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DIREIITO DAS OBRIGAÇÕES

Aula 1 – 04.02.2019

Prof. Ricardo
ricardolimalves@hotmail.com

INTRODUÇÃO

Direito Civil – Parte Geral: Pessoas, Bens e Relações Jurídicas (Três Partes).

Direito Civil – Parte Especial: Contrato, Família e Propriedade (Três Partes).

O Direito Civil se estrutura sob três bases: o Contrato, a Família e a Propriedade. Em cada
uma dessas bases é possível perceber o funcionamento dos fundamentos da Parte Geral do Código
Civil: Pessoas, Bens e Relação Jurídica.
A Parte Especial do CC/02 se inicia com o Direito das Obrigações. Essa localização reflete
um dado importante do Direito das Obrigações que é a característica de generalidade, já que se
aplica a todas as bases do Direito Civil, ou seja, há obrigações nos Contratos, nos Bens e na
Família.

Conceito de Obrigação:
Há duas respostas possíveis considerando o sentido coloquial ou um sentido jurídico de
obrigação.
Coloquialmente, obrigação é sujeição a uma norma de conduta, o que compreende aspectos
morais, religiosos, familiares, ou seja, não necessariamente jurídicos. Ex.: obrigação de pagamento
do dízimo.
Juridicamente temos um sentido estrito de obrigação, que se refere às obrigações
juridicamente consideradas. Há, aqui, uma conseqüência para o descumprimento possibilitando o
socorro do Judiciário. Ex.: obrigação de pagar uma dívida.
Obrigação é a relação transitória de direito, que constrange a dar, fazer ou não fazer alguma
coisa economicamente apreciável, em proveito de alguém que, por ato próprio ou de alguém
juridicamente relacionado ou em virtude de lei, adquiriu o direito de exigir essa ação ou omissão
(Orlando Gomes).
O Direito das Obrigações é o ramo do Direito Civil que regula relações pessoais de conteúdo
patrimonial dando a uma das partes a possibilidade de exigir, judicialmente, o seu cumprimento.

Fontes da Obrigação:
1. Vontade Humana: Contrato (obrigação de pagar o preço), Declaração Unilateral de Vontade
(obrigação de cuidar de um animal), Ato ilícito (obrigação de reparar o dano). Na vontade humana a
lei é a fonte mediata da obrigação.
2. Lei (fonte imediata): obrigação de pagar tributos é um exemplo. A lei é a fonte imediata.
Compreendem-se como fonte da obrigação as situações que dão origem a obrigações
juridicamente consideradas. Podem-se dividir as fontes basicamente em duas: a vontade humana e a
lei.
A vontade humana gera obrigações por meio da expressão direta da vontade em contato ou
declaração. Dessas fontes surgem as obrigações específicas daquela forma contratual ou daquela
declaração de vontade. Por exemplo, a obrigação de pagar o preço num contrato de compra e venda.
Já no ato ilícito, a vontade humana se manifesta por meio do dolo ou da culpa, gerando sempre a
mesma obrigação: reparar o dano causado.
Já a lei, como fonte de obrigação, pode dar origem direta ao dever jurídico (obrigação de
pagar alimentos) ou funcionar como suporte de exigibilidade das outras fontes. Ora, é a lei que
garante a exigibilidade do contrato, da declaração de vontade e a reparação do dano.

Obs.:
Dolo é a intenção direta.
Culpa é a expressão da falta de cuidado.

Aula 2 – 07.02.2019

Elementos Constitutivos da Obrigação:


A) Elemento subjetivo
B) Elemento objetivo
C) Vínculo jurídico
São as partes das peças que formam a obrigação jurídica relacional.
A) Elemento Subjetivo:
Quem pode ser sujeito na relação jurídica obrigacional? Qualquer pessoa,
independentemente da sua capacidade ou estado civil. Os absolutamente incapazes serão
representados e os relativamente incapazes serão assistidos. PJ também pode ser sujeito de
obrigação, independentemente da regularidade dos seus atos constitutivos (uma empresa, mesmo
sem registrar, pode ser sujeito dessa relação, ou seja, uma sociedade de fato pode). Antes do registro
da empresa, existe uma sociedade de fato.
No contexto da relação obrigacional, os sujeitos ocupam dois pólos distintos:
a) Polo ativo: neste polo o sujeito pode exigir do outro o cumprimento. Este polo é ocupado pelo
credor (quem entra com ação)
b) Polo passivo: neste polo o sujeito assume o ônus de cumprir a obrigação. Este polo é ocupado
pelo devedor.

B) Elemento Objetivo:
O elemento objetivo deve observar o que determina o artigo 104, inciso 2, CC. Assim, o
objeto deve ser:
a) lícito: não contraria a lei, a moral e os bons costumes;
b) possível: física e juridicamente (não pode ser objeto de contrato herança de pessoa viva). A
possibilidade do objeto pode ser analisada:
c) determinado ou determinável.

Aula 3 – 11.02.2019

O elemento objetivo pode ser analisado de duas formas:


a) Objeto imediato: análise é técnica (não se dever se analisar o fato). O objeto imediato é a
prestação. Esta é uma análise técnica do elemento objetivo que, independentemente do caso
concreto terá sempre a mesma resposta (a resposta já é dada pela lei). Consiste em dar, fazer ou
deixar de fazer (são os tipos de prestação: Dar o quê? Fazer o quê? Não fazer o quê?). A análise da
obrigação revela três formas possíveis: prestação de dar, prestação de fazer e prestação de não fazer.
Considerando isso, é fácil encontrar o objeto da prestação por meio de uma dessas perguntas: Dar o
quê? Fazer o quê? Não fazer o quê?

b) Objeto mediato: é o objeto da prestação cuja análise depende do caso concreto. É a própria coisa.
Obs.: Quando se pergunta qual é o objeto da obrigação, a resposta deve considerar sempre o objeto
imediato.
Exemplos: na obrigação de devolver um livro na biblioteca, o objeto da obrigação é a
prestação (objeto imediato) e o objeto da prestação é o livro (objeto mediato). Na obrigação de
pagar 10 reais, o objeto da obrigação é a prestação e o objeto da prestação é 10 reais (objeto
mediato).
Obs.: Prestação é a conduta ou ato necessário à realização da obrigação.

C) Vínculo jurídico:
É um elemento constitutivo que estabelece a ligação entre os sujeitos em relação a um
determinado objeto. Percebe-se assim, que a relação obrigacional se insere entre as relações
jurídicas patrimoniais pessoais.
A relação jurídica pode ser existencial ou patrimonial (as patrimoniais podem ser reais ou
pessoais). O direito de propriedade é um exemplo da relação patrimonial real.
O vínculo jurídico é formado pela conjugação do débito (schuld) e da responsabilidade
(haftung). Necessariamente eles são formados para que se tenha o vínculo jurídico. Separadamente,
débito e responsabilidade, não formam uma obrigação juridicamente relevante (que pode ser
exigida judicialmente).
O débito é a noção do dever e a responsabilidade é a consequência jurídica do
descumprimento.
Obs.: na prescrição tem-se somente o débito e na fiança só tem a responsabilidade.

Eventualmente, pode surgir uma situação em que esteja presente o débito, mas sem
responsabilidade. É o que ocorre nas obrigações naturais. Nessas obrigações a dívida existe, mas
não há consequência jurídica pelo descumprimento. Exemplos: dívidas prescritas e dívidas de jogo.
Essa afirmação é confirmada pela irrepetibilidade das dívidas prescritas (repetir, juridicamente, é
pedir de volta).
Há, ainda, a situação em que a responsabilidade se apresenta separada do débito, como por
exemplo, na obrigação do fiador.

Obs.: Os elementos constitutivos (subjetivo, objetivo e vínculo) devem ser sempre conjugados para
que haja a formação de uma obrigação juridicamente relevante.
MODALIDADES DAS OBRIGAÇÕES

a) Quanto ao Objeto: Obrigações de Dar, Obrigações de Fazer e Obrigações de Não Fazer


b) Quanto aos Elementos Constitutivos: Obrigações Simples, Obrigações Complexas ou Plurais
(Complexidade Objetiva: Obrigações Cumulativa, Alternativas e Facultativas; e Complexidade
Subjetiva: Obrigações Divisíveis, Indivisíveis e Solidárias).
OBS.: A PRIMEIRA AVALIAÇÃO VAI ATÉ AQUI.

c) Outras Modalidades de Obrigação:


1 – Obrigações Principais e Acessórias
2 – Obrigações Civis e Naturais
3 – Obrigações de Execução Imediata, Diferida e Continuada
4 – Obrigações Líquidas e Ilíquidas
5 – Obrigações de Meio, Resultado e de Garantia
6 – Obrigações Puras e Simples, Condicionais, Modais e a Termo

OBRIGAÇÕES QUANTO AO OBJETO

Obrigação de Dar

Nas Obrigações de Dar, a prestação se caracteriza por um ato de entrega que se perfaz em
quatro verbos: Dar, Entregar, Devolver e Restituir.
O que caracteriza a Obrigação de Dar e a diferencia das demais é a Tradição, ou seja, o ato
de entrega da coisa. A Tradição pode ser: Real, Simbólica ou Ficta. A Tradição Real tem uma
entrega material (a entrega de um livro). A Simbólica tem a entrega de uma coisa representando
outra (a entrega de uma chave representando um apartamento). A Tradição Ficta decorre de uma
ficção jurídica e ocorre por meio de cláusula contratual (um exemplo é a cláusula constituti).

A tradição é:
Real, quando envolve a entrega efetiva e material da coisa.
Simbólica, quando representada por ato que traduz a alienação, como a entrega das chaves do
veículo vendido.
Ficta, no caso do constituto possessório (cláusula constituti). Ocorre, por exemplo, quando o
vendedor, transferindo a outrem o domínio da coisa, conserva-a, todavia, em seu poder, mas agora
na qualidade de locatário.
A referida cláusula constituti não se presume. Deve constar expressamente do ato ou resultar de
estipulação que a pressuponha.

