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Francisco Santos

Anatomofisiologia II
Professor Manuel Mariz

Licenciatura de Enfermagem – 1º Ano

Francisco Santos

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Índice
Sistema Respiratório ..................................................................................................................... 4
Vias de Condução e Respiratórias ............................................................................................. 5
Anatomia do Sistema Respiratório ............................................................................................ 6
Princípios a ter presente .......................................................................................................... 13
Ventilação, Capacidades, Volumes e Espaços Mortos........................................................ 14
Princípios Físicos das Trocas Gasosas ................................................................................ 16
Regulação da Ventilação ..................................................................................................... 19
Sistema Digestivo........................................................................................................................ 23
Boca......................................................................................................................................... 26
Faringe..................................................................................................................................... 30
Esófago.................................................................................................................................... 30
Estômago ................................................................................................................................. 31
Intestino Delgado .................................................................................................................... 33
Intestino Grosso ...................................................................................................................... 37
Fígado...................................................................................................................................... 40
Funções do fígado ............................................................................................................... 43
Pâncreas................................................................................................................................... 44
Vesícula Biliar ......................................................................................................................... 45
Peritoneu ................................................................................................................................. 46
Fisiologia do Aparelho Digestivo ........................................................................................... 48
Nutrição e Digestão ............................................................................................................. 48
Vitaminas, as suas funções e onde existem ............................................................................. 55
Aparelho Sexual e Reprodutor .................................................................................................... 56
Masculino ................................................................................................................................ 56
Períneo................................................................................................................................. 57
Bolsa escrotal/escroto .......................................................................................................... 57
Testículos ............................................................................................................................ 58
Vias espermáticas ................................................................................................................ 61
Pénis .................................................................................................................................... 63
Glândulas Anexas................................................................................................................ 63
Feminino ................................................................................................................................. 64
Vagina ................................................................................................................................. 64

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Útero.................................................................................................................................... 65
Trompas Uterinas ou de Falópio ......................................................................................... 66
Ovários ................................................................................................................................ 67
Ciclo Menstrual ................................................................................................................... 69
Vulva ................................................................................................................................... 71
Mamas ................................................................................................................................. 72
Sistema Urinário.......................................................................................................................... 73
Rins ......................................................................................................................................... 74
Nefrónios ............................................................................................................................. 75
Ureteres e Bexiga .................................................................................................................... 79
Urina........................................................................................................................................ 80

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Sistema Respiratório
Respiração – a respiração inclui a ventilação, a difusão, o transporte de oxigénio e
dióxido de carbono no sangue e as trocas gasosas entre o sangue e os tecidos;
Ventilação – a ventilação compreende apenas o movimento que o ar faz de entrada e
saída dos pulmões;
Perfusão – a perfusão compreende as trocas gasosas nos alvéolos pulmonares

Mecânica ventilatória
 Resistência
 Elástica (dada pelos ossos, articulações, pulmão, pleura, pele)
 Não elástica
 Resistência por parte das vias aéreas (quando existe inflamação,
obstrução e aumento do tónus)
 Resistência viscosa por parte dos tecidos
 Forças
 Músculos inspiratórios: diafragma, intercostais externos (que elevam as
costelas ampliando a caixa torácica) e os escalenos e o
esternocleidomastoideu (músculos acessórios, em ventilação forçada por
exemplo)
 Músculos expiratórios: abdominais (grande recto e transverso do
abdómen)

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Vias aéreas
 Superiores
 Nariz
 Cavidade nasal
 Faringe
 Inferiores
 Laringe
 Traqueia
 Brônquios
 Pulmões (bronquíolos e alvéolos)

Vias de Condução e Respiratórias


De condução
 Traqueia
 Brônquios
 Bronquíolos terminais
Respiratórias
 Bronquíolos respiratórios
 Canais alveolares
 Alvéolos

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Anatomia do Sistema Respiratório

Diafragma
 Inervado pelo nervo frénico (que tem origem das raízes de C3 e C5)
 Tem a forma de cúpula
 Ligado á porção inferior da grelha costal
 Contrai e baixa os pulmões
 Diminui a pressão da caixa torácica

Nariz
 Pirâmide nasal – constituída por lâminas cartilagíneas, é a saliência visível na
face
 O dorso do nariz é constituído pelos ossos próprios do nariz
 Fossas nasais (cavidade nasal) – espaço existente entre as narinas e as coanas
 Narinas – orifícios externos
 Coanas – orifícios posteriores, que comunicam com a faringe
 Vestíbulo – porção anterior da cavidade nasal, subjacente às narinas
 Palato duro – pavimento da cavidade nasal, que separa a cavidade nasal
da cavidade oral

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 Septo nasal – divide as fossas nasais em direita e esquerda (sendo a


porção anterior cartilagínea e a posterior constituída pelo vómer e lamina
vertical do etmóide)
Faringe (comum ao aparelho respiratório e digestivo)
 Nasofaringe – estende-se das coanas até á úvula;
 Orofaringe – estende-se da úvula até á epiglote;
 Laringofaringe – estende-se do topo da epiglote até à abertura da laringe e
esófago
Laringe
É constituída por um invólucro externo de nove cartilagens interligadas por ligamentos
e músculos, onde se pode encontrar as cordas vocais falsas e verdadeiras.
 3 São pares (no total 6) sendo elas as aritnoideias, as corniculadas e as
cuneiformes;
 Aritnoideias – forma de corneto, articula-se com o bordo póstero-
superior da cricoideia;
 Corniculadas – forma de cone, estão ligadas às extremidades das
cartilagens aritnoideias;
 Cuneiformes – forma de cunha, estão contidas numa mucosa anterior às
cartilagens corniculadas
 3 São ímpares sendo elas a epiglote, a tiroideia e a cricoideia;
 Epiglote – acima da glote, está ligada á cartilagem tiroideia e projecta-se
em direcção á língua, como uma aba livre. Única composta de cartilagem
elástica e não de cartilagem hialina como as restantes 8. Durante a
deglutição cobre a laringe fechando-a, evitando a entrada de substâncias
nesta última;
 Tiroideia – em armadura, devido á sua forma ou também designada de
maçã-de-adão;
 Cricoideia – cartilagem mais inferior, tem a forma de um anel e forma a
base da laringe, na qual as restantes se apoiam

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 Cordas vocais – são dois pares de ligamentos que têm origem na face anterior
das aritnoideias e se estendem até à face posterior da tiroideia.
 Cordas vocais falsas ou pregas vestibulares – são formadas pelo par de
ligamentos superiores e revestidos por uma mucosa. Quando estas se
unem, impede a saída de ar dos pulmões e a entrada de sólidos ou
líquidos;
 Cordas vocais verdadeiras ou pregas vocais – à abertura entre elas dá-
se o nome de glote.

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Traqueia
 Ocupa a porção anterior e inferior do pescoço;
 Estende-se desde o nível da 6ª ou 7ª vértebra cervical (extremidade superior) até
á 3ª ou 4ª dorsal (extremidade inferior);
 Tubo membranoso constituído por tecido denso e músculo liso, reforçado por 15
a 20 cartilagens em forma de “C”, com função protectora e que a mantém aberta;
 Posteriormente não tem cartilagem mas é constituída por uma membrana
ligamentosa e músculo liso, o músculo traqueal;
 É revestida por uma mucosa constituída por epitélio cilíndrico
pseudoestratificado ciliado (cílios) com células caliciformes;
 Os cílios propulsionam o muco a sair para a faringe onde é deglutido;
 Tem uma bifurcação o que constitui os brônquios principais, ou de 1ª ordem.
Estes brônquios são separados por um espessamento da cartilagem mais inferior
da traqueia, a carina.

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Pulmões – forma cónica de maior volume, responsáveis pela respiração, apoiando a


sua base no diafragma. Os pulmões contêm lobos, providos de ar por um brônquio
secundário ou lobar (separados por cisuras, visíveis a olho nu), e cada lobo é
constituído por um ou mais lóbulos ou segmentos broncopulmonares, providos de ar
por um brônquio terciário ou segmentar (separados por septos, não visíveis).
 Volume
 O volume do pulmão esquerdo é menor que o volume do direito;
 O volume pulmonar médio é cerca de 1500cm3
 Capacidade pulmonar
 3,5l após uma inspiração normal
 5l após uma inspiração forçada
 Coloração
 Vermelha escura no feto
 Rosa no recém-nascido
 Cinzenta no adulto
 Negra com placas mais escuras no idoso
 Elasticidade
 Boa e tem consistência mole, cedendo à pressão
 Crepita quando apalpado devido ao ar nos alvéolos
Constituição dos pulmões e percurso do ar desde a traqueia aos alvéolos
 Lobo superior direito
Pulmão Direito
 Lobo médio direito
(620g)
 Lobo inferior direito
Pulmão Esquerdo  Lobo superior esquerdo
(560g)  Lobo inferior esquerdo
Nota: Nem sempre esta situação se verifica, o pulmão
direito pode ter 2 lobos e o esquerdo 3 lobos.

