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Tópico 1
Introdução ao Direito Ambiental:
conceitos gerais
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Alguns conceitos gerais do Direito


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Norma Jurídica
Substância que compõe do Direito Objetivo.

Instrumento de definição da conduta exigida por um poder (Estado),


em vista da imposição de um modelo de organização social.

Esquema lógico da norma jurídica:

Se A é, B deve ser, sob pena de S


Traduzindo:
Sob determinada condição (A), deve-se (imperativo) agir de acordo com
o que for previsto (B), sob pena de sofrer uma sanção (S).
Norma Moral: Norma técnica: Norma natural:
Deve ser A Se A é, tem que ser B Se A é, B é
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Destinatários das Normas

Imediatos
• Todas as pessoas Físicas ou Jurídicas (capazes e incapazes)

Mediatos
• Tribunais; Quanto provocados!
• Órgãos Estatais;
• Organismos Internacionais;
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Característica
Lembre-se:
Bilateralidade A B É o direito projetado na
relação jurídica concreta
Inter-relação de direitos e deveres correlatos.

A possuidor do direito subjetivo (poder) – sujeito ativo:


Dir. Subjetivo: possibilidade de exigir, de maneira garantida, aquilo que as
normas atribuem a alguém como próprio.

B detentor do dever jurídico – sujeito passivo:


 Exigência que o Direito objetivo faz a determinado sujeito para que
assuma uma conduta (positiva ou negativa) em favor de alguém.
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Característica
Todos são iguais perante
Generalidade a lei enquanto um padrão
Preceito de ordem geral que obriga a todos. jurídico.
Várias pessoas como destinatárias.

“Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga


a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagar-lhe certo preço em
dinheiro.” (CCB)
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Abstratividade
Não casuística, estabelece um denominador comum (comportamentos,
atos, etc...).

Ex.
Art. 9o-A. O proprietário ou possuidor de imóvel, pessoa natural ou jurídica, pode, por
instrumento público ou particular ou por termo administrativo firmado perante órgão
integrante do Sisnama, limitar o uso de toda a sua propriedade ou de parte dela para
preservar, conservar ou recuperar os recursos ambientais existentes, instituindo servidão
ambiental. (Lei 6938/81 – Política Nacional do Meio Ambiente)

Quem é o sujeito (ativo) de direito?

É possível identifica-lo concretamente apenas pelo texto da norma?


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Imperatividade
Imposição de vontade
ou
Mera recomendação?

Uma norma não imperativa é uma norma não jurídica.


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Coercibilidade
Essência [assim como a imperatividade] da norma jurídica

Duplo conteúdo: Coercibilidade é a


• Psicológico possibilidade do uso da força; coação em estado de
• Material coação (≠ sanção); potencia e não em ato.
Portanto, enquanto
possibilidade, está
Reserva de força
Ex. condução
Medida punitiva para sempre presente
hipóteses de violação da
“coercitiva” de norma.
testemunha

Qual o problema da falsa percepção de que não há coercibilidade em uma


determinada norma?
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Classificação
CF, art. 23:
Quanto ao âmbito
Parágrafo de complementares
único. Leis validade fixarão normas para a cooperação entre a
• União
Normase osde direitoo comum
Estados, Distrito :Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio
do desenvolvimento
▫ “Direito Federal” e do bem-estar em âmbito nacional. (EC 53/2006)
• Normas de direito particular:
▫ Estaduais;
▫ Distritais; Lei Complementar 140/2011
▫ Municipais;
Art. o
1 Esta Lei Complementar fixa normas, nos termos dos incisos III, VI e VII do
caput e do parágrafo único do art. 23 da Constituição Federal, para a cooperação
Quanto à aplicabilidade
entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios nas ações
administrativas
• Auto aplicáveis: decorrentes do exercício da competência comum relativas à
proteção
▫ Não das paisagens
demandam naturais
outras notáveis,legislativas.
conformações à proteção do meio ambiente, ao combate
à poluição em qualquer de suas formas e à preservação das florestas, da fauna e da
• Dependentes de regulamentação flora. (Não auto aplicáveis):
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Quanto a hierarquia
• Constitucionais
▫ Primárias – Poder Constituinte Originário
▫ Secundárias – Poder Constituinte Derivado – Emendas Constitucionais
• Complementares (Ex.:Lei de Responsabilidade Fiscal)
• Ordinárias (Ex.: Lei de Locação)
• Regulamentares (Ex.: Decretos)

