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NÍVEIS DEPOSICIONAIS E INCISÃO FLUVIAL NA DEPRESSÃO TECTÔNICA DE

IJACI – MG

Éric Andrade Rezende ¹; Paulo de Tarso Amorim Castro ²

¹ Universidade Federal de Ouro Preto/Universidade Federal de Minas Gerais. (ear.88@hotmail.com).


² Universidade Federal de Ouro Preto. (ptacastro@gmail.com).

Resumo: Planaltos soerguidos em regiões tropicais tipicamente possuem um baixo potencial


de preservação de sedimentos fluviais. No sul de Minas Gerais, o alto/médio vale do Rio Grande
segue esse padrão, já que possui relativa escassez de registros sedimentares associados à
dinâmica fluvial pretérita. Contudo, a 440 km de sua nascente o Rio Grande adentra uma
pequena depressão na região de Ijaci que chama a atenção por abrigar uma sedimentação
anômala associada a amplos patamares planos. Nesse contexto, o presente trabalho tem como
objetivo realizar a identificação dos níveis deposicionais, assim como a datação de depósitos,
de modo a situar cronologicamente pelo menos um dos episódios de entulhamento do vale e
calcular taxas de incisão aproximadas. Foi empregada a análise de modelo digital de elevação,
juntamente com observações de campo e datação por luminescência opticamente estimulada.
A área deprimida coincide aproximadamente com uma ocorrência de metacalcários e
calcifilitos limitados por falhas de direção NNE e ESE. Foram identificados pelo menos quatro
níveis deposicionais com topos atualmente preservados em alturas máximas de 105, 78, 63 e
21 metros acima do canal. Duas datações apontaram idades de 13.600 ± 1.420 e 20.050 ± 2.500
em depósitos situados na margem direita e esquerda respectivamente. Ambos pertencem ao
terceiro nível deposicional, que atinge mais de 30 m de espessura em alguns pontos e inclui
estratos cascalhosos, arenosos e lamosos. Uma alta taxa de incisão de 3455,9 mm/ka pôde ser
estimada e provavelmente reflete o fato do rio erodir ali seus próprios depósitos e saprolitos de
elevada erodibilidade. A acumulação anômala de sedimentos aluviais, assim como a gênese de
rupturas de declive nos principais rios que confluem para a depressão, indicam que tal feição
constitui um graben que esteve periodicamente sob subsidência durante o Neoquaternário. Nos
intervalos entre os episódios de subsidência o Rio Grande passaria a responder ao soerguimento
regional, o que explicaria o escalonamento dos níveis deposicionais. Além do controle
tectônico, é possível inferir uma influência morfoclimática na dinâmica fluvial, já que as idades
encontradas se inserem no último glacial, para o qual são comumente atribuídas condições mais
frias e secas no sudeste brasileiro.

Palavras-Chave: Morfotectônica; Sedimentos fluviais; Neoquaternário; Terraços fluviais;


Subsidência.

Agradecimentos: Agradecemos a Capes pela bolsa concedida ao primeiro autor.