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DIREITO EMPRESARIAL

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SUMÁRIO

FORMAÇÃO DO DIREITO DE EMPRESA.....................................................................................03

ORIGEM DA SOCIEDADE...........................................................................................................03

O DIREITO DE EMPRESA NO CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO DE 2002.............................................05

FONTES DO DIREITO DE EMPRESA............................................................................................06

SOCIEDADE EMPRESÁRIA E A PESSOA JURÍDICA......................................................................08

EMPRESÁRIO............................................................................................................................17

RESPONSABILIDADE EM GERAL DAS SOCIEDADES, DOS ADMINISTRADORES E DOS SÓCIOS…21

O EMPRESÁRIO E O DIREITO DO CONSUMIDOR.......................................................................26

DIREITO CAMBIAL BRASILEIRO.................................................................................................31

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................................................37

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1. FORMAÇÃO DO DIREITO DE EMPRESA

1.1 - ORIGEM DA SOCIEDADE

Antes de empreender estudo sobre o direito empresarial propriamente dito,


imprescindível estudar sua formação primitiva na história da origem que sustenta hoje esse
ramo do direito. Assim, a origem remota das sociedades está no ajuntamento de pessoas para
a defesa de interesses comuns no desempenho ou a realização de uma atividade, ou na
produção de bens.

Neste contexto, no que tange as origens da sociedade, Arnaldo Rizzardo1 tece


algumas orientações que merecem destaque, senão vejamos:

Numa primeira fase, houve o gregarismo, que é a aproximação de


pessoas em determinada região, em um centro, embora nem sempre
para a prática de finalidades específicas. Corresponde a tendência
natural das pessoas de se aproximarem, de viverem em grupos, de se
juntarem ou se unirem, opondo-se ao isolamento, ao individualismo.
Vários motivos que conduziram, em um estágio primitivo da
humanidade, a uma aproximação dos indivíduos, e a agirem em
comum, com idêntico e assemelhado comportamento: a defesa, a
necessidade de comunicação, a mútua ajuda, a facilitação em obter
alimento, a construção de abrigos. É própria dessas uniões a
temporariedade, pois perduram enquanto existe o fim comum.

Já na sociedade, a união entre as pessoas se aprofunda, tendo caráter


mais permanente, visando à finalidade prática de defender os
trabalhos comuns, de modo a enaltecer e fortalecer uma determinada

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Direito de Empresa. 5º ed. Rio de Janeiro: Forense, 2014.
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classe de pessoas que presta um mesmo serviço. Sempre se destaca
um objetivo geral, que é o móvel que leva a pessoas a se unirem.

Há a conjugação de esforços, propiciando conseguir resultados mais


facilmente. É da tendência natural a união, que se faz com membros
da mesma família, ou dos parentes próximos, dos vizinhos, dos que
têm facilidade de adaptação. Todos somam forças para um resultado
comum, e, assim, usufruírem do mesmo benefício.

Forma-se um acordo de vontade envolvendo duas ou mais pessoas


para a finalidade da realização de uma determinada atividade, com a
divisão dos resultados entre os componentes. Celso Marcelo de
Oliveira sintetiza os elementos:

a) Contribuição dos sócios, em bens ou serviços, para a formação do


capital social;
b) Divisão dos lucros e perdas entre os sócios;
c) Pluralidade de sócios;
d) Affectio societatis

Importante pontuar nesse contexto que no Brasil, embora sempre tenha existido
o comércio, deu-se o incremento da expansão das atividades comerciais e, assim, da
organização de pessoas que associavam nas atividades econômicas com a vinda da família
imperial, no que ilustra Américo Luís Martins da Silva: “Pela chamada ‘Lei de Abertura dos
Portos’ ou ‘Carta Régia’ de 28.01,1808, os estuários brasileiros abriram-se ao comércio livre
das nações e povos amigos, até então cerrados pela mesquinha e estreita política monopolista
da metrópole. Em seguida, o Alvará de 01/04/1808, permitiu o livre estabelecimento de
fábricas e manufaturas, para estimular as atividades produtivas na nação que surgia”, criando-
se, em 23.08.1808, “a Real Junta de Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegações.

Assim, pela sucinta descrição pontual em referência, temos a noção da origem da


sociedade que hoje evidenciados, o que permite exarar a partir de tal as demais características
que hoje emana o direito empresarial em estudo.

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1.2 – O DIREITO DE EMPRESA NO CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO DE 2002

Com a entrada em vigor do Código Civil de 2002, houve uma unificação do ramo
do direito que disciplina as atividades privadas, tanto as dirigidas para os negócios em geral
como as que tratam especificamente da finalidade lucrativa. Assim, foi posto um fim à
dicotomia histórica do direito privado, e ficou abolida a dualidade de regramento das
obrigações e de diversos tipos contratuais. Explica Rizzardo que adotou-se o sistema italiano
de 1942, reunindo num mesmo regime legal o regramento da atividade econômica, inclusive
a puramente pessoal e que não envolve os interesses materiais, excluídos somente alguns
poucos negócios, por reclamarem tratamentos especiais.

Neste sentido, algumas explicações pertinentes merecem destaque, senão


vejamos2:

Não se pense, porém que houve a substituição ou sucessão da figura


do “comerciante” pela figura do “empresário”, já que o conteúdo
desse termo é amplo, abrangendo o comerciante propriamente dito,
e mais outras formas de ações ou atividades como o fabricante e o
prestador de serviços. O art. 2045 do Código Civil, integrante do livro
complementar que trata das Disposições Finais e Transitórias, revogou
a Parte Primeira do Código Comercial, a qual abrange o art. 1º ao art.
456, e que tinha como objetivo a disciplina a atividade do comércio em
gral. Considerava-se comerciante toda a pessoa titular da atividade
comercial, sem abranger outras formas de regulação da atividade
econômica, como a do produtor e a de prestação de serviços.

Não se pode olvidar o art. 2037 do vigente Código Civil, mantendo as


disposições dirigidas às sociedades, desde que não revogadas
expressamente pelos ditames do Código Civil. Eis o teor dos
dispositivos: “Salvo disposições em contrário, aplicam-se aos

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Direito de Empresa. 5º ed. Rio de Janeiro: Forense, 2014.
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empresários e sociedades empresárias as disposições de lei não
revogadas por este código, referente a comerciantes, ou a sociedades
comerciais, bem como a atividades mercantis”.

Com o Código Civil de 2002, a atividade profissional que objetiva


alcançar resultados econômicos está disciplinada no Livro II da Parte
Especial, denominado “Do Direito de Empresa”, sendo composto por
quatro títulos, desenvolvidos na seguinte ordem: Título I – Do
empresário; Título II – Da Sociedade; Título III – Do estabelecimento;
Título IV – Dos institutos complementares. Inicia o tratamento no art.
966 e termina no art. 1.195.

Insta destacar que a sociedade, enquanto dirigida a desempenhar atividade


econômica lucrativa, enquadra-se no direito empresário. Todavia, dentro do livro destinado a
regular o direito de empresa encontra-se a disciplina sociedade simples, que não tem por
finalidade o exercício de atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de
bens ou de serviços. Encontra-se, pois, no texto codificado destinado a reger uma atividade
econômica a inclusão do tratamento de uma matéria que não é empresária, pois seu objeto é
revelar caráter econômico, sendo salutar nesse momento já trazer a baila tal diferenciação,
para compreensão do tema.

