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Rovadavia Aline de Jesus Ribas et al.

Engenharia Civil

Avaliação construtiva e de desempenho


térmico do prédio da Escola de Minas
da UFOP
(Constructive and thermal performance evaluation of the
UFOP School of Mines building)

Rovadavia Aline de Jesus Ribas


Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil. Área: Construção Metálica/Escola de Minas/UFOP
E-mail: metalica@em.ufop.br

Henor Artur de Souza


Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil. Área: Construção Metálica/Escola de Minas/UFOP
E-mail: henor@em.ufop.br

Resumo Abstract
No Brasil, a construção em aço possui um grande Here in Brazil, steel construction has great space
espaço para desenvolvimento, prometendo racionaliza- for development and shows great promise for rational
ção e atendimento às exigências de conservação de ener- building construction, attending the needs for human
gia e conforto humano, apontando para projetos que apre- confort, energy conservation and adequate overall
sentem desempenho global adequado. Entretanto, nesse performance. However, in this type of construction,
tipo de construção, ainda são utilizados sistemas de fe- converntional closing systems are still are used, which
chamentos convencionais, o que nem sempre é conveni- is not always convenient because they have problematict
ente, pois são sistemas que demandam velocidades de execution cronograms and interface solutions. Studied
execução diferentes e interfaces construtivas de solu- here was the School of Mines building, which is part of
ções particulares. Nesse trabalho, estuda-se o prédio da the Universidade Federal de Ouro Preto-MG. This
Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto- building is structured in steel with the closing system
MG, edificação estruturada em aço com sistema de fecha- being convensionally that of masonry and glass.
mento externo convencional constituído por alvenaria e Evaluated were its structural conception, its
vidro. Avalia-se sua concepção estrutural e suas interfe- pathologies and the causes of the same. Exploratory
rências no processo construtivo e na sua utilização. Por investigation in situ using photography and optical
meio de uma investigação exploratória e coleta de dados, observation provided the data for the evaluation. Also,
identificam-se os problemas que surgiram durante o uso, a thermal perforamce analysis was made of the building
as patologias existentes e suas causas. Faz-se também using measurements obtained in situ. The data collected
uma avaliação do desempenho térmico da edificação, por provided the basis for a quality analysis of the
meio de medições in loco. Com os resultados, tem-se construction, its conservation and the cause of the
uma avaliação qualitativa da construção, de sua condi- pathologies which have occurred. With the results, it
ção de manutenção e das causas das patologias, propon- was possible to propose solutions for better maintenance
do-se soluções para sua correção e uma melhor manuten- and pathology control.
ção.
Keywords: Steel construction, project process, building
Palavras-chave: Construção em aço, processo de projeto, maintenance, pathologies.
patologias das construções, desempenho térmico.

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Avaliação construtiva e de desempenho térmico do prédio da Escola de Minas da UFOP

