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MAÇONS MILLENIALS

Ir André Alexandre Happke


VM da A RL S .·. Construtores da Paz n.º 117, Chapecó (SC)

1. INTRODUÇÃO

A informação da diminuição do número de membros da Ordem Maçônica na Europa, condição de estabilidade na


América do Norte e, pequeno acréscimo na área da Confederação Maçônica Interamericana, maior Corpo Maçônico da
atualidade no mundo, foi o ponto de motivação deste breve estudo. Mais especificamente, em nosso Grande Oriente,
entrada e “saída” de Membros, nos últimos os anos estaria praticamente empatada.

Tendo feito algumas leituras a respeito, em paralelo, recentemente, o objetivo aqui é abrir um debate sobre dificuldades
e possíveis caminhos para solução futura, na preservação tradicional da Ordem, num momento cultural dinâmico, e
dentro de um perfil de jovens e novos adultos que embora possam ter valores semelhantes, trilham sendas que
precisamos compreender para recebê-los nas fileiras de nossas CCol.

2. CRESCIMENTO MODERADO E COM QUALIDADE E FIXAÇÃO DE OBREIROS

2.1. Premissa deste trabalho: queremos crescimento

É da natureza da cultura maçônica a expansão, mas em especial a permanência. Se atentarmos para os objetivos, sejam
aqueles dos textos tradicionais antigos, das doutrinas dos grandes Maçonólogos, ou no simples interrogatório de
abertura da L, trabalhamos em edificar nosso Templo interno e, pela comunhão dos Irmãos de arestas aparadas e
polidas, seguimos a expandir a valorosa cultura na formação de uma Sociedade melhor (em reduzidíssima síntese).

Nesse prisma, reduzir (ou acabar com) a Ordem não está nos planos, embora historicamente, por motivos exógenos,
normalmente, tenham acontecido períodos de redução, seguidos de outros períodos em que houve expansão (como o
pós-guerra, o que já levaria a uma interessante reflexão que se remete a outro momento). Assim como nossos Ir
antepassados, temos de perseverar.

Não se trata, também, de sair “à caça” de novos OObr, mas de buscar a preservação da natureza de nossa Instituição,
de sua cultura, de seus históricos avanços, para isso somando aos Quadros das Oficinas homens de valor, mas,
especialmente, conseguindo fixá-los na Ordem.

O dado de que (anualmente) no GOSC a entrada é próxima do número daqueles que deixam de estar
frequentando nossas LL é um sinal de que até não estamos no caminho errado, pois há quem deixe o convívio físico
para nos acompanhar do Or Eterno, e também há aqueles em que o afastamento é inevitável por causas de saúde, de
trabalho e outras que não se ligam propriamente ao seu desencanto ou desânimo com o quotidiano da vida em L.

Nossa atenção se dirige àqueles que são “Maçons não iniciados” na Sociedade, são Iniciados, mas não se lhes consegue
conquistar a permanência. Essa conquista, diga-se, funciona também de dentro para fora no sentido de que na presença
sedimentada dessas pessoas, novas outras também acabam atraídas, expandindo o círculo traçado.

Afora isso, já foi reconhecido como desafio o ato de atrair o jovem adulto da Geração do Milênio, que começa atingir a
condição de “iniciável”, dentro de seu perfil diferenciado, seja de sonhos, de necessidades. Merece atenção o “como”
fazer com que ele se insira em nossa realidade.

2.2. O que percebem os IIr do berço da Ordem

A Maçonaria tem assistido fechamento de praticamente cem (100) Lojas por ano na última década1. Eram 8.389 Lojas
em 2006 e atualmente contam 7.401 aquelas que aparecem na lista da Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI).

Documentos da GLUI ainda demonstram que no segundo trimestre de 2016 fecharam 37 Lojas e ergueram CCol
apenas duas.

De outra banda, há quem faça leitura, como o Ir Belton2, que se trata de uma acomodação em menos LL mais
saudáveis, de um número adequado de OObr e não em muitas Lojas com sete ou oito membros, como se viu com
alguma frequência.

