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M-PAYMENT: O USO DO TELEFONE CELULAR COMO MEIO DE

PAGAMENTO NO BRASIL

Guacira Quirino Miranda1


Universidade Federal de Uberlândia – UFU
Faculdade de Gestão e Negócios
guaciraqm@hotmail.com

Resumo: O objetivo deste trabalho é investigar sobre o uso do telefone celular como meio de
pagamento no Brasil. O M-Payment, Mobile-Payment, ou pagamento móvel, permite efetuar
transações de compras, transferências e pagamentos através do celular. Esta modalidade de
atendimento está disponível em vários países do mundo, entre eles os países da América Latina,
inclusive o nosso. Partimos da hipótese de que é possível a expansão da oferta destes serviços dada
a evolução tecnológica das redes de telefonia, que continua inserindo no mercado um número
crescente de clientes. Outro fator que contribui para a viabilidade do M-Payment é a
bancarização2 da população brasileira. A redução dos custos operacionais em virtude da
automatização do atendimento permite inserir mais clientes de faixas de renda menores no
mercado bancário. Da mesma forma, o celular pré-pago permite o acesso destes brasileiros de
baixa renda à telefonia móvel. Através das pesquisas teóricas efetuadas, é possível acreditar que a
expansão do M-Payment ainda vai acontecer, mesmo com os problemas que deverão enfrentados,
com relação à cultura do uso dos meios eletrônicos de pagamento. O maior obstáculo é ensinar a
população a utilizar e confiar nestes serviços.

Palavras-chave: M-Payment, pagamento móvel, celular

1. INTRODUÇÃO

Os bancos desenvolvem constantes investimentos em automação, e desde os anos 90 têm orientado


os clientes para o uso de mecanismos de auto-atendimento. As tecnologias de informação e
comunicação - TICs tornaram possível automatizar serviços reduzindo trabalhos internos e mão de
obra. O primeiro quadro indicativo pode ser verificado na ampliação das salas de auto-atendimento
com a instalação de equipamentos multifuncionais que permitem aos clientes realizarem serviços
bancários com rapidez e praticidade. Esta prática permitiu a massificação dos serviços bancários e a
bancarização de camadas da população que antes não tinha acesso ao atendimento bancário, além
de ampliar os horários de atendimento e reduzir os custos dos serviços. O uso da Internet propiciou
a ampliação deste atendimento, com a implantação dos serviços home-banking. No entanto, a
Internet ainda está restrita a um menor número de clientes.

O desenvolvimento tecnológico permitiu também que os bancos pudessem reconhecer a sua


clientela mediante a manutenção de uma base de dados com informações sobre preferências e
características dos clientes, tais como faixa etária, faixa de renda, escolaridade, médias de consumo,
produtos mais utilizados, entre outras. O marketing de relacionamento, que dentre suas ferramentas
possui o CRM – Customer Relationship Management ou Gestão de Relacionamento com o Cliente,
permitiu desenvolver estratégias de segmentação de clientes para o atendimento das necessidades e
exploração das potencialidades características de cada segmento. Estes estudos permitem criar
produtos e serviços de forma a atrair mais clientes e manter os clientes já existentes.

A ampliação da telefonia celular móvel, com a modernização das operadoras de telefonia e dos
sistemas tecnológicos, atraiu os consumidores brasileiros e hoje o número de telefones celulares é
maior do que o de telefones fixos. Com a expansão e modernização das redes de telefonia, e a
1
Acadêmica do curso de Administração a Distância
2
Acesso da população aos serviços bancários
redução dos preços dos aparelhos e dos custos de utilização, uma grande camada da população
passou a ter acesso ao celular. O lançamento do plano pré-pago intensificou fortemente o uso de
celulares no Brasil, e hoje responde por 81,03 % da participação no mercado de celulares. No
entanto, o aumento da quantidade de usuários não representa a ampliação do faturamento das
operadoras, já que os novos clientes gastam menos com ligações por serem de classes sociais de
menor poder aquisitivo.