Aula 3 – 11.02.2019

A Obrigação de Dar se divide em duas modalidades: obrigação de dar coisa certa e


obrigação de dar coisa incerta.

Obrigação de dar (modalidade entregar): passagem da propriedade da coisa do seu


proprietário para o credor.
Obrigação de dar (modalidade restituir, devolver): a coisa volta para o seu proprietário.

Obrigação de Dar Coisa Certa (Artigo 233 a 242 CC):


Coisa certa é aquela totalmente individualizada. Essa coisa não pode ser substituída por
outra. Ex.: Fusca Azul 1972 Placa YAG-1972, Código RENAVAM e Número de Chassi.
Segundo o artigo 233 a coisa certa abrange os seus acessórios, mesmo que não
mencionados. Trata-se da aplicação da ideia de gravitação jurídica (o acessório segue o principal).
Considerando que a coisa certa, por ser totalmente individualizada, não pode ser substituída
por outra, é necessário que se verifique se existem situações de dano ao objeto. Esse dano por ser
total ou parcial, sendo que o Código trata o primeiro como perda (perecimento) da coisa e o
segundo, como deterioração da coisa.
A situação de dano total sem culpa faz com que o negócio se resolva, ou seja, acabe sem que
as partes devam algo um para o outro. No entanto, se eventualmente algum valor foi adiantado,
deverá ser restituído. Ex.: A vaca atingida por um raio que se perdeu.

Com Culpa Sem Culpa


Total Artigo 234, 2ª Parte Artigo 234, 1º Parte
(Perda ou Perecimento) Indenização (equivalente + perdas e danos) Obrigação fica resolvida
Artigo 235
DANO Aceitar a coisa (menos o valor
Artigo 236
Parcial do dano) ou resolver.
Resolver + Perdas e danos ou Aceitar a coisa
(Deterioração) Restituição do preço +
+ perdas e danos
correção monetária ou
abatimento proporc. ao preço

O artigo 234, 2ª parte regula a hipótese em que ocorre um dano total à coisa resultante de
culpa do devedor. Essa menção à culpa se faz em referência ao seu sentido amplo (lato sensu), o
que abrange tanto o dolo (intenção direta) como a culpa em sentido estrito (falta de cuidado, ou
seja, imperícia, imprudência ou negligência).

Obs.:
Negligência: falta de cuidado pela não observância de uma obrigação.
Imprudência: falta de cuidado pela não observância de limites.
Imperícia: falta de cuidado pela não observância da técnica.
Caracterização do dano decorrente de culpa haverá a necessidade de se indenizar o credor.
Essa indenização será calculada com base em dois parâmetros: o equivalente + as perdas e danos
(PD). O equivalente corresponde, justamente, ao valor da coisa perdida. Já as perdas e danos
compreendem aquilo que efetivamente se perdeu (dano emergente) e aquilo que razoavelmente se
deixo de ganhar (lucros cessantes).
O artigo 235 traz duas opções para a solução do caso em que ocorra um dano parcial na
coisa: a resolução do negócio ou a entrega da coisa com abatimento do preço. Destaca-se que a
solução será escolhida pelo credor. Exemplo: obrigação de entregar um cavalo de corrida e
reprodutor que, por causas naturais, adoece e perde a capacidade reprodutiva.
O artigo 236 soluciona dano parcial culposo, trazendo, basicamente, as mesmas opções do
artigo anterior, mas acrescidas das perdas e danos (PD). As perdas e danos, nesses casos, levarão
em conta as especificidades do caso.

Aula 4 – 18.02.2019

Melhoramentos e acrescidos: o artigo 237 regula a hipótese em que a coisa objeto da


prestação obtém uma melhora ou acréscimo. Assim, da mesma forma que a coisa perece (res perit
domino), considera-se que melhora para o dono. Ex.: vaga prenha. Neste caso, o devedor poderá
exigir um aumento do preço, caso o credor não aceite, o devedor poderá resolver a obrigação.
O parágrafo único do artigo 237 aborda a questão dos frutos, que são bens acessórios
caracterizados pela renovação automática e periódica. Os frutos podem ser: naturais (renovação
decorrente da natureza), civis (renovação decorrente de uma relação civil), como os juros ou
alugueis, e frutos industriais (renovação decorrente do trabalho). Conforme os frutos se separem do
objeto principal ganham autonomia e independência daquele. Por isso, os frutos percebidos
(colhidos) ficam com o devedor e não precisam ser entregues para o credor. Já os frutos pendentes
mantêm a acessoriedade, devendo acompanhar o bem principal.
Pacta sunt servanda, rebus sic standibus.

Aula 5 – 21.02.2019

O artigo 238 inicia o tratamento da Obrigação de Dar na modalidade devolver/restituir. Em


toda a Obrigação de Dar está presente a tradição. O que muda é apenas o que essa tradição
representa.
Art. 238. Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor, se perder antes da
tradição, sofrerá o credor a perda, e a obrigação se resolverá, ressalvados os seus direitos até o dia
da perda.
A importância de se determinar quem é o dono da coisa antes da tradição se deve ao fato de
que a coisa perece para o dono (res perit domino).
O artigo 238 regula a hipótese em que ocorre um dano total à coisa que deve ser devolvida
sem culpa do devedor. Já que não há culpa, não se fala em indenização, de modo que a obrigação
fica resolvida. No entanto, havendo culpa, deverá o culpado indenizar o credor no equivalente, mais
perdas e danos, que o caso determinar (Artigo 239 CC).

Art. 239. Se a coisa se perder por culpa do devedor, responderá este pelo equivalente, mais perdas e
danos.
Na obrigação de restituir as hipóteses de dano parcial estão reguladas no artigo 240:

Art. 240. Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor, recebê-la-á o credor, tal qual se
ache, sem direito a indenização; se por culpa do devedor, observar-se-á o disposto no art. 239.

A primeira parte do artigo trata da deterioração sem culpa determinando que o credor
simplesmente receba a coisa como se encontra, sem qualquer indenização. Por fim, a segunda parte
do artigo 240 regula a hipótese do dano parcial culposo, determinando que o devedor culpado
indenize o credor no equivalente (ao dano causado) mais as perdas e danos que o caso determinar.

Art. 241. Se, no caso do art. 238, sobrevier melhoramento ou acréscimo à coisa, sem despesa ou
trabalho do devedor, lucrará o credor, desobrigado de indenização.
Art. 242. Se para o melhoramento, ou aumento, empregou o devedor trabalho ou dispêndio, o caso
se regulará pelas normas deste Código atinentes às benfeitorias realizadas pelo possuidor de boa-fé
ou de má-fé.
Parágrafo único. Quanto aos frutos percebidos, observar-se-á, do mesmo modo, o disposto neste
Código, acerca do possuidor de boa-fé ou de má-fé.

Na obrigação de devolver/restituir, o tema dos melhoramentos e acréscimos é trata de forma


diferente das regras da obrigação de dar/entregar. Isso se deve ao fato de que, na obrigação de
restituir, a propriedade da coisa é do credor e a valorização se dá durante a posse do devedor.
Assim, segundo o artigo 241 o aumento no valor da coisa ocorrido durante a posse do
devedor, sem trabalho ou despesa deste gera um lucro para o credor (dono da coisa), sem
necessidade de indenização. Ex.: valorização de um imóvel que está emprestado para o devedor em
decorrência de uma obra pública.
O artigo 242, por sua vez, trata da hipótese em que a valorização se dá em decorrência de
trabalho ou despesa do devedor. Nesse caso, há remissão às normas das benfeitorias feitas pelo
possuidor de boa-fé (artigo 1219 CC) e pelo possuidor de má-fé (artigo 1220 CC).

Obs.: propriedade é um direito real (fundado na res), e posse é o poder de fato sobre a coisa.
Obs.: Possuidor de boa-fé é aquele que tem uma posse justa, ou seja, obtida sem violência,
precariedade ou clandestinidade (artigo 1200 CC). A posse violenta é obtida pela força, física ou
moral; a clandestina é obtida às escondidas; e a posse precária é a obtida com abuso de confiança.

Aula 6 – 25.02.2019

Para a compreensão deste ponto devem-se recordar dos tipos de benfeitorias:


a) Benfeitoria necessária: é aquela que se presta à conservação da própria coisa. A necessidade é da
coisa e não da pessoa. Ex.: construção de um muro de arrimo para evitar deslizamento;
b) Benfeitoria útil: é aquela que se presta à melhoria na utilização da coisa. A utilidade é da pessoa
e não da coisa. Ex.: pavimentação do acesso;
c) Benfeitoria voluptuária: é o mero deleite, luxo (supérflua). Não é indenizável. Ex.: instalação de
uma fonte no jardim.

Quadro: Artigo 1219 a 1222 CC:

Benfeitorias Possuidor de Boa-Fé Possuidor de Má-Fé


Necessárias Indenização, através da retenção Ressarcimento, sem retenção
Úteis Indenização, através da retenção _
Não há indenização, mas pagamento
_
Voluptuárias ou levantamento (sem detrimento).
Obs.: Retenção: não devolver a coisa até o pagamento.

Artigos 1214 a 1216 (A relação dos frutos com o possuidor):


O parágrafo único do artigo 242 CC determina que, na obrigação de restituir, quanto aos
frutos, se aplica o regime dos artigos 1214 a 1216.
O artigo 1214 trata do possuidor de boa-fé e, o 1216, do possuidor de má-fé. Já o artigo
1215 determina quando os frutos deixam de ser pendentes e passam a ser percebidos (colhidos).

