVHUFRQÀVFDGRQDDOHJDomRGHFRQÀVFR
(ii) delitos contra uma nação estrangeira envolvendo o suborno de funcionário
A intenção é que os Estados Unidos, de acordo com o Título 21, Código dos Esta-
público ou apropriação indevida, roubo e apropriação indevida de fundos pú-
GRV8QLGRVVHFomR S EXVTXHPDFRQÀVFDomRGHTXDOTXHURXWUDSURSULHGDGH
blicos por e em benefício de um funcionário público, em violação da lei moçam-
dos arguidos até ao valor da propriedade perdida, descrita nestas alegações de
bicana, como estabelecido no Título 18, do Código dos Estados Unidos, Secção
FRQÀVFR
1956 (c) (7) (B) (iv), (iii) fraude electrónica, em violação do Título 18, da secção
GR&yGLJRGRV(VWDGRV8QLGRVH LY IUDXGHQDYHQGDGHYDORUHVPREL-
(Título 18, Código dos Estados Unidos, secção 982 (a) (1) and 982 (b): Título 21,
liários, em violação do título 15 do Código dos Estados Unidos, secções 78j (b)
Código dos Estados Unidos, secção 853 (p))
H Ϳ &ROHFWLYDPHQWH GHVLJQDGDV FRPR ´$FWLYLGDGHV LOHJDLV HVSHFLÀFDGDVµ 
contrariando o Título 18, do Código dos Estados Unidos, secção 1956 (a) (2) (A)
RICHARDP, DONOGHUE
H E VDEHQGRTXHRVLQVWUXPHQWRVÀQDQFHLURVHRVIXQGRVHQYROYLGRVQRWUDQV-
PROCURADORIA DOS ESTADOS UNIDOS
porte, transmissão e transferência representavam o produto de uma actividade
DISTRITO DE NEW YORK
ilícita, e sabendo que tal transporte, transmissão foram projectados no todo e
em parte para esconder e disfarçar a natureza, localização, fonte, propriedade e
[NOME OCULTADO]
FRQWURORGRSURGXWRGHXPDRXPDLVDFWLYLGDGHVLOHJDLVHVSHFLÀFDGDVDVDEHU
DEBORAH, CONNOR
DVDFWLYLGDGHVLOHJDLVHVSHFLÀFDGDVTXHFRQWUDULDPR7tWXOR&yGLJRGRV(VWD-
CHEFE DA SECÇÃO CRIMINAL DE LAVAGEM DE
dos Unidos, secção 1556 (a) (2) (B) (i)
DINHEIRO E RECUPERAÇÃO DE ACTIVOS
DEPARTAMENTO DE JUSTIÇA DOS ESTADOS UNIDOS
(Título 18, do Código dos Estados Unidos, secções 1956 (h) e 3551 e seguintes)
DANIEL S. KHAN
CHEFE DA UNIDADE FCPA
$OHJDomRGHFRQÀVFRSRULQGLFDomR8P
SECÇÃO DE FRAUDE
DIVISÃO CRIMINAL
2V(VWDGRV8QLGRVQRWLÀFDPRVDUJXLGRVDFXVDGRVQDLQGLFDomR8PTXH DEPARTAMENTO DE JUSTIÇA DOS ESTADOS UNIDOS
DSyVDFRQGHQDomRSRUWDOGHOLWRR*RYHUQRDFFLRQDUiRFRQÀVFRGHDFRUGRFRP
o Título 18 do Código dos Estados Unidos, secção 982 (a) (2), que determina a
FRQÀVFDomR GH TXDOTXHU SURSULHGDGH FRQVWLWXtGD RX GHULYDGD GRV UHVXOWDGRV
obtidos, directa ou indirectamente, do delito sobre o qual a pessoa tenha sido
condenada.
DIVULGAÇÃO
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Savana 11-01-2019 9

LEI ANTI-CORRUPÇÃO
MINISTÉRIO PÚBLICO CÓDIGO PENAL
LEI DE PROBIDADE PÚBLIC
ICA

ANTICORRUPÇÃO
Centro de Integridade Pública
Anticorrupção - Transparência - Integridade Edição No 1/2019 - Janeiro- Distribuição Gratuita

Aspectos-chave do “golpe”
” da dívida ilegal, de acord
do
mericana contra Manuel Chan
com a acusação federal am ng
e outros alegadamente im
mplicados

Introdução +iWDPEpPR%DQFRGH,QYHVWLPHQWRR&UHGLW6XLVVH &6 HR%DQFRGH,QYHV-


WLPHQWRRUXVVR97%&DSLWDO 97% 2VWUrVDQWLJRVIXQFLRQiULRVEDQFiULRVGR
O documento acusatório contra o antigo Ministro das Finanças, Manuel &UHGLW6XLVVHDFXVDGRVVmR$QGUHZ3HDUVHGHQDFLRQDOLGDGHQHR]HODQGHVDH[-
