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ANTIGO TESTAMENTO II

Prof. Pr. Danilo Pallar Lemos


AULA I

O CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO

Cânon,em hebraico é qenéh e no grego kanóni, têm o significado de "régua"


ou "cana [de medir]",significa literalmente vara reta de medir,assim como uma
régua ou metro de carpinteiro para fazer medidas.No antigo Testamento,o
termo aparece no original em passagens como Ezequiel 40.5: Vi um muro
exterior que rodeava toda a casa e na mão do homen,uma cana de medir
de seis côvados,cada um dos quais tinha um côvado e um palmo;ele
mediu a largura do edifício,uma cana,e a altura,uma cana.
No sentido religioso,cânon não significa aquilo que mede,mas aquilo que
serve de norma e regra para a prática diária.Com este sentido,a palavra cânon
aparece no original grego em vários textos no Novo Testamento: E a todos
quantos andarem de conformidade com esta regra,paz e misericórdia
sejam sobre eles e sobre o Israel de Deus.(Gl 6.16).
Nós porém,não nos gloriamos sem medida,mas respeitamos o limite da
esfera de ação,que Deus nos demarcou e que se estende até vós.(II Co
10.13).
Não nos gloriando fora de medida nos trabalhos alheios,e tendo
esperança de que crescendo a vossa fé,seremos sobremaneira
engrandecidos entre vós,dentro da nossa esfera de ação.(II Co 10.15).
Todavia, andemos nós de acordo com o que já alcançamos.(Fp 3.16).
A Bíblia,como o cânon sagrado é a nossa única e exclusivamente norma ou
regra de fé e prática.Diz-se dos livros da Bíblia que são canônicos,para
diferença-los dos apócrifos ou deuterocanônicos. O termo cânon,foi usado pela
primeira vez se referindo aos livros da Bíblia Sagrada, por Orígenes ( 185-254
d.C ),teólogo e escritor cristão e o mais ilustre da igreja antiga e anterior a
Agostinho bispo de Hipona.
O cânon do Antigo Testamento foi sendo formado gradativamente por um
período de mais de mil anos (+ ou – 1046 anos )ou seja de Moisés a Esdras.
Moisés escreveu as primeiras linhas da Toráh ( pentatêuco )por volta de 1491
a.C. Esdras entrou em cena em 445 a.C. Esdras não foi o último escritor na
formação do cânon do Antigo Testamento; os últimos escritores foram Neemias
e Malaquias, porém de acordo com os escritos históricos, foi ele que na
qualidade de escriba e sacerdote, reuniu os rolos canônicos, ficando também o
cânon encerrado em seu tempo. A formação do cânon foi gradual, houve
originalmente a transmissão oral ( messorá ),como se vê em Jó 15.18,Jó é tido
como o livro mais antigo do cânon hebreu ou Bíblia Sagrada.
Na época patriarcal, a revelação divina era transmitida escrita e oralmente, a
escrita já era conhecida na palestina séculos antes de Moisés, e a arqueologia
tem provado isto, inclusive se tem encontrado inúmeras inscrições, placas,
sinetes e documentos antediluvianos. O cânon do Antigo Testamento como o
temos atualmente, ficou completo desde o tempo de Esdras ,após 445 a.C.
Entre os judeus, o cânon tem três divisões, as quais JESUS citou em Lucas
24.44,LEI ( TORÁH ),PROFETAS ( NEVI’IM ) e ESCRITOS ( KETUVI’IM ).
(Lucas 24: 27,16:31).

O cânon hebraico os livros também não estão em ordem cronológica,pois os


judeus não se preocupavam com um sistema cronológico.Pode haver também
nisto um plano divino.
A nossa divisão do cânon sagrado em 39 livros vem da septuaginta e
através da vulgata latina(vulgo-povo).A septuaginta foi a primeira tradução das
escrituras,feita do hebraico(yvryt) para o grego(yevany),cerca de 285
a.C,também a ordem dos livros por assuntos nas nossas Bíblias,vem dessa
famosa tradução.
Nas palavras de Jesus Cristo,em Lucas 24.44 ele chamou Salmos a última
divisão do cânon hebraico,certamente porque esse livro era o primeiro dessa
divisão(como está supracitado).
De acordo com a nossa divisão,o Antigo Testamento(brit),começa com
Gênesis e termina com Malaquias,porém segundo a divisão do cânon
hebraico,o primeiro livro(sêfer) é Gênesis(Bereshit) e o último é Crônicas( Divrê
Hayamim),isto está explicito claramente nas palavras de Jesus Cristo em
Mateus(Matytiahy)23.35 o caso de Abel está em Gênesis e o de Baraquias está
em Crônicas.
1.1 ESTRUTURA CRONOLÓGICA

1.3 LINGUAS E GÊNEROS LITERÁRIOS DO AT.

O hebraico e aplicado ao idioma, mas no Antigo Testamento e apenas uma


designação étnica. Os hebreus são mencionados como os que falam a 'língua
de Canaã‖ (Is 19.18) ou ainda ―a língua dos judeus‖ (Ne 13.24). Na verdade, o
hebraico era um dialeto dos Cananeus, adquirido por Abraão depois de sua
migração para Canaã, e empregada pela maioria das nações vizinhas, como os
Moabitas, os fenícios e, provavelmente, os filisteus. o hebraico e formado
principalmente pelas raízes de três consoantes (embora algumas das palavras
mais comuns tivessem apenas duas consoantes) e as variações no significado
eram indicadas pelas vogais inseridas entre as consoantes. Desta forma, katab
queria dizer ―ele escreveu‖; kat‘ba, ―ela escreveu"; yiktob, ―ele escrevera‖;
koteb, ―escrever‖; ruktab~, ―estava escrito‖; kiktib, ―ele fez escrever‖ e assim por
diante.
O fato de que o hebraico originalmente se escrevesse somente com
consoantes, e as vogais tivessem que ser fornecidas pelo leitor a luz do
contexto, significa que era muito fácil a ocorrência de diferenças de
interpretação, quando mais do que uma vocalização fosse possível. Como
conseqüência, a versão LXX, ou a tradução grega do Antigo Testamento,
vocalizou as consoantes de h-sh-m-n em Isaias 6.10 como hushman (―tornou
gordo‖ ou ―endureceu‖), quando os escribas judeus massor éticos apresentam
hashmen (―engorde!‖ ou ―endureça!‖). Confira Mateus 13.15 (trad. lit.): ―O
coração deste povo esta endurecido‖, o que esta de acordo com a tradução da
LXX, em contraste com o texto hebraico dos judeus (que recebeu os pontos
vocálicos em alguma ocasião entre 500 e 800 d.C,), que diz: ―Endureça o
coração deste povo‖.
O Aramaico outra língua encontrada em alguns textos do Antigo Testamento,
não era uma língua propriamente dita; mas um dialeto semítico relacionado ao
hebraico. Alem de palavras isoladas no Antigo Testamento, o aramaico e
encontrado em Esdras 4.8-6.18; 7.12-26; Daniel 2.4b e 7.28; Jeremias 10.11.
Em sua elevação ate o poder, os Assírios desenvolveram o aramaico aberto
dentro da linguagem comum do império, para os governantes e mercadores.
Inscrições deste aramaico oficial ocorrem em pesos, selos, cerâmica, e nas
tabuas cuneiformes como sumários de seu conteúdo. Durante o exílio, os
judeus adotaram o aramaico como sua língua e tomaram emprestada a escrita
aramaica para suas Escrituras. Na época do Senhor Jesus, o aramaico Galileu
era comum. Entre os cristãos que foram ao alto do Vale do Eufrates a língua
logo se tornou conhecida como o Siríaco, porem escrita de modo diferente.
O estudo do desenvolvimento das formas literárias breves do Antigo
Testamento. Tem como objetivo fixar cada forma distinta em seu contexto
sócio-histórico original. Assim se explica melhor sua significação e esclarece a
vida social e cultural de Israel. Os gêneros literários do Antigo Testamento se
dividem em seis classes gerais de literatura: Poesia cultual, escritos legais, e
as literaturas históricas, proféticas, sapiencial e apocalíptica. Dentro de cada
classe se identificam vários gêneros específicos que se originaram em
situações distintas.
- A Poesia: A poesia cultual do Antigo Testamento se encontra
majoritariamente no livro de Salmos, porém não se limita a este livro. Por
exemplo, há poemas semelhantes em Lamentações, Jeremias, Jonas, Isaías
40-66 e Jó. Estes textos mostram que o culto de Israel tinha várias cerimônias
que utilizaram linguagem poética para expressar a comunhão entre o adorador
e Deus.

- Escritos Legais: Os escritos legais do Antigo Testamento se encontram no


Pentateuco. Ainda que nos tempos mais tardios, Israel tinha que basear
qualquer modificação de suas leis na autoridade e nos ensinos de Moisés. Na
realidade, vários códigos legais se incorporam na narrativa da história de Israel
sob Moisés: 1) Os dez mandamentos (Êxodo 20.1-17; Deuteronômio 5.6-21);
O código do pacto (Êxodo 20.22-23:19); 3) Leis deuteronômicas (Deuteronômio
12-26); e 4) O código de santidade (Levítico 17-24). Estas coleções de leis
mostram os vários gêneros dos escritos legais.
- Literatura Histórica: Muito do Antigo Testamento é narração da história de
Israel desde sua origem como família e clã até as épocas das tribos,
monarquia, cativeiro e restauração. A definição de ―história‖ para o estudo
literário da Bíblia não é a da ciência moderna porque o propósito do Antigo
Testamento não é apresentar uma ―exposição sistemática dos acontecimentos‖
de Israel. Todos os livros da Lei (Torah) e os livros dos profetas anteriores tem
um propósito kerigmático, proclamar a palavra de Deus mediante eventos
seletivos, interpretados e ordenados da história de Israel.
- Literatura Profética: Os livros proféticos se compõem de uma coleção de
oráculos dos profetas e, normalmente, relatos da vida dos mesmos. As
tradições dos profetas anteriores se preservaram na forma narrativa e se
encontram na obra do historiador. Nesta seção se considerarão as obras dos
profetas posteriores. Muitas variedade na composição destes livros: podem se
formar em uma ordem cronológica (Ezequiel) ou sem ordem cronológica
(Jeremias); podem formar-se dos oráculos do profeta exclusivamente (Sofonia)
ou de uma narrativa que não tem mais que cinco palavras da pregação
profética (Jonas).
As narrativas dos livros proféticos se expressam na terceira pessoa ou na
primeira. Preservam a vocação ou chamamento do profeta (Isaías 6; Jeremias
1), visões (Amós 8.1; Ezequiel 37) ou ações-sinais (Isaías 7.3; Oséias 1.2-9;
Jeremias 27). Também há vários informes do conflito que narram um encontro
hostil entre o profeta e a autoridade cultual ou real (Jeremias 26.1-19; Amós
7.10-17).
- Literatura Sapiencial: A Bíblia contém uma classe de literatura que se
distingue por sua ocupação do tema da sabedoria (Hokmah). Esta classe exibe
temas e gêneros característicos, porém não podemos designar todos os textos
que utilizam os gêneros como literatura sapiencial. É possível encontra uma
parábola na literatura profética (Ezequiel 15) ou uma fábula na literatura
histórica (Juízes 9.8-15), porém, Ezequiel não é um sábio e nem o livro de
Juízes é um exemplo de literatura sapiencial. As tradições sapienciais da Bíblia
consistem em Provérbios, Jó e Eclesiastes. Disputa-se a origem das tradições
sapienciais de Israel. Vários provérbios e admoestações bíblicas sugerem que
o lar servia como primeiro centro de instrução; a sabedoria se iniciou como
uma função das famílias ou clãs. As responsabilidades de instruções se
compartilhavam ente o Pai e a mãe (Provérbios 6.20) e não prestar atenção
resultaria em castigo (Provérbio 13.24). Que a sabedoria tem uma origem
popular se vê nas semelhanças que comparam várias tribos com animais
(Gênesis 49.8,9,14 e 17), No entanto, alguns provérbios se entendem melhor
como produtos da corte (Provérbios 16.12-15). Por isso, sugere-se que a
sabedoria de Israel tem sua origem em uma escola da corte para instruir aos
príncipes. Não é estranho chama ao mestre ―pai‖ e há suficientes modelos de
tais escolas no Antigo Oriente como no Egito e Mesopotâmia.

- Literatura Apocalíptica: A literatura apocalíptica é um gênero de literatura


que narra a revelação de uma realidade transcendente por parte de um ser
sobrenatural. Esta realidade tem aspectos temporais e especiais, a saber, que
tem a ver com uma salvação final na história (escatologia)e um novo mundo
sobrenatural. Há duas divisões neste gênero: um apocalipse com viagem ao
outro mundo e um apocalipse histórico que não inclui uma viagem ao mundo
sobrenatural. Os livros canônicos (Apocalipse do Novo Testamento e Daniel do
Antigo Testamento) são exemplos do subgênero apocalíptico histórico. A
função deste gênero literário é prover uma visão do mundo que consola a
comunidade de fé em tempos de crise e opressão. Sua revelação da vontade
de Deus e sua última vitória apóiam as pessoas a manter-se fiel sob a
autoridade divina que é maior que a autoridade opressiva que se lhes opõem.
A forma mais comum da literatura apocalíptica é a visão (ou sonho) simbólica
(Daniel 7-8).

AULA 2

LIVROS POÉTICOS.

2.1 - A POESIA VETEROTESTAMENTÁRIA.

A poesia Vétero Testamentária abrange, além dos salmos, p. ex., também


grande parte dos ditos proféticos ou da literatura sapiencial. Só raramente
aparecem indícios de rima [mal (como em Jr. 1.5; SI 75.7s.). Com maior
freqüência encontramos aliterações (Gn 1.1; Am 5.5; SI 1.1 e outras).
Fundamental é o ritmo frasal, o assim chamado paral1elismus membrorum
(paralelismo dos membros), que combina a identidade na forma com a
mudança na terminologia. Como no hebraico ritmo frasal e pensamento, forma
e conteúdo em regra coincidem, o [mal do verso e o [mal da frase também
costumam coincidir.
A poesia hebraica também apresenta uma estrutura métrica; esta se baseia
numa sucessão determinada de sílabas tônicas e átonas - não numa ordem
certa de sílabas longas e curtas. Segundo uma acepção, o assim chamado
"sistema alternante' " sílabas tônicas e átonas se alternam quase que
regularmente; segundo o sistema mais livre e, por isso, certamente o mais
apropriado, o assim chamado "sistema acentuante", podem seguir várias
sílabas átonas a uma sílaba tônica.
I- Cenário da Literatura de Sabedoria.

Parece ter havido importante classe ou escola de homens de letras no


antigo Israel, conhecidos como ―os homens sábios‖. Salomão, o maior de todos
eles, foi precedido e seguido por muitos outros. Seu pai Davi referiu-se à
sabedoria dos antigos (I Samuel 24:13), e nas escolas de Samuel não há
dúvida que as obras desses sábios foram estudadas com a Tora. Outras
nações contemporâneas, tais como Egito, Mesopotâmia, Edom e Fenícia,
também tiveram homens sábios que procuraram dar conselhos para uma ―vida
digna‖.

II - Classes características da poesia hebraica “Literatura criativa”

A. Drama Poético – Uma série de cenas apresentadas principalmente em


forma de versos. O Livro de Jó – Não falta elemento algum de efeito dramático.

B. Versos Líricos Poéticos – Preparados para ser cantados ou salmodiados,


mediando entre a ―descrição‖ da epopéia e a ―apresentação‖ do drama. Salmos
– Os Salmos apresentam a maioria dos tipos de poesia lírica: Odes, Cânticos,
Elegias, Intercessões, Monólogos, Visões e Rituais.

C. Didática Poética – Verso poético destinado a ensinar.

1- Didática prática. O Livro de Provérbios.

2- Didática Filosófica. O Livro de Eclesiastes.

D. Idílios Poéticos – Cenas campestres ou pastoris em forma de verso.


Cantares de Salomão.

