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UPE- PETROLINA

CURSO DE HISTÓRIA
BRASIL I
REINALDO CARVALHO

Leonardo da Silva Felipe

1. RESUMO DO FILME DESMUNDO

A história do filme se passa no Brasil do século XVI, mais precisamente


em 1570, ano em que começa a importação de grande número de africanos,
seguindo-se à peculiar conjunção de fatores demográficos, econômicos e
políticos que evidenciaram os riscos de uma economia alicerçada no trabalho
escravo ou forçado de indígenas.
O filme traz a história de uma bela jovem, chamada Oribela, que foi
obrigada a se casar com Francisco de Albuquerque. As meninas eram
obrigadas a contrair matrimônio aos 12 anos de idade com os colonizadores.
Depois de se casar, a jovem portuguesa foi levada para o engenho de
açúcar e foi violentada pelo marido, ficando evidente a questão do machismo e
a violência contra a mulher, como se pode observar em algumas cenas do
filme.
O longa-metragem chama atenção para a questão indígena e o conflito
entre Igreja e colonizadores, no qual os índios eram submetidos a trabalhos
humilhantes. Era uma forma de escambo, ou seja, uma troca de favores.
Os indígenas eram mantidos em cativeiros, mas D. Sebastião era contra.
Por causa disso, em 1570, ele promulgou a primeira lei restringindo o cativeiro
dos índios, porém não era contrária à escravidão em si, mas visava coibir os
chamados cativeiros injustos e dessa maneira só poderiam ser escravizados os
índios capturados em “guerras justas”, mediante uma licença do rei ou do
governador, além dos que atacavam os portugueses, como os aimorés e os
índios que comessem carne humana.
O filme relata que a escravidão já existia no continente africano antes da
chegada dos europeus, entrando em concordância com Alencastro, que afirma
que se deve estudar a escravidão a partir da África.
O filme revela que os europeus , assim como os índios e os africanos,
eram violentos. Além disso, a colônia estava longe de ser um paraíso,
imaginado pelos primeiros colonizadores e nem mesmo uma reprodução do
Reino, transformando-se num “desmundo”, isto é, um “não mundo”, termo
aportuguesado do latim.
O longa-metragem é uma reconstituição rigorosa do Brasil do século, no
vestuário, mobiliário, costumes e inclusive no português arcaico. Além disso,
pode-se observar que as falas de índios e escravos não tem tradução,
existindo uma pluralidade de linguagens que existia na colônia e a dificuldade
de comunicação entre os diversos grupos sociais.
Além da questão indígena, do conflito entre Igreja e colonizadores e do
conceito de matrimônio, podemos observar as relações sociais na colônia
(colonos, padres, indígenas, cristão-novos), relações comerciais, a
religiosidade no Brasil colonial, a situação da mulher na sociedade portuguesa
do século XVI.

2. RESUMO DO TEXTO “A MÃO-DE-OBRA INDÍGENA”

No texto de Ricupero podemos observar que a política indígena da


Coroa portuguesa oscilou frente à pressão jesuítica pró-liberdade e à dos
moradores pró-escravidão, como se nota no filme, em que em uma das visitas
à casa de Francisco, o padre o acusa de que, na fazenda dele, existem mais
de dez brasis sem receber catequese. Depois, o padre leva alguns meninos
para torna-los cristão, deixando-se no ar a suspeita de que, na verdade,
pretendia usá-los como mãos de obra escrava.
A conversão dos índios ao cristianismo, contudo, foi sempre evocada
pelo rei como a maior justificativa da ocupação das terras americanas. Porém,
do ponto de vista cronológico, a primeira forma de exploração foi a troca ou
escambo (como já relatado anteriormente) de produtos europeus com os índios
amigos, dessa forma os portugueses obtiveram trabalho, alimentos e outros
gêneros, inclusive escravos.
Para Gabriel Soares de Sousa os jesuítas “têm por costume recolherem
todos os escravos alheios e índios forros que fugiram a seus senhores que tem
nestas aldeias”.
O controle das relações com os índios, e, consequentemente, o acesso
à mão-de-obra indígena em todas as suas formas, foi delegado à
administração colonial desde a criação do Governo-geral, continuando, dessa
maneira ao longo do período estudado.
O autor afirma que Filipe I, de Portugal, promulgou em 1587 uma nova
lei, reforçando a anterior de D. Sebastião, de 1570 (relatado anteriormente),
com o objetivo de evitar os excessos que os moradores praticavam com os
índios, trazendo-os do sertão, como diz no preâmbulo da lei, por força e
enganos, maltratando-os e vendendo-os como cativos, embora fossem livres, e
servindo-se deles sem lhes pagarem seus serviços, além de outras extorsões e
injustiças.
Rodrigo chama atenção quando relata que a ocupação portuguesa das
terras americanas foi, do ponto de vista demográfico, uma verdadeira tragédia
para a população indígena. Além disso, ele faz uma referência ao estudo de
Stuart Schwartz que, analisando a questão, avaliou que, no final do século XVI,
a população indígena era três quartos da força de trabalho na capitania da
Bahia, objeto do seu estudo.