&KDQJHTXDWURRXWUDVÀJXUDVMiYLVDGDVSHODMXVWLoDDPHULFDQDQRPHD- GLUHFWRUH[HFXWLYRGREDQFR&UHGLW6XLVVHHFKHIHGR*OREDO)LQDQFLQJ*URXS
GDPHQWHWUrVH[EDQFiULRVGR&UHGLW6XLVVHHXPJHVWRUVpQLRUGRJUXSR3UL- GD&66XUMDQ6LQJKQDFLRQDOLGDGHEULWkQLFDRDQWLJRGLUHFWRUGR*OREDO)LQDQ-
YLQYHVWGH$EX'KDELPRVWUDGHWDOKHVVyUGLGRVGHXPDFRQVSLUDomRPRQWDGD FLQJ*URXSGD&6H'HOHWLQD6XEHYDQDFLRQDOLGDGHE~OJDUDYLFHSUHVLGHQWH
GR*OREDO)LQDQFLQJ*URXS
SDUDGHIUDXGDUR(VWDGR
3DUDREHQHItFLRGRJUDQGHS~EOLFRPRoDPELFDQRR&,3UHFXSHUDFRPEDVH
2 GRFXPHQWR H[SOLFD HP  YiULRV PRPHQWRV  L  FRPR IRL IHLWD D ´YHQGDµ GD
QDDFXVDomRDOJXQVGRVHOHPHQWRVPDUFDQWHVGHXPDFRQVSLUDomRTXHRUL-
LGHLDGHXPSURMHFWRGHJUDQGHLQYHVWLPHQWRQDSURWHFomRFRVWHLUDGH0R-
JLQRX XPD  FULVH VHP  SUHFHGHQWHV QD HFRQRPLD PRoDPELFDQD H QD YLGD GRV
oDPELTXHPRVWUDQGRHOHPHQWRVVREUHDFRPSUDGD´YRQWDGHSROtWLFDµSDUDVH
PRoDPELFDQRV
JDQKDUDDSURYDomRGRSURMHFWRLL DDUWLPDQKDFRUUXSWDSDUDDVVHJXUDUDV
JDUDQWLDVLOHJDLVGRJRYHUQRSDUDRSURMHFWR3URLQGLFXVLLL DFRQVSLUDomR
SDUDVHFRQWRUQDURVSURFHGLPHQWRVGHFRQWURORLQWHUQRGR&UHGLW6XLVVHH Síntese
LY DFRQVSLUDomRSDUDVHPRGLÀFDUDVFRQGLo}HVGRVHPSUpVWLPRVGD3URLQ-
GLFXV (QWUHHD3URLQGLFXVD(0$780HR0$0REWLYHUDPHPFRQMXQWR
SRXFRPDLVGHELOK}HVGH86'HPHPSUpVWLPRV2GLQKHLURHUDGHLQYHVWL-
$V(QWLGDGHV3ULQFLSDLVPRoDPELFDQDVUHIHULGDVQRGRFXPHQWRVmRD3URLQ- GRUHVHVWUDQJHLURV LQFOXLQGRLQYHVWLGRUHVDPHULFDQRV HIRLFRQWUDWDGRSHOR
GLFXVD(0$780HD0$07RGDVDVWUrVIRUDPIRUPDGDVSDUDOHYDUHPD EDQFR&UHGLW6XLVVHHSHOREDQFRUXVVR97%2VHPSUpVWLPRVIRUDPJDUDQWL-
FDERSURMHFWRVPDUtWLPRVHVSHFLÀFDPHQWHD3URLQGLFXVSDUDID]HUYLJLOkQFLD GRVSHOR*RYHUQR0RoDPELFDQRHPERUDDVJDUDQWLDVQmRWHQKDPVLGRGLYXO-
FRVWHLUDD(0$780SDUDSHVFDGHDWXPHD0$0SDUDFRQVWUXLUHVWDOHLURV JDGDVSXEOLFDPHQWH QHPDSURYDGDVSHOD$VVHPEOHLDGD5HS~EOLFDTXDQGRR
QDYDLVHID]HUPDQXWHQomRGHHPEDUFDo}HV ´JROSHµIRLGHVFREHUWR $DOHJDomRFHQWUDOpDGHTXHDVWUrVHPSUHVDVGHIUDXGD-
UDPRVLQYHVWLGRUHVSRUTXHIDOWDUDPDYHUGDGHVREUHRGHVWLQRUHDOGRVIXQGRV
3DUDDOpPGHManuel Chang TXHUHFHEHXPLOK}HVGH86' QD TXHDFDEDUDPVHQGRXVDGRVSDUDSDJDUVXERUQRVDIXQFLRQiULRVGRJRYHUQR
RSHUDomR3URLQGLFXVR&,3WHPLQIRUPDomRTXHRVRXWURVGRLVDFXVDGRVGH ORFDOHGREDQFR&UHGLW6XLVVH&DGDXPDGDVWUrVHPSUHVDVHVWDWDLVFRQWUDWRX
QDFLRQDOLGDGHPRoDPELFDQDVmR$QWyQLR&DUORVGH5RViULRH7HRÀOR1KDQ- D3ULYLQYHVWSDUDUHDOL]DUSURMHFWRVPDUtWLPRV
gumeleTXHIRLRLQGLYLGXRTXHDSUHVHQWRXRSURMHFWRDR*RYHUQRQR
DQR GH  2 GRFXPHQWR FLWD WUrV FRFRQVSLUDGRUHV PRoDPELFDQRV 'HSRLV 2VWUrVEDQFiULRVGR&UHGLW6XLVVHID]LDPSDUWHGD´HTXLSDGHQHJRFLDomRµ
GHXPDDWXUDGDLQYHVWLJDomRR&,3HVWiHPFRQGLo}HVGHVXVSHLWDUGDVVXDV 'HDO7HDP GRSURMHFWR3URLQGLFXV6XUMDQ6LQJKID]LDWDPEpPSDUWHGD´HTXL-
LGHQWLGDGHV DWHQGHQGRDVIXQo}HVS~EOLFDVTXHGHVHPSHQKDPGHVHPSHQKD- SDGHQHJyFLRVµGRSURMHFWR(0$780'HDFRUGRFRPRGRFXPHQWRLQGLFLi-
YDPHTXHVmRGHVFULWDVQROLEHORDFXVDWyULR QRVVHJXLQWHVWHUPRV ULRRVDFXVDGRVFULDUDPRVSURMHFWRVPDUtWLPRVFRPRXPDUGLOSDUDHQULTXHFL-
PHQWRLOtFLWR'HVYLDUDPSDUWHGRVUHFXUVRVGDGtYLGDSDUDSDJDUSHORPHQRV
8PIXQFLRQiULRGR(VWDGRTXHSURFXURXDDSURYDomRGR*RYHUQRSDUDRSUR- PLOK}HVGH86'HPVXERUQRVHSURSLQDVDVLPHVPRVHDIXQFLRQiULRVGR
