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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAPÁ

COLEGIADO DE ENGENHARIA QUÍMICA

OTONIEL BARBOSA DE MATOS

INDÚSTRIA PETROQUÍMICA
(Revisão Bibliográfica)

MACAPÁ
2019
OTONIEL BARBOSA DE MATOS

INDÚSTRIA PETROQUÍMICA
(Revisão Bibliográfica)

Trabalho apresentado como requisito de avaliação parcial


da disciplina Processos Industriais Orgânicos do Curso de
Graduação em Engenharia Química da Universidade do
Estado do Amapá, ministrada pela professora Elinéia
Castro Costa.

MACAPÁ
2019
RESUMO

A indústria petroquímica evoluiu a partir do processamento de petróleo e gás,


agregando valor a subprodutos de baixo valor, que têm uso limitado na indústria de
combustíveis. A indústria atualmente produz uma gama notável de produtos úteis,
incluindo plásticos, borracha sintética, solventes, fertilizantes, produtos
farmacêuticos, aditivos, explosivos e adesivos. Esses materiais têm aplicações
importantes em quase todas as áreas da sociedade moderna. Os produtos
petroquímicos são usados em carros, embalagens, utensílios domésticos,
equipamentos médicos, tintas, roupas e materiais de construção, para citar apenas
algumas das aplicações comuns. Além disso, a indústria continua a inovar através de
novas tecnologias e da capacidade de processar diferentes tipos de matérias-primas.
Este trabalho tem por objetivo realizar uma revisão bibliográfica da indústria
petroquímica, analisando o histórico de indústria, implantação no Brasil, matérias-
primas, cadeia produtiva/processos envolvidos, algumas empresas do ramo,
economia e algumas considerações finais.

Palavras-chave: Petroquímica, Conceitos, Históricos, Processos, Produtos.


SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 4

2 DEFINIÇÃO DE PETROQUÍMICA ....................................................................... 5

3 DEFINIÇÃO DE INDUSTRIA QUÍMICA ............................................................... 5

4 HISTÓRICO DA INDUSTRIA PETROQUÍMICA .................................................. 6

4.1 MUNDIAL ....................................................................................................... 6

4.2 BRASIL .......................................................................................................... 7

5 MATÉRIAS-PRIMAS ............................................................................................ 8

5.1 PETRÓLEO.................................................................................................... 8

5.1.1 DESTILAÇÃO DO PETRÓLEO ...................................................................... 9

5.2 GÁS NATURAL ............................................................................................ 11

5.2.1 PRODUÇÃO Á PARTIR DO GÁS NATURAL ........................................... 12

6 ETAPAS DA PETROQUÍMICA Á PARTIR DO PETRÓLEO ............................. 13

7 CADEIA PETROQUÍMICA ................................................................................. 14

8 ALGUMAS REAÇÕES QUÍMICAS .................................................................... 16

8.1 POLIMERIZAÇÃO POR ADIÇÃO ................................................................ 17

8.2 ETENO ......................................................................................................... 17

8.3 PROPENO ................................................................................................... 18

8.4 AROMÁTICOS ............................................................................................. 19

9 ASPECTOS ECONÔMICOS .............................................................................. 19

10 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................... 21

REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 22
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1 INTRODUÇÃO

A petroquímica é a atividade industrial de produção de derivados de petróleo,


normalmente a partir da separação dos componentes do petróleo por destilação.
Petróleo e gás natural são normalmente percebidos pelo grande público como sendo
essencialmente fontes primárias de combustíveis. A indústria petroquímica é uma
subdivisão da indústria química. Ela utiliza a nafta (derivado do petróleo, obtido
através do refino) ou gás natural, como matéria-prima básica. Ou seja, é a área da
química relacionada aos derivados de petróleo e sua utilização na indústria. É uma
área muito importante, já que trata de combustíveis, cuja demanda cresce
diariamente. Logo, a indústria petroquímica objetiva a transformação do petróleo na
maior diversidade de produtos possíveis, com o menor custo e a maior qualidade. A
contribuição e a importância dessa indústria para a economia e a sociedade
modernas são destacadas pela oferta de materiais alternativos aos mais tradicionais,
como, por exemplo, vidros, metais e fibras naturais, e que ainda apresentam melhor
desempenho associado a custos mais reduzidos (M. CARDOSO, 2015).

