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O Céu

(Uma Mensagem de Esperança


Para Estes Tempos Difı́ceis)
David Wilkerson
30 de abril de 2007

Não ouvimos muitos sermões sobre o céu atualmente.


Isso pode parecer estranho, já que a alegria de todo
cristão é refletir sobre estar com o Senhor por toda a
eternidade. A promessa do céu está no núcleo maior do
evangelho que pregamos.
Mas há uma razão pela qual não ouvimos muito sobre
esse assunto jubiloso. O fato é que a Bı́blia não diz
muito sobre como o céu é. Jesus nunca se assentou
com os discı́pulos e explicou a glória e a majestade dos
céus. Ele realmente disse ao ladrão sobre a cruz, ”Hoje
estarás comigo no paraı́so”, mas não disse como seria.
O apóstolo Paulo se refere aos céus quando fala de
ter sido levado ao paraı́so. Ele diz que viu e ouviu
coisas que abalaram tanto a sua mente, que ele não tinha
linguagem para as descrever. A idéia que se tem da
descrição de Paulo é a de que, mesmo se ele pudesse
explicar o que viu, as nossas mentes humanas não con-
seguiriam compreender.
Seja o Quê For Que Paulo Tenha Testemunhado no
Céu Isso O Impactou de Tal Maneira, Que Para o Resto
da Vida Ele Quis Ardentemente Estar Lá
Paulo era grato por sua vida, por seu chamado, seu
ministério. Creio que ele amava o povo de Deus com
paixão. Mas ao longo dos seus anos de ministério, o
contı́nuo desejo de Paulo era ir para o lar celestial e estar
com o Senhor. O seu coração simplesmente ansiava
estar lá.
Então, onde é o céu? Não sabemos. Efetivamente
sabemos que há um novo céu chegando, assim como
uma nova terra. E esse novo planeta não será sim-
plesmente a velha terra refinada pelo fogo, mas algo
inteiramente novo. E o seu centro será a capital, a Nova
Jerusalém.
Efetivamente também sabemos que o trono de Deus
está no céu. Igualmente Jesus está lá, como estão os
anjos do Senhor, em multidões incontáveis. Ainda mais,
Paulo diz que uma vez estando lá, contemplaremos
Jesus ”face a face” (I Corı́ntios 13:12). Em resumo,
teremos acesso pessoal imediato ao Senhor por toda a
eternidade. (Amado, se isso apenas fosse todo o céu,
seria o suficiente para mim!)
Evidentemente, aprenderemos coisas que simples-
mente não podem ser contidas pela mente humana aqui
na terra. Teremos acesso à mente do próprio Cristo, que
é ilimitada. E eu creio que Ele vai nos ensinar a respeito
todas as coisas eternas.
As Escrituras Sugerem que o Céu Não Será Só Para
Relaxar e Não Fazer Nada Além de Ter Igreja
A Bı́blia diz que no céu os santos governarão com
o Senhor como ”reino e sacerdotes; e reinarão sobre a
terra” (Apocalipse 5:10). Agiremos como Seus servos
lá - os santos ”o servirão” (22:3).
Isso me diz que receberemos estimulantes e abençoadas
missões nesse novo mundo que virá. As escrituras falam
repetidas vezes do papel que os anjos têm desempen-
hado por toda a história, ministrando até a Jesus. Seja
qual for o nosso excitante trabalho, podemos saber que
continuará pela eternidade, porque os mundos de Deus
não têm fim.
Considere por um momento o infinito aparente que
vemos no espaço. Considera-se que o nosso próprio
sistema solar deva ter ao menos cerca de dez bilhões
de quilômetros de diâmetro, e é apenas um ponto no
universo.
Descobertas cientı́ficas mostram que há sistema após
sistema após sistema, aparentemente sem fim. Isso é
tão tremendo para a mente.
Assim como o nosso sistema solar corre através do
espaço, girando em torno do sol, inúmeros outros sis-
temas estão se movendo um sobre o outro igualmente.
E está tudo tendo lugar segundo a divina ordem de Deus.
Por essa razão creio que no céu iremos receber tare-
fas que são agora incompreensı́veis às nossas mentes
humanas.
Quando Paulo se Refere à Sua Experiência no Paraı́so,
Ele Fala de Ter Estado no “Terceiro Céu”
Os estudiosos no tempo de Paulo ensinavam que
havia três camadas de céus: primeiro, a atmosfera fı́sica
na qual habitamos; a seguir o segundo céu, onde as
estrelas estão; e, finalmente, o terceiro céu onde Deus
e o paraı́so estão.
Tudo o que eu posso dizer sobre esse assunto com
segurança é que Jesus ascendeu ao “céu acima de todos
os céus”. E nos disse que está lá agora preparando
um lugar para o Seu povo. Também disse, “Voltarei
outra vez, e lhes levarei para lá. Onde Eu morar, vocês
morarão”. Em resumo, amado, não dá para eu dizer
como o céu é. E não sei muito sobre o que está acon-
tecendo lá. Não tenho nova revelação a oferecer, não
tenho uma versão como a de Paulo. Mas dá para dizer
como o céu não é, e o que não está lá, pois isso é o quê
as escrituras oferecem. E, como você verá, o que isso
revela nos dá motivos para nos alegrarmos!
Começamos com a Visão do Apóstolo João em Apoc-
alipse 21
João conta que não encontraremos as seguintes coisas
no céu:
1. Não existirão mais mares. ”Vi novo céu e nova
terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e
o mar já não existe” (Ap. 21:1). Ele está declarando que
não haverão mais ameaças vindas dos grandes blocos de
água: não haverá mais ciclones, furacões ou tsunamis
assassinos. Na verdade, a única água que é mencionada
quanto à essa nova terra será um rio de júbilo que corre
através das ruas da Nova Jerusalém. João fala o seguinte
dele: ”Me mostrou o rio da água da vida, brilhante como
cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro” (22:1).
