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aula 01: HOMEOSTASIA

- Homeostasia: manutenção das condições estáticas, ou constantes, no meio interno.


- Guyton: “Cada estrutura funcional contribui com sua parte para a manutenção das
condições homeostáticas, do líquido extracelular, que é chamado de meio ou ambiente
interno. Enquanto forem mantidas as condições normais nesse meio interno, as células
corporais continuarão a viver e a funcionar adequadamente. Assim, cada célula se beneficia
da homeostasia e, por sua vez, contribui, com sua parte, para a manutenção da homeostasia.
Essa contínua interação assegura a automaticidade do corpo, até que um ou mais sistemas
funcionais percam a sua capacidade de contribuir com sua parte funcional. Quando isso
acontece, todas as células do corpo sofrem. A disfunção extrema leva à morte, enquanto a
disfunção moderada leva à doença.”
- Condição imprescindível à vida da célula: manutenção da constância do meio externo.
- Propriedades do meio interno: pressão, volume, osmolaridade, pH, concentração iônica e
de outros componentes  definem condições normais da vida
 Sistema de transporte do líquido extracelular :
O líquido extracelular é transportado pelo corpo  2 etapas: movimento do sangue
por todo corpo e movimento de líquido entre os capilares sanguíneos e as células.
 Origem dos nutrientes do líquido extracelular:
- Sistema Respiratório: sangue capta oxigênio nos alvéolos, adquirindo o oxigênio
necessário pelas células (oxigênio difunde-se, por movimento molecular, através dos
poros).
- Sistema Gastrintestinal: parte do sangue bombeado pelo coração também passa
pelas paredes do trato gastrintestinal  nutrientes dissolvidos (carboidratos, ácidos graxos
e aminoácidos) são absorvidos, do alimento ingerido, para o líquido extracelular. Nem
todas as substâncias podem ser usadas da maneira que são absorvidas pelo trato
gastrintestinal, sendo assim, o fígado modifica a composição química de muitas substâncias
para formas mais utilizáveis pelo corpo
- Sistema Músculo-esquelético: locomoção e motilidade para proteção contra os
ambientes adversos.
 Remoção das escórias metabólicas:
- CO2: mais abundante das escórias metabólicas  remoção feita pelos pulmões
- A passagem do sangue pelos rins remove do plasma as substâncias que não são
necessárias à célula (uréia, ácidos úrico, excesso de íons e de água dos alimentos...) 
RINS  filtração do plasma pelos glomérulos e reabsorção, para o sangue, de substâncias
necessárias ao corpo.
 Regulação das funções corporais:
- Sistema nervoso: 3 partes  sensorial (input), central (integrativa) e motora
(output)  atividades musculares e secretoras
- Sistema Hormonal: 8 glândulas endócrinas principais  hormônios 
transportados pelo líquido extracelular  funções metabólicas  sistema de regulação que
complementa o sistema nervoso.
 Sistemas de controle do corpo:
O corpo humano contém milhares de sistemas de controles, sendo que os mais
intrincados são os sistemas genéticos de controle. O controle pode se dar a nível celular
(controle das funções orgânicas intracelulares), nível orgânico (controlam funções parciais),
nível global (controla inter-relações dos diferentes órgãos).
- Regulação das [O2] e [CO2] no líquido extracelular:
- É necessário para o corpo manter a concentração de oxigênio quase exata e
constante no líquido extracelular. A regulação da concentração de oxigênio, nos tecidos, é
responsabilidade principal das características químicas da hemoglobina  função tampão
do oxigênio da hemoglobina.
- O dióxido de carbono é a principal escória das reações oxidativas nas
células. Concentrações acima do normal excitam o centro respiratório fazendo com que a
pessoa respire rápida e profundamente, aumentando, assim, a expiração de CO2 e
consequentemente a sua remoção do sangue e do líquido extracelular