A explosão desse tipo de indústria aconteceu no século 20 e levou a uma


proliferação de produtos que envolveram componentes petroquímicos, e a demanda
por estes produtos químicos está constantemente em ascensão de forma que as
pessoas desenvolvem novos produtos e novos usos para esses objetos. Refinarias
que processam esses produtos químicos podem ser encontradas em todo o mundo.
Alguns dos produtos petroquímicos primários obtidos no processo de refinação
incluem tolueno, benzeno e propileno. Estes produtos químicos primários podem ser
aperfeiçoados em produtos intermédios ou derivados que podem ser utilizados na
fabricação de produtos de utilização final. A maioria dos produtos petroquímicos são
hidrocarbonetos, refletindo a elevada concentração de hidrogênio e carbono no
petróleo bruto, e eles são distintos, embora quimicamente semelhante, a partir de
combustíveis refinados do petróleo bruto. Uma enorme variedade de produtos é feito
com produtos petroquímicos, incluindo plásticos, sabonetes, produtos farmacêuticos,
fertilizantes, pesticidas, detergentes, pisos, solventes e epóxi. Fibras sintéticas,
borracha e outros materiais também são fabricados a partir de produtos
petroquímicos (M.INDUSTRIAL, 2019).
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2 DEFINIÇÃO DE PETROQUÍMICA

Petroquímica é a ciência e a técnica que corresponde à petróleo-química, a indústria


que utiliza o petróleo e o gás natural como matéria-prima para o desenvolvimento de
vários produtos químicos. A petroquímica, por conseguinte, fornece os
conhecimentos e os mecanismos para a extração de substâncias químicas a partir
dos combustíveis fósseis. A gasolina, o gasóleo, o querosene, o propano, o metano
e o butano são alguns dos combustíveis fósseis que permitem o desenvolvimento de
produtos da petroquímica.

3 DEFINIÇÃO DE INDUSTRIA QUÍMICA

Na literatura, a definição de indústria química, como também a definição de indústria


petroquímica, é apontada como objeto de divergências. Até mesmo a Associação
Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM), que é a entidade representativa do setor,
assume este fato (HASENCLAVER; SANTANA; MELLO, 2003, p.147). Contudo, o
presente trabalho adotará as definições apresentadas pela ABIQUIM pelo fato desta
ser a principal entidade representativa do setor. No que diz respeito à definição de
indústria petroquímica, a ABIQUIM apresenta a seguinte explicação:

[...] A indústria petroquímica é parte da indústria química. Caracteriza-se por


utilizar um derivado de petróleo (a nafta) ou o gás natural como matérias-
primas básicas. No entanto, muitos produtos chamados petroquímicos,
como, por exemplo, o polietileno, podem ser obtidos tanto a partir dessas
matérias-primas como a partir de outras, como o carvão (caso da África do
Sul) ou o álcool (como ocorreu no passado, aqui mesmo no Brasil). As
classificações oficiais da indústria química não utilizam em separado o
conceito "petroquímica" (ABIQUIM, 2007).