1.3 - FONTES DO DIREITO DE EMPRESA

Por fontes, volvemos as explicações de onde nascem o direito aplicado às


empresas, ou seja, tudo aquilo de onde procede, de onde ela se funda e tira a sua razão de
ser. Fonte refere-se à origem e procedência da regra jurídica. Assim, costuma-se dividir as
fontes do direito de empresa em três categorias. Vejamos:

1. As históricas são procuradas em velhos textos, no direito antigo,


nos primeiros códigos que surgiram, como no Código de Hamurabi, no
Código de Manu (Índia, 1400 a. C), na Lei das Doze Tábuas, no Digesto,
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nos papiros egípcios. Mas propriamente quanto ao direito
empresarial, os textos que primeiro trataram das relações comerciais
ou de produção servem de inspiração ao direito atual. Nessa ótica,
lembram-se as Ordenações Francesas de 1673, o Code de Commerce
de 1807, o próprio Código Comercial Brasileiro de 1850.

2. As fontes materiais revelam-se nos elementos que contribuem


para a formação das normas, como os chefes de estado que
impunham regramentos autoritários, os órgãos encarregados
constitucionalmente para elaborar as leis (Câmara de Deputados,
Senado, Assembleia Legislativa).

3. As fontes formais abrangem as formas externas de manifestação


do direito vigente ou positivo, ou de se exteriorizarem as regras
jurídicas. Nesta classe, existem subdivisões: as fontes primárias,
consistentes nas leis, como o Código Civil; e as fontes secundárias,
externadas nos usos e costumes empresariais, na analogia, nos
princípios gerais do direito de empresa, na jurisprudência, na doutrina
e na equidade.

Importante pontuar que quanto aos usos e costumes, revelam-se pela prática
reiterada de determinados procedimentos que acabam por se cristalizar como regra
obrigatória para, na ausência de lei, reger determinados negócios empresários. Sua
caracterização exige, pois, a prática constante e uniforme, durante certo período de tempo,
de um específico procedimento. Devem ser exercidos de boa-fé, não podendo malferir a
imperatividade da norma legal. Não se admite que sejam contra legem.

Ainda, outras classificações existem, como as fontes primárias, compreendendo


as leis propriamente ditas, isto é, o Código Civil, o Código Comercial e as diversas leis que
tratam da matéria; e as fontes subsidiárias, secundárias ou indiretas, compreende: as leis civis,
os usos comerciais e a jurisprudência. Fazem parte ainda os tratados internacionais de caráter
econômico, a analogia, os princípios gerais do direito e a equidade.
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Traçadas essas considerações iniciais que envolve a formação do direito de
empresa, imprescindíveis a compreensão posterior da matéria correlata ao assunto, passa-se
a efetivamente pontuar as principais matéria do direito de empresa.

2. SOCIEDADE EMPRESÁRIA E A PESSOA JURÍDICA

O Código Civil de 2002, introduziu nova nomenclatura na divisão das sociedades,


como aconteceu com as sociedades que passaram a ser chamadas de empresárias, o que se
deu por influência da doutrina Italiana, a qual criou a teoria da empresa, como sustentado no
tópico anterior onde se tratou da formação da empresa. Foi abandonada a tradicional
classificação das sociedades em comerciais e civis, iniciando a preponderar a organização da
atividade de produção de bens, de sua circulação e da prestação de serviços.

Pelo artigo 981 do Código Civil, “celebram contrato de sociedade as pessoas que
reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade
econômica e a partilha, entre si, dos resultados”, podemos aferir o conceito de sociedade
empresária, assim, a sociedade empresária se caracteriza pela reunião de duas ou mais
pessoas para exercer uma atividade econômica.

Arnaldo Rizzardo3, indica que no sentido subjetivo, empresa é um organismo vivo,


uma comunidade ou instituição, que a distingue ou separa da pessoa do empresário. O
empreendimento tem autonomia por si próprio, persistindo com a morte do titular, pois
abrange toda a esfera de interesses que a envolve e, assim, os trabalhadores, o nome, os bens.

E continuar orientando:

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Direito de Empresa. 5º ed. Rio de Janeiro: Forense, 2014
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Sob o enfoque objetivo, considera-se a empresa como um objeto, ou
um patrimônio, um complexo de bens, um conjunto de pessoas e
coisas, sob o comando do empresário. Na visão de Marcelo Andrade
Féres, “a empresa é vista como o estabelecimento empesarial, isto é,
o complexo de bens (materiais e imateriais, móveis e imóveis, e
segundo alguns, também os serviços) posto à disposição do
empresário, para realização de seu empreendimento”.

No aspecto funcional, a empresa é vislumbrada como atividade


empresarial. Ela, em si, reflete a atividade desenvolvida pelo sujeito de
direito.

Encara-se a empresa como a organização da atividade econômica,


objetivando a produção e a circulação de riquezas, e passando a se
enquadrar como fato jurídico. Enquanto a utilização de um complexo
de bens e pessoas para finalidades produtivas.

Também é relevante a sua consideração como atividade econômica


profissional. Mais apropriadamente, se na prática da atividade, ou da
produção, ou da prestação e serviço se visa a alcançar o lucro e se
descortinarem os perfis da profissionalidade, da economicidade e da
habitualidade, não importante se exercida mesmo por profissionais
liberais, a marca é prática empresarial.

A atividade empresária é o conjunto de atos voltados à consecução de


um fim. Assim, a apreciação da atividade implica a de sua finalidade, a
qual, por sua vez, reflete na coordenação dos atos singulares
praticados no exercício de uma atividade, e dirigidos os atos à
produção ou a circulação de bens ou de serviços.

Conforme podemos observar pelo quadro abaixo relacionado, a sociedade


empresária possui elementos, requisitos importantes que origina essa sociedade empresária,
como:

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A habitualidade dos atos, ou constante
exercício da atividade da empresa, que
Habitualidade dos atos
não se institui para uma tarefa, ou
realização de uma ou poucas tarefas.

Trata-se da condição essencial para o


exercício da empresa. Não tem razão de
existir sem o lucro. A eficiência é medida
pelo lucro. A grande maioria das empresas
visa ao lucro, havendo, no entanto,
algumas cujo interesse imediato está no
lucro e o mediato concentra-se no
interesse coletivo, ou na prestação de
bons serviços, como as empresas públicas,
Lucro ou proveito é assim a Petrobrás, a Caixa Econômica
Federal, o Banco do Brasil, a Embratel.
Existem empresas cuja finalidade imediata
e mediata reside no atendimento do
interesse coletivo, não sendo de realce o
lucro, como acontece com algumas
empresas públicas que prestam serviços
de caráter geral, e, assim, as autarquias
que prestam serviços de limpeza, ou de
fornecimento de água.

Mediante retribuição, as pessoas realizam


serviços para a empresa. Não que se
preste colaboração, mas realizam-se
Realização de serviços por terceiros serviços de toda ordem, como
intelectuais, manuais, técnicos na
produção de riquezas, sempre sob as
ordens do empresário.

É próprio da existência da empresa a


Destinação da produção para o mercado
prestação de serviços ou a fabricação de

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produtos que se destinam ao mercado, à
comercialização, à venda. Existe produção
porque há o comércio ou a circulação dos
produtos e serviços no mercado.