2. Não haverá lenços no céu. Não teremos nenhuma
necessidade dessas coisas, pois os textos das escrit-
uras implicam em que nem precisaremos de glândulas
lacrimais. ”(Deus) lhes enxugará dos olhos toda lágrima”
(21:4). Segundo João, as lágrimas simplesmente não
existirão no céu.
Igualmente, não haverá mais funerárias, caixões de
defuntos ou cemitérios. Por que? Porque ”A morte
já não existirá, já não haverá luto, nem pranto” (21:4).
Pense nisso: não ficaremos mais ao lado dos caixões,
chorando a perda dos queridos. Não haverá mais choro
ou luto, porque no céu nunca iremos morrer. Uma vez
tendo sido ressuscitados do sepulcro terreno pelo poder
da ressurreição de Cristo, nunca poderemos morrer
outra vez.
3. Não haverá mais farmácias, hospitais, médicos,
enfermeiras, ambulâncias, analgésicos ou receitas. João
diz, ”Já não haverá...dor” (21:4).
Sou lembrado de uma mãe e de sua filha deficiente
que visitaram a nossa igreja. O filho dessa senhora havia
cometido suicı́dio após sete anos suportando uma dor
excruciante que médico algum conseguia diagnosticar.
Durante esse tempo, ele tinha de tomar narcóticos fortes
pois só assim conseguia suportar mais um dia. A origem
dessa dor nunca foi encontrada.
Agora a filha está mostrando os mesmos sintomas.
Trata-se de uma bailarina talentosa e estudante bril-
hante, que ganhou prêmios e bolsas de estudo. Mas a
situação dela se deteriorou tanto, que agora enfrenta dor
torturante e contı́nua.
Como o irmão, essa jovem vive com um grau tão
elevado de dor que ”numa escala de zero a dez, sua dor
chega a catorze”, segundo os médicos. Foi dito que os
narcóticos dos quais ela precisaria para a dor seriam tão
fortes, que a matariam em poucos meses.
Nunca Me Esquecerei dos Últimos Dias na Terra de
Nossa Preciosa Netinha, Tiffany
A dor de minha neta devido ao tumor cerebral ficou
tão intensa que os seus membros se agitavam violen-
tamente. Ela sofria terrı́veis convulsões, e eu tinha de
ajudar seu pai a segurar os braços e as pernas de Tiffany
nessas horas de dor.
A dor era simplesmente demais para ela, e na ver-
dade era demais para os seus avós, também. Finalmente,
Tiffany disse à mãe que o Senhor havia falado ao seu
coração, dizendo ”Quero que você venha para o lar
celestial. Comigo, não haverá mais dor”.
O versı́culo de João tem um significado especial para
mim: ”Já não haverá...dor” (21:4). Como avô de Tiffany,
eu descanso no conhecimento de que é aı́ que a minha
netinha está nesse exato momento: com Jesus, onde não
há mais dor.
4. Não haverá mais medo, não haverá mais increduli-
dade, não haverá mais coisas abomináveis, assassinatos,
mentiras ou feitiçaria. A Bı́blia diz que todos os que
praticam tais coisas serão lançados no lago de fogo:
”Quanto...aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis,
aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras,
e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no
lago que arde com fogo e enxofre” (Ap. 21:8).
Os jornais noticiaram há algum tempo que um casal
de idosos foi encontrado morto em seu apartamento.
Eles ficaram com tanto medo de serem roubados ou
atacados, que sempre trancavam as portas de casa e
vedavam todas as janelas. Estavam tão aterrorizados de
medo que faziam isso mesmo durante as terrı́veis ondas
de calor do verão, e acabaram se sufocando.
Não haverá mais esse medo no céu. Nem haverá
mais qualquer violência ou assassinato. Há pouco, um
homem que atacava crianças admitiu ter molestado mais
de duzentas delas. Graças a Deus, no céu não haverá
mais tais abominações.
5. Não haverá mais motivos para se mudar no céu. A
minha mulher e eu já nos mudamos de uma casa para
outra inúmeras vezes em nossa vida adulta. Sou grato
porque quando chegarmos ao céu, nunca mais teremos
de nos mudar. Como eu sei disso? Jesus diz: “Não se
turbe o vosso coração...Na casa de meu Pai há muitas
moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois
vou preparar-vos lugar” (João 14:1-2).
Há pouco li sobre uma senhora cristã que perguntava,
“Se haverá multidões no céu que não podem ser con-
tadas, como seria possı́vel Deus fazer habitação para
todos? Como poderia haver lugar suficiente para tantos
moradores?”.
Vejamos as Palavras de Jesus Sobre Esse Assunto:
“Vou Preparar-vos Lugar”
Tais palavras devem ter um significado para nós. Al-
guns estudiosos da Bı́blia interpretam Jesus aqui como
“muitas habitações”. Isso pode ou não estar correto.
Tudo o que eu sei é o seguinte: se Cristo está constru-
indo, podemos ficar seguros de que é algo glorioso.
Ao pensarmos no lugar que o nosso Senhor está con-
struindo para nós, não devemos imaginar uma casa de
tijolos ou algo assim. Pelo contrário, as moradas dEle
no geral são de uma outra dimensão ou esfera. Como hu-
manos, não conseguimos imaginar um mundo no qual o
corpo passe livremente através de substâncias materiais.
(Jesus fez isso após a ressurreição, e diz que no céu os
nossos corpos de glória serão como o dEle.) Esse é um
domı́nio que cientista nenhum descobriu, algo enorme-
mente diverso de tudo que possamos compreender.
O importante que Jesus traz sobre o céu é, “Esse é
o lar celestial. Vocês vão viver eternamente onde Eu
vivo”. “E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e
vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou,
estejais vós também” (Jo. 14:3). Em termos simples, há
um lar na eternidade para cada um de nós. E Jesus diz
basicamente, “Quando esse dia chegar – quando vocês
estiverem aqui comigo – Eu pessoalmente mostrarei o
que construı́ para vocês”.