Partindo da definições apresentadas acima, na secção seguinte será abordado sobre


o histórico da indústria petroquímica, tanto no âmbito mundial, como a sua chegada
no Brasil.
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4 HISTÓRICO DA INDUSTRIA PETROQUÍMICA

4.1 MUNDIAL

A atividade petroquímica tem início em 1919, nos Estados Unidos, a partir dos
trabalhos de pesquisa desenvolvidos durante a Primeira Guerra Mundial.
Posteriormente surge de forma expressiva nos EUA, em 1920, quando a Standard
Oil e a Union Carbide fabricaram isopropanol e glicol. Desenvolveu-se durante a
Segunda Guerra Mundial, com a demanda de produtos estratégicos (como tolueno e
glicerina para explosivos). No período de 1940 e 1950, os E.U.A. duplicaram sua
produção petroquímica. No pós guerra, a Europa começou a usar nafta como
matéria prima petroquímica, substituindo subprodutos do carvão. Desde então, a
petroquímica europeia tem tido grande impulso. No Japão, a petroquímica começou
em 1955, mas em 1970 o país já era o segundo produtor do mundo. O crescimento
foi atribuído ao estímulo à produção de petroquímicos básicos e aos seus preços
competitivos no mercado internacional.

A nível mundial, sabe-se que a maioria das empresas são produtoras de eteno
(matéria-prima de baixo custo, amplamente disponível com alta pureza, e
informalmente denominado de “Rei dos Petroquímicos”) e propileno (matéria-prima
de maior importância na indústria petroquímica após o eteno, sendo por esse motivo
denominado informalmente de “Príncipe dos Petroquímicos”) a partir das destilação
do petróleo. A figura 01, ilustra as principais indústrias petroquímicas do mundo e
produção dos mesmos.

Figura 01: Principais indústrias petroquímicas do mundo, capacidade instalada de produção (2003).
Fonte: https://www.passeidireto.com/arquivo/978623/aula_4
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4.2 BRASIL

A atividade petroquímica no Brasil, tem uma existência da mesma ordem do restante


do mundo e teve o seu desenvolvimento estabelecido no Estado de São Paulo, onde
nos primeiros anos da década de 50, já estavam instaladas, duas fábricas de
poliestireno; uma da Plásticos Kopers e outra da Bakol, que operavam com matéria
prima (estireno) importada. Ou seja, em meio ao clima desenvolvimentista e
modernizador do período, o consumo crescia rapidamente, sinalizando a
necessidade de estabelecer uma indústria nacional capaz de atendê-lo. Havia em
operação, também, em Ribeirão do Pires, uma fábrica de policloreto de vinila (PVC)
da Indústrias Químicas Eletrocloro, que produzia também o monômero MVC, a partir
do acetileno proveniente de carbureto de cálcio, e do cloro resultante de eletrólise de
cloreto de cálcio. Importavam-se outros produtos como polietileno e fibras de nylon e
de poliéster, assim como os fertilizantes nitrogenados. Existe a informação de que a
primeira fábrica petroquímica brasileira esteve instalada no Paraná, tratava-se de um
planta de formol, da ALBA (Borden Incorporated), e que começou sua operação em
1948.

Atualmente, os principais pólos petroquímicos, integrados às centrais de matérias-


primas são: polo de Capuava (SP), Pólo de Camaçari (BA), Pólo de Triunfo (RS) e
polo de Duque de Caxias (RJ). Entretanto, a figura 02 ilustra a distribuição das
indústrias petroquímicas que atuam no país.

Figura 02: Distribuição das indústrias petroquímicas no Brasil.


Fonte: https://www.passeidireto.com/arquivo/978623/aula_4
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5 MATÉRIAS-PRIMAS

A indústria petroquímica, emprega como matérias-primas o gás natural, gases


liquefeitos de petróleo, gases residuais de refinaria, naftas, querosene, parafinas,
resíduos de refinação de petróleo e alguns tipos de petróleo cru. Apesar das
inúmeras possibilidades de diferentes matérias primas, no Brasil usa-se
principalmente a nafta, sendo que apenas a Central de Matérias Primas do Nordeste
(COPENE) está capacitada para operar com frações mais pesadas. Entretanto, para
essa revisão bibliográfica, vamos dar ênfase para o Petróleo (derivados) e o Gás
natural.

