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82-MISTÉRIO DA MEDITAÇÃO-Agosto 2006

Para uma boa parcela da população, o ato de meditar “é típico de gente egoísta e
preguiçosa”, uma vez que ela só faz pensar. Em outras palavras, vida de quem não faz
nada. Para esses, meditação seria eufemismo para “vagabundagem”. O fato é que o
efeito do ato de meditar guarda mistérios por causa de resultados fora dos padrões da
medicina convencional (na área da neurologia, especialmente) que ainda não encontrou
um fundamento científico crível para explicar tal eficácia - mas está chegando lá.
E como seria analisado, sob o ponto de vista pragmático a prática de se introverter,
elevando os pensamentos a estágios superiores à realidade? É certo que “meditar” é
uma forma de concentração, isto é, uma maneira de pensar num determinado foco ou
objetivo. Por outro lado, a interpretação literal também corresponderia à verdade, ou
seja, uma concentração neste caso, não seria nada mais do que “pensamentos
compactados”, donde se deduz que toda união gera força. Em outras palavras, se o
pensamento é energia e se a energia está concentrada, o poder seria o resultado.
Conclui-se que a meditação inibiria outros estímulos considerados irrelevantes, quais
sejam as emoções negativas arraigadas no âmago do indivíduo, responsáveis pelos seus
dissabores na vida. Assim, meditar poderia ser visto com uma espécie de “planejamento
estratégico mental”, visando clarear os caminhos da criação e da imaginação, para
justamente alcançar as realizações almejadas. Deste modo, há várias maneiras de
exercitar a meditação. Primeiro, não é necessário ficar em estado de repouso ou fechar
os olhos para se introverter. Basta procurar “esvaziar” a cabeça povoada de
pensamentos de todas as polaridades. Depois, prende-se a respiração, fixa-se os olhos
num determinado ponto e a introspecção terá início. Outros preferem mirar, por
exemplo, o céu, o mar ou qualquer outra paisagem que lhe fizer bem à visão. Por outro
lado, há quem consegue meditar enquanto toma banho. É quando a água serve não
somente para “limpar” o corpo, mas também a alma. Sensação provavelmente
decorrente da sabida energia presente nesse precioso líquido. E como a ciência
analisaria os resultados do processo meditativo? Pouco se tem ouvido sobre a posição
científica acerca desta matéria. Pelo menos de forma mais aberta. De qualquer jeito, não
é segredo que toda prática redunda em aprimoramento. O fenômeno conhecido como
“plasticidade cerebral” decorre quando uma pessoa pratica assiduamente uma
determinada ação. Se ela for um instrumentista, por exemplo, suas redes neuronais
correspondentes terão novas conexões, as chamadas “sinapses”, incrementando a sua
destreza. Isto se aplica à meditação também? Se assim for, quanto mais profundo for o
estado de meditação, maior a capacidade de realizar, de criar ou conquistar um desejo.
Isto, obviamente, não quer dizer que a pessoa deva se entregar à meditação de forma
contumaz e radical. Pelo contrário, meditar deve ser uma prática nas horas necessárias a
fim de alcançar um objetivo ou mesmo purificar o pensamento (uma espécie de
“higiene mental”) tornando-o forte para a consecução dessas ambições. É esta, com
toda a certeza, mais uma das modalidades da física quântica de volta à baila. Mistérios à
parte, que ninguém duvide da influência positiva refletida nas funções neurobiológicas a
partir dessa prática. Quem sabe, um dia, a ciência irá concluir empiricamente ser a
meditação muito mais do que uma simples técnica de relaxamento? A ressonância
magnética poderá ser uma das maneiras de visualizar as alterações das estruturas
neuronais do cérebro, quando sairá fortalecido o sistema imunológico, proporcionando
uma vida mais sadia – de corpo e alma – para o homem. Vale lembrar, finalmente, a
oportuna observação do mestre Paramahansa Yogananda: “Se a água barrenta ficar
quieta por muito tempo, o barro se depositará no fundo e a água se tornará clara. Na
meditação, quando o barro de seus pensamentos inquietos começa a depositar-se, o
poder do Cósmico começará a refletir-se nas águas claras de sua consciência”.