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Plasma

Em física e em química, o plasma (do latim plasma, e do grego πλάσμα, formação) é um


dos estados físicos da matéria, similar ao gás, no qual certa porção das partículas é
ionizada. A premissa básica é que o aquecimento de um gás provoca a dissociação das
suas ligações moleculares, convertendo-o em seus átomos constituintes. Além disso, esse
aquecimento adicional pode levar à ionização (ganho ou perda de elétrons) dessas
moléculas e dos átomos do gás, transformando-o em plasma contendo partículas
carregadas (elétrons e íons positivos).[1]

Lâmpada de plasma, ilustrando alguns dos mais complexos fenômenos de um plasma, incluindo a filamentação.
As cores são resultado da relaxação de elétrons em estado de excitação para estados de menor energia, quando
eles se recombinam com os íons. Esses processos emitem luz num espectro característico do gás sendo excitado.

A presença de um número não desprezível de portadores de carga torna o plasma


eletricamente condutor, de modo que ele responde fortemente a campos
eletromagnéticos. O plasma, portanto, possui propriedades bastante diferentes das de
sólidos, líquidos e gases e é considerado um estado distinto da matéria. Como o gás, o
plasma não possui forma ou volume definidos, a não ser quando contido em um recipiente;
diferentemente do gás, porém, sob a influência de um campo magnético ele pode formar
estruturas como filamentos, raios e camadas duplas. Alguns plasmas comuns são as
estrelas e placas de neônio. No universo, o plasma é o estado mais comum da matéria
comum, a maior parte da qual se encontra no rarefeito plasma intergaláctico e em
estrelas.

O plasma foi primeiramente identificado em um tubo de Crookes e descrito por Sir William
Crookes em 1879 (ele o denominava "matéria radiante").[nota 1] A natureza da matéria do
"raio catódico" do tubo de Crookes foi depois identificada pelo físico britânico Sir J.J.
Thomson em 1897[nota 2] e chamado de "plasma" em 1928 por Irving Langmuir,[3] devido à
capacidade que o plasma das descargas elétricas tem de se moldar dentro dos tubos
onde ele é gerado.[4] Langmuir escreveu:

Com exceção das proximidades dos eletrodos, onde há bainhas contendo


menos elétrons, o gás ionizado contém íons e elétrons em quantidades
aproximadamente iguais, de modo que a carga espacial resultante é muito
pequena. Nós usaremos o nome plasma para descrever esta região
contendo cargas equilibradas de íons e elétrons.[3]

Tempestade elétrica.

Lâmpadas de néon geram luz graças ao plasma que existe no seu interior.

Um rastro de plasma do ônibus espacial Atlantis durante a reentrada na Atmosfera da Terra, vista desde a Estação
Espacial Internacional.

Mecânica de meios contínuos.


Também é definido como gás no qual uma fração substancial dos átomos está ionizada.
Um processo simples de ionização é aquecer o gás para que aumente o impacto
eletrônico, por exemplo. Desse modo, o gás se torna o plasma quando a adição de calor
ou outra forma de energia faz com que um número significante de seus átomos libere
alguns ou todos os seus elétrons. Esses átomos que perdem elétrons ficam ionizados, ou
seja, com uma carga positiva resultante, e os elétrons separados de seus átomos ficam
livres para se mover pelo gás, interagindo com outros átomos e elétrons.

Por apresentar-se num estado fluido similar ao estado gasoso, o plasma é comumente
descrito ou como o "quarto estado de agregação da matéria" (os três primeiros sendo
sólido, líquido e gasoso). Mas essa descrição não é muito precisa, pois a passagem de um
gás para a forma de plasma não ocorre através de uma transição de fase bem definida, tal
como nas transições do estado sólido para líquido e deste para gás. De todo modo, o
plasma pode ser considerado como um estado distinto da matéria, caracterizado por
possuir um número de partículas eletricamente carregadas que é suficiente para afetar
suas propriedades e comportamento. Os plasmas são bons condutores elétricos, e suas
partículas respondem fortemente a interações eletromagnéticas de grande alcance.[5]

Quando o número de átomos ionizados é relativamente pequeno, a interação entre as


partículas carregadas do gás ionizado é dominada por processos colisionais, ou seja, que
envolvem principalmente colisões binárias entre elas. Quando o número de partículas
carregadas é substancial, a interação entre as partículas carregadas é dominada por
processos coletivos, ou seja, a dinâmica de cada uma delas é determinada pelos campos
elétricos e magnéticos produzidos por todas as outras partículas carregadas do meio.
Neste caso, o gás ionizado passa a ser denominado plasma.[6][7]

História
O termo "plasma" foi introduzida por Irving Langmuir (Prêmio Nobel de Química em 1932),
quando estava estudando descargas elétricas em vapor de mercúrio, na década de 1920,
no "General Electric Research Laboratory", nos Estados Unidos. Ele notou que as
características do gás ionizado produzido nessas descargas eram razoavelmente
uniformes em todo o seu volume e que ele se moldava à forma do tubo onde era
produzido.

