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METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA

Profa. Dra. Ana Cláudia Puggina

IMPORTÂNCIA DA PESQUISA PARA A


SOCIEDADE
01 |aula

SUMÁRIO
Introdução2
1.1 Definição de pesquisa e fases de um projeto2
1.2 O papel das Universidades em relação à produção do
conhecimento4
1.3 A pesquisa e a sociedade5
Considerações finais 8
Bibliografia 9
Objetivos da aula
▪▪ Compreender os conceitos básicos de pesquisa e
fases de um projeto científico;
▪▪ Compreender o papel das Universidades na
produção do conhecimento científico, bem como
a importância do retorno desse conhecimento a
sociedade.

Introdução
“... a leitura do mundo precede a leitura da palavra e a leitura desta implica a continuidade da
leitura daquele ...este movimento do mundo à palavra e da palavra ao mundo está sempre presente.
Movimento em que a palavra dita flui do mundo mesmo através da leitura que dele fazemos”. – Paulo
Freire.
A crescente complexidade do mundo, das pessoas e das relações faz com que a pesquisa seja
cada vez mais importante para o desenvolvimento da humanidade. O entendimento do mundo se
baseia em teorias e essas teorias são formuladas por meio de estudos e pesquisas.

1.1 Definição de pesquisa e fases de um projeto

Pesquisa pode ser definida como um procedimento racional e sistemático que tem como objetivo
proporcionar respostas aos problemas que são propostos. A pesquisa é requerida quando não se dispõe
de informação suficiente para responder ao problema, ou então quando a informação disponível se
encontra em tal estado de desordem que não possa ser adequadamente relacionada ao problema.

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O êxito de uma pesquisa depende fundamentalmente de certas qualidades
intelectuais e sociais do pesquisador, tais como:
a) Conhecimento do assunto a ser pesquisado;
b) Curiosidade;
c) Criatividade;
d) Integridade intelectual;
e) Atitude autocorretiva;
f) Sensibilidade social;
g) Imaginação disciplinada;
h) Perseverança e paciência;
i) Confiança na experiência.

A elaboração de um projeto de pesquisa


depende de inúmeros fatores; o primeiro e
mais importante deles refere-se à natureza
do problema. Não há regras fixas acerca da
elaboração de um projeto, isso irá depender
também do estilo de seus autores. No entanto,
é necessário que o projeto esclareça como se
processará a pesquisa, quais as etapas que serão
desenvolvidas e quais os recursos que devem ser
alocados para atingir seus objetivos.

Os elementos habitualmente requeridos num projeto são os seguintes:


a) Formulação do problema;
b) Construção de hipóteses ou especificação dos objetivos;
c) Identificação do tipo de pesquisa;
d) Operacionalização das variáveis;
e) Seleção da amostra;
f) Elaboração dos instrumentos e determinação da estratégia de
coleta de dados;
g) Determinação do plano de análise dos dados;
h) Previsão da forma de apresentação dos resultados;
i) Cronograma da execução da pesquisa;
j) Definição dos recursos humanos, materiais e financeiros a serem
alocados.

Fazer uma pesquisa científica não é uma tarefa fácil, no entanto é possível e necessário na vida
acadêmica. Talvez um dos maiores enganos de quem se inicia na pesquisa científica seja a crença de que
basta seguir um roteiro minucioso e detalhado. Na verdade, um roteiro geral existe; entretanto, uma

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pesquisa devidamente planejada, fundamentada, realizada e concluída, não é um simples resultado
automático de normas cumpridas. A pesquisa deve ser considerada como obra de criatividade e lógica
do pesquisador, que nasce da sua intuição e competência e recebe a marca de sua originalidade, tanto
no modo de empreendê-la como no de comunicá-la. As fases de elaboração de um projeto de pesquisa
podem ser vistas como diretrizes, dando, porém, a cada um a oportunidade de manifestar sua iniciativa
e seu modo próprio de expressar-se. Tais fases não podem ser desconexas, precisam estar intimamente
interligadas e serem constantemente avaliadas pelo pesquisador na fase de planejamento e conclusão,
ou seja, o objetivo da pesquisa precisa ser atendido pelo método escolhido e as conclusões do estudo
deverão responder aos objetivos propostos inicialmente.