3. RESUMO DO TEXTO “UMA GERAÇÃO EXAURIDA:


AGRICULTURA COMERCIAL E MÃO-DE-OBRA INDÍGENA”

Schwartz começa falando que os primórdios da economia açucareira no


Brasil foram tragicamente marcados pela história dos contatos entre
portugueses e indígenas ao longo da costa brasileira, principalmente na futura
capitania da Bahia, cujo grupo fundamental é o tupinambá, um povo poderoso
que ocupava uma faixa de trinta a oitenta quilômetros de largura no litoral
compreendido entre Sergipe e Camamu.
A economia tupinambá era basicamente de subsistência e autoconsumo.
Assim, cada aldeia produzia para atender às suas necessidades, havendo
poucas trocas de gêneros alimentícios com outras aldeias, como se observa no
filme, no qual há uma dificuldade de comunicação entre os grupos sociais. A
agricultura era sempre combinada às atividades de caça, pesca e coleta, e a
importância de cada uma dessas fontes de alimentos variava sazonalmente.
As primeiras atividades comerciais dos portugueses no litoral consistiam
em cortar e exportar o famoso pau-brasil. Já em 1502 concederam-se a
particularidades contratos para a exploração dessa mercadoria e, durante os
trinta anos seguintes, os portugueses e seus rivais, os franceses,
estabeleceram feitorias ao longo da costa.
O texto relata que o período de 1540 a 1570 marcou o apogeu da
escravidão do gentio nos engenhos do litoral brasileiro em geral e, em especial,
nos da capitania da Bahia. Essas culturas do gentio, assim como outras, eram
capazes de adaptar-se e sobreviver em situações novas; porém as condições e
regras impostas pelos europeus eram tão adversas à persistência do modo de
vida autóctone que era praticamente inconcebível um ajustamento dentro de
um contexto tradicional.
O autor vai abordar uma questão muito importante: o contato intensivo
entre e os indígenas, tanto nas aldeias como nos engenhos. Esse contato
tornava os índios crescentemente suscetíveis a doenças europeias.
Em 1559 relatava-se a existência de uma peste que assolava o litoral
brasileiro. A doença, provavelmente varíola (bexigas), alastrou-se em direção
ao norte. Nesse mesmo ano e em 1560, mais de seiscentos escravos
indígenas no Espírito Santo foram mortos por causa da doença. Em 1561, os
efeitos da mortalidade crescente faziam-se sentir no Recôncavo. A epidemia
atingiu o seu apogeu em 1562, no qual milhares pereceram. No ano seguinte,
uma segunda epidemia, desta vez o sarampo, abateu-se sobre a já combalida
população. Talvez mais de 30 mil tenham morrido.
O texto chama atenção para o debate sobre os méritos relativos das
várias políticas adotadas entre os colonos, o clero e a Coroa portuguesa. Já os
índios procuraram decidir sua própria sorte, no qual vários grupos tentaram,
desde o início, resistir à dominação dos portugueses pela fuga ou pelas armas,
métodos esses que forneciam aos europeus uma desculpa para escraviza-los
alegando “guerra justa” prevista na legislação régia.
Três anos antes da história narrada pelo filme “Desmundo”, em 1567,
uma revolta geral abalou o Recôncavo. Em alguns lugares, os senhores foram
mortos quando os escravos abandonaram em massa os canaviais. Somente a
intercessão dos habitantes das aldeias controladas pelos jesuítas pôs a
situação novamente sob controle, devolvendo os cativos a seus donos. Esses
movimentos em grande escala foram raros, mas um deles, no sul da Bahia, foi
tão duradouro e tão indicativo do choque entre as culturas e economias
indígena e europeia que merece uma atenção especial. É o fenômeno
conhecido como “Santidade”, um clássico exemplo de “religião dos oprimidos”,
um culto sincrético e messiânico, cujo objetivo era dar início a uma era de
bem-aventurança pondo fim ao jugo da escravidão imposta pela dominação e
cultura portuguesas.

