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Disciplina: Cálculo Diferencial e Integral I

Prof. Dr. Frederico de Oliveira Matias


Curso de Licenciatura em Matemática – UFPBVIRTUAL
fred@mat.ufpb.br
Curso de Matemática – UFPBVIRTUAL
Ambiente Virtual de Aprendizagem: Moodle www.ead.ufpb.br
Site da UFPBVIRTUAL www.virtual.ufpb.br
Site do curso www.mat.ufpb.br/ead
Telefone UFPBVIRTUAL (83) 3216 7257

Carga horária: 60 horas Créditos: 04

Ementa

Limites, Continuidade e Derivadas.

Descrição

Esta disciplina consiste em uma apresentação seqüencial de conceitos, propriedades,


resultados derivados e aplicações, integrantes de um estudo que envolve os conteúdos de Limites,
Continuidade e Derivadas. Para que os aprendentes passem a dominar estes assuntos, partiremos de
princípio que os mesmos tenham cursado a disciplina Matemática para o Ensino Básico II onde foram
apresentados aos conteúdos das funções: polinomiais, exponenciais, logarítmicas e racionais. O
estudante deve desenvolver sua capacidade de leitura, escrita e discussão dentro de um ambiente
interativo, trabalhando em grupo e utilizando como ferramenta a plataforma Moodle.

Objetivos

Ao final do curso, espera-se que o aluno esteja habilitado para:

 Compreender, aplicar o conceito de limites e dominar suas principais propriedades;

 Compreender, aplicar o conceito de continuidade e dominar suas principais propriedades;

 Compreender, aplicar o conceito de derivada de uma função real e dominar suas principais
propriedades;

 Construir modelos para resolver problemas envolvendo funções de uma variável real e suas
derivadas;

 Ler, interpretar e comunicar idéias matemáticas.

161
Conteúdo

Unidade I Limites

• Noção Intuitiva
• Definição
• Propriedades dos Limites
• Limites Laterais
• Cálculo de Limites
• Limites no Infinito
• Limites Infinitos
• Propriedades dos Limites Infinitos
• Limites Fundamentais

Unidade II Continuidade

• Continuidade em um ponto
• Teste de Continuidade
• Propriedades de Funções Contínuas
• Composta de Funções Contínuas
• Teorema do Valor Intermediário:

Unidade III Derivada

• A Derivada de uma Função num Ponto


• A Reta Tangente
• Continuidade de Funções Deriváveis
• Derivadas Laterais
• Regras de Derivação
• Derivada das Funções Elementares do Cálculo
• Regras de L’Hospital
• Derivação de Função Composta
• Derivada da Função Inversa
• A Derivada de uma Função na Forma Implícita

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Unidade I Limites

1. Situando a Temática

O conceito de Limite de uma função realiza um papel muito importante em toda teoria
matemática envolvida com o Cálculo Diferencial e Integral. Há uma cadeia ordenada muito bem
estabelecida no Cálculo:

Conjuntos, Funções, Limites, Continuidade, Derivadas e Integrais

Para entender os três últimos conceitos da lista acima, a Teoria de Limites é fundamental. Além
disso, para compreender esta teoria será preciso que você tenha domínio sobre o conteúdo de
Funções que são regras bem definidas que associam a cada elemento de um conjunto de partida,
denominado Domínio, um único elemento em um conjunto de chegada, denominado Contra-
Domínio. Mais precisamente,

f : A → B é função ⇔ ∀x ∈ A , ∃! y = f ( x) ∈ B .

Os conjuntos A e B representam respectivamente o Domínio e o Contra-Domínio da função


f . O elemento f (x) denomina-se a imagem do elemento x pela função f .

Na disciplina Matemática para o Ensino Básico II você foi apresentado aos conteúdos das
funções: polinomiais, exponenciais, logarítmicas e racionais, as quais serão úteis para o estudo do
conteúdo de limites.

O objetivo desta unidade é dar uma definição de LIMITE de uma maneira intuitiva e também de
uma maneira convencional. Vamos apresentar propriedades e teoremas referentes a limites de
funções. Tais resultados (propriedades e teoremas) serão apresentados, na sua maioria, sem
demonstrações, através de alguns exemplos ou exercícios ilustrativos mas, se você tiver interesse
em estudá-los poderá encontrá-los nas referências bibliográficas. Uma justificativa para a omissão
das demonstrações é tornar o texto conciso.

Este texto complementa-se na plataforma MOODLE, onde estão as listas de exercícios e


atividades relacionadas com o texto. Os exercícios são parte fundamental da disciplina, uma vez que
vamos adotar uma metodologia apoiada na resolução de exercícios.

163
Problematizando a Temática

Limite na vida prática

Observamos algumas situações, nas quais estão presentes as idéias intuitivas de limite:

1. Se o câmbio do dólar americano tende a estabilizar em torno de R$ 1,73, então o valor pago
por 100 dólares estabiliza em torno de R$ 173,00. Logo, podemos falar que o limite (valor
pago por 100 dólares) é igual a R$ 173,00, quando o valor pago por 1 dólar tende a R$ 1,73 .
Podemos representar tal situação por:

lim 1,73x = 173


x →100
2. Imagine uma placa metálica quadrada que se expande uniformemente por estar sendo
aquecida. Se x representa o comprimento do lado, a área da placa é dada por A( x) = x 2 .

Evidentemente, quando x se aproxima de 3 , a área da placa A se aproxima de 9 .


Expressamos essa situação simbolicamente por

lim x2 = 9
x→3
3. Suponhamos agora que você esteja dirigindo um automóvel. Se o acelerador for calcado para
baixo em torno de 2 cm, então a velocidade se manterá próximo aos 60 Km/h. Logo, podemos
dizer que o limite (velocidade instantânea do automóvel) é igual a 60 Km/h, quando o
acelerador tender a 2 cm para baixo. Matematicamente escrevemos tal situação por

lim v( x) = 60 ,
x→2
onde v (x) é a velocidade instantânea do automóvel e x é a medida em
centímetros do deslocamento do pedal do acelerador.

4. Outra aplicação interessante do limite de uma função é o cálculo da velocidade instantânea de


um corpo em queda livre sob a ação da gravidade.

O conteúdo desta unidade está distribuído nos tópicos seguintes:

• Noção Intuitiva
• Definição
• Propriedades dos Limites
• Limites Laterais
• Cálculo de Limites

164
• Limites no Infinito
• Limites Infinitos
• Propriedades dos Limites Infinitos
• Limites Fundamentais

3. Conhecendo a Temática

3.1 Limites

3.1.1 Noção Intuitiva

Estudaremos o comportamento de uma função f nas proximidades de um ponto. Para fixar

idéias, consideremos a função f : ℝ \ {1} → ℝ definida por:

x 2 − 1 ( x − 1)( x + 1)
f ( x) = = = x +1
x −1 x −1

Ao analisar o comportamento desta função nas vizinhanças do ponto x = 1 , ponto este que não
pertence ao domínio de f , constatamos que esta função se aproxima rapidamente do valor L = 2 ,

quando os valores de x se aproximam de x = 1 , tanto por valores de x < 1 (à esquerda de 1) como

por valores x > 1 (à direita de 1).

Do ponto de vista numérico, a tabela abaixo mostra o comportamento da função f , para valores x à

esquerda e à direita de x = 1 .

