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ESTUDOS TRABALHISTAS AVANÇADOS, com o Professor Fabiano


Coelho

Pela relevância do Tema, antecipo aqui o que será o assunto


trabalhista mais comentado dos próximos dias, semanas, e do ano de
2019: o STF está próximo de definir uma tese em repercussão geral
estabelecendo a prevalência do negociado sobre o legislado, mesmo
para normas coletivas anteriores à Reforma Trabalhista, e independente
de contrapartida. Será, sem dúvida, a jurisprudência do Supremo Tribunal
Federal com maior impacto nas relações de trabalho no Brasil da história
da Corte.
No mês passado, disponibilizei um material comentando a
controvérsia sobre a validade de acordo coletivo admitindo a supressão
de horas in itinere, já que a Seção de Dissídios Coletivos (SDC) do
Tribunal Superior do Trabalho (TST) validou cláusula com tal conteúdo1,

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RECURSOS ORDINÁRIOS EM AÇÃO ANULATÓRIA. CLÁUSULA QUE PREVÊ A
SUPRESSÃO DAS HORAS IN ITINERE. COMPROVADA CONTRAPARTIDA. AUTONOMIA
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ancorada em dois julgados do Supremo Tribunal Federal (STF) validando


norma coletiva restritiva de direitos trabalhistas: uma do Pleno, em regime
de repercussão geral, sobre a validade de quitação geral de direitos
contratuais por meio de adesão à Plano de Demissão Voluntária (PDV)
estabelecida em acordo coletivo2, e outro da 2ª Turma, específico sobre

DA VONTADE COLETIVA. ENTENDIMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE' s


590.415/SC E 895.759/PE). AUSÊNCIA DE DISTINGUISHING. DECISÃO VINCULANTE. O
STF, ao reconhecer a envergadura do princípio constitucionalmente albergado da autonomia negocial
da vontade coletiva (art. 7º, XXVI), com a força vinculante emanada de seus precedentes constantes dos
RE' s 590.415/SC e 895.759/PE, assentou parâmetro de julgamento distinto daquele que vinha sendo
adotado prevalentemente pela Justiça do Trabalho sobre a negociação coletiva. Com efeito, a Suprema
Corte assentou que, "ainda que o acordo coletivo de trabalho tenha afastado direito assegurado aos
trabalhadores pela CLT, concedeu-lhe outras vantagens com vistas a compensar essa supressão" (RE
895.759). No caso, a Convenção Coletiva 2016/2017, apesar de ter afastado o direito às horas itinerantes
na Cláusula 38, em situação incontroversa na qual o empregador fornece a condução aos empregados,
conferiu várias vantagens nitidamente compensatórias da supressão, e sem previsão em lei, aos
trabalhadores. Note-se que todos os atores sociais (empresa, sindicato profissional e sindicato patronal),
nesta hipótese, convergem e buscam o mesmo provimento: a manutenção da cláusula que afastou as
horas in itinere. É imperativo concluir que retirar a cláusula, substituindo a vantagem pelo pagamento
em dinheiro, não representaria proteção em si para a classe trabalhadora, fazendo-se, por consequente,
aplicação inadequada do princípio protetivo do trabalhador. Assim sendo, conclui-se que se trata da
mesma situação examinada pelo STF, não havendo nenhum distinguishing que autorize a não incidência
do entendimento vinculante daquela Corte. Por essas razões, é válida a cláusula que suprime as horas
itinerantes, diante da comprovada e larga contrapartida de vantagens econômicas e sociais conferidas
pela norma coletiva em sua integralidade. Recursos ordinários conhecidos e aos quais se dá provimento.
(RO - 22201-91.2016.5.04.0000, Relator Ministro: Aloysio Corrêa da Veiga, Data de Julgamento:
19/02/2019, Seção Especializada em Dissídios Coletivos, Data de Publicação: DEJT 22/03/2019)
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DIREITO DO TRABALHO. ACORDO COLETIVO. PLANO DE DISPENSA INCENTIVADA.
VALIDADE E EFEITOS. 1. Plano de dispensa incentivada aprovado em acordo coletivo que contou
com ampla participação dos empregados. Previsão de vantagens aos trabalhadores, bem como quitação
de toda e qualquer parcela decorrente de relação de emprego. Faculdade do empregado de optar ou não
pelo plano. 2. Validade da quitação ampla. Não incidência, na hipótese, do art. 477, § 2º da Consolidação
das Leis do Trabalho, que restringe a eficácia liberatória da quitação aos valores e às parcelas
discriminadas no termo de rescisão exclusivamente. 3. No âmbito do direito coletivo do trabalho não se
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transação envolvendo supressão da remuneração do tempo de trajeto3.


