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SISTEMA SILVIPASTORIL SUSTENTÁVEL COM OVINOS EM


PASTEJO ROTACIONADO INTENSIVO1
Italo Claudio Falesi2
Italo Claudio Falesi P. de M. Bittencourt3
Ruth Helena Falesi P. de M. Bittencourt4
Hugo Didonet Láu5
Antônio Ronaldo C. Baena6
INTRODUÇÃO
A pecuária brasileira para se tornar mais competitiva tem motivado produtores rurais a investir
em novas tecnologias e processos de produção ambientalmente viáveis. Dentre as alternativas, os
Sistemas Silvipastoris (SSP) tem se destacado por contribuírem, substancialmente, para reduzir
os problemas decorrentes do desmatamento e de alterações em diferentes ecossistemas, além de
apresentarem vantagens em relação às monoculturas no que diz respeito ao seqüestro de carbono
para a redução do efeito estufa, tema tão discutido atualmente.
O uso de SSP torna a agropecuária uma atividade intensiva e sustentável, com rentabilidade
através da comercialização de produtos e derivados, agregando valor à propriedade, além do
paisagismo, permitindo o ecoturismo.
Estes sistemas que integram a produção de forragem, animais e árvores numa mesma área, têm
sido apontados como alternativa adequadas para a produção pecuária em todos os biomas
brasileiros, principalmente nos amazônicos, em que o plantio arbóreo seja prioritário.
O pastejo rotacionado intensivo (PRI) oferece algumas vantagens em relação ao contínuo. Em
primeiro lugar, o PRI evita ou reduz o pastejo seletivo, provocando uma uniformidade de
utilização das pastagens (CORSI, 1986), aspecto que pode ter reflexos positivos no controle de
plantas infestantes (HOLMES, 1989), por permitir uma maior competição pela luz.
Em segundo lugar, ele oferece uma maior eficiência fotossintética da vegetação (PARSON; &
JOHNSON, 1986), que apesar de ser reduzida no período de utilização é mais prolongada após
pastejo severo (GRANT & KING, 1982-1983).
Primavesi, 2000 comentou este sistema, citando que: O manejo rotacionado intensivo de
pastagens indica ser uma tecnologia agrícola ambientalmente correta, pois mantém o solo mais
protegido contra as inclemências do clima tropical, bem como permite manter uma
permeabilidade maior do solo para a água das chuvas, contribuindo assim para melhorar a
conservação de água residente. Este manejo, por outro lado, permite utilizar menos área com
uma lotação animal de ate 16 vezes maior, evitando que ambientes naturais necessitem ser
destruídos para ampliar a fronteira agrícola constituindo ferramenta importante para garantir
a biodiversidade remanescente de uma região. O PRI elimina a necessidade de queimada de
pastagens secas no período de estiagem, pois estas não ficam secas, reduzindo a emissão de
gases do efeito estufa e partículas na atmosfera, com reflexo positivo na qualidade de vida da
população. O manejo rotacionado intensivo de pastagens de gramíneas, permite além disso a
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Trabalho apresentado no AMAZONPEC 2008. Encontro Internacional da Pecuária da Amazônia. 30 de outubro a
2 de novembro. Belém-PA
2
Eng. Agr°. Diretor Científico do Instituto Alerta Pará; Pesquisador Aposentado Embrapa Amazônia Oriental –
falesi@hotmail.com
3
Bacharel em Administração em Agronegócios – italo_falesi@hotmail.com
4
Méd. Vet. M.Sc. Professora UFRA – Universidade Federal Rural da Amazônia – rhfalesi@amazon.com.br
5
Méd. Vet. D.Sc. Pesquisador Aposentado Embrapa Amazônia Oriental – hugolau@globo.com.br
6
Eng. Agr°. M.Sc. Assessor Técnico da FAEPA e Pesquisador Aposentado da Embrapa Amazônia Oriental -
arcbaena@hotmail.com
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incorporação e imobilização maior e mais profunda de monóxido de carbono (CO) no perfil do
solo, pois os ciclos de pastejo com descanso ocasionam periodicidade de morte-renovação do
sistema radicular, constituindo a morte e armazenamento deste gás do efeito estufa melhorando
a qualidade de vida da população e a produtividade agrícola.
A melhor alternativa para o uso do solo da Amazônia está, sem dúvida, no estabelecimento de
sistemas agroflorestais (SAF), elegendo-se componentes que possuam valores agronômico,
econômico e ecológico, e que garantam a sustentabilidade ambiental (ALVIM, 1991).
As espécies arbóreas para combinação com pastagem e animais devem ter características
distintas, dentre as quais: não serem tóxicas e não produzirem efeitos alelopáticos sobre a
pastagem; terem silvicultura conhecida e serem adequadas às condições ecológicas e ambientais;
devem propiciar alimento para os animais; e ter capacidade de rebrote e de fixação de nitrogênio
Portanto, o SSP se constitui num método eficiente para a criação de animais, visto fornecer
ambiente de conforto térmico, além de que estudos demonstraram maior ganho de peso dos
animais durante o período de seca. No setor produtivo de carne e leite, produtores rurais
encontram neste sistema uma maneira de intensificar o uso das terras com maior geração de
renda por área e com aumento da produção animal.
A convicção dos consumidores de que os animais utilizados para a produção de alimentos devem
ser bem tratados ganha cada vez mais importância, visto que os padrões de bem-estar tem
impacto direto e indireto na segurança dos alimentos e na qualidade final dos produtos. Portanto,
o bem-estar animal pode ser considerado uma demanda para que um sistema seja defensável
eticamente e aceitável socialmente, onde as pessoas desejam comer carne oriunda de animais que
foram criados, tratados e abatidos em sistemas que promovam a sua satisfação, e que sejam
sustentáveis e ambientalmente corretos.
O Sistema de Pastejo Intensivo (SPI) desenvolvido pela Embrapa Amazônia Oriental, é uma
tecnologia que surgiu em decorrência da necessidade de recuperar a sustentabilidade de
empreendimentos pecuários para gado de corte e de leite, contribuindo para o melhor
aproveitamento de áreas alteradas, o que conseqüentemente irá diminuir a abertura de novas
áreas, reduzindo deste modo, a taxa de desmatamento.

SISTEMA SILVIPASTORIL “2008”, FATTORIA PIAVE


A Fattoria Piave, inovando as suas atividades sustentáveis, estabeleceu em 2008 um sistema
silvipastoril em uma área total estimada de 7,6 hectares, ocupada com consórcio florestal e
SAF’s instalados, respectivamente, em 2001, 2003 e 1991, e conduzido em PRI.
A propriedade fica localizada na Travessa Pantoja, km 2 da Colônia de Jambuaçu, município de
Igarapé-Açu, Estado do Pará, nas coordenadas geográficas de 1°6’36.15’’ Lat S e 47°34’.28’’
Long.O Gr., distando 6 km da sede do município.
As espécies florestais componentes do consórcio, constituídas de Tachi-preto, Sumaúma,
Copaíba, Jucá, Nim-indiano, Castanheira-do-Pará e Acacia mangium, encontram-se com 6 anos e
9 meses de idade e crescimento vegetativo compatíveis com às espécies. As espécies
componentes do piquete SAF 91 compõem-se de diversas fruteiras dispersas no sistema,
destacando-se, entre elas bacabeira, patauá, bacabinha, coqueiro, mangueira, caramboleira e
santol. Entre as florestais citam-se: mogno-africano, mogno-verdadeiro e jenipapo, com idades
de 16 anos, e a teca e sumaumeira com idades de 8 anos. O espaçamento inicial deste SAF foi o
5x5 m, encontrando-se atualmente, após os desbastes com densidade mais ampla.
Após a realização de um desbaste seletivo, eliminando-se as árvores defeituosas e que foram
destinadas à produção de carvão (obtendo-se uma produção de 9 m³), a área ficou apta, com

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luminosidade adequada (acima de 70%), proporcionando as condições satisfatórias para a
implantação do sistema silvipastoril em PRI, adotando-se o manejo com ovinos da raça Santa
Inês.
Em março de 2009 incluiu-se no SSP mais dois piquetes de 0,70 ha cada, com plantio de Khaya
ivorensis A. Chev – mogno-africano, estabelecido em 2003. Nestes piquetes a espécie forrageira
cultivada foi o mombaça, Panicum maximum Cv. Mombaça, com a idade de 12 meses, passando
o SSP a abranger uma área total de 7,6 ha, sendo 4,7 ha com área útil de pastagem de boa
produtividade. O número de árvores de mogno-africano é de 292 com idade de seis anos com
espaçamento de 4x4 m.

CONFORTO E BEM-ESTAR ANIMAL EM SSP

Resultados de pesquisas realizadas pela Embrapa Gado de Leite, evidenciaram aumento médio
de 22% de nitrogênio e 17% de potássio nas folhas verdes de Brachiaria decumbens situadas
embaixo das áreas de influência das copas das árvores. Também se observou resultados positivos
obtidos com a forrageira Brachiaria brizantha, com aumento médio de 38% de nitrogênio e 35%
de potássio. Isto quer dizer que as gramíneas que se desenvolveram sob as árvores cultivadas são
mais nutritivas para os animais em pastejo, com aumento na produção de leite e carne
(CARVALHO et.al. 1999).
A adoção aos sistemas silvipastoris principalmente em manejo com PRI, interfere positivamente
na sustentabilidade da pecuária na medida em que protege o ambiente assegurando a recuperação
dos recursos naturais ameaçados (DUBOIS,1996), visto que as árvores funcionam como
mecanismo de proteção contra a erosão e pela densidade de plantio, o sistema radicular forma
uma rede protetora e de agregação dos horizontes do perfil do solo.
São conhecidos problemas sérios de redução da produtividade das áreas de plantio, tanto pela
diminuição da capacidade de retenção da água disponível do solo, quanto pelas modificações da
sua estrutura e perdas de nutrientes provocadas pelo arraste de partículas. O plantio de espécies
florestais e de pastagem são instrumentos naturais de proteção contra a erosão. As raízes desses
componentes formam um tipo de malha em condições de manter os agregados do solo,
conservando a sua produtividade.
Do mesmo modo, a liteira formada pela folhagem e demais partes integrantes da biomassa aérea,
também funciona como uma barreira protetora das condições físicas do solo, observada
notadamente nas regiões de elevada queda pluviométrica, como é o caso da Amazônia
geográfica. As árvores através da interceptação e da redistribuição da precipitação que chega ao
solo, reduzem a intensidade de seu impacto.
Desta forma, segundo DIAS FILHO (2007), a implantação de sistemas silvipastoris é sem
dúvida uma alternativa viável para aumentar a eficiência econômica e agronômica, a diversidade
biológica e a conservação dos nutrientes e da água no solo.

