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MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO

Secretaria de Gestão Pública


Departamento de Normas e Procedimentos Judiciais de Pessoal
Coordenador-Geral de Elaboração, Consolidação e Sistematização das Normas

NOTA TÉCNICA N º 15 /2015/CGECS/DENOP/SEGEP/MP

ASSUNTO: Análise de Reajuste de Pensão Civil. Torna insubsistente o entendimento


contido no Ofício nº 101/2007/SRH/MP, de 9 de julho de 2007.

SUMÁRIO EXECUTIVO
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1. Trata-se de processo administrativo instaurado em razão do Ofício nº 12092/2013 –


TCU, mediante o qual a Secretaria de Fiscalização do Tribunal de Contas da União
encaminhou à então Secretaria de Recursos Humanos desta Pasta Ministerial cópia do
Acórdão nº 5.288/2013 – TCU – 1ª Câmara, prolatado na sessão de 6 de agosto de 2013,
que determinou à extinta Coordenação-Geral de Elaboração, Sistematização e Aplicação
de Normas, atual Coordenação-Geral de Aplicação de Normas/SEGEP, que adeque a sua
orientação quanto à aplicação do art. 15 da Lei nº 10.887, de 2004.

2. Após análise do tema pela CONJUR/MP, conforme PARECER nº 0539-


3.23/2014/LFL/CONJUR-MP/CGU/AGU, e diante da prevalência dos acórdãos do TCU
sobre as demais orientações da Administração Pública Federal, no que tange à matéria e,
ainda, considerando a prerrogativa da autotutela da Administração Pública do poder-
dever de rever seus próprios atos, o Secretário de Gestão Pública deste Ministério do
Planejamento, Orçamento e Gestão torna insubsistente o entendimento contido nas
informações expedidas pela antiga Coordenação- Geral de Elaboração, Sistematização e
Aplicação de Normas/DENOP, a que faz menção o Ofício nº 101/2007/SRH/MP, de 9 de
julho de 2007.
ANÁLISE
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3. O TCU, na decisão contida no Acórdão n° 5288/2013, afastou o entendimento


consubstanciado no Memo-Circular 59/CGRH/SAA/MS de 12/12/2007, do Ministério da
Saúde, e no Ofício nº 101/2007/SRH/MP, de 9 de julho de 2007 (0542166), da antiga
Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão,
quanto à aplicação dos reajustes estabelecidos na Lei n° 11.355, de 2006, nas
aposentadorias proporcionais e nas pensões instituídas após a vigência da referida lei.

4. A orientação do Ofício nº 101/2007/SRH/MP acarretou a incidência da regra da


paridade aos aposentados ou instituidores de pensão que haviam optado pelo ingresso na
carreira instituída pela Lei nº 11.355/06, ainda que as aposentadorias e pensões tenham
se consolidado na vigência da Emenda Constitucional n° 41/03, senão vejamos o que diz
o § 8º e 9º do citado Ofício:

8. A partir desta prescrição legal fica claro que a pensão se desvincula da


remuneração e do provimento, passando a ser calculada com base nas
disposições dos incisos I e II do art. 2º. Com efeito, as regras trazidas à
colocação regulamentam a concessão dos benefícios levando-se em conta
o regime contributivo, com regras próprias de cálculo não se admitindo a
paridade. Porém, o que não se pode perder de vista é o fato de que o
servidor ainda em vida ter celebrado um acordo com a Administração,
mediante opção irretratável, no sentido de perceber sua remuneração
reajustada dentro de um período fixado por Lei ( §3º do art. 2º da Lei n°
11.355, de 2006), configurando-se um direito adquirido, portanto,
incorporado ao seu patrimônio, que via de regra carreará para os
beneficiários de pensão.
9.Nesse sentido, afigura-se razoável admitir que a correção dos benefícios
neste caso específico, seja efetuada sempre que se modificar a tabela de
vencimentos nos moldes do §3º da Lei nº 11.355, de 2006.

5. De acordo com o TCU, este raciocínio afronta a determinação contida no art. 15 da Lei
nº 10.887, de 2004 (que estabelece que as pensões instituídas após 19/02/2004 e as
aposentadorias fundadas no art. 40 da Constituição Federal e no art. 2º da Emenda
Constitucional nº 41, de 2003, seriam reajustadas na mesma data e índice de reajustes dos
benefícios do Regime Geral de Previdência Social), motivo pelo qual, como dito, o
Tribunal encaminhou para esta Secretaria cópia do Acórdão nº 5.288/2013 – TCU – 1ª
Câmara, para as necessárias adequações do entendimento.
6. É importante esclarecer que o posicionamento manifestado no Ofício nº
101/2007/SRH/MP, alicerçou-se em uma interpretação que sobrelevou o conceito de
direito adquirido, por entender que os efeitos financeiros e benefícios estabelecidos em
lei, decorrentes da opção pela Carreira da Previdência, de Saúde e do Trabalho, por
integrarem o patrimônio jurídico do servidor, deveriam ser repassados aos seus
dependentes, em caso de instituição de pensão o que, à época, não se entendeu em
desconformidade ao estabelecido no artigo 15 da Lei nº 10.887, de 2004. A
contextualização da questão, diga-se de passagem, está muito bem delineada
na Nota Técnica nº 68/2014/CGNOR/DENOP/SEGEP/MP (0042925), da Coordenação-
Geral de Aplicação das Normas deste Departamento.