Após os estudos iniciais de Langmuir, as investigações científicas sobre plasmas ficaram


limitadas, por algum tempo, a grupos envolvidos no desenvolvimento de válvulas
eletrônicas e de micro-ondas, principalmente em laboratórios industriais. No entanto, a
partir do início de 1940, aproximadamente, houve um grande avanço na investigação da
Física de Plasma na comunidade de astrofísica, porque ficou claro que a maioria dos
processos físicos relevantes em estrelas, galáxias e no meio interestelar envolviam
processos de plasma. Em particular, o físico indiano Subramaniam Chandrashekhar,
Prêmio Nobel de Física em 1983, desenvolveu modelos teóricos novos para estudar a
dinâmica de galáxias e a evolução estelar utilizando vários conceitos de plasmas e o físico
sueco Hannes Alfvén, Prêmio Nobel de Física em 1970, descobriu as ondas
magnetohidrodinâmicas, que são excitadas em plasmas magnetizados, ao estudar os
mecanismos de aquecimento da coroa solar.[8]

Plasmas comuns
Os plasmas são, de longe, os mais comuns estados da matéria do universo, tanto em
massa como em volume.[nota 3] Todas as estrelas são feitas de plasma e mesmo o espaço
entre as estrelas é preenchido com um plasma, embora muito esparso. No Sistema Solar, o
planeta Júpiter possui a maior parte dos não plasmas, apenas 0,1% da massa e 10−15%
do volume no interior da órbita de Plutão. Grãos muito pequenos no interior de um plasma
gasoso também assumem uma carga resultante negativa, de modo que eles podem atuar
como um componente iônico fortemente negativo do plasma.

Formas comuns de plasma


Produzidos artificialmente Plasmas terrestres Plasmas espaciais e astrofísicos

Aqueles encont rados em t elas de plasma, inclusive TVs. Raios O Sol e out ras est relas
(plasmas aquecidos por fusão nuclear)
Int erior de lâmpadas fluorescent es (luz de baixa energia), sinais de neônio.[11] Raios globulares
O vento solar
Exaust ão de foguet es e propulsores de íons. Fogo de sant elmo
O meio int erplanet ário
A área adiant e do escudo t érmico de uma nave espacial, durant e a reent rada na at mosfera t errest re. Sprites
(espaço ent re planet as)
Int erior da descarga de corona de um gerador de ozônio. A ionosfera
O meio int erest elar
Pesquisa de energia de fusão nuclear. A aurora polar (espaço ent re sist emas de est relas)
O arco elét rico em uma lâmpada a arco volt aico, um arco de solda ou um maçarico de plasma. Os blue jet s / blue O meio int ergaláct ico
st art ers (espaço ent re galáxias)
Globo de plasma.
Os elves O t ubo de fluxo Io - Júpit er
Arcos produzidos em bobinas de Tesla (t ransformadores ressonant es de núcleo de ar ou bobinas int erruptoras que produzem arcos
similares a raios, mas com corrent e alt ernada, em vez de elet ricidade est át ica). O fogo-fát uo Discos de acreção
Plasmas ut ilizados na fabricação de circuitos int egrados, inclusive gravação iônica reat iva, pulverização catódica, limpeza superficial por Nebulosas int erest elares
plasma e deposição de vapor químico induzida por plasma.

Plasmas produzidos por lasers, encont rados quando lasers de alt a pot ência int eragem com mat eriais.

Plasmas indut ivos, t ipicament e formados em gás argônio para espect roscopia de emissão ópt ica ou espect romet ria de massa.

Plasmas magnet icament e induzidos, t ipicament e produzidos ut ilizando-se micro-ondas como método de acoplamento ressonant e.

Propriedades e parâmetros do plasma


Visão artística da fonte de plasma da Terra, mostrando íons de oxigênio, hélio e hidrogênio que jorram das regiões
próximas aos polos para o espaço. A área fracamente amarela mostrada acima do polo norte representa gás
perdido pela Terra para o espaço; a área verde é a aurora boreal, onde a energia do plasma flui de volta para a
atmosfera.[12]

Definição de um plasma …

O plasma é livremente descrito como um meio eletricamente neutro de partículas positivas


e negativas (isto é, a carga total de um plasma é aproximadamente zero). É importante
notar que, embora não tenham limites, essas partículas não são "livres". Quando as cargas
se movem, elas geram correntes elétricas com campos magnéticos e, como resultado,
cada uma é afetada pelos campos das outras. Isto determina o comportamento coletivo
com muitos graus de liberdade.[1][13] Uma definição pode ter três critérios:[14][15]

1. A aproximação de plasma: partículas carregadas devem estar suficientemente


próximas, de modo que cada uma influencie muitas partículas carregadas na sua
vizinhança, em vez de somente interagir com a mais próxima (esses efeitos coletivos
são característicos de um plasma). A aproximação de plasma é válida quando o
número de portadores de carga no interior da esfera de influência (chamada de esfera
de Debye, cujo raio é o comprimento de Debye) de uma partícula em particular é maior
do que uma unidade, para que haja comportamento coletivo das partículas
carregadas. O número médio de partículas na esfera de Debye é representado pelo
parâmetro de plasma "Λ" (a letra grega lambda).
2. Interações de volume: o comprimento de Debye (definido acima) é pequeno se
comparado ao tamanho físico do plasma. Este critério significa que as interações no
interior do plasma são mais importantes do que nas bordas, onde podem ocorrer
efeitos de fronteira. Quando este critério é obedecido, o plasma é praticamente
neutro.
3. Frequência de plasma: a frequência dos elétrons do plasma (medindo a oscilação da
densidade dos elétrons do plasma) é alta se comparada à frequência de colisões
entre elétrons e partículas neutras. Quando esta condição é válida, as interações
eletrostáticas predominam sobre os processos da cinética normal dos gases.

