Você está na página 1de 5

Redes de Computadores

Pontão de Cultura Digital Minuano


por: Vinicius John

O que são: conectar mais de um computador de forma a possibilitar que os mesmos compartilhem arquivos, dispositivos
(impressora, escaneres, etc.) ou até mesmo processamento (clusters).

Como funciona:

Existe uma peculiaridade na forma de conectar nos seguintes casos:


1. conectando somente dois microcomputadores
2. conectando dois ou mais microcomputadores

Mas em ambos casos será necessário que cada microcomputador possua sua placa de rede.

1. Dois microcomputadores 2. Dois ou mais microcomputadores


Cabo de Rede Par Placas de rede + Cabo cruzado (crossover)+ Placas de rede + Cabos diretos +
Trançado Configuração SOs Dispositivo(s) de rede + Configuração SOs
Sem fio Placas de rede + Placas de rede + Dispositivo(s) de rede
(wireless) Configuração SOs sem fios + Configuração SOs
Nome Conexão micro a micro Tipologia estrela
*SOs = sistemas operacionais

No primeiro caso, somente é necessário que os microcomputadores possuam placa de rede e, no caso de conexão com
fios, um cabo de rede par trançado com uma configuração especial: ele é crimpado de forma cruzada.

No segundo caso, além dos microcomputadores possuírem placa de rede, é necessário um dispositivo que os
interliguem, no caso de redes com fio, com cabo de rede par trançado crimpados de forma tradicional. Cada
microcomputador terá um cabo ligando ao dispositivo de rede:

Rede de micros em topologia estrela:

Dependendo da funcionalidade desejada, existem diferentes modelos de dispositivos de rede:

1. Hub: em desuso, o hub interliga microcomputadores de forma menos inteligente que um switch: uma mensagem
enviada por um micro para outro é enviada a todos os micros da rede;

2. Switch: o switch vem substituindo os hubs porque são mais inteligentes: uma mensagem enviada por determinado
micro a outro micro da rede, vai somente ao micro destinatário. Diferença para o hub é que o switch sabe qual micro está
conectado em cada porta;

3. Roteador: os roteadores, além da funcionalidade de interligar vários microcomputadores em rede, tem a missão de
interligar diferentes redes de forma transparente;

Estes dispositivos citados podem ou não ter recurso de redes sem fio. Normalmente você encontrará roteadores sem fio
ou wireless, também conhecidos como pontos de acesso (access point).
Cabeamento

Como falamos, existem duas maneiras de crimpar um cabo de rede par trançado. O termo crimpar quer dizer instalar o
conector (tipo RJ45) no cabo de rede par trançado. Este cabo de rede possui internamente 8 cabos com cores que os
distinguem. O tamanho máximo de um cabo de rede é de 100m.

+ + =

Cabo Par Trançado Conector RJ45 Alicate de crimpar Cabo crimpado

Procedimentos: 1. descascar o cabo de rede par trançado, retirando a capa; 2. acertar a seqüência das cores e alinhar
os fios coloridos, deixando-os “colados um ao outro”; 3. medir com o conector RJ45 e cortar, aparando os excessos,
deixando todos cabos alinhados; 4. colocar o conector RJ45, vendo-o sempre “de costas”, como na figura acima; 5.
posicionar o conector no alicate de crimpagem e pressionar com força.

Cabo DIRETO: micro –> dispositivo de rede

Ambos lados do cabo devem conter a mesma seqüência:

Conector RJ45 1 Conector RJ45 2

Cabo CRUZADO (crossover): micro -> micro

Cada lado possui uma configuração diferenciada:

Conector RJ45 1 Conector RJ45 2


Configuração dos Sistemas Operacionais

Como ressaltamos anteriormente, os sistema operacionais (GNU/Linux, Mac OS X, MS Windows, etc.) devem estar
configurados para que a rede de microcomputadores funcione. Quando falamos de redes é muito comum chamarmos de
host os microcomputadores. Quando estamos configurando um serviço de rede em determinado host, para testá-lo,
usamos o termo: localhost, ou seja host local, para ver se o serviço está respondendo.

Primeiramente, cada host de nossa rede deve possuir:


1. nome único
2. endereço de rede (IP) também único
3. pertencer a mesma subrede

Isto mesmo, as redes podem ser divididas em redes menores, como por exemplo, grupos de usuário, por
departamentos, etc. Sendo que os microcomputadores que você quer compartilhar recursos devem pertencer a uma
mesma subrede ou então elas serem interligadas de forma a permitir o compartilhamento.