E. Elegias Poéticas – Versos expressando pesar e lamentação. O Livro de


Lamentações de Jeremias

III- Caráter da Literatura de Sabedoria.

A. Objetivo prático. O interesse dos sábios de Israel era mais pela


sabedoria prática do que pela filosófica. Metafísica ou a procura da verdade
suprema não os interessava muito, e era considerado axiomático na fé
hebraica de acordo com a Tora. Interessavam-se mais pela ética ou aplicação
da verdade divina à experiência humana.

B. Humanismo Divino. A Literatura de Sabedoria do Antigo Testamento


tem sido chamada de ―documentos do Humanismo Hebraico‖. Contrasta
nitidamente com o humanismo clássico, que considera o homem como a
medida de todas as coisas. O humanismo divino está firmado na crença de que
o homem foi criado por Deus à sua imagem e semelhança e que a ordem, a
palavra e a vontade de Deus constituem o único padrão verdadeiro de verdade
e conduta.

C. Ponto de Vista Filosófico. Em contraste com o sacerdote e o profeta


de Israel, o homem sábio tinha o ponto de vista de um filósofo. O seu ofício não
vinha de uma herança ou nomeação especial, mas por interesse moral e pela
reação comportamental à verdade. Do mesmo modo que o sacerdote estava
interessado no ritual e o profeta na proclamação, o ponto forte do sábio é o
parecer. O sacerdote, referindo-se ao pecado, diria: É profanação, e o profeta:
É pecado. O sábio diria: É loucura. Ele sempre via as ordens divinas terem
uma conseqüência moral que inevitavelmente resultava em felicidade ou
desgraça.

2.2 - VISÃO PANORÂMICA DOS LIVROS POÉTICOS.

(JÓ - SALMOS - PROVÉRBIOS - ECLESIASTES – CANTARES)

- JÓ:
I - Data e Contexto Histórico: Há três diferentes pontos de vista sobre a data
da escrita deste livro: Talvez tenha sido escrito durante a era patriarcal (2.000
a.C), a outra seria durante o reinado de Salomão ou pouco depois (950 - 900
a.C), pelo fato de o estilo literário do livro se assemelhar ao da literatura
sapiencial daquele período. Outra possibilidade seria durante o exílio de Judá
(586 - 538 a.C) , quando então o povo de Deus procurava entender
teologicamente o significado de sua calamidade.
Como lugar de origem tem-se admitido ocasionalmente o Egito, Edom ou a
Arábia. Mas é sumamente provável que o poeta tenha vivido na Palestina, para
a qual apontam detalhes de todos os tipos. Antes do mais, ele assumiu a lenda
de Já com uma localização do cenário compreensível apenas a partir da
Palestina (habitantes do Oriente região de Safa, ao norte da Transjordânia), e
para os discursos de Deus utilizou um modelo que corresponde aos dados
Palestinenses.

II - O Livro: o livro, denominado segundo o nome de seu protagonista Jó, é


constituído de duas partes bem distintas entre si: uma narrativa, extensa e em
prosa, que forma a moldura do livro (prólogo: 1.1-2.13; epílogo: 42.7-17), e uma
composição poética, metrificada, que forma o corpo do escrito. O trecho em
poesia contém um diálogo entre Jó, seus amigos e Deus (apresentado num
primeiro momento como interlocutor oculto; ( 3.1-42.6). As frases
introdutórias são básicas para as duas partes do livro: Jó é um homem temente
a Deus, íntegro e ao mesmo tempo rico. Conforme o princípio da retribuição, Jó
não deveria sofrer mal nenhum. Se mesmo assim é atingido pelo infortúnio, a
narrativa da moldura questiona: Jó consegue conservar sua fé? No diálogo
poético, no entanto, é difícil para os amigos perceberem que se trata de discutir
não o problema do sofrimento em si, mas o sofrimento do piedoso, justo.
Jó não tem culpa, mas perde bens e filhos (Jó 1), por fim até a sua saúde
(Jó 2). Apesar disto, não cede às palavras sedutoras de sua mulher (2.9) e é
considerado fiel; aceita seu destino da mão de Deus e até consegue ainda
louvar o Criador:
"Javé o deu, e Javé o tomou;
bendito seja o nome de Javé!" (1.21.)

"Temos recebido o bem de Deus,


e não receberíamos também o mal?" (2.10.)

Superada a provação, Jó experimenta sua reabilitação, e no fim até acaba


sendo abençoado mais ricamente do que antes (42.lOss.). Enquanto o Jó da
narrativa (ou lenda) se mantém submisso a Deus, o Jó do diálogo se rebela, se
lamenta e acusa. O nome de Javé, usado na narrativa da moldura (1.6ss.), só
se encontra excepcionalmente na parte poética, onde provavelmente foi
inserido a posteriori (38.1 e outras). Esta parte poética prefere utilizar
designações como El, Eloah ("Deus") e Shaddai ("o Todo Poderoso").

- SALMOS:
I- Data e Contexto histórico: Praticamente quase todo o livro foi escrito entre
os séculos X a V a.C. Sendo desenvolvido em um contexto de cânticos de
adoração sua grande parte do Rei Davi em Israel. Sendo que os outros autores
do Salmos também se encontram no contexto cultual de exaltação a Deus.

II - O Livro: Enquanto para a primeira parte do Saltério escolheu-se a


designação de rpillõt, "oração" (5172[71],20) que pela sua maior parte se
referia aos cânticos de lamentação, para todo o livro prefere-se como nome a
insólita forma do plural rhiliim, "hinos", no sentido de "coleção de hinos, livro de
canto". A antiqüíssima denominação psalmoí da versão dos LXX (Lc 20.42; At
1.20: bíblos psalmôn) se refere ao termo mizmor, "cântico", ao passo que uma
parte dos manuscritos com a expressão psaltérion designam o instrumento de
corda denominado nebel, "alaúde". Daí é que derivam os nossos termos de
"salmos" e "saltério".
A metade do Saltério é atribuída a Davi e dois salmos (72; 127) a Salomão.
Certamente ainda continua aberto a várias interpretações o título l'dawid: "de
ou para Davi". Este título, sem dúvida, indica a origem do salmo somente
quando vem acompanhado de indicações mais precisas sobre a situação em
questão (SI 18; 51 e outras). Todavia, as observações históricas introdutórias
foram acrescentadas pos- SI 1: SI 2: anteriormente e são, portanto, de pouco
valor histórico; elas revelam menos sobre a origem do salmo do que sobre a
compreensão do mesmo no tempo em que foi compilado o Saltério. "Javé é o
meu pastor" (SI 23) é um salmo de confiança que dificilmente provém da época
davídica, nem o SI 90 é uma "oração de Moisés".
As historizações secundárias, que ainda aumentam na Bíblia grega, se
devem a uma intenção interpretativa que busca situar os salmos numa situação
apropriada na história de Israel (compare S151.6 com 2 Sm 12.13). Uma série
de salmos são atribuídos a guildas de cantores Levíticos que atuavam junto ao
templo pós-exílico, como acontece com os SI 50; 73-83, atribuídos a Asafe (cf.
1 Cr 15.17,19). Um grupo de doze salmos (42-49; 84s.; 87s.) faz parte do
"hinário" dos coreítas (filhos de Coré), destinados a louvar "a Javé, Deus de
Israel, em voz alta sobremaneira" (2 Cr 20.19; cf. 35.15; 1 Cr 9.19,31).
Dificilmente devemos ver nestes cantores do templo os autores, mas antes os
transmissores dos salmos. Da mesma maneira como os ditos proféticos foram
complementados mais tarde, decerto também as canções mais antigas foram
retocadas em tempos mais recentes.
Os salmos podem ser enquadrados de acordo com os títulos ou com
palavras-chaves (salmos de entronização, salmos de aleluia) em coleções
menores ou maiores (v. abaixo o quadro geral). Várias duplicações
demonstram que estas coleções originalmente existiam independentemente
umas das outras e só mais tarde se agregaram (SI 14 = 53; 40.14ss. = 70 e
outras). Por quatro vezes, encontramos a doxologia: "Bendito seja Javé ..." no
final de uma coleção (no [mal do SI 41; 72; 89; 106). Esta doxologia permite
entender o Saltério, pelo menos a posteriori, como uma composição constituída
por cinco livros, em analogia ao Pentateuco. O SI 150 pode ser considerado,
então, o hino de louvor [mal. Em contrapartida, a bem-aventurança do SI 1 e o
salmo régio (SI 2), decerto interpretado de forma escatológica, foram colocados
antes do primeiro livro, que contém o extenso e relativamente antigo saltério de
Davi (3-41). O segundo livro e uma parte do terceiro contêm o assim chamado
"saltério eloísta" (42-89). Este saltério reúne diversas coleções menores e
utiliza a designação Elohim, "Deus", em substituição ao nome Javé.

PROVÉRBIOS - ECLESIASTES E CANTARES.

Estes três livros poéticos estão dentro da estrutura literária da sabedoria


hebraica. A sabedoria Bíblica faz parte de uma ampla coleção de ditados
escritos e orais profundamente arraigados na antiguidade. Essa literatura e
marcada por observações sabias acerca da vida estabelecida para serem
memorizadas. Ela se especializa em regras para o sucesso e a felicidade.
Existia mais de um milênio antes de Israel começar a fazer suas próprias
contribuições. As Instruções Egípcias do vizir Ptaotep foram escritas por volta
de 2450 a.C., e a Instrução para o Rei Meri-ka-re1 em c. 2180. A antiga
Mesopotâmia possuía uma riqueza e variedade de escritos de sabedoria bem
antes da época de Abraão. S. N. Kramer distingue cinco categorias de
sabedoria suméria: Provérbios; ensaios curtos; instruções e preceitos; ensaios
a respeito de escribas e escolas mesopotâmicas; e disputas e debates.
Pesquisas recentes tem chamado atenção para o deposito deixado em
documentos ugaríticos pelos sábios e escribas Cananeus.

A literatura Bíblica de sabedoria tem seu inicio formal no século X, quando


começou a codificar os conselhos sábios e as observações acerca da vida que
vinham sendo passados oralmente de geração em geração. Uma vez que na
forma, embora nem sempre em conteúdo, os escritos Bíblicos de sabedoria
lembram seus equivalentes não-Israelitas, vale observar alguns dos principais
temas e formas da literatura não - Bíblica de sabedoria.
Deu também Deus a Salomão sabedoria, grandíssimo entendimento e larga
inteligência como a areia que esta na praia do mar. Era a sabedoria de
Salomão maior do que a de todos os do Oriente e do que toda a sabedoria dos
egípcios. lRs 4.29-30
Tipos de Literatura de Sabedoria
É possível distinguir dois tipos principais de escritos de sabedoria: sabedoria
proverbial — ditados curtos, vigorosos que expressam regras de felicidade e
bem-estar pessoal ou condensam sabedoria de experiência e fazem
observações perspicazes acerca da vida; e sabedoria contemplativa ou
especulativa — monólogos, diálogos, ensaios ou historias que se aprofundam
em problemas da existência humana, tais como o sentido da vida, o caminho
para o sucesso e o questões do sofrimento. Não se deve associar nem o
misticismo nem a filosofia aos termos ―contemplativos‖ ou especulativos‖.

A Sabedoria Proverbial. Desde tempos imemoriais, pessoas sagazes e sabias


cunhavam e coligiam ditados acerca da vida. Tais sábios empregavam esses
ditados como ganchos em que penduravam lições para crianças e outros
alunos e como referencias para quem buscasse informação e conselho. A
marca de um grande homem, especialmente de um rei, era a habilidade de
pronunciar sabedoria em forma proverbial ou de superar um adversário com
frases brilhantes: ―Não se gabe quem se cinge como aquele que vitorioso se
descinge‖ ( 1º.Rs 20.11). Veja outros exemplos nas perguntas de Golias a Davi
(1 Sm 17.43) e na oposição de Joas a Amazias (2. Rs 14.9).
O origem do provérbio perde-se na neblina pré-literaria da antiguidade,
mas muitos fatores devem ter contribuído para seu desenvolvimento. Os
ditados mais antigos visavam a transmissão oral, e boa parte dos escritos de
sabedoria reflete esse caráter oral (cf. ―ouvir‖ em Pv 1.8; 4.1).

PROVÉRBIOS.

Autoria e Data: A autoria não compreende somente a Salomão, mas também


outros como veremos no estudo a seguir, a data aproximadamente pode ser
indicada entre 970 a 700 a.C.

O titulo na Bíblia hebraica era o seguinte: ―Os provérbios (mishele) de


Salomão, filho de Davi, rei de Israel‖ (1:1), A palavra mashal indica uma
sentença breve e expressiva que contenha sabedoria. Rigorosamente falando,
e uma representação ou uma comparação. E assim Raven definiu-a como um
―resumo sentencioso, sintético ou antitético, dum principio que abrange muitos
casos‖ (Introduction, pag. 267). A palavra tem um sentido mais lato do que a
palavra portuguesa ―provérbio‖, não‘ no sentido de ―máxima‖, mas mais
estreitamente ligado a rifão, adágio. Os LXX dao-lhe o titulo de paroimiae
Salomontos (provérbios ou parábolas de Salomão), e a Vulgata Líber Prover-
biorum (o livro dos provérbios).

Os Provérbios podem ser identificados na seguinte ordem.

A 1-9
B 10-22.16
C
D
E 25-29
F
G
H
Provérbios de Salomão
Provérbios de Salomão,
22.17-24.22 Palavras de sábios,
24.23-34 Palavras também de sábios,
Ainda provérbios de Salomão, recolhidos pelos homens
de Ezequias, rei de [udá,
30 Palavras de Agur, filho de [aces, de Massa,'
31.1-9 Palavras de Lemuel, rei de Massa, as quais
lhe ensinou sua mãe,
31.10-31 Elogio da mulher de valor (sem título).

Coleção A
Do ponto de vista formal, a coleção A(l-9)2 contém, ao lado de alguns
provérbios isolados, como, p.ex., 1.7-9; 3.1-12, sobretudo poemas sapienciais,
muitas vezes de extensão menor, como, p.ex., 3.13-18,21-26; 6.1-5,6-11, mas,
freqüentemente, de extensão maior, como, p.ex., 2,1-22; 4,1-28; 8; 9. Nelas é
muitas vezes um pai quem exorta o filho, advertindo-o a guardar-se da mulher
alheia e de prestar fiança, a guardar-se da preguiça, da falsidade e de outras
abominações, e lhe recomenda o valor e as bênçãos que brotam da sabedoria
e do temor de Deus. Outras vezes é a Sabedoria e a Loucura personificadas
que falam nos provérbios. Que a coleção não se tenha formado de um só
lance, mas progressivamente, deduz- se, não só da presença de poemas
isolados, mas, também do fato de que a advertência a se resguardar da mulher
alheia (5.1-23; 6.20-35) está dividida em duas partes, pelas poesias que nela
se intercalam (6.1-19).

Coleção B
Os LIVROS SAPIENClAIS
A coleção B (10-22.16) consta de trezentos e setenta e cinco provérbios
individuais, que foram colocados sem obedecer a uma ordem ou um
determinado esquema de composição (forma mais antiga da coleção).
Somente para facilitar a aprendizagem, freqüentemente agruparam-se várias
sentenças com base na semelhança dos sons ou nas palavras-chaves (p.ex.:
1O.1lb,12b; 1O.14s), ou no conteúdo p.ex., 10.18-21: sobre o falar, e 16.10-15:
sobre o rei). Esta coleção é constituída de duas coleções parciais: 10-15 e
16,22.16, que surgiram, por sua vez, de outras coleções menores, que já não
se podem identificar, como o estão a indicar as duplicatas de versos e serni
versos (10.1 =15.20; 1O.2b =11.4b; 1O.6b =10.1lb; 1O.8b =1O.lOb; 1O.13b =
19.29b).4 As duas coleções parciais, tratam, ora variando ora repetindo, do
comportamento e das atitudes dos sábios e dos tolos, dos justos e dos maus,
mas com diferenças características. A primeira coleção parcial consiste em
afirmações quase todas construídas na base do paralelismo antitético. O
caráter religioso é menos acentuado do que na segunda coleção parcial, onde
o número de admoestações é um pouco maior e predomina o paralelismo
sintético.
Coleção C. A coleção C (22.17-24.22), que forma o primeiro apêndice de B,
divide- se em duas partes inteiramente distintas. Como já se sabe desde há
muito tempo." a primeira coleção parcial (22.17-23.11) está em estreita relação
com a doutrina egípcia de Amenemope, a qual deve ter surgido entre os sécs.
X e VI a.C,". A poesia introdutória (22.17-21) e os dez temas aí tratados (22.22-
23.11) correspondem - às vezes mesmo literalmente - à fonte egípcia.

