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ESCUSÁVEL MEDO

SURPRESA
VIOLENTA EMOÇÃO
007 trata da instalação do adesivo em vinil recortado sobre parede do texto em três linhas
“ESCUSÁVEL MEDO, SURPRESA, VIOLENTA EMOÇÃO”, com medida de altura das palavras de 13
cm, formando um painel escrito de 80 x 170 cm, que pode ser instalado em qualquer parede disponível
do espaço expositivo da Casa do Olhar Luiz Sacilotto, caso selecionado.

Estas expressões tomaram notoriedade com o Pacote Anti-Crime do anteriormente juiz, atual Ministro
da Justiça e da Segurança Pública Sérgio Moro, e ao definirem a legítima defesa, adquiriram o poder
de perdão sobre a morte de inocentes.

Embora “violenta emoção” já constasse no Código Penal, no Parágrafo 1 do Artigo 121, permitindo a
redução de um sexto a um terço da pena de homicídio, na nova versão vemos uma hipertrofia do
poder destas expressões que permitem até mesmo a absolvição do assassino.

Analistas relacionam o projeto diretamente com os homicídios em ações policiais, que atingem em sua
maioria a juventude negra periférica. O relatório da Anistia Internacional de 2015 aponta a Polícia
brasileira como a que mais mata no mundo, de acordo com este órgão, em geral, são homicídios de
pessoas já rendidas, que já foram feridas ou alvejadas sem qualquer aviso prévio. Mas também, o
Brasil é o país com maior índice de homicídio da população LGBT (segundo levantamentos do Grupo
Gay da Bahia e ONG Transgender Europe), e nosso país ocupa o quinto lugar no ranking mundial de
Feminicídio, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH).
Os dados evidenciam a urgência do trabalho apresentado.

A disposição destes termos no espaço expositivo sugere um aviso de emergência e realça o aspecto
subjetivo das expressões, que podem adquirir um sentido único para cada um que as lê, e as quais foi
imputado um poder funesto.

O nome da instalação faz referência ao personagem heróico de James Bond, agente secreto fictício do
serviço de espionagem britânico que possui licença para matar. O heroísmo viril que foi imputado à
figura brasileira, o antes juiz, agora ministro, tem em comum com o personagem fictício uma série de
valores morais de combate maniqueísta ao mal do mundo, que nas histórias tem o partidarismo da
Guerra Fria e no Brasil atual mira de modo genérico a corrupção, mas que se volta contra os
oprimidos, visto nos gestos de perdão ao caixa dois e mesmo a opção pela carreira política,
denunciando o caráter tendencioso de sua atuação jurídica.