1. Introdução A concepção incorreta de projetos, al prédio da Escola de Minas da Univer-


o emprego de materiais impróprios, a fal- sidade Federal de Ouro Preto (EM/
1.1 A construção industrializada ta de manutenção e a simples utilização UFOP), situado no campus Morro do
em aço da edificação também constituem fato- Cruzeiro, Ouro Preto, MG, que é uma edi-
res que levam ao aparecimento de pato- ficação estruturada em aço, construída
Ao se utilizar o aço como elemento
logias nas construções, as quais podem entre o final de 1994 e meados de 1996 e
estrutural, seguindo uma tendência de
interferir nas atividades ali desenvolvi- está em pleno uso.
industrialização da construção mundial,
das, vindo daí a necessidade de se estar
problemas específicos surgem, por ser A estrutura metálica possibilitou
preparado para identificar os problemas
esse material de natureza e característi- esse período de construção relativamen-
e propor soluções para resolvê-los. (Cas-
cas bastante diferenciadas das do con- te rápido e, já na praça de entrada, en-
tro, 1999). Assim, a avaliação pós-cons-
creto armado, cuja cultura já está bas- contra-se um expressivo pórtico de onde
trução de espaços edificados visa a uma
tante difundida no Brasil. O domínio de flui toda a trama em estrutura aparente
melhoria da qualidade na construção ci-
uma metodologia construtiva apropria- de aço (Figuras 1, 2 e 3).
vil e à solução de problemas decorren-
da acarretaria uma segura aplicação do
tes da racionalização, favorecendo a A edificação possui área construí-
aço e evitaria a ocorrência desses pro-
evolução de futuros projetos que empre- da de 7.310 m² em dois pavimentos e com-
blemas.
guem inovações tecnológicas (Bastos & preende, em um primeiro bloco, as áreas
A utilização dos sistemas industri- Souza, 2005). administrativas e de serviços (salas da
alizados exige inovações tecnológicas e diretoria, de professores e pós-graduan-
visão sistêmica da construção e o proje- dos, laboratórios de computação e se-
to de uma edificação, onde se pretenda 1.2 Objetivos cretarias de departamentos). No segun-
aplicar um determinado sistema de fe- do bloco, encontram-se as salas de aula
Nesse trabalho, faz-se uma avalia-
chamento industrializado, tem de ser e a biblioteca. Na Figura 4 apresenta-se
ção da concepção estrutural e suas in-
concebido como tal, pois improvisações a planta baixa esquemática do andar tér-
terferências no processo construtivo e
não são admitidas. Os fechamentos e reo.
na utilização de uma edificação estrutu-
suas interfaces, entre si e com a estrutu- rada em aço com sistema de fechamento
ra, devem ser definidos ainda na fase de Da entrada à praça final, um eixo
externo convencional constituído por
projeto e deve-se procurar atender aos simetriza a edificação providenciando
alvenaria e vidro. Faz-se também uma
critérios de desempenho, proporcionan- modulada ortogonalidade adequada à
avaliação de seu desempenho térmico.
do conforto e segurança aos usuários, estrutura metálica e permitindo progres-
independente da finalidade da edifica- siva gradação de espaços que vai do hall
ção (Sales et al., 2001). 1.3 Justificativa de entrada, passando por espaços semi-
públicos dos pátios internos, até chegar
Numa edificação em aço, pode ser As avaliações pós-construção de
a espaços privativos, que seriam as sa-
empregado qualquer sistema de fecha- espaços edificados servem como infor-
las de aula e a biblioteca (Figuras 2 e 4).
mento disponível no mercado, ficando mação retro-alimentadora para uma real
evolução da cultura construtiva em aço, Esse eixo se orienta de leste a oeste, pro-
as exigências por conta do projeto e da porcionado também disposição ambien-
mão-de-obra. No entanto, os novos sis- contribuindo para promover um melhor
desempenho de edificações e um maior tal ideal de luz e ventilação para as salas
temas de fechamento, face à carência de de aula e as salas dos departamentos,
desenvolvimento tecnológico, de conhe- desenvolvimento de sistemas de fecha-
mento mais adequados. cujas aberturas ficam orientadas para
cimento de suas características e de mão-
norte-sul (Oliveira et al., 1996).
de-obra especializada, encontram, entre Justifica-se, também, esse trabalho,
os profissionais da construção e no mer- pela necessidade de divulgar a impor- No primeiro pavimento, o fechamen-
cado consumidor, bastante resistência tância da manutenção preventiva, cui- to externo é em alvenaria (tijolo a vista
quanto à sua aplicação. Assim, sistemas dados tomados na fase de projeto que laminado por fora e revestimento em re-
de fechamento convencionais em alve- visam a aumentar a vida útil da edifica- boco por dentro) até meia altura e es-
naria ainda são aplicados, levando a uma ção, e da manutenção corretiva, medi- quadria e vidro no restante da parede.
semi-industrialização da construção, de das que contornam os problemas decor- No segundo pavimento, o fechamento
caráter antagônico, pois os sistemas in- rentes do tempo e do uso. externo é todo feito em esquadria e vidro
dustrializado e convencional possuem (Figura 5). A área administrativa do pri-
tempos de execução não condizentes e meiro bloco, para flexibilização e adapta-
1.4 A edificação em estudo
interfaces de soluções delicadas que ção de sua área conforme o uso, foi cons-
podem comprometer a qualidade final e A avaliação construtiva e de de- truída internamente com material de fe-
o desempenho da edificação. sempenho térmico são realizadas no atu- chamento industrializado, constituído