5.1 PETRÓLEO

A palavra petróleo é originada do Latim Petra (pedra) + Oleum (óleo), o petróleo


bruto é uma complexa mistura líquida de compostos orgânicos e inorgânicos em que
predominam os hidrocarbonetos, desde os alcanos mais simples até os aromáticos
mais complexos. De acordo com a ASTM – American Society for Testing and
Materials: “O petróleo é uma mistura de ocorrência natural, consistindo
predominantemente de hidrocarbonetos e derivados orgânicos sulfurados,
nitrogenados e/ou oxigenados, o qual é, ou pode ser, removido da terra no estado
líquido”. É encontrado em muitos lugares da crosta terrestre e em grandes
quantidades, e desse modo o seu processo de formação deve ser espontâneo.
Trata-se de uma mistura inflamável, de coloração variável entre amarela e preta,
encontrada nas rochas de bacias sedimentares e originada da decomposição da
matéria orgânica depositada no fundo de mares e lagos que sofreu transformações
químicas pela ação de temperatura, pressão, pouca oxigenação e bactérias. Tais
transformações prosseguem em maior ou menor grau até o momento da descoberta
da jazida e extração do petróleo nela contido. Dessa forma, é virtualmente
impossível a obtenção de amostras de petróleo com a mesma composição química,
até mesmo em um mesmo campo produtor. Porém, para Industria Petroquímica,
usa-se seus gases liquefeitos através de seu refino. A figura 03 ilustras a processo
de formação do petróleo.
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Figura 03; Formação do petróleo nas rochas sedimentares.


Fonte:https://pt.scribd.com/document/39775269/13557803-Curso-de-Refino-de-Petroleo-e-
Petroquimica-UFRN-244-Slides
5.1.1 DESTILAÇÃO DO PETRÓLEO
A destilação é o processo básico de separação do petróleo, que consiste na
vaporização e posterior condensação dos componentes do óleo cru (hidrocarbonetos
e impurezas) devido à ação de temperatura e pressão. O processo está baseado
nas diferenças entre os pontos de ebulição dos diversos constituintes do petróleo. A
destilação pode ser feita em várias etapas, e sob diferentes intensidades de pressão,
conforme o objetivo desejado.

Seu objetivo é o desmembramento do petróleo em suas frações básicas de refino,


tais como gás combustível, gás liquefeito de petróleo (GLP), nafta, querosene,
gasóleo atmosférico (óleo diesel), gasóleo de vácuo e resíduo de vácuo. Seus
rendimentos são variáveis, em função do óleo processado. A Figura 04, ilustra o
“processo” e alguns derivados do petróleo.

Figura 04; Processo de desmembramento do petróleo.


Fonte:https://pt.scribd.com/document/39775269/13557803-Curso-de-Refino-de-Petroleo-e-
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O equipamento principal é sem dúvida a torre de fracionamento, ou coluna de


destilação. Como se sabe, seu interior é composto por uma série de bandejas ou
pratos perfurados, cujo princípio de funcionamento é ilustrado na figura 05.

Figura 05: Processo simplificado de destilação.


Fonte: https://pt.scribd.com/document/39775269/13557803-Curso-de-Refino-de-Petroleo-e-
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Após a destilação do petróleo, é necessário conhecer um pouco de seus derivados,
entretanto, não vamos nos aprofundar muito nessa enorme lista, porém, os
principais derivados do petróleo e seus usos são mostrados na tabela 01.

Tabela 01: Derivados e usos principais (adaptada).