Faixas dos parâmetros do plasma …

Os parâmetros do plasma podem assumir valores que variam em muitas ordens de


grandeza, mas as propriedades dos plasmas com parâmetros aparentemente distintos
podem ser muito similares. O quadro a seguir considera apenas plasmas atômicos
convencionais e não fenômenos exóticos como os plasmas de quarks-glúons.

Faixas dos plasmas. A densidade aumenta para cima, a temperatura aumenta para a direita. Os elétrons livres em
um metal podem ser considerados um plasma de elétrons.[16]

Faixas típicas dos parâmetros do plasma: ordens de grandeza (OG)

Características Plasmas terrestres Plasmas cósmicos

Comprimento 10−6 m (plasma de laboratório) at é 10−6 m (bainhas de nave espacial) at é


em met ros 102 m (raio) (~8 OG) 1025 m (nebulosa int ergaláct ica) (~31 OG)

Tempo de vida 10−12 s (plasma produzido por laser) at é 101 s (chama solar) at é
em segundos 107 s (luzes fluorescent es) (~19 OG) 1017 s (plasma int ergaláct ico) (~16 OG)

Densidade
107 m−3 at é 1 m−3 (meio int ergaláct ico) at é
em part ículas por
1032 m−3 (plasma em confinamento inercial) 1030 m−3 (núcleo est elar)
met ro cúbico

Temperatura ~0 K (plasma crist alino não neut ro[17]) at é 102 K (aurora) at é


em kelvins 108 K (plasma de fusão magnét ica) 107 K (núcleo solar)

Campos magnéticos 10−4 T (plasma de laboratório) at é 10−12 T (meio int ergaláct ico) at é
em t eslas 103 T (plasma de pulso) 1011 T (perto de est relas de nêut rons)

Grau de ionização …

A ionização é necessária para o plasma existir. O termo "densidade do plasma" usualmente


se refere à "densidade de elétrons", isto é, o número de elétrons livres por unidade de
volume. O grau de ionização de um plasma é a proporção de átomos que perderam (ou
ganharam) elétrons e é controlado principalmente pela temperatura. Mesmo um gás
parcialmente ionizado, em que somente 1% das partículas esteja ionizada, pode
apresentar as características de um plasma, isto é, resposta a campos magnéticos e alta
condutividade elétrica. O grau de ionização α é definido como α = ni/(ni + na), em que ni é a
densidade de íons e na é a densidade de átomos neutros. A densidade de elétrons está
relacionada a ele pelo estado médio da carga <Z> dos íons, sendo que ne = <Z> ni, em que
ne é a densidade de elétrons.

Temperaturas …

A temperatura do plasma é normalmente medida em kelvins ou elétron-volts e é,


informalmente, uma medida da energia cinética térmica por partícula. Geralmente são
necessárias temperaturas muito altas para sustentar a ionização, a qual é uma
caraterística definidora de um plasma. O grau de ionização do plasma é determinado pela
"temperatura do elétron" relativa ao potencial de ionização (e, com menos intensidade, pela
densidade), numa relação chamada equação de Saha. Em baixas temperaturas, os íons e
elétrons tendem a se recombinar para o seu estado ligado - átomos[18] - e o plasma acaba
se convertendo em um gás.

Na maioria dos casos os elétrons estão suficientemente próximos do equilíbrio térmico, de


modo que sua temperatura é relativamente bem definida, mesmo quando há um desvio
significativo de uma função de distribuição de energia maxwelliana, devido, por exemplo, a
radiação ultravioleta, a partículas energéticas ou a campos elétricos fortes. Por causa da
grande diferente de massa, os elétrons chegam ao equilíbrio termodinâmico entre si muito
mais rapidamente do que com os íons ou átomos neutros. Por esta razão, a "temperatura
do íon" pode ser muito diferente (normalmente menor) da "temperatura do elétron". Isto é
especialmente comum em plasmas tecnológicos fracamente ionizados, cujos íons estão
frequentemente próximos à temperatura ambiente.

Em função das temperaturas relativas dos elétrons, íons e partículas neutras, os plasmas
são classificados como "térmicos" ou "não térmicos". Plasmas térmicos possuem elétrons
e partículas pesadas à mesma temperatura, isto é, eles estão em equilíbrio térmico entre
si. Plasmas não térmicos, por outro lado, possuem íons e átomos neutros a uma
temperatura muito menor (normalmente temperatura ambiente), enquanto os elétrons são
muito mais "quentes".

Um plasma é às vezes chamado de "quente" se ele está quase totalmente ionizado, ou


"frio" se apenas uma pequena fração (por exemplo, 1%) das moléculas do gás estão
ionizadas, mas outras definições dos termos "plasma quente" e "plasma frio" são comuns.
Mesmo em um plasma "frio", a temperatura do elétron é tipicamente de várias centenas de
graus Celsius. Os plasmas utilizados na "tecnologia de plasma" ("plasmas tecnológicos")
são normalmente frios neste sentido.

