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6.

TRIBULAÇÕES DO EU

A influência do risco e da dúvida

Na modernidade, o eu entra em contato tanto com sensações de segurança quanto de


ansiedade e perturbação. A dúvida radical é um elemento presente no cotidiano dos sujeitos
em meio a um contexto onde estão presentes posicionamentos distintos e até mesmo
conflitantes dos sistemas abstratos. O autor nos explica que a adoção de determinada
possibilidade pode diminuir as ansiedades, mas os sujeitos têm o conhecimento de que ela é
apenas uma entre diversas alternativas.
Vivemos em um período onde a consciência e cálculos do risco se fazem presentes,
causando ansiedades que podem afetar a segurança do individuo. Dessa forma, é função do
casulo protetor filtrar os acontecimentos sem probabilidade de ocorrem, para que a vida siga
um planejamento possível de ser operado.
O calculo do risco é fundamental para que os sujeitos colonizem o futuro, colocando
o eu de frente com o que ainda não é conhecido por ele. Por mais que a aferição do risco
apresente certa precisão, é possível que as coisas não saiam como o esperado e isso pode
causar efeitos nocivos ao sujeito que possuir uma segurança básica frágil. Em outras
situações, o risco já não pode ser calculado com uma precisão efetiva, ou até mesmo os
especialistas das áreas podem apresentar discordâncias acerca dele, o que pode influenciar
aqueles que optaram por essa possibilidade em seu planejamento de vida.
A escolha dos estilos de vida aumentam as adversidades na vida onde a consciência
do risco é constante. Mesmo que o sujeito opte por um estilo de vida tradicional e
preestabelecido, a segurança que essa possibilidade proporcionará à ele apresenta limites, isso
porque ele certamente terá o conhecimento de que ela é uma entre muitas possibilidades. A
consciência do risco em si já traz ansiedades e o “pôr entre parênteses” riscos de alta
consequência auxilia o sujeito a seguir em frente em suas atividades.
Entretanto, as ansiedades não podem ser combatidas totalmente, pois são
características inerentes do contexto da modernidade tardia, onde o risco é constantemente
calculado.
Segurança ontológica, ansiedade e a segregação da experiência

As mudanças causadas pela modernidade junto as influências globalizantes, juntas,


fizeram emergir transformações profundas no mundo social e que atingiram as atividades
individuais e influenciaram na constituição do eu. Para se alcançar um controle sobre todas
essas transformações é preciso se engajar no mundo social, jamais se retirar dele.
Noutros contextos a crise significava uma grande perturbação, um perigo à vida. Mas
no mundo moderno a crise se tornou quase endêmica, seja no nível individual ou coletivo,
logo, se tornou um elemento “normal”, mas que não deve ser rotinizada. Em alguns
momentos pode-se estar tão conformado com a onipresença das crises que o amparo está na
ideia de sina. Entretanto, não se devem abordar certas crises com tanta aceitabilidade, visto
que ela pode afetar diretamente a vida cotidiana do indivíduo. A suscetibilidade das crises na
modernidade tardia causa sensações desestabilizadoras, pois gera um clima de incerteza, o
que acarreta uma situação de exposição às crises, ameaçando, portanto, a auto-identidade.
As questões existenciais fazem surgir ansiedades, mas que podem ser contidas pela
segregação da experiência. Institucionalmente, estas questões acabam sendo “colocadas de
lado”, de modo a controlar a ansiedade. Como consequência deste posicionamento, o
indivíduo pode se manter protegido dessas questões perturbadoras, porém, diante de uma
situação de crises pessoais e/ou momentos decisivos, a segurança ontológica pode sofrer
tensão. Dessa forma, é importante que não haja uma completa repressão institucional, pois, os
questionamentos existenciais são aspectos consideráveis para a vida de todos e, também,
porque com a transferência da referência externa para interna, os indivíduos não mais
conseguem superar por completo uma inquietação moral.
Segregação da experiência, confiança e procura de intimidade, ao nível psicológico,
estão relacionadas. Os sistemas abstratos possibilitam uma confiança, mas que não é
suficiente para a satisfação dos indivíduos se comparada com a confiança nas pessoas pode
oferecer. ((( isso parece tão avulso )))