TABELA
Pela esquerda de x = 1 Pela direita de x = 1
x 0 0,5 0,8 0,9 0,99 0,999 1 x 2 1,5 1,2 1,1 1,01 1,001 1
f ( x) 1 1,5 1,8 1,9 1,99 1,999 2 f ( x) 3 2,5 2,2 2,1 2,01 2,001 2

Neste caso, dizemos L = 2 é o limite da função f quando x se aproxima de 1 , o que denotaremos


por:

lim f ( x) = 2
x →1

165
3.1.2 Definição Informal de Limite

Seja f (x) definida em um intervalo aberto em torno de x0 exceto talvez em x0. Se f (x ) fica
arbitrariamente próximo de L , para todos os valores de x suficientemente próximos de x0, dizemos
que f tem limite L quando x tende a x0 e escrevemos

lim f ( x) = L
x → x0
Essa definição é “informal” porque as expressões “arbitrariamente próximo” e “suficientemente
próximos” são imprecisas; seu significado depende do contexto. Para um metalúrgico que fabrica um
pistão, próximo pode significar alguns milésimos de centímetro. Para um astrônomo que estuda
galáxias distantes, próximo pode significar alguns milhares de anos-luz. Entretanto, a definição é
suficientemente clara para permitir o reconhecimento e a avaliação dos limites de várias funções
específicas.
Exemplo 1: O Valor do Limite Não Depende do Modo como a Função é Definida em x0

Com efeito, consideremos as seguintes funções:


2
x −1
a) f ( x) = , x ≠1
x −1
 x2 − 1
 , x ≠1
b) g(x) =  x − 1
 1, x =1

c) h( x ) = x + 1

Note que lim f ( x) = lim g ( x) = lim h( x) = 2 sem que exista f (1) , com g (1) = 1 ≠ 2 e
x →1 x →1 x →1
h(1) = 2 (Veja Figura 1).

Figura 1: Funções do Exemplo 1.

166
Exemplo 2: Os Limites Podem Não Existir

De fato: discutamos o comportamento quando x → 0 das seguintes funções:

0, x < 0
(a) A função de salto unitário definida por U ( x) = 
1, x ≥ 0
1
 , x≠0
(b) A função g ( x) =  x
0, x = 0
0, x≤0

(c) A função f ( x) =   1 
 sen x , x > 0
  
Soluções:
(a) A função de salto unitário U ( x) não tem limite quando x → 0 porque seus valores “saltam”

em x = 0 . Para valores negativos de x arbitrariamente próximos de zero, U ( x) = 0 . Para valores

positivos de x , arbitrariamente próximos de zero, U ( x ) = 1 . Não há um único valor de L do qual

U ( x) se aproxime quando x → 0 (Figura 2 (a)).


(b) A função cresce demais para ter um limite: g ( x ) não tem um valor limite quando x → 0

porque g cresce arbitrariamente em valor absoluto quando x → 0 e não se mantém próximo de


nenhum valor real (Figura 2 (b)).
(c) A função oscila demais para ter um limite: f ( x) não tem limite quando x → 0 porque os

valores da função oscilam entre 1 e − 1 em cada intervalo aberto que contém 0 . Os valores não
se mantêm próximos de nenhum número quando x → 0
(Figura 2 (c)).

Figura 2: Funções do Exemplo 2.

167
3.1.3 Definição Formal de Limite

Definição:Seja f ( x) uma definida em um intervalo aberto em torno de x0 , exceto

possivelmente em x0 . Dizemos que f ( x) tem limite L quando x → x0 e escrevemos

lim f ( x) = L ,
x → x0
se, para cada número ε > 0 , existir um número correspondente δ > 0 tal que para todos os
valores de x,

0 < x − x0 < δ ⇒ f ( x) − L < ε .

Graficamente temos:

Exemplo: Testando a Definição


Mostre que lim ( x + 1) = 2
x →1
Solução: sejam x0 = 1 , f ( x) = x + 1 e L = 2 na definição de limite. Para qualquer ε > 0 ,
precisamos encontrar um δ > 0 adequado ( δ = δ (ε ) , isto é, o número real δ depende do número

real ε fornecido), tal que se x ≠ 1 e x está a uma distância menor do que δ de x0 = 1 , ou seja, se

0 < x − 1 < δ , então f ( x) está a uma distância menor do que ε de L = 2 , isto é, f (x) − 2 < ε .

Encontraremos δ ao resolvermos a inequação:

168
x + 1 − 2 = x + 1 < ε .Daí, basta escolher δ = ε e verifica-se que lim ( x + 1) = 2 .
x →1

3.1.4 Propriedades dos Limites

Muitas funções do Cálculo podem ser obtidas como somas, diferenças, produtos, quocientes e
potências de funções simples. Introduziremos propriedades que podem ser usadas para simplificar as
funções mais elaboradas.

Teorema 3.1: Unicidade do Limite: O limite de uma função, quando existe, é único, isto é,

Se lim f ( x) = L e lim f ( x) = M , então L = M


x → x0 x → x0

Teorema 3.2: Se L, M , x0 e k são números reais e

e
lim f ( x ) = L lim g ( x ) = M
x→ x0 x → x0

então:
1. Regra da Soma: O limite da soma de duas funções é a soma de seus limites, isto é,

lim ( f ( x) + g ( x ) ) = L + M
x → x0

2. Regra da Diferença: O limite da diferença de duas funções é a diferença de seus limites,


isto é,

lim ( f ( x ) − g ( x) ) = L − M
x → x0

3. Regra do Produto: O limite do produto de duas funções é o produto de seus limites, isto
é,

lim ( f ( x) ⋅ g ( x) ) = L ⋅ M
x → x0

4. Regra da Multiplicação por Constante: O limite de uma constante multiplicada pela função
é a constante multiplicada pelo limite da função, isto é,

lim (k ⋅ f ( x) ) = k ⋅ L
x → x0
Em particular,

lim k=k
x → x0

169
5. Regra do Quociente: O limite do quociente de duas funções é o quociente de seus limites,
desde que o limite do denominador seja diferente de zero, isto é,
f ( x) L.
lim = , M≠0
x → x0 g ( x) M

6. Regra da Potenciação: O limite de uma potência racional de uma função é a potência do


limite da função, desde que a última seja um número real, isto é,

lim ( f ( x))
r s
Se r e s são números inteiros e s ≠ 0 , então = Lr s desde que Lr s seja um
x → x0
número real.

Exemplo: Usando as Regras do Limite, calcule

2
 x 2 + 2x3 + 1  3
lim  x 5 + 3 
x →1 

Solução:

2
 x 2 + 2x3 + 1  3
lim  x 5 + 3  =
x →1  
2 2


2

(
 lim x 2 + 2 x 3 + 1)  3  lim x 2 + lim 2 x 3 + lim 1  3
 
x 2 + 2 x 3 + 1 
3
 =  x →1  =  x →1 x →1 x →1  =
 lim 5  (
 lim x 5 + 3 )   5

 x →1 x + 3     lim x + lim 3 
 x →1   x →1 x →1 
2
 
2
 
3
3
    
  lim x  + 2 lim x  + 1  2 2

  x →1   x →1  
 = 12
+ 2 ⋅ 13
+ 1  3
 3
4
2

 15 + 3   =   = 1 3
=1
  
5     
4
  x + 3 
  lim  
  x →1  

Observação: A Regra da Soma que vale


Observação: O Teorema 3.2 só é para duas funções, também vale para
um número finito de funções. Além
válido se ambas as funções f e
disso, se somente uma das parcelas
g possuírem limites. Verifique não possui limite, então o limite da
esta afirmação. soma de todas as parcelas não existirá.
Verifique esta afirmação.

