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Historia y Cultura Lusófonas- 2018

Origem e evolução da língua portuguesa. Formação de Portugal

O povo português resultou de um antigo e demorado processo de miscigenação e de


constantes aculturações. Entretanto as várias culturas existentes na Península Ibérica
foram reduzidas a um denominador comum a partir do domínio romano e de sua
imposição cultural (a partir de 219). A língua falada pelos conquistadores (o latim)
dominou quase toda a região. A língua falada nas regiões romanizadas era o latim
vulgar, e dele se originou a língua portuguesa

No século V, vários grupos bárbaros entram na região ibérica, destruindo, assim a


organização política e administrativa dos romanos. Entretanto, é interessante notar
que a um domínio político não corresponde um domínio cultural: os bárbaros sofreram
um processo de romanização.
No século VIII, essa situação sofre profundas modificações, em conseqüência da
invasão muçulmana. O domínio árabe estendeu-se por alguns séculos, variando de
acordo com as regiões; é certo que esse domínio mouro se fez sentir com maior vigor
na região sul da Península. O norte, jamais conquistado, serviu de refúgio aos
cristãos, que lá organizaram a luta da Reconquista, que visava a retomada dos
territórios ocupados pelos árabes.
Após a Reconquista, a estrutura de poder e a organização territorial ganham novos
contornos; os reinos do norte da Península (Leão, Castelã e Aragão) estendem suas
fronteiras em direção ao sul. Ao Reino de Leão pertencia todo um território banhado
pelo rio Douro: o Condado Portucalense. A origem de Portugal está ligada à história de
dois casamentos e a esse condado.
Em fins do século IX, governava todo o norte da Península o rei Afonso VI de Leão e
Castela estava empenhado na expulsão dos muçulmanos. Afonso tinha duas filhas:
Urraca e Teresa. O rei promoveu o casamento de Raimundo de Borgonha com Urraca
e lhe deu como dote o governo de Galiza; pouco depois casou Teresa com Henrique
de Borgonha e lhe deu como dote o governo do condado Portucalense. Henrique de
Borgonha, um borguinhão que veio auxiliá-lo na Reconquista de terras aos mouros.
Este último condado era muito maior em extensão. D. Henrique de Borgonha continua
ganhando, assim os contornos do que hoje é Portugal.

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Condes Portucalenses: Casa de Borgonha


Início
Fim do
# Nome do Cognome(s) Notas
governo
governo
D.
Henrique
1 1096 1112 Pai de D. Afonso Henriques.
de
Borgonha
Regente na menoridade do filho
D. Teresa (r. 1112 - 1128), com o título de
2 1112 1128
de Leão regina («rainha»). Mãe de D.
Afonso Henriques.
D. Afonso O
27 de
Henriques Conquistador Conde de Portucale e depois
3 1128 Julho de
ou Afonso O Fundador primeiro Rei de Portugal
1139
I O Grande

Evolução da Língua Portuguesa

A formação e a própria evolução da língua portuguesa contam com um elemento


decisivo: o domínio romano. Como já foi dito, o domínio romano e sua imposição
cultural reduziram a um denominador comum as várias culturas existentes na
Península. Entretanto não se pode desprezar por completo a influência exercida pelas
diversas línguas faladas na região antes do domínio romano sobre o latim vulgar, mais
aberto às transformações e diversificações.
Assim é que o latim vai passando por uma fase de transição, modificado pelos falares
de “romanço” (do latim: romanice, que dignifica falar à maneira dos romanos)
No século V, com as invasões bárbaras e a queda do Império romano de Ocidente,
intensifica-se o aparecimento desses vários dialetos. Ao final de um processo
evolutivo, construíram-se as línguas modernas, conhecidas como Neo-Latinas. No
caso particular da Península Ibérica, várias línguas e dialetos se formaram, entre eles
o catalão, o castelhano, o galego-português; deste último resulta a língua portuguesa.
Cronologicamente o galego-português ficou limitado ao período compreendido entre
os séculos XII e XIV. Em meados do século XIV, nota-se uma maior influência dos
falares do sul, notadamente da região de Lisboa; avolumam-se assim, as diferenças
entre o galego e o português. Desde a consolidação da autonomia política, e, mais
tarde, com a