6. Não há inválidos no céu, nem cegos, surdos, ou
corpos em declı́nio.
A Bı́blia diz que teremos novos corpos no céu. Claro,
essa é uma doutrina bem conhecida dos cristãos, e Paulo
tinha muito a falar sobre ela. Ele escreve, “Mas alguém
dirá: Como ressuscitam os mortos? E em que corpo
vêm?” (I Cor. 15:35). Em outras palavras, as pessoas
podem se perguntar, “Que tipo de corpo ressuscitará
dos mortos?”.
Paulo Responde que o Corpo Que Entra na Sepultura
Não é o Corpo Que Sairá Dela
“Quando semeias, não semeias o corpo que há de
ser...Mas Deus lhe dá corpo como lhe aprouve” (I Cor.
15:37-38). Em outras palavras, “Os corpos que habitare-
mos no céu serão à Sua semelhança. Serão celestiais
e não terrenos”.
De acordo com Paulo, o nosso corpo fı́sico é “se-
meado na corrupção” mas “ressuscitado na incorrupção”.
Simplificando, quando o nosso corpo é “semeado” – ou,
enterrado, ele é um corpo natural, terrestre. Mas quando
formos ressuscitados, será como um corpo celestial, do
céu. O corpo que teremos então será “glorificado” pelo
poder de ressurreição de Cristo.
As escrituras nunca dizem que Deus vai procurar
partes perdidas do corpo como membros, um por um
dos dentes, cada poeira de nosso corpo natural, e dar
um jeito de juntá-los. Pelo contrário, Paulo ensina, “A
carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus”. A
seguir acrescenta, “Num momento, num abrir e fechar
d’olhos, ao ressoar da última trombeta... A trombeta
soará, os mortos ressuscitarão incorruptı́veis, e nós ser-
emos transformados” (15:50,52).
Os Nossos Corpos de Glória Serão à Exata Semelhança
de Cristo
Naquele dia extraordinário, os túmulos se abrirão. E
em Seu tremendo poder, o Senhor criará corpos novos
e eternos. Esses corpos serão a imagem do santo e do
justo, e nunca se corromperão. E quando isso acontecer,
nós falaremos uma lı́ngua - uma nova lı́ngua que todos
iremos compreender. Na verdade, todas as coisas serão
feitas novas.
Mais eletrizante para mim é o que acontecerá para
as milhões de crianças mortas ou morrendo - - de to-
das as eras. Em um instante, essas preciosidades serão
levantadas com novos corpos. Penso nas crianças cujos
corpos foram para a cova devido à doença, ou cujas
carnes foram trucidadas em genocı́dios, cujos corpos
foram estilhaçados por bombas.
Também penso em homens e mulheres cujos cor-
pos foram desfeitos e destruı́dos pela doença; penso
também nos corpos que foram enterrados em caixões
vedados. Penso nos mártires de todas as épocas, nos
que morreram por meio da tortura, foram mutilados,
serrados ao meio, decapitados, queimados em fogueiras.
Todos estes sairão dos túmulos com novos corpos, para
nunca mais verem a corrupção ou a dor.
A minha mente tem dificuldades em registrar essas
coisas – contudo o meu coração se alegra com elas!
7. Não haverá relógios no céu, pois o tempo não
existirá mais.
João escreve que um anjo apareceu diante dele de pé
sobre o mar e a terra. O anjo então levanta a mão para
o céu e, segundo João, “Jurou por aquele que vive pelos
séculos dos séculos, o mesmo que criou o céu, a terra, o
mar e tudo quanto neles existe: Já não haverá demora”
(Apocalipse 10:6).
Este é um dos Conceitos Mais Difı́ceis Para eu Pôr
em Minha Mente
Chegará um momento quando o próprio tempo será
deixado de lado. Imagine isso: nada de anos, nada de
meses ou semanas, nada de mais dias, horas, minutos
ou mesmo segundos. Não haverá nada para marcar o
tempo, nem a noite nem a luz do dia, pois Cristo será
a luz no paraı́so.
Um pastor Puritano tentou descrever à sua igreja a
ausência de limite da eternidade. Disse para que eles
não tentassem entender, que a eternidade sempre foi
e sempre será; sem começo ou fim. Deu-lhes essa
ilustração: “Visualize a terra como uma bola de areia,
quase 50.000 quilômetros de circunferência. A cada
mil anos, um passarinho voa sobre ela e retira um grão
de areia. Quando ele remover o último grão, então a
eternidade acabou de se iniciar”.
Em outras palavras, na grande trama da eternidade,
o “tempo” está nesse momento fazendo apenas uma
breve aparição. Dia virá em que o tempo terá total-
mente servido ao seu propósito e será abolido. É tudo
surpreendente demais para eu avaliar.
Paulo Resume Isso Com Uma Admoestação a Todo
o Povo de Deus
Paulo exulta: “Graças a Deus, que nos dá a vitória por
intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo” (I Corı́ntios
15:57). Muitos cristãos citam esse versı́culo diariamente,
aplicando-o à suas lutas e tribulações. Mas o contexto
no qual Paulo o diz sugere um significado mais pro-
fundo. Só dois versos antes, Paulo declara, “Tragada foi
a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória?
Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (15:54-55).
Paulo estava falando eloqüentemente sobre o seu ar-
dente desejo pelos céus. Ele escreve, “Sabemos que,
se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer,
temos da parte de Deus um edifı́cio, casa não feita por
mãos, eterna, nos céus. E, por isso, neste tabernáculo,
gememos, aspirando por sermos revestidos da nossa
habitação celestial” (2 Corı́ntios 5:1-2).
O apóstolo então acrescenta, “Entretanto, estamos
em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar
com o Senhor” (5:8).