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Figura 1 - Fachada principal da EM/UFOP. Figura 2 - Pátio interno e passarela central. Figura 3 - Fachada Lateral.

Figura 5 - Fechamento externo.

por divisórias de fácil instalação e ma-


nutenção, feitas de chapas de fibras de
eucalipto prensadas com acabamento em
resina melamínica, de 35 mm de espessu-
ra e modulação de 1,20 m de largura (Fi- Figura 4 - Planta baixa do andar térreo.
gura 6).
O aço empregado na estrutura foi o
USI-SAC-41, atualmente denominado de
USI SAC 300, das Usinas Siderúrgicas
de Minas Gerais S.A. (USIMINAS), de
propriedades anticorrosivas e boa resis-
tência mecânica (fy = 300 MPa). As liga-
ções são soldadas, na maior parte da
estrutura, exceto em algumas vigas, ba-
ses de pilares e alguns pontos da passa-
rela central.
A estrutura em aço, composta de
perfis I e H, cujas chapas possuem es-
pessuras variando de 4,75 a 16 mm con-
Figura 6 - Fechamento interno.
forme a função estrutural da peça, é afas-
tada do fechamento de vidro de aproxi-
A iluminação e a ventilação natu- das por parafusos também zincados. Na
madamente 0,40 m. A modulação dos pi-
lares dos pórticos da edificação é de 6,00 rais vêm de janelas do tipo máximo ar entrada da edificação e atravessando o
x 11,20 m2. Para realçar o uso de contra- que ocupam toda a largura das paredes. pátio interno, há uma passarela central
ventamentos em construções de aço, A cobertura é feita em telhas de aço zin- coberta com telhas metálicas em formato
peças tubulares, soldadas às vigas e cadas pré-pintadas em uma parte e te- arredondado, presas por tirantes de aço
colunas, são encontradas no contorno lhas de fibra de vidro em outra, apoiadas fixados em pilares unilaterais, que pres-
do edifício (Figura 5). sobre perfis de chapas dobradas e fixa- tam leveza a essa cobertura (Figura 2).

