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Resultados das medidas tomadas pelo governo brasileiro.

Com as medidas adotadas pelo governo brasileiro frente aos efeitos da crise financeira
internacional no Brasil, podemos elencar alguns resultados e analisar se essas medidas foram
ou não efetivas.

No que se refere às medidas monetárias e creditícias, as políticas ajudaram a evitar um risco


sistêmico. O aumento da liquidez em moeda estrangeira diminuiu a pressão pela
desvalorização do câmbio mantendo um nível mínimo de liquidez. Pela ótica interna, o
aumento da liquidez no mercado doméstico teve destaque principalmente pelas instituições
financeiras públicas, que concederam crédito aos setores que mais precisavam de ajuda,
aumentando suas ofertas de crédito em 33%, frente às instituições privadas, que aumentaram
em 4% as ofertas.

Setores como a agropecuária, bens de produção e de consumo duráveis receberam uma


atenção especial do governo, apresentando sinais de recuperação já em 2009. Também
reagiram bem os setores de construção civil, aumentando sua produção de insumos, e os
setores automotivo e de consumo duráveis, que apresentaram forte aumento nas vendas em
2009. O setor de maquinas e equipamentos agrícolas apresentou um resultado aquém do de
2008, provavelmente devido à diminuição da procura mundial por produtos agrícolas e da
queda dos preços das commodities.

Com relação ao preço da moeda estrangeira no país, pode-se dizer que as medidas foram
pouco efetivas. As consequências iniciais da brusca depreciação do câmbio foram
compensadas logo no inicio de 2009 com o movimento de apreciação cambial decorrente da
volta de fluxos de capitais ao Brasil. Houve também uma retomada da demanda externa,
relacionada aos ganhos decorrentes dos altos preços das commodities na época.

De modo geral, podemos observar que a maioria das medidas adotadas pelo governo
brasileiro para contornar e amenizar os efeitos imediatos da crise foi efetiva, principalmente
os estímulos ao mercado interno decorrentes da expansão de crédito e desonerações às
empresas, que contribuíram de forma mais impactante para o aumento do consumo e para a
manutenção da renda na economia do Brasil. Além disso, a taxa de desemprego no Brasil não
se acelerou como normalmente ocorre em períodos de recessão, apresentando uma tendência
de crescimento em salários e empregos a partir de 2009.

Levando em consideração os resultados imediatos das medidas adotadas pelo governo


brasileiro, pode se dizer que o Brasil apresentou uma considerável recuperação já em 2009,
quando registrou uma contração mínima, de 0,2% do PIB apenas, se considerarmos os efeitos
da crise em economias mais desenvolvidas ou se comparado com as principais economias
mundiais, que sentiram os efeitos da crise mais fortemente e por um período maior.
Referências Bibliográficas:

GENTIL, D. L. Crise econômica: mecanismos de transmissão externa e condicionantes internos.


Socialismo e Liberdade, ano I, n. 1, mai. 2009.

ARAÚJO, V. L.; GENTIL, D. L. Avanços, recuos, acertos e erros: uma análise da resposta da
política econômica brasileira à crise financeira internacional. In: ENCONTRO NACIONAL DE
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<http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/1690/1/td_1602.pdf>

Revista Cadernos de Economia, Chapecó, v. 17, n. 32, p. 52-65, jan./jun. 2013. Disponível em:
< https://bell.unochapeco.edu.br/revistas/index.php/rce/article/viewFile/1651/922 >

IPEA. Crise internacional: balanço e possíveis desdobramentos. Comunicado da Presidência, no


35, Brasília: Ipea, nov. 2009ª
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