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PREFÁCIO

I Que é o Mabinogion?

O título O Mabinogion foi usado pela primeira vez por Lady Charlotte 
Guest em sua tradução de doze contos medievais galeses publicada entre 1838 
e 1849.

A forma  Mabinogion  surge no fim do conto  Pwyll, Príncipe de Dyfed 
(Ac yuelly y teruyna y geing hon yma o'r Mabynnogyon, “Aqui termina este 
ramo   do  Mabinogion”,   frase   que   também   encerra   os   demais   Ramos),   mas, 
comumente,   admite­se   que   o   sentido   do   termo  mabinogi,   na   origem 
significando apenas "infância", tenha depois sido ampliado para abranger um 
conto sobre a infância de um herói em geral.  Mabinogion  seria o plural de 
mabinogi.    

Antes das traduções de Lady Guest, somente os quatro primeiros dentre 
os doze contos eram conhecidos como  Pedeir Ceinc y Mabinogi, "Os Quatro 
Ramos do Mabinogi". Desde então, a palavra Mabinogion tem sido usada como 
um termo conveniente para designar todos os contos, com exceção de  Hanes  
Taliesin, "A História de Taliesin". 

Os textos anônimos foram preservados no  Livro Branco de Rhyderch 
(Llyfr Gwyn Rhydderch), escrito entre 1300 e 1325, e no  Livro Vermelho de 
Hergest  (Llyfr Coch Hergest), escrito entre 1375 e 1425, embora fragmentos 
desses   contos   já   tenham   sido   encontrados   em   manuscritos   do   séc.   XIII   e 
acredite­se que tenham existido muito antes sob a forma   oral. A questão da 
data de composição do Mabinogion é importante, pois pode demonstrar que é 
anterior à História dos Reis da Grã­Bretanha (Historia Regum Britanniae) de 
Geoffrey de Monmouth, sendo a evidência de que o folclore e a cultura galeses 

  desconhecido   fora   de   Gales   até   a   época   de   Lady  Charlotte Guest.   rei   da   Grã­ .   Mesclada   em  seu contexto  está  a  magia dos druidas.   Pwyll   encontra  Arawn  (“Língua   Prateada”). é uma parte da longa. depois. oferece­se para trocar de  lugar com Arawn e lutar contra seu inimigo Hafgan (“Verão Branco”).  Segundo   Ramo):  Branwen casou­se com Matholwch. Príncipe de Dyfed (Pwyll.  pela anglicana. onde era agredida pelo cozinheiro.   Filha   de   Llyr   (Branwen   uerch   Lyr. quando a comitiva de Matholwch  estava  na Grã­Bretanha.  mas   os   irlandeses.  vingaram­se obrigando Branwen a servir na  cozinha do castelo.   assim  obtendo o título de Penannwn  ("Senhor de Annwn").  Pwyll passa um ano sob a forma de Arawn e ganha sua amizade graças  a   suas   boas   maneiras   e   pelo   sucesso   em   sobrepujar   Hafgan.  Ela criou um  pássaro   e   enviou   uma   mensagem   a   Bran.  O  Mabinogion.   o   antigo  pretendente. Ele se casa com  Rhiannon. Essas lendas são: • Pwyll. rei da Irlanda. e deu à luz Gwern.  Primeiro Ramo):  durante   uma   caçada. esses misteriosos "sacerdotes" célticos que mantinham as  antigas tradições e fizeram com que o  Mabinogion  sobrevivesse à conquista  saxônica e ao triunfo do cristianismo alcançado pela igreja romana e.   que   tinham   sofrido   um   grave   insulto   feito   por  Efnyssien. consistente e gloriosa tradição da poesia  galesa   que merece  ser  melhor  conhecida.  II As lendas do Mabinogion O  Mabinogion  propriamente   dito   consiste   de   quatro   lendas. • Branwen. 4 seriam muito mais antigos e resistentes.   também  chamadas Os Quatro Ramos do Mabinogion.   mas   somente   depois   de   derrotar   Gwawl. O casal vive feliz até o nascimento de Pryderi.  Senhor   de  Annwn  (o   Outro   Mundo   da   tradição   céltica)   e.   seu   irmão. Pendeuic Dyuet.   como  compensação por um insulto não intencional. meio­irmão de Branwen.

 ele somente pode viver enquanto seus pés estiverem no  colo de uma virgem. possuindo. Filho de Mathonwy (Math uab Mathonwy. • Math.  capaz de ganhar seu sustento enquanto a terra está enfeitiçada. Como  instrutor e homem de poder. Manawyddan é um homem engenhoso e um mestre artesão. que nutria por  ela uma paixão secreta.   Efnyssien   lançou  Gwern   numa   fogueira   e   seguiu­se   uma   batalha   entre   britanos   e  irlandeses. • Manawyddan. ficaram vivas na ilha somente cinco  mulheres grávidas. mas. cujos filhos foram os fundadores dos Cinco Reinos. No Mabinogion. ela morreu de tristeza e foi supultada num "túmulo de quatro  lados" nas margens do rio Alaw. Neste conto. Seu mito. 5 Bretanha. Terceiro Ramo):  Manawyddan ap Llyr é mencionado no conto  Culhwch e Olwen como  um seguidor de Arthur. é irmão de  Bendigeid Fran  ("Bran. Como  Gwydion   provoca   uma   guerra   entre   Math   e   Pryderi. em Anglesey.   primeiro   marido   de  Rhiannon.  Quarto Ramo): o  filho de Mathonwy é tio de Gwydion. que tem uma  forte   semelhança   com   o   de   Cordélia. Ele era onisciente. Para aliviar a vergonha da jovem. Goewin. ficando sem terras depois da  morte deste e tornando­se marido de Rhiannon. Quanto à Irlanda.   Math   deixa­a  temporariamente.   que   veio   com   um   frota   para   resgatá­la. Filho de Llyr (Manawydan uab Llyr. o  estranho dom de ouvir tudo que era dito em seus domínios tão logo as  palavras fossem transportadas pelos ventos.   como   fica   óbvio   quando   sua   história   é   investigada   com  profundidade.  é um deus  marinho  que  corresponde ao irlandês Mánannan mac Lir. o Abençoado"). um grande  rei. sendo Goewin violada por Gilfaethwy.   é   um   tipo   de  Soberania. entre outras habilidades. Era muito sábio. ele fica no lugar do pai de Pryderi e herda  as qualidades de Pwyll. Ajudou a quebrar os  encantamentos lançados por Llwyd sobre Dyfed como vingança pelo  tratamento   violento   dado   a   Gwawl   por   Pwyll. a não ser em tempo de guerra. Math casa­se  .   filha   de   Lear. originalmente. Gilfaethwy e Arianrhod e irmão  de Penardun.

  seu  sobrinho­neto.   Traços   dos  fatos   permanecem   nas   lendas:   os   galeses   retiveram   seu   nome. diz que ele  fez   de   Conan   Meriadoc   o   governante   da   Bretanha   Menor.   Os   soldados   romanos   que   partiam   tomaram   esposas  estrangeiras. conhecido na tradição galesa como Macsen  Wledig. Gilfaethwy e Gwydion. Vemos assim  como   é   antiga   e   poderosa   a   devoção   dos   Cymry  (galeses)   a   sua  linguagem.   de   forma   que   Macsen  deixa   Roma   para   casar­se   com   ela. Por fim.   um   grito   que   era  ouvido a cada Véspera de Maio e que fazia murcharem as lavouras. mensageiros finalmente informam  que   esta   realmente   existe   em  Cymru  (Gales). cortaram suas línguas para que não  pudessem corromper o idioma britânico de seus filhos. transformando­ os   em   vários   animais. Foi o rei da  Grã­Bretanha que reconstruiu a cidade de Londres.   “a   raça   dos  Coranianos”).). Neste conto.  .     • Lludd e Llefelys: Lludd é filho de Beli e irmão de Llefelys. mas.  subjacente  à lenda.   assim   deixando   a   Grã­Bretanha   sem   proteção. Geoffrey de Monmouth. conta a lenda.   Seu   nome   é   Elen.   que  aparece em várias genealogias de famílias nobres como uma conexão  imperial. imperador do  Ocidente. C.  o imperador sonha com uma mulher desconhecida  por quem fica apaixonado.   na   atual  França.  mas  levou muitas tropas da ilha em sua luta contra Gratianus. que o chama Maximianus.   O   Maximus  histórico.   É   com   a   ajuda   de   Gwydion   que   Math   cria  Blodeuwedd   com   flores   como   noiva   para   Llew   Llaw   Gyffes.  Caer London.   Magnus  Maximus (383­388 d.   Sete outros contos foram associados aos Quatro Ramos: • O   Sonho   de   Macsen   Wledig:   um   imperador   romano. Três pragas caíram sobre a ilha: uma  raça   chamada  Coranianos  (genedyl   y   Coraneit. cujo nome vem do  rei:  Caer Lludd.   que   podia   saber   tudo   que   era   dito. realmente  serviu na Grã­Bretanha. 6 com ela e pune seus sobrinhos.

 Goleuddydd (“Dia Brilhante”).   Seu   pai   casou­se   outra   vez  depois da morte de Goleuddydd. que o grito era provocado por dragões que seriam vencidos depois  de se embebedarem com hidromel forte. roubar toda a comida. ou Treze Tesouros da Grã­Bretanha ­ um  feito que é também relatado num poema galês do séc. um javali gigante. para o que seria necessário o  auxílio de vários cavalos específicos.   que   deveriam   ser  cumpridas   antes   de   casar­se   com   Olwen. cães de caça e homens. e que o ladrão das provisões era  um homem de poder capaz de lançar um feitiço de sono sobre a corte e. Na corte de Yspaddaden. o Preiddeu  Annwn.   ou   "Chiqueiro".   o   jovem   miraculoso. chefe  dos gigantes”). A principal tarefa era  caçar o Twrch Trwyth. deu­o à luz depois  de ficar apavorada com a visão de uma vara de porcos.     • Culhwch e Olwen: Culhwch é o filho de Celyddon Wledig e sobrinho  de Arthur. incluindo  Mabon. de modo que ele  foi   chamado  Culhwch.   cujo   encontro   é   narrado   nesse   conto. Culhwch recebeu  trinta   e   nove  anoethu  ou   tarefas   impossíveis. IX. Lludd venceu as três pragas e a paz da ilha  foi restabelecida. atribuído ao bardo Taliesin.  então. • O Sonho de Rhonabwy: Rhonabwy adormece a sonha que Arthur e  . O poder  de Yspaddaden é vencido e Culhwch casa­se com Olwen.   todas   as   quais   foram  cumpridas com a ajuda dos cavaleiros de Arthur. 7 matava   os   animais   e   crianças   e   deixava   as   mulheres   estéreis   e   o  desaparecimento   dos   mantimentos   do   rei. "Os Espólios de Annwn". Sua mãe.  Outras missões incluem a viagem de Arthur ao Outro Mundo para obter  alguns dos Objetos Sagrados. A madrasta de Culhwch lançou um  feitiço sobre ele para que não pudesse casar­se senão com  Olwen  (“a  dos rastros brancos”). sendo necessário enterrá­los  exatamente no centro da Grã­Bretanha.   Lludd   procurou   conselhos  junto a seu irmão. o gigante. que lhe disse que os Coranianos seriam  vencidos   depois   de   beberem   uma   infusão   de   insetos   esmagados   em  água. filha de Yspaddaden Pencawr (“espinheiro. Llefelys.

 até que Arthur. Peredur era o sétimo  filho de Efrawg e o único do sexo masculino a sobreviver. Owain derrota o Cavaleiro Negro e casa com sua viúva. sai em busca do  Castelo da Fonte. mas os jogadores apenas continuam com seu  passatempo. o filho de Clydno ­ um dos guerreiros de Arthur ­ e  amante de  Morfudd.  que era guardado pelo Cavaleiro Negro. ele vence seu ressentimento e guarda o reino  até que sua sede por aventuras o faz partir. deixando para trás a esposa. inspirado pelo conto de Cynon (na tradição  galesa.  Após um começo difícil.  XIX acreditavam que os contos baseavam­se nos próprios poemas de Chrétien. Depois de entrar nesse lugar  sobrenatural. Três dos contos são versões galesas de romances arturianos que também  aparecem no trabalho de Chrétien (ou Chréstien) de Troyes. A narração de  O Sonho de Macsen Wledig  é uma história  romântica sobre o imperador romano Magnus Maximus. esmaga  as peças. de  Chrétien de Troyes. os cavaleiros de Arthur lutam  com os corvos de Owain. Os críticos do séc.   Os contos  Culhwch e Olwen  e  O Sonho de Rhonabwy  despertaram o  interesse   dos   estudiosos   por   preservarem   tradições   mais   antigas   do   que   o  material arturiano. Durante o jogo.   • Peredur. 8 Owain estão jogando  gwyddbwyll  (um jogo de tabuleiro céltico) ante  um campo de batalha. Isso não impediu  Peredur   de   tornar­se   um   dos   cavaleiros   de   Arthur   e   suas   muitas  . Ele atravessou o mais belo vale  e viu um brilhante castelo numa colina. O jogo talvez simbolizasse uma batalha pela soberania. mas têm um ancestral comum:  • A Dama da Fonte: Owain. Filho de Efrawg: na mitologia galesa.  Dama da Fonte é também o título da condessa misteriosa no Yvain. irmã gêmea de Owain). Seu pai e  irmãos morreram antes que ele atingisse a maioridade.  mas as opiniões mais recentes inclinam­se a afirmar que as duas coleções são  independentes. impaciente por começar a perder.

  pode   ter   pertencido   a   uma   geração  anterior. no.   • Gereint. seu filho. No  romance  francês. no entanto. mas em um manuscrito do séc. Peredur era particularmente  adepto   de   matar   bruxas. mas. com sua espada. não encontrado nem no Livro Branco de Rhyderch.   Este  pode ser uma figura histórica. Como outras  fortes  heroínas  célticas.  era um contemporâneo de Arthur. 9 aventuras  formaram a base para o  Sir Percival  posterior. que. nem  no Livro Vermelho de Hergest. na Vida de São Cyby.   ela   suporta   calmamente   sua   provação.   em   Gales. Filho de Erbin: Gereint é o rei de Dumnonia (reino que. O nome do pai de Gereint é citado  como Erbin.   substituíram­no   por   Gereint. continuam a usar  o termo Mabinogion).        Lady   Guest   também   incluiu   em   sua   tradução   um   oitavo   conto  (removido das traduções inglesas posteriores.   suspeitando   que   sua   esposa   é   infiel. Erbin é chamado seu filho. Ermid  e   Dywel.   Gereint   finalmente   sentiu   “duas  tristezas”. Talvez  por  causa de sua posição como sétimo filho. Embora seja listado  como   contemporâneo   desse   rei.  período pós­romano.   que.   o  herói  deste   conto   é   Erec. Peredur enfrenta a “líder das bruxas” e.   compareciam   ao   campo   de  batalha   trajando   armaduras   completas. um primo de Arthur.   força­a   a  acompanhá­lo numa exaustiva jornada de aventuras para testar seu amor  e obediência  a cada passo do caminho.  como  este   não   é  comumente   conhecido   em   Gales. do remorso por ter desconfiado de sua esposa  e por tratá­la  tão mal. pois o conto O Sonho de Rhonabwy diz que Cadwy.     Gereint.   No   fim   de   seu   conto   no  Mabinogion. enquanto as demais feiticeiras  fogem.   permanecendo   leal   e  amorosa   durante   todo   o   tempo. a Cornualha  e outras  áreas  do  sudoeste da Inglaterra) cujas aventuras são contadas nesta narrativa.   mas. XVII:   . Em  Culhwch e Olwen.  rompe elmo e armadura em duas partes. abrangia  Devon. encontramos os nomes de dois de seus irmãos.

  histórias   medievais   e   seus  personagens comportam­se. As  . ainda que sejam produto de uma  sociedade cristã da Idade Média.  Enquanto Gwion Bach cuidava do fogo sob o caldeirão. Essa  pessoa   conheceria   todos   os   segredos   do   passado. O  Mabinogion  é verdadeiramente uma peça encantadora da literatura  galesa. Eram as  três gotas da sabedoria. foi jogado ao mar e apanhado numa armadilha para peixes. renascido de  Cerridwen.  de acordo com o mito. e chamava­se  Gwion Bach. Mais tarde. os  Quatro Ramos baseiam­se também numa  visão de mundo profundamente pagã.  Todo o líquido restante era veneno. Gwion.   Suas   maneiras   são   (em   geral)   corteses   e   refinadas. mãe de Afagddu. o homem mais  feio do mundo. 10 • Taliesin – seu nome significa “Testa Brilhante”.   metamorfoseada   em   galinha. Cerridwen preparava uma  beberagem   mágica   que. uma parte do  líquido quente caiu em seu dedo e ele a sorveu ao sentir a dor. Foi um bardo galês  e.  toucados e outros itens medievais.   produziria   três  gotas que dariam a quem as bebesse toda a sabedoria do mundo. proveniente de tradições e crenças das  culturas neolíticas e da Idade do Bronze. a primeira  pessoa a adquirir a habilidade  da  profecia.   essencialmente. uma deusa da fertilidade.      Os  Quatro   Ramos  são. sedas.   XIV.   que   Cerridwen. bem como da Idade do Ferro céltica e  da era romano­britânica. Ela queria dá­las a Afagddu como compensação por sua feiúra.   Em   uma   versão   da   história. Contudo.  quando passou a chamar­se Taliesin por causa de sua testa brilhante. num peixe e  num   grão   de   trigo.   depois   de   um   ano   fervendo.   do   presente   e   do  futuro. ele se transformou numa lebre. falam e vivem de modo muito semelhante a sua  audiência   do   séc.   ele   é   o   servo   da   feiticeira  Cerridwen. descobrindo­se então grávida. Durante a caçada.  invocam freqüentemente o deus cristão e suas roupas incluem brocados. A furiosa  Cerridwen empregou todos os seus poderes mágicos para perseguir o  menino. que abre caminho a fantásticas narrativas dramáticas  capazes de encher  a mente do leitor com a vibrante e imaginativa natureza do povo céltico.  engoliu.

 gigantes. pela primeira vez. metamorfoses  mágicas   e   muitos   outros   elementos   ancestrais   que   permeiam   a   mente   mais  recôndita do homem ocidental. vi.  atravessando   a   Idade   Média   e   chegando   à   era   dos   computadores   sem   nada  perderem de seu brilho e grandeza épica.  Derrotados em suas batalhas contra romanos e saxões. em um livro de história. uma reprodução de  uma página do famoso  Livro de Kells. contatos com seres sobrenaturais.  cavaleiros e magos.  Podemos   considerar  Os   Quatro   Ramos   do   Mabinogion  como   uma  introdução ao imaginário  onírico dos celtas. desastradamente no  começo. 11 duras realidades históricas são transformadas por uma sensibilidade sonhadora. O fascínio por aquelas cores. quando. os celtas acharam  nos mitos um local de refúgio onde seus velhos deuses. verdadeiro para a  percepção mítica dos celtas.   III Sobre esta tradução Os celtas são uma paixão antiga. com suas muitas  referências  às  crenças pré­cristãs: viagens ao Outro Mundo. encontraram abrigo seguro contra a passagem do tempo. aos sete  ou oito anos.   a   copiá­las   e   criar   outros   padrões   de   inspiração   céltica   em   meus  cadernos escolares no meio de aulas que me davam sono. não podia de forma alguma imaginar que a imensa riqueza dos mitos  célticos fosse tão estonteante quanto suas artes visuais. . caldeirões miraculosos.  que submete a mente com um imaginário antigo e primitivo. disfarçados de reis. Passei.   pertencente   a   uma   irmã   da   minha   avó  materna).  montes e castelos encantados. que vem da infância. curvas e  espirais capazes de confundir os olhos foi imediato. Embora desde pequeno fosse acostumado aos contos sobre os cavaleiros  da Távola Redonda (que conheci de forma resumida numa edição do Tesouro  da   Juventude  da   década   de   1920.

  religião.   foram   utilizados   os   textos   originais   em   galês  medieval   e   versões   para   a   língua   inglesa.  confiando­se que  o Leitor  interessado  saberá informar­se por si  mesmo e garantindo seu prazer na descoberta de novos dados que irão agregar­ se e completar as variadas informações já contidas neste livro.  Assim. no sul de Gales. . Pryderi. tanto quanto possível. 12 Para   esta   tradução. o Mundo Inferior dos Mortos e do Povo  das Fadas na tradição britânica. Pwyll trava uma batalha no lugar de Arawn. Senhor de Annwn.   moradia   vestuário   e  alimentação. Pwyll.   sobretudo   a   de   Lady   Guest   que.  Bellovesos Isarnos O PRIMEIRO RAMO DO MABINOGION PWYLL. freqüentemente montes artificiais  de sepultamentos pré­históricos. o Não­Lugar. Tais montes são antigos lugares tribais de reunião.   foram   grandemente   reduzidas   ou   mesmo  suprimidas. nascido na Véspera de Maio. continua a ser considerada uma  tradução clássica em língua inglesa e é sumamente esclarecedora pelo conteúdo  de suas Notas aos Quatro Ramos.   que   ele   encontrou   inicialmente   num   montículo  gorsedd. governante do reino de Dyfed.   por   exemplo. que  continuará a aparecer em cada conto restante dos Quatro Ramos. Resisti. literalmente. a transformar  esta  obra  numa  espécie   de “enciclopédia”   resumida  sobre os   celtas. troca de lugar com  Arawn. Rhiannon é a evemerização de uma deusa eqüina   pré­cristã  que encarna a soberania da terra. Eles têm um filho. selando assim uma  duradoura amizade entre sua terra e o Outro Mundo.  observações   sobre   organização   social. Voltando ao mundo dos homens. Pwyll se  casa   com   uma   mulher   chamada   Rhiannon.  apesar de às vezes sofrer determinadas críticas. PRÍNCIPE DE DYFED Introdução No Primeiro Ramo.

13 I Pwyll encontra Arawn. esses cães  alcançaram­no   e   o   derrubaram. príncipe de Dyfed2. açulando seus próprios cães contra a presa. Assim que o veado chegou ao meio da clareira. brilhante. Quando seus cães  chegaram à extremidade da clareira.   começando   a  caçada tão logo soltou os cachorros no bosque e soou o chifre.   Pwyll   nem  prestou   atenção   ao   veado. era o senhor das Sete  Províncias   de   Dyfed. onde pernoitou. Pwyll seguiu os  galgos   e   acabou   perdendo­se   de   seus   companheiros. wyll1. tão lustrosas quanto a brancura de seus corpos.   percebeu   vindo   em   sua   direção   um   cavaleiro  montado num grande corcel cinza­claro. ele  partiu   de   Narberth   à   noite   e   foi   até   Llwyn  Diarwyd.   Ele   escutava   ainda   o  ladrido de seus cães de caça. sei quem sois e não vos saúdo. Assim. seu palácio principal. O cavaleiro parou  perto dele e falou­lhe então: ­ Príncipe – disse ele ­.   ele   estava   em  Narberth.   de   todos   os   mastins   que   já   tinha   visto   no  mundo. trazendo um chifre de caça ao redor do  pescoço e trajando vestes de lã cinzenta próprias para caçar.   sendo  Glyn   Cuch3  a   parte   de   seus  domínios em que lhe agradava caçar.   pois. Enquanto   Pwyll   atiçava­os. Levantou­se bem cedo  pela   manhã   e   foi   a   Glyn   Cuch. e teve desejo de  sair   e  caçar.  aproximando­se dele na direção oposta. Seu pelo era de um branco lustroso.   Certa   vez. nenhum era como estes.     Viu então uma clareira no mato formando uma área limpa. mas ouviu outros cães latindo.  e suas orelhas eram vermelhas. diferentes dos seus. Pwyll avistou um veado perseguido pelos  outros cachorros.  Ele veio na direção dos cachorros que tinham derrubado o veado e afugentou­ os. ­ Porventura – respondeu Pwyll – possuís dignidade tal que poderíeis não o  .   Olhando   a   cor   dos   cachorros.

 mas. no  entanto. ­ Com prazer o farei.   o   que  facilmente podeis fazer. ­ Sou um rei coroado na terra de onde venho. ­ Senhor. ­ Que é então. – Há um homem cujos  domínios são opostos aos meus e que está sempre guerreando contra mim. ó príncipe? – perguntou Pwyll. a razão é vossa própria ignorância e falta de cortesia! ­ Qual descortesia. Vede. não é minha dignidade que me impede. É  Hafgan. quando um ano se passar. eu sou. um rei de Annwfyn5. comparecei lá sob a minha aparência e. nenhum oficial. Farei uma firme amizade  convosco. Mostrai­me como é possível. ­ Sim – disse Pwyll ­. Enviar­vos­ei a Annwfyn em meu lugar. mas declaro ao Céu que hei  de trazer­vos mais desonra que o valor de cem veados! ­ Príncipe. ­ Como a recuperareis? ­ De acordo com qual possa ser vossa dignidade. posso não me vingar de vós pessoalmente. nem qualquer outro homem que algum  dia me seguiu saberá que não sou eu. príncipe. vistes em mim? ­   Jamais   vi  descortesia  maior   do que  espantar  os  cães  alheios  que  estavam  matando o veado e jogar sobre a presa os seus próprios. como posso ganhar vossa amizade? ­ Depois de agir desse modo.   um   rei   de   Annwfyn.   por   libertar­me   de   tal   opressão. 14 fazer.   ainda   mais.   e. ­ Mostrar­vos­ei. dar­vos­ei a mais adorável  mulher   que   jamais   vistes   para   dormir   convosco   toda   noite   e. com  . como podeis fazer. como descobrirei esse de  quem falais? ­ Em um ano a contar desta noite – respondeu Arawn – é o tempo marcado para  que nos encontremos em campo. Isso será pelo espaço de um ano a partir  de amanhã e então nos encontraremos neste lugar. – Arawn4. ­ Verdadeiramente. ­ Senhor. então. mas não sei quem sois. Isso foi descortês e. ­ Pelos Céus.  colocarei sobre vós minha forma e minha semelhança. se procedi mal saberei recuperar vossa amizade. vós ainda o podeis – disse. de modo que nenhum  pajem da câmara real. possa o dia fazer­vos prosperar. ganhareis minha amizade. E de qual terra vindes? ­ De Annwfyn – respondeu ele.

­ Vede – disse Arawn – a corte e o reino em vosso poder.  Com eles entrou igualmente a rainha e ele nunca vira mulher tão formosa. 15 um só golpe que lhe deis. Entrai na corte. bem como a  . que farei em relação ao meu reino? – perguntou Pwyll. pois. ­ Claro será vosso caminho. E. Arawn conduziu­o até avistarem o palácio e suas habitações. nem homem.  ele lutou comigo no dia seguinte tão bem como antes.  nem  mulher. ­ Na verdade. Assim. II Na Corte de Annwfyn.  não o façais. ele já não viverá. sabereis  quais são seus costumes. se ele pedir que lhe deis outro. vestindo­o com uma túnica de seda e ouro. Ele começou a conversar com a rainha e pensou. nada vos deterá até que entreis em meus domínios  e eu próprio serei vosso guia. quando entrou. em razão de suas palavras. foram para a  mesa e sentaram­se. não importa o quanto insista convosco. Ele entrou no salão  para   desmontar.   vindo   jovens   e   pajens   auxiliá­lo.  que ela era a senhora mais decente e de mais nobre conversação. Vieram dois cavaleiros e tiraram­lhes  as roupas de caça.   saiba   que   eu   não   sou   vós   e   lá   estarei   em   vosso   lugar   –   prometeu  Arawn. quando eu o atendi. quando virdes  os  serviços  lá feitos. Eles se lavaram.   os   quais   os   saudaram   ao  adentrarem as dependências do palácio. contemplou dormitórios  e salões e câmaras e os mais belos edifícios jamais vistos. a rainha a um lado de Pwyll e do outro um que parecia ser  um conde. Este era o mais  gracioso dos anfitriões  e o mais  bem  equipado que Pwyll havia  conhecido. O salão estava  preparado e Pwyll viu a mansão e o anfitrião que nela entrava. Pwyll então se adiantou para a corte e.  ninguém  lá vos  reconhecerá  e. ­  Farei com que ninguém em todos  os vossos domínios. Ela  trajava uma túnica de brilhante cetim amarelo. ­ Então prazerosamente seguirei adiante.

 escutai bem.   embora   durante   o   ano   que   se   seguiu   noite  alguma fosse diferente da primeira. assim cada  um de vós fique apartado e deixe que a luta se dê entre eles somente. festejando.  Mas. Quando chegou a hora de dormir. Logo após. Pwyll e sua rainha foram para o leito. pelo amor do Céu. Cada um reclama do outro sua terra e território. Este encontro é entre estes dois homens e  entre eles apenas. os reis encontraram­se no meio do campo e. completai vosso  trabalho. sua armadura quebrou­se e o próprio Hafgan  foi lançado ao solo pela distância de um braço e uma lança por cima de seu  cavalo. Ele  virou   seu   rosto   para   a   beira   da   cama   e   deu­lhe   as   costas. 16 mais   alegre   que   já   houvera. um cavaleiro ergueu­se e falou: ­ Senhores – disse ­. E. assim. recebendo um ferimento mortal.  ­ Ó chefe – falou Hafgan ­. No dia seguinte.   Partilharam   a   carne   e   a   bebida. ­ Príncipe – replicou Pwyll ­. Faça­o  quem o possa. era esta a melhor provida de comida e  bebida e recipientes de ouro e jóias reais. Minha morte  .  o homem que estava no lugar de Arawn golpeou Hafgan bem no centro de seu  escudo e este se partiu em dois. ­ Meus fiéis senhores – gemeu Hafgan ­.   cantando   e  festejando. uma vez que começastes a matar­me. porque me mataríeis.  quando essa noite chegou. o carinho e a afeição  voltavam   à   conversação   deles. divertindo­se e  tagarelando com seus companheiros até chegar a noite fixada para a luta. De todas as cortes na terra. III Pwyll mata Hafgan. que direito tendes de provocar minha morte? Eu  não vos estava prejudicando em nada e não sei. Chegando todos ao campo. socorrei­me desde agora.   não   lhe   dizendo  palavra alguma antes que amanhecesse. pois eu não o farei. ao primeiro empurrão. lembraram­se dela até mesmo aqueles que viviam  nas regiões mais distantes de seus domínios. Pwyll foi ao encontro e os nobres  do reino com ele. Pwyll levou o ano a caçar e ouvir os menestréis. posso ainda arrepender­me por matar­vos.

Ele recebeu depois as homenagens dos homens e começou a conquista do país. possa o Céu recompensar­vos pela vossa  amizade por mim.  No dia seguinte.  Pwyll. começando  a   indagar   dos   nobres   da   terra   como   fora   seu   governo   no   último   ano   em  comparação com o que antes tinha sido. O dia da chegada foi gasto  com alegria e divertimentos e Arawn sentou­se com sua esposa e seus nobres. pois já não  há rei algum sobre Annwfyn além de vós.   príncipe   de   Dyfed. eu ouvi falar disso! Quando vós mesmo chegardes a vossos  domínios.  ­ O Céu possa premiar­vos por qualquer coisa que tenhais feito por mim –  respondeu­lhe Pwyll. 17 chegou. ­ Senhor – disseram os nobres ­.   Arawn   restituiu   a   Pwyll. . ele foi manter seu compromisso e chegou a Glyn Cuch. ­   Sim  – disse  Pwyll  ­. ­ Meus nobres – também falou aquele que estava sob a semelhança de Arawn ­. Então.   Arawn   partiu   para   a   Corte   de  Annwfyn e alegrou­se ao contemplar os habitantes e o palácio que não vira por  um tão longo tempo. como não chegaram a perceber sua ausência. Não mais serei capaz de apoiar­vos.  deliberai e dizei quem deveriam ser os meus homens. os dois reinos estavam em seu poder. o rei de Annwfyn esperava para encontrá­lo e cada um  regozijou­se ao ver o outro. veio igualmente ao seu país e domínios.   foram   todos  descansar.  Logo depois. não  se espantaram de sua vinda mais do que o habitual. todos poderiam ser vossos homens.   sua   própria   forma   e  semelhança   e   ele   próprio   retomou   as   suas. vereis o que fiz por vós.  está  certo  que  aquele  que  vem  com  humildade  seja  recebido   graciosamente. príncipe de Dyfed. Porém.  Quando   já   era   mais   hora   de   dormir   que   de   divertirem­se.  ­ Verdadeiramente – disse Arawn  ­. por volta do meio­dia. Quando chegou lá.   mas   aquele   que   não   vem   com   obediência   seja  compelido pela força das espadas.

  E   no   alto   do   monte   sentou­se. Lá irei então me sentar no monte. falcões e todas as jóias que pensaram poderiam agradar  ao outro. 18 ­ Senhor – disseram eles ­. nunca fostes  tão gentil ou tão liberal ao distribuirdes vossos dons e em época alguma vossa  justiça foi vista assim tão meritória quanto no último ano. Disse­lhe um da corte: ­ Senhor. em um só dia unindo os dois reinos através de  seu valor e coragem. desde aquela época em diante Pwyll perdeu seu título de  príncipe de Dyfed e foi chamado de “Senhor de Annwfyn”. – Por todo o bem de que desfrutastes deveríeis  agradecer­lhe pelo que vos fez. Pwyll levantou­se e subiu ao topo de um monte6 que estava  além do palácio. ­ Tomo o Céu como testemunha de que não vô­lo negarei – respondeu Pwyll. E depois Pwyll relatou­lhes toda a aventura. ­ Eu – respondeu Pwyll – não temo receber ferimentos ou golpes no meio de  uma multidão como esta. pelo modo como se resolveu esse assunto. seu palácio principal onde uma festa fora  preparada para ele. Pwyll estava em Narberth. E desde então fortaleceram a amizade que havia entre eles e cada um enviou ao  outro cavalos. ­ Em verdade. porém. rendei graças ao Céu por haverdes  alcançado tal amizade e não nos negueis o governo de que desfrutamos neste  ano que passou. IV Rhiannon. jamais foi tão grande vossa sabedoria. e com ele havia uma grande multidão de homens. Por motivo da sua permanência daquele ano em Annwfyn. é próprio deste monte que qualquer um a sentar­se sobre ele não  possa   partir   sem   antes   receber   ferimentos   ou   golpes   ou   ainda   ver   alguma  maravilha. por havê­ lo governado tão prosperamente. ­ Pelo Céu! – exclamou Pwyll. Certa vez.   Enquanto   lá   estava   sentado. Agradar­me­ia muito. Após a  primeira refeição. galgos. senhor – disseram eles ­. ver essa maravilha de  que falais.   viu   uma   dama  . chamado Gorsedd Arberth.

 com as mesmas vestes e  vindo pela mesma estrada.  Estando já sentados. Contudo. O cavalo dele começou a falhar  e. ­ Na verdade – respondeu Pwyll ­. . ­ Realmente. Levantaram­se no dia  seguinte e estiveram no palácio até a hora de comer. senhor – tornaram eles. ­ Vá um de vós e conheça­a para que possamos saber quem é. quanto mais o apressava. E tu – disse ele  para um dos rapazes que o acompanhavam ­.   Chegou   a   um   descampado   e  esporeou seu cavalo.  ­   Senhor – disse ele  ­.   envolvida   numa   veste   de  dourado brilhante. Pwyll  determinou: ­ O mesmo grupo de ontem. 19 montada   num   grande   cavalo   puramente   branco. retornou a Pwyll e disse­lhe: ­ Senhor. mantendo ainda o mesmo passo de antes. O  homem seguiu­a tão depressa quanto pôde estando a pé. viram a dama no mesmo cavalo. Um deles  ergueu­se e foi até a estrada para conhecê­la. o qual não foi  capaz de ajudar­me a perseguí­la. ninguém  terá  proveito  em seguir  aquela  dama. deve haver alguma ilusão aqui. Assim fez o jovem e foram todos para o monte. mais ela se distanciava dele. e. Depois da refeição. ­ Homens – disse Pwyll ­. levando o cavalo consigo. quanto maior era sua  velocidade. vai ao palácio. mais ela se afastava  dele. é impossível a qualquer um no mundo seguí­la a pé. quando as patas do animal deram sinal de que não prosseguiriam. o cavaleiro  retornou ao lugar em que Pwyll estava. Ao perceber que de nada lhe adiantaria  seguí­la. toma o cavalo mais rápido que vires e persegue­a –  ordenou o príncipe. Partamos  para o palácio. mas ela passou. vindo pela estrada que partia do monte. nós iremos para o topo do monte. há algum dentre vós que conheça aquela dama? ­ Não há. Ele   tomou   então   um   cavalo   e   seguiu   adiante. Partiram assim para o palácio e lá passaram aquele dia. Não  conheço nestes reinos qualquer cavalo mais  rápido que este. leva ao campo o mais rápido  cavalo que conheceres.

  para saber quem ela é. ­ Senhor – disse ele ­. eles se divertiram até chegar a hora de comer e. pelo Céu. Entretanto. ­   Percebo sem dúvida que não seria de auxílio  a qualquer  um que devesse  seguí­la. colocou­se a caminho e pensou que. mas ela passou antes mesmo que ele se houvesse acomodado na sela e  havia um claro espaço entre eles. Mas voltemos ao palácio. quanto mais apressava seu cavalo. não chegou mais  perto dela do que se estivesse a pé e. O jovem. o cavalo não pode mais nada além do que já vistes. eu vejo a dama chegando. E. aqui estamos. ­ Rapaz – disse Pwyll ­.  isso não o serviu e ele deu de rédeas no cavalo.  da mesma maneira e com o mesmo passo. E para o palácio eles foram. eis ali a mesma dama de ontem! Fica pronto jovem. apressa­te com ele para a estrada e  traze também minhas esporas contigo. Ao ver que de nada lhe adiantaria seguí­la. mais  ela se distanciava dele. 20 ­ Vede – exclamou Pwyll ­. pois. quando a  refeição terminou. veio a dama na direção oposta à deles. não cavalgava mais rápido do que  antes. ­  Vamos  ao monte  e sentemo­nos  lá. retornou ao lugar onde Pwyll  estava. perceberam a dama vindo pela mesma estrada. haveria de alcançá­la rapidamente. E tu – ordenava  Pwyll ao pajem  que  conduzia seu cavalo ­. Pwyll disse: ­  Onde estão todos aqueles  que ontem e no dia anterior  foram ao cimo  do  monte? ­ Vede. Logo depois. sela bem meu cavalo. apesar do  passo suave de sua montaria. No dia seguinte. Dá­me meu cavalo. embora a velocidade dela não fosse maior que  a do dia anterior. senhor – responderam eles ­. E eles foram e sentaram­se no monte. Ainda assim. meu senhor. E o rapaz montou no  cavalo. passando aquela noite com canções e celebração. contudo. Antes que estivessem  lá por mais que um curto tempo. Assim fez o jovem. se sua pressa nos permite afirmá­lo. . A dama. ela deve ter alguma tarefa a cumprir para alguém nesta  planície. ­ Fá­lo­ei alegremente.  como lhes agradou.