De acordo com Paulo, o céu – o estar na presença
do Senhor por toda a eternidade – é uma coisa que
devemos desejar de todo o nosso coração.
Ao Ponderar Sobre Estas Coisas que as Escrituras
Dizem que o Céu Não Será, Um Quadro Glorioso
Começa a se Formar
Primeiro, imagino a descrição que Jesus fez de um
gigantesco encontro, quando os anjos “reunirão os seus
escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extrem-
idade dos céus” (Mateus 24:31).
Quando todas estas multidões estiverem reunidas,
visualizo uma grande marcha da vitória acontecendo
nos céus. Quase todo mundo conhece a música “When
the Saints go Marching In” (quando os santos entrarem
marchando). Tente imaginar essa música sendo tocada
literalmente no céu, com milhões de crianças glori-
ficadas cantando hosanas ao Senhor, do jeito que as
crianças cantaram uma vez no templo. Que som de
vitória e de louvor será: multidões de órfãos gritando,
“Pai!”. Dá para eu ver direitinho o brilho da felicidade
no rosto de Jesus. “Pois dos tais é o reino dos céus”,
declarou.
Então vêm todos os mártires. Esses que já clamaram
por justiça na terra agora gritam, “Santo, santo, santo!”.
Imagino os decapitados tocando suas cabeças e dizendo,
“Estou inteiro de novo”. Os que foram serrados ao meio
buscam as marcas da agonia sobre seus corpos mas não
acham nem uma. Os que foram queimados agora têm
corpos inteiros, sem nenhum traço ou cheiro de fumaça.
Todos estes estarão dançando com alegria, gritando,
“Vitória, vitória em Jesus!”.
Então vem um poderoso bramido, um som nunca ou-
vido antes. É a igreja de Jesus Cristo, com multidões de
toda nação e tribo. Esse grupo inclui os que foram vicia-
dos ou alcoólatras... que eram cegos ou enfermos... que
eram pobres, enviuvados ou forçados a mendigar. Visu-
alizo entre eles a empobrecida viúva que fielmente en-
tregou sua moeda no culto, quando não tinha mais nada.
Talvez Tudo Isso Soe Distante ou Forçado Para Você,
Mas o Próprio Paulo Testifica Sobre Isso
Quando o fiel apóstolo foi arrebatado ao céu, “ou-
viu palavras inefáveis, as quais não é lı́cito ao homem
referir” (2 Corı́ntios 12:4). Paulo diz que ficou es-
pantado com o que ouviu lá. Creio que estes foram
exatamente os sons que ouviu: ele teve um vislumbre
do canto e do louvor a Deus pelos que estarão se rejubi-
lando em Sua presença, com seus corpos já inteiros, suas
almas cheias da alegria e paz. Foi um som tão glorioso
que Paulo pôde ouvi-lo mas não conseguia repeti-lo.
Amado santo, torne o céu o seu desejo mais sincero.
Jesus está voltando para os que desejem ardentemente
estar com Ele lá!
— Usado através de permissão concedida por World
Challenge, P. O. Box 260, Lindale, TX 75771, USA.
O Que Acontece à Igreja Quando os Pa-
stores Deixam de Pregar Contra o Pecado
David Wilkerson
Publicado em 17 de janeiro de 2005

Você provavelmente está familiarizado com a história


do rei Davi e o adultério que houve com Bate-Seba. O
incidente resultou na gravidez de Bate-Seba. E assim
que descobriu a situação, ela envia uma nota a Davi
dizendo, ”Espero uma criança”. Quando Davi lê a
nota, entra em pânico. Sua reputação como homem
piedoso, justo - estava em risco. Cá estava um homem
que havia escrito mais de 3.000 Salmos e cânticos
espirituais. Havia sido o instrumento de Deus para matar
os inimigos de Israel. E tinha ilustrado para o mundo
o que significava ter um grande coração para Deus.
Mas agora, em pânico, Davi pensa não só na própria
reputação, mas na reputação do Senhor. Se o seu pecado
fosse mostrado, isso seria vinculado ao nome de Deus.
Imagens de um escândalo enorme inundaram sua mente.
Então Davi concebe um plano para esconder seu caso
com Bate-Seba. E o pôs em ação enviando uma men-
sagem a Joabe, general do seu exército. A mensagem
dizia, ”Manda-me Urias, o heteu” (2 Samuel 11:6).
Ora, Urias era o marido de Bate-Seba, e pertencia à
Infantaria do exército de Israel. É evidente que Urias era
parte de um grupo de elite de soldados, pois as escrituras
o citam como um dos trinta e sete homens mais fortes
de Davi (v. 23:39). Quando recebeu a mensagem de
Davi, Joabe deve ter começado a suspeitar de algo. Ele
conhecia o coração de Davi, inclusive suas tendências
lascivas. Ainda assim, o general instruiu Urias a ir a
Jerusalém, para ver o quê Davi tinha para dizer.
Quando Urias chega, Davi o recebe na residência
real e imediatamente o envolve em conversa militar.
Pergunta, ”Como está a guerra? E como está indo o
seu general? Os soldados estão progredindo?”. Urias
deve ter se perguntado, ”Do que se trata? Sou apenas
um soldado da Infantaria. Não fiz nada para merecer
esse tipo de atenção”. Ou, também poderia desconfiar.
Ele poderia ter ouvido algum comentário sobre o caso
(apesar de que as escrituras não declaram que o caso
era de conhecimento público).
A verdade é que Urias estava sendo enganado por
Davi. O rei achou que o problema seria resolvido se
apenas conseguisse pôr Urias no leito de Bate-Seba uma
noite. Então Urias pensaria que ele havia provocado
a gravidez da esposa. Davi lhe diz: ”Você guerreou
uma batalha longa, e deve estar cansado. Vá pra casa e
descanse essa noite. Mandarei manjares especiais para
você aproveitar”. Mas quando Urias saiu, não foi para
casa. Pelo contrário, dormiu na casa dos guardas fora
do palácio. Quando Davi soube disso no dia seguinte,
chamou Urias de volta e perguntou: ”Por que você não
ficou com sua esposa ontem à noite?”.