Com os bancos buscando atender a um maior número de clientes, estendendo o atendimento a


camadas mais baixas da população (a chamada bancarização), e considerando a grande expansão do
setor de telefonia celular, é natural se esperar a convergência do atendimento bancário para a
telefonia celular móvel. O Mobile-Banking, ou “banco móvel” é uma realidade na prestação de
serviços bancários via celular. O Mobile-Payment, ou “pagamento móvel”, é uma modalidade de
pagamentos que utiliza o telefone celular. Esta modalidade de transação permite compras,
transferências e pagamentos que vão além dos oferecidos pelas instituições bancárias.

2. BREVE RESUMO DA TELEFONIA CELULAR NO BRASIL

De acordo com ROCHA (A história da telefonia celular em nosso país teve início efetivamente em
1990, na cidade do Rio de Janeiro. Em seguida a Telebrasília lançou seu sistema em 1991. Logo
após, as capitais Campo Grande, Belo Horizonte e Goiânia passaram a oferecer este meio de
comunicação. A Telesp, em 1993 começou a oferecer o serviço de telefonia móvel celular na cidade
de São Paulo. A abertura de mercado de telefonia móvel se deu em 1997. Desde então o
crescimento do uso deste sistema de comunicação cresceu e continua a apresentar significativas
taxas de aumento. Em junho de 2008, segundo informação da Agência Nacional de
Telecomunicações – ANATEL, a quantidade de celulares em nosso país ultrapassa a marca de 100
milhões. Conforme descrito na figura abaixo:

Tabela 1: Quadro geral da telefonia celular no Brasil – Junho/2008

Plano/Serviço Total Participação (%) Densidade


(acessos/100 hab.)
Pós-Pago 25.258.177 18,97 13,19
Pré-Pago 107.910.369 81,03 56,33
Total 133.168.546 100,00 58,52
Fonte: Agência Nacional de Telecomunicações - ANATEL

Comparando com a base de dados do mesmo período no ano anterior, observa-se que houve um
incremento de 24,6 milhões de novos usuários. Aquino (2008) informa que o Brasil ocupa o quinto
lugar entre os países com maior número de celulares em serviço, e que a atuação do país só foi
suplantada pelas empresas da China, Índia, Indonésia e Paquistão. A autora informa ainda que “a
China jamais perderá a liderança, e já conta com 575 milhões de telefones móveis em serviço;
seguida pelos Estados Unidos, com 259 milhões; pela Índia, com 257 milhões; e Rússia, com 168
milhões”. Relata ainda que a taxa de penetração brasileira é maior que a média mundial, e atingiu
no primeiro trimestre de 2008, 67 % da população. Esta taxa, no entanto, é menor que a de alguns
países latino-americanos, indicando que existe muito espaço para o crescimento do serviço no
mercado interno:

A Argentina fechou o período com 100 % de penetração, seguida pelo Chile, com
90 %; Venezuela, com 89 % e Colômbia, com 74 %. O México, onde a competição
não é tão acirrada, apresenta a mesma taxa brasileira, de 67 %. Somente o Peru,
entre os países pesquisados pela consultoria (Global Wireless Matrix da Merril
Lynch), tem um número menor, de 54 %. (AQUINO, 2008, s/p.)
Sucupira (2008) fornece outras informações relevantes a respeito da telefonia celular móvel.
Segundo informa, a Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad, na sigla em
inglês) divulgou em seu relatório que o total de usuários de telefones celulares quase triplicou em
países em desenvolvimento nos últimos cinco anos, base que corresponde a cerca de 58 % dos
usuários de celulares no mundo. O relatório diz ainda que o Brasil, México, Argentina, Colômbia e
Venezuela são responsáveis por 75 % de novos assinantes na América Latina, colocando-a em
terceiro lugar se comparada com as taxas de crescimento em outras partes do mundo. Outra
afirmação importante do relatório: “Na África, onde o aumento, em termos do número de usuários
de telefones celulares e penetração, tem sido maior, esta tecnologia pode melhorar a vida econômica
da população como um todo”.