CONFORTO TÉRMICO

As condições climáticas e de manejo, em regiões tropicais, constituem os maiores problemas na


produtividade do rebanho. Pesquisas têm demonstrado que criar animais, em ambiente de
conforto e bem-estar, pode refletir diretamente na melhora de seus desempenhos produtivo e
reprodutivo, minimizando efeitos prejudiciais do clima sobre os animais. Deste modo, a ação

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danosa das variáveis climáticas consideradas responsáveis pelo estresse calórico devem ser
amenizadas.
O SSP, portanto, constitui um eficiente modelo para criação de animais quer para a produção de
leite como de carne, fornecendo um ambiente de conforto térmico, onde a procura dos animais
por locais sombreados, durante o período da estiagem, mostra a necessidade da provisão de
sombra, especialmente usando-se espécies arbóreas com copas globosas e densas.
Alterações de comportamento são realizadas pelo animal com o objetivo de reduzir a produção
de calor ou promover a sua perda, evitando estoque adicional de calor corporal. Estas alterações
referem-se à mudança do padrão usual de postura, movimentação e ingestão de alimentos, sendo
verificado que durante as horas mais quentes do dia, os animais procuram se alimentar e ruminar
nos ambientes sombreados, conforme mostrado na Figura 1. Deve-se considerar que durante a
estiagem, a tendência dos animais é passar o menor tempo pastando e ruminando, permanecendo
em ócio por período mais prolongado, o que acarreta perda da produção.

Figura 1 - SSP e conforto animal


Fonte: Fattoria Piave, 2008

A arborização de pastagens, quando corretamente instalada e manejada, contribuirá para a


recuperação do pasto, aumentando também o conforto para os animais, gerando um ambiente
propício para a produção animal com qualidade e quantidade, sob um sistema pouco impactante:
conservador de solo, melhorando as características físicas e químicas; água e biodiversidade,
socialmente e ambientalmente desejável.
Critérios de tolerância e adaptação dos animais são determinados pelas medidas fisiológicas da
respiração, batimento cardíaco e temperatura corporal. A temperatura retal e a frequência
respiratória são referências fisiológicas para estimar a tolerância dos animais ao calor. Valores de
temperatura retal próximos à temperatura normal da espécie podem ser tomados como índice de
adaptabilidade, logo, animais que apresentam menor aumento na temperatura retal e menor
frequência respiratória são considerados mais tolerantes ao calor. Nos ovinos, a temperatura
retal, a frequência respiratória e o nível de sudorese cumprem um importante papel na
termorregulação.
A adaptação de um animal a um determinado ambiente está relacionada com mudanças
estruturais, funcionais ou comportamentais observadas no mesmo, objetivando a sobrevivência,
reprodução e produção em condições extremas ou adversas, uma vez que a maior parte das
avaliações de adaptabilidade dos animais aos ambientes quentes está relacionada à
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adaptabilidade fisiológica a qual demonstra a tolerância do animal em um ambiente quente
mediante, principalmente modificações no seu equilíbrio térmico, e à adaptabilidade de
rendimento que descreve as modificações da produtividade animal experimentadas em um
ambiente quente.
Em pastagens tradicionais, extensivas, durante o período de estiagem , a temperatura, a umidade
relativa do ar e o calor causam desconforto e/ou até mesmo a morte de animais, onde o calor
excessivo reduz a ingestão alimentar e aumenta o gasto de energia para manutenção da
homeotermia. Assim, o estresse calórico diminui a produção de leite, reduz o ganho de peso e a
eficiência reprodutiva se mostrará também diminuída resultando em baixo desempenho dos
animais.
A arborização influencia o conforto térmico do animal e este é um dos pontos fortes dos SSP que
lançam mão desse recurso, uma vez que o conforto térmico é caracterizado pela sensação de
bem-estar do animal, ocasionada por um ambiente em função da atuação conjunta das variáveis
temperatura, umidade, aeração e radiação. Assim, há uma faixa efetiva de ocorrência de tais
elementos, para a qual o animal mantém-se em conforto térmico, ou seja, não está estressado
nem por calor nem por frio, é a chamada “zona de conforto térmico”, onde, o esforço
termorregulatório do animal é mínimo e o desempenho em qualquer atividade é otimizado
(SOUZA et al. 2007).
Quando a temperatura corporal ultrapassa a faixa ideal, o animal busca meios para dissipar o
calor e sua primeira opção é buscar uma área sombreada. Estudos relacionando conforto animal e
formas de sombreamento demonstraram melhores respostas (ganho de peso e produção de leite)
sob sombreamento natural, com árvores, visto que os serviços prestados pelas árvores vão além
da barreira para o calor: é promovido também o efeito “ar condicionado” através da transpiração
da água via folhas, onde a água transpirada é perdida para a atmosfera, reduzindo a temperatura
sob a copa e elevando a umidade relativa do ar; por isso os animais priorizam áreas sob árvores a
áreas sombreadas artificialmente (PINTON; GONÇALVES, 2008).
A utilização de sombras para animais em pastejo é de fundamental importância, sendo
procurada pelos ovinos durante o período de estiagem . O tempo em que os animais permanecem
na sombra independe do tipo de sombreamento, indicando a possibilidade de sombreamento
artificial para melhorar o conforto térmico dos animais. É fato que cordeiros da raça Santa Inês
procuram mais vezes a sombra natural, ao final do dia de pastejo, entretanto, sabe-se que o uso
de sombras tanto natural como artificial, contribuem de forma favorável aos animais em
confinamento ou semi-confinamento, uma vez que minimizam os efeitos climáticos e melhoram
a eficiência da produção.
É fato conhecido que as espécies de Brachiaria podem causar o aparecimento da
fotossensibilização provocada pelo fungo Pithomyces chartarum, entretanto o controle da ação
desse fungo é baseado na prática correta de manejo dos animais nas pastagens. Entre os diversos
manejos preventivos está na presença de áreas sombreadas nos piquetes, que neste sistema
corresponde a 38,15% do total da área. Esta é uma característica dos sistemas silvipastorís,
ocasionando melhor proteção à incidência dos raios solares. Quando o animal está com a pele
sensibilizada a sombra deve ser o local de proteção.
Quando protegidos do calor, os animais pastam por períodos mais longos, requerem menos água
(20%) para beber, apresentam melhor eficiência de conversão de forragem, maior crescimento e
produção de lã e de leite, atingem a puberdade mais precocemente, aumentam a taxa de
concepção e promovem maior regularidade do período fértil e uma maior vida reprodutiva.
Figura 2

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AMBIÊNCIA

Aumento da produtividade de 12 a 15 % na produção de leite


Aumento de 20 % na taxa de concepção (nascimentos)
Aumento de 50 % no número de serviços / concepção dos animais.
Os meses mais quentes com estiagem acentuada torna o ambiente estressante com
desconforto aos animais.
Figura 2 – Resultados positivos dos efeitos do conforto animal proporcionados pela sombra das árvores.

Animais estressados por calor apresentam maiores taxas respiratórias, maior consumo de água,
menor apetite e considerável perda de sais minerais como potássio e sódio; machos expostos a
estresse térmico apresentam redução do volume seminal por ejaculação e aumento do número de
espermatozóides anormais (defeituosos e mortos). Não obstante, animais sob desconforto
térmico apresentam menor resistência a infecções.
A região tropical úmida apresenta elevados índices de precipitação pluviométrica, temperatura,
umidade relativa do ar e radiação solar e estas, quando associadas ao manejo inadequado da
pastagem e do animal, podem ser consideradas elementos estressantes e que prejudicam a
exteriorização do potencial produtivo dos animais.
Além das condições climáticas, outras práticas de manejo visando oferecer maior conforto e
bem-estar aos animais, devem ser consideradas, dentre as quais, disponibilizar bebedouro que
ofereça água de qualidade (fluxo contínuo e vazão) e em quantidade suficiente a todos os
animais; evitar a lida com os animais (vacinação, pesagem, inseminação, controle de parasitos,
ordenha etc.) no período compreendido entre as 10 e 16 horas, pois o calor poderá provocar
estresse; qualificar a mão-de-obra para lidar com os animais, tratando-os com paciência, atenção,
carinho e higiene; evitar mudanças bruscas no manejo e na alimentação, que devem ser feitas de
forma lenta e gradual, uma vez que alterações abruptas e radicais levam a resultados desastrosos
quanto à produção de leite; o acesso à água e às áreas de sombra e pastos deverá ser planejado,
visando reduzir distâncias; promover limpezas constantes dos locais por onde os animais
transitam buscando reduzir os riscos de acidentes; e, sobretudo o manejo sanitário.
Nas latitudes próximas à Linha do Equador não ocorre sazonalidade reprodutiva, o que torna
possível a produção de cordeiros ao longo do ano. Os ovinos deslanados, como é o caso da raça
Santa Inês, são caracterizados pela maturidade sexual precoce, altos índices de fertilidade ao
parto e altas taxas de prolificidade. Salienta-se que o ovino tem potencial para produzir carne
mais eficientemente que outros ruminantes. (LEITE, 2007).

ÁREA E O AMBIENTE EDAFOCLIMÁTICO

Aspecto Edáfico
A unidade pedogenética dominante é formada pelo Latossolo Amarelo Coeso Distrófico, textura
média, bem drenado, com baixa saturação de bases, baixa capacidade de troca catiônica, baixo
valor de fósforo assimilável e médio a baixo conteúdo de matéria orgânica. Trata-se, portanto, de
um solo de baixa fertilidade química embora apresente características físicas satisfatórias.
A Amazônia apresenta 86% de solos ácidos de baixa fertilidade química uma consequência das
concentrações inadequadas de nutrientes ou elementos, com reflexos negativos nutricionais para
as plantas cultivadas. (FALESI, 2009). A acidez do solo, resulta basicamente na concentração de
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íons hidrogênio, na deficiência de cálcio, fósforo e molibdênio e principalmente aos elevados
teores de alumínio e manganês. (MONIZ, 1975).
Com o objetivo de caracterizar as condições químicas através de análises de solo, efetuou-se
amostragem colhendo-se seis amostras simples para uma composta a espessuras de 0-5cm; 5-
10cm; 10-15cm; 15-20cm e 100-120cm, cujos resultados se encontram mostrados na Tabela 1.
Análise Química
Prof. cm pH N MO P K Na Ca Mg Al H
H2O % g/kg mg/dm³ Cmol/dm³
0,1 14,2 2 1, 0,
0-5 5,3 0 6 8 1 10 0 0,6 3 2,67
0,1 10,4 1 0, 0,
5-10 4,9 3 7 5 6 8 6 0,4 6 3,20
0,1 13,6 1 0, 0,
10-15 4,8 1 6 4 4 6 4 0,3 8 3,00
0,1 11,0 1 0, 1,
15-20 4,8 0 7 3 2 6 4 0,2 0 1,48
0,0 1 0, 0,
100-120 4,8 5 4,73 1 0 6 3 0,2 8 1,84

Granulometria g/kg
Prof. cm Areia Silte Argila total
gross
a fina
0-5 534 330 77 60
5-10 535 344 81 40
10-15 584 308 68 40
15-20 502 339 119 40
100-120 355 304 122 220

Tabela 1 – Análises química e granulométrica de amostras de solo a diferentes espessuras do perfil. Laboratório de
Solos Embrapa Amazônia Oriental

Por ser desenvolvido diageneticamente em área incluída nos tabuleiros costeiros do Terciário,
possui camada coesa, densa localizada entre profundidades de 20 a 25 cm e 40 a 45 cm
(JACOMINE, 2001). Deste modo, é necessário que o produtor ao estabelecer o cultivo de plantas
arbóreas ou mesmo arbustivas, no momento do coveamento deve ter o cuidado de aprofundar a
cova pelo menos à profundidade de acima de 45cm, ultrapassando esta camada coesa ou
adensada. Não efetuando esta prática, o sistema radicular vai encontrar dificuldades de
ultrapassá-la provocando enovelamento e atrofia com reflexos muito negativos no crescimento e
produtividade das árvores, podendo inclusive provocar o tombamento de algumas delas.