Obrigação de Dar Coisa Incerta (Artigo 243 a 246 CC):


Considera-se como coisa incerta aquela que é determinável pelos critérios de gênero e
quantidade. Determinável diz respeito à possibilidade de determinação. Dizemos que o objeto é
determinável porque existem critérios que viabilizam essa determinação. Primeiro um critério
qualitativo: o gênero. No entanto, esse critério necessita de especificação, por isso dizemos que “o
gênero não é genérico”. (o ideal seria espécie e não gênero). O segundo critério, por sua vez, é
quantitativo e se expressa numericamente acompanhado de uma unidade. Ex.: obrigação de entregar
10 sacas de café tipo Santos de 100 quilos. Exemplo errado: 10 sacas de café (o gênero está
genérico).
Contudo, segundo Gonçalves a expressão “coisa incerta” indica que a obrigação tem objeto
indeterminado, mas não totalmente, porque deve ser indicada, ao menos, pelo gênero e pela
quantidade. É, portanto, indeterminada, mas determinável. Falta apenas determinar a sua
qualidade.
Na obrigação de dar coisa incerta, o direito de escolha pode ser livremente pactuado, mas
pertencerá, em regra, ao devedor (in dubio pro devedor). Assim, para que a escolha seja do credor, é
necessária estipulação expressa. Além disso, o artigo 244 traz o critério da escolha, segundo o qual
o devedor não poderá dar a pior coisa e não será obrigado a dar a melhor. Percebe-se, assim, que o
critério tende a concentrar as possibilidades da escolha naquilo que é mediano: proíbem-se as piores
opções e não se obrigam as melhores.
Obs.: o direito de escolha é chamado de concentração.

Quando se considera que a escolha gera efeitos? Depois da cientificação (contudo, o código
não especificação que tipo, ou meio, e como será a especificação). Somente com a cientificação do
credor é que a escolha produzirá efeitos (Artigo 245 CC). Os efeitos da escolha cientificada podem
ser resumidos da seguinte forma: a coisa incerta se torna certa.
Aula 7 – 28.02.2019

Segundo o artigo 246, o devedor não pode alegar perda ou deterioração da coisa, ainda que
por força maior ou caso fortuito. Sabe-se, no entanto, que a escolha só produz efeitos depois de
devidamente cientificada. A interpretação do artigo deve ser nesse sentido.
Neste artigo devemos considerar também os conceitos de caso fortuito e força maior. A
força maior é um evento imprevisível e inevitável. Ex.: danos decorrentes de um furacão. Já o caso
fortuito é o evento previsível, mas inevitável. Ex.: atraso decorrente da greve dos caminhoneiros.
Normalmente, as situações de caso fortuito ou força maior caracteriza excludentes de
responsabilidade. Neste artigo, no entanto, percebemos que nem mesmo estas situações inevitáveis
poderão ser usadas pelo devedor para alegação de perda ou deterioração da coisa. Isso se deve ao
fato da coisa incerta ser definida pelo gênero e quantidade. E o gênero não perece.
Desde o direito romano se afirma que o gênero nunca perece (“genus nunquam perit”). Ora,
o gênero está disponível no mercado de modo que o devedor não pode se escusar do cumprimento
alegando perda ou deterioração. Ex.: mesmo que todas as sacas de café da minha fazenda sejam
queimadas num incêndio, deverei buscar outras no mercado para o fiel cumprimento da obrigação.
Pode-se considerar que a regra “genus nunquam perit” é absoluta? Não. Existem gêneros
raros ou delimitados. Apesar de o Código Civil não trazer nenhuma exceção a essa regra, não
podemos considerá-la absoluta, já que não será aplicável aos gêneros raros (como garrafas de
champanhe encontradas num naufrágio de um navio) ou muito delimitados (três cabeças de gado de
um lote especial da fazenda do Silas). Nesses casos, o gênero poderá perecer como um todo e, dessa
forma, a obrigação será extinta por falta do elemento objetivo.

Coisa incerta: gênero e qualidade. O gênero nunca perece (“genus nunquam perit”).
Coisa certa: individualidade. A coisa perece (“res perit domino”).
Obrigação de Fazer

A obrigação de fazer (obligatio faciendi) abrange o serviço humano em geral, seja material
ou imaterial, a realização de obras e artefatos ou a prestação de fatos que tenham utilidade para o
credor. A prestação consiste, assim, em atos ou serviços a serem executados pelo devedor. Pode-se
afirmar, em síntese, que qualquer forma de atividade humana lícita, possível e vantajosa ao credor
pode constituir objeto da obrigação.
As obrigações de fazer diferem das obrigações de dar principalmente porque o credor pode,
conforme as circunstâncias, não aceitar a prestação por terceiro, enquanto nestas se admite o
cumprimento por outrem, estranho aos interessados (CC, art. 305). No entanto, a distinção entre
essas duas modalidades sofre restrições na doutrina contemporânea, tendo em vista que dar não
deixa de ser fazer alguma coisa.
Aponta a doutrina a seguinte diferença:
a) nas obrigações de dar, a prestação consiste na entrega de uma coisa, certa ou incerta;
b) nas de fazer, o objeto consiste em ato ou serviço do devedor.
A obrigação de fazer é aquela que tem por objeto a realização de um trabalho ou serviço e
que, portanto, não tem presente uma tradição. Exemplos: obrigação de dar uma palestra, obrigação
de consertar um carro, etc.
Na obrigação de fazer encontramos duas modalidades:
a) Obrigação de fazer infungível ou personalíssima (intuitu personae): é aquela firmada em
razão da pessoa, ou seja, levando em conta as características do sujeito passivo. Ex.: contratação de
show do Roberto Carlos. A esta se aplica o regime do artigo 247 CC, gerando a obrigação de
indenização das perdas e danos quando o devedor se recusa injustificadamente ao cumprimento. No
entanto, se existe justificativa bastante para o não cumprimento, a obrigação poderá ser resolvida na
forma do artigo 248 primeira parte.
b) Obrigação de fazer fungível ou impessoal: é aquela em que as características pessoais do
sujeito passivo não são levadas em conta, ou seja, o que se pretende é que aquele serviço seja
realizado, e não que seja realizado exclusivamente por certa pessoa. Todos estes fatos estão
regulados pelo artigo 249 CC, que trata justamente da possibilidade de cumprimento por terceiro.
Por fim, o parágrafo único traz hipótese de autotutela em decorrência da urgência.
Aula 8 – 11.03.2019

Obrigação de Não Fazer

Trata-se da única modalidade de obrigação com conteúdo negativo (Obrigação Negativa).


Assim, sempre que a prestação consistir numa proibição, num impedimento, a obrigação será de
não fazer (Art. 250 e 251 CC). Ex.: Obrigação de não perturbar o silêncio depois das 22 horas;
obrigação de não alugar um ponto comercial para uma empresa de determinado ramo; obrigação de
não entregar determinada coisa.
A obrigação de não fazer ou negativa impõe ao devedor um dever de abstenção: o de não
praticar o ato que poderia livremente fazer caso não se houvesse obrigado.
O artigo 250 CC trata da extinção da obrigação de não fazer na hipótese em que a prestação
se torne impossível para o devedor, sem culpa deste. Ex.: extinção da obrigação de não alugar um
ponto comercial devido à destruição deste.
Como se descumpre a obrigação de não fazer? Considerando que a obrigação de não fazer
tem conteúdo negativo, percebe-se que o seu descumprimento se dá de forma positiva. De forma
simplificada, temos que a obrigação de não fazer se descumpre fazendo.
Consequências do descumprimento:
Art. 251. “Praticado pelo devedor o ato, a cuja abstenção se obrigara, o credor pode exigir dele que
o desfaça, sob pena de se desfazer à sua custa, ressarcindo o culpado perdas e danos”.
Parágrafo único. “Em caso de urgência, poderá o credor desfazer ou mandar desfazer,
independentemente de autorização judicial, sem prejuízo do ressarcimento devido” (Autotutela).
As consequências do descumprimento da obrigação de não fazer estão reguladas no artigo
251 CC e podem ser resumidas da seguinte forma: o devedor terá que desfazer o ato ou pagar pelo
desfazimento, além do pagamento das perdas e danos que o caso determinar.
Havendo urgência no desfazimento, o parágrafo único do artigo 251 autoriza que o credor
providencie ele mesmo o desfazimento, indecentemente de autorização judicial, ou seja, trata-se de
autorização de autotutela.

Obs.: As perdas e danos compreendem aquilo que efetivamente se perdeu (dano emergente) e
aquilo que razoavelmente se deixo de ganhar (lucros cessantes).

Terminam-se as modalidades de obrigação quanto ao objeto. O próximo critério de


classificação levará em conta não só o objeto, mas todos os elementos constitutivos.

OBRIGAÇÕES QUANTO AOS ELEMENTOS CONSTITUTIVOS

Neste critério devemos analisar os elementos constitutivos que aparecem no singular ou no


plural. Isso limita a observação a dois elementos apenas:
a) O objetivo
b) O subjetivo
Ora, o vínculo jurídico sempre aparecerá no singular, independentemente do número de
sujeitos ou objetos, já que liga o polo ativo ao polo passivo.

1. Obrigações Simples

É aquela em que existe um credor, um devedor e um objeto, ou seja, todos os elementos


constitutivos estão no singular.
Obs.: As obrigações simples nunca poderão ser solidárias, devido à presença de apenas um sujeito
em cada polo.
2. Obrigações Compostas

2.1. Pela Multiplicidade de Objetos

2.1.1. Obrigações Alternativas

Dentre as obrigações com pluralidade objetiva temos aquelas em que os objetos plurais se
relacionam alternativamente, ou seja, de forma disjuntiva. Ex.: obrigação de entregar um carro ou
uma moto.
Nas obrigações alternativas o direito de escolha é regulado pelo artigo 252 (caput) que
determina que este direito será, em regra, do devedor, ou seja, para que a escolha seja do credor é
necessária estipulação expressa.
A escolha deve respeitar, ainda, a identidade das prestações (princípio da identidade), de
modo que o credor não será obrigado a aceitar parte de uma prestação e parte de outra. Ex.: Na
obrigação de entregar 50 quilos de milho ou 50 quilos de soja, o credor não será obrigado a aceitar
25 quilos de cada (Parágrafo 1º).
Obs.: Concentração é o ato de escolha do objeto (a obrigação torna-se simples).
Se a obrigação for de prestações periódicas, a primeira escolha não vinculará as demais
(Parágrafo 2º).
Caso a escolha caiba a uma pluralidade de optantes, a decisão deverá ser unânime, ou seja,
não bastará o voto da maioria. Nesse caso, não havendo unanimidade na escolha, a decisão caberá
ao juiz (Parágrafo 3º).
É possível ainda que a escolha caiba a um terceiro, que é alguém que não figura nos pólos
obrigacionais. Neste caso, o terceiro poderá se esquivar da escolha, deixando a decisão ao acordo
entre as partes, ou ao juiz, quanto não houver acordo entre as partes (Parágrafo 4º).
Aula 9 – 14.03.2019

Atividades - Obrigações Alternativas

Márcio Luiz da Silva – RA 017705 (3º A)

1. Dano a uma das obrigações por culpa do devedor


a) Direito de escolha do devedor: a destruição voluntária de um objeto pelo devedor equivale à
própria escolha (concentração automática) - Artigo 253 CC.
b) Direito de escolha do credor: terá o direito de exigir prestação subsistente ou o valor da outra,
com perdas e danos (reclamar o valor, além de perdas e danos) - Artigo 255, primeira parte, CC.