 Mas eu não teria um marido em razão do meu amor por vós e  nem terei um. ­ Maior será meu prazer quanto mais cedo puder fazê­lo e irei encontrar­me  convosco em qualquer lugar onde o desejeis. a vós eu escolheria. Fez então o  cavalo acelerar­se à velocidade máxima.   de   modo   que   esteja   pronto  . essa é para mim a mais agradável procura que vos poderia ter trazido. ­ Ó donzela – gritou­lhe Pwyll ­. pelo amor de quem mais amais. ­ Desejo que me encontreis em um ano a contar deste dia no palácio de Hefeyd. ­ Com prazer vos esperarei – disse ela – e seria melhor para o vosso cavalo que  o tivésseis pedido desde logo.  E   farei   com   que   seja   preparado   um   banquete.  mas não conseguiu chegar mais perto do que estava no princípio. de onde vindes e para onde vos dirigis em vossa  jornada? ­ Viajo a meu próprio serviço e estou certamente contente em vos ver. esta é a minha resposta: pudesse eu escolher entre todas as damas e  donzelas do mundo. não quereis dizer­me algo acerca do vosso propósito? ­ Contar­vos­ei – disse ela. 21 Mas   ela   passou   por   ele   antes   mesmo   que   houvesse   acabado   de   montar   no  cavalo.  Fixou seus olhos em Pwyll e começou a falar­lhe. E aqui eu vim ouvir vossa resposta. ­ Senhora – perguntou ele ­. – minha principal busca era para encontrar­vos. ­ Senhora. Pwyll virou depois dela e seguiu­a. filha de Hefeyd Hen8 e procuram dar­me um marido contra  minha vontade. a menos que me rejeiteis. Ele deixou que seu cavalo saltasse  alegremente e pensou que se aproximaria dela no segundo ou terceiro salto. esperai­me. Pwyll então pensou que a beleza de todas as donzelas e de todas as damas que  jamais vira não era nada em comparação com a dessa jovem. fazei a promessa de irdes conhecer­me  antes que eu seja dada a outro. se assim pensais. Ela então deixou cair de sua cabeça a parte da veste que lhe cobria o rosto. ­ Sejam para vós minhas saudações. E  não quereríeis dizer­me quem sois? ­ Eu sou Rhiannon7. porém percebeu que seria inútil para  seguí­la. ­ Ora. ­ Pelo Céu. ­ Verdadeiramente.

 desde que esteja ao meu alcance. – Vinde e  sentai­vos.   eu  sou   um  pretendente   e  cumprirei  minha incumbência. minha alma – disse Pwyll.   saudou   Pwyll   e   seus  companheiros. Toda a corte foi colocada sob suas  ordens. E.   permanecei   com   saúde   e   sede   cuidadoso   para   manterdes   vossa  promessa. multidões de pessoas regozijando­ se e vastos preparativos para sua vinda. Hefeyd  Hen   estava   a   um   lado   de   Pwyll   e   Rhiannon   do   outro. ­ Qualquer benefício que possais pedir­me. ao ouvir quaisquer perguntas que lhe fizessem  sobre a donzela. vestido  com   um   traje   de   cetim.  vós o obtereis. de aparência real.   Pwyll   voltou   para   onde   estavam   seus   homens   e  seguiu com eles para casa. ­ A saudação do Céu esteja convosco. ­ Fazei­o de boa­vontade.   Quando   entrou   no   salão. ­ Ah! – Rhiannon exclamou. Assim   eles   se   separaram. – Portanto vós lhe destes essa resposta? . todos foram para a refeição e sentaram­se. desviava a conversa para outros assuntos.   Pwyll   fez   cem   cavaleiros  equiparem­se e acompanharem­no ao palácio de Hefeyd Hen.   quando   se   passou   um   ano   desde   aquele   dia.   Eles   comeram   e  festejaram e conversaram um com o outro e. E agora eu me vou. adentrou o salão um alto jovem ruivo. V No palácio de Hefeyd Hen. E. ­   Não  –   o  recém­chegado   respondeu   ­. é pretendendo um dom vosso  que venho. ­   Senhor. ao começar o divertimento depois  da comida. Ele chegou ao  palácio e havia grande alegria por sua causa. O salão estava guarnecido. ­ Com satisfação manterei meu compromisso. 22 quando vierdes. minha incumbência é para convosco. ­ Senhor.

 esse é o homem a quem desejavam dar­me contra minha vontade. Vim para  vô­la pedir. Direis então que ela nunca se encherá. Não lhe pedireis  nada além de um saco cheio de comida. Nunca poderei fazer como dizeis! ­ Entregai­me a ele e eu farei com que eu jamais seja dele. dizendo: “Bastante  foi colocado aí dentro”. entrai no salão  vestido em trajes rotos. eu não sabia quem ele era. No que concerne a mim  mesma. segurando esse saco em vossas mãos. virai o saco de maneira que Gwawl fique de cabeça para baixo dentro  . Nunca homem algum fez pior uso de  sua inteligência do que vós. se toda carne e  toda bebida existentes nestas sete províncias forem colocadas dentro dele.   Depois   que   uma   grande  quantia tenha sido posta ali dentro. qual é o dom que pedis? ­ A dama que mais amo está para tornar­se vossa noiva nesta noite. ­ Ora. o filho de Clud. com a festa e o banquete neste lugar. quando ele estiver no meio da alegria e festejando. Em  relação aos convidados e à casa. Ele é  Gwawl. 23 ­ Porventura ele não a deu na presença de todos estes nobres? – perguntou o  rapaz. senhora. Eu farei com que ele vá e  empurre a comida  para baixo dentro da bolsa e. ele vos perguntará se vossa bolsa já está  cheia. ­ Através de quais meios o fareis? ­ Darei em vossas mãos um saquinho. que não estão em vosso poder. Que estejais aqui ao fim desse ano e trazei este saco convosco. ­ Não compreendo vossa palavra.  concordarei em  tornar­me sua noiva em doze meses a contar  desta  noite. E. A resposta que lhe fora dada deixou Pwyll silencioso. E eu farei com que. a festa e os preparativos. deixando  também   que   vossos   cem   cavaleiros   fiquem   escondidos   no   pomar   além   do  palácio. a menos que surja um homem de  nobre nascimento e grande riqueza e pressione a comida no saco com ambos os  pés. enquanto ele estiver assim  ocupado. em razão da  palavra que dissestes. um homem de grande poder e riqueza e. entregai­me a ele para que a vergonha não caia sobre vós. ainda  assim   o   saco   não   fique   mais   cheio   do   que   antes.   ­ Minha alma. cuidai de guardá­lo bem. ­ Senhora. Rhiannon lhe falou: ­ Ficai silencioso tanto quanto quiserdes. Gwawl vos  pedirá o banquete. eu lhe darei isso.

 E  todo   aquele   ano   se   passou. ­ Senhor – disse Gwawl.   que   desçam   ao  palácio. ­ Está certo. ­ Bem­vindo seja vosso rogo e. e seus  companheiros. O casamento de Rhiannon e Pwyll. O benefício que peço e além do qual nada desejo é que se encha  . foi à festa que lhe fora preparada  no palácio. saudou Gwawl. filho de Clud. ele  foi em direção ao salão e. ­   Como   está   em   meu   poder   dar­vos   muito   do   que   pedistes. Em um  ano a contar desta noite. 24 dele. sobre a festa e o banquete que aqui  estão. Então Gwawl. veio ao pomar com seus cem cavaleiros. consoante  Rhiannon   lhe   ordenara. grandes demais para seus  pés. se me pedirdes o que é justo. Gwawl respondeu­lhe: ­ O Céu vos faça prosperar e a saudação do Céu esteja convosco. tanto homens quanto mulheres. impaciente ­.   VI O jogo do Texugo na Bolsa. espera­se que eu tenha uma resposta ao  meu pedido. Assim. tenho um dom para vos  pedir. o rei de Annwfyn. com satisfação o  alcançareis. Quando ele soube que haviam começado as diversões após a refeição. eu os ofereci aos homens de Dyfed e a casa e os guerreiros que estão  conosco. ­ Minha alma – Rhiannon falou a Gwawl ­. E Pwyll  também. onde houve grande alegria no momento de sua chegada. um banquete será preparado para vós neste palácio a  fim de que eu possa tornar­me vossa noiva. Estes eu não posso suportar que sejam dados a qualquer um. ­ Senhor – disse Pwyll ­.   até   chegar   o   tempo   do   banquete   no   palácio   de  Hefeyd Hen.   trazendo   o   saco   consigo. Gwawl partiu para seus domínios e Pwyll também voltou para Dyfed.   Quando   eles   ouvirem   o   som   do   chifre.   vós   o   tereis   –  replicou Pwyll.   Pwyll   usava   vestimentas  grosseiras e rasgadas e calçava sapatos desajeitados. o filho de Clud. soprai o chifre e seja esse o sinal entre vós e  vossos   cavaleiros. ao adentrá­lo. tão  logo o tenhais jogado no saco. Trazei também ao redor do vosso pescoço uma corneta de chifre e. possa o Céu recompensar­vos.

 Soou o chifre e logo os de sua casa que estavam  escondidos   desceram   sobre   o   palácio. ­ Senhor – disse o homem dentro do saco ­. Surgiu um grande número de criados que começaram a encher a bolsa. E foi então jogado pela primeira vez o jogo do “Texugo na Bolsa”. ­ Com boa­vontade me erguerei. É adequado que o  escuteis. pois ele não merece tal destino. Trazei­lhe comida –  Gwawl ordenou. ­ Realmente. ­ Um pedido razoável é esse e prazerosamente o tereis. 25 com carne este saquinho que vedes. ­  Senhor – Hefeydd Hen interveio ­. . Imediatamente Pwyll virou a  bolsa. – Gwawl replicou. juro pelo Céu. não se encheu ainda esse vosso saco? ­ Não se encherá. Rhiannon então disse a Gwawl.   não   estava   mais   cheia   do   que   ao  começarem. a não ser que apareça um possuidor de terras e  domínios   e   tesouros   e  empurre   com   ambos   os   seus   pés   a   comida   que  está  dentro do saco.  apesar   de   tudo   que   lhe   punham   dentro. Ele se levantou e pôs os dois pés dentro do saco. ficando Gwawl de cabeça para baixo lá dentro. o filho de Clud: ­ Erguei­vos rapidamente. enquanto diz: “Bastante foi colocado aí dentro”. se apenas quiserdes ouvir­me. dos sapatos velhos e de todos os andrajos. não  mereço ser morto em um saco.   Eles   prenderam   todos   os   que   tinham  vindo com Gwawl e jogaram­nos em sua própria prisão. Cada um que entrava perguntava: ­ Que jogo estais jogando assim? ­ O jogo do texugo na bolsa. mas. Cada um dos seus cavaleiros  que entravam dava um golpe no saco. perguntando: ­ O que tem aí? ­ Um texugo – respondiam os outros. E Gwawl perguntou: ­ Minha alma. seguirei vossa orientação quanto a ele – disse Pwyll. Fechou­a depressa e fez  um forte nó com os cordões. ele fala a verdade. Pwyll livrou­se dos  trapos.

Deixaram­no então sair da bolsa e seus vassalos foram libertados. Estais agora numa  posição em que vos compete satisfazer pretendentes e trovadores.  . ­ Tal é então nosso conselho – responderam eles.   estou   grandemente   ferido   e   tenho  muitas contusões. ­ Nós responderemos por ele até que seus homens estejam livres para fazê­lo –  disse Hefeydd. ao raiar do dia. E Hefeydd enumerou as garantias. ­   Na   verdade. Rhiannon disse: ­ Meu senhor. ­ Fazei que vos dê as garantias. até chegar o momento em que todos deveriam dormir. Tenho necessidade de ser medicado e com vossa permissão  eu partirei.   senhor   –   falava   Gwawl   ­. quando  Pwyll e Rhiannon foram para seus aposentos. ­ Com toda a minha boa­vontade podeis fazê­lo. Estavam assim empenhadas as garantias para aquele acordo.   Eles   comeram   e   festejaram   e   passaram   a   noite   em   alegria   e  tranqüilidade. Assim. Na manhã seguinte. 26 ­ Vede – Rhiannon falou ­.  ­   Exigi   agora   de   Gwawl   as   garantias   –   Hefeydd   dizia. levantai­vos e começai a dar vossos presentes aos menestréis.  Todos  foram para as mesas e sentaram­se naquela noite como se haviam sentado um  ano   antes. E  o  salão foi preparado  para Pwyll e os homens  de sua companhia.   –   Sabemos   quais  deveriam ser­lhe tomadas. uma vez que é a deliberação de  Hefeydd e Rhiannon. ­ Bastar­me­á que seja feito como Rhiannon disse – respondeu Pwyll. ­ Com prazer eu o aceitarei – tornou Pwyll ­. Gwawl partiu para seus próprios domínios. E isso será punição suficiente. este é então o meu conselho. Deixai que  ele o faça em vosso lugar e tomai dele a promessa de que não buscará vingança  por tudo que lhe foi feito. ­ Com prazer farei o que dissestes – gemeu o homem dentro do saco. Disse Gwawl: ­ Preparai vós mesmo o acordo.

 além disso. senhor? ­ Sim.   fosse   uma   pulseira. vendo que  um homem a quem tanto amavam e que. a fim de que todos os  pretendentes   e   menestréis   expusessem   e   mostrassem   que   dons   eram   de   sua  vontade e desejo.  Pwyll dirigiu­se a Hefeydd: ­ Meu senhor.   eles   partiram   para   Dyfed   e   viajaram   para   o   palácio   de  Narberth. em Dyfed. ­ Assim seja alegremente – Pwyll respondeu ­. veio  até eles um grande número de homens importantes e as mais nobres damas da  terra e. Fixai  também um tempo quando Rhiannon possa seguir­vos. No   dia   seguinte. E assim Pwyll surgiu e fez que se proclamasse o silêncio.  VII Nascimento e rapto de Pryderi. onde um banquete estava sendo preparado para recebê­los. não houve um só a quem Rhiannon não desse um rico  presente. Tendo isso sido feito. a festa continuou e Pwyll nada recusou  a quem quer que fosse enquanto ela durou. sabemos que não sois tão jovem quanto alguns homens deste país e  tememos  não possais ter um herdeiro da esposa que tomastes. Quando o banquete enfim terminou. Tomai. pois.   Não   podeis   continuar   sempre  conosco e. Disseram os nobres: ­ Senhor.  outra   esposa   de   que   possais   ter   herdeiros. os nobres do país começaram a entristecer­se. era seu senhor e irmão de  criação. ­Sem dúvida iremos juntos. Lá.   E   eles  governaram o país prosperamente naquele ano e no seguinte. com vossa permissão partirei amanhã para Dyfed.   um   anel   ou   alguma   pedra   preciosa. no ano seguinte. tanto hoje quanto em todos os  dias em que deva durar a comemoração.  ­ Certamente – respondeu o sogro ­. ­ Isso desejais. embora desejeis permanecer como estais. E. pelo Céu – Pwyll afirmou. Vieram até ele e o lugar onde se encontraram foi  Preseleu. de todos esses. 27 Hoje a ninguém recuseis que vos possa reclamar a generosidade. possa o Céu prosperar convosco. não vô­lo permitiremos. . sem um herdeiro.

 nada temos  além das feridas e contusões que recebemos lutando convosco. farei de acordo com  vossos desejos.  jamais vimos mulher tão violenta quanto vós.   na   noite   em   que   nasceu. não faz muito tempo que nos unimos e  muitas coisas podem ainda acontecer. O número de mulheres trazidas ao quarto era seis.   Quando  acordaram. o Senhor Deus sabe todas as coisas! Não me  . – Eu vos ofereço um bom conselho. Afirmemos que ela própria devorou seu filho. ­ Há no mundo – perguntava uma terceira – algum conselho que nos possa ser  útil em relação a isso? ­ Há sim – respondeu uma outra. ­ Oh – disse uma das mulheres ­. nada queirais perguntar­nos em relação a vosso filho.   Ele   nasceu   em   Narberth   e. antes do fim do ano. Matemos  alguns dos cãezinhos e esfreguemos o sangue na face e mãos de Rhiannon e  depositemos os ossos diante dela. Ao acordar de manhã. por isso de nada nos adiantou  contender convosco. As mulheres dormiram. olharam para onde tinham colocado o menino e perceberam que ele  não estava lá. não será capaz de contradizer­nos. Rhiannon  disse: ­ Mulheres. nasceu­lhes um  filho. E. Tudo foi feito de acordo com essa deliberação. Concedei­me um ano a partir de agora e  pelo espaço de um ano nós ficaremos juntos. não o  reclameis de nós. Depois disso.  Sozinha. Na verdade. antes da meia­noite. cada uma  delas   caiu   adormecida  e   somente  despertaram   perto  do  amanhecer. ­ Tende piedade – disse a mãe ­. Não devorastes vós mesma o vosso filho? Assim. o menino desapareceu! ­ Sim – disse outra – e será uma vingança pequena se formos queimadas ou  levadas de outra forma à morte por causa da criança. mas. a mãe do menino.   foram   trazidas  mulheres para assistir a mãe e o menino. bem como  Rhiannon. ­ Qual é? ­ Há uma cadela de caça aqui e ela tem uma ninhada de filhotes.  Elas vigiaram por uma boa parte da noite. Os nobres assim lhe permitiram fazer. 28 ­ Verdadeiramente – tornou Pwyll ­. onde está meu filho? ­ Senhora.

 Se ela  fez mal. O fato não pôde ser escondido. ­ Mas filhos ela agora mostrou que pode te­los.   Ela   deveria   contar   sua   história   a   todos   os   que   lá  chegassem os  quais pudesse supor que ainda não a soubessem. Mas raramente ocorreu que  qualquer um o aceitasse. Desse modo ela passou parte do ano. deixai­a penitenciar­se por isso – disse o príncipe. pedindo a estes que lhe permitissem  carregá­los em suas costas ao interior do palácio. Se é por medo que me falais essas coisas. tomou sobre si uma penitência. surgiu e com ele toda a sua casa e as multidões  que o acompanhavam. E. exceto por ela não ter filhos.  Em  sua  casa  havia  uma   égua  que   não  se  podia  . sentando­se diariamente em um montadouro que  estava   sem   o   portão. E Pwyll. como preferiu o  castigo a enfrentar as mulheres. Eles  vieram até Pwyll e  pediram­lhe   que   aprisionasse   sua   esposa. fossem suaves ou severas. VIII A égua de Teirnyon. ela recebia a mesma  resposta das mulheres. o Senhor de Annwfyn. Mas. não recebereis qualquer mal dizendo a verdade – implorava  Rhiannon.   em   razão   do   grande   crime   que  cometera. mas sua história passou  adiante. Naqueles dias. nós mesmas não desejamos provocar  o mal a ninguém no mundo. ela deveria permanecer naquele palácio de Narberth até  que se passassem sete anos. então não a prenderei. pela pena  que lhe foi imposta. ­ Por misericórdia.  atravessou o país e os nobres ouviram­na. juro pelo Céu que  vos hei de defender! ­ Em verdade – retrucaram as mulheres ­. Assim. a todas as suas palavras. Mas Pwyll respondeu­lhes que não possuíam um motivo para pedir­ lhe que prendesse sua esposa. Rhiannon chamou os mestres e os homens sábios e. Ela deveria  oferecer­se aos convidados e estranhos. Teirnyon Twryf Fliant era o senhor de Gwent Is Coed9 e era o  melhor  homem  do  mundo. 29 acuseis falsamente.

­ Na verdade. senhor. Teirnyon disse a sua esposa: ­ Mulher.  eis   aqui   para   vós   um   menino. Lembrou­se então de ter deixado a porta aberta e retornou. Viu que  havia à porta uma criancinha usando fraldas. olhou o tamanho do potro e. Ele  tomou­a. de forma que a porção do braço que agarrava o potro ficou na casa  com ele. ­ Senhora – disse ele ­. Eu estava adormecida. ­   Vede. se o quiserdes  . ela paria e ninguém sabia o que acontecia ao potro. Teirnyon então fechou a porta. – respondeu Teirnyon e contou­lhe como tudo havia acontecido.   O   animalzinho   já   se   estava   pondo   em   pé.  Abriu a porta e correu para fora na direção do barulho. Teirnyon começou a vigiar naquela noite..  Teirnyon ergueu­se. Logo no começo da noite. Teirnyon escutou outro rebuliço e um alto lamento. no entanto a escuridão  da noite impediu­o de ver a causa de toda a agitação.   se  o   quiserdes. 30 encontrar   no   reino   outra   égua   ou   cavalo   mais   bonitos. – Meu senhor. Imediatamente. é muito fácil para nós que nossa égua deva parir todos os anos e não  tenhamos nenhum dos seus potros. a égua  pariu   um   grande   e   belo   potro.  uma   vez   que   nunca  tivestes um. mas despertei quando entrastes. ­ E o que podemos fazer a esse respeito? ­ Esta é a noite do primeiro de maio. enrolada numa manta de seda. ouviu um  grande tumulto..  ­ Que aventura foi essa. meu senhor? ­ Foi assim. indo para o quarto onde sua esposa estava. ele ordenou que a égua fosse trazida para dentro de uma casa e armou­ se. viu uma enorme garra entrar pela janela da casa e  agarrar o potro pela crina. Certa  noite.   Na   noite   de   cada  primeiro de maio. vendo que era um menino muito forte para a pouca idade que tinha. enquanto o fazia. A vingança do Céu caia sobre mim se eu  não descobrir quem é que leva os potros! Assim. Logo depois. Teirnyon puxou sua espada e golpeou o braço no  cotovelo. Ele correu atrás da coisa e  seguiu­a. ­ É então de nobre linhagem – replicou a esposa. senhor. estais dormindo? ­ Não. como estava ele vestido? ­ Usava uma manta de seda.

 onde está o potro que salvastes  na noite em que encontrastes o menino? ­ Ordenei aos cavalariços que cuidassem dele. Dá­lo­ei ao menino. O menino foi criado na  corte até um ano de idade. ­ Não seria bom. Enquanto o observava. 31 eu terei grande alegria e satisfação. IX O retorno de Pryderi. Ela foi então aos cavalariços  e àqueles  que cuidam dos cavalos e ordenou­lhes tomarem conta do animal. Antes do final do quarto  ano. O nome que lhe deram foi Gwri Wallt Euryn10. Permitir­vos­ei dar­lhe o potro. E   assim   agiram   eles. porque o  cabelo em sua cabeça era tão amarelo quanto o ouro. Antes que o ano houvesse acabado. o potro nasceu e vós  o salvastes? ­ Não me oporei a vós nessa questão. ­ Meu senhor – disse a Teirnyon sua esposa ­. o cavalo foi dado ao menino. na mesma noite em que encontrastes o menino. fez indagações minuciosas a  esse   respeito.   repetidas   vezes   lamentando   a   triste   história.   ponderou   consigo  mesmo e olhou com grande atenção o menino. por causa da piedade que sentia ao  ouvir tal história sobre Rhiannon e seu castigo.   Determinaram   que   o   menino   fosse   batizado   e   lá   foi  realizada a cerimônia.  vendo que. determinardes que ele fosse trazido e dado ao menino. E o menino foi cuidado no segundo ano.   Então  Teirnyon. possa o Céu recompensar­vos.  sendo então maior do que uma criança de seis anos. Enquanto essas coisas se passavam. Assim. ele subornaria os cavalariços para que lhe permitissem levar os cavalos à  água. E Teirnyon Twrif Fliant. de forma que  pudesse ser trazido tão logo o menino estivesse apto a montá­lo. Chamarei a mim minhas mulheres e lhes  direi que estive grávida.   até  mesmo do que um de grande tamanho.   até   já   ter   ouvido   muitos   dos   que   vinham   a   sua   corte. pareceu­ . senhor. ­ Prontamente permito que o façais. eles ouviram novidades sobre Rhiannon e  o seu castigo. ­ Senhor. ele já podia  caminhar   com   segurança   e   era   maior   do   que   um   menino   de   três   anos.

 A  esposa concordou com ele que deveriam mandar o menino para Pwyll. Esse é meu castigo por matar meu próprio filho e devorá­lo.   pois   Pwyll   retornara   dos  confins de Dyfed. ­   E   três   coisas.   o   Senhor   de   Annwfyn. E.   assim   ganharemos. na primeira vez que ficou a sós com sua esposa.   O   rosto   de   Pwyll   era­lhe   bem  conhecido.   Quando   se   aproximaram   do   palácio. se o menino for de natureza gentil. ­ Boa dama – disse Teirnyon ­. será  nosso filho adotivo e fará por nós todo o bem que estiver em seu poder. O menino. não vos aproximeis mais. não penseis levar­me em vossas costas.   viram  Rhiannon sentada junto ao montadouro. Eles viajaram para Narberth e não levaram muito  tempo   para   chegar   ao   lugar. foi com eles no  cavalo que Teirnyon lhe dera. pois fora outrora um de seus seguidores. Assim foi resolvido de acordo com essa deliberação. agradecimentos de Pwyll por  alimentar e restituir­lhe seu filho e. Eles entraram assim no palácio e houve grande alegria pela sua chegada. Eles entraram no salão e lavaram­se e Pwyll alegrou­se por  ver Teirnyon. Eles vinham em sua direção e ela lhes  falou. nós não iremos desse  modo. com o menino entre  . Teirnyon lhe  disse que não era correto manterem o menino consigo. 32 lhe  que jamais  vira tão grande semelhança  entre pai e filho quanto entre  o  menino   e   Pwyll.   Teirnyon   equipou­se   e   com   ele   dois   outros  cavaleiros.   uma   grande   festa   havia   sido   preparada. permitindo que uma  senhora tão excelente quanto Rhiannon fosse tão duramente castigada por causa  dele. Sentaram­se nesta ordem: Teirnyon entre Pwyll e Rhiannon e os  dois companheiros de Teirnyon do outro lado de Pwyll.   senhor   –   disse   ela   ­. minha alma – Teirnyon falou à criança ­.   Agradecimentos   e  presentes por libertar Rhiannon de sua punição.   uma  vez  que o  menino  era  o  filho  de  Pwyll. eu carregarei cada um de vós para dentro do  palácio. como um quarto em sua companhia. ­ Tampouco a mim – acrescentou o menino. ­ Realmente. mantendo junto a si um menino que sabia ser o filho de  outro homem. Ele foi logo depois afligido  pelo erro que cometera. ­ Chefe. No  palácio.  Senhor  de  Annwfyn. Não   depois   do   dia   seguinte.

­ Juro pelo Céu – Rhiannon exclamou ­ que. ­ Pryderi – Pendaran disse – será o seu nome. sendo de linhagem nobre. fiquei preocupado e aflito. ­ Chamo o Céu como testemunha de que.  quando ele subir ao poder. bem chamastes Pryderi vosso filho e bom  tornou­se para ele o nome de Pryderi.  se esta deliberação for agradável a vós e aos meus nobres.  ­ Senhora – falou Pendaran Dyfed11 ­. sem dúvida  minhas dificuldades chegaram ao fim. ­ Meu senhor – respondeu Teirnyon ­. ­ Seria mais apropriado – interveio Pwyll – que o menino tomasse o nome da  palavra que sua mãe falou ao receber as felizes novidades a seu respeito. ­ Não há um só – responderam todos – que não esteja certo disso. aqui está o menino. foi minha esposa quem o alimentou e  não houve ninguém no mundo tão aflito por vê­lo partir quanto ela. Seria bom  que ele pudesse lembrar­se do quanto eu e minha esposa fizemos por ele. Senhor de Annwfyn. Assim foi resolvido de acordo com essa deliberação. eu o entregarei para ser conduzido por Pendaran  Dyfed de agora em diante. E. Acredito não haver ninguém nesta multidão  que não perceberá ser este menino o filho de Pwyll. o seu próprio nome não seria melhor para ele? ­ Que nome ele tem? – perguntou Pendaran Dyfed. ­ Gwri Gwallt Euryn – respondeu Teirnyon – é o nome que lhe demos. o céu vos recompense por haverdes cuidado do  menino até este momento e. ­ Senhor – disse Rhiannon ­.   Quando   ouvi   sobre   vossa  tristeza. 33 eles. senhora – disse Teirnyon. eles começaram a divertir­se e discursar. ­ Teirnyon – disse Pwyll ­. se isso for verdade. tanto  quanto  eu possa preservar os  meus  próprios. filho de Pwyll. ocorrerá que. irá sustentá­los mais adequadamente do que eu. hei de apoiar­vos  e   a  vossos  domínios. E. ­ E vede. – Agiu mal quem quer  que   tenha   dito   aquela   mentira   a   vosso   respeito. O discurso  de Teirnyon era concernente à aventura da égua e do menino e de como ele e  sua esposa tinham alimentado e cuidado da criança como se fosse sua. E vós sereis companheiros e ambos pais adotivos do  . Depois da refeição. como  cuidastes dele até esta data. seria apropriado que ele  vos retribuísse por isso. enquanto eu viver.

Todos depois permaneceram em seus próprios domínios. a filha de Gwynn Gohoyw.   não   sem   que   antes   lhe   fossem  oferecidos os melhores cavalos. o Senhor de Annwfyn. quis tomar uma esposa. ­ Essa é uma boa deliberação – disseram todos.   o   menino   foi   dado   a   Pendaran   Dyfed   e   os   nobres   do   país   foram  enviados com ele. príncipe de Dyfed .  Mas nada quis levar para si. os cães mais escolhidos e as mais belas jóias. NOTAS AO PRIMEIRO RAMO 1 Pwyll. filho do  Príncipe Casnar. E Pryderi. E assim termina esta parte do Mabinogion. Pryderi. ele acrescentou as  três províncias de Ystrad Tywi e as quatro províncias de Cardigan. E Pryderi governou prosperamente as Sete Províncias de Dyfed. A escolhida foi  Cicfa. Passaram­se anos e  anos.   com   carinho   e   alegria. o filho de  Pwyll. Teirnyon Twrif Fliant e seus companheiros partiram para seu  país   e   suas   posses. Estas foram  chamadas as Sete Províncias de Seissyllwch. de  modo que se tornou o mais decente rapaz e o mais gracioso e mais habilidoso  em todos os bons jogos do que qualquer outro no reino. o Senhor de Annwfyn. o Senhor de Annwfyn. um dos nobres da ilha. 34 menino. o filho de Gloyw Wlallt Lydan. o  filho de Pwyll. como era mister. Quando fez esta adição. Assim. À extensão de seu reino. Era amado por  seu povo e por todos ao seu redor. foi cuidadosamente educado. chegou e ele  morreu. até que o fim da vida de Pwyll.

 As linhas de abertura dessa composição trazem alusões muito  antigas e obscuras:         Os Espólios de Annwn (Livro de Taliesin.  Aircol Law Hir  (“Aircol Mão Grande”) é mencionado no  Liber Landauensis  como o filho de Tryfun e contemporâneo de São Teiliaw. como se depreende do  título de Pryderi. ninguém voltou de Caer Sidi. .   o   que   é   confirmado   por   linhagens   contidas   em   outros   manuscritos. Ninguém antes dele chegara até lá. uma espada brilhante para ele foi erguida E na mão de Lleminawg foi ela deixada. diz­se que este é o  filho de Pwyll. de Taliesin. “Sábio de Dyfed”. Completo estava o cativeiro de Gweir em Caer Sidi Graças à malícia de Pwyll e Pryderi. E quando chegamos com Arthur. A pesada corrente azul prendia o jovem fiel E ante os espólios de Annwn dolorosamente ele canta E até o julgamento continuará um bardo de intercessão. 30) Louvarei o soberano. até lá fomos. Não devemos esquecer  que os nomes de Pwyll e de Pryderi significam. Príncipe de Dyfed  (outro nome de Pryderi). em algumas das linhagens de  Gwynfardd. Não cozinhará a comida de um covarde que não tenha sido jurado. Pelo alento de nove donzelas foi ele gentilmente aquecido. Exceto sete. Não sou eu um candidato à fama se uma canção for ouvida?  Em Caer Pedryvan. respectivamente. supremo rei do país. filho de Llion.   estaria   em   Dyfed  (Myvyriam Archaiology. o que indicaria tratar­se de personagens alegóricos. Não é o caldeirão do senhor de Annwn? Qual sua intenção?  Uma saliência sobre sua borda de pérolas.   de   acordo   com   fontes   galesas. Na primeira palavra do caldeirão. mas. Que ampliou seus domínios até os confins do mundo.  No entanto. essas linhagens são puramente mitológicas. o  Antigo. “Razão” e  “Pensamento Profundo”. 82).  Mas   o   túmulo   de   Pwyll. Gwynfardd Dyfed. No poema  Preiddeu Annwn  (“Os Espólios de Annwn”). 35 Não há certeza sobre quem teria sido Pwyll. um trabalho esplêndido. E diante da entrada do portal de Uffern a lâmpada queimava. dando a entender que teria vivido na  época de Arthur. Pwyll é  mencionado juntamente com seu filho. p. filho de Aircol. filho de Meirig. Cintilando. filho de Pyr. I. que viveu no séc. quatro os seus giros.  Três vezes o bastante para encher Prydwen. VI. quando pronunciada.