Aspecto Climático
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A área da Fattoria Piave está relacionada ao tipo climático Ami da classificação de Köppen, onde
a média de precipitação pluviométrica anual total é de 2100mm distribuída em dois períodos, o
mais chuvoso compreendido de janeiro a julho, com 81% de chuvas, e o outro de agosto à
dezembro com 19%. (FALESI; BAENA, 1999).
Esta precipitação, a rigor, se distribui em um período de sete meses bastante chuvoso, com
quedas de chuvas torrenciais, abrangendo de janeiro a julho, um período intermediário de
estiagem pouco pronunciado de agosto a setembro e finalmente outro período praticamente sem
queda pluviométrica distribuído nos meses da segunda quinzena de setembro, outubro, novembro
e na primeira quinzena de dezembro. Este último período é preocupante, principalmente nos dois
primeiros anos do crescimento da maioria das espécies cultivadas, devido à deficiência hídrica
acentuada nos primeiros horizontes do perfil do solo.
Como consequência deste fator, a semeadura deve ser efetuada no início das chuvas ocorrentes
em janeiro, para assegurar durante o período de cinco a seis meses de chuvas diárias o
crescimento vegetativo e a expansão do sistema radicular das plantas e com isto assegurar,
durante o período de estiagem a pouca disponibilidade de água e de nutrientes.
A temperatura é mais ou menos estável, com média anual de 26°C e variação térmica de 5°C. A
umidade relativa do ar é elevada durante o ano alcançando a média de 90%, sendo os valores
mais elevados registrados durante o período chuvoso.

METODOLOGIA

Preparo do Solo
O estabelecimento da pastagem cultivada que deu suporte a alimentação das ovelhas e borregas,
foi concretizado em áreas ocupadas com consórcios florestais e sistemas agroflorestais, cuja
distribuição e número de espécies estão expostas na Tabela 2 obedecendo a um sistema de
preparo do solo através de gradagem superficial passando-se a uma distância mínima de 1 m das
árvores nos locais abertos, visando-se o menor dano possível do sistema radicular das plantas
arbóreas cultivadas, distribuído desde a superfície até aproximadamente 45 cm de profundidade.

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Sistema Tipo Árvore n° Total
Tachi xNim Florestal Nim 175
Piquete 1 Florestal Tachi 20
Florestal Castanheira 4 199
Sistema Tipo Árvore n°
“Ex – PRI” Florestal Acácia 134
Piquete 2 Florestal Tachi 71
Florestal Sumaúma 18
Florestal Freijó 9
Florestal Jucá 4
Florestal Copaíba 4
Florestal Andiroba 4
Fruteira Ginjas 31
Fruteira Mangueiras 21
Fruteira Abieiros 20

Sistema Tipo Árvore n° Total


“Ex – PRI” Fruteira Coqueiros 12
Piquete 2 Fruteira Marmeleiros 10 338
Citros 93 Fruteira Laranjeiras 113
Piquete 3 Florestal Sumaúma 21
Florestal Teca 19
Fruteira Tangerinas 10
Fruteira Limoeiros 6
Florestal Paricá 145
Florestal Acácia 28 352
SAF 91 Fruteira Outras fruteiras 60
Piquete 4 Florestal Mogno 56
Florestal Mogno-africano 39
Fruteira Coqueiros 39
Florestal Teca 33
Fruteira Bacaba 22
Fruteira Jenipapo 11
Fruteira Patauá 10
Fruteira Abieiros 6

10
Fruteira Bacabi 4
Florestal Sumaúma 3 283
Khaya – 2003
Piquetes 5 e 6 Florestal Mogno-africano 292 292
Total 1.464

Tabela 2 - População das espécies arbóreas e arbustivas do SSP

Estabelecimento da Pastagem
Após o preparo do solo, houve a infestação de vegetação considerada não forrageira, como
vassoura-de-botão, ciperáceas e plantas herbáceas de folhas largas, controlada com capina
através de enxada, proporcionando a limpeza total da área, tornando-a apta ao plantio da
gramínea forrageira Brachyaria brizantha (braquiarão) usando-se semente na quantidade de
20kg/ha com CV de 32%. A semeadura foi feita em sulcos distanciados de 30 cm misturando-se
5 kg de sementes com 15 kg de superfosfato simples, em quadras de 50 x 50 m (2500 m²)
visando-se atingir uma boa distribuição das sementes na área plantada. Quando necessárias
foram feitas capinas para estirpar as invasoras.
O produtor poderá optar pelo uso de herbicida a base de glifosate para a limpeza da área por ser
esta prática mais eficaz e econômica.
No decorrer do estabelecimento da pastagem foram realizadas duas capinas e arranquio de
plantas herbáceas, com a finalidade de controlar a concorrência com a forrageira. Do mesmo
modo fez-se a aplicação de fertilizantes químicos no momento em que a pastagem se encontrava
com 15 cm de altura após a semeadura, e, na primeira e segunda saída das ovelhas dos piquetes.
A pastagem bem manejada é a mais natural e econômica fonte de nutrientes, no aporte alimentar
dos animais, praticando-se uma pecuária altamente competitiva. No entanto, o conhecimento e a
adoção do manejo das pastagens são essenciais para que possam ser mantidas produtivas e
persistentes, pois a genética da planta defini o potencial produtivo, mas o manejo – o homem, é
responsável pelo seu sucesso.
A produtividade animal está relacionada com a capacidade de suporte da pastagem, ou seja, o
número de animais (ou de UA), ou ainda carga animal que pode ser mantida por área em função
da disponibilidade de forragem, assegurando alto rendimento por animal e por área, além de
manter a produtividade e a capacidade de recuperação da pastagem. Deve-se diferenciar
entretanto, carga animal (densidade animal) de capacidade de suporte (taxa de lotação). Cada UA
corresponde a 450 kg de peso vivo, e não a um animal.
No PRI o acompanhamento da pastagem deve ser diário, observando-se o momento adequado da
reposição de nutrientes químicos através de fertilização e o uso permanente de sal mineral, além
do controle de plantas invasoras.
Este sistema de manejo intensivo que a Fattoria Piave está adotando com ovinos em sistema
silvipastoril, substitui a pecuária tradicional vigente em uma pecuária moderna, de alta
produtividade, tendo como principal objetivo intensificar a produção, produzindo mais em menor
área, tornando a pecuária competitiva e apta a concorrer no processo de uso adequado da terra
(FALESI et.al. 2009. não publicado).
A região tropical úmida onde a Amazônia se inclui em geral apresenta solos com baixa
fertilidade, difíceis de sustentar produtividades elevadas e econômicas. Estes solos,
dominantemente classificados de Latossolos e Argissolos, devem ser adequadamente manejados
na tentativa de se obter melhores produtividades e atingir as metas de sustentabilidade a longo

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prazo. Para se alcançar este objetivo, o produtor terá que conhecer e aplicar sistemas de manejo
equilibrados que conduzirão a essa sustentabilidade.
No caso dos sistemas silvipastoris, a escolha criteriosa dos componentes, como a árvore, o
animal, a pastagem e sobretudo o homem são fatores fundamentais para se obter o sucesso
desejado. Estes componentes devem conviver harmonicamente, equilibrados, caso contrário não
será alcançada a sustentabilidade.
É comum os agricultores que labutam nos ecossistemas tropicais, cultivarem áreas maiores que
suas capacidades técnica e financeira. São conhecidos inúmeros casos de insucessos devido à
condução do manejo insuficiente do solo e das culturas ocasionando a baixa produtividade e
lucro.
Otimizando áreas mais reduzidas, como é o caso apresentado neste trabalho com a aplicação
adequada de nutrientes e de outras práticas agrícolas. É fundamental que a pastagem do SSP
esteja consolidada e com elevada produtividade, resultando maior índice de unidade animal,
melhores produtividades de sementes e de madeira produzidas pelas espécies florestais e do
sistema.
Não existe nenhuma vantagem em cultivar áreas muito extensas, com mais trabalho e menor
lucro no final.

Adubação
Com base em análises de solo a aplicação de fertilizantes químicos foi com o objetivo de corrigir
as deficiências de nutrientes. Inicialmente o superfosfato simples foi fornecido juntamente com
as sementes de braquiarão no momento da semeadura. Após a germinação, quando as plantas
alcançaram 30 dias de nascidas, fez-se a adubação adotando-se a formulação NPK, 10.28.20 na
base de 50kg/ha por ter a resposta mais imediata.
A aplicação do potássio e do nitrogênio e novamente do fósforo foi feita posteriormente, quando
a gramínea se encontrava com aproximadamente 30 cm de altura, usando-se a mistura de 80kg
de superfosfato simples com 50kg de sulfato de amônio e 50 kg de cloreto de potássio por
hectare.
Após o estabelecimento da pastagem, a reposição de nutrientes será feita a base de esterco de
ovinos curtido produzido na propriedade e quando necessário com enriquecimento de fósforo.
Adotou-se o sulfato de amônio pela presença de 24% de enxofre em sua composição e o
superfosfato simples também pelo conteúdo de 12% desse elemento.
O enxofre desempenha funções essenciais na vida das plantas cultivadas, notadamente na
formação de proteína e nas reações enzimáticas (MATTOS, 1990).
A deficiência de enxofre, nem sempre observada visualmente, pode ser responsável para reduzir
a produção das mais diversas culturas.

Estabelecimento do Sistema Silvipastoril


O sistema silvipastoril obedecerá ao manejo adotando-se o PRI e está sintetizado no desenho
conforme a figura 3.

12
245 m
110 m

85m
Tachi x Nim
0,80 ha

Porteiras
Bebedouros

Ex - PRI
0,80 ha

571 m
92 m

Khaya
0,70 ha
110 m

Citrus 93 ÁREA TOTAL: 7,6ha


149 m

0,80 ha
ÁREA ÚTIL: 4,7 ha

123 m

Khaya
0,70 ha Saf 91
0,90 ha

130 m

Figura 3: Desenho esquemático do Sistema Silvipastoril – PRI - 2008

Na tabela 3, observam-se as áreas de cada potreiro atingindo o equilíbrio com 60 ovelhas, o


correspondente a 6 UA/ha

13
Sistema Florestal Piquetes n° Área Total (ha) Área útil m²
Tachi x Nim 1 0,90 0,80
Ex-PRI 2 2,60 0,80
Citros 93 3 1,30 0,80
SAF 91/92 4 1,40 0,90
Khaya 2003 5e6 1,40 1,40
Total 6 7,60 4,70
Tabela 3 – Áreas total e útil de pasto por piquete

INFRAESTRUTURA DO SISTEMA

Construção de 1412 m de Cercas


Material:
941 esteiotes de 2,2 m de comprimento e diâmetro de 20 cm ou mais, retirados de plantio de
Acacia mangium produzidos na Fattoria Piave. Salienta-se que, com o emprego desta madeira
evita-se de modo significante o consumo de moirões retirados da floresta natural. A acácia ao
atingir quatro anos de idade apresenta árvores com diâmetros adequados à construção de cercas.
Mesmo que não apresentem a mesma durabilidade dos acapús e jaranas, sem dúvida que além de
reduzir consideravelmente os custos das construções das cercas, o produtor não agride o
ambiente. Os esteiotes devem ser tratados com preservativos convencionais ou mesmo com óleo
queimado acrescido de piche para assegurar maior vida útil às cercas.
Outra alternativa é se utilizar cerca elétrica;