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2. Metodologia trutura não apresenta nenhum problema te 0,20 m, constitui outro fator que com-
que signifique risco imediato para os promete a estanqueidade.
Para a avaliação dos problemas exis- usuários da edificação. É comum encon-
tentes, das patologias e suas causas, faz- Soluções de projeto poderiam eli-
trar peças reforçadas estruturalmente,
se uma investigação exploratória e uma minar esse problema, tais como a eleva-
tais como uma das vigas do pórtico de
coleta de dados in loco na estrutura e ção do piso interno e a adoção de fecha-
entrada que é acompanhada por uma tre-
nos fechamentos, simultaneamente a um mento externo mais compatível com a
liça, a qual praticamente duplica a altura
levantamento fotográfico documentan- industrialização (painéis de placas ci-
dessa viga de 30,40 m de vão livre (Figu-
do os principais fenômenos decorren- mentícias, pré-moldados de concreto,
ra 1), e outras vigas mais solicitadas que
tes do uso e da edificação. Nessa eta- dentre outros, que poderiam ser fixados
receberam enrijecedores no meio de seus
pa, faz-se também uma análise do proje- diretamente na estrutura metálica e na
vãos (Figura 7). Vê-se, ainda, que em vá-
to proposto e do processo de execução laje, desde que aplicada técnica adequa-
rias uniões de vigas com pilares foram
do mesmo. da de execução).
colocados reforços de chapas para fa-
Para a avaliação do desempenho vorecer o enrijecimento e evitar o exces- Quanto ao isolamento acústico,
térmico, considera-se a resposta global so de deformação nesses pontos. Sales et al. (2001a) mostram que o fecha-
da edificação por meio de medições in- mento externo em alvenaria possui de-
Apenas observa-se um aspecto
ternas e externas da temperatura e umi- sempenho acústico superior ao da maio-
ondulado em mesas de algumas vigas
dade relativa do ar, simultaneamente. Por ria dos fechamentos industrializados do
da cobertura, mas, como são de chapas
se tratar de uma edificação ventilada na- mercado, sendo que apenas os painéis
relativamente finas, (4,75 mm), é prová-
turalmente, seu desempenho térmico é de concreto apresentam desempenho
vel que essas deformações sejam devi-
avaliado em função do perfil da tempera- similar. Para fechamento interno, os pai-
das ao calor do processo de soldagem,
tura e da umidade internas. néis de gesso acartonado, ou dry wall,
que causou o empenamento nas chapas
que também são de montagem rápida,
Para as medições internas, in loco, ainda na fase de fabricação dos perfis e
poderiam ser usados. Tais painéis, quan-
utilizam-se um sistema de aquisição de de montagem dos pórticos (Figura 8).
do constituídos, de paredes duplas e re-
dados com data logger e sensores do cheadas de materiais isolantes, propor-
tipo resistivo e capacitivo, para a medi- cionam desempenho acústico próximo ao
ção da temperatura e da umidade do ar, 3.2Fechamentos-estanqueidade da alvenaria. No prédio da EM/UFOP,
respectivamente (Ahlbon, 2003; Knop e e isolamento acústico nas dependências onde foi utilizado o
Souza, 2006). Os sensores são fixados fechamento com divisórias pré-fabrica-
em um suporte, em posições determina- O desempenho final de uma edifi-
cação também está relacionado à com- das moduladas, percebe-se que os ruí-
das, seguindo recomendação da norma dos das salas vazam de um andar a ou-
ISO 7726:1985 e que correspondem às patibilização entre a estrutura de aço e o
sistema de fechamento, sendo essa as- tro. Esse efeito é aumentado devido à
alturas da cabeça, do abdome e do cal- fresta existente e à não instalação de ro-
canhar. Para as medições externas, utili- sociação feita por meio de junções que
devem fornecer isolamento acústico e dapés de borracha. Adaptações visan-
zam-se sensor de silício, para medição do a contornar esse problema têm sido
da temperatura, e sensor capacitivo, para estanqueidade. No entanto, essa asso-
ciação, às vezes, é dificultada devido ao feitas. Uma delas se refere às paredes de
medição da umidade, conectados a um duas salas de aula, que localizadas na
microcomputador (Cocota Júnior, 2005). fato de que os dois sistemas, estrutural
e de fechamento, devem trabalhar inde- região de divisórias, foram modificadas
pendentemente (Sales et al., 2001). e passaram a ter paredes duplas de pai-
néis melamínicos com a adição de uma
3. Resultados e Desvincular o fechamento da estru- manta de lã de vidro entre elas. Outra
discussões tura é uma das soluções utilizadas pelos modificação foi realizada no auditório de
projetistas para minimizar os problemas eventos do prédio, que passou por uma
3.1 Segurança estrutural de contato que surgem sob a forma de reforma em 2005 e a divisória foi trocada
Os perfis utilizados foram dimensi- trincas, descascamentos e infiltrações por painéis duplos de gesso acartonado
onados adequadamente, seguindo as (Figura 9). Nessa edificação, o fechamen- recheados com lã de vidro e revestimen-
normas AISC:1989, NBR 6123:1988 e to em esquadria e vidro está desvincula- to interno em feltro.
NBR 8800:1986, conforme observado na do da laje de piso do segundo pavimen-
memória de cálculo. As ligações, tanto to, existindo entre esses elementos uma
as parafusadas, quanto as soldadas, fo- fresta de 0,05 m, o que compromete a 3.3 Manutenção da edificação
ram executadas sem nenhum erro apa- estanqueidade dos ambientes situados
e patologias identificadas
rente de fabricação ou projeto. Não fo- no primeiro pavimento. A baixa elevação
ram encontrados problemas de dimensi- do piso interno no primeiro pavimento As patologias existentes são iden-
onamento ou de ajuste das peças. A es- em relação ao terreno, de aproximadamen- tificadas por meio de um levantamento