170
Teorema 3.3 (Teorema do Sanduíche): Se valem as desigualdades f ( x) ≤ g ( x ) ≤ h( x ) para todo

x em um intervalo aberto contendo x0, exceto talvez em x = x0 e se lim f ( x) = L = lim h( x ) ,


x → x0 x → x0

então lim g ( x) = L
x → x0
Definição: Dizemos que uma função f é limitada quando existe uma constante C > 0 tal que

f ( x) ≤ C , para todo x ∈ D , onde D representa o Domínio da função f .

Corolário 3.3: Se f é uma função limitada e g é uma função tal que lim g ( x) = 0 , então
x → x0

lim f ( x) ⋅ g ( x) = 0 , mesmo que não exista lim f ( x) .


x → x0 x→ x0

1
Exemplo: Mostre que lim xsen x  = 0
x →0

1
Solução: Como sen  ≤ 1, ∀x ≠ 0 e lim x = 0 , conclui-se, pelo Corolário 3.3, que
 x x →0
1
lim xsen x  = 0
x →0

3.1.5 Limites Laterais

Definição. Seja f uma função definida em um intervalo aberto (x0 , b ) , onde x0 < b .
Dizemos que um número L é o limite à direita da função f quando x tende para x0, e escrevemos

lim+ f ( x) = L
x → x0

se, para todo ε > 0 , existe um δ > 0 tal que f ( x ) − L < ε sempre que x 0 < x < x 0 + δ .

Notação:
x → x0+ ⇒ x → x0 com x > x0

171
Definição. Seja f uma função definida em um intervalo aberto (c, x0 ) , onde c < x0 . Dizemos que

um número L é o limite à esquerda da função f quando x tende para x 0 , e escrevemos

lim f ( x) = L
x → x0−

se, para todo ε > 0 , existe um δ > 0 tal que f ( x ) − L < ε sempre que x 0 − δ < x < x 0 .

Observação: Os Teoremas 3.1, Notação:


3.2 e 3.3 continuam válidos x → x0− ⇒ x → x0 com
quando substituímos x → x0 por
x < x0
x → x 0+ ou x → x 0− .

 x
− , x≠0
Exemplo: Seja f ( x) =  x
 3, x=0

x − 1, x>0
Como − = conclui-se que lim f ( x ) = −1 e lim f ( x) = 1
x + 1, x<0
x →0 + x →0 −

Teorema 3.4. Se f é uma função definida em um intervalo aberto contendo x0, exceto possivelmente

no ponto x0, então lim f ( x) = L se, e somente se,


x → x0

lim f ( x) = L e lim f ( x) = L .
x → x0+ x → x0−

Exemplo: Utilizando o Teorema 3.4

Como lim f ( x ) = −1 e lim f ( x) = 1 , conclui-se, do exemplo anterior, que não existe


x →0 + x →0−

lim f ( x) .
x→ 0

172
3.1.6 Cálculo de Limites

Antes de apresentar exemplos de cálculos de limites, vamos falar um pouco sobre expressões
indeterminadas. Costuma-se dizer que as expressões:

0 ∞
, , ∞ - ∞, 0 ⋅ ∞, 0 0 , ∞ 0 , 1∞
0 ∞

São indeterminadas. O que significa isto?

0
Exemplo: Verificando a indeterminação .
0

(a) Sejam f ( x) = x 3 e g ( x) = x 2 .

f ( x) x3
Temos que lim f ( x) = lim g ( x) = 0 e lim = lim 2 = lim x = 0
x →0 x →0 x → 0 g ( x) x → 0 x x →0

(b) Sejam f ( x) = x 2 e g ( x ) = 2 x 2 .

Temos que lim f ( x) = lim g ( x) = 0 e neste caso,


x →0 x →0

f ( x) x2 1 1
lim g ( x) = lim 2 x 2 = lim 2 = 2
x →0 x →0 x →0

Analisaremos, agora, alguns exemplos de cálculo de limites onde os artifícios algébricos são
necessários: são casos de funções racionais em que o limite do denominador é zero num
determinado ponto e o limite do numerador também é zero neste mesmo ponto.

0
Simbolicamente estaremos diante da indeterminação do tipo .
0

173
x 3 − 3x + 2
Exemplo: Calcule lim 2
x → −2 x − 4

Solução:

x 3 − 3x + 2 ( x 2 − 2 x + 1)( x + 2)
lim x 2 − 4 = lim ( x + 2)( x − 2) =
x → −2 x → −2

lim x 2 − 2x + 1
2
x − 2 x + 1 x → −2
= lim = = −9
− 4
x → −2 x 2 lim x − 2
x → −2

x+2 − 2
Exemplo: Calcule lim
x →0 x

Solução: Para este exemplo usaremos o artifício da racionalização do numerador da função. Segue
então,

x+2− 2
= lim
( x+2− 2 ⋅ )( x+2+ 2 )=
lim x x⋅ ( x+2+ 2 )
x →0 x →0

( x+2 ) − ( 2) =
2 2
x+2−2
= lim
1
=
1
lim lim
x ⋅ ( x + 2 + 2 ) x →0 x ⋅ ( x + 2 + 2 ) x →0 ( x+2 + 2 ) 2 2
x →0

3.1.7 Limites no Infinito

O símbolo ∞ não representa nenhum número real. Usamos ∞ para descrever o comportamento de
uma função quando os valores em seu domínio ou imagem ultrapassam todos os limites finitos. Por
1
exemplo, a função f ( x) = é definida para qualquer valor de x ≠ 0 (Figura 3). Quando x vai se
x
1
tornando cada vez maior, se torna “próximo de zero”. Podemos sintetizar esse fato dizendo
x
1
f ( x) = tem limite 0 quando x → ±∞ .
x

174
1
Figura 3: Gráfico de y =
x

Definição. Seja f uma função definida em um intervalo aberto (a,+∞ ) . Escrevemos,

lim f ( x) = L ⇔ ∀ε > 0, ∃M > 0; x > M ⇒ f ( x) − L < ε .


x → +∞

Analogamente,

Definição. Seja f uma função definida em um intervalo aberto (− ∞, b ) . Escrevemos,

lim f ( x) = L ⇔ ∀ε > 0, ∃N < 0; x < N ⇒ f ( x) − L < ε .


x → −∞

Definição. A reta y = b é uma assíntota horizontal do gráfico da função y = f (x )

Se lim f ( x) = b ou lim f ( x) = b
x → +∞ x → −∞

Teorema 3.5. Se n é um número inteiro positivo, então


1
(a) lim n
=0
x → +∞ x

1
(b) lim n
=0
x → −∞ x

(c) lim K = K ,onde K é uma constante


x → ±∞

Observação: Os Teoremas 3.1, 3.2 e 3.3 continuam válidos quando


substituímos x → x 0 por x → +∞ ou x → −∞ .

175
Exemplo: Usando as propriedades de limites, calcule

x2 + x +1
lim 2
x → +∞ 2 x − 3 x + 4

Solução:

 1 1   1 1 
x 2 1 + + 2  lim 1 + + 2 
2
x + x +1  x x   x x 
lim 2 x 2 − 3x + 4 = lim = → +∞
x =
x → +∞ x 2  2 − + 2  
3 4 3 4 
x → +∞ lim 2 − + 2 
 x x  x → +∞  x x 

1 1
lim 1+ lim+ lim
x → +∞ x → +∞ x x → +∞ x 2 1+ 0 + 0 1
= = =
1 1 2−0+0 2
lim 2 − 3 lim x + 4 lim x 2
x → +∞ x → +∞ x → +∞

3.1.8 Limites Infinitos

Definição: Seja f uma função definida num intervalo aberto contendo x0, exceto,
possivelmente, em x = x0. Dizemos que

lim f ( x) = +∞ ⇔ ∀M > 0, ∃δ > 0 ; 0 < x − x0 < δ ⇒ f ( x) > M


x → x0

Definição: Seja f uma função definida num intervalo aberto contendo x0, exceto,
possivelmente, em x = x0. Dizemos que

lim f ( x) = −∞ ⇔ ∀N > 0, ∃δ > 0 ; 0 < x − x0 < δ ⇒ f ( x) < − N


x → x0

176
Definição. A reta x = x 0 é uma assíntota vertical do gráfico da função y = f ( x ) se

lim+ f ( x) = ±∞ ou lim− f ( x) = ±∞ .
x → x0 x → x0

Exemplo: Encontre as assíntotas do gráfico da função

8
f ( x) = − 2
x −4

(Veja figura 4).