Com relação ao caso africano, o Portal Exame divulgou a reportagem “O Progresso vem pelo
Celular”, na qual Gianini (2007) informa a teoria do economista inglês Leonard Waverman: “uma
expansão de 10 % na penetração de telefones celulares numa economia em desenvolvimento pode
gerar acréscimo de até 0,6 % em seu produto interno bruto (PIB)”. Segundo a resportagem, a África
serve como campo de testes desta teoria, em virtude da rápida expansão da telefonia celular que
“está ajudando a gerar negócios, abrir postos de trabalho e melhorar a qualidade de vida dos
agricultores das comunidades reais”. Os dados estatísticos mostram:

Tabela 2: Aumento de usuários de celulares no período 2001-2006 (em %)

África 660
América Latina 264
Ásia 233
Europa 114
América do Norte 79
Oceania 75
Fonte: International Telemunication Union3

3. MOBILE BANKING – AUTO-ATENDIMENTO BANCÁRIO PELO CELULAR

A chamada “terceira-onda de automação bancária” surge com o uso do telefone celular para o auto-
atendimento, após a implementação bem-sucedida dos caixas eletrônicos e do acesso via Internet
(Internet Banking). Através do telefone celular é possível ter acesso a várias transações e
informações bancárias, na modalidade de auto-atendimento Mobile Banking, ou “banco móvel”.

Esta modalidade de atendimento foi um dos temas do Congresso Internacional de Automação


Bancária – CIAB, realizado em junho de 2007 pela Federação Brasileira de Bancos – FEBRABAN.
No que diz respeito à praticidade e segurança, o Mobile Banking é comparado ao Internet Banking,
mas segundo os palestrantes, aquele serviço poderá ser muito mais utilizado por ter uma penetração
maior nas classes C, D e E.

Os bancos apostam no aumento do uso do Móbile Banking. Segundo notícia divulgada pela revista
Cliente S.A., a pesquisa da Unisys revela que apenas dois por cento dos brasileiros usam celular
para transações on-line, mas 11 % considerou a possibilidade de utilizar esta modalidade de
atendimento. Outra constatação da pesquisa é de que “os homens (12%), os mais jovens (15%) e
aqueles com nível universitário (17%) têm maior probabilidade de usar um dispositivo móvel para
fazer transações pela Internet”, e que um dos maiores empecilhos para este uso é com relação à
desconfiança sobre o nível de segurança das transações. A respeito, Cerioni (2007) transcreve as
palavras do CIO do ABN Amro Real, Gustavo Roxo, que disse em painel realizado no primeiro do
CIAB 2007: “O que estamos fazendo hoje são provas de testes, o banco no celular não é algo que
vai ser disseminado agora. A geração que hoje tem entre 15 e 20 anos é que vai decidir como será”.
3
Abud Portal Exame
O Banco do Brasil informa que já conta com aproximadamente 240 mil usuários de seu Mobile
Banking, e que pretende aumentar este número. Segundo Gimenes Ruy, Vice-presidente de
Tecnologia do Banco, já são nove milhões de usuários cadastrados. A senha permite acesso ao
Mobile e ao Internet Banking. O Banco registrou de janeiro a junho de 2007 cerca de 1,3 milhão de
transações com acesso móvel por mês, em um total de 8 milhões, realizadas por 460 mil clientes.
Do total de todas as transações eletrônicas do banco, o uso desta modalidade corresponde a dez por
cento, sendo que 30% das transações são feitas por meio de celulares pré-pagos. Este banco divulga
ainda que o auto-atendimento pode ser feito no Brasil e também no Japão. Através do “BB pelo
celular” é possível efetuar “consultas de saldo e extrato, pagamento de títulos bancários e contas
(água, energia, telefone etc.); transferências entre contas, DOC/TED, aplicações e resgates, recargas
de celulares pré-pagos e empréstimos pessoais”.

