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CONTRIBUIÇÕES DA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA PARA A

IMPLEMENTAÇÃO DAS RELAÇÕES DE GÊNERO NO CURRÍCULO


ESCOLAR

Cristiane Pereira Lima, UEMS - Unidade Universitária de Campo Grande, e-mail:


e
cristianeperlima@bol.com.br
Léia Teixeira Lacerda, UEMS - Unidade Universitária de Campo Grande, e-mail:
e
leiatlacerda@gmail.com

Tema: GT 4 - Escola, Cultura e Disciplinas Escolares.


Subtema:GT 4 - C. Currículo (história, documentos e práticas).

Resumo: O presente artigo visa suscitar reflexões, por meio de contribuições teóricas de
estudiosos do campo de gênero e das legislações, de maneira articulada, quanto à
formação docente no que diz respeito às relações de gênero e sexualidade. Nessa
perspectiva, a proposta também busca discutir o tema no espaço escolar com base nessa
legislação nacional, por meio da implementação curricular das práticas pedagógicas e
no percurso da Educação Básica. A metodologia adotada é de cunho qualitativo e os
resultados evidenciam
nciam que a oferta de capacitações e de formações continuadas
possibilita que o profissional da educação tenha condições de abordar essa temática de
maneira fundamentada em sua prática pedagógica.

Palavras-Chave:: Educação; Relações de Gênero; Sexualidade; Legislação; Currículo.


Tipo de Trabalho:: Pesquisa em andamento (Dissertação de Mestrado).

Introdução

Este texto apresenta dados levantados por uma pesquisa em andamento


intitulada “Narrativas de crianças sobre as relações de gênero por meio da literatura
infantil: tecendo a interpretação das histórias e produção de desenhos”, em
desenvolvimento em uma escola da Rede Estadual de Ensino situada no município de
Campo Grande – MS, pautada no levantamento bibliográfico de textos científicos que
discutem
iscutem as relações de gênero e sexualidade na perspectiva da educação e a formação
docente no viés da prática pedagógica reflexiva.
A metodologia adotada é de cunho qualitativo e a perspectiva teórica se
fundamenta na abordagem pós-estruturalista,
pós por considerar
siderar que o estudo por essa

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vertente é um campo rico para a análise da temática, valorizando vivências e
particularidades do ser humano.
Assim, nota-se
se que o campo do pós-estruturalismo
pós estruturalismo é amplo e possibilita analisar
fenômenos sociais e culturais sem que
que se criem verdades absolutas, compreendendo as
diversas faces de uma mesma realidade. Nesse sentido, essa abordagem pode contribuir
para a discussão da questão investigada.
Além disso, o pós-estruturalismo
estruturalismo “[...] efetua, entretanto, certo afrouxamento na
rigidez estabelecida pelo estruturalismo. [...] O processo de significação continua
central, mas a fixidez do significado [...] se transforma [...] em fluidez, indeterminação e
incerteza”. (SILVA, 2007, p.119).
Desse modo, essa vertente teórica compreende que as relações de poder se dão
por processos de significação que estipulam, estereotipam e marcam as diferenças entre
as singularidades. Logo, conforme Furlani (2011, p. 54):
[...] As sociedades e as culturas delimitam “lugares”, posicionam
sujeitos e demarcam
demarcam fronteiras entre indivíduos com base no jogo
diferença versus identidade através da construção de representações
que promovem qualificações, hierarquias e desigualdades.

O objetivo do pós--estruturalismo
estruturalismo é desconstruir “verdades” consolidadas, ou
seja,
ja, questionar explicações que envolvem a naturalização e a universalidade das coisas,
rompendo com binarismos, como porexemplo homem/mulher, sagrado/profano,
Deus/diabo, certo/errado, verdade/mentira, homossexual/heterossexual.
Por esse entendimento, os sujeitos não passam de uma construção cultural,
social e histórica. “[...] Assim um determinado significado é o que é não porque ele
corresponde a um ‘objeto’ que exista fora do campo da significação, mas porque ele foi
socialmente assim definido”. (SILVA, 2007, p.120).
Frente ao exposto, esse artigo nas próximas páginas que se segue tentará de
maneira breve, pautada nos teóricos de perspectiva pós-estruturalistas
pós estruturalistas realizar um
retomada das legislações que permeiam a abordagem das relações de gênero e
sexualidade
idade no ambiente escolar de modo a possibilitar implementações no currículo.