4. RESUMO DO TEXTO “O APRENDIZADO DA COLONIZAÇÃO”

Alencastro vai falar que a escravidão e outras formas de trabalho


compulsório facilitavam o domínio dos nativos; mas podiam não resultar na
exploração da conquista. Além disso, as transações atlânticas e o acesso dos
comerciantes faziam emergir novas forças sociais nas metrópoles e nas
conquistas, alterando o equilíbrio das monarquias europeias.
Carlos V proclama, em 1542-43, as Leyes nuevas, que reconhecem a
soberania indígena, preveem o fim das encomendas, das concessões de
indígenas feitas aos conquistadores, e a passagem gradual de todos os nativos
à dependência direta da Coroa, à qual pagaram tributos. No filme, os índios
eram livres, mas não tinham soberania em relação ao conquistador.
O texto chama atenção pelo fato de que, afora remessas esporádicas, o
Brasil só recebe regularmente escravos da África Oriental a partir do início do
século XIX, sendo que já recebia escravos da África Ocidental, durante o
período colonial. Fora isso, nenhuma tribo sul-americana jamais deteve poderio
suficiente para impor sua soberania e cobrar tributos regulares do colonato
luso-brasileiro.
Nesse período, o Brasil já vivenciava o sistema de capitanias
hereditárias, no total de quinze, sendo cedidas a donatários. Para atrair
candidatos, a Coroa concede prerrogativas extensas. Dos doze primeiros
donatários, seis nunca vieram ao Brasil ou voltaram logo para Portugal; dois
foram mortos pelos tupinambás; outros dois abandonaram seus direitos, e
apenas dois puderam prosperar: Duarte Coelho em Pernambuco e, até 1546,
Pero do Campo Tourinho em Porto Seguro. São Vicente também progride
durante algum tempo, mas jamais será visitada por seu donatário.
Os laços da colônia com o Atlântico são adrede retesados pelas ordens
régias embaraçando o acesso ao trabalho indígena e estimulando o tráfico
negreiro, como também pelas medidas freando as trocas entre as capitanias.
Além disso, tal contexto geográfico e econômico configura uma realidade
aterritorial, sul-atlântica, a qual faz flagrante o anacronismo do procedimento
que consiste em transpor o espaço nacional contemporâneo aos mapas
coloniais para tirar conclusões sobre a Terra de Santa Cruz.
O chamado “exclusivo colonial” só se define em 1580 Unido ao trono
espanhol, período conhecido como União Ibérica, Portugal será arrastado para
os conflitos europeus e, por ricochete, atacado no ultramar.
A Coroa Portuguesa dispunha de controle direito sobre o clero secular
em virtude do jus patronatus, o Padroado, conjunto de privilégios concedidos
pelos papas aos reis ibéricos desde a segunda metade do século XV. Contudo,
o texto fundador do direito colonial lusitano, a bula Romanus pontifex (1455)
previa a excomunhão dos que furassem o monopólio ultramarino outorgado
pelo papa Nicolau ao rei d. Afonso e ao infante d. Henrique.
A economia-mundo e a mão dos negociantes reinóis pesam pesado
sobre as margens africanas e americanas do Atlântico. Isso só foi possível
graças ao impulso da mineração na América espanhola e do deslanche do
tráfico negreiro no Brasil. Este último se apresenta como um instrumento da
alavancagem do império do Ocidente.
O tráfico negreiro, em primeiro lugar, constituiu um segmento da rede
que liga Portugal ao Médio e Extremo Oriente. Em segundo lugar, o comércio
de escravos se apresenta como fonte de receitas para o Tesouro Régio. Dessa
forma, os ganhos fiscais do trato sobrepõem-se aos ganhos econômicos da
escravidão. Em terceiro lugar, o tráfico surge como o vetor produtivo da
agricultura das ilhas atlânticas. Mesmo onde as atividades giravam em torno da
cultura de cereais e do trabalho livre – como na ilha da Madeira -, a escravidão
africana acaba se impondo.
No final do texto Alencastro vai falar sobre o açúcar brasileiro, no qual
assume o primeiro lugar no Império português. Os engenhos da AP já fabricam
nessa época cerca de 350 mil arrobas, ao passo que os da Madeira e de São
Tomé, em declínio, produzem respectivamente 40 mil e 20 mil arrobas anuais
de açúcar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DESMUNDO. Direção: Alain Fresnot. Roteiro: Alain Fresnot, Sabina


Anzuategui, Anna Muylaert. Rio de Janeiro. 98 min. Legendado. Colorido.
Formato de produção: 35 mm.

RICUPERO, Rodrigo. A formação da elite colonial: Brasil, c. 1530-1630. São


Paulo: Alameda, 2009, p. 207-242.
SCHWARTZ, Stuart B. Uma geração exaurida: agricultura comercial e mão-
de-obra indígena. In:_______. Segredos internos: engenhos e escravos na
sociedade colonial. São Paulo: Cia das Letras, 3.ed., 2005, p. 40-56.

ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O aprendizado da colonização. In:_____. O


Trato dos Viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul. São Paulo: Cia
das Letras, 1995, p. 11- 43.