8472 m de arame liso = 9 rolos de 1000 m


30 kg de grampos
10 l de óleo queimado
1 galão de piche
Insumos básicos:
Forrageiras
Sementes de Capim Braquiarão
Fertilizantes
3 sacos de superfosfato simples – 50 kg/saco – 150 kg
3 sacos de N.P.K. 10.28.20 – 50 kg/saco – 150 kg
3 sacos de KCl – 50 kg/saco – 150 kg
3 sacos de sulfato de amônio – 50 kg/saco

Equipamentos e Instalações
4 bebedouros em alvenaria cobertos – Figura 4
1 cocho coberto para sal mineral, móvel – modelo Piave – Figura 5
Instalação hidráulica – mangueira, bóias e conexões
6 porteiras do tipo guilhotina com dimensão de 1m de largura x 1,10 altura– modelo Piave –
Figura 6

14
Figura 4- Bebedouro Figura 5 - Cocho coberto – saleiro Figura 6 – Porteira Guilhotina Piave

CRONOGRAMA DE IMPLANTAÇÃO

Janeiro 2008
Retirada dos esteiotes do plantio de acácia sem idade de 4 a 5 anos, destinados à construção das
cercas.
Gradagem cruzada ate 20 cm e nivelamento
Construção das cercas.
Fevereiro 2008
Semeadura do Braquiarão misturada com o superfosfato simples nas dosagens definidas – 20
kg/ha e 50kg/ha respectivamente.
Paralelamente, capina onde necessária.
Março 2008
Acompanhamento do crescimento e consolidação das forrageiras.
Adubação com KCl e superfosfato simples e capina onde necessária.
Neste momento, todas as etapas terão que estar concluídas para em maio/junho, ao alcançar mais
de 60 dias do estabelecimento da pastagem, iniciar a entrada das ovelhas e borregas.

MANEJO DO SISTEMA

Após o estabelecimento da pastagem, sessenta ovelhas componentes do sistema silvipastoril são


manejadas obedecendo as normas do PRI. No dia 1 de junho de 2008, iniciando o calendário de
pastejo estes ovinos entraram no piquete 1 – Tachi x Nim, onde permaneceram por 10 dias. Ao
saírem deste piquete, entraram nos demais componentes do sistema permanecendo em cada um o
mesmo período de dias até o dia 30 de setembro. A partir de primeiro de outubro reduziu-se o
tempo de permanência em cada piquete para 5 dias, o que proporciona 30 dias de pousio para
cada piquete. Deve-se salientar que a biomassa do braquiarão, nestes cinco meses de consumo
pelas ovelhas, suportou muito bem a pressão de pastejo, evidenciando o equilíbrio sustentável da
relação solo x planta x animal, sob a condução do homem.
O sistema intensivo de produção de ovinos a pasto permite uma maior lotação de ovelhas por
hectare, utilizando divisões de piquetes. O resultado é um maior número de cordeiros
produzidos. (SANTOS, 2004).
O manejo tradicional conduz ao declínio da produtividade da pastagem exigindo despesas
elevadas com a recuperação do sistema produtivo pastagem. Para superar este tradicional

15
problema deve-se assegurar a estabilidade na produção e redução progressiva nos seus custos, é
o que se define como sustentabilidade.
Em solo arenoso da Malásia, observou-se que o crescimento de seringueiras aumentou após o
pastejo de ovinos a intervalo de 6 a 8 semanas. (TAJUDDIN, 1986).
Na Austrália, ovelhas que permaneceram durante 3 anos em pastos sombreados com Tamarix
aniculat, no espaçamento de 10x10m, produziram 10% a 16% mais cordeiros e ovelhas,
respectivamente, que em pastos não sombreados; O crescimento e a produção de lã dos
carneiros, também aumentaram (ROBERTS, 1984).
A importância do SSP adotando-se o PRI é sem dúvida confiável e de alto valor biológico
quando atinge o equilíbrio sustentável.
A participação das ovelhas no sistema, além da principal finalidade que é a reprodução,
contribuem significativamente para a fertilização do solo, através do lançamento diário das
dejeções sólidas e liquidas (esterco fresco e urina). Salienta-se que 1000g de esterco fresco de
ovinos contém 2,07 g/kg de N; 1,03 g/kg de P e 0,52 g/kg de K, além da matéria orgânica e
micronutrientes. No relativo à urina destes animais, estima-se esta mesma quantidade em 19g/kg
de N e 23g/kg de K. Transformando estes valores em fertilizantes químicos, obtém-se o
correspondente ao que se observa na tabela 4. (FALESI ; BAENA, 1999).

Dejeções sólidas de ovinos


Fertilizante (g/kg)
Seco Fresco
Uréia (N) 13,33 4,60
Superfosfato triplo (P) 15,26 5,26
Cloreto de potássio (K) 3,01 1,03
Tabela 4 – Correspondências entre valores de NPK em g/kg, contidos nas dejeções sólidas de ovinos e fertilizantes
químicos.

As quantidades de nutrientes lançadas pelos ovinos no sistema variam em função do número de


animais/unidade de área. No caso dos ovinos, 1000 kg de peso vivo, produz 11 kg de dejeções
sólidas e 6 kg de dejeções liquidas, correspondendo a 17 kg totais/dia e a 6 toneladas/ano. Os
ovinos, portanto, além do fornecimento da carne, do couro e esterco, são uma fonte produtora de
fertilizantes, basicamente orgânicos enriquecidos de macro e de micronutrientes.
(MALAVOLTA, 1981).
Os efeitos indiretos da ação do esterco reflete em seu alto teor de matéria orgânica. Este dejeto
sólido reintegra o húmus ao solo promovendo processos oxidativos que vão sendo consumidos.
(ALVES E PINHEIRO, 2003).
No caso específico do presente estudo, a avaliação feita por amostragem, colhendo e pesando as
dejeções sólidas, as 60 ovelhas que se encontram em manejo no sistema apresentam um total
médio de 2.700kg de peso vivo, o que corresponde a 29,7 kg/dia de dejeções sólidas, 16,2kg de
dejeções líquidas, representando um total anual de 16,52 t, que são incorporadas ao solo através
dessa reciclagem (Figura 7).

16
Figura 7 Dejeções sólidas lançadas ao solo pelas ovelhas em pastejo,
promovendo a ciclagem de nutrientes.
Calculando estes valores de esterco seco produzido pelas 60 ovelhas durante as 10 horas por dia,
que permanecem no sistema, obtém-se 164,95 g/kg de uréia ; 188,84 g/kg de ST e 34,74 g/kg de
KCl que são incorporados por dia ao solo através da ciclagem de nutrientes. Em análise de
laboratório (Laboratório de Solos, Embrapa Amazônia Oriental) efetuada em amostra composta
de esterco colhida no piquete 1 – tachi x nim para a determinação de carbono, apresentou como
resultado um percentual elevado da ordem de 45% de carbono o equivalente a 80% de matéria
orgânica.
Este material orgânico produzido pelas ovelhas ao ser lançado ao solo, favorecido pelo ambiente
térmico estável e umidade elevada entra em decomposição, tendo como principais responsáveis a
ação dos microorganismos do solo, cuja a massa ou biomassa microbiana está permanentemente
em renovação. Com o aumento da idade da pastagem, que se encontra no sistema em equilíbrio
sustentável, o solo apresenta uma condição de equilíbrio dinâmico onde as perdas anuais de
matéria orgânica são balanceadas pelas entradas no decorrer do ano. É o que se conhece como
reciclagem e no caso do carbono é definido como o fluxo através do conteúdo total do carbono a
uma dada amostra de solo. (CERRI, et.al. 1992).
A passagem dos nutrientes pelo organismo animal representa uma importante via na reciclagem
destes nutrientes no sistema da pastagem. Estima-se que ate 75% dos nutrientes minerais,
incluindo o nitrogênio, podem ser retornados ao sistema pelas excreções animais. (FALESI,
1976; MOTT; POPENOE, 1977).
Além dos lançamentos diários à superfície do solo dos dejetos sólidos e líquidos oriundos das
ovelhas no sistema, a palhada residual das folhagens da pastagem que não é consumida pelos
animais (figura 8) promove uma maior proteção do solo contra a erosão; diminui o impacto
direto da gota de chuva sobre a superfície do solo e escorrimento superficial; reduz a amplitude
térmica nas camadas superficiais do solo; aumenta a atividade biológica; aumenta ainda as taxas
de infiltração de água no solo; reduz a evaporação; controla com eficiência as invasoras; recicla
macro e micronutrientes; aumenta o teor de matéria orgânica; melhora a capacidade de retenção

17
de água e também do enraizamento superficial dificultando a compactação provocada pelo
pisoteio dos animais.

Figura 8 Palhada residual das folhagens da


pastagem que não é consumida pelos
animais.
Da mesma maneira ocorre com o componente arbóreo notadamente com as espécies recicladoras
de nutrientes, como é o caso da Acacia mangium incorporando ao solo em locais de sua
ocorrência, principalmente a partir do ano 3, quantidades de 500 kg de nitrogênio por ha , além
de menores valores de fósforo, de potássio e de micronutrientes, Tabela 5.

Acacia mangium
Reciclagem de Nutrientes
NITROGÊNIO
COMPONENTE kg/ha %
Folhas 346,95 69,39
Galhos 85,70 17,14
Vagens 67,35 13,47

500 100,00
Tabela 5. Quantidade de nitrogênio incorporado ao solo através da reciclagem da biomassa aérea da espécie
Acacia mangium..(FALESI & MATOS, 2000)

Ovelhas de reprodução e borregas, todas numeradas, são manejadas neste sistema produtivo,
visando fornecer uma melhor alimentação, refletindo no crescimento, disposição para a
reprodução e saúde, cuidando-se principalmente do controle de verminose. (MOURA
CARVALHO, L.O.D. et. al. 2001).
Nos primeiros 30 dias observou-se a tendência da capacidade de suporte da pastagem definindo-
se a unidade animal, tendo-se então estimado que o sistema deverá abrigar 60 cabeças em
manejo rotacionado, o correspondente ao excepcional índice de 6 UA/ha.
Na figura 9 observa-se a evolução do estabelecimento da pastagem até alcançar o desejado
equilíbrio solo x planta x animal.

18
1 2

4
3
Figura 9 – Evolução do estabelecimento da pastagem de braquiarão no sistema silvipastoril/PRI

Adota-se o fornecimento de sal mineral para ovinos + folhas secas de nim trituradas (LAREDO,
2003), servidos em cocho coberto para assegurar a suplementação de minerais carentes no solo e
controle de verminose. (NEVES; NOGUEIRA, 1996).
O fornecimento diário de sal mineral aos ovinos é uma prática de manejo necessária visando
fornecer os minerais (macro e micro), carentes nos solos da Amazônia. A deficiência de fósforo
nestes solos é a mais comum, embora todos os demais nutrientes possuam também baixos níveis.
Quando as necessidades minerais não são supridas, surgem problemas como os distúrbios
metabólicos com graves reflexos nos animais. A composição do sal mineral deve ser completa e
oferecido durante todo o ano independente de períodos chuvosos ou de estiagem.
Os produtos minerais produzidos especialmente para os bovinos não são indicados para os
ovinos principalmente por conter altos níveis de cobre, que causa normalmente intoxicação
graves aos ovinos, podendo levá-los inclusive a óbito.
O sal mineral adotado neste sistema é o que se pode observar na tabela 6.