Eles não sabem quando a noite profunda e a aurora se dividem. na ilha da forte porta? O crepúsculo e a escuridão de breu foram misturados juntos. larga a faixa de sua cabeça. Três vintenas de centúrias pararam no muralha. Difícil era a conversa com seu sentinela. filho  do Refém”. Uma das tríades localiza o cativeiro de  Gweir no  Castelo de Oeth e Anoeth. Eles não sabem em que dia o chefe foi originado. um primo de Arthur. o grande supremo. quando viemos com Arthur de aflita memória. qual o causador. A tumba do santo está sumindo do túmulo­altar. Cristo seja minha parte. Orarei ao Senhor. ninguém voltou de Caer Ochren.  . Sete vintenas de saliências em sua coleira. Não merecerei muito do soberano da literatura. Brilhante vinho sua bebida ante o seu séquito. Em   certas   partes   do   poema. Três vezes o bastante para encher Prydwen lá fomos com Arthur. Monges congregam­se como cães num canil. Qual animal eles mantêm. Que eu não seja desventurado. Pelo contato com seus superiores adquirem conhecimento. Exceto sete. Eles não sabem qual o dia. do tumulto irrestringível? Monges congregam­se como lobos. ninguém voltou de Caer Golud. Exceto sete. É um o curso do vento. Gweir parece não ter sido um personagem real. é uma a água do mar? É uma a centelha do fogo. Pelo contato com seus superiores adquirem conhecimento. Nem qual é o curso do vento. Em que lugar ele morre. Quando fomos com Arthur do aflito combate. sobre qual terra ruge. O nome Gweir mab Gwystyl  significa “O Cativo. O navio Prydwen é bem conhecido  como um de seus tesouros.  especialmente Mabon. E. ninguém voltou de Caer Rigor.  Não merecerei muito daqueles com longos escudos. Em que hora no dia sereno o proprietário nasceu. Diz­se que Gweir foi libertado por  Goreu. 36 Exceto sete. Quem fez com que ele não fosse aos vales de Defwy. prateada sua cabeça. Em que hora no dia sereno Cwy nasceu. ou quem o agita. Três vezes o bastante para encher Prydwen viemos pelo mar.   fala­se   de   Arthur   como   se   ele   próprio   tivesse  participado das expedições ali registradas. Exceto sete. mas  um   título   aplicado   às   experiências   de   muitos   personagens   do  Mabinogion.  Não sou um candidato à fama com a canção ouvida Em Caer Pedryvan. Não merecerei muito daqueles com propensões relaxadas. Exceto sete. Não conhecem o boi malhado. ninguém retornou de Caer Fedwyd. Além de Caer Wydyr não viram a bravura de Arthur. ninguém retornou de Caer Fandwy.

 o Outro Mundo onde habitam os deuses do paganismo céltico).   Nos   mais   antigos   contos   arturianos   de   Gales. dois  terços do condado de Carmarthen e o condado de Pembroke inteiro. Caer Fedwid. O Arthur da  Historia Brittonum  (o primeiro texto "histórico" sobrevivente a mencionar Arthur). XIX. Chegou a abranger também  os  condados de Carmathen e Cardigan. do monge galês  Nennius. 2 Dyfed Também conhecido como  Demetia.   em   Carmarthen. "Castelo da Folia" são outros lugares do Outro  Mundo ou outros nomes do Outro Mundo. 37 cujo nome significa “o melhor”. no começo  do séc. . “Castelo Giratório”.   Caer Sidi.   e   há   atualmente   uma   lembrança   dessas  fronteiras num velho livro de pergaminho do bispo de St. uma  ilha­torre   de   quatro   cantos   nas   águas   de  Annwn  (forma   mais   recente   de  Annwfyn. David e o centro desse reino era o  Portal   negro. formando a divisão ocidental do sul de  Gales.  publicada pela Sociedade Galesa de Manuscritos no sé.  é descrito  como  miles  (“guerreiro”)  e  dux  (“líder”). do latim  imperator). Na  Visitação Heráldica de Gales. nunca como rex (“rei”).  Yr Echwydd. David.  "Castelo da Luz".  Dyfed ocuparia a sexta parte de Cardiganshire. desde  Llyn Teify e da fonte do Towy até St. um  local misterioso muitas vezes mencionado na mitologia galesa. uma designação latina.   Arthur   é  amherawdr  ("imperador". algumas vezes. não "rei". “O paraíso de quatro cantos além do mar”. de Lewis Dwnn (reinado de Elizabeth I). De acordo com esse texto. "o por­do­sol" ou "o ocaso". também chamado. lê­se:  O reino de Dyfed estendeu­se antigamente entre os rios Teify e Towy. IX. Considera­se que  corresponda ao atual  condado de Pembroke. enquanto Gwent (ou Vendetia) formaria a oriental. Caer Fandwy.

 os  principais proprietários de terras do cantref. na  prática. junto  com os oficiais da corte e os servos. A palavra deriva do prefixo  cym­  (“junto”. Cantref Emlyn. que. haveria um escrivão. Os cwmwdau eram também divididos em  maenorau ou maenolydd. Junto com os cantrefi. juntamente  com  as  quatro províncias  de  Ceredigiawn. era um cwmwd. Esse tribunal seria presidido pelo  rei.  De acordo com o Livro Vermelho de Hergest. O texto conta­nos que  Pryderi   acrescentou   as   três   províncias   de   Ystrad   Tywi   (Carmarthenshire).   Sua   corte   se   localizaria   num  tref  especial. Dau  Gleddyf. embora. Pebidiog e Cenmaes. Rhos. às vezes.   às   vezes   escrita  cymwd  em   documentos  antigos. Penfro.   Os cantrefi eram muito importantes para a administração da lei em Gales. Províncias) de Arberth ou Narberth. contudo. Cantref Mabwyniawn e Cantref  Gwarthaf. o número real variasse muito. em inglês commote.   chamado  maerdref. Em Gales. Em teoria. XIV. 38 É evidente. determinar limites e questões  relativas  às heranças. Além dos  juízes. um oficial de justiça e.   provavelmente   relacionado   ao   príncipe   que  governasse   o   reino. “com”) e do  . a unidade básica de terra era o tref – uma pequena  vila ou povoado. havia  dezesseis cantrefi em Gales no séc. Haveria um  chefe   encarregado   do  cwmwd. O tribunal  do  commote  (cwmwd) mais  tarde absorveu  muitas das funções do tribunal do cantref e. 100 trefi formavam um cantref (literalmente. na época em que o  mabinogi  de Pwyll foi escrito. ou um terço de cantref. Ali viveriam os camponeses que cultivavam a terra do chefe. ou por um representante. As sete províncias foram reunidas sob o nome de Seissyllwch. os cwmwdau eram  as divisões geográficas em que se organizavam a justiça e a defesa. na Idade Média. era uma divisão de terras secular (não eclesiástica)  em Gales medieval. y Coed.  Cantref  Mawr e Cantref  Eginawg. Cantref Wedws.   A   palavra  cwmwd.  restringia­se aos Cantrefi (Hundreds. que era uma assembléia dos  uchelwyr. O  cantref  podia apreciar crimes. dois defensores  profissionais. em algumas áreas. os nomes dos  commotes  são mais  bem conhecidos  do que os nomes  dos  cantrefi  do qual  faziam   parte. se ele estivesse presente no  cantref. “cem  povoados”) e meio cantref. Cada  cantref  tinha seu próprio tribunal.

 “Regiões  . na época de Arthur. Há dúvidas quanto a identificá­lo com Arawn  ab Cynfarch. dominava ali.   um   régulo   de   Dyfed   que   morreu   em   1088   e   foi   chamado  “Senhor de Blaen Cuch e Cilsant”. 39 substantivo  bod  (“casa”.   é   a   torrente   que   divide   os  condados de Pembroke e Carmarthen e cai no Teify entre Cenarth e Llechryd. A partir dele. e sobre um outro  rei.   ficava   a   residência   de  Cadifor   Fawr.   “residência”). Antes do tempo de Agricola. Arch.  Na   parte   superior   do  Glyn   Cuch  (“vale   do   Cuch”). A   adição   feita   por   Pryderi   provavelmente   restaurou   o   tamanho   que   Dyfed  possuía na época dos romanos.   4 Arawn. p.   como   geralmente   se   escreve. cujo túmulo é mencionado  nas Englynion y Beddau (Myv. os Ui Liatháin.   A   palavra   inglesa   deriva   do   bretão  antigo compot. que significa “parcela de terra”. Senhor de Annwfyn Conta­se deste personagem que lutou contra Amaethon mab Dôn na “Batalha  das Árvores” ou Kadd Goddeu. a quem as Tríades celebram como um dos três Cavaleiros do  Conselho (tríade 86) ou com Aron mab Dewinfin. I. Dyfed era governado  por  Stater. que ocupou o trono por volta do ano 500. muitas das principais famílias  de Pembrokeshire traçam sua ascendência. mas a história nada sabe desse governante e conta sobre um rei  chamado Agricola. que era um homem idoso em 540. Geoffrey de Monmouth afirma que. 82).   5 Annwfyn Annwfyn ou Annwn é geralmente traduzido como “Inferno”..  uma dinastia irlandesa. embora. Vortipor.   ou.  Cych.  3 Glyn Cuch Cuch.

 o filho de Nethawg. Os “Cães de Annwn” são objeto de uma antiga crença galesa que ainda não se  extinguiu. ele foi  para o norte e convocou Gwyn ap Nudd a comparecer ante ele e libertar os  nobres que havia aprisionado e a fazer a paz entre Gwyn ap Nudd e Gwythyr. e trouxeram consigo a  correia feita com a barba de Dillus Farfawc e entregaram­na nas mãos de  Arthur. Disse Arthur: ­ Qual das maravilhas é melhor para nós procurarmos? ­ É melhor para nós procurarmos Drudwyn. e qualquer deles que fosse então o vencedor obteria a donzela.   e   Gwrgwst  Ledlwn e Dynarth. desde então. fosse nos problemas de  Arthur. o filhote de Greid.  Kyledyr tornou­se louco.  o filho de Greidawl. de modo que os guerreiros  da Ilha não  puderam fazer a paz entre ele e Arthur.   às   vezes.   ouvidos   voando   pelos   ares   à   noite.   Diz­se   que   são. lutariam a cada primeiro de maio daquela data até o Dia do  Julgamento.  Gwyn ap Nudd veio e raptou­a pela força. ao contrário do Hades clássico ou do  Inferno dos cristãos. E ele capturou Penn. morto estarias. Quando Arthur ouviu falar a esse respeito. Kai ficou furioso. estavam prometidos. E. 40 Inferiores” fosse mais adequado para expressar seu significado. seu filho. O “Outro Mundo” da tradição britânica. E. A partir daí. porém  uma fonte de poder ancestral que pode ser visitada e de onde parte a “Caçada  Selvagem”.   o   filho   de   Eri.   o   filho   de   Taran. E esta foi a paz feita: a donzela permaneceria na casa de  seu pai sem vantagem para qualquer deles e Gwyn ap Nudd e Gwythyr. a partir daí. Mas Gwyn superou­o e  capturou   Greid. filho  de Greidawl. de quem se conta o seguinte em Culhwch e Olwen: Vieram ambos de lá para Gelli Wic. Um pouco antes disso. jamais Kai viria novamente em  seu auxílio. fosse pela matança de seus homens. seu filho.  reuniu seus homens e foi lutar com Gwyn ap Nudd.   e   Glinneu. Estivesse ele vivo. e  Nwython e Kyledyr Wyllt. não é um local de punição ou lamentação eterna.  Acredita­se que o seu comandante seja  Gwyn ap Nudd.  perseguindo uma presa desconhecida. o filho de Eri. E ele matou Nwython e arrancou seu  coração e obrigou Kyledyr a comer o coração  de seu pai. A “Família de Annwn” (Plant Annwn) são as fadas galesas que habitam em  . e Gwythyr. Antes que ela se tornasse sua noiva. o filho de Greidawl. a filha de Llud Llaw Ereint. na Cornualha. Então Arthur compôs esta estrofe: Kai fez uma correia da barba de Dillus. e Gwythyr. o  filho de Greidawl. filho de Euri. Creiddylad.

  Existem   outras. aplica­se  muitas vezes. É também conhecido como Y Nod Cyfrin (“O Sinal Místico”). como os súditos de  Fin   Bheara na Irlanda.  O símbolo comumente usado para representar a  gorsedd  é uma linha tripla. aparecem  com a amante encantada de Gwyn. mas os Cães de Annwn demonstram bem a natureza desse  povo subaquático: são os companheiros dos mortos.   sobretudo. 6 Um monte A   palavra   original   é  gorsedd. o Gado do Lago  traz riqueza e prosperidade a qualquer fazendeiro que o possuir e tiver sorte  bastante para retê­lo.   usada   sem   qualificação.  mas é mais comum que Arawn. Esse  símbolo é chamado awen (“inspiração”) e diz­se que representa os raios do sol  nascente. com freqüência. O monte chamado Tynwald.   por   suas  donzelas  (Gwragen Annwn). receba esse título. ouvidos latindo  nas   noites   de   verão   em   busca   das   almas   de   homens   que   morreram   sem  absolvição e sem penitência. Gwyn ap Nudd é chamado Rei de Annwn em alguns relatos. 41 Annwn. A   palavra  gorsedd. que às.   designa   a  gorsedd  nacional   de  Gales. vezes. mas são.   As  gorseddau  existem para promover a criação da literatura. Seu rei é  Gwyn   ap   Nudd   e   a   Família   de   Annwn   é   conhecida. a poesia e a música tradicionais. o amigo de Pwyll de Dyfed.   que   significa   “trono”   (plural  gorseddau)   ou  monte usado como lugar de julgamentos e.  estando a central em pé e as laterais inclinadas em direção à central:  /|\. foi o local onde se realizavam as  assembléias judiciais daquela ilha. por seu gado branco ou malhado  (Gwartheg y  Llyn) e por seus ligeiros cães brancos (Cwn Annwn).  As Donzelas  do Lago são esposas amorosas e  dóceis até a violação de algum tabu que esteja ligado a elas. cuja entrada para o mundo dos homens é através dos lagos. na ilha de Man. chamada Gorsedd Beirdd Ynys Prydain (“Gorsedd dos Bardos da Ilha da  Grã­Bretanha”). nesse sentido derivado. ou Y  .   como   a  Gorseth   Kernow  (“Gorsedd   da  Cornualha”)   e   a  Goursez   Vreizh  (“Gorsedd   da   Bretanha”).

 Os atributos de Rhiannon podem ser traçados a  partir  da deusa  céltica  Epona e da  grega  Despoina  (“A  Senhora”). e então ela disse: "A  benção de Deus nos pés que te trouxeram aqui. os cães da zona rural  costumavam   reunir­se   ao   lado   desse   vau   para   latir   e   ninguém   ousava  descobrir o que havia ali. quando ele chegou  ao lado do vau. Justiça e Verdade.  Myv. Pridery deu a mão de Rhiannon em casamento a  Manawyddan. Uma (pequena) lenda sobre Modron (Trioedd Ynis Prydein) Em  Denbigshire há uma paróquia que  é chamada  Llanferes  e ali  existe o  Rhyd y Gyfarthfa  ("Vau dos Latidos"). os cães  pararam de latir e Urien pegou a mulher e a possuiu.  porém   se  aproximam  mais   de  Modron. Também é um  persistente símbolo da imaginação céltica. 42 Nod   Pelydr   Goleuni  (“O   Sinal   do   Raio   de   Luz”). Seus pássaros maravilhosos. uma canção de sabedoria da boca de um saxão e um convite para  uma festa vindo de um avarento (Trioed y Cybyd.   Rhiannon   é   uma   forma   tardia   do   céltico   antigo  Rigantona. que tende a expressar conceitos em  forma tríplice. filha  de  Deméter. os pássaros de Rhiannon são três melros que cantam num  ramo da árvore imortal que cresce no centro do paraíso terrestre. Arch. E eu  .. Antigamente. o filho de Llyr. Uma (pequena) lenda sobre Modron.   na  gorsedd  bárdica. e a história subseqüente é relatada no mabinogi  (o Terceiro Ramo) que leva seu nome.   significando  “Grande (ou Divina) Rainha”. Na tradição britânica. então. 245). nada viu além  de uma mulher lavando. p. representa os atributos de Amor.   Entretanto. III. até que Urien Rheged chegou. Três   coisas   que   não   se   ouvem   comumente:   a   canção   dos   pássaros   de  Rhiannon. Depois da morte de Pwyll.  são um tema freqüente entre os poetas. E.  deusa­mãe   de  Gales. Sua canção  pode levar o ouvinte a um transe que o transporta ao Outro Mundo. "Porque  fui destinada a lavar aqui até que eu concebesse um filho de um cristão.  cujo  mito ela incorpora. “As Tríades do Avarento”. cuja canção  era tão doce que guerreiros poderiam ficar extáticos durante anos escutando­a.     7 Rhiannon. E." "Porque?" disse ele.

    8 Hefeyd Hen De   acordo   com   as   lendas.  Uma possível tradução para o nome de  Gwawl mab Clud. É a deusa padroeira do rio Clyde (Clôta). aplica­se apenas ao condado de  Monmouth. filha de Urien. Teyrnion Twrif Wliant. d.  hen.   Hefeyd   Hen   (efydd. Clud talvez signifique “fama. 43 sou a filha do Rei de Annwfyn e volta aqui ao fim de um ano e receberás esse  menino. chamado  Pridery  neste  . diz­se que  ele   é   filho   de  Caradawc   Freichfras  (“Caradawc   Braço   Forte”).   Seu   nome   significa  “Grande Rei (Tigernonos). filho de Urien e Morfudd. Rugido do Mar” (rugido do mar. Em algumas linhagens.  provavelmente   o   mesmo  Hefeyd   Hir)   era   o   filho   de   São   Bleiddan   de  Glamorgan.”antigo”.  renome”. graças a  seus poderosos feitos e qualidades louváveis. que dentro em pouco vai aparecer neste conto. ou seja. C. Ele foi um dos três forasteiros a que se entregou o poder. No presente." E. ele veio e recebeu um menino e uma menina.  Owein.   “bronze”. ou “A Floresta de Dean”.    9 Gwent Is Coed Uma das divisões de Gwent. twrf lliant). no séc.   no   passado. assim.   o   consorte   original   de   Rhiannon. é “Luz”. as outras duas são  Gwent Uch Coed  e  Coch y  Dena. do proto­céltico *kluto­.  10 Gwri Gwallt Euryn Gwri Gwallt Euryn  (“o Bravo do Cabelo Dourado”). o pretendente que  Rhiannon desprezará em favor de Pwyll. V. Gwent era o nome antigamente atribuído à  divisão oriental do sul de Gales.   ancestral  lendário da casa reinante em Morgannwg (Glamorgan) e possível fundador do  reino de Gwent. talvez  fosse.

 com o qual seu nome é mencionado numa passagem do Kerd am   Feib Llyr  (“Canto ante os Filhos de Llyr”).    Encontramos as aventuras da maturidade de Pryderi detalhadas no mabinogi de  Manawyddan.   Gower  . no  vale do Cuch. mas uma  localidade diversa é assinalada pelos Englynion y Beddau: Em Abergenoli está o túmulo de Pryderi. 11 Pendaran Dyfed  Aprendemos das tríades que o pai adotivo de Pryderi era o chefe de uma das  principais   tribos   galesas. contudo. O mesmo conto situa sua tumba em Maen Tyriawg. ele aparece sob seu nome primitivo. Uma das tríades diz que os suínos eram do próprio  Pwyll e que Pryderi pastoreava­os durante a ausência de seu pai em Annwfyn. mas é mais  conhecido como Pryderi. Onde as ondas quebram contra a costa.   aquela   que   se   espraiava   por   Dyfed. graças às artes mágicas empregadas para vencê­lo em  combate singular. 44 conto. que  contam o nascimento de Pryderi depois da misteriosa expedição de Pwyll. Cigfa. Era um dos três principais guardadores de porcos da  ilha e era assim chamado porque cuidava dos animais de  Pendaran Dyfed. que se referem a ele utilizando  qualquer dos nomes.   um   vau   do   rio   Cynfael. atribuído a Taliesin. depois de tê­lo enganado por meios similares ao levar alguns  suínos que Pwyll recebera de Annwfyn e que ele e seu povo apreciavam muito. O   encontro   aconteceu   em   Melenryd. No conto  Culhwch e Olwen. em Emlyn.   No mabinogi de Math ab Mathonwy.   em  Merionethshire. não corresponde às circunstância  dadas  no texto. O nome da  esposa de Pryderi.  Essa versão. significa “a da festa”. recebe freqüentes alusões dos poetas. relata­se que Pryderi foi privado da vida  por Gwydion ab Dôn.

 se os corvos  deixarem a Torre. Bran vadeia o Mar da Irlanda.  mas todos  os  galeses  são mortos. o gigante Bran. e o  próprio   Bran   é   mortalmente   ferido.   Matholwch   leva   Branwen   para   a  Irlanda. Seu irmão. rei da Irlanda. . rebocando atrás de si uma frota de  navios  de guerra. dá a Matholwch um  caldeirão   mágico   que   pode   devolver   a   vida   aos   mortos. A tradição diz que. o país cairá sob a invasão estrangeira. 45 (Glamorgan) e Cardigan (tríade 16).   Entre   os   sete   que   escapam   incluem­se   Pryderi. FILHA DE LLYR Introdução O Segundo Ramo conta como Branwen ("Corvo Branco"). exceto sete.  Bran  significa "Corvo"  e um  bando de corvos é ainda hoje mantido na Torre de Londres.  Manawyddan (um deus marinho associado à Ilha de Man) e o bardo Taliesin. Além disso e do fato de que possuía uma imensa vara de porcos que Pryderi  guardava para ele no vale do Cuch e da menção feita a ele como um “jovem  pajem” no mabinogi de Branwen. filha do deus Llyr ("Mar"). onde hoje está a  Torre de Londres. I A chegada de Matholwch. para proteger a Grã­Bretanha de invasões.  Branwen  é resgatada. não restam dados sobre Pendaran Dyfed. casa­se  com Matholwch. Eles retornam a  Gales e Bran pede que sua cabeça seja cortada e enterrada no Monte Branco. O SEGUNDO RAMO DO MABINOGION  BRANWEN. mas a maltrata. o Abençoado.

 levando seus familiares a ser amigos quando sua ira estivesse no  mais alto ponto.   Seus   dois   irmãos   pelo   lado   materno   eram   os   filhos   de  Eurosswydd14  com sua mãe. o filho de Llyr. no rochedo sobre suas cabeças. E  um desses rapazes era um bom jovem. Ao verem os navios  próximos. e não virá a terra  a menos que obtenha de vós o seu dom.  Belas bandeiras de cetim estavam nelas. ­ O Céu vos faça prosperar ­ disse ele ­ e sede bem vindos.   examinando   o   mar.   e   seus   irmãos   por   parte   de   mãe.  ele estava em Harlech13. A quem pertencem  estes navios e quem é o chefe entre vós? ­ Senhor ­ eles disseram ­. Ao se sentarem. Lançaram então os botes e vieram para terra. ­ Para que ele vem? ­ perguntou o rei. os homens armaram­se e foram rumo aos navios. senhor ­ disseram eles ­.   Nissyen   e  Efnissyen. rei da Irlanda. na sua corte. ­ E o que seria isso? ­ inquiriu o rei. 46 endigeid Fran12. ­ E ele virá a terra? ­ Ele veio até vós como pretendente. em Ardudwy. ficaram certos de jamais ter visto embarcações melhor equipadas. está aqui e estes navios  lhe pertencem. era o rei coroado desta  ilha e era honrado com a coroa de Londres. que já podia ouví­los do lugar onde estava. e  sentou­se   no   rochedo   de   Harlech. ­ Vejo navios ao longe ­ disse o rei ­. e igualmente muitos outros nobres. e esse era Nissyen.   o   filho   de  Llyr. como era adequado ver­se em  torno   de   um   rei. de gentil natureza e faria a paz entre  seus parentes. viram treze navios vindo  rapidamente do sul da Irlanda em sua direção. Penardun. Viram que um dos navios sobrepujava  os demais e enxergaram um escudo erguido no lado do navio e a ponta do  escudo voltada para cima em sinal de paz.  Com   ele   estavam   seu   irmão   Manawyddan. O vento soprava atrás deles e  aproximavam­se rapidamente. Assim. Os homens acercaram­se o suficiente  para poder conversar. filho de Manogan. Matholwch. vindo velozmente em direção a terra. Certa tarde. . a filha de Beli 15.  Ordenai aos homens da corte que se armem e vão até lá para descobrir suas  intenções. saudando o  rei. Mas o outro levaria seus irmãos à contenda  quando estivessem em perfeita paz.

 No dia  seguinte.   se   bem   vos   parecer.   Começaram   o   banquete. reunindo a comitiva do visitante e os da corte.  Em  Aberffraw  começaram  a  festa   e  sentaram­se  da  seguinte maneira: o rei da Ilha do Poderoso e Manawyddan. E escolheram Aberffraw como o lugar onde se tornaria sua noiva. II A ira de Efnissyen. E quando lhes era mais agradável dormir do que se divertirem. Ela era uma das três principais damas desta Ilha e a mais linda  donzela do mundo. ­ Realmente ­ disse ele ­. que se casou com Branwen. deixai­os vir a terra e vamos então conversar.   a   fim   de   que. E  não estavam dentro de uma casa. Efnissyen. o filho de Llyr.   reuniram­se   em   conselho   e   resolveram   dar   a   mão   de   Branwen   a  Matholwch. Nesse dia. a  um lado e Matholwch do outro lado e Branwen. No dia seguinte. tornando­se ambas mais fortes.   e   vem   para   pedir  Branwen16.  . foram  descansar.   senhor   ­   disseram   eles   ­.   a   filha   de   Llyr. Matholwch e  sua   comitiva   em   seus   navios. Então   desembarcou   e   receberam­no   alegremente. rei da Irlanda. ­ De boa vontade irei ­ disse ele. Com essa  finalidade partiram e rumo a Aberffraw dirigiram­se as multidões. Casa alguma jamais pôde  conter   Bendigeid   Fran. 47 ­   Ele   deseja   aliar­se   convosco.   divertiram­se   e   fizeram  discursos. dispondo­os ordenadamente ao  longo do mar. ao lado dele.   Bendigeid   Fran   e   seu   séquito   por   terra.   até  chegarem   a  Aberffraw. chegou por  acaso ao local onde estavam os cavalos de Matholwch e perguntou de quem os  cavalos poderiam ser: ­ São os cavalos de Matholwch. a filha de Llyr.   a   Ilha   do  Poderoso17 possa unir­se à Irlanda.   Grande   foi   a   multidão   no  palácio naquela noite. o homem briguento de quem falamos acima. E essa resposta foi levada a Matholwch. mas sob tendas. eles se levantaram e todos os da corte e os oficiais começaram  a equipar e ordenar os cavalos  e os criados.

­ E é então o que fizeram com uma moça como ela. não teria chegado perto daqui. senhor ­ disse um da comitiva ­. ninguém jamais teve tratamento pior do que eu tive  neste lugar.  se  desejavam  insultar­me. os rabos quase  na raiz e. além de tudo minha irmã.  desfigurando os cavalos e tornando­os inúteis. Lançou­se sobre os cavalos e cortou­ lhes os lábios até os dentes. Chegaram com essas novas a Matholwch.   e   Hefeydd   Hir. ­ Que Branwen. se eu soubesse. ­ Senhor ­ disse um outro ­.   me  houvessem dado uma donzela de tão alta estirpe e tão amada por sua família  como fizeram. Fui  completamente insultado. uma das três  principais damas desta ilha e filha do rei da Ilha do Poderoso. cortou­as até o osso.   E   os   mensageiros   enviados   foram   Iddic. foi um insulto contra vós e como tal  deve ser entendido. ­   Na  verdade. dizendo que os cavalos haviam sido  desfigurados   e   machucados. vós vedes que assim é e nada tendes a fazer além  de irdes para vossos navios.  ­ Na verdade ­ disse ele ­. as orelhas até perto de suas cabeças. Mas uma coisa acima de todas me surpreende. me fosse dada  como minha noiva e depois disso eu fosse insultado. E logo ele partiu para seus navios. a filha de Llyr. 48 vossa irmã. Notícias chegaram a Bendigeid Fran de que Matholwch estava deixando a corte  sem   pedir   permissão   e   mensageiros   foram   enviados   para   perguntar­lhe   o  porquê   de   agir   assim.   Estes   o   alcançaram   e   perguntaram­lhe   o   que  pretendia fazer e por que partia. ­ O que é? ­ perguntaram eles.   de   forma   a   nenhum   deles   jamais   poder   ser  utilizado outra vez.  entregaram­na sem meu consentimento? Não me poderiam ter oferecido insulto  algum maior do que esse! ­ exclamou ele.   o   filho   de  Anarawd.   é  uma   espanto  para   mim   que. dele são os cavalos. ­ De fato. E fico maravilhado de que  o insulto não me fosse feito antes de me concederem uma donzela tão excelente  . onde quer que pudesse agarrar suas pálpebras.

 tão grande e alto como  ele mesmo e um prato de ouro do tamanho do seu rosto.   além   disso. ele não pode desfazer o  insulto. Resolveram então aceitá­la e retornaram em paz à  corte. senhor ­ disseram eles ­. ele terá um bastão de prata. assim penso. 49 quanto ela.   E. Manawyddan.  ­ Assim farei ­ disse ele. onde consideraram  que. Não obstante. III O casamento de Branwen e Matholwch. ele reuniu seu Conselho. ­ Bem. e Hefeydd  Hir e Unic Glew Ysgwyd e ide atrás dele para dizer­lhe que terá um cavalo  bom   para   cada   um   dos   que   foram   machucados. ­ Homens ­ disse ele ­. não há meios pelos quais o impedir de partir em  inimizade conosco que não iremos tomar. o mais provável seria sofrerem mais vergonha em lugar de obter uma  tão grande compensação. ­ Erguei­vos.   a   desonra   é   maior   para  Bendigeid Fran do que para vós. ­ Na verdade ­ disse ele ­. nem de qualquer um dos que estão no Conselho que  recebêsseis   tal   insulto. vou buscar conselho. Assim.   como  compensação pelo insulto18. senhor. A   embaixada   foi   até   Matholwch   e   disse­lhe   todas   essas   palavras   de   modo  simpático e ele as escutou. Deixai­o vir e  encontrar­se comigo ­ disse ele ­ e faremos a paz em quaisquer termos que ele  possa desejar.   Como   fostes   insultado. O Caldeirão da Renovação. filho de Llyr. se ele  recusasse a  proposta. ­ Exatamente ­ disse ele ­. Os homens retornaram com essa resposta ao lugar onde Bendigeid Fran estava  e contaram­lhe qual resposta Matholwch lhes dera. ­ Verdadeiramente. E contai­lhe quem fez  isso tudo e que foi feito contra minha vontade. mas quem o fez é meu irmão por  parte de mãe e seria então duro para mim condená­lo à morte. enviai­lhe uma outra embaixada. não era o desejo de qualquer um dos que estão na  corte ­ disseram eles ­. .

­   Llassar   Llaesgyfnewid. ­ Senhor ­ disse ele ­. Na manhã seguinte entregaram a Matholwch tantos cavalos treinados quantos  havia. sua esposa. sentaram­se agora.  vós lhe acrescentareis qualquer coisa que possais escolher e amanhã mesmo  vos entregarei os cavalos. E. que Matholwch não estava tão alegre quanto estivera  antes.  de  onde  obtivestes   o  caldeirão   que  me  destes? ­ Ganhei­o de um homem que esteve em vosso país ­ disse Bendigeid Fran ­. se um dos vossos homens for morto hoje  e jogado lá dentro. . e  não o daria a não ser a alguém que viesse de lá. ­   Meu  senhor  ­  disse  Matholwch   ­.   Ele   chegou   aqui   vindo   da   Irlanda   com   Cymideu  Cymeinfoll. E então viajaram para outro distrito.  E  é um  assombro para mim nada saberdes em relação a esses fatos. enquanto falavam. E pensou que o soberano poderia estar triste em razão da pequenez da  compensação que obtivera pelo erro que fora cometido contra ele. Uma segunda noite sentaram­se juntos. se é por causa da pequenez da compensação. amanhã ele estará tão bem como jamais esteve nos melhores  dias.   Pareceu   a   Bendigeid  Fran. exceto que não recuperará sua fala. esse distrito foi chamado Talebolyon. quando a  aqueceram  até  que ficasse rubra  ao redor deles  e fugiram  para cá. E eles  vieram comer e. onde o pagaram com potros até  completar o número total. ­ Quem era? ­ perguntou ele. Matholwch   deu­lhe   grandes   agradecimentos   e   ficou   muito   alegre   por   esse  motivo. o Céu vos recompense! ­ E eu vos aumentarei a compensação ­ disse Bendigeid Fran ­.  Matholwch   e   Bendigeid   Fran   começaram   a   discursar. como se haviam sentado no início da festa.  ­   Ó   homem   ­   disse   Bendigeid   Fran   ­. 50 Então os pavilhões e as tendas foram dispostos à maneira de um salão. que escapou da Casa de Ferro na Irlanda. pois vos darei  um caldeirão19 cuja propriedade é que.   não   estais   falando   nesta   noite   tão  animadamente quanto antes. Desde então.

 Então  meu   povo   se   ergueu   e   pediu­me   que   me   separasse   deles. pois não partiriam por sua própria  vontade. 'para onde estais viajando?' 'Vede'. E a criança que nascerá ao fim de um mês e uma quinzena será um  guerreiro totalmente armado'. duas vezes  maior   era   a   mulher. Empilharam  carvões   tão   alto   que   chegaram   ao   topo   da   câmara. 'este é o  motivo pelo qual viajamos. em razão  do   grande   calor. se o homem era alto. nem contra sua vontade poderiam ser compelidos a fazê­lo. Assim. Estiveram  comigo por um ano.   à  mulher e à criança uma abundância de comida e bebida. lá veio cada ferreiro  que havia na Irlanda e cada um que possuía tenazes e martelo. que eles vieram até vós.   Serviram   ao   homem. O homem permaneceu  até que as placas de ferro estivessem todas brancas de calor. estando o povo do país nesse dilema. eles vieram para cá ­ disse ele ­ e deram­me o caldeirão.   o   homem   chocou­se   contra   as   placas   com   seu   ombro   e  rebentou­as   e   sua   esposa   o   seguiu.   Obrigaram­me   a  escolher entre eles e meus domínios. ­ Sem dúvida. . através de  luta. levei­os comigo e sustentei­os. 51 ­ Na verdade. E. E. senhor ­ disse Matholwch a Bendigeid  Fran ­. E esse ano eu os tive comigo não de má vontade. Assim.   ninguém  escapou na ocasião. Quando perceberam  que  eles  estavam   bêbados. Pois.  eu estava caçando na Irlanda e cheguei a um monte junto a um lago. eu suponho. eles começaram a fazer­se odiados e a fazer desordens na terra. desde o começo do  quarto mês. ordenaram que fosse feita uma  câmara toda de ferro. E então.  cometendo afrontas e molestando e estorvando os nobres e as damas.   exceto   ele   e   sua   esposa. que é  chamado Lago do Caldeirão. Certo dia.   mas.   'Na  verdade'. E eu utilizei o conselho do meu país para  saber o que seria feito em relação a eles. Ao fim de um mês e uma quinzena esta mulher terá  um filho.   Eles   vinham   em   minha   direção   e   saudaram­me. disse­me. começaram   a por  fogo nos   carvões   ao redor  do  quarto e a soprá­los com foles até que a casa ficasse incandescente em volta  deles. E houve uma reunião no meio do chão do quarto. Quando o quarto já estava pronto. sei alguma coisa e tudo quanto souber vô­lo contarei. Vi um enorme homem de cabelos amarelos vindo  do lago com um caldeirão em suas costas. Era um homem de grande tamanho e  de horrível aspecto e uma mulher o seguia. eu perguntei. Mas  então houve murmúrios porque eles estavam comigo.