Derivado Uso Principal


Combustível
Gasolina Combustível Automotivo
Óleo Diesel Combustível Automotivo
Óleo Combustível Industrial, Naval, Geração de eletricidade
Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) Cocção
Querose de Aviação Combustível Aeronáutico
Querosene Iluminante Iluminação
Insumo Petroquímico
Parafina Velas, Indústria Alimentícia
Nafta Matéria-prima Petroquímica
Propeno Matéria-prima para plásticos e tintas
Outros
Óleos Lubrificantes Lubrificação de Óleos e Motores
Asfalto Pavimentação
Fonte: https://pt.scribd.com/document/39775269/13557803-Curso-de-Refino-de-Petroleo-e-
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5.2 GÁS NATURAL

O gás natural que, basicamente, possui a mesma composição química do petróleo, é


também um combustível fóssil que se encontra na natureza, normalmente em
reservatórios profundos no subsolo, associado ou não ao petróleo. Assim como o
petróleo, ele resulta da degradação da matéria orgânica, fósseis de animais e
plantas pré-históricas, sendo retirado da terra através de perfurações. Inodoro,
incolor e de queima mais limpa que os demais combustíveis, o gás natural é
resultado da combinação de hidrocarbonetos gasosos, nas condições normais
atmosféricas de pressão e temperatura, contendo, principalmente, metano e etano.
É uma substância composta por hidrocarbonetos que permanecem em estado
gasoso nas condições atmosféricas normais. É essencialmente composta pelos
hidrocarbonetos metano (CH4), com teores acima de 70%, seguida de etano (C2H6)
e, em menores proporções, o propano (C3H8), usualmente com teores abaixo de 2%.

Basicamente existem dois tipos de GN, gás natural associado, aquele que, em
reservatórios, se encontra dissolvido em óleo ou se apresenta como uma “capa” de
gás. Este tipo de gás, antes de ser distribuído, precisa ser separado do óleo. E o gás
natural não-associado, se encontra livre de óleo ou apresenta pequena quantidade,
de fácil comercialização; a figura 06 ilustra esses dois tipos de gás.
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Figura 06: Formação do gás natural nas rochas sedimentares.


Fonte: www.bahiagas.com.br/gas-natural/o-que-e-gas-natural

5.2.1 PRODUÇÃO Á PARTIR DO GÁS NATURAL

A partir do gás natural, pode-se obter diversos outros tipos de gases, um exemplo é
o gás síntese, que é produzido principalmente pela reforma a vapor do gás natural, o
gás de síntese é um termo usado para misturas de H2 e CO. A reforma é o processo
de produção mais importante quando o metano é a fonte de carbono e hidrogênio. É
obtido também a partir do esterco, do carvão e de resíduos de óleo cru. A proporção
entre H2 e CO na mistura é variável e depende do tipo de carga, do método de
produção e do destino a ser dado ao gás.

Trata-se de um intermediário importante, sendo usado na forma de mistura como


fonte de monóxido de carbono e hidrogênio em diversas reações de produção, tais
como: produção de metanol e amônia, as duas substâncias químicas mais
importantes baseadas no gás de síntese; oxidação parcial de óleos pesados e
resíduos e pela síntese de vários hidrocarbonetos, de gases à nafta e gasóleos. A
figura 06, ilustra o processo básica de produção do gás síntese.
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Figura 06: Processo de produção do gás síntese.


Fonte: https://pt.scribd.com/document/39775269/13557803-Curso-de-Refino-de-Petroleo-e-
Petroquimica-UFRN-244-Slides

A mistura de CO e H2 é ainda utilizada em reações “oxo”. Essas reações envolvem a


adição do monóxido de carbono e hidrogênio à dupla ligação de olefinas para formar
aldeídos.

6 ETAPAS DA PETROQUÍMICA Á PARTIR DO PETRÓLEO

A indústria petroquímica objetiva a transformação do petróleo na maior diversidade


de produtos possíveis, com o menor custo e a maior qualidade. Os três passos
básicos da petroquímica são a extração de petróleo, o refino e sua transformação
num produto, embora pareça simples, porém, o procedimento entre a matéria-prima
o produto comercializável inclui mais de 45 etapas. A figura a seguir irá demostrar
um diagrama simples das etapas de destilação do petróleo, vale ressaltar que o
subprodutos desse processo é dando ênfase para o óleo e gás natural. Verifica-se
também os processos feitos dentro de uma indústria petroquímica.
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Figura 07: Subprodutos do petróleo.