Coleção D. A coleção D (24.23-34), que constitui o segundo apêndice de B,


encerra provérbios contra a parcialidade no julgamento e contra a preguiça.
Dado o caráter intemporal de suas afirmações, não é possível determinar
a data de sua origem.

Coleção E
A coleção E (25-29) que, segundo o título, provém dos homens de Ezequias,
contém sobretudo sentenças de um só verso, embora haja algumas com mais
de um verso (25.4-5; 26.18-19), e também encerra mais afirmações do que
exortações. Ela se divide, igualmente, em duas coleções parciais: 25-27 e 28-
29. A primeira delas é constituída sobretudo de paralelismos sintéticos e
contém inúmeros provérbios sob a forma de verdadeiras comparações, e
também regras de conteúdo prudencial, baseadas na experiência da vida. A
segunda coleção parcial é composta principalmente de paralelismos antitéticos
e encerra muitos provérbios de colorido ético-religioso.

Coleção F
A coleção F (30)13 constitui o primeiro apêndice de E. Entre os versículos
introdutórios e finais: 1-6.32-33, ela apresenta sobretudo provérbios numéricos:
vv. 7-9,11-14,15-16,18-19,21-23,(24-28).,9-31 (os vv. 7 e 11 devem ser
completados). Como a informação do título concernente à procedência do autor
e a ser corrigida para o massaíta [de Massa], indica uma tribo Norte - Árabe da
Transjordania setentrional, e como também existem fortes pontos de contato
com o mundo Cananeus (SAUER), conhecidos através da literatura ugarítica, o
texto deve ser originário de uma região limítrofe Israelítico - Cananéia.

Coleção G

A coleção G (31.1-9), que constitui o segundo apêndice de E, encerra


advertências contra a relação com mulheres (vv, 2-3) e contra o uso do vinho
(vv. 4-7). Encerra também uma exortação a prestar socorro aos que se
acharem em aflição (vv. 8-9). Esta coleção provém da mesma região que a das
palavras de Agur.

ECLESIASTES

Autoria e Data: A autoria é de Salomão, escrito aproximadamente em 935 a.C.

Na Bíblia hebraica o titulo e o seguinte: ―Palavras do pregador (divere


qoheleth), filho de Davi, rei de Jerusalém‖ (1:1). A palavra qoheleth e um
particípio ativo Qal, feminino singular, e a razão do gênero feminino deve-se ao
fato de que a palavra indica um oficio. Sao de notar as formas análogas
doutros livros, como: sofereth (Ed 2:55, Ne 7:57); pochereth (Ed 2:57). E
mesmo possível que o feminino se explique em sentido neutro, de forma
enfática. Aplicada a um individuo, contudo, a palavra significa alguém que
realizou a idéia completamente. E certo que o particípio e derivado da raiz
qahal, que noutros lugares aparece no Hiph‘il com o sentido de ―reunir‖ e assim
significaria aquele que reúne ou dirige uma assembléia. Os LXX traduziram-na
por ekklesiastes, donde deriva o termo português. Jerônimo traduziu-a por
concionator (isto e, aquele que reúne a assembléia). A palavra designa, pois, a
função de guia ou chefe que dirige ou fala numa assembléia. Dai ser mais ou
menos correta a tradução de ―pregador‖.
Excluindo-se o epílogo (12.9-14) e alguns acréscimos menores, todas as
sentenças, como nos mostram, em particular, o vocabulário e o estilo, derivam
de um único autor, ao qual chamamos de Coélet. Evidentemente nem sempre
é possível delimitá-las com segurança, porque faltam quase sempre as
fórmulas introdutórias e conclusivas, e muitas vezes não são suficientes os
critérios adotados pelo método da história das formas. Daí é que se explica a
divergência dos números de sentenças entre os exegetas.
A pesquisa das sentenças de Coélet pelo método da história das formas
leva diretamente ao conhecimento das características específicas do seu
pensamento. Excluídas certas considerações de ordem genérica (1.211; 3.1-9),
bem como determinadas máximas sapienciais que refletem a sabedoria
tradicional (10), são especificamente de Coélet as sentenças em "eu" e em "tu"
(p.ex., eu: 1.12-15,16-18; tu: 4.17-5.6; 5.7s). Ambos os tipos são formas
estilísticas do discurso sapiencial. No primeiro caso, o sábio expõe as
experiências extraídas da vida, que não devem ser necessariamente
experiências pessoais. As sentenças do segundo tipo correspondem aos
objetivos da doutrina sapiencial, sem que tenha sido sempre preciso supor um
discípulo especial.

CANTARES OU CÂNTICO DOS CÂNTICOS.

Autoria e Data: Salomão é o autor; a data esta concentrada em 960 a.C


aproximadamente.
No texto hebraico o livro e conhecido, em conformidade com o primeiro
versículo, por ―O cântico dos cânticos‖ (Shir hashshirim), isto e, o melhor dos
cânticos. Os LXX traduzem por asma asmaton e a Vulgata Canticum
Canticorum. Na Bíblia Alemã, desde o tempo de Lutero, o livro e conhecido por
―Das Hohelied‖. Em português, Cantares de Salomão
O Cântico dos Cânticos é uma mistura de cânticos de amor e de cânticos
nupciais. Não se pode negar totalmente sua relação com as núpcias nem fazer
o livro depender inteiramente delas e considerá-lo como o livro de
determinadas núpcias Israelíticas (BUDOE). O fato de mencionar a noiva e o
casamento indica que as perícopes 3.6-11; 4.8,9-11; 4.12-5.1 são cânticos
núpcias, aos quais se devem também juntar pelo menos 1.2-4,9-17; 7.1-6 e
8.5-7. Os outros cânticos são puramente poemas amorosos como os que se
conhecem da poesia egípcia antiga e da poesia oriental mais recente.
Freqüentemente os cânticos exaltam o encanto do amor, O anelo recíproco dos
que se amam, sua paixão, sua mútua entrega à alegria por causa da união dos
dois. Os cânticos celebram em termos efusivos e sensuais o amor que atrai o
homem e a mulher para os braços um do outro, com força tão poderosa, que
eles não podem resistir. O Cântico dos Cânticos surgiu, pelo contrário, como
uma coleção formada por cânticos originariamente autônomos como aqueles
cânticos egípcios que se encontram em coleções do mesmo gênero. Sob este
aspecto, o livro se assemelha às demais coleções de cânticos do AT, como
igualmente a uma grande parte dos livros sapienciais e proféticos. Muitas das
repetições nos levam a supor, também, que o Cântico dos Cânticos surgiu a
partir, pelo menos, de duas coleções parciais (1.15 = 4.1; 2.6s = 8.3s; 2.17 a 4.
6a; 2.17b = 8.14). A ordem em que os cânticos se sucedem foi determinada,
muitas vezes, pela semelhança de conteúdo. Na maior parte dos casos, esta
colocação foi executada, tomando-se as palavras-chaves como princípio
condutor.
O impacto do livro esta na intensidade do amor retratado, em especial nas
figuras ricas e vividas. Essas mesmas qualidades que dão origem a forca do
poema causam problemas para o gosto ocidental. As descrições vivamente
detalhadas do corpo dos dois e o desejo sincero e apaixonado parecem por
demais ardentes. Mas isso e produto de uma época e de um lugar distante. As
imagens são vividas, mas não sensacionalistas. A honestidade escancarada de
sua abordagem eleva-as acima das insinuações encontradas nos similares
ocidentais da época. Com freqüência os símiles ou as metáforas soam
estranhos ou mesmo grosseiros: Os teus cabelos são como o rebanho de
cabras que descem ondeantes do monte de Gileade. (4.1) ou: O teu pescoço e
como a torre de Davi, edificada para arsenal; mil escudos pendem dela, todos
broqueis de soldados valorosos, (v. 4)
―Os orientais fixam os olhos num único ponto que os impressiona e que
segundo as nossas concepções não e o mais característico‖. Assim, no
movimento ondulante de um rebanho de cabras que desce um declive distante,
o poeta encontra uma imagem da graça e da beleza dos cabelos da amada
caindo em suaves ondas sobre seus ombros. De modo semelhante, seu
pescoço rijo e reto ornamentado com jóias lembram-lhe as fortalezas de Davi
ornadas com escudos de guerreiros. As metáforas atendem a um nobre
propósito: formam ―uma serie intrincada de ligações entre a beleza do esposo
ou da esposa e o mundo‖, embelezado pela mão do Criador.

PROFÉTICOS.

INTRODUÇÃO

A Bíblia hebraica inclui neste bloco os livros de Isaías, Jeremias, Ezequiel e


os Doze (Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque,
Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias). A tradução grega dos Setenta (LXX)
efetua algumas mudanças na ordem, dentro dos Doze, e os coloca antes de
Isaías.
Nós estamos acostumados a atribuir uma obra literária a um só autor,
sobretudo se no início ele nos indicar seu nome, como acontece nos livros
proféticos. Todavia no caso dos profetas não é certo que o livro inteiro proceda
da mesma pessoa. Podemos começar lembrando o exemplo mais simples:
Obadias. Este profeta nào escreveu um livro nem um folheto; uma única página
com 21 versículos resume toda a pregação dele. Seria normal atribuir-lhe estas
poucas linhas sem exceção. Contudo, os comentaristas coincidem em que os
versículos 19-21, escritos em prosa, foram acrescentados posteriormente; o
estilo e a temática os diferenciam do que precede. Quem inseriu estas
palavras? Não o sabemos. Talvez um leitor que viveu vários séculos depois de
Obadias. Se já a mensagem mais breve de toda a Bíblia levanta problemas
insolúveis, os 66 capítulos de Isaías, os 52 de Jeremias, ou os 48 de Ezequiel
são capazes de desesperar o mais paciente dos estudiosos.
Ao homem moderno pode estranhar que se deixe passar tanto tempo entre
a pregação e a redação. Se Jeremias recebeu a sua vocação no ano de 627,
como parece mais provável, é curioso que somente vinte e dois anos mais
tarde receba ordem de escrever o conteúdo essencial da sua mensagem. Mas
a mentalidade da época era diferente. Lembremos que, séculos mais tarde,
Jesus não deixará uma única palavra escrita. Voltando a Jeremias: o volume
redigido foi alvo de um destino fatal. Após ser lido na presença do povo inteiro,
em seguida diante dos dignitários, acabou sendo jogado ao fogo pelo rei
Joaquim. Deus não se dá por vencido e ordena ao profeta: ―Toma outro rolo e
escreve nele todas as palavras que estavam no primeiro rolo, queimado por
Joaquim‖ (v. 28). O capítulo termina com este dado interessante: ―Jeremias
tomou outro rolo e o entregou a Baruc, filho de Nerias, o escriba, para que
escrevesse nele, sob o seu ditado, todas as palavras do livro queimado por
Joaquim, rei de Judá. E se acrescentaram muitas outras palavras semelhantes‖
(v. 32). Entre o primeiro volume e o segundo já existe uma diferença. O
segundo é mais extenso. Contém o núcleo básico do futuro livro de Jeremias.
Os comentaristas têm feito numerosas tentativas para saber quais dos
capítulos atuais figuravam naquele volume primitivo. Não existe concordância
entre eles, e não tem sentido perder-se em hipóteses. O importante é notar que
o livro de Jeremias remonta a uma atividade pessoal do profeta. Algo
semelhante deve ter acontecido com Isaías, Amós, Oséias, etc. É provável que
a palavra falada desse lugar a uma série de folhas soltas, que mais tarde eram
agrupadas formando p equ en as coleções: o ciclo das visões de Amós na sua
forma primitiva, o ―Memorial sobre a guerra Siro - Efraimita‖ (Is 6,1-8,14), o
―Livrinho da consolação‖ (Jr 30-31), os oráculos ―À Casa real de Judá‖ (Jr
21,11-23,6), ―Aos falsos profetas‖ (Jr 23,9-32), ―Sobre a seca‖ (Jr 14), etc. Até
aqui detivemo-nos na palavra profética que foi consignada por escrito depois
de ser pronunciada oralmente. Mas não podemos esquecer que em certos
casos o processo é inverso: primeiro escreve-se o texto, em seguida se
proclama. Aqui adquirem relevo especial os relatos de vocação (Jr 1,4-10; Ez
1-3), as assim chamadas ―confissões‖ de Jeremias, os relatos de ações
simbólicas não realizadas, certos relatos de visões. Podemos até admitir que
alguns profetas foram mais escritores do que pregadores. Este caso
apresentou-se com especial agudeza a propósito dos capítulos 40 - 55 de
Isaías (―Dêutero-Isaías‖); muitos comentaristas acreditam que o autor deles foi
um grande poeta que redigiu sua obra por escrito, comunicando-a oralmente só
em um segundo momento. Também o grande ciclo das visões de Zacarias
parece mais obra literária do que redação posterior de uma palavra falada.

ISAÍAS.

Isaias e notável no Canon Bíblico por algumas razoes. Em tamanho, so e


menor que Salmos. Sua influencia e clara na contribuição para a comunidade
de Qumran, cujos Rolos do Mar Morto preservaram pelo menos cinquenta
manuscritos ou fragmentos deles, e especialmente em seu impacto no Novo
Testamento, que contem mais de 400 citações e reflexos da linguagem de
Isaias. Mais impressionante que esses dados estatísticos, porem, e o simples
esplendor do livro. A imponência de sua linguagem dramática, a amplitude de
seus temas teológicos, o vigor de sua perspectiva histórica — tudo isso
combina para justificar o linguajar superlativo com que estudiosos, pregadores
e poetas descrevem seu legado de sessenta e seis capítulos que, sem
exageros, pode ser considerado a peca fundamental da literatura profética.
Isaias ben Amos (distinto do profeta Amos) era de Judá, provavelmente de
Jerusalém. Seu ministério pode ter se iniciado nos anos finais do reinado de
Uzias. Com certeza estendeu-se do ano da morte de Uzias (740 a.C.; cf. 6.1)
pelos de Jotão, Acaz e Ezequias (pelo menos 701).

A data e o contexto político e espiritual:

Aproximadamente entre 740 a 680 a.C.

1. Do ponto de vista internacional, o cenário era grande ascensão do poderio


assírio. Tiglate Pileser veio do ocidente para invadir Israel do norte e Trans-
jordânia em 745 e 734. Sargom e Salmanasar sitiaram e destruíram Samaria
em 724-722, durante a grande ofensiva para o norte. Senaqueribe, no decorrer
do reinado de Sargom, invadiu Judá e a parte ocidental da Palestina, numa
grande conquista de 714 a 701, que culminou com a perda de sua armada
quando tentava atacar Jerusalém, no auge do seu sucesso. Jamais voltou.

2. Do ponto de vista nacional, foi uma época de opressão e caos. O reino norte
havia se deteriorado rapidamente depois do ―período áureo‖ de Jeroboão II,
sob seis reinados estabelecidos com potencias estrangeiras a fim de protelar a
sujeição total a Assíria, potencia em ascensão, que procurava engolir o
ocidente.

