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Grupo de Atuação Especial Regional para Prevenção e

Repressão
ao Crime Organizado – GAERCO – de Ribeirão Preto.
Rua Otto Benz, 1070 - Nova Ribeirânia - Ribeirão Preto-SP
Fone (016) 3629-3848 - Fax (016) 3629-5508

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR PRESIDENTE EGRÉGIO TRIBUNAL


DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

MANDADO DE SEGURANÇA COM PEDIDO DE LIMINAR – a


urgência do pedido existe em razão de a Polícia Federal já
ter iniciado o cumprimento de ordem judicial – que se
buscar sustar – determinando a restituição de veículos
apreendidos em poder de traficantes.

(segredo de justiça – distribuição em caráter de urgência)

O MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADO DE SAO PAULO,


pelo Promotor de Justiça abaixo-assinado, com fundamento no artigo 5º, inciso
LXIX da Constituição Federal, no artigo 1º e seguintes da Lei nº 1533/51, artigo
32, inciso I, da Lei Federal nº 8625/93 - Lei Orgânica Nacional do Ministério
Público, vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência, impetrar MANDADO
DE SEGURANÇA, com pedido liminar, contra ato do EXCELENTÍSSIMO
SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 1ª VARA CRIMINAL DA COMARCA
DE RIBEIRÃO PRETO, Dr. Guaracy Sibille Leite, que determinou a restituição
dos veículos abaixo discriminados, na ação penal nº 1.729/06, tratando-se de
imputação de associação para o tráfico de drogas e financiamento e custeio
para a prática do tráfico de drogas, culminando com apreensão de 20.600g de
cocaína e 4.900g de maconha.
I - DOS FATOS E DO ATO IMPUTADO

Tramita na 1ª Vara Criminal da Comarca de Ribeirão


Preto a ação penal nº 1.729/06, eis que Vânia Veron Garcia Lechuga, Luciano
Bonini, Marcus Chstian Alves, vulgo Pardal, Paulo Vicente da Silva, vulgo
“Sobrinho”, Everton Alexandre Forcel, vulgo Pingüim, Arlindo da Silva, vulgo
Velho e Paulo Aparecido da Silva Lechuga estavam todos associados para a
prática do delito de tráfico de drogas.

Também consta da denúncia que Paulo Aparecido da


Silva Lechuga financiava a prática do delito de tráfico de drogas, eis que era ele
quem negociava a droga com o fornecedor do Paraguai, encomendando-a e
autorizando a entrega dela aos seus comparsas, que depois lhe devolviam o
capital empregado.

Por conta de trabalhos de monitoramento telefônico,


foi possível apreender juntamente com Arlindo da Silva 20.600g de cocaína e
4.900g de maconha, droga esta pertencente à organização criminosa em
causa, que seria distribuída em Ribeirão Preto.

Pois bem. A instrução ainda não se encerrou. No


entanto, o digno Magistrado da 1ª Vara Criminal da Comarca de Ribeirão Preto
houve por bem em proferir a seguinte decisão:

“Processo nº 1.729/06.

‘Vistos.

‘Tendo em vista a prova oral colhida, tudo indica que


os acusados não utilizaram os veículos apreendidos para transporte de

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substância entorpecente, motivo pelo qual, defiro a restituição de todos os
veículos apreendidos a seus legítimos proprietários.

‘No tocante a eventuais multas lavradas por infrações


de trânsito no período em que os veículos estiveram apreendidos, até a data da
liberação, serão retiradas e canceladas por comunicação da Polícia Federal.

‘Caso não o sejam, os Doutores Defensores devem


comunicar a Polícia Federal para que sejam adotadas as providências cabíveis
junto à CIRETRAN.

‘Int.

‘Ciência ao M.P.

Ribeirão Preto, d.s.’”