1.2 O papel das Universidades em relação à produção do conhecimento

As condições específicas do ensino superior é que constituem o contexto para o desenvolvimento da


pesquisa e do trabalho científico. A educação superior tem uma tríplice finalidade: profissionalizar, iniciar
à prática científica e formar a consciência político-social do estudante. Ao se propor estas finalidades,
a educação superior expressa sua principal destinação que é contribuir para o aprimoramento da vida
humana em sociedade. Para dar conta deste compromisso, a Universidade desenvolve atividades
específicas que devem ser efetivamente articuladas entre si: o ensino, a pesquisa e a extensão. No
entanto, é a pesquisa o ponto básico de apoio e de sustentação das outras duas tarefas, pois a atividade
de ensinar e aprender estão intimamente vinculadas ao processo de construção de conhecimento.

“O professor precisa da prática da pesquisa para ensinar eficazmente;


o aluno precisa dela para aprender eficaz e significativamente; a comunidade
precisa da pesquisa para poder dispor de produtos de conhecimento; e a
Universidade precisa da pesquisa para ser mediadora da educação”. – Prof.
Antonio Joaquim Severino.

O conhecimento produzido são bens simbólicos que precisam ser usufruídos por todos os
integrantes da comunidade, a qual se vinculam as instituições produtoras e disseminadoras do
conhecimento. Assim sendo, a extensão como mediação sistematizada de retorno dos benefícios do
conhecimento à sociedade exige da Universidade imaginação e competência com vistas à elaboração
de projetos como canais efetivos para este retorno.

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1.3 A pesquisa e a sociedade
A pesquisa é muito útil para diferentes finalidades: criar novos sistemas e produtos; resolver
problemas econômicos e sociais; situar-se no mercado, elaborar soluções. Quanto mais pesquisa for
gerada, mais progresso existe; seja em uma nação, um país, uma região, uma cidade, uma comunidade,
uma empresa, um grupo ou um individuo. Não é por acaso que as melhores companhias do mundo são as
que mais investem em pesquisa. Graças à pesquisa, processos industriais são criados, organizações são
desenvolvidas e a história da humanidade se modifica. Também é possível conhecer desde a estrutura
mental humana até saber como atingir um cometa em plena trajetória a milhões de quilômetros da
Terra. O resultado das pesquisas pode contribuir para melhorias na qualidade de vida da sociedade,
bem como mudar diretrizes até então vigentes e vistas como corretas. No site da Fundação de Amparo
à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), uma das principais agências de fomento à pesquisa
científica e tecnológica do país, foram encontradas pesquisas que podem exemplificar esse retorno do
conhecimento produzido nas Universidades para a sociedade.

Exemplo 01
O professor Marcos Buckeridge da Universidade de São Paulo, coordenador do Instituto Nacional
de Ciência e Tecnologia (INCT) do Bioetanol, aborda uma questão importante para a sociedade que
é obtenção de etanol a partir da celulose da cana-de-açúcar por meio de novas técnicas. Cientistas
de todo o mundo estão em busca de uma tecnologia para a produção em escala industrial do etanol
derivado da celulose. Atualmente, só se pode fabricar etanol a partir da sacarose, que corresponde
a um terço da biomassa da planta. O etanol celulósico permitiria aproveitar os outros dois terços,
aumentando a produtividade sem alterar a área plantada. Retirado de: http://agencia.fapesp.br/17480

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Exemplo 02
Com base em um estudo publicado na
revista Liver Transplantation, pesquisadores da
Faculdade de Medicina da Universidade de São
Paulo (FMUSP) propõem alterações nas diretrizes
nacionais para transplante de fígado. De acordo
com o Dr. Luiz Augusto Carneiro D’Albuquerque,
diretor da Divisão de Transplantes de Órgãos
do Aparelho Digestivo do Hospital das Clínicas
(HC) da FMUSP e um dos autores do artigo,
os resultados da pesquisa indicam que estão
sendo operados no país doentes com estado de
saúde tão grave que não seriam mais elegíveis
ao tratamento, em razão do alto risco de óbito
ou de complicações. Por outro lado, candidatos
com chance de um desfecho positivo acabam
morrendo na fila de espera por transplante. As
diretrizes nacionais precisam ser revistas para
evitar que isso aconteça. Os resultados deste
estudo podem dar subsídios para o Estado rever
a política de distribuição de órgãos. Retirado de: http://agencia.fapesp.br/17490

Exemplo 03
Uma nova embalagem plástica para o acondicionamento de frutas e hortaliças composta de uma
bandeja reciclável e uma base articulada e retornável recebeu no início deste ano o IF Design Award
2013, um dos principais prêmios internacionais de qualidade e excelência em desenho industrial.
A concepção e o projeto foram do Instituto Nacional de Tecnologia (INT) do Rio de Janeiro, que
recebeu a premiação na Alemanha. A embalagem é uma solução para combater o desperdício que
no Brasil gira em torno de 40% das frutas e hortaliças, segundo a Organização das Nações Unidas para
Alimentação e Agricultura (FAO). São alimentos que não chegam à mesa do consumidor principalmente
porque embalagens inadequadas causam danos e não preservam a integridade desses produtos.
As geometrias das bandejas do INT são variadas, resultado do escaneamento em 3D com câmeras
especiais que determina a melhor condição de armazenamento para os diferentes tipos e calibres de
frutas contempladas pelo projeto: caquis, mangas, morangos e mamões. Retirado de: http://agencia.
fapesp.br/17467.

