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1- ENGENHARIA E SOCIEDADE

● Engenharia – ciência, arte e profissão de adquirir e de aplicar os conhecimentos matemáticos,


técnicos e científicos na criação, aperfeiçoamento e implementação de utilidades (sistemas,
processos, máquinas, aparelhos, estruturas e materiais).

● Sociedade – conjunto de indivíduos que compartilham objetivos, preferências, preocupações e


costumes e que interagem entre si para formar uma comunidade (rede de relacionamentos
interpessoais e estudo comum entre as ciências sociais - exclui tecnológica, biomédica e
arquitetura).

2- C&T

2.1 - CIÊNCIA

● Conjunto de conhecimentos organizado sobre os mecanismos de causalidade dos fatos


observáveis, obtidos através do estudo objetivo dos fenômenos empíricos e da comprovação de
teorias (representação da realidade).

● A ciência está associada à publicação de artigos, teses, livros, tratados, e os conhecimentos por
ela criados são livremente veiculados - são considerados patrimônio da civilização e não
propriedade particular.

● O papel da ciência na atualidade não é mais o de busca de domínio do mundo, mas sim de
salvaguardá-lo. O conhecimento científico ainda representa poder, entendido como uma
prática social, econômica e política e um fenômeno cultural mais do que um sistema teórico-
cognitivo.

2.2 – TECNOLOGIA (alguns significados)

● Processos Técnicos

- Estudo e aplicação dos processos técnicos de determinado ramo da produção industrial ou de


vários ramos.

- Atualmente ciência e tecnologia são indissociáveis.

- A capacidade de uma sociedade desenvolver processos técnicos, em especial na indústria


de ponta (informática, biotecnologia, engenharia genética, robótica, etc.), é que diferencia
uma das outras. Dentre outros fatores, o que diferencia os países desenvolvidos dos em
desenvolvimento é a sua capacidade de produção tecnológica.

● Técnica

- Técnica (como sinônimo de tecnologia – p/ ex: celulares, notebooks e radares) – qualquer


atividade humana, da científica à artística, pressupõe técnica. Principal forma de relação entre o
homem e a natureza, a técnica é um conjunto de meios instrumentais e sociais para que o
homem realize sua vida, produza e crie espaço.
●Tecnocracia (alguns conceitos)

- Fundamentada no pressuposto de que a realidade pode ser interpretada exclusivamente a


partir da ciência e das técnicas e de que as decisões devem ser tomadas somente a partir de critérios
técnico-científicos. Na tomada de decisões devem ser eliminadas questões políticas,
ideológicas e sociais.

- É o conjunto de conhecimentos científicos ou empíricos diretamente aplicáveis à produção


ou melhoria de bens e serviços. Está associada a impactos socioeconômicos sobre uma
comunidade.

- A tecnologia de operações compreende as técnicas usadas nas atividades de fluxo


de trabalho. A de materiais considera os materiais usados no fluxo de trabalho e a tecnologia
do conhecimento, em que as complexas variáveis do sistema de conhecimento usados no fluxo de
trabalho são os principais pontos.

3 - SOCIEDADE

● Conjunto de indivíduos que compartilham objetivos, preferências, preocupações e costumes e que


interagem entre si para formar uma comunidade (rede de relacionamentos interpessoais e estudo
comum entre as ciências sociais – todas menos biomédica, tecnológica e arquitetura) –
ciências naturais – astronomia, física, química e biologia.

● A sociedade pode ser analisada e interpretada por diferentes perspectivas:

- positivismo – utilização de leis e métodos das ciências naturais para compreender e ordenar a
realidade.

- funcionalismo - a sociedade (capitalista) funciona como um organismo vivo, onde cada parte
cumpre com uma função específica.

- sociologia compreensiva - as ações sociais podem ser de quatro tipos: racional relacionada aos
fins (objetivos e estratégias); racional relacionada aos valores (valores éticos); afetiva
(sentimentos e emoções); tradicional (determinada por hábitos e costumes). Partindo do conceito
de ação social, estabeleceu-se o de relação social (comércio, relações familiares e relações
políticas).

- marxismo (histórico crítica) - a sociedade analisada a partir de sua base material, sendo o trabalho
a condição da existência humana. Identifica o capitalismo como um modo de produção – aquele
pelo qual existem e se relacionam as forças produtivas (formas de relação do homem com a
natureza, conjunto de objetos e técnicas) e as relações de produção (forma pela qual os homens
se organizam para produzir).