Fonte: https://pt.scribd.com/document/39775269/13557803-Curso-de-Refino-de-Petroleo-e-
Petroquimica-UFRN-244-Slides
7 CADEIA PETROQUÍMICA

A cadeia petroquímica constitui-se de produtores de primeira, segunda e terceira


geração que transformam subprodutos advindos do refino do petróleo bruto em bens
de consumo e industriais utilizados para diversas finalidades.

Primeira Geração: Tais unidades através de processos químicos (craqueamento a


vapor, pirólise, reforma catalítica, etc.) transformam subprodutos do refino do
petróleo (nafta, gás natural, etano, etc) em petroquímicos básicos. Os principais
produtos são as olefinas que são eteno, propeno (P) e butadieno e os aromáticos
que são benzeno, tolueno e xilenos.

Segunda Geração: São as unidades produtoras de resinas termoplásticas,


polietilenos (PE) e polipropilenos (PP) e de intermediários, resultantes do
processamento dos produtos primários. Os intermediários também são
transformados em produtos finais petroquímicos, como policloreto de polivinila
(PVC), ABS15, polímeros para fibras sintéticas, etc.
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Terceira Geração: Os produtores de terceira geração ou empresas de


transformação plásticas, são os clientes da indústria petroquímica que produzem
embalagens, peças e utensílios a partir dos produtos da segunda geração e
intermediários. As empresas transformadoras estão próximas ao mercado
consumidor geralmente e atendem à demanda de segmentos como alimentação,
automotivo, construção civil, entre outros.

A nível de conhecimento sobre os processos de refinamento do gás natural e


petróleo, a figura 08 ilustra tais processos, bem como as gerações e produtos finais
da empresa BRASKEM que atua no Brasil.

Figura 08: Cadeia produtiva da indústria petroquímica, empresa Braskem.


Fonte: http://www.braskem-ri.com.br/o-setor-petroquimico

Como ilustrado na Figura 08, a cadeia produtiva da indústria petroquímica é


composta por três fases, denominadas “gerações”. Os produtos da 1ª. geração são
os monômeros (etileno, propileno, butadieno, benzeno, tolueno e xilenos) e os da 2ª.
Geração são os polímeros ou também chamados de resinas termoplásticas
(polietileno, polietileno de alta e baixa densidade, PET, poliestireno, polipropileno e
outros) e os químicos intermediários (óxido de etileno, glicóis, tensoativos aniônicos,
acrilonitrila, etc.). Também são oriundos dessa etapa da cadeia petroquímica os
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termofixos, os elastrômeros, as fibras sintéticas, fertilizantes, detergentes, solventes


e plastificantes. No entanto, os polímeros termoplásticos (as resinas) definem a
dinâmica e a estrutura do setor, analisando a 1ª e 2ª geração as resinas serão
exemplificadas na figura a seguir (resinas termoplásticos).

Figura 09: Cadeia produtiva petroquímica, elo petrolífero, de refino e produtos da 1ª e 2ª Gerações
Fonte: Bain & Company, Gas Energy (2014a, p. 5).

8 ALGUMAS REAÇÕES QUÍMICAS

Três rotas principais definem o estudo dos produtos petroquímicos, envolvendo a


manipulação de olefinas, compostos aromáticos e gás de síntese, o uso de olefinas
merece destaque, sendo o eteno, o propenol, butadieno e o craqueamento da nafta
(tolueno, eteno, propeno, etc), as matérias-primas mais relevantes. Enfim, os tipos
de produtos petroquímicos gerados são influenciados pela natureza dos
hidrocarbonetos, temperatura de reação e tempo de permanência na fornalha. Os
produtos finais da indústria petroquímica, dessa forma, são agrupados como
plásticos, elastômeros, fibras, fertilizantes, solventes ou especialidades.
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8.1 POLIMERIZAÇÃO POR ADIÇÃO

Na polimerização por adição, a macromolécula final é formada pela junção de


monômeros todos idênticos entre si (Figura 10). Nesse grupo, o monômero
apresenta obrigatoriamente uma ligação dupla entre carbonos, no mínimo. A maior
parte dos polímeros produzidos pela indústria mundial se dá pelo processo de
adição. Ex: Polietileno, PVC.