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Currículo: relações de gênero e sexualidade

Nesta pesquisa, entendemos que “[...] currículo não se restringe apenas a ideias e
abstrações, mas [se refere] a experiências e práticas concretas, construídas por sujeitos
concretos, imersos em relações de poder”. (GOMES, 2008, p.23). No tocante à temática
da diversidade, em especial às relações de gênero e sexualidade, iremos apresentar de
forma breve desdobramentos desse assunto que permitirão melhorias na ação docente e
nas práticas pedagógicas.
A palavra currículo associam-se
associam se distintas concepções, que deveriam
dos diversos modos de como a educação é concebida historicamente,
bem como das influências teóricas que a afetam e se fazem f
hegemônicas em um dado momento. (CANDAU & MOREIRA, 2008,
p.17).

Dessa perspectiva, permeiam no currículo os conteúdos a serem ensinados; as


experiências vividas; os planos pedagógicos; seus objetivos e seus processos de
avaliações. Assim de acordo com Candau & Moreira (2008, p.18) o currículo seriam “as
experiências escolares que se desdobram em torno do conhecimento, em meio a
relações sociais, e que contribuem para a construção das identidades de nossos/as
estudantes”. Nesse artigoo nos reportamos ao conceito de currículo para nos referir as
atividades organizadas nas escolas.
O motivo que nos leva a aborda as questões do currículo nesse artigo se faz
necessário por acreditarmos que é por meio dele que as “coisas” acontecem na escola,
escol
assim ele pode ser entendido como o guia da organização escolar, sendo assim de
fundamental importância o papel do professor para a materialização dos conhecimentos
na escola e na sala de aula.
Assim é necessário romper com a visão monocultural
monocultural da dinâmica
escolar, no entanto é um processo pessoal e coletivo que exige
desconstruir e desnaturalizar estereótipos e “verdades” que
impregnam e configuram a cultura escolar e cultura da escola.
(CANDAU & MOREIRA, 2008, p.32).

Com toda a modernidade e mudanças


muda de costumes em nossa sociedade,
sociedade
compreendemos o conceito de cultura como dinâmico,
dinâmico mutifacetado e a escola como
uma instituição social é participante dessa cultura. Observamos
bservamos que é inegável a
pluralidade cultural existente nos espaços escolares, no tocante
tocante as relações de gênero e
sexualidade que por vezes acarreta confrontos e conflitos tanto de formação quanto de

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aspectos cultural, pois envolve a individualidade dos indivíduos e por vezes questiona
as crenças e costumes. Noo entanto o que enfatizamos é que essa diversidade deve ser
respeitada e ensinada em sala de aula, com vistas a propiciar o enriquecimento entre
ambas às partes, fortalecendo o respeito às diferenças e a cultura da paz..
Conforme Candau & Moreira (2008) “desvelar
desvelar essa realidade e favorecer
favo uma
visão dinâmica, contextualizada e plural das identidades culturais é fundamental,
articulando-se
se as dimensões pessoais
pessoa e coletiva desses processos”.. (CANDAU &
MOREIRA, 2008, p.38).
Dessa maneira, é necessário que seja apresentado como compreendemos o
conceito de diversidade, concepção pautada em Gomes (2008, p. 17): “[...] diversidade
pode ser entendida como a constituição histórica, cultural e social das diferenças. A
construção das diferenças ultrapassa as características biológicas, observáveis a olho
nu”. A partir dessa compreensão, relaciona-se
relaciona se a temática da diversidade a toda a
construção histórica da sociedade, considerando especialmente particularidades e
individualidades.
Assim,
sim, conceber um currículo que permita debater e compreender nas escolas as
relações de gênero e sexualidade se faz necessário e urgente frente a ações políticas que
vêm ocorrendo no cenário brasileiro, posto que a “[...] educação de uma maneira geral é
um processo constituinte da experiência humana, por isso se faz presente em toda e
qualquer sociedade”.(GOMES, 2008, p.18).
Nesse sentido, é necessário oferecer capacitação ao corpo docente a fim deque
possam compreender as transformações ocorridas no contexto
contexto do alunado e perceber
que a escola, por ser tratar de uma instituição social, é dinâmica e sofre mudanças
constantemente, o que exige a modificação no tratamento e a inserção de assuntos antes
invisibilizados. Dessa forma, compreende-se
compreende que:

A diversidade
diversidade é um componente do desenvolvimento biológico e
cultural da humanidade. Ela se faz presente na produção de práticas,
saberes, valores, linguagens, técnicas artísticas, científicas,
representações do mundo, experiências de sociabilidade e de
aprendizagem (GOMES, 2008, p.18).
aprendizagem.

Além disso, considera-se


considera se que “[...] os diferentes contextos históricos, sociais e
culturais, permeados por relações de poder e dominação, acompanhados de uma
maneira tensa e, por vezes, ambígua de lidar com o diverso, se faz necessário
necessá para uma

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melhor compreensão”. (GOMES, 2008, p.19), de modo a evitar equívocos e
garantirmos uma educação reflexiva, crítica e significativa ao educando e ao educador.
Nesse contexto, devemos considerar que apalavra diversidade deve ser
compreendida em uma “[...] perspectiva relacional, ou seja, as características, os
atributos ou as formas ‘inventadas’ pela cultura para distinguir tanto o sujeito quanto o
grupo a que ele pertence depende do lugar por eles ocupado na sociedade e da relação
que mantêm entre
tre si e com os outros”. (GOMES, 2008, p. 22).
Inserir as temáticas que abarcam a diversidade no currículo escolar de acordo
com Gomes (2008) se faz necessário, pois implica “[...] compreender as causas
políticas, econômicas e sociais de fenômenos como etnocentrismo,
etnocentrismo, racismo, sexismo,
homofobia e xenofobia. Falar sobre diversidade e diferença implica posicionar-se
posicionar contra
processos de colonização e dominação”. (GOMES, 2008, p.25).A mesma autora ainda
evidencia que:
A questão da diversidade aparece, porém, não não como um dos eixos
centrais da orientação curricular, mas sim, como um tema. E mais:
muitas vezes, a diversidade aparece somente como um tema que
transversaliza o currículo entendida como pluralidade cultural. A
diversidade é vista e reduzida sob a ótica da cultura. (GOMES, 2008,
p.28).

Como a autora sinaliza, a diversidade muitas vezes é apontada no currículo pela


ótica da cultura, esquecendo-se
esquecendo se de que temos diversas manifestações culturais e formas
de viver, ser e estar no mundo. Sob essa perspectiva, não raras vezes os currículos
escolares, em especial orientações como os PCN, reportam-se
reportam se a uma cultura específica,
ou seja, à heteronormatividade, o que não contribui com a aprendizagem ao negar tudo
o que for diferente. Em outras palavras:

As culturas são diversas e variadas. A escola e seu currículo não


demonstram dificuldade de assumir que temos múltiplas culturas. Essa
situação possibilita o reconhecimento da cultura docente, do aluno e
da comunidade, a presença da cultura escolar, mas não questiona o
lugar que a diversidade de culturas ocupa na escola. (GOMES, 2008,
p.28).