Bronquíolos Bronquíolos
Traqueia terminais respiratórios

Brônquios Bronquíolos Canais


Principais alveolares

Brônquios Brônquios
secundários ou terciários ou Alvéolos
lobares segmentares

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Percurso desde a traqueia aos brônquios terciários ou segmentares,


com o nome específico de cada brônquio
Traqueia
 Brônquio Principal Direito (é mais curto, maior calibre e é mais vertical
que o esquerdo)
 Tem 3 brônquios secundários ou lobares (que entram pelo respectivo
hilo)
 Brônquio lobar superior direito
 Tem 3 brônquios terciários ou segmentares
o Brônquio segmentar apical
o Brônquio segmentar posterior
o Brônquio segmentar anterior
 Brônquio lobar médio direito
 Tem 2 brônquios terciários ou segmentares
o Brônquio segmentar externo
o Brônquio segmentar interno
 Brônquio lobar inferior direito
 Tem 5 brônquios terciários ou segmentares
o Brônquio segmentar superior
o Brônquio segmentar basal interno
o Brônquio segmentar basal externo
o Brônquio segmentar basal anterior
o Brônquio segmentar basal posterior
 Brônquio Principal Esquerdo
 Tem 2 brônquios secundários ou lobares (que entram pelo respectivo
hilo)
 Brônquio lobar superior esquerdo
 Tem 4 brônquios terciários ou segmentares, divididos
por 2 troncos
o Tronco superior ou culminar
 Brônquio segmentar ápico-posterior
 Brônquio segmentar anterior
o Tronco inferior ou lingular
 Brônquio segmentar lingular superior
 Brônquio segmentar lingular inferior
 Brônquio lobar inferior esquerdo
 Tem 5 brônquios terciários ou segmentares
o Brônquio segmentar superior
o Brônquio segmentar basal interno
o Brônquio segmentar basal externo
o Brônquio segmentar basal anterior
o Brônquio segmentar basal posterior

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Figura dos lobos em ambos os pulmões (nesta imagem não se vê um lóbulo, o superior
lingular, no pulmão esquerdo. Apenas se vê na parte externa.)

O pulmão direito divide-se em 10 lóbulos e o pulmão esquerdo em 9 lóbulos.

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Pleuras – existem 2 pleuras, a parietal e a visceral, existindo uma cavidade pleural,


que envolve cada pulmão
 A pleura parietal reveste a parede interna torácica, a face superior do diafragma
e o mediastino, no hilo dá continuidade à pleura visceral, que vai envolver o
pulmão;
 As duas pleuras dão origem à cavidade pleural, preenchida por um líquido
produzido na pleura parietal;
 2 Funções: o líquido facilita o deslizamento das membranas durante a
modificação da forma do pulmão, durante a respiração e faz a união das duas
membranas pleurais

Irrigação (2 vias)
 1ª – As artérias pulmonares levam o sangue desoxigenado até aos capilares
alveolares, onde se oxigena e volta para o coração pelas veias pulmonares;
 2ª – O sangue oxigenado vai até aos capilares alveolares através das artérias
brônquicas (provenientes da aorta torácica), libertando o oxigénio;
 Na porção mais proximal dos brônquios o sangue volta ao coração através da
ázigos e das veias brônquicas;
 Na porção mais distal o sangue entra nas veias pulmonares misturando-se com
sangue oxigenado proveniente dos brônquios.

Princípios a ter presente


 Pressão intrapleural – quando a pressão intrapleural é menor do que a pressão
alveolar, os alvéolos tendem a expandir-se;
 Os alvéolos expandem-se pela pressão intrapleural ser inferior (+ negativa) à
pressão alveolar;
 No final de uma expiração normal a pressão intrapleural é de -5cm de H2O e a
pressão alveolar é de 0cm de H2O;
 A pressão intrapleural é inferior à pressão alveolar pelo “efeito de sucção”
exercido pela retracção elástica dos pulmões;
 Os pulmões não se afastam da parede torácica porque o líquido pleural mantém
os folhetos unidos;
 Se a pressão intrapleural for suficiente baixa ou alta, os alvéolos expandem ou
colapsam

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Ventilação, Capacidades, Volumes e Espaços Mortos


É um fenómeno mecânico alternando uma inspiração activa que faz chegar atá aos
alvéolos um volume de ar e uma expiração geralmente passiva, que faz sair um volume
equivalente de ar carregado de CO2.
 Inspiração – é desenvolvida pela contracção do diafragma e dos músculos
intercostais. O diafragma baixa e as costelas elevam-se e com isso ocorre um
aumento do volume da caixa torácica, fazendo com que o ar entre nos pulmões;
 Expiração – acontece o relaxamento do diafragma e dos músculos intercostais,
eleva-se o diafragma e as costelas baixam, diminuindo assim o volume da caixa
torácica, expulsando o ar dos pulmões;
 Repartição da ventilação – depende do tipo de respiração (diafragmática,
torácica, abdominal, espontânea ou forçada)
 A NELITA NÃO PRECISA DE MIM!!!!!!!!

Volume alveolar – varia por:


 Alteração do volume devido a:
 Retracção pulmonar
 Retracção elástica das fibras elásticas da parede dos alvéolos;
 Tensão superficial da película de fluido que reveste os alvéolos;
 Surfactante – as moléculas do surfactante formam uma camada à
superfície do fluido alveolar, reduzindo a tensão superficial. Este,
reduz a tendência dos pulmões colapsarem
 Alterações da pressão pleural

Volumes
 Volume Corrente (VC) – é o volume de ar inspirado ou expirado, durante uma
inspiração ou expiração em repouso, cerca de 500 ml;
 Volume de Reserva Expiração (VRE) – é o volume máximo de ar expirado
numa manobra forçada, após a expiração do volume corrente, cerca de 1100 ml;
 Volume de Reserva Inspiração (VRI) – é o volume máximo de ar inspirado
numa manobra forçada, após a inspiração do volume corrente, cerca de 3000 ml;
 Volume Residual (VR) – é o volume de ar que permanece nas vias aéreas, após
uma expiração, a mais forçada possível, cerca de 1200 ml;
 Volume Expiratório Máximo por Segundo (VEMS) – corresponde à
quantidade de ar expirada durante o 1º segundo de uma expiração forçada;

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Capacidades
 Capacidade Pulmonar Total (CPT) – é a soma dos volumes de reserva
inspiratória e expiratória, mais o volume residual e corrente, cerca de 5800 ml;
 Capacidade Vital (CV) – corresponde à soma do volume de reserva
inspiratória, com o volume corrente e o volume de reserva expiratória, que é o
volume máximo de ar que uma pessoa consegue expirar, apos uma inspiração
forçada, cerca de 4600 ml;
 Capacidade Residual Funcional (CRF) – corresponde à soma do volume de
reserva expiratória com o volume residual, que é a quantidade de ar que
permanece nos pulmões no final de uma expiração em repouso, cerca de 2300
ml.

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Espaços Mortos (2 tipos)


 Espaço Morto – espaço do aparelho respiratório em que não ocorrem trocas
gasosas, correspondente as vias aéreas de condução;
 Espaço Morto Anatómico – é formado pelas cavidades nasais, pela faringe,
laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos e bronquíolos terminais, cerca de 150
ml;
 Espaço Morto Alveolar ou Fisiológico – é constituído pelo espaço morto
anatómico e pelo volume de quaisquer alvéolos não funcionantes;
 Espaço Morto Total – é a soma dos 2 Espaços Mortos; (geralmente, o Espaço
Morto Anatómico e o Fisiológico é quase igual, o que significa que há poucos
alvéolos mortos)

Princípios Físicos das Trocas Gasosas

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Perfusão – faz-se essencialmente em função a gravidade então:


 Existe uma melhor perfusão nas bases dos pulmões quando estamos de pé mas
uma maior ventilação nas partes apicais;
 Existe uma melhor perfusão nas porções posteriores dos pulmões quando
estamos em decúbito dorsal mas uma maior ventilação nas partes anteriores.

No alvéolo a pressão parcial do O2 é superior à do sangue, e a do CO2 a relação é


inversa, o que:
 Favorece a difusão dos 2 gases de um lado e do outro da membrana alvéolo-
pulmonar;
 A capacidade de difusão do CO2 é superior á do O2;
 A superfície das trocas é favorável á difusão, com cerca de 70 m2 a 80 m2 de
superfície alveolar.

Pressão Parcial
A pressão atmosférica ao nível do mar é de 760 mmHg, sendo a percentagem de
componentes de ar seco: 79% de azoto e 21% de oxigénio.
 Segundo a Lei de Dalton, numa mistura, a pressão parcial é determinada pela
percentagem desse gás no volume total da mistura, ou seja, como o por exemplo
azoto representa 78,62%, a sua pressão parcial é de 0,7862 vezes 760 mmHg, ou
seja, 597,5 mmHg.

A composição do ar alveolar e do ar expirado é diferente do ar atmosférico por 3 razões:


 Pela humidificação que o ar sofre na inspiração;
 O O2 difunde-se dos alvéolos para o sangue e o CO2 dos capilares alveolares
para os alvéolos;
 Durante cada inspiração, o ar de dentro dos alvéolos é só parcialmente
substituído por ar atmosférico (espaço morto)

Difusão dos gases


 Em líquidos
 O gás tem tendência em se dissolver no líquido
 A Lei de Henry explica que a concentração do gás dissolvido é igual
há pressão parcial do gás vezes o coeficiente de solubilidade (este
coeficiente mede a facilidade em que o oxigénio, por exemplo, tem em se
dissolver no líquido). Na água o coeficiente de solubilidade do O2 é de
0,024 e do CO2 é de 0,57.
 Na membrana respiratória – há vários factores que influenciam a difusão
 A espessura da membrana
 O coeficiente de difusão
 A superfície funcional
 O diferencial de pressões dos dois lados da membrana

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Gases do Sangue
 Transporte de O2
 Dissolvido em pequena percentagem no plasma
 Fixa-se á hemoglobina
PO2 80 a 100 mmHg
Insuficiência respiratória Valores inferiores ou iguais a 70 mmHg
PCO2 38 a 42 mmHg
Hipoventilação alveolar Valores superiores ou iguais a 45 mmHg

Relação Ventilação/Perfusão (Fluxo sanguíneo)


As trocas de O2 e CO2 através da membrana podem ser alteradas:
 Por ventilação excede a capacidade do sangue captar O2, o que pode
acontecer pela diminuição do débito cardíaco, como num ataque cardíaco;
 Quando a ventilação é insuficiente para fornecer O2 necessário à oxigenação
do sangue nos alvéolos pulmonares.
Shunt anatómico – é quando o sangue desoxigenado proveniente das veias brônquicas
se mistura com o sangue oxigenado das veias pulmonares;
Shunt fisiológico – é composto pelo sangue desoxigenado do shunt anatómico e dos
capilares pulmonares.