Potenciais …
O raio é um exemplo de plasma presente na superfície da Terra. Tipicamente, um raio descarrega 30.000 amperes
a até 100 milhões de volts e emite luz, ondas de rádio, raios X e até raios gama.[19] As temperaturas do plasma num
raio podem atingir ~28.000 kelvin e as densidades de elétrons podem exceder 1024 m−3.

Como os plasmas são muito bons condutores, os potenciais elétricos têm um papel
importante. O potencial médio que existe no espaço entre partículas carregadas,
independentemente da questão de como ele pode ser medido, é chamado de "potencial de
plasma" ou "potencial do espaço". Se um eletrodo é inserido em um plasma, o seu
potencial em geral ficará consideravelmente abaixo do potencial do plasma, devido à
chamada bainha de Debye. A boa condutividade elétrica dos plasmas faz com que os seus
campos elétricos sejam muito pequenos. Disso resulta o importante conceito de "quase
neutralidade", que diz que a densidade das cargas negativas é aproximadamente igual à
das cargas positivas para grandes volumes de plasma (ne = <Z>ni), mas na escala do
comprimento de Debye pode haver desequilíbrio de cargas. No caso especial em que
camadas duplas são formadas, a separação das cargas pode se estender por algumas
dezenas de comprimentos de Debye.

A magnitude dos potenciais e campos elétricos pode ser determinada por outros meios do
que simplesmente encontrando-se a densidade de carga resultante. Um exemplo comum é
assumir que os elétrons satisfazem a relação de Boltzmann:

Diferenciando-se esta relação, obtém-se um meio para calcular o campo elétrico a partir
da densidade:

.
É possível produzir um plasma que não seja quase neutro. Um feixe de elétrons, por
exemplo, só tem cargas negativas. A densidade de um plasma não neutro deve geralmente
ser muito baixa, pois de outra forma ele será dissipado pela força eletrostática de
repulsão.

Em plasmas astrofísicos, a triagem Debye (atenuação do campo elétrico provocada pela


presença de portadores de carga móveis) impede que os campos elétricos afetem
diretamente o plasma por grandes distâncias, isto é, maiores do que o comprimento de
Debye. Mas a existência de partículas carregadas faz com que o plasma gere e seja
afetado por campos magnéticos. Isto pode causar (e efetivamente causa) um
comportamento extremamente complexo, como a geração de camadas duplas no plasma,
um objeto que separa as cargas por algumas dezenas de comprimentos de Debye. A
dinâmica de plasmas interagindo com campos magnéticos externos e auto-gerados é
estudada na disciplina acadêmica de magnetoidrodinâmica.

Magnetização …

Diz-se que um plasma com um campo magnético forte o suficiente para influenciar o
movimento das partículas carregadas está magnetizado. Um critério quantitativo comum é
que uma partícula em média completa pelo menos um giro em torno do campo magnético
antes de participar de uma colisão, isto é, ωce/νcoll > 1, onde ωce é a "frequência de giro do
elétron" e νcoll é a "taxa de colisão do elétron". Ocorre frequentemente de os elétrons
estarem magnetizados e os íons não. Plasmas magnetizados são anisotrópicos,
significando que as suas propriedades na direção do campo magnético são diferentes
daquelas na direção perpendicular a ele. Enquanto os campos elétricos nos plasmas são
geralmente pequenos devido à alta condutividade, o campo elétrico associado a um
plasma movendo-se num campo magnético é dado por E = −v x B (onde E é o campo
elétrico, v é a velocidade e B é o campo magnético) e não é afetado pela bainha de
Debye.[20]

Comparação das fases do plasma e do gás …

O plasma é frequentemente chamado o quarto estado da matéria. Ele é distinto de outros


estados de baixa energia da matéria, sólido, líquido e gasoso. Embora esteja
proximamente relacionado com a fase gasosa pelo fato de não possuir forma ou volume,
ele difere em um conjunto de fatores, inclusive os seguintes:
Propriedade Gás Plasma

Condutividade Muito baixa Normalmente muito alta


Elétrica Ar é um excelent e isolant e at é que ele se t ransforma em Para muitos propósitos, a condut ividade de um plasma pode ser considerada infinit a.
plasma em campos elét ricos de mais de 30 kilovolt s por
cent ímet ro.[21]

Espécies atuando Uma Duas ou três


independentemente Todas as part ículas de gás se comport am de forma similar, Elét rons, íons, prótons e nêut rons podem se dist inguir pelo sinal e valor da sua carga, de modo que eles se
influenciadas pela gravidade e por colisões ent re si. comport am independent ement e em muit as circunst âncias, com diferent es velocidades e t emperat uras,
permit indo fenômenos como novos t ipos de ondas e inst abilidades.

Distribuição de Maxwelliana Frequentemente não Maxwelliana


Velocidade Colisões normalment e levam a uma dist ribuição Maxwelliana da Int erações colisionais são frequent ement e fracas em plasmas quent es e forças ext ernas podem dirigir o plasma
velocidade de todas as part ículas de gás, com muito poucas para longe do equilíbrio e levar a uma significat iva população de part ículas ext raordinariament e rápidas.
part ículas relat ivament e rápidas.