Quanto à qualidade
Permissivas (positivas) Tanto ações quanto omissões!!!
Proibitivas (negativas)
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Quanto à influência da vontade das partes

Taxativas (ou cogente)


Normas de ordem pública ou interesses fundamentais
 Aplicabilidade não pode ser afastadas/limitada por vontade das partes

Dispositivas
Normas cuja aplicabilidade pode ser alterada em função da vontade
das partes.

Art. 22. O locador é obrigado a:


VIII - pagar os impostos e taxas, e ainda o prêmio de seguro complementar contra fogo,
que incidam ou venham a incidir sobre o imóvel, salvo disposição expressa em
contrário no contrato;
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Ex. Promulgação da Lei


Atributos da norma jurídica CF  declaração que indica o
momento em que a norma
Validade entra para o sistema.
Tratados
Qualidade de pertencer/integrarInternacionais
um determinado ordenamento jurídico,
advinda do atendimento aos requisitos:
Leis Complementares
▫ Formal  elementos procedimentais para a sua elaboração;
▫ Material  adequação e coerência de seu conteúdo em relação às normas
superiores. Leis Ordinárias / Medida
Provisória
O efeito da inconstitucionalidade de uma lei.

A pirâmide de Kelsen: Decretos

Resoluções, Portarias, Instruções Normativas

Normas individuais (inter partes)


decisões judiciais, contratos, etc
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Introdução ao Direito Ambiental:


conceitos gerais
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Evolução jurídica e legislativa do Direito Ambiental


1ª Fase (1500 até meados do século XX): Tutela Econômica
• Tutela do meio ambiente como um bem provado, proteção do interesse
individual;

2ª Fase ( 1950/1980): Tutela Sanitária:


• Preponderância da tutela da saúde e da qualidade de vida;
• Ainda presente a proteção dos interesses individuais e econômico-utilitários;
Ex. Código Florestal, Código da Caça…

3ª Fase: (a partir de 1980) Tutela autônoma:


• antropocentrismo  Biocentrismo/Ecocentrismo
• Caráter coletivo da proteção/meio ambiente como um bem único e indivisível.
•Ex. Lei 6938/81 e Constituição Federal de 1988
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Direito Ambiental

“Ramo do direito público composto pelo conjunto de princípios, institutos e


normas sistematizadas para disciplinar o comportamento humano,
objetivando a proteção o meio ambiente”.

• Direito Público;
• Princípios e regras;
• Comportamento humanos;
• Proteção do meio ambiente;
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Qual é o bem jurídico tutelado pelo Direito Ambiental?

Art. 225 (CF/88)


Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de
uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao
Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as
presentes e futuras gerações.

Todos: quem são? Equilíbrio na


interação entre os
Ecologicamente equilibrado: o que significa?
diversos fatores
Bem de uso comum: o que é? bióticos e abióticos.
Poder público e coletividade: qual a diferença?
Defende-lo e preservá-lo: contra quem e para quem?
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“Todos tem direito...”


Quem são seus titulares?
É possível identificar os titulares desse direito?

Conceito elementar:
Interesse jurídico relação entre um sujeito (aquele que possui uma
necessidade) e um objeto (apto a satisfazer a necessidade).

Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente Todos? É possível


equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à identifica-los?
sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público
e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo
para as presentes e futuras gerações.
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Quem são os sujeitos?


Quem tem interesse no controle da poluição do ar?

O direito ao meio ambiente como um direito difuso.