Dentre outros bancos que também oferecem este mesmo tipo de atendimento citamos: Caixa
Econômica Federal - Caixa via Celular; Banco Real - Real Celular Banking; Banco Itaú - Itaú
Móbile; Bradesco - Celular; HSBC - Celular Banking; Nossa Caixa - Celular; Santander- Wap
Banking.

A Febraban informa que as operações realizadas com dispositivos móveis são contabilizadas como
Internet Banking nos bancos do Brasil, fato que foi constatado no levantamento “O Setor Bancário
em Números”. Por este levantamento o total de transações teve um incremento, passando de 6.163
milhões, em 2006, para 6.937 milhões em 2007.

4. MOBILE-PAYMENT - O CELULAR COMO MEIO DE PAGAMENTO

Mobile-Payment, ou M-Payment, que significa pagamento móvel “é o uso do aparelho de telefone


celular para efetuar pagamentos de contas”. (Rabonni, 2006). Esta modalidade tem sido
denominada também de Pay-Buy Mobile, para expressar que compras também podem ser pagas
através do celular.

Operadoras de telefonia, bancos, administradoras de cartões, prestadores de serviços, empresas


varejistas, enfim, os participantes do sistema financeiro têm demonstrado interesse em pesquisar
sobre esta forma de pagamento. Em 2007, Oliveira escreveu sobre o interesse dos bancos no Mobile
Banking, e é este fato que chama a atenção para o M-Payment: “Hoje são 92,4 milhões de usuários
de celular contra 21,2 milhões de brasileiros com acesso à web. Uma base muito significativa para
ser ignorada, principalmente quando se leva em conta o fato de que muitos usuários podem até ter
um celular, mas não têm, necessariamente, uma conta-corrente”.

Braun (2007) aponta que o foco dos projetos de pagamentos móveis em todo o mundo está em
micro-pagamentos. Um alto volume de transações de baixo valor permitirá ganho de escala.
Pagamentos entre pessoas, vendas porta-a-porta, serviços de entrega, programas de benefícios, são
exemplos das facilidades de mobilidade deste sistema.

O celular seria então a “nova carteira de bolso”, ou a “carteira eletrônica” conforme Almeida (2007)
menciona em sua reportagem sobre a atração que o telefone celular exerce sobre as pessoas,
principalmente os mais jovens.

4.1 O Móbile-Payment nas instituições bancárias

O Banco do Brasil foi uma das primeiras instituições a adotar esta forma de pagamento. Através do
celular os clientes podem pagar títulos e boletos, fazer transferências e enviar DOCs e TEDs pelo
celular. A tarifa cobrada é de R$ 2,50 mensais para uso do auto-atendimento. De acordo com
Alexandre Conceição, gerente-executivo da área de Tecnologia, a instituição negociou com as
operadoras a melhor forma de tarifação, tendo como base a média de mensagens mensais que cada
cliente envia. Este serviço pode vir a ser gratuito, dependendo da forma de relacionamento do
cliente com o Banco é definida a cobrança de tarifas.

O Banco informa ser o primeiro banco da América Latina a trazer a tecnologia Visa M-Payment
para os clientes: “o seu banco de bolso está cada vez mais prático e moderno”. Trata-se da oferta do
serviço de compras pelo celular com o uso do cartão Ourocard Visa: “Agora você que tem Ourocard
Visa pode fazer compras apenas fornecendo o número do celular ao lojista e confirmando a compra
pelo aparelho”.

Várias instituições bancárias oferecem o serviço de carga de créditos em celulares pré-pagos. Esta
modalidade de serviço pode permitir o débito de créditos de mais de um número de celular na
mesma conta, desde que os números estejam cadastrados previamente no sistema dos bancos. A este
respeito, é possível efetuar pagamentos efetuando ou transferindo créditos para aparelhos de outras
pessoas.