Em todos estes precedentes, um argumento central era no sentido de que
a existência de contrapartidas não previstas em lei, estabelecidas no
instrumento normativo, legitimava a supressão de direito não

verifica a mesma situação de assimetria de poder presente nas relações individuais de trabalho. Como
consequência, a autonomia coletiva da vontade não se encontra sujeita aos mesmos limites que a
autonomia individual. 4. A Constituição de 1988, em seu artigo 7º, XXVI, prestigiou a autonomia
coletiva da vontade e a autocomposição dos conflitos trabalhistas, acompanhando a tendência mundial
ao crescente reconhecimento dos mecanismos de negociação coletiva, retratada na Convenção n.
98/1949 e na Convenção n. 154/1981 da Organização Internacional do Trabalho. O reconhecimento dos
acordos e convenções coletivas permite que os trabalhadores contribuam para a formulação das normas
que regerão a sua própria vida. 5. Os planos de dispensa incentivada permitem reduzir as repercussões
sociais das dispensas, assegurando àqueles que optam por seu desligamento da empresa condições
econômicas mais vantajosas do que aquelas que decorreriam do mero desligamento por decisão do
empregador. É importante, por isso, assegurar a credibilidade de tais planos, a fim de preservar a sua
função protetiva e de não desestimular o seu uso. 7. Provimento do recurso extraordinário. Afirmação,
em repercussão geral, da seguinte tese: “A transação extrajudicial que importa rescisão do contrato de
trabalho, em razão de adesão voluntária do empregado a plano de dispensa incentivada, enseja quitação
ampla e irrestrita de todas as parcelas objeto do contrato de emprego, caso essa condição tenha constado
expressamente do acordo coletivo que aprovou o plano, bem como dos demais instrumentos celebrados
com o empregado”. (STF, Pleno, RE 590415, Relator Min. ROBERTO BARROSO, publicado em 29-
05-2015)
3
TRABALHISTA. AGRAVOS REGIMENTAIS NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. TRANSAÇÃO DO CÔMPUTO DAS HORAS IN
ITINERE NA JORNADA DIÁRIA DE TRABALHO. CONCESSÃO DE VANTAGENS DE
NATUREZA PECUNIÁRIA E DE OUTRAS UTILIDADES. VALIDADE. 1. Conforme assentado
pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 590.415 (Rel. Min. ROBERTO
BARROSO, DJe de 29/5/2015, Tema 152), a Constituição Federal “reconheceu as convenções e os
acordos coletivos como instrumentos legítimos de prevenção e de autocomposição de conflitos
trabalhistas”, tornando explícita inclusive “a possibilidade desses instrumentos para a redução de
direitos trabalhistas”. Ainda segundo esse precedente, as normas coletivas de trabalho podem prevalecer
sobre “o padrão geral heterônomo, mesmo que sejam restritivas dos direitos dos trabalhadores, desde
que não transacionem setorialmente parcelas justrabalhistas de indisponibilidade absoluta”. 2. É válida
norma coletiva por meio da qual categoria de trabalhadores transaciona o direito ao cômputo das horas
in itinere na jornada diária de trabalho em troca da concessão de vantagens de natureza pecuniária e de
outras utilidades. 3. Agravos regimentais desprovidos. Inaplicável o art. 85, § 11, do CPC/2015, pois
não houve prévia fixação de honorários advocatícios na causa. (STF, 2ª Turma, AgR-RE 895759,
Relator: Min. TEORI ZAVASCKI, publicado em 23-05-2017)
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constitucionalizado, instituído em lei ordinária. É que, neste caso, em