- Regulação da [Na]: depende da velocidade de secreção de aldosterona (promove a
reabsorção renal de Na)
- Regulação da pressão arterial: diversos sistemas contribuem
-Sistema barorreceptor: receptores neurais que são estimulados pela
distensão da parede arterial  quando a pressão aumenta os barorreceptores enviam
barragens de impulsos para o bulbo encefálico  impulsos inibem o centro vasomotor 
diminui o número de impulsos  diminuição da atividade de bombeamento do coração e
dilatação dos vasos sanguíneos periféricos  maior facilidade para o sangue fluir 
 pressão arterial. Inversamente, a redução da pressão arterial relaxa os receptores de
estiramento  centro vasomotor mais ativo   pressão arterial.
 Características dos Sistemas de Controle:
- Feedback negativo (retroalimentação negativa): maneira pela qual atua a maioria
dos sistemas de controle  efeitos opostos ou negativos aos estímulos desencadeadores.
- Ex: 1. [CO2]  aumenta ventilação pulmonar   [CO2] no líquido
extracelular  concentração aumentada causa diminuição da concentração, o que é
negativo ao estímulo inicial.
2. Pressão arterial aumentada produz uma série de reações que
promovem a redução da pressão, ou pressão diminuída produz pressão aumentada.
- Ganho ou Amplificação: grau de eficiência com que um sistema de controle
mantém as condições constantes é determinado pelo ganho do feedback negativo.
Ganho = Correção
Erro
- Feedback Positivo (retroalimentação positiva): A resposta (ou efeito) aumenta o
estímulo original  o feedback positivo nunca resulta em estabilidade, mas, sim, em
instabilidade e morte. Em raros casos o corpo aprendeu a usar o feedback positivo de forma
vantajosa:
-coagulação sanguínea: quando um vaso sanguíneo é rompido e começa a se
formar um coágulo, múltiplas enzimas (fatores de coagulação) são ativadas no próprio
coágulo, sendo que algumas dessas enzimas atuam sobre outras enzimas ainda inativas,
ativando-as e causando ainda mais coagulação. Entretanto esse mecanismo pode ficar
descontrolado, causando a formação de coágulos indesejáveis (ataques agudos do coração-
coágulos que se formam em placa aterosclerótica em uma artéria coronária e cresce até
bloqueá-la).
- parto: quando as contrações uterinas ficam suficientemente fortes para que
a cabeça do feto comece a fazer força sobre a cérvix, o estiramento da cérvix envia sinais,
pelos músculos uterinos, de volta para o corpo do útero, causando contrações ainda mais
fortes.
 Classificação dos sistemas:
- Sistemas passivos: entrada não é regulada pelos sistemas  crescimento de
microorganismo em função da temperatura do meio
- Sistemas controlados: contêm variáveis que regulam a entrada no sistema
- Sistemas alça aberta: saída não tem efeito sobre a entrada ou a saída espelha a
entrada sem influenciá-la  sistema de medida da pressão arterial
-Sistemas alça fechada: sistema com retroalimentação, havendo controle da saída
sobre a entrada  produção de hormônio tireoidiano
 Tipos de controle: classificados de acordo com a resposta ao desvio do parâmetro
controlado
- Controle contínuo proporcional: relação contínua e constante entre o desvio do
parâmetro controlado e a saída do sistema, sendo que um maior desvio provoca uma maior
resposta  regulação da glicemia pela perda de glicose pelo rim
- Controle integral: permite manter parâmetro no nível desejado com desvio zero,
sendo que o ritmo de saída é proporcional ao desvio  manutenção da glicemia
- Controle de ritmo: saída é proporcional ao ritmo de variação da variável
controlada e não a sua magnitude, só atua quando há variação do parâmetro  acomodação
das células nervosas
 Níveis de regulação:
- molecular (enzimas reguladoras – alostéricas, de modulação covalente ou
regulação genética de enzimas); regulação do pool energético celular. regulação a distância
(reação a estímulos – regulação nervosa e hormonal)