Exemplo 04
Além de facilitar a vida das pessoas, o metrô pode dar uma grande contribuição à economia. Caso
São Paulo não tivesse metrô, por exemplo, a economia brasileira perderia R$ 19,3 bilhões por ano. Esse
valor corresponde a dois terços do custo de construção de toda a rede de metrô da cidade. Se a quantia
salva fosse investida no próprio sistema metroviário, seria possível duplicá-lo com o dinheiro poupado

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em menos de um ano e meio. A conclusão é do estudo The Underground Economy: Tracking the Wider
Impacts of the São Paulo Subway System (A Economia Subterrânea: Rastreamento dos Impactos mais
Amplos do Sistema de Metrô de São Paulo), coordenado por Eduardo Amaral Haddad, professor
titular do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da
Universidade de São Paulo (FEA-USP). Para quantificar o impacto econômico do sistema metroviário
paulistano, os pesquisadores utilizaram o conceito de “tamanho efetivo de mercado de trabalho”. Essa
grandeza é definida pelo número de empregos que, a partir de seu local de residência, um trabalhador
pode alcançar em determinado intervalo de tempo. Quanto maior o “tamanho efetivo de mercado
de trabalho”, maior a oferta de empregos para o referido trabalhador e maior a sua disponibilidade
para trabalhar nas firmas possíveis de alcançar no intervalo de tempo considerado. Com as equações
montadas, os pesquisadores fizeram uma simulação eliminando o metrô, para determinar a influência
específica dessa variável. Os cálculos mostraram que, nesse caso, o Produto Interno Bruto (PIB)
municipal decresceria em 1,7%. E o PIB nacional, em 0,6%. A partir daí, chegou-se ao número de R$
19,3 bilhões por ano. Retirado de: http://agencia.fapesp.br/17350

Você sabia que um dos 20 maiores cientistas do mundo, segundo a revista


Scientific American, é brasileiro? Conheça mais sobre o neurocientista Miguel
Nicolelis, acessando o link: http://www.youtube.com/watch?v=7ACCVu4-42c

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Considerações finais
Tendo em vista os conceitos apresentados em relação às funções da Universidade na tríade
ensino, pesquisa e extensão e da importância da pesquisa como ponto de apoio das outras funções;
constitui-se a principal finalidade da disciplina “Metodologia da Pesquisa Científica”: desenvolver
habilidades e competências para a elaboração e o desenvolvimento de projetos científicos. O ensino de
Metodologia Científica é um grande desafio nas Universidades, pois muitas vezes ela é compreendida
apenas como um conjunto de regras que acabam por carecer de sentido, no entanto a abrangência
dessa disciplina precisa ser algo maior. Para isso, a dinâmica de aprendizado precisa ser diferente das
outras disciplinas. Fica a dica! No decorrer dessa disciplina, tente ir pensando e esboçando um projeto
de pesquisa. Com certeza, desta forma, os conceitos irão começar a ficar mais concretos e menos
distantes da sua realidade.

Não deixe de ver o vídeo “Aprender a aprender”, ele mostra que para
aprender é preciso ter vontade, motivação e muita paciência para ensaiar e
tentar quantas vezes forem necessárias. Além disso, também é abordado nesta
animação que as pequenas conquistas são gratificantes e importantes para o
nosso crescimento. http://www.youtube.com/watch?v=Pz4vQM_EmzI

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Bibliografia
SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. São Paulo, Cortez, 2007.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São Paulo, Atlas, 2006.
RUDIO, F. V. Introdução ao projeto de pesquisa científica. 29. ed. Petrópolis, Vozes, 1986.
SAMPIERI, R. H.; COLLADO, C.F; LUCIO, M. D. P. B. Metodologia de pesquisa. 5. ed. Porto Alegre,
Penso, 2013.
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) Disponível em <www.fapesp.
br> Acesso em 12 jul de 2013.

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