apertada síntese, os trabalhadores, representados pelo sindicato
estariam expressando, de modo democrático, sua prioridade normativa,
trocando o direito estatal pela norma coletiva.
A matéria é polêmica pois o TST, mesmo depois dos mencionados
julgados do STF, tem posição do Pleno, mantendo o entendimento no
sentido da impossibilidade de supressão de direito legalmente
estabelecido4, em especial quando o Regional não identifica a
contrapartida específica concedida da vantagem assegurada em lei, a
exemplo das horas in itinere. De todo modo, é importante delimitar que tal
jurisprudência foi consagrada antes da vigência da Lei nº 11.467/2017,
denominada Reforma Trabalhista, considerando que esta estimulou a
prevalência do negociado sobre o legislado (arts. 8º, § 3º, 611-A e 611-B

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RECURSO DE EMBARGOS REGIDO PELA LEI 11.496/2007. HORAS IN ITINERE.
ACORDO COLETIVO. EXCLUSÃO DA JORNADA DE TRABALHO E DO CÁLCULO DAS
HORAS EXTRAS. O debate se trava acerca da validade de cláusula de norma coletiva que atribuiu à
remuneração do tempo in itinere a característica de ser parcela indenizatória, devida sem o adicional de
horas extras e sem reflexo no cálculo de outras verbas. Em rigor, discute-se sobre tal cláusula revestir-
se de eficácia que derivaria da autonomia privada coletiva ou, por outra, se teria tal preceito excedido o
limite de disponibilidade reservado à autodeterminação dos atores sociais. Ao considerar, tendo em
perspectiva o caso dos autos, que a remuneração do tempo de trabalho ou do tempo à disposição do
empregador, nos limites da lei, não poderia ter sofrido redução ou desvirtuamento, o Tribunal Superior
do Trabalho remete às seguintes razões de decidir: 1. Em sistemas jurídicos fundados em valores morais
ou éticos, a autonomia privada não é absoluta; 2. Os precedentes do STF, como os precedentes em geral,
não comportam leitura e classificação puramente esquemáticas, como se em seus escaninhos se
acomodassem, vistos ou não, todos os fragmentos da realidade factual ou jurídica. Para além das razões
de decidir, acima enumeradas, cabe registrar que os precedentes do STF (RE 590.415/SC e RE
895759/PE) que enlevam a autodeterminação coletiva cuidam de situações concretas nas quais a Excelsa
Corte enfatizou a paridade de forças que resultaria da participação de sindicato da categoria profissional,
não se correlacionando com caso, como o dos autos, em que o Tribunal Regional do Trabalho constata
não ter havido qualquer contrapartida, sob as vestes da negociação coletiva, para compensar a renúncia
de direito pelos trabalhadores. Embargos conhecidos e não providos. (E-RR - 205900-
57.2007.5.09.0325, Relator Ministro: Augusto César Leite de Carvalho, Data de Julgamento:
26/09/2016, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DEJT 03/02/2017)
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da CLT). Ademais, mesmo depois da decisão da SDC, validando a


supressão de horas in itinere por meio de negociação coletiva, o Órgão
Especial do TST, julgando agravo interno em recurso extraordinário,
aplicou o precedente do STF, integrante do Tema 762, para dizer que a
norma coletiva contemplando transação sobre as horas in itinere não
traduz repercussão geral, por não envolver questão de índole
constitucional5.
E, afinal, o que há de novo no âmbito do Supremo?
Conforme mencionado no livro de Reforma do Quarteto Trabalhista,
“historicamente, o STF sempre negou a possibilidade de imersão no
exame da validade de uma cláusula de norma coletiva, como sendo uma
questão constitucional”6. Nesse linha, foi negada a repercussão geral nos
Temas 245 (transação do percentual de adicional de periculosidade com
base no tempo de exposição ao risco), 357 (redução do intervalo
intrajornada e majoração da jornada nos turnos ininterruptos de
revezamento) e 762 (limitação do pagamento de horas in itinere em