19
Mineral Qtd./kg Mineral Qtd./kg
Ca 155g F 650mg
P 65g I 175mg
S 12g Mn 1400mg
Mg 6g Ni 42mg
Na 115g Se 27mg
Co 175mg Zn 6000mg
Cu 100mg PB min 2%
Fe 1000mg NDT 6%
Tabela 6 Composição do sal mineral
adotado no SSP/PRI fornecido diariamente
aos ovinos.

A adoção de suco das folhas frescas do nim a 10% e das folhas + frutos +sementes a 20%
reduziram temporariamente a população de nematóides de ovinos. Do mesmo modo o nim a 10%
foi eficaz no controle da diarréia. O suco das folhas + frutos + sementes de nim a 20% controlou
as alterações clínicas nos pêlos e na pele, não verificando-se manifestações de reações alérgicas e
tóxicas. (TAVARES et al. 2008).
No decorrer do criatório far-se-á a observação e seleção das ovelhas que permanecerão no
sistema produtivo e das ovelhas que serão destinadas ao abate. A cobertura controlada, se
processará no aprisco de reprodução, no final da tarde quando 2 reprodutores entrarão para este
objetivo.
Dois reprodutores PO (Puro de Origem) da raça Santa Inês (figura 10) ficam em regime de
confinamento em ambiente apropriado, onde recebem diariamente 2 etapas de forragens
constituídas de 80% de capim mombaça, 10% de girassol mexicano e 10% de gliricídia, além de
600g de concentrado mineral completo, com valor protéico de 16% de PB e também o
fornecimento do sal mineral.

Figura 10 Reprodutor da raça Santa Inês, PO de


comprovada linhagem.

20
A gliricídia (Gliricidia sepium) é uma leguminosa arbustiva de múltiplos usos entre eles na
alimentação de ruminantes. O plantio da gliricídia é de fácil condução, devido não somente à sua
propagação vegetativa, como também pela baixa exigência de nutrientes do solo. É resistente ao
período de acentuada estiagem e também ao período de elevada precipitação pluviométrica. É
portanto adequada à região amazônica.
O conteúdo de nutrientes da gliricídia revela a presença de teores elevados de Proteína Bruta
(PB) (23%), fibra (45 % FDN-fibra detergente neutro), cálcio (1,7% MS) e fósforo (0,18% MS).
(SMITH&VAN HOUTERT,1987). Devido a estes dados considera-se a gliricídia como rica em
proteínas e cálcio, fato este muito importante, pois as forragens tropicais normalmente
apresentam baixo conteúdo de proteínas e baixa concentração de cálcio. O elevado conteúdo de
fibra identifica nesta leguminosa uma fonte de forragem para os ruminantes. Além do fósforo e
cobre (5,8mg/kg MS) contém outros nutrientes em quantidades suficientes para satisfazer a
necessidade do gado em regiões de clima tropical, constituindo-se uma alternativa para estação
de estiagem, quando são comuns as deficiências de proteínas e minerais. (KABAIJA, 1985).
O girassol mexicano (Tithonia diversifolia (Hems) Gray), também conhecido como botão de
ouro, é uma planta herbácea pertencente à família Compositeae. É usada rotineiramente na
Colômbia e no Quênia como forragem de corte ou mesmo a pleno campo para bovinos, ovinos,
coelhos e galináceos, devido a boa palatabilidade. Por ser uma espécie de múltiplo uso é
utilizada em cerca viva, apicultura, ornamentação e em sistemas silvipastoris, tanto para ovino
quanto para bovinos.
O girassol mexicano é recuperador de solo fornecendo além do fósforo assimilável, cálcio e
nitrogênio (www.utafoundation.org/botondeoro.htm, 2008) . Possui um vasto sistema radicular,
sendo tolerante a acidez e a baixa fertilidade de solo. Rebrota facilmente, sendo por isto de fácil
reprodução vegetativa. Possuindo elevado percentual de Proteína Bruta – PB com valores
oscilando de 14,84% a 28,75% em base seca; altos níveis de P, de 0,32% a 0,39% em base seca;
Ca variando de 1,65% a 2,25%; degradabilidade de mataria seca igual a 90% em 48h; extrato
etério entre 1,4% a 2,46% em matéria seca; FDN variando de 35,3% a 41% e finalmente
ausência de tanino, é considerada uma planta de extraordinário valor forrageiro.
(www.utafoundation.org/botondeoro.htm , 2008)
O outro componente forrageiro fornecido é o capim mombaça, Panicum maximum Cv.
Mombaça, de boa palatabilidade, além de possuir 10 a 12 % de PB durante o ano, alta resistência
à cigarrinha e a estiagem.
As ovelhas cobertas e em adiantado estado de gestação, de 8 a 10 dias antes da concepção, são
levadas para o aprisco maternidade e instaladas em boxes destinados à parição.
As borregas são recolhidas no final da tarde no aprisco de cria, para não terem contato com os
reprodutores.
Periodicamente, por amostragem, os animais são pesados e avaliados o ganho de peso nos
períodos, como mostrado na tabela 7.

21
Peso das Ovelhas PRI 2008
N° Junho Agosto 2008 Ganho peso Ganho peso Diário
ovelha 2008 (kg) (kg) (kg) (g)
202 40 48 8 88,8
022 34 47 13 144,4
041 37 49 12 133,3
211 37 50 13 144,4
224 31 37 6 66,6
249 35 45 10 111,1
219 38 46 8 88,8
235 30 38 8 88,8
245 34 45 11 122,2
252 44 50 14 155,5
205 44 50 16 177,7
254 36 50 14 155,5
329 33 45 12 133,3
015 37 46 9 100,0
255 31 40 9 100,0
médias 36 45,7 10,9 120,7
Tabela 7- Avaliação por amostragem das alterações de pesos em quilogramas, das ovelhas após três meses de
pastejo intensivo.

Registra-se que para as ovelhas adultas, a principal finalidade é manter o estado corporal destes
animais em equilíbrio. O ganho de peso diário é reduzido quando comparado com classes de
ovinos em crescimento, cordeiros e borregos.
A cada 30 dias, durante o período chuvoso, é efetuado a vermifugação para o controle de
parasitas intestinais ou através de OPG (Ovos por grama de fezes).
A verminose é um dos pontos críticos no criatório de ovinos, caso não seja obedecido um
calendário rigoroso de controle através do uso de vermífugos diversificados.
O ciclo dos parasitas intestinais passa pelas pastagens que precisa ser controlado evitando-se
uma infestação danosa atingindo todo o rebanho.
Faz-se este controle através do uso de pastagens com espécies de crescimento ereto, como os
cultivares de Panicum maximum e Brachiaria brizantha, devido suas características típicas das
formas cespitosas, possuem arquitetura mais aberta e ocupam menor área de solo, o que permite
penetração de raios solares e ventos que afetam a umidade e estabilidade térmica do microclima
além de reduzir a umidade das fezes e criar condições desfavoráveis ao desenvolvimento e
sobrevivência de larvas (MONTEIRO ; BARROS, 2009).
É comum entre os ovinocultores a citação de que “ovelha prefere pasto baixo”. Este tradicional
comentário tem trazido sérias conseqüências para a ovinocultura. Os ovinocultores, comumente,
adotam o uso de pasto baixo, expondo às larvas de helmintos. Por isto a estratégia no manejo é
manter o pasto em altura adequada a cada espécie vegetal, visando atender a demanda nutricional
dos ovinos e otimizando sua busca e apreensão da forragem, e isto acarretará em menor
exposição dos ovinos a infecções parasitárias por haver menor contato com L3, ou seja, a larva
infectante que ao sair do ovo fica na folha da gramínea aguardando o animal para parasitá-lo.
(MONTEIRO ; BARROS, 2009).

22
Periodicamente procede-se a revisão dos cascos e o conseqüente casqueamento, quando
necessário, como medida profilática à pododermite. Reforçando este manejo, no aprisco
encontra-se instalado o pedilúvio contendo uma mistura de cal com sulfato de zinco. O objetivo
do pedilúvio é evitar e controlar a entrada da bactéria no aprisco, construindo-o à entrada das
instalações.
No período chuvoso, os ovinos ficam expostos à várias bactérias, entre elas a Dichelobacter
nodosus, responsável por causar feridas nos cascos, com sintoma de manqueira e mal cheiro.
Estes ferimentos são conhecidos como Pododermite, ou “foot-rot” ou ainda, mal dos cascos.
Evita-se preventivamente este grave problema adotando-se o uso do pedilúvio e o casqueamento
periódico, este ultimo durante o período de estiagem. Esta prática de manejo ocasiona a melhor
oxigenação do casco, provocando o combate à microorganismos patogênicos, evitando a ação
das bactérias anaeróbicas. Salienta-se que a bactéria causadora da pododermite sobrevive no solo
por um período de 10 dias. (SANTOS, 2008).
Durante o período de maior deficiência hídrica no solo, que corresponde a aproximadamente 40
dias do ano, a pastagem por não ser irrigada, torna-se inadequada ao consumo. Neste período, as
ovelhas são transferidas para outra área de pastagem, também de braquiarão e em consórcio com
Acacia mangium. No final do dia, regressando ao aprisco, as ovelhas recebem uma
suplementação de forragem natural a base de 80% de mombaça, 10% de gliricídia e 10% de
girassol mexicano.
Este sistema produtivo integrando solo, planta, animal e o homem, diminui o descompasso entre
o crescimento econômico desta atividade e a preservação ambiental, alcançando-se o
desenvolvimento sustentável.

ESCRITURA ZOOTÉCNICA

Na Fattoria Piave a taxa de desfrute é de 31,1%, média de uma série histórica de 7 anos,
compreendida entre 2000 e 2007.
O peso médio de carcaça fria é de 15 kg em capões com 6 a 8 meses de idade. A taxa de
natalidade avaliada também no período de 7 anos é de 98,5%, salientando-se que esta baixa
perda de cordeiros é devido à acidentes. Os cordeiros ao nascerem, após algumas horas, recebem
curativo no umbigo, usando produtos veterinários convencionais. O peso médio dos cordeiros ao
nascer, observado no mesmo período, é de 3,750 kg nas fêmeas e de 3,960 kg nos machos, sendo
o percentual de nascimento de fêmeas de 48,5% e de machos 51,5%.
Com a adoção do SSP/PRI a partir do início do ano de 2008, observou-se que houve um
acréscimo satisfatório de nascimentos com partos gemelares quando comparados com ovelhas
criadas em ambiente extensivo tradicional.
O SSP apresentando ambiente controlador dos excessos de temperatura durante um período do
dia, proporciona um conforto térmico às ovelhas. Este fator ambiental acrescido à farta e
saudável pastagem cultivada estabelecida com práticas culturais modernas e ainda a participação
de herança genética dos reprodutores e ovelhas de segunda e terceira cria, proporcionam
acréscimo considerável de parições gemelares conforme se observa na tabela 8.