É inerente a toda atividade empresarial,


quer na produção de bens, quer na
comercialização. As vantagens advindas
com a produção sujeitam-se a riscos,
Presença de risco
verificados quando os bens contêm vícios
ou defeitos, ou não funcionam. A
verificação do risco que traz prejuízo
acarreta a responsabilidade.

As sociedades, segundo Rizzardo4, correspondem à reunião de pessoas com um


objeto comum, de natureza econômica ou não. As pessoas associam-se umas às outras,
formando a sociedade. Decorrem os seguintes dados identificadores deste tipo de contrato
ou convenção: a participação de mais de um sócio, a reciprocidade de contribuição com bens
ou serviços, a atividade econômica e a partilha entre os sócios dos resultados.

E ainda, continua trazendo as seguintes orientações:

A empresa como entidade organizada é instituto genérico e impessoal


que abrange os vários tipos de sociedade, voltados à produção e
circulação de bens ou serviços, com finalidade econômica, e
objetivando o lucro. Nem toda empresa é sociedade, ao mesmo tempo
em que nem todas as sociedades são empresas, eis que existem
empresas que não são sociedades, como a do empresário individual, e
existem sociedades que não incluem nas empresas, como as
associações e as sociedades simples, cuja finalidade não está no lucro.

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Direito de Empresa. 5º ed. Rio de Janeiro: Forense, 2014.
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Expõe sobre a matéria Marcelo M. Bertoldi: “A empresa, atividade
exercida pelo empresário – não pressupõe a existência de uma
sociedade, na medida em que esta atividade pode ser exercida por uma
única pessoa física e não por um conjunto de pessoas reunidas em
sociedade”. Daí, finaliza Sérgio Campinho, apresentar-se a empresa
como “um elemento abstrato, sendo fruto da ação intencional do seu
titular, o empresário, em promover o exercício da atividade econômica
de forma organizada”. Realmente a palavra ‘empresa’ corresponde ao
elemento de produção econômica organizada. Quando essa produção
se dá por uma sociedade, tem-se a sociedade empresária. Se o
indivíduo desempenha a atividade econômica organizada, a empresa
individual.

Neste contexto, pela conjunção do enunciado até aqui, ora pela orientação dos
artigos 9825 e 9666, elemento da sociedade empresária é o exercício de atividade econômica
organizada para a produção e circulação de bens ou serviços. De outro lado, simples são as
demais sociedades, em face da parte final do art. 982, isto é, enquadram-se como simples as
sociedades que não visam a atividade econômica organizada para a produção ou circulação
de bens ou serviços, fazendo surgir justamente em razão disso a crítica ao artigo 981, por
inapropriada a condição da contribuição pelas pessoas integrantes de bens ou serviços para o
exercício de atividade econômica, e a partilha entre elas, dos resultados.

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Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por
objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples,
as demais.
Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por
ações; e, simples, a cooperativa.
6 Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica
organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.
Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza
científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se
o exercício da profissão constituir elemento de empresa.
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De acordo com o artigo 983 do Código Civil “A sociedade empresária deve
constituir-se segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092; a sociedade simples pode
constituir-se de conformidade com um desses tipos, e, não o fazendo, subordina-se às normas
que lhe são próprias”. As sociedade empresárias seguem os tipos que constam arrolados no
código civil, sendo:

Artigo 1.039 do Código Civil: Somente


pessoas físicas podem tomar parte na
sociedade em nome coletivo, respondendo
todos os sócios, solidária e ilimitadamente,
pelas obrigações sociais.
Em nome coletivo
Parágrafo único. Sem prejuízo da
responsabilidade perante terceiros, podem
os sócios, no ato constitutivo, ou por
unânime convenção posterior, limitar entre
si a responsabilidade de cada um.

Artigo 1.045 do Código Civil: Na sociedade


em comandita simples tomam parte sócios
de duas categorias: os comanditados,
pessoas físicas, responsáveis solidária e

Comandita Simples ilimitadamente pelas obrigações sociais; e os


comanditários, obrigados somente pelo
valor de sua quota.

Parágrafo único. O contrato deve discriminar


os comanditados e os comanditários.

Artigo 1.052 do Código Civil: Na sociedade


limitada, a responsabilidade de cada sócio é
Limitada restrita ao valor de suas quotas, mas todos
respondem solidariamente pela
integralização do capital social.

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Artigo 1.052 do Código Civil: Na sociedade
anônima ou companhia, o capital divide-se
Anônima em ações, obrigando-se cada sócio ou
acionista somente pelo preço de emissão
das ações que subscrever ou adquirir.

Artigo 1.052 do Código Civil: A sociedade em


comandita por ações tem o capital dividido
em ações, regendo-se pelas normas relativas
Comandita por ações
à sociedade anônima, sem prejuízo das
modificações constantes deste Capítulo, e
opera sob firma ou denominação.

Quanto ao registro da sociedade empresária de acordo com o artigo 967 “É


obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva
sede, antes do início de sua atividade”, sendo que, o empresário com tal providência adquire
o status de empresário, apresentando-se com essa qualidade na sua atividade, sendo certo
que a sociedade somente adquire personalidade jurídica com a inscrição no registro próprio
e na forma da lei, dos seus atos constitutivos.

A inscrição, seja do empresário ou da empresa, traz a personalidade jurídica


distinta daquela da pessoa jurídica, como se pode inferir do artigo 985 do Código Civil “A
sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição, no registro próprio e na forma da
lei, dos seus atos constitutivos”, sendo que o empresário, a partir de então passa a se qualificar
como uma nova realidade, tendo presença distinta de sua pessoa física. É considerado na
atuação que exerce. Contrata, cria direitos e assume compromissos não como pessoa física,
mas como um novo ser. De igual modo, a pessoa jurídica, que se apresenta como sujeita de
direitos e deveres em posição diferente das pessoas físicas que a constituem.

Importante ainda destacar que sem o registro, a empresa e o empresário existem


no contrato, a eles circunscrevendo-se os efeitos nas relações recíprocas e nos contratos com

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terceiros. Por outras palavras, o registro do empresário ou da sociedade empresária faz surgir
a regularidade da sociedade, mas não se constitui em condições para levar à sua
caracterização. Todavia, sem o registro não adquirem seus atos segurança frente a outras
pessoas. Socialmente, o titular da empresa individual e a empresa passam a existir com o
registro.

Ademais, enquanto não levado a efeito o registo, os sócios respondem com seu
patrimônio pelas dívidas contraídas. Os negócios ficam na esfera de particulares, pois falta a
publicidade que é dada pelo Registro do Comércio. Depois de efetuado o registro e
arquivamento, não se imputa a responsabilidade aos sócios.

Importante destacar nesse ponto a possibilidade de se incluir a empresa entre as


pessoas jurídicas, justamente porque passa a ter direitos e deveres. O registro em órgão
próprio confere à empresa a personalidade jurídica, isso é, a capacidade de exercer direitos e
de cumprir obrigações, tornando-se um ente distinto dos sócios, tanto em relação a eles como
a terceiros. Assim, as pessoas jurídicas são, por conseguinte, entes organizados com
personalidade própria, e devidamente registradas em órgão específico, ou mesmo no Cartório
de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Desde que visando um escopo econômico, e
organizadas para a produção de bens ou a prestação de serviços, as pessoas jurídicas
confundem-se com as empresas, ou, com mais propriedade, com a sociedade empresária. De
acordo com a orientação de Fábio Ulhoa Coelho “pessoas jurídicas empresárias, que se
exteriorizam através dos tipos de sociedades criadas por lei, como a sociedade de
responsabilidade limitada, a anônima, a em comandita e a em nome coletivo”. Assim, se há a
reunião de duas ou mais pessoas, constituem-se sociedades.