Faz-se
se necessário, pois, que construamos práticas pedagógicas que realmente
“[...] expressem a riqueza das identidades e da diversidade cultural presente nas escolas
e na sociedade.
e. Assim poderemos avançar na superação de concepções românticas

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sobre a diversidade cultural presentes nas várias práticas pedagógicas e currículos”
(GOMES, 2008, p.25) e também possibilitaremos o atendimento das demandas
escolares, tendo em vista que a peça
peça principal de nossas ações educativas são os
educandos.

Legislação: as relações de gênero e sexualidade na educação

A escola, como um espaço do “livre pensamento”, poderá abordar, além dos


conteúdos universais, temas de diversas naturezas, desde que exerça
exerça seu papel
fundamental, que é o de promover o desenvolvimento do educando por meio do
conhecimento e formar cidadãos plenamente reconhecidos e conscientes de seu papel
social.
No que diz respeito ao tema relações de gênero e sexualidade, buscamos analisar
ana
brevemente documentos que amparam legalmente a discussão da temática no ambiente
escolar.

Mesmo que reconheçamos a importância desse fôlego dado à


diversidade nos documentos oficiais, é importante destacar que ele
não é suficiente, pois coloca essa discussão em um lugar provisório,
transversal e, por vezes, marginal. (GOMES, 2008, p.30).

Em termos legais, a Constituição Federal de 1988, em seu art. 3º, com relação
aos direitos fundamentais, rege em seu inciso IV sobre o “[...] respeito à diversidade de
orientação sexual e promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo,
cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. (BRASIL, 1988, p. 10).
Também os Parâmetros Curriculares Nacionais, elaborados em 1997, embora
tenham sofrido grandes críticas no que diz respeito às questões de gênero e sexualidade
em seus volumes oito e dez, foram e continuam sendo de grande contribuição para a
inserção do assunto em ambiente escolar, indicando como objetivos do Ensino
Fundamental:
Conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural
brasileiro, bem como aspectos socioculturais de outros povos e
nações, posicionando-se
posicionando se contra qualquer discriminação baseada em
diferenças culturais, de classe social, de crenças, de sexo, de etnia ou
outras
ras características individuais e sociais. (BRASIL, 1998, p. 07).

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Assim, “[...] repudia toda discriminação baseada em diferenças de raça/etnia,
classe social, crença religiosa, sexo e outras características individuais ou sociais’
(BRASIL, 1997, p.40) com vistas a“[...] identificar e repensar tabus e preconceitos
referentes à sexualidade, evitando comportamentos discriminatórios e intolerantes e
analisando criticamente os estereótipos” . (BRASIL, 1998, p.311).
Ainda sobre as legislações analisadas, encontramos
encontr outro documento intitulado
“A convenção sobre os direitos da criança” (UNICEF, 1989), um instrumento assinado
por 193 países que visa à proteção de crianças e adolescentes de todo o mundo. Foi
aprovado em Assembléia Geral das Nações Unidas no dia 20 de
de novembro de 1989 e,
no ano seguinte, foi oficializado como lei internacional.
Esse documento, em seu artigo 8º, explicita a proteção da identidade, orientando
que o Estado tem a obrigação de proteger e, se necessário, restabelecer aspectos
fundamentais da identidade da criança (incluindo o nome, a nacionalidade e as relações
familiares).

1. Os Estados Partes comprometem-se


comprometem se a respeitar. O direito da criança
e a preservar a sua identidade, incluindo a nacionalidade, o nome e
relações familiares, nos termos
termos da lei, sem ingerência ilegal. 2. No
caso de uma criança ser ilegalmente privada de todos os elementos
constitutivos da sua identidade ou de alguns deles, os Estados Partes
devem assegurar-lhe
assegurar lhe assistência e proteção adequadas, de forma que a
sua identidade
identidade seja restabelecida o mais rapidamente possível.
(UNICEF, 1989, p.08).

Já o artigo 13 trata sobre a liberdade de expressão. Por ele, rege-


rege-se que a criança
tem o direito de exprimir seus pontos de vista, obter informações, dar a conhecer ideias
e informações
ções sem considerações de fronteiras.