No dia 29 de agosto de 2007, o Ministério Público do


Estado de São Paulo, por intermédio do Grupo de Atuação Regional para a
Prevenção e Repressão ao Crime Organizado, da região de Ribeirão Preto -
GAERCO, distribuiu pedido de apreensão e seqüestro de bens (feito criminal
nº 1.359/07 – 1ª Vara Criminal), com fundamento no art. 4º, caput, da Lei nº
9.613/98 – Lei de Lavagem de Capitais -, no tocante aos veículos apreendidos e
abaixo discriminados:

1. Veículo S-10, marca Chevrolet, preta, placas AOB-1092, Guaíra/PR, em


nome de Vânia Veron Garcia Lechuga;

2. Veículo Santana, VW, prata, placas DGL-9414, Ribeirão Preto, em nome


de Banco Itaucard S.A;

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3. Veículo Modelo Vectra, cor preta, placas COX-0710-Ribeirão Preto;

4. Veículo Escorte, marca Ford, prata, placas CVH-2260, Ribeirão Preto, em


nome de Artur Rodrigo Dias da Silva;

5. Veículo Fusca, VW, vermelho, placas BPX-7962, Ribeirão Preto, em nome


de David Bonini;

6. Veículo Corsa, Chevrolet, cinza, placas BZP-3933, Ribeirão Preto;

7. Veículo Logus, VW, vermelho, placas JYB-3136, Barra do Bugres;

8. Motocicleta, marca Honda, CG 150, preta, placas DOQ-2300, em nome de


Sebastião Tavares e de José Cláudio Felix.

No mesmo dia da distribuição do pleito de apreensão


e seqüestro de bens houve requisição junto à Polícia Federal para instauração
de inquérito policial para apurar o delito de lavagem de dinheiro.

O feito foi distribuído à 2ª Vara Criminal de Ribeirão


Preto, oportunidade em que a ilustre Magistrada declinou de sua competência,
encaminhando os autos para a 1ª Vara Criminal, sob o argumento de que, por
conta do delito antecedente lá estar sendo processado, achar-se tal juízo
também prevento para o delito de lavagem de dinheiro.

O digno Magistrado Doutor Guaracy Sibille Leite


argumentou que inexiste conexão neste caso, havendo apenas coincidência dos
agentes e suscitou conflito negativo de jurisdição, determinando a remessa dos
autos ao Egrégio Conselho Superior da Magistratura.

Em síntese, encontra-se prestes a ser cumprida na


íntegra pela Polícia Federal, a ordem judicial veiculada na ação penal nº
1.729/06, acima transcrita, promovendo a restituição dos veículos aos
proprietários.
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II - DA LEGITIMATIO AD CAUSAM

A legitimidade e capacidade postulatória do


impetrante vêm do artigo 32, inciso I, da Lei Federal 8625, de 12 de fevereiro de
1993, e do artigo 39, inciso V, da Lei Complementar Estadual nº' 304, de 28 de
dezembro de 1982, que rezam:

"Artigo 32 - Além de outras funções cometidas nas


Constituições Federal e Estadual, na Lei Orgânica e demais leis,
compete aos Promotores de Justiça, dentro de sua esfera de
atribuições: impetrar habeas corpus e mandado de segurança e
requerer correição parcial inclusive perante os Tribunais locais
competente;

Artigo 39 - São atribuições dos Promotores de Justiça: V -


impetrar habeas corpus e mandado de segurança, inclusive
perante os Tribunais competentes, contra atos de autoridade
administrativa ou judiciária, praticados em sua área de
atribuições funcionais.”

Em nível jurisprudencial trata-se de tese pacifica,


consoante os v. julgados:

MANDADO DE SEGURANÇA - Ato judicial - Impetração por


Promotor de Justiça diretamente na Instância Superior -
Admissibilidade – Ato judicial ilegal ou violador do direito,
liqüido e certo, pacíficas a legitimatio da causam' e a plena
capacidade postularia - Presença, ademais, de `periculum in
mora´ e fumus boni juris'- 'Writ' conhecido" (RT 6481296 -
TACrim – 2ª Câm. - Rel. Juiz Ribeiro Machado).

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MANDADO DE SEGURANÇA – Ato judicial - Impetração por
Promotor de Justiça contra decisão de juiz de 1º grau -
legitimidade ad causam' por ser o Ministério Público parte na
relação jurídica processual penal (RT 6441337 - STF - Rel. min.
Moreira Alves).

III - DO CABIMENTO DO MANDAMUS

A doutrina e a jurisprudência têm admitido a


concessão do writ para ser imposto o efeito suspensivo aos recursos que, a
princípio, tramitam somente no devolutivo, objetivando reparar direito líquido e
certo que fora violado, ou mesmo para os casos em que não há previsão de
recurso, mas o risco de dano irreparável acaso não haja possibilidade de nova
apreciação jurisdicional.