2. Dano a uma das prestações sem culpa do devedor


a) Direito de escolha do devedor: arcar com o débito da próxima prestação (Artigo 253 CC,
concentração automática).
b) Direito de escolha do credor: exigir que o devedor arque com o débito da próxima prestação
(Artigo 253 CC, concentração automática).

3. Dano a todas as obrigações por culpa do devedor


a) Direito de escolha do devedor: Artigo 254 (Concentração automática). A obrigação se concentra
automaticamente no objeto que se impossibilita por último. Assim, é deste o valor que baliza a
indenização.
b) Direito de escolha do credor: o credor poderá reclamar o valor de qualquer das duas, mais
indenização por perdas e danos (Artigo 255, segunda parte, CC).

4. Dano a todas as prestações sem culpa do devedor


a) Direito de escolha do devedor: não há, pois a obrigação se extingue (Artigo 256 CC).
b) Direito de escolha do credor: não há, pois a obrigação se extingue (Artigo 256 CC).

2.1.2. Obrigações Facultativas

Esta modalidade de complexidade objetiva é caracterizada pela grande semelhança com as


obrigações alternativas.
Nas obrigações facultativas o devedor tem acesso à faculdade de substituição do objeto por
outro contratualmente determinado. No entanto, esta faculdade nunca será acessível ao credor, de
modo que os objetos plurais se relacionam como um principal e um substituto (que só pode ser
eleito pelo devedor). Caso haja o perecimento do objeto principal, a obrigação não se concentra
automaticamente no objeto substituto. A análise desta modalidade é exclusivamente doutrinária.

2.1.3. Obrigações Cumulativas

Aula 10 – 18.03.2019

Trata-se da obrigação caracterizada pela pluralidade de objetos em que estes se relacionam


de forma conjuntiva, ou seja, se ligam pelo conectivo “e”. Essa obrigação também é chamada de
conjuntiva já que os objetos formam um conjunto. Ex.: obrigação de entregar um caro e uma moto.
Assim, o cumprimento da obrigação cumulativa se dá da mesma maneira do cumprimento da
obrigação simples, ou seja, com um único ato de entrega.

Obs.: A obrigação cumulativa não tem regras específicas no código.

2.2.Pela Multiplicidade de Sujeitos

2.2.1. Obrigações Divisíveis

Esta é a primeira modalidade caracterizada pela complexidade subjetiva. Embora a


divisibilidade seja uma característica do objeto, só tem relevância num contexto de complexidade
subjetiva.
Qual é o efeito da divisibilidade do objeto? A possibilidade de dividir a obrigação em várias
outras, de acordo com o número de sujeitos. Percebe-se assim que a divisibilidade só tem relevância
diante da pluralidade de sujeitos.
Ex.: dois sujeitos têm a obrigação de entregar 100 km de milho para um credor. Cada
devedor pode entregar 50 kg cada.
De acordo com o artigo 257 percebemos que essa divisão da obrigação é presumida, ou seja,
ocorre automaticamente. A expressão “iguais e distintas” não contém contradições já que se refere a
uma divisão que se opera em razão de igualdade, onde cada devedor ou credor (distinto) tem sua
obrigação. Isto cria obrigações independentes, ou seja, iguais e distintas.
“Art. 257. Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível, esta
presume-se dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, quantos os credores ou devedores”.

2.2.2. Obrigações Indivisíveis

São aqueles que têm complexidade subjetiva e cujo objeto não admite divisão. A
indivisibilidade pode decorrer de três fatores:
a) Natural: é aquela em que o objeto não admite divisão sem prejuízo da sua essência, utilidade ou
valor. Ex.: um cavalo (bem semovente), relógio, celular;
b) Convencional: é aquela que decorre do acordo entre as partes. Ex.: indivisibilidade determinada
em contrato de doação;
c) Legal: é aquela que decorre da lei. Ex.: lei de parcelamento do solo urbano.

“Art. 258. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não
suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou dada a razão
determinante do negócio jurídico”.
“Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será
obrigado pela dívida toda”.
“Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do credor em relação aos
outros coobrigados”.
Traz uma regra de funcionamento para a obrigação indivisível: cada devedor será obrigado
pela dívida toda. Mas aquele que paga se sub-roga nos direitos do credor para receber sua parte
daquele que não pagou. Sub-rogação: se refere ao ato de assumir uma posição jurídica (o devedor
assume a posição de credor). Assim, o devedor que paga, assume a posição jurídica de credor em
relação àquele que não pagou.

“Art. 260. Se a pluralidade for dos credores, poderá cada um destes exigir a dívida inteira; mas o
devedor ou devedores se desobrigarão, pagando:
I - a todos conjuntamente;
II - a um, dando este caução de ratificação dos outros credores”.
O artigo 260, por sua vez, se refere à pluralidade de credores, dando a possibilidade de que
cada um deles exija a dívida toda. No entanto, o devedor deve observar os seguintes cuidados:
entregar a coisa a todos os credores no mesmo ato (artigo 260, I); ou entregar a coisa a um dos
credores obtendo dele a chamada caução de ratificação, que consiste numa garantia de confirmação
de que aquele pagamento se converterá, também, em proveito do outro credor. Caucionar: é
garantir.

“Art. 261. Se um só dos credores receber a prestação por inteiro, a cada um dos outros assistirá o
direito de exigir dele em dinheiro a parte que lhe caiba no total”.
Entre os credores a questão se resolve pelo artigo 261, determinando que aquele que recebe
a coisa pague a parte dos outros em dinheiro.

“Art. 262. Se um dos credores remitir a dívida, a obrigação não ficará extinta para com os outros;
mas estes só a poderão exigir, descontada a quota do credor remitente”.
O artigo 262 se refere ao perdão da dívida por parte de um dos credores. Nesse caso, o
credor só pode perdoar a sua parte e, por isso, a obrigação não se extingue. Todavia, o credor que
não perdoou só receberá o objeto depois de repassar ao devedor, em dinheiro, o valor equivalente ao
perdão obtido. Princípio da identidade do objeto. Ex.: obrigação de repassar um relógio (R$
3.000,00) para dois credores. Caso o primeiro perdoe, o segundo só receberá a coisa se repassar o
valor equivalente ao valor perdoado.
Remissão: significa perdão.

“Parágrafo único. O mesmo critério se observará no caso de transação, novação, compensação ou


confusão”.

“Art. 263. Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos”.
“§ 1º. Se, para efeito do disposto neste artigo, houver culpa de todos os devedores, responderão
todos por partes iguais”.
“§ 2º Se for de um só a culpa, ficarão exonerados os outros, respondendo só esse pelas perdas e
danos”.
O artigo 263 parte da hipótese em que ocorre dano culposo ao objeto indivisível. Assim, a
própria obrigação perde a qualidade de indivisível (dinheiro é bem essencialmente divisível).
Considerando que a indenização é paga em dinheiro, que é essencialmente divisível, temos que a
obrigação deixará de ser indivisível.
Os parágrafos do artigo 263 ajustam a distribuição da indenização de acordo com a culpa do
devedor ou devedores.

Ob.: Condomínio: domínio em conjunto (o título de domínio é de vários proprietários).


Aula 11 – 19.03.2019

2.2.3. Obrigações Solidárias

Solidariedade é um principio de direito canônico que atribui co-responsabilidades. A


solidariedade se aplica no direito civil, sobretudo no direito das obrigações e no direito de família.
Na família, os pais são responsáveis pelos filhos e vice-versa (tanto os filhos quanto os pais
podem receber/dar pensão alimentar).

Art. 264. Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de
um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda.
Quando a solidariedade ocorre entre os devedores (polo passivo), ocorre a solidariedade
passiva. Quando ocorre entre os credores (polo ativo), temos a solidariedade ativa (todos os
credores têm direito à divida toda). Há ainda a solidariedade mista, onde devedores e credores têm
direitos e obrigações totais.
Percebe-se, assim, que existem tipos de obrigação solidária: a obrigação solidária ativa é
tratada nos artigos 267 a 274; já as obrigações solidárias passivas nos artigos 275 a 285; as
obrigações solidárias mistas se valem das regras das anteriores.

Art. 265. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes.
A regra do artigo 265 funciona como uma premissa do funcionamento das obrigações
solidárias: A solidariedade não se presume! Assim, é necessário que a informação da
solidariedade esteja expressa na fonte da obrigação. A solidariedade não se presume porque muda
completamente o funcionamento da obrigação, como se verá adiante.
Na obrigação solidária não há caução de ratificação.
Obs.: na fiança a obrigação é subsidiária e no aval a obrigação é solidária.

Art. 266. A obrigação solidária pode ser pura e simples para um dos co-credores ou co-devedores, e
condicional, ou a prazo, ou pagável em lugar diferente, para o outro.
O artigo 266 constitui elementos acidentais.
Aula 12 – 25.03.2019

Seção II

Da Solidariedade Ativa

É aquela em que os credores estão ligados por um vínculo de solidariedade. Exemplo de


solidariedade ativa: conta conjunta.

Art. 267. “Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da
prestação por inteiro”.
A solidariedade ativa ocorre quanto entre os credores existe o vínculo específico de
solidariedade, permitindo que cada um dos credores exija a prestação por inteiro (artigo 276). Esse
fato não depende da indivisibilidade do objeto, já que decorre do vínculo da solidariedade.