1. A condição espiritual de Judá em meados do século oitavo era paralela a


sua condição política, ambas deteriorando-se rapidamente sob o rei Acaz (743-
728). A grande potencia construída por Azarias e Jotão, reis tementes a Deus,
desintegrou-se quase imediatamente quando Acaz (chamado Jeoacaz pelos
assírios) começou a cortejar alianças estrangeiras em vez de confiar no Senhor
(Is 7.12). Quando atacou Síria e Israel, Acaz procurou inutilmente apaziguar as
forças divinas sacrificando seu filho mais velho num altar e depois pediu auxilio
aos Assírios.

2. A ascensão de Ezequias ao trono de Judá trouxe, quase imediatamente,


um movimento de reforma. Começou no primeiro mês do seu reinado. No mês
seguinte ele celebrou uma páscoa sem precedente, a qual foi honrada por
Deus em virtude das boas intenções para deter o julgamento divino (2 Cr
301.13). A reforma apressada e o entusiasmo pelo reavivamento promovido
por Ezequias parece ter mudado a direção do braço justiceiro do Senhor e
salvo Judá de sorte semelhante à de Israel, destruído em 722 a. a. C.. Todavia,
as alianças com Egito e a Babilônia feitas mais tarde por Ezequias, trouxeram
renovada agressão contra Judá por parte da Assíria, que acabou cercando
Jerusalém, ameaçando destruí-la, ate que o rei aceitou o conselho de Isaías e
confiou inteiramente no Senhor para o livramento. Esse veio 701, quando o
anjo do Senhor destruiu o exercito de Senaqueribe, 185.000 homens, e pôs fim
na campanha do invasor no ocidente. O registro desse acontecimento está na
parte central da profecia de Isaías. Ali o profeta demonstra que a melhor defesa
da nação, e simplesmente confiar no Senhor da aliança e a ele obedecer.

A Mensagem

A unidade e diversidade estão ambas, presentes. Para entender a


diversidade, precisamos ver as três divisões principais (caps. 1-39; 40-55; 56-
66) e ver suas perspectivas teológicas, históricas e literárias. A essa tarefa
pode- se então seguir um esboço dos grandes temas que dão a obra sua
notável unidade de tom, espírito e assunto. Isaias 1-39. Quanto a geografia,
esses capítulos concentram-se em Judá e especialmente em Jerusalém, sua
capital. Entre as personalidades chaves estão: os reis de Judá — Uzias, Acaz,
Ezequias; o rei de Israel — Peca; o governante de Damasco — Rezim; e o
profeta Isaias com seus dois filhos — Um-Resto- Volvera e Rapido-Despojo-
Presa-Segura (8.1). Dois eventos históricos dominam a narrativa e ajudam a
moldar os discursos: as marchas do exercito Assírio pelo oeste, sob Tiglate-
Pileser III (745- 727 a.C.) e a destruição de Judá por um rei Assírio posterior,
Senaqueribe, em 701 a.C. Os capítulos 7-10 refletem a ameaça anterior e os
capitulos 36-39, a posterior. Isaias aproveita essas invasões e a reação de
Judá a elas como ocasião para ensinar lições básicas acerca da vontade e dos
métodos de Javé.
Em primeiro lugar, o profeta observa que Judá e sua antiga capital estão
repletas de crimes de todos os tipos: rebelião, ritualismo religioso sem
conteúdo, bebedeiras. E preciso um julgamento, e Deus o aplicara por meio de
invasores estrangeiros cuja velocidade e malignidade assolarão a terra como
um maremoto (caps. 1-5). Será encargo de Isaias proclamar esse julgamento
ate que os montes e os vales de Juda sejam uma colcha de retalhos de terras
arrasadas (cap. 6).
Em segundo lugar, Isaias estabelece um contraste entre os dois reis que se
defrontam com a ameaça Assíria. Acaz e retratado oscilante entre a ordem
divina de ―ter uma fe firme‖ (7.9 BLH) e seu medo das ciladas malignas dos reis
de Israel e de Damasco, que o estão atormentando para que se junte a eles na
resistência as conquistas de Tiglate-Pileser (7.1-2). Ezequias, porem, não
oscila em sua atitude diante da ameaça de Senaqueribe. Antes, roga ao
Senhor: ―Agora, pois, o SENHOR, nosso Deus, livra-nos das suas mãos, para
que todos os reinos da terra saibam que só tu és o SENHOR‖ (37.20). Por sua
vez, ele ouve a promessa do Senhor: ―Porque eu defenderei esta cidade, para
a livrar, por amor de mim e por amor do meu servo Davi‖ (37.35). Essas duas
narrativas — de Acaz e de Ezequias — ancoram a primeira metade do livro,
demonstrando a importância da fe. Era parte do rei depender do Deus da
aliança, do uso soberano que Deus faria das nações estrangeiras para realizar
sua vontade e do interesse divino por Jerusalém e pela família de Davi que
ocupava seu trono.4
Em terceiro lugar, esse interesse divino e muitas vezes descrito no Antigo
Testamento como a ―tradição de Sião‖. Suas raízes estão na antiga cidade dos
Jebuseus que não se tornou parte de Judá na conquista de Josué e dos juízes,
tendo sido conquistada por Davi (2Sm 5-6). A fortaleza central chamada Sião
(2Sm 5.7) emprestou seu nome como descrição poética da cidade e de seus
habitantes estabelecidos nos montes de Jerusalém. Ela fala do compromisso
do povo com o culto a Javé que lhes escolhera a dinastia governante,
estabelecera uma morada entre eles e os preservara dos inimigos.5 Isaias
mostra claramente que o cuidado de Javé por Jerusalém tem dois aspectos.
Tanto a proteção como a purificação são propósitos divinos para a cidade
santa. O Senhor emprega agressores estrangeiros — primeiro a Assíria e
depois a Babilônia, cuja invasão devastadora e anunciada no capitulo 39 —
para purificar o povo. Mas a mão divina estabelece limites a seus estragos e
preserva um remanescente para prosseguir a relação de aliança e, por fim,
tornar-se uma luz para todas as nações.
A visão panorâmica da historia de Israel descrita no livro também e uma rica
fonte teológica. Isaias esboçou a historia de Israel desde o século VIII a.C.,
quando o profeta viveu, ate a era escatológica. No futuro de Israel haveria
julgamento e exílio, mas também restauração final. De acordo com Isaias,
varias figuras-chave emergiriam na realização do plano de Deus para o povo,
sendo a mais importante o regente davidico ideal (ou Messias) dos últimos dias
e o Servo sofredor do Senhor. Embora os papeis se sobreponham ate certo
ponto, Isaias parou pouco antes de comparar os dois diretamente, deixando
essa tarefa a revelação Bíblica subseqüente. Podemos resumir a mensagem
teológica do livro da seguinte maneira. O Senhor cumprira o seu ideal para
Israel purificando o povo por meio de julgamento e restabelecendo-o a uma
relação renovada ligada ao concerto. Estabelecera Jerusalém (Siao) como

capital do reino mundial e reconciliara as nações outrora hostis a Ele.

JEREMIAS E LAMENTAÇÕES.

Jeremias nasceu pelo ano de 650 em Anatot, pequeno povoado a uns seis
quilômetros de Jerusalém, pertencendo à tribo de Benjamim. Este dado é
interessante porque Benjamim, unido politicamente a Judá, manteve uma
grande vinculação com as tribos do norte. Assim compreende-se que Jeremias
concedesse tanta importância às tradições da referida região: fala-nos de
Raquel e de Efraim (31,15-18), do santuário de Silo (7,14; 26,6) e, sobretudo,
dá muita importância ao êxodo, à caminhada pelo deserto e à entrada na terra
prometida (2,1-7; 7,22.25, etc.). Ao contrário, as tradições tipicamente judaicas
(eleição divina de Jerusalém e da dinastia Davídica) não adquirem relevo
especial neste profeta. O título do livro (1,1) indica que Jeremias era filho de
Helquias, ―dos sacerdotes residentes em Anatot‖. Possivelmente a sua
ascendência remontasse a Abiatar, o sacerdote desterrado por Salomão a
Anatot (lRs 2,26). Mas isto não passa de mera conjectura. Por outro lado,
Jeremias nunca atuou como sacerdote. Alguns comentaristas quiseram basear
nesta origem sacerdotal de Jeremias uma possível formação rígida e estrita,
particularmente na luta contra a idolatria. Também isto é uma suposição
indemonstrável.

Data, cenários político e espiritual.

Aproximadamente entre os anos 627 a 580 a.C.

No cenário internacional, foi essa uma época das nações manobrarem pela
primazia do mundo. As três nações mais envolvidas eram Assíria, Babilônia e
Egito. Em 626 Nabopolasar da Babilônia, com auxilio dos medos tomou essa
cidade das mãos dos assírios, que vinham controlando o poderio mundial por
quase dois séculos. Em 612, destruíram Nínive e em 610 tomara Harã. Em
605, a Babilônia derrotou o exercito egípcio em Carquemis e assumiu o
coontro0le da Palestina. Desse modo, Nabucodonosor chegou ao auge do
poder em 605, ano da morte de seu pai, apesar do Egito só ser conquistado em
586. Durante maior parte daquele período, o Oriente Médio esteve em tumulto,
e Jeremias advertia em vão os filhos de Josias a submeterem-se a Babilônia.

Mensagem

Se quiséssemos resumir em uma única palavra a mensagem dele,


deveríamos falar de conversão. Jeremias, seguindo Oséias, concebe as
relações entre Deus e o povo em chave matrimonial. O povo, como uma
mulher infiel, abandonou a Deus; por isso deve converter-se, voltar. Entrou por
um mau caminho e deve seguir o caminho que leva ao Senhor. É certo que
Jeremias não usou esta imagem em anos posteriores, mas o conteúdo da
mesma continuou vivo na mensagem dele.
Para Jeremias a conversão abrange aspectos muito distintos: cultuais,
sociais, mudança de mentalidade e de atitude. Mas não devemos esquecer o
mais duro deles, o que provocou maiores perseguições: o político. Aceitar o
jugo de Nabucodonosor foi para o profeta o sinal mais evidente de volta ao
Senhor e de reconhecimento da sua vontade. Como em todos os profetas
anteriores ao exílio, o chamado ã conversão, em Jeremias, vai associado ao
anúncio do castigo no caso de o povo não mudar. Há também um aspecto de
esperança na mensagem de Jeremias? O relato da vocação, que o chama a
―arrancar e destruir, edificar e plantar‖, supõe um matiz positivo. O livro oferece
passagens importantes para falar de uma ―mudança de sorte‖, de um futuro
descendente de Davi que praticará o direito e a justiça (23,5-6), de uma nova
aliança entre Deus e o povo (31,31-34). Este último oráculo bastaria para
convertê-lo em um dos maiores pregoeiros da esperança. Todavia, existem
sérias dúvidas sobre a autenticidade destas passagens e não podemos utilizá-
las para reconstruir com certeza a mensagem do profeta. De qualquer forma,
penso que a ação simbólica da compra do terreno de seu primo Hanameel
deixa margem clara à esperança. Isto não é muito. Mas significa bastante, em
uma época tão dura, na qual a promessa máxima que Jeremias pode fazer a
seus amigos é que ―salvarão sua vida como um despojo‖.
Uma das características exclusivas do livro de Jeremias e a enorme
quantidade de material biográfico. O livro inclui muitos dos lamentos de
Jeremias, relatos de ações simbólicas que ele executou e narrativas dos
encontros com reis injustos, sacerdotes corruptos e profetas mentirosos. Esse
material contribui para a teologia do livro, fornecendo insight sobre a relação do
verdadeiro profeta. Com Deus, ilustrações concretas das mensagens do
profeta e prova tangível do grau da corrupção da nação antes da queda.
Podemos resumir a teologia do livro de Jeremias da seguinte forma: O
julgamento de Deus cairia sobre Judá por ter quebrado o concerto com Ele. O
povo adorava outros deuses, e os lideres religiosos e civis eram
desesperadamente corruptos. Espada, praga e fome devastariam a terra e
muitos seriam levados em cativeiro. Deus também julgaria as Nações
arrogantes e subseqüentemente restabeleceria o povo a Terra Prometida. Faria
um novo concerto com os reinos do Norte e do Sul reunidos e no lugar dos reis
e sacerdotes ineficazes dos dias de Jeremias colocaria um rei davidico ideal (o
Messias) e um sacerdócio purificado.

Lamentações de Jeremias.

Autor- Data- Cenários político e espiritual.

Foi escrito pelo próprio Jeremias, em aproximadamente 580 a.C.

A fuga e a captura de Zedequias puseram termo à dinastia de Davi no sue


movimento histórico. Esse fim ignominioso ocorreu em virtude de ter Zedequias
rejeitado com arrogância a admoestação de Jeremias, bem como a virtude da
deslealdade e ingratidão a Nabucodonosor, que tomara o reinado de Joaquim e
o dera a Zedequias. Foi por esse motivo que ele sofreu a maior humilhação
real. A ultima cena contemplada antes de ter seus olhos vazados foi à chacina
dos seus filhos e dos nobres. Levaram-no em cadeias para a Babilônia
(Jeremias 39.6-7)
A queda de Jerusalém no meio do verão de 586 ocorreu depois de um cerco
de dezenove meses, que trouxe fome e peste. Embora Jerusalém já tivesse
sido ameaçada e saqueada algumas vezes, essa destruição era quase
inconcebível à mente judaica que a via como cidade eterna. (1 Cr 17.12;
22.10). Com a cidade arrasada, acabou-se a vã presunção da sua
inviolabilidade divina. Parecia que a reação estava irremediavelmente
liquidada, se não até mesmo a raça, pois seus príncipes também tinham sidos
mortos.
Ninguém melhor do que o Jeremias estivesse preparado para escrever
essas lamentações, quanto à caracterização emocional, interessem espiritual e
expressão literária. Nem tão pouco havia alguém tão historicamente ligado aos
trágicos acontecimentos como testemunha ocular. Como aconteceu co o livro
de Jeremias, Baruque pode ter sido escrivão a tomar nota das expressões de
pesar ditadas pelo profeta (comparar Jr 36.4).
A época da redação desse livro de cinco poemas foi sem dúvida a mais
sombria hora da religião de Israel. Todos os alicerces de sua fé parecia ter
desaparecido. A cidade escolhida por fora arrasada, o templo projetado e
habitado pelo Senhor tornara-se um monte de cinzas, o povo tinha sido levado
para a Terra idolatra da sua origem, Babilônia. Até mesmo o próprio senhor
recusar-se-á a ouvir oração dos judeus e tornar-se-á seu inimigo (Jr 14.11-12).
Os quarenta anos de pregação de Jeremias pareciam ter ficado sem a menor
reação aparente.
A destruição do templo trouxe uma nova era a religião de Israel – a era da
dispersão as sinagoga. Já não havendo templo, muito do sistema ritual foi
suspenso, pois as ofertas que acompanham as festas e os acontecimentos
sagrados só podiam ser feitos no altar do templo. Na Babilônia, os judeus
aprenderam a adorar e a estudar a Tora em pequenas reuniões que os rabinos
chamavam de pequenos ―santuários‖, ou sinagogas (Ez 11.16). Ali os fieis
eram obrigados a lembrar e aprimorar sua fé a fim de sobreviver como raça no
meio da cultura pagã. Da fé de Israel na aliança só lhes restavam às Escrituras
com as promessas da aliança do Senhor para com os antepassados.
Despojados de coisas, tiveram de meditar nas profecias e contar com elas mais
do que nunca.
Suas orações proporcionam aos crentes de todas as eras um modelo de
como o povo de Deus deve se aproximar do Senhor depois de experimentar a
disciplina. Embora não seja um tratado teológico, este livro contem muitos
insights teológicos profundos, ilustrando mais uma vez que e no meio da
dificuldade extrema que refletimos seriamente e aprendemos mais sobre o
caráter de Deus e a sua relação com o povo. Podemos resumir a mensagem
teológica de Lamentações de Jeremias da seguinte forma: O julgamento
disciplinar irado de Deus sobre o povo, ainda que severo e merecido, não era
final. Ate durante as conseqüências do julgamento, o Deus de Judá, amoroso,
compassivo e fiel, permaneceu a fonte de esperança futura da Nação para a
restauração.