Quando uma pessoa se encontra em pé, em repouso, a perfusão e a ventilação são


maiores nas bases do que nos vértices pulmonares, devido á força da gravidade, a
diferença de pressões entre as bases e os ápices dos pulmões aumenta o débito
sanguíneo.
O débito cardíaco e a ventilação aumentam com o exercício, aumentando a pressão
sanguínea pulmonar, o que vai aumentar o fluxo sanguíneo.

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Regulação da Ventilação
A respiração é comandada pelo córtex cerebral, para poder exercer um papel importante
na regulação da ventilação, contribui o facto de podermos aumentar voluntariamente a
nossa ventilação, o que também pode ser possível por via reflexa, em situações de medo
e ansiedade.
A regulação da ventilação é controlada pelos centros bulbares, que têm origem nos
neurónios do bulbo raquidiano, que estimulam os músculos da respiração.

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O centro respiratório – a actividade dos centros tende a equilibrar-se


 Inspiratório
 Localizam-se bilateralmente no bulbo;
 São autónomos e imprimem o ritmo;
 Ciclo de actividade espontânea
 São intervalados por poucos segundos
 Expiratório
 Inactivo durante o repouso e a respiração
 No aumento da frequência respiratória e amplitude há activação dos
impulsos nas fibras nervosas
 O aumento da actividade no centro expiratório inibe o centro inspiratório

Regulação da ventilação
 Centros de protuberância
 Apnêustico – promove a inspiração
 Pneumotáxico – promove a expiração
 Reflexo de Hering-Breuer

Insuflação
Inspiração
pulmonar

Activação de
receptores de
Estimulação do
estiramento dos
centro
brônquios e
pneumotáxico
bronquíolos
terminais

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Regulação Química ou Humoral na respiração


É feita pela:
 Função do CO2
 Função do O2
 Função do pH
 Necessário que se mantenha nos limites normais (7,38 – 7,4)
 Alterações do CO2 podem alterar o pH
 O aparelho respiratório tem um papel importante no equilíbrio ácido-
base
 Perante a diminuição do pH há uma estimulação do centro respiratório

Função do CO2
 Regulador da respiração em repouso
 O seu aumento provoca o aumento da frequência e amplitude respiratória
 O aumento de 5 mmHg da PCO2 provoca um aumento de 100% na ventilação
 O seu elevado aumento provoca hipercapnia
 A sua diminuição provoca hipocapnia o que leva a apneia
 Tem um papel preponderante no controlo químico da ventilação
Função do O2
 Numa hipoxia, com o pH e a PO2 constantes, verifica-se um aumento da
ventilação
 Só a 50% da diminuição do O2 (dos valores normais) é que há estimulação dos
movimentos respiratórios

Exercício físico nos movimentos respiratórios


 No início a ventilação aumenta abruptamente podendo atingir 50% da ventilação
total. Existe paralelamente uma estimulação dos proprioceptores das
articulações, o que tem uma grande influência estimuladora no centro
respiratório.
 A ventilação aumenta gradualmente após uma hiperventilação, durante 4 a 6
minutos, após o início da actividade

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Derrame pleural – é a acumulação de líquido no espaço intra-pleural


Causas:
 Obstrução linfática
 Diminuição da pressão osmótica
 Inflamação/infecção
 Pneumonia
 Pleurisia
Patologias:
 Hidrotórax – acumulação de água no espaço intra-pleural
 Piotórax - acumulação de pus no espaço intra-pleural
 Hemotórax - acumulação de sangue no espaço intra-pleural
 Pneumotórax - acumulação de ar no espaço intra-pleural

A ventilação alveolar não se distribui uniformemente, pela influência gravitacional do


volume pulmonar e dos componentes mecânicos do pulmão:
 Complacência pulmonar
 Elasticidade
 Resistência das vias aéreas
 Factores extrínsecos

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Sistema Digestivo

Constituição
 Tubo digestivo (longo tubo musculo-membranoso desde a boca ao ânus)
 Glândulas anexas
Localização – com excepção da porção superior do esófago, está alojada na cavidade
abdominal
Divisão da cavidade abdominal

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Abdómen
Andares abdominais
 Supra cólico (acima do cólon transverso)
 Localiza-se o fígado, pequeno epíplon/omento, vias biliares, estômago,
duodeno, pâncreas e baço
 Infra cólico (abaixo do cólon transverso)
 Localiza-se o intestino delgado, cólon e grande epíplon/omento

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Perspectiva Anatómica
 Boca – cavidade bucal
 Faringe
 Esófago
 Estomago
 Intestino delgado
 Intestino grosso
 Reto
 Ânus
Perspectiva Histológica
 Camada mucosa

Parte mais interna para a mais externa


 Epitélio (descamação estratificada)
 Lâmina própria (tecido conjuntivo laxo)
 Mucosa muscular (músculo liso)
 Camada submucosa – tecido conjuntivo (contém nervos, vasos, pequenas
glândulas)
 Plexo submucoso ou de Meissner
 Camada muscular
 Músculo liso circular (interna)
 Plexo nervoso mioentérico ou de Auerbach
 Músculo liso longitudinal (externa)
 Camada serosa – tecido conjuntivo, o peritoneu
Os plexos de Meissner e de Auerbach formam o plexo intramural ou entérico (dentro
das paredes)

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Tubo Digestivo/Canal Alimentar


Função – transformar os alimentos em moléculas e assimilar
 Ingestão – colocação no estômago
 Mastigação – facilita enzimas digestivas (“partir” em porções menores)
 Propulsão – movimentar os alimentos
 Mistura – movimento dos alimentos e fragmentação
 Secreção – envolver as secreções para lubrificar, liquefazer e digerir
 Digestão – desdobramento molecular: glícidos (monossacarídeos), proteínas
(aminoácidos), triglicéridos (ácidos goros e glicose)
 Química
 Mecânica
 Absorção – passagem das moléculas do tubo digestivo para circulação
 Transporte – distribuição orgânica directa i indirecta
 Eliminação – remoção dos resíduos
 Regulação – mecanismos nervosos e hormonais pelo plexo intramural e nervo
vago

Boca
Dividida pelas arcádias alvéolo-dentárias que originam a cavidade bucal propriamente
dita e o vestíbulo
 Lábios
 Região malar
 Dentes
 Palato
 Língua

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Cavidade bucal – revestida por epitélio de descamação estratificada, que protege da


abrasão, delimitada anteriormente pelos lábios, posteriormente pela fauce (orofaringe),
lateralmente pela bochecha, superiormente pelo palato e inferiormente por um
pavimento muscular, estando a boca dividida em 2 regiões:
 Vestíbulo – espaço entre lábios ou bochechas e os alvéolos-dentários
 Cavidade oral propriamente dita – situada medialmente aos alvéolos dentários
com 6 paredes, laterais, anterior e posterior, superior e inferior

Língua – órgão muscular com 2 faces, a superior ou dorso e a inferior, mais 2 bordos
laterais
 Músculos intrínsecos – mudanças da forma da língua
 Músculos extrínsecos – movimentação e mudança de forma da língua
Ligação da língua
 Anterior – pelo freio
 Posterior – cavidade oral
Divisão da língua
 Anterior – coberta 2/3 por papilas
 Posterior – terminais gustativas e amígdala lingual
Função – mistura e posiciona alimentos na boca, um dos principais órgãos sensoriais do
paladar, fulcral para a fala e papel importante na deglutição.

Dentes – estão distribuídos simetricamente pelas arcadas dentárias e divididos em


quadrantes
Superior Superior
Direito Esquerdo

Inferior Inferior
Direito Esquerdo

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Constituição de um dente
 Coroa
 Anatómica (parte revestida por esmalte)
 Clinica (parte visível)
 Colo
 Raiz
 Simples (incisivos, caninos)
 Ramificada
 Cavidade pulpar
 Dentina – tecido vivo, celular e calcificado, que circunda a cavidade
pulpar
 Esmalte – substancia dura, acelular e sem vida que reveste a
dentina
 Cimento – ajuda a fixar o dente ao maxilar

Músculos da mastigação
 Fechar – temporais, masséteres e pterigoideus internos
 Retracção – temporais
 Protusão e deslocação lateral – pterigoideus internos, pterigoideus externos e
masséteres

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Francisco Santos

Palato e amígdalas palatinas


 2 Tipos de palato
 Duro – parte óssea anterior
 Mole ou véu do palato – parte posterior de músculo esquelético e tecido
conjuntivo
A úvula é uma projecção do bordo posterior do palato mole
 As amígdalas estão localizadas nas paredes laterais da orofaringe (fauce)

Glândulas salivares
 Principais
 Parótidas
 Submaxilares segragam substâncias existem muitas
mucosas e aquosas
 Sublinguais
 Outras
 Linguais mantém a cavidade
 Palatinas húmida e ajudam no
segragam secreções
 Bucais processo de deglutição e
 Labiais digestão

As glândulas parótidas são as maiores, são glândulas serosas que produzem


essencialmente saliva aquosa e estão localizadas anteriormente ao ouvido, uma de cada
lado. Cada canal parotídeo abre-se na parte anterior da glândula, junto ao segundo molar
superior

29
Francisco Santos

Faringe
Relações anatómicas
 Anterior às vertebras cervicais
 Posterior às fossas nasais, boca e laringe
 Inferior à base do crânio
Liga-se inferiormente
 Laringe, do sistema respiratório
 Esófago, do sistema digestivo
Divide-se
 Nasofaringe
 Orofaringe
 Laringofaringe

Esófago
Forma e dimensões
 Aproximadamente 25 cm de comprimento, dividida em 4 porções:
 Cervical – inferior do pescoço com 5 cm
 Torácica – 17 cm
 Diafragmática – passagem do hiato
 Superior do abdómen com 3 cm
 Passa através do hiato esofágico do diafragma até ao estômago

Relações anatómicas
 Situado entre os pulmões, no mediastino
 Posterior e em cima – traqueia, seguindo à carina e o coração
 Anterior – coluna vertebral
 À esquerda - aorta

