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Manuscritos de 1844:

Primeiro, em que o trabalho é exterior ao trabalhador, i. é, não pertence à sua


essência, que ele não se afirma, antes se nega, no seu trabalho, não se sente bem,
mas desgraçado; não desenvolve qualquer livre energia física ou espiritual, antes
mortifica o seu físico e arruína o seu espírito. (308)

[...] é como uma atividade alienada, divina ou demoníaca, também a atividade do


trabalhador não é sua autoatvidade. Ele pertence a um outro, ela é a perda dele
próprio. (309)

Precisamente a universalidade do homem aparece praticamente na universalidade


que faz de toda a natureza o seu corpo inorgânico [...] mas a vida produtiva é a vida
genérica. É a vida que gera vida. No modo de atividade vital reside todo o caráter de
uma species, o seu caráter genérico, e a atividade consciente livre é o caráter
genérico do homem (311-2)

O trabalho alienado inverte essa relação até que o homem, precisamente porque é um
ser consciente, faz da sua atividade vital, de sua essência, apenas meio para a sua
existência (312)

Por isso, na medida em que arranca ao homem o objeto da sua produção, o trabalho
alienado arranca-lhe a sua vida genérica, a sua real objetividade genérica, e
transforma sua vantagem sobre o animal na desvantagem de lhe ser retirado o seu
corpo inorgânico, a natureza. (313)

Em geral, a proposição de que ao homem está alienado o seu ser genérico significa
que o homem está alienado do outro, tal como cada um está alienado de sua essência
(wesen) humana. (314)

No mundo real prático, a auto alienação só pode aparecer através da relação real
prática com outros homens. O meio pelo qual a alienação procede é ele próprio um
meio prático. Pelo trabalho alienado o homem gera, portanto, não só a sua relação
com o objeto e o ato da produção como homens alienados e hostis a ele; [...] (316)

Uma elevação violenta do salário (abstraindo de todas as outras dificuldades,


abstraindo de que ela, como uma anomalia, só violentamente se haveria de manter)
nada seria, portanto, senão um melhor assalariamento do escravo, e não teria
conquistado para o trabalhador nem para o trabalho a sua determinação e dignidade
humanas. (318) aqui fica evidente o equívoco de teóricos que julgam Marx como um
teórico da redistribuição da riqueza.

Da relação do trabalho alienado com a propriedade privada, segue-se ainda que a


emancipação da sociedade da propriedade privada [...] da emancipação dos
trabalhadores não como se se tratasse apenas da emancipação deles, mas antes
porque na sua emancipação está contido todo o humano (allgemein menschliche) –
este, todavia, está aí contido porque toda a servidão humana está envolvida na
relação do trabalhador com a produção e todas as relações de servidão são apenas
modificações e consequências dessa relação. (319) como anular o processo de
alienação e a determinação do sujeito.
A produção produz o homem não só como uma mercadoria, a mercadoria-homem, o
homem na determinação de mercadoria, o produz, correspondendo a essa
determinação, como um ser desumanizado (entmenschtes wesen) tanto espiritual
como corporalmente – imoralidade, disformidade, imbecilidade dos trabalhadores e
dos capitalistas. (325)

Para Hegel a alienação é um conceito extremamente positivado, pois, é através da


alienação que o espírito se objetifica no mundo da natureza. Em Marx nem toda
objetivação é a exteriorização da essência humana, uma forma negativa desse
processo que anula o ser genérico é a alienação, que se exterioriza determinadamente
1) pela relação direta do homem com seu corpo inorgânico, em outras palavras, a
atividade mediadora entre espírito e natureza é o trabalho, trabalho esse como
liberdade livre onde o espírito se enriquece e o homem tem essa atividade como
condição vital de sua realização como ser genérico onde a ação é duplamente
consciente produção/reprodução, quando essa mediação (trabalho) é alienada sua
atividade que antes é livre se torna necessidade imediata para sua vida,
empobrecendo seu espírito e arrancando sua humanidade; 2) o resultado da produção
alienada é o produto alienado, portanto a mercadoria confronta o homem de forma
independente.

Nota de roda pé: A alienação do ser genérico humano para Marx (2015:340) é uma
condição histórica, principalmente envolvendo a mercadoria como resumo do processo
de alienação da produção. A conceituação de alienação no jovem Marx é a
exteriorização desprovida de humanidade e coisificada num movimento independente
ao seu produtor (o homem), a esse respeito dois excertos são esclarecedores:
“finalmente, a exterioridade do trabalho para o trabalhador aparece no fato de que ele
não é [trabalho] seu, mas de um outro, em que ele não lhe pertence, em que nele não
pertence a si próprio, mas a um outro. (MARX 2015:309). E “se o produto do trabalho
não pertence ao trabalhador, é um poder alienado frente a ele, então isso só é
possível porque ele pertence a outro homem fora o trabalhador. Se a sua atividade é
para ele tormento, então deve ser fruição para um outro e alegria de viver de um outro.
Não os deuses, não a natureza, só o próprio homem pode ser esse poder alienado
sobre o homem”. (MARX 2015:315,316).