MHFWR3URLQGLFXVR&,3DLQGDQmRFRQVHJXLXDSXUDUDSRVVtYHOLGHQWLGDGH *RYHUQR0RoDPELFDQR$3ULYLQYHVWFREUDYDSUHoRVLQÁDFFLRQDGRVSHORVHTXL-
GRFRQVSLUDGRU SDPHQWRV H VHUYLoRV TXH  IRUQHFLD H RV YDORUHV IRUDP XVDGRV SHOR PHQRV HP
SDUWH SDUD  SDJDU VXERUQRV H SURSLQDV ( D 3URLQGLFXV D (PDWXP H D 0$0
8PSDUHQWHGHXPDOWRIXQFLRQiULRHP0RoDPELTXHTXHUHFHEHXPL- QXQFDOHYDQWDUDPYRR
OK}HVGH86'$LQGDQmRFRQVHJXLPRVDSXUDUDVXDSRVVtYHOLGHQWLGDGH
2LQYHVWLPHQWRQD3URLQGLFXV-DQHLURGHD3URLQGLFXVFHOHEURXXPFRQ-
8PDOWRIXQFLRQiULRGR0LQLVWpULRGDV)LQDQoDVGH0RoDPELTXHTXH WUDWRFRPD3ULYLQYHVWSDUD´IRUQHFHUPDWHULDLVHWUHLQDPHQWRSDUDSURWHJHUDV
MiIRLGLUHFWRUGD(0$780 iJXDVWHUULWRULDLVGH0RoDPELTXHµ9DORUGRFRQWUDWRPLOK}HVGH86'

6XVSHLWDPRVTXHVHMD+HQULTXH*DPLWRRX,VDOWLQD/XFDV6DOHV 2VGRLVWLYH- Fevereiro de 2013:2EDQFR&UHGLW6XLVVHFRQFRUGRXHPDUUDQMDUXPHPSUpV-


UDPIXQo}HVGHUHOHYRWDQWRQD(0$780FRPRQR0LQLVWpULRGR3ODQRH)L- WLPRVLQGLFDGRSDUDD3URLQGLFXVPDVGHYLDWHUDJDUDQWLDGR*RYHUQRGH
QDQoDV$DFXVDomRDPHULFDQDGL]TXHHVWHFRFRQVSLUDGRUUHFHEHXPLOK}HV 0RoDPELTXH9DORUGRHPSUpVWLPRPLOK}HVGH86'
GH86'
6LQJKDVVLQRXRFRQWUDWRGHHPSUpVWLPRHPQRPHGR&UHGLW6XLVVH$QWyQLR5R-
$VHQWLGDGHVHVWUDQJHLUDVYLVDGDVQRGRFXPHQWRDFXVDWyULRVmRR3ULYLQYHVW ViULRWHUiDVVLQDGRHPQRPHGD3URLQGLFXVH0DQXHO&KDQJDVVLQRXDJDUDQWLD
*URXSXPDKROGLQJGH$EX'KDEL(PLUDGRVÉUDEHV8QLGRV ($8 FRP- GRJRYHUQR
SRVWD SRU  YiULDV  VXEVLGLiULDV FROHFWLYDPHQWH ´3ULYLQYHVWµ  LQFOXLQGR 3UL-
YLQYHVW6KLSEXLOGLQJ6$/$EX'KDEL0$5 ´$'0µ /RJLVWLFV,QWHUQDWLRQDO Junho - Agosto de 2013:R&UHGLW6XLVVHDXPHQWRXRHPSUpVWLPRGD3URLQGL-
H3DORPDU&DSLWDO$GYLVRUVH3DORPDU+ROGLQJV/WG FROHFWLYDPHQWH´3DOR- FXVHPPLOK}HVGH86'
PDUµ +iWDPEpPWUrVSHVVRDVLPSOLFDGDVOLJDGDVj3ULYLQYHVWQRPHDGD-
PHQWH-HDQ%RXVWDQLRSULQFLSDOQHJRFLDGRUGD3ULYLQYHVW2FRFRQVSLUDGRU 1RYHPEURR97%FRQFHGHXRXWURHPSUpVWLPR
GD3ULYLQYHVWIRLFRQWUDWDGRSHOD3ULYLQYHVWSDUDGHVHQYROYHUQHJyFLRVHP j3URLQGLFXVQDRUGHPGRVPLOK}HVGH86'2HPSUpVWLPRWRWDODWLQJLX
SDtVHVDIULFDQRVDWUDYpVGHFRQH[}HVFRPIXQFLRQiULRVJRYHUQDPHQWDLVHRFR RVPLOK}HVGH86'0DVGHDFRUGRFRPDDFXVDomR´D3URLQGLFXVQXQFD
FRQVSLUDGRUGD3ULYLQYHVWTXHVXVSHLWDPRVTXHVHMD,VNDQGDU6DID UHDOL]RXRSHUDo}HVVLJQLÀFDWLYDVQmRJHURXUHFHLWDVHQmRFXPSULXFRPRSUL-
PHLURUHHPEROVRGHMXURVHFDSLWDODSUD]DGRSDUDGH0DUoRGHµ
DIVULGAÇÃO
10 Savana 11-01-2019

$PRQWDJHPGRHVTXHPDGRVXERUQRLQLFLDO HVFUHYHXXPDFDUWDDXPH[HFXWLYRGD3ULYLQYHVWGL]HQGRTXHR)0,LPSX-
VHUDFHUWDVOLPLWDo}HVD0RoDPELTXHQRPHDGDPHQWHDGHTXHRVSURMHFWRV
$SDUWLUGH%RXVWDQLHXPGRVDFXVDGRVQmRLGHQWLÀFDGRV TXHVH FRPHUFLDLVVySRGHULDPVHUÀQDQFLDGRVSRUFUpGLWRFRPHUFLDO3DUDFRQWRU-
VXVSHLWDVHU$QWyQLR&DUORV5RViULR WHQWDUDPFRQYHQFHUIXQFLRQiULRVGR*R- QDU HVVD  OLPLWDomR &KDQJ VXJHULX TXH VH FULDVVH XP 639 6SHFLDO 3XUSRVH
YHUQRPRoDPELFDQRDHVWDEHOHFHUXPVLVWHPDGHPRQLWRUDPHQWRFRVWHLURSRU 9HKLFOHXPDVRFLHGDGHGHSURSyVLWRHVSHFtÀFRFXMDDFWLYLGDGHpEDVWDQWH
PHLRGHXPFRQWUDWRFRPD3ULYLQYHVW,PHGLDWDPHQWH%RXVWDQLH$QWyQLR UHVWULWDSRGHQGRHPDOJXQVFDVRVWHUXPSUD]RGHH[LVWrQFLDGHWHUPLQDGR
5RViULRH7HRÀOR1KDQJXPHOHQHJRFLDUDPDSULPHLUDWUDQFKHGHSDJDPHQWR QRUPDOPHQWHXWLOL]DGDSDUDLVRODURULVFRÀQDQFHLURGDDFWLYLGDGHGHVHQYRO-
GHVXERUQRHSURSLQDVTXHD3ULYLQYHVWWHULDTXHID]HUHPEHQHItFLRGRVIXQ- YLGD 