Interações Binária Coletiva


Colisões de duas part ículas são a regra, de t rês corpos são Ondas, ou movimento organizado do plasma, são muito import ant es porque as part ículas podem int eragir em
ext remament e raras. faixas largas at ravés das forças elét ricas e magnét icas.

Fenômenos complexos do plasma

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Vídeo: A remanescente da supernova de Tycho, uma enorme bola de plasma em expansão. A camada externa
mostrada em azul é emissão de raio-X por elétrons em alta velocidade.

Embora as equações fundamentais que governam os plasmas sejam simples, o


comportamento do plasma é extraordinariamente variado e sutil: o aparecimento de
comportamento inesperado de um modelo simples é uma característica típica de sistemas
complexos. Tais sistemas se situam, em algum sentido, no limite entre o comportamento
ordenado e o desordenado e tipicamente não podem ser descritos por funções
matemáticas simples ou pela pura randomização. A formação espontânea de acidentes
espaciais interessantes numa grande faixa de escalas de distância é uma manifestação da
complexidade do plasma. Os acidentes são interessantes, por exemplo, porque eles são
muito abruptos, espacialmente intermitentes (a distância entre os acidentes é muito maior
do que os acidentes em si) ou têm forma de fractal. Muitos desses acidentes foram
inicialmente estudados em laboratório e depois foram reconhecidos pelo universo.
Exemplos da complexidade e de estruturas complexas nos plasmas incluem:

Filamentação …

Estriamentos ou estruturas em forma de mola[22] são vistos em muitos plasmas, como a


bola de plasma, a aurora polar,[23] raios,[24] arcos elétricos, erupções solares[25] e
remanescentes de supernova.[26] Eles são às vezes associados com altas densidades de
corrente e a interação com o campo magnético pode formar uma estrutura de corda
magnética.[27]

A filamentação também se refere à auto-focalização de um pulso de laser de alta


potência. Em alta potência, a parte não linear do índice de refração se torna importante e
causa um índice de refração maior no centro do feixe de laser, onde o laser é mais
brilhante, causando um feedback que focaliza o laser ainda mais. O laser com foco mais
estreito tem um pico de brilho mais alto (irradiância), que forma um plasma. O plasma tem
um índice de refração menor que um, fazendo com que o feixe de laser perca o foco. A
inter-relação do índice de refração que focaliza com o plasma que desfocaliza provoca a
formação de um longo filamento de plasma que pode ter comprimento de micrômetros a
quilômetros.[28]

Choques ou camadas duplas …

As propriedades do plasma mudam rapidamente (no espaço de poucos comprimentos de


Debye), através de uma placa bidimensional na presença de um choque (em movimento)
ou de uma camada dupla (estacionária). Camadas duplas envolvem a separação
localizada da carga elétrica, que causa uma grande diferença de potencial ao longo da
camada, mas não gera um campo elétrico fora da camada. Camadas duplas separam
regiões adjacentes de plasma com características físicas diferentes e são frequentemente
encontradas em plasmas que contêm corrente. Elas aceleram tanto os íons quanto os
elétrons.

Campos e circuitos elétricos …

A quase neutralidade de um plasma requer que as correntes no plasma se fechem em si


mesmas em circuitos elétricos. Esses circuitos seguem as leis de Kirchhoff de circuitos e
possuem uma resistência elétrica e uma indutância, devendo ser tratados como um
sistema fortemente acoplado, em que o comportamento em cada região do plasma
depende do circuito inteiro. É este forte acoplamento entre os elementos do sistema, junto
com a não linearidade, que pode levar ao comportamento complexo. Os circuitos elétricos
nos plasmas armazenam energia indutiva (magnética) e, no caso de rompimento do
circuito, por exemplo por uma instabilidade do plasma, a energia indutiva é liberada como
aquecimento e aceleração do plasma. Esta é uma explicação comum para o aquecimento
que ocorre na coroa solar. As correntes elétricas, em particular as alinhadas com campos
magnéticos (às vezes genericamente referidas como correntes de Birkeland), são também
observadas nas auroras polares da Terra e em filamentos de plasma.

Estrutura celular …

Placas estreitas com gradientes bruscos podem separar regiões com diferentes
propriedades como magnetização, densidade e temperatura, resultando em regiões
similares a células. São exemplos a magnetosfera, a heliosfera e a corrente heliosférica
difusa. Como escreveu Hannes Alfvén: "Do ponto de vista cosmológico, a mais importante
descoberta recente da pesquisa espacial é provavelmente a estrutura celular do espaço.
Como foi visto em todas as regiões do espaço acessíveis a medições in situ, há um
número de 'paredes celulares', placas de correntes elétricas que dividem o espaço em
compartimentos com diferentes magnetização, temperatura, densidade, etc.".[29]

Velocidade crítica de ionização …

A velocidade crítica de ionização é a velocidade relativa entre um plasma ionizado e um


gás neutro, acima da qual ocorre um processo de ionização de fuga. O processo de
ionização crítico é um mecanismo bastante geral para a conversão da energia cinética de
um gás fluindo rapidamente em ionização e energia térmica do plasma. Fenômenos
críticos são geralmente típicos de sistemas complexos e podem levar a abruptas
características espaciais ou temporais.