 Matholwch viajou para a Irlanda e  Branwen com ele. E no segundo ano ergueu­se um tumulto na Irlanda em razão do insulto que  Matholwch recebera em Câmbria e do pagamento que lhe fora feito por seus  cavalos. Seus irmãos de criação que. estavam mais próximos dele. ­ Realmente. Naquela   noite. nasceu­lhe um filho e o nome  que lhe deram foi Gwern. proibí já os navios. um  anel ou uma jóia real como presente com o qual era honroso ser visto ao partir. A vingança que tomaram foi afastar  Branwen do quarto dele e fazê­la cozinhar para a Corte. IV O desprezo a Branwen. E ele não pôde ter paz em razão do  tumulto até o vingarem dessa desgraça.   entretanto. como tais.  as balsas de transporte e os botes de irem a Câmbria e todos os que vierem de  .   quando   lhes   era   mais   agradável   dormir   do   que  permanecer   mais   tempo   sentados.   desfrutando   de   honra   e   amizade.  ocorreu que ela ficou grávida. onde houve grande alegria em razão da sua chegada.   ela   gastou   o   ano   com   muito   renome   e   passou  agradavelmente   seu   tempo. depois de picar a carne.   foram   descansar. Quando terminou. E ordenaram que o  açougueiro. fosse até ela e lhe desse a cada dia um  golpe na orelha.  Nessas   atividades.   continuaram   a   conversar   tanto   quanto   quiseram   e   tiveram  menestréis   e   diversão   e.   E. 52 ­ De que maneira vós os recebestes? ­ Espalhei­os em cada parte dos meus domínios e eles se tornaram numerosos e  estão   prosperando   por   toda   parte   e   fortalecem   os   lugares   onde   estão   com  homens e armas dos melhores jamais vistos. Partiram  de Aber Menei com treze navios e chegaram  à  Irlanda. Tal foi a punição que lhe deram.   E   assim   o   banquete  continuou com alegria.  culpavam­no abertamente por esse motivo. Nenhum grande  homem ou nobre dama visitou Branwen a quem ela não desse um broche. No devido tempo.  filho de Matholwch. senhor ­ disseram a Matholwch seus homens ­. Mandaram o menino para ser  criado num lugar onde estavam os melhores homens da Irlanda.

 Por essa razão foram os cavaleiros  deixados na cidade. Fez com que sete  vintenas e quatro países viessem a ele e queixou­se ele mesmo diante de todos  pela   aflição   que   sua   irmã   suportava. Assim ele fez e assim foi por não menos do que três anos. de modo que a carta fosse vista. amarrando­a  na raiz da asa do pássaro. Branwen criou um estorninho na cobertura da padaria do palácio.   o   filho   de   Anarawc  Gwalltgrwm e Fodor. filho de  Llaesar   Llaesgygwyd   e   Pendaran   Dyfed. o filho de Bran.   e   Hefeydd   Hir   e   Unic   Glew   Ysgwyd   e   Iddic.   entristeceu­se  excessivamente   pelas   notícias   das   aflições   de   Branwen. Em  Edeyrnion esses homens foram deixados. Escreveu uma  carta sobre suas aflições e sobre o desprezo com que era tratada. Os nomes desses sete homens eram Caradawc. com a multidão de que falamos. como o chefe deles e dos seus sete cavaleiros.   certo   dia.  E Caradawc. velejou para a Irlanda e não  estava ainda longe no mar quando chegou à água rasa. Bendigeid Fran. filho de  Bran.   encontrou   Bendigeid   Fran   em   Caer   Seiont.  Esses foram estabelecidos como sete ministros para encarregarem­se desta ilha.   Depois   de   a   ler. que enviou em direção à Grã­Bretanha. ensinou­o a  falar e ensinou ao pássaro qual era a aparência de seu irmão. A ave pousou em seu ombro e  arrepiou suas penas. Bendigeid   Fran   tomou   a   carta   e   olhou­a. V Bran parte para a Irlanda. onde estava reunido com seus nobres. filho de Erfyll.   Então   deliberaram   e   no   Conselho  resolveram   ir   para   a   Irlanda   e   deixar   sete   homens   como   príncipes   aqui   e  Caradawc20. prendei­os para que não possam voltar e fazer com que estas  coisas sejam conhecidas lá. Souberam então que o  pássaro fora criado em casa. 53 Câmbria até aqui. O pássaro  chegou   à   Ilha   e.   E   imediatamente  começou a enviar mensageiros que reunissem toda a Ilha.   como   um   jovem   pajem   com   eles. e Gwlch Minascwrn e Llassar.   em  Arfon. era o chefe entre eles. Não eram senão dois  . o filho de Bran.

 não há navio que possa  contê­lo. num lugar  onde jamais vimos uma só árvore. ­ Senhor ­ disseram os nobres a Matholwch ­. ­ O Céu vos proteja ­ ele respondeu ­. que pensais seja isso? ­ Os homens da Ilha do Poderoso. vimos uma floresta no mar. meu irmão. que vieram aqui por ouvirem sobre meus  maus­tratos e minhas aflições. uma vasta montanha ao lado da floresta que  se movia e havia um alto cume no topo da montanha e um lago em cada lado  do cume. ­ Na verdade ­ disse ele ­. exceto Branwen. tendes quaisquer novidades? ­ Senhor. ­ Senhor ­ disseram eles ­. um em cada  lado de seu nariz. Os   guerreiros   e   os   principais   homens   da   Irlanda   foram   reunidos  apressadamente e fizeram um conselho. Ele então  prosseguiu com todas as provisões que tinha em suas costas e aproximou­se das  praias da Irlanda. ­ Senhora ­ disseram eles ­. são os dois lagos que ladeiam o cume. ­ Que é a floresta vista sobre o mar? ­ perguntaram eles. ­ Que é o alto cume com um lago em cada um dos seus lados? ­ Ao olhar na direção desta ilha ele está irado e seus dois olhos. não há ninguém que possa saber qualquer coisa em  relação a isso. ­ As velas e os mastros dos navios ­ ela respondeu. Mensageiros foram mandados a Branwen. saudação a vós. senhor ­ disseram eles ­. ­ Isso sem dúvida é uma maravilha. chegando à água rasa. não há outro conselho além de  . vimos coisas maravilhosas. Vistes qualquer outra coisa? ­ Vimos. Os porqueiros de Matholwch estavam próximos da costa e foram a Matholwch. 54 rios: o Lli e o Archan foram chamados e as nações cobriram o mar. ­ Ai! Que é a montanha que se vê ao lado dos navios? ­ Bendigeid Fran. E a floresta e a montanha e todas essas coisas se moviam.

 exceto que aquele que será o chefe. conheceis a natureza deste rio. ­ Senhor ­ disseram os capitães ­. Eu o serei. .   Deste   momento   até   lá. destruindo a ponte que atravessa o rio. seu parente. 55 retirar­vos para além do Linon (um rio que há na Irlanda) e manter o rio entre  vós e ele. Foi então essa declaração proferida pela primeira vez e é ainda usada como  provérbio.   nenhuma   outra   resposta  obtereis de mim. ­ Pois Matholwch deu o reino da Irlanda a Gwern.  nós vô­la traremos e esperai que falaremos ao nosso rei. Quando ele se deitou atravessando o rio. Bendigeid Fran chegou a terra e a frota com ele pela margem do rio. os mensageiros de Matholwch chegaram até ele. ­ Em verdade ­ disseram eles ­. E isso ele coloca diante de vós como uma compensação pelo erro e  desprezo feitos a Branwen. E Matholwch será mantido onde quiserdes. tábuas foram colocadas  sobre ele e o exército passou por cima. vosso sobrinho e filho de  vossa irmã. seja  aqui ou na Ilha do Poderoso. a melhor mensagem que recebermos para vós. pela sua benevolência. ele não tinha merecido de Bendigeid  Fran senão o bem. Assim. Disse Bendigeid Fran: ­ Não terei eu mesmo o reino? Então porventura eu possa aconselhar­me em  relação   a   vossa   mensagem. que nada pode  atravessá­lo e que não há ponte sobre ele? ­ Não há nenhuma ­ replicou o rei ­. ­ Esperarei ­ respondeu Bendigeid Fran ­ e retornai rapidamente. Quando o gigante levantou­se. VI Uma casa para Bran.  e mostraram como. deixai­ o ser uma ponte. pois há no seu fundo uma  magnetita sobre a qual nenhum barco ou navio poderá passar. eles se retiraram pelo rio e quebraram a ponte.  saudaram­no e deram­lhe cumprimentos em nome de Matholwch.

  esquadrinhando a casa com olhares ferozes e selvagens e observou os sacos de  couro que estavam pendurados nos pilares. Entregai  vosso reino à vontade dele e prestai­lhe homenagem. E daquele modo ele fez a cada um deles até que. perguntando o que havia lá dentro. em razão da honra  que lhe fizestes  construindo­lhe uma casa. Efnissyen apalpou­o até chegar à cabeça do homem e apertou a cabeça até  sentir seus dedos se encontrarem no cérebro através do osso. ­ Comida ­ disse o irlandês. ­ Comida. considerando que ele nunca teve  uma casa que o pudesse conter. ­  Senhor ­ disseram eles  ­. Mas os irlandeses planejaram uma maquinação astuta. Ele nunca soube o que é  estar dentro de uma casa. boa alma ­ disse este. 56 Os mensageiros partiram e chegaram a Matholwch. de todos os duzentos homens. não há outro conselho exceto este apenas. Assim. ­ Que há nesse saco ? ­ perguntou ele a um dos irlandeses. E a astúcia  foi que pusessem suportes em cada lado dos cem pilares que estavam na casa. Tudo foi feito de acordo com o aviso de Branwen e a fim de que o país  não   fosse   destruído.  Colocaram um saco de couro em cada suporte e um homem armado dentro de  cada um deles. qual poderia ser vosso conselho? ­ Senhor. Efnissyen apalpou­o até sentir a cabeça e apertou­a como fizera aos outros. Os mensageiros então voltaram a Bendigeid Fran levando­lhe essa mensagem.  . ­ Meus amigos ­ disse Matholwch ­. Ele deixou aquele  saco e pôs sua mão sobre outro. Ele perguntou o que estava ali. boa alma ­ disse o irlandês. E   ele   buscou   o  conselho   e   no   Conselho   resolveu­se  que   essa  decisão   seria  aceita. fazei então uma casa que possa contê­lo e aos homens  da Ilha do Poderoso de um lado e a vós e ao vosso exército do outro. ele fará a paz convosco. ­ Comida. Ele absolutamente não escutaria aquela que lhe transmitimos. preparai  uma mensagem  melhor para Bendigeid  Fran. Então Efnissyen entrou antes do exército da Ilha do Poderoso.   A   paz   foi   feita   e   tão   vasta   quanto   forte   a   casa   foi  construída.  não deixara nenhum vivo senão um.

 Bendigeid Fran chamou o menino a si e de  Bendigeid Fran o menino foi para Manawyddan e foi amado por todos os que o  viram. A luta entre britanos e irlandeses. não o deixou até matá­lo. ela.  E então cantou uma estrofe." Logo após vieram os guerreiros  para a casa. Bendigeid Fran mantinha Branwen entre  . ele depressa o empurrou no fogo ardente. esforçou­se para também saltar no fogo. Os homens da Ilha da Irlanda  entraram na casa por um lado e os homens da Ilha do Poderoso pelo outro. E o menino alegremente foi até ele.   De   Manawyddan   o   menino   foi   chamado   por   Nissyen.   jamais  imaginado   por   alguém   desta   casa   foi   o   massacre   que   vou   cometer   neste  momento. do lugar onde estava sentada  entre seus dois irmãos. 57 Embora achasse que a cabeça deste estava protegida. Efnissyen se ergueu. E quando  Branwen viu seu filho queimando no fogo.  houve harmonia entre eles e a soberania foi conferida ao  menino. Quando se concluiu a paz. "Há neste saco um diferente tipo de comida: O combatente pronto para quando o ataque é feito Por seus companheiros. Tão  logo se sentaram. Então disse Morddwyd Tyllyon: ­ Os moscardos da Vaca de Morddwydd Tyllyon! Enquanto todos buscavam suas armas. VII Efnissyen mata Gwern. ­   Pela   minha   crença   no   Céu   ­   disse   Efnissyen   em   seu   coração   ­. preparado para a batalha. ­ Por quê ­ disse Efnissyen ­ não vem meu sobrinho. pegou o menino pelos pés e. Mas Bendigeid  Fran   agarrou­a   com   uma   mão   e   seu   escudo   com   a   outra. o filho de minha irmã.   o   filho   de  Eurosswydd.   Então   todos   eles  correram pela casa e nunca um tão grande tumulto foi feito por uma multidão  dentro de uma casa quanto o que foi feito por eles enquanto cada homem se  armava. indo amorosamente até ele. antes que qualquer um na  casa pudesse agarrá­lo. até  mim? ­ Alegremente o deixo ir a vós ­ disse Bendigeid Fran.

 que devo ter sido a causa de chegarem os homens da  Ilha do Poderoso a um tão grande dilema.   estareis   por   quatro   vintenas   de   anos. a cabeça será para vós  uma   companhia   tão   agradável   como   já   era   quando   em   meu   corpo. Gluneu  Eil Taran. Taliesin.   pensando   que   fosse   um   dos   seus. eles voltavam tão bons  lutadores   quanto   antes.   exceto   que   não   eram   capazes   de   falar. o filho de Muryel.   arremessaram­no   no  caldeirão. Contudo. não foram vitoriosos. Mas o esforço estourou também seu coração.   em   Penfro.   Dois   irlandeses   descalços  vieram   até   ele   e. Ynawc.  Os irlandeses acenderam um fogo sob o Caldeirão da Renovação. para sepultá­la  com o rosto em direção à França. os pássaros de Rhiannon cantando  para vós durante esse tempo. Ele   se   lançou   sobre   os   cadáveres   dos   inimigos. Em   conseqüência   disso. Manawyddan. apenas sete homens escaparam e ao próprio Bendigeid Fran um dardo  envenenado ferira no pé. Grudyen. Lançaram ali  os cadáveres até que estivesse cheio. em Londres. e Heylin. Bendigeid Fran ordenou­lhes que cortassem sua cabeça: ­ Tomai minha cabeça e levai­a ao Monte Branco21. o filho de  Gwynn Hen.   quebrando­o   em   quatro  partes. No dia seguinte. 58 seu escudo e seu ombro. Durante todos esses dias. pois.   E   quando  Efnyssien   não   viu   os   corpos   mortos   dos   homens   da   Ilha   do   Poderoso  ressuscitados em parte alguma.   Lá   podereis  permanecer e a cabeça intacta convosco até que abrais a porta que dá para Aber  . dentre todos  eles. Que o mal me castigue se eu não  encontrar uma libertação para eles.   Efnyssien   esticou­se   dentro   do   caldeirão.   E   em  Gwales. Em  Harlech estareis festejando por sete anos. Por um longo tempo estareis na estrada. pensou em seu coração: ­ Ai! Desgraçado sou eu.   os   homens   da   Ilha   do   Poderoso   obtiveram   tanto  sucesso quanto os irlandeses. Eis que os sete homens que escaparam foram Pryderi.

 Branwen era a oitava  com eles. em Talebolyon. O coração de Caradawc  partiu­se   de   tristeza   por   isso. . de modo que ninguém podia vê­lo matar os homens. a aflição esteve comigo desde que nasci. salvo que Caswallawn22. conquistou a Ilha do Poderoso e foi coroado rei em Londres.   Caswallawn  tinha  arremessado  sobre ele o Véu da Ilusão. por minha causa  foram duas ilhas destruídas! Ela então proferiu um alto gemido e assim se partiu o seu coração. 59 Henfelen e para a Cornualha. Branwen olhou em direção à Irlanda e em direção à Ilha do  Poderoso. o filho de seu primo. Pendaran Dyfed.   pois   ele   podia   ver   a   espada   que   matava   os  homens. ­ Que aconteceu a Caradawc. E não lhe agradou matar Caradawc porque  ele era seu sobrinho. e aos sete homens que foram  deixados com ele nesta ilha? ­ Caswallawn veio sobre eles e matou seis dos homens. VIII A morte de Branwen. Depois de haverdes aberto a porta não podereis  mais permanecer lá. o filho de Bran.  mas apenas a espada podia ser vista. escapou para a floresta ­ disseram eles. E agora ele é o terceiro cujo coração  se quebrou pela aflição. Fizeram­lhe  um sepulcro de quatro lados e enterraram­na nas margens do rio Alaw. Cortaram­lhe a cabeça e esses sete prosseguiram com ela. o filho de  Beli. Os sete homens viajaram para Harlech levando a cabeça consigo. O grupo chegou a terra em Aber Alaw. para ver se as podia enxergar. que permanecera como um jovem  pajem com esses homens. ­ Ai ­ disse ela ­. e sentaram­se  para descansar. ao chegarem  lá encontraram uma multidão de homens e mulheres. IX Os pássaros de Rhiannon. ­ Não temos nenhuma ­ disseram eles ­. ­ Tendes alguma novidade? ­ perguntou Manawyddan. Parti então para Londres para enterrar a cabeça e segui  adiante.  mas   não  sabia   quem  a empunhava.

 dando para o oceano. nada lembraram. é a porta que não podemos abrir. em Penfro. o período foi  chamado "a diversão da nobre cabeça".   inconscientes   de   jamais   terem   passado   um   tempo   mais   alegre   ou  tranqüilo. Certo dia. E não ficaram mais cansados do que no primeiro instante em que  chegaram. Ao fim do sétimo ano eles foram para Gwales. Em razão dessas quatro vintenas de anos. De todas as comidas que  tiveram diante de si e de tudo que ouviram. nem  de   qualquer  tristeza. embora aparecessem tão  distintamente como se estivessem perto.  fosse qual  fosse. Lá encontraram um  lugar bom e digno de um rei.   onde   pararam   para   descansar   e   providenciaram  comida   e   bebida.   Estavam   sentados   fazendo   a   refeição   quando   vieram   três  pássaros e começaram a cantar­lhes uma certa canção. nem disso. onde havia um espaçoso  salão. ­ Vede lá ­ disse Manawyddan ­. o filho de Gwynn: ­ O mal me castigue se eu não abrir essa porta para saber se é verdade o que  . aquela que olhava em direção à Cornualha. E a diversão de Branwen e Matholwch  foi no tempo em que foram para a Irlanda.   A  conversação  da cabeça  era­lhes  tão  agradável  como  se o próprio Bendigeid  Fran estivesse com eles. 60 Então   foram   para   Harlech. Eles entraram no salão e duas das suas portas estavam abertas. Nesse repasto continuaram por sete  anos.  Lá  permaneceram  quatro  vintenas   de  anos. X A Diversão da Nobre Cabeça. mas a  terceira porta estava fechada. Todas as canções que  eles   jamais   tinham   ouvido   eram   desagradáveis   em   comparação   a   essa   e   os  pássaros pareciam­lhes estar a uma enorme distância. E naquela noite eles se regalaram e ficaram alegres.   nem   qualquer   um   deles   sabia   o   tempo   que   haviam   estado   lá. XI A Terceira Ocultação Agradável. disse Heilyn.

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dizem a esse respeito.
Ele assim abriu a porta e olhou em direção à Cornualha e Aber Henfelen. E, 
quando   eles   olharam,   ficaram   conscientes   de   todos   os   males   que   tinham 
suportado, de todos os amigos e companheiros que tinham perdido e de toda a 
miséria   que   lhes   ocorrera   como   se   tudo   tivesse   acontecido   naquele   mesmo 
momento  e, especialmente,  do terrível  destino de seu senhor. Não puderam 
descansar por causa de sua perturbação, mas viajaram com a cabeça rumo a 
Londres. Sepultaram a cabeça no Monte Branco e, quando estava enterrada, 
essa foi a terceira ocultação agradável; e o terceiro descobrimento infortunado 
se deu quando ela foi desenterrada, já que nenhuma invasão pelo mar viria a 
esta ilha enquanto a cabeça estivesse oculta.

E esta é então a história contada por aqueles que viajaram pela Irlanda.

Na Irlanda ninguém ficou com vida, exceto cinco mulheres grávidas em uma 
caverna na floresta irlandesa. Essas cinco mulheres na mesma noite deram à luz 
cinco filhos a que alimentaram até se tornarem jovens adultos. Eles pensaram 
em esposas e ao mesmo tempo desejaram possuí­las. Cada um tomou como 
esposa   a   mãe   de   um   dos   seus   companheiros   e   eles   governaram   o   país23  e 
povoaram­no.

E estes cinco dividiram­no entre si. Por causa dessa partilha estão ainda assim 
arranjadas   as   cinco   províncias   da   Irlanda.   Eles   examinaram   a   terra   onde   a 
batalha teve lugar e encontraram ouro e prata suficientes para se tornarem ricos.

E assim termina esta parte do Mabinogion relativa ao golpe dado a Branwen, 
que foi o terceiro infeliz golpe desta ilha; e relativa ao entretenimento de Bran 
quando as hostes de sete vintenas e quatro países foram à Irlanda para vingar o 
golpe dado a Branwen; e relativa ao banquete de sete anos em Harlech e à 
canção dos pássaros de Rhiannon e à permanência da cabeça pelo espaço de 
quatro vintenas de anos.

62

NOTAS AO SEGUNDO RAMO

12 Bendigeid Fran 

Bran, o filho de Llyr Llediaith e soberano da Grã­Bretanha, de acordo com as 
autoridades   galesas,   obteve   seu   título   de  bendigeid  ou   “abençoado”   da 
circunstância de haver introduzido o cristianismo na ilha. A tradição nos conta 
que ele era o pai de Caradawc (Caratacus), cujo cativeiro asseguram­nos que 
compartilhou; e prossegue afirmando que, tendo abraçado a fé cristã durante os 
sete anos que ficou detido em Roma, voltou a seu país nativo e fez com que o 
Evangelho fosse ali pregado . A tríade 35 recita esses eventos:

Os Três Abençoados Soberanos da Ilha da Grã­Bretanha, Bran, o Abençoado, 
filho de Llyr Llediaith, que primeiro trouxe a fé de Cristo para   nação dos 
Cimbri [os galeses], ao vir de Roma, onde esteve por sete anos como refém 
por seu filho Caradawc, a quem os romanos fizeram prisioneiros através das 
artes e engano e traição de Aergwedd ab Coel ab Cyllyn Sant (usualmente se 
pensa que seja Cartimandua). O segundo foi Lleurig ab Coel ab Cyllyn Sant, 
que foi chamado Lleufer Mawr (“Luz Verde”) e construiu a igreja de Llandaf, 
que foi a primeira na Grã­Bretanha e que deu os privilégios de terra e de 
parentesco e de direitos sociais e de sociedade aos que eram da fé de Cristo. 
O terceiro foi Cadwaladyr, o Abençoado, que deu guarida em suas terras e 
com todos os seus bens aos crentes  que fugiram dos saxões sem fé e dos 
estrangeiros que poderiam tê­los matado.

O benefício que Bran assim conferiu a seu país trouxe a sua família a distinção 
de ser contada como uma das Três Tribos Sagradas. As famílias de Cunedda 
Wledig e de Brychan Brycheiniog seriam as outras duas.  

Bran é comparado a Prydain ab Aedd Mawr e Dyfnwal Moelmud como um dos 
três reis que   deram      estabilidade à realeza pela
excelência de seu governo (tríade 36).

63

Vários antigos documentos galeses aludem aos incidentes ligados a Bran no 
mabinogi  de Branwen. Assim,  no curioso poema  intitulado  Kerdd am  Feib  
Llyr, atribuído a Taliesin, estão as seguintes linhas (Myv. Arch., I, p. 86):

Eu estava com Bran na Irlanda,
Eu vi quando Morddwyd Tyllion foi morto.

E   há   uma   tríade   sobre   a   história   de   sua   cabeça   sendo   enterrada   no   Monte 
Branco, com a face voltada para a França, considerada um encantamento contra 
a invasão estrangeira.   Arthur, ao que parece, orgulhosamente desenterrou a 
cabeça.  

As Três Ocultações Fatais da Ilha: primeira, a cabeça de Bendigeid Fran ab 
Llyr, que Owain, filho de Macsen Wledig, enterrara sob o Monte Branco, em 
Londres, e, enquanto estivesse ali colocada, invasão alguma poderia ser feita 
na Ilha; a segunda foram  os ossos de Gwrthefyr, o Abençoado (Vortimer, 
Vortemir),   que   foi   sepultado   no   principal   porto   da   Ilha   e,   enquanto   lá 
permanecessem ocultos, todas as invasões seriam ineficazes. A terceira foram 
os dragões enterrados por Llud ab Beli na cidade de Pharon, nos rochedos de 
Snowdon. E as três ocultações foram feitas sob a benção de Deus e o mal 
sobreveio desde o tempo de sua revelação. Gwrtheyrn Gwrtheneu (Vortigern) 
descobriu os dragões para vingar­se da ofensa dos galeses, ele convidou os 
saxões  sob   aparência de homens  de defesa  para lutar contra os Gwyddyl 
Ffychti; e, depois disso, ele descobriu os ossos de Gwrthefyr, o Abençoado, 
pelo amor de Ronwen (Rowena), a filha do saxão Hengist. Arthur descobriu a 
cabeça de Bendigeid Fran porque escolheu não manter a Ilha senão por sua 
própria força. E, depois das Três Revelações, vieram grandes invasões sobre a 
raça dos galeses.

O nome de Bran ocorre freqüentemente nos poemas de Cynddelw e de outros 
bardos da Idade Média. 

As lendas mais antigas contam que Brennius, irmão de Belinus (Beli), brigou e 
lutou contra este, mas foram reconciliados por sua mãe, Tonuuena, e juntos 
marcharam sobre a Gália e conquistaram­na. Depois, submeteram Roma, que 
Brennius saqueou (390 a. C.). Brenus ou Brian foi o nome do condutor dos 
celtas em suas vitórias em Alia e Delfos.

Brennius, Brenus, Brian ou Bran deveria ser, na origem, uma divindade que 

 cuja história é aqui  contada. o Paraíso  Ocidental de Manannan mac Lir.   Uma   ou   duas.   dispensando  maiores  explicações. lembrando Collwyn ab  Tangno. e Bran. tão grande que casa alguma podia contê­lo.   13 Harlech Muitas   das   localidades   que   surgem   no   conto   de   Branwen   podem   ser  identificadas   apenas   com   o  auxílio   de   um   bom  mapa.   exigem   uma   pequena   explanação.   porém. o Abençoado.  Bran. Todavia.  Alguns   estudiosos   sugerem   que   Bran   seria   uma   divindade   até   mesmo   pré­ céltica.   situa­se   também   em  Merionethshire. Deve­se lembrar que Bran era  de um tamanho monstruoso.   ou   “Torre   de  Branwen”. inundado no tempo de Gwyddno Garanhir.  Edeyrnion. Há três Brans na mitologia céltica e no ciclo lendário: Bran.   De  Harlech. nos confins de Ardudwy. que veio da Irlanda  e estava destinado a retornar par lá. .   mas   Bran. 64 terminou sendo diminuída com o advento do cristianismo. o herói irlandês que atingiu a Ilha das Mulheres. Harlech  fica próximo da costa do mar. incorporada à tradição céltica posterior. de que a porção chamada  Dyirfryn Ardudwy  é o que resta do  Cantref y Gwaelod. chefe de uma das quinze Tribos Nobres do norte de Gales. filho de Febal.   o   introdutor   da   nova   fé   na   ilha.   Fizeram   dela.   que   o   texto   menciona   pouco   depois.   o   Abençoado. estava tão  firmemente enraizada na devoção dos britânicos que não foi possível erradicá­ la. mas  era um dos gigantes benevolentes e possuía tesouros mágicos que enriqueceram  a ilha.   parece   representar   um   deus   ancestral. o galgo de Fin.   Esse   processo   de  cristianização foi muito comum e não só no mundo celta. dos quais o principal era o Caldeirão da Renovação. Recebeu também o nome de Caer Collwyn. um dos seis distritos de  Merionethshire.   É   claro   que   os   mitos   irlandeses   e   galeses   estão   intimamente  conectados.   então.   pode­se   dizer   que   se   chama   também  Twr   Bronwen.

 C.   Esse   soberano   lutava  defendendo a independência de seu país frente aos ingleses e caiu vítima de  uma armadilha. consorte de Danu. também chamado Belinus.   último   príncipe   nativo   reinante   em   Gales. quando os fogos de todas as  casas deveriam ser apagados e novamente acesos com uma chama proveniente  da fogueira sagrada feita pelos Druidas. quanto pelo  paterno. .. Seria irmão do rei britano histórico Cunobelinos (“Cão de Belenos”). 65 Talebolyon é uma localidade em Anglesey. em 843. também em Anglesey. I d. foi a mãe de Bran. de maio.  do éc. incluindo Bran e Caradawc. considerada progenitora das  divindades da Irlanda (Tuatha Dé Dánann.   que   capturou   Llyr  Llediaith e toda sua família. o Grande. governante da tribo dos Catuuellauni e senhor de uma grande  região do sul da Grã­Bretanha. foi a residência dos príncipes de Gwynedd  desde o tempo de Roderick.  Em sua honra era celebrada a festa de Beltaine (“fogos de Belenos”) na véspera  de maio. É o rei chamado  Cymbeline  por Shakespeare. Conta­se  que foi enterrado numa urna de ouro.   esposo   da   deusa­mãe   Dôn   e  correspondia ao irlandês Bile. com Llyr. até 1282. Na   verdade. o  qual dizem ter sido ancestral de Arthur tanto pelo lado paterno. que. a noite entre 30 de abril e 1º.   Beli   era   o   deus   galês   da   morte.   o   general   romano  Ostorius.  Beli. Construiu  Billingsgate  em  Trinouantum  (Londres). filhos ou tribo de Danu”). fez muitas estradas e estabeleceu sua capital  em  Caer Husk.   sem   dúvida.    15 Beli.  14 Eurosswydd Eurosswydd   é. filho de Manogan Beli teve como filha ou irmã a Penardun. ano em que morreu  Llewelyn. Abberffraw. É mencionado como  tal na tríade 50. “povo.

 como é mais conhecida). é um dos muitos nomes dados à Grã­ Bretanha pelos galeses. é  uma das mais populares heroínas do romance galês. a ilha chamava­se  Clas Myrddin (“Recinto de Myrddin”). a “Ilha do Poderoso”. Fizeram­lhe um sepulcro de quatro lados e enterraram­na nos bancos do rio  Alaw (Branwen. Em   1813. 66 16 Branwen A bela Branwen (ou  Bronwen. As indignidades que  teve de suportar na Irlanda são referidas na tríade 49.   embora   o  personagem da heroína galesa e o papel que desempenha difiram grandemente  daqueles assinalados à confidente de Tristan e Yseult. a bela. Da mesma forma. enquanto esteve desabitada. 17 A Ilha do Poderoso Ynis y Kedyrn. Não menos celebrada por  seus   sofrimentos   que   por   seus   encantos. “a do alvo colo”.   percebemos   que   sua   tumultuosa  história foi um tema favorito para os poetas de sua nação.  também  Matholwch  parece   idêntico   a  Morholt. o  severo rei   da Irlanda   que  surge na história de Tristan e Yseult. Uma tríade em que muitas outras dessas denominações  estão preservadas. mas após sua colonização.   muito   simples   e   de   tosca   feitura. passou a ser  . VIII).   num   local   chamado  Ynis   Bronwen  (“Ilha   de  Branwen”) e atribuída à filha de Llyr.   uma   sepultura   contendo   uma   urna   funerária   foi   descoberta   nas  margens   do   rio   Anglesey. A   urna. pois concordava com a descrição do  Mabinogion: Bedd petrual a waned i Fronwen ferch Lyr ar lan Alawc ac yno y claddwyd   hi.  Branwen   parece   ser   a  Brangwaine  ou  Brangwain  do   romance. assevera que.   continha   ainda   cinzas   e   ossos  calcinados.

 a Ilha do Mel.  Possui três deltas principais e sete vintenas de subordinados. Arch. o Grande (Myv. Britânia]. A Grã­Bretanha tem três principais ilhas afastadas: Anglesey. p. 67 Fel   Ynis. Man e Lundy. filho de Aedd Mawr.   que   arrebatou   a   ilha   a   uma   raça   de  gigantes   que   a   aterrorizavam   e   dividiu­a   entre   seus   filhos   como   nos   conta  Geoffrey   de   Monmouth. E  depois que foi conquistada por Prydein. São estes os seus  nomes: Caer Alclut (Dumbarton) Caer Llyr (Leicester) Caer Hawyd Caer Efrawc (York) Caer Gent (Canterbury?) Caer Wyranghon (Worcester) Caer Llundein (London) Caer Lirion Caer Golin (Colchester) Caer Lloyw (Gloucester) Caer Gei Caer Siri Caer Wynt Caer Went (Gwent) Caer Grant (Cambridge) Caer Dawri (Dorchester) Caer Llwyd Coet (Lincoln) Caer Myrdin (Carmarthen) Caer yn Aruon (Carnarvon) Caer Gorgyrn Caer Lleon (Caerleon­on­Usk or Chester) Caer Gorcon (Worren?) Caer Cusrad Caer Urnas (Wroxeter) Caer Selemion Caer Mygeid (Meivod) Caer Lyssydit Caer Beris (Portchester) Caer Llion (Chester or Caerleon­on­Usk) Caer Weir (Warwick) Caer Gradawc . foi ela chamada  Ynis Prydein. i). depois que Brutus a conquistou. II. Pritânia.   “Ilha   da   Grã­ Bretanha” ou “Ilha de Brutus”..   que   foi     novamente   mudado   para  Ynis   Prydain.   A   mesma   tríade   afirma   que   algumas   autoridades  atribuem a designação mais moderna a Aed. Os Nomes da Grã­Bretanha Estes são os nomes da Ilha da Grã­Bretanha. O primeiro nome que esta ilha ostentou. Tem trinta e  quatro portos pincipais e trinta e três cidades importantes. antes que fosse tomada ou habitada:  Cercado de Myrddin. a Ilha de Prydein [Pretânia. E depois que foi tomada e habitada. Esse Brutus  seria   filho   do   príncipe   troiano   Enéias.

 que vá do chão até o rosto do rei quando sentado em sua cadeira e tão   grosso quanto seu anular”. onde a multa por insultar um rei estava  fixada em “cem vacas para cada cantref e um bastão de prata com três nós no  alto. O personagem tem um  caráter primordial: antes mesmo de ser habitada.  19 Um caldeirão Os   poderes   exercidos   pela   família   de  Llyr   graças   à  influência   do  caldeirão  possuem uma forte semelhança com aqueles dos Tuatha Dé Dánann.  o   aprisionamento   de   Merlin   por   Nimue. “Fortaleza do  Mar”)   acima   mencionada   é   um   reflexo   da   tradição   de   que   a   própria   Grã­ Bretanha seria vigiada por Merlin como seu espírito guardião.   enviando  . a ilha já levava o nome de  Merlin. a compensação aqui  oferecida a Matholwch está em perfeita concordância com o que exigem as leis  do rei galês do séc. Esotericamente. pois conheciam a  arte   de   ressuscitar   aqueles   dos   seus   que   caíssem   em   batalha. Asaph. a raça de  magos que outrora invadira a Irlanda. durante sua permanência na Ásia. esteve em  guerra com os sírios e obteve o triunfo com a ajuda da magia.   tem   sua   base   no  Clas   Myrddin  –   o   lugar   onde   Merlin   está  voluntariamente confinado para velar pela sorte da ilha. Albans)  Geoffrey   de Monmouth (1100? – 1154) foi bispo de St. Essa tribo. Escreveu a  Historia Regum Britanniae (“História dos Reis da Grã­Bretanha”) para celebrar  oss feitos de Arthur e sua obra Vita Merlini (“A Vida de Merlin”) foi a primeira  fonte de inspiração para os romances arturianos).  18 Uma compensação pelo insulto Exceto no que diz respeito ao tamanho da vara de prata. 68 Caer Widawl Wir (St. de acordo com o relato do “Livro das  Conquistas da Irlanda”. entre outras coisas.   como   narrado   nas   lendas   do   ciclo  arturiano. X.  A denominação  Clas Myrddin  (Myrddin  vem de  Mori­dunum. Hywel Dda.