FLRQiULRVGR*RYHUQRPRoDPELFDQR QmRLGHQWLÀFDGRVQRVDXWRV SDUDTXH
RSURMHFWRIRVVHDSURYDGR (P)HYHUHLURGH&KDQJYLULDDDVVLQDUDJDUDQWLDGRJRYHUQRSDUDR
HPSUpVWLPRWHQGRUHFHELGRSRULVVRSHORPHQRVPLOK}HVGH86'HPVXERU-
(LVDWURFDGHHPDLOVHQWUHDVSULQFLSDLVÀJXUDV QRVIHLWRVDSDUWLUGHXPDFRQWDEDQFiULDQRV(PLUDGRVÉUDEHV8QLGRVSDUD
XPDFRQWDEDQFiULDQD(VSDQKD2SDJDPHQWRIRLHQFDPLQKDGRSRUEDQFRV
(PDLOGHGH1RYHPEURGHVXVSHLWDQGRVHTXHVHMD5RViULRHQ- DPHULFDQRVFRPRWRGRVRVSDJDPHQWRVHP86'
YLDGRSDUD%RXVWDQL
2VEDQFiULRVGR&UHGLW6XLVVH
´3DUDJDUDQWLUTXHRSURMHFWRVHMDDSURYDGRSHOR&KHIHGH(VWDGRXPSD- 2GHSDUWDPHQWRGH´FRPSOLDQFHµGR&UHGLW6XLVVHLGHQWLÀFRXVLQDLVVXVSHL-
JDPHQWRWHPTXHVHUDFRUGDGRDQWHVGHFKHJDUPRVDRREMHFWLYRÀQDO   WRVGHFRUUXSomRQRLQtFLRGRDFRUGRFRPD3URLQGLFXV8PGRVDOHUWDVIRL
4XDLVTXHUSDJDPHQWRVDGLDQWDGRVDQWHVGRSURMHFWRSRGHUmRVHUUHFXSHUD- TXHQmRWLQKDKDYLGRXPFRQFXUVRS~EOLFRQDHVFROKDGRIRUQHFHGRU
GRVµ (PUHVSRVWDDXPDSHUJXQWDGRVEDQFiULRVGR&UHGLW6XLVVHVREUHVHWLQKD
KDYLGRXPFRQFXUVR%RXVWDQLGLVVHTXHRFRQWUDWR´QmRUHVXOWRXGHXPD
(PDLOGHGH1RYHPEURGHGH%RXVWDQLHPUHVSRVWDDRDQWHULRU RIHUWDFRPSHWLWLYDPDVIRLXPHVTXHPD´HQWUHD3ULYLQYHVWHR*RYHUQRPR-
´XPD TXHVWmR PXLWR LPSRUWDQWH TXH  SUHFLVD VHU FODUD WLYHPRV YiULDV H[SH- oDPELFDQRµ2EDQFRQmRIH]QDGDSDUDLPSHGLUTXHRSURFHVVRDYDQoDVVH
ULrQFLDVQHJDWLYDVQDÉIULFD(VSHFLDOPHQWHUHODFLRQDGDVFRPSDJDPHQWRVGH DOLiVVHXVIXQFLRQiULRVUHOHYDQWHVMiHVWDYDPDHQWUDUQRHVTXHPD
WD[DV  GH  VXFHVVR 3RUWDQWR  WHPRV XPD  SROtWLFD UtJLGD QR JUXSR GH QmR
desembolsar nenhuma ‘taxa de sucesso’ antes da assinatura do contrato do 7DPEpPIRUDPLGHQWLÀFDGDVVXVSHLWDVGHFRUUXSomRHQYROYHQGRRFRFRQVSL-
SURMHFWRµ UDGRUGD3ULYLQYHVW RH[HFXWLYRTXHQyVLGHQWLÀFDPRVFRPR,VNDQGDU
6DID 8PIXQFLRQiULRGR&UHGLW6XLVVHGLVVHD6XUMDQ6LQJKTXHRFRQVSLUD-
(PDLOGH1RYHPEURGHVXSRVWDPHQWHGH GRUGD3ULYLQYHVWMiKDYLDVLGRLGHQWLÀFDGRFRPR´XPFOLHQWHLQGHVHMiYHOµ
5RViULRHPUHVSRVWDD%RXVWDQL SHOREDQFR2IXQFLRQiULRVXVWHQWRXHVVDDOHJDomRFRPFHUFDGH
DUWLJRVGHQRWtFLDVVXJHULQGROLQNVSDUDFRUUXSomRHQYROYHQGRDSHVVRD
´)DEXORVRHXFRQFRUGRFRQVLJRHPSULQFtSLR0DVYDPRVROKDUSDUDRSUR-
MHFWRHPGRLVPRPHQWRVGLVWLQWRV2SULPHLURPRPHQWRpRGHPDVVDJHDU 2VWUrVEDQTXHLURVVmRDFXVDGRVGHHVFRQGHULQIRUPDo}HVFUXFLDLVTXHGH-
RVLVWHPDHREWHUDYRQWDGHSROtWLFDGHDYDQoDUFRPRSURMHFWR2VHJXQGR YLDPVHUSDUWLOKDGDVFRPR´FRPSOLDQFHµ3RUH[HPSORDHTXLSDGHQHJRFLD-
PRPHQWRpDLPSOHPHQWDomRH[HFXomRGRSURMHFWR&RQFRUGRFRQVLJRTXH omRFRQVXOWRXXPH[HFXWLYRVpQLRUGR&UHGLW6XLVVHVREUHVHRQHJyFLRGD
TXDOTXHUGLQKHLURVySRGHVHUSDJRDSyVDDVVLQDWXUDGRSURMHFWR,VVRGHYH 3URLQGLFXVWLQKDSHUQDVSDUDDQGDU2H[HFXWLYRGLVVH´QmRµjFRPELQDomRGH
VHU   WUDWDGR  VHSDUDGDPHQWH GD LPSOHPHQWDomR GR SURMHFWRSRUTXH SDUD D 0RoDPELTXHHVHXDPLJR>RFRFRQVSLUDGRUGR3ULYLQYHVW,VNDQGDU6DID@
LPSOHPHQWDomRGRSURMHFWRKDYHUiRXWURVMRJDGRUHVFXMRLQWHUHVVHWHUiTXHVHU 0DV3HDUVHTXHMiHVWDYDPHWLGRQRHVTXHPDGLVVHDXPFROHJD´HQWmR
FXLGDGRFRPRSRUH[HPSORR0LQLVWpULRGD'HIHVDR0LQLVWpULRGR,QWHULRUD SUHFLVDPRVGHHVWUXWXUiORIRUDGRTXDGURµ1DYHUGDGHRSUySULRUHODWy-
)RUoD$pUHDHWFHPJRYHUQRVGHPRFUiWLFRVFRPRRQRVVRDVSHVVRDV ULRGH´GXHGLOLJHQFHµGD&UHGLW6XLVVHUHODWLYDPHQWHDHVWHQHJyFLRWLQKD