23
Ano Nascimentos Gemelares Total % nascimento
n° Parições Fêmeas Machos nascimentos gemelares
2007 1 2 0 85 1,2
2008 6 4 8 68 8,8
2009 7 8 6 42 16,6
*
Tabela 8 Parições gemelares provocadas por prováveis condições ambientais criadas pelo
sistema silvipastoril.
* Controle realizado ate o dia 30/04/2009

CUSTOS DE IMPLANTAÇÃO, MANUTENÇÃO E RETORNO FINANCEIRO DO


SISTEMA

Na implantação do sistema SSP/PRI dispendeu-se recursos financeiros para a aquisição de


insumos e mão-de-obra, visando o retorno financeiro ao produtor de forma sustentável. Na tabela
9, são encontrados os custos de implantação e produção do sistema durante o período de 6 anos.
Quase sempre nos trabalhos publicados abordando os sistemas silvipastoris dá-se maior ênfase
ao componente pecuário - pastagem e animal, referindo-se a sua cadeia produtiva. Relega-se a
importância dos demais componentes integrantes do SSP, como as árvores que fornecem
sementes, madeira, pólen, resina, seqüestro de carbono além de outros produtos econômicos
(COSTA et al. 2002; DANIEL et al. 1999 e VEIGA et al. 2000),
Neste trabalho procurou-se corrigir esta deficiência enfatizando com igual importância todos os
componentes do SSP, como as sementes florestais, a madeira, o mel, as folhas, os frutos para
extração de óleo, além da carne, couro, vísceras e o esterco produzido pelos ovinos.
A importância desta abordagem integrada reflete na melhor condução do sistema, objetivando
melhor sustentabilidade ambiental e melhores ganhos financeiros ao produtor.

24
ITENS Unidade Preço Ano-1 Ano-2 Ano-3 Ano-4 Ano-5 Ano-6
(R$1,00) Qtd. Valor Qtd. Valor Qtd. Valor Qtd. Valor Qtd. Valor Qtd. Valor
A. PREPARO DA ÁREA DO SISTEMA
Preparo de esteiotes diárias 20,00 16 320,00 - - - - - - - - - -
Construção de cercas diárias 20,00 18 360,00 - - - - - - - - - -
Gradagem hora/trator 40,00 8 320,00 - - - - - - - - - -
Aplicação de adubos diárias 20,00 2 40,00 - - - - - - - - - -

B. IMPLANTAÇÃO DA PASTAGEM
Abertura de sulcos p/plantio diária 20,00 2 40,00 - - - - - - - - - -
Semeadura diária 20,00 6 120,00 - - - - - - - - - -

C. TRATOS CULTURAIS NO PASTO


Capina de formação diária 20,00 32 640,00 - - - - - - - - - -
limpeza de pasto diária 20,00 24 480,00 24 480,00 24 480,00 24 480,00 24 480,00 24 480,00
Aplicação de fertilizantes diária 20,00 0,75 15,00 0,75 15,00 0,75 15,00 0,75 15,00 0,75 15,00 0,75 15,00

D. MANEJO DOS OVINOS


Casqueamento diária 20,00 12 240,00 12 240,00 12 240,00 12 240,00 12 240,00 12 240,00
Vermifugação diária 20,00 3 60,00 3 60,00 3 60,00 3 60,00 3 60,00 3 60,00
Condução dos animais diária 20,00 22,5 450,00 22,5 450,00 22,5 450,00 22,5 450,00 22,5 450,00 22,5 450,00

E. INSUMOS
N.P.K 10.28.20 saco 50kg 52,00 3 156,00 - - - - - - - - - -
Super Fosfato Simples saco 50kg 52,00 3 156,00 3 156,00 3 156,00 3 156,00 3 156,00 3
156,00
Cloreto de Potássio saco 50kg 52,00 3 156,00 3 156,00 3 156,00 3 156,00 3 156,00 3
156,00
Sulfato de amônio saco 50kg 52,00 3 156,00 3 156,00 3 156,00 3 156,00 3 156,00 3
156,00
Arame liso rolo 205,00 9 1.845,00 - - - - - - - - - -
Grampos kg 4,50 30 135,00 - - - - - - - - - -
Piche galão 18,00 1 18,00 - - - - - - - - - -
Óleo queimado litros 1,00 50 50,00 - - - - - - - - - -
Vermífugo litros 46,00 2,4 110,40 2,4 110,40 2,4 110,40 2,4 110,40 2,4 110,40 2,4 110,40
Sementes de braquiarão kg 3,90 48 187,20 - - - - - - - - - -
Sal mineral kg 2,60 540 1.404,00 540 1.404,00 540 1.404,00 540 1.404,00 540 1.404,00 540 1.404,00

F. SUB-TOTAL (A+B+C+D+E) 7.458,60 3.227,40 3.227,40 3.227,40 3.227,40 3.227,40


Tabela 9. Custos de implantação e produção durante 6 anos - valores janeiro de 2008

25
Cenário 1 – Venda de animais “peso vivo”
O sistema oferece ao produtor retorno financeiro compatível com o modelo de criatório adotado,
como pode ser observado na tabela 10, referente às receitas e lucro líquido proporcionado pela
venda de capões (peso vivo) e ovelhas descartadas (peso vivo) pelo valor de R$ 4,00 por kg , em
um total de 75 animais. Anualmente há uma produção de 60 cordeiros castrados, que ao
completarem 6 meses de idade são comercializados. Da mesma maneira 15 fêmeas em média são
também descartadas por apresentarem normalmente defeitos.

RECEITAS CUSTOS FCL


Ano-1 11.475,00 (13.038,60) (1.563,60)
Ano-2 11.475,00 (8.807,40) 2.667,60
Ano-3 11.475,00 (8.807,40) 2.667,60
Ano-4 11.475,00 (8.807,40) 2.667,60
Ano-5 11.475,00 (8.807,40) 2.667,60
Ano-6 26.325,00 (8.807,40) 17.517,60
83.700,00 (57.075,60) 26.624,40

FCL – Fluxo de caixa líquido


Tabela 10. Custos, receitas e lucro por ano e total no período de
6 anos com a venda de capões em pé produzidos pelo sistema.

Na comparação dos valores referentes aos custos, com os valores das receitas e lucro estimado,
observa-se perfeitamente que o retorno estimado é bem mais elevado do que se gasta para
implantar e manter o sistema em funcionamento.

Cenário 2: animais abatidos


Além da comercialização da carne, a ovinocultura fornece produtos derivados tais como: pele,
esterco e víscera .
As raças de ovinos deslanadas sem pelugem, oferecem peles de melhor valor comercial a nível
de mercado internacional, onde os animais precoces, de ate 120 dias, tem melhor cotação. O
mercado consumidor dos Estados Unidos classifica as peles em 3 tipos: 1 Chamois destinada à
fabricação de estolas, luvas, jaquetas elegantes, além de outros produtos, podendo alcançar o
valor de US$ 80,00 a unidade; 2 Napa usadas na fabricação de bolsas e cintos e 3 Camurça que
é a pele mais comum procedente de animais precoces e usada para produção de estofamentos e
calçados de luxo, além de outros, sendo vendida no mercado internacional a preços que varia de
US$ 15,00 a US$ 30,00. (O BERRO, 2008).
Na segunda modalidade de venda dos animais produzidos no sistema, vale destacar a presença
dos subprodutos, quando o animal é abatido e depois comercializado. Após o abate, ocorre uma
agregação de valor ao preço do kg do animal, e apesar de a carcaça fria do animal abatido ter
acima de 50% menos peso que o animal vivo, o valor pago por kg é 150% maior que o valor do
animal em pé. No caso, enquanto o valor de comercialização do kg do animal em pé é de R$
4,00 , o valor do kg animal abatido é de R$10,00.
O couro é um subproduto de abate com significativa importância na obtenção de receita com a
comercialização, devido ao baixo custo de beneficiamento e o retorno líquido elevado, como
mostra a tabela 11.

26
Carne Couro Vísceras
RECEITAS CUSTOS FCL RECEITAS CUSTOS FCL RECEITAS
Ano-1 12.750,00 (13.038,60) (288,60) 2.250,00 (1.350,00) 900,00 1.125,00
Ano-2 12.750,00 (8.807,40) 3.942,60 2.250,00 (1.350,00) 900,00 1.125,00
Ano-3 12.750,00 (8.807,40) 3.942,60 2.250,00 (1.350,00) 900,00 1.125,00
Ano-4 12.750,00 (8.807,40) 3.942,60 2.250,00 (1.350,00) 900,00 1.125,00
Ano-5 12.750,00 (8.807,40) 3.942,60 2.250,00 (1.350,00) 900,00 1.125,00
Ano-6 25.100,00 (8.807,40) 16.292,60 4.050,00 (2.430,00) 1.620,00 2.025,00
88.850,00 (57.075,60) 31.774,40 15.300,00 (9.180,00) 6.120,00 7.650,00
FCL – Fluxo de caixa líquido (lucro)
Tabela 11. Custos e receitas de comercialização da carne e do couro

A indústria de curtimento é um dos grandes propulsores da economia nacional e o couro figura


como um dos principais itens da pauta de exportações do país. Em 10 meses de 2007 os
embarques de couros alcançaram a cifra extraordinária de US$ 1,82 bilhão, o equivalente a R$
3.179 bilhões. Espera-se fechar o ano com a marca superior de mais de R$ 3.400 bilhões. 800
empresas movimentam um PIB superior a R$ 5 bilhões empregando 50.000 pessoas, recolhendo
próximo de US$ 1 bilhão anuais de impostos.
Estas informações econômicas despertam o interesse nos ovino-caprinocultores incluindo a pele
destes animais como produto derivado do abate de alto fator de retorno financeiro. A região do
nordeste brasileiro, a produção é da ordem de 7 milhões de unidades por ano, volume
insuficiente, para atender a demanda das empresas consumidoras, que requerem 12,2 milhões de
peças anuais.
Atualmente solucionou-se este problema com ações e medidas formadas pela Câmara de
Comércio Exterior (CAMEX) abolindo a taxa sobre as aquisições de peles de caprinos e ovinos.
Esta decisão refletiu positivamente na cadeia produtiva, principalmente na região nordeste, que
detém o maior rebanho brasileiro. (O BERRO, 2007)
O esterco produzido pelos ovinos, enquanto estão abrigados nos apriscos (14 horas por dia),
durante o período compreendido entre 17h e 7h é outro componente econômico importante para
a lucratividade do sistema. Neste tempo de confinamento, as 60 ovelhas produzem
estimativamente 17,32m³ (1m³ = 340kg peso seco), o relativo a 288g/ovelhas/dia. Este valor
corresponde a 6237kg/ano ou 18,34 m³/ano, que são comercializados à R$ 80,00/m³, resultando
em uma receita bruta de R$ 1.467,52. Este componente é relevante porque além do produtor
poder utilizar o esterco na sua propriedade, também pode comercializá-lo, obtendo uma receita
complementar nos 6 anos considerados neste estudo de R$ 8.805,12 o correspondente a R$
1.467,52 por ano.

COMPONENTES ARBÓREOS

Antes do estabelecimento da pastagem no sistema planejado, as árvores florestais foram


numeradas para a avaliação por amostragem 20% de cada espécie, em altura e diâmetro a altura
do peito (DAP). A cada ano novas medições serão efetuadas, visando observar a influência do
manejo quando comparadas com árvores de mesma espécie e de mesma idade, plantadas em
outros locais da Fattoria Piave, com o manejo tradicional. (tabela 12).