Solução: Estamos interessados no comportamento do gráfico quando x → ±∞ e quando


x → ±2 , onde o denominador é zero. Observe que f é uma função par de x , isto é, f (− x) = f ( x) ,
para todo x ≠ ±2 . Neste caso, o gráfico de f é simétrico em relação ao eixo y .

O comportamento quando x → ±∞ . Como lim f ( x) = 0 , tem-se que a reta y = 0 é uma


x → ±∞
assíntota horizontal.

O comportamento quando x → ±2 . Uma vez que lim+ f ( x) = −∞ e lim− f ( x) = +∞ , a reta


x→2 x→2
x = 2 é uma assíntota vertical. Analogamente, por simetria,

x = −2 , também é uma assíntota vertical.

−8
Figura 4: Gráfico de y = 2
x −4

177
Observação:

A tabela abaixo nos dá um resumo dos fatos principais


válidos para os limites infinitos, onde podemos ter x → x 0 ,
x → x 0+ , x → x 0− , x → +∞ ou x → −∞ .

lim f ( x) lim g ( x) h(x) = lim h( x) simbolicamente

01 ±∞ ±∞ f ( x) + g ( x ) ±∞ ±∞ ±∞ = ±∞
02 +∞ +∞ f ( x) − g ( x ) ? (+ ∞ ) − (+ ∞ ) é indeterminação
03 +∞ k f ( x) ± g ( x) +∞ (+ ∞ ) ± k = +∞
04 −∞ k f ( x) ± g ( x) −∞ (− ∞ ) ± k = −∞
05 +∞ +∞ f ( x) ⋅ g ( x ) +∞ (+ ∞ ) ⋅ (+ ∞ ) = +∞
06 +∞ −∞ f ( x) ⋅ g ( x ) −∞ (+ ∞ ) ⋅ (− ∞ ) = −∞
07 +∞ k >0 f ( x) ⋅ g ( x ) +∞ (+ ∞ ) ⋅ k = +∞ , k > 0
08 +∞ k<0 f ( x) ⋅ g ( x ) −∞ (+ ∞ ) ⋅ k = −∞ , k < 0
09 ±∞ 0 f ( x) ⋅ g ( x ) ? (± ∞ ) ⋅ 0 é indeterminação
10 k ±∞ f ( x) g ( x) 0 k ±∞ =0
11 ±∞ ±∞ f ( x) g ( x) ? ± ∞ ± ∞ é indeterminação
12 k >0 0+ f ( x) g ( x) +∞ k 0 + = +∞ , k > 0
13 +∞ 0+ f ( x) g ( x) +∞ + ∞ 0 + = +∞
14 k >0 0− f ( x) g ( x) −∞ k 0 − = −∞ , k > 0
15 +∞ 0− f ( x) g ( x) −∞ + ∞ 0 − = −∞
16 0 0 f ( x) g ( x) ? 0 0 é indeterminação

Exemplo: Determinar lim (3x 5 − 4 x 3 + 1)


x → +∞

Solução: Neste caso, temos uma indeterminação ∞ − ∞ . Para determinar o limite usamos o seguinte
artifício de cálculo. Escrevemos,

 4 1 
lim (3 x 5 − 4 x 3 + 1) = lim x 5  3 − 2 + 5  = + ∞ (3 − 0 + 0 ) = + ∞
x → +∞ x → +∞  x x 

178
3.1.9 Limites Fundamentais

Teorema 3.6.
senx
(a) lim =1
x →0 x

lim (1 + x )
1x
(b) = e , onde e é o número irracional neperiano cujo valor é 2,718281828459... ,
x →0
a x −1
(c) lim = ln a ( a > 0 , a ≠ 1 )
x →0 x

sen 2 x
Exemplo: Calcule lim
x → 0 sen3 x

Solução:
sen 2 x  sen2 x 2 x 3 x  sen 2 x 2x 3x
lim = lim  ⋅ ⋅  = lim ⋅ lim ⋅ lim =
x →0 sen 3 x x →0  2 x 3 x sen3 x  x →0
2 x
x →0
3 x
x →0
sen3 x

sen2 x 2x 1 2 1 2
lim ⋅ lim ⋅ = 1⋅ ⋅ = .
2x 3x sen3x 3 1 3
x →0 x →0 lim 3x
x →0
Neste exemplo,
sen 2 x senu
lim = lim = 1 , onde u = 2 x e u → 0 quando x → 0 .
x →0 2 x u
u →0
Analogamente,

sen3 x 2x 2
lim = 1 e lim =
3x 3x 3
x →0 x →0

4. Avaliando o que foi construído

Nesta unidade você travou o primeiro contato com o estudo de limites de funções, foi
apresentado ao conteúdo programático, bem como aprendeu a calcular, através dos exemplos,
usando as propriedades, alguns limites de funções. Porém, fique certo, ainda há muito que aprender
dentro de tema.

No Moodle...

179
Pois é. Você precisa visitar o espaço reservado à disciplina Cálculo
Diferencial I na plataforma MOODLE, onde terá a oportunidade de revisar,
testar e enriquecer seus conhecimentos. Lembre-se de que somos
parceiros nos estudos e, portanto, eu não pretendo seguir adiante sem que
você me acompanhe. Aguardo você no MOODLE!

5. Referências

1. Flemming, Diva M., Gonçalves, Mirian B., CÁLCULO A – FUNÇÕES, LIMITE, DERIVAÇÃO E
INTEGRAÇÃO. Editora da UFSC, 5a Edição, 1987.

2. Ávila, G.,CÁLCULO I: FUNÇÕES DE UMA VARIÁVEL, Editora LTC, 6a Edição 1994.

3. Thomas, George B., CÁLCULO, Vol. 1, Editora Pearson Education do Brasil, 10a
Edição, 2002.

180
Unidade II Continuidade

1. Situando a Temática

Quando colocamos em um sistema de coordenadas alguns pontos do gráfico de uma


função cujos valores foram gerados em laboratórios ou coletados no campo, geralmente unimos
esses pontos por uma curva não interrompida para mostrar quais seriam os valores prováveis da
função em todos os instantes em que não medimos (Figura 5). Fazendo isso, supomos que estamos
trabalhando com uma função contínua, uma função cujos valores variam continuamente e não
saltam de um valor para outro sem assumir todos os valores entre eles.
Qualquer função cujo gráfico possa ser esboçado sobre o domínio em um único movimento
contínuo, sem levantar o lápis, é um exemplo de função contínua. Mas uma função pode ser contínua
e seu gráfico se compor de dois “pedaços” distintos. Verifique esta afirmação. Estudaremos, nesta
unidade, a idéia de continuidade.

Figura 5: Mostra como os batimentos cardíacos retornam ao normal depois de uma corrida.