 Aqueles que, transindividual, caracterizam-se pela sua indivisibilidade, e pela


indeterminação de seus titulares, mas ligados (os titulares) entre si por uma
circunstância de fato.

Todos, portanto, são aqueles que possuem interesse (direto ou indireto) em um


meio ambiente equilibrado.
Aqueles que não pertencem
ao indivíduo de forma
isolada.
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Como caracterizar o objeto meio ambiente ecologicamente equilibrado?


Conteúdo mais facilmente intuído do que definível.
Lei 6938/1981:
Art. 3º, I (meio ambiente)
“Conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química,
biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.

Resolução CONAMA 306/2002 (meio ambiente)


“Conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química,
biológica, social, cultural e urbanística, que permite, abriga e rege a vida em
todas as suas formas.”
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Há que se buscar por um conceito amplo de meio ambiente!

Interação do conjunto de elementos naturais, artificiais e culturais que


propiciem o desenvolvimento equilibrado da via em todas as suas formas.
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Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os


Como delimitar esse conceito?
bens de natureza material e imaterial, tomados
individualmente ou um conjunto, portadores de referência
•Meio ambiente natural: à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos
formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:
▫Integrado pelos recursos naturais (solo, água, ar, flora, fauna).
I - as formas de expressão;
II - os modosArt.
de criar,
200. Ao fazer e viver;
sistema único de
•Meio ambiente cultural: Espaço urbano construído,e
III - as criações científicas, consubstanciado
artísticas no
e tecnológicas;
saúde compete, além de outras
▫Patrimônio artístico, histórico, conjunto
IV - asde
arqueológico, edificações
obras, e equipamentos
paisagístico,
objetos, turístico;
documentos, públicos. e demais
atribuições, nos termos daedificações
lei:
espaços destinados
(…) VIII –àscolaborar
manifestações artístico-culturais;
na proteção
V - os conjuntos urbanos
do ambiente, e sítios de ovalor histórico,
nele compreendido
•Meio ambiente artificial: paisagístico, artístico, arqueológico,
do trabalho. paleontológico,
ecológico e científico.
•Meio ambiente do trabalho:
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Quem é responsável pela defesa e proteção do meio ambiente

Poder Público
• Administração Direita: União, Estados Membros, Município e Distrito
Federal;
• Administração Indireta: Autarquias, Fundações Públicas, Empresas
Públicas, Sociedade de Economia Mista, Consórcios Públicos…

Coletividade
• Pessoas físicas;
• Pessoa jurídicas;
• Sociedade civil organizada.
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Lembre-se:
A quem pertence o meio ambiente? Todos têm direito ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado, bem de uso
comum do povo (…)
“Bem de uso comum do povo”
Consideram-se bens de uso comum do povo aqueles que, por determinação
legal ou por sua própria natureza, podem ser utilizados por todos em
igualdade de condições, sem necessidade de consentimento
individualizado por parte da Administração Pública.

Características do bem ambiental :


• Inalienável;
• Indeterminação dos seus titulares (bem difuso);
• Essencial;
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• Instável;

• Reflexível
▫ Danos em ricochete;

• Perene;
▫ Daí, os efeitos dos danos, serem, também, permanentes.

• Incognoscível;
▫ Desconhecimento científico sobre os efeitos dos bens ambientais;

• Ubíquo;
▫ Ausência de fronteiras espaciais;
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Defendê-lo e preservá-lo para quem e contra quem?

Estocolmo 1972: (Princípio 2)


...“impondo-se ao Poder Público e à
Os recursos naturais da terra incluídos o ar, a água, a terra, a flora e a fauna e
coletividade o dever de defendê-lo
especialmente amostras representativas dos ecossistemas naturais devem ser
e preservá-lo para as presentes e
preservados em benefício das gerações presentes e futuras, mediante uma
futuras gerações”.
cuidadosa planificação ou ordenamento.

O meio ambiente como um direito de terceira geração!