EZEQUIEL E DANIEL

Ezequiel e um profeta do exílio. De acordo com o próprio livro, a mensagem


do profeta veio de Javé durante a primeira parte do exílio, entre 593 e 571 a.C.
Ezequiel, portanto, marca uma fase distinta na profecia Israelita. O Profeta.
Ezequiel, filho de Buzi, veio de uma família sacerdotal (1.3). Cresceu na
Palestina, provavelmente em Jerusalém, e foi posto no exílio em 597 (veja
33.21; 2Rs 24.11-16). Devia ter vinte e cinco anos na época, pois cinco anos
depois, aos trinta (veja 1.1), foi chamado para o oficio profético. Ezequiel era
feliz no casamento (24.16), e a morte repentina da esposa, anunciada de
antemão por Javé, foi tratada como um sinal sombrio para alertar Israel (v. 15-
24). Morava em casa própria no exílio, em Tel-Abibe, próximo ao canal de
Quebar (3.15; cf. 1.1), que ficava nas vizinhanças de Nipur, na Babilônia.
Anciãos chegaram a casa de Ezequiel buscando conselho (8.1), o que
concorda com a declaração de que ele estava ―no meio dos exilados‖ (1.1),
vivendo numa comunidade de prisioneiros de guerra oriundos de Judá. Ele
data certas revelações pelo ano especifico do exílio do rei Joaquim. Seu
chamado profético ocorreu no ano 5 (593) e a ultima data registrada e o ano 27
(571), indicando um ministério de pelo menos vinte e três anos.
A Época. O exílio (597-538) foi quase coincidente com o Império
Babilônico (612-539). O cativeiro de um grupo seleto de judeus em 597 foi
seguido de um exílio mais geral em 586. As condições físicas do exílio eram ao
que parece aceitáveis para muitos judeus. Os Babilônios não costumavam
punir povos conquistados, apenas tomavam medidas para prevenir revoluções.
Os Assírios, mais cruéis, empregavam a tática de desalojar populações,
dividindo-as e espalhando-as, fazendo com que perdessem sua identidade
nacional por meio de casamentos mistos e outras formas de absorção.
Os problemas referentes à pregação de Ezequiel estão presentes desde há
muito, juntamente com o costume de o chamarem, com certa freqüência, de
"pai do judaísmo" e "pai da Apocalíptica" e, conseqüentemente, de o virem
inserido na corrente da tradição sacerdotal e todo orientado para a
Apocalíptica. Enquanto a segunda das referidas denominações se baseia numa
interpretação errônea dos oráculos referentes a Gog (38s), faltando a Ezequiel
qualquer uma das características do pensamento apocalíptico, a primeira
parece que se pode apoiar em observações das mais diversas espécies.
Outros Teólogos consideram sua teologia como a teologia do código
sacerdotal, ou sua pregação como a radicalização e o enrijecimento proféticos
do direito sacerdotal, juntamente com a invasão maciça de certas estruturas
jurídicas e legais no discurso do profeta (ZIMMERU). Embora seja, antes de
tudo, profeta, Ezequiel tem suas raízes, portanto, na tradição sacerdotal e
sagrada (VON RAD). A esta tese se contrapõe a consideração de que ele
depende, de modo geral, da teologia deuteronomista (BALLA), por cuja
terminologia seu vocabulário foi em parte também influenciado. Uma opinião
própria, expressa em forma extremada, foi defendida por REVENTWW, o qual,
partindo da lei da Santidade, entendida como ritual de uma celebração cúltica
( 20,3), com o qual o texto de Ezequiel tem freqüentes pontos de contato, e
apoiando-se numa pesquisa feita exclusivamente na perspectiva da história
das formas, interpreta os diversos modos de falar de Ezequiel como sendo
reflexos dos diversos ângulos de um suposto ofício profético de Ezequiel. Este
ofício é a continuação, em linha reta, do ofício do pregador que pronunciava
bênçãos e maldições por ocasião das solenidades da festa da Aliança. A
situação mudou, mas a forma permaneceu idêntica. O titular do ofício, isto é, o
profeta, celebra a liturgia santificada. Todo o conteúdo e a forma de sua
pregação foram determinados pelas tradições da festa da Aliança.
Evidentemente, a base desta tese não é muito sólida. A lei da Santidade
dificilmente pode ser entendida como um ritual que se recitava no culto, e as
freqüentes glosas e revisões sacerdotais do texto de Ezequiel, admitidas quase
universalmente, não podem ser consideradas como elementos originais das
palavras do profeta. Além disso, REVENTLOW não só absolutiza a "tradição da
Aliança" de Israel, entendida como centro do AT, embora ela não represente
senão um tema parcial e recente dentro de um complexo mais amplo, como
também é levado a transcursar o elemento histórico e a negar a vinculação das
palavras do profeta com a história de seu tempo.

Data, cenários político e espiritual.

A data que Ezequiel escreveu o seu livro foi entre os anos 592 a 570 a. C.

Ezequiel pouco falou sobre a política judaica, nem mesmo mencionou


Zedequias, o rei vassalo de Judá naquela ocasião. Sua profecia não se refere a
outro de Israel ou Judá pelo nome, a não ser Davi (o rei Joaquim foi apenas
mencionado em 1.2 com o objetivo referencial de data). Com referencia à
política das nações pagãs, entretanto, Ezequiel pronunciou o julgamento sobre
muitas que rodeavam Israel devido a sua violência contra a nação judaica e o
santuário de Deus (25-32). Ao contrário de Jeremias, Ezequiel ano se fixou na
história política da época. A política ―tempo do fim‖ dos capítulos 38 e 39
relacionam-se com a restauração de Israel, mas a grande batalha travada é
primordialmente gentia, servindo a um propósito espiritual. O caráter espiritual
dos exilados a que Ezequiel ministrava não era melhor do que p daqueles a
quem Jeremias ministrava em Jerusalém.
O ponto de vista de Ezequiel era principalmente religioso ou Espiritual, e
avalia as ocorrências políticas ou físicas sobre esse prisma. Observa-se tal
coisa em suas visões da ―glória‖ (1.28; 8-11), os sei ―executores‖ de Jerusalém
(9.1-2), a captura sobrenatural do ―príncipe‖ de Judá para Babilônia (12.12-13),
a descrição do sobre-humano ―rei de Tiro‖ (28.12-19) etc. O ponto de vista de
Ezequiel é sempre Sacerdotal ou celestial, em vez de apenas político.
Mensagem.

Embora o linguajar técnico do concerto seja esparso em Ezequiel, a noção do


concerto esta pressuposta em todos os lugares. As demonstrações epifânicas
gloriosas do Senhor servem o propósito de apresentar o Deus do concerto, o
soberano a quem Israel e todas as nações da terra tem de prestar contas. A
hediondez da deserção pecadora de Israel fica ainda mais evidente sob a luz
da gloria e majestade do Senhor (cf. Is 6.1-5). O próprio significado da
repreensão do Senhor a Israel esta na asserção clara de que Israel se rebelou,
conceito que e central ao pensamento do concerto (cf. Ez 2.3-5; 3.5-9,26,27).
Ezequiel descreveu a desobediência de Israel ao concerto divididos em três
títulos: violação como prostituição, violação como idolatria ou apostasia e
violação. Como quebra da lei ou estipulação. Disse que desde o começo da
historia nacional o povo fora caracterizado por infidelidade ao Senhor. O que
tinham feito em tempos recentes era pouco diferente do que os antepassados
fizeram no deserto, nos dias de Moises (Ez 20.1-32). Em linguagem cheia de
conotações ligadas ao concerto, o profeta detalhou esse relato medonho. Do
dia em que o Senhor os escolhera (v. 5) e afirmara que era o seu Senhor, eles
tinham se rebelado rejeitando os primeiros dois mandamentos do código do
concerto (Ez 20.7,8; cf. Ex 20.2-6). Ameaçara deserdá-los, mas por causa da
sua reputação ele os perdoara (Ez 20.9). Continuaram porem, quebrando os
decretos e as leis, particularmente os sábados, de forma que a geração de
adultos morreu no deserto. Tempos depois, ate os mais jovens se rebelaram,
ocasionando a promessa do Senhor de um exílio final para o seu povo e a
transformação das bênçãos do concerto em ritual sem sentido (w.23-25).
Portanto, de Moises ate o dia da ruína de Jerusalém, o povo do concerto
recusara submeter-se ao Senhor. Mas da mesma maneira que Zedequias
quebrara o concerto com Nabucodonosor e fora castigado por isso (Ez 17.11-
15), assim Israel, tendo se mostrado infiel ao Senhor, sofreria as
conseqüências (w. 16-19). Dentro do próprio templo, Ezequiel viu uma multidão
de imagens representando toda forma de criatura (Ez 8.7-13). Essa presença
era violação direta do mandamento que proibia a representação de qualquer
criatura em forma
tangível (Ex 20.4-6). Ezequiel também viu, no lado norte do templo, mulheres
chorando por Tamuz (Ez 8.14,15), o deus Sumério - Babilônico da fertilidade.15
O fato de estar sendo feito junto as portas da casa do Senhor da a entender
não só idolatria aberta e descarada, mas também a atribuição a Tamuz as
bênçãos da fertilidade que só o Senhor da . Neste sentido, era violação do
mandamento que proíbe o uso do nome do Senhor de maneira vazia, pois o
que deveria ter sido designado a ele era designado a Tamuz. Os lideres
religiosos de Judá adoravam o sol dando as costas ao templo (Ez 8.16), atitude
que comprovava terminantemente a profanação do templo observada por
Ezequiel. Prestando homenagem ao sol, apenas parte da criação material de
Deus, estes apostatas eram culpados de quebrar o quarto mandamento, que
exigia que o sábado fosse observado como lembrança que Deus criara todas
as coisas (Ex 20.8-11). Em total descaso dos grandes princípios do concerto
que eles tinham jurado cumprir, o povo de Deus haviam tomado para si outros
deuses e feito outras alianças. Não admira que o Senhor levantasse Ezequiel e
outros profetas para confrontar o povo por essa apostasia. Para piorar as
coisas, muitos dos próprios profetas conduziram ao caminho do declinio
espiritual. E verdade que na maioria dos casos eles eram auto designados
portas-vozes sem terem a mensagem do Senhor (Ez 13.1-7). Tinham tampado
as rachaduras dos muros de segurança do concerto de Israel, muros que
estavam em desintegração (v. 10), anunciando paz onde não havia paz (v. 16).
Por fim, estes charlatões, com todos os instrumentos de adivinhação, seriam
expostos ao que verdadeiramente são — cegos que guiam cegos — e cairiam
na arruinar (w. 8,9, 17-21).

Daniel

Dificilmente encontraremos outra obra literária no AT que tenha tido tamanha


ressonância como o livro de Daniel com sua doutrina dos quatro reinos
universais (2; 7) e a expectativa do Filho do homem (7. 13s.). A história é
situada na época da passagem do império babilônico ao império medo-persa.
Todavia, as informações históricas sobre aquela época, a sucessão de
soberanos e reinos, são em parte imprecisas e não confiáveis (5.1,30s.; 9.1 e
outras). Em contrapartida, os dados se tomam mais precisos onde se referem
aos acontecimentos depois da campanha de Alexandre Magno (11.3s.). No
relato visionário ou histórico há inclusive várias referências a Antíoco N
Epífanes (2.41ss.; 7.8,20ss.; 8.9ss.,23ss.; 9.26ss.; 11.21ss.), que, em 167 a.C.,
aboliu o culto jerosolimita (8.12s.; 9.27; 11.31,36s.; 12.11) e tentou helenizar o
judaísmo à força. Nesta época difícil e atribulada, em que estava em perigo a
própria sobrevivência da fé judaica, o autor escreveu seu livro, por volta de 165
a.C. Embora assista ainda ao levante dos macabeus (desde 166), vê nele
apenas um "pequeno socorro" (11.34), pois espera a salvação decisiva do
próprio Deus. A reconsagração do templo (164 a.c. com a festa da Dedicação
do 'Templo, "Hanukka") e a morte de Antíoco IV (163 a.C.) não mais se
refletem no livro (cf. o presságio diferente em 11.4Oss.).
Na confrontação, o judaísmo se divide em simpatizantes do helenismo e
grupos que se mantêm fiéis a Deus mesmo em tempos de perseguição
(11.32ss.). Supõe-se que o autor seja um dos "sábios" (11.33; 12.3) que fazem
parte do círculo dos "fiéis" (hassidim, assideus; 1 Mac 2.42; 7.13). Estes se
dispõem a ir ao extremo e submeter-se, se for preciso, ao martírio , embora
esperem por uma reviravolta exclusivamente com o despontar do reino de
Deus "sem auxílio de mãos" humanas (2.34,45). O surgimento tardio do livro
explica por que não foi mais incluído no cânone profético (hebraico), mas entre
os "escritos". Apenas a tradução grega e as traduções subseqüentes colocam
o livro, por motivos justificados, entre os livros proféticos (cf. Mt 24.15).
Muitas vezes o livro de Daniel retoma tradições proféticas, como em
narrativas, visões, audições, motivos isolados ou quando fala da reação do
profeta diante da revelação (9.3; 1O.2s.,8ss.,15), que lembra Ezequiel. Se já
nas visões de Zacarias aparece um anjo intérprete, que serve de intermediário
entre Deus e o profeta, este anjo mediador (4.10; 7.16) recebe agora um nome:
Gabriel (8.15ss.; 9.21ss.). Entre os anjos das nações, os representantes
celestiais das potências terrestres, Miguel se apresenta como padroeiro de
Israel (10.13,20s.; 12.1). Antes de mais nada o livro de Daniel tenta manter viva
a escatologia profética (tardia), mesmo que - ao contrário dos profetas - tente
prever o futuro por meio de cálculos. A definição dos últimos tempos,
esperados num futuro próximo, mais ou menos três anos e meio depois da
profanação do templo por Antíoco, se toma mais clara à medida que se
desenvolvem as visões (7.25; 8.14; 9.24ss.; 12.7), até que o curso dos
acontecimentos obriga o próprio autor ou uma terceira pessoa a fazer
pequenos retoques (12.11s.).

Data, Cenários políticos e espirituais.

Daniel o escreveu em aproximadamente 535 a.C.

A política mundial, ascensão e queda dos grandes impérios e os


relacionamentos dessas grandes potências com Israel constituem o assunto
principal do livro. Durante a vida de Daniel, o império exalou seu ultimo suspiro
com a queda de Nínive em 612, e a batalha de Carquemis e em 605. a nação
judaica foi destruída em 568, o império egípcio invadido pela Babilônia em 568,
os impérios do medo caiu sob as tropas de Crio em 550 aproximadamente, e
por ultimo a Babilônia também foi vencida por Ciro, o persa, em 539. Durante
grande parte desse tempo, Daniel achava-se em posição elevada, podendo
observar de perto as mudanças internacionais e a maneira pela qual Deus
dominava todas as situações

Para o cenário religioso de Judá, veja a ―Introdução‖ do Livro de Jeremias;


para o cenário religioso dos exilados veja a ―Introdução‖ do Livro de Ezequiel.
Nessa época a religião da Babilônia centraliza-se em Bel Merodaque
(Marduque) (Jr 50.2), no seu grande e único templo, Essagila, com sua enorme
torre. Essa religião veio da antiga Mesopotâmia, onde cada cidade tinha seu
próprio deus. Enlil, o deus padroeiro de Nipur (a 64 quilômetros a sudeste da
Babilônia), chegou a ser considerado ―o senhor do mundo‖ [ Charles
Boutflower, In and Around the Book of Daniel (O que Está no livro de Daniel e o
que se refere a ele) págs 91 e ss., citando ―The Índia House Inscription‖ de
Nabucodonosor]. Entretanto, com posterior ascensão da Babilônia, Merodaque,
seu deus padroeiro, tornou-se mais importante do que Enlil, passando a ser o
senhor ou Bel (cognato de Baal) do panteão dos deuses da Babilônia. Ao
templo desse deus, os sacerdotes traziam anualmente todos os deuses ou
estatuas por ocasião da festa de Nisã, onde supostamente o destino de todos
os homens fixado para o ano seguinte. Na concepção dos neo-babilônios,
Merodaque era o deus supremo.