1
LUSHER, Adam. Older freemasons told to smile and stop criticising in bid to attract millennials.
1
O fato é que de 270.000 Maçons em 2007, atualmente seriam 204.000. Nem de perto o número do pós-guerra que era de
500.000. Ainda assim, notam que em alguns distritos e províncias já está acontecendo a reversão do cenário de evasão.

O vislumbre de que algo tem de ser aprimorado é reconhecido pelo Grão-Mestre Adjunto Peter Lowndes, que pondera
que as reuniões não se devem desfigurar, mas que também não há mal e buscar que as pessoas se divirtam, que alguém
ria em Loja se algo que aconteça. Referiu que as Lojas que estão encolhendo deveriam aprender com a “jovialidade dos
membros dos distritos do exterior”, citando prazerosas sessões no Caribe e na África Ocidental.

O Grande Secretário da GLUI (Brigadeiro reformado Willie Schackell) refere que muitos jovens se identificam e amam
os rituais, e também os atrai a questão da caridade.

Além disso, em alguns lugares derivam das lojas certos clubes (chamados Blue Clubs) ou grupos que promovem
eventos sociais, viagens em cruzeiro, maneiras diferentes de desfrutar da camaradagem, da irmandade dos Obreiros.
Grupos de Motociclistas, de Ciclistas, de Jogadores de Futebol, de Maçons sub-35 anos.

Um termo para esses Blue Clubs é cross-Lodge, ou seja, reúnem IIr de Lojas diversas por interesses comuns. Isso
parece mais razoável também quando se soube de antemão dessas Lojas com número diminuto de Obreiros, que acaba
aumentando a necessidade de intercâmbio.

Os Ir Millenials (entre 21 e 35 anos de idade atualmente, em geral, nascidos a partir de 1982 para alguns), são apenas
2% do total de Membros, mas estão em ascensão, o que é considerado um alívio frente ao que os ingleses já encaravam
uma “sentença de morte”. Buscam que a visão ao se adentrar o Templo não seja a de “Sala de Espera de Deus”.

De fato, pondero, talvez estejam sendo cativados, a questão é mantê-los.

Referiu o Grão-Mestre Adjunto a necessidade de se sorrir (quando foi iniciado, há 44 anos, os mais velhos entendiam
como praticamente uma ofensa sorrir em Loja) e, ainda, evitar tanta crítica em Loja, crítica à própria Instituição, crítica
a eventuais lapsos e também às ideias dos mais jovens. Incentivar e não simplesmente punir.

Investiram em Lojas Universitárias3 (55 desde 2005) e, ainda, criaram uma “Lodge of Brevity”, onde jovens
trabalhadores, com pouco tempo livre, podem aproveitar das Sessões que são mantidas curtas, dispensando-se itens
como a leitura de Balaústre, que são examinados e votados online. Um avanço interessante.

Sugerem os Maçons mais novos também a utilização e o avanço das mídias sociais. O Grão-Mestre utilizou e recente
nota (Quarterly Communication speech) para reforçar que se busquem os Millenials para a Ordem.

Essa reportagem no jornal The Independent, diga-se, está ligada à preparação para o tricentenário, foi feita com
chamado à imprensa, também colhendo das informações o desenvolvimento de “jóia” específica para o período (gravata
com esquadros e compassos e jóia dos 300 anos que lançaram para o evento).

Tal publicização, ainda, se liga ao trabalho em deixar de ter aquele ar de conspiração secreta que implicou membros e a
Ordem com intrigas políticas e outros problemas. Chegaram a cogitar de autorizar filmagem de parte do ensaio para
uma Iniciação, provavelmente o mais perto que alguém já conseguiu de divulgar – com consentimento – tal momento.
Produziram um extenso documentário sobre a Ordem para o tricentenário que foi divulgado na mídia mundial e chegou
até nós pelas rede sociais. O Grande Secretário Willie Schackell, observou que a transparência pretendida não é tanta,
mas que podiam os Jornalistas procurar algo no Google, finalizou asseverando: “Durante os nossos rituais, juramos
respeitar certas normas. Certas informações que mantemos para nós mesmos”.

