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EU POR MIM MESMA GILMARA OLIVEIRA

Mulher latina, multiartista, mãe, esposa, professora, conselheira,


otimista, de Timóteo, abusada na infância por um tio-avô, proveniente
de uma família católica (conservadora e patriarcal), de classe média-
baixa (se posso assim definir), ciclista, Roxana e quase vegana,
graduada em escultura e nada fã do sepultura (informação
desnecessária mas de desejo).

Com trabalhos que nascem como uma reação aos acontecimentos


cotidianos (do momento presente e, por vezes, via resgate memorial),
entendo o fazer artístico como vida que leve vai, mas só vai onde pisa,
parafraseando Ney Matogrosso; e, portanto, por mais que diversas
questões abordadas se apresentem como sendo de cunho geral, tudo é
sempre autobiográfico – não se tratando de uma exposição crua de
minha própria vida, mas sim de uma problematização inspirada neste
universo particular.

A performance é a linguagem mais utilizada por mim, devido à crença


em seu poder de transformação e atravessamento, e vejo-a como poesia
verbivocovisual (mesmo que nem sempre os sentidos sejam todos
explorados na ação).

Quanto aos desejos, quero somar com as diferenças, provocar reflexões


acerca dos padrões e descolonizar minhas certezas, para seguir
atravessando as fronteiras entre o que a sociedade espera e o que
realmente reconheço como sendo de minha responsabilidade.

Escrevo muito, diariamente, para acalmar a mente e entender minha


inserção no contexto social vigente, a lógica das relações de poder e as
violências físicas e psicológicas já vividas – mesmo que por meio de
frases desconexas.

Assim, sendo tudo e nada do que afirmei nos parágrafos anteriores,


experimento, vivo, elaboro, colaboro e coexisto.
Alabar Gilmara Oliveira 2016 foto Espaço Idea
EGÉRIAS

Corpos políticos
Femininos
Latinos
Dispostos
Atípicos

O curador seleciona afetos


O curador seleciona
O curador afeta
O curador
Cura

Endogenia, sacrosantidade,
epistemologia,
anarquia, idolatria,
ebriologia e necrologia,
dimanando poesia verbivocovisual.

Momentos intensos
vividos coletivamente
no espaço-tempo atemporal,
evidenciaram que enrgeticamente
houve diruptura com a ditadura genital.

Mulheres
Mujeres
Grelos duros
Libidinosas
Guerrilheiras

Egérias em movimento
desordenaram muitas mentes.
Sem título Gilmara Oliveira 2016 14 X 21cm
CONTROLE E INFLEXIBILIDADE EM DEFESA DE UM PADRÃO
SOCIAL É COMUM, MAS JAMAIS NORMAL.
MIRA DE LO QUE ME SALVE.
CADA POVO TEM O DITADOR QUE MERECE
Y YO HAGO EL AMOR COMIGO MISMA.
SARA NÃO TEM NOME MAS REGISTRA.
KARO MOVIMENTA PEDRAS
EU PLANTO, COMO E PARTILHO PALAVRAS.
WAGNER QUER CASAR.
MARIANA QUER SE LIBERTAR.
YAMILE DENUNCIA.
DANI TECE.
A INSTITUIÇÃO INSTITUI.
AS ARTISTAS COEXISTEM A RECALCITRAR.

7V
16T 1+ 6 = 7
7D
7E

Alabar Gilmara Oliveira 2016 foto Karo Botura


MINI BIO
Artista visual, Gilmara Oliveira (1976) é graduada em Escultura pela
Escola de Belas Artes da UFMG (1998). Integrou coletivas no
Brasil(2009/2010/2013/2016), em Portugal(2010), Alemanha(2010),
Porto Rico(2010) e Paris (2011), com trabalhos bidimensionais; e
desenvolve performances enquanto poética, desde 2012. Suas ações são
pensadas na maioria das vezes para o Espaço Urbano, desejando a
ruptura da lógica cotidiana social como estratégia de impacto, para
compartilhar um ponto de vista acerca da banalização da violência na
contemporaneidade e da necessidade de discuti-la. Dentre suas mais
recentes participações artísticas estão: a Residência Artística ExTreMa
(2016) BH MG Brasil; a performance “Palavras ao Vento” (2016) no
Centro Cultural da UFMG BH MG Brasil; o Perpendicular faz
curadoria: Encontro Entre Mulheres Performers, onde apresentou a
performance “Alabar” (2016); o Hospício II - Inconsciente da Arte,
onde apresentou a ação ‘‘SO3 + H2O = H2SO4’’(2016), em Diamantina,
sob a curadoria de Rafael Cabral; o Vespa f(x)², com a ação “Plano
B”(2016), e como integrante da equipe de produção; a performance
“Fragmentos” (2015), pelo Disseminação 10, no SESC Palladium (BH-
MG), sobre a curadoria de Renato Gaia; a performance
“Caminador”(2015), no Museo Del Oriente e adjacências
(Bucaramanga-Colômbia), com a parceria de Neryth Yamile;
“Caricia”(2015), no Parque Santander (Bucaramanga-Colômbia); e a
ação “Pranayama” (2015), pela III Bienal Internacional Desde Aquí
(Bucaramanga-Colômbia), sob a curadoria de Jorge Torrez.
Portfólio Virtual:
https://www.facebook.com/AtelierGilmaraOliveira/?ref=hl //
https://gilmaraoliveira.webnode.com

Alabar Gilmara Oliveira 2016 foto Sara Braga