 41.” Nessa tríade (a de  . Arthur foi até os portais do  Outro Mundo em busca de um desses caldeirões.  55). acredita­se que. pois. foi compartilhado por Bran. 34. embora não fosse um chefe  tribal. havia muitos caldeirões. para seu horror.   que   lhes   disseram   para   atravessar   os   corpos   dos   guerreiros   que  matassem com uma estaca de sorveira.   Há   muitas   tríades  relativas e essa importante ocorrência em sua vida (tríades 17.   Para   enfrentar   essa   dificuldade.   tornaram­se seus seguidores na necessidade do país contra o progresso do  inimigo e da destruição. saúde. apresentando­o como um dos “Três Governantes de Eleição”. “Os Espólios de Annwn”. Não á dúvida de que gozava de um alto grau de estima em sua nação. 24.   O   conselho   foi  seguido e os Tuatha Dé Dánann viram­se obrigados a deixar o país. veja nota n°. 1). Em geral. 20 Caradawc. é lembrado principalmente por seu cativeiro em Roma que. há outra tríade que corrobora  essa asserção. 69 demônios para animar seus cadáveres.  viam os inimigos que haviam matado tão vigorosos como antes.  Dizem­no   que  “os   homens   da   Grã­Bretanha. Llyr  Llediaith. vindo para a  luta. de modo que os sírios. seu pai.    Nos antigos mitos célticos. aonde quer que ele fosse em guerra.  de acordo com as autoridades galesas. filho de Bran Esse príncipe. E. se tivessem sido animados por  demônios. os homens da   Ilha seguiam­no e ninguém desejava permanecer em casa. conhecido sob seu nome latinizado de  Caratacus.   seu   avô.  tendo sido aclamado pela voz do país e do povo. inspiração e sabedoria.   e   todos   os   seus   parentes   próximos. rei da tribo  dos Catuuellauni.   Uma   delas   parece   afirmar   que  ele   foi   escolhido   por  seus   compatriotas  como general ou “rei de guerra” (o que corresponderia ao título romano  dux  bellorum) para repelir as incursões dos romanos.   do   príncipe   ao   escravo. com o  tempo. De acordo com Taliesin (Preiddeu   Annwn.   instantaneamente   se   transformariam   em   vermes.   recorreram   ao   conselho   de   seus  sacerdotes. 23. dispensando variadamente  dons de vida. esses caldeirões  cederam lugar ao  Santo Graal  e incorporaram­se às  comemorações da Grã­Bretanha medieval.

 O que o  entregou   nas   mãos   de   seus   inimigos   é   algo   que   se   lembra   com   muita  freqüência. Alguns   pesquisadores   pensam   que. Peniarth MS 54): Três Servidores Supremos da Ilha da Grã­Bretanha: Caradawc.  12. 12).   com   o   tempo. Em outro lugar.   o   texto   refere­se   mais  . Aruiragus   tornou­se   conhecido   na   história   romana   graças   a   uma   obscura  referência em Juvenal. o Mandubracius de Geoffrey  de   Monmouth)   e   sua   filha.  Outro   rei   identificado   com   Caratacus   chamava­se  Aruiragus  e   é   um  personagem bastante controverso. C. filho de Maxen Guledic.   a   história   de   Caratacus  tornou­se confusa na lembrança  popular e que ele foi o original  de Arthur. e Owen.  casando­se   este   com   a   filha   do   imperador   romano. A paz foi restabelecida entre Cáudio e Aruiragus. ele é chamado um dos “Três Servidores Supremos” (“Tríades Galesas”. em 43 d. 70 n°.   foram   os   traidores   e   são  sempre   mencionados   com   palavras   de   desprezo   e   execração.  Aruiragus   revoltou­se.   “Monte   Branco”. diz­se que Aruiragus deu a José de Arimatéia os  famosos doze campos na localidade de Glastonbury.   mas   a   paz   foi   restabelecida   pelos   bons   serviços   de  Genuissa. Afairwy ab Llud ab Bel (Androgenus. morto na invasão de  Cláudio à ilha.        Caradawc   é   também   louvado   como   um   daqueles   bravos   príncipes   que.   Mais   tarde. C.   em  razão de seu valor. Cunobelinos).   “Um   dos  oponentes dignos de Louvor” é outro dos títulos atribuídos a Caradawc. filho de Bran  e Caurdaf. feita entre os anos 80 e 90 d. onde ele  surge como oponente britano aos romanos. Geoffrey de Monmouth faz dele um  rei da Grã­Bretanha (que sucedeu a seu pai.. porque  ele resistiu à invasão dos exércitos de Claudius Caesar. poeta romano. 21 O Monte Branco Sob   o   nome   de  Gwinfrin.   Genuissa. filho de Caradawc. jamais puderam ser vencidos senão pela traição.   Aregwedd   Foeddawg.

71 provavelmente à Torre de Londres.. a filha de Mygnach Gorr. por fim. de acordo  com  a história. ele convidou os cidadãos a construírem casas ali dentro. o filho de Manogan. E. I. que sempre viram a  cidade como de sua própria fundação.  um dos “reis de guerra” da Grã­Bretanha (tríade 24). ele tinha um quarto filho chamado  Llefelys. o Grande. seu  filho  mais  velho. depois da morte de Beli.   é   um   personagem   muito  celebrado na história galesa.   que   lhe   foi   dado   pelos   romanos. amava a  esta mais do que a qualquer outra.  e. E. p.   e  Lludd governou  prosperamente   e  reconstruiu as muralhas de Londres e cercou­a com inumeráveis  torres. fala dela como “a branca eminência de Londres. . em sido atribuído a  celtas.  depois disso. Os encantos de Fflur. E ele morava lá durante a maior parte do  ano e assim foi ela chamada Caer Lludd e.   O estabelecimento da fortaleza da Inglaterra. tinha três filhos. por sua vez. De  acordo com o conto “Lludd e Llefelys”. são apontados como a  causa de sua incursão. ele era  um poderoso guerreiro e generoso e liberal em dar carne e bebida a todos que  os solicitassem. 22 Caswallawn Caswallawn.000 homens contra Iulius  Caesar. saxões e normandos. E depois  que a raça dos estrangeiros lá chegou. Arch. romanos.   o   filho   de   Beli.   geralmente   conhecido   pelo   nome   de  Cassiuelaunus. agora. em que os galeses. contudo as “Torres de Iulius” são  consideradas como pertencentes ao período normando primitivo. embora ele possuísse muitos castelos e cidades. tais que  quaisquer outras casas no reino não pudessem igualar.) e instituído. Relata­se que Caswallawn liderou um exército de 61. Londres teria sido fundada por Lludd  ap Beli:  Beli. Lludd e Caswallawn e  Nynyaw. É lembrado como um dos chefes escolhidos para  opor­se à invasão de Caesar (em 54 a. Caer London. Llywarch ab Llywelyn (Pryddid y Moch). um local de fama  espêndida” (Myv. C. além disso.28). XII e parte inicial  do XIII. ela foi chamada London ou Lwndrys. um poeta do séc. E. assim como Caradawc. parecem ter um interesse peculiar. E. o reino da Ilha da Grã­Bretanha veio às  mãos   de  Lludd.

Os três cavalos vivazes da Ilha da Grã­Bretanha:  Gwineu Goddwf Hir. o cavalo de Carndawg. filho de Cadgyffro  E Ceincaled. No relato irlandês “A Fundação do Solar de Tara”. 72 Ela fora capturada por Mwrchan. O feito inteiro colocou­o entre os “Três  Amantes Fiéis da Grã­Bretanha”. o cavalo de  of Cai. o cavalo de Gwgawn Gleddyvrudd. o cavalo de Owain. o cavalo de Gilbert. na época de Henrique II. Rhuthr Eon Tuth Blaidd.   sendo   os   outros   dois  Manawyddan e Llew Llaw Gyffes. um príncipe gaulês aliado de Caesar. a quem  ele  pretendia  dar seu prêmio. (Provavelmente   foi   esquecido   Melyngar   Mangre. Meinlas era o nome do cavalo de Caswallawn (Trioedd y Meirchion. A expedição  que Caswallawn  encabeçou  teve  sucesso: 6. O exército de Caswallawn não retornou com seu líder. Antes  da invasão dos anglo­normandos.  há detalhes interessantes sobre os cinco reinos da ilha: Trefuilngid Tre­eochair . o cavalo de Caswallawn. Bucheslwm Seri.  Connaught. E Tafawd Mr Breich­hir. filho de Urien.  23 As cinco divisões da Irlanda. pelo que é chamado um  dos “Três Exércitos Migrantes da Grã­Bretanha”. cavalo de Gwalchmai. Trefuilngid Tre­eochair. E Meinlas. Ulster e Meath. filho de Beli. Os três cavalos vigorosos da Ilha da Grã­Bretanha: Lluagor. 8) Os três cavalos saqueadores da Ilha da Grã­Bretanha: Carnalawg. a Irlanda  estava dividida numa pentarquia composta pelos reinos de Munster. Leinster.000 dos partidários de Caesar foram mortos e Fflur foi resgatada. o cavalo de Rhydderch Hael.  Algumas das circunstâncias dessa realização deram a Caswallawn a designação  de   um   dos   “Três   Fabricantes   de   Sapatos   Dourados”.   o   cavalo   de   Lleu   Llaw  Gyffes). “Tríades  dos Cavalos”): As Tríades dos Cavalos (do Livro Negro de Carmarthen.

[É   um   ramo   dourado. disseram eles. "Fácil dizer".  Tão  alto  quanto  uma   árvore  era  o  topo  de  seus  ombros. Com passos largos ele caminhou para  trás de nós." [Um detalhe interessante é que. "Porque te foi dado esse nome?". Cabelo  amarelo­dourado caindo em  cachos  até a altura de suas  coxas. Fintan depois declarou que Trefuilngid Tre­eochair era "um anjo ou o  próprio Deus. o ancião Fintan (Irlanda. disse ele.   isto   é. então.   Um   véu   de   brilhante   cristal   sobre   ele. Seu nome significa "branco  antigo" e sua genealogia é sempre indicada em filiação matrilinear) tem como  missão   mostrar   que   Tara   foi   e   deverá   continuar   a   ser   a   sede   da   Realeza  Suprema da Irlanda. disse ele. "Porque sou eu quem provoca o nascer­do­sol e  o seu poente.   Conaing   Bec­eclach. ele escolheu um dos  presentes para se tornar o depositário desse conhecimento. Ele conta o seguinte: "Uma vez estávamos fazendo uma grande assembléia dos homens da Irlanda  ao redor de Conaing Bec­eclach. O escolhido foi  Fintan.   objetos   ou   criaturas  multicoloridos   possuem   origem   sobrenatural. o rei Conaing Bec­eclach disse que isso poderia ser feito.   com   três  "frutos"   diferentes:   nozes. vimos nessa  assembléia um grande herói. Já "muitas cores" tem um significado importante: um  manto   de   [várias   cores   representa   o   druidismo.   É   uma   árvore   muitas   vezes   mencionada   no   Antigo  Testamento. aproximando­se de nós e vindo  do   oeste. Tábuas  de  pedra na sua mão esquerda. O gigante então declarou  que podia se sustentar somente com o aroma do ramo que ele trazia. ao contrário da prata. Rei da Irlanda. ao redor da assembléia. Sandálias em seus pés e não se sabe de que material eram. Quando se descobriu que não. Esse  ramo merece atenção.   maçãs   e   bolotas   (de   carvalho). o céu e o sol visíveis entre suas pernas em razão do seu tamanho e  beleza. disseram  eles. "e para onde vais e quais são  teu nome e sobrenome.   O   único   que   escapou   do   dilúvio."   Ele   respondeu   e   disse   "Que   desejais   de  mim?" "Saber de onde vieste".   como   uma   veste   de   linho  precioso. Certo dia. 73 Em  "A Fundação  da Mansão  de Tara". o ouro não é particularmente significativo. Ele fez  um pedido: que todos os irlandeses fossem reunidos naquele lugar.   O   ramo   é   de   madeira   do  Líbano.   de   madeira   do   Líbano. de modo que a referência a essa  árvore indica genericamente uma madeira rara e valiosa. então. O cedro não é nativo da Irlanda.   homem­druida   primordial. "do pôr­do­sol e  estou   indo   para   o   nascer­do­sol   e   meu   nome   é   Trefuilngid   Tre­eochair"  (tríplice portador da chave tripla)." [Trefuilngid Tre­eochair. . belo e poderoso. Depois  que todos estavam presentes. ele perguntou se havia alguém que conhecesse  toda a história da ilha. nozes e maçãs e bolotas do mês de  maio: e não maduro estava cada fruto.   Ele  atravessa o tempo transformando­se em diversos animais para transmitir o  conhecimento. a história do mundo e das coisas.   Na   tradição  irlandesa. um ramo com três frutos em sua mão direita e  eram estes os frutos que nele estavam." "Sem dúvida eu vim".  embora eles não fossem poucos.   cedro.  ciclo de  Ulster.   Maravilhamo­nos   grandemente   com   a  magnitude  de  sua  forma.   da   direção   do   pôr­do­sol. é quem provoca a aurora e o ocaso.  que   representa   autoridade. quando Trefuilngid Tre­eochair pediu que o  povo fosse reunido.   A   cor   dourada   indica   apenas   que   o   ramo   é  brilhante e precioso. mas seria difícil para os irlandeses sustentá­ lo durante o tempo em que permanecesse com eles. com seu ramo dourado de muitas cores de  madeira do Líbano atrás dele e um de nós lhe disse "Vem aqui e conversa  com   o   rei.   de   muitas   cores.

  lutas. conflitos.   inutilidade.   alicerce.   instituições. essa noz representa sabedoria.   disputas. administração da casa.   sabedoria.   feitos   de   armas. riqueza. beleza. decoro.   ensinamento.  festim de Tara a cada três anos) Prosperidade. generosidade. Prosperidade  ­  leste  (província:   Laighin. cerveja.   crônicas. as únicas atribuições direcionais  seguras existentes na tradição irlandesa (mas as fortalezas e celebrações vêm  da "História da Irlanda". poesia. [É ele próprio quem faz.   colméias.   o  cristal  representa   uma  técnica   e uma  perfeição   inacessíveis   às  habilidades  humanas.  sutileza. [A roupa que ele usa é um véu de cristal. ataques. a palavra cno indica ao mesmo tempo a noz e a avelã.   arrogância.   suprimentos. força. Lughnasadh) Batalhas. Beltaine) Sabedoria.   torneios. pois.  conhecimento.  destruições.  ofício  dos  mestres­poetas.   castelos). bens que não podem ser comprados por nenhum soberano deste  mundo.   estabilidade.   locais   incultos. [Talvez Trefuilngid Tre­eochair seja o deus do tempo gaélico. nesse mesmo conto. muitas artes.  hidromel.  aprendizagem.  abundância. Encontramos na lenda céltica barcos  de   cristal   e   edifícios   de   cristal   (casas. renome.   música.  ofício  dos  músicos.  orgulho. severidade. É com o aroma desse ramo que o gigante se  alimenta.   esteios. prosperidade.   esplendor. advocacia.   nobres.   chefes   de  família.  Samhain) Cachoeiras.   pacto.   conselhos.   bom   costume.   ensino.  riqueza.   fortaleza   real:   Tlachtgha.   fortalezas.  muitos tesouros.   dignidade.   Nesse   caso.   ofício   de   guerreiros.   nobres. A maçã é o amor  e   a   felicidade. cetim. guerras.   mordomos.   Leinster. fortaleza real: Uisnech.   fortaleza   real:   Tara.  soldadesca. em gaélico  medieval.   A   bolota   é   a   abundância.   ofício   de   condutores   de   carruagens.   Munster. histórias. modéstia. arte poética.  . 74 [A árvore de que foi retirado esse ramo combina as qualidades de seus frutos.  grandes   reis. hospitalidade. fertilidade.  A noz não é necessariamente a proveniente da nogueira. capturas. eloqüência. ciência.   ofício   dos   guerreiros.   enquanto   o   carvalho   indica  hospitalidade. sarja. florestas.  generosidade.  feiras. Meath)  Reis.   ofício   dos   menestréis. é ele quem regula o curso do sol (aurora e  poente).  principados.   boas   maneiras. [Realeza ­ centro (província: Mide.   audácia. de Keating):] Sabedoria ­ oeste (província: Connacht.   primazia. Ulster.   honra.   jogo   de  fidchell.   prodígios.  saqueadores. magia. fortaleza real: Tailtiu. tradição e lei. grande fama. Além de ser o  conhecedor de toda a história. Seja como  for. séquito.  dignidade. seda. trajes.   veemência.   julgamento. modéstia.  relatos. Música  ­  sul  (província:   Mumhan. código.   melodia.  abundância. Batalha ­ norte (província: Ulaid.  ferocidade.

75 O TERCEIRO RAMO DO MABINOGION MANAWYDDAN. FILHO DE LLYR .

 capturando a esposa do mágico que causara seu  desaparecimento e ameaçando enforcá­la caso ele não retirasse seu feitiço.   Manawyddan24  contemplou   a   cidade   de   Londres   e   seus  companheiros. ganhando assim a soberania sobre  Dyfed.   em   Londres. ­   Ai. Rhiannon e seu filho. meu irmão.   com   sua   face  voltada   para   a   França. onde encontram uma tigela de ouro ao lado de  uma   fonte. O país cai então sob um feitiço que faz todos os habitantes e suas casas desaparecerem. 76 Introdução No Terceiro Ramo. Manawyddan casa­se com Rhiannon. não fiqueis  triste.  Muita tristeza e peso caíram sobre ele. entram em um caer  (castelo).   bem   como   o  caer. uando os sete homens de que falamos acima já  haviam  enterrado  a  cabeça   de Bendigeid   Fran  no   Monte   Branco.   ai   de   mim!   ­   ele  exclamou. ­ Qual  seria ele? ­   Sete   províncias   continuam   sendo   minhas   ­   disse   Pryderi   ­. embora  possa ter agido mal para convosco. Pryderi e a terra de Dyfed. exceto eu mesmo. nem posso eu estar  feliz na mesma habitação que ele. talvez uma antiga fortificação de terra. jamais  estivestes  a  reclamar terras ou posses.   Céu   Todo­Poderoso. mas embora esse homem seja meu primo.   Quando   tocam   a   tigela. sem um lugar para descansar  nesta noite. Manawyddan casa­se com Rhiannon.   ambos   desaparecem. Sois o terceiro príncipe humilde desta ilha.   Manawyddan  recupera Rhiannon.  Vosso primo é rei da Ilha do  Poderoso e. entristece­me  não ver ninguém no lugar de Bendigeid Fran. ­ Não há ninguém.   soltando   um   grande   suspiro. Pryderi. ­ Sim ­ respondeu ele ­. I O Terceiro Príncipe Humilde. ­ Seguireis o conselho de outro homem? ­ Permaneço necessitando de um conselho ­ respondeu Manawyddan. ­  Senhor ­ disse Pryderi ­.   onde   mora  .  exceto os principais personagens do conto.

­   Não   desejarei. se jamais desejardes quaisquer domínios.  Ainda agora seu aspecto não é desagradável. ­ Com esse desejo eu de boa vontade concordo ­ disse Rhiannon. Quando estava no seu auge. ninguém era mais bela. ela se tornou sua noiva. ­ Que cochicho foi esse? ­ perguntou Rhiannon.  Irei   convosco  procurar  Rhiannon e ver vossos domínios. ­ Possa o Céu recompensar  aquele que me mostrou uma amizade tão perfeita quanto essa. Disse Pryderi: ­   Permanecei   aqui   pelo   resto   da   festa. ­ Eu vos demonstraria a melhor amizade do mundo se o permitísseis.   Eu   irei   a   Lloegyr25  prestar   minha  homenagem a Caswallawn.  meu  amigo. que vós e  Rhiannon desfruteis dela e. ­ Muito feliz também estou eu ­ disse Manawyddan. Manawyddan e Rhiannon então se sentaram juntos e começaram a  conversar e as palavras de Rhiannon inflamaram a mente e os pensamentos  dele. ­ Pryderi ­ ele falou ­. Manawyddan pensou em seu coração que jamais contemplara uma dama  mais cheia de graça e beleza do que ela.   o   Céu   vos   recompense   por   vossa  amizade. eu vos ofereci como esposa a Manawyddan. chegaram por fim a Dyfed.   Príncipe   ­   ele   disse   ­. filho de  Llyr. tomareis  esses. o filho de Beli. minha mãe. ­ Senhora ­ disse Pryderi ­. 77 Rhiannon. .   e  o  Céu  vos  recompense. jamais poderíeis ter visto  províncias tão belas quanto essas. quero que seja como dissestes. Eu a darei a vós e com ela as sete províncias e. Cicfa. ­   Eu   o  farei. Antes que a festa terminasse.  Uma festa fora preparada por Rhiannon e Cicfa para recebê­los em sua chegada  a Narberth. Eles partiram e. a filha de Gwynn Gloyw. embora  não tenhais posses além dessas províncias somente. é minha  esposa e. ­ Fareis bem ­ respondeu Pryderi ­ e acredito que jamais escutastes uma dama  falando melhor do que ela. uma vez que a herança das províncias pertence a mim. conquanto a jornada fosse longa.

 Era tal a amizade entre aqueles  quatro que não podiam separar­se nem à noite. descobriram que nunca tinham  visto terras mais agradáveis nas quais viver. II O encantamento sobre Dyfed. a caçar e a dedicar­ se aos prazeres. Pryderi foi encontrar Caswallawn em Oxford e prestar­ lhe homenagem. Depois   de   retornar. eles se ergueram e saíram. Depois  da névoa.   Seus   companheiros   estavam  verdadeiramente perdidos para eles. sem que estes quatro soubessem qualquer  coisa do que lhes acontecera. Terminaram então a festa. ­ Em nome do Céu ­ gritou Manawyddan ­. rebanhos. E começaram a percorrer Dyfed. nem melhores campos de caça e  tampouco maior abundãncia de mel e peixes. sem  qualquer   homem   ou   animal   dentro   delas.   nem   casa. Enquanto atravessavam o país. 78 ­   Senhor   ­   falou   Rhiannon   ­. Teve lá uma honrosa recepção e foi altamente louvado por  oferecer sua homenagem.   viveram  confortavelmente   e   dedicaram­se   aos   prazeres.  sobreveio um estrondo de trovão com a violência de uma tempestade e caiu  sobre eles uma névoa tão espessa que nenhum deles podia ver o outro.   nem   animal.   onde   se   originava   toda   honra. ­ Esperaremos ­ ele respondeu.   enquanto   aqueles   que   os  serviram comiam.   podeis   assim  permanecer na festa e aguardar até que ele esteja mais próximo.   nem   fumaça. moradias. onde estão todos os da corte e todos  . desertas  e desabitadas. Ao sentarem­se. Quando olharam na direção do  lugar onde antes estavam.   pois   era   o   palácio   principal.   Começaram   uma   festa   em  Narberth.   Ao  terminarem   a   primeira   refeição   daquela   noite. isto é.   nem   fogo. dirigindo­se todos os quatro ao  gorsedd.   nem   homem.   Caswallawn   está   em   Kent. o monte de Narberth e seu séquito com eles. No meio de tudo isso.   Pryderi   e   Manawyddan   festejaram. não enxergaram  nada. nem durante o dia.   nem  habitação. tudo em volta ficou claro outra vez. não viram gado.  nada além  das casas vazias  da corte.

 foram avisados a esse respeito e deliberaram para decidir se  deixariam a cidade.  nenhuma   sela   ou   capa   foi   comprada   de   qualquer   outro   seleiro   em   toda   a  Hereford. Desde  então   é   ainda   chamado  Calch   Lasar  (“esmalte   azul”). ­ Realmente ­ disse Manawyddan ­. mas no último ano começaram a sentir­se exaustos. Ele dourou­as  e coloriu­as com esmalte azul. do mesmo modo que vira ser feito por Llasar  Llaesgywydd. Reuniram­se  então e concordaram em matá­lo e a seus companheiros.   Começaram   a   viajar   pelo   país   e   por   todos   os   domínios   que  tinham.  entraram  no dormitório  e não  viram ninguém. III A peregrinação dos muitos trabalhos. Foram então para Lloegyr e chegaram até Hereford. caçaram e dedicaram­se  aos   prazeres. no entanto. começaram a alimentar­se das presas que mataram na caça e do mel  de   enxames   silvestres. Vamos para  Lloegyr e procuremos algum ofício pelo qual possamos ganhar nosso sustento. eles chegaram ao salão e lá não havia homem algum. Eles quatro então festejaram. 79 os   meus   acompanhantes   que   estavam   ao   seu   lado?   Vamos   ir   e   ver   o   que  aconteceu.  . Durante todo o tempo em que esse trabalho pôde ser feito por Manawyddan.   Como   já   haviam   terminado   a   festa   e   consumido   todas   as   suas  provisões. Ele fez o esmalte azul como fora feito por outro homem.   cada   um   dos   seleiros   percebeu   que   estavam  perdendo   muito   do   seu   ganho   e   que   homem   algum   comprava   deles   além  daquele que não podia obter de Manawyddan o que procurava. onde dedicaram­se a fazer  selas.   Assim   passaram   agradavelmente   o   primeiro   ano  e   o  segundo.   visitaram   as   casas   e   as   habitações   e   nada   acharam   além   de   bestas  selvagens. Manawyddan começou também a fazer capas para cavalos. ­ Pelo Céu ­ disse Pryderi ­. Eles.   porque   Llasar  Laesgywydd o forjara. Assim.   por   fim. não devemos esperar assim. não sou da opinião de que abandonemos a cidade. Foram ao castelo.   Até   que.  Na adega  e na cozinha nada  havia além de desolação.

 Eles  prosperaram   naquele   lugar. ­ Que ofício exerceremos? ­ disse Pryderi. Começaram então a fazer escudos. ­ Mas eu sei e irei ensinar­te a costurar. ­ Não suportemos tal ameaça da parte desses campônios. ­ Fabricaremos escudos ­ respondeu Manawyddan. Não tentaremos preparar o couro. ­ respondeu Manawyddan. pois. ­   Discordo   ­   ele   replicou.   terminaram  marcados   pelos   artesãos. ­ Pryderi ­ disse Manawyddan ­.   Porém.   a   ponto   de   escudo   algum   ser   encomendado   na  cidade   além   daqueles   que   eles   mesmos   fabricavam. moldando­os de acordo com os melhores  que já tinham  visto. ­ Qualquer um que desejeis e nós conheçamos ­ respondeu Pryderi.   pois   não   há   coragem  suficiente entre os sapateiros nem para lutar conosco.   ­   Vamos   fazer   sapatos. ­ Que ofício exerceremos? ­ disse Manawyddan.   que   se   reuniram   apressadamente   trazendo   consigo  seus concidadãos e todos concordaram em que deveriam procurar um meio de  matá­los. .   Mas   eles   foram   avisados   e   souberam   como   os   homens   haviam  decidido destruí­los. Partamos para outra cidade. ­ Nada sei sobre esse ofício ­ Pryderi comentou. ­ Sabemos algo sobre esse trabalho? ­ Tentaremos. Seria melhor para nós irmos buscar o sustento  em outra cidade. Caiamos sobre eles e  matêmo­los! ­ Discordo. ­ Caswallawn e seus homens poderiam  ouvir falar sobre isso e nós seríamos arrasados. se lutarmos com eles. Esmaltaram­nos  como  haviam  feito  com as selas. mas  o compraremos pronto e com ele faremos os sapatos. esses homens querem nos matar. nem para molestar­nos. ­ Discordo ­ disse Manawyddan ­. Assim. para outra cidade eles foram. 80 mas sim de que matemos esses campônios. adquiriremos má  fama e seremos jogados à prisão.

 Quando Pryderi e Manawyddan chegaram. Pryderi e Manawyddan levantaram­se para caçar. ­ Aproximemo­nos do arbusto ­ disse Pryderi ­ e vejamos o que está lá.   retrocederam   depressa. Eles juntaram  os   cães  e  saíram  do  palácio. Assim que chegaram perto. Entretanto. tão logo  haviam   chegado   ao   arbusto. E. nem tampouco permaneceremos mais tempo  em Lloegyr. eles reuniram­se e  deliberaram e concordaram que haveriam de matá­los. quando  os   sapateiros   perceberam   que   seus   ganhos   estavam   caindo   (pois   enquanto  Manawyddan dava forma ao trabalho.   Ele  observou como era feito até aprender o processo e. esses homens tencionam matar­nos. porém.  Reuniram seus cachorros ao seu redor e lá permaneceram por um ano. ficando um pouco mais longe  dos caçadores. desde então. 81 Assim. o javali retrocedeu uma  . foi chamado de  um dos "três sapateiros de ouro". Ele resistiu aos cachorros sem fugir deles até que os homens se  acercassem. um javali selvagem puramente branco surgiu de  dentro do arbusto. que investiram contra  o javali.  nenhum sapato ou meia era comprado dos sapateiros da cidade.   ordenou­lhe   que   fizesse   fechos   para   os   sapatos   e   os   dourasse. Associou­se ao melhor ourives da  cidade. deixou o arbusto e recuou. Eles então viajaram até chegar a Dyfed e foram em direção a Narberth.   Alguns  dos  mastins  correram   à  frente  deles   e  chegaram a um pequeno arbusto que estava bem próximo. Partamos para Dyfed e vejamos como se encontra. IV O castelo encantado. eles começaram comprando o melhor couro que havia na cidade e ele  não comprou senão o couro para as solas. Os homens então açularam os mastins. ­   De   modo   que   devemos   então   suportar   isso   desses   ladrões   grosseiros?   ­  Pryderi exclamou.   seu   pelo   fortemente  eriçado. Este. Pryderi e Rhiannon desaparecem. Não os mataremos. Certa manhã. Pryderi o costurava). Porém.   Assim   passaram   um   mês. à medida em que podiam ser obtidos dele. Lá  acenderam   o   fogo   e   sustentaram­se   caçando. ­ Pryderi ­ disse Manawyddan ­. ­ É preferível matá­los a todos! ­ Discordo.

 Mas no centro do pavimento do castelo ele  contemplou uma fonte com mármore trabalhado ao seu redor. Quem quer que  tenha sido o responsável pelo feitiço que caiu sobre esta terra também fez com  que esse castelo aparecesse aqui. Toda a sua alegria o abandonou para que ele não pudesse  proferir sequer uma palavra. imóvel. mas durante todo o tempo que lá estiveram. Quando o javali e os cães já  haviam desaparecido dentro do castelo. suas mãos  ficaram presas. 82 segunda  vez  e  preferiu  fugir.  Eles   então  o  perseguiram  até   enxergarem   um  vasto   e   imponente   castelo. nem  cães. Do alto da  gorsedd  eles olharam e tentaram  escutar os cachorros. nem besta.   todo   recentemente   construído. ­   Senhor   ­   disse   Pryderi   ­. nem casa. Se seguirdes meu conselho. Já era bem tarde quando. ­ Na verdade ­ replicou Manawyddan ­. nem habitação. Manawyddan esperou por ele até perto do fim do dia. Havia na borda  da   fonte   uma   tigela   de   ouro   sobre   uma   placa   de   mármore   e   correntes   que  pendiam do ar. Pryderi e Manawyddan começaram a  maravilhar­se por encontrarem um castelo num local onde jamais tinham visto  qualquer espécie de edificação.   eu   vou   entra   no   castelo   para   ter   notícias   dos  cachorros. Ao agarrar a tigela. O javali correu rapidamente  para dentro do castelo e os cães foram atrás dele. E Pryderi ficou ali. Agradaram­no grandemente a beleza do ouro e o rico artesanato da tigela.   num   lugar   onde  nunca antes tinham visto uma pedra ou construção. Ele  avançou para o precioso objeto e segurou­o. nem puderam saber coisa alguma a seu respeito. das quais ele não conseguia discernir o fim.  estando certo de que não teria  novas  de Pryderi  ou dos cães. bem como seus pés prenderam­se à placa acima da qual estava  colocada a tigela. não viu lá nem homem. nada ouviram  dos cães. seríeis tolo em entrar nesse castelo que  nunca antes vistes. nem javali. mas ainda assim não posso abandonar meus cães. ­ Realmente. Manawyddan  . Quando entrou no castelo. não entrareis lá.

  à placa.   Tão   logo   pôs   os   pés   dentro   do   castelo. Quando Cicfa. que estais fazendo aqui? Ela agarrou a tigela com ele e. levando Rhiannon e Pryderi.  Uma  névoa  caiu  sobre  eles   e o  castelo desapareceu. suas mãos prenderam­se à  tigela  e  seus  pés. 83 retornou ao palácio. .   estivesse   eu   na   aurora   da   minha   juventude. ­ O Céu vos recompense ­ ela disse ­. ­ Fostes um mau companheiro ­ Rhiannon acusou­o ­ e um companheiro bom  haveis perdido. ­ Onde ­ disse ela ­ estão vosso companheiro e vossos cães? ­ Vede que aventura ­ respondeu Manawyddan ­ ocorreu comigo.   durante   todo   o   tempo   em   que   agradar   ao   Céu  prolongar nossa tristeza e aflição. era esse o julgamento que eu fazia de vós.  Anoiteceu   então  e  um  trovão  se fez  ouvir. Tomo o Céu como testemunha  de que encontrareis em mim toda a amizade que puderdes desejar e que estiver  em   meu   poder   mostrar­vos. viu que no palácio não havia ninguém  além   dela   mesma   e   de   Manawyddan. ­ Ó meu senhor ­ ela disse ­.   Ficou  também   incapaz   de dizer   uma  só  palavra. encontrou­o aberto. A jovem dama tomou então coragem e ficou mais alegre.   ainda   assim  manteria   minha   lealdade   para   com   Pryderi   e   hei   de   mantê­la   também   para  convosco. não tenhais medo de mim. Rhiannon olhou para ele. E contou­lhe tudo. de acordo com a direção  que ele lhe indicara. O portão do castelo. Portanto.   percebeu  Pryderi segurando a tigela e dirigiu­se até ele.  Chamo o Céu como testemunha de que jamais vistes amizade mais pura do que  esta   que   terei   para   convosco   enquanto   o   Céu   desejar   que   estejais   assim.   entristeceu­se   tanto   que   não   lhe  interessava mais se iria viver ou morrer. a filha de Gwynn Gloyw. Com essas palavras. V A segunda viagem para Lloegyr. Ela não estava  nada   assustada   e   entrou. assim que o fez. Percebeu­o Manawyddan: ­ Estais enganada ­ disse ele ­ se é por medo de mim que vos entristeceis.  Declaro­vos   que. ela saiu e seguiu rumo ao castelo. Assim que entrou.

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­   Na   verdade,   senhora   ­   falou   Manawyddan   ­,   não   é   adequado   para   nós 
ficarmos aqui, pois perdemos nossos cães e não podemos conseguir comida. 
Partamos para Lloegyr, será mais fácil encontrarmos sustento lá.
­ Com satisfação, senhor ­ Cicfa respondeu ­, é assim que faremos.