2.3. O que dizem os Ir Millenials na Inglaterra

Um dos jovens IIr ouvidos pontuou:

For me, I think Freemasonry offers a journey of personal discovery, something I can’t find in politics or religion
alone. (Richard, 33)4

Seus amigos próximos, com que falou, no entanto, passam do “achar estranho” aquelas roupas (e paramentos) a
entender que isso se presta apenas a melhor colocá-los profissionalmente.

2
BELTON, Pádraig. Millennial masonry: How those in their twenties and thirties are changing the Craft.
3
Essas Lojas Universitárias teriam como missão “estabelecer e reforçar as disposições e oportunidades para alunos de graduação e outros membros
da universidade para desfrutar Maçonaria”. Além disso, fazem Sessões em mais de um grau na mesma noite, agilizando o aprendizado, conforme:
BELTON, Pádraig. Millennial masonry: How those in their twenties and thirties are changing the Craft.
4
MILLS, Jen. Freemasons are trying to recruit Millennials.
2
Um dos entrevistados disse estar ansioso para a fraternidade e a comunhão que virão com sua participação. Para ele, “O
ritual e o figurino são cereja no topo do bolo”, destacou5.

Em outro depoimento, Jen Mills, que escreveu o artigo para o site de notícias Metro, colheu a seguinte pérola:

Pela primeira vez na minha vida eu me senti pertencendo, que havia um grupo de pessoas que se importavam
comigo, meu propósito, meus objetivos, meu futuro. Não apenas a educação, ou aprender uma arte perdida
secreta. Eu fui ensinado a lembrar de mim. Seja um grande homem, um líder, alguém que as pessoas olhem para
cima para ver. Mas eu acho que esse tipo de poder faz os homens grandes e os leva a fazer coisas incríveis. Isso é
uma conspiração? Não, é principalmente uma organização de caras que se importam contigo! 6

Do artigo escrito pelo Ir Belton, Jornalista e Secretário do “London’s book group lodge”, Tivoli Libris Lodge nº
2.150, intitulado “Maçons Millenials: como aqueles entre vinte e trinta anos estão mudando a Ordem”7, colhemos
algumas impressões e expectativas dentro do escopo proposto. O artigo foi publicado no Freemansonry Today, o jornal
oficial da Grande Loja Unida da Inglaterra.

Sessões que observem o horário para que não prejudique o trabalho, que respeitem o dia de descanso/folga,
momento precioso dos trabalhadores assalariados.
Não ir à Loja para ficar ouvindo a leitura de atas e de relatórios de caridade, que podem ser ser tratados por e-
mail, cortar “partes desnecessárias”. (chamam de Project Streamline).
Utilização de meios eletrônicos para manter os IIr atualizados sobre as coisas da L.
Expansão dos Blue Clubs.
Jantares muito caros, contrapondo a situação de IIr mais velhos e abastados ao orçamento restrito dos mais
jovens.
Haver alguma risada sim, mas deve ser levado a sério o momento.
A vestimenta tem aspectos interessantes, mas algumas restrições complicam.
É um desafio para a geração Y conviver e confraternizar com pessoas de faixas etárias diferentes, a
identificação com “tribos” diversas: geeks, agricultores, conservadores e tecnológicos.
Ver como um Curso de Desenvolvimento pessoal, caritativo e social, que nos leva a pensar sobre a nossa
relação com nosso Criador, relação com os demais e com nós mesmos.

Segundo a pesquisa britânica Atitudes Sociais, ainda no estudo de Belton, a geração do milênio é menos provável do
que aqueles de antes a considerar-se parte de uma denominação religiosa particular. São menos propensos a aderir a um
partido político ou um sindicato. Embora o interesse nos assuntos atuais seja bastante forte (em dois terços, quando
perguntado pela Sociedade Hansard em um estudo de 2013, de engajamento político), política de partido deixa
Millennials frios (com um terço confessando não ter interesse algum).

Também são vistos como mais individualistas, embora mais propensos a entender que o enfrentamento dos problemas
sociais é responsabilidade dos indivíduos, em vez de se esperar apenas que o governo resolva. São mais tendentes ao
empreendedorismo e com vida universitária mais desenvolvida. Ainda, revelam-se desconfortáveis com estruturas
organizacionais rígidas.