Histologia
 Camada mucosa
 Camada submucosa
 Camada muscular
 Camada externa longitudinal
 Camada interna circular
 Camada adventícia – as porções cervical e torácica não têm revestimento seroso,
apenas têm músculo esquelético

30
Francisco Santos

Estômago
Localização/Forma/Dimensões
 Alojado no epigastro e numa parte do hipocôndrio esquerdo
 Porção superior do abdómen, entre a 11ª vértebra dorsal e a 2ª lombar
 Forma de J mas variável
 Comprimento: 25 cm; largura: 12 cm; diâmetro: 8 cm latero-posterior
 A forma varia:
 Cadáver – gaita-de-foles
 Vivo – varia
 Idade – os jovens têm a porção horizontal pouco desenvolvida
 Sexo – o feminino tem a porção vertical mais desenvolvida

Composto
 Fundo – porção superior vertical
 Antro – porção inferior horizontal
 Corpo – entre o fundo e o antro
 Cárdia – esfíncter esofágico inferior, que liga o esófago ao estômago
 Piloro – esfíncter pilórico, que liga o estomago ao intestino delgado
 Grande curvatura (externa)
 Pequena curvatura (interna)
Histologia
 Camada serosa – peritoneu
 Camada muscular
 Externa – túnica muscular oblíqua
 Média – túnica muscular circular
 Interna – túnica muscular longitudinal
 Camada submucosa – passa vasos sanguíneos e nervos
 Camada mucosa – existe glândulas gástricas nesta camada, que segregam o seu
conteúdo através dos orifícios gástricos

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Francisco Santos

Tipos de estômago

Relações anatómicas
 Face superior – diafragma
 Face inferior – intestino delgado
 Face anterior – pâncreas e cólon transverso
 Face posterior – coluna vertebral
 Face interna – fígado e pequeno omento
 Face externa – colon transverso e grande omento

Meios de fixação
 Grande omento – liga a grande curvatura do estômago ao diafragma, baço e
cólon transverso
 Pequeno omento – liga a pequena curvatura do estômago e a parte proximal
duodenal ao hilo hepático

Grupos e tipos de células (5 grupos)


 Células mucosas da superfície – produzem muco e revestem os orifícios
gástricos
glândulas gástricas,

 Células mucosas do colo – produzem muco


fovéolas gástricas
abrindo-se nos

Situam-se nas

 Células parietais – produzem ácido clorídrico e factor intrínseco (ajuda a


ou criptas

vitamina B12 a ser absorvida no íleo)


 Células principais – produzem pepsinogénio
 Células endócrinas – produzem hormonas reguladoras

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Francisco Santos

Intestino Delgado
Mede entre 6 a 8 metros, diminui gradualmente o seu diâmetro, espessura e n.º de
microvilosidades.
Está dividido em 3 porções:
 Duodeno – cerca de 25 cm, onde estão ligadas as duas glândulas anexas, o
fígado e o pâncreas;
 Jejuno – cerca de 2/5 do comprimento com 2,5 m;
 Íleo – cerca de 3/5 do comprimento com 3,5 m.

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Francisco Santos

Duodeno
 Inicia-se ao nível do flanco esquerdo
 Faz a transição gastroduodenal, pelo orifício duodenal ou piloro gastroduodenal
 Órgão de absorção por excelência, porção fixa, mede 20 a 30 cm de
comprimento e está situado entre L1 a L4
 Está dividido em 4 porções
 1ª Porção – 5 cm, disposição horizontal
 2ª Porção – 10 cm, disposição vertical
 3ª Porção – 9 cm, disposição horizontal
 4ª Porção – 6 cm, tem trajecto ascendente e termina no ângulo duodeno-
jejunal
 A superfície interna contém pregas circulares e pequenas invaginações em
forma de dedo, as vilosidades com cerca de 0,5 a 1,5 mm, que aumentam a área
de absorção, havendo aí, ainda, microvilosidades
 Dentro das vilosidades existe capilares sanguíneos e linfáticos (os
quilíferos)

Histologia da mucosa
 Células de absorção – produzem enzimas digestivas e absorvem nutrientes
 Células caliciformes – segregam muco protector e facilitam a progressão
 Células granulares – desempenham função de defesa contra bactérias
 Células endócrinas – segregam hormonas reguladoras

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Francisco Santos

Relações anatómicas
 Face superior – estômago
 Face inferior – cólon transverso e ansas do intestino delgado
 Face anterior – fígado (direita) e estômago (esquerda)
 Face posterior – aorta abdominal e veia cava inferior
 Face interna – pâncreas e canal colédoco

Esquema de ligação das glândulas anexas com o duodeno

 O canal hepático esquerdo e o canal hepático direito juntam-se formando o


canal hepático comum;
 Do pâncreas sai o canal pancreático ou de Wirsung, podendo desse canal sair
um canal pancreático acessório ou de Santorini (o que nem sempre existe);
 O canal de Santorini ao chegar ao duodeno vai desembocar na pequena papila;
 Da vesícula biliar saí o canal biliar cístico, que ao juntar-se com o canal
hepático comum formam o canal colédoco;
 O canal pancreático ao juntar-se com o canal colédoco forma a ampola de
Vater, que é controlado pelo esfíncter de Oddi;
 O esfíncter de Oddi desemboca na grande papila.

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Francisco Santos

Jejuno e íleo
 Estruturas que variam da anterior na espessura, no n.º de pregas circulares,
vilosidades e no diâmetro;
 Morfologicamente varia com a idade, altura, raça ou grande adiposidade;
 Íleo – 3 a 4 m
 Na camada mucosa e submucosa existem as placas de Payer e os
nódulos linfáticos
 Junção ileocecal
 Na transição do íleo para o intestino grosso existe um esfíncter
ileocecal que possui uma válvula unidireccional, a válvula
ileocecal

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Francisco Santos

Intestino Grosso
 Forma de um canal cilíndrico
 Mede cerca de 1 a 2 m
 Diâmetro inicial de 7 cm e final de 2,5 a 3,5 cm
 Na superfície exterior observa-se
 3 Faixas longitudinais
 Faixa longitudinal anterior
 Faixa longitudinal antero-externa
 Faixa longitudinal antero-interna
 Sulcos que formam bolsas ou haustros
 Pregas peritoneais, preenchidas por tecido adiposo, os apêndices
epiplóicos
 Parede do cólon
 Camada muscular circular completa
 Camada muscular longitudinal incompleta
 Quebrada pela teniae coli (faixa cólica) formando as 3 faixas
 Os haustros são saculações formadas pela contracção das faixas
longitudinais, dando o aspecto enrugado
 Apêndices epiplóicos – são prolongamentos peritoneais

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Francisco Santos

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Francisco Santos

Composição do Intestino Grosso


 Cego, que forma um saco de 6 cm
 Ligado inferiormente ao cego encontra-se um pequeno tubo cego sacular
com 9 cm, o apêndice vermiforme
 Cólon
 Cólon ascendente – ocupa o flanco direito e contacta com o grande
omento e parede abdominal
 Ângulo cólico direito ou ângulo hepático – ocupa o hipocôndrio
direito e posteriormente está a face anterior do rim direito;
superiormente está o lobo direito do fígado; antero-medialmente está a
parte descendente do duodeno e o fundo da vesícula biliar
 Cólon transverso – ocupa o epigastro e parte do hipocôndrio esquerdo
e posteriormente está a parte descendente do duodeno, cabeça do
pâncreas, extremidade superior do mesentério, a flexura duodenojejunal
e as alças do jejuno e íleo; anteriormente estão lâminas posteriores do
grande omento; superiormente está o fígado, vesícula biliar, grande
curvatura do estômago e extremidade lateral do baço; inferiormente está
o intestino delgado
 Ângulo cólico esquerdo ou ângulo esplénico – ocupa o hipocôndrio
esquerdo e está superiormente relacionado com a parte inferior do baço
e cauda do pâncreas e posteriormente com a parte anterior do rim
esquerdo; está preso ao nível do diafragma (10ª a 11ª costelas) pelo
ligamento frenicólico
 Cólon descendente – localizado no flanco esquerdo
 Cólon sigmoideu – contacta lateralmente o ovário ou ducto deferente e
parede lateral da pelve; posteriormente com o ureter e plexos sacral e
piriforme; inferiormente com a bexiga nos homens e com o útero e
bexiga nas mulheres; superiormente e à direita com as alças terminais
do íleo
 Reto – relaciona-se:
 Parte posterior – região sagrada
 Parte anterior
 Na mulher – com o útero e vagina que separam a bexiga do recto;
 No homem – com a bexiga, vesículas seminais e a próstata
 Canal anal
 Esfíncter anal interno – camada de músculo liso mais espessa que a do
recto
 Esfíncter anal externo – formado por músculo esquelético
 Ânus – orifício terminal
 No homem situa-se atras da linha bi-isquiática, a 2,5 cm do cóccix
 Na mulher situa-se a 3 cm do cóccix

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Francisco Santos

Fígado
Víscera mais volumosa do organismo
 Peso variável com a idade e género com cerca de 1,5 Kg
 Mede 28 cm de comprimento, 10 cm de largura e tem cerca de 16 cm de
espessura

Localização
 Ocupa o hipocôndrio direito, parte do epigastro e hipocôndrio esquerdo
 Ocupa a porção inferior do tórax

Morfologia externa
 A forma é ovóide e irregular com 4 lobos
 Revestido por tecido conjuntivo e peritoneu visceral
 Identificam-se 4 fases
 Face superior
 Face inferior
 Face anterior
 Face posterior

Relações anatómicas
 Face superior – diafragma, pulmões, parte pericárdica e ventricular do coração
 Face inferior
 À direita – rim, duodeno e ângulo hepático
 À esquerda – esófago abdominal e fundo gástrico
 Ao centro – hilo hepático
 Face posterior
 À direita – rim
 À esquerda – esófago
 Ao centro – veia cava inferior e aorta abdominal

