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 Lula, Freud e o futuro da esquerda

 José Padilha, 6 de março de 2016  


“Se um paciente inteligente rejeita uma sugestão de forma irracional, então a sua lógica
imperfeita é evidência da existência de um forte motivo para a sua rejeição.” Sigmund
Freud. Não resta a menor dúvida, para qualquer pessoa minimamente razoável, de que o
Partido dos Trabalhadores e seus principais dirigentes — entre eles José Dirceu, Antônio
Palocci, João Vaccari e Luiz Inácio Lula da Silva — estruturaram uma organização
criminosa com o apoio de outras facções da política brasileira (facção se aplica melhor à
nossa realidade do que partido) com o objetivo precípuo de se perpetuar no poder.

Para tal, desviaram recursos de empresas estatais, de bancos públicos e de fundos de


pensão, se associaram a grupos de empreiteiros mafiosos, utilizaram laranjas,
marqueteiros e doleiros em larga escala, fraudaram o processo eleitoral com recursos
provenientes de corrupção e fizeram políticas públicas totalmente irresponsáveis, levando
o Brasil à bancarrota. Não resta dúvida também, como disse o capitão Nascimento em
Tropa de Elite, que “quem rouba para o sistema também rouba para família”. Isto está
claro e transparente — como a luz que incide na cobertura 164 A do único edifício pronto
no condomínio Solaris. No entanto, ainda há quem tente negar a realidade revelada no
processo do mensalão e nas provas e testemunhos das operações Lava-Jato e Zelotes.

O que nos leva de volta a Sigmund Freud: por qual motivo há tanta relutância por parte da
esquerda em encarar a realidade que lhes foi exposta ao longo dos últimos anos? A
explicação é dupla. No caso da militância profissional, da UNE, da CUT e do MST, se
aplica a máxima de Upton Sinclair, famoso escritor americano: “É difícil fazer com que
alguém entenda algo quando o seu salário depende do não entendimento deste algo.” Mas
o que dizer dos intelectuais e artistas que não recebem salários por sua “militância”? No
caso deles, não se trata de grana, mas de uma questão psicoanalítica. Investiram as suas
vidas e reputações em posições pró Lula e pró PT. Agora, não suportam reconhecer o erro
que cometeram por uma questão de autoimagem.

Freud e sua filha Anna chamaram este fenômeno de negação. Trata-se de uma defesa
contra realidades externas que ameaçam o ego. Saber lidar com a negação me parece ser
a questão básica para a sobrevivência da esquerda brasileira hoje. Se os pensadores de
esquerda não tiverem a grandeza de reconhecer o erro que cometeram com Lula e com o
PT, se comprarem a tentativa de Lula e do PT de incendiar o país para criar um ambiente
irracional posto na vigência da razão não há saída, a esquerda brasileira vai afundar com
eles. Lula e o PT se tornarão os arautos da destruição do pensamento marxista no Brasil.
(O Globo – 06/03/2016).

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