YrPHYmRHWRGRVRVHQYROYLGRVYmRTXHUHUWHUDVXDSDUWHGRQHJyFLRQR GHVFULWR6DIDFRPRXPPHVWUHHPID]HUVXERUQRV0DVDLQGDQmRpFODURVHR
PRPHQWRHPTXHHVWmRQRSRGHU8PDYH]IRUDGRSRGHUMiVHUiGLItFLO3RULVVR GHSDUWDPHQWRGHFRQIRUPLGDGHIH]YLVWDJURVVDDHVVDVHYLGrQFLDVSRLVRV
pLPSRUWDQWHTXHD¶WD[DGHVXFHVVR·GHDVVLQDWXUDGRFRQWUDWRVHMDDFRUGDGD UHODWyULRVGH´GXHGLOOLJHQFHµGR&UHGLW6XLVVHGHYHPVHUIHLWRVHPDQWLGRV
HSDJDGHXPDVyYH]DSyVDDVVLQDWXUDGRFRQWUDWRµ SHODHTXLSDGR´FRPSOLDQFHµ

(PDLOGH'H]HPEURGHVXSRVWDPHQWHGR 1XPRXWURH[HPSORDHTXLSDGHQHJyFLRVGR&UHGLW6XLVVHFRQWUDWRXXPD
5RViULRSDUD%RXVWDQL ÀUPDH[WHUQDSDUDFRQGX]LUXPD´GXHGLOOLJHQFHµDXPDOLVWDSURSRVWDGH
QRPHVSDUDR&RQVHOKRGH$GPLQLVWUDomRGD3URLQGLFXV4XDQGRRVDXGL-
´%RP  LUPmR  (X  FRQVXOWHL  H  SRU  IDYRU  FRORTXH   PLOK}HV GH IUDQJRV WRUHVH[WHUQRVVRXEHUDPTXHXPGRVQRPHVQmRHUDUHFRPHQGiYHOHOHV
4XDLVTXHUTXHVHMDPRVQ~PHURVTXHYRFrWHQKDQDVXDFDSRHLUDDFUHVFHQWD IRUDP  VXEVWLWXtGRV 8PD QRYD  HTXLSD GH  DXGLWRULD DFDERX DSURYDQGR R
PLOK}HVGDPLQKDUDoDµ QRPHQmRUHFRPHQGiYHOTXHIRLGHSRLVVDQFLRQDGRSRUXPGHSDUWDPHQWR
UHOHYDQWHGR&UHGLW6XLVVH
[Interpretação do Departamento de Justiça: 50 milhões de USD seriam pagos
em propinas a funcionários do Governo moçambicano e outros 12 milhões de ´3DUDHVFRQGHURHVTXHPDIUDXGXOHQWRHHYLWDURHVFUXWtQLRµRVWUrVEDQTXHL-
USD seriam pagos aos co-conspiradores da Privinvest.] URVWDPEpPUHPRYHUDPDOJXPDVGDVFRQGLo}HVDVVRFLDGDVDRHPSUpVWLPR
8PDGDVVXSUHVV}HVFUXFLDLVHUDTXHR3URFXUDGRU*HUDOGD5HS~EOLFD
(PDLOGH'H]HPEURGH%RXVWDQLSDUDRSHVVRDOGD3ULYLQYHVW SUHFLVDYDFRQÀUPDUTXHDJDUDQWLDGRJRYHUQRHUDYiOLGD

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HQYROYHUR3*5 QmRVHUiDFHLWHSHOD3URLQGLFXVSRLVHODTXHUFRQWRUQDU
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HD3ULYLQYHVWIRVVHQHJRFLDGRHDVVLQDGR&LQFRGLDVDSyVDDVVLQDWXUDGR SRULVVRFULDUDPXPDHQWLGDGHSULYDGD(OHVQXQFDDFHLWDUmRLQIRUPDUDR
FRQWUDWR%RXVWDQLLQVWUXLXXPEDQFRQRV(PLUDGRVÉUDEHV8QLGRVTXH 3URFXUDGRU*HUDOµ$H[LJrQFLDIRLUHPRYLGDSHORVEDQTXHLURVHRHP-
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86'GRLVSDJDPHQWRVGHYHULDPVHUIHLWRVPLOK}HVGH86'SDUDXP
GRVDFXVDGRVHPLOK}HVSDUDRFRFRQVSLUDGRUGH0RoDPELTXH2EDQFR R)0,SUHFLVDYDVHULQIRUPDGRVREUHRHPSUpVWLPR2)0,TXHSUHVWDYD
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QXPDGDWDSRVWHULRU 6XLVVHUHWHYHPLOK}HVGH86'HPWD[DVSHORSULPHLURYDORUGRHPSUpV-
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1HJRFLDo}HVSDUDDFRQWUDWDomRGDGtYLGDHDSDUL- EDQFRRXVHIRUDPGLYLGLGDVFRPRXWURVHVFULWyULRVGHDGYRFDFLDHWF $
3ULYLQYHVWXVRXHQWmRSDUWHGRHPSUpVWLPRSDUDSDJDUVXERUQRVD3HDUVH
ção de Manuel Chang
(P$EULOGH3HDUVHDEULXXPDFRQWDEDQFiULDHP$EX'KDELQRV(PLUD-
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6HWHPEURGH%RXVWDQLDERUGRXREDQFR&UHGLW6XLVVHSDUDSURYLGHQFLDU PHQWRVGHVXERUQRGHPDLVGH86PLOK}HVGH86'µSDUDDFRQWDEDQ-
RHPSUpVWLPR1HVVHPHVPRPrVGH6HWHPEURGH$QGUHZ3HDUVHYRRX FiULDGH3HDUVHQRV(PLUDGRVÉUDEHV8QLGRV$PDLRULDGRVSDJDPHQWRV
SDUD  RV (PLUDGRV ÉUDEHV 8QLGRV SDUD VH HQFRQWUDU FRP %RXVWDQL $QWyQLR IRLHPSDUFHODVH[DFWDVGHPLOKmRGH86'HIRLUHJLVWDGDFRPR´SDJDPHQWR