Uma outra forma de pagamento via celular é o uso do M-Cash, para clientes do HSBC. Ao efetuar
uma compra via Internet nas empresas credenciadas, o cliente recebe uma chamada eletrônica em
seu celular solicitando a confirmação da compra.

4.2 Outras formas de M-Payment

O mais amplo serviço de M-Payment existente hoje no Brasil é o Oi Paggo, oferecido pela OI e a
administradora de crédito Paggo. Este serviço funciona como um cartão de crédito. Para o cliente
pós-pago o extrato é enviado anexo à conta do celular. ALMEIDA (2007) relata como é feita a
transação: “Na hora da compra, o consumidor informa seu número de celular e, por meio de
mensagens de texto, confere o valor e autoriza a transação. O lojista precisa apenas de um celular
com chip específico.” A autora esclarece que o foco da Oi Paggo são o grupo que atualmente está
fora do estabelecimento de crédito por não possuir rede de captura local. Os exemplos são bancas
de jornal e serviços de transportes e de entrega. “O foco dos projetos de M-Payment está em micro-
pagamentos: transações de baixo valor e alto volume, com ganho de escala”.

Este sistema, lançado no Rio de Janeiro no começo de 2007, está em expansão para os 12 Estados
da área de atuação da operadora OI, e tem 195 mil usuários cadastrados e 12 mil pontos de
aceitação naquele Estado. Em São Paulo, através da parceria com a operadora de telefonia Claro, a
operadora de cartões Visa e a rede de cinemas Cinemark, foi possível a oferta de ingressos de
cinema no Shopping Iguatemi para mais de 20 salas de cinema na capital.

Ao comprar os ingressos para a sessão no site Ingresso, pode-se optar pela


‘entrega’ das entradas pelo celular. O comprador recebe uma mensagem com o
móbile-ticket e outra com informações sobre sala, filme, data e hora, além de um
código a ser digitado pelos operadores no acesso ao cinema, caso haja falha na
leitora do código de barras do m-ticket. (ALMEIDA, 2007, s/p.)

De acordo com LOBO (2008), um dos planos mais ousados da Oi Paggo é provar às demais
operadoras de telefones móveis o potencial de um negócio único, capaz de explorar o filão dos
milhões de assinantes do serviço. O Oi Paggo quer ser a rede nacional de transação via celular,
concorrendo com a VisaNet e a Redecard. Segundo informa, o gerente de mobilidade da empresa,
Leonardo Santanna, declarou que não faz parte do core business da empresa virar uma instituição
financeira. A intenção é oferecer a rede móvel como um veículo a mais para as transações.

Outro serviço divulgado pela Oi Paggo é o de compra de passagens aéreas no site da companhia
Gol, com 40 dias de prazo para pagar e parcelamento em até seis vezes sem juros. A transação é
realizada mediante senha pessoal, através de “torpedos”, mensagens via SMS. A notícia apresenta
outras informações a respeito da abrangência dos serviços prestados pela Oi Paggo:
O Oi Paggo já é aceito em mais de 19 mil estabelecimentos, em 12 Estados da área
de atuação da Oi. Além da Gol, é possível usufruir os benefícios do serviço
também em estabelecimentos como restaurantes, grandes redes regionais de
farmácias, academias, cooperativas de táxis, entre outras, além das Lojas Oi.
(NOVA OI, 2007).

O celular também pode ser utilizado para o pagamento de taxistas. Gandolpho (2008) informa que
funcionários de pelo menos 90 empresas adotaram uma tecnologia que substitui o tradicional boleto
pelo M-Payment. A Wappa Serviços é a empresa responsável pela administração das transações. Já
existem 47 empresas cadastradas no Brasil, que incluem cerca de 7.500 taxistas. O sistema de
pagamento também é efetuado via torpedo SMS:

Funciona da seguinte forma: o funcionário da empresa pede o táxi. Ao final da


corrida, o motorista informa seu código cadastrado previamente no sistema. O
passageiro digita em seu próprio celular, em seqüência, o código da empresa, o
prefixo do táxi, sua senha pessoal e o valor da corrida. A mensagem é enviada para
a central em forma de torpedo (SMS). O passageiro depois recebe outra mensagem
de confirmação do pagamento. (GANDOLPHO, 2008).