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Francisco Santos

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Francisco Santos

Histologia
 Revestimento
 Cápsula de tecido conjuntivo
 Peritoneu visceral
 Lóbulos hexagonais
 Composto:
 Lóbulos
 Sistema Porta nos vértices dos lóbulos (veia porta, artéria hepática e
canal hepático)
 Veias centrais
 Unem-se para formar as veias hepáticas que drenam para a veia
cava inferior
 Formam-se os cordões hepáticos
 Dispostos em raios compostos por hepatócitos, as células
funcionais do fígado
 Os espaços entre os cordões hepáticos são canais
sanguíneos, os sinusóides hepáticos

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Francisco Santos

Funções do fígado
O figado faz a purificação dos quimicos nocivos, digestivos e excretores,
sintetizadoes de novas moléculas, armazenamento e produção de nutrientes

Funções do hepatócito
 Produção de bílis
 Produz e segrega cerca de 600 a 1000 ml de bilis por dia
 A bílis tem o papel de neutralizar a acidez, aumentando o pH, para que as
enzimas pancreáticas possam actuar e emulsiona as gorduras (mistura-as)
 Armazenamento
 Os hepatócitos podem retirar açucar do sangue e armazená-lo sob a
forma de glicogénio
 Pode armazenar também gorduras, vitaminas, ferro e cobre
 Biotransformação de nutrientes
 O hepatócito fracciona e metaboliza os aminoácidos de forma a produzir
trifosfato, lipidos e glicose
 Desintoxicação
 Os hepatócitos removem produtos tóxicos da corrente sanguínea e
convertem-nos em produtos menos tóxicos, que podem ser
posteriormente excretados, como por exemplo a amónia que é
transformada em ureia, eliminada na urina
 Fagocitose
 As células fagocitárias hepáticas, células de Kupffer, fagocitam os
glóbulos vermelhos e brancos, velhos, algumas bactérias e outros
detritos, purificando o sangue
 Síntese
 O fígado produz os seus novos e únicos componentes, como a albumina,
heparina, globulinas e fibrinogénio, que depois liberta para a circulação
sanguínea

43
Francisco Santos

Pâncreas
Relação anatómica
 Estende-se horizontalmente
 Posterior – passa os grandes vasos (aorta e veia porta) e o rim esquerdo

Morfologia externa
 Cabeça – situa-se dentro da curva do duodeno
 Colo ou istmo – cerca de 2 cm
 Corpo – prismático, com face anterior, face posterior e face inferior
 Cauda – estreita, geralmente alcançando a parte inferior da face gástrica do baço

Canais excretores
 Canal pancreático ou Wirsung
 Canal pancreático acessório ou de Santorini

Histologia
 Porção endócrina (referida na sebenta anterior)
 Porção exócrina
 Constituída por ácinos que libertam enzimas digestivas para o duodeno

44
Francisco Santos

Vesícula Biliar
Localização
 Face inferior do fígado

Constituição
 Fundo – arredondado na porção inferior
 Corpo – cerca de 8 cm sendo a porção média
 Colo – obliquo à frente, porção superior

Vias biliares
 Intra-hepáticas
 Canalículos biliares
 Pequenos canais
 Canais biliares interlobulares
 Canais segmentares com parede própria que se dividem em direito e
esquerdo
 Extra-hepáticas
 Via biliar acessória
 Canal cístico
 Canal colédoco
 Via biliar principal
 Canal hepáticos direito e esquerdo
 Canal hepático comum
 Canal colédoco

45
Francisco Santos

Peritoneu
É uma membrana serosa formada por 2 folhetos e tem como funções:
 Fixar as vísceras
 Condução do pedículo
 Reduzir a fricção entre os órgãos

Os 2 folhetos
 Parietal – reveste as paredes do abdómen
 Cavidade peritoneal – espaço virtual fechado, com fluido seroso, segregado
pelas 2 membranas serosas
 Visceral – aderente aos órgãos, sendo a superfície envolvida variável consoante
os órgãos
Os 2 folhetos unem-se para formar gerar 3 tipos de formações
 Os mesos
 Epíplons/omento
 Ligamentos

46
Francisco Santos

Mesos – são duas camadas de peritoneu que unem alguns órgãos, à parede abdominal
posterior
 Mesogastro
 Mesoduodeno
 Mesentério – associado ao intestino delgado, jejuno-íleo
 Mesocólon
 Transverso
 Sigmoideu

Ligamentos – pregas que unem órgãos entre si e/ou à parede abdominal


 Coronário – liga o fígado ao diafragma com uma grande área de abertura, a área
descoberta do fígado
 Falciforme – liga o fígado à parede anterior do abdómen

Epíplons/omentos – pregas peritoneais que se estendem entre órgãos, envolvendo-os


 Pequeno epíplon
 Grande epíplon – forma a bolsa epiplóica

Localização
 Retroperitoneais – situam-se entre o folheto parietal e abdominal ou apresentam
apenas peritoneu na sua face anterior (rins, duodeno, pâncreas, bexiga, parte dos
intestinos)
 Intraperitoneais – situam-se dentro da cavidade abdominal mas estão envolvidas
em peritoneu, como o estômago
 Extraperitoneais – envolvidos pelo peritoneu mas têm contacto directo com a
parede abdominal, como o intestino delgado

47
Francisco Santos

Fisiologia do Aparelho Digestivo


Nutrição e Digestão
O organismo é constituído
 2/3 Da massa corporal por água
 Proteínas
 Glícidos
 Lípidos
 Minerais
 Oligoelementos

Funções na digestão
 Transformar os alimentos em nutrientes de forma a permitir a sua absorção
 2 Acções
 Acção mecânica – trituração e mistura dos alimentos
 Acção química – transformação por enzimas digestivas

48
Francisco Santos

Transformação dos alimentos


 Glícidos classificam-se em monossacarídeos
 Proteínas classificam-se em aminoácidos
 Lípidos classificam-se em ácidos gordos e glicerol

Função
 Proteínas – participam essencialmente na formação dos diferentes tecidos do
organismo, essencial na cicatrização
 Glícidos – fonte energética por serem rapidamente absorvidos, em que cada
grama de glícidos são 4 Kcal
 Lípidos
 Estrutural – constituição das membranas, intervém na formação de
múltiplas células
 Metabólica – metabolização mais lenta que os glícidos, sendo estes
armazenados, sendo utilizados fora das refeições

49
Francisco Santos

Digestão
 Fase bucal – desempenha funções
 Mastigação
 Insalivação – funções
 Lubrificação para facilitar a deglutição
 Facilita a mastigação
 Dá início à digestão dos glícidos
 Papel de defesa contra agentes patogénicos
 Fase de deglutição – ocorre nos tempos cefálico, faríngeo e esofágico
 Tempo cefálico – é voluntário, por acção da língua os alimentos são
empurrados para o palato duro e forçados à sua progressão para a fauce-
orofaringe
 Tempo faríngeo – é reflexo e inicia-se com elevação do palato mole que
vai fechar a comunicação entre a nasofaringe e a orofaringe. O esfíncter
esofágico superior relaxa e a elevação da faringe abre o esófago, para
onde passam os alimentos
 Tempo esofágico – deglutição normal, dura cerca de 5 a 8 segundos. A
porção inferior do esófago vai abrir devido ao esfíncter cárdia fazendo
chegar os alimentos ao estômago. Este esfíncter permanece em
contracção tónica para não permitir o refluxo gástrico, o que, em caso de
perturbações da deglutição, o tónus do cárdia pode estar diminuído
havendo vómitos, um reflexo de defesa do nosso organismo
 Fase gástrica – digestão mecânica e química
 Digestão mecânica A água está 20 min no estômago
Os sólidos podem estar entre 1 a 4h
 Digestão química
 Suco gástrico – segregado até 2l/dia
 Pepsina – segregada pelas células principais e são as primeiras a
actuar no bolo alimentar
 Muco
 Ácido clorídrico – segregado pelas células parietais
 Factor intrínseco – liga-se á vitamina B12 facilitando a sua
absorção no íleo. A vitamina B12 é importante na síntese de ADN
 Gastrina
 Interferência cefálica – é psico-neurológica; a ingestão ou o simples
odor de certos alimentos determina por via reflexa a secreção de suco
gástrico pelo nervo vago
 Interferência gástrica – o contacto do bolo alimentar com o antro
gástrico desencadeia a secreção de ácido clorídrico de duas formas
 Estimula as células parietais
 Estimula a gastrina
 Alimentos ricos em proteínas há uma grande produção de suco
 Alimentos ricos em glícidos há pouca produção de muco

50
Francisco Santos

 Interferência intestinal – a passagem dos alimentos pelo duodeno inibe


a secreção e a motilidade gástrica; este mecanismo de feedback é
determinado:
 Pela quantidade de hormonas intestinais
 Pelo sistema simpático e parassimpático
 Fase pancreática
 Função endócrina – libertação de somatostatina, insulina e glucagina
 Função exócrina – libertação de ácinos e células caniculares
 Função de digestão enzimática
 A formação e a composição do suco pancreático é a junção de 2
soluções:
 Concentração de electrólitos
 A fracção electrolítica é rica em bicarbonatos para
neutralizar o ácido clorídrico, impedindo a destruição das
enzimas, estas que fraccionam o substrato em pequenas
partículas
 Concentração de proteínas, essencialmente enzimas de 2 tipos:
 Proteolíticas ou proteases – catalisam a quebra das
ligações peptídicas em proteínas, como a tripsina
 Lipolíticas – responsáveis pela degradação dos lípidos,
como a lipase
A lípase remove 2 ácidos gordos, sendo favorecida pela bílis.
A colesterol-esterase transforma os ésteres de colesterol em colesterol e ácidos gordos
livres.
A amílase divide os polissacarídeos, que não foram divididos na boca, em dissacarídeos
e oses como a maltose, estes últimos que são absorvidos directamente.
Ultimamente, as carboxipeptidases A e B quebram as ligações dos aminoácidos
 Factores hormonais
 A colecistoquinina (CCK) estimula a saída de bílis e a secreção
de suco pancreático rico em enzimas. É estimulada pela presença
de lípidos e ácidos gordos no intestino;
 A secretina tem a função de estimular o pâncreas a produzir iões
bicarbonato para aumentar o pH ácido que chega ao duodeno
 Factores nervosos
 As fibras nervosas aferentes que controlam a secreção gástrica
são controladas pelo nervo vago (X), estimulando o pâncreas a
secretar mais suco pancreático para o duodeno
 O volume médio diário de suco pancreático produzido é de 2,5 l

