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CATÁLISE HETEROGÉNEA E REACTORES

QUÍMICOS

Carlos Henriques
IST, Março 2005
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1 - INTRODUÇÃO

“Catalisador é toda a substância que acelera a velocidade de uma


reacção química, sem nela se consumir”

Esta definição envolve o conceito de que a reacção catalítica


envolve um processo cíclico, no qual o catalisador (mais
exactamente, um sítio ou centro activo) forma um complexo com
o(s) reagente(s), a partir do qual os produtos se formam,
restaurando o sítio original. O catalisador apresenta-se, pois,
idêntico antes e após a reacção.

Na realidade um catalisador pode sofrer profundas alterações quer


na sua estrutura quer na sua composição, no decorrer do processo
catalítico e como consequência da sua participação nele.

Para aumentar a velocidade de uma reacção essencialmente pode-


se: aumentar a temperatura (lei de Arrhenius); aumentar as
concentrações ou pressões parciais (lei de acção de massas);
utilizar um catalisador (solução energeticamente mais favorável):

 Um catalisador não modifica o equilíbrio químico de uma


reacção, determinado pela termodinâmica. O seu papel é o de
aumentar a velocidade de aproximação ao equilíbrio.

Se um catalisador acelera a velocidade de uma reacção, ele


acelerará necessariamente a velocidade da reacção inversa
(hidrogenação/desidrogenação; hidratação/desidratação...)

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 Actividade catalítica: corresponde à velocidade a que a reacção
catalisada ocorre

 Conversão de um reagente: corresponde ao número de moles


de reagente de referência que se transforma, relativamente ao
número total de moles inicial de reagente

 Selectividade de um catalisador em relação a um produto:


corresponde ao número de moles de reagente de referência
que se transforma no produto considerado, relativamente ao
número total de moles de reagente transformado.
É normalmente função da conversão e das condições operatórias
(temperatura, pressão..)

 Rendimento de um catalisador em relação a um dado produto:


corresponde ao número de moles de reagente que se
transforma num dado produto, relativamente ao número total
de moles inicial de reagente.

 Sítios ou Centros activos. Sob condições reaccionais, todos


os catalisadores sólidos se apresentam não-uniformes ou
heterogéneos, no sentido em que as suas propriedades
químicas e físicas variam com a posição da superfície do
sólido.
Este facto levou ao desenvolvimento do conceito de que a
reacção tem lugar em sítios discretos da superfície do
catalisador sólido - SÍTIOS OU CENTROS ACTIVOS

 "Turnover" - corresponde ao número de moles de reagente que


se transformam por sítio activo e por unidade de tempo
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(pretende constituir uma medida da "verdadeira" actividade
catalítica)

 Funcionalidade – A existência de sítios ou centros activos


diferenciados, intimamente ligados, pode permitir a catálise de
reacções complexas em que, por exemplo, duas etapas
consecutivas sejam catalisadas por dois tipos diferentes de
centros activos que, sozinhos, não teriam essa capacidade (ex:
Pt/zeólito: isomerização de parafinas). Chamam-se
catalisadores bifuncionais quando apresentam dois conjuntos
diferentes de centros activos.

 Desactivação de catalisadores – corresponde a uma


diminuição da actividade e/ou alteração da selectividade de um
catalisador:

1. envenenamento – bases em catalisadores ácidos; enxofre


em catalisadores metálicos (veneno – espécie que se liga
reversível ou irreversivelmente ao catalisador, diminuindo a
sua actividade e modificando a sua selectividade);

2. modificações estrurais, texturais e/ou de composição


química;

3. redução de área activa, devido a sinterização ou outra

4. deposição de “coque” (bloqueamento de poros e/ou ligação


a centros activos)