Insta esclarecer assim que não importa concluir, no entanto, que na pessoa
jurídica sempre deve haver a sociedade. Existem entes organizados e com personalidade
própria que não se confundem com as sociedades ou as empresas, afigurando-se como
exemplos a União, os Estados e os Municípios.

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Nesse contexto, tratando-se de pessoa jurídica, conceitualmente temos como
sendo o ente personalizado composto de duas ou mais pessoas físicas, unidas por um nexo,
visando a uma finalidade específica, e com capacidade para realizar vários atos da vida civil,
ou o ente público instituído; ou o acervo de bens com destinação especial, no qual também
se congregam indivíduos.

As pessoas jurídicas pode ser de direito público e privado, conforme quadro


demonstrativo que segue:

Pessoas jurídicas de direito público Pessoas jurídicas de direito privado

São constituídas de entidades particulares,


São aquelas destinadas a atender
cuja formação decorre de ato das pessoas,
finalidades do Estado, criadas pela
se reúnem em torno de determinado
Constituição Federal ou por lei, gozando do
objetivo, e se organizam através de
jus imperii, e tratando de interesses
estatutos ou regimentos internos, sendo
públicos ou preponderantemente de todos.
necessário o devido registro público.
De acordo com o artigo 41 do Código Civil
De acordo com o artigo 44 do Código Civil
são as seguintes:
são as seguintes:
1. União;
1. Associações;
2. Estados, Distrito Federal e
2. Sociedades;
Territórios;
3. Fundações;
3. Autarquias, inclusive as associais
4. Organizações religiosas;
públicas;
5. Partidos políticos;
4. As demais entidades de caráter
6. Empresas individuais de
público criadas por lei.
responsabilidade limitada.

Nesse ponto chama-se atenção a pessoa jurídica de direito público privado,


concernente as sociedades, da qual duas grandes classe merecem destaque, sendo: a

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sociedade não personificada7, a as personificadas8. Esta última se divide em simples e
sociedade empresária. Assim vê-se que estudo da sociedade empresária está inteiramente
ligado a pessoa jurídica, pois sociedade empresária é um pessoa jurídica de direito privado.

Na sociedade simples não há preponderante interesse econômico imediato que


reverte aos sócios, buscando cumprir finalidades e interesses mais ligados à classe das
próprias pessoas que as foram, sem uma exploração econômica dos bens, ou sem procurar
extrair resultados lucrativos das atividades. Já a sociedade empresária, como já estudado
acima, são mais numerosas e objetivam um fim econômico direto e favor de sua integrantes,
tendo o nome de empresarias, e visam ao lucro, à exploração de bens, à execução de tarefas.

3. EMPRESÁRIO

Comecemos o estudo sobre o empresário elevando raciocínio ao que preceitua o


artigo 966 do Código Civil, senão vejamos:

Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente


atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de
bens ou de serviços.

Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão


intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o
concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da
profissão constituir elemento de empresa.

Segundo orienta Rizzardo, trata-se de pessoa física que desempenha uma


atividade organizada visando à obtenção de riqueza, o que se consegue com a produção de

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Aquelas que embora com estatutos ou contrato social, não tem o registro.
8 Aquelas com ato constitutivo e registros.
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bens ou a promoção de sua comercialização, bem como a prestação de serviços, de modo a
conseguir resultados econômicos. O elemento caracterizador é a atividade-fim, dirigida para
a prática de atos empresariais, ou para atividades próprias do empresário, que são o conjunto
de todos para a consecução de um fim econômico.

O exercício dessa atividade organizada tem que atender as seguintes finalidades:

1. A produção de bens, que é a industrialização, a confecção, a


criação de produtos para a venda ou a colocação no mercado.

2. A circulação de bens ou serviços, que corresponde à distribuição


e comercialização dos bens nos centros e pontos de comércio de
atacado ou do varejo, até chegarem ao consumidor final, ou a
prestação de serviços de modo generalizado, como as grandes
empresas de transportes e de construção. O termo “circulação” deve
ser encarado sob o ponto de destinação dos produtos para terceiros
no sentido de negócio, de venda e compra, ou mesmo troca, embora
raramente aconteça esta forma.

Ainda, algumas caraterísticas sedimentadas pela doutrina merecem destaque,


conforme segue:

Todos quantos desempenham profissionalmente a atividade


econômica, organizando-se para tanto, ou participando de sociedades,
enquadram-se como empresários. Esta a visão que se colhe junto a
Marcelo Andrade Féres: “o empresário é entendido, juridicamente,
como o sujeito de direito que exerce a empresa. São empresários as
pessoas naturais ou jurídicas (sociedades) exercentes dessa atividade
econômica qualificada”.

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Aquele que exerce a empresa realiza uma atividade econômica, assim
procedendo profissionalmente, e organizando-se para conseguir
resultados com bens ou serviços. Não abrange participantes ou sócios
da empresa, procura demonstrar Fábio Ulhoa Coelho: “É necessário,
assim, acentuar, de modo enfático, que o integrante de uma sociedade
empresária (o sócio) não é empresário; não está, por conseguinte,
sujeito às normas que definem os direitos e deveres do empresário.
Claro que o direito também disciplina a situação do sócio, garantindo-
lhe direitos e imputando-lhe responsabilidades em razão da
exploração da atividade empresarial pela sociedade de que faz parte.
Mas não são os direitos e as responsabilidades do empresário que
cabem à pessoa jurídica; são outros, reservados pela lei para os que se
encontram na condição e sócio”.

Mesmo aquele que se constitui individualmente para explorar uma


atividade econômica e lucrativa enquadra-se como empresário. Trata-
se da pessoa natural que exerce atividade econômica de produção e
circulação de bem ou de prestação de serviços, não se organizando
quantitativamente para tanto. Corresponde à figura que, sob a égide
do Código Civil anterior, se denominava “firma individual”.

Mais propriamente, denomina-se empresário individual a pessoa


estabelecida para exercer atividade econômica de criação ou oferta de
bens ou serviços. Ou considera-se empresário individual aquele que,
de forma isolada, exerce a atividade empresarial, entendendo a
doutrina, de forma majoritária, que tal exercício ocorre pela própria
pessoa natural sob uma firma constituída nos termos do artigo 1.156
do Código Civil, ou seja adotando nome empresarial na modalidade de
firma, constituída por seu nome completo ou abreviado e,
acrescentando, se for de seu interesse, uma designação mais precisa
da sua pessoa ou do gênero de atividade, a teor do artigo 1.156 do CC.
É diferente a situação em que o empresário pretenda realizar o
empreendimento de forma coletiva, com a contribuição de outras
pessoas, pois constituirá uma sociedade empresária.
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Para a caraterização do empresário, em razão do artigo 966 do Código Civil, é
imprescindível que a atividade por ele realizada dê-se profissionalmente, e não casualmente;
além disso, exige-se que a atividade pelo mesmo exercida seja organizada, o que requer a
presença de vários elementos, como a força de trabalho, a matéria-prima, o capital e a
tecnologia. O referido artigo 966 bem explicita quem é o empresário, considerando-o aquele
que “exerce profissionalmente atividade econômica para a produção ou circulação de bens ou
de serviços”. Essa atividade exercida profissionalmente, é aquela que se opera de maneira
habitual e não esporádica, visto que alguém pode produzir ou propiciar a circulação de bens
ou serviços sem, necessariamente, ser considerado empresário.