51
Francisco Santos

 Fase hepática – funções metabólicas e biliares


 Funções metabólicas – o fígado sintetiza e segrega proteínas
 Aminoácidos e proteínas
 Proteínas plasmáticas – como a albumina, necessária para
o controlo da pressão osmótica e do pH
 Proteínas estruturais
 Factores de coagulação
 Sintetização de lípidos – os ácidos gordos no fígado são
ressintetizados sendo redistribuídos:
 Parte é armazenada no próprio fígado
 Outra parte é colocada em circulação sanguínea
 Outra parte participa ainda na excreção biliar
 Sintetização de glícidos – regulação do armazenamento e
distribuição
 Na digestão – armazenados no fígado
 Nos intervalos das digestões
 Jejum – as reservas esgotam-se em 48h
 Metabolismo dos medicamentos – através de duas etapas
 Captação pelos hepatócitos de acordo com as substâncias
existentes
 Biotransformação tornando as moléculas hidrossolúveis,
permitindo assim que a eliminação do medicamento possa
ser feita pela bílis ou pelo sangue
 Fase biliar
 A bílis é uma solução aquosa composta por água (90% a 95%),
electrólitos e por compostos orgânicos, os sais biliares, colesterol,
fosfolípidos e bilirrubina (pigmentos biliares)
 Funções dos sais
 Activa a enzima colesterol-esterase
 Formação de micela – a lípase pancreática só quebra lípidos
misturados com água. Ao ser formada a micela, faz com que a
lípase fique em contacto com o lípido iniciando a digestão
 Permite que a vitamina lipossolúvel se associe às micelas e então
sejam absorvidas
 Bilirrubina – produto de degradação da hemoglobina proveniente dos
eritrócitos destruídos excretados para os canalículos biliares e não é
hidrossolúvel
 A bilirrubina conjugada é hidrossolúvel podendo ser eliminada
pela urina
 Função da bílis
 Excreção de substâncias endógenas resultantes da degradação
orgânica como a bilirrubina e o colesterol e exógenas como o
cobre
 Participação na digestão dos lípidos

52
Francisco Santos

 Regulação da secreção biliar


 A regulação é feita pela quantidade de lípidos existentes no
duodeno. Como o aumento de lípidos a precisarem ser digeridos,
há o aumento da secreção biliar para o duodeno.
 A secreção biliar é estimulada também pela colecistoquinina,
secretina e gastrina
 Durante o intervalo das refeições o esfíncter de ODDI permanece
encerrado
 Fase intestinal (delgado)
 Função motora – controlada pelo sistema nervoso autónomo
 Movimentos das vilosidades
 Movimentos das paredes
 Movimentos pendulares
 Movimentos de segmentação rítmica
 Ondas peristálticas – propulsionam o conteúdo intestinal ao longo
do intestino. São resultantes de contracções, que podem percorrer
1 cm/min
 Função digestiva enzimática (ver pág. 48, quadro 24.4)
 Digestão dos lípidos
 Digestão de glícidos
 Digestão de proteínas
 Função da absorção de nutrientes
 Absorção de água e sais minerais
 Absorção de lípidos
 Absorção de glícidos
 Oses
o Frutose
o Glicose e galactose
 Absorção de proteínas
 Os aminoácidos, de forma activa
 Os di e tripéptideos
 Absorção de vitaminas
 Vitaminas hidrossolúveis (B1, B2, B6, B8 e C)
 Vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K)
 Metabolismo intestinal
 Após terem sido absorvidos são:
 Ressintetizados
 Distribuídos

53
Francisco Santos

 Fase cólica e retal


 Motilidade do cólon – a existência da válvula ileocecal que não permite
o refluxo do conteúdo do intestino grosso para o intestino delgado
 Movimentos do cólon
 Movimento misto de contracção (segmentares de mistura)
 Movimentos peristálticos de propulsão – estes movimentos estão
sob o controlo do sistema nervoso intrínseco do cólon, plexo
mioentérico
 Formação de fezes
 Por reabsorção de água
 O cólon recebe cerca de 1,5 l de um líquido isotónico
 No cego são reabsorvidos cerca de 1,3 l de água e sais
 Destruição de bactérias
 Existem vários tipos de bactérias
o De fermentação – digerem o amido, alguns
açúcares e celulose nas fibras
o De putrefacção
 Os gases cólicos são formados pelas bactérias intestinais, no
processo de digestão, produzidos principalmente após ingestão de
gorduras, carbohidratos e proteínas
 Armazenamento e defecação – cólon sigmoideu e sobretudo recto
 Os dois esfíncteres existentes no recto permitem m controlo
reflexo da defecação

54
Francisco Santos

Vitaminas, as suas funções e onde existem

55
Francisco Santos

Aparelho Sexual e Reprodutor


Masculino

Componentes do sistema sexual e reprodutor masculino


 Bolsa escrotal
 Testículo
 Epidídimo
 Vias espermáticas
 Canais retos
 Rede testicular ou de Haller
 Canais eferentes
 Canal epididimário
 Canais deferentes
 Vesicula seminal
 Canal ejaculador
 Uretra urogenital
 Glândulas anexas
 Próstata
 Glândulas bulbo-uretrais ou de Cowper
 Pénis

56
Francisco Santos

Períneo
 Triângulo anterior/urogenital
 Base do pénis
 Bolsa escrotal
 Triângulo posterior/anal
 Orifício anal
O períneo é delimitado
 Anteriormente pela sínfise púbica
 Posteriormente pelo cóccix
 Lateralmente pelas tuberosidades isquiáticas

Bolsa escrotal/escroto
É constituída por 7 túnicas testiculares e 2 compartimentos divididos por um septo.

Constituição
 Túnica cutânea ou escroto (pele escura extensível) – mais externa
 Túnica muscular de Dartos (fibras musculares lisas)
 Túnica celulosa (tecido celular subcutâneo)
 Túnica fibrosa superficial ou aponevrótica
 Túnica muscular/eritróide do cremáster
 Túnica fibrosa profunda
 Túnica vaginal (serosa, com um folheto visceral e um folheto parietal) – interna

57
Francisco Santos

Testículos
São órgãos:
 Pares – testículo direito e esquerdo
 Ovóides – 2 faces, 2 bordos e 2 extremidades
 Retroperitoneais
 Ligados ao escroto por um cordão (gubernáculo)
 No desenvolvimento embrionário, migram (ectopia testicular) até à bolsa
escrotal pelo canal inguinal, arrastando porção do peritoneu e sofrendo no final
um processo vaginal, envolvendo-se o testículo
 Glândulas seminais de dupla função
 Exócrina – produção de gâmetas masculinos, os espermatozóides
 Endócrina – função na determinação dos caracteres sexuais secundários;
produção de androgénio (testosterona)
 Epidídimo – canal excretor do esperma
 Cabeça
 Corpo
 Cauda – por onde sai o canal deferente

58
Francisco Santos

Revestimento
 Túnica albugínea (capsula branca de tecido conjuntivo)
 Penetra para o interior dos testículos, formando os septos incompletos.
Os septos dividem o testículo em 300 a 400 lóbulos cónicos.
 Entre os septos existem:
 Os túbulos seminíferos onde se desenvolvem os espermatozóides
 Células intersticiais ou células de Leydig, secretoras de
testosterona

59
Francisco Santos

(b) – secção transversal de um tubo seminífero. Mais ao centro, no lúmen, existem os


espermatozóides maduros enquanto na periferia existem as espermatagónias.

Desenvolvimento das células espermáticas


 Antes da puberdade
 Testículos indiferenciados
 Não funcionais
 Tubos seminíferos sem lúmen
 Puberdade – aparece dos 12 aos 14 anos
 Aumento em nº e dimensão das células de Leydig
 Desenvolvimento do lúmen
 Aumento da libertação de gonadotrofina (GnRH) pelo hipotálamo
 Aumento das hormonas LH e FSH
 As células periféricas são as espermatagónias que se dividem por mitoses e
algumas delas continuam a produzir espermatagónias suplementares.

Espermatogénese
A produção de espermatozóides é feita nos testículos e a sua maturação é concluída no
epidídimo. A manutenção dos espermatozóides é feita na bolsa escrotal que os protege e
os mantém numa temperatura adequada.
 A temperatura baixa
 A bolsa escrotal reduz de tamanho – a parede fica mais firme e rugosa
 Os músculos cremásteres contraem-se elevando os testículos
 A temperatura alta
 Os cremásteres e os dartos descontraem e os testículos afastam-se do
corpo

60
Francisco Santos

Vias espermáticas
Depois da libertação nos túbulos seminíferos, os espermatozóides deixam os testículos
através dos tubos retos para a rede testicular. Passam então para os canais eferentes, que
deixam o testículo e entram no epidídimo para se juntar no canal do epidídimo. Os
espermatozóides deixam então o epidídimo, percorrendo o canal epididimário, o canal
deferente, o canal ejaculador e a uretra até chegarem ao exterior.