27
Espécies N° árvores
Mogno-africano 66
Nim 35
Acácia 32
Paricá 29
Tachi 18
Mogno verdadeiro 11
Teca 10
Sumaúma 8
Tabela 12. Espécies florestais componentes do
sistema e respectivos números de árvores para a
avaliação

Da mesma maneira, se observará os efeitos deste sistema na produtividade das fruteiras,


notadamente no pomar cítrico de 15 anos de idade.

Espécies Florestais
Na Tabela 13 acha-se representado o número de cada espécie florestal componentes do sistema,
totalizando 1079 árvores florestais, correspondendo a 142 árvores por hectare .

Espécie N° árvores
Mogno-africano 331
Nim 175
Acácia 162
Paricá 145
Tachi 91
Mogno 56
Teca 52
Sumaúma 42
Freijó 9
Andiroba 4
Castanheira 4
Copaíba 4
Jucá 4
Total 1079

Total geral – 1454 árvores:


Florestais e Frutiferas
1079 Florestais
375 Frutíferas
Tabela 13. espécies florestais e totais de árvores
e fruteiras componentes do sistema.

O produtor rural vai dispor de 545 árvores de diferentes espécies componentes do SSP,
consideradas como “Poupança verde”, como fonte de recurso financeiro (tabela 14).
28
Valor
n° idade IMA Benef.
Espécie árv./sist. (anos) Vm³/árv. Vm³/sist. (m³)/árv. (-50%) total (R$)
Mogno-africano 39 8 0,69 27 3,4 13,5 20.250,00
Mogno 56 8 0,38 21,5 2,7 10,8 16.125,00
Teca 52 10 0,92 48 4,8 24 36.000,00
Acácia 162 8 2 324 40,5 162 19.440,00
Paricá 145 14 2,5 362,5 25,9 181,3 21.750,00
Tachi-preto 91 8 1,2 109,8 13,7 55 6.588,00
Sumaúma 42 10 2,8 117,5 11,8 58,8 7.056,00
Soma e média 587 9,4 127.209

Tabela 14. Estimativas dos valores em metros cúbicos e retorno financeiro na comercialização das madeiras serradas
produzidas pelas árvores florestais componentes do sistema silvipastoril – “Poupança verde”. (Cálculo do volume
considerando 50% de perdas no beneficiamento e o valor de mercado de R$1500 para o mogno, mogno-africano e teca, e
R$120 para as demais).
Os cálculos dos volumes da madeira serrada/m³ e da produção da volumetria por árvores são
estimativos.
A partir dos dados constantes na tabela 13 e considerando-se o custo por árvore de R$ 15,00,
pode-se concluir que se gastou com todas as arvores do sistema um total de R$ 8.805,00 e a
receita com a venda da madeira serrada destas árvores em R$ 127.209,00, o que corresponde a
um lucro líquido de R$ 118.404,00, ou seja, o produtor obtém um retorno financeiro 13 vezes
maior do que o valor investido nas árvores. Transformando este lucro líquido em lucro mensal
líquido, durante os 9,4 anos de média das árvores, obtém-se um rendimento mensal de R$
1.049,68 , demonstrando assim a alta rentabilidade desta “Poupança Verde”.

Comercialização de sementes

Outra forma de obtenção de receita com o uso de árvores no sistema, é através da venda de
sementes.
Foram selecionadas 30% de árvores de cada espécie para serem as produtoras de sementes.
A venda de sementes é o componente mais rentável do SSP, uma vez que os custos com a
colheita são pequenos e o valor de mercado é elevado assim como a produção. Por isto, a tabela
15, demonstra os valores obtidos com as vendas de toda a produção de sementes, e também com
a comercialização de 80, 60, 40 e 10 % do que se produz de sementes, simulando assim uma alta
e uma baixa quantidade de demanda.

29
PRODUÇÃO DE SEMENTES
Produção/arv Total sementes Valor/kg Receita Bruta
Espécie n° arv (kg) (kg) (R$) (R$)
Mogno-africano (> 10 anos) 12 15 180 600,00 108.000,00
Mogno swietenia (>10 anos) 18 20 360 190,00 68.400,00
Teca (>8 anos) 15 20 300 45,00 13.500,00
Acacia(>6 anos) 48 20 960 150,00 144.000,00
Paricá (>6 anos) 27 20 540 40,00 21.600,00
Tachi Preto (>6 anos) 27 20 540 40,00 21.600,00
Sumaúma (>10 anos) 13 15 195 40,00 7.800,00
Total considerando 100% de vendas 2880 384.900,00
Total considerando 80% de vendas 2304 307.920,00
Total considerando 60% de vendas 1728 230.940,00
Total considerando 40% de vendas 1152 153.960,00
Total considerando 10% de vendas 288 38.490,00

Tabela 15. Receitas obtidas com a venda de sementes produzidas no sistema

COMERCIALIZAÇÃO DE FOLHAS, SEMENTES E TORTA DE NIM

No SSP o Nim, Azadiractha indica A. Juss., meliácea de origem indiana e que apesar de ocorrer
em climas árido e semi árido, está se aclimatando satisfatoriamente no ambiente amazônico
notadamente nas áreas influenciadas pelos tipos climáticos Ami e Awi.
Além de seus inúmeros usos, como fármacos, apicultura, medicina humana e animal, cosméticos,
controle de pragas e doenças da lavoura, além de outras aplicações, é também um componente
importante na estruturação de sistemas agroflorestais.
As folhas, ramos, frutos, casca e raízes, são usadas para as mais diversas aplicações (NEVES, et
al. 2003) e por isto, a espécie foi considerada na formação do presente sistema silvipastoril.
Com os animais, bovinos e ovinos, se relacionam em perfeita harmonia, não havendo prejuízos
para ambos.
Os folíolos de nim são usados na rotina do manejo das ovelhas, no fornecimento à base 100g de
folíolos triturados e secos a cada 30 kg de sal mineral. O objetivo é controlar algumas raças de
helmintos bem como de outros parasitas intestinais.( TAVARES, et al. 2008).
No SSP/PRI, 175 árvores com 8 anos de idade encontram-se em condições para fornecerem,
folhas, sementes para produção de mudas e para produção de óleo, constituindo-se 3 produtos
destinados à comercialização.
Apresenta-se 3 cenários alternativos para o produtor rural definir a sua opção.

CENÁRIO 1 PRODUÇÃO DE FOLHAS


Uma árvore de Nim, aos 8 anos atinge a idade apta à produção satisfatória de folhas, frutos e
casca. À medida que evolui há um constante acréscimo em sua produtividade. Com esta idade
estima-se uma produtividade média de 22,40kg/árv/ano de folhas secas, em duas colheitas, e
como a população de nim no SSP é de 175 árvores, obtém-se uma produção de 3.920 kg de

30
folhas secas (NEVES, 2000). Considerando-se que o mercado oferece R$ 3,00 pelo kg deste
insumo, obtém-se um total bruto de R$ 11.760,00.
O custo operacional para a colheita de folhas é de R$ 4.900,00 , que está relacionado às
despesas com a mão-de-obra e os equipamentos relacionados. O lucro líquido, portanto, desta
prática é de R$ 6.860,00. (www.preservamundi.com.br, 2009).
CENÁRIO 2 - PRODUÇÃO DE SEMENTES PARA MUDAS
Uma árvore de nim aos 8 anos de idade produz em média 15 kg de sementes. Como no SSP
existem 175 árvores o produtor obtém uma colheita de 2625 kg que comercializadas à razão de
R$ 100,00/ kg, conseguirá um valor bruto de R$ 262.500,00. Neste caso, deve-se considerar a
demanda por parte dos plantadores desta espécie. Admitindo-se que esta demanda seja de apenas
30% o restante o produtor poderá transformar estas sementes em óleo.

CENÁRIO 3 PRODUÇÃO DE SEMENTES PARA EXTRAÇÃO DE ÓLEO


Neste caso o produtor necessitará de capital para a obtenção de maquinas e equipamentos para a
extração de óleo e demais beneficiamentos.
Não se vai considerar neste trabalho este fator, mas apenas divulgar como alternativa econômica.
Considera-se que 30 kg de sementes de nim produzem 14,1 kg de óleo, o correspondente a 47%
de rendimento com 10% de Azadiracthin (MARTINEZ, 2002). O preço de mercado é muito
variável e depende de várias condições definidas pelas indústrias, sendo cotado a US$ 55,00/kg.
As 175 árvores do SSP devem produzir em média 2.625 kg de sementes, o correspondente a
1.233,75 kg de óleo, e com a comercialização, obtém-se US$ 67.856,25 ou R$ 149.283,75, ao
câmbio de R$ 2,20.
A Fazenda do Nim (www.preservamundi.com.br, 2009) entretanto, baseia-se nos seguintes
dados mostrados na (tabela 16) .
FOLHAS
qtd prod./arv total folhas secagem valor(R$)/kg total R$ custo lucro anual
árvores . (kg) verdes (kg) ( -60%) colheita e
moagem
175 30 5250 2100 4,00 8.400,00 3.500 4.900,00
ÓLEO E TORTA
qtd prod./arv total sementes óleo (20%) valor(R$)/kg total R$ Custo Lucro
árvores . (kg) sementes secas( -70%) colheita e anual
(kg) prensa
175 6 1050 315 63 120,00 7.560,00 3650 5.926,00
qtd prod./arv total sementes torta (80%) valor(R$)/kg total R$
árvores . (kg) sementes secas( -70%)
(kg)
175 6 1050 315 252 8,00 2.016,00
Tabela 16 Rendimentos financeiros decorrentes do beneficiamento das folhas, óleo e torta de nim. (www.preservamundi.com.br,
2009)

MELIPONICULOTURA

A criação de abelhas é uma atividade cosmopolita muito difundida nas regiões rurais por
pequenos, médios e grandes produtores.
Os ecossistemas amazônicos possuem excelentes condições ambientais para o criatório destes
pequenos e úteis animais. A vasta e diversificada vegetação natural e cultivada proveniente da
macrorregião nordeste paraense onde se destacam: o clima tropical com temperaturas elevadas e
31
sem alterações extremas; as floradas das espécies fornecedoras de néctar , pólem e resina;
floração equilibrada distribuída no decorrer do ano; diferentes espécies de abelhas produtoras de
mel e completando estas condições essenciais, um mercado consumidor sempre crescente.
A Fattoria Piave por apresentar um plantio diversificado de espécies florestais abrangendo
35.000 árvores tanto da flora regional, quanto exótica, além de uma também diversificada
vegetação de capoeiras, de sub bosque e de revestimento, destacando-se as gramíneas cultivadas
e herbáceas nativas oferecem campo extraordinário às atividades das abelhas.
Deve-se destacar que não somente a propriedade mas também, os ambientes local e regional são
bem servidos por cursos de água que compõe as bacias hidrográficas.
Embora a apicultura não faça parte no momento do SSP, apresenta-se como um componente de
destaque para o melhoramento do ambiente e das condições socioeconômicas do produtor e do
município.
Se apresentará , como sugestão, os aspectos econômicos das abelhas indígenas, sem ferrão, por
se obter melhor preço no mercado consumidor, e também, por se tratar de um produto especial,
orgânico e raro (VENTURIERI, 2000)
Deve-se salientar que em estabelecimento e manutenção de SSP a inclusão de criatório de
abelhas para a produção econômica e complementar ao produtor, as melíponas são sem dúvida,
as espécies recomendadas por não apresentarem ferrão e portanto livrarem os animais do
sistema, do caso, as ovelhas, de ataques que podem ser inclusive danosos e fatais.
Por produzirem mel de qualidade e de alto valor no mercado (mel de abelhas sem ferrão tem
alcançado valores superiores ao mel de Apis mellifera), aumentarem a produtividade de plantas
cultivadas, serem essenciais na reprodução da vegetação nativa e pelo baixo investimento inicial
(tabela 17), a criação destas abelhas mostra-se como uma excelente alternativa de
desenvolvimento econômico sustentável para as comunidades e propriedades familiares de
agricultores, devido também ao elevado retorno financeiro (tabela 18) e boa relação
custo/benefício. (MAGALHÃES ; VENTURIERI, no prelo).