Art. 268. “Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum, a qualquer
daqueles poderá este pagar”.
Para o devedor existe a possibilidade de pagar a qualquer um dos credores solidários. No
entanto, se um dos credores move ação de cobrança contra o devedor, este só poderá pagar àquele
que o demandou (artigo 268).

Art. 269. “O pagamento feito a um dos credores solidários extingue a dívida até o montante do que
foi pago”.
Este artigo (269) demonstra que o pagamento feito a um dos credores solidários dispensa
caução de ratificação. Assim, se o pagamento for parcial a dívida ficará extinta até o montante do
foi pago; se o pagamento for total, a dívida ficará totalmente extinta.
Obs.: prescindível = dispensável.

Art. 270. “Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros, cada um destes só terá direito
a exigir e receber a quota do crédito que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a
obrigação for indivisível”.
O artigo 270 trata da hipótese de falecimento de um dos credores solidários. Nesse caso,
seguindo o raciocínio de que a solidariedade não se presume, temos que os herdeiros do credor
solidário falecido só poderão exigir e receber a parte do crédito que corresponda à sua parte na
herança. Conclui-se assim, que a solidariedade não é transmitida pela herança.

Art. 271. “Convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste, para todos os efeitos, a
solidariedade”. Esse artigo possui uma relação direta com o artigo 263 (“Art. 263. Perde a
qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos”).
O artigo 271 determina que a solidariedade persiste mesmo que a obrigação se converta em
perdas e danos. Comparando este artigo com o 263 percebemos a diferença entre a indivisibilidade
e a solidariedade: esta última não decorre do objeto, mas da lei ou da vontade das partes.

Art. 272. “O credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento responderá aos outros pela
parte que lhes caiba”.
O artigo 272, por sua vez, disciplina dois temas: o perdão concedido por um dos credores e o
pagamento recebido por um dos credores. Ambas as situações são tratadas no mesmo artigo porque
geram o mesmo efeito: exoneração do devedor, e a obrigação de reequilibrar economicamente a
relação entre os credores (por parte do credor que perdoou ou recebeu).

Art. 273. “A um dos credores solidários não pode o devedor opor as exceções pessoais oponíveis
aos outros”.
A obrigação consiste numa relação jurídica sobre a qual pode haver a alegação de matérias
de defesa. Essas matérias podem gerar exceções, ou seja, defesas referentes à relação jurídica como
um todo (exceções gerais) ou referentes a um dos sujeitos (exceções pessoais). Segundo o artigo
273 as exceções pessoais só podem ser alegadas perante o sujeito a quem se refiram. Ex.: em ação
movida por um dos credores solidários, não pode o devedor se defender alegando vício de
representação de outro credor.
Ob.: Exceção em direito processual é sinônimo de defesa processual.

Art. 274. “O julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os demais, mas o
julgamento favorável aproveita-lhes, sem prejuízo de exceção pessoal que o devedor tenha direito
de invocar em relação a qualquer deles”. (Redação dada pela Lei nº 13.105, de 2015) (Vigência).
Seção III

Da Solidariedade Passiva

É aquela em que os devedores estão ligados por um vínculo de solidariedade, de modo que
cada um poderá ser demandado parcial ou totalmente pela dívida comum (artigo 275).

Art. 275. “O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou
totalmente, a dívida comum; se o pagamento tiver sido parcial, todos os demais devedores
continuam obrigados solidariamente pelo resto”.
Parágrafo único. “Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor
contra um ou alguns dos devedores”.
Segundo o parágrafo único do artigo 275 não ocorre renúncia da solidariedade se o credor
demandar contra um devedor específico.

Art. 276. “Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros, nenhum destes será obrigado
a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for
indivisível; mas todos reunidos serão considerados como um devedor solidário em relação aos
demais devedores”.
O artigo 276 trata do falecimento de um dos devedores solidários deixando herdeiros.
Segundo esse artigo, os herdeiros não se tornarão devedores solidários (solidariedade não se
presume), devendo pagar apenas a parte equivalente à sua herança. Contudo, se o objeto for
indivisível (como uma vaca) ou se demandados conjuntamente, podem ter que pagar a dívida toda.

Art. 277. “O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão por ele obtida não
aproveitam aos outros devedores, senão até à concorrência da quantia paga ou relevada”.
Segundo este artigo, tanto o perdão obtido por um dos devedores solidários como o
pagamento parcial feito por ele geram o mesmo efeito: o aproveitamento para os demais da quantia
paga ou perdoada.

Art. 278. “Qualquer cláusula, condição ou obrigação adicional, estipulada entre um dos devedores
solidários e o credor, não poderá agravar a posição dos outros sem consentimento destes”.
Este artigo (artigo 278) determina que renegociações feitas isoladamente por um dos
devedores e o credor não podem agravar as condições da obrigação para o outro devedor. Ex.:
diminuição de prazo, exigência de garantia, etc.

Art. 279. “Impossibilitando-se a prestação por culpa de um dos devedores solidários, subsiste para
todos o encargo de pagar o equivalente; mas pelas perdas e danos só responde o culpado”.
O artigo 279, por sua vez, descreve o funcionamento da hipótese de perda culposa da coisa,
considerando que a culpa é exclusiva de um dos devedores. Nesse caso, todos respondem pelo
equivalente, mas só o culpado, pelas perdas e danos. Contudo, nada impede que o credor exija a
indenização por inteiro de um dos devedores, mesmo aquele que não tem culpa. Mas, logicamente,
a relação será reequilibrada, por meio de ação de regresso, na forma descrita anteriormente.

Art. 280. “Todos os devedores respondem pelos juros da mora, ainda que a ação tenha sido
proposta somente contra um; mas o culpado responde aos outros pela obrigação acrescida”.
O artigo 280 faz referência aos juros de mora. A mora consiste no inadimplemento relativo
que se configura, normalmente, pelo atraso no pagamento (juros moratórios).
A regra do artigo é a seguinte: todos os devedores respondem pelos juros de mora, mas, no
regresso, aquele devedor culpado responderá aos outros pelo acréscimo na obrigação.
Obs.: Mora: algo que está atrasado no tempo (inadimplemento relativo).

Art. 281. “O devedor demandado pode opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as
comuns a todos; não lhe aproveitando as exceções pessoais a outro co-devedor”.
O artigo 281 se refere às exceções pessoais e gerais, de modo que o devedor demandado
poderá se utilizar apenas das exceções gerais (exceções são defesas processuais) e das pessoais que
lhe disserem respeito, mas nunca as exceções pessoais de outro devedor.

Art. 282. “O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um, de alguns ou de todos os
devedores”.
Parágrafo único. “Se o credor exonerar da solidariedade um ou mais devedores, subsistirá a dos
demais”.
O artigo 282 se refere à renúncia da solidariedade, que não se confunde com o perdão da
dívida. Por meio da renúncia da solidariedade, o credor abre mão da possibilidade de exigir a
integralidade do objeto daquele devedor. Assim, o devedor beneficiado só poderá ser cobrado da
sua parte na dívida e a solidariedade permanece para os demais. Dessa forma, o credor renuncia à
solidariedade em favor de D1 (devedor 1), de modo que só poderá exigir de D1 a sua parte na
dívida (a solidariedade subsiste para os outros). Obs.: o perdão da dívida e a quebra de solidariedade
constitui ato discricionário do credor.

Aula 13 – 28.03.2019

Avaliação
6 questões fechadas (6 pontos)
4 questões V ou F – Justificar as falsas (2 pontos)
2 questões dissertativas (2 pontos)

Aula 14 – 01.04.2019

Art. 283. “O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito a exigir de cada um dos co-
devedores a sua quota, dividindo-se igualmente por todos a do insolvente, se o houver, presumindo-
se iguais, no débito, as partes de todos os co-devedores”.
O artigo 283 traz três informações:
a) aquele devedor que paga sozinho poderá exigir dos outros as suas respectivas partes (ação de
regresso);
b) a parte do devedor insolvente (“falido”) é divido entre todos;
c) presume-se a divisão por igual.

Art. 284. “No caso de rateio entre os co-devedores, contribuirão também os exonerados da
solidariedade pelo credor, pela parte que na obrigação incumbia ao insolvente”.
O artigo 284 estabelece que a parte do insolvente é dividida entre todos os devedores
solidários, mesmo os exonerados da solidariedade. Ora, o credor não pode abrir mão do que a
solidariedade representa entre os devedores: a possibilidade de ter a sua parte paga em caso de
insolvência.

Art. 285. “Se a dívida solidária interessar exclusivamente a um dos devedores, responderá este por
toda ela para com aquele que pagar”.
Por fim, o artigo 285 cuida hipótese em que há um devedor solidário que não deu causa ao
débito, mas figura como garantidor. Nesse caso, se o garantidor paga integralmente, poderá exigir
do outro a totalidade da prestação. Ex.: fiador que renuncia ao benefício de ordem (se torna aval).
Aula 15 – 15.04.2019

OUTRAS MODALIDADES DE OBRIGAÇÃO

Obrigações Principais e Acessórias


As obrigações principais são aquelas que têm existência própria, enquanto as acessórias se
vinculam à principal. Ex.: obrigação de pagar juros, obrigação de pagar multa, etc.

Obrigações Civis e Naturais


Civis são as obrigações que têm relevância jurídica, o que se afere pela sua exigibilidade por
meio da tutela estatal.
Já as obrigações naturais se caracterizam pela perda da exigibilidade. Por exemplo, a dívida
prescrita. O débito sem responsabilidade (do vínculo jurídico) caracteriza a obrigação natural.

Obrigações Líquidas e Ilíquidas


São líquidas as obrigações cujo quantum já se conhece. Já nas ilíquidas, faz-se necessário
um procedimento de liquidação para a definição do quantum, ou seja, do valor da dívida.