A relação pura: pressões e tensões

De acordo com Giddens, a narrativa de auto-identidade é frágil e a tentativa de


construí-la e mantê-la coerente em um contexto de grandes transformações e inseguranças é
uma tarefa custosa. Sua sustentação não afeta somente o eu, mas o próprio corpo do
individuo. Além disso, essas tensões se estendem ao âmbito pessoal, como as relações puras
dos sujeitos.
As relações puras podem proporcionar confiança, decorrente dos compromissos e da
intimidade, que é de suma importância, pois associa-se à confiança básica e a confiança nos
responsáveis no período da infância. À isso se deve seu caráter estabilizante, ligando-se a
percepção de segurança no mundo objeto. Ela é, também, um ambiente onde pode se construir
o projeto reflexivo do eu, por conta da auto-compreensão que necessita e propicia e pelo
autodomínio, ou seja, o estar bem consigo mesmo, que é condição para o desenvolvimento da
lealdade e confiança na relação pura.
Entretanto, as relações puras trazem consigo consequências que colocam em risco a
integridade do eu. Elas, como já dito anteriormente, não estão mais alicerçadas em critérios
externos e, por isso, necessitam da autenticidade como um mobilizador moral. Dizer que
alguém é autentico significa afirmar que ele se conhece e é capaz de transmitir isso ao
outro. Por não possuir uma fonte de apoio moral, a relação pura não pode ser considerada
como um elemento de segurança relevante para os momentos decisivos. Elas podem, ainda,
apresentar tensões internas e contradições pelo fato de serem mobilizadas e mantidas pelos
benefícios que a própria relação pode proporcionar.

“Viver no mundo”: dilemas do eu

O mundo que se experimenta na modernidade tardia se difere do mundo da pré-


modernidade. Mesmo que a vida ainda permaneça no local, há uma constante intrusão da
distância nas atividades locais que, junto com a influência da mídia, transformam o local.
Assim sendo, o mundo real (fenomênico), tanto dos indivíduos como da coletividade, são
visíveis a partir de elementos globais. Ou seja, o “mundo fenomênico”, em sua maioria, é
global.
Cada pessoa reage, seletivamente, perante às suas experiências diretas ou transmitidas
pela mídia. Ou seja, os mundos fenomênicos são distintos, depende das escolhas que o
indivíduo faça sobre qualquer coisa, por exemplo, escolher um jornal numa banca que possui
vários títulos.
Há uma incorporação, por parte dos indivíduos, das experiências transmitidas pela
mídia. Estas informações são reduzidas de modo a evitar conflitos internos de ideias, assim,
como consequências podemos elencar um ponto positivo, que consiste na concepção de
prevenir dissonâncias, colaborando para que o casulo protetor seja mantido e
consequentemente sustente a segurança ontológica. O ponto negativo é que esta redução pode
ser interpretada como preconceito, uma recusa a considerar posições distintas. Porém, de
alguma forma, a incorporação da mídia na vida cotidiana acaba sendo positiva, visto que
permite uma interpretação da vida diária.
Viver na modernidade tardia significa “viver no mundo” de tensões que envolvem o
eu. Contudo, se entendermos essas tensões como dilemas a serem resolvidos, será de valia
para o indivíduo, que colocará em prática sua segurança ontológica a fim de manter uma
narrativa coerente de sua auto-identidade. (((aqui coloquei uma posição minha, foi além do
que apresentou o livro, vale muito uma discussão sobre isso))).