O conteúdo desta unidade está distribuído nos tópicos seguintes:

• Continuidade em um ponto
• Teste de Continuidade
• Propriedades de Funções Contínuas
• Composta de Funções Contínuas
• Teorema do Valor Intermediário

181
2. Problematizando a Temática

As funções contínuas são usadas para achar o ponto em que um planeta mais se
aproxima do Sol ou o pico de concentração de anticorpos no plasma sangüíneo. Elas também são as
funções que usamos para descrever como um corpo se move através do espaço ou como a
velocidade de uma reação química varia com o tempo. Na verdade, tantos processos físicos ocorrem
de modo contínuo que nos séculos XVIII e XIX raramente se pensou em pesquisar qualquer outro tipo
de comportamento. Foi uma surpresa quando os físicos descobriram, em 1920, que a luz vem em
partículas e que os átomos aquecidos emitem luz em freqüências distintas (Figura 6). Como
conseqüência dessas e de outras descobertas e em função do grande uso de funções descontínuas
na ciência da computação, na estatística e em modelos matemáticos, o tema da continuidade se
tornou importante tanto prática quanto teoricamente.

Figura 6

3. Conhecendo a Temática

3.1. Continuidade em um Ponto

Definição. Seja I ⊆ ℝ um intervalo. Uma função f : I → ℝ é contínua em um ponto a ∈ I quando

lim f ( x) = f (a)
x→a

182
Considerações sobre a Definição

(a) Quando f não é contínua em um ponto a , dizemos que f é descontínua em a e que a


é um ponto de descontinuidade de f;
(b) f contínua à esquerda no ponto x = a quando lim− f ( x) = f (a) ;
x →a
(c) f contínua à direita no ponto x = a quando lim f ( x) = f (a) .
x→a +

Exemplo: Uma função com Descontinuidade de Salto


0, x < 0
A função Salto Unitário definida por U ( x) =  é contínua à direita em x = 0 , mas não
1, x ≥ 0
é contínua à esquerda nem contínua aí (Veja Figura 2(a)). Ela apresenta descontinuidade de salto
em x = 0

3.2 Continuidade

Definição. Seja I ⊆ ℝ um intervalo. Uma função f : I → ℝ é contínua quando f é contínua em

todo ponto a ∈ I

Exemplo: Identificando Funções Contínuas

1
A função f ( x) = ( Figura 3) é contínua em todo x ≠ 0 .
x

3.3 Propriedades de Funções Contínuas.

Teorema 3.3: Se f e g são funções contínuas em x = a , então as seguintes combinações são


contínuas em x = a .
1. Soma: f +g
2. Diferença: f −g
3. Produto: f ⋅g
4. Constantes Múltiplas: k ⋅ f , para qualquer número k
5. Quociente: f g , desde que g (a) ≠ 0

183
3.4. Composta de Funções Contínuas.

Teorema 3.4. Se f é contínua em a e g em b = f (a) , então a composta g o f é contínua em a ,

isto é, lim g ( f ( x)) = g ( lim f ( x)) = g ( f (a ))


x →a x→a

Exemplo: Usando as propriedades de funções contínuas, conclua que a função

x +1
h( x ) = é contínua em x = 1
x2 +1
x +1
Solução: Sejam f ( x) = e g ( x) = x . Daí, h( x) = ( g o f )( x) = g ( f ( x)) . Sendo
x2 +1
1+1
f (1) = = 1 e g ( f (1)) = g (1) = 1 = 1 , tem-se que
12 + 1
x +1 1+1
lim g ( f ( x)) = lim h( x) = lim x
x →1 x →1 x →1
2
= 2
+1 1 +1
= 1 = g ( f (1))

3.5. Teorema do Valor Intermediário

Teorema 3.5. .Seja f : [a, b] → ℝ uma função contínua em um intervalo fechado [a, b] tal que

f (a ) ≤ y 0 ≤ f (b) , então y 0 = f (c) para algum c em [a, b] .

184
Exemplo: Aplicando o Teorema 3.5

Existe algum número real que somado a 1 seja exatamente igual ao seu cubo?

Solução: A resposta para esta pergunta está no Teorema do Valor Intermediário.


Com efeito, seja x este tal número que deve satisfazer a equação x + 1 = x 3 ou, equivalentemente,

x 3 − x − 1 = 0 . Portanto, estamos procurando um zero da função contínua f ( x) = x 3 − x − 1 (Veja


Figura 7 abaixo). Esta função muda de sinal no intervalo [1,2] , pois − 1 = f (1) < 0 < f (2) = 5 , logo
deve existir um ponto c entre 1 e 2 tal que f (c) = 0

Figura 7

Ampliando o seu Conhecimento

Você sabia que, geometricamente, o Teorema do Valor Intermediário diz que


qualquer reta horizontal y = d cruzando o eixo y entre os números f (a )
e f (b) cruzará a curva y = f (x ) pelo menos uma vez no intervalo [a, b] ,
desde que f seja contínua em [a, b] .

185
4. Avaliando o que foi construído

No Moodle...
Dialogando e Construindo Conhecimento

Vá à plataforma MOODLE e dedique-se à resolução das tarefas relacionadas


ao assunto desta unidade.
Saiba que o aprendizado em Matemática deve ser continuado e o sucesso no
estudo das funções contínuas vai depender de você visitar constantemente a
plataforma e procurar resolver os exercícios nela proposta.

Dialogando e Construindo Conhecimento

Reúna-se com os colegas para discutir os temas abordados. Procure os


Tutores para esclarecer as dúvidas sobre algum tema que não tenha sido bem
assimilado. Comunique-se! Nós estamos sempre dispostos a orientá-lo e
ajudá-lo em caso de dificuldade no estudo da disciplina. Acredite em seu
potencial e conte conosco.

5. Referências

1. Flemming, Diva M., Gonçalves, Mirian B., CÁLCULO A – FUNÇÕES, LIMITE, DERIVAÇÃO E
INTEGRAÇÃO. Editora da UFSC, 5a Edição, 1987
2. Ávila, G., CÁLCULO I: FUNÇÕES DE UMA VARIÁVEL, Editora LTC, 6a Edição 1994.
3. Thomas, George B., CÁLCULO. Vol. 1, Editora Pearson Education do Brasil, 10a Edição,
2002.

186
Unidade III Derivadas

1. Situando a Temática

No século XVII, Leibniz algebriza o Cálculo Infinitesimal, introduzindo os conceitos de variável,


constante e parâmetro, bem como a notação de dx e dy para designar os infinitésimos em x e em
y . Desta notação surge o nome do ramo da Matemática conhecido hoje como “Cálculo Diferencial”.
A partir daí, com a introdução do conceito de derivada, com Leibniz e Newton, o Cálculo Diferencial
torna-se um instrumento poderosíssimo e cada vez mais indispensável pela sua aplicabilidade nos
mais diversos campos da Ciência. Por exemplo, as derivadas são muito usadas em Engenharia,
Física, Economia, Medicina e Ciência da Computação. Para calcular a velocidade e a aceleração
instantânea de uma partícula em movimento cuja trajetória é descrita pela equação de movimento
s = s (t ) , onde t representa o tempo, para explicar o funcionamento de máquinas, para estimar a
diminuição do nível da água quando ela é bombeada para fora de um tanque e para prever as
conseqüências de erros cometidos durante as medições.

A partir de agora, vamos entrar no passeio divertido do “mundo” das derivadas.