Obrigações de Meio, Resultado e de Garantia


Neste grupo, a classificação tem por critério o momento em que a obrigação se considera
cumprida e o devedor, exonerado (se libera do vínculo).
Nas obrigações de meio, o devedor se exonera demonstrando que buscou, da melhor
maneira possível, atingir um resultado. Percebe-se, assim, que o comprometimento do devedor se
dá com relação à tentativa. Ex.: O trabalho do advogado é uma obrigação de meio.
Já nas obrigações de resultado (que visa uma finalidade), o devedor se exonera
demonstrando a obtenção do resultado. Ex.: obrigação do cirurgião plástico.
Já nas hipóteses em que a prestação consiste numa garantia, o cumprimento não se dá na
tentativa ou consecução de um resultado. Na verdade, o cumprimento se dá de forma permanente.
Ex.: obrigação do fiador.

Obrigações Puras e Simples, Condicionais, Modais e a Termo


São baseadas nos elementos acidentais (ou fatores de eficácia do negócio jurídico). Assim,
neste grupo, o critério de classificação é a presença de elementos acidentais no negócio jurídico ou
fatores de eficácia.
Obrigações puras e simples são aquelas que não têm fatores de eficácia, ou seja, têm
produção de efeitos imediato. Nas condicionais (o critério é a condição), nas modais (encargo) e a
termo (o termo).
Condição e termo são eventos futuros que vinculam a produção de efeitos do negócio
jurídico. No entanto, a condição é evento futuro e incerto e o termo é evento futuro e certo. Ambos
podem ser suspensivos ou resolutivos, ou seja, marca o início ou o fim da produção de efeitos,
respectivamente.
Por fim, o encargo (moda) vincula a produção de efeitos ao cumprimento de uma obrigação
adicional.

Obrigações de Execução Imediata, Diferida e Continuada


As obrigações de execução imediata surgem e são cumpridas imediatamente. Ex.: simples
compra e venda de um pão de queijo na cantina.
As obrigações de execução diferida surgem para cumprimento posterior. Ex.: contratação de
um buffet para realização de um evento daqui a seis meses.
Por fim, nas obrigações de execução continuada o cumprimento requer atos contínuos. Ex.:
fornecimento de energia elétrica.

Aula 16 – 22.04.2019

TÍTULO II
Da Transmissão das Obrigações
A possibilidade de transmissão das obrigações tem grande importância econômica na
medida em que viabiliza a utilidade econômica da obrigação.
Há dois institutos de transmissão da obrigação: a cessão de crédito e a assunção de dívida.
Considerando que a relação jurídica obrigacional tem o sujeito ativo (credor) e passivo (devedor),
há institutos de transmissão que podem ser protagonizados tanto pelo credor (cessão de crédito)
quanto pelo devedor (assunção de dívida).

Capítulo I
Da Cessão de Crédito
Negócio jurídico por meio do qual um cedente (credor primitivo) transmite os seus direitos
na relação obrigacional a um terceiro, chamado cessionário (novo credor). No contexto da cessão, o
devedor é chamado de cedido.
Esse negócio jurídico pode ser gratuito ou oneroso. Ex.: a troca de um cheque.

Regras da Cessão de Crédito

Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei,
ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário
de boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação.
Pela regra do artigo 286, temos que existe a possibilidade de transmissão do crédito desde
que não haja oposição decorrente da natureza do negócio, da lei ou do acordo entre as partes
(convenção). Especificamente sob a impossibilidade convencional de cessão, deve haver cláusula
expressa. Na falta dessa cláusula, a cessão não trará prejuízo ao cessionário de boa-fé.
Obs.: O “ário” (como o cessionário) é sempre quem tem a posse.

Art. 287. Salvo disposição em contrário, na cessão de um crédito abrangem-se todos os seus
acessórios.
Pelo artigo 287 percebemos a aplicação da gravitação jurídica à cessão de crédito.

Art. 288. É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrar-se


mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1o do art.
654.
O artigo 288 trata dos requisitos formais da cessão de crédito: a forma exigida é a pública,
ou seja, por instrumento lavrado em cartório de notas; ou forma particular, desde que sejam
observados todos os requisitos formais do mandato (artigo 654, parágrafo 1º).
É importante destacar que a não observância da forma prescrita gera a ineficácia (não produz
efeitos) da cessão. No entanto, essa ineficácia se dá apenas em relação a terceiros, e não entre as
partes envolvidas.
Obs.: A procuração é o instrumento do contrato de mandato.

Art. 289. O cessionário de crédito hipotecário tem o direito de fazer averbar a cessão no registro do
imóvel.
O artigo 289 menciona o crédito hipotecário, ou seja, aquele que é garantido por um bem
imóvel. Hipoteca é a garantia real que vincula um bem imóvel, enquanto penhor é garantia real que
vincula bem móvel.
Assim como todas as transações imobiliárias devem ser registradas na matrícula do imóvel,
também a constituição de hipoteca deve ser objeto de registro.
A informação trazida pelo artigo 289 é a possibilidade de averbação da cessão pelo
cessionário de crédito hipotecário, ou seja, o novo credor pode fazer constar na matrícula do imóvel
a informação de que ocorreu a cessão.

Aula 17 – 25.04.2019

Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este
notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou
ciente da cessão feita.
Segundo o artigo 290, a cessão deve ser notificada ao devedor cedido para que produza
efeitos em relação a ele. Destaca-se, assim, que o devedor cedido não figura na cessão na condição
interveniente, ou seja, ele não precisa concordar com a cessão para que ela ocorra de forma válida.
O ato de notificação não interfere na validade da cessão, mas apenas na eficácia, ou seja, na
produção de efeitos: o devedor cedido precisa saber para quem deve pagar.
A notificação deve-se dar por escrito.
Art. 291. Ocorrendo várias cessões do mesmo crédito, prevalece a que se completar com a tradição
do título do crédito cedido.
Segundo o artigo 291 há a possibilidade de várias cessões sucessivas do mesmo crédito, de
modo que prevalece aquela que se completa com a entrega do título. Essa afirmação reforça o
princípio cambial da cartularidade.
Obs.: Cambial = refere ao titulo de crédito.

Art. 292. Fica desobrigado o devedor que, antes de ter conhecimento da cessão, paga ao credor
primitivo, ou que, no caso de mais de uma cessão notificada, paga ao cessionário que lhe apresenta,
com o título de cessão, o da obrigação cedida; quando o crédito constar de escritura pública,
prevalecerá a prioridade da notificação.
O artigo 292 tem estreita relação com os dois artigos anteriores. Ao afirmar que o devedor se
desobriga com o pagamento feito ao cedente (devedor primitivo), o artigo 292 reforça o artigo 290,
demonstrando que a notificação interfere apenas na produção de efeitos da cessão. Além disso, o
artigo 292 desobriga o devedor que paga àquele que lhe apresenta o título, reforçando o princípio da
cartularidade.
Art. 293. Independentemente do conhecimento da cessão pelo devedor, pode o cessionário exercer
os atos conservatórios do direito cedido.
Pelo artigo 293 percebemos que a cessão opera os seus efeitos em relação ao cedente e
cessionário independentemente da notificação do cedido. Ou seja, a notificação serve apenas para
que haja efeitos em relação ao cedido.

Art. 294. O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem, bem como as que,
no momento em que veio a ter conhecimento da cessão, tinha contra o cedente.
O artigo 294 traz uma hipótese em que uma exceção pessoal pode ser alegada perante outra
pessoa. Esse caso se refere à alegação de exceção oponível ao cedente perante o cessionário, desde
que isso se faça no momento da notificação da cessão.

Art. 295. Na cessão por título oneroso, o cedente, ainda que não se responsabilize, fica responsável
ao cessionário pela existência do crédito ao tempo em que lhe cedeu; a mesma responsabilidade lhe
cabe nas cessões por título gratuito, se tiver procedido de má-fé.

Art. 296. Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela solvência do devedor.

Responsabilidade do Cedente

No contexto da cessão, o cedente pode assumir responsabilidades que trazem a possibilidade


de que a cessão se configure de duas formas distintas:
a) Pro soluto: nesta modalidade, prevista no artigo 295, o cedente se responsabiliza apenas pela
existência do crédito. Essa responsabilidade é presumida.
b) Pro solvendo: nessa modalidade, o cedente responde não apenas pela existência do crédito, mas,
também pela solvência do devedor. Pelo artigo 296 percebe-se que essa modalidade requer
estipulação expressa. Essa responsabilidade pela solvência se da na forma do artigo 297, ou seja, no
limite do valor recebido pelo cedente, somadas, ainda, as despesas da cessão e da cobrança, além
dos juros.

Art. 297. O cedente, responsável ao cessionário pela solvência do devedor, não responde por mais
do que daquele recebeu, com os respectivos juros; mas tem de ressarcir-lhe as despesas da cessão e
as que o cessionário houver feito com a cobrança.
Art. 298. O crédito, uma vez penhorado, não pode mais ser transferido pelo credor que tiver
conhecimento da penhora; mas o devedor que o pagar, não tendo notificação dela, fica exonerado,
subsistindo somente contra o credor os direitos de terceiro.

Capítulo II
Da Assunção de Dívida

Também pode ser chamada de cessão de débito e consiste no negócio jurídico gratuito ou
oneroso por meio do qual o devedor primitivo transfere o seu débito a um terceiro chamado
assuntor, com a anuência do credor.

Aula 18 – 29.04.2019

Regras da Assunção

Art. 299. É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor (1), com o consentimento expresso
do credor(2), ficando exonerado o devedor primitivo (3), salvo se aquele, ao tempo da assunção, era
insolvente e o credor o ignorava(4).
A primeira informação (1) trazida pelo artigo 299 é a possibilidade de cessão do débito (ou
assunção de dívida). Há, ainda, a exigência do consentimento expresso do credor (2). Os efeitos da
assunção de dívida(3) são os mesmos do pagamento válido. Estes efeitos se resumem naquilo que o
artigo 299 traz como a exoneração do devedor primitivo. Esse efeito só se afasta na hipótese em que
o terceiro assuntor era insolvente (pessoa natural que não tem patrimônio o bastante para pagar suas
dívidas) e o credor ignorava esse fato (4).