1. A criança tem direito à liberdade de expressão. Este direito


compreende a liberdade de procurar, receber e expandir informações e
ideias de toda a espécie, sem considerações de fronteiras, sob forma
oral, escrita, impressa ou artística ou por qualquer outro meio à
escolha da criança. (UNICEF, 1989, p.11).

O artigo 14, por seu turno, aponta para a liberdade de pensamento, consciência e
religião garantida pelo Estado à criança,também a partir da orientação dos pais:

1. Os Estados Partes respeitam o direito da criança à liberdade de


pensamento, de consciência e de religião. 2. Os Estados Partes

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respeitam os direitos
ireitos e deveres dos pais e, sendo caso disso, dos
representantes legais, de orientar a criança no exercício deste direito,
de forma compatível com o desenvolvimento das suas capacidades. 3.
A liberdade de manifestar a sua religião ou as suas convicções só pode
ser objeto de restrições previstas na lei e que se mostrem necessárias à
proteção da segurança, da ordem
ordem e da saúde públicas, ou da moral e
das liberdades e direitos fundamentais de outrem.
outrem (UNICEF, 1989,
p.11).

Diante do exposto, nota-se


nota se que a legislação caminha em direção ao
entendimento de que a “[...] universalidade dos direitos humanos deve estar acima
acim de
qualquer quadro de discriminação e das variadas formas de violência praticadas
socialmente. Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”
(BRASIL, 2009, p.13).
5.32. Formação e capacitação contínua de atores públicos e sociais na
temática da diversidade de orientação sexual e identidade de gênero.
5.46. Desenvolvimento de ações e práticas de Educação em Saúde nos
serviços do SUS e de Educação em Saúde nas Escolas com ênfase na
orientação sexual e identidade de gênero. (BRASIL, 2009, p.16-18).

Conforme excerto referente ao documento apresentado acima fica evidente a


necessidade de capacitações no âmbito dos serviços do SUS e da Educação escolar por
parte de seu corpo docente no intuito de possibilitar uma educação igualitária que
qu
respeita a individualidade do outro.
Já o documento do Programa Brasil sem Homofobia elaborado em 2004 tem
como objetivo apresentar um conjunto de ações destinadas à promoção do respeito à
diversidade sexual e ao combate às várias formas de violação dos direitos humanos da
população LGBT. Por essa proposta, foram criadas algumas ações, como a promoção de
valores de respeito à paz e a não discriminação por orientação sexual, além da
proposição de diretrizes que orientem os Sistemas de Ensino para a implementação
implem de
ações que promovam o respeito ao cidadão.
Além disso, objetiva:

Fomentar e apoiar curso de formação inicial e continuada de


professores na área da sexualidade; formar equipes multidisciplinares
para avaliação dos livros didáticos, de modo a eliminar
e aspectos
discriminatórios por orientação sexual e a superação da homofobia;
estimular a produção de materiais educativos (filmes, vídeos e
publicações) sobre orientação sexual e superação da homofobia;
apoiar e divulgar a produção de materiais específicos
específicos para a formação
de professores; divulgar as informações científicas sobre sexualidade
humana; estimular a pesquisa e a difusão de conhecimentos que

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contribuam para o combate à violência e à discriminação de GLTB
(BRASIL, 2004, p.22-23).
p.22

Já no Planoo Nacional de Educação - PNE (2014-2024),


2024), temos apenas um único
artigo, o segundo, que aborda o tema, porém de maneira generalizada, pontuando que a
diversidade é contemplada pela diretriz “X − promoção
ão dos princípios do respeito aos
direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade socioambiental”. (BRASIL, 2014,
p.12).
O Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e
Adolescentes elaborado em 2013, por sua vez, estabelece estratégias a serem
implantadas pelo poder público e pela
pela sociedade civil até 2020. Essas ações estão
divididas nos eixos: prevenção; atenção à criança e ao adolescente, suas famílias e à
pessoa que comete violência sexual; defesa e responsabilização; participação e
protagonismo; estudos e pesquisas e comunicação
comunicação e mobilização social. Houve também
a previsão de uma interface direta entre o dispositivo legal e as diretrizes do Plano
Decenal dos Direitos de Crianças e Adolescentes, como:

Diretriz 01 - Promoção da cultura do respeito e da garantia dos


direitos humanos
humanos de crianças e adolescentes no âmbito da família, da
sociedade e do Estado, considerada as condições de pessoas com
deficiência e as diversidades de gênero, orientação sexual, cultural,
étnico racial, religiosa, geracional, territorial, de nacionalidade
étnico-racial, nacionalidad e de
opção política. (BRASIL, 2013, p.13).

De acordo com Macedo (2002), uma escola para todos supõe a disponibilidade
para a prática de uma pedagogia diferenciada e de uma avaliação formativa com uma
Pedagogia:
Diferenciada porque leva em conta diversidade e a singularidade de
todas as crianças que agora frequentam a escola e nela esperam
aprender coisas significativas para sua vida. Avaliação formativa
porque observa, regula, seleciona, valoriza o que melhor pode estar a
serviço dessas aprendizagens
aprendizagens e o que indica os processos ou as
mudanças de posição quanto ao que cada criança pôde aprender e
desenvolver em favor de conteúdo, competências e habilidades que
nós, adultos julgamos que elas deviam dominar. (MACEDO, 2002, p.
05).

Contudo, para que essa prática venha a ser reflexiva, é necessário que ao corpo
docente dos espaços educativos e escolares, conforme pontua a diretriz
diretriz 10 do Plano

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Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes (2013),
seja oferecida:

[...] Qualificação
Qualificação permanente de profissionais para atuarem na rede de
promoção, proteção e defesa dos direitos de crianças e adolescentes.
Objetivo Estratégico 10.1 – Formular e implementar uma política de
formação continuada, segundo diretrizes estabelecidas pelo
pel Conanda,
para atuação dos operadores do sistema de garantias de direitos, que
leve em conta a diversidade regional, cultural e étnico racial.
(BRASIL, 2013, p.19).

Desse modo, o professor pode se tornar reflexivo, ou seja, “[...] desenvolver a


capacidadee de pensamento e reflexão que caracteriza o ser humano como criativo e não
como mero reprodutor de ideias e práticas que lhe são exteriores”. (ALARCÃO, 2011,
p.44).
Diante dessa breve revisão de legislações que contemplam questões relativas a
gênero e sexualidade,
ualidade, podemos compreender que há diversos amparos legais para que
esse assunto chegue até os educandos. No entanto, faltam ainda formações continuadas
e capacitações que contribuam para a formação de professores/as, facilitando assim a
quebra de estereótipos,
ótipos, permitindo uma educação que respeite as diversidades de gênero
e que rompa com essa dicotomia binária entre homem e mulher, possibilitando assim
uma educação igualitária.

Considerações finais

Compreendemos, a partir das explanações aqui empreendidas,


empreendidas, que possibilitar
que os educandos tenham acesso a essas discussões é de grande importância para a
formação das novas gerações. Entretanto, para que isso ocorra é necessário que, além da
implementação de leis, ocorra também a oferta de capacitações e de
d formações
continuadas com a finalidade de permitir que o profissional da educação tenha
condições de abordar essas temáticas sem medo, desenvolvendo sua prática pedagógica
de maneira fundamentada.
É importante ressaltar ainda que, à medida que a escola se
se dinamiza, torna-se
torna
relevante abordar, discutir e desmitificar as relações de gênero e sexualidade no
currículo escolar, o que culmina na necessária capacitação docente.

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Sabemos que em algumas escolas já estão sendo abordados esses assuntos, no
entanto, de maneira transversal, por vezes em segundo plano, impossibilitando que
discussões significativas ocorram, tanto em disciplinas já existentes como no currículo
escolar como um todo, não permitindo o esclarecimento necessário para a formação
cidadã das novas gerações.

Referências

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