Ensina Rogério Laura Tucci, que: "É o próprio Poder


Judiciário, reflexivo, corrigindo, além dos outros poderes e autoridades, também
a si próprio, nos seus erros e equívocos eventuais, mediante um meio legal,
preciso, claro, de lealdade absoluta, um apelo a mais da confiança em sua
elevação e autoridade", citando Augusto Meira. Daí porque, à exceção e em
princípio, das decisões recorríveis, todos os atos judiciais, inclusive os
jurisdicionais, são suscetíveis de abstração pelo Writ analisado: a medida pode
ser, certamente utilizada 'contra qualquer decisão da Justiça, tenha ou não
passado em julgado, seja originária ou proferida em grau de recurso, desde que
manifestamente ilegal, não haja contra ela recurso ou este seja praticamente
inoperante para a garantia ou restabelecimento do direito violado”.

Neste mesmo sentido, também a jurisprudência:

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"Cabe mandado de segurança contra decisão judicial, para dar
efeito suspensivo a recurso que não o tem, se houver a
possibilidade de dano irreparável. (TJSP - MS n. 264.589 - Rel.
Gonzaga Júnior).

“O enunciado da Súmula 267 comporta exceção, no caso em


que, além da não suspensividade do recurso e da ilegalidade do
ato impugnado deste advenha dano irreparável, cabalmente
demonstrado" (STF - RE 76.909 – Rel. Min. Antonio Neder;
STF RE 90.653 - Rel. Min. Décio Miranda).

“Tem sido comum admitir- se o mandado de segurança como


meio adequado para o exame da legitimidade da decisão judicial
ou, ainda mesmo, a suspensão de sua realização prática,
enquanto se aguarda a solução do recurso que normalmente
não opera o efeito suspensivo" (Mandado de Segurança 302/86,
RJTJSP 100/381, RT 453/128, RTJ 103/213, RJTJSP 93/486,
Kazuo Watanabe em in Controle Jurisdicional e Mandado de
Segurança contra Atos Judiciais - Ed. Rev. dos Tribunais, 1980,
págs. 96197).

Parecer do Ilustre Prof e Procurador de Justiça, Dr. José


Canosa Gonçalves Neto, nos autos do Mseg. Nº 180.524-1,
TACrim-SP, publicado in 152/183.

Esclarece o ilustre Prof. Julio Fabbrini Mirabete que o


mandado de segurança, em muitos casos, funciona como recurso, provocando o
reexame de uma decisão judicial ou ato judicial. Para tanto, cita a preciosa lição
de Adalberto José Q. T. de Camargo Aranha, segundo a qual “‘o mandado de
segurança contra ato judicial pode atuar como um verdadeiro recurso, fazendo o

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reexame, mantendo ou reformando o ato atacado quando: a) não houver recurso
específico para atacar o ato; ou b) havendo o recurso, este não chegar a tempo
de tornar reparável o dano’. A primeira hipótese funda-se no princípio do duplo
grau de jurisdição; a segunda na idéia da irreparabilidade do dano. A
reparabilidade do dano não é assegurada suficientemente pela previsão de
recurso ou de correição, se estes não conferirem efeitos suspensivos à
ilegalidade ou abuso de poder. A existência de outros meios legais para a
proteção do direito (ou defesa) não basta para excluir o mandado de segurança;
é ele admissível desde que do ato impugnado advenha dano irreparável
cabalmente demonstrado. Deve-se também entender que o mandado de
segurança pode atuar até com efeitos rescisórios, sendo oponível contra
decisões já transitadas em julgado”.1 (destaque nosso).

IV - DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO VIOLADO

Consigna o art. 63 da Lei nº 11.343/2006 – Lei de


Drogas – o seguinte:

“Art. 63. Ao proferir a sentença de mérito, o juiz


decidirá sobre o perdimento do produto, bem ou valor apreendido,
seqüestrado ou declarado indisponível.

§ 1º. Os valores apreendidos em decorrência dos


crimes tipificados nesta Lei e que não forem objeto de tutela cautelar, após
decretado o seu perdimento em favor da União, serão revertidos diretamente ao
FUNAD.”

Pois bem.

1
in Processo penal. 7ª ed. rev. e atual. São Paulo: Atlas, 1997. p. 721.
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Mais uma vez, cumpre anotar que o digno Magistrado
da 1ª Vara Criminal da Comarca de Ribeirão Preto simplesmente decidiu por
restituir todos os veículos apreendidos, sob o argumento de que inexiste prova
de que foram usados para o transporte da droga.