4.3 Problemas relacionados ao M-Payment

Alguns problemas são apontados a respeito deste mercado. O primeiro é cultural: com relação aos
bancos, os brasileiros ainda apresentam resistências ao auto-atendimento e não confiam nos
serviços, e com referência ao uso de celular, este ainda é pouco utilizado pois o preço do serviço é
considerado elevado.

No CIAB 2007, outras questões foram levantadas. Cerioni (2007) informa que os painelistas
alegaram que a baixa disseminação das transações móveis se deve à falta de padronização e a baixa
qualidade dos serviços de telecomunicações. Enquanto estes problemas não forem solucionados o
M-Payment não vai atingir a maior parte da população. Outro obstáculo apontado foi a grande
diversidade de aparelhos celulares existentes no país e as limitações de recursos tecnológicos na
maioria de seus modelos. Os painelistas argumentaram também que “a internet ainda é um canal
muito superior aos demais canais de negócios oferecidos pelas instituições financeiras”. O histórico
do uso de aplicações móveis foi perverso: “as altas expectativas em torno do protocolo de
aplicações sem fio, popularmente conhecido como WAP, foram frustradas por uma interface nada
amigável, lentidão no acesso e brechas na segurança”.

O uso de códigos de barras em pagamentos e transferências também é um dificultador. Segundo


Cerioni (2007), o painelista Bader questionou “Será que o telefone móvel é realmente o meio
adequado para digitar extensos códigos de barras”?

Quanto ao aspecto da segurança, Lobo (2007) adverte que o Mobile-Banking representa a “terceira
onda” de ataques cibernéticos. As leis brasileiras não favorecem a ação policial e investigativa com
relação aos crimes cibernéticos.

Além disto a desconfiança dos brasileiros com relação à segurança é também um problema a ser
resolvido. Queiroz (2008) informa que segundo o estudo da Unisys, o celular não representa um
meio seguro de se efetuar transações pela Web: “Juntas, as classificações “muito seguros” e
“razoavelmente seguros”, chegam a somente 13%. Outros 39% avaliam como “não muito seguros”
e na opinião de 43% “não são seguros”. À medida que aumenta a faixa etária, a idéia dos
dispositivos móveis como meio seguro de transações online diminui”.

4.4 Vantagens e possibilidades do M-Payment


A evolução constante da tecnologia para telefonia celular tem trazido a possibilidade de novas
soluções para os problemas de lentidão no processamento das informações e alcance das redes de
comunicação.

Com a chegada da tecnologia GSM nas operadoras, a massificação do modelo pré-pago e a opção
da população de baixa renda pelo serviço móvel, o setor está apresentando um quadro evolutivo
muito promissor. A terceira geração (3GSM) deste sistema apresenta inovações que tornam o
serviço ainda mais atraente. Braun (2007) informa que o interesse no M-Payment “ficou evidente
durante o 3GSM World Congress, realizado em fevereiro de 2007, em Barcelona, na Espanha”. As
operadoras de telefonia estão criando blocos para negociarem com as operadoras de cartões de
débito e crédito, como a Visa e a Mastercard, o sistema Pay-Buy-Mobile, para padronizar serviços
de pagamento e envio de remessas internacionais pelo celular.

As administradoras de cartões e instituições financeiras possuem experiência, presença e escala no


varejo, e estão investindo no M-Payment como meio de pagamento. Conforme pode ser constatado
nos CIABs da Febraban, empresas de grande porte estão efetuando pesquisas, disseminando as
tecnologias, e até buscando parcerias e cooperação nesse setor que é altamente competitivo.
Segundo Braun (2007), “o uso do celular como forma de pagamento, substituindo plásticos e
papéis, entrou definitivamente na mira de operadoras de telefonia móvel, bancos, administradoras
de cartões, empresas de internet e varejistas de todos os portes”.