Plasma ultrafrio …

Plasmas ultrafrios são criados em armadilhas magneto-ópticas pela captura e


resfriamento de átomos neutros a temperaturas de 1 mK ou menos, e depois usando outro
laser para ionizar os átomos, dando a cada um dos elétrons mais externos a energia
suficiente para escapar da atração elétrica do seu íon.

Uma vantagem dos plasmas ultrafrios é a sua condição inicial bem caracterizada e
ajustável, incluindo o seu tamanho e a temperatura do elétron. Mudando-se o comprimento
de onda do laser ionizador, a energia cinética dos elétrons liberados pode ser ajustada
para tão baixo quanto 0,1 K, um limite imposto pela largura da banda de frequência do
pulso de laser. Os íons herdam as temperaturas em milikelvin dos átomos neutros, mas
são rapidamente aquecidos por um processo conhecido como aquecimento por desordem
induzida. Este tipo de plasma ultrafrio não equilibrado evolui rapidamente e apresenta
muitas outras características interessantes.[30]

Um dos estados metaestáveis de um plasma fortemente não ideal é a matéria de Rydberg,


que se forma a partir da condensação de átomos excitados.

Plasma não neutro …

A força e os limites de variação da força elétrica e a boa condutividade dos plasmas


normalmente garantem que as densidades de cargas positivas e negativas em qualquer
região de bom tamanho sejam iguais (quase neutralidade). Um plasma com um excesso
significativo de densidade de carga ou que, em caso extremo, seja composto de uma única
espécie, é chamado de plasma não neutro. Num plasma deste tipo, os campos elétricos
têm um papel predominante. São exemplos os feixes de partículas carregadas, uma nuvem
de elétrons numa armadilha de Penning e plasmas de pósitrons.[31]

Plasma de pó e plasma de grãos …

Um plasma de pó contém pequenas partículas carregadas de poeira (tipicamente


encontrada no espaço), que também se comportam como um plasma. Um plasma que
contém partículas maiores é chamado plasma de grãos.

Descrições matemáticas

As complexas linhas de campos magnéticos auto-comprimidas e caminhos de corrente em uma corrente de


Birkeland alinhada ao campo que pode se desenvolver em um plasma.[32]

Para se descrever completamente o estado de um plasma, seria necessário registrar todas


as localizações e velocidades das partículas e descrever o campo magnético na região do
plasma. Entretanto, geralmente não é prático nem necessário rastrear todas as partículas
de um plasma, portanto os físicos normalmente usam descrições menos detalhadas, das
quais existem dois tipos principais:

Modelos de fluido
Modelos de fluidos descrevem o plasma em termos de quantidades simplificadas, como
densidade e velocidade média em cada posição. Um modelo de fluido simples,
magnetoidrodinâmica, trata o plasma como um único fluido governado por uma
combinação das equações de Maxwell e de Navier-Stokes. Uma descrição mais geral é a
do plasma de dois fluidos, em que os íons e elétrons são descritos separadamente. Os
modelos de fluidos frequentemente são acurados quando o grau de colisões é
suficientemente alto para manter a distribuição da velocidade do plasma próxima à
distribuição de Maxwell-Boltzmann. Como os modelos de fluidos geralmente descrevem o
plasma em termos de um único fluxo a uma determinada temperatura em cada localização
espacial, eles não podem capturar estruturas espaciais da velocidade, como raios de luz
ou camadas duplas, nem resolvem efeitos de partículas em ondas.

Modelos cinéticos …

Os modelos cinéticos descrevem a função de distribuição da velocidade da partícula em


cada ponto do plasma e, portanto, não precisam assumir uma distribuição de Maxwell-
Boltzmann. Uma descrição cinética é frequentemente necessária para plasmas sem
colisões. Existem duas abordagens comuns para a descrição cinética de um plasma. Uma
se baseia na representação da função de distribuição simplificada num gráfico de
velocidade e posição. A outra, conhecida como técnica da partícula na célula, inclui a
informação da cinética seguindo-se a trajetória de um grande número de partículas
individuais. Os modelos cinéticos são geralmente mais intensivos em computação do que
os modelos de fluidos. A equação de Vlasov pode ser usada para descrever a dinâmica de
um sistema de partículas carregadas interagindo com um campo eletromagnético. Em
plasmas magnetizados, uma abordagem girocinética pode reduzir substancialmente o
gasto computacional de uma simulação cinética completa.

Plasmas artificiais
A maioria dos plasmas artificiais é gerada pela aplicação de campos elétricos e/ou
magnéticos. Os plasmas gerados em laboratório e para uso industrial podem geralmente
ser categorizados por:

O tipo de fonte de força usada para gerar o plasma - corrente contínua, radiofrequência e
micro-ondas.
A pressão a que eles operam - pressão de vácuo (< 10 mTorr ou 1 Pa), pressão
moderada (~ 1 Torr ou 100 Pa), pressão atmosférica (760 Torr ou 100 kPa).,
O grau de ionização no interior do plasma - total, parcial ou fracamente ionizado.
As relações de temperatura no interior do plasma - plasma térmico (Te = Tion = Tgas),
plasma não térmico ou "frio" (Te >> Tion = Tgas).
A configuração do eletrodo usado para gerar o plasma.
A magnetização das partículas no interior do plasma - magnetizado (tanto íons quanto
elétrons são capturados em órbitas de Larmor pelo campo magnético), parcialmente
magnetizados (os elétrons, mas não os íons, são capturados pelo campo magnético),
não magnetizados (o campo magnético é fraco demais para capturar as partículas em
órbitas, mas pode gerar forças de Lorentz).
A aplicação.