­   Senhor   ­   ela   perguntou   ­,   qual   carreira   seguireis?   Escolhei   uma   que   seja 
decente.
­ Nenhuma outra escolherei ­ ele respondeu ­ senão a de fabricar sapatos, como 
fiz   anteriormente.   ­   Senhor,   tal   ofício   não   é   adequado   para   um   homem   de 
nascimento tão nobre quanto vós.
­ Entretanto, irei conformar­me com isso.

Ele começou então a exercer seu ofício e fez todo seu trabalho com o melhor 
couro que pôde obter na cidade. Como havia feito no outro lugar, mandou que 
fechos de ouro fossem fabricados para os sapatos. Exceto ele mesmo, todos os 
sapateiros   da   cidade   ficaram   desocupados,   sem   trabalho.   Pois,   enquanto 
podiam obtê­los de Manawyddan, nenhum sapato ou meia eram comprados de 
qualquer   outro.   Assim   permaneceram   por   um   ano,   até   que   os   sapateiros 
tornaram­se invejosos e reuniram­se para decidir o que fazer em relação a ele. 
Mas Manawyddan foi avisado disso e contaram­lhe que os sapateiros haviam 
concordado em juntar­se para matá­lo.

­   Portanto,   senhor   ­   exclamou   Cicfa   ­,   devemos   suportar   isso   desses 
campônios?
­ Não,voltaremos para Dyfed.
Assim, rumo a Dyfed eles partiram.

VI Retorno a Dyfed. As três plantações e o assalto dos ratos.

Manawyddan, ao iniciar a viagem de retorno a Dyfed, levou consigo um fardo 
de trigo. Ele prosseguiu em direção a Narberth e lá habitou. Nunca esteve ele 

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mais feliz do que ao ver Narberth outra vez e as terras onde se acostumara a 
caçar com Pryderi e Rhiannon. Ele habituou­se a pescar e caçar em suas terras. 
Manawyddan começou a preparar um terreno e semeou uma plantação e uma 
segunda e uma terceira. Trigo algum no mundo jamais brotou melhor. E as três 
plantações prosperaram com perfeito crescimento e nunca homem algum viu 
um trigal tão belo quanto esse.

Passaram­se as estações do ano até que a colheita chegou. Ele foi olhar uma de 
suas lavouras e viu que estava madura.
­ Vou ceifar isto amanhã ­ ele disse.
Naquela noite ele voltou a Narberth e pela manhã bem cedo, com a chegada da 
aurora, ele foi ceifar a plantação. Ao chegar lá, nada encontrou além da palha 
nua. Cada uma das espigas de trigo fora cortada da haste. Todas as espigas 
haviam sido levadas embora, não restando nada além da palha. E com isso ele 
ficou grandemente espantado.

Ele foi então examinar outro trigal e viu que também estava maduro.
­ Certamente ­ disse ele ­, este eu virei ceifar amanhã.
E pela manhã ele veio com a intenção de ceifá­lo. Ao chegar lá, nada encontrou 
além da palha nua.
­ Ó Céu cheio de graças ­ ele exclamou ­, eu sei que aquele que começou minha 
ruína está completando­a e também destruiu o país comigo.

Ele foi então examinar a terceira plantação e, quando chegou lá, encontrou um 
trigo melhor do que jamais fora visto e também este estava maduro.
­ Que o mal me castigue ­ disse ele ­ se eu não vigiar aqui esta noite. Quem 
quer que tenha levado os outros grãos virá da mesma maneira para carregar 
estes. E eu descobrirei quem é. Assim, ele apanhou suas armas e começou a 
vigiar a lavoura. Ele contara a Cicfa tudo que havia acontecido.
­ Na verdade ­ ela perguntou ­, que pensais fazer?
­ Vigiarei a plantação esta noite.

86

Ele foi vigiar o trigal. À meia­noite, então, surgiu o maior tumulto do mundo. 
Ele   olhou   e   viu   a   maior   multidão   de   ratos   do   mundo,   tão   grande   que   não 
poderia ser contada nem medida. Ele não soube o que era até que os ratos 
abriram caminho pela plantação; cada um deles subia pela haste e dobrava­a 
com seu peso, cortava as espigas de trigo e levava­as embora, deixando apenas 
a palha. Manawyddan viu que não havia uma só haste sem um rato pendurado 
nela. Todos eles seguiam seu caminho, carregando as espigas consigo.

Com ira e fúria ele correu para os ratos, mas não pôde aproximar­se deles mais 
do que se fossem mosquitos ou pássaros no ar, exceto por um só que, embora 
lento, ia tão depressa que um homem a pé dificilmente poderia alcançá­lo. Ele 
correu atrás desse, apanhou­o e colocou­o em sua luva, amarrando a abertura 
com uma corda e levando­o consigo ao retornar ao palácio. Ele então chegou ao 
salão onde Cicfa estava e acendeu um fogo. Ele pendurou a luva pela corda em 
um gancho na parede.
­ Que tendes aí, senhor? ­ Cicfa quis saber.
­ Um ladrão ­ respondeu Manawyddan ­ que encontrei roubando­me.
­ Que tipo de ladrão poderia ser, meu senhor, que podeis colocá­lo dentro de 
vossa luva?
­ Já vos direi.
Manawyddan mostrou­lhe então como seus campos tinham sido devastados e 
destruídos e como os ratos tinham vindo ao último dos campos bem sob seus 
olhos.
­   E   um   deles   era   menos   ágil   que   os   demais   e   está   agora   em   minha   luva. 
Enforcá­lo­ei amanhã e, pelo Céu, se a todos eu tivesse, a todos eu enforcaria.
­ Meu senhor ­ ela disse ­, isso é espantoso, mas ainda assim seria impróprio 
para um homem da vossa dignidade ser visto a enforcar um ser repugnante 
como esse. E, se agirdes bem, não vos ocupareis dessa criatura, mas deixareis 
que se vá.
­  A aflição recaia sobre mim se, podendo pegá­los, eu não os enforcasse a 
todos. Mas este único que tenho, irei enforcá­lo. 
­ Na verdade, senhor, não há razão pela qual eu socorreria esse verme, além de 

 um bom dia para vós. em velhas. ­ Vejo em vossa mão uma  criatura semelhante a um rato e parece muito impróprio para um homem da  vossa posição tocar um ser assim tão asqueroso como esse. senhora.  ninguém além daquelas quatro pessoas que haviam permanecido juntas até se  perderem duas delas. pobres e esfarrapadas vestimentas. ­ Senhor ­ disse ele ­. Há  sete   anos   Manawyddan   não   via   naquele   lugar   nem   homem. E que  trabalho estais fazendo. Ele montou  duas forquilhas  na parte mais alta  do  gorsedd. ó  sábio? ­ perguntou Manawyddan. Deixai que se vá em  liberdade. exceto quatro  segregados e vós mesmo. Enquanto fazia isso. ­ O Céu vos faça prosperar e minha saudação para vós. eu  aceitaria vosso conselho em relação a esse assunto.   senhor. ­ Soubesse eu de qualquer razão no mundo por que o devêsseis socorrer.   Fazei   portanto. pelo Céu! ­ exclamou  Manawyddan. onde estive cantando.   nem   animal. Irei enforcá­lo. atravesso esta terra para chegar à minha própria. ­ Eu o peguei  roubando­me e o destino de um ladrão eu hei de infligir­lhe. antes de ver um homem da vossa posição fazendo um  . ­ Não o deixarei  partir. senhor. 87 impedir   que   o   descrédito   recaia   sobre   vós. viu um  sábio vindo em sua direção. ­ Que tipo de ladrão é esse? ­ perguntou o sábio. VII Libertai o rato! Então ele foi para o gorsedd de Narberth levando o rato consigo. ­ Eu venho de Lloegyr. ­ Fazei­o então de boamente ­ disse ela. ­ Na verdade. Por quê o perguntais? ­ Porque nos últimos sete anos não vi homem algum por aqui. estou decidido a destruí­lo. senhor? ­ Estou enforcando um ladrão que apanhei a roubar­me. De onde vindes.   como  quiserdes. neste momento. ­ Meu senhor ­ disse o sábio ­. Mas como não conheço  nenhuma.

­ Um bom dia para vós. ­ Senhor. ­ O Céu vos faça prosperar ­ Manawyddan respondeu ­. um sacerdote  veio em sua direção montado num cavalo coberto com arreios. senhor. quando  estava a  ponto de enforcá­lo. mas. e tampouco o venderei! ­ Como o quiserdes. estais fazendo? ­ Estou enforcando um ladrão que apanhei a roubar­me. Será enforcado como deve  ser. prefiro dar­vos uma libra que recebi como gratificação para  que deixeis o animal partir livre. ­ Pelo Céu. eu não aceitarei qualquer valor por ele. pelo Céu. prefiro dar­vos três libras  para que o deixeis ir. que não é nada digno de se comprar. Manawyddan parou o que  estava fazendo. senhor? ­   Uma  criatura  em  forma de rato. E o próprio bispo foi em sua direção.  Esteve  me roubando  e vou infligir­lhe  o  destino de um ladrão. Manawyddan então  passou o laço  pelo pescoço  do rato e. viu a comitiva de um bispo. ­ Eu não o deixarei partir. Exceto pelo fato de que eu não desejaria ver um  homem de posição igual à vossa tocando um animal como esse. a ver que vos  estais sujando por tocardes nessa criatura repulsiva. eu preferiria comprar­lhe a  liberdade. senhor. antes de ver­vos tocando esse asqueroso. eu não me  importo absolutamente. senhor. ­ De boa vontade. E o sábio seguiu seu caminho. . E o sacerdote seguiu seu caminho. ­ A benção do Céu esteja convosco. ­ Pela minha confissão do Céu. fazei o que vos der satisfação. senhor. E o que. 88 trabalho como esse. com seus cavalos de aparato e  servidores. ­ É verdade. vossa benção. não irei vendê­lo nem tampouco libertá­lo. ­ Que tipo de ladrão. Enquanto ele estava colocando a trave sobre as duas forquilhas. senhor ­ disse ele.

 Dar­ vos­ei sete libras por ele. Devo saber quem é esse rato. ­ É minha esposa. Por que ela veio até mim? ­ Para despojar­vos. VIII Llwyd. portanto. ­ Isso também obtereis. Que trabalho estais fazendo? ­ Enforcando um ladrão que apanhei a roubar­me. ­ Ainda assim. 89 ­ Senhor Bispo. ­ Pelo Céu. ­ Uma vez que não o quereis libertar por tudo que já vos ofereci. ­ Isso que vejo em vossa mão não é um rato? ­ Sim. vossa benção. Pryderi e Rhiannon são libertados. ­ Isso obtereis. filho de Cilcoed. Deixai. ­ Uma vez que cheguei na hora de sua condenação. e lancei o encantamento  . E me roubou. pelo Céu! ­ Se não o quereis libertar pelo que já vos ofereci. que o rato parta livre. ­ Então que mais quereis? ­ Que o feitiço e a ilusão sejam removidos das Sete Províncias de Dyfed. Quero que Rhiannon e Pryderi sejam libertados. não libertarei esse rato. ­ Ainda mesmo que o seja. dar­vos­ei vinte e quatro libras em  dinheiro vivo para que o solteis. dizei qual é  vosso preço. dar­vos­ei todos os cavalos  que vedes nesta planície e as sete cargas da minha bagagem e os sete cavalos  sobre os quais estão. ­ Não o libertarei por quantia alguma. Deixai­o partir e  tereis o dinheiro. não o aceitarei ­ Manawyddan replicou. ­ É o que farei. ­ A benção do Céu esteja convosco. vou resgatá­lo de vós. ­ Ao Céu declaro que não o deixarei partir! ­ Se não o quereis libertar por essa quantia. não a libertarei. ­ Pelo Céu que não o libertarei. o que é preferível a ver um homem de posição igual à  vossa destruindo uma criatura repugnante tão vil quanto essa. Eu sou Llwyd. pelo Céu.

 Deixai. Na terceira noite. E foi para vingar Gwawl.   Manawyddan   ergueu­se   para  encontrá­los. pelo jogo do "Texugo na Bolsa". No entanto. Na verdade. saudou­os e sentou­se a seu lado. pela  amizade que lhe dedicava. ­ Vede. ­ Não o farei. E. quando se soube  que havíeis chegado para viver nesta terra. ­ Dai agora a liberdade a minha esposa. seja  sobre Pryderi. e destruíram vossas duas plantações. filho de Clud. pois. Imediatamente   surgiram   Pryderi   e   Rhiannon. que Pwyll Pen Annwn  precipitadamente jogou com ele na corte de Hefeydd Hen. Retirarei também o feitiço e a ilusão de Dyfed. que lancei o encantamento. Agora já  vos contei quem ela é. pois sobre vossa  cabeça poderia ter recaído todo esse problema. suplicaram­me que as transformasse e assim  eu   fiz. ali vêm eles ­ respondeu Llwyd. pelo Céu.   Porém. príncipe. irei devolver­vos  Pryderi e Rhiannon.   ela   está   grávida. Em Pryderi eu vinguei  Gwawl. ­ Sim. a  . deixai agora que parta minha esposa ­ disse o bispo.  E no mesmo instante soltou­a. uma vez que aconteceu e ela foi presa. todos os de minha casa vieram e  imploraram­me   que   os   transformasse   em   ratos   para   que   pudessem   destruir  vossos grãos. Rhiannon ou sobre mim mesmo. ­ Não a libertarei. 90 sobre as Sete Províncias de Dyfed. ­ Tudo obtereis. ­ Já não  recebestes tudo quanto pedistes? ­ Alegremente a libertarei. vieram a mim  minha esposa e as damas da Corte. ­ Ah. pelo Céu. Foram esses mesmos que vieram na primeira noite. agistes com sabedoria ao pedí­lo. até que veja Pryderi e Rhiannon livres comigo. foi por receio de que assim ocorresse que fiz tal pedido. que se vá.   Não   fosse   isso   e   vós   não   poderíeis   tê­la  apanhado. ­ O que mais quereis? ­ Vede o que devo ter: a promessa de que nunca vos vingareis por isto. filho de Clud. bem como na  segunda. Llwyd então a tocou com uma vara mágica e ela transformou­se numa jovem.

 filha de Mygnach  Gorr.  numa das quais se faz alusão a suas singulares aventuras: Três Fabricantes de Sapatos de Ouro da Ilha da Grã­Bretanha: Caswallawn. Em vista de tal servidão. ­ Olhai ao vosso redor e vereis vossa terra toda cultivada e povoada.   que   para   lá   fora   levada   para   Caesar. sua  mãe. e  Caswallawn trouxe­a de volta à Ilha da Grã­Bretanha. esta história é chamada  O Mabinogi  de Mynnweir  (“Coleira”) e Mynord (“Martelo”). E assim termina esta parte do Mabinogion. procurando obter um nome e armas de Arianrhod. Essa a servidão que lhes foi imposta. filho de Llyr Na origem. Manawyddan.   o   Imperador. filho de Dôn. filho de  Llyr   Llediaith. ­ Qual servidão ­ ele perguntou ­ foi imposta a Pryderi e Rhiannon? ­   Pryderi   teve   as   aldravas   do   portão   do   meu   palácio   sobre   seu   pescoço   e  Rhiannon usou a coleira dos burros depois que passaram a carregar feno em  seus pescoços.   Viu   todas   as   terras   cultivadas   e  cheias de rebanhos e habitações. rei daquele país e amigo de Iulius Caesar. quando ele foi à Gasconha para obter Fflur. como  esteve em seus melhores dias. . 91 mais bela jamais vista. Manawyddan   ergueu­se   e   olhou   em   volta.   Llew   Llaw  Gyffes. NOTAS AO TERCEIRO RAMO 24 Manawyddan. o  príncipe que figura como herói do presente mabinogi é objeto de duas tríades.   quando   estava   em   Dyfed   impondo   restrições. o Ladrão.  filho de Beli.um deus do mar que corresponde ao irlandês Mánannan mac Lir.   por   um   homem  chamado Mwrchan.

92 Na outra.   Ele  derrotou um exército de gigantes e acorrentou seus líderes.  pois. Locrinus governou a região que. mais tarde. navegou para a Grã­Bretanha e fundou uma  segunda   Tróia.   nas   margens   do   Tâmisa. de Locrinus. sendo ali reconhecido como líder dos troianos escravizados. Brutus acidentalmente matou seu pai e fugiu da Iália  para a Grécia. o  bisneto do troiano Enéias.  filho de Peredur. para  que fossem seus  porteiros. levou seu nome. O mítico  Brutus  é lembrado  como ancestral  dos  britanos.   embora   pudesse   fazê­lo  (“Tríades Galesas”. filho de  Elidyr Lydanwyn e Manawydan filho de Llyr Lledyeith e Gwgawn Gwrawn.  corresponde. filho mais velho do príncipe Brutus. pois já foram objeto de notas precedentes.  no  uso  moderno.  o nome também  aparece  como Loegres ou Logres. tríade 8. Peniarth MS 54): Três Príncipes Humildes da Ilha da Grã­Bretanha: Llywarch Hen. tendo sido instruído pela deusa Diana  enquanto dormia em seu templo. Ele  então os conduziu para fora da Grécia. Gog e Magog. filho de Eliffer Gosgordfaur. e.  tendo cultivado a arte dos menestréis após o cativeiro com seu irmão Bran em  Roma.  .  Os outros principais personagens cujos nomes surgem neste mabinogi são aqui  passados em silêncio.   à palavra  Inglaterra.   Tróia   Nova   (Trinouantum).  Na lenda arturiana. ele é apresentado como um dos  príncipes  humildes  da ilha.   ele   não   retomaria   sua   posição   mais   tarde.     25 Lloegyr É   o   nome  galês   para  a parte   oriental   e  maior  da  ilha.

93 O QUARTO RAMO DO MABINOGION  MATH. Gilfaethwy viola  Goewin. FILHO DE MATHONWY Introdução O Quarto Ramo conta como o mago Gwydion ("Selvagem?") e seu irmão. donzela que serve de escabelo a Math ("Riqueza" ou "Tesouro"). senhor de Gwynedd.  . Gilfaethwy. Pryderi persegue­os através de Gales até ser morto por Gwydion. usam as  artes mágicas para obter de Pryderi os porcos do Outro Mundo que o Senhor de Annwn lhe  enviara.

 terminando com sua chegada ao trono de Gwynedd.  Estas eram as sete províncias  de  Dyfed.   filho   de   Mathonwy. Blodeuwedd ("Rosto  de Flor"). o  filho de Pwyll. I A paixão de Gilfaethwy. seus  sobrinhos. o filho de Don. de  . Math. 94 no norte de Gales. Llew Llaw  Gyffes ("Leão da Mão Firme") e Dylan ap Ton ("Oceano. Ele amou­a tanto que não sabia mais o que fazer por  causa dela e logo sua cor. e Eneyd. Mah escolhe Arianrhod  ("Roda de Prata"). a mais bela de sua época. era o senhor das  vinte   e   uma   Províncias   do   Sul. Goewin conta a Math o que  aconteceu e diz que ele deve procurar outra para ocupar seu lugar.   A   donzela   que   estava   com   ele   era  Goewin27. quase do mesmo modo que Merlin guiará a vida  do jovem Arthur nos romances posteriores. em Arfon.   era   o  senhor de Gwynedd e Pryderi. ath26.   em   Arfon. Naquele tempo. entre as donzelas  conhecidas por lá.   Ele   não   era   capaz   de  percorrer o país. não podia existir a não ser que  seus   pés   estivessem   no   colo   de   uma   donzela. O ciclo de histórias  ligado a Llew inclui seu casamento com uma noiva magicamente criada.   as   sete   províncias   de  Morganwc. que demonstra não ser mais virgem dando à luz filhos gêmeos. os filhos de sua irmã. filha de Pebin de Dol Pebin. A donzela estava continuamente com Math e a afeição de Gilfaethwy. Math   sempre   habitou   em   Caer   Dathyl28.   exceto   quando   se   estivesse  preparando   para   o   tumulto   da   guerra. o filho de Don. o filho de Mathonwy. as quatro províncias de Ceredigiawn e as três de Ystrad Tywi. o filho  de Don. juntamente com seus domésticos. e ela era. Tais  eventos são dirigidos ou criados por Gwydion. recaiu sobre ela. mas Gilfaethwy. Filho da Onda). seu aspecto e seu ânimo mudaram por amor a ela. percorriam o  país em seu lugar. O escabelo de Math deve ser uma virgem. sua morte e renascimento.

Um dia. ­ Não é assim  que terás sucesso.   Os   animais   foram­lhe   enviados   de   Annwn   por  . ele ficará sabendo. ­ Como se chamam? ­ o rei perguntou. ­ Que vês em mim? ­ Vejo que perdeste teu aspecto e tua cor. ­ Quem é o dono deles? ­   Pryderi. Quando   viu   que   seu   irmão   conhecia   seu   desejo. o que te incomoda? ­ Meu senhor irmão. 95 sorte que não era fácil reconhecê­lo. é dono desta propriedade. conheço teu intento. eles foram até Math. ­ Jovem ­ ele disse ­. ­ Fica em silêncio.   ainda   que   em   tom   muito   baixo. senhor. ­ E que tipo de animais são? ­ São animais pequenos e sua carne é melhor que a dos bois.   se   o   vento   os  encontrar. e não suspires ­ falou Gwydion. Assim. que.   o   filho   de   Pwyll. seu irmão Gwydion olhou­o firmemente. ­ Sim. Powys e Deheubarth para conseguir a donzela. Tu amas Goewin. um levante de  Gwynedd. ­ Senhor ­ Gwydion disse ­. ­ Então eles são pequenos? ­ E mudam seus nomes. minha alma. ­ Porcos. Que a partir de agora  fique melhor o teu ânimo e eu farei os planos. se  homens   sussurrarem   juntos. ouvi dizer que chegaram ao sul certos animais  como nunca antes foram conhecidos nesta ilha. não me serviria confessá­lo a quem  quer que fosse. Provocarei. Portanto. Agora são chamados suínos. se não puder ser de outro modo. o filho de Mathonwy. ­ Mas que poderia ser. o que me incomoda. mantém tua paz. minha alma? ­ Tu sabes que Math. o filho de Mathonwy. o que te incomoda? ­ Por quê? ­ replicou o outro.   Gilfaethwy   soltou   o   mais  profundo suspiro do mundo.

 na primeira noite em  que chegamos à corte de um grande homem. Ele  e Gilfaethwy  partiram  e com eles  outros  dez homens. eu ficaria muito feliz em ouvir uma história de  algum dos vossos homens. ­ Realmente. onde ficava o palácio  de   Pryderi.   Foram   alegremente  recebidos e Gwydion foi acomodado ao lado de Pryderi naquela noite. Depois disso: ­ Senhor ­ ele disse a Pryderi ­.   ele  divertiu   a   corte   com   um   discurso   agradável   e   contos. e ainda mantêm aquele nome.   Sob   o   disfarce   de   bardos   eles   chegaram. podeis falar livremente. de que modo podemos obtê­los de Pryderi? ­ Eu irei. Eles  chegaram  a  Ceredigiawn. o rei de Annwn. Gwydion  era   o   melhor   contador   de  histórias   do  mundo. como um dentre doze sob o disfarce de bardos. ­ Vede então. ­ Senhor ­ falou Gwydion ­. meio  porco.  Assim. senhor. senhor. com toda a boa vontade. meio pântano. ­ Mas pode ser que ele os recuse a ti. quem recita é o chefe da canção. temos um costume pelo qual. II Na corte de Pryderi. senhor. não houvesse um acordo  . ­ De verdade ­ disse Pryderi ­. ao lugar agora chamado Rhuaddlan Teifi. seria mais agradável para vós que um outro  cumprisse minha missão em relação a vós do que se eu mesmo vos dissesse o  que é? ­ Não ­ respondeu Pryderi ­. eu contarei uma história. esta é a minha missão: obter de vós os animais que vos  foram enviados de Annwn. ­ Realmente. seria a coisa mais fácil de conceder. Não voltarei sem os suínos. A magia de Gwydion. ­ Minha viagem não será infrutífera.   Naquela   noite. 96 Arawn. procurar os  porcos.   de   tal   maneira   que  encantou a cada um na corte e conversar com ele deu grande prazer a Pryderi.

Gwydion e seus companheiros foram para o alojamento e deliberaram: ­ Ah. cães e escudos. ­ Senhor. Com os cavalos e os cães ele foi até Pryderi. com o pedido que fiz não obteremos os suínos. com suas coleiras e correias e ainda  os doze escudos dourados que ali vedes. Esses escudos ele formara com um fungo. O acordo é que não posso desfazer­me  deles até que tenham produzido o dobro do seu número. nem vender. Eu darei estes doze cavalos. ­ Bom dia para vós. senhor ­ ele disse. Podeis trocá­los pelo  que é melhor. todos ajaezados como estão. Fez com que  doze cavalos aparecessem e doze galgos.   ficando   com   seus  cavalos. ­ O Céu vos faça prosperar e saudações para vós. Eles   deliberaram   e   decidiram   dar   os   suínos   a   Gwydion. Sobre os cavalos havia doze selas e cada uma das  partes que deveria ser de ferro era inteiramente de ouro. As rédeas eram feitas  do mesmo artesanato. 97 entre mim e minha terra a respeito deles. como podem os animais ser conseguidos? ­ Eu farei com que os obtenhamos ­ disse Gwydion. ­ Bem ­ disse Pryderi ­. ­ Bem. cada um deles com o peito branco e  tendo doze coleiras  e doze correias que ninguém diria que fossem feitas  de  outra coisa que não ouro. III A fuga de Gwydion. eu posso liberar­vos de vossas palavras e este é o meio pelo qual eu o  farei: não me deis os suínos nesta noite. eis para vós a libertação da palavra que dissestes na noite de ontem  sobre os suínos: que não os poderíeis dar. Ele recorreu a suas artes e começou a trabalhar um encantamento. Prepara­se a batalha entre Gwynedd e Dyfed. ­ Senhor. com  suas selas  e suas rédeas e os doze galgos. . nem os recuseis a mim e amanhã de  manhã vos mostrarei uma troca por eles. meus homens. vou aconselhar­me a esse respeito.

­   Pryderi   está   reunindo   vinte   e   uma   províncias   para   perseguir­vos   ­  responderam­lhes.   meus   companheiros   ­   disse   Gwydion   ­. No dia seguinte. o filho de Don e Gilfaethwy. eles viajaram até a parte superior de Ceredigiawn. alcançaram aquele distrito em Powys que passou assim  a ser chamado Mochnant. sem a  . ­ Que novas há por aqui? ­ perguntaram eles. A ilusão não vai durar uma hora além deste mesmo horário amanhã. Naquela noite.   em   Caer   Dathyl. onde pernoitaram. pois há uma reunião de exércitos perseguindo­ nos. coninuaram  seu caminho através de Elenydd e.  por esse motivo.  Gilfaethwy tomou o divã de Math. quando anoiteceu. Colocaram­se em  ordem. à noite. eles ouviram as trombetas e o exército no país. chegaram à cidade que. ­ Construiu­se um chiqueiro para eles numa outra província. por essa razão. Então  foram adiante e.   é   necessário   viajarmos   com  rapidez. filho de Mathonwy. ­ Meus homens ­ disse Gwydion ­. ­Ah. Lá fizeram um chiqueiro  para os suínos  e. eles foram até Math. À noite. o nome de Creuwyryon foi dado àquela  cidade. partiram e chegaram a Penardd. entre Ceri e Arwystli. devemos prosseguir para a segurança de  Gwynedd com estes animais. seu irmão. por isso. 98 Então Gwydion e seus homens pediram­lhes licença e partiram com os porcos. IV Gilfaethwy viola Goewin. retornaram a Caer Dathyl.  Depois de fazer o chiqueiro para os suínos.   Quando   chegaram   lá. Eles viajaram para a província de  Rhos e o lugar onde permaneceram à noite é ainda chamado Mochdref.   estava   havendo   uma  mobilização no país. ­ Onde estão os animais em busca dos quais fostes? ­ quis saber Math. é ainda chamado Mochdref29. Logo depois. Eles viajaram para a maior cidade de Arllechwedd. Enquanto ele. o filho de  Mathonwy. até o lugar  que. também  se chama Mochdref. ­ É surpreendente que tenhais viajado tão lentamente. em Arfon.

 E os mensageiros chegaram a Math. os homens que iam a  pé   não   podiam   ser   impedidos   de   disparar   flechas. que novamente fugiram. filho de Don31.   em   Arfon. Até lá os homens de Gwynedd os seguiram e fizeram uma vasta  matança entre os do sul. Pryderi deu como reféns a Gwrgi Gwastra e a vinte e  três outros. A morte de Pryderi. botava para fora da sala as outras donzelas. mas os homens  do sul foram forçados a fugir. obrigava Goewin a  permanecer contra sua vontade.   Pryderi   despachou   uma  embaixada para Math. pois fora  este o provocador da contenda. Pela manhã. ­ Chamo o Céu como testemunha de que.  filho de Don. Grande foi a matança em ambos os lados. Pryderi disse que seria  mais justo que o homem que lhe causou esse dano opusesse seu próprio corpo  . ­ Realmente ­ disseram os mensageiros a Gwydion ­. Eles fugiram para o local que é agora chamado  Nant Call. Ali os homens de Dyfed se detiveram e pediram para fazer a  paz. V A paz entre Gwynedd e Dyfed.   Quando   chegaram   lá. eles voltaram ao lugar onde estava Math.   com   seu   exército. filhos de nobres. Para que pudesse ter paz. Contudo. assim que viram o dia. eu de boa vontade permitirei que assim seja. indo para o lugar chamado  Dol Pen Maen. a fim de pedir­lhe que proibisse seu povo de lutar e  deixasse a questão ser resolvida entre ele e Gwydion.   Dentro   de   dois   fortes   eles   se  posicionaram. Jamais compelirei  quem quer que seja a lutar. Maenor Penardd e Maenor Coed Alun30. se isso for agradável a Gwydion.   os   guerreiros  estavam deliberando sobre a localidade em que deveriam esperar a chegada de  Pryderi e dos homens do sul. a não ser que nós mesmos estejamos dispostos a dar  o melhor de nós. 99 menor cortesia. Lá Pryderi atacou­os e  teve lugar o combate. Eles foram para o conselho e resolveu­se aguardá­ los   nas   fortalezas   de   Gwynedd. enquanto seguiam juntos para Melenryd. o  filho   de   Mathonwy. eles viajaram em paz até Traeth  Mawr. Depois disso.

  muitos de seus melhores guerreiros e a maior parte de seus cavalos e armas. e todo  o pessoal da casa que estava com ele foram percorrer Gwynedd. sem retornarem à corte. Enterraram­no em Maen Tyriawc. buscai outra donzela para acomodar vossos pés. como estavam  habituados. Esses  dois   então  chegaram  ao  local  combinado.   não   seria   adequado   para   nós   que  soltássemos os reféns que nos foram dados pelos homens do sul como garantia  de paz? Pois não devemos jogá­los na prisão.  ­ Deixa então que sejam libertados ­ concordou o rei. pois  . aquele jovem e os outros reféns que estavam com ele foram libertados  para seguir os homens do sul. Gilfaethwy. pedirei que lute por meus direitos.  Tristes. e lá está sua  sepultura. Essa resposta levaram de volta a Pryderi. os homens do sul voltaram para sua própria terra. deixando que o povo de Dyfed ficasse incólume. acima de Melenryd. O próprio Math foi adiante para Caer Dathyl.   de   modo   que  pudesse colocar seus pés no colo da donzela. que disse: ­ A ninguém mais. ­ Senhor ­ disse Goewin ­.  armaram­se  e  combateram. Se for posível que eu mesmo lute com Pryderi. Math foi diretamente para sua câmara e  ordenou   que   um   lugar   lhe   fosse   preparado   para   reclinar­se. ­   Senhor   ­   disse   Gwydion   a   Math   ­. Pryderi  foi morto. VI Math toma Goewin como esposa. à ferocidade e pela magia e encantamentos de Gwydion. A punição de Gwydion e Gilfaethwy.  Graças à força. Cheios de alegria e triunfantes voltaram os homens de Gwynedd.   vendo   que   haviam   perdido   seu   senhor.  Assim. filho de Don. senão a mim mesmo. Não era de causar  espanto   que   estivessem   pesarosos. ­ Declaro ao Céu que não pedirei ao povo de Gwynedd para lutar por minha  causa. 100 ao dele. prazerosamente oporei  meu corpo ao dele.

  Rapidamente   agarrou   Gwydion   para   que   não   escapasse   e   golpeou­o   com   o  mesmo bastão. serás minha esposa  e a posse de meus domínios darei em tuas mãos. houve um alto barulho sob o muro  da câmara e o latido dos cães do palácio junto com o barulho. Eu não fiquei  quieta. por fim. e  Gilfaethwy. filho de Don. como viestes aqui vos colocar à minha disposição. . bom dia para vós. inesperadamente  foi feito contra mim. mas permaneceram nos  confins   do   país   até   que   se   tornou   proibido   dar­lhes   comida   e   bebida. Fizeram o mal contra mim e vos trouxeram desonra. irei fazer tudo que estiver em meu poder quanto  a esse assunto! Contudo. obedeceremos vosso desejo. mas não havia ninguém na corte que o pudesse saber.  Vinde a mim dentro de doze meses a partir de hoje. ­   Uma   vez   que   agora   estais   presos. 101 sou agora uma esposa. tiveram de fazê­lo. senhor. Gwydion e Gilfaethwy não se aproximaram da Corte.  Primeiramente. filho de Don. Ao término de um ano a partir daquele dia. eu não teria perdido meus guerreiros. isso sem falar  na morte de Pryderi. ­ Bem.   desejo   que   partais   juntos   e   sejais  companheiros e possuais a mesma natureza das criaturas cuja forma ostentais. não chegaram perto de Math. ­ Uma ataque. mas. ­ Que significa isso? ­ o rei perguntou. os filhos de vossa irmã. ­ Olhai ­ disse Math ­ o que está lá fora. primeiro farei com que sejas recompensada e depois  procurarei uma indenização para mim mesmo.  agora mesmo começarei a punir­vos! Ele   pegou   seu   bastão   mágico   e   golpeou   Gilfaethwy. transformando­o em outro cervo. é para compensar­me que viestes? ­ Senhor.   mudando­o   em   cervo. ­ Na verdade ­ ele exclamou ­. nem tantas  armas  quantas perdi! Não podeis compensar­me pela minha vergonha. Gwydion. Porém. Esse ataque foi  feito por vossos sobrinhos. Quanto a ti. ­  Pelo meu desejo. ­ Senhor ­ disseram eles ­.

 Ele  ergueu seu bastão e falou: ­   Como   cervos   fostes   no   ano   passado. ­ Este jovem eu pegarei e ordenarei que seja batizado.   Ao   chegar   lá   fora. Ao chegar. O rei se levantou e saiu. No fim do ano. Eis que esses três. E o nome que lhe deu foi Hydwn. o Falso. ­ Na verdade ­ disse Math ­. ao sair do palácio. 102 ­ Eu olhei.   viu   três  animais. ­ Agora. . os três fiéis combatentes. foi para fora e. viu os três animais.   no   ano   que   há   de   vir   sereis   porcos  selvagens. este eu vou pegar e fazer com que seja batizado. ­ Ide e sede suínos selvagens e que tenhais a natureza de suínos selvagens. ele escutou um clamor e um ladrido de cães sob  o muro da câmara real. viu dois lobos e um  forte filhote com eles. ­ Este eu vou pegar ­ disse Math ­ e fazer com que seja batizado. o latido dos cães foi escutado sob o muro da câmara real. senhor ­ disse alguém ­. Tocou­os imediatamente com seu bastão mágico e eles se tornaram lobos. Ele golpeou­o com seu bastão mágico e o filhote tornou­se um lindo jovem de  cabelos ruivos e o nome que o rei lhe deu foi Hychdwn. Que  estejais sob este muro dentro de doze meses a partir de hoje. O rei ergueu­se. A  Corte   reuniu­se   e   logo   o   rei   se   ergueu   e   saiu. quanto a vós. como fostes porcos selvagens no ano passado. ­ Que sejais da natureza dos animais cuja semelhança está sobre vós e retornai  aqui sob este muro no prazo de doze meses a contar deste dia! No mesmo dia ao fim do ano. há dois cervos e um filhote com eles. sereis um  casal de lobos pelo ano que está por vir. Há um nome  pronto para ele e é Bleiddwn.   Foram   estes   os   animais   que   ele   viu:   dois   porcos   selvagens   das  florestas e um filhote bem crescido com eles. Golpeou­os imediatamente com o bastão mágico. que era muito grande para sua  idade. tais são eles: Os três filhos de Gilfaethwy.