Assim, de forma sucinta ainda que sejam matérias distintas entre si, mas
intimamente ligada pelo estudo, de forma a aclarar os enunciados transcritos, impera-se
destacar que:

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Dessa forma, uma vez explicitada a figura da pessoa jurídica, da sociedade
empresária e do empresário, passaremos a empreender, de uma forma geral, acerca da
responsabilidade das sociedades, dos administradores e dos sócios.

4. RESPONSABILIDADE EM GERAL DAS SOCIEDADES, DOS


ADMINISTRADORES E DOS SÓCIOS

Conforme bem ensina a doutrina, as disposições das sociedades simples aplica-se,


na omissão de regras específicas, a algumas sociedades empresárias, conforme se depreende
dos artigos 1.040, 1.046 e 1.0539, que preveem a aplicação de suas normas à sociedade em
nome coletivo, à sociedade em comandita simples e à sociedade de responsabilidade limitada.
Nesta visão, a regra do artigo 1.011, embora inserido no contexto que envolve as sociedades
simples, tem uma extensão abrangente das demais sociedades “O administrador da sociedade
deverá ter, no exercício de suas funções, o cuidado e a diligência que todo homem ativo e
probo costuma empregar na administração de seus próprios negócios”.

9
Art. 1.040. A sociedade em nome coletivo se rege pelas normas deste Capítulo e, no que seja
omisso, pelas do Capítulo antecedente.
Art. 1.046. Aplicam-se à sociedade em comandita simples as normas da sociedade em nome
coletivo, no que forem compatíveis com as deste Capítulo.
Art. 1.053. A sociedade limitada rege-se, nas omissões deste Capítulo, pelas normas da
sociedade simples.
21
Segundo explica Rizzardo, com exceção dos dispositivos acima citados, existem
regras de aplicação a todas as pessoas jurídicas, e assim, a todas as sociedades. E continua:

O art. 173, §5º, da Constituição Federal, estende a responsabilidade à


generalidade das sociedades ou pessoas jurídicas, sem desconsiderar
a individual dos dirigentes: “A lei, sem prejuízo da responsabilidade
individual dos dirigentes da pessoa jurídica, estabelecerá a
responsabilidade desta, sujeitando-a às punições compatíveis com sua
natureza, nos atos praticados contra a ordem econômica e financeira
e contra a economia popular”.

Abrange a responsabilidade os atos realizados pelos prepostos da


pessoa jurídica ou seus integrantes, enquanto por ela atuam, ou em
seu nome ajam, no que se ingressa na responsabilidade
extracontratual ou por culpa. O art. 47 do Código Civil, mantendo a
ideia que vinha no art. 17 do Código revogado, é de clareza sola:
“obrigam a pessoa jurídica os atos dos administradores, exercidos nos
limites de seus poderes definidos no ato constitutivo”. Embora dirigido
especificamente às sociedades simples, deve estender-se o parágrafo
único do art. 1.015 às demais sociedades pelo excesso dos atos dos
administradores, a menos que se comprove uma das seguintes
situações:

I – se a limitação dos poderes estiver inscrita ou averbada no registro


próprio da sociedade;

II – provando-se que era conhecida do terceiro;

III – tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da


sociedade.

Não se esgota aí a matéria. Ficam, ainda, as sociedades obrigadas, na


síntese de Waldírio Bulgarelli: “a) Quando houver tirado proveito; b)
quando houver ratificado o ato; c) quando o ato atinja terceiros de
boa-fé. Nas companhias, se admitido que eles respondem diretamente
perante terceiros ou acionistas terão ação regressiva contra o
22
administrador, culpado, ou então não respondem e sim, diretamente,
o administrador responsável”.

Importante destacar que tais fundamentos se estendem as pessoas jurídicas de


direito público, posto que de todos se exigem o cumprimento das obrigações e o
ressarcimento do dano causado.

De maneira geral, incumbe pontuar de forma separada a responsabilidade dos


administradores e sócios pelas obrigações em geral das sociedades. Vejamos:

1. Quantos aos administradores: a situação mais comum verifica-


se quando o representante age com excesso de mandato, ou com
violação do contrato ou do texto legal. Nessas condições, o sócio-
gerente é responsável pelas obrigações irregularmente contraídas em
nome da firma, ou na dissolução irregular. Restou mais solidificada a
responsabilidade com o art. 50 do Código Civil de 2002, direcionado à
pessoa jurídica em geral, e que destaca em dois campos o abuso de
personalidade jurídica: o desvio da finalidade e a confusão
patrimonial: “Em caso de abuso da personalidade jurídica,
caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial,
pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público
quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e
determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens
particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica”. O
desvio de finalidade consiste no direcionamento da sociedade para
atividades ou objeto diferentes daqueles que constam dos estatutos
ou do contrato social. A confusão patrimonial se dá na transferência
do patrimônio social para o nome dos administradores ou sócios.
Amador Paes de Almeida expõe quando é solidária a responsabilidade
dos administradores: “A responsabilidade do administrador é pessoal,
tornando-se, porém, solidária com outros administradores, se
23
conivente, negligente ou, ainda, se dos atos ilícitos tiver conhecimento,
nada fazendo para impedir a sua prática, ou denunciá-la. Esta última
providência pode ser tomada consignando sua discordância na ata de
reunião do Conselho de Administração ou da diretoria de que faça
parte, ou dela dê ciência ao Conselho Fiscal, ou ainda à Assembleia
Geral”.
Cataloga Tullio Ascarelli vários outros atos que responsabilizam
perante terceiros, além dos administradores, os próprios sócios, se
envolvidos: a distribuição de dividendos fictícios, a venda de ações
abaixo e seu valor nominal, a redução do capital social sem a devida
divulgação e registros públicos, a violação da indisponibilidade da
reserva legal, a contratação de empréstimos perante a sociedade, a
falta de veracidade dos balanços de relatórios, de prospectos e contas;
a negociação das próprias ações as sociedade.

2. Quanto aos sócios em geral: o normal é que o patrimônio da


sociedade suporte as obrigações e os prejuízos que provoca. Em
relação à responsabilidade dos sócio pelas dívidas sociais, além de
subsidiária (excepcionalmente solidária), pode ser limitada, ilimitada
ou mista. Nas sociedades cujos sócios assumes responsabilidade
ilimitada relativamente às obrigações sociais, não tendo a sociedade
condições financeiras para arcar com as dívidas contraídas, os sócios
são responsáveis por elas até o adimplemento total, ou até exaurido
seu patrimônio pessoal. Por sua vez, quanto à responsabilidade
limitada, os sócios respondem pelas perdas sociais dentro de um
limite, mensurado ao valor do investimento realizado na empresa ou
subscrito. Em relação às sociedades que preveem responsabilidade
mista, apenas parte dos sócios respondem de forma ilimitada, como
na sociedade em comandita simples ou por ações, onde somente os
sócios comanditados são responsáveis ilimitadamente pelas dívidas
sociais, ou, excepcionalmente os sócios comanditários se
emprestarem o nome pessoal a firma social. Afora as regras gerais de
24
responsabilidade acima, o patrimônio dos membros da sociedade
apenas em situações particulares e especificadas em lei ficará
comprometido.