De pesquisa da Price Whaterhouse Cooper, Belton anotou que os Millenials valorizam em primeiro lugar a
aprendizagem e desenvolvimento pessoal, como a coisa mais importante que estes esperam dos empregadores - horários
de trabalho flexíveis vem em segundo lugar, com bônus em dinheiro em um terceiro lugar.

Além disso, “o mundo da Geração do Milênio é digital, com 41% admitindo que preferem se comunicar
eletronicamente do que pessoalmente ou por telefone” 8.

Aqui cabe uma reflexão que chamou a atenção de Belton:

Eles não gostam de participar de instituições, mas eles estão se juntando a esta [Ordem]. Por quê? 9

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MILLS, Jen. Freemasons are trying to recruit Millennials.
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MILLS, Jen. Freemasons are trying to recruit Millennials.
7
BELTON, Pádraig. Millennial masonry: How those in their twenties and thirties are changing the Craft.
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BELTON, Pádraig. Millennial masonry: How those in their twenties and thirties are changing the Craft.
9
BELTON, Pádraig. Millennial masonry: How those in their twenties and thirties are changing the Craft.
3
Teorias conspiratórias não atraem esses jovens. Entende o Ir Secretário, autor daquele artigo, que o que personifica a
geração é o forte engajamento pessoal, com desenvolvimento moral, incentivados pela Ordem. O ritual, por exemplo,
está lá, mas você se envolve e o interpreta totalmente de acordo com seu pensamento.

A ritualística, nessa linha, combina aspectos agradáveis, divertidos, com outros mais sérios, envolvendo a “transmissão
de códigos morais pela reflexão sobre as experiências dramatúrgicas e frases antigas”. Trabalhar com o ritual é uma
espécie de jogo sério, em que é possível até competir.

Além disso, a desilusão com instituições oficiais, abertas, é um fator também – nesse aspecto a Ordem é
“contracultural”. Também se soma o espaço que a Maçonaria ocupa entre a religião e a política, um pouco
desacreditadas pelos Millenials.

Sobre a Loja Tivoli Libris, de Belton, articulista em comento, uma atividade em destaque. Realizam festividades abertas
aos convidados, incluindo não-membros e mulheres, em que discutem um livro diferente em cada encontro, degustando
pudim e vinho do Porto. Chamaram isso de maçonaria em off, agindo de forma erudita, peculiar, e acolhedora. Vejam
que isso é uma variação ainda dos Blue Clubs (estes só para Irmãos).

Outra referência importante do texto em estudo agora, por tratar do futuro da Maçonaria, é um relatório encomendado
em 2012 pela GLUI. O documento foi em grande parte um exercício de avaliação com o tricentenário da GLUI - e
Maçonaria Moderna. Na página 29, o relatório - pelo Centro de Investigação independente Questão Social em Oxford -
conclui “mesmo na vanguarda de tecnologias vigésimo primeiro século de comunicação, a nossa necessidade de trocas
simbólicas que reforçam laços sociais permanece tão evidente como nunca”.

Concluindo a abordagem sobre o escrito de Belton, há um senso de moral e seriedade, insatisfação com as respostas da
Sociedade para suas grandes perguntas, questões para as quais tem forte disposição para responder a si mesmos, quando
educados, promovendo empreendimentos de caridade. Para os Millenials a Maçonaria é um “refúgio de tolerância em
um mundo partidário e com raiva” 10. O Brasil de hoje é um exemplo presente disso.

2.4. Os Millenials franceses e sua expectativa com relação à Ordem

O blog francês De midi à minuit11 publicou um artigo com o curioso título de “La maçonnerie est aussi un truc de
jeunes!” (A Maçonaria é sim coisa de jovem!) 12. Conquanto lembre da “idade média de seus membros”, o texto refere
que de fato a Maçonaria sempre atraiu os jovens. Refere iniciativas como conferência realizada sobre Maçonaria e
Juventude. Ali foram dois os entrevistados (33 e 20 anos).