 aula 02: TERMORREGULAÇÃO

- Mecanismo orgânicos que  produzem calor = termogênese


 dissipam calor = termólise

 TERMOGÊGENESE
- Termogênese depende: reações envolvidas no metabolismo e oferta adequada de oxigênio
- Tipos:
- Termogênese mecânica: produção de calor (calafrio); resposta muscular (após
exposição súbita ao frio ou em estados febris); consumo de oxigênio eleva-se 2 a 5 vezes.
Caracterizada por contração desorganizada e involuntária da musculatura esquelética. É
abolido pelo curare e fenesina.
- Termogênese química:é o meio mais importante para manutenção da temperatura
corporal, porém é mais lenta que a termogênese. O calor produzido provém de reações
exotérmicas do metabolismo de gorduras (*tec adiposo marrom – homem: regiões
interescapulares, subescapulares e axilares), açúcares e proteínas.
- Metabolismo basal: 1,5kcal/min
- Geração de calor: fígado, cérebro, coração e músculo esqueléticos
- Fatores que afetam a termogênese: todos relacionados ao metabolismo dos alimentos
(sono, subnutrição, hipofunção tireoidiana – reduzem o metabolismo// hiperfunção
tireoidiana, tensão muscular permanente, calafrios, alimentação e exercício – aumentam o
metabolismo)

 TERMÓLISE
- Perde de calor por:
- VAPORIZAÇÃO - corpo humano – evaporação da água na pele e pulmões
- 20 a 25% do calor total perdido.
- Perdas aumentadas: febre, doenças que apresentam
hiperventilação pulmonar.
- Perdas diminuídas: grandes queimaduras
-  termólise  hipertemia

- RADIAÇÃO - Calor dissipado por emissão de ondas eletromagnéticas


- 60% perda do calor corporal
- Fluxo de calor: corpo + quente para o + frio, para o meio

- CONVECÇÃO - Transferência de energia térmica através do movimento de


massas de fluidos  de regiões frias para quentes e vice-versa
- Força movimento: empuxo do meio e peso de partículas

- CONDUÇÃO - Transferência de calor por contato direto entre um corpo frio


e um corpo quente

 Controle da temperatura corporal  HIPOTÁLAMO:


- lesão da região anterior: hipertemia – controle da termólise
- lesão região posterior: hipotermia – controle da termogênese
- termogênese: calafrios/ horripilação
- termólise: vasodilatação periférica, sudorese
 Variações circadianas: a temperatura corporal não é constante. A temperatura mínima
ocorre em torno das 4h da manhã e a máxima ao final da tarde.
 Trocas de calor corpo-ambiente  depende: temperatura, velocidade e umidade do ar,
temperatura da pele, taxa de evaporação do suor, características biofísicas do vestuário.
 Fatores que afetam a temperatura da pele:
- Externos: vestuário, temperatura e umidade do ar, movimento do ar
- Internos: características físicas da pele, ingestão de alimentos, circulação
sanguínea.
 Sistema de controle termorregulador: receptores de temperatura na superfície corporal
(periféricos e centrais)  enviam informações para centros de controle  respostas às
alterações na temperatura interna
 HIPOTÁLAMO: A porção anterior está relaciona à perda de calor e a região posterior
está relacionada com a produção e conservação de calor.

 aula 03: COMPARTIMENTOS E LÍQUIDOS DO ORGANISMO


- A água que penetra no corpo provém de duas fontes principais: de sua ingestão na forma
de líquidos ou contida nos alimentos e de sua síntese no corpo em decorrência da oxidação
dos carboidratos.
- A água corporal total encontra-se, principalmente, distribuída entre 2 compartimentos: o
líquido extracelular (dividido em líquido intersticial e plasma sanguíneo) e o líquido
intracelular.
- No ser humano adulto médio, de 70kg, a água corporal total equivale a cerca de 60% do
peso corporal (percentagem varia dependendo da idade, sexo e grau de obesidade). À
medida que a pessoa envelhece, a percentagem representada pela água diminui, pois o
envelhecimento está associado a aumento na percentagem do peso corporal representada
por gordura, a qual, por sua vez, diminui a percentagem de água no corpo.