Geração do plasma artificial …

Plasma artificial produzido no ar por uma escada de Jacob

Assim como há muitos usos para o plasma, há várias formas para a sua geração,
entretanto um princípio é comum a todos eles: deve haver fornecimento de energia para
produzi-lo e sustentá-lo.[33] O plasma é gerado quando uma corrente elétrica é aplicada
através de um gás ou um fluido dielétrico (um material não condutor de eletricidade), como
pode ser visto na imagem abaixo, que mostra um tubo de gás como um exemplo (corrente
contínua usada por simplicidade)
Processo de ionização em cascata. Elétrons são ‘e−’, átomos neutros ‘o’, e cátions ‘+’.

A diferença de potencial e o campo elétrico subsequente atraem os elétrons mais externos


(negativos) em direção ao anodo (eletrodo positivo), enquanto o catodo (eletrodo
negativo) atrai os núcleos.[34] À medida que a tensão aumenta, a corrente leva o material
(por polarização elétrica) além do seu limite dielétrico (chamado rigidez dielétrica), num
estágio de ruptura elétrica marcado por uma centelha elétrica, em que o material passa de
isolante a condutor elétrico, tornando-se cada vez mais ionizado. Este é um estágio de
ionização em avalanche, em que as colisões entre elétrons e átomos neutros de gás criam
mais íons e elétrons, como pode ser visto na figura à direita. O primeiro impacto de um
elétron em um átomo resulta em um íon e dois elétrons. Portanto, o número de partículas
carregadas aumenta rapidamente (aos milhões) somente após cerca de 20 conjuntos
sucessivos de colisões,[35] devido principalmente a um menor caminho livre médio
(distância média percorrida entre as colisões).

Com densidade de corrente e ionização suficientes, forma-se um arco elétrico luminoso


(essencialmente um raio) entre os eletrodos. [nota 4] A resistência elétrica ao longo do arco
elétrico contínuo gera calor, que ioniza mais moléculas de gás (quando o grau de ionização
é determinado pela temperatura) e, pela sequência sólido - líquido - gás - plasma, o gás é
gradualmente transformado em um plasma térmico. [nota 5] Um plasma térmico está em
equilíbrio térmico, o que significa que a temperatura é relativamente homogênea entre as
partículas pesadas (isto é, átomos, moléculas e íons) e elétrons. Isto ocorre porque
quando os plasmas térmicos são gerados, é cedida energia elétrica aos elétrons, os quais,
pela sua grande mobilidade e grande número, são capazes de dispersá-la rapidamente e
sem perda de energia (por colisão elástica) para as partículas pesadas.[36] [nota 6]

Exemplos de plasmas industriais/comerciais …

Devido às suas faixas consideráveis de temperaturas e densidades, os plasmas


encontram aplicações em muitos campos da pesquisa, tecnologia e indústria, como por
exemplo: metalurgia industrial e extrativa,[36] tratamentos superficiais como projeção
térmica (recobrimento), gravação em microeletrônica,[37] corte e soldagem de metais;[38]
além disso, são usados na limpeza de gases de exaustão veiculares e em lâmpadas
fluorescentes e luminescentes,[33] além de ter participação em motores de combustão
supersônicos para a engenharia aeroespacial.[39]

Descargas de baixa pressão …

Plasmas de descarga luminescente: plasmas não térmicos gerados pela aplicação de


corrente contínua ou campo elétrico RF (radiofrequência) de baixa frequência (< 100 kHz)
no espaço entre dois eletrodos metálicos. Provavelmente o plasma mais comum, é o tipo
gerado no interior dos tubos de lâmpadas fluorescentes.[40]

Plasmas capacitivos: similares aos plasmas de descarga luminescente, mas gerados por
campos elétricos RF de alta frequência, tipicamente 13,56 MHz. Eles diferem da descarga
luminescente em que as bainhas são muito menos intensas. São largamente utilizados em
microfabricação e na produção de circuitos integrados na gravação por plasma e na
deposição de vapor químico induzida pelo plasma.[41]

Plasmas indutivos: similares aos capacitivos e com aplicações similares, mas o eletrodo
consiste de uma bobina revestindo o volume da descarga, que indutivamente excita o
plasma.

Plasmas aquecidos por ondas: similares aos capacitivos e indutivos, no sentido de que são
gerados tipicamente por radiofrequência ou micro-ondas, mas são aquecidos tanto por
meios eletrostáticos quanto eletromagnéticos.

Pressão atmosférica …

Descarga de arco: descarga térmica de alta potência e temperatura muito alta (~ 10 000 K).
Pode ser gerado utilizando-se várias fontes de energia. É comumente usado em processos
metalúrgicos, como, por exemplo, para fundir rochas contendo Al2O3 para produzir
alumínio.

Descarga de corona: descarga não térmica gerada pela aplicação de alta tensão em
eletrodos de ponta aguda. É comumente usado em geradores de ozônio e precipitadores
de partículas.