Unificação versus fragmentação

No tópico anterior, Giddens afirma que existem dilemas que precisam de resolução a
fim de manter uma narrativa de auto-identidade coerente e nesse momento, o autor busca
tratar dessas questões. A primeira questão diz respeito à unificação e a fragmentação que, de
acordo com o autor, são tendências presentes na modernidade tardia, ou seja, ao mesmo
tempo em que ela possui orientações unificadoras, possui também tendências fragmentadoras.
No que concerne ao eu, a unificação refere-se à sustentação de uma narrativa de
auto-identidade em meio a um contexto de intensas e rápidas transformações, seja pela imensa
disponibilidade de oportunidades ou até mesmo pelo fluxo das experiências transmitidas. Mas
o mundo exterior não apresenta somente influencias fragmentadoras, muito pelo contrário,
oferece também efeitos que propiciam à unificação, como as experiências transmitidas pela
mídia ou até mesmo o contato com locais à grandes distancias que podem apresentar-se como
familiares aos sujeitos e oferecerem aspectos que podem ser integrados às suas referencias
pessoais.
A fragmentação, como já citada, é decorrente da pluralidade dos ambientes de
interação, que necessitam de diferentes formas de se comportar. Dessa forma, o individuo
forja um comportamento de acordo com a situação em que se encontra. Mas ao mesmo tempo
que fragmenta, esse elemento também apresenta características unificadoras, como quando
um sujeito constrói uma identidade diferenciada e acaba por absorver aspectos diversos de
vários contextos a fim de manter uma narrativa integrada.
Para Giddens, esse dilema apresenta certas patologias. Os tradicionalistas forjam
identidades tendo como base “lealdades fixas”, que tem a função de filtrarem diversos
âmbitos sociais, interpretando-os e negando uma percepção relativista. Existem também
aqueles que se “adaptam” aos diferentes contextos em que se encontram - o que Erich Fromm
denomina de “conformismo autoritário”- e é quando o falso eu oculta o verdadeiro eu,
tornando esse eu verdadeiro vazio e inautêntico. Nos dois casos a segurança ontológica se
encontra fragilizada.

Impotência e apropriação

O segundo dilema aborda a impotência versus apropriação. Em períodos tradicionais


supunha-se que os indivíduos eram dotados de um controle sobre as influencias que
compunham sua vida, enquanto que na modernidade este controle foi deslocado para
patamares extremos, por exemplo, na sociedade capitalista em que os indivíduos se
entregaram aos domínios das máquinas e mercados, sendo a alienação, conceito de Marx, um
ponto crucial para a compreensão desta questão. Dessa forma, o indivíduo moderno passa a
experenciar sensações de impotência perante este universo social amplo e alheio, fazendo com
que o indivíduo perdesse, cada vez mais, sua autonomia diante de uma sociedade de massas.
Entretanto, Giddens discorda da ideia de que os indivíduos modernos sejam ou sintam-se mais
impotentes, já que as amarras da tradição o limitavam muito mais em suas ações.
O distanciamento de tempo e espaço somado à desqualificação que os sistemas
abstratos promovem produz uma modernidade que expropria, fazendo com que o indivíduo
não possua controle sobre a vida social. Porém, essa expropriação faz parte do
amadurecimento das instituições modernas que afetarão as esferas sociais e do eu; e, também,
possibilitará uma oportunidade de reapropriação do controle diante da vida cotidiana.
A impotência, considerada como elemento psíquico, pode ser experimentada sob dois
parâmetros, o pessoal e social. Ambos são causados por ansiedades que afligem o indivíduo
em relação a sua sobrevivência. Mesmo que o indivíduo se sinta privado e incapaz perante
todas as situações que lhe são (im)postas, ele tem como tarefa enfrentar e superar as tarefas da
vida.
O dilema da impotência/apropriação pode gerar patologias. Quando o indivíduo se
sente totalmente dominado pelas forças externas, perde sua autonomia de ação, entrando num
estado de engolfamento. Neste sentido, a onipotência seria a defesa diante desta patologia,
sendo um estado de fantasia. Assim como o é na segurança ontológica, em que o indivíduo
alcança uma fantasia de dominação. Mas, esta defesa é frágil e pode dissolver-se no que foi
denominado engolfamento, que é o oposto da onipotência, logo, o indivíduo estará sob uma
situação patológica.
Autoridade versus incerteza