7. Vale asseverar que a opção de enquadramento na Carreira da Previdência, da Saúde e


do Trabalho era faculdade do servidor público, nos termos do §1º do art. 2º da Lei nº
11.355, de 2006, sujeitando aquele que optasse por integrá-la aos benefícios e as
renúncias estabelecidas em lei, notadamente, quanto à renúncia às parcelas de valores
incorporados à remuneração por decisão administrativa ou judicial, referentes ao
adiantamento pecuniário de que trata o art. 8º da Lei nº 7.686, de 2 de dezembro de 1988
(que venceram após o inicio dos efeitos financeiros referidos no § 1º referenciado).

8. Diante disso e com o fito de elucidar questões relativas à adequação da orientação


contida no Ofício nº 101/2007/SRH/MP, este Departamento submeteu o assunto à
CONJUR/MP, que se manifestou mediante o PARECER nº 0539-
3.23/2014/LFL/CONJUR-MP/CGU/AGU, no qual se concordou com a linha adotada
pelo Tribunal de Contas da União.

9. Sabe-se que a Administração Pública, no exercício cotidiano de suas funções, está


autorizada a rever seus próprios atos, podendo anulá-los ou revogá-los, sem a necessidade
de intervenção do Poder Judiciário. É o que se denomina como autotutela, emanação do
princípio da legalidade.

10. A propósito, convém enfatizar que a Constituição Federal de 1988, em seu art. 71,
inciso III, atribui ao Tribunal de Contas da União a função de apreciar, para fins de
registro, a legalidade das concessões de aposentadorias, reformas e pensões, sendo o ato
concessório de tais benefícios qualificado como complexo, pois se aperfeiçoa com a
conjugação de vontades expressadas por órgãos distintos (in casu a Administração e o
TCU). Assim, a concessão de aposentadorias, reformas e pensões apenas se completa com
o registro feito pelo TCU no exercício do controle da legalidade.

11. Dessa forma e em face do acima exposto, sugere-se ao Sr. Secretário de Gestão
Pública deste Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão que torne insubsistente o
entendimento contido no Ofício nº 101/2007/SRH/MP, de 9 de julho de 2007.

12. Ressalte-se que a regra a ser observada pelos órgãos da Administração Pública
Federal no que tange a concessão de pensão é:

I - as pensões civis decorrentes de aposentadorias ocorridas anteriormente


à Emenda Constitucional 41/2003, ou as concedidas com fundamento no
art. 3º da Emenda Constitucional 41/2003, somente gozarão de paridade
com os vencimentos dos servidores em atividade se o óbito do servidor
ocorreu até 31/12/2003; e
II - para óbitos posteriores a 31/12/2003, os benefícios serão reajustados
nos mesmos índice e data aplicáveis aos benefícios do RGPS.

13. Constituem exceção à regra e continuam gozando do benefício de paridade (regra


de exceção a partir da edição da Emenda Constitucional 41/2003) as pensões civis
originadas por óbitos ocorridos a partir de 1º/1/2004 e que sejam decorrentes de:

I - aposentadorias fundamentadas no art. 3º da Emenda Constitucional


47/2005, por força do parágrafo único do art. 3º dessa Emenda; e
II - aposentadorias por invalidez, para servidores que tenham ingressado
no serviço público até 31/12/2003, com base no parágrafo único do art.
6.º-A da Emenda Constitucional 41/2003, incluído pela Emenda
Constitucional 70/2012, observados os efeitos financeiros estipulados no
art. 2º da EC 70/2012;

14. Vale esclarecer ainda que a insubsistência do ato não enseja o ressarcimento das
importâncias recebidas de boa-fé pelos beneficiários das pensões. A revisão dos reajustes
só acarretaria a devolução dos valores percebidos indevidamente após a notificação dos
interessados. Fortalece tal pensamento o teor da súmula AGU nº 34, a qual prescreveu
que “não estão sujeitos à repetição de valores recebidos de boa-fé pelo servidor público
em decorrência de errônea ou inadequada interpretação da lei por parte da
Administração Pública” e, em especial, o Parecer AGU GQ – 161/1988, aprovado pelo
Presidente da República, no mesmo sentido.
15. Tal Parecer, cujo caráter é vinculante a toda a Administração Pública, conforme
determina a Lei Complementar nº 73/93, esclarece que para a ocorrência de errônea
interpretação da lei, o equívoco deve estar corporificado em ato administrativo, e
posteriormente, ser revisto pela Administração, com modificação de entendimento.
Transcreve-se, por elucidativo, o seguinte trecho:

"(...) a efetiva prestação de serviço, a boa-fé no recebimento da vantagem


ou vencimento, a errônea interpretação da lei expressa em um ato formal
e a mudança de orientação jurídica são requisitos indispensáveis para que
o pagamento feito possa ser considerado válido e, à época, devido, não
estando sujeito à restituição”.

