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Universidade Federal do ABC

Engenharia de Materiais

Fluidos Newtonianos e Não Newtonianos

Prof. Dr. Danilo Justino Carastan


danilo.carastan@ufabc.edu.br
Reologia – Fluidos Newtonianos e Não Newtonianos

Para se obter o perfil de velocidades, de tensões e de pressão durante o


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fluxo isotérmico de um dado material em uma dada geometria, deve-se


resolver simultaneamente as equações de conservação de massa e da
quantidade de movimento.

A relação entre o tensor tensão e o tensor taxa de cisalhamento


(relacionado com o vetor velocidade) é a Equação Reológica de
Estado ou Equação Constitutiva.
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Como as tensões e as deformações


Próximo
estarão relacionadas?
passo:

Isto vai depender das propriedades da matéria na qual a tensão ou a


deformação/taxa de deformação está sendo aplicada!

Exemplo: aplico uma mesma •vidro de sílica


tensão em três materiais •borracha
diferentes •mel

Equações
Constitutivas Como
Comportamentos de
calcular a
ou deformação
deformação
Equações completamente
sofrida pelos
Reológicas de diferentes
materiais?
Estado
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Equação Deformação/Taxa de
Tensão Constitutiva deformação
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Casos clássicos:
Sólidos perfeitos Fluidos perfeitos
Lei de Hooke Lei de Newton para Fluidos

  G   
Cisalhamento simples: Cisalhamento
simples:
 12  G 12  12  12
Estiramento: Estiramento:

 11  E 11  11   E 11
E, G = módulos elásticos ηE = viscosidade
em tração e em extensional
cisalhamento
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Fluxos de cisalhamento e extensão


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Casos clássicos:

Sólidos Hookeanos Líquidos Newtonianos


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Módulo não varia com a Viscosidade não varia com a taxa


deformação de deformação
Deformação instantânea com a Sem deformação instantânea com
aplicação de tensão a aplicação de tensão
Depois da deformação instantânea, Enquanto tensão for aplicada, a
não continua a se deformar com a deformação aumenta com o tempo
aplicação da tensão
Quando a tensão cessa, recupera Quando a tensão cessa, a
instantaneamente toda a deformação com o tempo também
deformação sofrida cessa, mas a deformação sofrida
até então não é recuperada
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τ
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t0 t1 t
Fluido Sólido Hookeano
Newtoniano

d 12 γ
 12
dt

t0 t1 t

t0 t1 t
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De < 1
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A viscosidade (η) é:
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• A falta de escoamento
• Sinônimo de fricção interna
• Resistência ao fluxo

• As unidades são:   


Pa.s e Poise
10 Poise = 1 Pa.s
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Alguns valores típicos de


viscosidade
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• A única tensão gerada em cisalhamento simples é


σ12 (ou τ). N1 e N2 são nulas.
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• A viscosidade não varia com a taxa de cisalhamento.

• A viscosidade é constante com o tempo de cisalhamento. A tensão


no líquido cai para zero imediatamente após o fim do cisalhamento.
Em qualquer cisalhamento subsequente, qualquer seja o período
entre as medidas, a viscosidade será a mesma do que aquela medida
antes

• As viscosidades medidas em diferentes tipos de deformação


sempre são em proporção uma da outra. A viscosidade extensional
(ηE) é sempre 3 vezes a viscosidade em cisalhamento (η).

• Fluidos com estrutura mais simples costumam ser newtonianos:


ex.: gases, água, óleos, glicerina, mel, metais líquidos, etc.
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• Forma tensorial da lei de Newton.

 ij  ij  ij  ij  p ij
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• Tensores de taxa de deformação e tensão para cisalhamento simples:

 0  0   p  0 
ij   0 0  ij     p 0 
 0 0 0  0 0  p 

• Tensores de taxa de deformação e tensão para extensão uniaxial:

2 0 0 2  p 0 0 
ij   0   0   ij   0    p 0 

 0 0     0 0    p 
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• P/ fluidos newtonianos:

N1  N 2  0
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• Exemplo acima: não é newtoniano! (Fluido de Boger)


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• A viscosidade não é mais uma propriedade


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intrínseca do material.

• A viscosidade varia em função do tempo de cisalhamento


e/ou da taxa de cisalhamento.

• São muitos os fluidos não newtonianos, mas podemos


dividir os fenômenos não newtonianos em 3 famílias:

– Independentes do tempo
– Dependentes do tempo
– Viscoelásticos
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Bingham Suspensões
Cerâmicas
Polímeros com
Plástico cargas acima do
limite de
e percolação
Pseudoplástico

Newtoniano

Dilatante Polímeros
Fundidos


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Fluidos Pseudoplásticos (shear thinning): O fenômeno da


pseudoplasticidade ocorre quando a viscosidade diminui com a
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taxa de cisalhamento
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Fluidos Pseudoplásticos (shear thinning)


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.
.