Epidídimo – canal fino e longo em forma de vírgula


 Localização – face posterior dos testículos
 Função – maturação dos espermatozóides
 Composição – cabeça, corpo e cauda

61
Francisco Santos

Canal deferente
 Iniciam-se na cauda do epidídimo
 Associam-se aos vasos sanguíneos e nervos que irrigam e enervam os testículos,
formando o cordão espermático
 A extremidade do canal deferente alarga-se formando a ampola do canal
deferente

Canal ejaculador
 Na continuação de cada ampola do canal deferente, situa-se uma glândula em
forma de saco – a vesicula seminal
 O curto canal que sai dela junta-se com a porção terminal do canal deferente
formando assim o canal ejaculador
 Estes canais penetram na próstata e abrem-se para a uretra

Uretra
 Tem aproximadamente 20 cm e divide-se em 3 partes
 Uretra prostática – parte da uretra que penetra na próstata; aqui drenam
os 2 canais ejaculadores
 Uretra membranosa – porção mais curta e estende-se da próstata ao
períneo
 Uretra esponjosa – vai desde a uretra membranosa ao meato urinário.
Para esta uretra drenam numerosas e diminutas glândulas mucosas, as
glândulas uretrais

62
Francisco Santos

Pénis
Órgão de cúpula
 2 Colunas – corpos cavernosos laterais, 1 à direita e à esquerda
 1 Coluna – corpo esponjoso mediano dilatado na extremidade, em forma de
coifa, a glande peniana

Secreções
O esperma/sémen/líquido seminal/líquido espermático, é uma mistura composta por
espermatozóides e de secreções das várias glândulas.
 60% Das vesiculas seminais
 30% Da próstata
 5% Dos testículos
 5% Das glândulas bulbo-uretrais
 A projecção deste conteúdo espermático para o exterior da uretra chama-se de
ejaculação

Glândulas Anexas
Próstata
 Localização – atrás da face posterior da sínfise púbica, na base da bexiga
 Envolve a uretra prostática e os canais ejaculadores
 É composta por uma capsula de músculo liso e feixes de fibras musculares

Glândulas bulbo-uretrais – configuração e dimensão de uma ervilha e composta por


canalículos
 Localização – porção membranosa da uretra
 O seu canal excretor abre-se na uretra esponjosa

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Francisco Santos

Feminino
Sistema Genital
 Órgãos genitais internos
 Vagina, útero, ovários e trompas
 Órgãos genitais externos
 Vulva e mamas
 Glândulas anexas
 Uretrais, periuretrais e vestibulares ou de Bartholin

Vagina
Órgão de cúpula, canal musculo-membranoso, extensível e que une a vulva ao útero.
 Localização
 Entre a bexiga, atrás da uretra e á frente do recto
 Características:
 Mede 10 cm
 Tem cristas ou rugas vaginais na coluna posterior e anterior
 A parede tem uma camada muscular e uma camada mucosa
 O orifício vaginal é obliterado por uma fina membrana – o hímen
No vestíbulo existe o orifício do canal das glândulas de Bartholin/bulbovaginais que
tem a função de auxiliar a lubrificação.

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Francisco Santos

Útero
Órgão muscular oco da cavidade pélvica com fundo convexo, com um istmo uterino
(estrangulamento), que marca a junção do colo com o corpo
 Fundo
 Corpo
 Colo/cérvix
 Exocolo – porção vaginal
 Endocolo ou canal cervical – orifício externo, que pode ter duas formas
 Nulípara (sem filhos) – punctiforme
 Primípara (1 ou mais filhos) – alongado formando 2 lábios
anterior e posterior

Relações anatómicas – corpo uterino e porção supra-vaginal (colo)


 2 faces
 Face vesical – o corpo apresenta-se à frente do fundo de saco vesico-
uterino
 Face intestinal – fundo de saco de Douglas

Fixação
 3 ligamentos
 Ligamentos largos
 Ligamentos redondos
 Ligamentos útero-sagrados

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Francisco Santos

Composição
 Túnica serosa – perimétrio, constituida de perioneu
 Túnica muscular – miométrio
 Túnica mucosa – endométrio
 Formada por epitélio cilíndrico simples e tecido conjuntivo, a lâmina
própria
 Camada funcional (superficial)
 Camada basal (profunda)

Trompas Uterinas ou de Falópio


2 condutas músculo-membranosas, simétricas com movimentos peristálticos

Configuração externa
 Orifício uterino
 Porção intramural/pars uterina intersticial
 Istmo
 Ampola tubárica
 Infundíbulo ou pavilhão
 Franjas
 Óstio ou orificio abdominal

Configuração interna
 Túnica serosa de peritoneu
 Túnica muscular
 Fibras longitudinais
 Fibras circulares
 Túnica mucosa
 Epitélio ciliado
 Pregas longitudinais

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Francisco Santos

Ovários
Ligamentos
 Ligamento largo – o mesovário
 Ligamento suspensor ou lombo-ovárico
 Ligamento ovárico ou útero-ovárico

Função
 Ovulatória
 Endócrina

Revestimento
 Epitélio ovárico ou germinativo – o peritoneu recobre toda a superfície do ovário

Parênquima do ovário
 Córtex – camada exterior
 Medula – camada menos densa
 Aqui penetram os vasos sanguíneos, linfáticos e nervos

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Francisco Santos

Oogénese

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Francisco Santos

No início do ciclo menstrual, dá-se um aumento na libertação de GnRH pelo


hipotálamo, e a sensibilidade a essa hormona aumenta na adeno-hipófise. Assim há a
estimulação de produção e libertação de FSH e LH pela adeno-hipófise. Estas
gonadotrofinas estimulam o crescimento e maturação folicular.

Ciclo Menstrual
A existência de ovulação permite teoricamente definir 2 fases do ciclo
 A que precede – folicular ou proliferativa – tempo decorrido entre o fim da
menstruação e a ovulação, onde se dá um rápido desenvolvimento dos folículos
ováricos
 A que sucede – luteínica ou secretória – tempo decorrido entre a ovulação e a
menstruação seguinte, prepara o endométrio para a nidação, corresponde
também à maturação e secreção de glândulas uterinas

No caso de fecundação
 O corpo amarelo continua a aumentar de tamanho e permanece ao longo da
gravidez como o corpo amarelo da gravidez.

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Francisco Santos

Se não ocorrer fecundação


 O corpo amarelo mantém-se funcional por 10 a 12 dias e depois começa a
degenerar
 As células de tecido conjuntivo começam a ficar maiores e mais claras, passando
a chamar-se corpo branco
 Este continua a atrofiar-se até desaparecer ao fim de meses ou mesmo de anos

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Francisco Santos

Vulva
Fenda ântero-posterior
 Grandes lábios – externos e cutâneo-mucosos
 Na sua junção anterior formam o monte de vénus
 Pequenos lábios – internos e mucosos
 Na sua junção anterior formam o prepúcio clitoriano
 Vestíbulo – depressão mediana que contém anteriormente o meato uretral e
posteriormente o orifício vaginal
 No seu limite anterior está o clitóris, estrutura eréctil
 2 Corpos erécteis, um de cada lado do orifício vaginal – bulbos vestibulares
 Glândulas anexas
 Bartholin
 Skenne

Tipos de hímen

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Francisco Santos

Mamas
Glândulas hemisféricas na face anterior do tórax à face dos músculos peitorais

Configuração externa
 Aréola – superfície pigmentada
 Mamilo – saliência superficial na aréola
 Podem ser divididas em quadrantes
 Superior externo
 Superior interno
 Inferior externo
 Inferior interno

Configuração interna
 Glândula mamária – composta por 15 a 20 lobos, divididos ainda em lóbulos
 Canal galactóforo – ligado a cada lobo
 Ampola galactófora – dilatação do canal a pouca profundidade, onde se acumula
o leite
 Ligamentos suspensores de Cooper ou da mama – são o suporte e mantém a
posição das mamas

Vascularização – artéria e veia mamária interna e externa


Linfáticos da mama – drenam gânglios do escavado axilar, gânglios da cadeia
mamária interna que drenam para os gânglios subclaviculares

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Francisco Santos

Sistema Urinário
Constituição
 2 Rins
 2 Ureteres
 Bexiga
 Uretra

Funções
 Filtragem do sangue
 Regulação do volume sanguíneo
 Regulação da concentração de iões no sangue – Na+; Cl-; K+; Ca2+
 Regulação do pH
 Regulação da síntese de glóbulos vermelhos – hormona eritropoietina
 Síntese da vitamina D

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Francisco Santos

Rins
Localiza-se na parede posterior do abdómen, protegido no pólo superior pela grelha
costal. É um órgão retroperitoneal. Cada rim contém ainda 1 300 00 nefrónios.
 Órgão par em forma de feijão
 130 Gramas, espessura de 3 cm, comprimento de 11 cm e largura de 5 cm
 Cápsula renal de tecido conjuntivo – função de revestir
 Gordura peri-renal de tecido adiposo – função de proteger
 Fáscia renal de tecido conjuntivo – fixa à parede abdominal
 Hilo – bordo interno do rim
 Entram artérias e nervos renais
 Saem veias renais e ureteres
 Abre-se numa cavidade – seio renal

Constituição
 Medula – parte interna
 Rodeia o seio renal
 Contém as pirâmides renais em forma de cone
 Raios medulares – prolongamentos das pirâmides
 Papilas renais – os seus vértices estão na direcção do seio renal
 Pequenos cálices – forma de funil, rodeiam as papilas renais e a sua
junção forma os grandes cálices
 Grandes cálices – convergem para formar o bacinete, este que se estreita
para formar o ureter
 Córtex – parte mais externa
 Constituído por colunas renais que se projectam por entre as pirâmides

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Francisco Santos

Nefrónios
Unidade funcional básica do rim, mas apenas 1/3 dos nefrónios são funcionais.

Região cortical
 Cápsula de Bowman
 Glomérulo – rede de capilares
 Túbulo contornado proximal
 Túbulo contornado distal
Região medular
 Ansa de Henle
 Tubo colector

Características
 Comprimento mais ou menos de 50 a 55 mm
 Os nefrónios mais próximos da medula são mais compridos – nefrónios
justamedulares
 Os nefrónios mais externos são mais curtos – nefrónios corticais
 A cápsula de Bowman e o glomérulo fazem o corpúsculo renal ou de
Malpighi

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Francisco Santos

Os líquidos saem do sangue no glomérulo (atravessando a membrana de filtração),


entram na capsula de Bowman que se abre no túbulo contornado proximal e drena o
líquido da cápsula.