Urias responde: ”Joabe, meu senhor, e os servos de
meu senhor estão acampados ao ar livre; e hei eu de en-
trar na minha casa, para comer e beber e para me deitar
com minha mulher? Tão certo como tu vives e como
vive a tua alma, não farei tal cousa” (2 Samuel 11:11).
Urias só conseguia pensar em seus companheiros solda-
dos. A sua lealdade deve ter fervido a cabeça de Davi.
Agora o pânico do rei cresce. Ele rapidamente ordena
que Urias permaneça em Jerusalém mais uma noite. E
põe em ação outro plano. Essa noite, ele iria convidar
Urias para jantar, enchê-lo de muito vinho e deixá-lo
bêbado. Se Urias perdesse a noção das coisas, se es-
queceria dos outros soldados e iria querer dormir com
a esposa.
Dá para você imaginar esse piedoso rei, um pregador
da retidão, tentando deixar bêbado um de seus fiéis
soldados? Foi exatamente que Davi fez. E o plano fun-
cionou: Urias ficou bêbado. Davi instruiu os guardas
do palácio, ”Levem esse homem para casa, e o ponham
na cama”. Mas outra vez, as escrituras dizem, ”À tarde,
saiu Urias a deitar-se na sua cama, com os servos de
seu senhor; porém não desceu a sua casa” (11:13).
A essa altura, o pânico de Davi saiu de controle. Ele
sabia que tinha de fazer algo drástico. Então escreve
uma carta a Joabe, ordenando que colocasse Urias na
linha de frente em meio à pior das batalhas. Então,
quando o exército inimigo ondulasse à frente, Joabe
deveria recuar todas as tropas exceto Urias. Resumindo,
Davi queria Urias morto.
Davi entrega uma carta selada nas mãos de Urias,
com instruções para que fosse dada a Joabe. O leal
Urias não sabia, mas o rei tinha acabado de lhe entregar
a garantia da própria morte. Quando Joabe leu a carta,
entendeu a idéia de Davi. Mas obedeceu a ordem do rei
mesmo assim. Enviou Urias numa missão suicida. E,
exatamente como Davi tinha planejado, o soldado foi
morto em batalha.
É difı́cil conceber que um homem piedoso e justo
como Davi pudesse cair num pecado tão terrı́vel. Mesmo
hoje, com todas as notı́cias sobre estupro, violência e
morte, a história de Davi se destaca como uma das
piores quedas já sofrida por um lı́der. Por que? Porque
aconteceu com um homem de Deus, uma pessoa apaixon-
ada pela justiça.
Provavelmente você se lembra do que aconteceu a
seguir: Bate-Seba chorou a morte do marido por sete
dias, segundo a lei. Aı́ Davi a trouxe para o palácio,
onde se juntou ao seu harém de esposas (ele já tinha
cinco). Posteriormente, Bate-Seba deu à luz o filho
de Davi. E durante todo um ano após o assassinato,
Davi não mostrou nenhum sinal de arrependimento por
seus atos. Na verdade, justificou a morte de Urias junto
a Joabe, dizendo que Urias tinha morrido devido aos
infortúnios da guerra: ”A espada devora tanto este como
aquele” (11:25).
Davi pode ter visto o seu pecado com leviandade,
mas Deus não. As escrituras dizem: ”Porém isto que
Davi fizera foi mal aos olhos do Senhor” (11:27).
Graças a Deus, Davi Tinha um Pastor Que Não Temia
o Homem Natã o profeta era o pastor de Davi. E não
tinha medo de expor o pecado do seu rebanho, inclusive
o pecado do próprio rei. Vejo Natã como um tipo de
pastor piedoso que chora em cima do pecado da sua
igreja. Deve ter lhe ferido profundamente que Davi, um
homem a quem todo mundo olhava como piedoso e
reto, estivesse encobrindo pecado.
Natã sabia tudo que Davi havia feito, pois o Espı́rito
Santo lhe havia revelado. O rei supostamente justo tinha
quebrado três mandamentos santos: havia cobiçado
a mulher de outro homem e a roubado dele; havia
cometido adultério com ela; e havia cometido assassi-
nato para esconder tudo. Como Natã fez para cuidar da
situação? Como esse pregador da santidade repreendeu
uma pessoa que estava encobrindo um pecado terrı́vel?
Muitos jovens pastores me têm feito perguntas sim-
ilares: ”Como devo tratar com o pecado na minha
igreja? Tantos casais estão se divorciando, e outros
estão vivendo em adultério. Sei que tenho a respons-
abilidade de pregar a santidade de Deus a eles. Mas
tampouco quero tirar alguém da igreja”.
A minha resposta a esses jovens pastores é sempre a
mesma: ”A igreja ouvirá qualquer coisa que você tenha
a dizer, se o disser em meio a lágrimas. A sua mensagem
não pode ir alem do entendimento da congregação. Eles
têm de saber que o teu coração está partido. Tente levá-
los ao arrependimento através da pregação da palavra de
Deus. Sim, a palavra dEle é uma espada de dois gumes.
Mas você tem de utilizá-la vestindo luvas de veludo”.
É claro que essa não é a atitude de todos os pastores.
Com regularidade recebo cartas de cristãos dizendo,
”Você tem de ouvir o Reverendo Fulano de Tal pregar.
Ele ataca pesado o pecado”. Porém, muitas destas vezes,
os tapes dos sermões são apenas tiradas zangadas contra
coisas exteriores. Suas mensagens raramente incluem a
misericórdia e a graça de Deus. Antes, lançam pesadas
cargas sobre as ovelhas, sem nunca levantar um dedo
para aliviá-las.