O terceiro dilema de que trata Giddens se refere à autoridade em oposição à


incerteza. Como já tratado por ele em outros trechos de sua obra, o autor afirma que a
modernidade tardia não possui autoridades absolutas, diferente de contextos pré-modernos em
que a tradição era uma forma de autoridade exclusiva, estabelecendo formas de viver que
bloqueando outras possibilidades.
A religião também se caracteriza como uma forma de autoridade em contextos
tradicionais, mas, ao contrário da tradição, estava localizada numa dimensão institucional.
Nesse período, na maioria das sociedades, existia apenas uma ordem religiosa que detinha a
preponderância em relação a autoridade. A comunidade local e o sistema de parentesco
também aparecem como formas de autoridades complementares, tendo função estabilizadora
para a manutenção das relações de confiança. A religião é algo ainda presente nos tempos
modernos, mas na contemporaneidade ela apresenta-se como uma autoridade entre muitas e
não mais com a preponderância que possuía na pré-modernidade. A percepção de autoridade
também se modificou em relação aos outros períodos e as autoridades (especialistas) da
modernidade tardia são responsáveis por um conselho especializado.
De acordo com Giddens, a adesão a determinada autoridade, na pré-modernidade,
não retirava por absoluto a sensação de incerteza, mas era a expressão de uma resistência a
falta de previsão e controle daquele contexto.
A dúvida é um elemento importante para se pensar a autoridade, na modernidade
tardia, já que os sistemas dos quais elas fazem parte estão constantemente sendo revistos e
repensados. Entretanto, Giddens afirma-nos que a dúvida não é constante na vida diária, que
opera com um alto grau de previsão. O casulo protetor é o responsável por colocar entre
parênteses a duvida radical, que poderia prejudicar as atividades do cotidiano. Esse obstáculo
se resolve a partir das rotinas e da lealdade em relação ao estilo de vida, que garantem certa
segurança aos sujeitos.
Existem situações em que os sujeitos encontram dificuldades para lidar com a
diversidade de autoridades e a busca por “sistemas mais amplos de autoridade” se torna uma
solução. Ao invés de optar pela escolha, esse sujeito adota percepções de uma autoridade que
perpassam a maioria das dimensões de sua vida, numa atitude de clara submissão. Existem
também aqueles que vivem sob a orientação de uma duvida universal, de forma que esse
comportamento acaba por manter o individuo imobilizado diante das relações sociais.
Experiência personalizada versus experiência mercantilizada

O capitalismo é uma das principais dimensões institucionais da modernidade. Como


quarto dilema, Giddens elenca a experiência personalizada versus experiência mercantilizada.
O capitalismo mercantil terá influência considerável em relação ao projeto do eu e ao
estabelecimento de estilos de vida, de modo a padronizar a vida social, em que o consumo
seja um elemento que atingirá a todos e dessa forma, possibilitará o crescimento econômico.
A ordem capitalista ataca a tradição, moldando cada vez mais o consumo, promovendo
o individualismo. Isto afetará na noção da escolha dos estilos de vida, fazendo com que eles
sejam criados artificialmente, a partir de bens desejados. O projeto do eu é traduzido para o
consumo, substituindo a essência pela aparência. A própria auto realização passa a se dar por
meio do mercado e consumo. A mídia é um elemento importante para a difusão de estilos de
vida baseados na mercantilização.
Mesmo que a mídia influencie consideravelmente a vida dos indivíduos, não se pode
dizer que não haja reflexividade por parte do mesmo. A reflexividade e os sistemas
internamente referidos permanecem como características do indivíduo moderno, o que
acontece é que as ancoragens externas na experiência estética e moral se recusam a
desaparecer por completo.
Assim como os outros dilemas, este também apresenta patologias. A primeira delas
consiste no narcisismo, já que a mercantilização promove a aparência de maneira excessiva,
então, o autodesenvolvimento se apoia no exibicionismo. Outra patologia está relacionada a
personalização, ou seja, há uma necessidade em ir contra as influências mercantilizadoras,
dessa forma, o indivíduo necessita ser diferente de todos, o que lhe impede desenvolver
reflexivamente sua auto identidade, visto que está sempre sob a necessidade de estar de
acordo com as expectativas dos outros, deixando de lado sua própria tentativa de coerência
com sua auto identidade.

Uma dinâmica subjacente: a ameaça da falta de sentido.