Depois de preparados. pelo erro que contra mim cometestes suficientes já foram vossa  punição e vossa desonra. VII Arianrhod. Logo  uma pequena forma foi vista mas. ­ Ah. qual donzela devo buscar? ­ Senhor ­ disse Gwydion. outra que o seja mais do que eu. Eles   assim   batizaram   o   menino   e.   ele  golpeou  os  dois   com  seu bastão  mágico   e  eles   reassumiram  sua  própria natureza. o filho de Don ­. o Alto. Fazei agora um bálsamo precioso para estes homens. antes  que qualquer um pudesse dar uma  segunda olhada. vossa sobrinha. filha de Don. ­ Passai por cima disto ­ ele disse ­ e saberei se és a donzela. Então Math pegou seu bastão mágico e depositou­o no chão. Imediatamente. Trouxeram a donzela até Math e ela entrou. ela se dirigia para a porta. fácil é dar­vos conselho. O nascimento de Dylan e Llew.   tão   logo   acabaram   a   cerimônia. senhor. Gwydion pegou­a. 103 Bleiddwn. ­ Ó homens ­ disse o rei ­. O lugar onde a ocultou foi o fundo de uma arca nos pés de sua cama. quando já estava no mar. jovem dama. Dai­ me vosso conselho. envolveu­a numa echarpe de veludo e a  escondeu. vós obtivestes paz e tereis igualmente amizade.  ordenarei que seja batizado e Dylan será o nome que lhe darei. eles foram até Math. filha de vossa irmã. ­ Ó homens. Ela passou sobre o bastão mágico e surgiu em seguida um belo e roliço menino  de cabelos loiros. Buscai  Arianrhod32. Hydwn e Hychdwn.  lavai suas cabeças e aprontai­os.   ele  mergulhou no mar. Então. Enquanto o menino gritava. ele mostrou sua  . és tu a donzela? ­ Desconheço. ­   Realmente   ­   disse   Math   em   relação   ao   belo   menino   de   cabelos   loiros   ­.

  Ele   foi   para   o  Castelo   de   Arianrhod33. Embora não fosse alto. quando então estava grande como se tivesse oito. E o golpe pelo qual encontrou a morte foi desferido por seu  tio Gofannon. Por  essa   razão. Gwydion   certo   dia   saiu   caminhando   e   o   menino   seguiu­o.   Quando  chegou à corte.   tendo   o   menino   consigo. ­ O Céu te faça prosperar. No  segundo   ano. pequena será tua desgraça.   Ele  combinou   com   a   mulher   que   ela   cuidaria   do   menino. ele parecia. 104 natureza e nadou tão bem quanto o melhor peixe que estivesse nas águas. Ele pegou o menino em seus braços e levou­ o   a   um   lugar   onde   sabia   haver   uma   mulher   que   poderia   amamentá­lo.   E   este   foi   assim  alimentado naquele ano. O menino foi então educado na corte até  os quatro anos de idade.   Debaixo   dele   jamais   se  quebrou uma onda.   o   Filho   da   Onda. Foi chamado "o terceiro golpe fatal". Quem é o menino que te segue? ­ ela perguntou. Gwydion notou­o e o menino tornou­se­lhe familiar. No fim do ano. Ao abrí­la.   era   um   menino   grande. VIII Arianrhod amaldiçoa Llew. uma criança de dois anos. era  o bastante para que pudesse ouví­lo.  Arianrhod ergueu­se para encontrá­lo e deu­lhe as boas­vindas.   Uma   manhã.   capaz   de   ir   sozinho   à   corte. viu uma criança de colo estendendo os bracinhos das dobras  da echarpe e tirou­a dali de dentro.   quando   Gwydion   estava   deitado   em   sua   cama. amando­o  mais do que a qualquer outra pessoa.   acordado. por seu tamanho. Então ele se levantou depressa e abriu a  arca. ­ Ai! Que te aconteceu para me envergonhares assim? Por quê buscas minha  desonra e a guardas por tanto tempo?  ­ A menos que suportes desonra maior do que eu estar criando um menino  como este.   ele  escutou um choro dentro da arca que ficava nos pés.   Quando   entrou   na   corte.   foi   chamado   Dylan. ­ Qual o nome do menino? . ­ Este jovem é teu filho.

 Fez  então uma vela para o barco.  Lá. ­ Estes ficaram muito grandes. Os sapatos foram levados a Arianrhod e ela viu que estavam muito  grandes.   porém  maiores. a fim de que não os reconhecessem. colocando outra aparência sobre si mesmo e  sobre o menino.   ele   fez   sapatos   para   ela. Foram. ele ainda não tem nome. E. o  menino terá um nome.  Gwydion viu alguns juncos e algas marinhas e transformou­os em um barco. Ao chegarem. Assim. Deu­lhe  cor de tal maneira que jamais alguém viu couro mais belo do que esse. ­ São sapateiros ­ responderam­lhe.  quanto a ti. tomai a medida do meu pé e dizei ao sapateiro que faça sapatos para  mim.  entre   o lugar  onde  estavam  e  Aber  Menei. No   dia  seguinte. ­ Que homens são aqueles naquele barco? ­ perguntou Arianrhod. ­ Ide e vede que tipo de couro possuem e que espécie de trabalho fazem. ao encontro deles.   mas   não   de   acordo   com   a   medida. Foram  ambos  caminhar  pela   orla  do mar. o que te aflige é que já não és chamada uma donzela! Furioso. onde passou aquela  noite. ­ Bem. por mais desagradável que isso possa ser para ti. Gwydion começou a dar forma aos sapatos e a costurá­los até ser  observado   pelos   habitantes   do   castelo. ­ Bem.  ele  se levantou  e  tomou o menino  consigo. eu vou lançar este destino sobre ele: jamais terá um nome até que de  mim o receba. 105 ­ Na verdade. ­  . Ele e o menino entraram no porto do Castelo de  Arianrhod. E  de madeira seca e juncos fez couro de cordovão em grande quantidade. mas ele receberá seu pagamento ­ ela disse. portanto. Gwydion estava dando a cor  a um couro de cordovão e dourando­o. ele partiu imediatamente e voltou a Caer Dathyl. disfarçou seu aspecto.   Quando   soube   que   já   o   estavam  observando. ­ Ante o Céu eu seja testemunha de que és uma mulher malvada! Contudo. Os mensageiros retornaram e contaram­ no a Arianrhod.

 Fico surpresa de que não consigais fazer sapatos de  acordo com uma medida. ­ Na verdade ­ falou Gwydion ­. não prosperareis da melhor forma fazendo­me o mal. ele terá armas. entre o tendão e o osso. eu não lhe farei mais sapatos. acertando­a na pata. Eles então foram para Dinas Dinllef35. Logo   uma   enorme   carriça   pousou   no   assoalho   do   barco   e   o   menino   atirou  contra ela. O trabalho então desapareceu em algas e juncos. ­ Que o Céu não te recompense. ele devolveu ao menino e a si mesmo suas próprias formas. a não ser que  veja seu pé. ­ Na verdade ­ disse ela ­. mas ele já ganhou um nome. Ele não mais continuou a fazê­ lo. vou lançar um destino sobre essa criança: ele nunca  terá armas e armadura até que eu mesma o invista com elas. ­ Dizei­lhe que nestes meus pés não cabem. ­ Realmente ­ ela disse ­. ­ Bem ­ disse Arianrhod ­. seja tua malícia qual for. Llew Llaw Gyffes34 será chamado a partir de agora. ela desceu ao barco e quando chegou lá Gwydion estava dando forma  aos sapatos e o menino os estava costurando. E é um nome  bom o bastante. mas agora serei capaz. ­ O Céu vos faça prosperar. Nesse momento. Gwydion   fez   outros   sapatos   que   eram   muito   menores   do   que   o   pé   dela   e  enviou­os ao castelo. Lá. IX Como Llew obteve seu nome. Arianrhod sorriu. Assim. Gwydion criou Llew Llaw Gyffes  . ­ Eu não podia. bom dia para vós. foi chamado "o terceiro sapateiro de ouro". ­ Ah. Por essa razão. foi com mão firme que o leão mirou. ­ Não te fiz mal algum ainda ­ respondeu Gwydion. ­ Pelo Céu. 106 Deixai­o fazer também outros que sejam menores do que estes. senhora ­ disse ele ­.

 jovem. Quando chegou o momento de deixarem os festejos. rumando para Bryn Aryen. Na manhã seguinte. X Gwydion engana Arianrhod novamente. mas o aspecto de Gwydion era mais calmo que o do outro. eles se levantaram. ­ As boas­vindas do Céu estejam com eles. ressoou pela terra um grande  alvoroço. E o porteiro entrou.   Arianrhod   conversou   com  Gwydion   sobre   contos   e   histórias. Chamou­o e disse: ­ Ah. ­   Porteiro  ­ disse ele  ­. eles ouviram uma batida  na porta do quarto e escutaram Arianrhod perguntando se poderia abrí­la. ­ É o que quero ­ Llew respondeu. que foram descansar. 107 até que este pudesse controlar qualquer cavalo e fosse perfeito em todas as  qualidades.   Quando   a   refeição   estava   terminada. . fica mais alegre  do que estás agora. Arianrhod entrou acompanhada de uma  donzela. Gwydion levantou­se logo que o sol começou a se por e chamou a si sua magia  e seu poder.   Gwydion   era   um   excelente   narrador   de  contos. Foram ao longo da  costa do mar. amanhã partiremos juntos numa missão. porém. quando o dia raiava. No momento em que o dia raiou. Eles mudaram  suas formas e foi sob a semelhança de dois rapazes que se apresentaram ante o  portão. O  rapaz ergueu­se e abriu­lhe a porta. Quando já era dia. deixa­os entrar ­ disse Arianrhod. Gwydion. Com grande alegria foram saudados. com trombetas e gritos. O salão estava preparado e eles foram  comer. um quarto estava  pronto para eles. entra  e dize  que aqui estão  bardos  provenientes  de  Glamorgan. Por isso. No alto de Cefn Clydno equiparam­se  com cavalos e seguiram em direção ao Castelo de Arianrhod. viu que Llew estava abatido  pela falta de cavalos e armas. em força e altura.

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­ Ah, bons homens ­ disse ela ­, estamos em grandes apuros.
­ Sim, é verdade ­ concordou Gwydion. ­ Escutamos trombetas e gritos. Que 
pensais possam ser?
­ Na verdade, sequer podemos ver a cor do oceano por causa dos navios, lado a 
lado. Os guerreiros  estão vindo  à terra com toda a rapidez  possível. E que 
podemos fazer?
­ Senhora, nada podemos fazer além de fechar o castelo e defendê­lo da melhor 
maneira que conseguirmos.
­   É   verdade,   que   o   Céu   vos   recompense.   Vós   dois   o   defendereis.   E   aqui 
encontrareis abundância de armas.
Imediatamente, ela foi buscar armas e retornou com duas donzelas, trazendo 
consigo couraças para dois homens.
­ Senhora ­ disse ele ­, armai este moço e eu me aprontarei com a ajuda de 
vossas donzelas. Depressa, eu ouço o barulho dos homens aproximando­se.
­ Assim farei de boa vontade.
Ela armou­o completamente e com grande satisfação.
­ Já terminastes de armar o jovem? ­ perguntou Gwydion.
­ Sim, terminei ­ Arianrhod respondeu.
­ Da mesma forma terminei eu. Vamos agora tirar nossas armas, não temos 
necessidade delas.
­ Porque? Há um exército em volta da casa!
­ Cara senhora, não há exército algum aqui.
­ Oh! ­ ela gritou. ­ De onde vem então todo esse tumulto?
­ Esse tumulto foi apenas para quebrar tua profecia e conseguir armas para teu 
filho. E agora ele tem armas sem que deva qualquer agradecimento a ti.
­ Pelos Céus, és um homem perverso! Muitos jovens podem ter perdido suas 
vidas pelo tumulto que provocaste hoje nesta província. Vou agora lançar um 
destino sobre este jovem ­ ela disse. ­ Ele jamais terá uma esposa da raça que 
agora habita esta terra.
­   Em   verdade   ­   falou   Gwydion   ­,   sempre   foste   uma   mulher   maliciosa   e 
ninguém nunca te pôde suportar. Todavia, uma esposa ele terá.

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XI A criação de Blodeuwedd.

Logo depois, eles foram a Math, o filho de Mathonwy, e queixaram­se muito 
amargamente   de   Arianrhod.   Gwydion   também   lhe   mostrou   como   havia   se 
esforçado para conseguir armas para o rapaz.
­ Bem ­ disse Math ­, procuraremos, eu e tu, por meio de encantamentos e 
ilusão, formar com flores uma esposa para ele. Llew chegou agora à altura de 
um homem e é o mais agradável jovem jamais visto.
Eles apanharam então as flores do carvalho, as flores da giesta e as flores da 
ulmária. Com elas criaram uma donzela, a mais bela e graciosa que um homem 
jamais viu. Eles a batizaram e deram­lhe o nome de Blodeuwedd36.

Depois que ela se tornou sua noiva e todos festejaram, Gwydion disse:
­ Não é fácil para um homem manter­se sem posses.
­ É verdade ­ disse Math. ­ Eu darei ao rapaz a melhor província para governar.
­ Senhor ­ disse ele ­, que província é essa?
­ A província de Dinodig ­ ele respondeu.
Tal lugar chama­se nestes dias Eifionydd e Ardudwy. O lugar na província 
onde ele morou era um ponto chamado Mur y Castell, nos confins de Ardudwy. 
Lá ele habitou e reinou e tanto ele quanto seu governo eram amados por todos.

Certo dia, ele seguiu para Caer Dathyl para visitar Math, filho de Mathonwy. 
No dia em que ele iniciou a viagem para Caer Dathyl, Blodeuwedd chegou à 
sua corte. Ela escutou o som de um chifre de caça sendo soprado e   viu um 
cervo cansado passar, perseguido por cães e caçadores. Depois dos cachorros e 
dos caçadores vinha uma multidão de homens a pé.
­ Mandai um jovem ­ disse ela ­ para perguntar que turba possa ser aquela.
Assim, o jovem foi e inquiriu quem seriam eles.
­ Aquele ­ disseram eles ­ é Gronw Pebyr, o senhor de Penllyn.
E assim o jovem lhe falou.

Gronw Pebyr perseguiu o cervo, vindo a apanhá­lo perto do rio Cynfael, onde o 

110

matou. Esfolando o cervo e dando pedaços aos seus cães, ele ficou lá até que a 
noite   começou   a   fechar­se.   Como   o   dia   estava   desaparecendo   e   a   noite   se 
aproximava, ele chegou ao portão da Corte.
­ Na verdade ­ disse Blodeuwedd ­, o príncipe vai falar mal de nós se, a esta 
hora, deixarmos que parta para outra terra sem convidá­lo a entrar.
­ Sim, senhora ­ concordaram eles ­, será mais apropriado convidá­lo a entrar.

Mensageiros foram então mandados ao seu encontro e convidaram­no a entrar. 
Ele aceitou contente a oferta e foi para a corte. Blodeuwedd veio recebê­lo e 
saudá­lo, dando­lhe as boas­vindas.
­ Senhora ­ disse ele ­, que o Céu vos pague por vossa gentileza.

XII Blodeuwedd apaixona­se por Gronw Pebyr. A conspiração contra 
Llew.

Quando   já   haviam   desmontado,   foram   sentar­se.   Blodeuwedd   olhou   para   o 
hóspede e, desde esse momento, encheu­se de amor por ele. Ele a contemplou e 
o mesmo pensamento que a invadira preencheu­o também, de forma que ele 
não pôde esconder­lhe que a amava , mas declarou­se a Blodeuwedd, que ficou 
por isso tomada de felicidade. Toda a conversa deles foi sobre a afeição e o 
amor que sentiam um pelo outro e que havia surgido em espaço não maior do 
que uma noite. E essa noite passaram um na companhia do outro.

No dia seguinte, ele quis partir. Mas ela disse:
­ Suplico­te que não me deixes hoje.
E naquela noite ele permaneceu. Tentavam descobrir um meio de ficar sempre 
juntos.
­ Não há outra possibilidade ­ falou Gronw ­ além de te esforçares para saber de 
Llew Llaw Gyffes como ele pode ser levado à morte. E isso deve ser feito sob a 
aparência de solicitude para com ele.

No dia seguinte, Gronw quis partir.

  Minha memória é melhor do que a tua para recordá­lo. Não posso ser morto estando a cavalo. Preparando­se um banho para mim ao lado de um rio. ­ Realmente. ­ Pelo amor do Céu e pelo meu próprio. Deve­se trazer um  . de que maneira podes ser morto? ­ Já te digo. ­ Isso é verdadeiro? ­ Está conforme a verdade. não obteve dela palavra alguma.  sob o disfarce das brincadeiras do amor.   Não   posso   ser   morto   facilmente. procura descobrir como é possível dar­ lhe a morte. ­   Digo­te   com   prazer. até que o próprio  Céu determine. 111 ­ Aconselho­te a não me deixares hoje ­ ela disse.    No dia seguinte. Llew   Llaw   Gyffes   voltou   para   casa   naquela   noite. ­ Sê cuidadosa ­ disse Gronw ­ com o que te disse. ­ Amanhã ­ ela respondeu ­ sem dúvida permitirei que sigas teu caminho. nem  fora dela.   Eles   passaram   o   dia  conversando. mas. mas. ­ O Céu te recompense por tua preocupação por mim.  Contudo. nem a pé. Nada deve ser feito em relação a isso exceto durante o sacrifício dos  domingos. ­ Que te incomoda? Estás bem? ­ Eu estava pensando ­ ela disse ­ sobre aquilo que jamais pensaste em relação a  mim. Eu ficaria cheia de tristeza por tua morte. Conversa muito com ele e. foram descansar e  ele falou com Blodeuwedd uma vez e falou­lhe ainda uma segunda vez. ouvindo os menestréis e festejando. há o perigo  de que o chefe  que  possui este castelo possa retornar à casa. A lança pela qual eu for atingido deve ser preparada no decorrer de  um ano.   a   não   ser   por   um  ferimento. caso partisses mais cedo do que  eu. ­   Porque me  pedes. cobrindo­o bem e firmemente. não partirei. eu não serei morto com facilidade.  por mais que fizesse. ele quis partir e ela não o impediu. colocando­se  um teto sobre o caldeirão. mostra­me como podes ser morto. À noite. E eu não posso ser morto dentro de uma casa.

 se eu  preparar o banho para ti? ­ Eu te mostrarei ­ disse ele. Então. pôs suas calças e colocou um pé  . Llew ergueu­se do banho. Um dia depois. ­ Bem. ­ Senhor ­ ela disse ­. eu ordenei que o telhado e o banho fossem preparados e eis que estão  prontos. se eu puser um pé no dorso do  bode   e   o   outro   na   borda   do   caldeirão. estive pensando sobre como é possível ser verdade o que  anteriormente  me disseste. ­ É com prazer que o farei ­ ele disse. Poderias  mostrar­me de que modo seria possível  ficares ao mesmo tempo sobre a borda do caldeirão e sobre um bode. ­ Senhor. senhor? ­ ela perguntou. Llew veio e examinou o banho. em direção oposta a Bryn Cyfergir. Ela então mandou mensagem a Gronw e sugeriu que ele ficasse emboscado na  colina agora conhecida como Bryn Cyfergir. eu irei com prazer examiná­los. No dia seguinte. faze com que um deles seja trazido e colocado aqui. O bode foi trazido. agradeço ao Céu que seja fácil evitar tudo isso. em doze  meses   a   contar   daquele   dia.   qualquer   um   que   me   atingir   poderá  provocar minha morte. ela falou assim: ­ Senhor. Este trabalhou para fazer a lança e. ­ Bem ­ disse ela ­.   E.   no   mesmo   dia   em   que   a  terminou. Ela  também ordenou que fossem reunidas todas as cabras da província e levadas ao  outro lado do rio. Ele foi para o banho e começou a lavar­se. ­ Bem. Gronw ordenou que Blodeuwedd fosse informada. 112 bode e deixá­lo ao lado do caldeirão. vê os animais de que falaste como sendo chamados bodes.   ela   estava   pronta. ­ Entrarás no banho. na margem do rio Cynfael. Depois   de   ouvir   essas   palavras.   ela   não   esperou   um   momento   sequer   para  mandar uma mensagem a Gronw.

 Ele atravessou Gwynedd e Powys  até os confins. Essas   notícias   alcançaram   Math. .  O dono da casa e seus domésticos voltaram e o último a vir foi o porqueiro. Gwydion partiu e começou a andar pelo país. quando o chiqueiro é aberto. que o Céu seja tua força. XIII Llew desaparece. arremessou o dardo envenenado e atingiu­o no lado. Ele  ficou sobre um pé só. 113 na borda do banho e o outro no dorso do bode.   filho   de   Mathonwy. ­ Todos os dias. tua porca veio esta noite? ­ Veio ­ respondeu o rapaz ­ e neste momento já está com os porcos. Gronw imediatamente surgiu da colina que é agora chamada Bryn Cyfergir. ela a governou. Depois  de tomar a terra. Assim que ele partiu. ­   Senhor   ­   disse   Gwydion   ­. nem sabe se ela corre por aí ou afunda terra adentro. ­ Com toda boa vontade eu o farei. Este voou sob a forma de uma águia. naquela  noite. Gronw levantou­se e apoderou­se de Ardudwy. No dia seguinte. Não foi  mais visto deste então. foi ao Arfon e avizinhou­se da casa de  um vassalo. ­ Realmente ­ Math respondeu ­. Gronw e Blodeuwedd foram juntos ao palácio.   Um   grande   peso   e   a  tristeza caíram sobre Math e muito mais sobre Gwydion do que sobre ele. Quando já o havia feito. ­ Aonde vai essa porca? ­ quis saber Gwydion. a  quem o dono da casa disse: ­ Bem. de forma que Ardudwy e Penllyn estavam  ambas sob seu domínio. Ele chegou à casa e ficou lá naquela noite. em Maenawr Penardd. ­ Peço­te que me concedas não abrires o chiqueiro até que eu esteja lá contigo. mas a ponta do dardo permaneceu dentro do corpo de  Llew.   não   terei   descanso   até   obter   notícias   de   meu  sobrinho. A  haste ficou para fora. dando um grito terrível. jovem. ninguém consegue ficar de olho  nela.

  foi   despertar   Gwydion. quando a águia se balançava.   onde   permaneceu.  dirigindo­se para um riacho que é agora chamado Nant y Llew. a carne estragada e os vermes caíam dela e a  porca   devorava­os. No mesmo momento.   O   porqueiro   então   abriu   o  chiqueiro. Tão logo o guardador de porcos viu a luz  do   dia. a porca saltou para fora e partiu com grande  velocidade.   Gwydion   chegou   embaixo   da   árvore   e   olhou   para  descobrir o que a porca poderia estar comendo. não estás ainda molhado? Não ficaste encharcado por nove vintenas de tempestades? Não acolhes em teus ramos Llew Llaw Gyffes? A águia desceu então ao mais baixo ramo da árvore. Gwydion cantou logo esta  estrofe: Carvalho que cresces abaixo da colina íngreme: imponente e majestoso é teu aspecto! Não o direi eu? Que Llew virá para meu colo? .   Este   se   levantou   e   vestiu­se. ele viu uma águia  e. Ele viu que ela estava comendo  carne podre e vermes.   Ele  cantou uma estrofe: Carvalho que cresces entre duas margens do rio: escurecidos estão o céu e a colina! Não direi por sua feridas que este é Llew? Depois disso.   indo   com   o  guardador   até   o   chiqueiro. 114 XIV A águia no carvalho. E Gwydion cantou  outra estrofe: Carvalho que cresces no chão do planalto. Olhando então para o topo da árvore. Gwydion seguiu­a e ela foi em direção contrária ao curso do rio. Ali ela parou e  começou   a   alimentar­se. Eles foram descansar naquela noite. a águia desceu até alcançar o centro da árvore.   Pareceu   a   Gwydion   que   a   águia   poderia   ser   Llew.

 Antes do fim do ano ele já estava quase curado. XV Cura e vingança de Llew Llaw Gyffes. quanto antes eu recobrar meus direitos. Pois irei transformar­te  em um pássaro e. mas serás sempre chamada Blodeuwedd. o filho de Mathonwy ­. Desavisadas.  Gwydion foi à frente e seguiu para Mur y Castell 37. mais satisfeito ficarei.   é   uma   coruja   e   por   esse  motivo a coruja é odiosa a todos os pássaros. não viram o lago e caíram dentro dele.   na   linguagem   desta   época. de agora  em diante jamais tornarás a mostrar tua face à luz do sol e isso por medo dos  outros pássaros. ­ É verdade ­ respondeu o rei. Eis   que   Blodeuwedd. exceto a própria Blodeuwedd. ­ Ele jamais será capaz de manter­se na posse do  que é teu por direito. ­ Bem. E ainda agora a coruja é chamada  . Ele assim retornou à sua própria forma. tomou suas donzelas e fugiu para a montanha. Jamais viu alguém uma visão  tão digna de pena. ­ Senhor ­ disse ele a Math. Não perderás teu nome. Será da natureza deles atacar­te e perseguir­te onde quer que te  encontrem. Seu medo era tanto que corriam sempre com os rostos voltados para  trás. pela vergonha que lançaste sobre Llew Llaw Gyffes.  Disse­lhe então: ­ Não te matarei. O que farei contigo é pior do que isso. Ele foi então para Caer Dathyl e foram­lhe trazidos os bons médicos que havia  em Gwynedd. Eles então convocaram e reuniram todo o Gwynedd e partiram para Ardudwy. já é chegado o tempo de  que eu receba uma compensação daquele que me fez passar por todas essas  aflições. Elas  passaram   pelo   rio   Cynfael   e   foram   em   direção   a   um   abrigo   que   havia   na  montanha. Gwydion prendeu­a.  Todas  elas se afogaram. Quando Blodeuwedd ouviu  que ele estava chegando. pois Llew era apenas pele e ossos. 115 A   águia   desceu   para   os   joelhos   de   Gwydion   e   este   a   tocou   com   sua   vara  mágica.

 E isso é o mínimo que aceitarei. ­ Não aceitarei coisa alguma. no banco do rio. tendo  em si o buraco. Em razão da recusa de sofrerem um golpe por seu senhor. Portanto. eles são chamados  até este dia "a terceira tribo desleal"38. Os dois foram então para as margens do rio Cynfael. ouro ou prata pelo dano que havia recebido. Gronw Pebyr retirou­se então para Penllyn. pela minha fé no Céu! ­ ele exclamou. . de onde enviou uma embaixada. Assim Gronw Pebyr  foi morto. ­ Realmente ­ ele disse ­. isso é necessário para mim? Meus fiéis guerreiros. não há ­ responderam eles. não há nenhum dentre vós que  suporte o golpe em meu lugar? ­ Verdadeiramente. conjuro­vos  em nome do Céu a deixar­me colocar entre mim e o golpe a pedra que vedes lá  adiante. E Gronw Pebyr disse­lhe: ­ Uma vez que foi pelos ardis de uma mulher que vos fiz o que fiz. Gronw parou no lugar em  que Llew Llaw Gyffes estava quando ele o golpeou. ­ Vede que  isto é a única coisa que aceitarei dele: que ele vá ao ponto em que eu estava  quando ele me feriu com o dardo e eu ficarei no lugar onde ele estava e com  um dardo irei mirar nele. Llew   então   arremessou   o   dardo   contra   ele. em Ardudwy. Os  mensageiros que ele mandou perguntaram a Llew Llaw Gyffes se este aceitaria  terras. não o recusarei a vós.  todos os de minha casa e meus irmãos adotivos. um domínio. é ainda hoje chamada Llech Gronw. ­ Na verdade ­ disse Llew ­. enquanto Llew ficou no  lugar onde Gronw estava. indo sair em suas costas. E essas palavras foram ditas a Gronw Pebyr. 116 Blodeuwedd. ­ Possa o Céu recompensar­vos. ­ Bem ­ falou Gronw ­. A pedra existe ainda na margem do rio Cynfael.   O   dardo   perfurou   a   pedra   e  atravessou Gronw igualmente. irei ao seu encontro.

 Arch.. 31). E assim termina esta parte do Mabinogion. Arch. (Myv. uma vez que  Mathonwy   é   um   personagem   indistinto). filho de Dôn). Ali se afirma que.  27 Goewin.  I.   cuja   vara   mágica   é   celebrada   por  Taliesin no  Kerdd Doronwy.   ele   foi   depois   disso   o   senhor   de  Gwynedd. filha de Pebin A   singular   ocupação   atribuída   a   essa   donzela   não   é   de   forma   alguma  . Gwydion. está preservada em duas tríades (31 e  32). I. etc.. p.   como   a   história   conta. (exceto. Marwnad Aeddon o Fôn.70). filho de Mathonwy A fama da magia de Math ab Mathonwy. 30. frutos mais luxuriantes serão vistos nas águas espectrais (Myv. em que ele parece ter sobrepujado  todos os demais encantadores da ficção galesa.  NOTAS AO QUARTO RAMO  26 Math. onde é reputado um homem de ilusão e fantasia e onde um dos principais  encantamentos da ilha é mostrado como obra sua. quando essa vara crescer na  floresta.   E. 117 Uma   segunda   vez   Llew   Llaw   Gyffes   tomou   posse   da   terra   e   governou­a  prosperamente. 63). Taliesin   fala   freqüentemente   dos   poderes   do   próprio   Math   –   veja   o  Kadd  Goddeu (nota nº. pp. talvez. As artes místicas de Math parecem herdadas de seu pai (ou mãe. Merlin e seu  próprio aluno.

 Parece que foi bem  defendida pelos profundos fossos que ainda a rodeiam.   passando   por   Mochdref. nós o encontraremos entrando no distrito de Mochnant (“Riacho do  Porco”).  29 Mochdref Retornando   com   seu   prêmio. Ele acenderá as velas ante o Rei em sua refeição. a meio caminho entre Llanrwst e Conwy.  Situam­se no topo de uma colina que dista cerca de uma milha de Llanbedr.   De   lá.   Gwydion   passou   por  Mochdref  (“Cidade   do  Porco”). em  Carnarvonshire. 118 inconsistente com os costumes galeses. em Radnorshire. ainda que não se junte à festa.   foi   para   Elenid.   entre   Keri   e  Arwystli.    28 Caer Dathyl Caer Dathyl. onde se diz que Math teve sua  corte   e   de   onde   Gwydion   partiu   em   sua   astuciosa   jornada.   já   foi   alvo   de  comentários anteriores.   em   Cardiganshire. sabemos que  havia  um oficial  na corte  do rei com o título  “Segurador dos  Pés” (prefiro  traduzir  como  “Escabelo”). Pelas leis de Hywel Dda.  Fundações   de   edifícios   circulares   podem   ainda   ser   traçadas   em   suas  proximidades. São dadas as seguintes especificações em relação a ele: O Escabelo senta­se sob os pés do Rei: Ele come do mesmo prato que o Rei. Desse lugar. Os restos dessa fortaleza chamam­se agora Pen y Caer.   que   está   parte   em   Montgomery   e   parte   em   Denbigshire   e   onde   a  cidade de  Castell y Moch  (“Castelo do Porco”) pareceria apontar uma outra  . cerca de uma  milha e meia de Cardigan Bridge). em Arfon (o atual Carnarvonshire). que  dá   nome   ao  Cantref  inteiro. Gwydion partiu rumo ao sul e encontrou Pryderi  num lugar chamado Rhuddlan Teifi (provavelmente Glen Teify. onde nos dizem que ficava seu palácio. Sua terra será livre e ele receberá  um cavalo do Rei e terá uma parte do  presente de dinheiro dos visitantes. Ele terá um prato de carne e bebida. uma montanha perto de Llandewi Ystrad Enni.   provável   erro   do   copista   para  Melenid.   cujo  dever   era  justamente   aquele  que  seu  título  sugere.

 ao longo do pitoresco vale  do Ffestiniog.  foi comparado a Gwyn ab Nudd e Idris (Myv. é um riacho que cruza Dol Pen Maen e a estrada de Carnarvon.   perto   de   Conway.   depois   de   deixar   seu   butim   em   segurança   nas   fortalezas   de  Arllechwedd.   um   nome   antigamente   aplicado   aos   dois   distritos   (superior   e  inferior) de Anton..   o   gigante. Nant Call. I. tríade 89): Três   renomados   astrônomos   da   Ilha   da   Grã­Bretanha:   Idris. nessa qualidade. e Gwyn. fez sua resistência e esperou a  aproximação   do   indignado   Pryderi   podem   ser   reconhecidos   como   Maenor  Penardd.   . o  Beddau Milwyr. localiza a tumba de Pryderi em Abergenoli. Arch. por fim. filho de Nudd. filho de Dôn Gwydion foi um dos  Três Pastores Tribais  da ilha. 63. Tal era seu conhecimento  das estrelas.   perto   de  Carnarvon.  30 Locais de luta Os lugares nos quais Math. filho de Mathonwy. agora o distrito de Eifionydd). p. em Denbigshire.   e   reuniu­se   a   seu   príncipe   em   Caer  Dathyl.  Gwydion parou  numa terceira Mochdref. para Maen Tyriawc.  Gwydion. que eles poderiam prognosticar tudo  que se desejasse saber até o dia do Julgamento. suas naturezas e qualidades. 119 alusão aos incomuns  acompanhantes  de sua rápida retirada. para onde os homens do sul foram compelidos a retirar­ se. agora um povoado entre Conwy e  Abergele. Era também um grande astrônomo e. de lá. onde a expedição terminou com a vitória  indigna  obtida  por Math com  a ajuda  de encantamentos  e com  a morte  do  galante filho de Pwyll. contudo.  através de Traeth Mawr. filho de Dôn. Contam­nos que ele foi sepultado em Maen Tyriawc.  31 Gwydion. cerca de  nove milhas distante dessa última cidade. agora chamados Uchaf e Isaf. para Melenryd e.   agora   Coed   Helen. Ele guardava o gado de  Gwynedd.   e   Maenor   Alun. Uch e Conwy. “onde as  ondas quebram contra a costa”. O curso dos dois exércitos pode ser  facilmente traçado: de Nant Call para a bem conhecida localidade de Dol Pen  Maen (no antigo  Cantref  de Dunodig.   no   antigo  Cantref  de   Rhos.