Nesta unidade, abordaremos os seguintes tópicos:

• A Derivada de uma Função num Ponto


• A Reta Tangente
• Continuidade de Funções Deriváveis
• Derivadas Laterais
• Regras de Derivação
• Derivada das Funções Elementares do Cálculo
• Regras de L’Hospital
• Derivação de Função Composta
• Derivada da Função Inversa
• A Derivada de uma Função na Forma Implícita

187
2. Problematizando a Temática

Problema: Encontrar a equação da reta tangente a uma curva y = f (x ) no ponto


P( x0 , y 0 ) , onde y 0 = f ( x0 )

Para solucionarmos este problema precisamos definir o conceito de derivada de uma função
num ponto. A partir de agora vamos desenvolver toda a teoria necessária para solucionarmos este e
outros problemas que envolvem derivadas.

3. Conhecendo a Temática

3.1 A Derivada de uma Função

Definição. A derivada de uma função y = f (x ) em relação à variável x é a função f ′ cujo valor


em x é

f ( x + h) − f ( x )
f ′( x ) = lim ,
h →0 h

desde que este limite exista.

Considerações sobre a Definição:

(a) O domínio de f ′ é o conjunto de pontos no domínio de f para o qual o limite existe.


Ele pode ser o mesmo domínio de f ou menor;

(b) Se f ′ existe para um determinado valor de x , dizemos que f é derivável em x ;

Calculando f ′(x) a partir da Definição de Derivada

Passo 1. Escreva expressões para

f (x) e f ( x + h)

Passo 2. Desenvolva e simplifique o quociente

f ( x + h) − f ( x )
h
Passo 3. Usando o quociente simplificado, encontre f ′(x) calculando o limite
f ( x + h) − f ( x)
f ′( x ) = lim
h→0 h
Exemplo: Aplicando a Definição

188
Encontre a derivada de y = x para x > 0 .

Solução:

Passo 1: f ( x) = x e f ( x + h) = x + h

f ( x + h) − f ( x ) x+h − x
Passo 2 : =
h h

=
( x+h− x )⋅ ( x+h + x )
h ( x+h + x )
x+h−x
=
h⋅ ( x+h + x )
1
=
( x+h + x )
1 1
Passo 3 : f ′( x) = lim = (Veja Figura 8 (a) e 8(b) )
h →o ( x+h + x ) 2 x

Figura 8

Notação: Há várias maneiras de representar a derivada de uma função y = f ( x ) . Além


de f ′(x) , as notações mais comuns são:

(i) y ′ ( lê-se y linha). Esta notação foi dada por Newton

dy
(ii) ( lê-se dydx ). Esta notação foi dada por Leibniz
dx

189
3.2. A Reta Tangente

Definição. Dada uma curva de equação y = f ( x ) , seja P( x0 , y 0 ) um ponto sobre ela, ou seja ,

y 0 = f ( x0 ) . A Reta Tangente a esta curva no ponto P é a reta que passa por P cujo

coeficiente angular mT é dado pela expressão

f ( x 0 + h) − f ( x 0 )
mT = lim ,
h →0 h

quando este limite existe. Assim,

mT = f ′( x0 ) .

Exemplo: Determine a equação da reta tangente à curva y = x em x = 4

Solução: Do Exemplo 3.1, vimos que


1
f ′( x) =
2 x
Logo, o coeficiente angular da reta tangente a esta curva em x = 4 é dado por
1 1
mT = f ′(4) = = .
2 4 4

A reta tangente passa pelo ponto P(4,2) e tem como equação

1 1
y−2= ⋅ ( x − 4) ⇔ y = x + 1
4 4

Figura 9

190
3.3 Continuidade de Funções Deriváveis

Teorema 3.3. Se f é derivável em x = x 0 , então f é contínua x = x 0 .

Prova: Como f ′( x0 ) existe, devemos mostrar que lim f ( x) = f ( x0 ) ou , equivalentemente,


x → x0
que lim f ( x 0 + h) = f ( x 0 ) .
h→0
Com efeito, se h ≠ 0 , então
f ( x 0 + h) − f ( x 0 )
f ( x 0 + h) = f ( x 0 ) + ⋅h
h
Assim,
f ( x 0 + h) − f ( x 0 )
lim f ( x 0 + h) = lim f ( x0 ) + lim ⋅ lim h
h→0 h→0 h →0 h h→0

= f ( x0 ) + f ′( x0 ) ⋅ 0 = f ( x0 )

Corolário 3.3. Se f não é contínua em x 0 , então f não é derivável em x 0

Observação: Nem toda função contínua é derivável. Vejamos a seguir

Exemplo: A função f ( x) = x , x ≥ 0 é contínua em x = 0 mas não é derivável aí, pois


1 f (h) − f (0) f ( h) h 1
f ′( x) = x>0 e f ′(0) = lim = lim = lim = lim
2 x x →0 h h→0 h h →0 h h →0 h
que não existe e, portanto, f não é derivável neste ponto.

191
3.4 Derivadas Laterais

Definição Se a função y = f ( x ) está definida em x 0 ,então a derivada à direita de f em x 0 ,

denotada por f +′ ( x 0 ) , é definida por

f ( x 0 + h) − f ( x 0 )
f +′ ( x0 ) = lim+
h →0 h

f ( x ) − f ( x0 )
= lim+ ,
x → x0 x − x0

caso este limite exista. Analogamente, a derivada à esquerda de f em x 0 , denotada por f −′ ( x 0 ) , é

definida por

f ( x 0 + h) − f ( x 0 )
f −′ ( x0 ) = lim− h
h→0
f ( x ) − f ( x0 )
= lim− ,
x → x0 x − x0

desde que este limite exista.

Considerações sobre a Definição:

(a) Uma função é derivável em um ponto, quando as derivadas laterais à direita e à


esquerda nesse ponto existem e são iguais;

(b) Quando as derivadas laterais à direita e à esquerda existem e são diferentes em um


ponto x 0 , dizemos que este é um ponto anguloso do gráfico da função y = f ( x) . Neste
caso, f não é derivável em x0 ;

(c) Se uma das derivadas laterais não existe em um ponto x0 , então f não será derivável
em x0 .

Exemplo: A função f ( x) = x não é derivável em x = 0 , embora seja contínua aí

Solução: À direita da origem ( x > 0 )

d
( x ) = d ( x) = 1
dx dx

192
e

f ( 0 + h ) − f ( 0) h
f +′ (0) = lim+ = lim+ h = 1
h
h →0 h →0
À esquerda da origem ( x < 0) ,

d
( x ) = d (− x) = −1
dx dx

f ( 0 + h ) − f ( 0) −h
f −′ (0) = lim− = lim = −1
h →0 h h →0 − h

Como f +′ (0) ≠ f −′ (0) , tem-se que f não é derivável x = 0

(Veja Figura 10).

Figura 10

193
3.5 Regras de Derivação

Teorema 3.5. Se f e g são funções deriváveis em x , então as seguintes combinações são


deriváveis em x


1. Soma: f +g e (f + g ) ( x) = f ′( x) + g ′( x) ;


2. Diferença: f −g e (f − g ) ( x) = f ′( x) − g ′( x) ;

3. Produto: ( f ⋅ g ) e ( f ⋅ g )′( x ) = f ′( x ) g ( x ) + f ( x ) g ′( x ) ;

f ′
4. Quociente   e  f  g ( x) f ′( x) − f ( x) g ′( x) , desde que g ( x) ≠ 0 ;
 
g   ( x ) =
g [g ( x)]2

5. Constantes Múltiplas: k ⋅ f e ( k ⋅ f ) ′( x) = k ⋅ f ′( x) , para todo número real k .

No Moodle...