Especificação Unid. Quant. Valor Unit. Valor Total Depreciação


(R$) (R$) R$ Anos
Colméia Unid. 20 60 1.200,00
Caixas Unid. 20 30 600 60 10
Galpão p/ 50 caixas Unid. 1 200 200 20 10
Carote 25L Unid. 3 20 60 12 5
Torquez Unid. 1 10 10 1 10
Formão Unid. 1 10 10 1 10
Espátula Unid. 2 5 10 1 10
Total 2.090,00 95
Tabela 17 - Custo de investimento para instalação de um hectare (meliponário contendo 20 colméias).

Rentabilidade por litro de mel


Custos Fixos (R$) 95
Custos Variáveis (R$) 99
Mão de obra (R$) 390
Produtividade (quatro litros por caixa/ano) 80
Custos por Litro (R$) 7,3
Preço de venda (R$) 15
Benefício/custo 2,05

Tabela 18- Rentabilidade da produção de mel


32
O Sistema Silvipastoril, abrange uma área de 4,7 ha, portanto os custos com a implantação de um
meliponário será de R$ 9.823,00, este custo inicial será dissolvido em 10 anos de acordo com a
depreciação dos materiais, portanto anualmente será pago, uma parcela de R$ 98,23 para este
fim. A receita obtida anualmente será de R$ 5.640,00 este valor irá quitar as dividas referentes ao
pagamento da parcela do investimento inicial, e os demais custos relacionados à produção. Ao
final, o produtor obterá uma renda liquida anual de R$ 2.895,20. Vale ressaltar que o mercado do
mel ainda é muito carente da oferta do produto por parte dos produtores, portanto, haverá
facilidade no momento da comercialização da produção. Portanto, ao final dos 6 anos de
estabelecimento dos meliponários no sistema, obtém-se um lucro total de R$ 17.371,20

LUCRATIVIDADE TOTAL DO SISTEMA

A lucratividade total do sistema fica melhor compreendida observando-se a tabela 19 e a figura


11, que mostram discriminadamente a lucratividade de cada componente presente no sistema.
Observa-se claramente que o maior lucro está relacionado com o componente vegetal, que é
responsável por 79,90% de retorno financeiro. No entanto, vale ressaltar, que a rentabilidade
com as árvores só será obtida após os 11 anos de estabelecimento do sistema, por isto, o
componente animal é essencial para que o empreendimento possa ter rendimento durante os
primeiros 11 anos.

Componente Lucratividade % %
Sementes 153.960,00 43,75
Madeira 127.209,00 36,15
Carne 31.774,40 9,03 59,50
Couro 6.120,00 1,74 11,46
Esterco 7.857,30 2,23 14,71
Vísceras 7.650,00 2,17 14,33
Mel 17.370,00 4,94
Total 351.940,70 100,00 53.401,70
Tabela 19: Lucratividade e porcentagem de lucro do sistema
Lucratividade %
0
7 0,0
0
50,0
0

17 .3
57,3
7.8 0
7.6
20,0
6.1
0
74 ,4
31.7

0
60,0
.9
15 3

Sementes
Madeira
Carne
Couro
0
9,0

Esterco
.20

Vísceras
127

Mel

Figura 11: Gráfico da porcentagem do sistema.

33
No referente à lucratividade do componente animal, observa-se que a carne é o produto mais
rentável, seguido do esterco, vísceras e o couro, como mostra a figura 12.

Lucratividade Ovinos %

14,33

Carne 31.774,40
14,71
r Couro 6.120,00
59,50 Esterco 7.857,30
11,46
Vísceras 7.650,00

Figura 12: Grafico da porcentagem de lucro do componente animal (ovinos)

PIQUETES 5 E 6, KHAYA IVORENSIS, PARA A PRODUÇÃO DE SEMENTES

No decorrer do estabelecimento do PRI, inicialmente com a estrutura de 4 piquetes e


posteriormente anexados mais 2 piquetes, que receberam os números 5 e 6, aumentou a área de
pastagem oferecendo melhor equilíbrio ao sistema produtivo.
Nestes novos potreiros, existem 292 árvores de mogno-africano com a idade de 5 anos, plantadas
em 2003 adotando-se o espaçamento de 5 x 3 m. Destas árvores foram selecionadas 87
indivíduos o correspondente a 30% do plantio, para representarem árvores produtoras de
sementes destinadas a comercialização.
É conhecida a carência de oferta de sementes de mogno-africano em detrimento da grande
demanda por parte dos produtores rurais.
Por isto as árvores selecionadas, ao atingirem 10 anos de idade, deverão iniciar a frutificação e
proporcionar uma oferta deste importante insumo e atender, em parte, aos interessados no plantio
do mogno-africano.
Com a destinação destas 87 árvores à produção de sementes, restaram 205 árvores que
produzirão madeira e serão ofertadas aos consumidores.
A tabela 20 expõe as idades e as respectivas estimativas de produção de sementes, o valor
comercial do kg destas sementes e o que o produtor deve converter em lucro bruto.

34
Idade/Arv Produtividade kg/árv valor R$/kg Valor/árvore valor R$/total(87 arv)
10 3 600 1.800,00 156.600,00
11 5 600 3.000,00 261.000,00
12 7 600 4.200,00 365.400,00
13 9 600 5.400,00 469.800,00
14 11 600 6.600,00 574.200,00
15 13 600 7.800,00 678.600,00
Tabela 20 produção e comercialização de sementes de mogno africano de 87 árvores, o
correspondente a 30% da população de 292 Khayas ivorensis cultivadas nos piquetes 5 e 6 do SSP.

PIQUETES 5 E 6, KHAYA IVORENSIS, PARA A PRODUÇÃO DE MADEIRA

Com a incorporação dos piquetes 5 e 6 ao SPP/PRI, houve o acréscimo de 292 árvores de


mogno-africano (K. ivorensis), com idade atual de 6 anos e quando avaliadas aos 5 anos de idade
apresentaram à altura do fuste e o DAP, com as seguintes médias: fuste 8,1m e DAP 18,0 cm
(BITTENCOURT ; GONTIJO, 2008). Estas árvores, ao atingirem a idade de 10 anos, estima-se
que alcancem um volume médio por árvore de 0,86 m³, o correspondente a 87,72m³ de
volume/ha. Considerando-se o preço de comercialização de R$ 1.500,00 por m³ de madeira
serrada deduzidos os 50% de perdas no beneficiamento, o produtor, obtém em sua
comercialização a importância bruta de R$ 65.790,00. Estes cálculos referem-se à 102 árvores,
metade do número de indivíduos resultantes do desbaste efetuado aos 10 anos de idade.
O restante das árvores, as demais 103, que permaneceram no sistema silvipastoril, piquete 5 e 6 ,
serão cortadas quando atingirem a idade de 15 anos. Neste momento, espera-se que o volume
médio por árvore alcance 1,30 m³, e uma volumetria total de 170m³. O valor relativo à
comercialização desta madeira serrada alcançará a cifra de R$ 127.725,00.
Somando-se o rendimento bruto do primeiro desbaste aos 10 anos, com o segundo e ultimo
desbaste aos 15 anos o produtor alcançará um lucro bruto de R$ 166.215,00.
Levando em consideração o custo de implantação e manutenção desta área que foi de R$
4.758,36 o produtor obtém de lucro líquido um total de R$ 161.456,64.
Para melhor entendimento, citam-se na tabela 21.os cálculos referentes ao primeiro desbaste
efetuado aos 10 anos e o correspondente aos 15 anos de idade.

Desbaste n°de árv V m³/árv V m³ total V m³ (-50% benef.) R$/m³ R$ Total


1° (10 anos) 102 0,86 87,72 43,86 1500 65.790,00
2° (15 anos) 103 1,30 133,9 66,95 1500 100.425,00
Total 205 221,62 110,81 166.215,00
Tabela 21. Receita bruta obtida com o desbaste aos 10 e 15 anos das árvores de K. ivorensis

CONSIDERAÇÕES SOBRE O SISTEMA SILVIPASTORIL ADOTADO

No SSP formado por árvores florestais e espécies frutíferas, pastagens de braquiarão e de


mombaça e ovelhas de reprodução em manejo intensivo, observa-se que a produtividade e a
sustentabilidade deste sistema está alcançando o que se pretende, que é a recuperação ambiental
35
e a satisfação econômica do produtor rural, através do equilíbrio sustentável relativo a solo x
planta x animal x homem.
Alguns fatores positivos são considerados com a adoção deste sistema silvipastoril.
•Fácil manejo dos animais.
•Capacidade de suporte elevada, em manejo com 60 ovelhas em rotação, o correspondente a 6
UA por há.
•Fornecimento de alimentação a base de forragem fresca e sadia diretamente na pastagem.
•Supressão do fornecimento de concentrado e de volumosos, reduzindo consideravelmente os
custos operacionais.
•Conforto animal fornecido pela sombra das árvores componentes do sistema – ambiência.
•Produção “orgânica” de carne em sistema exclusivo a pasto.
•A introdução de árvores e arbustos em pastagens contribui para a melhoria da produção
animal e abre caminho para uma pecuária mais sustentável e mais rendosa.
•A pecuária na Amazônia deve estar alicerçada ao aumento de produtividade, com adoção de
novas tecnologias, poupando o desbaste da floresta natural.
•Estabelecimento de pastagem em áreas alteradas – antropizadas com adoção de árvores de
valor econômico e ambiental visando uma atividade produtiva sustentável.
•Os SSPs bem planejados e portanto, apropriados a realidade regional, com certeza promovem
o aumento considerável da sustentabilidade das pastagens.
•As árvores contribuem a longo prazo, para a manutenção da conservação do solo e
conseqüentemente da sua fertilidade natural.
•As alterações edáficas positivas são observadas na relação solo-liteira, sob copa de árvores
refletindo em efeitos benéficos sobre as atividades biológicas no solo.
•“Poupança verde” ao produtor, através do uso das árvores florestais componentes do sistema,
oferecendo um retorno financeiro líquido da ordem de R$111.348,00, o correspondente a um
rendimento anual de R$ 9.279,00 através de uma poupança mensal de R$ 773,25.

36
Paulo de Tarso Alvim

HOMENAGEM DA AMAZÔNIA

Aproveitando a oportunidade que este documento oferece pela divulgação aos produtores
rurais e ao público técnico-científico do Brasil, notadamente da Amazônia, prestamos
nossa singela homenagem e os agradecimentos ao Mestre Paulo Alvim, pelas pesquisas
pioneiras realizadas nesta grande região no início da década de 70 sugerindo a
intensificação do uso de Sistemas Agroflorestais – SAF’s, onde os Sistemas Silvipastoris
estão incluídos, como modelos produtivos capazes de solucionar a ocupação e
desenvolvimento econômico das áreas antropizadas de maneira sustentada.

37
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