As operadoras de telefonia celular têm como trunfo o uso de suas redes e a oferta de celulares, pela
praticidade e penetração. O uso do sistema de pagamentos via celular pode alcançar aqueles
usuários que não tiveram acesso às contas bancárias e aos cartões de crédito. Além disto, a base de
usuários de usuários de celular é muito superior à quantidade de brasileiros que têm acesso à
Internet. Por outro lado, os clientes de bancos e que acessam a Internet podem desejar efetuar
pagamentos via celular, que podem ser feitos em qualquer localidade. A mobilidade é, portanto, a
grande vantagem deste sistema de pagamentos.

As pesquisas da Febraban revelam que em 2007 o setor bancário investiu R4 6,2 bilhões em
Tecnologia da Informação. A pesquisa mostra que o número de contas simplificadas, destinadas à
população de baixa renda, teve um crescimento de 12,2% em relação a 2006, ao passo que o total de
contas correntes existente no país aumentou 9,3%. O total de clientes com contas ativas soma 29,8
milhões, sendo 25,3 milhões de contas de pessoas físicas e 4,5 milhões de pessoas jurídicas.

De acordo com OLIVEIRA (2007), Fujimoto4, do Santander Banespa, acredita que “os bancos não
podem mais virar as costas para a grande vantagem do celular em relação à internet: a
capilaridade”. Existe uma imensa quantidade de usuários de celular que ainda não são correntistas
de instituições bancárias. Fujimoto diz que “o banco pode aproveitar esse nicho oferecendo serviços
como conta-corrente móvel ou transferência de valores entre correntistas e não-correntistas ou ainda
serviços específicos para clientes de financeiras”.

Para as operadoras de telefones celulares, a parceria com os bancos pode aumentar a lucratividade,
por ampliar o atendimento para além dos clientes que são usuários de uma determinada operadora.
Para os bancos o uso do celular como meio de pagamento pode ser um instrumento de
bancarização, uma ferramenta importante para a captação de novos clientes, e os serviços podem ser
acessados a distância sem impactar os ambientes de atendimento pessoal.

Braun (2007) acrescenta que “o foco dos projetos de pagamentos móveis em todo o mundo está em
micro-pagamentos”. Segundo informa, são transações de alto volume e baixo valor com ganho de
4
Massayuki Fujimoto, Superintendente de Internet do Santander Banespa
escala e presença em segmentos como transportes, vendas porta-a-porta, serviços de entrega,
programas de benefícios e até pagamentos entre pessoas.

Sob o aspecto segurança, a Oi Paggo informa que suas as transações são protegidas por uma senha
secreta e a tecnologia é a prova de clonagem.

Finalmente, quanto ao questionamento sobre o código de barras, a revista eletrônica Informe Digital
revela que o novo código de barras 2D desenvolvido pelas empresas Scanbuy e EverMobile está
chegando à América Latina. “Com esse aplicativo o celular se transforma em leitor para ‘escanear’
códigos de barras impressos em uma revista, embalagem, outdoor ou mesmo em um cartaz numa
estação de metrô”. A tecnologia só pode ser usada em aparelhos que possuem câmera, e é preciso
fazer o download de um aplicativo a ser fornecido pelas operadoras de telefonia móvel. No Reino
Unido, a Oyster Card oferece este sistema de pagamento via celular:

A experiência foi vista por 500 londrinos detentores do aparelho Nokia 6131, que
possui aplicativos para os sistemas Oyster Card da TfL e pavWave da Barclay. Os
proprietários do handset podem andar nos metrôs, ônibus e trens e utilizar o
sistema Oyster Card ou fazer compras acima de 10 libras (cerca de 20 dólares) em
diversos estabelecimentos de rua, incluindo a Threshers e a loja de sanduíche Eat.
(PC ADVISOR, 2008).