Olá pessoal, visite a plataforma MOODLE e resolva os seguintes exercícios:

(i) Prove o Teorema 3.5 (Regras de Derivação)

d n
(ii) Mostre que ( x ) = nx n −1 , onde n é um número real
dx
(Derivada da Potência)
d
(iii) Mostre que (C ) = 0 , onde C é uma constante.
dx

194
Exemplo: Aplicando as regras de derivação

Determine as derivadas das seguintes funções:

(a) f ( x) = ( x 2 + 2 x)( x 3 + 1)

2x5
(b) g ( x) =
x3 + 1

(c) h( x) = x 4 + x 3 + 2 x

(d) y=x x

Solução: (a)

2 3 2 3
f ′ ( x ) = ( x 2 + 2 x ) ′ ⋅ ( x 3 + 1) + ( x 2 + 2 x )( x 3 + 1) ′ = [( x )′ + (2 x)′] ⋅ ( x + 1) + ( x + 2 x) ⋅ [( x

= ( 2 x + 2 ) + ( x 3 + 1) + ( x 2 + 2 x ) ⋅ (3 x 2 + 0 )

= (2 x + 2) + ( x 3 + 1) + ( x 2 + 2 x) ⋅ (3x 2 )

(b)
( 2 x 5 ) ′ ⋅ ( x 3 + 1) − ( 2 x 5 ) ⋅ ( x 3 + 1) ′
g ′( x ) =
( x 3 + 1) 2
4 3
10 x ⋅(x + 1) − ( 2 x 5 ) ⋅ (3 x 2
+ 0)
=
( x 3 + 1) 2

10 x 4 ⋅ ( x 3 + 1) − ( 2 x 5 ) ⋅ ( 3 x 2 )
=
( x 3 + 1) 2

(c)

h ′( x ) = ( x 4 ) ′ + ( x 3 ) ′ + ( 2 x ) ′

= 4x3 + 3x2 + 2

195
(d) y ′ = ( x x )′

= ( x) ′ ⋅ x + x ⋅ ( x ) ′

= 1 ⋅ x + x ⋅ [( x)1 2 ]′
 1
1  1− 
= x + x ⋅ ⋅ x 2 
2
x
= x+
2 x

x x
= x+ ⋅
2 x x

x x
= x+
2 x ( ) 2

x x
= x+
2x
x
= x+
2

3.6. Derivada das Funções Elementares do Cálculo

Nesta seção apresentaremos as derivadas das funções elementares: exponencial, logarítmica e


trigonométricas.

Função Derivada
f ( x) f ′( x )
01 ex ex

1
02 ln x , x >0
x
03 senx cos x
04 cos x − senx
05 tgx sec 2 x
06 cot gx − cos sec 2 x
07 sec x sec x ⋅ tgx
08 cos sec x − cos sec x ⋅ cot gx

196
Exemplo: Determinar a derivada de cada uma das seguintes funções:

(a) y = x 2 + senx

(b) y = tgx + 2e x

(c) y = x ln x

(d) y = sec x + x cos x

Solução:
(a)
y ′ = ( x 2 + senx) ′
= 2 x + cos x

(b)
y ′ = (tgx + 2e x ) ′

= (tgx)′ + (2e x )′

= sec 2 x + 2e x

(c)
y ′ = ( x ln x) ′ = ( x) ′ ln x + x(ln x) ′

1
= ln x + x ⋅ = 1 + ln x
x

(d)
y ′ = (sec x) ′ + ( x cos x) ′
= sec x ⋅ tgx + 1 ⋅ cos x + x ⋅ (− senx)

= sec x ⋅ tgx + cos x − x ⋅ senx

197
3.7. Regras de L’Hospital

0 ∞
Nesta seção apresentaremos um método para levantar indeterminações do tipo ou . Esse
0 ∞
método é dado pelas Regras de L’Hospital dadas a seguir.

Teorema 3.7.(Regras de L’hospital): Sejam f e g funções deriváveis num intervalo aberto I ,

exceto, possivelmente, em um ponto a ∈ I . Suponhamos que g ′( x) ≠ 0, ∀x ≠ a em I .

f ′( x) f ( x) f ′( x)
(i) Se lim f ( x) = lim g ( x) = 0 e lim = L, então lim = lim =L
g ′( x) g ( x ) g ′( x)
x→a x→a x →a x →a x →a

f ′( x) f ( x) f ′( x)
(ii) Se lim f ( x) = lim g ( x) = ∞ e lim = L, então lim = lim =L
g ′( x) g ( x ) g ′( x)
x→a x →a x →a x →a x →a

Considerações sobre o Teorema 3.7:


f ′′(x) f ′( x)
(i) Se lim f ′( x) = lim g ′( x) = 0 e lim = L , então lim =L
g ′′(x) g ′( x)
x→a x→a x→a x →a
e assim sucessivamente...
f ′′(x)
(ii) Se lim f ′( x) = lim g ′( x) = ∞ e lim = L , então
g ′′(x)
x→a x→a x→a
f ′( x)
lim g ′( x) = L e assim sucessivamente...
x →a

Exemplo: Determine os seguintes limites:

x2 + x − 6
(a) lim 2
x → 2 x − 3x + 2

− x + senx
(b) lim x −x
x →0 e + e − 2

198
ex −1
(c) lim 3
x →∞ x + 4 x

Solução: Aplicando as Regras de L’hospital, temos

x2 + x − 6 2x + 1 2 ⋅ 2 + 1 5
(a) lim x 2 − 3x + 2 = lim 2 x − 3 = 2 ⋅ 2 − 3 = 1 = 5
x→2 x→2

− x + senx − 1 + cos x − senx


(b) lim x −x
= lim x −x
= lim x −x
=0
x →0 e + e − 2 x →0 e − e x →0 e + e

ex −1 ex ex ex
(c) lim x 3 + 4 x lim 3x 2 + 4 lim 6 x lim 6 = +∞
= = =
x → +∞ x → +∞ x → +∞ x → +∞

Observação: As Regras de
L’hospital são válidas para limites
laterais e limites no infinito.

3.8. Derivação de Função Composta

Consideremos duas funções f e g onde u = g (x) . Para todo x tal que g (x) está no domínio de
f , podemos escrever y = f (u ) = f ( g ( x)) , isto é, podemos considerar a função composta
( f o g )( x ) = f ( g ( x )) . Por exemplo, uma função tal como y = ( x 2 + 5 x + 2) 7 pode ser vista como a
composta das funções y = u 7 = f (u ) e u = x 2 + 5 x + 2 = g ( x)
(Ver Figura 2.29 Thomas página 180)

Teorema 3.8. A Regra da Cadeia


Se f (u ) é derivável no ponto u = g (x) e g (x) é derivável em x , então a função composta
( f o g )( x) = f ( g ( x)) è derivável em x e
( f o g )′( x) = f ′( g ( x)) ⋅ g ′( x) = f ′(u ) ⋅ u ′

Na notação de Leibniz, se y = f (u ) e u = g (x) , então

dy dy du
= ⋅ ,
dx du dx
dy
onde é calculado em u = g (x) .
du

199
dy
Exemplo: Dada a função y = ( x 2 + 5 x + 2) 7 , determinar .
dx
Solução: Vimos anteriormente que podemos escrever

y = u 7 = f (u ) , onde u = x 2 + 5 x + 2 = g ( x)

Assim, pela Regra da Cadeia,

dy dy du
= ⋅
dx du dx

= 7u 6 ⋅ (2 x + 5)

= 7( x 2 + 5 x + 2) 6 ⋅ (2 x + 5) .