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fotográfico, que documenta os principais corrosão em frestas junto a parafusos poamento, diminui a eficiência da pelí-
fenômenos decorrentes do uso do edifí- localizados nas bases dos pilares e na cula e compromete a estética.
cio. Essa documentação, feita entre no- união de perfis de chapa dobrada com
Todos os elementos da passarela,
vembro e dezembro de 2005, ou seja, após solda intermitente, causada pelas intem-
calhas, tubos e tirantes, deveriam ser
nove anos de ocupação, mostra que as péries e fezes de aves (Figura 12). Em
galvanizados, conforme indicação de
patologias não chegam a comprometer alguns locais, faz-se necessária uma in-
projeto. Mas, devido ao estado de cor-
estruturalmente a edificação, mas preju- tervenção no sentido de interromper o
rosão das peças, essa requisição parece
dicam seu desempenho termo-acústico fenômeno, que poderá futuramente com-
não ter sido atendida, sendo necessária
e causam certo desconforto visual. Vê- prometer o aço, o qual, apesar de ser re-
uma pintura das mesmas (Figura 14).
se, também, que alguns dos problemas sistente à corrosão, devido à umidade
estão relacionados à concepção do pro- da atmosfera local e ao contato dos pila-
jeto, enquanto outros, às interfaces en- res com o solo, está bastante deteriora-
tre os componentes construtivos e à fal- do em pontos específicos.
(iii) Trincas
ta de manutenção. Assim, os fenômenos Fenômeno de maior ocorrência nos
mais comumente encontrados são: cor- fechamentos, as trincas causam efeito
rosão, desgaste de pintura, trincas, infil- (ii) Pintura estético desagradável e instalam infiltra-
trações na cobertura e no revestimento, ções e descascamento do revestimento.
descascamentos de revestimentos e pro- A estrutura metálica foi pintada em
tom avermelhado, sendo que no projeto Em vários pontos da edificação, elas sur-
blemas nos fechamentos internos, entre gem como conseqüência da infiltração.
outros. de arquitetura foi especificada a utiliza-
ção de tinta automotiva brilhante, de cor Em faces opostas de paredes comuns de
estável e resistente ao intemperismo. salas de aulas, vêem-se trincas horizon-
Entretanto, vê-se o desbotamento da pin- tais decorrentes da passagem de eletro-
(i) Corrosão dutos, notando-se que houve falta de
tura em locais sujeitos à ação dos raios
Processos de corrosão uniforme ultravioletas (Figura 13). Essa degrada- integração entre projeto elétrico e de fe-
são detectados em vários pontos da es- ção da resina que ocorre quando a pin- chamento, o que não deve ocorrer em
trutura metálica, da passarela central e tura perde o brilho superficial, tornan- um projeto racional (Figura 15). Trinca
em outras áreas (Figura 11). Também, há do-se fosca, que é denominada de em- vertical que pode ser devida ao excesso

Figura 7 - Reforço estrutural. Figura 8 - Ondulação em viga. Figura 9 - Alvenaria desvinculada da estrutura.

Figura 10 - Processo corrosivo. Figura 11 - Corrosão uniforme. Figura 12 - Corrosão em frestas em


parafusos de fixação de pilares.