Na modernidade tardia, a realização do projeto reflexivo do eu se dá em meio à


segregação de determinadas experiências que apresentam cunho moral e seu desenvolvimento
deve ser em um âmbito técnico. Mas existe algo implícito no planejamento da vida e nos
dilemas elencados pelo autor: a ameaça de falta de sentido.
A partir da expansão dos sistemas abstratos, a vida cotidiana, como sabemos, passa a
ser calculada em termos de risco através da colonização do futuro. Assim, a ameaça de falta
de sentido é mantida sob controle, devido à sustentação da segurança ontológica, possibilitada
pelas rotinas e a confiança básica. Esse controle elimina da experiência dos indivíduos
questões existenciais que poderiam causar-lhes ansiedades profundas, mas, em contrapartida,
a vida passa a ser escassa em termos de critérios morais. A sensação de sentido necessita da
confiança básica, pois diminui aquelas sensações de perigo e horror. Mas, mesmo que traga
algum tipo de segurança, essa sensação é frágil por estar sob o domínio dos sistemas
internamente referidos, e não mais alicerçada em critérios exteriores. Desse modo, o projeto
reflexivo do eu dissociado de aspectos tradicionais torna-se propicio ao retorno do reprimido.
(O que eu entendi nesse trecho é que, por a vida estar constantemente sendo calculada, isso
oferece mais segurança e, também a confiança básica e as rotinas possibilitam o sentido
pessoal. Só que como o sentido é sustentado por referenciais internos e não externos, ele é
frágil.)

O retorno do recalcado

O retorno do recalcado pode evidenciar-se por algumas condições. A primeira delas


está no fato de os indivíduos terem que enfrentar situações que normalmente se mantém longe
da consciência, caracterizando num instante perturbador gerado por momentos decisivos.
Estes momentos decisivos e de transição forçam o indivíduo a repensar aspectos fundamentais
de sua existência e projetos futuros. Dentre essas transições, o nascimento e a morte são as
experiências que mais se destacam; a morte, principalmente, pois ela se tornou um
acontecimento mais oculto e que é o ponto onde se cessa o controle sobre as atividades do
dia-a-dia. No entanto, a morte se torna um “problema” maior quando acontece
prematuramente.
Em segundo podemos citar a tentativa de promover o fim do encarceramento tanto das
cadeias como os manicômios, visto que a prisão passou a ser entendida como moralmente
errada, já que separava os “desviantes” dos “normais”. O contato com os doentes mentais, por
exemplo, coloca em choque a própria “normalidade” que os sujeitos acreditam ter, o que pode
ser válido para a reflexividade interna.
O retorno do recalcado pode se situar, também, no centro do comportamento sexual. A
sexualidade tornou-se um dos principais elementos da busca da intimidade e apesar de ter sido
separada da procriação, ainda retém uma carga moral. Ela está associada a fatores
transcendentes, e isso pode melhor compreendido pela experiência de apaixonar-se, segundo
Alberoni. Dessa forma, a sexualidade se torna um meio pelo qual os indivíduos poderão
alcançar uma experiência cósmica.
A quarta condição está relacionada à crescente preocupação com a reconstituição da
tradição, a fim de enfrentar as demandas da sociedade moderna. A tradição ainda persiste na
modernidade, mas se perde cada vez mais à medida que a reflexividade se faz presente.
Estabelecer novas tradições é contraditório, logo, retornar às fontes de fixidez se torna uma
atitude importante.
Em quinto, podemos elencar o ressurgimento da crença e da convicção religiosa. O
símbolos religiosos ainda permeiam a modernidade, criando novas formas de sensibilidades
religiosas e espirituais, afinal, a incerteza continua fazendo parte da vida do indivíduo, e
encontrar um apoio perante os cenários de risco parece ser confortante.
Por último, podemos citar os movimentos sociais que tem como objetivo
reapropriação das áreas institucionalmente recalcadas da vida. O movimento feminista é o
principal deles, pois gera pressões para transformações sociais em relação ao direito das
mulheres. Outros exemplos estão nos movimentos religiosos, ecológicos, pacifistas e dos
direitos humanos.
O período da modernidade tardia é caracterizado por períodos de transição com os
quais acarretarão em mudanças nas estruturas tanto sociais quanto políticas, dessa forma,
focados nos processos de auto realização, tais questões requerem uma reestruturação das
instituições.