3 dy
Exemplo: Dada a função y = e x + sen(2 x) + cos 2 x , determinar
dx
Solução: Sejam u = x 2 , v = 2 x e w = cos x . Assim, podemos escrever

y = e u + senv + w 2

Assim, pela Regra da Cadeia,

3
y ′ = (e x + sen( 2 x) + cos 2 x)′ = (e u + senv + w 2 )′
= (e u )′ + ( senv)′ + ( w 2 )′ = e u u ′ + (cos v) ⋅ v ′ + (2w) ⋅ w′
3
= e x ⋅ 3 x 2 + (cos(2 x )) ⋅ 2 + ( 2 cos x) ⋅ (− senx)
3
= 3x 2 ⋅ e x + 2 cos(2 x) − 2 senx ⋅ cos x

3.9. Derivada da Função Inversa

Teorema 3.9. Derivada da Função Inversa

Seja y = f (x) uma função definida em um intervalo aberto (a, b) . Suponhamos que f (x) Admita

uma função inversa x = g ( y ) contínua. Se f ′( x ) existe e é diferente de zero para qualquer ponto

x ∈ (a, b) , então g = f −1
é derivável e vale

1 1 1
g ′( y ) = = ou g ′( f ( x)) =
f ′( x) f ′( g ( y )) f ′( x)

200
Prova: Sendo g = f −1 , tem-se que g ( f ( x )) = x , para todo x ∈ (a, b) e usando a
Regra da Cadeia, conclui-se

1
g ′( f ( x)) ⋅ f ′( x) = 1 ⇔ g ′( f ( x)) =
f ′( x)

Exemplo 3.9: Seja y = f ( x ) = x 2 −1 , x > 0 . Determine g ′(3) , onde g = f −1 .

1
Solução 1: x = g ( y ) = y +1 = ( y +1) 2 (Verifique !). Daí,

−1
1 1
g ′(y) = (y +1 ) 2 = .
2 2 y +1

Em particular,
1 1
g ′(3) = =
2 3+1 4

Solução 2: Pelo Teorema 3.8 ,

1 1
g ′( y ) = g ′( f ( x)) = =
f ′( x) 2x
Em particular,

x = 2 ⇔ y =3
Assim,

1 1 1
g ′(3) = = = .
f ′(2) 2⋅ 2 4

3.9. Derivada da Função Implícita

3.9.1. Função na Forma Implícita

Dizemos que a função y = f ( x ) é definida implicitamente pela equação F ( x, y ) = 0 se ao


substituirmos y por f (x) nesta equação obtemos uma identidade, isto é, F ( x, f ( x)) = 0 .

1
Exemplo: A equação x 2 + y − 1 = 0 define implicitamente a função y = 2 ⋅ (1 − x 2 ) .
2

201
1
De fato, substituindo y = 2 ⋅ (1 − x 2 ) na equação x2 + y − 1 = 0 , obtemos a identidade
2
1
x2 + ⋅ 2 (1 − x 2 ) − 1 = 0 .
2

3.9.2. A Derivada de uma Função na Forma Implícita

Suponhamos que a equação F ( x, y ) = 0 define implicitamente uma função derivável y = f (x) .


Usaremos a Regra da Cadeia para determinar y ′ sem explicitar y .

Exemplo: Sabendo que y = f ( x ) é definida implicitamente pela equação

xy 2 + 2 y 3 = x + 2 y , determinar y ′ .

Solução: Derivando ambos os membros desta equação em relação à x e supondo que y = f ( x ) é


derivável, obtém-se:

( xy 2 + 2 y 3 )′ = ( x + 2 y )′
c
( xy 2 ) ′ + (2 y 3 )′ = ( x)′ + (2 y ) ′

y 2 + x ⋅2 y ⋅ y ′ + 6 y 2 ⋅ y ′ =1+ 2 y ′

Isolando y ′ na última igualdade, temos


1− y 2
y′=
2 xy + 6 y 2 − 2

Em particular, o ponto P (1,1) está na curva y = f ( x ) e aí,

y ′(1,1) = 0

E a equação da reta tangente à esta curva neste ponto é dada por

y −1= 0⋅( x −1) ⇔ y =1

202
se

Você sabia que só no século XVII, quando Decartes e Pierre Fermat


introduziram as coordenadas cartesianas, se tornou possível transformar
problemas geométricos em problemas algébricos e estudar
analiticamente funções? A Matemática recebeu assim um grande
impulso, notadamente na sua aplicabilidade a outras ciências. Os
cientistas passam, a partir de observações ou experiências realizadas, a
procurar determinar a fórmula ou função que relaciona as variáveis em
estudo. A partir daí, todo o estudo se desenvolve em torno das
propriedades de tais funções. Por ouro lado, a introdução de
coordenadas, além de facilitar o estudo de curvas já conhecidas permitiu
a “criação” de novas curvas, imagens geométricas de funções definidas
por relações entre variáveis.

Foi enquanto se dedicava ao estudo de algumas destas funções que


Fermat deu conta das limitações do conceito clássico de reta tangente a
uma curva como sendo aquela que encontrava a curva num único ponto.
Tornou-se assim importante reformular tal conceito e encontrar um
processo de traçar uma tangente a um gráfico num dado ponto. Esta
dificuldade ficou conhecida na História da Matemática como o “Problema
Co cime da Tangente”.
nto

Ampliando o seu Conhecimento Ampliando

Fermat notou que, para certas funções nos pontos onde a curva
assumia valores extremos, a tangente ao gráfico devia ser uma reta
horizontal, já que ao comparar o valor assumido num desses pontos
P( x, f ( x)) com valor assumido no outro ponto Q( x + h, f ( x + h))
próximo de P , a diferença entre f ( x + h) e f ( x) era muito pequena,
quase nula, quando comparada com o valor de h , diferença das abcisssas
de Q e P . Assim, o problema de determinar extremos e de determinar
tangentes a curvas passam a estar intimamente relacionados.

Estas idéias constituíram o embrião do conceito de DERIVADA e


levou Laplace a considerar Fermat “o verdadeiro inventor do Cálculo
Diferencial”. Contudo, Fermat não dispunha de notação apropriada e o
conceito de limite não estava ainda claramente definido.

No século XVII, Leibniz algebriza o Cálculo Diferencial,


introduzindo os conceitos de variável, constante e parâmetro, bem como a
notação de dx e dy , para designar os infinitésimos em x e em y . Desta
notação surge o nome do ramo da Matemática conhecido hoje como
“Cálculo Infinitesimal”

203
4. Avaliando o que foi construído

No Moodle...

Na plataforma MOODLE, no espaço reservado à disciplina Cálculo


Diferencial e Integral I, você poderá testar seus conhecimentos a respeito do tema
Derivadas. Dedique-se à resolução das tarefas relacionadas a este assunto.
Encontrar-nos-emos no MOODLE. Até lá!

Dialogando e Construindo Conhecimento

Reúna-se com os colegas para discutir os temas abordados. Visite


constantemente a plataforma MOODLE, faça as tarefas nela propostas Procure
os Tutores para esclarecer as dúvidas sobre algum tema que não tenha sido
bem assimilado. Comunique-se! Nós estamos sempre dispostos a orientá-lo e
ajudá-lo em caso de dificuldade no estudo da disciplina. Participe! Acredite em
seu potencial e conte conosco.

5.Referências

1. Flemming, Diva M., Gonçalves, Mirian B., CÀLCULO A – FUNÇÕES, LIMITE, DERIVAÇÃO E
INTEGRAÇÃO. Editora da UFSC, 5a Edição, 1987.
2. Ávila, G.,CÁLCULO I: FUNÇÕES DE UMA VARIÁVEL, Editora LTC, 6a Edição 1994.
3. Thomas, George B., CÁLCULO, Vol. 1, Editora Pearson Education do Brasil, 10a Edição,
2002.

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