Tomaram conhecimento da Ordem após obras literárias como a de Dan Brown e também “O Pêndulo de Foucault” de
Umberto Eco, “O triângulo de segredos” de Didier Convard. Seu interesse se dirigiu mesmo por desejarem entender
mais sobre informações que consideravam já de antemão equivocadas sobre a Ordem.

Pareceu bastante interessante que despertou sua curiosidade a identificação da Ordem com valores republicanos,
direitos humanos, e a educação em si, o respeito aos outros e às opiniões. Coisas que consideram não mais encontrar
"mundo real". É um lugar em que “há um pensamento”. Os valores da Ordem são considerados atuais e reconhecidos
como válidos.

Entenderam ser um caminho para fazer algo pela Sociedade, sem que fosse pelo trabalho voluntário ou pela política
tradicionais.

A emoção da Iniciação foi lembrada como inigualável em outro lugar.

Sobre o tempo a dedicar à Instituição é uma das preocupações, com efeito à possibilidade de se associarem com
regularidade, preocupando-se que já pelo trabalho e estudo já poderem dedicar pouco tempo ao descanso e à família.
Considera um “investimento significativo de tempo”, “leva tempo e isso é maravilhoso”.

Sobre a diferença entre as Potências em França (Grande Loja e Grande Oriente), um se identificou mais com o Grande
Oriente, dada sua “não-crença religiosa”. O outro disse que trabalhar com esoterismo não é sua praia, mas questões
sociais lhe são caras ao coração, destacou o entrevistado.

No que tange ao “envelhecimento” dos quadros maçônicos, consideram natural pelo tempo gasto para se adquirir
experiência, mas também porque talvez seja a única idade em que se consegue entrar. A troca com os mais velhos é
algo importante a se transmitir.

10
BELTON, Pádraig. Millennial masonry: How those in their twenties and thirties are changing the Craft.
11
https://demidiaminuit.net/
12
GUIZMO. La maçonnerie est aussi un truc de jeunes! p. 15/02/2013. De Midi à Minuit.
4
No que tange à percepção dos outros com relação à sua ligação com o tema, um entrevistado referiu ter deixado claro
que a Maçonaria é “um processo pessoal e realmente importante” aos seus próximos. Já o segundo entrevistado também
mostrou reserva sobre falar com os demais, mesmo com os pais, a respeito. “Os preconceitos são fortes”, disse.

De fato, em França houve pouco tempo atrás um grande evento aberto, conferência sobre a Maçonaria e a Juventude.
Ambos estiveram presentes e apresentaram lá sua “candidatura”. Estavam aguardando resposta ao tempo da entrevista.

2.5. Com a palavra os Millenials da Construtores da Paz

Nossa Oficina iniciou oito Millenials até o final de 2016. Num quadro de 50 registrados (contados aqueles em Quit-
placet), representam 16% (mais que o dobro do índice geral apurado pela GLUI).

Alguns até pareceram surpresos pela classificação, entendendo se identificar mais com a geração anterior do que com
essa do milênio.

Foi por eles destacada a harmonia, a cordialidade, a afabilidade e a fraternidade entre os membros da Loja. “Desde meu
ingresso na Ordem, me senti em casa e entre Irmãos”, pontuou um deles. Mesmo eventuais divergências pontuais
entenderam ter como reflexo o aprendizado.

O mentoring entre Padrinho e afilhados, ou mesmo, oficialmente atribuído a determinados Mestres, pode ser uma
evolução interessante não apenas para dar mais segurança aos Aprendizes e Companheiros, mas também, para atribuir
função e atividade de estudo concreta a todos os Mestres (o que vem até em benefício de evitar a evasão de Mestres).

No tocante à ritualística, “eleva os sentimentos” foi registrado, foi considerada bem aplicada, e ainda, elogiada em seu
aspecto esotérico, por seu caráter envolvente, seu papel na formação da Egrégora Maçônica, e sua força energética que
limpa os IIr por meio dos incensos para entrada e para saída de Loja. Apareceu referência à felicidade de ter sido
iniciado nesse rito dentre os demais possíveis, e até o ser a parte ritual a “mais importante”, responsável pelo efeito
“recarga de baterias”, bem assim, lembrado o caráter educativo de toda simbologia de que o Rito Adonhiramita é
pródigo.