- estruturalismo - como movimento, forma de pensamento e investigação científica, se baseia na


ideia de estrutura – sistema de leis que regem as transformações possíveis de um conjunto. Fundado
na ideia de que o todo e as partes são interdependentes, o estruturalismo foi muito empregado até
receber sucessivas críticas.

- fenomenologia - preocupação com a essência dos objetos e com a forma como os indivíduos
processam o conhecimento no mundo. Preconiza a redução fenomenológica, ou seja, que o mundo
exterior seja desconsiderado para que a investigação se preocupe apenas com a experiência da
consciência.
- existencialismo - conjunto de correntes filosóficas que tem como instrumento a análise da existência
- a relação do homem com o mundo.

- hermenêutica - qualquer técnica de interpretação fortemente associada à interpretação de textos


escritos, sobretudo a Bíblia.

- genealogia - procurava analisar a fundo a formação do indivíduo e a racionalização da sociedade


moderna e suas instituições (clínicas, hospitais, etc.).

● As perspectivas apresentadas não representam a totalidade do pensamento das Ciências


Humanas (inclui as ciência sociais, por exemplo: sociologia; geografia; política; econômica;
história; filosofia; psicologia; história; direito; antropologia; pedagogia); e as ciências
naturais). Constantemente, estes fundamentos teórico-metodológicos são desconstruídos e
reconstruídos surgindo novas abordagens.

4. A DIMENSÃO HUMANA NA ESCOLHA PROFISSIONAL

4.1 – Alguns aspectos

Ser engenheiro é um processo de três etapas: a escolha, a formação e a prática.

Escolher ser engenheiro é algo muito pessoal e suas motivações são: influência familiar,
perspectiva de dinheiro fácil em negócio já estabelecido, desejo de realizar algo positivo,
atração pelos objetivos da profissão, idealismo de servir aos outros e de transformar o
mundo, etc...

Formar-se engenheiro é preparar-se para ser agente transformador da natureza em favor do


homem, desde a formação básica, continuando no curso profissional, e pelo resto de nossas
vidas.

Uma sociedade não pode ficar à mercê da chantagem de ser obrigada a utilizar o ensino
privado por falta de bom ensino público. Nem pode ser obrigada a aceitar escolarizar-se numa
rede pública ineficiente, por falta de uma política educacional realista do Estado (salários
dignos, projeto pedagógico, formação cívica, instalações condizentes, alimentação e
assistência médica).

Ao final de pelo menos cinco anos de estudo superior, chegamos ao diploma e à carteira de
habilitação profissional. Tornamo-nos, profissionais de engenharia, destinados a explorar
nossa capacidade criativa.

A profissão de engenheiro não é uma profissão de poltronas confortáveis, carpetes macios,


atmosferas perfumadas e refrigeradas. Lidamos com a natureza e a transformamos para benefício
do homem.
Devemos aplicar o melhor de nossos conhecimentos, seja para construir uma grande barragem,
seja para construir uma pequena casa, um conjunto habitacional para populações carentes,
seja para fabricar um aparelho de tomografia. Todos devem igualmente funcionar, serem seguros
e durar. Este é o paradigma do engenheiro.

Não se pode discutir qualquer atividade humana somente sob o prisma individual. Ela está
necessariamente investida de um caráter social que lhe é indispensável e sem o qual ela se
desfigura. A engenharia pressupõe que coloquemos todo o nosso saber (engenho) a favor da
comunidade para a qual trabalhamos.

Quando se está projetando, construindo ou fazendo funcionar um produto qualquer de nosso


trabalho, estamos lidando com patrimônio alheio, seja individual, seja coletivo. Não nos é dado o
direito de desperdiçá-lo, seja por descuido ou por desleixo.

O engenheiro pode dotar uma sociedade de infraestrutura básica para que ela possa se desenvolver
e dos produtos e tecnologia que a fazem progredir. Significa que estamos dando à sociedade os
meios para que nela se possa viver melhor.

Ser engenheiro é ser agente do processo de desenvolvimento e de construção de uma nação.


Não pode ser engenheiro aquele que não se comprometa com realizações de interesse SOCIAL e
HUMANO que promovam o DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL do país.