IP: número único que identifica um microcomputador na rede, ex.: 192.168.0.10. Observe que ele é composto por 4
conjuntos de números de até 3 algarismos (192 168 0 10) separados entre si por um ponto. O valor máximo que pode
ser atribuído em cada um destes conjuntos é 255.
Mais informações: http://pt.wikipedia.org/wiki/Endereço_IP

Máscara de rede: a máscara funciona como uma extensão do IP, como se complementasse o IP para a identificação de
subredes. Ela define qual parte do endereço IP é relativa a subrede ou relativa a identificação dos hosts.

Por exemplo, a máscara de rede 255.255.255.0 é de uma rede classe C. Em uma rede com esta máscara, somente o
último grupo (0) é reservado a identificar os hosts. Os três primeiros grupos identificam então a subrede.

O que deve ser entendido é que, para que os hosts em uma rede “se enxerguem”, é necessário que eles estejam na
mesma subrede, ou seja, em uma rede classe C, como do exemplo, os IPs somente variam no último grupo de
algarismos. Como no exemplo a seguir:

Host 1 (servidor) Host 2 (estacao01) Host 3 (estacao02)


192.168.0.1 / 255.255.255.0 192.168.0.11 / 255.255.255.0 192.168.0.121 / 255.255.255.0

Mais informações: http://pt.wikipedia.org/wiki/Máscara_de_rede.

Observando estes exemplos, vemos que cada host tem um número único que o identifica (IP) e estão na mesma
subrede, logo, poderiam “se enxergar” e trocar informações. Mas como esta comunicação acontece?

As informações trafegam dentro da rede como pequenos “pacotes” que são trocados pelos diferentes hosts. Estes
pacotes devem ser endereçados: possuir remetente e destinatário, como se fosse uma carta comum. O que permite que
diferentes hosts troquem estes pacotes e se entendam, mesmo que possuam sistemas operacionais diversos, são os
chamados protocolos.

Protocolo de rede: um protocolo é uma convenção ou padrão que controla e possibilita uma conexão, comunicação ou
transferência de dados entre dois sistemas computacionais. De maneira simples, um protocolo pode ser definido como
"as regras que governam" a sintaxe, semântica e sincronização da comunicação (ou seja, como a comunicação deve
ocorrer). As redes modernas, em sua grande maioria, utilizam os protocolos TCP e UDP sobre o protocolo IP. Porém há
outros protocolos auxiliares e que ouviremos falar: ICMP, SMTP, POP, FTP, HTTP, HTTPS, SSH, etc.

Muitas pessoas pensam que rede de computador é somente a internet ou que sem internet não há rede, mas não é
correto: a internet é uma rede que interliga muitas outras redes juntas, possibilitando a troca de informações a nível
global. Também é possível haver redes isoladas, também chamadas de intranet, que não se conectam a internet, como
também redes locais que podem ou não se conectar a internet.
Exemplo de intranet ou rede isolada

Cliente / Servidores: existem hosts chamados clientes e hosts chamados servidores. O que os diferencia é que os
hosts denominados servidores possuem determinados programas (normalmente denominados de serviços) que ficam
“escutando” na rede, aguardando um cliente o chamar na porta correta.

Agora que sabemos um pouco mais sobre as redes, vamos aprender rapidamente alguns outros termos e serviços que
auxiliam nesta estrutura básica das redes. Lembrando que qualquer um destes termos pode ser aprofundado acessando
a página da wikipedia: http://pt.wikipidia.org/wiki/TERMO (substitua a palavra TERMO pelo que você deseja ver).

Broadcast (transmitir): termo que designa uma mensagem que é enviada pela rede a todos os hosts e dispositivos. Ou
seja, se conecto um dispositivo na rede, ele pode enviar uma mensagem a todos os outros dispositivos e hosts, por
exemplo, perguntando se há algum servidor DHCP disponível para ele se conectar. No nosso exemplo, ele enviaria pela
rede um pacote com o destinatário 192.168.0.255. Todas as mensagens ou pacotes broadcast possuem portanto no final
do endereço IP do destinatário, o valor 255, que é portanto reservado para este tipo de mensagem.