O homem – por muito que seja portanto um indivíduo particular e, precisamente, a sua
particularidade faz dele um indivíduo e uma comunidade (gemeinwesen) individual real
– é tanto a totalidade, a totalidade ideal, a existência subjetiva para-si da sociedade
sentida e pensada como também existe na realidade, quer como uma totalidade de
expressão humana de vida. Portanto, pensar e ser são decerto diferentes, mas
simultaneamente estão em unidade um com o outro. (348)

Ideologia alemã

[...] uma classe que configura a maioria dos membros da sociedade e da qual emana a
consciência da necessidade de uma revolução radical, a consciência comunista, que
também pode se formar, naturalmente, entre as outras classes, graças à percepção da
situação de classe;[...] enquanto a revolução comunista volta-se contra a forma da
atividade existente até então, suprime o trabalho e supera a dominação de todas as
classes ao superar as próprias classes, pois essa revolução é realizada pela classe
que, na sociedade, não é mais considerada como uma classe, não é reconhecida
como tal, sendo já a expressão da dissolução de todas as classes, nacionalidades
etc., no interior da sociedade atual[...] P. 41-2

Pode-se distinguir os homens dos animais pela consciência, pela religião ou pelo que
se queira. Mas eles mesmo começam a se distinguir dos animais tão logo começam a
produzir seus meios de vida, passo que é condicionado por sua organização corporal.
Ao produzir seus meios de vida, os homens produzem, indiretamente, sua própria vida
material. [...] Tal como os indivíduos exteriorizam sua vida, assim são eles. O que eles
são coincide, pois, com sua produção, tanto com o que produzem como também com
o modo como produzem. O que os indivíduos são, portanto, depende das condições
materiais de sua produção P. 87

Artigos de honneth

O interesse específico de Marx está voltado para a compreensão das condições de


vida de nossa sociedade como causa para uma deformação das habilidades humanas
da razão; aquilo com que ele se ocupou, aquilo para o que ele voltou seu olhar ao
longo de toda a sua vida, eram patologias cognitivas ou existenciais que são
produzidas pela forma especifica de organização da sociedade capitalista. (p. 69
observações sobre a reificação)

Microfisica do poder os intelectuais e o poder Foucault

Deleuze: para nós o intelectual teórico deixou de ser um sujeito, uma consciência
representante ou representativa. Aqueles que agem e lutam deixaram de ser
representados, seja por um partido ou um sindicato que se arrogaria o direito de ser a
consciência deles. Quem fala e age? Sempre uma multiplicidade, mesmo que seja na
pessoa que fala ou age. Nós somos todos pequenos grupos. Não existe mais
representação, só existe ação: ação de teoria, ação de prática em relações de
revezamento ou em rede. P 130 deleuze defende um profundo atomismo na vida
política

Foucault: ora, o que os intelectuais descobriram recentemente é que as massas não


necessitam deles para saber; elas sabem perfeitamente, claramente, muito melhor do
que eles; e elas o dizem muito bem. Mas existe um sistema de poder que barra,
proíbe, invalida esse discurso e esse saber. Poder que não se encontra somente nas
instâncias superiores da censura, mas que penetra muito profundamente, muito
sutilmente em toda a trama da sociedade. Os próprios intelectuais fazem parte desse
sistema de poder, a ideia de que eles são agentes da “consciência” e do discurso
também faz parte desse sistema. P 132

Foucault: é por isso que a teoria não expressará, não traduzirá, não aplicará uma
prática; ela é uma prática. Mas local e regional, como você diz: não totalizadora. Luta
contra o poder, luta para fazê-lo aparecer e feri-lo onde ele é mais invisível e mais
insidioso. Luta não para uma “tomada de consciência” (há muito tempo que a
consciência como saber está adquirida pelas massas e que a consciência como
sujeito está adquirida, está ocupada pela burguesia), mas para a destruição
progressiva e a tomada de poder ao lado de todos aqueles que lutam por ela, e não na
retaguarda, para esclarecê-lo. Uma “teoria” é o sistema regional dessa luta. P 132
Foucault: isso quer dizer que a generalidade da luta certamente não se faz por meio
da totalização de que você falava há pouco, por meio da totalização teórica, da
“verdade”. O que dá generalidade à luta é o próprio sistema do poder, todas as suas
formas de exercício e aplicação. P 142

Critica da filosofia do direito de Hegel

Nenhuma classe da sociedade civil pode desempenhar esse papel sem despertar, em
si e nas massas, um momento de entusiasmo em que ela se confraternize e misture
com a sociedade em geral, confunda-se com ela, seja sentida e reconhecida como sua
representante universal; [...] para que um estamento [stand] se afirme como um
estamento de toda a sociedade, é necessário que, inversamente, todos os defeitos da
sociedade sejam concentrados numa outra classe, que um determinado estamento
seja o do escândalo universal, (p. 154)

Parte desprezada

sua postura é humanística tornar possível uma objetivação tendo a política meio, por isso chega
a afirmar:
Da relação do trabalho alienado com a propriedade privada, segue-se ainda que a
emancipação da sociedade da propriedade privada [...] da emancipação dos
trabalhadores não como se se tratasse apenas da emancipação deles, mas antes porque
na sua emancipação está contido todo o humano (allgemein menschliche) – este,
todavia, está aí contido porque toda a servidão humana está envolvida na relação do
trabalhador com a produção e todas as relações de servidão são apenas modificações e
consequências dessa relação. (MARX 2015:319)