4.2 - As habilitações profissionais do Engenheiro:

● Oferecidas na graduação em engenharia, pela UERJ, através da FEN: cartográfica (levantamento


de dados geográficos e físicos para mapas, através de fotos aéreas, satélites e GPS); civil
(casas, prédios, pontes, viadutos, estradas e barragens); produção (na indústria – engenharia,
administração e economia); elétrica (geração, transmissão e distribuição de energia elétrica,
componentes eletroeletrônicos, equipamentos, automação e hidroelétricas); ambiental; e
mecânica (produção de máquinas, equipamentos, veículos, sistemas de aquecimento e de
refrigeração).

● Ênfases (especialização): CIVIL (estruturas e fundações, construção civil, transportes e ambiental)


- opção no 80 P - ELÉTRICA (eletricidade industrial, sistemas de potência - opção no 40 P - sistemas
eletrônicos - opção no 40 P - e telecomunicações). Demais ênfases da elétrica - opção no 70 P.

Obs.: A Enga de Computação é oferecida em Friburgo, com opção no 40 P.

5 - A RELAÇÃO ENTRE O DESENVOLVIMENTO DA SOCIEDADE E DA C&T

5.1- Um conceito para CTS – Ciência – Tecnologia – Sociedade


- é o estudo das inter-relações entre a ciência, a tecnologia e a sociedade, constituindo um campo
de trabalho para a investigação acadêmica (filosofia e sociologia da ciência) e para as políticas
públicas. Pode aparecer como reivindicação da população para participação mais democrática nas
decisões que envolvem o contexto científico-tecnológico ao qual pertence. Assim, o enfoque CTS
busca entender os aspectos sociais do desenvolvimento técnico-científico, tanto nos
benefícios gerados, quanto nas consequências sociais e ambientais que poderá causar.

5.2- Aspectos gerais

● O desenvolvimento científico e tecnológico tem provocado profundas modificações nos modos de


vida da sociedade contemporânea. A cada dia, novos aparatos tecnológicos e sistemas,
particularmente nas áreas de telecomunicações e informática, são apresentados representando
avanços até bem pouco tempo inimagináveis. Esta revolução tecnológica constitui um elemento
essencial para a compreensão da modernidade, na medida em que cria formas novas de
socialização e, até mesmo, novas definições de identidade cultural e coletiva.
● O movimento CTS – Ciência – Tecnologia – Sociedade surgiu por volta de 1970 tendo como um
de seus lemas a necessidade de o cidadão conhecer seus direitos e deveres, de pensar por si próprio
e de ter uma visão crítica da sociedade onde vive, e principalmente de ter a disposição de transformá-
la para melhor.

● A sociedade acredita que quanto maior for a produção científica, maior a produção tecnológica, o
que aumenta a geração de riquezas e, consequentemente, o bem-estar social. Esse tipo de
concepção gera o chamado “modelo linear de desenvolvimento”: + ciência = + tecnologia = +
riqueza = + bem-estar social.

● O modelo linear foi muito aceito no período pós-Segunda Guerra, com o clima de intenso otimismo
em relação ao que o desenvolvimento da ciência e da tecnologia poderiam trazer. Entre os grandes
feitos científico-tecnológicos da época, tem-se: os primeiros computadores eletrônicos e transplantes
de órgãos; o uso da energia nuclear para transporte; a pílula anticoncepcional e outros que eram
vistos como uma verdadeira revolução em favor da sociedade. Entretanto, reclamou-se uma maior
autonomia para a ciência e a tecnologia. Em vista disso a ciência e a tecnologia ocupam nesse
modelo uma posição neutra, pois, segundo a visão positivista, a ciência só pode trazer o bem-estar
à sociedade.

● Para caracterizar o mundo atual, é necessário discutir, ainda que parcialmente, três ideias muito
polêmicas e controversas: modernidade, pós-modernidade e globalização.

5.3- Modernidade, pós-modernidade e globalização

5.3.1 - Modernidade

● Modernidade é o conjunto de práticas, pensamentos, formas de perceber, conceber e viver o


mundo. Está associada aos eventos: a Revolução Industrial, a Revolução Francesa e a Revolução
Científica. Alguns dos aspectos que caracterizam a modernidade são: A racionalidade e o
pensamento científico (valorização da razão e ruptura com o pensamento tradicional – mitos,
religião, superstição).

Revolução industrial - foi um conjunto de mudanças que aconteceram na Europa entre os séculos
XVIII e XIX. A principal particularidade dessa revolução foi a substituição do trabalho artesanal
pelo assalariado e com o uso das máquinas.