Creio que Natã nos fornece um exemplo maravilhoso
de como um ministro piedoso mostra o pecado. Ele não
tomou de assalto a presença de Davi, com os braços
agitando o ar e com voz trovejante. Ele não apontou
com alegria um dedo ossudo na cara de Davi gritando:
”Você é o culpado!”. Não, ele levou a impressionante
mensagem de Deus reveladora do pecado com grande
sabedoria, poder de persuasão e terna misericórdia. E
usou uma parábola para fazê-lo.
Natã disse a Davi: ”Um pobre homem tinha só uma
ovelha. Era o bichinho de estimação da famı́lia, e amada
como um membro da famı́lia. Ela se deitava no colo
das pessoas, esperando ser acarinhada. Então o homem
a criou e alimentou como faria com um filho. Ora, o po-
bre homem tinha um vizinho rico possuidor de muitos
rebanhos. Um dia, o homem rico estava recebendo uma
visita. Na hora do jantar, ele mandou um servo matar
uma ovelha. Contudo mandou que o servo não tomasse
uma cordeira de seus vastos rebanhos, mas que roubasse
a ovelha do vizinho, a matasse, a temperasse e servisse
ao visitante”.
Quando ouviu isso, Davi ficou irado. Disse a Natã:
”Esse homem rico deveria morrer!”. ”Tão certo como
vive o Senhor, o homem que fez isso deve ser morto. E
pela cordeirinha restituirá quatro vezes, porque fez tal
cousa e porque não se compadeceu” (2 Samuel 12:5-6).
Nessa hora, Natã deve ter tido lágrimas nos olhos.
Tremendo, ele diz a Davi, ”Tu és o homem... despreza-
ste a palavra do Senhor... A Urias, o heteu, feriste à
espada; e a sua mulher tomaste por mulher” (12:7,9).
Natã estava dizendo: ”Davi, você não entende? O
quê estou contando é a tua história. Você tem cinco es-
posas e mesmo assim roubou a mulher de outro homem.
Você não teve pena; o mandou à guerra para ser morto,
e assim ter a cordeira dele. Você se tornou adúltero,
assassino, um ladrão. Você foi leviano com a palavra
de Deus”. Natã expôs cada detalhe do pecado de Davi.
Mas não o fez com fúria. Antes, simplesmente falou ao
rei: ”Então, disse Natã a Davi” (12: 7, ênfase minha).
Foi nesse momento que Davi foi atingido, e se arreben-
tou. Quando lemos os escritos de Davi dessa época,
vemos o choro de um coração partido: ”Os meus ossos
estão fracos. Não consigo dormir. Toda noite cubro meu
travesseiro com lágrimas”. O Espı́rito Santo perseguia
Davi, falando ao seu coração, agindo para que ele se
arrependesse. Ele não conseguia fugir da misericordiosa
perseguição de Deus.
Ao Ler e Reler esse Relato, o Espı́rito Santo Não Me
Deixou Prosseguir Enquanto Não Me Mostrou uma Ver-
dade Poderosa Após estudar esta passagem por inteiro,
comecei a clamar a Deus: ”Oh, Senhor, Tu vais ser
misericordioso comigo como foi com Davi? Tu vais me
mandar uma palavra poderosa, expondo o pecado, como
fez com ele? Por favor, Senhor, se algum dia eu escorre-
gar e fizer concessões, ponha-me sob repreensão piedosa
de um profeta que não tenha medo de expor o pecado”.
Eu creio que um dos maiores dons misericordiosos de
Deus à igreja são os Seus ministros fiéis, que amorosa-
mente nos repreendem por nossos pecados. Agradeço
a Deus por esses ”pastores do tipo de Natã”, pessoas
que não têm medo de ofender presbı́teros, diáconos ou
os membros ricos da igreja. Ficam face a face com
qualquer um, para expor suas iniqüidades com carinho
e amor.
Claro, não é todo mundo que quer uma repreensão as-
sim. Algumas pessoas de nossa lista de correspondência
nos dizem: ”Não gosto de abrir suas cartas. Sempre
me sinto desconfortável quando as leio. São muito en-
ervantes”. ”Não posso servir um Deus como o teu, que
está sempre apalpando a minha alma para expor coisas”.
”Você precisa amaciar a mensagem. Não dá pra mim”.
Sei que como pastor amoroso, tenho de ser cuida-
doso com o meu tom. Mas não posso me desculpar
por pregar verdade condenatória. Eu pergunto, o que
acontece à igreja quando os pastores não mostram mais
as iniqüidades? Onde Davi teria acabado, se não tivesse
Natã para mostrar sua iniqüidade?
Você tem de entender que Natã estava bem consciente
de que o poderoso rei poderia mandar matá-lo a qual-
quer hora. Ele tinha visto Davi perdendo as estribeiras
várias vezes. Então, por que Natã não disse, ”Vou
ser apenas amigo de Davi. Vou orar por ele e estarei
presente se precisar de mim. Tenho de confiar que o
Espı́rito Santo irá convencê-lo”. O que teria acontecido?
Creio que Sem a Palavra Condenatória de Natã,
Davi Teria Caı́do sob o Pior Julgamento Visto pela
Humanidade
O pior julgamento possı́vel é Deus devolver você ao
pecado, deter toda a ação do Espı́rito Santo em sua vida.
No entanto, é exatamente isso que está acontecendo
com muitos cristãos hoje. Eles escolhem ouvir apenas
pregações leves, que reafirmam a carne. Onde inex-
iste uma Palavra que condene, não pode haver o pesar
piedoso pelo pecado. E onde inexiste pesar piedoso pelo
pecado, não pode haver arrependimento. E onde inexiste
arrependimento, há só dureza de coração. O apóstolo
Paulo escreve à igreja de Corinto: ”Me alegro não
porque fostes contristados, mas porque fostes contris-
tados segundo Deus... Porque a tristeza segundo Deus
produz arrependimento” (2 Corı́ntios 7:9-10). Paulo
diz que seu clamor contra o pecado dos corı́ntios pro-
duziu neles contristamento piedoso que os levou ao
arrependimento. Por sua vez, isso produziu neles ódio
pelo pecado, temor santo de Deus e desejo de vida reta.