Mensagem.

A questão da base histórica e complicada. Aqui e suficiente dizer que o


propósito principal de Daniel não e registrar uma historia detalhada, mas
empregar historias e símbolos para demonstrar o controle divino sobre a
historia. O Apocalipse de João tem propósito semelhante: demonstrar como as
promessas da aliança divina serão mantidas diante da oposição maligna; que a
historia nada mais e que o cumprimento das promessas. Quando Daniel da os
relatos de ―Nabucodonosor‖,4 ―Belsazar‖ e ―Dario, o medo‖, sua intenção e
revelar o significado do destino deles com Deus e a superioridade da soberania
de Deus a deles. Não adiantara ler Daniel como lemos os escritos da historia
do império romano. A grandeza da visão e do propósito do livro não pode ser
ignorada. Sua sabedoria não e encontrada nem nos fatos irracionais nem no
orgulho e na expansão do império humano. Deve-se encontrá-la na soberania
da liberdade do Senhor em agir de acordo com a relação de aliança para
proteger o povo escolhido e lembrá-los de um poder sobrenatural ao qual, por
fim, todo o mundo deve prestar contas.
Um propósito básico do livro e retratar eventos de tal maneira que as
promessas de Deus a seu povo da aliança sejam desvendados no contexto da
historia do mundo e do final dos tempos. Daniel, porem, e um tipo muito
diferente de profecia em comparação com a maioria dos profetas. Conforme
indicado, o propósito dos profetas de Israel era fazer conhecida a vontade de
Javé e também o futuro do mundo. Mesmo em sua punição, o povo de Deus
devia alimentar a esperança de sua restauração. Assim, a dimensão de
predição esta presente em toda a tradição profética, mesmo quando e
secundaria ao chamado divino a obediência regida pela aliança. O propósito
final de Deus (teleologia), o tema principal de Daniel, era e e parte do
significado pleno da profecia de Israel.
Na profecia apocalíptica, a ênfase esta claramente no futuro. O livro de
Daniel começa na corte babilônica e relata os atos dos reis Babilônios e
Persas. Suas visões ali incluem a Pérsia, a Grécia, reis do norte e do sul,
governantes que criam dificuldades para o povo de Deus, um ungido morto e a
interrupção dos sacrifícios. Os leitores parecem incentivados a ajustar essas
profecias a situações históricas reais. Como povo de Deus, sao entao
consolados numa necessidade histórica (como destaca a historia) e voltados
para um futuro atado com I>3us, um futuro apresentado de maneira especial
nas visões.
A profecia apocalíptica e dada em formas que devem ser compreendidas
tanto no tempo como fora dele. O conhecimento do tempo do fim esta selado,
mas o povo de Deus e chamado a circunstancias em que pergunta, como fez
Daniel: ―Quando se cumprirão estas maravilhas?‖ (v. 8). A mensagem e
perseverança e esperança. A mensagem primaria do livro só se torna obscura
quando se perde de vista esse propósito e tenta-se desselar o livro ou ajustar
as visões apocalípticas a esquemas históricos (ou vice-versa). O livro de Daniel
nunca teve a pretensão de esgotar seu significado nos dias de Antioco Epifanio
(175-164 a.C.) ou da destruição de Jerusalém pelos romanos em 10 d.C. ou
em qualquer calamidade que o mundo conheceu. Seu objetivo era ―o tempo do
fim‖ e, enquanto durar o tempo, proclamar a todos que crêem que o tempo
deles esta nas maos de Deus, mesmo no meio de perseguição. A dupla
verdade anunciada por Daniel e (1) o Altíssimo reina, e (2) seus santos um dia
herdarão um reino que jamais será destruído

OSÉIAS- JOEL- AMÓS-OBADIAS.

Oséias.

Data, autoria, cenários políticos e históricos.


É escrito aproximadamente em 740 a.C. Escrito por Oséias o profeta.
Nacionalmente a monarquia tinha sido dividida em dois reinos nos últimos
200 anos. Ambos os reinos tinham experimentado períodos muito prósperos,
conhecidos como a era áurea. O Sr dera a Israel grande expansão até
Damasco, sob o reinado de Jeroboão II. Foi um presente de Deus. Com sua
benevolência, o Senhor queria levá-los ao arrependimento. Internacionalmente,
formava-se uma grande nuvem de expectação e medo no oriente à medida que
a Síria aumentava o seu poder e começava a pilhagem no ocidente. Ainda
assim, em meio a apostasia políticas preferiram buscar ajuda no Egito e na de
e não buscaram o Sr nas suas necessidades. (7: 11).
Israel descera ao degrau mais baixo. Adoraram aos bezerros e a Baal, em
vez de adotarem a Deus. (8:5-7) Os sacerdotes tinham-se unidos aos
salteadores e assassinos nas estradas (Oséias 6:9). A degradação moral deles
tinha chegado ao ponto de sacrificar em crianças e se prostituírem
culturalmente. Jonas e Amós já haviam falado aquela geração. Amós fora
enviado de Judá para condenar Israel em termos fustigantes por sua corrupção
moral, indiferença religiosa e por não atender a repreensão. O ministério de
Amós fora curto e explosivo, enquanto o de Oséias longo e paciente, como de
um pastor quem flora e derramar lágrimas por um rebanho enlouquecido a
caminho da destruição.

Mensagem.

O livro enfatiza o amor matrimonial de Deus. Oséias revela uma das imagens
mais profunda do amor divino encontrado no antigo testamento. Embora forçado a
divorciar-se de Israel e julgá-lo devido à sua prostituição (2:2-5), o senhor ainda
confirmou o seu amor pela nação e a sua intenção de curto e já e trazê-lo de volta em
justiça (2: 14-16, 20). Ele comparou o relacionamento de sua aliança com Israel a uma
união conjugal profunda íntima. É interessante observar que o Profundo e Divino Amor
Conjugal é a nota predominante nos livros dos profetas menores. É Deus se dando por
inteiro ao seu povo e chamando-os ao arrependimento. Em Oséias 14:9 podemos e
esquadrias o singular poder desse amor divino. Embora o amor divino por Israel
parecesse fútil e infrutífero no tempo de Oséias, assim não aconteceriam a longo
prazo, pois ―Os caminhos do Senhor são retos‖ (14:9). Seu amor por Israel continuaria
apesar da obstinação do povo, e no final, se justificaria numa colheita de justiça. Deus
não faz maus investimentos (2: 19).
Vemos nesse livro um dos períodos mais indignos da história religiosa de Israel.
Apesar de guardarem religiosamente os rituais, os judeus praticavam a idolatria.
Banditismo era comum entre o povo e até mesmo os sacerdotes cometiam as piores
ações (4:11-13,18). Toda a terra mergulhara na prostituição. Sua hipocrisia era
clamorosa. Por esse motivo, o senhor prometeu vir como ladrão, leopardos, curso e
fera selvagem para despedaçá-los e devorá-los (5: 14;13: 7,8). O reino do norte
desfez-se e estava com Judá cento e cinqüenta anos mais tarde, na época de Daniel,
quando o Senhor descreveu o seu plano de disciplinar a nação por meio dos quatro
―animais‖ (Daniel 7). Amós, o profeta do sul, já estivera em Samaria para repreender
os líderes do norte pelo seu arrogante orgulho e a ausência de misericórdia e justiça.
Do mesmo modo que Amós denunciou o sistema depravado dos seus compatriotas,
Oséias insistiu com eles mostrando o amor divino da aliança. Tendo rejeitado a
correção, estavam sendo destruídos pela ―Falta de Conhecimento‖ (4:6) e fadados a
ser extintos como nação quase vinte anos mais tarde.

Joel
Autoria, data, cenários político e espiritual.
O livro foi escrito em aproximadamente 825 a. C, pelo profeta Joel.
Judá passava por um período de reconstrução após o perverso reinado da
rainha Atalia (841-835). Essa reconstrução ocorreu principalmente sob a
liderança do velho sumo sacerdote, no Joiada, que contribuiu para a morte da
rainha e tornou o seu herdeiro aparente, Joás, rei aos 6 anos de idade (II Reis
11: 21). No cenário internacional, não havia proeminência de nenhum grande
império. Todavia, Judas e estava sendo molestado por vários inimigos locais,
tais como, Tiro, Sidom, Filístia, Edom e Egito (3: 4,19).
O período de adoração à Baal, tinha terminado com a purificação de Jeú em
841, e a de Joiada em Judá em 835. Todavia, após aquela purificação, a
verdadeira santidade não se tornou a característica repentina dos judeus, e sim
passou a prevalecer um espírito de indiferença. O próprio templo não foi
reparado adequadamente antes de e 813, o vigésimo terceiro ano de Joás (II
Reis 12: 13). Essas falhas motivaram o julgamento do Senhor.
Mensagem

Podemos chamar o profeta Joel como ―O Profeta do Pentecostes‖ (Joel 2: 28-


32) Tanto Pedro quanto Paulo fizeram uso desse texto como uma profecia da
dispensação cristã (Atos 2: 16-21; ROM. 10:13). Pedro usou-o para confirmar a
validade da oferta de salvação pela fé a todo mundo. Nenhum deles afirmou
que a profecia tinha sido totalmente concluída ou cumprida no Pentecostes,
mas que o derramamento do Espírito fazia parte dela. A primeira parte foi
evidentemente cumprida no Pentecostes, isto é, o Espírito Santo foi derramado
para a proclamação mundial da salvação simplesmente pela invocação do
nome do Senhor.
A última parte, referente aos sinais divinos de perturbações físicas no
sol, lua e céu, não ocorreu naquela ocasião, mas acontecerá um pouco antes
do ‗Grande dia da sua Ira‘ (Apoc. 6: 12-17). É claro que Pedro citou
integralmente a profecia no Pentecostes a fim de incluir a oferta universal de
salvação no final (Joel 2: 32). Tal como a profecia da vinda do Messias em
Isaías 9: 6,7 essa profecia da obra de graça do Espírito Santo e da obra do
terrível julgamento tem duas fases, largamente distanciadas.
Se houvesse arrependimento a prosperidade material seria iminente. (2: 18-
27). Joel dar uma ênfase especial aos benefícios físicos e materiais advindos
do arrependimento e obediência. Ao arrependimento, disse ele, removeria as
pragas dos gafanhotos e da estiagem e restauraria as bênçãos da chuva, boas
colheitas e proteção contra os inimigos (2: 19,20). Essas promessas foram para
Israel, não necessariamente para igreja do Novo testamento. Os judeus
achavam-se sob a aliança do senhor e aqueles benefício lhes tinham sido
prometidos como frutos da obediência ( Lev. 26: 14-20; Deut. 11: 13,17).
O objetivo do Senhor nessa promessa a Israel terá de mostrar sua
soberania sobre toda natureza como um testemunho tanto para Israel como
para as nações. Nenhuma dessas alianças foi estabelecida para igreja.
Observamos que a sua soberania em épocas anteriores está contida em que a
fé na sua Palavra independente de benefícios materiais (Mat. 19: 21; Luc. 14:
33).
O princípio universal de esplêndida colheita pela generosa semeadura é,
certamente, sempre aplicável. Mas a colheita pode ser reservada para o céu
com as suas recompensas eternas (Prov. 11: 24; Luc. 6: 38; Gal. 6: x7-9). É
bom fazer do Senhor o nosso aliado. (2: 16-18) o verso 17 é o ponto crucial do
livro. Ontem à ou fração de arrependimento recomendada pelo Senhor para o
povo, oração que muda a perspectiva do livro da adversidade para bênção.

Amós.

Autoria, data, cenários políticos e espirituais.

O livro é escrito aproximadamente no ano 760 a.C. Escrito pelo próprio


profeta Amós.
Internacionalmente, de 800 a 745, o Crescente Fértil gozou de uma relativa
paz. Durante esse período o Egito mostrou-se um pouco fraco, e a Assíria só
começou a penetrar no ocidente em 745, sob o reinado de Tiglate-Pileser III.
Já nacionalmente falando, os reinados de Israel e Judá tinham lutado entre si
com violência. Sob o reinado de Jeoás (II Reis 13: 10), quase trintas anos
antes, Israel quase destruiu Jerusalém, cujo rei era Amazias, sendo este
levado cativo. Sob Jeroboão II e Uzias, porém, os dois reinos não entraram em
guerra e conheceram um período de grande prosperidade e expansão. Israel
ocupou Damasco ao Norte, depois de ter sido dominado por ela. Jeroboão II
colocou sob tributo a maioria das nações circunvizinhas.
No cenário religioso, no tempo de Amós, o sistema de adoração ao
bezerro de ouro em Betel introduzido por Jeroboão no reino de Israel (I Reis
12: 26-33), já durava 170 anos. Embora a adoração de Baal tivesse sido
expurgada da terra por Jeú em 841, a adoração do bezerro continuava por
óbvias razões políticas. O sumo sacerdote era Amazias, da classe leiga,
provavelmente foi nomeado pelo rei.
Mensagem.

Nenhuma profecia é tão bem estruturada como a de Amós. Sua mensagem


desenvolve-se do geral para o particular, vindo em seguida os detalhes.
Primeiro ele apresentou julgamento de Deus sobre Israel, e em seguida chama
a atenção do povo para a necessidade desse julgamento, levando à nação a
concordar sobre a necessidade de o golpe ser desferido. O livro traça de
muitas maneiras, um esboço do que vai se dito a seguir, parte por parte. Os
capítulos 1 e 2 são entrecortados oito vezes pela expressão ―Assim diz o
Senhor‖, que serve para dividir suas mensagens.
Os capítulos de 3 de usam três vezes a frase introdutórias ―Ouvi a palavra‖,
enquanto que os capítulos de 7 a 18 apresentam as visões com a expressão
―O Senhor Jeová assim me fez ver‖. O profeta lida com a Israel como se este
fosse ―Fruto de verão‖ (frutos e excessivamente maduros, 8:1 e ss.), mas
pronuncia o julgamento com muito equilíbrio.
Como fizera Joel 60 anos antes, Amós enfatizou o dia vindo ouro do
Senhor. Porém, ao contrário de Joel, apresentou o como ―Dia de trevas e não
de luz‖ (5: 18). Ou julgamento destruiria não apenas os pagãos (o que seria
aplaudido por Israel), mas também os pecadores e israelitas. Era esse um
esclarecimento essencial para todos eles, já que interpretava sua aliança com
o Senhor como uma espécie de imunização contra calamidade ou julgamentos
(Joel 3: 12-16).
Para a cidade religiosa do norte, o profeta Amós era um intruso a sacudi-
los com a revelação de que o Senhor não é um Deus parcial que se deixe
influenciar por pessoas. Ele julga desumanidade, injustiça social e corrupção
religiosa onde quer que se encontrem. Os religiosos pecadores, por temerem
um conhecimento maior, serão lugar dos com muito mais severidade do que os
de menos luz ou revelação (5: 21-24).
Amós foi o primeiro profeta a empregar visões simbólicas nas
declarações proféticas. Muitos profetas posteriores falaram de revelações
semelhantes, tais como os profetas maiores que Zacharias. O poder das visões
simbólicas de Amós pode ser ilustrado por uma primeira visão em 1: 2. Ela foi a
base do julgamento das nações da Palestina nos capítulos 1 e 2. Nela está
declarado que o Senhor rugiria sobre Sião e Jerusalém, e toda a terra, desde
os pastos de Tecoa até o cume do Monte Carmelo no norte, estremeceria e se
lamentarias. O símbolo do rugido do Senhor, como um leão rugi por uma
presa, é apresentado em muitas outras passagens do livro, e enfatiza a
iminência do julgamento vindouro. A visão final do Senhor com o grupo de
destruição em Betel junto ao altar completam o ciclo, demonstrando onde
começará a demolição divina, e que não haverá esconderijos que possam
escondê-los, mesmo ―No cume do caramelo― (9: 1-3). Cada símbolo,
apresentado de maneira notável, é suficiente para que qualquer pessoa
entenda e fique atemorizada

Obadias.