 COMPARTIMENTOS não são fechados, permitindo constante movimento


água/solutos:
- INTRACELULAR: constitui cerca de 40% do peso corporal total do indivíduo
“médio”, consiste na soma dos líquidos contidos em cada célula  líquido intracelular
(LIC).
- EXTRACELULAR: todos os líquidos situados fora das células, correspondendo a
cerca de 20% do peso corporal  Líquido extracelular (LEC). Os dois maiores
compartimentos de líquido extracelular são o liquido intersticial (3/4 do líquido
extracelular) e o plasma (1/4). O plasma é a porção não-celular do sangue, que se comunica
continuamente com o líquido intersticial através dos poros das membranas dos capilares.
- TRANSCELULAR: pequeno compartimento de líquido que incluiu os líquidos
existentes nos espaços sinovial, peritoneal, pericárdico e intra-ocular, bem como no líquido
cefalorraquidiano. É considerado um tipo especializado de líquido extracelular.

 DETERMINAÇÃO DOS VOLUMES DOS COMPARTIMENTOS:


O volume de um compartimento líquido no corpo pode ser medido ao se introduzir
substâncias indicadoras no compartimento, ao se aguardar sua dispersão uniforme por todo
líquido do compartimento, e, a seguir, ao se analisar o grau de diluição da substância.
- Método de “diluição de indicadores”: baseia-se no princípio da conservação de
massa  a massa total da substância, após sua dispersão no compartimento líquido, será
igual à massa total introduzida no compartimento.
Volume de distribuição = [subst] injetada – quantidade metabolizada ou excretada
[subst] amostra
Os volumes podem ser medidos para qualquer substância injetada, desde que se leve em
consideração alguns fatores: substância não tóxica, distribuição total no compartimento,
fácil de medir, estável durante o período de distribuição.
- Plasma: para medir o volume do plasma, deve-se utilizar uma substância que não
atravesse facilmente as membranas dos capilares e que permaneça no sistema vascular após
a sua injeção  albumina sérica marcada com iodo radioativo. Também podem ser
utilizados corantes que se ligam fortemente às proteínas plasmáticas, como o corante azul
de Evans
- Volume sanguíneo: volume plasma + hematócrito  Vol. plasma x 100
100 – hematócrito
- Hemáceas: volume sangue total – volume plasma
- Líquido extracelular: difícil de medir  limites do espaço pouco definidos,
poucas substâncias se distribuem rapidamente, linfa não pode ser separada do LEC,
equilíbrio lento (humor vítreo e líquido sinovial). Volume aceito: 20%
- Líquido intersticial: não pode ser medido diretamente, mas pode ser calculado da
seguinte maneira: Volume de líquido intersticial = volume de líquido extracelular – volume
plasmático.
- Líquido intracelular: não pode ser medido diretamente, mas pode ser calculado
da seguinte maneira: Volume do LIC = Volume total água – Volume do LEC.

 DISTRIBUIÇÃO DE SUBSTÂNCIAS ENTRE OS COMPARTIMENTOS:


- Distribuição das hemáceas: compartimento vascular, não atravessam o epitélio
capilar; 4 a 5 milhões/mm3.
- Distribuição da uréia: vascular, intersticial, intracelular; 0,3g/L
- Distribuição do Na+: vascular (plasma) e intersticial (140mEq/L); intracelular
(12mEq/L). A membrana celular atua sobre o sódio impedindo que as concentrações extra e
intracelular se igualem.
- Distribuição da água: não ocorre diferença de concentração da água entre
compartimentos.

 COMPOSIÇÃO DOS LÍQUIDOS CORPORAIS:


Líquido Intracelular Líquido Extracelular
Principal cátion Potássio Sódio
Principal ânion Proteínas e fosfatos Cloro
PH 7 7,45
- Líquido intersticial x plasma: virtualmente idênticos  exceções: plasma contém
mais proteínas

 Movimento dos líquidos:


- capilares permitem movimento livre do LEC
- pressão hidrostática “empurra” líquido para fora dos capilares
- pressão coloidosmótica das proteínas plasmáticas “puxa” líquido para dentro dos
capilares
- o equilíbrio entre a pressão hidrostática e a coloidosmótica é que determina o
movimento.