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de deformação por flexão da estrutura é água de chuva escorre entre os rufos e de dos tijolos e da película de impermea-
encontrada em uma parede de alvenaria, as mesas das vigas, infiltrando-se nas bilizante que a parede recebeu podem
pois a viga de sustentação dessa parede frestas entre a laje e as vigas, escorren- ser outras causas desse fenômeno, que
é apoiada por vigas em balanço (Figura do sobre o forro de PVC, pingando em provoca também limbo nas paredes ex-
16). determinadas salas e na biblioteca (Fi- ternas.
gura 18). Também há infiltração nas fres-
tas entre a estrutura metálica e o fecha-
(iv) Infiltrações na cobertura mento em esquadria (Figura 19). (vi) Fechamentos
e no revestimento As divisórias internas são de fácil
As telhas de aço zincadas da co- instalação e manutenção (Figura 6), mas
(v) Descascamentos
bertura possuem um pequeno caimento, notam-se os seguintes problemas: não
que é inadequado para chuvas fortes. O descascamento do revestimento proporcionam isolamento acústico ade-
Para impedir a penetração da água de ocorre no contato entre estrutura e fe- quado, são combustíveis, os perfis me-
chuva sobre a laje de forro, foram empre- chamentos e em locais de infiltração, tálicos que as compõem se soltam facil-
gados rufos metálicos de chapa zincada, como se observa nas paredes internas mente e apresentam dificuldade de em-
apoiados sobre as vigas metálicas e das escadas e das rampas, as quais são butimento de fiação. Esse problema de
nas calhas, que foram dimensionadas revestidas externamente com pastilhas, dificuldade de embutimento de fiação
para dar vazão à água pluvial. Tubos tendo perfis leves como juntas de dilata- também é encontrado no fechamento em
de 100 mm de diâmetro, que passam pe- ção. Nessas juntas, no interior da edifi- tijolo aparente (Figura 22).
los cantos de alguns pilares, recebem a cação, vêem-se infiltrações e conseqüen-
água proveniente do telhado, desembo- tes descascamentos (Figuras 20 e 21).
cando-a na rede pluvial. Apesar desses 3.4 Propostas de soluções
Observa-se, ainda, o descascamen-
cuidados, há várias infiltrações pela edi- to de tijolos que compõem as fachadas,
para as patologias
ficação, que causam desconforto, umi- principalmente em regiões que recebem Os problemas patológicos aqui ci-
dade e trincas em paredes (Figura 17). A respingos de água de chuva. A qualida- tados podem ser minimizados com uma

Figura 13 - Estado da pintura da estrutura Figura 14 - Corrosão em peça da Figura 15 - Trinca horizontal.
metálica. passarela.

Figura 17 - Trinca em parede devida à Figura 18 - Infiltração de água de chuva


Figura 16 - Trinca vertical. infiltração. no forro de PVC.