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QmRSHORFOLHQWH3RURXWURODGRWLQKDGHÀFDUFODURQHVVHHQFRQWURTXHR GRVµ$DFXVDomRDOHJDTXH3HDUVHWUDQVIHULXPLOK}HVGH86'SDUDRXWUD
FUpGLWRWLQKDGHWHUJDUDQWLDGR*RYHUQRGH0RoDPELTXH FRQWDEDQFiULDQRV($8HPQRPHGH6XEHYD

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QRPHGH0DQXHO&KDQJGDQGRDHQWHQGHUTXHMiWLQKDPDERUGDGRRHQWmR
O investimento EMATUM
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0LQLVWURGDV)LQDQoDVSDUDWUDWDUGHDVVLQDUDJDUDQWLD'LDVGHSRLV&KDQJ
WXP
DIVULGAÇÃO
Savana 11-01-2019 11

Agosto de 2013:D(0$780FHOHEURXXPFRQWUDWRFRPD3ULYLQYHVWSDUDFRPSUDU 2HPSUpVWLPRIRLDVVLQDGRQRÀQDOGH$JRVWRGH2VLQYHVWLGRUHV


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IUDHVWUXWXUDGHSHVFDFRPSRVWDSRUQDYLRVXPFHQWURGHRSHUDo}HV
Agosto de 2013:R&UHGLW6XLVVHFRQFRUGRXHPSURYLGHQFLDURHPSUpVWLPR HWUHLQDPHQWRUHODFLRQDGRµ
GHVGHTXHHOHIRVVHEOLQGDGRSRUXPDJDUDQWLDGRJRYHUQR9DORUPLOK}HV
GH86' $SHVDUGDVSURMHFo}HVGHTXHD(0$780JHUDULDUHFHLWDVDQXDLVGH
SHVFDGHDSUR[LPDGDPHQWHPLOK}HVGH86'DWp'H]HPEURGH
'H  DFRUGR FRP D DFXVDomR ´XPD  SDUWH  VLJQLÀFDWLYD GRV  IXQGRV  DGLFLRQDLV SUDWLFDPHQWHQmRJHURXUHFHLWDHSRUYROWDGRÀQDOGHQmRUHDOL]RX
VHULDFDQDOL]DGDSDUDD3ULYLQYHVWHGHSRLVGHVYLDGDWHQGRVHUYLGRSDUDID]HU RSHUDo}HVGHSHVFD$(0$780ÀFRXLQFDSD]GHHIHFWXDURSDJDPHQWR
SDJDPHQWRVDGLFLRQDLVSDJDUOXFURVLQÁDFFLRQDGRVHHYLWDUDGHVFREHUWDGR GHÀQDQFLDPHQWRFRPYHQFLPHQWRHPRXSHUWRGHGHMDQHLURGH
HVTXHPDIUDXGXOHQWRGRVFRFRQVSLUDGRUHV
6LQJKWDPEpPUHFHEHXVXERUQRV(PGH2XWXEURGH3HDUVHHQ-
6HWHPEURGH2&UHGLW6XLVVHFRQFRUGRXHPHPSUHVWDUDSHQDVPL- YLRXRVGHWDOKHVGDFRQWDEDQFiULDGH6LQJKSDUD%RXVWDQL5HIHULQGRVH
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PLOK}HVGH86'j97%&DSLWDO QHVWDVHPDQDHOHDJUDGHFHULDµ(PDLOGHRXWXEURGHGH3HDUVH
SDUD%RXVWDQL´7LR6XUMDQ7RWDOGHµ1RVTXDWURPHVHVVHJXLQWHVD
(P-XOKRGH3HDUVHDQXQFLRXDVXDUHQ~QFLD(OHÀFDULDDWp6HWHPEUR1R 3ULYLQYHVWWUDQVIHULXPLOK}HVGH86'SDUDDFRQWDEDQFiULDGH6LQ-
HQWDQWRQDPHVPDpSRFDREDQFRFRORFRX'HWHOLQD6XEHYDVREOLFHQoD8PPrV JK$PDLRULDGRVSDJDPHQWRVIRLGHSDUFHODVGHHP86'HXVRXD
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(PGH$EULOGH%RXVWDQLHQYLRXXPHPDLOFRPXPDSODQLOKDFRP
1RHQWDQWRQRVEDVWLGRUHV3HDUVHH6XEHYDHVWDYDPMiDWUDEDOKDUHPFRQMXQWR WRGRVRVVXERUQRVSDJRVSHORVQHJyFLRVGD3URLQGLFXVH(0$780GHFOD-
QRVHXGHUUDGHLUR´GHDOµRDFRUGR(0$780 UDQGRTXHD3ULYLQYHVWKDYLDSDJR´PLOK}HVGH86'SDUDWRGRVSRU
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-XOKRGHRVH[HFXWLYRVVpQLRUHVGRVEDQFRVHVWDYDPHPFRPXQLFDomRFRP JDPHQWRVRUpXRVDUJXLGRV-HDQ%RXVWDQL>HRXWURVDFXVDGRVDQyQLPRV@
%RXVWDQLXVDQGRVXDVFRQWDVGHHPDLOSHVVRDLV1XPGRVHPDLOV3HDUVHHQYLRX XVDUDPHQWLGDGHVGHWHUFHLURVHIDEULFDUDPIDFWXUDVSDUDGLVWULEXLUGL-
D%RXVWDQLXPDSURSRVWDSDUDGHVHQYROYHUXPDIURWDGHHPEDUFDo}HVGHSHVFD QKHLURDIXQFLRQiULRVGR*RYHUQR0RoDPELFDQRµ
GHDWXP
Email:GH2XWXEURGH%RXVWDQLHVFUHYHSDUDXPDFXVDGRVHP
EmailGH-XOKRGH%RXVWDQLUHVSRQGHD3HDUVHGL]HQGRTXHXPGRVDFX- QRPH´(XSUHFLVRGHIDFWXUDVPDLVFHGRHPQRPHGH/RJLVWLFV,QWHUQD-
VDGRVQmRQRPHDGRVLULD´VHJXLUHPIUHQWHHPWRGDVDVVXJHVW}HVQHFHVViULDV WLRQDO$EX'KDEL>XPDHPSUHVDUHODFLRQDGDj3ULYLQYHVW@)DFWXUDVSDUD
SDUDPD[LPL]DURWDPDQKRGRÀQDQFLDPHQWRµ(PÀQDLVGH-XOKRGHR WXGRPHXLUPmR&DGDXPDPHQFLRQDQGRRDVVXQWR FRPSUDGHLPyYHLV
