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FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS, HUMANAS E ARTES

COORDENAÇÃO DO CURSO DE FILOSOFIA, POLÍTICA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS


Ética e Deontologia Profissional em Ciências Empresariais e Organizacionais

Texto 1: “A ética da virtude clássica volta-se para o fim ou finalidade da vida humana, o viver bem, a vida
humana boa, correcta, feliz […] Tudo reside no carácter, i.e, na soma de hábitos do indivíduo adqueridos
no exercício quotidiano de práticas, no hábito que dispõe a aquisição da virtude (areté = o melhor dos
bens, a excelência humana, bom carácter, que é o resultado do hábito, plenitude, boa vida, o ser bom, viver
bem e conduzir-se bem numa vida feliz, mediante a sabedoria prática fundada na escolha deliberada
(procedimento racional de tomada de decisões em cada situação particular), voluntária e bons hábitos ou
disposições racionais considerados traços de carácter moralmente aprováveis) como resposta à questão
“como devo/devemos viver?”) […] A virtude que trata “das coisas humanas” ou da ação é a sabedoria
prática (phronesis ou práxis = saber conduzir-se bem). Ela é a disposição racional permanente da ação,
do agir e não do fazer (produtivo, i.e, arte ou técnica), que tema a capacidade de saber reconhecer quais
das ações humanas são boas ou más. Saber discernir entre o bem e o mal e saber conduzir-se
adequadamente do ponto de vista ético é uma habilidade fundamental, não só para vida individual, mas
também para a vida comunitária […] Aristóteles atribui à sabedoria prática a função de conhecer os
próprios princípios das ações (enquanto orientação existencial, para agir bem em vista de promover o
florescimento da pessoa (e das organizações) […] Depois de Sócrates (virtude é conhecimento do bem e
do mal) Aristóteles (as virtudes morais são os bons hábitos de carácter adqueridos), são Tomás de Aquino,
são filósofos como Alasdir MacIntyre (Depois da Virtude, 1981), G. E. M. Ascombe (Filosofia Moral
Moderna, 1958), M. Slote; S. Humpshire (Ética: Uma Defesa de Aristóteles, 1967) Martha Nussbaum; Iris
Murdoch; Jerome B. Schneewind; Philippa Foot e Peter Geach (1956), Bernard Williams (Utilitarismo:
Pró e Contra; 1973); R. Mcinerny, R. Hurtsthouse, os grandes defensores da ética da virtude. (Cf.
PAVIANI, J. e SANGALLI, I. J. in João Carlos Brum Torres (2014), Manuel de Ética. Quesões de Ética
Teóricas Aplicada., Cap. 8, pp. 225-246).

Texto 2: “A ética deontológica é uma espécie de ética normativa […] A ética deontológica sustenta que,
ao reflectirmos sobre o que devemos fazer…entram em linha de conta considerações sobre características
ou qualidadades da ação em si mesma (valor intrínsico ou valor em si mesmo, i.e, ser boa em si mesma),
independentemente do que se possa esperar dela […] A ética denotológica argumenta que a obtenção das
boas consequências (como sustenta a ética consequencialista de que o utilitarismo é uma versão) não é
suficiente, pois as consequências boas ou desjáveis podem ser alcançadas de muitas diferentes maneiras,
algumas delas claramente contrárias à moral […] Para Kant, as pessoas devem ser respeitadas em sua
humanidade (i.e, como fins em si mesmas), em virtude de serem seres racionais (os seres racionais chamam-
se pessoas) que agem segundo a razão prática, que não é um instrumento para conhecer o mundo, mas
sim para se agir nele, sendo eles mesmos, as fontes da lei moral que justificam a sua Autonomia
fundamentada na Boa Vontade e as suas intenções (boa forma do querer ou consciencia do dever) de fazer
o Bem e agir por dever. Para Kant, é essencial pôr o carácter e as virtudes ao serviço das boas causas, pois
a boa vontade é a única coisa intrínsica e incondicionalmente boa (Cf. KANT, Fundamentação da
Metafísica dos Costumes). Para Kant, o que determina a moralidade da ação é o cumprimento do
imperativo categórico (princípio da razão prática que ordena uma ação como boa em si mesma) em
conjunção com a consciência do dever moral (pura intenção de cumprir a lei moral) , que é o
reconhecimento da necessidade de uma ação exclusivamente por respeito à lei moral, como resposta à
questão, “o que devo/devemos fazer?”. CF, ESTEVES, J. in João Carlos Brum Torres (2014), Manuel de
Ética. Quesões de Ética Teóricas Aplicada., Cap. 8, pp. 247-267.

Texto 3: “Os utilitaristas (J. Benthan, S. Mill, J. J. C. Smart, Peter Singer…), consideram a vida moral
como meios para obter determinados objectivos. A essência do utilitarismo pode ser definida da seguinte
maneira: o rótulo “certo” e “errado” atribuído a um acto ou a uma regra moral é, unicamente uma função
do bem não-moral (bondade) produzido directa ou indirectamente pelas consequências desse acto ou
regra”. Cf. MORELAND, J. P. e CRAING, W. L. (2005). Filosofia e Cosmovisão Cristã, Cap. 21, p. 530.