Figura 10: Polimerização por adição.


Fonte: https://www.passeidireto.com/arquivo/35190161/industrias-petroquimicas

8.2 ETENO

O eteno é produzido pela maioria das petroquímicas, sua importância na indústria é


decorrente de suas propriedades favoráveis e alguns aspectos econômicos, citando-
se, por exemplo: estrutura simples com alta reatividade; composto relativamente
barato; facilmente produzido de qualquer fonte de hidrocarboneto através de
craqueamento e com alto rendimento; menos subprodutos gerados através da
reação do etileno com outros compostos do que nas reações com outras olefinas
(por exemplo, as reações com cloro, HCl, O2 e H2O). Produtos importantes são
obtidos com alto rendimento e baixo custo. A figura abaixo mostra o diagrama das
diversidades de aplicações dos produtos sintetizados através de reações com eteno.
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Figura 11: Aplicações dos produtos sintetizados através de reações com eteno.
Fonte: https://pt.scribd.com/document/39775269/13557803-Curso-de-Refino-de-Petroleo-e-
Petroquimica-UFRN-244-Slides

8.3 PROPENO

Trata-se de um subproduto, nunca o produto principal. Cerca de dois terços são


obtidos nas refinarias e um terço no craqueamento da nafta e do etano. Suas
reações são também muito diversificadas, incluindo: oxidação, Cloração, Hidratação
e Alquilação; adição de ácidos orgânicos; oxiacilação (reação com ácido acético e
oxigênio); hidroformilação (Reação com CO e hidrogênio); metátese ou
desproporcionação Catalítica (conversão do propeno a outras olefinas, de menor e
maior peso molecular). A figura a seguir, mostra o diagrama simplificado da
diversidade de aplicações dos produtos sintetizados através de reações com
propeno.

Figura 12: aplicações dos produtos sintetizados através de reações com propeno.
Fonte: https://pt.scribd.com/document/39775269/13557803-Curso-de-Refino-de-Petroleo-e-
Petroquimica-UFRN-244-Slides
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8.4 AROMÁTICOS

Os principais compostos aromáticos envolvidos na síntese de produtos


petroquímicos são o benzeno, o tolueno e os xilenos (BTX’s), obtidos principalmente
nas unidades de reforma e craqueamento catalítico das refinarias. A reatividade dos
compostos BTX’s, que garante sua utilidade na indústria, está relacionada ao anel
benzênico. De uma maneira geral, os compostos aromáticos são susceptíveis a
reações de substituição eletrofílica. As reações possíveis abrangem alquilação ou
desalquilação, cloração, nitração, oxidação, hidrogenação, metátese e carbonilação,
que geram produtos principais ou intermediários, os quais podem sofrer reações
semelhantes para síntese de outros produtos (figura 13).

(I) (II)

Figura 13: Estrutura química do Tolueno (I) e Xileno (II).