Autoria, data, cenários políticos e espirituais.

A mais provável data é 845 a. C, escrito pelo profeta Obadias.

Observamos a política interna de Judá. Após o próspero e piedoso reinado


do rei Josafá, seu iníquo filho Jeorão tornou-se o único governador de Judá em
848 a.C., aos 32 anos de idade. No princípio do seu reinado, matou todos os
seus irmãos e reinaram ele e sua idólatra esposa Atalia, filha de Acabe e
Jesabel, por oito anos.
Vítima de uma terrível doença intestinal, Jeorão teve uma desonrosa e
dolorosa morte, conforme Elias havia predito em sua carta (II Crônica 21: 12-
18). Devido à iniqüidade desse rei, o Senhor permitiu a revolta de Edom contra
Judá e a pilhagem da casa do rei pelos filisteus e árabes (II Crônicas 21: 16 e
ss.) Isso lhe custou a perda de todas as suas esposas e filhos, exceto Atalia e
Acazias. Evidentemente após uma dessas pilhagens realizadas pelos
Edomitas, Obadias, que recebera uma visão do Senhor, escreveu seu livro.
Embora Israel e Edom fossem originários de irmãos gêmeos, Jacó e Esaú, eles
tornaram-se inveterados inimigos.
O livro refere-se ao destino final dos filhos gêmeos de Isaque e Rebeca,
cujo casamento foi um dos mais célebres da bíblia (Gênesis 24). Todavia, a
ênfase do livro está em Esaú, por intermédio de quem Isaque insistia que a
benção continuasse, apesar de Deus já ter selecionado Jacó (Gen. 25:23). A
preferência de Isaque por Esaú parecia ser a melhor escolha, de conformidade
com as atividades de ambos em Genesis. Mas a história decorrente de
independência, vingança e violência dos descendentes de Esaú demonstram o
perigo das escolhas humanas em oposição às divinas.

Mensagem.
Temos no livro uma lição sobre o perigo de rancor na família. Apesar de
descenderem de dois irmãos gêmeos, as nações de Edom e Israel tornaram-se
inimigas rancorosas e implacáveis. Essa inimizade começou muito antes com
uma ―raiz de amargura‖ que se tornou uma inimizade mútua, nacional, jamais
reconciliada (hebreus 12: 15-17). Ironicamente, começou no lar piedoso, onde
o favoritismo foi demonstrado pelos pais, e provocou intensa rivalidade entre os
rapazes e amarga contenda entre os seus descendentes (Gen. 25: 28 e ss; 27:
41). Aquela inimizade no seio de uma família ainda produz manchetes
internacionais no Oriente Médio, lembrando-nos do princípio afirmado por
Thiago 3:5: ―Veja como uma fagulha põe em brasa tão grande selva‖.
A história começa com a disputa entre os irmãos gêmeos, na qual Jacó e
sua mãe planejem arrancar de Esaú o seu direito de primogênito e benção. A
inimizade e amargura de vinte anos diminuíram um pouco quando Jacó teve
um encontro com Deus ao voltar de Padã-Arã (Ler os capítulos: Gên. 25, 27,
32,33). Sua inimizade tornou-se nacional quando Israel voltou do Egito, apesar
do Senhor ter ordenado a Israel que não se vingasse (Num. 20: 14-21; Deut. 2:
5). Essa inimizade, de Moisés a Malaquias durou 1000 anos. E no Novo
Testamento vemos a inimizade de Herodes, o edomita, que se tinha tornado rei
de Israel, tentando assassinar Jesus (Mat. 2: 16). Herodes Antipas assassinou
João Batista (Mat. 14: 10; Luc. 13: 21; 23: 11). Herodes Agripa I matou Tiago e
tentou matar a Pedro (Atos 12: 1 e ss.). No ano 70 d.C. a nação de Edom
(Iduméia) e Israel desaparecem. Israel volta a ser nação em 1948.
JONAS- MIQUEIAS- NAUM E HABACUQUE.

Jonas

Autoria, data, cenários político e espiritual.

Esse livro escrito aproximadamente em 765 a. C, pelo profeta Jonas.


No aspecto político, Assíria era uma ameaça para Israel desde o tempo de
Onri em 880 a.C., e tinham forçado os israelitas a pagarem impostos ou
tributos nos últimos cinqüenta anos do reinado deste até que Jeroboão II
tornou-se e sacudiu esse julgo mais ou menos em 790 e estendeu o reino do
norte ao seu maior limite desde Salomão. Nos dias de Jonas, Israel sentia-se
seguro e estava em ascensão, enquanto a Assíria achava-se em declínio
político.
Religiosamente, porém, Israel tornava-se mais e mais empedernida,
independente, moralmente degrada e egoísta. Alcançara o seu ―Período áureo‖
e perdeu a sensibilidade de que fora Deus que concedeu a sua misericórdia
com a finalidade de arrependimento e não de independência (II Reis 14: 26,27).
O ministério de Jonas, ministério de misericórdia para Israel, transcorreu
provavelmente um pouco antes do ministério de julgamento de Amós, que veio
de Judá como um mensageiro especial do Senhor.

Mensagem

Enquanto outros Profetas Menores não registram milagres históricos, Jonas


registra diversos, sobre os quais se apóia sua mensagem (O aquietamento do
mar, A preservação de Jonas dentro do peixe, O arrependimento de Nínive, O
rápido crescimento da planta e o aparecimento do verme). Jonas têm isso em
comum com Isaías e Daniel, pois todos eles registraram diversos milagres
históricos e são contestados pelos críticos quanto à sua autenticidade e autoria
(Isaías 37: 36; 38: 8; Daniel 3: 25; 6: 22).
Quanto ao arrependimento de Nínive (3: 5, 9). O livro de Jonas contém um
relato do maior reavivamento registrado na bíblia: toda a cidade de Nínive
abandonou o seus caminhos iníquos e voltou-se para Deus. Jonas foi também
usado como instrumento de arrependimento para os marinheiros, fazendo com
que eles se voltassem para o Senhor depois disso o profeta ter sido jogado no
mar, aquietando-o. Questiona-se às vezes se o arrependimento de nível foi
sincero. O próprio Jesus testificou: ―Se arrependeram como a pregação de
Jonas‖ (Mateus 12: 41).
Quanto ao arrependimento de Deus (3: 9,10). O livro registra o fato de que
Deus também ―Se arrependeu‖ ou ―Compadeceu-se‖, conforme a maioria das
versões. (Heb. Nacham). A mesma palavra usada para arrependimento
humano (Jô 42: 6). Na verdade o que podemos ver aqui foi uma mudança de
idéias o propósito da parte de Deus. Uma expressão antropomórfica mostrando
o aspecto condicional do julgamento divino, que depende das ações do
homem. (Num. 23: 19 e I Sam. 15: 29).
Quanto ao arrependimento de Jonas (2,4). Embora o livro registro
arrependimento inesperada de um dos maiores tiranos da história antiga, sua
ênfase maior está no arrependimento ou mudança de Jonas. O arrependimento
de Nínive ocupa um capítulo, mas a história da preparação de Jonas e seus
sobsequentes treinamento são apresentados em três capítulos ou uma 1, 2 e o
4. Parece que Deus teve mais dificuldade em aperfeiçoar Jonas do que todo o
povo de Nínive. Quando o profeta foi conduzido ao ponto de obediência, o
arrependimento ocorreu naturalmente; foi uma preparação por etapas.

Miquéias.

Autoria, data, cenários políticos e espiritual.


A escrita data de 730 a. C, escrito pelo profeta Miquéias.
Os cenários políticos e religioso são idênticos apresentando; Abrangendo
tanto Israel quanto Judá. (Miq. 1:1; Isa. 1:1). Ele principia apresentando uma
tremenda descrição da terrível e irada descida do Senhor a terra (1: 3,4), contra
aqueles que praticam violência e injustiça para com os pobres. Tirar proveito
dos pobres, ele adverte, é incorrer na ira do Todo-Poderoso (Deut. 15: 10: Sal.
109: 31; 140: 12; Prov. 14: 31; 19: 17).
Mensagem
Miquéias denuncia a opressão dos fracos, o suborno dos líderes, condena
as classes superiores por sangrarem os pobres e indefesos, o ato de expulsar
mulheres dos seus lares e prática de toda espécie de roubo, sendo grande
parte dele em nome da religião. (2: 1,2, 8-11; 3: 1-3, 9-11; 6: 10-12; 7: 1-6). Ao
denunciar o ―pecado social‖ do povo, ele também anuncia à nação a vinda do
―Futuro Governador de Israel‖, o Messias, que viria da pequena e insignificante
cidade de Belém, ao invés da opulenta capital Jerusalém (5: 2-4).
Apresenta o Messias como um ―Pastor‖ à semelhança de Davi, que seria
―... engrandecido até os confins da terra‖ (5: 4). Isso fez com que a nação
concentrasse a sua atenção na pequena cidade de Belém por mais de 700
anos.
Não se encontra no Antigo Testamento, um resumo da Lei mais simples e
mais profundo do que o de Miquéias 6: 6-8. Suas exigências são simples e sem
rodeios: ―praticar a justiça, amar a bondade demonstrando-a, e andar
humildemente com Deus. Do mesmo modo que Jesus resumiu a Lei como
―amor‖ com os insensíveis líderes do seu tempo assim também Miquéias
resumiu-a como justiça, misericórdia e modéstia para com o povo
completamente desprovido dessas qualidades, embora muitíssimo ocupado
com religião (3: 11). Os ―milhares de carneiros‖ e ―dez mil ribeiros de azeite‖ (6:
7) não podiam subornar a Deus e fechar seus olhos à ausência de justiça e
misericórdia entre os homens.
À semelhança de Isaías (1: 5,6 e 57: 1), Miquéias observou que Israel
tinha chegado a uma situação tão depravada em que se podia muito bem
afirmar: ―... não há entre os homens um que seja reto‖ (7: 2-6). Eram todos
iníquos e só cuidavam dos seus próprios interesses naquela sociedade
idólatra. Tendo-se afastado da verdade divina, estavam colhendo os efeitos
sociais de ―os inimigos do homem são os da sua própria casa‖, incluindo
esposa, filhos e pais (7: 5,6). Jesus citou esse texto de Miquéias em Mateus
10: 21,35 para mostrar que a rejeição da verdade que ele pregava no seu
tempo traria aquela mesma condição de castigo do tempo de Oséias. Paulo
também se refere a isso em Romanos (1: 28-32), mencionando que a
depravação social está sempre ligada à rejeição da verdade e da realidade.
Naum

Autoria, data, cenários políticos e espirituais.

O livro é escrito por Naum, em aproximadamente 710 a.C.


O império assírio estava naquela época no auge do seu poder e ameaçava
engolir Judá e todo o Oriente Médio na sua investida para o ocidente. Era uma
época de grandes reformas no cenário político mundial, e Judá precisava da
consolação divina referente à horda violenta de Nínive, a antiga cidadela da
ferocidade.
Naum principia enfatizando a grande ira do Senhor contra o pecado e sua
vinda para trazer julgamento aos perversos inimigos do seu povo. Naum
descreve o Senhor como um Deus zeloso e vingativo, de caráter retribuidor,
que viria e/ou virá com ira abrasadora contra seus inimigos. Esse caráter
zeloso de Deus foi apresentado em Êxodo 20: 5, e mais tarde em
Deuteronômio 32: 21 e ss. Nem sempre Deus é tardio em irar-se.

Mensagem

Naum revelou o detalhado plano divino para destruir e devastar Nínive


complemente. Essa mensagem foi entregue ao povo de Judá para lembrá-lo da
soberania de Deus sobre todas as nações; principalmente as supostamente
poderosas.
A Assíria e a soberba Nínive (que fora capital da Assíria), eram conhecidas
pelo seu poderio militar e crueldade. A maioria dos seus deuses eram
considerados dominadores sobre a guerra. Grande parte da sua arte, cultura e
ciência era copiada da Babilônia, perante a quem eles se sentiam inferiores. O
único grande estudioso assírio foi seu último rei, Assurbanipal, que construiu
em Nínive uma grande biblioteca de 20.000 volumes.
Essa nação violenta e implacável foi usada por Deus para destruir o reino
de Israel, devido à sua idolatria e violência. Os israelitas infiéis foram levados
para a Babilônia, e esta mandou para as terras de Israel mestiços babilônicos
Naum principia enfatizando a grande ira do Senhor contra o pecado e sua
vinda para trazer julgamento aos perversos inimigos do seu povo. Naum
descreve o Senhor como um Deus zeloso e vingativo, de caráter retribuidor,
que viria e/ou virá com ira abrasadora contra seus inimigos. Esse caráter
zeloso de Deus foi apresentado em Êxodo 20: 5, e mais tarde em
Deuteronômio 32: 21 e ss. Nem sempre Deus é tardio em irar-se.
O Senhor através deste livro e profeta descreve vivamente sua grande ira
contra um povo que vivia na violência, pilhagem e derramamento de sangue, e
que deixou de permanecer em sua misericórdia dispensada através de Jonas,
profeta de Deus. Nínive, a grande cidade-rainha seria destruída. Depois de um
curto arrependimento, volta à antiga perversidade e violência e desrespeito à
misericórdia de Deus. O verso mais bonito da bíblia (Naum 1: 7). Depois de
João 3: 16.

Habacuque

Autoria, data, cenários político e espiritual.

O livro foi escrito em 607 a.C, pelo profeta Habacuque.


Do ponto de vista internacional, a luta pelo poder entre Assíria, Babilônia e Egito
favorecia a Babilônia. Nínive caiu em 612 e o exército do Egito seria derrotado no ano
605 em Carquemis, Nabucodonosor estava em ascensão. Habacuque foi
contemporâneo de Jeremias, tendo profetizado com ele para o reino do sul, que se
precipitava num colapso nacional. A reforma de Josias terminou abruptamente com
sua morte em 509, e as sementes da corrupção plantadas por Manassés frutificaram
com rapidez sob o reinado de Joaquim.
Conforme ficou demonstrado pela efêmera reforma de Josias, Judá era
incorrigivelmente corrupto e estava preste a ser julgado. Por não ter tirado lição do
julgamento divino sobre Samaria, Nô-Amom ou Nínive, Jerusalém estava preste a
sofrer destino semelhante nas mãos de um adversário igualmente perverso, que tinha
convocado pelo Senhor para fazer o serviço divino.
Mensagem.
O livro de Habacuque segue praticamente ao de Naum falando sobre o
julgamento divino do segundo maior inimigo de Israel, o destruidor vindo do
Oriente (3:12). Embora Nínive e Babilônia tenham sido usadas pelo Senhor
para destruir Israel no Norte e Judá ao sul (Isaias 7: 18-20; Jer. 27: 6), ambas
foram também julgadas pela violência. Esses dois livros registram o castigo
dessas duas nações por sua conduta sanguinária e perversa, não tolerada nem
aprovada por Deus.
O maior interesse de Habacuque é pela santidade divina com respeito à
perversidade de Israel e a soberba da Babilônia (1: 12; 2: 20; 3: 3). Ele se
afligiu por Deus permitir que o pecado continuasse em Judá sem punição, e
depois se preocupou por Deus usar a Babilônia como instrumento punitivo,
nação ainda mais perversa. O Senhor é longânimo com os pecadores e até
escolhe ―vasos de ira‖ (Romanos 9: 22), para executar os seus objetivos, Sua
Santidade está em jogo. Permite que o pecado siga seu curso normal e se
destrua a si próprio dentro do seu plano, demonstrando assim a soberania e a
grandeza da sua santidade e justiça.
―O justo viverá pela fé‖ (2: 4). Alguém disse que Habacuque é ―... o livro que
começou a Reforma‖. Paulo citou este verso de Habacuque ao desenvolver a
doutrina da justificação pela fé em (Romanos 1: 17 e Gálatas 3: 11), e esse foi
o lema de Lutero e dos Reformadores.
O ousado diálogo de Habacuque com Deus é mais uma oração que uma
profecia. O preocupado e ousado profeta dialoga com Deus fazendo perguntas
que parecem desafiar tanto a santidade quando o amor de Deus. Constitui um
sistema de ensino muito eficiente, propondo perguntas difíceis e elaborando
respostas com autoridade divina. Isso foi denominado ―método rabínico ou
socrático‖, também usado por Jesus com muita eficiência (Mat. 24: 42 e ss.)
A fé de Habacuque é tão vigorosa e profunda, que ele pode expressar
suas dúvidas e ficar satisfeito quando o Senhor responde com novos apelos à
fé. Seguindo o espírito inquiridor e questionador do profeta, uma das frases
mais importantes do livro está no capítulo 3 verso 2 quando ele desafia a Deus:
―Ouvi, Senhor, a Tua Palavra, e temi: aviva, Ó Senhor, a tua obra no meio dos
anos, no meio dos anos a notifica: na ira lembra-te da misericórdia. (3: 2). Em
outras palavras ao pé da letra podemos traduzir: ―Torne a fazer no presente
aquilo que fizeste no passado para que vejamos e creiamos‖. Ao pé da letra
podemos traduzir o sentimento do profeta em alcançar e reviver tudo aquilo
que falaram que Deus fizera no passado.