Descarga de barreira dielétrica: descarga não térmica gerada pela aplicação de altas
tensões em pequenos espaços, enquanto um revestimento não condutor impede a
transição da descarga de plasma em um arco. É com frequência chamado
inadequadamente "descarga de corona" na indústria e tem aplicação similar a esta. É
também largamente utilizado no tratamento de tecidos.[42] A aplicação da descarga em
tecidos sintéticos e plásticos finaliza a superfície e permite a aderência de tintas, colas e
materiais similares.[43]

Descarga capacitiva: plasma não térmico gerado pela aplicação de radiofrequência (por
exemplo, de 13,56 MHz) a um eletrodo, com um eletrodo aterrado mantido a uma
separação da ordem de 1 cm. Essas descargas são normalmente estabilizadas usando-se
um gás nobre como o hélio ou o argônio.

Aplicações
Uma das motivações para o desenvolvimento da Física de Plasma veio da investigação do
processo de fusão termonuclear para produção de energia. Para que núcleos leves se
fundam, produzindo energia a partir do processo de fusão nuclear, é necessário que
colidam com energia suficiente para vencer a repulsão coulombiana, ou seja, que tenham
energia suficiente para se aproximarem uma distância da ordem do raio nuclear, apesar da
repulsão eletrostática entre eles. Os estudos iniciais demonstraram que não era viável
utilizar aceleradores de partículas para este fim, porque a energia gasta para acelerar os
núcleos reagentes é superior à energia obtida com o processo de fusão, de forma que não
há ganho energético no processo completo.

No entanto, é possível conseguir ganho fazendo que o processo de fusão ocorra num gás
altamente aquecido porque, devido à distribuição Maxwelliana de energia entre partículas,
numa temperatura suficientemente alta, haverá sempre partículas com energia suficiente
para vencer a barreira coulombiana e se fundirem. Basicamente a temperatura do gás tem
que ser alta o suficiente para que a energia térmica seja da ordem da energia de repulsão
coulombiana e a energia produzida pelas reações de fusão seja maior que a perdida por
radiação, em particular radiação de bremsstrahlung. Isso fez com que a pesquisa para
desenvolvimento de reatores à fusão levasse a um rápido avanço da Física de Plasma, nas
quatro últimas décadas.

A pesquisa em fusão nuclear permitiu descobrir várias aplicações tecnológicas de


plasmas que forma sendo gradualmente incorporadas em processos industriais a partir
dos anos sessenta, em particular na indústria eletrônica. Atualmente, mais de 85% de
todos os processos utilizados nessas indústrias envolvem algum tipo de plasma. Além
disso, a utilização de plasmas permitiu o desenvolvimento de novos materiais, como
filmes finos de diamantes, fulerenos e nanotubos, materiais resistentes à corrosão e
muitos outros. Por isso, há uma intensa atividade em todo o mundo, tanto em laboratórios
de pesquisa acadêmica como industriais, dedicada ao desenvolvimento de aplicações
tecnológicas de plasmas, de forma que a utilização de plasmas de baixa temperatura para
manufatura e processamento de materiais avançados constitui uma nova fronteira da
Física de Plasma.[44]

Ver também
Comprimento de Debye
Magnetoidrodinâmica
Nikola Tesla
Plasma de quarks-glúons

Notas
1. Crookes apresentou uma palestra na Associação Britânica para o Avanço da Ciência,
em Sheffield, em 22 de agosto de 1879 [1] [2]
2. Anunciado em sua palestra noturna no Royal Institution, de Londres, em 30 de abril de
1897, e publicado no Philosophical Magazine.[2]
3. Afirma-se com frequência que 99% do material no universo visível é plasma.[9][10]
Essencialmente, toda a luz visível que chega do espaço vem de estrelas, que são
plasmas com uma temperatura tal que elas irradiam fortemente nos comprimentos de
onda visíveis. A maior parte da matéria comum do universo, porém, se encontra no
espaço intergaláctico, que também é um plasma, mas muito mais quente, de modo que
ele irradia principalmente como raios X. O consenso científico atual é de que cerca de
96% da densidade de energia total do universo não é plasma ou qualquer outra forma
de matéria comum, mas uma combinação de matéria escura fria e energia escura.
4. O material atravessa vários 'regimes' ou estágios (por exemplo, saturação, ruptura,
luminescência, transição e arco térmico) à medida que a tensão elétrica é aumentada
sob a relação tensão-corrente. A tensão atinge o seu máximo no estágio de saturação e
a partir daí passa por flutuações nos vários estágios, enquanto a corrente aumenta
progressivamente por todo o ciclo.[35]
5. Na literatura, não parece haver uma definição estrita sobre onde se localiza a fronteira
entre um gás e o plasma. Entretanto, basta dizer que a 2000°C as moléculas de gás se
tornam atômicas e ionizadas a 3000°C e "neste estado, o gás tem um viscosidade
similar a um líquido a pressão atmosférica e as cargas elétricas livres conferem
condutividades elétricas relativamente altas que podem se aproximar das de metais."[36]
. Note que plasmas não térmicos ou não equilibrados não são tão ionizados e têm
densidades energéticas menores, logo a temperatura não é distribuída por igual entre
as partículas, com o que algumas pesadas permanecem 'frias'.

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Ligações externas
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Introduction to Plasma Physics: Curso de pós-graduação de Richard Fitzpatrick |M.I.T.
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