Tema de grande importância ao se estudar o direito de empresa é a


desconsideração da personalidade jurídica que recentemente com a entrada em vigor no
Código de Processo Civil de 2015, ganhou forma procedimental antes não editada no texto de
lei, conforme prevê o art. 133 e seguintes do referido código10.

10
CAPÍTULO IV
DO INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA
Art. 133. O incidente de desconsideração da personalidade jurídica será instaurado a pedido
da parte ou do Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo.
§ 1o O pedido de desconsideração da personalidade jurídica observará os pressupostos
previstos em lei.
§ 2o Aplica-se o disposto neste Capítulo à hipótese de desconsideração inversa da
personalidade jurídica.
Art. 134. O incidente de desconsideração é cabível em todas as fases do processo de
conhecimento, no cumprimento de sentença e na execução fundada em título executivo
extrajudicial.
§ 1o A instauração do incidente será imediatamente comunicada ao distribuidor para as
anotações devidas.
§ 2o Dispensa-se a instauração do incidente se a desconsideração da personalidade jurídica
for requerida na petição inicial, hipótese em que será citado o sócio ou a pessoa jurídica.
§ 3o A instauração do incidente suspenderá o processo, salvo na hipótese do § 2o.
§ 4o O requerimento deve demonstrar o preenchimento dos pressupostos legais específicos
para desconsideração da personalidade jurídica.
Art. 135. Instaurado o incidente, o sócio ou a pessoa jurídica será citado para manifestar-se e
requerer as provas cabíveis no prazo de 15 (quinze) dias.
Art. 136. Concluída a instrução, se necessária, o incidente será resolvido por decisão
interlocutória.
Parágrafo único. Se a decisão for proferida pelo relator, cabe agravo interno.
25
Segundo Rizzardo, o instituto constitui meio legítimo à perquirição de bens
pessoais dos sócios (ou da sociedade no caso de desconsideração inversa) para suportar
dívidas sociais. Ante suspeitas fundadas de que o administrador agiu de má-fé, com fraude a
interesses de credores e com prova do abuso de direitos, desconsidera-se, embora
momentaneamente, a personalidade jurídica da empresa, permitindo-se a apropriação de
bens particulares para atender as dívidas contraídas por uma das formas acima.

Referido dispositivo está esculpido no artigo 50 do Código Civil, senão vejamos:

Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado


pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz
decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe
couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas
relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos
administradores ou sócios da pessoa jurídica.

Nessa possibilidade de desconsideração, quanto ao desvio de finalidade, deve a


empresa ficar atrelada ao objeto social do contrato, não podendo extrapolar ao que se propôs
realizar. Em relação a confusão patrimonial, o patrimônio da sociedade é distinto do
patrimônio dos sócios. Não cabe daí, o embaralhamento de relações da sociedade com as
pessoais dos sócios, provocando a mistura do capital social com o capital individual.

5. O EMPRESÁRIO E O DIREITO DO CONSUMIDOR

Partindo do princípio que o empresário é aquele que exerce profissionalmente


atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços, de

Art. 137. Acolhido o pedido de desconsideração, a alienação ou a oneração de bens, havida


em fraude de execução, será ineficaz em relação ao requerente.
26
início constatamos a relação que possui com o direito do consumidor, pois, este visa
justamente proteger o consumidor, enquanto destinatário final dos produtos e serviços
colocados no mercado de consumo, logo, o empresário deve observância aos direitos
fundamentais dos consumidores.

Neste sentido, o professor Fábio Ulhoa, averba o seguinte quanto ao Código de


Defesa do Consumidor em relação a figura do empresário, senão vejamos:

Antes da entrada em vigor do Código de Defesa do Consumidor (Lei n.


8.078/90), as relações e contratos dos consumidores com os
empresários estavam disciplinadas pelo direito civil ou comercial,
observados os limites da teoria dos atos de comércio. Quando eram
consumidores de produtos que, por esta teoria, tinham a natureza de
mercantis, aplicavam-se as normas do Código Comercial de 1850. Caso
contrário sujeitava-se o negócio ao Código Civil de 1916. Com o
advento do CDC, as relações e contratos de consumo passaram a
contar com regime jurídico próprio, cujas normas visam a proteção dos
consumidores.

Assim, o Código de Defesa do Consumidor será sempre aplicado, sendo esta a


regra quando os sujeitos de direito encontrarem-se em relação de consumo, de acordo com a
regra constante do referido código, senão vejamos:

Art. 1° O presente código estabelece normas de proteção e defesa do


consumidor, de ordem pública e interesse social, nos termos dos arts.
5°, inciso XXXII, 170, inciso V, da Constituição Federal e art. 48 de suas
Disposições Transitórias.

Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou


utiliza produto ou serviço como destinatário final.

27
Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas,
ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de
consumo.

Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada,


nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que
desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção,
transformação, importação, exportação, distribuição ou
comercialização de produtos ou prestação de serviços.

§ 1° Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.

§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo,


mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira,
de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter
trabalhista.

Assim, o empresário deverá estar atento a todos os direitos básicos do


consumidor, de acordo com o que preceitua o artigo 6º do referido código. Vejamos:

Art. 6º São direitos básicos do consumidor:

I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados


por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados
perigosos ou nocivos;

II - a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e


serviços, asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade nas
contratações;

III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e


serviços, com especificação correta de quantidade, características,
composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem como sobre os
riscos que apresentem; (Redação dada pela Lei nº 12.741, de 2012)
Vigência

28
IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos
comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas
abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços;

V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações


desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que
as tornem excessivamente onerosas;

VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais,


individuais, coletivos e difusos;

VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à


prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais, individuais,
coletivos ou difusos, assegurada a proteção Jurídica, administrativa e
técnica aos necessitados;

VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do


ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz,
for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as
regras ordinárias de experiências;

IX - (Vetado);

X - a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral.

Parágrafo único. A informação de que trata o inciso III do caput deste


artigo deve ser acessível à pessoa com deficiência, observado o disposto
em regulamento. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)

Relativizando o tema, levando em consideração a responsabilidade do empresário


para com o consumidor, tem-se que dentre as normas que interferem no custo da atividade
empresarial está a de consumo.

Os princípios e normas protetivas dos consumidores acima mencionadas, criam


obrigações, ou até maior responsabilização dos empresários diante da ocorrência de defeitos
nos produtos ou serviços oferecidos aos consumidores, bem como da exposição destes a

29
perigos. Isto eleva o custo da sua atividade empresarial, fazendo surgir a necessidade de
adoção de medidas que garantam a competitividade e a obtenção do lucro. De qualquer
forma, estas medidas não impedem a elevação dos custos empresariais, o que implica no
repasse desta elevação aos consumidores, ainda que a médio ou longo prazo.