Sofonias.

Autoria, data, cenários político e espiritual.

O livro foi escrito por Sofonias, aproximadamente entre anos 630 a 625 a.C.

Sofonias desempenhou seu ministério no início do ministério de Jeremias. O


cenário mundial estava em profundas transformações, tanto nacional como
internacional. A Assíria esta em declínio, a Babilônia ascendia ao poder sob
Nabopolassar e o Egito penetrava na Palestina, mas não de modo eficiente.
Judá tinha-se enfraquecido durante o longo reinado de Manassés e era
praticamente um vassalo da Assíria. Josias começou o seu reinado que durou
trinta e um ano, em 640, com oito anos de idade, diante de uma nação muito
enfraquecida politicamente e moralmente.
Sofonias pode ser considerado o profeta que influenciou Josias a voltar-se para o
Senhor talvez aos dezesseis anos de idade e o ajudou nas fases da reforma,
apresentando ao povo um dos quatros bíblicos mais aterradores do julgamento. O
Livro da Lei foi encontrado no templo e o povo foi reunido para renovação da aliança.

Mensagem.

A grande ênfase de Sofonias é o ―Dia do Senhor‖ e o realce da sua fúria.


Três profetas falaram do ―Grande Dia do Senhor‖ (1: 14): (Joel 2: 31 em 835
a.C., Sofonias 1: 14 em 630 a.C., e (Malaquias 4: 5 em 430 a.C.). Datas
aproximadamente durante um período de duzentos anos. Cada um desses
profetas falou a Judá em época de apostasia, admoestando a nação sobre o
terrível julgamento do Senhor, e também indicando o Deus de Israel como
lugar de refúgio para o arrependimento.
Sofonias e a sua terrível descrição de Deus (1: 18). O Todo-Poderoso
consome toda a terra com o fogo da sua indignação em virtude do pecado e da
intransigência dos homens. Jamais veio a um profeta uma mensagem tão
severa e sombria. O Rabino Lehrman diz: ―A diferença entre Sofonias e outros
profetas é que ele faz da denúncia e ameaça, e não do ensinamento moral
positivo, o principal tema da sua pregação‖ [A. Cohen, The Twelve Profhets].
Ele confronta solenemente os homens com a sombria realidade do seu
iminente encontro com um Deus ultrajado que está preste a liquidar homens
idólatras e rebeldes. Porém, Sofonias também realçou a disponibilidade da
misericórdia divina para os que o procuram, mas não admite a diminuição da
sua ira, que dará um terrível fim à terra pela sua rejeição obstinada ao Senhor.
O resumo mais arrebatador das profecias do Antigo Testamento. Se alguém
quiser ver todos os oráculos secretos do Antigo Testamento reunidos e
resumidos num só lugar, basta ler o Livro de Sofonias.
Seu tema central é o ―Dia do Senhor‖, mostrando sua relação para com
Israel e as nações. Descreve os julgamentos partindo da natureza divina e da
rebelião e corrupção dos homens. Como a maioria dos outros profetas,
Sofonias conclui com uma profecia a restauração de Israel após seu
arrependimento. O Senhor vem como um guerreiro vitorioso, para levar seu
povo para a renovação e o triunfo.

Ageu.
Autoria, data, cenários político e espiritual.

O livro foi escrito por Ageu, aproximadamente em 520 a.C.

Após os setenta anos de cativeiro na Babilônia, os judeus retornaram, sob a nova


política persa que encorajava a volta dos cativos, e lhes foi proporcionada uma nova
situação de vida, um distrito na província aquém Eufrates. Esse tratamento benévolo
da parte de Ciro pode ter sido devido à influência de Daniel.
A oposição à construção do templo, veio dos vizinhos samaritanos que tentaram
integrar-se com os judeus e amalgamar as religiões. Essa oposição teve como
resultado perseguições, ficando a construção suspensa por quatorze anos.
Em 537 começou uma grande era para os judeus com a volta do cativeiro e o início
das ofertas da aliança em Jerusalém. A pausa na construção esfriou o ânimo de todos
e eles voltaram para os seus interesses seculares. Todavia, essas atitudes não se
mostraram rendosas, o que pode ter sido um castigo por não terem tido apreço a
fundação do novo templo (Esdras 3: 12,13; Ageu 2: 3).
Após esses quatorzes anos de negligência na construção do templo, o Senhor
permitiu que viesse a seca e má colheita ao povo a fim de alertá-lo. Mandou depois
Ageu e Zacarias mostrar-lhes a causa do problema econômico e sugerir que todos
cuidassem da sua responsabilidade mais importante, a reconstrução do templo do
Senhor.

Mensagem.

A profecia de Ageu segue de perto a de Sofonias em cumprimento parcial da era


pós-exílio. Em Sofonias (3: 18) Deus tinha prometido reunir os exilados que se
lastimavam pela interrupção das festas, e restaurar suas alegrias e vida natural. Pra
que as festas fossem reiniciadas e as atividades restauradas, era necessário que o
templo, habitação do Senhor, fosse reconstruído. Essa era a responsabilidade de
Ageu naquele momento.
Antes do cumprimento final da profecia de Sofonias, entretanto, o Senhor ainda irá
abalar o céu e a terra e todas as nações (2: 6,7,22). Isso levou o profeta a lembrar a
todos que a grande prosperidade dos tempos messiânicos ainda estava no futuro, mas
a mão cheia de bênção de Deus viria após a obediência do povo.
Se Sofonias tinha uma mensagem catastrófica para alertar todas as nações sobre o
iminente julgamento do Senhor, Ageu tinha uma mensagem encorajadora da presença
imediata do Senhor para abençoar os que construíssem sua casa e observassem a
execução de seus preceitos imediatamente (Sofonias 3: 8; Ageu 2: 4,5).
Ageu promete prosperidade econômica (1: 6,10). Três profetas relacionaram a
prosperidade econômica com a obediência espiritual: Joel, Ageu e Malaquias (Joel 2:
18 e ss.; Ageu 1: 6-11; Malaquias 3: 10). Tal fato é verdade como um princípio geral
de causa e efeito (Provérbios 11: 24), mas relaciona especialmente à aliança mosaica
de bênçãos para a obediência (Levítico 26: 14-20). Deus usa a tanto prosperidade
quanto a adversidade para amadurecer o seu povo.
O livro de Ageu é o segundo mais curto do Antigo Testamento, como também seus
sermões. Embora suas mensagens fossem breves, eram penetrantes e poderosas. O
poder de suas palavras relacionava-se com a autoridade de quem as proferia, pois
Ageu sempre reforçava com a expressão ―assim diz o Senhor‖ (26 vezes em 38
versículos). Logo, observamos que a sua ênfase estava fundamentada na autoridade
divina; não era a sua eloqüência ou argumentação.

Zacarias.

O livro foi escrito pelo profeta Zacarias aproximadamente entre os anos 520 a
480 a.C.

Nos âmbitos dos cenários políticos e espiritual, o livro de Zacarias esta


dentro do mesmo aspecto e tramite do profeta Ageu, por estarem cumprindo o
ministério no mesmo período pós cativeiro.

Mensagem.

O cenário histórico dos primeiros oito capítulos envolve problemas de


reconstrução do templo, com considerável oposição local e desencorajamento
do povo. O templo foi terminado em 3 de março de 516 a.C., sexto ano do rei
Dario (Esdras 6: 14,15). Houve uma grande comemoração com muitas ofertas.
A dedicação foi realizada pelas doze tribos de Israel (Esdras 6: 17). Sua
primeira Páscoa em mais de setenta anos ocorreu no mês seguinte, no dia 14
de Nisã.
O cenário dos últimos seis capítulos, o templo já não é preocupação.
Suponho que esta parte tenha sido escrita mais ou menos em 480, nos últimos
anos de Zacarias. O cenário internacional tinha mudado e a preocupação
militar dos persas estava voltada para o extremo Oriente. Tentando estender o
governo persa até a Europa, Dario saiu-se bem no início, mas foi derrotado
pelas cidades da Grécia na Batalha de Maratona em 490. Seu filho Assuero
(futuro marido de Ester), numa poderosa investida em 480, sofreu uma derrota
ainda maior em Salamina, o que mudou o curso do avanço persa no Ocidente.
Dessa maneira, os gregos revelaram sua capacidade como outra potência
gentia a ser enfrentada.
Foi nesse cenário que Zacarias escreveu os capítulos 9-14, começando
com a descrição detalhada de uma invasão grega que se apossaria de toda a
Palestina com exceção de Jerusalém, que seria poupada e protegida
miraculosamente pelo Senhor (9: 1-8).
Os exilados que ainda se achavam na Babilônia foram incentivados a voltar
devido à promessa do Senhor de defendê-los e lhes dar poder, o que antecipa
a luta vitoriosa dos Macabeus. Além disso, Zacarias preveniu as duas vindas
do Messias em sua obra de livramento do pecado e dos inimigos.
O livro de Zacarias e Malaquias acentua e quase esboçam a obra vindoura
do Messias para trazer salvação espiritual na sua primeira vinda, e livramento
nacional de Israel na sua segunda vinda (12-14). Zacarias é o ―Apocalipse‖ do
Antigo Testamento. É o livro das visões e predições futuras.
O grande dia da batalha do Senhor (14: 3). Zacarias concluiu essa profecia
com uma descrição da culminante batalha da terra, quando o próprio Senhor se
envolverá na peleja. Esse ―homem de guerra‖, característica do Senhor, foi
aludido em Êxodo 15: 3, dramatizado em Naum 1: 2; Habacuque 2: 8-15 e
Sofonias 3: 8, e é apresentado em toda a sua pujança nessa visão conclusiva.
Quando o Senhor sair para a peleja, confrontar-se-á com todas as nações
reunidas contra Jerusalém (14: 2; Apoc. 16: 14; 19: 19). Suas armas não são
reveladas, mas fica-se conhecendo o resultado da batalha: a seus inimigos
sucederá que ―a sua carne será consumida, estando eles de pé, e lhes
apodrecerão os olhos nas suas órbitas, e lhes apodrecerá a língua na sua
boca‖ (14: 12), uma forte sugestão de fissão nuclear. Terremotos criarão
mudanças topográficas na terra, preparando-a para a era messiânica, na qual
“O Senhor será rei sobre toda a terra” (14: 5-10).
O verdadeiro valor do jejum (7-8). A questão debatida em Zacarias 7-8 era
se aqueles jejuns deveriam ou não continuar, pois o povo já tinha retornado
para reconstruir o templo. A resposta do Senhor trouxe dois esclarecimentos
com referência ao jejum em (Isaias 58: 4-8).
A- Essa prática foi designada para glória de Deus, e não para o mérito
pessoal e humano. Com facilidade, a renúncia torna-se comiseração própria e
um inútil ritual de egolatria (7: 5,6).
B- O jejum não tem valor, a menos que seja acompanhado de atos de
justiça, bondade e compaixão para com o próximo (7: 9,10). A ausência de tais
atos em Israel trouxe o julgamento divino de destruição e desolação (7: 11-14).
Malaquias.
Autoria, data, cenários político e espiritual.
O livro foi escrito por Malaquias, em aproximadamente 430 a.C.

O momento político mundial de Malaquias é o mesmo de Neemias. O rei


persa era Artaxerxes I, que reinava (465-424) sobre um império enorme e de
difícil controle. A Palestina fazia parte da quinta satrápia, Transeufrates, e
Israel era uma pequena parte dessa província. Embora Zorobabel tivesse sido
designado governador da Judéia em 537 sendo a data do seu falecimento
incerta, nenhum dos seus filhos foi designado para substituí-lo. Neemias,
burocrata judeus da corte de Artaxerxes I, foi designado governador em 444 e
exerceu o cargo até voltar à Pérsia em 432 a.C. (Neemias 5: 14).
Apesar de o templo ter sido reconstruído (516), o sistema de culto
restaurado de maneira digna por Esdras (457) e o muro da cidade reconstruído
(444), o estado espiritual dos judeus estava de novo em um nível muito baixo.
O povo tinha deixado de dar o dízimo, e em conseqüência as colheitas
fracassaram.
Os sacerdotes, vendo-se no desamparo, tornaram-se descuidados e
indiferentes com as funções do templo. A moral mostrava-se frouxa e havia
freqüentes contatos comprometedores com os pagãos circunvizinhos.

Mensagem.

O primeiro problema para Malaquias foi a falha de o povo lembrar-se do


amor da aliança de Deus para com eles. (1: 2 e ss.). Foi essa falha que os
levou à falta de visão, à falta de apreciação e à prática dos pecados de queixas
e indiferença. A última recomendação do profeta foi: ―Lembrai-vos da Lei de
Moisés‖ com as suas promessas e admoestações (4: 4). Recomendou-lhes
também que esperassem pela vinda de Elias que aplicaria essa lei durante o
seu julgamento de restauração (4: 5,6).
Na tradição judaica, Elias é o ―maior e mais fabuloso caráter já produzido
por Israel. É ele quem abre as portas secretas pelas quais os mártires fogem
quem providencia dotes para as infelizes filhas dos pobres. Há para ele uma
cadeira em todas as circuncisões, e um cálice de vinho em todas as mesas de
Páscoa. Ele está nas encruzilhadas do paraíso a fim de saudar todas as
pessoas virtuosas. Será o precursor do Messias, anunciando-o ao novo mundo
onde já não haverá sofrimento para Israel e todos os povos.
Nenhum profeta enfatizou a grandeza de Deus como fez Malaquias.
Quando o pequeno e fraco remanescente de Israel estava preste a entrar nos
quatrocentos anos de silêncio profético, com os conquistadores e a cultura
gentia rodopiando ao redor, precisava lembrar-se da grandeza do Deus que os
chamara para fazer uma aliança com Ele. Deus é fiel naquilo que promete.
A visão escatológica de Malaquias tinha o prospecto de julgamento
purificador para o povo de Deus. No tempo de Malaquias, sérios problemas
sociais e relacionados ao culto tinham surgido na comunidade pos exílica (Ml
1.6-14; 2.8-17; 3.6-15; 4.6). O não arrependimento exigia julgamento. O Senhor
Todo- poderoso viria como Senhor soberano da Nação para obrigar o concerto
(Ml 3.1b). O capitulo 4 tem um sentido escatológico direcionado a dois
momentos, primeiro a vinda de Jesus para ser o Salvador, sua primeira vinda,
e depois alguns indicativos dos tempos do fim de todas as coisas.