Revolução Francesa – teve início em 1789 e término em 1799. Em apenas três anos a monarquia
que governou o país por séculos, entra em colapso. O primeiro ano da revolução foi marcado pela
proclamação do Juramento do Jogo da Péla, pela Tomada da Bastilha e pela aprovação
da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
Revolução Científica - se inicia no século XVII (cientistas como Galileu e Kepler), e se consolidou
no século XVIII. É a partir dela que são estabelecidos os critérios para a investigação científica a
partir de métodos.

5.3.2 – Pós-Modernidade

● Pós-modernidade é um termo ainda confuso, cujo significado não é aceito por todos os cientistas
e pensadores. Apesar disso, é possível identificar duas vertentes ligadas à sua discussão: a da
continuidade (radicalização das características da modernidade) e a do rompimento (com as
ideias modernas). Algumas ideias associadas a esta última vertente são: a redefinição das
identidades locais, nacionais e globais; o declínio do individualismo; e a crise das instituições
modernas (supremacia do simbólico e cultural sobre o econômico e o político).

5.3.3 – Globalização

● A Globalização é um tema/termo, também, muito controverso porque o modo como ela é tratada
depende da perspectiva teórico-metodológica adotada ou mesmo da relação que se faz dela com a
modernidade/pós-modernidade.

● A partir da Revolução Técnico-científica (desenvolvimento da informática) e do fim da Guerra


Fria, observou-se uma forte interligação entre diferentes partes do mundo a partir das dimensões:

Econômica - expansão do capitalismo mundial; crescimento das empresas


transnacionais, sistema financeiro mundial, e mercado global;

Cultural - meios de comunicação de massa, indústria cultural, e maior circulação de


bens culturais;

Ambiental - aquecimento global, conferências sobre clima e biodiversidade, e


Protocolo de Kyoto;

Política - criação e crescimento de blocos e organismos internacionais, acompanhados


de fragmentações e criação de novos países; e

Social - fóruns e debates internacionais; tribalização; relações virtuais.

● Assim, a globalização se apoia nos avanços tecnológicos e na criação de novas relações sociais
e econômicas, principalmente em trocas de informação, em conectividade, e em virtualidade
(telefonia celular e internet alteraram as formas de relacionamento entre as pessoas, as
transações econômicas, e a busca por informação, etc.).

● Há, entretanto, críticas à ideia de que ela permite livre circulação de pessoas, informações e fluxos
econômicos, em razão de que ela não ocorre de forma homogênea em todo o planeta e de que a
percepção de integração mundial é uma visão parcial.

5.4 - CTS , mercado e sistema produtivo

● É muito importante para as reflexões sobre CTS compreender o sistema produtivo e a dinâmica
do mercado. Alguns conceitos relevantes: os setores da economia (primário, secundário e
terciário); emprego; desemprego (estrutural e conjuntural); teorias econômicas (neoliberalismo e
social-democracia); e padrões produtivos (taylorismo e fordismo).
Setor primário: relativo à obtenção de matéria-prima na agricultura, na pecuária, e no
extrativismo (vegetal, animal e mineral). O extrativismo mineral, quando utiliza técnicas de
extração em larga escala, é considerado atividade do setor secundário.

Setor secundário: corresponde às atividades de transformação, que podem ser artesanal,


manufaturada (força humana e/ou animal aliadas a máquinas simples) ou maquino faturada
(máquinas substituindo a força humana). Além da indústria, este setor compreende a construção
civil e a mineração.

Setor terciário: compreende as atividades de comércio (atacadista e varejista) e de


serviços (transporte, alojamento, distribuição, reparação, administração e serviços públicos,
telecomunicações, serviços bancários e financeiros, atividades imobiliárias, pesquisa e
desenvolvimento, educação, saúde, etc.).

● A separação entre os setores é cada vez mais difícil, devido às tecnologias aplicadas em cada um
deles (agropecuária mecanizada produzindo em escala industrial, por exemplo). Todavia, essa
classificação ajuda na compreensão da interdependência das atividades econômicas e do
emprego/desemprego.

Do ponto de vista da interdependência, os setores formam uma cadeia produtiva, na qual a


matéria-prima é obtida no setor primário, transformada em produto final no secundário, o qual é
comercializado no terciário.

Do ponto de vista dos empregos, o setor terciário é o que mais emprega em países
industrializados, seguido do secundário. Já nos não industrializados, o setor primário é o que mais
emprega. Em diferentes escalas, todos os países sofrem com os problemas do emprego
informal e do desemprego.