HWFHWF 0HVPRSDUD&KDQJXPSHTXHQRSDSHOTXHGL]´KRQRUiULRV
SODQR(0$780MiHVWDYDHPYLJRU2SURMHFWRGHDFRUGRFRPR'HSDUWDPHQWR
GHFRQVXOWRULDµ
GH-XVWLoDGRV(8$IRLFRQFHELGRSDUDVDWLVID]HUDJDQkQFLDGHDOJXPDVSHVVRDV
HPYH]GHVDWLVID]HUDVQHFHVVLGDGHVOHJtWLPDVGD(0$780
O investimento do MAM
EmailGH-XOKRGH%RXVWDQLHVFUHYHD3HDUVHH6XEHYD´YDPRVSDUD
PLOK}HVGH86'HQWmRPDQWHPRVXPDPDUJHPSDUDRSDJDPHQWRGHMXURVGD Maio de 2014:0$0H3ULYLQYHVWDVVLQDUDPXPFRQWUDWRSDUD´FRQV-
3URLQGLFXVQRSUy[LPRDQRµ>1RWDLVWRVXJHUHTXHRÀQDQFLDPHQWRGD(0$- WUXLU XP HVWDOHLUR IRUQHFHU HPEDUFDo}HV QDYDLV  DGLFLRQDLV H  DFWXDOL]DU
780VHULDXVDGRSDUDID]HUSDJDPHQWRVGHMXURVGD3URLQGLFXV@ GXDVLQVWDODo}HVH[LVWHQWHVSDUDDWHQGHUD3URLQGLFXVHQDYLRV(0$-
780µ9DORUGRFRQWUDWRPLOK}HVGH86'8PDSODQLOKDREWLGDSHOD
(PERUD3HDUVHH6XEHYDDLQGDWLYHVVHPDOJXPDOLJDomRFRPR&UHGLW MXVWLoDIHGHUDOGRV(8$SDUHFHPRVWUDUTXHD3ULYLQYHVWSDJRXVXERUQRV
6XLVVHHOHVDJRUDHVWDYDPDMRJDUGRVGRLVODGRVGDFHUFD3DUDHVFRQGHURVHX SDUDJDUDQWLURFRQWUDWRLQFOXLQGRPLOK}HVGH86'SDUD&KDQJ
HQYROYLPHQWRH[WHUQRQDQHJRFLDomRGD(0$780HOHVXVDUDPFRQWDVGHHPDLO GH86'SDUDRFRFRQVSLUDGRUGH0RoDPELTXH RSDUHQWH HPLOKmR
SHVVRDLV H WDPEpP DOHUWDUDP RV H[HFXWLYRV GD (0$780 SDUD  UHPRYHUHP RV GH86'SDUDRFRFRQVSLUDGRU RRÀFLDOVpQLRU 
GRFXPHQWRVHHPDLOVTXHSRGHULDPVXJHULURVHXHQYROYLPHQWRGRRXWURODGR
GDFHUFD $0$0SURMHFWRXTXHIDULDPLOK}HVGH86'HPUHFHLWDRSHUDFLRQDO
DWpDRÀQDOGRVHXSULPHLURDQR(PYH]GLVVRSUDWLFDPHQWHQmRJHURX
EmailGH-XOKRGH3HDUVHSDUD%RXVWDQL FRP&&SDUD6XEHYD ´3RUID- UHFHLWDHGHL[RXGHSDJDURVVHXVHPSUpVWLPRVHP0DLRGH
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ePXLWRVHQVtYHORVQRVVRVQRPHVHQYROYLGRVµ (PDVWUrVHPSUHVDVS~EOLFDVPRoDPELFDQDVHVWDYDPHPDSXURV
7LQKDPDFXPXODGRELOK}HVGH86'HPHPSUpVWLPRVHWLQKDPSRXFD
EmailGH-XOKRGH3HDUVHSDUD6XEHYD´6HHQWUDUHVQDVSURSULHGDGHV RXQHQKXPDPDQHLUDGHID]HUSDJDPHQWRV0DLVRXPHQRVQHVVDpSRFD
GHFDGDGRFXPHQWRHOHYDLPRVWUDUTXHPpRDXWRU3RGHVH[FOXLUHVVHVGDGRVH R)0,WDPEpPFRPHoRXDID]HUSHUJXQWDVVREUHRGHVWLQRGDVUHFHLWDV
UHHQYLDU" GRV  HPSUpVWLPRV 2 )0, SURYDYHOPHQWH VDELD  VREUH RV HPSUpVWLPRV
PDVQmRVREUHDVJDUDQWLDVGRJRYHUQR 
EmailGH-XOKRGH6XEHYDSDUD3HDUVH´7HQKRDFHUWH]DTXH6XUM>6LQJK@
SRGHVDQHDURSLRUHDSDJDURDXWRUµ 3DUDSURORQJDURHVTXHPD%RXVWDQL3HDUVH6XEHYDHRXWURVHODERUDUDP
XPSODQRR*RYHUQR0RoDPELFDQRGHYHULDHPLWLU(XURERQGVTXHVHULDP
EmailGH-XOKRGH3HDUVHSDUD%RXVWDQLH6XEHYD´3HVVRDODEDL[R WURFDGRVSRUQRWDV(0$780VHFUHWDPHQWHLQ~WHLV2JRYHUQRFRQFRUGRX
HVWiRDUJXPHQWRTXHHXDFKRTXHQyV RXPHOKRUR0XWXiULR GHYHUtDPRV HFRQWUDWRXR&UHGLW6XLVVHHR97%SDUDH[HFXWDUDWUDQVDomR$
DSUHVHQWDUDR&UHGLW6XLVVHQDVHPDQDTXHYHPSDUDH[SOLFDUSRUTXHD 3DORPDUUHSUHVHQWDGDSRU3HDUVHH6XEHYDIRLFRQWUDWDGDSDUDDFWXDU
3ULYLQYHVWJDQKRXRFRQWUDWRVHPFRQFXUVR2VSDWURFLQDGRUHVGR0XWXiULR FRPRFRQVHOKHLUD2TXHDVWUrVHQWLGDGHVQmRFRQVHJXLUDPGL]HUDRV
RXVHMDRVYiULRVPLQLVWpULRVPDVSULQFLSDOPHQWHR6,6( DSHGLGRGRSUH- LQYHVWLGRUHVIRLTXHR*RYHUQRGH0RoDPELTXHWLQKDXPDFULVHGDGtYL-
VLGHQWHHQYLDUHPSURSRVWDV GHFRWDo}HV DHVWDOHLURV>SUHFLVDPRVWHUQRPHV@ GDLPLQHQWHJUDoDVDRVHPSUpVWLPRVGD3URLQGLFXVHGD0$0FRPHVVHV