História de Portugal

Aos catorze anos de idade (1125), o jovem Afonso Henriques (filho de Teresa de Leão
e D. Henrique de Borgonha) arma-se a si próprio cavaleiro – segundo o costume dos
reis – tornando-se assim guerreiro independente. Em 1128, trava-se a Batalha de São
Mamede (Guimarães) entre os partidários do infante Afonso e os de sua mãe. Esta é

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vencida, D. Afonso Henriques toma conta do condado Portucalense e dele vai fazer o
reino de Portugal.
Lutando contra os cristãos de Leão e Castela e os muçulmanos, Afonso Henriques
conseguiu uma importante vitória contra os Mouros na Batalha de Ourique, em 1139, e
declarou a independência. Nascia, pois, em 1139, o reino de Portugal e sua
primeira dinastia, com o rei Afonso I de Borgonha (Afonso Henriques).

Os primórdios da história de Portugal abrangem situações de lutas entre as tribos que


lá moravam. As lutas continuaram entre os vizinhos e foi em 1143, após inúmeras
invasões (tribos, povos da Espanha, os romanos, os visigodos) que Afonso Henriques
ou Afonso I, O Conquistador, (filho de Henrique de Borgonha) será proclamado
primeiro rei de Portugal após uma série de guerras peninsulares. O Papa reconheceu
Portugal independente em 1179.
Na idade Média os homens da Igreja exerciam uma grande força nas desições
políticas, casamentos, etc.. Foi ela a que apoiou à monarquia, embora tiveram que se
unir à Espanha para lutar juntos contra a invasão muçulmana.
Findando o S. XII, os portugueses afastam-se das lutas contra os muçulmanos na
Península e deixando essa tarefa aos espanhóis, iniciam a expansão marítima.
Suas primeiras vitórias contra os piratas do Norte da África abriram-lhes o cominho
das grandes conquistas. Seu príncipe Enrique, o navegador, animou e colaborou com
as empresas marítimas. No entanto, dinheiro e produtos iam chegando e os nobres,
agora ricos, pretendiam bater o poder do Rei João II (1481-95) restabeleceu a força da
monarquia. As expedições rumo à África conquistaram povos da costa atlântica,
bordearam o extremo africano (Bartolomeu Dias 1488) chegando à Índia e no extremo
Oriente. Com tais viagens estabeleceram conexões com culturas muito distantes e
foram trazendo e levando produtos, gente, informações de todo jeito.
Em 1500, chegam a América tomando posse do Brasil, e depois de 1531 iniciam sua
grande conquista. Surgem outros povos europeus, navegantes e conquistadores que
diminuem o poder português na Ásia. Brasil será sua filha rica
Em 1580 morre o Rei D. Henrique e com ele acaba a Dinastia de Avis porque o rei
não deixou herdeiros. O rei espanhol Felipe II anexa Portugal à Espanha sendo então
rei unificador da Península. Essa união trouxe muita confusão, especialmente nas
colônias americanas até 1640.Com ajuda da França recuperou sua independência da
Espanha.
O português João, Duque de Bragança iniciou a Dinastia de Bragança em 1618 como
João IV.
Portugal entrou no movimento da Ilustração com o Ministro Sebastião Jose Carvalho
de melo (1699-1782), futuro Marquez de Pombal, homem autoritário, despótico,
grande político e o máximo representante da Ilustração portuguesa (1750-77), foi ele
quem expulsou os Jesuítas do Brasil.
Ao começar o S(. XIX, a perigosa presença de Napoleão invadindo a Europa
determinou a coroa portuguesa chefada pela Rainha Maria I e seu filho o príncipe
regente, João (após João VI de Portugal quem casou com Carlota Joaquina de
Borbon), partiu para o Brasil em 1808.
Uma Junta de Estado substituiu-os em Portugal. João VI voltou a Portugal em 1817,
deixando seu filho Pedro no Brasil. Pedro declarou a independência do Brasil e o
elevou à condição de império em 07/09/1822.