● Quando se trata da relação Sociedade com Ciência e Tecnologia, a Revolução Industrial é um


marco. As condições técnicas (desenvolvimento dos navios e motores a vapor) e disponibilidade de
fonte de energia (carvão) propiciaram ao Reino Unido a produção em larga escala, que se espalharia
pelo mundo e redefiniria diversas relações sociais, dentro e fora das fábricas.

● Com a globalização, as corporações transnacionais ganham força, devido ao enfraquecimento


de algumas fronteiras econômicas, favorecendo o fluxo de capitais entre países. Assim, Brasil,
China, Índia e México – países em desenvolvimento - se industrializaram por propiciarem custos de
produção menores do que os desenvolvidos. – Os fatores são: disponibilidade de matéria-prima,
mão de obra barata e/ou qualificada, infraestrutura (transporte, comunicação, energia, etc.),
incentivos fiscais, mercado consumidor. A concorrência passa a ser global, assim como os
mercados.

● O setor produtivo desenvolveu e incorporou novas tecnologias. Nas indústrias, a introdução de


máquinas redefiniu algumas relações de trabalho. Se, por um lado, elas possibilitaram maior
produtividade e diminuição do esforço por parte dos trabalhadores, por outro lado, a mecanização
da produção extinguiu vários postos de trabalho.

● O desemprego causado pela substituição da mão de obra humana por máquinas (mudanças na
estrutura de produção) é conhecido como desemprego tecnológico ou estrutural. Quando tem
origem em conjunturas econômicas passageiras (crise, recessão, etc.) o desemprego chama-se
conjuntural.

● Entretanto, o desenvolvimento tecnológico também proporcionou a criação de novos empregos


– informática, biotecnologia, robótica, exploração de petróleo em grandes profundidades,
pesquisas aeroespaciais, e o próprio desenvolvimento de tecnologia nas universidades,
centros de pesquisas e empresas.
5.5- CTS e a questão ambiental

● A busca incessante pelo crescimento econômico – entendido como sinônimo de desenvolvimento


– tem levado a humanidade a uma relação conflituosa com o meio ambiente. Tal relação é expressa
por problemas ambientais: buraco na camada de ozônio, chuvas ácidas, poluição (água, ar, solo) e
aquecimento global. O mau uso das tecnologias existentes é uma das principais razões para a
atual crise ambiental.

A origem da crise ambiental está no desequilíbrio entre os elementos população, recursos


naturais e poluição.

5.5.1- População

● Quando se trata da relação entre população e meio ambiente, evidencia-se a questão


crescimento populacional x capacidade de o planeta suprir as necessidades humanas. A
preocupação é maior quando a trajetória histórica do crescimento populacional, pós Revolução
Industrial, em países subdesenvolvidos, mostra crescimento considerável. No entanto, nos últimos
anos, surge uma tendência de declínio do crescimento populacional. Atualmente são 7,1 bilhões de
pessoas na Terra (2013).

● Em 2014 o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) brasileiro passou para 0,755 (posição 75 do
Ranking Mundial). Ele é medido a partir de três parâmetros: saúde (expectativa de vida), educação
(taxa de alfabetização e escolaridade) e renda (PIB per capita ajustado pelo poder de compra).

5.5.2 – Recursos naturais

● Para a população sobreviver e gerar riquezas, são necessários recursos naturais. Recurso
natural é “qualquer insumo de que os organismos, as populações e os ecossistemas necessitam
para sua manutenção”. Nas sociedades, recursos naturais seriam tudo aquilo que retiramos da
natureza para nosso uso. Para que algo se torne recurso natural são necessárias três condições:
interesse, tecnologia e meio ambiente.

Exemplificando o caso do urânio, trata-se de elemento disponível há muitos anos na natureza,


sem que houvesse interesse em extraí-lo (por não saber como utilizá-lo). Com o avanço dos estudos
sobre radioatividade, surge uma demanda por esse recurso natural (radioterapia, geradores
nucleares e bombas atômicas). A necessidade de extração em grande escala passou a requerer
novas tecnologias. A relação entre recurso natural e meio ambiente é fundamental, devido aos
impactos da extração, do processamento, da utilização e da destinação de resíduos. Mesmo com o
problema do descarte, sua exploração é considerada viável.

