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A POESIA MODERNA E

CONTEMPORÂNEA
DA RUPTURA DE 22 AO EXPERIMENTALISMO CONTEMPORÂNEO
A POESIA DE 22
RUPTURA E EXPERIMENTAÇÃO ESTÉTICA.
Versos livres e brancos;
Estrofes curtas e assimétricas.
Linguagem espontânea, próxima da oralidade brasileira.
Tom permanentemente irônico e parodístico.
Influências das vanguardas europeias.
Mistura de gêneros literários e inserção de outros gêneros textuais.
 TEMÁTICA CRÍTICA E DESIDEALIZADA.
Postura anti-acadêmica e antiburguesa.
Paródia do nacionalismo ufanista e da história oficial.
Busca da identidade nacional, via primitivismo.
A poeticidade do cotidiano.
A POESIA DE 22
O CAPOEIRA CANTO DE REGRESSO Á PÁTRIA
- Qué apanhá sordado? Minha terra tem palmares
- O quê? Onde gorjeia o mar
- Qué apanhá? Os pássaros daqui
Pernas e cabeças na calçada. Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
PERO VAZ DE CAMINHA E quase que mais amores
As meninas da gare Minha terra tem mais ouro
Eram três ou quatro moças bem moças Minha terra tem mais terra
e bem gentis Ouro terra amor e rosas
Com cabelos mui pretos pelas espáduas Eu quero tudo de lá
E suas vergonhas tão altas e tão Não permita Deus que eu morra
saradinhas Sem que volte para lá
Que de nós as muito bem olharmos Não permita Deus que eu morra
Não tínhamos nenhuma vergonha Sem que volte para São Paulo
Oswald de Andrade Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo
Oswald de Andrade
A POESIA DE 30
RUPTURAS E PERMANÊNCIAS.
As conquistas de 22 permanecem, mas sem radicalismos.
O tom irônico e debochado diminui acentuadamente.
Linguagem discursiva, reflexiva e, às vezes, filosófica.
Acentuam-se as misturas de gêneros literários e textuais.
TEMÁTICA ENGAJADA, HUMANISTA E SOCIOPOLÍTICA.
 Posição antiburguesa e anticapitalista.
Denúncia contra as formas de coisificação e reificação do homem.
 Reflexão sobre a relação homem x mundo.
Retorno de temas universais: amor, morte, solidão e desilusão.
Reflexões existenciais a partir do lírico e do autobiográfico.
Reflexões metalinguísticas.
A POESIA DE 30
A FLOR E A NÁUSEA

QUADRILHA
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade
A POESIA DE 30
PENSÃO FAMILIAR Poema tirado de uma notícia de jornal
Jardim da pensãozinha burguesa.
Gatos espapaçados ao sol.
A tiririca sitia os canteiros chatos. João Gostoso era carregador de feira livre e
O sol acaba de crestar as boninas que morava no morro da Babilônia num
murcharam. barracão sem número
Os girassóis
amarelo! Uma noite ele chegou no bar Vinte de
resistem. Novembro
E as dálias, rechonchudas, plebéias,
dominicais. Bebeu
Cantou
Um gatinho faz pipi. Dançou
Com gestos de garçom de restaurant-Palace Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas
Encobre cuidadosamente a mijadinha. e morreu afogado.
Sai vibrando com elegância a patinha
direita: Manuel Bandeira
— É a única criatura fina na pensãozinha
burguesa.
Manuel Bandeira
A POESIA DE 30
SONETO DA FIDELIDADE SONETO DA CONTRIÇÃO
De tudo ao meu amor serei atento Eu te amo, Maria, eu te amo tanto
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que o meu peito me dói como em doença
Que mesmo em face do maior encanto E quanto mais me seja a dor intensa
Dele se encante mais meu pensamento. Mais cresce na minha alma teu encanto.
Quero vivê-lo em cada vão momento Como a criança que vagueia o canto
E em seu louvor hei de espalhar meu canto Ante o mistério da amplidão suspensa
E rir meu riso e derramar meu pranto Meu coração é um vago de acalanto
Ao seu pesar ou seu contentamento Berçando versos de saudade imensa.
E assim, quando mais tarde me procure Não é maior o coração que a alma
Quem sabe a morte, angústia de quem vive Nem melhor a presença que a saudade
Quem sabe a solidão, fim de quem ama Só te amar é divino, e sentir calma...
Eu possa me dizer do amor (que tive): E é uma calma tão feita de humildade
Que não seja imortal, posto que é chama Que tão mais te soubesse pertencida
Mas que seja infinito enquanto dure. Menos seria eterno em tua vida.
Vinícius de Morais Vinícius de Morais
A POESIA DE 30
MOTIVO RETRATO
Eu canto porque o instante existe Eu não tinha este rosto de hoje,
e a minha vida está completa. assim calmo, assim triste, assim magro,
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta. nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento. Eu não tinha estas mãos sem força,
Atravesso noites e dias tão paradas e frias e mortas;
no vento. eu não tinha este coração
Se desmorono ou se edifico, que nem se mostra.
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico Eu não dei por esta mudança,
ou passo. tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
Sei que canto. E a canção é tudo. a minha face?
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo: Cecília Meireles
— mais nada.
Cecília Meireles
A POESIA DE 45 E CONCRETISMO
O FORMALISMO CABRALINO
O formalismo de Cabral é o paradigma da poesia de 45.
Diferentemente dos parnasianos, a estética de Cabral privilegia:
A metrificação, sem obrigação do decassílabo ou da metrificação rígida.
A simetria da composição, sem obrigação do soneto ou outras
composições tradicionais.
O ritmo, sem a obrigatoriedade do uso de rimas regulares.
O trabalho com a palavra, sem preocupação com o léxico erudito.
A inserção de termos e expressões regionais.
A sintaxe apurada, em que a elipse contribui para a objetividade.
A palavra exata, objetiva, sem abrir mão da metáfora.
O uso de regionalismos por meio de um vocabulário preciso.
Preocupação com a arquitetura do poema, em que o poeta se torna um
engenheiro da palavra e da composição.
ASPECTOS TEMÁTICOS DA POESIA DE CABRAL
Um dos temas mais recorrentes é a metalinguagem, em que reflete
sobre a construção do poema.
A indigência, a miséria e a fome do homem nordestino, condenado a
viver num estado de marginal.
A relação do homem sertanejo com o mundo do engenho, em que
denuncia a opressão e a violência a que é submetido.
A migração do sertanejo com destino à cidade, em busca de uma vida
melhor, mas enfrentando também um estado de miséria.
O coronelismo no interior do Nordeste brasileiro, um dos motivos do
atraso da região.
A marginalização do homem nos mocambos do Recife, condenado a
viver retirando a sobrevivência da lama dos rios.
MORTE E VIDA SEVERINA
AUTO DE NATAL PERNAMBUCANO
O CONCRETISMO E A POESIA
CONTEMPORÂNEA
POESIA PRÁXIS
TROPICALISMO
A MÚSICA DE PROTESTO
CANÇÃO DO SUBDESENVOLVIDO