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Ao retornar o rei D. João a Portugal, teve uma sucessão de lutas internas contra os
nobres. Morreu em 1835 e seus filhos Pedro e Miguel. (Pedro IV de Portugal e Como
emperador Pedro I de Brasil (1822-1831) brigaram pelo trono.
Pedro casou sua filha Maria da Glória com seu irmão Miguel para manter a filha no
trono, pois ele já tinha abdicado em favor dela. Seguiu uma longa etapa de guerra civil.
Os enfrentamentos entre liberais e absolutistas acabaram assassinando o rei Carlos I
em 1906 e a seu filho mais velho em Lisboa. O outro filho, Manuel II chegou ao trono,
mais seu governo corrupto e suas determinações foi vencido por uma revolução que
em 1910 proclama a República. O rei e a corte exilaram-se em Londres. Por 15 anos
Portugal foi um caos agravado na Primeira Guerra Mundial.
Em 1926, um golpe militar derrocou o presidente e nomearam em seu lugar ao
professor Antônio de Oliveira Zalazar. Ele tirou Portugal dos problemas econômicos
instalando um governo absolutista e autoritário, chamando-o de Estado Novo. A
Segunda Guerra Mundial, alterou consideravelmente a economia planejada de
Portugal. Em 1947 o exército derrocou Zalazar e instaurou uma República
Democrática não sem lutas internas.
Seu poder no exterior diminuiria progressivamente. Na década de ’70 (S.XX) todas as
suas colônias africanas se independizaram e logo Timor Leste e Macau na Ásia.
Hoje é uma República que conserva sua tradição e crenças, vai seguindo e
participando em órgãos internacionais, inclusive da União Européia.

Formação de Portugal: Navegações


O nascimento de Portugal como país está marcado pelo movimento dos cristãos
contra a presença moura na Península Ibérica. Esse movimento é denominado
Reconquista.

Portugal surgiu como reino independente em 1139 e teve como primeiro rei D. Afonso
Henriques, dando inicio à Dinastia Borgonha. Por muito tempo o reino português
esteve envolvido na luta pela completa expulsão dos mouros até a conquista do
Algarves, em 1249. O rei D. Dinis (1279-1325), interrompeu a Reconquista no plano
militar, iniciando-se um período de reorganização interna de Portugal, D. Dinis
compreendeu que o futuro de Portugal estava no mar e por isso procurou impulsionar
sua marinha, tanto mercante como de guerra, equipando sua frota, construindo navios
e contratando os mais especializados marinheiros italianos da época. Interrompendo-
se a atividade militar, D. Dinis dedicou-se à consolidação dos territórios ocupados e à
recuperação da economia. Preparou em seu reinado a futura expansão atlântica
portuguesa, a ser realizada pela dinastia de Avis, que tem inicio com a subida ao trono
português, em 1383, de D. João I, que contava como o forte apoio da burguesia
lusitana, em luta com a nobreza. Foi a vitória da burguesia que inspirou os
descobrimentos marítimos, dando nova orientação à sociedade portuguesa.
D. João I, décimo rei de Portugal, realizou um governo centralizado, com forte controle
administrativo. Portugal foi assim, o primeiro país europeu a constituir um Estado
Moderno, dedicado às atividades comerciais, buscando assumir a forma do sistema
mercantilista.
A situação geográfica de Portugal, com toda sua costa oeste banhada pelo Oceano
Atlântico, foi uma das principais razões que colaboraram para que o país pudesse
assumir o pioneirismo na história das navegações. Houve também outros fatores
históricos que explicaram a expansão marítima portuguesa. Entre eles se pode citar

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como importantíssima a centralização administrativa realizada pela Dinastia de Avis.


