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REPÚBLICA DE ANGOLA

TRIBUNAL MILITAR DA REGIÃO NAVAL SUL

Proc. Nº 108/2015
Réu: Stepham Agostinho de Castro

AO
MERITÍSSIMO JUÍZ PRESIDENTE
DA CAUSA

Stephan Alexandre Agostinho de Castro, Sub tenente das FAA ,


réu do processo acima referenciado, devida mente identificado nos
autos vem apresentar a seguinte:

CONTESTAÇÃO

O Réu vem acusado e pronunciado como autor material no


crime de “DESERÇÃO ” ilícito penal, p e p. nos termos do art.º31º
nº 1º alínea a), da lei nº 4/94 de 28 de Janeiro, lei dos Crimes
Militares.

O réu refuta parcialmente com a douta acusação que lhe foi


movido pelo Mº Pº com os seguintes fundamentos:

Na verdade foi dispensado para um período de cinco dias com


fito de participar nas exéquias fúnebres do seu irmão que foi
assassinado por meliantes na cidade de Luanda.

Dada a circunstância que o levou a deslocar-se naquela


cidade e pelas razões em que o infortúnio aconteceu, ou seja, pela
forma em que o seu irmão foi assassinado, os cinco dias não foram
suficientes porque o reu tinha que ajudar a família a se reconstituir
das sequelas causadas e também presenciar e comparticipar no
esclarecimento do crime em que o seu irmão foi vítima.

Alega o réu que esteve esse lapso de tempo mas não foi
premeditado uma vez que queria apenas deixar a família
confortável depois do trauma que estavam a viver e por saber que
estava a pender uma guia de transferência na sua Unidade de
origem.

O réu manifesta-se arrependido por pautar-se nesta conduta,


embora ter comunicado ao seu chefe imediato tardiamente, pois
devia faze-lo tempestivamente.

Meritíssima Juíza, importa realçar que o réu em causa não foi


em nenhum momento capturado, é bem verdade que pendia sobre
si um mandado de captura mas apresentou-se voluntariamente,
primeiro com fito de receber a sua guia de transferência na
Repartição do Pessoal e Quadro da Academia Militar do Exercito no
Lobito e concomitante ficou a saber que havia um processo-crime
por responder na Procuradoria Militar da R.N. Sul aonde em tempo
oportuno apresentou-se.


O réu é militar há 6 anos nunca foi punido disciplinar nem
criminalmente, e tem tido bom comportamento conforme a nota de
assento nos autos em fls .09.

Julga a defesa que milita a favor do réu as seguintes circunstâncias


atenuantes:
a)- Prestação de serviços relevantes a sociedade;
b)- Bom comportamento militar
d)- A espontânea confissão do crime;
g)- Apresentação voluntaria as autoridades;

Todos nos termos do art.º 10º da lei 4/94 de 28 de Janeiro, Lei dos
Crimes Militares.

10º

Neste termos e nos demais de direito a defesa apela a este


nobre Tribunal que seja ponderante e benevolente na tomada de
decisão que na eventualidade de uma condenação que seja
atenuada extraordinariamente nos termos do art.º 94º nº 1 em
conjugação com o nº2 segunda parte do mesmo artigo e que a sua
pena seja suspensa a luz do art.º 88º ambos do código penal
vigente em Angola, atendendo a qualidade do reu, o valor especial
das atenuantes e por suplantar as circunstâncias agravantes.

Bem-haja em nome da Justiça

Benguela, ao 09 de Dezembro de 2015

O Defensor Oficioso

Ramon Jamba Domingos


Tenente de Navio