Cápsula de Bowman
 Folheto parietal – camada mais externa
 Folheto visceral – formado por células especializadas, os podócitos, que
envolvem os capilares glomerulares
 Apresenta aberturas na camada endotelial – as fenestras
 Ainda apresenta outros orifícios – as fendas de filtração

Os podócitos, a membrana basal e o endotélio dos capilares glomerulares formam a


membrana de filtração.

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Francisco Santos

O glomérulo apresenta dois tipos de arteríolas:


 Arteríolas aferentes – que irrigam o glomérulo
 Entra no corpúsculo renal e nesse local as células musculares lisas
modificam para formar uma bainha. Estas células têm o nome de células
justaglomerulares
 Arteríolas eferentes – que drenam o glomérulo
 As células tubulares especializadas desta área no seu conjunto constituem a
mácula densa.
 As células justaglomerulares estão em contacto com a mácula densa formando o
aparelho justaglomerular

Ansas de Henle
 Prolongamentos dos tubos contornados proximais
 São constituídas por um ramo descendente e um ramo ascendente
 A parte da ansa que penetra na medula do rim é mais fina que a restante porção
 Dá origem no final ao túbulo contornado distal
A junção de muitos túbulos contornados distais dá origem aos tubos colectores, com
diâmetro maior que o resto do nefrónio. Formam a maior parte dos raios medulares.

Artérias e Veias
Arteríolas Arteríolas
Artérias aferentes eferentes Veia
renais renal

Artérias Artérias Capilares Veias


segmentares interlobulares peritubulares interlobares

Artérias Artérias Veias Veias


interlobares arciformes interlobulares arciformes

Ainda a acompanhar a Ansa de Henle está os vasa recta, porções especializadas dos
capilares peritubulares.

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Francisco Santos

78
Francisco Santos

Ureteres e Bexiga
Ureteres
 Tubos que transportam a urina desde os rins à bexiga
 Partem do bacinete, no hilo renal

Bexiga – reservatório muscular-oco


 Homem – anterior
 Mulher – frente da vagina e ântero-inferior ao útero
 Trígono – área triangular da parede formada por:
 Inserção dos ureteres (supra póstero-lateral)
 Uretra (ântero-inferior)
Revestimento
 Ureteres e bexiga
 Epitélio de transição
 Camada de músculo de liso
 Tecido conjuntivo
 Uretra
 Epitélio cilíndrico estratificado

79
Francisco Santos

Esfíncteres – controlo do fluxo de urina


 Interno – músculo liso
 Externo – músculo esquelético

Uretra (abertura)
 No homem – extremidade do pénis
 Na mulher – exterioriza-se no vestíbulo

Urina

Pirâmide Grandes Meato


Bacinete Uretra urinário
cálices

Pequenos
Papilas Ureter Bexiga
cálices

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Francisco Santos

A urina é constituída por solutos e H2O que foram filtrados mais as substâncias
secretadas no nefrónio, menos as que são reabsorvidas. O gradiente de pressão obriga o
filtrado a percorrer o nefrónio. O fluxo de urina nos ureteres propaga-se por ondas
peristálticas (o parassimpático aumenta estas contrações). A pressão vesical aumenta até
aos 400/500 ml de urina
Pressão hidrostática
 10 mmHg na cápsula de Bowman
 0 mmHg no bacinete

Produção de urina – 3 processos


1. Filtração – movimento do líquido através da membrana
2. Reabsorção tubular – retorno de substâncias existentes no filtrado ao sangue
3. Secreção – transporte activo de substâncias para o nefrónio

1 – Filtração – a porção do débito cardíaco que passa pelo rim chama-se fracção
renal – varia entre 12% a 30% do débito cardíaco
 Adulto saudável em repouso – 21%
 Débito sanguíneo renal médio – 5600 ml de sangue/min x 0,21 = 1176 ml
 1176 ml de sangue circula no rim por minuto
 Débito plasmático renal – 1176 ml de sangue que passa no rim por minuto x
0,55 (percentagem de plasma no sangue) = 650 ml de plasma que passa no rim
por minuto
 Fracção de filtração (porção do plasma que se transforma em filtrado – cerca
de 19%) – 650 ml x 0,19 = 125 ml
 São produzidos 125 ml de filtrado por minuto. A quantidade de filtrado
produzida por minuto é denominada taxa de filtração glomerular
 Apenas 1% do filtrado se transforma em urina, originando cerca de 1 l a 2 l de
urina por dia
 Urina – 125 ml de filtrado por minuto x 0,008 (filtrado não reabsorvido pelo
sangue) = 1 ml de urina por minuto
 Barreira de filtração - + permeável que o capilar
 Capilares glomerulares, membrana basal e podócitos

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Francisco Santos

a. Impede a entrada de células e proteínas na cápsula de Bowman


(são escassas as proteínas na urina numa pessoa saudável)
b. A água e os solutos de pequeno diâmetro molecular passem
facilmente dos capilares glomerulares para a cápsula de
Bowman – através da membrana de filtração
 Proteínas plasmáticas são retidas nos capilares glomerulares
 Albumina, entra no conteúdo filtrado (0,03%)
 Hormonas proteicas – pequenas, passam na barreira de filtração
 As proteínas que atravessam são reabsorvidas
a. Endocitose
b. Metabolizadas pelas células do túbulo contornado proximal
Pressão de filtração
 A formação do conteúdo filtrado depende do gradiente de pressão
 Gradiente de pressão – força que obriga os líquidos a passarem do capilar
glomerular para a lúmen da cápsula de Bowman

2 – Reabsorção tubular
99% Do volume filtrado deixa o nefrónio e entram no líquido intersticial. Entra para os
capilares peritubulares e depois vão para a circulação sistémica pelas veias renais.

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Francisco Santos

Cerca de 99% de H2O do filtrado é filtrado é reabsorvida por osmose


 Túbulo contornado proximal – 65%
 Ansa de Henle – 15%
 Túbulo contornado distal e tubos colectores – 19%
 A ADH aumenta a permeabilidade da membrana celular à água (a reabsorção é
regulada por hormonas)

Ureia – 40% a 60% é reabsorvida no nefrónio


 Também são reabsorvidos uratos, fosfatos, creatinina, nitratos e sulfatos

Manutenção da homeostase
 Estas substâncias são tóxicas se acumuladas no organismo

3 – Secreção tubular
 Produtos finais do metabolismo (tóxicos)
 Drogas ou moléculas (não produzidos pelo organismo)
 Passam para o nefrónio por transporte activo e transporte passivo

Regulação do Volume e Concentração de Urina


O volume e a composição da urina variam em função das condições do organismo. O
controlo da produção de urina envolve:
a. Mecanismos hormonais
b. Auto-regulação
c. Estímulos nervosos simpáticos

Concentração de urina
 Grande volume de água
 É necessário eliminar mas sem perda excessiva de electrólitos
 O rim produz grande volume de urina diluída
 Restrição de H2O
 Eliminar mas com grande perda de electrólitos
 O rim produz grande volume de urina concentrada

Controlo da produção de urina


 Mecanismos
 Hormonais
 Hormona antidiurética
 Quando segregada em poucas quantidades provoca o
aumento da permeabilidade para a água, sendo que os
19% da água entra para o organismo fazendo parte da
urina

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Francisco Santos

 A diminuição de ADH no sistema circulatório faz a


produção de 10/20 l de urina por dia o que leva a
desidratação e desequilíbrio hidroeletrolítico
 Diabetes insípida – produção de grande volume de urina
incolor, diluída e sem sabor
 Diabetes mellitus – produção de grande volume de urina
com elevada glucose e doce

 Renina-angiotensina-aldosterona
 A renina aumenta se a pressão nas arteríolas aferentes
diminuir ou a concentração de Na+ no filtrado diminuir
 A renina actua no angiotensinogénio, sendo este
transformado em angiotensina I e depois em angiotensina
II
 A angiotensina II é um vasoconstritor, o que aumenta a
pressão arterial. E ainda aumenta a sensação de sede, o
apetite para alimentos salgados, secreção de ADH e
aldosterona (a aldosterona aumenta o transporte de Na+
através da membrana basal do nefrónio)
 Outras hormonas
 Auto-regulação
 Manutenção de uma taxa de filtração glomerular estável no rim
 O aumento da pressão arterial contrai as arteríolas aferentes
impedindo o aumento da pressão de filtração e perfusão renal
 A sua diminuição tem o efeito contrário

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Francisco Santos

 Sistema nervoso simpático


 Provoca a constrição das pequenas artérias e das arteríolas
aferente e diminui o fluxo sanguíneo renal e formação de filtrado
 Pode ser estimulada por esforço físico intenso ou choque
 Uma lesão no rim também o pode fazer, pela diminuição do
aporte sanguíneo

Reflexo de micção
O seu controlo é feito em 2 zonas:
 Região sagrada da medula
 Tronco cerebral (bulbo)
Ex: a parede da bexiga distendida estimula os receptores de volume da parede vesical,
que através dos nervos pélvicos envia potenciais de acção transportados por neurónios
aferentes até à medula
A capacidade de controlar a micção surge aos 2/3 anos.

Potenciais de acção (nervos pélvicos)


 Controlo do músculo liso da bexiga
 O esfíncter interno relaxa
 O esfíncter externo relaxa
 Micção

Efeitos do envelhecimento do sistema urinário


 Tamanho dos rins sofre diminuição gradual
 Diminuição do débito renal
 Diminuição do nº de nefrónios funcionais
 Diminuição da secreção de renina e a síntese de vitamina D
 Diminuição das capacidades de secreção e absorção

Maybe…. FIM DE
Not yet…..
ANATOMIA!

85