Porém isso nunca teria acontecido se ele não houvesse
pregado uma palavra aguda, penetrante, condenatória.
O motivo de Paulo falar com tanta força aos corı́ntios
foi, ”para que a vossa solicitude a nosso favor fosse
manifesta entre vós, diante de Deus” (7:12). Em outras
palavras: ”Eu não estava tentando lhes enervar ou con-
denar. Eu expus o seu pecado para que vissem o quanto
eu os amo e me preocupo por vocês. Quando o Espı́rito
Santo bate à porta do teu coração, às vezes soa como
pancada dura. Mas é na verdade Deus mostrando Seu
terno amor”.
Sem uma palavra assim, Davi certamente iria cair
sob tremendo julgamento. Ele já tinha passado um ano
todo em seus negócios, sem alguma vez ter enfrentado
o que tinha feito. Ele não ouviu nenhuma palavra de
repreensão ou de correção. Então a cada dia que pas-
sava, o pecado se tornava mais fácil de tirar da mente.
Mais, o seu exército estava ainda tendo vitórias decisi-
vas. Por fora, tudo parecia estar indo bem para ele. Mas
tenho certeza que Davi tinha dificuldade para dormir à
noite. Ele provavelmente levantava todo dia com uma
nuvem negra pairando sobre si. O fato é que ninguém
que seja ı́ntimo do Senhor pode permanecer confortável
enquanto vive em pecado.
Vou lhe dar um exemplo: eu aconselhei um querido
cristão irmão nosso que eu suspeitava estar tendo um
caso. Quando perguntei isso, ele negou veementemente.
Aı́, um mês depois, ele pede para falar comigo tarde
da noite. Quando o encontrei, ele estava chorando e
arrasado. E confessou, ”Pastor, há semanas que estou
vivendo um inferno. Eu menti a ti e a Deus. Tenho
vivido em adultério. Tenho sentido a repetição de todas
as mensagens que já ouvi do púlpito, de cada palavra
de exortação. E não consegui silenciar a Palavra de
Deus”. O Espı́rito Santo continuamente recordava a
esse homem todas as pregações expositoras de pecado
que ele tinha ouvido; e foi levado ao arrependimento
pela lembrança desta Palavra pregada. E agora vou lhe
dar um exemplo diferente. Uma irmã em Cristo me
escreveu dizendo: ”Irmão David, estou casada com meu
marido há vinte anos. Eu o amo, mas agora provavel-
mente vou ter de deixá-lo, apesar de não querer isso. Eu
não conseguia entender porque esse homem de Deus,
que vai sempre comigo à igreja, iria começar a deteri-
orar tanto no caráter. Ele se tornou desonesto comigo, e
uma grande muralha cresceu entre nós. Logo se tornou
um estranho para toda a nossa famı́lia. Eu não podia
tocar no assunto. Eu orei e fiz tudo que pude para tentar
entender o porquê de ele estar se afastando. E então
eu descobri o porquê: ele estava preso à pornografia
desde que nos casamos, e algum tempo antes disso. Ele
ainda se declara ser cristão e vai à igreja comigo. Mas
se recusa a deixar isso”.
Esse homem está prestes a perder a famı́lia e o lar.
Diz ser nascido de novo e que vai para o céu. Você
acha que ele precisa um tapinha nas costas e de uma
palavra de certeza? Será que precisa ouvir um pastor
dizendo, ”Está tudo bem contigo, Jesus te ama”? Não,
nunca! Ele precisa de um Natã, de alguém que lhe diga,
”Você é o culpado!”. Ele precisa ser desperto, ter o fogo
do Espı́rito Santo ardendo sob si. Caso contrário, será
entregue ao pecado, e finalmente destruı́do.
Se Não Tivesse Havido um Natã - Se Não Houvesse
uma Palavra Penetrante, Profética - Davi Poderia Ter
Acabado Como Saul: Morto Espiritualmente, Sem a
Direção do Espı́rito, Perdendo Toda Intimidade com
Deus Ao ouvir a abrasadora palavra de Natã, ainda que
amorosa, Davi se lembrou da vez em que um outro
rei, anterior, fora avisado por um profeta. Davi tinha
ouvido do aviso de Samuel ao rei Saul. E tinha ouvido
a respeito da reação dividida de Saul, confessando: ”Eu
pequei”. (Não creio que Saul tenha gritado do interior
da alma, como Davi, ”Pequei contra o Senhor!”)
Davi viu por experiência própria as ruinosas mudanças
que sobrevieram a Saul. Este rei - piedoso e guiado
pelo Espı́rito - passa depois a rejeitar continuamente as
palavras reprovadoras do Espı́rito, trazidas por um santo
profeta. Logo Saul começou a andar segundo vontade
própria, em amargura e rebeldia. Finalmente, o Espı́rito
Santo se afasta dele: ”Visto que rejeitaste a palavra do
Senhor, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas
rei” (I Samuel 15:23). ”O Senhor...se tinha retirado de
Saul” (18:12). Saul acabou buscando uma feiticeira
em busca de orientação. Ele confessa a ela, ”Deus se
desviou de mim e já não me responde, nem pelo min-
istério dos profetas, nem por sonhos; por isso, te chamei
para que me reveles o que devo fazer” (28:15).