SDUDRIDEULFRGHXPDIURWD1mRKDYLDDQHFHVVLGDGHOHJDOGHWHUXPFRQFXUVR PHVPRVEDQFRVHSHVVRDVLQGLYLGXDLVRVWLQKDPYHQGLGR4XDQGR
S~EOLFRXPDYH]TXHDVUHJUDVGHFRQWUDWDomRQmRVHDSOLFDPDHPSUHVDVSUL- WRGRRFDVWHORGHFDUWDVLQHYLWDYHOPHQWHHQWURXHPFRODSVRDV(X-
YDGDVPDVPHVPRDVVLPSURFXUDUDPYiULDVSURSRVWDV$3(1$6$$'0>HQWL- URERQGVDSRLDGDVSRUJDUDQWLDVGRJRYHUQRUHYHODUDPVHLQ~WHLV8P
GDGHGD3ULYLQYHVW@UHVSRQGHXFRPRSDFRWHFRPSOHWRHRIHUHFHXXPDVROXomR PrVDSyVDWURFDWHUVLGRIHLWDWRGDVDVWUrVHPSUHVDVHVWDWDLVGHL[DUDP
LQWHJUDGDFRPYLJLOkQFLDGHSHVFDFHQWURGHFRPDQGRHEDUFRVµ GHSDJDURVVHXVHPSUpVWLPRV8PDQRGHSRLVHOHVHQWUDUDPHPGHIDXOW
QRYDPHQWH
Email:GH-XOKRGH%RXVWDQLUHVSRQGHD3HDUVHH6XEHYD
(VWLPDVHTXH%RXVWDQLWHQKDUHFHELGRPLOK}HVGH86'GRHV-
´'LJDPTXHHOHVHQWUDUDPHPFRQWDWRFRPHVWDOHLURVVXODIULFDQRVHVSDQKROH TXHPDIUDXGXOHQWRGD3ULYLQYHVW3HDUVHUHFHEHXPLOK}HV6LQJK
SRUWXJXrV6HPQRPHDU2OLEHORGDMXVWLoDDPHULFDQDDFXVD6LQJKGHIDEULFDU PLOK}HVH6XEHYDPLOK}HVGH86'
´LQIRUPDo}HVIDOVDVVREUHSURSRVWDVQXPPHPRUDQGRTXHHVFUHYHXHHQYLRXDR
&UHGLW6XLVVHHP$JRVWRGHSDUDREWHUDDSURYDomRGRHPSUpVWLPR(0$- $DFXVDomRIRUQHFHSRXFDVLQIRUPDo}HVVREUHREDQFRUXVVR97%H
780DÀUPDQGRIDOVDPHQWHTXHDSURSRVWDGD3ULYLQYHVWIRLFRQVLGHUDGDDPDLV VXDÀOLDOHP/RQGUHV2VQHJyFLRVIRUDPLQLFLDOPHQWHDFRUGDGRVHQWUH
FRPSHWLWLYDHPFRPSDUDomRFRPDVOLFLWDo}HVGHRXWUDVWUrVHPSUHVDVLQWHUQD- D3ULYLQYHVWHR&UHGLW6XLVVH$97%YHLRGHSRLVDGLFLRQDQGRGLQKHL-
FLRQDLVµ URDRVHPSUpVWLPRV3URLQGLFXVH(PDWXP1RWHUFHLURHPSUpVWLPRj
0R]DPELTXH$VVHW0DQDJHPHQWR&UHGLW6XLVVHMiQmRHVWDYDHQYROYLGR
Email:GH$JRVWRGH6XEHYDHVFUHYHD%RXVWDQL H R HPSUpVWLPR HUD DSHQDV GD 97% 1R HQWDQWR D DFXVDomR WHP  SRXFD
LQIRUPDomRVREUHR97%HQHQKXPLQGLYtGXRGR97%SDUHFHHVWDUVHQGR
´/HPEUDUSDUDQmRPHQFLRQDU$QGUHZ>3HDUVH@HDPLPjHTXLSH(OHVQmR SHUVHJXLGR
SRGHPVDEHUTXHHVWDPRVHQYROYLGRVQHVWHSURMHFWR6HKRXYHUXPGHVOL]Hµ
DIVULGAÇÃO
12 Savana 11-01-2019

&RQFOXV}HV PLD(SDUDTXHRDVVXQWRÀFDVVHHVFRQGLGRQXPFtUFXORUHVWULWRGH
2 HQGLYLGDPHQWR RFXOWR IRL XP  PDVVLYR DFWR  GH FRUUXSomR JHUDGR H[WHUQD- SHVVRDVVXERUQRVIRUDPSDJRVDXPDOLVWDH[WHQVDGHTXDGURVGR(VWDGR
PHQWH8PJUXSRSULYDGRGH´LQYHVWLGRUHVµEDVHDGRHP$EX'KDELFRQWDFWRX (FRPDQRomRGHXPDYRQWDGHSROtWLFDFRPSUDGDDRPDLVDOWRQtYHO
DOWRVTXDGURVGRJRYHUQR´YHQGHQGRµDLGHLDGDXUJrQFLDGHLQYHVWLPHQWRQD 5RViULR&KDQJ7HyÀOR1KDQJXPHOHHRXWURVTXDGURVVpULRVGDDGPLQLV-
SURWHFomRFRVWHLUD(UDXPLVFR$HOLWHSROtWLFDORFDOHQJROLXRDQ]RO&RPD WUDomRS~EOLFDHLQÁXHQWHVPHPEURVGDHOLWHGHUDPODUJDVjVXDDPELomR
GHVFREHUWDGRJiVGR5RYXPDHDVUHQGDVFRPDVPDLVYDOLDVGDWUDQVDFomRGH GHHQULTXHFHULOLFLWDPHQWH&KDQJVDELDTXHHVWDYDDXOWUDSDVVDURVOLPLWHV
FDSLWDOQRVHFWRUPLQHUDOHGHKLGURFDUERQHWRVDVHOLWHVQRJRYHUQRDOLPHQ- GDSUXGrQFLDPDVPHVPRDVVLPQmRSDURX
WDUDPDSHUFHSomRGHTXHR(VWDGRHVWDYDÀQDQFHLUDPHQWHFDSD]GHFRQWUDLU
GtYLGDFRPHUFLDOGHDOWRVPRQWDQWHV 2MXOJDPHQWRGH%RXVWDQ\&KDQJHFRPSDQKLDYDLVHUIXQGDPHQWDOSDUD
VHFRPSUHHQGHUTXHPIRUDPRVUHVWDQWHVEHQHÀFLiULRVGRHVTXHPD0DV
-HDQ%RXVWDQ\HQFRQWURXFRPRVHVXVSHLWDHP$QWyQLR&DUORV5RViULRR XPDFRLVDÀFRXGHPRQVWUDGDDYXOQHUDELOLGDGHGRVPHFDQLVPRVGHFRQ-
KRPHPFHUWRSDUDFRQYHQFHUDVHOLWHVQRJRYHUQRDFRPSUDUHPDLGHLD+RXYH WURORLQWHUQRH´FRPSOLDQFHµGR&UHGLW6XLVVHRTXHSHUPLWLXTXHREDQFR
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