 Determinação química das concentrações intracelulares de íons:


- É mais precisa quando o íon é de elevada concentração na célula e baixa no
interstício (K). A determinação de íon Na e Cl é de pouca precisão porque eles possuem
concentração intracelular baixa e intersticial alta.
- A concentração efetiva é diferente da concentração química devido a interações
entre íons em solução, o que resulta em alterações das características.
- A distribuição iônica característica dos seres vivos não é devida à ligação
específica a macromoléculas, mas causada por fenômenos de transporte ao nível da
membrana celular. Os íons intracelulares sofrem certa ação do seu meio, embora esta ação
não seja capaz de alterar suas características físico-químicas.
 Propriedades e funções dos líquidos corporais:
- ÁGUA: maior proporção; constante dielétrica (mantém as partículas de carga
oposta na forma ionizada); densidade (tecidos tem densidade semelhantes à da água –
exceção: tecido ósseo); tensão superficial (conseqüência da força de atração entre as
moléculas de um líquido na sua superfície  TSágua > TSlíquidos – exceção: Hg); viscosidade
(resistência interna, a viscosidade da água é baixa  escoamento dos líquidos); calor
específico (elevado); calor de vaporização (propriedade que permite reter H2O no
organismo em temperaturas elevadas). Funções: solvente universal; hidrólise;
fragmentação; hidratação; solvatação; síntese de substâncias; meio de transporte; regulação
térmica; função respiratória (transporte de gases), nutritiva (transporte de nutrientes) e
excretora (remoção de produtos do metabolismo).
- LINFA: manutenção da pressão osmótica; manutenção dos tecidos; redistribuição
fluidos corporais; remoção de partículas.

 aula 04: SOLUÇÕES

 Solução é uma mistura homogênea de pelo menos 2 componentes, sendo que a fase
dispersa é o soluto e a fase dispersante é o solvente.
 Classificação das soluções:
- Iônicas: molécula sofre dissociação, formando 2 ou mais íons; capaz de conduzir
corrente elétrica.
- Moleculares: não sofre dissociação (solução não-eletrolítica); solução de
substâncias orgânicas
 1 mol de qualquer substância tem o mesmo número de moléculas, íons, átomos
(partículas).
 1 mol é a quantidade de substância de um sistema que contém unidades elementares
iguais ao número de átomos existentes em 0,012kg de 12C.
 1 mol de qualquer substância contém o número de Avogrado (6,02 x 41023) de átomos,
íons, moléculas (partículas).
 Referir água como massa em vez de volume  vantagem: maneira indireta de referir
número de moléculas contidas numa solução
 Equivalente, mEq e solução normal: maneiras de expressar número de valências em uma
determinada massa  1 mol de substância pode ter o dobro de valência de outra substância
com o mesmo número de íons.
 Composição eletrolítica dos líquidos corporais: íons  eletroneutralidade
 Composição do líquido intersticial: semelhante ao plasma
 Volume molar parcial: volume ocupado por cada soluto em uma solução (volume
ocupado por 1 mol de soluto)  concentração da água diminui à medida que aumenta o
volume molar parcial
 Propriedades coligativas das soluções:
- Água  características: congelamento - 0ºC; ebulição – 100ºC; pressão de vapor
– 47 mmHg a 37ºC. Ao adicionarmos solutos: diminui o ponto de congelamento e aumenta
o ponto de ebulição
 OSMOL: é a quantidade de substância que adicionada a 1 litro de água diminui a Tc
água em 1,86ºC. A osmolalidade do plasma humano: 285 a 295 mOsm/kg
 aula 05: MEMBRANAS
obs: vou resumir bem essa aula, pq acho q de todo mundo já tá cansado das membranas