Parágrafo único. Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção
da dívida, interpretando-se o seu silêncio como recusa.
O parágrafo único do artigo 299 traz a possibilidade de que as partes da cessão de débito
(assunção de dívida), ou seja, o devedor primitivo e terceiro assuntor, notifiquem o credor dando a
ele um prazo para se manifestar sobre o negócio de assunção. Nesse caso, o silêncio será
interpretado como recusa. Ora, se o caput exige o consentimento expresso, o silêncio do credor só
pode ser interpretação como recusa.
Atenção: o artigo 303 do CC hipótese excepcional em que o silêncio do credor importará
em aceitação da assunção. O que marca essa exceção é o fato de ser o assuntor o adquirente de um
imóvel hipotecado. Nesse caso, é a impugnação da transferência do débito que tem que ser
expressa.

Art. 300. Salvo assentimento expresso do devedor primitivo, consideram-se extintas, a partir da
assunção da dívida, as garantias especiais por ele originariamente dadas ao credor.
Pelo artigo 300 temos que as garantias pessoais (fidejussórias) dadas pelo devedor primitivo
são extintas como efeito da exoneração deste. No entanto, se houver ressalta expressa, essas
garantias podem ser mantidas.

Art. 301. Se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito, com todas as suas
garantias, salvo as garantias prestadas por terceiros, exceto se este conhecia o vício que inquinava a
obrigação.
O artigo 301 determina que a anulação da assunção gera o restabelecimento da obrigação do
devedor primitivo. Considerando a ideia da gravitação jurídica, restabelecem-se também as
garantias. No entanto, se essas garantias foram dadas por terceiros, só se restabelecerão em caso de
má-fé destes (conhecimento do vício que atingia a assunção).
Obs.: Inquinava: atingia

Art. 302. O novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que competiam ao devedor
primitivo.
As matérias de defesa (exceções) devem ser relacionadas ao devedor primitivo.

Art. 303. O adquirente de imóvel hipotecado pode tomar a seu cargo o pagamento do crédito
garantido; se o credor, notificado, não impugnar em trinta dias a transferência do débito, entender-
se-á dado o assentimento.
Obs.: Assentimento é igual à concordância.

Teoria do Pagamento

Pagamento ou adimplemento consiste no cumprimento normal da obrigação, ou seja, o


cumprimento como o previsto no tempo, lugar e modo acertados. O termo pagamento pode ser
usado para designar o efetivo cumprimento de qualquer modalidade de obrigação.
Aula 19 – 02.05.2019

Quem deve Pagar:


O nome técnico atribuído àquele que deve pagar é Solvens. O solvens natural da obrigação é
o devedor, ou seja, aquele que já figura no polo passivo e assumiu o ônus do cumprimento da
obrigação. É possível, no entanto, que o cumprimento se dê por terceiro (interessado ou não
interessado).
O pagamento não é apenas um dever, mas também um direito, que pode ser exercido
mediante consignação. É necessário, então, analisar a possibilidade de exercício desse direito por
cada um dos sujeitos que podem pagar.
Há o terceiro não interessado que paga em nome e à conta do devedor e o que paga em seu
próprio nome.
O terceiro interessado é aquele que possui o interesse juridicamente qualificado no
cumprimento da obrigação. Esse interesse se traduz na possibilidade de que o seu patrimônio venha
a ser atingido caso não haja o cumprimento da obrigação. Ex.: fiador ou avalista. Dada a natureza
do interesse envolvido, esse sujeito é legitimado para consignar o pagamento. O pagamento feito
pelo terceiro interessado gera sub rogação.
Já o terceiro não interessado (pais, amigos, cônjuges) é aquele que não tem um interesse
juridicamente qualificado no cumprimento da obrigação, mas algum outro tipo de interesse, de
ordem não patrimonial: interesse familiar, interesse afetivo. Não gera sub rogação, mas
simplesmente o direito ao pagamento.
O pagamento feito pelo terceiro não interessado pode se dar de duas formas:
a) Em nome e à conta do devedor: nesta hipótese há uma intenção de liberalidade (doação). Assim,
não se fala em sub rogação, já que o terceiro não deseja obter o valor de volta. Admite-se a
possibilidade de consignação se não houver oposição do devedor (Artigo 306 CC).
b) Em seu próprio nome: nesta hipótese não há caráter de liberalidade, já que o terceiro, pelo artigo
305 CC, tem direito ao reembolso.
Atenção: não se confunde o reembolso com a sub rogação. Este terceiro não tem direito de
consignação.

TÍTULO III
Do Adimplemento e Extinção das Obrigações
CAPÍTULO I
Do Pagamento
Seção I
De Quem Deve Pagar
Art. 304. Qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la, usando, se o credor se opuser,
dos meios conducentes à exoneração do devedor.
Parágrafo único. Igual direito cabe ao terceiro não interessado, se o fizer em nome e à conta do
devedor, salvo oposição deste.
Art. 305. O terceiro não interessado, que paga a dívida em seu próprio nome, tem direito a
reembolsar-se do que pagar; mas não se sub-roga nos direitos do credor.
Parágrafo único. Se pagar antes de vencida a dívida, só terá direito ao reembolso no vencimento.
Art. 306. O pagamento feito por terceiro, com desconhecimento ou oposição do devedor, não
obriga a reembolsar aquele que pagou, se o devedor tinha meios para ilidir a ação.
Art. 307. Só terá eficácia o pagamento que importar transmissão da propriedade, quando feito por
quem possa alienar o objeto em que ele consistiu.
Parágrafo único. Se se der em pagamento coisa fungível, não se poderá mais reclamar do credor
que, de boa-fé, a recebeu e consumiu, ainda que o solvente não tivesse o direito de aliená-la.

Aula 20 – 06.05.2019

Seção II
Daqueles a Quem se Deve Pagar

O nome técnico dado àquele a quem se deve pagar é Accipiens. Pelo artigo 308 notamos que
o pagamento deve ser feito ao credor ou a quem o represente. Essa representação pode decorrer da
lei ou de manifestação de vontade. Ex.: pais em relação aos filhos menores; outorgado num
contexto de um contrato de mandato (por procuração).

Art. 308. O pagamento deve ser feito ao credor ou a quem de direito o represente, sob pena de só
valer depois de por ele ratificado, ou tanto quanto reverter em seu proveito.
Caso o pagamento seja feito a alguém que não representa o credor, torna-se necessária a
ratificação por parte deste sob pena de se tornar necessária uma prova de que o pagamento foi
efetivamente revertido em proveito do credor. Ex.: pagamento feito a um cônjuge (o cônjuge não
representa, legalmente, o outro cônjuge).
Art. 309. O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é válido, ainda provado depois que não
era credor.
O artigo 309 menciona a figura do credor putativo (verbo putare: acreditar, sonhar), que é
aquele que parece ser de fato o credor, mas não é efetivamente. Quando o pagamento é feito de boa-
fé a esta pessoa, será considerado válido.

Art. 310. Não vale o pagamento cientemente feito ao credor incapaz de quitar, se o devedor não
provar que em benefício dele efetivamente reverteu.
Obs. 1: Quitação: é a prova do pagamento.
Obs. 2: Consignação: é um meio de forçar o pagamento.
Segundo o artigo 310, não terá validade o pagamento feito ao credor incapaz quando o
devedor já estava ciente dessa condição. No entanto, poderá ser convalidado se houver prova de que
a ele efetivamente se reverteu.

Art. 311. Considera-se autorizado a receber o pagamento o portador da quitação, salvo se as


circunstâncias contrariarem a presunção daí resultante.
Pelo artigo 311 se depreende que há uma representação presumida quando alguém está
portando a quitação (recibo).
Obs.: É possível afastar essa presunção quando as circunstâncias a contrariarem. Ex.: quando
houver elementos para crer que a quitação foi furtada.

Art. 312. Se o devedor pagar ao credor, apesar de intimado da penhora feita sobre o crédito, ou da
impugnação a ele oposta por terceiros, o pagamento não valerá contra estes, que poderão
constranger o devedor a pagar de novo, ficando-lhe ressalvado o regresso contra o credor.
Penhora: ato processual em que um determinado crédito é vinculado para pagamento de uma dívida.
Impugnação: ato processual por meio do qual se contesta algo.

Seção III
Do Objeto do Pagamento e Sua Prova

A prova do pagamento é feita por meio da quitação, que é a declaração unilateral e escrita
emitida pelo credor de que o devedor cumpriu a prestação e se encontra exonerado. A essa
declaração, coloquialmente, damos o nome de recibo.
Quanto ao objeto do pagamento, deve coincidir com o objeto da prestação, respeitando a
identidade do objeto (princípio da identidade do objeto).

Art. 313. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais
valiosa.
Pelo princípio da identidade temos que o credor não é obrigado* a receber coisa diversa,
ainda que mais valiosa.

*
Se o credor aceitar o recebimento de coisa diversa ter-se-á a hipótese de dação em pagamento.

Art. 314. Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível, não pode o credor ser
obrigado a receber, nem o devedor a pagar, por partes, se assim não se ajustou.
Pelo artigo 314 temos, no mesmo sentido do princípio da identidade, que não haverá
pagamento parcial ou parcelado se assim não se estipulou.

Art. 315. As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento, em moeda corrente e pelo valor
nominal, salvo o disposto nos artigos subseqüentes.
O artigo 315 estabelece o princípio do nominalismo, o seja, a vinculação do ato de
pagamento ao valor nominal da obrigação.

Art. 316. É lícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas.


No entanto, o artigo 316 permite que se convencione o aumento progressivo de prestações
sucessivas.