No que tange ao toque tecnológico para se ganhar tempo, ponderaram haver a imprescindibilidade da parte burocrática
também, por fazer parte das raízes da Ordem, mas estão abertos e preparados, sem grandes dificuldades. Admitindo o
uso de mais tecnologia, demonstraram cuidado com relação àquilo que precisa ser mantido entre CCole recomendam
que se avalie individualmente cada situação em que se inseriria recursos eletrônicos.

3. CONCLUSÃO

Em princípio, preservar tradições que alcançam oficialmente três séculos no próximo ano, não parece tão difícil. Se a
cartilha for seguida à risca, em tese o resultado seria a perenidade da tradição imutável.

A tradição, na Maçonaria, todavia, pode estar ligada a determinados rituais que, conforme o Rito adotado, terão
significado transcendente a seus aspectos materiais, todavia, a grande argamassa sobre a qual se molda, a malho, a
cinzel, é o ser humano. Este não é o mesmo desde 1717. A Sociedade que o recebe, o absorve e o transforma também
não é a mesma.

Não se trata, pois, de querer mudar a essência da Ordem, mas sim, de fazer com que se acompanhe o andar da vida em
Comunidade para poder manter sua essência, ou seja, com o cuidado de preservar seus valores e proposições
tradicionais. Buscar que possa continuar crescendo, mantida sua identidade histórica, conseguindo assim agregar
OObr adequados e, ainda, que aqueles homens adequados não apenas sejam recebidos Maçons, mas também,
permaneçam sendo Maçons ativos.

Lembrou um de nossos MMII que o Grão-Mestre Rubens Franz costuma referir em suas palestras que devemos
“formar líderes” e não “importar líderes prontos do mundo profano”. “O despertar da liderança em berço maçônico é
garantia de perpetuação dos ideais maçônicos”, frisa.

Ser a Maçonaria um destino atrativo é uma grande vantagem, no contexto atual. Tanto há de multimídia que atrai os
olhos da juventude, dificuldade vivida em sala de aula pelos Docentes, já faz algum tempo, que concluir das leituras que
embasaram este escrito que a Maçonaria ainda desperta a vontade de conhecer e de participar é uma boa “largada”.

Seja apelos aspectos esotéricos, seja pelos cenográficos/dramatúrgicos, que no rito Adonhiramita encontramos bem
marcados, os jovens têm encontrado identidade. Os Millenials de nossa Oficina demonstraram estar bem resolvidos com
5
isso e, ainda, além de ajustados, gostando do rito em si. Foi possível notar mesmo sentimentos e emoções com relação a
essa ligação com o Rito.

Os Blue Clubs cross-Lodge já são realidade no Brasil, também em nosso Estado, e são reflexo do perfil não apenas de
Millenials, mas também das gerações X e Y e mesmo dos Baby-Boomers. Clubes de Motocicleta (“Bodes do Asfalto”),
“Bodes do Pedal” de bikers, entre outros, já são realidade. Importante que não se transforme em “Grupos menores
dentro de Grupo maior”. Ou seja, não sejam divisores das Lojas tradicionais, mas sejam utilizados como meio para
troca entre Lojas (cross-Lodge), aumentando o sentimento de irmandade com as outras Oficinas e outras Potências
reconhecidas, e quem sabe incentivando a solução de algumas arestas presentes.

Algumas confrarias de apreciação de vinho também se ensaiam, até entre as CCunh Encontrar o veio para
participação das famílias, das esposas (para os filhos já encaminhamos as Ordens paramaçônicas próprias) também é
algo de valor, não apenas pela integração em espaços próprios, mas também para que os poucos espaços de tempo
disponíveis possam ser confraternizados em famílias dos IIr

O aproveitamento do tempo em L é algo que sempre pode ser aprimorado, não apenas o estimularam nossos
Millenials, mas também o referem alguns MMII. Não por motivo diverso já se adotou sistema de votação de
Balaústre em área restrita do site da Loja, ganhando-se preciosos minutos para instrução, debate, ou ainda para o
convívio no momento de ágape.