Justamente em razão de tal responsabilidade, cria-se a necessidade de


harmonização de princípios e normas para a solução de conflitos entre empresários e
consumidores, sendo preciso estabelecer o diálogo destas fontes – empresariais e
consumeristas

Segundo Eraldo Sacramento11, o Direito do Consumidor e o Direito Empresarial,


muitas vezes, reguladores de uma mesma relação social, integra um novo Direito Privado, que
atraiu para si princípios novos para atender sua função social. A coexistência dos princípios e
normas destes ramos do Direito é fundamental para que o equilíbrio seja alcançado, para que
não se passe de um extremo ao outro da balança. Continua orientando que:

Mais uma vez, é válida a lição de (MARQUES, 2009), estendendo-a para


outras partes do mundo. “No Brasil de hoje, a construção de um direito
privado com função social está a depender do grau de domínio que os
aplicadores da lei conseguirem alcançar, neste momento, sobre o sistema de
coexistência do direito do consumidor, do direito civil e do direito empresarial
ou comercial das obrigações. A hora é de especialização e rigor, de atenção
e estudo, pois a reconstrução do direito privado brasileiro identificou três
sujeitos: o civil, o empresário e o consumidor, mesmo sendo os princípios do
CC/2022 e do CDC – em geral – os mesmos”

Desta feita, tem-se evidente a responsabilização consumerista do empresário para


com o consumidor, justamente porque a atividade empresária desenvolvida pelo mesmo
atingirá não apenas o seu interesse, mas de toda a sociedade, sendo essa composta de

11
Pesquisa on-line conforme citação nas referências bibliográficas.
30
consumidores que não estão no mesmo pé de igualdade do empresário, por isso, a aplicação
das normas protetivas aos consumidores.

6. DIREITO CAMBIAL BRASILEIRO

No que concerne o direito cambial brasileiro elementar de início destacar os três


princípios que informam o regime jurídico cambial, ou seja, para que o credor de um título
crédito12 possa exercer os direitos por ele representados insta observar, segundo explica Fábio
Ulhoa Coelho13:

1. Cartularidade: indispensável que o credor se encontre na posse


do documento (também conhecido por cártula). Sem o
preenchimento dessa condição, mesmo que a pessoa seja

12
Os títulos de crédito são documentos representativos de obrigações pecuniárias. Não se
confundem com a própria obrigação, mas se distinguem dela na exata medida em que a
representam. Uma determinada obrigação pode ser presentada por diferentes instrumentos
jurídicos. Se uma certa pessoa, agindo com culpa, provoca, com o seu automóvel, danos em
bens de propriedade alheia, deste seu ato ilícito surgirá a obrigação no sentido de indenizar
os prejuízos decorrentes.
Se devedor e credor estiverem de acordo com à existência da obrigação e também quanto à
sua extensão (o valor da indenização devida), esta pode ser representada por um título de
crédito – cheque, nota promissória ou letra de câmbio no caso. Se as partes concordam
quanto à existência da obrigação, mas não têm condições de mensurar sua extensão, ou
chegar a um acordo sobre esta, a mesma obrigação de indenizar os danos provenientes do
ato ilícito poderia ser representada por um “reconhecimento de culpa”. Se, porém, não
concordam sequer com a existência da obrigação (o motorista de veículo entende não ter
agido com culpa, por exemplo), a obrigação de indenizar somente poderá ser documentada
por um outro título jurídico – uma decisão judicial que julgasse procedente a ação de
ressarcimento promovida pelo prejudicado.

13
Manual de Direito Comercial. 22º. São Paulo: Saraiva, 2010.
31
efetivamente credora, não poderá exercer o seu direito de crédito
valendo-se dos benefícios de regime-jurídico-cambial. Por isso é que
se diz, no conceito de título de crédito, que ele é um documentos
necessário para o exercício do direito nele contido. Como aplicação
prática desse princípio, tem-se a impossibilidade de se promover a
execução judicial do crédito representado instruindo-se a petição
inicial com a cópia xerográfica do título de crédito. A execução – assim
também o pedido de falência baseado na impontualidade do devedor
– somente poderá ser ajuizada acompanhada do original do título de
crédito, da própria cártula, como garantia de que o exequente é o
credor, de que ele não negociou o seu crédito. Este é o princípio da
cartularidade.

2. Literalidade: segundo ele, não terão eficácia para as relações


jurídico-cambiais aqueles atos jurídicos não instrumentalizados pela
própria cártula a que se referem. O que não se encontra
expressamente consignado no título de crédito não produz
consequências na disciplina da relações jurídico-cambiais. Um aval
concedido em instrumento apartado da nota promissória, por
exemplo, não produzirá os efeitos de aval, podendo no máximo, gerar
efeitos na órbita do direito civil, como fiança. A quitação pelo
pagamento de obrigação representada por título de crédito deve
constar do próprio título, sob pena de não produzir todos os seus
efeitos jurídicos.

3. Autonomia: entende-se que as obrigações representas por um


mesmo título de crédito são independentes entre si. Se uma dessas
obrigações for nula ou anulável, eivada de vício jurídico, tal fato não
comprometerá a validade e eficácia das demais obrigações constantes
do mesmo título de crédito. Se o comprovador de um bem a prazo
emite nota promissória em favor do vendedor e este paga uma dívida,
perante terceiro, transferindo a este o crédito representado pela nota
promissória, em sendo restituído o bem, por vício redibitório, ao
32
vendedor, não se livrará o comprador de honrar o título no seu
vencimento junto ao terceiro portador. Deverá, ao contrário, pagá-lo
e, em seguida, demandar ressarcimento perante o vendedor do
negócio frustrado.

Neste sentido, a par dos referidos princípios, determinado empresário credor


pode receber, com segurança, em pagamento por parte de seu devedor, um título de crédito
de que este seja titular, de responsabilidade de um terceiro desconhecido. Segundo Fábio
Ulhoa Coelho, ainda podemos abstrair as seguintes as seguintes informações:

Com efeito, existe todo um aparato jurídico armado (o regime jurídico-


cambial) que garanto ao empresário credor: a) aquela pessoa que lhe
transfere o título – o seu devedor – não poderá cobrá-lo mais
(princípio da cartularidade); b) todas as relações jurídicas que poderão
interferir com o crédito adquirido são apenas aquelas que constituam,
expressamente, do título e nenhuma outra (princípio da literalidade);
c) nenhuma exceção pertinente à relação a qual ele não tenha
participado terá eficácia jurídica quando da cobrança do título
(princípio da autonomia). Tendo então estas garantias, o empresário
se sentira seguro em receber, em pagamento de seu crédito, um título
de responsabilidade de um desconhecido. Dessa forma, o direito
protege o próprio crédito comercial e possibilita a sua circulação com
mais facilidade e segurança, contribuindo para o desenvolvimento da
atividade comercial. Trata-se de exemplo de sobredeterminação
jurídica do modo produção.

Ainda com relação aos títulos de crédito, o credor de uma obrigação


representada por um título e crédito tem direitos, de conteúdo
operacional, diversos do que teria se a mesma obrigação não se
encontrasse representada por um título de crédito. Assim,
basicamente há, duas especificidades que beneficiam o credor por um

33
título de crédito, pois, de um lado, o título de crédito possibilita uma
negociação mais fácil do crédito decorrente da obrigação
representada, de outro lado, a cobrança judicial de um crédito
documentado por este tipo de instrumento é mais eficiente e célere.
Segundo Ulhoa “a estas circunstâncias especiais costuma a doutrina se
referir como os atributos dos títulos de crédito, chamados,
respectivamente, de negociabilidade (facilidade de circulação do
crédito) e executividade (maior eficiência na cobrança)”.