Para tal expansão era necessário procurar novos mercados para ampliar suas
transações, para o que só restava uma alternativa: a expansão pelo Atlântico. Navegar
era preciso.
A expansão marítima portuguesa teve seu marco inaugural com a conquista de
Ceuta, cidade do Norte da África, muito importante do ponto de vista comercial, pios lá
se negociavam os mais diversos tipos de mercadorias: seda, marfim, ouro e escravos.
Esta primeira etapa de expansão significou também um desdobramento da
reconquista cristã, libertando a navegação européia dos piratas marroquinos, donos de
bases na região.
O infante D. Henrique, filho de João I, que participou desta conquista, fundou no
extremo Sul do país, próximo ao cabo de São Vicente, um centro de estudos e
pesquisas de navegação que ficou conhecido como Escola de Sagres, onde se
reuniram astrônomos, geógrafos, matemáticos, construtores de instrumentos náuticos,
cartógrafos e navegadores, tornando-se o mais avançado centro de estudos de
navegação da época.
O objetivo básico de D. Henrique era atingir o oriente e apossar-se do seu comércio.
Em 1453, com a conquista de Constantinopla, incentiva-se ainda mais a expansão.
Esta cidade, como o nome de Istambul, torna-se a capital do império turco. São os
turcos, então, que vão bloquear o quanto podem as atividades dos comerciantes
europeus. Torna-se imperioso descobrir um novo caminho para atingir os povos de
Oriente fornecedores de mercadorias.
Portugal, por sua experiência marítima, era o único país que reunia as condições para
assumir a dianteira desses planos. Esse novo caminho era o Oriente.
Em 1498, Vasco da Gama, comandando uma frota de quatro navios, atinge a cidade
de Calicute, nas Índias, o grande objetivo com que, há um século, sonhava Portugal.
Por outro lado, a Espanha, ocupada com a atividade militar para expulsar os mouros,
não tinha condições econômicas para se lançar à atividade marítima. No ano 1492,
após a expulsão dispuseram-se a patrocinar a viagem de Cristovão Colombo que tinha
um novo e audacioso plano para atingir as Índias.
A 12 de outubro de 1492, Colombo descobria América, pensando ter chegado ás
Índias. Por isso os habitantes da nova terra foram chamados de índios ou indígenas. O
engano de Colombo só foi esclarecido pelo navegador Américo Vespúcio e, em
homenagem a ele, o novo continente foi batizado como o nome de América. Diante da
descoberta da América, os reis da Espanha apressaram-se em garantir mundialmente
os seus direitos de posse sobre a nova terra. Para isso, forma buscar a intercessão do
Papa, que era, na época, a autoridade máxima para solucionar conflitos internacionais
entre reinos cristãos. O Papa Alexandre VI, espanhol, por meio da Bula “Inter Coetera”
estabeleceu uma linha demarcatória imaginária que passaria a 100 léguas ao oeste
das ilhas de Cabo Verde determinando que tudo o que estivesse ao oeste dessa linha
pertenceria à Espanha e todas as terras que estivessem ao leste pertenceriam a
Portugal somente a posse das terras da África.
Inconformado com esta divisão, Portugal ameaçou com decidir a questão através da
guerra. Antes que a tensão se agravasse, ambos os países chegaram a um acordo,
assinado no dia 7 de junho de 1494, na cidade de Tordesilhas, o tratado que levaria
esse nome. A nova linha imaginária passaria a 370 léguas sãs Ilhas de Cabo Verde. O
mundo foi dessa maneira repartido entre Portugal e a Espanha. A França e a

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Inglaterra, inconformadas com essa divisão, chegaram a perguntar onde estava o


testamento de Adão que indicava isso.