Davi lembrou-se de toda loucura, do medonho terror
cercando esse homem que impediu a entrada da palavra
de Deus. De repente, a verdade penetrou o seu próprio
coração: ”Deus não é respeitador de pessoas. Eu pequei,
como Saul. E agora cá está um outro profeta, num outro
momento, me dando a palavra de Deus, como Samuel
deu a Saul. Oh, Senhor, eu pequei contra Ti! Por favor
não retire de mim o teu Santo Espı́rito, como fez com
Saul”.
Davi escreve, ”Eu conheço as minhas transgressões,
e o meu pecado está sempre diante de mim. Pequei
contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os
teus olhos... Purifica-me... Cria em mim...um coração
puro...Não me repulses da tua presença, nem me retires
o teu Santo Espı́rito” (Salmo 51:3-11).
Um comentarista sugere que a despeito do arrependi-
mento de Davi, ele nunca teria se recuperado da queda.
Ele aponta que a Bı́blia diz muito pouco sobre qualquer
vitória de Davi após esse tempo. Antes, sugere ele, Davi
meramente foi se esvaecendo até a morte.
É verdade que Davi pagou sérias conseqüências por
seu pecado. Na verdade, profetizou julgamento sobre si
próprio! Ele diz a Natã que o homem rico que roubara
a cordeira do homem pobre deveria restaurar quatro
vezes. E foi exatamente isso que aconteceu com a vida
de Davi: a criança à qual Bate-Seba deu à luz morreu
em poucos dias. E três outros filhos de Davi - Amnom,
Absalão e Adonias - todos tiveram mortes trágicas e fora
de hora. Assim, Davi pagou seu pecado, com quatro de
seus próprios cordeiros.
Mas a Bı́blia claramente mostra que toda vez que
retornamos para o Senhor em arrependimento genuı́no,
de coração, Deus responde trazendo reconciliação e
restauração absolutas. Não temos de acabar como Saul,
descendo à loucura e ao terror. Nem temos de ”esvae-
cer” da vida, aguardando o passar do tempo em quieta
vergonha até que o Senhor nos leve. Pelo contrário, o
profeta Joel nos assegura que Deus se envolve imedi-
atamente assim que voltamos para Ele: ”Rasgai o vosso
coração...e convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque
ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se,
e grande em benignidade, e se arrepende do mal” (Joel
2:13).
Surpreendentemente, Deus então nos dá essa incrı́vel
promessa: ”Restituir-vos-ei os anos que foram consum-
idos pelo gafanhoto...Comereis abundantemente, e vos
fartareis, e louvareis o nome do Senhor, vosso Deus, que
se houve maravilhosamente convosco; e o meu povo
jamais será envergonhado” (Joel 2:25-26). O Senhor
promete restaurar tudo.
É preciso entender: quando essa profecia foi dada,
Deus já havia pronunciado julgamento sobre Israel. Mas
o povo se arrependeu, e Deus diz, ”Agora farei coisas
maravilhosas para vocês. Vou restaurar tudo que o
Diabo roubou”.
Amado, a terna misericórdia de Deus permite até ao
pior dos pecadores dizer , ”Não sou um viciado em
drogas. Não sou um alcoólatra. Não sou um adúltero.
Sou um filho do Deus vivo, com todos os direitos do céu
para a minha alma. Não vivo mais sob condenação, pois
o meu passado ficou totalmente para trás. E não preciso
pagar por qualquer pecado passado, porque Jesus pagou
o preço para mim. E mais, Ele diz que restaurará tudo
para mim”.
Aqui está a verdade quanto ao que aconteceu com
Davi. Ele ouviu a palavra de Deus por meio de Natã,
se arrependeu e obedeceu, e, como resultado, passou
o resto da vida crescendo no conhecimento de Deus.
O Senhor trouxe grande paz à vida de Davi. E com o
tempo, todos os seus inimigos foram silenciados.
No entanto a prova mais clara da restauração de Deus
na vida de Davi é o seu próprio testemunho. Leia o que
Davi escreveu nos dias próximos à sua morte:
”O Senhor é a minha rocha, a minha cidadela, o
meu Libertador...o meu rochedo em que meu refugio;
o meu escudo, a força da minha salvação, o meu balu-
arte e o meu refúgio” (2 Samuel 22:2-3). Isso não
é o testemunho de alguém que tenha se esvaecido.
”Clamei a meu Deus...ele...ouviu a minha voz...me to-
mou; tirou-me das muitas águas... Trouxe-me para um
lugar espaçoso; livrou-me, porque ele se agradou de
mim” (22: 7,17,20). Acabamos de estudar tudo que
Davi fez para desagradar ao Senhor. Contudo, mesmo
depois de tudo isso, Davi foi capaz de dizer, ”O Senhor
se agrada de mim”. Eis porque Davi para sempre será
conhecido como um homem ”segundo o coração de
Deus”. É porque rápida e genuinamente ele se arrepen-
dia de seus pecados. Provérbios nos diz: ”O que guarda
a repreensão será honrado” (Provérbios 13:18). Deus
irá lhe honrar, se você amar e obedecer à repreensão div-
ina. ”Desprezaram toda a minha repreensão. Portanto,
comerão do fruto do seu procedimento...Os néscios são
mortos por seu desvio” (1:30-32). Se você ficar surdo
à repreensão piedosa, isso acabará lhe destruindo. ”As
repreensões da disciplina são o caminho da vida” (6:23).
Simplificando, a Palavra condenatória de Deus produz
vida. Prezado santo, a verdade em relação à ”pregação
dura” - se pregada em meio à lagrimas - é que na ver-
dade ela é a ”pregação da graça”. Se você está sendo
sondado pela Palavra de Deus - se o Seu Espı́rito não
está lhe deixando confortável em seu pecado - então está
lhe sendo mostrada misericórdia. É o profundo amor
de Deus agindo, atraindo-o para sair da morte e entrar
na vida. Você vai responder a Ele como Davi fez? Se
assim fizer, conhecerá restauração e reconciliação reais.
E Deus irá lhe restaurar tudo que o inimigo roubou.
Aleluia!
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