Art. 317. Quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção manifesta entre o valor da
prestação devida e o do momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de
modo que assegure, quanto possível, o valor real da prestação.
O artigo 317, por sua vez, reflete a chamada teoria da imprevisão, determinando que a
revisão judicial do valor da prestação se torne possível quando houver uma desproporção manifesta
entre uma o valor do momento da estipulação e do momento do cumprimento.
Assim, o artigo 317 adota a teoria da imprevisão, que permite a revisão do valor do contrato
diante de uma situação imprevisível que gere uma manifesta desproporção entre o valor
determinado no surgimento e aquele que deva ser pago no seu cumprimento.
Art. 318. São nulas as convenções de pagamento em ouro ou em moeda estrangeira, bem como
para compensar a diferença entre o valor desta e o da moeda nacional, excetuados os casos previstos
na legislação especial.
O artigo 318 reforça a determinação do artigo 315 de que as dívidas em dinheiro serão pagas
em moeda corrente. Assim, são nulas as convenções de pagamento em ouro ou moeda estrangeira.
Excetuam-se casos como do contrato de câmbio, de importação ou exportação, dentre outros.

Art. 319. O devedor que paga tem direito a quitação regular, e pode reter o pagamento, enquanto
não lhe seja dada.
A quitação é um direito do devedor, que pode até mesmo se valer do direito de retenção.

Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a
espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do
pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante.
Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação, se de seus
termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida.
O artigo 320 traz os requisitos formais da quitação, mas não os estabelece como essenciais,
tendo em vista a dispensa do parágrafo único.

Art. 321. Nos débitos, cuja quitação consista na devolução do título, perdido este, poderá o devedor
exigir, retendo o pagamento, declaração do credor que inutilize o título desaparecido.
Segundo o artigo 321 é possível que o credor emita um documento que inutiliza o título que
deveria ser devolvido, mas foi perdido. Isso se aplica às hipóteses em que o pagamento deve-se dar
mediante a devolução do título.

Art. 322. Quando o pagamento for em quotas periódicas, a quitação da última estabelece, até prova
em contrário, a presunção de estarem solvidas as anteriores.
Art. 323. Sendo a quitação do capital sem reserva dos juros, estes presumem-se pagos.
Art. 324. A entrega do título ao devedor firma a presunção do pagamento.
Parágrafo único. Ficará sem efeito a quitação assim operada se o credor provar, em sessenta dias, a
falta do pagamento.
Presunções de pagamento (artigos 322 a 324): existem três situações em que, apesar de não
haver a quitação, presume-se realizado o pagamento.
a) Quando o devedor está na posse do título (a presunção deve-se à posse do devedor);
b) Quitação do capital sem reserva de juros (a presunção está no princípio da gravitação jurídica),
em que pelo princípio da gravitação jurídica, presumem-se pagos os juros;
c) Nas dívidas cujo pagamento se dá em cotas periódicas, a quitação da última faz-se presumir a
quitação das anteriores.
Obs.: Todas as presunções de pagamento são relativas, ou seja, admitem prova em contrário.

Art. 325. Presumem-se a cargo do devedor as despesas com o pagamento e a quitação; se ocorrer
aumento por fato do credor, suportará este a despesa acrescida.
Despesas do pagamento e da quitação presumem-se do devedor. Segundo o artigo 325, as
despesas com pagamento são, em regra, do devedor. É possível estipulação em sentido diverso.
Caso haja aumento nestas despesas, imputado ao credor, será dele a obrigação de arcar com o
acréscimo.

Art. 326. Se o pagamento se houver de fazer por medida, ou peso, entender-se-á, no silêncio das
partes, que aceitaram os do lugar da execução.
Pelo artigo 326 prevalece, em caso de silêncio das partes, os costumes locais quanto aos
pesos e medidas.

Seção IV
Do Lugar do Pagamento

As obrigações têm lugar de cumprimento livremente ajustável pelas partes. Na ausência


desta estipulação, devem ser cumpridas, pela regra geral, no domicílio do devedor. Considerando
essas possibilidades, têm-se duas modalidades de dívidas quanto ao lugar de pagamento:
a) quesíveis: pagas no domicílio do devedor (a regra geral é essa);
b) portáveis: pagas no domicílio do credor ou outro local.

Art. 327. Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor, salvo se as partes convencionarem


diversamente, ou se o contrário resultar da lei, da natureza da obrigação ou das circunstâncias.
Parágrafo único. Designados dois ou mais lugares, cabe ao credor escolher entre eles.
Caso haja a designação de dois ou mais lugares para pagamento, a escolha será do credor.

Art. 328. Se o pagamento consistir na tradição de um imóvel, ou em prestações relativas a imóvel,


far-se-á no lugar onde situado o bem.
Pelo artigo 328, os pagamentos que envolvem imóvel são realizados no local de situação do
bem.

Art. 329. Ocorrendo motivo grave para que se não efetue o pagamento no lugar determinado,
poderá o devedor fazê-lo em outro, sem prejuízo para o credor.
Art. 330. O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor
relativamente ao previsto no contrato.
O artigo 330, inspirado no princípio da boa-fé, determina que o pagamento reiteradamente
feito em local diverso faz presumir a renúncia do credor ao que se estipulou no contrato.

Seção V
Do Tempo do Pagamento

Considerando o tempo do pagamento, podem-se encontrar obrigações que devem ser pagas à
vista, ou seja, imediatamente quando exigidas; ou que devem ser pagas a prazo.

Art. 331. Salvo disposição legal em contrário, não tendo sido ajustada época para o pagamento,
pode o credor exigi-lo imediatamente.
Na ausência de estipulação de prazo, a dívida poderá ser exigida imediatamente. A
existência de um prazo pressupõe e expressa estipulação de uma data de vencimento. Esta
estipulação pode-se dar em favor do devedor ou em favor do credor.

Aula 21 – 13.05.2019

Quando o prazo é estipulado em favor do devedor, funciona como um benefício deste,


podendo u não ser utilizado. Assim, quando o prazo favorece do devedor, é possível a antecipação
do pagamento. Esta hipótese funciona como regra, não se exigindo estipulação expressa.
Já o prazo em favor do credor requer estipulação expressa e funciona como um benefício
deste, não permitindo antecipação do devedor. Ex.: prazo de entrega de uma carga de milho
estipulado para que não se antecipe à conclusão da construção de um silo.

Prazo:
a) Do devedor: em regra, o prazo é do devedor
b) Do credor: deve ser estipulado no contrato.
Art. 332. As obrigações condicionais cumprem-se na data do implemento da condição, cabendo ao
credor a prova de que deste teve ciência o devedor.
Art. 333. Ao credor assistirá o direito de cobrar a dívida antes de vencido o prazo estipulado no
contrato ou marcado neste Código:
I - no caso de falência do devedor, ou de concurso de credores;
II - se os bens, hipotecados (bens imóveis) ou empenhados (bens móveis), forem penhorados em
execução por outro credor;
III - se cessarem, ou se se tornarem insuficientes, as garantias do débito, fidejussórias (pessoais), ou
reais, e o devedor, intimado, se negar a reforçá-las.
Parágrafo único. Nos casos deste artigo, se houver, no débito, solidariedade passiva, não se
reputará vencido quanto aos outros devedores solventes.
O artigo 333 traz as hipóteses de vencimento antecipado da dívida. Todas as hipóteses se
relacionam com a diminuição das perspectivas de recebimento devido à falência (PJ) ou insolvência
(PF) do devedor, penhora do bem ou diminuição das garantias.

Formas Especiais de Pagamento da Obrigação

Neste tópico analisaremos institutos que geram o mesmo efeito do pagamento


(cumprimento), ou seja, exoneração do devedor, mas não se constituem como o cumprimento
normal da obrigação.

CAPÍTULO II
Do Pagamento em Consignação

Trata-se da forma especial de pagamento em que o devedor deposita judicial ou


extrajudicialmente o objeto da prestação. Trata-se de um instituto que se compreende tanto no
direito material quanto no direito processual (no código processual há a ação de consignação em
pagamento).

Art. 334. Considera-se pagamento, e extingue a obrigação, o depósito judicial ou em


estabelecimento bancário da coisa devida, nos casos e forma legais.
A consignação é autorizada nas hipóteses descritas no artigo 335. A compreensão das
hipóteses é imprescindível para que o pagamento realizado dessa forma seja válido. Serão
considerados, ainda, os caracteres do artigo 336.
Art. 335. A consignação tem lugar:
I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar quitação na
devida forma;
II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos;
III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em lugar
incerto ou de acesso perigoso ou difícil;
IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento;
V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento.
Art. 336. Para que a consignação tenha força de pagamento, será mister concorram, em relação às
pessoas, ao objeto, modo e tempo, todos os requisitos sem os quais não é válido o pagamento.
Art. 337. O depósito requerer-se-á no lugar do pagamento, cessando, tanto que se efetue, para o
depositante, os juros da dívida e os riscos, salvo se for julgado improcedente.
Art. 338. Enquanto o credor não declarar que aceita o depósito, ou não o impugnar, poderá o
devedor requerer o levantamento, pagando as respectivas despesas, e subsistindo a obrigação para
todas as conseqüências de direito.
Art. 339. Julgado procedente o depósito, o devedor já não poderá levantá-lo, embora o credor
consinta, senão de acordo com os outros devedores e fiadores.
Art. 340. O credor que, depois de contestar a lide ou aceitar o depósito, aquiescer no levantamento,
perderá a preferência e a garantia que lhe competiam com respeito à coisa consignada, ficando para
logo desobrigados os co-devedores e fiadores que não tenham anuído.
Art. 341. Se a coisa devida for imóvel ou corpo certo que deva ser entregue no mesmo lugar onde
está, poderá o devedor citar o credor para vir ou mandar recebê-la, sob pena de ser depositada.
Art. 342. Se a escolha da coisa indeterminada competir ao credor, será ele citado para esse fim, sob
cominação de perder o direito e de ser depositada a coisa que o devedor escolher; feita a escolha
pelo devedor, proceder-se-á como no artigo antecedente.
Art. 343. As despesas com o depósito, quando julgado procedente, correrão à conta do credor, e, no
caso contrário, à conta do devedor.
Art. 344. O devedor de obrigação litigiosa exonerar-se-á mediante consignação, mas, se pagar a
qualquer dos pretendidos credores, tendo conhecimento do litígio, assumirá o risco do pagamento.
Art. 345. Se a dívida se vencer, pendendo litígio entre credores que se pretendem mutuamente
excluir, poderá qualquer deles requerer a consignação.