 1971: Singer e Nicholson  Modelo Mosaico Fluido  moléculas ligam-se através de


interações químicas não covalentes; arranjo semelhante a um mosaico; todas as moléculas
têm livre mobilidade lateral; estrutura semifluida bidimensional; característica de um
líquido altamente viscoso; explica fenômenos de barreiras físicas preservando o conteúdo,
permitindo a recepção e transmissão de sinais químicos, passagem de íons pequenas
moléculas e fagocitose de partículas.
 Composição:
- Lipídeos: anfipáticos, constituem de 20 a 40% peso – definem estrutura básica e
estabilidade. Classes: fosfolipídeos (grande mobilidade – caráter fluido), esfingolipídeos,
esteróides (colesterol – estabilidade), glicolipídeos (formam glicocálice associados às
glicoproteínas)
- Proteínas: 20 a 70% peso. Tipos: integrais (insolúveis e imersas em regiões
apolares dos lipídeos) e periféricas (livres ou ligadas às proteínas integrais).
- Glicídio: projetam-se da superfície celular (superfície externa da MP e interna das
organelas); sítio de ligações para hormônios; formam glicocálice
 Assimetria na estrutura  característica necessária para que ocorram os processos de
sustentação da vida celular:
- camada externa: rica em fosfatidilcolina e esfingomielinas
- camada interna: rica em fosfatidiletanolamina e fosfatidilserina
- colesterol: quantidades iguais
 Glicocálice: regiões ricas em carboidratos sobre a superfície celular (“cell coat”), cuja
função é proteger a célula de danos químicos e/ou mecânicos e manter células estranhas à
distância. É uma estrutura de reconhecimento celular
 Junções de comunicações (“gap junctions”): são regiões multiprotéicas que contêm
canais reguláveis que comunicam os citoplasmas de duas células; permitem a troca de íons
e moléculas entre células.

 aula 06: DIFUSÃO E OSMOSE

DIFUSÃO
- A difusão significa o movimento aleatório de substâncias, molécula a molécula,
seja pelos espaços intermoleculares da membrana, seja em combinação com uma proteína
carreadora. A energia produtora da difusão é a energia do movimento cinético normal da
matéria.  “de onde tem mais, vai para onde tem menos.”

 DIFUSÃO ATRAVÉS DA MEMBRNA CELULAR - 2 tipos:


 Difusão simples: o movimento cinético das moléculas ou íons ocorre pelos
orifícios ou pelos espaços intermoleculares da membrana, sem necessidade de fixação a
proteínas carreadoras dessa membrana. A velocidade é determinada pela quantidade de
substância disponível, velocidade do movimento cinético e número de orifícios na
membrana pelos quais pode haver passagem de substâncias. Podem ocorrer 2 percursos:
pelos interstícios da bicamada lipídica ou por canais aquosos em alguma das proteínas de
transporte.
 Difusão facilitada: exige interação de proteínas carreadoras com as moléculas ou
íons, que facilitam a passagem das substâncias. Entre as substâncias que atravessam a
membrana celular por difusão facilitada estão a glicose e a maioria dos aminoácidos.
- Um dos fatores mais importantes que determinam quão rapidamente uma
substância irá se mover pela bicamada lipídica é a lipossolubilidade da substância  O2,
N, CO2 e álcoois têm alta lipossolubilidade.
- Moléculas insolúveis em lipídeos podem passar pela membrana através dos
poros formados pelos canais protéicos do mesmo modo como fazem as moléculas de água,
desde que sejam suficientemente pequenas.

 DIFUSÃO POR CANAIS PROTÉICOS E AS “COMPORTAS” DESSES CANAIS


- Os canais protéicos distinguem-se por duas importantes características:
costumam ser seletivamente permeáveis a determinadas substâncias; muitos desses canais
podem ser abertos ou fechados por comportas.
- A maioria dos canais protéicos é extremamente seletiva para o transporte de um ou mais
íons ou moléculas específicas. Ex: canal de sódio  superfícies internas revestidas
intensamente por cargas negativas que puxam os pequenos íons desidratados de sódio para
dentro desses canais. Uma vez dentro dos canais os íons difundem-se de acordo com as leis
da difusão. Já os canais que transportam o potássio são menores que os canais de sódio e
não possuem cargas negativas.
- As comportas dos canais representam um mecanismo para o controle da
permeabilidade dos canais. As comportas podem ocluir a entrada do canal ou ser afastada
dessa entrada por alterações conformacionais da forma da própria molécula de proteína. A
abertura e fechamentos das comportas são regulados de modos: regulação pela voltagem
(conformação molecular da comporta responde ao potencial elétrico através da membrana
celular); regulação por agentes químicos (alguns canais são abertos pela fixação de outra
molécula à proteína, que causa alteração conformacional da molécula de proteína, que abre
ou fecha o canal).