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AGRAVO INTERNO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. HORAS "IN ITINERE". FORMA
DE PAGAMENTO DISCIPLINADA EM NORMA COLETIVA. AUSÊNCIA DE
REPERCUSSÃO GERAL. Trata-se de agravo interno interposto em face de decisão da Vice-
Presidência do TST pela qual fora denegado seguimento ao recurso extraordinário com base em
precedente de repercussão geral. O Supremo Tribunal Federal, ao examinar o Recurso Extraordinário nº
820.729/DF, concluiu que não há questão constitucional com repercussão geral no exame da validade
de norma coletiva de trabalho que limita o pagamento de horas "in itinere" a menos da metade do tempo
efetivamente gasto pelo trabalhador no seu trajeto até o local do serviço, por tratar de controvérsia cuja
natureza é infraconstitucional (Tema 762). Nesse contexto, ficam mantidos os fundamentos adotados
pela decisão agravada. Agravo interno não provido. (Ag-RR - 491-89.2012.5.08.0114 , Relator Ministro:
Renato de Lacerda Paiva, Data de Julgamento: 01/04/2019, Órgão Especial, Data de Publicação: DEJT
24/04/2019)
6
Antonio Umberto de Souza Júnior, Fabiano Coelho de Souza, Ney Maranhão e Platon Teixeira de
Azevedo Neto: REFORMA TRABALHISTA: Análise comparativa e crítica da Lei nº 13.467/2017, 2ª
edição. São Paulo, Rideel, 2018, p. 336.
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patamar inferior à metade do tempo efetivamente gasto)7, entre outros.


E chegamos à novidade.
Recentemente, por iniciativa do Relator, o Ministro Gilmar Mendes,
foi aberta a votação no Plenário Virtual do STF acerca do Tema 1046 da
Tabela de Repercussão Geral (“Validade de norma coletiva de
trabalho que limita ou restringe direito trabalhista não assegurado
constitucionalmente”). Na hipótese, foi afetado como leading case o
ARE 1.121.633, assinado pela diligente e competente advogada com
inscrição nas seções da OAB de Goiás e Distrito Federal, Dra. Patrícia
Miranda Centeno Amaral, defendendo a necessidade de manutenção da
norma coletiva que restringe direito trabalhista, desde que não seja
absolutamente indisponível, independentemente da explicitação de
vantagens compensatórias, à luz dos arts. 5º, II (legalidade), XXXV (ato
juridicamente perfeito) e LV (contraditório e ampla defesa), e 7º, incisos
XIII (flexibilização de jornada por meio de norma coletiva) e XXVI
(reconhecimento dos acordos e convenções coletivas de trabalho).
A votação do Tema 1.046 no Plenário Virtual do Supremo fecha na