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correta manutenção na edificação, que excelente resistência ao intemperis- 3.5 O desempenho térmico
englobe os seguintes aspectos: mo, sem perda de brilho e cor e pode da edificação
ser aplicada sobre a pintura antiga
a) Instalação de novos rufos de manei- O conforto interno de um ambiente
(Figura 24).
ra adequada, eliminando as infiltra-
construído está intimamente ligado ao
ções das paredes e da cobertura. h) Análise e, se necessário, reforço de desempenho térmico e vem da adequa-
b) Colocação de capacetes nas mure- perfil estrutural em local onde há trin- ção dos sistemas de fechamento externo
tas de contorno da cobertura. ca por deformação excessiva, se a e interno da edificação. E esse desempe-
mesma não estiver estabilizada. nho térmico pode ser constatado duran-
c) Troca de telhas e calhas que estive-
rem em mau estado. i) Recomposição de paredes e revesti- te o uso da construção, face às varia-
mentos seguida de pintura. ções climáticas locais e às cargas inter-
d) Limpeza periódica das calhas evitan- nas, por meio de medições in loco da
do transbordamentos e entupimen- j) Limpeza periódica das bases dos pi-
temperatura e da umidade internas e ex-
tos dos tubos condutores (Figura 23). lares ou instalação de proteção de
ternas.
concreto.
e) Nova aplicação de silicone ou outro Um projeto arquitetônico adequa-
produto entre os rufos e as mesas k) Revisão dos sistemas de drenagem e
do deve aproveitar, de forma eficiente,
das vigas e entre estrutura e fecha- de captação das águas do telhado.
as condições climáticas locais, associ-
mento em esquadria. l) Replantio de grama nos arredores da ando-as à finalidade para a qual a edifi-
f) Remoção de corrosão e poeira da es- edificação. cação será utilizada, amenizando o con-
trutura, vedação das frestas e aplica- sumo de energia artificial. Quanto às car-
m) Limpeza dos tijolos e nova aplicação
ção de tinta de boa aderência e com- gas internas, elas são determinadas pe-
de produto hidrofugante, o qual im-
patível com a tinta existente. las atividades humanas, lâmpadas e equi-
permeabiliza sem formar película.
pamentos existentes.
g) Aplicação, na estrutura metálica su-
n) Colocação adequada dos eletrodu-
jeita à insolação, de pintura com tin- Nesse estudo, são realizadas, simul-
tos.
ta poliuretânica alifática, que possui taneamente, medições externas e medi-

Figura 19 - Infiltração de água de chuva Figura 20 - Descascamento no contato


no contato estrutura-esquadria. estrutura-alvenaria.
Figura 21 - Descascamento devido à
infiltração.

Figura 22 - Dificuldade de embutimento Figura 23 - Calha suja. Figura 24 - Repintura em andamento.


de fiação.