16. Ademais, será necessário que os órgãos procedam ao exame individual de cada
caso após cientificado o interessado de que os benefícios de pensão ou proventos de
aposentadoria, até então percebidos em desacordo com a regra estampada no art. 15 da
Lei nº 10.887/04, serão a este diploma legal adequados, de modo que todos os ajustes, a
partir daquela notificação, ocorrerão na mesma data e índice em que se der o reajuste
dos benefícios do Regime Geral da Previdência social.

17. Assim, sugere-se que seja dado amplo conhecimento aos órgãos e entidades
integrantes do SIPEC, pelos meios eletrônicos disponíveis nesta SEGEP/MP, da
insubsistência do Ofício nº 101/2007/SRH/MP, de 09 de julho de 2007, e da consequente
necessidade de regularização cadastral dos servidores, conforme previsto na Orientação
Normativa nº 4, de 2013.

18. Por fim, cientifique-se o Departamento de Gestão de Pessoal Civil e de Carreiras


Transversais desta Secretaria – DEGEP/SEGEP para a realização dos ajustes sistêmicos
necessários ao cumprimento do referido Acordão, bem como que, mediante sua
Coordenação-Geral de Inteligência e a Auditoria Preventiva da Folha de Pagamento –
CGAUD/DEGEP, proceda ao acompanhamento desta ação e efetive as medidas dela
decorrentes nos casos alcançados pelo teor do Acórdão nº 5.288/2013 – TCU – 1ª
Câmara.
CONCLUSÃO
______________________________________________________________________

19. Diante do exposto, em atenção ao estabelecido no Acórdão nº 5.288/2013 – TCU – 1ª


Câmara, prolatado na sessão de 6 de agosto de 2013, encaminha-se a presente Nota à
consideração do Sr. Secretário de Gestão Pública deste Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão para que, se com ela estiver de acordo, torne insubsistente o
entendimento contido no Ofício nº 101/2007/SRH/MP, de 09 de julho de 2007 e, ato
contínuo, determine a revisão dos atos em desconformidade com o citado acórdão, dando
ampla divulgação do entendimento, na forma preceituada no item 17.

À consideração superior.

ORANE KARINE MOURÃO DE CARVALHO


Matrícula 2082589

MARA CLÉLIA BRITO ALVES


Chefe da Divisão de Elaboração de Atos Normativos

De acordo. Encaminhe-se ao Senhor Diretor.

Brasília, 25 de agosto de 2015.

DANIEL PICOLO CATELLI


Coordenador-Geral de Elaboração, Consolidação e Sistematização das Normas

Ao Senhor Secretário de Gestão Pública, para aprovação.

Brasília, 28 de agosto de 2015.


ROGÉRIO XAVIER ROCHA
Diretor do Departamento de Normas e Procedimentos Judiciais de Pessoal

Aprovo. Encaminhe-se cópia do presente expediente ao Departamento de Gestão de


Pessoal Civil e de Carreiras Transversais desta Secretaria- DEGEP, e à Coordenação-
Geral de Inteligência e a Auditoria Preventiva da Folha de Pagamento - CGAUD, para as
providências cabíveis, inclusive a de ampla divulgação aos órgãos e entidades integrantes
do Sistema de Pessoal Civil – SIPEC.

Brasília, 22 de setembro de 2015.

GENILDO LINS ALBUQUERQUE NETO


Secretário de Gestão Pública

Documento assinado eletronicamente por ORANE KARINE MOURAO DE CARVALHO,


Analista de Negócios, em 25/08/2015, às 07:59.

Documento assinado eletronicamente por MARA CLELIA BRITO ALVES, Chefe de


Divisão, em 25/08/2015, às 08:03.

Documento assinado eletronicamente por DANIEL PICOLO CATELLI, Coordenador-


Geral, em 25/08/2015, às 18:51.

Documento assinado eletronicamente por ROGERIO XAVIER ROCHA, Diretor de


Departamento, em 28/08/2015, às 10:38.

Documento assinado eletronicamente por GENILDO LINS DE ALBUQUERQUE NETO,


Secretário, em 22/09/2015, às 14:55.

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