O art. 60 da Lei nº 11.343/2006, por sua vez, aduz


que o juiz poderá decretar no curso do inquérito policial ou da ação penal,
a apreensão e outras medidas assecuratórias relacionadas aos bens
móveis e imóveis ou valores consistentes em produtos dos crimes
previstos nesta Lei, ou que constituam proveito auferido com sua prática.

Na ação penal em causa há duas imputações:


associação para o tráfico de drogas e financiamento e custeio de prática de
tráfico de drogas.

Portanto, a decisão recorrida é manifestamente


ilógica e ilegal, já que a apreensão dos bens não se deu por conta de eles
estarem sendo usados para o transporte das drogas, mas sim por estarem
sendo usados por agentes que auferem recursos por meio do tráfico de drogas,
em suas diversas modalidades típicas, e associação para o tráfico de drogas.

O direito líquido e certo neste caso é da sociedade,


ao exigir do Poder Judiciário, por conta de dispositivo legal, que mantenha
apreendido, dando-lhes o devido perdimento em favor da União, os bens
adquiridos em razão do tráfico de drogas.

Apenas para se ter uma idéia, o valor em média da


cocaína, atualmente, gira em torno de R$ 15.000,00/kg, enquanto que o da
maconha está em cerca de R$ 400,00/kg.

A conta é meramente aritmética, mas assustadora:

20.600g de cocaína = R$ 307.000,00


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4.900g de maconha = R$ 2.000,00

Pela quantidade da droga em jogo percebe-se que os


agentes criminosos não se tratam de microtraficantes.

O raciocínio usado pelo digno Magistrado fere o bom


senso e a lei, já que se deduz que o perdimento dos bens refere-se apenas e
tão-somente aos veículos usados para transportar a droga.

Ora, em decorrência de tal lógica, o pequeno


traficante que é surpreendido pela polícia, sem qualquer trabalho de inteligência,
levando cerca de 10, 15 ou 100 trouxinhas de maconha, devidamente
embaladas para pronto fornecimento a terceiros, provavelmente será condenado
por tráfico de drogas e terá sua bicicleta declarada perdida em favor da União.

Prática esta, infelizmente, comumente vista em


nossos fóruns.

Do contrário, acaso ocorra a prisão em flagrante por


conta de associação para o tráfico – como é a hipótese em jogo – estando todos
os agentes de posse dos veículos apreendidos e que se busca tê-los
apreendidos, é o caso de restituir os veículos já que a droga foi apreendida em
outras circunstâncias.

Aliás, são poucos os casos em nosso Brasil quando


se detecta, de fato, quem são os verdadeiros adquirentes e vendedores da
droga, contentando nós todos, operadores do Direito, com a prisão de “mulas”,
vendedores ambulantes e engraxates que poucos recursos possuem para
sequer ter o que comer.

Situação que, a bem da verdade, também não


justifica o tráfico de drogas...

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Neste caso, percebe-se o quilate dos agentes pelos
veículos usados por eles. A devolução prematura dos veículos, contrária à lei e à
lógica do razoável, afigura-se verdadeiro prêmio aos traficantes. Serão
condenados, ao que parece, mas terão os veículos de volta, já que não usados
para o transporte da droga.

Pela análise do auto de prisão em flagrante e relatório


da digna Autoridade Policial Federal, sustentados em trabalhos de interceptação
telefônica, revela-se que várias foram as remessas de drogas da região do Mato
Grosso do Sul para Ribeirão Preto.

O grupo era altamente organizado, com divisão de


tarefas, sendo Paulo Aparecido da Silva Lechuga o verdadeiro líder, proprietário
da S-10, placas AOB-1092, Guairá/PR, que, na verdade, configura em nome de
sua esposa Vânia Veron Garcia Lechuga. Os trabalhos de monitoramento
telefônico revelaram que os agentes viviam à custa do tráfico de drogas.

Enfim, busca-se com o presente mandamus sustar a


ordem judicial que deliberou pela restituição dos veículos, seja para o fim de que
os bens sejam declarados perdidos em favor da união, seja para que os bens
estejam devidamente assegurados para se apurar o delito de lavagem de
dinheiro.

Inexiste prejuízo para a concessão da ordem, já que


os bens poderão ser devolvidos a quem de direito, ulteriormente. Do contrário,
acaso haja a liberação, dificilmente os bens serão apreendidos, seja pela rápida
disponibilidade que os agentes possuem para deles se desfazer, seja ocultando-
os, alienandos-os, ou até mesmo locupletando-se com a venda de peças.