Fonte: https://www.passeidireto.com/arquivo/35190161/industrias-petroquimicas

9 ASPECTOS ECONÔMICOS

O Brasil tem várias petroquímicas, porém para os aspectos da economia do país,


irão ser citadas nessa revisão apenas algumas (Conpesul, CompeRj, Renest e
Citepe) com dados de 2011, pelo fato de serem grandes influenciadoras na
economia. A Copesul possui capacidade instalada para processar 3,7 milhões de
toneladas/ano de nafta, com flexibilidade para utilizar GL P e/ou condensado leve.
APetrobras/Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), de Canoas (RS), é a fornecedora
exclusiva de nafta para a Copesul. Levada por tubovia subterrânea até o Pólo
Petroquímico do Sul. Como a Refap não possui capacidade de produção suficiente,
uma parte da nafta chega ao estado pelo terminal marítimo da Petrobras no litoral
norte. A logística integrada de distribuição garante a entrega do produto certo, no
momento certo. Estocagem: Na área industrial (mais de 100 mil m³); Terminal
Marítimo de Rio Grande (43 mil m³) e Tedut (Osório, 70 mil m³).
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A CompeRj, opera em Itaboraí – RJ, e possuía uma carga de 150 mil barris/dia de
petróleo produzido pela Petrobrás na Bacia de Campos (Marlim), o complexo
petroquímico deverá produzir, após sua instalação total as seguintes demandas de
mercado:

Figura 13: Demandas de mercado Comperj.


Fonte: https://www.passeidireto.com/arquivo/978623/aula_4

Na época o projeto comperj estimava projetava lucrar 8,4 bilhões (1ª geração US$
5,2 bilhões e 2ª geração US$ 3,2 bilhões), Economia de divisas: US$ 2,3
bilhões/ano, com conclusão global da obra: 2012-2013; e para 3ª geração estima-se:
cerca de 200 empresas (fábricas menores de pequenos investimentos), capacidade
3 bilhões ton/ano.

Na época estava em construção o polo Petroquímico do Nordeste –Refinaria; Abreu


e Lima –RENEST, Petroquímica Suape e CITEPE; na qual a refinaria Abreu e Lima
da Petrobras terá capacidade para processar 200 mil barris de petróleo pesado por
dia; cerca de 70% da produção serão de diesel. Além disso, produz irá gás de
cozinha, nafta petroquímica e coque de petróleo, um combustível sólido utilizado em
indústrias pesadas. O Polo seria integrado por uma indústria de ácido tereftálico
purificado (PTA), a ser construída pela Companhia Petroquímica de Pernambuco
(Petroquímica Suape), e por uma unidade industrial de polímeros e filamentos de
poliéster, da Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco (Citepe). A Petroquímica
Suape (50%Petroquisa, 50%Citene) e a Citepe (40%Petroquisa, 60%Citene) serão
instaladas em terre nos vizinhos à futura Refinaria do Nordeste – Abreu e Lima,
ocupando uma área de 55 hectares. A planta petroquímica Suape terá capacidade
para produzir 640 mil toneladas de PTA por ano e entrou em operação em 2010. A
fábrica da Citepe produziria 215 mil toneladas por ano de polímeros e filamentos de
poliéster e começou a funcionar em 2010, produzindo inicialmente fios texturizados.
A escala de produção das plantas e a tecnologia de ponta aplicada em seus
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processos oferece m as condições para que as indústrias têxteis nacionais


enfrentem a concorrênci a externa, em especial dos países asiáticos, representando,
dessa forma, o ressurgimento da indústria têxtil nacional.

Figura 14: Localização do complexo Petroquímico de Suape, Porto Suape.


Fonte: https://www.passeidireto.com/arquivo/978623/aula_4

10 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como foi visto ao longo da revisão bibliográfica acima, mais especificamente quando
tratado da descrição da indústria petroquímica brasileira, o setor petroquímico
brasileiro divide-se em três gerações distintas, cada uma das quais corresponde a
uma determinada fase de transformação das matérias-primas ou insumos
petroquímicos. A indústria petroquímica é uma subdivisão da indústria química que
visa transformar as matérias primas do petróleo extraídas por meio de fracionamento
nas indústrias de refinarias. Pelo fato da petroquímica ser amplamente subdividida
em seus processos, tem grande importância na economia do país e mundial, por fim,
vale ressaltar a valorização das empresas que atuam no Brasil, pela grande
demanda de empregos gerados direto/indireto. Ressalta-se que essa é uma opinião
expressa pelo autor dessa revisão bibliográfica.
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