5. CONCLUSÃO

O M-Payment pode ser considerado um meio de pagamento em ascendência no Brasil e no mundo.


Este sistema permite uma grande abrangência atingindo classes da população que não têm acesso a
contas bancárias ou cartões de crédito. O foco dos projetos de pagamentos móveis é aproveitar a
grande inclusão de usuários em sistemas de telefonia via celular, e incentivá-los a ampliarem suas
transações. Os micro-pagamentos trazem ganho de escala, são transações de baixo valor, mas que
podem ser efetuadas em alto volume.

A ONU divulgou que o total de usuários de telefones celulares quase triplicou em países em
desenvolvimento nos últimos cinco anos. Considerando a grande quantidade de usuários existentes
em nosso país, e comparando com a quantidade de clientes bancarizados, podemos concluir que este
mercado tem um enorme nicho a ser explorado.

Contudo, as dificuldades relativas à disseminação do M-Payment são muitas, e envolvem questões


tecnológicas, administrativas, organizacionais e pessoais. O brasileiro ainda não assimilou a cultura
de efetuar transações via celular, e teme com relação às questões de segurança. Ainda assim as
operadoras de telefonia móvel, as instituições financeiras, as empresas e outros agentes da
economia nacional acreditam na possibilidade de expansão e estão investindo em tecnologias para a
oferta do M-Payment com o objetivo de manter e atrair clientes. Os mercados bancário e de
telefonia são altamente competitivos, mas fala-se em colaboração para viabilizar a expansão com a
criação de estratégias negociais e operacionais que permitam alavancar a oferta de M-Payment em
nosso país. Acredita-se que falte ainda a maior divulgação do produto junto ao público consumidor,
sobretudo para o segmento de público que utiliza o celular com mais freqüência.

6. REFERÊNCIAS

AGÊNCIA NACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES – ANATEL. Informações e consultas:


números do setor. Disponível em: www.anatel.gov.br. Acesso em 10 set. 2008.
ALMEIDA, A.O., Comunicação: questão de idade. Folha online Especial – Top of Mind –
Dinheiro. 31.10.2007. Disponível em:
<http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2007/topofmind/tm2910200714.shtml>.
Acesso em 10 set. 2008.

AQUINO, M. Celular no Brasil: muito espaço para crescer. Portal Tele.Síntese. Disponível
em: <http://www.telesintese.ig.com.br/index.php?
option=com_content&task=view&id=9382&Itemid=39>. Acesso em 10 set. 2008.

BANCO DO BRASIL. BB pelo celular. Disponível em: <www.bb.com.br>. Acesso em 10


set.2008.

BRAUN, D. O celular vai pagar a conta. Now! Digital Business. 14.03.2007.


<http://idgnow.uol.com.br/telecom/2007/03/14/idgnoticia.2007-03-13.2864066803/>.
Acesso em 10 set. 2008.

CERIONI, T. A. Banco Móvel, só daqui alguns anos. Revista CIO. Brasil: Now Digital
Business. 13.06.2007. Disponível em: <
http://cio.uol.com.br/gestao/2007/06/13/idgnoticia.2007-06-13.6667484756/>. Acesso
em 10 set. 2008.

FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE BANCOS – FEBRABAN. Congresso Internacional de


automação Bancária – CIAB. Disponível em: <www.febraban.org.br>. Acesso em: 10
set. 2008.

GANDOLPHO C. Taxistas já recebem pagamento via celular no lugar de boleto de empresa.


Globo online. 05.09.2008. Disponível em:
<http://oglobo.globo.com/sp/mat/2008/09/05/taxistas_ja_recebem_pagamento_via_celul
ar_no_lugar_de_boleto_de_empresa-548097472.asp>. Acesso em 10 set. 2008.

GIANINI, T. O Progresso vem pelo Celular. Portal Exame. 04.10.2007. Disponível em:
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