Também não é de se olvidar que todos os veículos


acima discriminados foram apreendidos em poder dos membros da referida
organização criminosa.

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Indubitavelmente em grupos deste jaez, a existência
de agentes que cuidam de ocultar e dissimular a origem dos bens provenientes
direta e indiretamente do tráfico de drogas.

Desse modo, com o fim de assegurar os bens


referidos em poder da Justiça, de rigor a apreensão e seqüestro deles, para que
a investigação ocorra a contento, no tocante à lavagem de dinheiro, nos termos
do art. 4º, caput, da Lei de Lavagem de Capitais, in verbis:

Art. 4º. O juiz, de ofício, a requerimento do


Ministério Público, ou representação da autoridade policial, ouvido o
Ministério Público em 24 (vinte e quatro) horas, havendo indícios
suficientes, poderá decretar, no curso do inquérito ou da ação penal, a
apreensão ou o seqüestro de bens, direitos ou valores do acusado, ou
existentes em seu nome, objeto dos crimes previstos nesta Lei (...).

§ 1º. As medidas assecuratórias previstas neste


artigo serão levantadas se a ação penal não for iniciada no prazo de 120
(cento e vinte) dias, contados da data em que ficar concluída a diligência.

§ 2º. O juiz determinará a liberação dos bens,


direitos e valores apreendidos ou seqüestrados quando comprovada a
licitude de sua origem.

V - DO FUMUS BONI JURIS E DO PERICULUM IN


MORA:

O fumus boni juris está presente, pois a doutrina e a


jurisprudência brasileiras têm admitido reiteradamente que, através de mandado

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de segurança, se busque dar efeito suspensivo, com caráter ativo, a decisões
que não contenham previsão legal de cabimento de recurso.

Por outro lado, é inequívoco o periculum in mora.


Com certeza, se não houver efeito suspensivo ativo, sustando a ordem judicial
que determinou a restituição dos veículos e determinando que os veículos
permaneçam apreendidos, seja para os fins de se declarar o perdimento na
ação penal que apura a associação para o tráfico de drogas, seja para se apurar
o delito de lavagem de dinheiro, os bens certamente serão liquidados e de difícil
localização.

De se registrar que a Polícia Federal já está de posse


da determinação judicial guerreada, havendo inclusive notícia de que já houve a
liberação de um veículo, infelizmente.

A apreensão dos bens, sobretudo, tem natureza


acautelatória, para os fins acima aludidos, sob pena de se perder boa parte dos
bens adquiridos com os proveitos do tráfico ilícito de drogas.

VI - DA LIMINAR:

Os fundamentos da presente impetração são


relevantes, como já exposto nos itens anteriores, razão pela qual impõe-se a
concessão de liminar, para que seja sustada a ordem judicial referida,
determinando-se a manutenção dos veículos acima descritos acima
apreendidos e a busca e apreensão daqueles que eventualmente já tenha
sido restituídos, oficiando-se, para tanto, ao Juízo da 1ª Vara Criminal da
Comarca de Ribeirão Preto, bem como à Polícia Federal de Ribeirão Preto,
que já está de posse da ordem judicial aludida para devido cumprimento.

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VII - DO PEDIDO:

Ante todo o exposto, com especial destaque à


ilegalidade e ausência de critérios lógico-razoáveis da decisão que determinou a
restituição dos veículos, nos autos da ação penal nº 1.729/06, em trâmite na 1ª
Vara Criminal da Comarca de Ribeirão Preto, violando direito da sociedade de
se ter os bens de supostos traficantes adquiridos com proveito do tráfico de
drogas, requer-se que seja sustada a ordem judicial referida, determinando-
se a manutenção dos veículos descritos acima apreendidos, e a busca e
apreensão daqueles que eventualmente já tenha sido restituídos, seja para
os fins de se garantir o perdimento deles por ocasião da sentença, seja
para os fins de se apurar o delito de lavagem de dinheiro.

Requer-se, ainda, a notificação da ilustre autoridade,


dita coatora, que deve prestar as devidas informações no prazo da lei (artigo 7º,
da Lei nº 1533/51).

Requer-se urgência na tramitação, sob pena de


ineficácia, já que a Polícia Federal está de posse da ordem judicial guerreada,
para os fins de proceder à restituição dos veículos.

Nestes termos,

pede deferimento.

Ribeirão Preto/São Paulo, 05 de setembro de 2007.

TIAGO CINTRA ESSADO


Promotor de Justiça

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