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ções internas da temperatura e da umi- a edificação mostrou um bom desempe- ventilação interna. Porém o efeito térmi-
dade em três salas diferentes (salas 07, nho térmico, obtendo-se um gradiente co proveniente da radiação solar, quan-
15 e 26), todas situadas no segundo pa- de temperatura, em relação à temperatu- do ela atua diretamente sobre o vidro e é
vimento, posicionadas conforme indica- ra externa, maior que 5°C. Essa diferen- absorvida pelas superfícies internas cau-
ção mostrada na Figura 4. Os resultados ça, entre temperatura externa e interna, é sando o efeito estufa, é responsável pela
são apresentados nas Figuras 25 a 27. mais acentuada naqueles ambientes com elevação de temperatura no interior.
fechamento interno em alvenaria.
Na Figura 25, são mostrados os re- Para ambientes ventilados natural-
sultados obtidos, para a temperatura e mente, quando são exercidas atividades
para a umidade relativa do ar, externas e leves (salas de aula, escritório e residên-
4. Considerações
internas, para uma sala posicionada no cias), as normas ISO 7730:1994 e
segundo pavimento do primeiro bloco, finais ASHRAE 55:1992 determinam uma tem-
sala 26 (Figura 4). Ela está na área admi- O diagnóstico realizado mostra que peratura limite de até 29ºC no verão. No
nistrativa da unidade e possui fechamen- a edificação em estudo não apresenta período avaliado, verão, a temperatura
to interno em painel de divisória e fecha- nenhum inconveniente de ordem estru- interna alcançou um valor máximo em
mento externo em esquadria e painel de tural, mas problemas construtivos sur- torno de 31°C, valor esse maior do que o
vidro. Observa-se que, no período de giram em detrimento do uso de alvenaria valor máximo de 29°C adotado pelas nor-
medição (período de verão), a tempera- convencional, como fechamento, com a mas.
tura interna alcançou um valor máximo estrutura metálica e de uma manutenção
Considerando que, para um valor
de 28,8°C, no dia 04/02/06, enquanto a não adequada, ao longo desse período
de referência de temperatura para con-
temperatura externa atingiu um máximo de uso. Para uma melhor conservação
forto, maior que aquele estabelecido pela
de 34,3°C. da edificação, manutenções periódicas
norma (29°C) em que as pessoas sentem
No mesmo período, a umidade rela- e planejadas devem ser feitas, pois pato-
desconforto térmico, nota-se que a edi-
tiva do ar externa apresentou uma varia- logias estão em processo de avanço,
ficação pode apresentar, principalmente
ção bastante acentuada, com um valor sendo que as que mais comprometem
no horário de pico da temperatura exter-
máximo de 99 % e mínimo de 30,3 %. A são àquelas associadas à corrosão e à
na num período de verão e em alguns
umidade relativa do ar interno variou infiltração.
ambientes, temperatura acima da reco-
entre 76,5 e 42,3 %. Atualmente, tem-se tornado práti- mendada para o conforto térmico de seus
Nas Figuras 26 e 27, são mostrados ca a elaboração de cartilhas de manuten- ocupantes. Ressalta-se que, em condi-
os resultados das medições de tempera- ção e conservação dos elementos cons- ções climáticas extremas, nenhum tipo
tura e umidade do ar externo e interno, trutivos de uma edificação. Essas carti- construção, seja em aço ou em alvena-
para duas salas (salas 07 e 15), localiza- lhas devem conter programas de ativi- ria, independentemente do sistema de fe-
das no segundo pavimento. Essas são dades e informações inerentes aos ser- chamento utilizado, promoveria condi-
salas de aula e estão orientadas para sul viços a serem realizados, especificações ções de conforto térmico, durante todo
e norte, respectivamente (Figura 4). O dos materiais adequados e a periodici- o dia, nos dias mais críticos de verão.
fechamento interno é em alvenaria (tijo- dade de cada operação de manutenção
(Gomide et al., 2006). Em relação ao prédio da EM/UFOP,
lo cerâmico furado revestido com arga- beirais maiores e varandas cobertas vol-
massa) e o fechamento externo é todo As medições de temperatura e umi- tadas para as fachadas mais ensolara-
em esquadria e painel de vidro. A tempe- dade relativa do ar, realizadas in loco em das seriam soluções de projeto que evi-
ratura interna, na sala 07, atinge um va- alguns ambientes, mostram que as vari- tariam a incidência direta dos raios sola-
lor máximo de 25°C, enquanto que a tem- ações são menos acentuadas (Figuras res sobre os vidros. Mas, como esses
peratura externa alcança 30,5°C. Na sala 25, 26 e 27) do que às variações da tem- recursos não foram previstos, outras
15, a temperatura interna alcança um va- peratura externa, evidenciando a influ- soluções são propostas para amenizar
lor máximo de 30,7°C, enquanto que a ência da massa térmica do sistema de os efeitos da radiação solar e diminuir a
temperatura externa chega a um valor de fechamento. temperatura interna no período de ve-
40,8°C. De maneira similar, tem-se a vari- rão, quais sejam, a estratégia da ventila-
O uso de fachadas inteiras envidra-
ação da umidade relativa do ar interno, ção cruzada, o sombreamento das jane-
çadas no segundo pavimento proporci-
mas com valores opostos. las mais ensolaradas com a instalação
ona à edificação o aproveitamento máxi-
Nota-se que para todos os perío- mo da iluminação natural da luz solar e de persianas ou brises e uma arboriza-
dos observados e ambientes avaliados as janelas de máximo ar promovem boa ção adequada nos arredores.

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Rovadavia Aline de Jesus Ribas et al.

Figura 25 - Temperatura e umidade interna e externa, sala 26, de 02 a 04/02/2006.

Figura 26 - Temperatura e umidade interna e externa, sala 07, de 28 a 29/01/2006.

Figura 27 - Temperatura e umidade interna e externa, sala 15, em 26/01/2006.

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Avaliação construtiva e de desempenho térmico do prédio da Escola de Minas da UFOP

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