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Pe.

Gregório Teodoro
Catedral Metropolitana Ortodoxa
Patriarcado Greco-Ortodoxo de Antioquia e todo o Oriente

“Tenhamos no alto os corações!”

Em nossa Divina Liturgia, na Anáfora, o Padre se dirige aos fiéis com a exortação:
“Tenhamos no alto os corações!”, ao que o coro, em nome dos fiéis, responde: “Já os temos no
Senhor”.
Talvez algumas pessoas fiquem intrigadas quanto ao significado desse convite. Ter os
corações no alto? Como? O que significa? Qual é a sua intenção?
Aqui é preciso lembrar que, na linguagem bíblica, o coração é a sede do pensamento e
da vontade; o coração seria, então, nesse sentido, o mundo interior, principalmente em termos
de pensamentos e vontade. Traduzindo para uma linguagem atual, o coração é a mente.
Portanto, “tenhamos no alto os corações” corresponde mais ou menos ao que o apóstolo São
Paulo escreveu na Epístola aos Colossenses: “Pensai nas coisas do alto” (Colossenses 3.2), e
a intenção desse convite é, dito de forma bem simples, pedir que o povo de Deus se concentre
e se prepare para a Santa Eucaristia, o sacramento do Corpo e Sangue do Senhor Jesus.
Logo, nossos corações devem estar “no alto” para recebermos a Santa Comunhão.
A Eucaristia é o ponto focal da vida cristã. De que forma, então, podemos ter os
corações “no alto”, passando pelas várias partes da Liturgia? Na mesma Anáfora somos
lembrados de que a Eucaristia, a Divina Liturgia, é ação de graças. Por isso o Sacerdote nos
convida: “Demos graças ao Senhor”, ao que se responde: “É digno e justo”. E ainda somos
convidados a, com os anjos e arcanjos, e com toda a companhia celeste, louvar e engrandecer
o nome de Deus com o cântico “Santo, Santo, Santo é o Senhor de Sabaoth” (“Senhor dos
Exércitos”), no qual ecoam as palavras registradas no Livro do profeta Isaías (6,3), e nós como
que nos juntamos à multidão na entrada de Jesus em Jerusalém, cantando: “Bendito aquele
que vem em nome do Senhor!” (Mateus 21,9). Nesse momento declaramos que Cristo vem a
nós na Eucaristia, pela Santa Comunhão.
Depois rezamos a oração do Pai Nosso, aquela que o próprio Jesus ensinou (Mateus
6,9-13). Já se aventou a hipótese de que esta oração esteja no ritual da Divina Liturgia pelo
fato de uma das petições mencionar o pão, que é, então, interpretado como sendo o “Pão
Celestial”, lembrando as palavras do Senhor: “Eu sou o pão vivo descido do Céu” (João 6,51).

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Pe. Gregório Teodoro
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No entanto, rezar o Pai Nosso antes de recebermos a Santa Comunhão (e só participa


verdadeiramente da Eucaristia quem comunga), é significativo pelos vários pedidos que nele
fazemos. Pedimos: “Venha a nós o vosso Reino!”, e ele vem a nós neste sacramento.
Pedimos: "Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”,
e o Senhor nos perdoa na Eucaristia, Corpo e Sangue de Jesus oferecidos para a remissão
dos pecados. Ao mesmo tempo manifestamos um espírito de reconciliação, dispondo-nos a,
perdoados pelo Pai Celeste, perdoar aqueles que nos fizeram algo de ruim, e isso faz parte do
sermos dignos e estarmos realmente preparados para participar da Eucaristia. Ainda pedimos:
“Livrai-nos do mal”, e Deus nos reafirma, na Santa Eucaristia, que Ele nos guarda do Maligno:
“Aquele que foi gerado de Deus, Ele o guarda, e o Maligno não o pode atingir” (I João 5,18) –
renascidos no Santo Batismo, “gerados de Deus” por Jesus Cristo, nos alimentamos com o
Pão da Vida.
“Tenhamos no alto os corações!” Vale a pena!

(adaptado e complementado de artigo do teólogo Vilson Scholz)

Pe. Gregório Teodoro


Catedral Metropolitana Ortodoxa de São Paulo
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