DHCP (Dynamic Host Configuration Protocol): com exceção do nome do computador, as configurações básicas de IP,
máscara de rede, etc. podem ser feitas manualmente ou de forma automática. No segundo caso, é necessário haver um
serviço na rede (executado por um servidor ou roteador configurado para tal) que distribui estas configurações
automaticamente. É o chamado servidor DHCP, ou seja, se o serviço existir em determinada rede:
1. ao conectar um host que esteja configurado para solicitar DHCP (padrão), ele envia um pacote broadcast: há
algum servidor DHCP em operação?
2. servidor DHCP responde o próximo IP disponível, máscara de rede, etc.
3. o host se auto-configura, podendo sair operando em rede, navegando, etc.

Exemplo de rede conectada a internet

Como você pode observar, o desenho é exatamente igual ao anterior, com exceção de haver um dispositivo que liga o
Hub à Internet, por exemplo, um modem ADSL. Também é necessário que as estações estejam configuradas agora com
gateway e servidores DNS para que possam navegar, além é claro, do IP e máscara de rede.
Router (roteador): como falamos anteriormente, o roteador é o responsável pela interligação entre diferentes redes. Ele
faz o encaminhamento dos pacotes de dados de uma rede a outra, realizando a tradução dos endereços quando
necessário. Ele pode ser um dispositivo de rede como também um microcomputador configurado para tal e, neste caso,
com duas placas de rede (interfaces de rede), pelo menos.

Gateway (porta de ligação): é uma máquina intermediária, geralmente destinada a interligar redes, separar domínios de
colisão, ou mesmo traduzir protocolos. Normalmente é o roteador da rede, que deve ser configurado em cada host como
gateway para que o mesmo saiba para onde encaminhar os pacotes com destino externo à rede local. Um servidor proxy
também pode ser considerado gateway.

DNS (Domain Name System): um servidor DNS é o responsável pela tradução Nome – IP.

Vamos ver um exemplo: no momento em que você digita no endereço de um navegador de internet (Firefox, Konqueror,
Iceweasel, Internet Explorer, etc.), www.google.com.br e pressiona Enter, primeiramente:

1. seu host faz uma solicitação de identificação para um servidor DNS: quem é www.google.com.br?
2. servidor DNS responde: é o IP 209.85.193.104;
3. só então seu host solicita ao servidor 209.85.193.104 um conexão web, na porta 80 (padrão para conexões web)
e aguarda por um arquivo html.

firewall (muro de fogo): é um sistema de controle de entrada e saída de pacotes. Através da especificação de
determinadas regras, o administrador consegue descartar pacotes de rede indesejados, permitindo que passem somente
os pacotes autorizados.

Servidor proxy: um servidor proxy localiza-se normalmente junto ao roteador ou gateway. Ele serve para aumentar a
velocidade de navegação na internet dos hosts da rede interna. Ele armazena localmente (no disco rígido do servidor) as
páginas web mais acessadas. Assim, quando um host solicita uma destas páginas, em vez de enviar o pacote para a
internet com a solicitação, ele pode buscar a página web no disco rígido, devolvendo a infromação instantaneamente
para o host, ganhando muita velocidade na navegação.

Compartilhando recursos: só para recapitular, para que eu consiga operar em rede é necessário que a mesma esteja
corretamente configurada, fisicamente e nos sistemas operacionais envolvidos, como também que o servidor que quero
acessar esteja configurado com o serviço desejado. Por exemplo, se preciso buscar arquivos que estejam localizados no
host tal, é preciso que o referido host possua o um serviço de compartilhamento de arquivos ativo e configurado.

Exemplos práticos e curiosidades:

whois (quem é?): a nível de internet, podemos descobrir detalhes de um domínio (um nome da internet) através de um
comando do GNU/Linux. Funciona assim, você abre um prompt de comando e digita, por exemplo: whois
softwarelivre.org.br. Aparecerá várias informações onde você pode verificar o gerente do domínio, o contato técnico,
onde está hospedado (em que servidor), etc.

SSH (secure shell): o serviço SSH é o serviço que possibilita aos administradores acessar e controlar remotamente os
microcomputadores GNU/Linux de forma segura, com criptografia. Através dele é possível acessar um microcomputador
configurado para tal, através da internet, modificando suas configurações, acessando arquivos, etc.