Classificação dos recursos naturais quanto à disponibilidade: perenes (vento, água corrente e
energia solar); renováveis (água armazenada e biomassa – organismos vivos) e não renováveis
(petróleo e água – poderão vir a ser).

5.5.3 - Poluição

● A poluição, definida como “uma alteração indesejável nas características físicas, químicas ou
biológicas da atmosfera, litosfera ou hidrosfera”, resulta da utilização dos recursos naturais pela
população, que cause ou possa causar prejuízo à saúde, à sobrevivência ou às atividades dos seres
humanos e outras espécies.

Ela pode ter causas naturais (erupções vulcânicas e queimadas espontâneas) ou humanas
(atividade industrial, agrotóxicos, automóveis, etc.).
Há duas abordagens para o problema da poluição: prevenção da poluição e limpeza da
poluição. A prevenção levaria a resultados mais efetivos do que a limpeza, apesar de sua
implementação significar mudanças mais amplas.

O lixo doméstico é uma das formas de produção e destinação (aterros sanitários, lixões a céu
aberto, aterros controlados, incineração, reutilização e reciclagem.) dos resíduos que produzimos.

● Facilitadas pelo processo de globalização, questões como a redução da camada de ozônio e o


aquecimento global passaram a entrar na pauta de discussão de fóruns internacionais oficiais
patrocinados pela ONU – como, por exemplo, o Protocolo de Kyoto (1997), que previu uma redução
média (não atingida) de 5,2% da emissão de gases causadores do efeito estufa, por parte dos
países desenvolvidos (EUA não assinaram), no período de 2008 a 2012.

Em dezembro de 2015 foi negociado e em abril de 2016 assinado o Acordo de Paris, no âmbito da
COP 21 – Convenção Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), com os
objetivos: de assegurar que o aquecimento global seja muito inferior a 2o C em 2020; e de evitar
eventos climáticos graves (secas, tempestades e enchentes) e falta de alimentos e de água.

5.5.4 – Desenvolvimento sustentável

● Desenvolvimento sustentável é aquele que busca atender às necessidades da geração atual


sem comprometer a habilidade das gerações futuras de atender às suas próprias necessidades.

Características do crescimento econômico não sustentável e sustentável (ver quadro


seguinte).

CRESCIMENTO CRESCIMENTO
CARACTERÍSTICA ECONÔMICO NÃO ECONÔMICO
SUSTENTÁVEL SUSTENTÁVEL
Ênfase na produção Quantidade Qualidade
Produtividade dos Ineficiente (desperdício Eficiente (desperdício
recursos elevado) baixo)
Tipo de recurso Não renovável Renovável
Matéria reciclada,
Destruição dos recursos Matéria descartada reaproveitada ou
compostada
Controle da poluição Limpeza Prevenção
Princípios orientadores Análise do risco-benefício Prevenção e precaução
Obs.: Pressupõe algumas alterações estruturais no sistema produtivo.

● Os quatro pilares da sustentabilidade, são: ambientalmente correto; economicamente viável;


socialmente justo e culturalmente aceito.

● A mudança da ênfase na produção, de quantitativo para o qualitativo, e o aumento da


produtividade dos recursos, exigem investimento em tecnologia para a exploração e utilização
dos recursos naturais e incentivo ao uso sustentável de recursos renováveis, para a produção de
energia, matéria-prima, etc. Também exigem outra lógica de consumo baseada no fim do
consumismo, investimento na durabilidade e eficiência dos produtos, e incentivo ao consumo
consciente.

● A discussão em CTS da questão ambiental e da sustentabilidade é de grande importância, pois


incentiva a reflexão sobre a produção e os usos dos conhecimentos científicos e das tecnologias na
sociedade. Esta reflexão deve ser acompanhada de medidas práticas aplicadas a todos os setores
da sociedade, sobretudo na escola, através de medidas como a Educação Ambiental.

A meta da sustentabilidade, tão perseguida e pouco alcançada atualmente, seria facilitada se, de
fato, fosse alterada a postura prepotente e dominadora praticada pelo “homem científico” com
relação à natureza. O que se tem observado frequentemente, e tão somente, é a busca da chamada
“sustentabilidade legal”, vista como a observância à legislação vigente sobre as intervenções
físicas realizadas pelo homem na natureza. Enquanto os projetos de engenharia buscarem, apenas,
o enquadramento legal, não será atingido plenamente o conceito de “projeto sustentável”.