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Destaco o leading case afetado no Tema 762, sobre horas in itinere: PROCESSUAL CIVIL.
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NORMA COLETIVA DE TRABALHO. PAGAMENTO DAS
HORAS IN ITINERE. FIXAÇÃO DE LIMITE INFERIOR À METADE DO TEMPO
EFETIVAMENTE GASTO NO TRAJETO ATÉ O LOCAL DO SERVIÇO. VALIDADE.
MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. 1. A
controvérsia relativa à validade de norma coletiva de trabalho que limita o pagamento de horas in itinere
a menos da metade do tempo efetivamente gasto pelo trabalhador no seu trajeto até o local do serviço,
fundada na interpretação da Consolidação das Leis do Trabalho e da Lei 10.243/01, é de natureza
infraconstitucional. 2. É cabível a atribuição dos efeitos da declaração de ausência de repercussão geral
quando não há matéria constitucional a ser apreciada ou quando eventual ofensa à Carta Magna se dê
de forma indireta ou reflexa (RE 584.608 RG, Min. ELLEN GRACIE, DJe de 13/3/2009). 3. Ausência
de repercussão geral da questão suscitada, nos termos do art. 543-A do CPC. (RE 820729, Relator: Min.
TEORI ZAVASCKI, DJe 03-10-2014 )
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próxima 5ª feira, dia 3 de maio de 2019. Até agora já há quórum mais que
suficiente para o reconhecimento da existência de questão constitucional
e da repercussão geral sobre o tema, pela unanimidade de votos dos 6
Ministros que até o domingo, dia 28 de abril de 2019, já votaram (Gilmar
Mendes, Marco Aurélio, Dias Toffoli, Luiz Fux, Ricardo Lewandowski e
Rosa Weber). Em geral, reconhecida a repercussão geral, a questão
segue para o Pleno para debate e julgamento do mérito. No entanto, o
relator pode propor um caminho abreviado quando a situação for de
reiteração da jurisprudência. E foi essa a via eleita pelo Ministro Gilmar
Mendes.
O relator propôs o julgamento de mérito desde já, com reafirmação
de jurisprudência, em razão do quanto decidido no Tema 152 (PDV do
BESC, de relatoria do Ministro Roberto Barroso, citado no início deste
material) e da decisão relatada pelo Ministro Teori Zavascki na 2ª Turma
(também mencionada no material). Sugere a revisão dos Temas 357 e
762 da Tabela de Repercussão Geral (mencionados neste material) e
pontua que o princípio da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas é
construção aplicável ao direito individual, mas não ao direito coletivo do
trabalho, já que este último rege-se pela liberdade sindical e autonomia
coletiva, citando o professor Amauri Mascaro do Nascimento.
Acrescentou, citando o voto do Ministro Teori Zavascki no RE 590.415
(PDV do BESC), que a norma coletiva deve ser interpretada na diretriz do
conglobamento, pelo qual a norma coletiva parte de concessões mútuas,
“cuja anulação não pode ser apenas parcial em desfavor de um dos
acordantes”. Assim, o relator menciona ser desnecessária a explicitação
da vantagem compensatória ofertada e que justifica a redução de direitos.
Por fim, por reconhecer que a autonomia negocial não é absoluta, por
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dever respeito a direitos indisponíveis, o Ministro Gilmar Mendes propôs


a fixação da seguinte tese:
“Os acordos e convenções coletivos devem ser
observados, ainda que afastem ou restrinjam direitos
trabalhistas, independentemente da explicitação de vantagens
compensatórias ao direito flexibilizado na negociação coletiva,
resguardados, em qualquer caso, os direitos absolutamente
indisponíveis, constitucionalmente assegurados”.
Até agora, dos 6 votos, os Ministros Marco Aurélio e Rosa Weber
não concordaram com a reiteração de jurisprudência. No entanto, dos
Ministros que ainda votarão, salvo um exame apurado que conduza a
entendimento diverso, a expectativa é que facilmente seja atingido o
quórum de 6 votos, a exemplo de Celso de Mello (que participou do
julgamento da 2ª Turma envolvendo horas in itinere, aqui referido) e
Roberto Barroso (relator do tema envolvendo o PDV do BESC). Com isso,
o STF mudará radicalmente a jurisprudência trabalhista, instituindo a
regra de prevalência do negociado sobre o legislado, independente de se
tratar de questão anterior ou posterior à Reforma Trabalhista, validando a
lógica instituída pela Lei nº 13.467/2017, que disciplinou no § 2º do art.
611-A da CLT a regra pela qual a não indicação de contrapartida recíproca
específica não invalida a norma jurídica, por não constituir um requisito
essencial ao ato. No entanto, a não exigência de explicitação da
“explicitação de vantagens compensatórias ao direito flexibilizado na
negociação coletiva”, não quer dizer que a negociação coletiva possa
servir apenas para precarizar e reduzir a proteção conferida ao
trabalhador. A negociação envolve concessões recíprocas e essa lógica
não estará sendo alterada pela decisão possivelmente adotada pelo STF.
Apenas será consolidado que a validade da norma coletiva não depende
da indicação de qual vantagem está sendo dada em troca do direito
flexibilizado.
Este material será atualizado assim que o julgamento no Plenário
do STF for encerrado. E, pela importância do tema, devo agendar meu
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curso/palestra sobre prevalência do negociado sobre o legislado em


alguns lugares.

Aos estudos!