No que toca a classificação dos títulos de crédito, quatro principais critérios devem
ser observados:

1. Quanto ao modelo: no primeiro grupo de que são exemplos a


letra de câmbio e a nota promissória, estão os títulos cuja forma não
precisa observar um padrão normativamente estabelecido. Os seus
requisitos devem ser cumpridos para que e constituam títulos de
crédito, mas a lei não determina uma forma específica para eles. Já o
grupo dos títulos de modelo vinculado, em que se encontram o cheque
e a duplicata mercantil, reúne aqueles em relação aos quais o direito
definiu um padrão para o preenchimento dos requisitos específicos de
cada um.

2. Quanto à estrutura: os títulos de crédito serão ordem de


pagamento ou promessa de pagamento. No primeiro caso, o saque
cambial dá nascimento a três situações jurídicas distintas: a de quem
dá a ordem, a do destinatário da ordem e a do beneficiário da ordem
de pagamento. No caso da promessa, apenas duas situações jurídicas
distintas emergem do saque cambial: a de quem promete pagar e a do
beneficiário promessa. A letra de câmbio, o cheque e a duplicata
mercantil são ordens de pagamento, ao passo que a nota promissória
é uma promessa de pagamento.

34
3. Quanto às hipóteses de emissão: os títulos de crédito são
causais ou não causais (também chamados de abstratos), segundo a
lei circunscreva, ou não, as causas que autorizam a sua criação. Um
título causal somente pode ser emitido se ocorrer fato que que a lei
elegeu como causa possível para sua emissão, ao passo que um título
não causal, ou abstrato, pode ser criado por qualquer causa, para
representar obrigações de qualquer natureza no momento do saque.

4. Quanto à circulação: os títulos de crédito podem ser ao portador


ou nominativos. Os títulos ao portador são aqueles que, por não
identificarem-se o seu credor, são transferíveis por mera tradição,
enquanto os títulos nominativos são os que identificam o seu credor
e, portanto, a sua transferência pressupõe além da tradição, a prática
de um outro ato jurídico.

No que toca os princípios títulos de créditos, vejamos algumas características


pertinentes reproduzidas nas imagens que seguem:

35
Portanto, da forma como seguiu demonstrado, os títulos de crédito são
documentos necessários para o exercício do direito, literal e autônomo nele mencionado,
exatamente da onde se extrai a formação do regime jurídico-cambial que compreende como
consignado, a cartularidade, a literalidade e autonomia.

36
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

RIZZARDO, Arnaldo. Direito de Empresa. 5º ed. Rio de Janeiro: Forense, 2014;

COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de Direito Comercial. Direito de empresa. 22º ed. São Paulo:
Saraiva, 2010.

Pesquisa realiza online. Disponível em < http://www.webartigos.com/artigos/o-empresario-


e-os-direitos-do-consumidor/36224/#ixzz4OtSjKSp1>. Acesso em 02 de novembro de 2016;

Pesquisa realiza online. Disponível em


<www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm>. Acesso em 02 de novembro de
2016;

Pesquisa realiza online. Disponível em < jus.com.br/artigos/23154/harmonizacao-de-


principios-e-normas-para-a-solucao-de-conflitos-entre-empresarios-e-consumidores/2>.
Acesso em 02 de novembro de 2016;

37
AVALIAÇÃO

1. Acerca da desconsideração da personalidade jurídica, matéria sedimentada no direito


de empresa, podemos ver recentemente com a entrada em vigor do CPC/2015
acentuada regra que permitiu-se obter procedimento específico processual para a
desconsideração da personalidade jurídica. Neste contexto, é correto afirmar que:
(a) Restou expressamente observado os princípios do contraditório e ampla defesa
esculpidos na Constituição Federal;
(b) Não é admitido o incidente em fase de cumprimento de sentença;
(c) Pode o juiz determinar a instauração de ofício do incidente de desconsideração da
personalidade jurídica;
(d) Todas as alternativas estão corretas

2. São elementos da sociedade empresária:


I – lucro e destinação da produção para o mercado;
II – presença de risco e habitualidade dos atos;
III – lucro ou proveito e realização de serviços por terceiros;
(a) Somente a alternativa III está correta;
(b) As alternativas II e III estão corretas;
(c) Somente a alternativa I está correta;
(d) As alternativas I, II e III estão corretas.

3. Sobre a empresa e a atividade empresária não é correto afirmar que:


(a) A empresa pode ser considerada como uma atividade econômica profissional
(b) A atividade empresária prescinde à consecução de um fim
(c) A empresa é considerada uma atividade empresarial
(d) Todas as alternativas são incorretas

4. Em leitura conjunta dos artigos 982 e 966, ambos do Código Civil de 2002, podemos
afirmar:
38
(a) O elemento da sociedade empresária não visa o exercício de atividade econômica
(b) O elemento da sociedade empresária tem por objeto tão somente a produção e
circulação de bens ou serviços, prescindindo para isso de organização
(c) Enquadram-se como simples as sociedades que não visam a atividade econômica
organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços.
(d) Todas as alterativas são corretas

5. A atividade organizada para estar em exercício tem que atender:

I - Somente a produção de bens, independentemente se será colocado no mercado de


consumo

II – a produção de bens com sua consequente distribuição e comercialização

III – um fim econômico, que é o elemento caracterizador da atividade econômica


desenvolvida pelo empresário.

(a) Somente a alternativa III está correta


(b) As alternativas II e III são corretas
(c) As alternativas I e III são incorretas
(d) Somente a alternativa II é correta

6. Dentro dos elementos que caracterizam a figura do empresário temos:


(a) A atividade empresária desenvolvida de forma casual e organizada
(b) A atividade empresária desenvolvida de forma profissional, mas sem necessidade de
habitualidade
(c) A atividade empresária desenvolvida de forma organizada, com contratação de mão-
de-obra e de forma habitual
(d) Todas estão corretas

7. No que toca o excesso dos atos dos administradores, a sociedade estará isenta de
responsabilidade quando:

39
(a) A limitação dos poderes estiver inscrita ou averbada no registro próprio da sociedade
(b) Provando-se que era conhecida do terceiro
(c) Tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade
(d) Todas estão corretas

8. São tipos de sociedade empresária:

I - Limitada, comandita simples e fundações

II - Autarquias, anônima e comandita por ações

III - Em nome coletivo, limitada e anônima

(a) As alternativas II e III estão corretas


(b) Somente a alternativa I está correta
(c) As alternativas I e III estão corretas
(d) Somente a alternativa III é correta

9. No que concerne o registro do empresário ou da sociedade empresária é incorreto


afirmar:
(a) Somente com registro surge a regularidade da sociedade
(b) Com o registro o empresário passa a ser distinto de sua pessoa jurídica, mas continua
criando direitos e assumindo compromissos como pessoa física dentro da sociedade
empresária
(c) Sem o registro não adquirem seus atos segurança frente outras pessoas
(d) Todas são incorretas

10. São princípios que informam o direito jurídico cambial:


(a) Cartularidade, autonomia e literalidade
(b) Modelo, estrutura e emissão
(c) Literalidade, modelo e autonomia
(d) Emissão e cartularidade

40
GABARITO

1. A
2. D
3. B
4. C
5. B
6. C
7. D
8. D
9. B
10. A

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