.
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Fluidos Pseudoplásticos (shear thinning)


• Com o aumento da taxa de cisalhamento a viscosidade cai de um
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valor máximo, constante, chamado de viscosidade de cisalhamento


zero para depois voltar a ser constante com a taxa de cisalhamento

• Este fenômeno pode ser devido a três principais razões:

– Existência no sistema líquido de partículas assimétricas que, estando


no repouso, orientadas de forma aleatória, assumem uma orientação
preferencial na direção do escoamento
– Sistemas líquidos constituídos de moléculas grandes e flexíveis
que passam de uma configuração aleatoriamente enrolada ao repouso,
para uma orientação na direção do escoamento, assumindo uma forma
quase linear
– Existência de moléculas em solução que em repouso se encontram
altamente solvatadas e têm as camadas de solvatação destruídas pela
ação do cisalhamento
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Fluidos Pseudoplásticos (shear thinning)


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Fluidos Pseudoplásticos (shear thinning)


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Fluidos Pseudoplásticos (shear thinning)


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Fluidos Dilatantes (shear thickening)


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A viscosidade aumenta com o aumento da taxa de cisalhamento

• Fenômeno típico para materiais de mais de uma fase, como


suspensões cerâmicas, geralmente em alta concentração.
• Muito raro em polímeros, a menos que haja cristalização do
fundido durante o escoamento ou dispersão de partículas que
promovam o efeito.
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  cte.
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Tixotrópico

Reopético

tempo Comportamento devido à


destruição/recuperação de
Obs. Comportamento reversível!!! uma estrutura responsável
pela maior resistência ao
fluxo.
A variação da viscosidade irá depender da taxa de cisalhamento
aplicada.
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TIXOTROPIA
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– Fenômeno caracterizado pela diminuição da viscosidade com o


tempo de cisalhamento. Com o tempo de cisalhamento a estrutura
do fluido se desfaz e a viscosidade diminui.

– Fenômeno reversível porque a estrutura do material se forma de


novo após o fim do cisalhamento

– Se a taxa de cisalhamento for muito alta o fenômeno pode ser


escondido porque a estrutura é removida imediatamente

– Existe um tempo, te, após o qual a viscosidade é constante. O


valor de te diminui se a taxa de cisalhamento aumenta
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REOPEXIA ou ANTI-TIXOTROPIA
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– Fenômeno caracterizado pelo aumento da viscosidade com o


tempo de cisalhamento. Com o tempo de cisalhamento a estrutura
do fluido se forma e a viscosidade aumenta.

– É o comportamento típico de pasta de gesso (uma pasta de


gesso requer 40 s para solidificar no repouso e 20 s se ela está
cisalhada)

– Freqüentemente, a pseudoplasticidade é associada à tixotropia e


a dilatância à reopexia.
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 
Tixotrópico

t 

Quanto maior a área entre as curvas, Reopético


maior a magnitude do efeito
tixotrópico ou reopético.


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Nanocompósito de epóxi (líquido) + argila


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Nanocompósito de epóxi (líquido) + nanotubos de carbono


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Nanocompósito de epóxi (líquido) + 1% nanotubos de carbono


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 = viscosidade aparente

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Muitas vezes podemos


 linearizar partes da curva
aplicando log em ambos os
eixos.

   m n Lei das


Potências
m = consistência
log  n = índice de potência

log   log m  n log 

log 
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 m. n
Viscosidade  
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aparente:  
  m. n 1 ou log   log m  (n  1) log 
log 
n>1 log 

n=1

n<1

log 
log 
n = 1 fluido newtoniano
n < 1 fluido pseudoplástico
n > 1 fluido dilatante
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1) Sedimentação
2) Acomodação, nivelamento
3) Drenagem por gravidade
4) Mastigação
5) Pintura por mergulho
6) Mistura e agitação
7) Fluxo tubular
8) Spray e pincel
9) Fricção
10) Moagem de pigmentos em base
liquida
11) Pintura de alta velocidade

4
5

6 8 9
1 2 3 7 10 11

1.00E-5 1.00E-4 1.00E-3 0.0100 0.100 1.00 10.00 100.00 1000.00 1.00E4 1.00E5 1.00E6
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(1) Caracterização da estrutura


Exemplo: polímero fundido
(2) Molde de compressão
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Primeiro Platô (3) Extrusão


Newtoniano
(4) Molde de sopro

 0
(5) Molde de Injeção

Região de Lei das Potências


Log 

Segundo Platô
(1) Newtoniano
(2)

(3)
(4) (5)

0,0001 1 1.000 10.000

Log  Reômetro Capilar


Reômetro Rotacional
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Várias formas de visualizar a pseudoplasticidade usando as


correlações entre diferentes parâmetros
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(a), (b) e (c) = mesmos


dados experimentais