 Ela mesma deu seu nome à constelação de Cassiopéia. em galês Llys   Don. “Corte de Dôn”. é assim chamada para lembrar Arianrhod. Eu e Euronwy e Euron. Myv. Entre a ave da fúria e Gwydion. Gwydion. também tu. . Ardente era seu esforço nos combates. meu caldeirão e minhas leis E minha eloqüência em desfile encontram­se para o assento. Delicada a vida de Minawg ap Lleu. Arch. na rampa de Lleu.  O fim. a constelação  Corona Borealis. no momento da aurora. certamente eles foram a Mona Para obter rodopios e feiticeiros. em especial  nos   de   Taliesin. por sua vez. aprendeu suas artes mágicas do  próprio Math. O viajante corajoso com varinhas achatadas Formou uma cavalhada. II. Embora não tivesse chiqueiros para eles. A satisfação de minhas transgressões.   intitulada  Kadeir Kerridwen (“O Assento de Cerridwen”. Quando forem julgados os assentos. Sua sabedoria era melhor que a minha. chamada Caer Gwydion. Vi um feroz conflito em Nant Frangeon Num domingo. Com flores uma mulher formou. também. Caer Arianrhod. 120  A Via Láctea foi. De primaveris Plantas e selas perfeitas. Afagddu. o que é repetidamente aludido nos poemas galeses. “Castelo de Arianrhod”.   As   notáveis   características   de   seus   poderes   de   encantação  foram   assim   relatadas   numa   composição   atribuída   àquele   bardo. uma das heroínas  do presente conto. o filho de Don. parecem ter sido atribuídas a toda a família  de Dôn.  O mais habilidoso homem de que jamais se soube. 325):   O Assento de Cerridwen (Livro de Taliesin.  Honras semelhantes. Na meia­noite e nas manhãs Ali brilhavam minhas luzes. de aspecto severo. Feliz o Senhor que o fez Na competição das canções. Sou chamada habilidosa na corte de Don. Meu assento. A quem vi há apenas um momento. sem dúvida.   Gwydion era um mago e. p. E trouxe os porcos do sul.. Superando­os estará o meu. 16) Soberano do poder do ar. Na quarta­feira. “Castelo de Gwydion”. meu filho. como já se observou.

 prevaleceu. Fui uma ponte que se prolonga Sobre três vintenas de fozes. O veneno de sua posição anterior à volta do mundo deixará. E. ele  não poderia ser vencido. E. Fui um percurso. que foi por causa de uma corça  branca e de um cachorro. a “Batalha de Achren”. a menos que seu nome fosse descoberto. 121 Arianrhod. sua hoste não poderia ser vencida. de louvável aspecto. Amaethon ap Don e Arawn. Fui uma espada no aperto da mão. 8) Estas são as estrofes que foram cantadas na "Batalha das Árvores".  Uma torrente que espanta a violência da terra. Uma palavra fui entre letras. Uma justa esmola para bons homens. “A Batalha das Árvores”. Fui um complacente no banquete. como  outros a chamam. portanto. os livros de Beda. Fui um livro na origem. matizada: Acreditarei quando for manifesto. ou. A maior desgraça obviamente no lado dos britanos. . Fui a mais sombria das estrelas. De cascos firmes é meu corcel no dia da batalha: os altos ramos do amieiro estão em tua mão: Bran. Dos faróis fui a luz Um ano e meio. Uma lágrima fui no ar. pelo ramo que carregas. continuará na Europa. Uma espada fui. O assento do Preservador está aqui. Amaethon.    Em outro poema (Kadd Goddeu. Rei de Annwn. estreita. aurora de serenidade. Os altos galhos do amieiro estão em teu escudo. até o julgamento. E. Taliesin fala sobre  ele:    A Batalha das Árvores (Livro de Taliesin. e havia uma mulher chamada Achren no outro lado  e. uma águia fui. Possa a Trindade conceder­nos Misericórdia no dia do julgamento. E  havia um homem nessa batalha. assim. Bran és chamado. Numa multiplicidade de formas estive Antes de assumir aspecto consistente. o bom. dos ramos brilhantes. Um barco fui nos mares. e eles vieram do Inferno e Amaethon ap Don os  trouxe. Uma gota fui num aguaceiro. a menos que seu nome fosse conhecido.  E Gwydion adivinhou o nome do homem e cantou as duas estrofes seguintes: De cascos firmes é meu corcel impelido pelas esporas. Não falam falsamente. Com pressa envia sobre sua corte a correnteza de um arco­íris. lutaram.

Ela chegou totalmente encantadora. Esquadras cheias de riquezas. Contra o Guledig de Prydein Passaram ali cavalos principais. Fui madeira na moita. Até o momento em que o Eterno Libertasse aqueles a quem fizera. As árvores sussurraram suas vozes De cordas de harmonia. As disputas cessaram. Os maiores dos esforços mentais importunos Realizados no mundo. . De lá se apressaram pastos e árvores. O sangue dos homens até nossas coxas. na espuma. Bandos de guerreiros perambulavam Na exaltação dos britanos Que Gwydion realizara. Nele havia uma centena de cabeças. 122 Um escudo fui em batalha. uma centena de almas Atormentada será em sua carne. Uma mulher refreou a grande desordem. Menestréis cantavam. Quando as árvores foram encantadas. Fui uma esponja no fogo. A Cristo por interesses. Estive em Caer Vevenir. O Senhor respondeu­lhes Pela linguagem e elementos: Tomai a forma das árvores principais. Por causa do pecado. A vantagem de uma vaca insone Não nos faria ceder o caminho. E acabou­se Por refletir sobre o dilúvio E sobre o Cristo crucificado E sobre o dia do julgamento iminente. Na expectativa de não serem árvores. Havia um apelo ao Criador. Não sou aquele que não cantará Um combate. Uma cobra salpicada com crista. E uma batalha foi lutada Sob a raiz de sua língua E há uma outra batalha No orifício de seu olho. O conflito na batalha das árvores dos ramos. Disfarçado por nove anos Na água. Fui uma corda numa harpa. embora pequeno. Ali passou um animal com grandes mandíbulas. Interrompamos dias tristes. O cabeça da fileira. Arranjai­vos em ordem de batalha E refreai o público Inexperiente na batalha mão a mão. Um negro sapo desajeitado Com uma centena de garras. o cabeça era uma mulher.

As Campânulas Azuis combinaram­se E provocaram uma consternação.  O que é melhor falhou Para a segurança da vida. Com a dor em sua mão. O povo comum ficou encantado Durante o tempo originando­se dos homens. Formaram a vanguarda.  Atrasou­se antes que ele fosse enfileirado.  Porém o deixou estendido. que foi saqueada. O Álamo foi coberto. A Bétula. A Urze foi vitoriosa. feliz a sua parte. ele estava matizado de verde. Pinheiros no pórtico. nas trincheiras foi ela ferida. na vanguarda do exército. Mas por causa de sua grandeza. A sede da controvérsia. O Espinheiro. O Tojo não se saiu bem.  Os espinhentos arbustos de Rosas Contra uma multidão de gigantes. Ele era o herói. As esmeradas Nespereiras. Indesejadas pelos homens. A Alfena. Diante dele estremecem céu e terra. cabeça da fileira. Ao rejeitar. afastando em todos os lados. foram rejeitadas Outras. apesar de sua mente elevada. Ele foi coberto na batalha. movendo­se rapidamente. que são raras. 123 Os Amieiros. A Giesta. O Carvalho. Azevinho. cercado de ferrões. para o combate A Cerejeira foi provocada. Os Salgueiros e Sorveiras Chegaram tarde para o exército. . Não se afastavam um pé. Um valente porteiro contra um inimigo Seu nome é considerado. julgou­se Que amplo era teu empenho mental. Morawg e Morydd  Tornaram­se prósperos em Pinheiros. Como o Tojo. A Framboesa refreou. A Alfena e a Madressilva E a Hera na sua frente. Por mim grandemente exaltados Na presença dos reis. Não por causa de sua covardia. O touro da batalha. Aveleiras. Ameixeiras. o senhor do mundo. que foram perfuradas. Verdadeiros objetos de disputas. com seu cortejo. Ele lutaria com o centro E com os flancos e a retaguarda. A Samambaia. Os Olmos. O Liburno tinha em mente Que tua natureza selvagem era estranha.

Do fruto dos frutos. Quando eu fui feito Criou­me o meu Criador De poderes nove vezes formados. de uma trajetória terrena. de Modron. Dispersando lanças não afiadas Do firmamento quando vieram À grande profundeza. Fui encantado por Gwydion. Da água da nona onda. Quando a multidão do mundo estava em dignidade. Quando eu fui formado Da giesta e da urtiga. O bardo ficou acostumado aos benefícios. Verdadeiramente estava no encantamento Com Dylan. Uma lenha muito colérica. Entre os joelhos de reis. no meio. Não de mãe. que a língua recita. À canção de louvor estou inclinado. filhos de Math. O senhor não é de uma natureza ardente. as melhores invasoras Em tempo de conflito na planície. Fui encantado pelo sábio Dos sábios. O Castanheiro é acanhado. Os ramos do carvalho apanharam­nos numa armadilha Do Gwarchan de Maelderw. De Euron. Mestres. Da terra. . Eu fui encantado pelo Guledig. Do fruto do Deus primordial. De prímulas e florações da colina. 124 As Pereiras. dilúvios. Quando ele estava meio queimado. A montanha tornou­se curvada. O jato tornou­se negro. Quando tive um ser. As florestas tornaram­se um forno Existente outrora nos grandes mares Desde que foi ouvido o grito: Os cimos da Bétula cobriram­nos com folhas E transformaram­nos e mudaram nosso estado enfraquecido. Fui encantado por Math Antes de me tornar imortal. de Euron. Eu toquei no poente. Das flores de árvores e arbustos. De cinco vezes cinqüenta homens de ciência. Rindo no lado do rochedo. Dormi em púrpura. O grande purificador dos britanos. O opositor da felicidade.     Quando a remoção ocorreu. o filho da onda. nem de pai. Na batalha haverá Quatro vintenas de centenas Que dividirão de acordo com sua vontade. Na circunferência. no mundo primitivo. De Eurwys.

Um milagre. fiz um circuito. seu nome. Fui uma cobra malhada na colina. Não sou eu proeminente no campo do sangue? Sobre ele está uma centena de capitães. Declarai a Arthur O que há mais antigo Do que eu para eles cantarem. 125 Eles não são mais velhos nem mais jovens Do que eu mesmo em suas divisões. Fui uma lança furiosa. Dormi numa centena de ilhas. . Rápido como a gaivota marinha. De ouro é a borda do meu escudo. Não houve ninguém nascido na brecha Que tenha estado a visitar­me. Ele comporá. Ele estava comigo também. Vós. Foi­me atribuída honra Pelo Senhor e a proteção estava onde ele estava. Fui um bico encurvado cortante. Ele formará linguagens. Viajei na terra Antes que eu fosse versado no conhecimento. Compridos e brancos os meus dedos. Com minha espada manchada de sangue. cada um de novecentos. Uma centena de vezes melhor é Meu corcel amarelo claro. E um veio Da reflexão sobre o dilúvio E do Cristo crucificado E do dia do julgamento futuro. Profetizarei não erroneamente Quatro vintenas de fumigações Sobre cada um o que trarão. Carmim a pedra do meu cinto. Viajei. Uma gema dourada numa jóia dourada. Sou esplêndido E ficarei livre Da opressão dos ferreiros. O radiante de mão forte. Seis corcéis de matiz amarelado. Com minha casula e tigela. ele se decomporá. Com um raio ele governa seus números. Numa centena de fortalezas habitei. Exceto Goronwy Dos vales de Edrywy. Eles se espalhariam numa chama Quando eu tivesse de ascender. Fui uma víbora no lago. inteligentes Druidas. Cinco batalhões de braços Serão apanhados por minha faca. Faz muito tempo que fui um pastor. A qual não passará Entre o mar e a margem. a centúria nasceu. Se eu for aonde o javali foi morto.

Na cidade de Clynnog. O lado que adivinhasse o nome de uma certa pessoa entre seus  oponentes   nessa   luta   seria   o   vencedor   e   Gwydion. Minos. A Lenda da Cidade de Ys. Em conseqüência.  satisfez essa condição. filha de Dôn. Na Grécia.   nascidos   de   sua   união   com  Lliaws ab Nwyfre (tríade 14). a torre de iniciação do Outro Mundo. em Carnarvonshire. filha de Ceridwen e Arianrod.    33 O Castelo de Arianrhod. havia a tradição de que uma antiga  cidade próxima dali e chamada Caer Arianrhod fora engolida pelo mar e suas  ruínas. 31). Creirwy.   Já se observou que o nome galês da constelação  Corona Borealis  era  Caer  Arianrhod (veja nota n°. do deus  Dioniso. 126 Gwydion surge no papel duplo de mago e poeta nas linhas compostas a seu  respeito no Kadd Goddeu. luta contra  Arawn por causa de um corça. filho  de Crydon. filha de Dôn “Roda de Prata” (?). e amante de Teseu e. em que um de seus irmãos.   por   meio   de   suas   artes. um cachorro e um pavoncino que ele levara do  Reino do Além. Amaethon venceu. seriam ainda visíveis nas marés vazantes e com bom tempo. 32 Arianrhod. Amaethon.  sabemos  que  Gwenwynwyn  (o principal  lutador   de  Arthur)   e  Gwanar  foram   filhos   de   Arianrhod. dizia­se. onde os poetas aprendem a  sabedoria   inspirada   e   os   mortos   vão   entre   as   encarnações.  Além  de  Dylan  e  Llew. essa mesma constelação é associada a  Ariadne. depois. filha do rei de Creta. filha de Dôn.   seria   também   o  . era uma das Três Belas Damas da ilha (tríade  107): Três Belas Donzelas da Ilha da Grã­Bretanha: Gwen filha de Cywryd. Caer Sidi.

 Ele possuía uma frota de muitos navios que gostava de opor a  seus inimigos. para encontrar as esposas e filhos que lá viviam em paz. cansados das lutas nesses países frios. voltaram para a Cornualha. O Rei Gradlon vivia  na Cornualha. O Rei Gradlon e sua  filha.  O Rei Gradlon deixou­os partir e viu­se só na noite fria. depois da intensa excitação  das lutas e vitórias.  Desafortunadamente. seus marinheiros. és corajoso e hábil no combate. Morvarc’h significa “cavalo do mar”. uma mulher de  longo cabelo vermelho. soberana boreal  reinando sem oposição sobre os países frios.  Um dia. conheceu uma tristeza profunda. muitas vezes em países distantes onde o clima era frio. como  Gradlon não tinha mais navio.  Malgven   deu   à   luz   uma   criança. a rainha ficou doente e morreu. A cidade construída ante o mar . montaram em Morvarc’h. O cavalo galopava na crista das ondas e eles  rapidamente se reuniram aos barcos do rei que voltavam para a Cornualha.   Dahut  gostava do mar.”  Eles mataram o velho Rei do Norte. encheram uma arca com ouro e.  Ele fora dominado por seus próprios homens e. ela pediu a seu pai que construísse uma cidade.  saqueando os navios oponentes e enchendo suas arcas com ouro e troféus. Certo dia. alva sob o luar e  vestindo uma couraça brilhante da luz das estrelas noturnas.   uma   menina   chamada   Dahut. Tu e eu iremos matá­lo. Era um  excelente   marinheiro  e  estrategista   e  freqüentemente  vencia   suas   batalhas.  espalhando os navios pelo oceano. O Rei Gradlon  gostava   de   brincar   com   os   cachos   de   seu   longo   cabelo   dourado. O nascimento de Dahut Gradlon e Malgven ficaram um ano inteiro no mar. Mas o rei estava tão triste que ele  nunca saía de seu castelo.  Dahut cresceu. o cavalo mágico de  Malgven. ele era negro como a noite e  soprava fogo por suas narinas. Um dia. Era Malgven. 127 domínio de Arianrhod.  Meu marido é velho. a Bretanha. O rei subitamente sentiu  uma presença ao seu redor. uma  cidade próxima ao mar.   envolvendo   uma   cidade  submersa nos mitos célticos: A Lenda da Cidade de Ys Aqui está a história do Rei Gradlon e da Cidade de Ys.  Existe   outra   importante   lenda. num navio. como Malgven. Muitos  deles  morreram durante o inverno. Eles decidiram voltar a seus barcos e retornar a  sua terra. a Rainha do Norte.  recusando­se  a atacar  o castelo  que lhes  fora  prometido. Ele levantou a cabeça e viu.  Ela disse ao Rei Gradlon: “Eu te conheci.  Uma   tempestade   violenta   e   um   temporal   de   raios   começaram   então. ela era muito bela. Dahut.   de   origem   bretã. sua mãe.  Então tu me levarás ao teu país da Cornualha. rebelaram­ se. sua espada está enferrujada.

 as portas da  cidade são fortes e é o Rei Gradlon. Era a princesa  Dahut. disse Dahut. Oceano. belo Oceano azul. veio do mar um grande barulho e uma terrível rajada de vento  golpeou as muralhas da cidade de Ys. um estranho cavaleiro chegou à cidade de Ys.   Ao   entardecer. A máscara mágica A   cada   dia. eu os devolverei a ti um após o outro. Assim que o canto da cotovia era ouvido. belo Oceano azul. Por um longo tempo ele passou  suas   mãos   compridas   com   unhas   pontudas   no   belo   cabelo   dourado   da  princesa. belo Oceano azul. quem possui a única chave. Certo dia de primavera. penteando  seu comprido cabelo loiro.  amarrada ao seu pescoço”. que decides quais navios e homens voltarão. Dahut sorriu­lhe. a cada entardecer. a máscara apertava­se na garganta  do rapaz e sufocava o noivo da noite anterior. Não sejas ciumento. foi construído um altíssimo dique que  circundava   a   cidade   com   uma   única   e   fechada   porta   de   bronze   que   dava  acesso a ela. “A tempestade pode rugir. belo Oceano azul. o cavaleiro sequer olhou para ela.  “Teu pai. rola­me na areia. sou tua prometida. podes agora pegar a chave facilmente”. Para prevenir  contra as altas ondas e a tempestade. Assim. Oceano.   ela  colocava uma máscara preta sobre o rosto dele. Ele  estava   vestido   em   vermelho. ele permanecia com ela até de  manhã. 128 O Rei Gradlon amava sua filha e concordou. rola­me na areia. respondeu o  cavaleiro.   a   princesa   Dahut   tinha   um   noivo   novo. Ela foi chamada a  cidade de Ys. rola­me na areia. além da Baía dos Mortos. entre as ondas e a espuma. Oceano. uma mulher que cantava em  alta voz. Traze à minha cidade lindos marinheiros que eu possa admirar. Nasci no mar. meu pai. Cada dia via novas festas. dá­me os naufrágios dos navios suntuosos e suas riquezas. Um cavaleiro levava o corpo  em seu cavalo para lançá­lo no Oceano. Oceano. Oceano. sou tua prometida. ouro e tesouros. . jogos e danças.  todos os noivos de Dahut morriam quando a manhã chegava e eram jogados  no mar. belo Oceano azul. O noivado de Dahut com o Oceano Os pescadores viam na praia.   suas   mãos   eram   longas   e   finas. O Rei Gradlon era o único que tinha a chave. eu brincava contigo.   suas   unhas  pontudas e recurvadas. belo Oceano azul. Oceano. sou tua prometida. dormiu.  Ao entardecer. quando era uma criança.” A cidade  de Ys  tornou­se um  lugar onde  as  pessoas  podiam  divertir­se e  encheu­se de marinheiros. ele aceitou aproximar­se dela. o rei. Muitos milhares de operários  começaram e construir a cidade que parecia emergir do mar. Ela  dizia: “Oceano. Subitamente.

 depois de sua morte. lentamente se aproximou dele  e   pegou   a   chave.  alcançando de rochedo a rochedo: “Gradlon. o mar derrubou os diques”. temos de tomar o  cavalo Morvarc’h.  Quimper. penteando seu longo cabelo  dourado.   presa   a   uma   corrente   em   volta   do   seu   pescoço.   uma   enorme   onda.  olhando na direção da cidade desaparecida. às margens do mar? Eu vi a branca filha do mar. tornou­se uma sereia e que  ela aparece aos pescadores  nas noites de luar.   caiu  sobre Dahut. A Cidade de Ys. e ribl an dour ? Gwelous a ris ar morverc'h venn. As  ondas se fecharam  sobre  a princesa. o mar estava furioso.   mais   alta   do   que   uma   montanha. cujos habitantes morreram todos afogados.   em   Quimper. 129 A submersão da cidade A Princesa Dahut entrou no quarto de seu pai. Também dizem que. pesketour O kriban en bleo melen aour Dre an heol splann. Pescador. galopando a noite inteira. São Guenole. Lamentosas eram a melodia e a canção. Eu até mesmo a ouvi cantar.  Imediatamente. Dahut  escorregou para o chão e o Rei Gradlon. envolvida numa grande veste  castanha. meu pai!” Então   houve   um   grande   relâmpago   na   tempestade   e   uma   voz   falou. saltando na praia e então atravessando  prados e colinas. Seu pai acordou e ela lhe disse: “Pai.   Quando   morreu. dourado cabelo enquanto o grande sol brilhava aqui. viste uma menina do mar penteando seu comprido.   Era   São   Guenole. O rei colocou sua filha em  cima do cavalo. O cavalo do rei moveu­se de novo. o missionário de Deus Uma forma pálida como um morto apareceu.   Ela   representa   o   Rei   Gradlon   a   cavalo. Gwelas­te morverc'h. quando o tempo está bastante calmo. furioso. São Guenole repetiu sua ordem  a Gradlon: “Afoga a princesa!”. epílogo A lenda conta que a cidade de Ys ficava na Baía de Douarnenez. tentaste roubar a chave da cidade de Ys!” Dahut respondeu:  “Salva­me. As pessoas dizem que Dahut. O cavalo empinou­se sobre a água que  estava subindo com grandes bolhas. é possível  ouvir os sinos da cidade desaparecida.   sua   estátua   foi  esculpida em granito. O lugar  chamado  Pouldavid.   que   disse   à   princesa:   “Vergonha   e   infortúnio  estejam contigo. Essa estátua está ainda entre as duas torres da catedral  de   São   Corentin. empurrou sua filha para  dentro do mar. distante uns poucos  quilômetros  a leste da cidade  de  . M'he c'hlevis o kanann zoken Klemvanus tonn ha kanaouenn. Dahut agarrou­se a seu pai e disse­lhe:  “Salva­me.  Ele  decidiu  fazer  dela   sua  capital   e   ali   viver   o   resto   de   seus   dias. afoga a princesa”. ondas enormes estavam nos pés deles. depressa.   leva­me   ao   fim   do   mundo!"   Mas   o   cavalo   Morvarc’h   não   se  movia mais e as águas furiosas os envolviam. Gradlon chegou à cidade onde  dois   rios  unem­se  entre  sete  colinas.  O mar inundou a  cidade de Ys.

34 Llew Llaw Gyffes O incidente relatado no conto da jornada de Llew Llaw Gyffes (“Leão com a  Mão   Firme”)   e   Gwydion   ab   Dôn   disfarçados   de   fabricantes   de   sapatos  dourados   em   busca   de   um   nome   e   armas   de   sua   mãe. Diz­se também que a cidade de Ys era a mais bela capital do mundo e que  Lutécia foi chamada de Paris porque par Ys significa “como Ys” em bretão. e indica o local onde a princesa foi engolida pelas ondas. nem grama  cresceriam pelo espaço de um ano (tríade 24). mas. Na Escócia. o “buraco  de Dahut” em  bretão. dos quais o  mais conhecido foi Arthur. pois.  é a forma  francesa  de  Poul Dahut. Quando Paris for engolfada. a carriça é profética e a direção de onde ela pia à noite é considerada  extremamente significativa.   seus   gorjeios   eram   interpretados   como   augúrios. Desde que foi afundada a cidade de Ys. Ninguém encontrou uma igual em Paris. Era o pássaro sagrado da ilha de Man. Os caçadores vestiam­ . havia uma caça à carriça no dia de São Estevão (26 de dezembro). na Inglaterra e  na França. era conhecida como “ave da Rainha do  Céu” e considerava­se extremamente desfavorável matá­la. Druida e rei  dos   pássaros. Os druidas  consideravam a carriça (também  cambaxirra  ou  uirapuru) como “o supremo  entre todos os pássaros”. onde ele tivesse pisado.   forma   a  matéria de uma tríade que já foi citada (veja nota n°. Llew Llaw Gyffes foi um dos  Três Homens Carmesins  da ilha. Pa vo beuzet Paris Ec'h adsavo Ker Is.   Arianrhod. Llew obtém seu nome de Arianrhod depois de atingir uma carriça. A cidade de Ys reemergirá. 24). nem erva. 130 Douarnenez.  uma cerimônia que surgiu de um antigo rito pré­cristão.   Na   tradição  céltica. Dois provérbios populares bretões testemunham­no: Abaoue ma beuzet Ker Is N'eus kavet den par da Paris.

 na  paróquia de Llantwrawg. 22).   Os   restos   de   uma   fortaleza   ali   existentes   consistem   em   um  grande monte circular. era um dos principais cavalos de guerra  da ilha (“Tríades dos Cavalos”. 31) e Dafyd Gwilyn  tem um poema muito bonito sobre sua transformação em coruja. após  algumas   questões   preliminares   relacionadas   a   seus   hábitos   peculiares   e  retirados. O  pássaro   responde   que. não importando quão notável fosse seu reinado. foi sempre popular entre os  poetas.   outrora. penduravam­na numa vara e levam­na  em procissão. pedindo dinheiro. Na Irlanda. matavam uma carriça. cerca de três milhas ao sul de Carnarvon. a ave era conhecida  como “doutor de Fionn” e caçada pelos “Meninos da Carriça” com um ritual  semelhante ao encontrado na Grã­Bretanha e na França no dia de São Estevão.  O pássaro representava um deus primordial (como Cronos. o poeta prossegue inquirindo­lhe qual sua história e seu nome. 35 Dinas Dinllef Dinas Dinllef situa­se na costa. Melyngar Mangre. nos confins de uma grande extensão de terra chamada  Morfa   Dinllef. Bran ou Arthur) que  deveria ceder seu lugar. veja nota nº. 36 Blodeuwedd A história de Blodeuwedd.   As   linhas   de   Taliesin   relativas   a   sua   romântica   origem   já   foram  mencionadas na nota sobre Gwydion ab Dôn (veja nota nº. o cavalo de Llew. A carriça era associada ao Outro Mundo e esses rituais de caça estavam ligados  ao solstício de inverno e à morte da vegetação. então a enterravam no cemitério. onde. a bela “Rosto de Flor”.  A   sepultura   de   Llew   é   mencionada   nos  Englynion   y   Beddau   Milwyr   Ynis   Prydain como sendo protegida pelo mar. bem defendido por rampas de terra e fossos profundos.   os   nobres   nos   banquetes   chamavam­na  . 131 se ritualmente.

  nos   limites   de   Ardudwy.  levando­a do seu passado estado de beleza a sua condição de miséria atual  porque   ela.  que retornou  às escondidas  de seu senhor. em Blaen Cynfael. pensa­se que  Meirchion tenha sido um rei da Cornualha no fim do séc. que se torna wledig depois de certos sons. Cunedda Wledig (gwledig. que se recusou a ficar no lugar de seu senhor para receber o dardo  envenenado de Llew Llaw Gyffes.   em   que   as   infortunadas   acompanhantes   de  Blodeuwedd encontraram seu destino final.   também  chamado Tomen y Mur (“Colina do Forte”). Ela prossegue. onde havia uma reunião para a batalha na manhã seguinte contra  Eda Glinmawr e ambos foram mortos. um dos filhos de  Cunedda.   supusera   amar   Gronw.  dizendo   que   Gwydion. significa. E a tribo de Gwrgi e Peredur. E a terceira.  38 A tribo de Gronw Pebyr A tríade  35 recita a circunstância da falta  de devoção evidenciada por essa  tribo.  ou   “Lago   das   Donzelas”. fica a cerca de duas milhas ao sul  do Cynfael ou rio Ffestiniog e dista cerca de três milhas do Llyn y Morwynion. famoso por seu papel na lenda de Tristan e Yseult. A tradição diz que recebeu seu nome de Tacitus. onde ele foi morto. a tribo de Alan Fyrgan. 37 Mur y Castell Mur   y   Castell  (“Muralha   do   Castelo”).   filho   de   Dôn. V). em Llech Gronw. como detalha o texto: As Três Tribos Desleais da Ilha da Grã­Bretanha: a tribo de Gronw Pebyr de  Penllyn. que desertou de seus senhores em  Caer Greu. em  Ardudwy. Penllyn. é um distrito às margens do Llyn Tegid ou  Lago Bala.  .   filho   de   Fed  Goronhir. deixando­o e a seus  servos  no  caminho para Camlan.   o   alto   e   belo.   certa   vez. de que Gronw era o senhor.   transformou­a   com   sua   vara   mágica. 132 Blodeuwedd e ela jura por São David que é a filha de um senhor de Mona  (Anglesey) igual em dignidade ao próprio Meirchion (o pai do rei Mark da  Cornualha. senhor de Penllyn.

 no norte da  Grã­Bretanha. a mãe de Arthur. Ele expulsou os invasores irlandeses de uma grande parte  de Gales. possivelmente. como  Cymraeg  (kamráig). tornando­o  assim bisavô deste.   tais   como   o   sudeste  (contendo os grandes centros urbanos de Cardiff.  outras poucas centenas de milhares na Inglaterra e áreas além­mar. idioma indo­europeu. notadamente nas regiões do  oeste e do norte (particularmente Gwynedd e Dyfed) onde o Galês permanece  forte e grandemente visível. o povo é conhecido com Cymry (kamri) e a língua.  "príncipe" ou “chefe”.  PRONUNCIANDO O GALÊS I A língua de Gales O idioma de Gales. O nome galês do país é Cymru (kamri). A linhagem sugere que sua família era originalmente romana. a língua  cotidiana normal é o inglês.  pertence a um ramo do céltico. A filha  de Cunedda.  Nas   regiões   mais   densamente   povoadas   de   Gales. que emigrou para o norte de Gales com uma grande parte de  seus súditos em 430. termo talvez  usado como tradução  céltica do latim protector) era um governante da tribo dos Votadini. era a mãe de Eigyr (Igraine). mais adequadamente chamado Cymraeg de preferência ao  termo   inglês  Welsh  (palavra   germânica   com   o   sentido   de   “estrangeiro”). 133 aproximadamente. Gwen. A linguagem dos galeses  é prima distante do irlandês e irmã do bretão. Newport e Swansea).  Diferenças  regionais  no galês  falado  não impedem  que  . O galês é ainda utilizado por  cerca de meio milhão de pessoas dentro do País de Gales e. a “Terra  dos Companheiros”. mas há outras áreas.

 Para crianças pequenas. Palavras galesas:  cwm (kum). II O alfabeto galês O alfabeto da língua galesa possui 28 letras:  A B C Ch D Dd E F Ff G Ng H I L Ll M N O P Ph R Rh S T Th U W Y   III As vogais A como em pai. neste texto) ou o  . yw (iu). o galês é hoje uma  língua cuja ortografia é completamente regular e fonética. extraordinária para o não iniciado. Apesar de sua aparência. tendo  compreendido as regras.   Palavras   galesas:  ganu  (gánü).  bws (bus). nu. Y  tem dois sons diferentes. enaid (énaid). Palavras galesas: am.  dod  (dode). Palavras galesas: gest (guést).   pois   as   muitas   inconsistências   da   ortografia  inglesa não são encontradas no galês. aprender a ler o galês oferece muito menos  dificuldades   do   que   o   inglês. E como no inglês bet ou echo.  bob  (bobe). O  como no inglês  lot  ou  moe. Cymru (kahmrü). un (ün). de forma que. W  u como em tu. 134 usuários   de   regiões   diferentes   entendam­se   mutuamente   e   o   galês   padrão   é  compreendido por falantes do idioma em toda parte. galw  (gálu). Palavras  galesas:  o’r  (ore). o som final do inglês  happy  (i. em que todas as letras são pronunciadas. U  como   no   francês  mur  (aqui   representado   por  ü). tu (tü). ac. você poderá aprender a ler e pronunciar sem muita  dificuldade.

 yn  (ahn). Eu  e  ei  são pronunciados como  ei  na palavra  pray:  deusiau  (dêixái). talvez. byd (bid). jamais mudo). S    e T são pronunciados  aproximadamente da mesma forma que seus equivalentes em português (o H é  sempre pronunciado como no inglês  hat. Ywy como no inglês Howie: bywyd (bowid). lawr (láur). teulu (têilü ou táielü).  henaid (hénaid). 135 som representado pelo  u  do inglês  bus  (ah. em  alguns dialetos.  ai  e  aw  são pronunciados como o inglês  eye:  ninnau  (ninái). ao inglês  mount:  mewn  (meun ou máun). D. Wy como no inglês win ou u­i: wy (u­i). deil (dêil ou dáil). Aw como no inglês áu: mawr (máur).  V As consoantes Na  maioria  das vezes. Ew  é semelhante a  e­u. P. IV Os ditongos Ae. tywyll (towithl). M . B.  mae  (mái). neste texto):  y  (ah). conhecido em galês como to bach (“pequeno teto”). Todas  as  vogais  (inclusive  w  e  y) podem  ser alongadas  pela adição  de  um  acento circunflexo (^). L. main (máin). (dixah). oen (óin). Oe como em mói: croeso (króiso).  tew (teu).  yr  (ahr). ou. wyn (win). troed (tróid). H. craig (kráig). R. ou. mwyn (mu­in). N. fry (vri). prynhawn (prinháwn). As diferenças são as  seguintes: .

 forth.  chwi (chu­i). llawr  (thláur). ffaith (fáith).  cwm (cum). O som nunca é como no  inglês  church. fach (vach). fawr  (váur). o som  mais próximo a esse seria um l com um th  (de think) antes: llan (thlan). mas como em  Dogherty:  edrychwn  (edráchun). Ll  é um  l  com uma expiração. fy (vi). Rh  soa como uma ligeira expiração antes que o  r  seja pronunciado:  rhengau  . Th é como o th inglês em think. CH como no escocês loch ou no alemão ach ou noch. byth (bith). 136 C  sempre como em  carro. Em inglês. pronunciado  ung háir dith) ou Yng Nghymru (“em Gales”. pronunciado ang humri). ffyddlon (fith­lon). Isso significa que você deve fazer com seus  lábios e língua como se fosse pronunciar um l e então soprar o ar suavemente  pelos lados da língua ao invés de dizer qualquer outra coisa. nunca como em  cigarro:  canu (káni). ganaf (gánav). hyfryd (havrid). fydd (vith).  cael (káil)  e. angau (angái).  uwch  (ü­uch).  gem (guem). Cymru (kamrü). guerra: ganu (gánü). como uma mutação do c: Yng Nghaerdydd (“em Cardiff”. F é como o v português: afon (ávon). O ng comumente surge com um h  depois. Dd é como o th inglês nas palavras  seethe ou them: bydd (bithe).   G é sempre como em gado.  sydd (sith). Ng é como no inglês finger ou Long Island. Ff é como o f português: ffynnon (finon). llwydd (thluith).  ddofon (thovon). é claro. ffyrdd (firth). thank: gwaith (gwáith).

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.............. 4 III........... 50 O Segundo Ramo do Mabinogion Branwen.................................................... 39 Os Espólios de Annwn .... O casamento de  ........ 44 4 Arawn.... Príncipe de Dyfed Introdução . 40 2 Dyfed ............................... 49 10 Gwri Gwallt Euryn ........................... ..... . Senhor de Annwfyn ................................ 3 II.......... .. ............... 48 8 Hefeyd Hen ... 25 VI O jogo do Texugo na Bolsa........... 48 9 Gwent Is Coed .............. 20 V No palácio de Hefeyd Hen........................ 49 11 Pendaran Dyfed ........... Filha de Llyr Introdução .... Que é o Mabinogion? . ........... 31 VIII A égua de Teirnyon. . .......... 47 Uma (pequena) lenda sobre Modron ........... 45 6 Um monte ............................ As lendas do Mabinogion ............ 18 IV Rhiannon. 33 IX O retorno de Pryderi.......................... 46 7 Rhiannon  ............... .....  VII Nascimento e rapto de Pryderi.......................................... 12 O Primeiro Ramo do Mabinogion Pwyll.................... ..................... 17 III Pwyll mata Hafgan........... 44 5 Annwfyn ..... 139 SUMÁRIO Prefácio I. príncipe de Dyfed ....................................... 16 Rhiannon e Pwyll....... 42 3 Glyn Cuch ............... 51 II A ira de Efnissyen.. Sobre esta tradução ............. 53 ....... ........ 14 II Na Corte de Annwfyn......................... 35 Notas ao Primeiro Ramo 1 Pwyll................................................................. 14 I Pwyll encontra Arawn.. 51 I A chegada de Matholwch...........................

140 .