•Direitos da primeira geração: direitos de liberdade (Direitos civis e políticos)
•Direitos da segunda geração: direitos de igualdade (econômicos, sociais e
culturais)
•Direitos da terceira: direitos de fraternidade/solidariedade (direitos coletivos)
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Conceito de Poluidor

Quem poderá assumir a condição de poluidor?


Qual a importância da sua definição?

Lei 6.938/81
Art. 3º - Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por:
VI - poluidor, a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado,
responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação
ambiental;

Responsabilidade: administrativa, civil e/ou penal;


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Direta ou indiretamente...
▫ Regra da responsabilidade solidária entre os envolvidos
 todas as pessoas que de alguma forma causaram degradação ao meio ambiente
são responsáveis conjuntamente.

O que diz o Poder Judiciário?


O conceito de poluidor, no Direito Ambiental brasileiro, é amplíssimo, confundindo-se,
por expressa disposição legal, com o de degradador da qualidade ambiental. (…) Para o
fim de apuração do nexo de causalidade no dano urbanístico-ambiental e de eventual
solidariedade passiva, equiparam-se quem faz, quem não faz quando deveria
fazer, quem não se importa que façam, quem cala quando lhe cabe
denunciar, quem financia para que façam e quem se beneficia quando
outros fazem. (STJ, REsp 1071741 / SP, Ministro HERMAN BENJAMIN , DJe 16/12/2010)
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Ainda sobre a responsabilidade solidária

(…) Excetuam-se à regra, dispensando a prova do nexo de causalidade, a


responsabilidade de adquirente de imóvel já danificado porque,
independentemente de ter sido ele ou o dono anterior o real causador dos
estragos, imputa-se ao novo proprietário a responsabilidade pelos danos
(…) Se possível identificar o real causador do desastre ambiental, a ele
cabe a responsabilidade de reparar o dano, ainda que solidariamente com
o atual proprietário do imóvel danificado. (STJ, Resp 1.056.540/GO, Rel.
Min. Eliana Calmon, DJe 14/09/2009).
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E quando há falha na fiscalização?

A jurisprudência predominante no STJ é no sentido de que, em matéria


de proteção ambiental, há responsabilidade civil do Estado quando a
omissão de cumprimento adequado do seu dever de fiscalizar for
determinante para a concretização ou o agravamento do dano causado
pelo seu causador direto. Trata-se, todavia, de responsabilidade
subsidiária, cuja execução poderá ser promovida caso o degradador direto
não cumprir a obrigação. (STJ, AgRg no REsp 1001780 / PR, Ministro
Teori Zavascki, DJe 04/10/2011).
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Conceito de Poluição (Art. 3º, III - PNMA)


O que diz a Lei 6.938/1981 (Política Nacional da Meio Ambiente

Art. 3º
III - poluição, a degradação da qualidade II - degradação da qualidade
ambiental resultante de atividades que direta ambiental, a alteração
ou indiretamente: adversa das características do
a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem- meio ambiente;
estar da população;
b) criem condições adversas às atividades sociais
e econômicas; Apenas estas??
c) afetem desfavoravelmente a biota;
d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do
meio ambiente; Mera Exemplificação dos
e) lancem matérias ou energia em desacordo efeitos da poluição.
com os padrões ambientais estabelecidos;
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São poluentes, portanto, as atividade praticadas pelo homem das quais


resultem degradação da qualidade ambiental.

 Precisa decorrer de uma atividade ilícita?

Responsabilidade Penal e
Responsabilidade Civil NÃO
Administrativa SIM
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Recursos ambientais Recursos ambientais



Lei 6938/81 Recursos naturais
Art. 3º, V - recursos ambientais:
• atmosfera;
• águas interiores, superficiais e subterrâneas,
• estuários,
Recurso natural: recurso físico fornecido pela
• mar territorial,
natureza (renováveis e não renováveis)
• solo,
• subsolo, Recurso ambiental: recurso natural + capacidade de
prover serviços e desempenhar funções de suporte à
• elementos da biosfera, vida. (aplicação econômica)
• fauna
• flora