 FATORES QUE ALTERAM A ITENSIDADE EFETIVA DA DIFUSÃO:


- As substâncias que se difundem em uma direção também podem difundir-se na
direção oposta, logo, o que é importante é a intensidade efetiva da difusão da substância na
direção desejada.
- A intensidade efetiva é determinada pelos seguintes fatores:
- permeabilidade da membrana  influencia da espessura, lipossolubilidade,
número de canais protéicos, temperatura e peso molecular da substância difusora.
- área da membrana
- diferença de concentração  a intensidade com que uma substância se difunde
para o interior é proporcional á concentração das moléculas no exterior.
- potencial elétrico  se for aplicado um potencial elétrico entre as duas faces da
membrana, devido às suas cargas elétricas, os íons irão se mover através da membrana,
embora não exista diferença de concentração para provocar o movimento.
- diferença de pressão  quando a pressão é mais alta em uma das faces da
membrana do que na outra, isso significa que a soma das forças das moléculas atingindo os
canais nessa face da membrana é maior que na outra face. O resultado é que maior
quantidade de energia está disponível para provocar movimento efetivo de moléculas do
lado onde a pressão é mais alta em direção ao lado onde a pressão for mais baixa.

OSMOSE
- Sob certas condições, pode se desenvolver uma diferença de concentração para a água do
mesmo modo como pode ocorrer para outras substâncias. Quando isso acontece, ocorre
verdadeiramente um movimento efetivo de água através da membrana celular, fazendo com
que a célula inche ou murche, dependendo da direção desse movimento. Esse processo de
movimento efetivo de água causado por diferença de concentração da própria água é
chamado osmose.
- PRESSÃO OSMÓTICA: quantidade de pressão necessária para, precisamente,
interromper a osmose. É exercida pelas partículas de uma solução, sejam elas íons ou
moléculas, e é determinada pelo número de partículas por volume unitário do líquido e não
pela massa dessas partículas. Cada partícula em uma solução, independentemente de sua
massa, exerce a mesma quantidade de pressão sobre a membrana, ou seja, todas as
partículas estão se chocando umas com as outras, em média com a mesma energia.
- “OSMOLALIDADE” – O OSMOL: como a intensidade da pressão osmótica
exercida pelo soluto é proporcional à concentração desse soluto em número de moléculas
ou íons, o uso da concentração desse soluto em termos de massa não tem valor para a
determinação da pressão osmótica. Para se expressar a concentração em termos do número
de partículas, é usada a unidade chamada de osmol, em lugar de gramas  1 osmol = 1
mol-grama do soluto não dissociado. Ex: 1 mol-grama de glicose é igual a 1 osmol, pois a
glicose não se dissocia; enquanto 1 mol-grama de NaCl é igual a 2 osmóis.
- Uma solução que contenha 1 osmol de soluto dissolvido em 1kg de água é
considerada como tendo osmolalidade de 1 osmol por quilograma, e uma solução que
tenha 1/1000 osmol dissolvido em 1 kg tem osmolalidade de 1 miliosmol por quilograma. A
osmolalidade dos líquidos extra e intracelular é de cerca de 300 miliosmóis por quilograma.

 OSMOLALIDADE x PRESSÃO OSMÓTICA:temperatura corporal, a concentração de


1 osmol por litro gerará a pressão osmótica de 19.300 mmHg na solução. Logo, 1
miliosmol por litro equivale à pressão de 19,3 mmHg. Multiplicando-se este valor pelos
300 miliosmóis de concentração nos líquidos corporais, obtêm-se um valor de pressão
osmótica = 5.790 mmHg. No entanto, o valor medido é de 5.500 mmHg. A diferença ocorre
porque muitos íons nos líquidos corporais são atraídos entre si; conseqüentemente, eles não
podem se mover sem qualquer restrição, nesses líquidos, gerando seu potencial total de
pressão osmótica.

 OSMOLARIDADE: devido à dificuldade da medida de 1kg de água em uma solução, o


que é necessário para determinar a “osmolalidade”, usa-se geralmente outro termo,
“osmolaridade”, que é a concentração osmolar expressa e termos de ósmois por litro de
solução, em lugar de ósmois por quilograma de água.