A criação e a manutenção de uma identidade de corpo em Loja e no Grande Oriente também contribuem para a fixação.
Nesse aspecto, a “oficialização” dos Blue Clubs e sua ligação com as Lojas (talvez com o Grande Oriente) é algo a se
pensar, afinal, são embriões de novos membros da Família Maçônica (entidades paramaçônicas). Todavia, se já agora
seu trabalho se desenvolve a ponto de cumprir seu papel principal a que se propõe e, ainda, reflexamente enraíza o Ir
em sua Oficina, já estaria de bom tamanho.

O ajuste fino no horário das Sessões e Câmaras de Estudo, com eventual flexibilidade necessária a atender os interesses
sadios, ainda que profanos, é algo que se espera de uma Loja atualmente. A rigidez sisuda, autoridade derivada do
autoritarismo, não é um perfil de aceitação perante os Obreiros atuais. Esse perfil também é visto em sala de aula e
mesmo na observância das regras perante o Estado. É necessária conquista e contratação negociada o tempo todo. Um
contrato social fluido talvez fosse o termo, não mais estático como inicialmente vislumbrado.

A antevisão de como subir a Escada de Jacó, e quando os degraus estarão disponíveis é algo ligado a uma programação
adequada, observância de conteúdos mínimos (como a Concepção de Estudo dos Graus elaborada pelo GOSC),
gerando estímulo, reconhecimento, mas também previsibilidade. Esta é uma geração que trabalha muito com feedback.
Os Administradores bem o sabem. É necessário que sintam o retorno daquilo que fazem.

Essa recepção de Millenials na Maçonaria, diga-se, não está a impedir a entrada dos Ir nascidos antes de 1982, pelo
contrário! O debate intergeracional, a convivência e a tolerância praticadas dentro do Quadro são fomento para
comportamento adequado também fora de L Além disso, as gerações anteriores têm muito a contribuir com sua
experiência no mundo profano dentro da vida maçônica. Devemos é não descurar de qualquer das gerações, mantendo
um grupo fortemente coeso e, nem por isso, homogêneo em idade. Como o estudo se voltou aos jovens adultos, pareceu
importante frisar isso aqui, pois não se está a excluir os demais, muito ao contrário, se pretende é incluir mais um perfil
de IIr

É necessário receber adequadamente e conseguir fazer confraternizar os IIr das diferentes idades e de diferentes
interesses externos. Nisso a Ordem tem já bastante experiência, mas é algo que precisa ser cultivado diariamente no
convívio entre os Irmãos da Loja.

Os próprios eventos (ou mesmo os Ágapes semanais) devem observar para que haja inclusão. Que os Irmãos se sintam
parte de um conjunto.

Por fim, com relação aos Millenials, ainda que temporariamente, desgarrados: é necessário manter a ligação, o contato
permanente, para que efetivamente retornem quando superado seu obstáculo momentâneo.

6
Como visto, o perfil do novo adulto em geral é excelente, diga-se. Uma ótima Pedra Bruta a ser trabalhada, com
possíveis resultados surpreendentes. Temos que estar abertos a receber essa nova figura, buscar compreender, cativar e
nos integrar.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BELTON, Pádraig. Millennial masonry: How those in their twenties and thirties are changing the Craft. Freemansonry
Today. ed. 04/05/2016. Londres. Disponível em: http://www.freemasonrytoday.com. Acesso em: 11/08/2016.

GRANDE ORIENTE DE SANTA CATARINA. Concepção de Ensino – Mestre Maçom. p. 10/03/2012. Disponível
em: www.gosc.org.br. Acesso em: 11/08/2016.

GUIZMO. La maçonnerie est aussi un truc de jeunes! De Midi à Minuit. p. 15/01/2013. Paris. Disponível em:
https://demidiaminuit.net. Acesso em: 13/08/2016.

LUSHER, Adam. Older freemasons told to smile and stop criticising in bid to attract millennials. The Independent. .
ed. 6/8/2016. Londres. http://www.independent.co.uk. Acesso em: 12/08/2016.

MILLS, Jen. Freemasons are trying to recruit Millennials. Metro. p. 08/07/2016. Londres. Disponível em:
http://metro.co.uk . Acesso em: 12/08/2016.